“SCHERBEN
PARK” (como não chegou por aqui, ainda não teve tradução), 2013, direção de Bettina Blümner, é um bom drama alemão cuja história é
centrada na jovem Sascha Maimann (Jasna Fritzi Bauer), de 17 anos. Ela vive com
os irmãos pequenos e a tia num apartamento na periferia de Stuttgart. A família
sofre discriminação dos vizinhos por ser de origem russa. Uma das mães,
inclusive, proíbe a filha de brincar com a irmã menor de Sascha. “Eles ainda
acham que os russos comem criancinhas”, desabafa Sascha. A jovem carrega o trauma de ter
visto a mãe ser assassinada pelo padrasto e se julga culpada por não ter tirado
a arma de Vadim, o matador, que cumpre pena num presídio de segurança máxima.
Sascha promete que um dia sua mãe será vingada, o que inclui matar Vadim.
Quando um jornal da cidade publica uma reportagem sobre o assassino preso,
amenizando seu lado psicótico, Sascha vai à redação tirar satisfações com o
editor, Volker Trebur (Ulrich Nothen). Depois dos entreveros iniciais, Sascha
ficará amiga tanto de Volker como do filho dele, Félix (Max Hegewald). A
história é baseada no romance homônimo da escritora russa Alina Bronsky. Enfim,
um filme bastante interessante que vale a pena ser visto. sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
“SCHERBEN
PARK” (como não chegou por aqui, ainda não teve tradução), 2013, direção de Bettina Blümner, é um bom drama alemão cuja história é
centrada na jovem Sascha Maimann (Jasna Fritzi Bauer), de 17 anos. Ela vive com
os irmãos pequenos e a tia num apartamento na periferia de Stuttgart. A família
sofre discriminação dos vizinhos por ser de origem russa. Uma das mães,
inclusive, proíbe a filha de brincar com a irmã menor de Sascha. “Eles ainda
acham que os russos comem criancinhas”, desabafa Sascha. A jovem carrega o trauma de ter
visto a mãe ser assassinada pelo padrasto e se julga culpada por não ter tirado
a arma de Vadim, o matador, que cumpre pena num presídio de segurança máxima.
Sascha promete que um dia sua mãe será vingada, o que inclui matar Vadim.
Quando um jornal da cidade publica uma reportagem sobre o assassino preso,
amenizando seu lado psicótico, Sascha vai à redação tirar satisfações com o
editor, Volker Trebur (Ulrich Nothen). Depois dos entreveros iniciais, Sascha
ficará amiga tanto de Volker como do filho dele, Félix (Max Hegewald). A
história é baseada no romance homônimo da escritora russa Alina Bronsky. Enfim,
um filme bastante interessante que vale a pena ser visto. terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Indicado
para o Oscar 2016 em seis categorias, inclusive Melhor Filme e Diretor (Tom McCarthy),
o drama “SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS” (“Spotlight”), EUA, 2015, conta a história, baseada em fatos reais, de um grupo de jornalistas do
Jornal Boston Globe que, numa série de reportagens, denunciou inúmeros casos de
pedofilia praticada por padres e acusou a Igreja Católica de esconder os fatos,
sem tomar providências para punir os acusados. Tudo isso aconteceu entre 2000 e
2003, resultando num Prêmio Pulitzer para os jornalistas, interpretados no
filme por Michael Keaton, Rachel McAdams, Mark Ruffalo, Liev Schreiber e John
Slattery. Convenhamos, um timaço! As reportagens foram destaque no mundo inteiro, motivando milhares de
pessoas a denunciar terem sido vítimas dos padres em suas cidades – nos créditos
finais aparece a relação de cidades no mundo inteiro que registraram denúncias
semelhantes. Em alguns momentos, o roteiro exagera nos diálogos e nas
informações, podendo confundir o espectador. Na maioria das vezes, isso ocorre
durante as reuniões entre a equipe de jornalistas. Mas não chega a prejudicar o
entendimento geral. Um filme sério, muito bem feito e que, por isso mesmo, foi
eleito o Melhor Filme de 2015 pela Associação Nacional de Críticos dos Estados
Unidos. Filmaço!
“007 CONTRA SPECTRE” (“SPECTRE”), 2014, Inglaterra/EUA, direção de Sam Mendes. Este é, sem dúvida, o
melhor filme dos quatro protagonizados pelo ator inglês Daniel Craig. E também
o mais caro de todos os 24 realizados até agora: U$ 350 milhões. Bond enfrenta
mais uma organização criminosa, desta vez chefiada pelo vilão Franz Oberhauser
(Christoph Waltz). A fórmula dos filmes de Bond está mantida: uma incrível cena
de abertura na Cidade do México (um plano-sequência sensacional), locações
deslumbrantes ao redor do mundo, muita ação, pancadaria, perseguições e
mulheres bonitas (nada menos do que Monica Bellucci e Léa Seydoux). A italiana Bellucci,
aliás, mostra uma ótima forma aos 51 anos (tornou-se a mais velha Bond-Girl). A
sensualidade de Léa Seydoux, além da competência como atriz, é outro grande
destaque do filme. O humor também volta a reinar no filme, não apenas nos
diálogos. Depois de uma longa e violenta briga com um bandido enorme, por
exemplo, a gravata e o paletó de Bond estão impecáveis e no mesmo lugar. Ele dá aquela ajeitada na gravata, como a dizer que nada aconteceu. Puro
Bond! Craig está mais cínico, característica marcante do agente inglês. Este foi o segundo Bond dirigido por Sam Mendes. O primeiro, também muito bom, foi "007 - Operação Skyfall", de 2012. Não dá
pra perder. Ou seja, imperdível!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
“PONTE DOS ESPIÕES” (“Bridge of Spies”), EUA, 2015, direção de Steven Spielberg.
Esse drama político, baseado em fatos reais, volta a reunir o diretor Spielberg
e o ator Tom Hanks. A história é
ambientada em 1957, em plena Guerra Fria. Hanks interpreta o advogado James
Danovan. Ele é recrutado pelo Governo norte-americano para defender Rudolf Abel (Mark Rylance), acusado de ser um
espião a serviço da União Soviética. Ao mesmo tempo, um piloto de avião dos EUA
é preso na URSS, assim como um estudante norte-americano na Alemanha Oriental. Diante desses fatos, Danovam é convocado pela CIA para exercer o papel de negociador e acaba encarregado de
providenciar a troca dos presos, o que inclui viajar para a Alemanha e tratar diretamente com as autoridades de lá. O filme é
ótimo, tem bastante suspense e retrata com perfeição o clima de tensão que predominava naqueles anos. Além
da história em si, inspirada no livro homônimo escrito por Giles Whittell (o
roteiro foi escrito pelos irmãos Ethan e Joel Coen, com a colaboração de Matt
Charman), o grande destaque do filme é a impressionante recriação de época, com
cenários em Nova Iorque e Berlim. Spielberg não trabalhava com Hanks desde “O
Terminal” (2004). Antes, haviam trabalhado em “O Resgate do Soldado Ryan”
(1998) e em “Prenda-me se for Capaz” (2002). Hollywood, Spielberg e Hanks. Com
esse trio, não poderia dar errado (disputará o Oscar 2016 em seis categorias). Cinemão, filmaço! sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
“O QUARTO
DE JACK” (“Room”), Canadá, 2015, direção de Leonard Abrahamson (“What Jack Did”).
Drama pesado e triste sobre uma jovem mulher (Brie Larson) que, aos 17 anos, foi
sequestrada e trancada num pequeno quarto. No cativeiro, ela foi estuprada pelo
sequestrador e teve um filho. A primeira parte do filme apresenta a rotina de mãe
e filho num quarto de 10 m², os problemas de relacionamento entre os dois e
ainda as visitas nada agradáveis do sequestrador, que incluíam ir para a cama com
Ma, enquanto Jack ficava dentro de um armário. A segunda parte é dedicada às
dificuldades de readaptação dos dois ao mundo real. Jack (Jacob Tremblay), por
exemplo, acreditava que as imagens da TV eram de um mundo que não existia. Tudo
ficção. O roteiro não abre concessão ao humor nem a momentos sensíveis ou
comoventes. Tudo é muito duro e dramático, frio e melancólico. A história foi inspirada num caso
real abordado no livro “Room”, de Emma Donoghue. O filme recebeu 4 indicações
ao Oscar, inclusive para Melhor Atriz (Brie Larson). William H. Macy e Joan
Allen também fazem parte do elenco. Nada contra, mas não merecemos mais tanta
tristeza, pois já convivemos com um mundo real muito triste e cruel.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
“O REGRESSO” (“The Revenant”), 2015, EUA, é apontado como o grande favorito ao Oscar 2016. Recebeu 12
indicações – e já venceu o Globo de Ouro em três categorias, Melhor Filme, Melhor
Ator e Melhor Filme Dramático. Trata-se de um bom filme de aventura, sem
dúvida, com ótimas cenas de ação, atuação brilhante de Leonardo DiCaprio, cenários
maravilhosos e uma fotografia belíssima. Apesar de tudo isso, não é “aquele” filme
para receber tantas indicações. Talvez tenha pesado o fato de ter à frente do
projeto o badalado diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, que levou o
irregular “Birdman” a conquistar vários Oscars em 2015, inclusive Melhor
Diretor e Melhor Filme. E, claro, a presença do astro DiCaprio. Ele interpreta
o explorador e caçador de peles Hugh Glass, personagem que realmente existiu no
início do Século XIX (a história é baseada no livro “The Revenant: A Novel of
Revenge”, escrito por Michael Punke). Numa caçada ao longo do Rio Missouri, depois
de um combate sangrento contra os índios, Glass e sua turma conseguem fugir. Na
floresta, Glass é atacado por um urso (a cena é espetacular) e fica à beira da
morte, sendo abandonado pelos companheiros. Um deles, em especial, John
Fitzgerald (Tom Hardy, irreconhecível), será o alvo da vingança de Glass. O filme é muito bom e DiCaprio dificilmente deixará de ganhar a estatueta de Melhor Ator. Sua atuação realmente é espetacular. terça-feira, 19 de janeiro de 2016
“A LAGOSTA” (“THE LOBSTER”), 2014, Grécia/Inglaterra. Dos filmes esquisitos ou meio malucos que vi
nos últimos anos, este talvez seja o mais interessante. Produção de primeira,
elenco de astros (veja abaixo), fotografia primorosa e uma história, embora
fantasiosa, bastante digerível. Os diálogos foram construídos na base do nonsense, acentuando o humor negro que
atravessa o filme na maioria das cenas. A ficção não é datada, apenas presumida
como se fosse um ano qualquer do futuro. As pessoas não podem viver sozinhas,
não podem ser solteiras. Aquelas que estão nessa condição são detidas e levadas
para um hotel no meio da floresta. Se não encontrarem um (a) parceiro (a) em 45
dias, serão transformadas num animal de sua própria escolha. No caso do
arquiteto David (Colin Farrel, gordo como nunca se viu), numa lagosta (daí o título). A história toda
gira em torno de David, “hospedado” no tal hotel. Ali, ele será obrigado a
conviver com os tipos mais esquisitos e obedecer a normas das mais estranhas e estapafúrdias.
O diretor grego Yorgos Lanthimos (de “Dente Canino”), co-autor do roteiro, deve ter bastante
prestígio, pois neste seu primeiro filme em língua inglesa conseguiu um elenco
de primeira linha. Além de Farrel, trabalham Rachel Weisz (esposa de Daniel
Craig, o atual James Bond), Léa Seydoux, Jessica Barden, Olivia Colman, John C.
Reilly, Ariane Labed, Ashlei Jensen e Ben Whishaw. O filme teve sua exibição de
estreia no Festival de Cannes 2015, com ótimas críticas. Para sair da mesmice
das fitas comerciais, indico esta como opção das mais interessantes. segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
“ADULTOS INEXPERIENTES” (“Adult Beginners”), 2014, EUA, direção de Ross Katz, é uma
comédia independente simpática, leve, mas bem fraquinha. Começa o filme com uma
festa superbadalada promovida pelo empresário Jake (o comediante Nick Kroll) para
lançar seu novo produto. Até o final dos créditos iniciais, Jake perderá tudo:
empresa, todo o dinheiro dos investidores (2,5 milhões de dólares), a namorada,
os amigos e a própria autoestima. Sem eira nem beira, pede para morar com a
irmã Justine (Rose Byrne), o cunhado Danny (Bobby Cannavale) e o sobrinho de 3
anos de idade. Por incrível que pareça,
e ao contrário de tantos outros filmes, os cunhados se dão bem, os irmãos se
dão bem e Jake é bem recebido na casa deles, sem prazo para ir embora. Para
compensar, porém, recebe uma árdua missão: ser babá do terrível sobrinho. Nada
acontece de especial no desenrolar da história. O filme se arrasta sem ter
muito a dizer, sem provocar risadas, apenas um leve sorriso de vez em quando. O filme não reserva nenhum atrativo especial, a não ser a presença da bela e competente atriz australiana Rose Byrne. É pouco para justificar uma recomendação. Descartável pode ser a definição mais correta.
“A ONDA” (“BØLGEN”), 2015, direção de Roar Uthaug, é mais um disaster movie do cinema. Com uma novidade: este é norueguês. Para
introduzir a história: ao longo dos anos, o país nórdico vem sendo atingido por
vários tsunamis, causando a morte de muita gente. Sua geologia favorece a ocorrência
desses fenômenos. Baseado em fatos reais, portanto, esta produção mostra o que
poderá acontecer se o desastre ocorrer no Fiorde de Geiranger, um dos lugares
turísticos mais badalados da Noruega. Aliás, os cenários do filme são
deslumbrantes. O filme reúne uma dupla de atores dos mais prestigiados na
Noruega: Kristoffer Joner e Ane Dahl Torp. Kristoffer é o geólogo Kristian, que
trabalha numa central que controla e prevê mudanças geológicas que podem
provocar esses tipos de desastre. É ele quem dá o alerta de que algo está para acontecer. De início, acham que ele está errado, mas quando a coisa acontece
não dá mais tempo de fugir. Desce da montanha, com fúria total, uma onda de 80
metros de altura, de dar medo a qualquer surfista, imagine gente normal. Daí para frente, todo mundo na cidade terá que se desdobrar
para conseguir sair vivo. Dá pra ver numa boa, mas esse tipo de filme Hollywood faz melhor. sábado, 16 de janeiro de 2016
“NOCAUTE” (“Southpaw”), 2015, EUA, direção de Antoine Fuqua (do ótimo “Dia de Treinamento”,
com Denzel Washington). O lutador Billy “The Great” Hope (Jake Gyllenhaal) é um
grande campeão dos meio-pesados. Está invicto há 43 lutas, ganhou muito
dinheiro, mora numa mansão, é casado com uma linda mulher, Maureen (Rachel
McAdams, vá ser bonita assim em Hollywood!) e tem uma filha que é uma gracinha, Leila (Oona Laurence). Uma
tragédia familiar, porém, mudará os rumos do que estava sendo uma vida boa. Eis
aqui o verdadeiro nocaute a que se refere o título. Billy Hope acaba perdendo
tudo, inclusive a filha, entregue ao Serviço Social do Tio Sam. Quando parecia
que tudo estava perdido, o lutador é recebido na academia do técnico Titus
Willis (Forest Whitaker). É Titus que tentará reverter a situação, domando o
gênio indomável de Hope e colocando-o de volta aos ringues. As cenas de luta
são as melhores que já vi no cinema. Ator e coadjuvantes parecem bater e
apanhar de verdade. Até o sangue que jorra parece de verdade. O ator Jake
Gyllenhaal está ótimo, superando seus excelentes desempenhos em outros filmes,
principalmente em “O Abutre” e “Brokeback Montain”. 124 minutos de pura emoção.
Um filmaço! terça-feira, 12 de janeiro de 2016
“NO RITMO DO AMOR” (“Sipur Hatzi-Russi”), Israel, 2006, gira em torno do menino Chen
(Vladimir Volov), que mora com os pais numa cidade litorânea de Israel onde há
uma comunidade bastante grande de judeus russos. Filho de mãe russa e pai
judeu, Chen pratica judô num centro comunitário. Aqui, ele se apaixona por uma
garota russa que frequenta a academia de balé. Chen ingressa nas aulas de dança
para se aproximar da menina, o que não será nada fácil. Embora vivendo na mesma
comunidade, russos e israelenses vivem em pé de guerra. Além desse aspecto,
Chen é obrigado a conviver com as brigas constantes dos pais. Sua mãe é
extrovertida, gosta de sair para dançar e se divertir, enquanto o pai,
fotógrafo de casamentos, fica em casa remoendo os ciúmes. Com o casal de russos
que comanda a academia acontece o contrário: é ele quem assedia as alunas e
toda hora está pulando a cerca. O filme, dirigido por Eitan Anner, tem uma
levada de comédia e é muito alegre, muito musical. Imagine russos e israelenses
dançando ao som de rumba e chá-chá-chá. Não me lembro se o filme passou por aqui no circuito comercial, mas provavelmente não. De qualquer forma, trata-se de um filme leve e divertido, garantindo um bom entretenimento. segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
O drama
holandês “A ACUSADA” (“LUCIA DE B.”), 2014, direção de Paula van der Oest, conta a história do rumoroso caso
judicial que durante quase 10 anos mobilizou os holandeses e a Europa. Em 2001,
a enfermeira Lucia de Berk (Ariane Schluter) foi presa sob a acusação de sete
assassinatos e três tentativas de homicídio – as vítimas eram bebês e idosos.
Logo apelidada de “Anjo da Morte”, Lucia foi julgada e condenada à prisão
perpétua em 2003, sempre jurando inocência. Seu advogado Quirijn Herzberg
(Fedja van Huet) recorreu da sentença inúmeras vezes, não conseguindo absolver
sua cliente. O caso teria uma reviravolta somente em 2010, graças a uma
revelação bombástica de uma assistente da Promotoria, Judith Jansen (Sallie Harmsen).
Embora apresente a história de forma documental, o filme mantém um clima de
tensão e suspense até o seu final. A quem quiser assistí-lo e não conhece a
história, recomendo que não pesquise o que aconteceu para não estragar a
surpresa do desfecho. Destaque para a atuação da veterana Ariane Schluter (“A
Montanha Matterhorn”). Como representante da Holanda, o filme concorreu na
categoria de Melhor Filme Estrangeiro ao Oscar 2015. Sem dúvida, um bom filme
de tribunal. sábado, 9 de janeiro de 2016
O
drama “A ILHA DO MILHARAL” (“Simindis Kundzuli”), roteiro e direção de George Ovashvili, foi
o representante oficial da Geórgia (ex-república soviética) na disputa do Oscar
2015 de “Melhor Filme Estrangeiro”. Não passou para a fase final, mas
conquistou crítica, público e prêmios em vários festivais pelo mundo afora. O
filme mostra a rotina árdua de trabalho de um velho camponês (Ilyas Salman),
que pretende utilizar uma pequena ilha no Rio Enguri – separa a Geórgia da Abecásia
– para plantar um milharal. Nessa tarefa, ele recebe a ajuda da neta (Marian
Buturishvili), órfã de pai e mãe. O filme apresenta, passo a passo, o trabalho
do velho em preparar a terra, construir uma casinha, plantar as sementes. Os
personagens não têm nome e há poucos diálogos, pois as imagens dizem tudo, com grande carga dramática. Embora lento, o filme não chega a ser monótono nem tedioso, sendo valorizado
por um excelente trabalho de fotografia. O roteiro prima pela simplicidade e situa a história em meio ao
momento político da região, caracterizado por lutas sangrentas entre soldados
da Geórgia e da Abecásia, conflito que dura desde a década de 80 até hoje. Barcos
levando soldados de um lado ou de outro passam toda hora pela pequena ilha, deixando
apreensivos o avô e sua neta. A Natureza tem um papel fundamental na trama,
como parece dizer a mensagem embutida na história: “A Natureza dá, a Natureza
tira”. Um filme muito interessante. Vale a pena conferir.quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
“QUE HORAS ELA VOLTA”, 2015, escrito e dirigido por Anna Muylaert, tentou a sorte ao Oscar
2016 de Melhor Filme Estrangeiro como o representante brasileiro. Não deu. De
qualquer forma, é um filme muito bom, sensível e comovente. Regina Casé
interpreta Val, que há 13 anos chegou do Nordeste para trabalhar na casa de uma
família classe média alta no Morumbi. Durante esse tempo, além de empregada
doméstica, ela foi babá de Fabinho, com o qual sempre manteve um relacionamento
mais próximo e íntimo do que a própria mãe do menino, Bárbara (Karine Teles). Como
as empregadas de antigamente, Val sabia o seu lugar. Simplória, cuidava da casa
sem transpor os limites de sua função. As coisas se complicam quando sua filha
Jéssica (Camila Márdila) chega a São Paulo para prestar vestibular de
Arquitetura. De outra geração, mais liberal e emancipada, Jéssica não admite a
submissão da mãe. Sua aproximação com o chefe da família Carlos (Lourenço
Mutarelli) e seu comportamento despertam o ciúme de Bárbara, iniciando um
conflito psicológico que vai tumultuar de vez o ambiente da casa. Casé está
ótima e muito menos chata do que a Casé televisiva (por sua atuação no filme, Casé ganhou o prêmio de Melhor Atriz no último Festival de Sundance - EUA). O filme, repito, é muito
bom, mas não justifica toda essa euforia dos críticos em achar que seria um bom
candidato ao Oscar. A roteirista e diretora Anna Muylaert, que já mostrou
competência em filmes como “É Proibido Fumar”, “Chamada a Cobrar” e “Durval
Discos” (roteiro e direção), além do excelente “O Ano em que meus Pais saíram
de Férias” (roteiro), marcou mais um gol de placa. terça-feira, 5 de janeiro de 2016
“EVERESTE” (“Everest”), 2015, Inglaterra/EUA, do diretor islandês Baltasar Kormákur (de “Dose
Dupla” e do ótimo “Sobrevivente”). A história é baseada em fatos reais,
descritos no livro “No Ar Rarefeito”, do jornalista e alpinista Jon Krakauer (o
livro é ótimo: eu li). Em agosto de 1996, dois grupos de alpinistas juntam-se
para escalar os 8.848 metros de altura do Evereste (o mais alto do mundo). Depois
de chegarem ao topo, os alpinistas são surpreendidos, na descida, por uma violenta nevasca. Resultado: oito
deles morreram e os outros saíram com ferimentos e sequelas graves. O roteiro
não é muito diferente dos filmes que já vimos mostrando a aventura de
alpinistas tentando atingir o pico das montanhas mais altas do mundo. Preparativos,
despedidas das esposas, quedas espetaculares, muito suspense, falta de
oxigênio, mortes pelo caminho e, claro, cenários gelados o tempo inteiro. Ou
seja, mais do mesmo. O elenco é de primeira: Jason Clarke, Jake Gyllenhaal,
Josh Brolin, Keira Knightley, Emily Watson, Sam Worthington e Michel Kelly. As
cenas são bastante realistas e devem fazer com que muita gente com espírito
aventureiro desista de fazer o mesmo. O filme, porém, não transmite a mesma emoção
que a gente encontra ao ler o livro de Krakauer. Essa espetacular e trágica aventura merecia um filme
muito melhor. domingo, 3 de janeiro de 2016
“A TRAVESSIA” (“The Walk”), 2015, EUA, conta a incrível – e insana – façanha do francês Philippe
Petit, que na manhã do dia 7 de agosto de 1974 atravessou os 42 metros que
separavam as Torres Gêmeas do World Trade Center se equilibrando num cabo de
aço. Detalhe: sem autorização das autoridades de Nova Iorque nem dos
administradores dos edifícios. O feito do francês foi notícia de primeira
página no mundo inteiro. O mérito do veterano diretor Robert Zemeckis (“De
Volta para o Futuro”, “Forrest Gump: O Contador de Histórias” e “Náufrago”) foi
transformar a história real num filme de aventura – e que aventura! - e criar
um ótimo entretenimento, com bastante humor, ação e suspense. A primeira metade
do filme mostra como Petit (Joseph Gordon-Levitt) toma o gosto pelo
malabarismo, os ensinamentos de “Papa” Rudy (Ben Kingsley), seu grande mentor, a
briga com a família e sua vida de artista de rua em Paris, quando conhece aquela
que seria sua futura namorada, Annie Allix (Charlotte Le Bon). A segunda parte é
dedicada aos preparativos para a grande aventura, como foi feito o planejamento, a formação da equipe de "cúmplices" e o desfecho espetacular, com
o francês fazendo aquilo que poucos seres humanos teriam a coragem de fazer. As
cenas da façanha são no mínimo sensacionais, de causar frio polar na espinha e fazer eriçar os pelos da nuca. Não recomendado para quem tem medo de altura.
Resumindo: um filmaço! sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
“MEADOWLAND”
(ainda sem tradução por aqui), EUA, 2015. Drama independente com Olivia Wilde e
Luke Wilson (irmão de Owen), Giovanni Ribisi, Juno Temple, Elizabeth Moss e
John Leguizamo. O desaparecimento misterioso de Jessie, filho do casal Sarah
(Olivia), professora, e Phil (Luke), policial, num posto à beira de uma
estrada, desencadeia uma grave crise no casamento. A situação chega a um ponto
em que Sarah perde a noção e acaba surtando, o que vai levá-la a se envolver
com a família de um garoto problemático da escola. Em sua estreia como
diretora, Reed Morano constrói um drama com sabor de suspense, conduzindo o
espectador a criar uma grande expectativa para o final. O que vai acontecer?
Será que vão encontrar o garoto? A história se arrasta de forma monótona,
sobressaindo-se o lado psicológico dos personagens em detrimento de qualquer
tipo de ação. Embora boa atriz, como já demonstrou em outros filmes, Olivia
Wilde aparece aqui de cara “lavada”, sem nenhuma maquiagem, chegando a parecer
feia na maioria das cenas. Uma decepção para os fãs dessa bela atriz, embora
seu desempenho seja muito bom. O filme estreou no Festival de Tribeca (EUA) em
abril de 2015, sem muitos elogios. E com razão. É apenas assistível, nada mais. terça-feira, 29 de dezembro de 2015
“SEDE DE VINGANÇA” (“Return to Sender”), EUA, 2015, roteiro e direção de Fouad
Mikati – este é seu segundo filme; o primeiro foi “Operação Fim de Jogo”. A
história é centrada em Miranda Wells (Rosamund Pike), enfermeira de alto padrão
de um hospital de uma pequena cidade norte-americana. Seu grande sonho é
trabalhar no centro cirúrgico. O destino, porém, reserva-lhe uma surpresa
cruel. Ela é espancada e estuprada por um jovem que se faz passar por alguém
com o qual Miranda tinha um encontro “às escuras”. Por causa dessa violência, além
do trauma psicológico, ela acaba sofrendo uma terrível sequela: um tremor
crônico na mão direita, o que a impede de ser admitida no centro cirúrgico. Sonho
desfeito. O autor do estupro, William Finn (Shiloh Fernandez), é preso e
condenado a 10 anos de cadeia. Como se tivesse adquirido a Síndrome de
Estocolmo (a vítima acaba gostando do vilão), Miranda resolve escrever cartas e
visitar o seu estuprador na prisão, dando a entender que pretende perdoá-lo. O
comportamento dela até pressupõe o desejo de uma amizade. Será que ela está
sendo sincera? Só vendo o filme para você descobrir. Nem os bons desempenhos da
atriz inglesa Rosamund Pike (indicada ao Oscar 2015 por “Garota Exemplar”) e do
ator Shiloh Fernandez – este, em especial - conseguem segurar esse suspense, cujo maior defeito é o roteiro tão previsível. Se você não esperar muito, dá para assistir numa boa. segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
O
drama independente “BLEEDING HEART”
(ainda não estreou por aqui e, portanto, ainda não tem tradução, mas a literal
é “Coração Sangrando”), foi exibido pela primeira vez no Festival de Tribeca/2015
(EUA). Roteiro e direção da escocesa Diane Bell, contando a história de duas
irmãs – May (Jessica Biel) e Shiva (a feiosa Zosia Mamet) -, filhas de pai
biológico, e que nunca se conheceram. Um dia qualquer, May resolve procurar a
irmã (não fica bem claro como a achou). May é professora de Ioga. Shiva é
prostituta, disfarçada de massagista. As duas acabam se conhecendo melhor e
May, a mais velha, vai tentar tirar Shiva da vida que leva. Só que encontra a
resistência feroz e violenta do cafetão e namorado da moça, Cody (o ator inglês
Joe Anderson). A forte ligação entre as irmãs será a única defesa contra Cody.
Há um bom clima de suspense no filme, principalmente nas cenas em que Cody vai
atrás de Shiva. Mas não é suficiente para garantir uma recomendação entusiasmada, a não ser pela presença sempre marcante da bela e competente Jessica Biel. Na verdade, trata-se de um filme descartável: você vê hoje e no dia seguinte já esqueceu.
O
drama “VIVER SEM ENDEREÇO” (“Shelter”), 2014, EUA, marca a estreia na direção do ator inglês Paul Bettany, que
escalou para o papel principal a bela atriz Jennifer Connelly, sua esposa na
vida real. Ela interpreta Hannah, uma mulher que vive como moradora de rua em
Nova Iorque. Pior, viciada em heroína. Em suas andanças, Hannah conhece Tahir
(Anthony Mackie), um refugiado nigeriano que possui um passado tenebroso. Um
vai ajudar o outro a sobreviver nas ruas da cidade, no que vai resultar numa
grande amizade e, aos poucos, numa grande paixão. Merece destaque a corajosa
atuação de Jennifer, que deve ter perdido muitos quilos para representar a
viciada. Ela aparece esquelética, pele e osso, além de enfrentar cenas um tanto fortes e chocantes, tais como uma com nu frontal onde injeta heroína na virilha. Poucas atrizes do nível de Jennifer
teriam a coragem de se expor tanto. Bettany também escreveu o roteiro, que
disse ter sido inspirado num casal de moradores de rua que vivia
próximo ao seu edifício. Ele dedica o filme justamente a esse casal – veja os
créditos finais. Quem assistir vai perceber que Bettany também é bastante
criativo com a câmera na mão e na elaboração estética das cenas. Enfim, uma boa e promissora estreia num filme bastante
dramático e, ao mesmo tempo, comovente. sábado, 26 de dezembro de 2015
“O BEIJO DO VAMPIRO” (“KISS OF THE DAMNED”), 2013, EUA, não segue a fórmula original
dos filmes de vampiro. Escrito e dirigido por Xan Cassavetes (filha do diretor
John Cassavetes e da atriz Gena Rowlands), o filme não tem castelo na montanha,
carruagens com cavalos pretos, morcegos, crucifixo e muito menos estacas. Mas
tem glamour, sexo, as mordidas tradicionais e muita mulher bonita – as
francesas Joséphine de La Baume e Anna Mouglalis, Roxane Mesquida, Riley
Keough, Alexia Landeau e Caitlin Keats. A história gira em torno da vampira
Djuna (La Baume), que vive enclausurada numa casa isolada. Só sai para alugar
filmes antigos, que assiste com lágrimas nos olhos. Resumindo, uma vampira
bastante sensível. Ao conhecer Paolo (Milo Ventimiglia), sua solidão vampiresca
se transformará numa paixão doentia. Eis que surge no pedaço a exuberante Mimi
(Mesquida), irmã de Djuna. O comportamento de Mimi é completamente diferente.
Extrovertida, gosta de sair pela noite, frequentar baladas, transar e morder à
vontade. A chegada de Mimi também vai abalar a relação de Djuna com Paolo. Os
fãs de filmes de vampiros vão gostar. quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Depois
de “O Sexto Sentido”, de 1999, o então jovem diretor indiano M. Night Shyamalan
foi aclamado como um futuro gênio do cinema. Em seguida, porém, escreveu e dirigiu filmes
medianos e de qualidade duvidosa, como “Corpo Fechado”, “A Vila”, “Sinais” e “A
Dama na Água”, entre outros. No seu mais recente filme, “A VISITA” (“The Visit”), EUA, 2015, Shyamalan experimenta um terror
mais explícito. Becca (Olivia DeJonge) e seu irmão Tyler (Ed Oxebould), jovens
adolescentes, são enviados pela mãe (Kathryn Hahn) para passar uma semana na
fazenda dos avós (Deanna Dunagan e Peter McRobbie), com os quais não tem
contato há 15 anos, depois de uma briga familiar que a obrigou a sair de casa. Logo que chegam, Becca e Tyler percebem que algo de muito
estranho está acontecendo e resolvem, claro, investigar. E só no último dia, depois de uma semana de muita
tensão, acabam descobrindo um grande segredo e terão que correr para se salvar.
O diretor indiano utiliza o recurso da câmera amadora, como em “A Bruxa de
Blair”, e dá a entender que quem a manuseia é Becca e o irmão. Como terror, até
que o filme funciona, pois proporciona suspense e alguns bons sustos. Nada a
mais, porém, que justifique uma recomendação entusiasmada.
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