sábado, 22 de novembro de 2014

O drama “HISTÓRIA DE GUERRA” (“War Story”), 2013, dirigido por Mark Jackson, termina como começou: extremamente chato. Pior: depressivo e melancólico. A fotógrafa norte-americana Lee (Catherine Keener) está passando uns dias na Sicília (Itália), antes de voltar para Nova Iorque, recuperando-se de um trauma violento: ela estava a serviço na Líbia quando viu seu companheiro e amigo Mark ser assassinado com um tiro na cabeça. Lee perambula pra cá e pra lá, totalmente catatônica. Em meio à sua depressão, ela conhece Hafsia (Hafsia Herzi), uma imigrante tunisiana que lembra uma jovem que ela fotografou ao lado do irmão morto na Líbia. As duas ficam amigas e passam a se ajudar. É um filme de poucos diálogos, a maioria dos quais sem nexo e fora do contexto da história – se é que há alguma história nesse filme. Anunciado com destaque nos materiais de divulgação, o ator Ben Kingsley faz apenas uma rápida aparição como Albert, antigo amante e mentor de Lee. A trilha sonora, então, é de doer. Na verdade, é apenas um som intermitente que mais parece um teste de audição ou de labirintite. Nem a boa atriz Catherine Keener se salva, fora o fato de estar cada vez mais parecida com a falecida cantora argentina Mercedes Sosa. Enfim, um filme daqueles pra passar bem longe.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Escrito e dirigido por Jon Favreau, que também atua como o protagonista principal, CHEF A DOMICÍLIO” (“Chef”), 2013, é entretenimento da melhor qualidade, uma comédia divertida, leve e alto astral. Favreau é o chef Carl Casper, responsável pelo cardápio e pela cozinha de um dos restaurantes mais badalados de Los Angeles. Mas foi só entrar em atrito com o conceituado crítico culinário Ramsey Michel (Oliver Platt), em cena filmada e divulgada na internet, que sua promissora carreira parece ter chegado ao fim. Ele simplesmente é demitido pelo dono do restaurante, o empresário Riva (Dustin Hoffman). Casper aproveita as férias forçadas para viajar com o filho Percy (Emjay Anthony), um garoto esperto de 10 anos de idade, e com a ex-mulher Inez (Sofia Vergara) para Miami. É na cidade mais latina dos EUA que Casper tem uma ideia luminosa, ou seja, montar um trailer itinerante de comida cubana. Para isso, ele contará com ajuda de Martin (John Leguizamo), seu fiel sub-chef no restaurante de Los Angeles. Juntos, eles vão viajar por várias cidades e fazer do trailer “Cubanos” um grande sucesso. Tudo funciona muito bem nesse filme, a história em si, o elenco, a trilha sonora, mas seu grande trunfo é destacar a gastronomia como tema principal, com muitas cenas mostrando a feitura dos mais variados pratos, descrição das receitas etc., o que resultou num banquete visual dos mais deliciosos, no qual se inclui, é claro, as “cerejas do bolo” Sofia Vergara e Scarlett Johansson. Imperdível!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O drama romântico “UMA NOVA CHANCE PARA AMAR” (“The Face of Love”), 2013, EUA, escrito e dirigido por Arie Posin, tem todos os ingredientes para agradar as plateias mais sensíveis. Começa o filme e vemos Nikki (Annette Bening) e Garret (Ed Harris) felizes da vida numa praia mexicana comemorando os 30 anos de casamento. Pelos momentos mostrados em flashback, eles se amavam muito e tinham uma relação bastante estável. Só que um trágico acidente tira a vida de Garret. O filme dá um pulo de cinco anos e lá está a viúva Nikki trabalhando com muito empenho e sucesso na atividade de designer de interiores. Quando está em casa, porém, vive com tristeza as lembranças do marido que tanto amava. De vez em quando ela recebe a visita do vizinho Roger (Robin Williams, num de seus últimos papeis), um amigo de muitos anos. A vida de Nikki dá uma reviravolta quando ela conhece Tom, um professor de artes que é um sósia perfeito do falecido. Eles começam um relacionamento e se apaixonam. Nikki, temendo uma reação negativa de Tom, mantém o segredo sobre a semelhança dele com Garrett. Até quando ela conseguirá esconder a verdade? E se Tom descobrir, será que continuará com ela? Você terá as respostas depois de assistir ao filme. A presença de Annette Bening e Ed Harris é mais um trunfo desse belo drama que merece ser visto por quem curte cinema de qualidade.  

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O drama turco “ERA UMA VEZ NA ANATÓLIA” (“Bir Zamanlar Anadolu’da”), 2011, leva a assinatura do premiado diretor Nuri Bilge Ceylan. Quem viu alguns de seus filmes, como “Climas”, de 2006, ou “3 Macacos”, de 2008, já sabe que ele tem uma maneira diferente de filmar e de contar uma história, o que encanta os críticos. Em Cannes, por exemplo, já foi premiado várias vezes. Este último também, recebendo o Prêmio de Júri do tradicional festival de cinema francês. A história começa com três carros saindo da cidade de Kelskin, na região da Anatólia. Neles estão policiais, um promotor, um médico-legista, um soldado do exército e dois coveiros, além de dois prisioneiros acusados de um assassinato. O motivo da caravana é encontrar o local onde a vítima foi enterrada, mas os prisioneiros alegam que estavam bêbados e não se lembram. É noite fechada e esse verdadeiro road movie  entra madrugada adentro, acompanhado de uma série de diálogos dentro e fora dos carros, muita divagação e praticamente nada acontece durante um bom tempo. O filme é arrastado, contemplativo, com muitas cenas longas, muitas delas silenciosas. O desfecho dá uma pista, mas não explica com clareza tudo o que aconteceu. Cabe ao espectador tirar suas próprias deduções. Definitivamente, não é um filme fácil de digerir e entender. Uma coisa é líquida e certa: não dá para ficar indiferente diante da telinha. Assista e comprove.   
Esqueça aquela Shailene Woodley que estreou no cinema como uma adolescente rebelde no filme “Os Descendentes” (2010), onde fez o papel de filha de George Clooney. Esqueça também a jovem romântica de “A Culpa é das Estrelas”, no qual representa uma doente terminal apaixonada. Em “PÁSSARO BRANCO NA NEVASCA” (“White Bird in a Blizzard”), 2014, direção de Gregg Araki, ela vive Katrina, uma jovem sensual, fogosa e doida por sexo. Como o nome da personagem dá a entender, um verdadeiro furacão. E não economiza nas cenas de nudez, sem qualquer constrangimento. O filme, baseado no livro da escritora norte-americana Laura Kasischke, é ambientado nos anos 80. Aos 17 anos (na vida real, Shailene tem 23), Katrina vive o drama do desaparecimento da mãe Eve (a atriz francesa Eva Green). A polícia investiga o caso e a suspeita recai sobre uma possível fuga de Eve com um amante, já que o casamento com o pai de Katrina, Brock Connors (Christopher Meloni), vivia uma crise crônica. O filme é uma mistura de drama com suspense policial, com direito a uma reviravolta surpreendente e chocante no final. Participam ainda do elenco Ângela Bassett, Shiloh Fernandez e Thomas Jane. Trata-se de entretenimento garantido, não só pela história em si, mas também pela presença de duas ótimas atrizes como Shailene e Eva Green.               

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O estranhamento quanto ao drama canadense “MIRACULUM” (ainda sem tradução por aqui, mas significa “milagre” em latim), 2014, já começa nos créditos. Está lá: filme dirigido por Podz. Quem??? Pois é, trata-se do pseudônimo do diretor Daniel Grou (“O Caso Dumont”). Na literatura, é normal um escritor escrever um livro sob pseudônimo, mas num filme? Não lembro de caso semelhante. Vi a foto do cara: tem pinta de excêntrico. Mas vamos ao filme (falado em francês). Trata-se de várias histórias correndo em paralelo: uma enfermeira adepta da seita Testemunhas de Jeová, cujo marido tem leucemia e precisa de uma transfusão de sangue; um homem e uma mulher da terceira idade que são amantes (as cenas de sexo entre os dois são bastante fortes); um homem que transporta drogas no próprio corpo e precisa se acertar com a filha; e, por último, um casal em crise no casamento, ela se entregando ao álcool e ele à jogatina. Todas essas histórias entremeiam um acidente de avião em que haverá apenas um sobrevivente. O filme adota um tom bastante depressivo e praticamente não cria nenhum momento tocante ou sensível. Ou seja, o filme está bem longe de oferecer um entretenimento leve. Também não dá para dizer que é ruim. Apenas interessante. O elenco: Xavier Dolan (também cineasta, talvez o nome mais conhecido), Julien Poulin, Anne Dorval, Marilyn Castonguay, Xavier Dolan e Robin Aubert.    

domingo, 16 de novembro de 2014

“CODE BLUE”, de 2011, direção de Urszula Antoniak, é um drama psicológico holandês pra lá de pesado. O filme, com poucos diálogos e povoado de muitos silêncios, acompanha o dia-a-dia da enfermeira Marian (Bien de Moor), que trabalha na ala dos pacientes terminais de um hospital. Ela é eficiente, atenciosa e carinhosa com a maioria dos doentes, em geral idosos, embora extrapole em casos mais extremos, agindo como um “anjo da morte”. Em sua vida particular, Marian - uma mulher de meia idade - é solitária, reclusa e triste. Suas únicas diversões é olhar um vizinho por um buraco na cortina – o que se tornará uma prática obsessiva – e assistir a programas de TV (numa ocasião, o filme mostra Marian assistindo a novela “A Escrava Isaura”, aquela mesma, com Lucélia Santos). Quando vai a uma festa, convidada por uma colega de trabalho, Marian é apresentada justamente para o vizinho que ela vigia da janela, Konrad (Lars Eidinger), e pelo qual está obcecada. Pelo tom depressivo do filme, você até adivinha que a relação dos dois não deve acabar bem. O desfecho é violento, trágico, e deve incomodar o espectador mais sensível. Não poderia ser diferente para um filme que é todo desagradável. Louve-se apenas o trabalho corajoso da atriz belga Bien de Moor. Só para ilustrar: a tradução literal do título é "Código Azul", o que, na linguagem dos hospitais, significa uma emergência de parada cardiorrespiratória.  

O maior mérito do drama finlandês “SILÊNCIO” (“Hiljaisuus”), 2011, direção de Sakari Kirjavainen, consiste em contar uma história pouco conhecida. Durante a Segunda Grande Guerra, a Finlândia foi um dos únicos países envolvidos no conflito que criou batalhões especiais em seu exército para resgatar os corpos de soldados mortos em combate, preservá-los e arrumá-los para serem velados pelas respectivas famílias. O filme conta a história justamente de um desses batalhões, constituído por três soldados e três mulheres voluntárias, sob as ordens de um capelão do exército. O enredo do filme é todo ambientado durante o rigoroso inverno de 1944. Os soldados e as voluntárias ficavam alojados num acampamento próximo à frente de batalha. De vez em quando, um desses soldados era incumbido de resgatar um corpo próximo às trincheiras do inimigo, numa missão quase suicida. Na maioria das vezes, porém, os cadáveres eram enviados ao acampamento, onde eram descongelados, tratados, limpos e maquiados, sendo depois enviados às suas famílias para serem velados e enterrados como heróis de guerra. O filme mostra os bastidores desse trabalho, em meio a romances fugazes, conversas com fantasmas, insubordinações, roubo de dentes de ouro e, de vez em quando, uma "ressuscitação" inesperada. Apesar do contexto dramático, melancólico e até lúgubre, o filme é muito bom, valorizado por um elenco de ótima qualidade. Um filme interessante que merece ser visto.

sábado, 15 de novembro de 2014

“BOYHOOD - DA INFÂNCIA À JUVENTUDE” (“Boyhood”), EUA, dirigido por Richard Linklater, é aquele filme lançado recentemente (2014) e que alcançou grande repercussão por ter sido feito em 12 anos. Explico: a cada ano, o elenco principal se reunia durante alguns dias e filmava. Isso foi feito de 2002 a 2014. Nesse período, o filme acompanhou o crescimento do menino Mason (Ellar Coltrane) e de sua irmã Samantha (Lorelei Linklater, filha do diretor). Ellar, por exemplo, tinha 6 anos quando as filmagens começaram e 18 quando terminaram. Na história, eles são filhos de um casal recém-separado, Olivia (Patricia Arquette) e Mason Sr. (Ethan Hawke). O filme vai mostrar, durante longos 165 minutos, o relacionamento familiar dos personagens, aqui incluídos os três novos maridos de Olivia, os problemas que caracterizam a fase adolescente, os primeiros namoros, os primeiros pileques, o amadurecimento etc. O filme lembra muito aquela série de TV “Anos Incríveis”, com muito blá blá blá e pouca ação. Na verdade, parece mesmo uma interminável sessão de terapia infanto-juvenil, apesar de alguns diálogos interessantes, principalmente entre o pai Mason e os filhos. Dizem que o filme está bem cotado para o Oscar 2015, o que é um exagero. Em todo o caso, o diretor Linklater tem em seu currículo bons filmes como “Escola do Rock” e “Antes da Meia-Noite”.                    

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Para quem curte o gênero policial, o francês “MEA CULPA”, 2014, oferece o cardápio completo: muita ação, tiros, perseguições, pancadarias e mulher bonita (e põe bonita nisso, pois ela é a atriz e diretora libanesa Nadine Labaki, mulher de fechar o comércio do Oriente Médio). O filme é todo ambientado em Toulon e a ação desenfreada começa quando o garoto Theo (Max Baissette de Malglaive), de 9 anos, testemunha um ajuste de contas entre duas gangues que acaba em assassinato. Daí pra frente, os bandidos irão atrás do menino e de sua mãe (Labaki). Só que eles não sabem que Theo é filho de Simon (Vincent Lindon), um ex-policial durão que agora trabalha numa firma transportadora de valores. Com a ajuda de Franck (Gilles Lellouche), seu antigo parceiro na polícia, Simon vai tentar proteger seu filho e sua ex-mulher. Muito sangue vai rolar até o final, que ainda terá a revelação surpreendente de um segredo envolvendo o relacionamento de Franck e Simon. O filme é dirigido por Fred Cavayé, um especialista em filmes policiais e de suspense (“À Queima-Roupa”, “Tudo por Ela” e “Os Infiéis”). Entretenimento garantido!
“A MONTANHA MATTERHORN” (Matterhorn”), 2013, Holanda, é uma comédia dramática muito interessante e criativa. Conta a história de Fred (Tom Kas), um viúvo de 54 anos que vive numa pequena vila no interior da Holanda. Fred é recluso, solitário e extremamente metódico. Sua esposa morreu num acidente e ele expulsou o filho Johan – em homenagem a Bach, do qual é fã ardoroso - de casa. Um dia, aparece em sua rua um homem com problemas mentais, a quem Fred dá acolhida. Mais tarde, saberá que o homem, que só emite sons de animais, se chama Theo (René Van’t Hof). Tanto Fred como os moradores da vila são bastante religiosos, frequentam a igreja calvinista e todos são bastante rígidos em seus costumes. Dessa forma, a comunidade não vê com bons olhos o gesto humanitário de Fred, principalmente depois que o pastor e um vizinho flagram Theo vestindo as roupas da falecida. Até a metade do filme, as situações parecem se repetir e nada acontece ou é explicado. Na segunda metade, porém, a história engrena e o filme dá uma reviravolta, tornando-se bastante agradável e até comovente. Não é um filme que se possa recomendar como se fosse comum, igual a tantos outros. Merece ser visto justamente por isso e pelo inusitado enredo.                  

 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Não é tarefa das mais fáceis assistir ao drama filipino “NORTE, O FIM DA HISTÓRIA” (“Norte, Hangganan ng Kasaysayan”), 2013, direção de Lav Diaz. A começar por sua duração, nada menos do que 250 minutos, ou seja, quatro horas e 10 minutos. Um verdadeiro exercício de paciência e persistência. O ritmo é lento, quase arrastado, e as cenas longas demais. O filme destaca dois núcleos na história. Um deles é uma família muito pobre com imensas dificuldades para sobreviver. Para piorar, o chefe da família, Joaquim (Archie Alemania) é preso, julgado e condenado à prisão perpétua por um crime que não cometeu.  De outro lado está Fabian (Sid Lucero), um brilhante estudante de Direito que, faltando um ano para se formar, abandonou a faculdade devido às suas radicais convicções políticas e existenciais, transformando-se num jovem arredio e psicótico. Os dois núcleos só terão alguma ligação por intermédio de uma agiota gananciosa. Na primeira hora de filme ainda acontecem alguns diálogos interessantes, com a turma de estudantes de Direito discutindo política. Numa dessas conversas, é colocada em questão se as revoluções como a cubana e a filipina, por exemplo, foram bem sucedidas. Um dos estudantes responde: “A única revolução que deu certo foi a revolução dos Beatles”. O filme, na verdade, é depressivo, triste, de um baixo astral generalizado – trata-se, na verdade de uma livre adaptação do clássico “Crime e Castigo” (Dostoiévsky). Mesmo com todos esses problemas, é o candidato oficial das Filipinas ao Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro, além de ter sido selecionado para a mostra “Um Certain Regard” do Festival de Cannes.                

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Em 1983/1984, uma série de TV no Japão, com cerca de 300 capítulos, emocionou milhões de espectadores ao contar a saga de uma menina de 7 anos obrigada a trabalhar para ajudar a família pobre. A história, ambientada no início do século XX, foi filmada em 2013 com o mesmo nome da série, “OSHIN”. Trata-se de um drama muito triste e, ao mesmo tempo, tocante, graças principalmente à interpretação bastante convincente da atriz mirim Kokone Hamada. Naquela época, no Japão, bem antes do milagre econômico, as mulheres japonesas eram tratadas como escravas. Como diz a mãe de Oshin: “Nós, mulheres, não temos vida própria. Vivemos para servir os maridos, os filhos e os pais”. Nascida numa família extremamente pobre numa vila da província de Yamagatae, Oshin é enviada para uma longínqua vila para trabalhar como serviçal de uma família rica em troca de arroz.  Isso aos 7 anos de idade. Lá, ela é maltratada pela patroa e ainda acusada de roubar dinheiro. Ela foge e, sozinha, em pleno inverno, enfrentará muitas adversidades. Embora realizado em clima de novela, o filme é bem feito, destacando-se pelas belas imagens que formam os cenários de inverno e pelo trabalho da atriz mirim. Quem for muito sensível pode preparar um bom estoque de lenços de papel. Chororô garantido, né!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Ao final de sua exibição na sessão inaugural do Festival de Cannes/2014, “GRACE – A PRINCESA DE MÔNACO” (“Grace of Monaco”) levou algumas vaias da plateia e foi massacrado pela crítica. Realmente, não é um grande filme,   mas não deixa de ser muito interessante, pois ressalta a influência positiva de Grace junto ao Príncipe Rainier na gestão da administração política do Principado. Foi Grace, por exemplo, a responsável pela não intervenção de De Gaulle na crise de 1962. A França exigia o pagamento de impostos e ameaçava, caso contrário, anexar Mônaco ao seu território. Também foi por intermédio de Grace que Rainier descobriu uma sórdida manobra de sua irmã, a Princesa Antoinette, para destituí-lo do cargo e ela mesma ocupar o seu lugar. Embora predominem, como pano de fundo, as questões políticas, o filme tem bastante glamour, principalmente no que se refere aos figurinos de época, joias e celebridades. Há que se destacar a beleza de Nicole Kidman como Grace, além de Paz Vega como Maria Callas. As únicas menções relativas à sua carreira de atriz acontecem no começo do filme, quando Grace aparece ao final de uma cena de “Alta Sociedade”, e quando Alfred Hitchcock a convida para atuar em “Marnie – Confissões de uma Ladra”, quando ela já era princesa. O diretor Olivier Dahan é o mesmo de “Piaf – Um Hino ao Amor, de 2007, que deu o Oscar de Melhor Atriz a Marion Cotillard.   

domingo, 9 de novembro de 2014

“MONTEVIDÉU” (“Montevideo, Vidimo Se”), 2014, é o segundo filme do projeto do diretor sérvio Dragana Bjelogrlic que visa contar a história, baseada em fatos reais, da participação da seleção de futebol da Iugoslávia na Copa do Mundo de 1930, no Uruguai. O primeiro, “Montevideo – O Sonho da Copa”, de 2011, mostra a escolha dos jogadores entre os jovens atletas dos subúrbios de Belgrado, suas famílias, seus romances, os treinamentos e alguns amistosos. O segundo conta a história da participação da seleção na disputa daquela que foi a primeira copa do mundo de futebol. A viagem de navio, a recepção no porto da capital uruguaia, a espelunca em que foram hospedados, o romance do atacante Tirke (Milos Bikovic) com a bela uruguaia Dolores (Elena Martinez), tudo contado na base do bom humor, o que torna o filme, além de muito interessante pela história em si, bastante agradável de assistir. É preciso destacar, porém, o total desconhecimento de Dragana sobre os brasileiros, primeiros adversários da Iugoslávia. Para se ter uma ideia, na apresentação oficial das delegações, nossos jogadores aparecem vestidos com trajes típicos de tribos africanas. Uma mancada terrível! As cenas dos jogos são todas muito fracas, diria até mal feitas. Ainda no elenco, o veterano ator norte-americano Armand Assante aparece no papel de um empresário ganancioso em busca de novos talentos. Assim como o primeiro filme concorreu ao Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro, este segundo é pré-candidato na mesma categoria ao Oscar 2015, também pela Sérvia.             

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

“LONGWAVE – NAS ONDAS DA REVOLUÇÃO” (“Les Grandes Ondes – À L’Ouest”), 2013, é uma co-produção Suíça/França/Portugal dirigida por Lionel Baier. Trata-se de uma comédia bastante divertida, que tem como pano de fundo a Revolução dos Cravos, movimento que acabou com a ditadura salazarista. O filme é ambientado, claro, em abril de 1974, e conta a história da jornada de dois jornalistas (Julie e Cauvin) e um técnico de som (Bob) de uma emissora de rádio suíça escalados para realizar reportagens sobre a contribuição do governo da Suíça para algumas áreas essenciais de Portugal, como, por exemplo, a Educação – eles visitam um colégio e constatam que a colaboração se resumiu a um relógio de parede (suíço, é claro). Mais algumas tentativas e eles chegam à conclusão de que a viagem foi uma “furada”. Em meio aos preparativos para retornar à Suíça, eles contratam um jovem tradutor chamado Pelé (o rapaz é branco). Quando resolvem voltar, no dia 25 de abril, se dão conta de que teve início, na noite anterior, uma grande revolução no país. Eles partem então para Lisboa, centro dos acontecimentos, e acabam se envolvendo numa série de confusões. De qualquer forma, farão valer a viagem. Nos créditos finais, aparece a foto da verdadeira Julie, agora bem mais velha, o que dá a entender que a história realmente aconteceu, embora com muitas pitadas de ficção. Vale a pena assistir, pois, além de engraçado, é um filme inteligente.     

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

“AMADOR”, 2010, é um drama espanhol dirigido por Fernando León de Aranoa (de “Segunda-feira ao Sol”, com Javier Bardem). Conta a história do casal de imigrantes peruanos Marcela e Nelson, que enfrenta um período de grande dificuldade financeira na Espanha. Nelson (Pietro Sibille) vende nas ruas flores que rouba de um entreposto. Marcela (Magaly Solier) ajuda o marido. Como o negócio não vai bem, Marcela decide procurar emprego. Em meio a essa situação difícil, Marcela ainda descobre que está grávida, mas tem medo de contar para o marido. Ela aceita o emprego para cuidar de um idoso doente, Amador (Celso Bugallo), até que a filha dele, Yolanda (Sonia Almarcha), volte da viagem de férias. Marcela vai encontrar em Amador um bom ouvinte e conselheiro. Esse convívio acaba gerando uma grande amizade entre os dois, até que um fato inesperado acontece e deixa Marcela numa situação alarmante. Ela vai tentar superar o problema com a ajuda de Puri (Fanny de Castro), uma prostituta sessentona que “visitava” Amador uma vez por semana. Puri é responsável por alguns bons momentos de humor, suavizando o clima triste que ronda a trajetória de Marcela e do próprio filme. O diretor utiliza o jogo de quebra-cabeças como representação da complexidade da vida. É montando um quebra-cabeças com pedaços de uma foto, por exemplo, que Marcela descobrirá um segredo nada agradável sobre o marido. Um filme mais interessante do que bom, mas que merece ser visto não apenas pela história um tanto inusitada, mas também pela ótima atriz peruana Magaly Solier, do premiado “A Teta Assustada”.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

“O SEGREDO DAS ÁGUAS” (“Futatsume no Mado” ou, no inglês, “Still the Water”), 2013, é um drama japonês sensível que merece ser visto por quem curte discussões filosóficas e conversas sobre os vários aspectos da nossa vida. O filme é ambientado na ilha Amami Oshima, ao Sul do Japão, e centra o desenvolvimento do enredo nos jovens Kioko (Jun Yoshinaga) e Kaito (Nigirô Murakami). Os fatos que se desenrolam em torno deles é que dão margem às discussões filosóficas já mencionadas. A doença terminal da mãe de Kioko e o aparecimento de um cadáver na praia, por exemplo, resultam em reflexões sobre a vida e a morte. A separação dos pais de Kaito leva os protagonistas a refletir sobre o amor, casamento e paternidade. O mesmo acontece com relação a temas como o destino, a Natureza, religião etc. Quem tiver paciência – e tempo – poderá até mesmo copiar os diálogos e depois refletir sobre o que foi dito. Num deles, o viúvo pai de Kioko compara a morte de Isa, sua esposa, ao fim de uma onda na praia, atribuindo ambos os fatos à energia que se esvai, mas que já tiveram sua força e o seu esplendor. Há também muitas cenas comoventes, como aquela em que a família e os amigos se despedem de Isa nos seus últimos momentos de vida. As cenas de mar - aéreas, submarinas e das ondas - são belíssimas e dizem muito sobre a força da Natureza. O filme, dirigido pela cineasta japonesa Namomi Kawase, disputou a Palma de Ouro do Festival de Cannes/2014 e foi exibido, aqui no Brasil, durante o 38º Festival Internacional de Cinema de São Paulo. Mais um belo filme que merece ser visto.                                              
“CARIBE – A TRAJETÓRIA DE WORRICKER” (“Turks & Caicos”), telefilme produzido e exibido pela BBC em 2013, é o segundo filme de uma trilogia que tem como protagonista principal Johnny Worricker (Bill Nighy), agente do MI-5, Serviço Secreto da Inglaterra (o primeiro filme da trilogia é “Page 8”, de 2010). Trata-se de um suspense político ambientado num luxuoso hotel das ilhas Turcas e Caicos, nas Antilhas, na verdade um paraíso fiscal. Lá se reúnem algums empresários americanos, a relações-públicas deles Melanie Fall (Winona Ryder), Curtis Pelissier (Christopher Walken), agente da CIA, e o próprio Worricker, além de uma contadora anã que aparece lá pelo meio do filme. Pelo que o enredo muito complicado dá a entender, ninguém sabe da verdadeira identidade de Worricker nem de Pelissier. O filme é repleto de diálogos, a maioria deles incompreensíveis e tediosos, num blá blá blá interminável dos mais irritantes. Não há ação e muito menos suspense. O elenco ainda conta com Helena Bonhan Carter e Ralph Fiennes, ou seja, um desperdício de talentos. Se o filme já é ruim, pior mesmo é o ator Bill Nighy, que faz o protagonista principal. Tem mais cara de agente funerário do que agente secreto. Feio, cara de fuinha, expressão de abobado, nenhum carisma e muito menos charme. Resumindo: o filme é uma bomba de proporções atômicas.                                                                                                        

domingo, 2 de novembro de 2014

“A BICICLETA DO MEU PAI” (“Mój Rower”), 2012, Polônia, direção de Peter Trzaskalski, é daqueles filmes sensíveis e comoventes que, ao mesmo tempo, divertem. Depois de uma vida juntos, a mulher de Wlodek (Michal Urbaniak) o abandona por um novo amor. Ela tem, veja só, 75 anos.  Wlodek deve ter a mesma idade, talvez um pouco mais velho.    Depois de ler a carta de despedida da esposa, ele bebe umas a mais e acaba sendo internado num hospital, pois é diabético. Seu filho Paul (Artur Zmijewski), um pianista muito famoso, chega às pressas da Alemanha para visitá-lo. O mesmo faz o jovem Maciec (Krzysztof Chodorowski), neto de Wlodec e filho de Paul, que vem de Londres para ficar ao lado do avô. O reencontro dos três, que não se viam a alguns anos, vai trazer à tona antigos desentendimentos. Paul decide buscar a mãe onde ela estiver e exige que seja acompanhado por Wlodek e Maciec. Nesse road movie, os três vão se conhecer melhor e tentar amenizar o relacionamento conflituoso que sempre tiveram. Os ásperos diálogos entre Paul e Maciec são hilariantes. Choque de gerações em estado puro. Há também muitos momentos comoventes, como aquele em que Wlodek e Paul tocam juntos no aniversário de uma menina, ou quando os três estão nadando juntos num rio. Mas o nó na garganta está reservado mesmo para o desfecho, quando Paul se apresenta ao lado da  Orquestra Sinfônica de Berlim. A trilha sonora é outro ponto alto do filme, do jazz de  Benny Goodman à música clássica de Mozart. Um filme para ver, ouvir, rir e se comover. E recomendar para os amigos.  Simplesmente imperdível!                                      
“EXUBERANTE DESERTO” (“Adama Meshuga’at”), 2006, dirigido por Dror Shaul, é um belo e sensível drama israelense que tem como pano de fundo a vida num kibutz tradicional. A história é ambientada em 1974 e tem como principais protagonistas Dvir (Tomer Steinhof), um menino de 12 anos, e sua mãe Miri (Ronit Yudkvitz), uma mulher que sofre de depressão a nível psiquiátrico, além de alcoólatra e  viciada em remédios. Dvir tem um irmão mais velho, Eyal (Pini Tavger), que não liga muito para a mãe. Quem cuida dela é mesmo Dvir. O filme mostra as normas rígidas que regem um kibutz, naquela época uma comunidade bastante fechada e tradicional. Interessante que os filhos, depois que nasciam, eram encaminhados para uma creche intitulada “Casa das Crianças” e lá moravam até os 13 anos, quando faziam o Bar Mitzvah. Dessa maneira, os pais, de acordo com a norma dos kibutz, ficavam livres para o trabalho comunitário. O filme tem momentos tocantes e bastante comoventes, principalmente quando envolve a relação afetuosa entre Dvir e a mãe, interpretada por esta estupenda atriz Ronit Yudikvitz. A qualidade desse filme foi reconhecida no Festival de Sundance/2007, onde conquistou o “Grande Prêmio do Júri”, e, no mesmo ano, no Festival de Berlim, onde ganhou o Urso de Vidro de Melhor Filme. Um filme sensível que merece ser visto e revisto.                                                                                                         
“A GAROTA DO 14 DE JULHO” (“La Fille du 14 Juillet”) é uma comédia francesa de 2013. Trata-se do primeiro longa dirigido por Antonin Peretjavko. É um filme que abusa do humor nonsense, com situações absurdas e sem nexo, piadas infames sem a menor graça e personagens caricatos cujos nomes incluem, por exemplo, Dr. Placenta, Sr. Guilhotin etc. Algumas cenas fazem referência a filmes franceses da década de 60, da chamada Nouvelle Vague, mas o estilo de paródia adotado pelo diretor Peretjavko passou longe de configurar uma homenagem. A personagem principal é Truquette (Vimala Pons), uma moça que transita pra cá e pra lá de vestido curto e biquíni com sua amiga Charlotte (Marie-Lorna Vaconsin). As duas conhecem Hector (Grégoire Tachnakian) e Pator (Vincent Macaigne) e com eles irão viajar para a praia no início das férias de verão. No meio do caminho, eles ficam sabendo que as férias de verão foram canceladas em toda a França pelo governo devido à recessão. Todo mundo deve voltar a trabalhar. E por aí vai esse filme repleto de bobagens, um nonsense generalizado. Quem quiser arriscar e assistir, pelo menos vai curtir a atriz de origem indiana Vimala Pons, que, mesmo fazendo papel de abobada, mantém um charme irresistível, complementado por uma bela silhueta. Aqui no Brasil, o filme foi exibido durante a 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.