O
drama “HISTÓRIA DE GUERRA” (“War Story”), 2013, dirigido por Mark Jackson, termina como começou:
extremamente chato. Pior: depressivo e melancólico. A fotógrafa norte-americana Lee (Catherine Keener) está passando
uns dias na Sicília (Itália), antes de voltar para Nova Iorque, recuperando-se
de um trauma violento: ela estava a serviço na Líbia quando viu seu companheiro
e amigo Mark ser assassinado com um tiro na cabeça. Lee perambula pra cá e pra
lá, totalmente catatônica. Em meio à sua depressão, ela conhece Hafsia (Hafsia
Herzi), uma imigrante tunisiana que lembra uma jovem que ela fotografou ao lado
do irmão morto na Líbia. As duas ficam amigas e passam a se ajudar. É um filme
de poucos diálogos, a maioria dos quais sem nexo e fora do contexto da história
– se é que há alguma história nesse filme. Anunciado com destaque nos materiais
de divulgação, o ator Ben Kingsley faz apenas uma rápida aparição como Albert, antigo
amante e mentor de Lee. A trilha sonora, então, é de doer. Na verdade, é apenas
um som intermitente que mais parece um teste de audição ou de labirintite. Nem
a boa atriz Catherine Keener se salva, fora o fato de estar cada vez mais
parecida com a falecida cantora argentina Mercedes Sosa. Enfim, um filme daqueles
pra passar bem longe.sábado, 22 de novembro de 2014
O
drama “HISTÓRIA DE GUERRA” (“War Story”), 2013, dirigido por Mark Jackson, termina como começou:
extremamente chato. Pior: depressivo e melancólico. A fotógrafa norte-americana Lee (Catherine Keener) está passando
uns dias na Sicília (Itália), antes de voltar para Nova Iorque, recuperando-se
de um trauma violento: ela estava a serviço na Líbia quando viu seu companheiro
e amigo Mark ser assassinado com um tiro na cabeça. Lee perambula pra cá e pra
lá, totalmente catatônica. Em meio à sua depressão, ela conhece Hafsia (Hafsia
Herzi), uma imigrante tunisiana que lembra uma jovem que ela fotografou ao lado
do irmão morto na Líbia. As duas ficam amigas e passam a se ajudar. É um filme
de poucos diálogos, a maioria dos quais sem nexo e fora do contexto da história
– se é que há alguma história nesse filme. Anunciado com destaque nos materiais
de divulgação, o ator Ben Kingsley faz apenas uma rápida aparição como Albert, antigo
amante e mentor de Lee. A trilha sonora, então, é de doer. Na verdade, é apenas
um som intermitente que mais parece um teste de audição ou de labirintite. Nem
a boa atriz Catherine Keener se salva, fora o fato de estar cada vez mais
parecida com a falecida cantora argentina Mercedes Sosa. Enfim, um filme daqueles
pra passar bem longe.sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Escrito
e dirigido por Jon Favreau, que também atua como o protagonista principal, “CHEF
A DOMICÍLIO” (“Chef”), 2013, é entretenimento
da melhor qualidade, uma comédia divertida, leve e alto astral. Favreau é o chef Carl Casper, responsável pelo
cardápio e pela cozinha de um dos restaurantes mais badalados de Los Angeles. Mas
foi só entrar em atrito com o conceituado crítico culinário Ramsey Michel (Oliver
Platt), em cena filmada e divulgada na internet, que sua promissora carreira
parece ter chegado ao fim. Ele simplesmente é demitido pelo dono do
restaurante, o empresário Riva (Dustin Hoffman). Casper aproveita as férias
forçadas para viajar com o filho Percy (Emjay Anthony), um garoto esperto de 10
anos de idade, e com a ex-mulher Inez (Sofia Vergara) para Miami. É na cidade
mais latina dos EUA que Casper tem uma ideia luminosa, ou seja, montar um trailer
itinerante de comida cubana. Para isso, ele contará com ajuda de Martin (John
Leguizamo), seu fiel sub-chef no restaurante
de Los Angeles. Juntos, eles vão viajar por várias cidades e fazer do trailer “Cubanos”
um grande sucesso. Tudo funciona muito bem nesse filme, a história em si, o
elenco, a trilha sonora, mas seu grande trunfo é destacar a gastronomia como tema
principal, com muitas cenas mostrando a feitura dos mais variados
pratos, descrição das receitas etc., o que resultou num banquete visual dos
mais deliciosos, no qual se inclui, é claro, as “cerejas do bolo” Sofia Vergara
e Scarlett Johansson. Imperdível!quinta-feira, 20 de novembro de 2014
O
drama romântico “UMA NOVA CHANCE PARA AMAR” (“The Face of Love”), 2013, EUA, escrito e dirigido por Arie Posin, tem
todos os ingredientes para agradar as plateias mais sensíveis. Começa o filme e
vemos Nikki (Annette Bening) e Garret (Ed Harris) felizes da vida numa praia
mexicana comemorando os 30 anos de casamento. Pelos momentos mostrados em flashback, eles se amavam muito e tinham uma relação bastante estável. Só
que um trágico acidente tira a vida de Garret. O filme dá um pulo de cinco anos
e lá está a viúva Nikki trabalhando com muito empenho e sucesso na atividade de
designer de interiores. Quando está em casa, porém, vive com tristeza as
lembranças do marido que tanto amava. De vez em quando ela recebe a visita do vizinho
Roger (Robin Williams, num de seus últimos papeis), um amigo de muitos anos. A
vida de Nikki dá uma reviravolta quando ela conhece Tom, um professor de artes
que é um sósia perfeito do falecido. Eles começam um relacionamento e se
apaixonam. Nikki, temendo uma reação negativa de Tom, mantém o segredo sobre a semelhança
dele com Garrett. Até quando ela conseguirá esconder a verdade? E se Tom
descobrir, será que continuará com ela? Você terá as respostas depois de
assistir ao filme. A presença de Annette Bening e Ed Harris é mais um trunfo desse belo drama que merece ser visto por quem curte cinema de qualidade. quarta-feira, 19 de novembro de 2014
O
drama turco “ERA UMA VEZ NA ANATÓLIA” (“Bir Zamanlar Anadolu’da”), 2011, leva a assinatura do premiado diretor
Nuri Bilge Ceylan. Quem viu alguns de seus filmes, como “Climas”, de 2006, ou “3
Macacos”, de 2008, já sabe que ele tem uma maneira diferente de filmar e de
contar uma história, o que encanta os críticos. Em Cannes, por exemplo, já foi
premiado várias vezes. Este último também, recebendo o Prêmio de Júri do
tradicional festival de cinema francês. A história começa com três carros saindo
da cidade de Kelskin, na região da Anatólia. Neles estão policiais, um promotor,
um médico-legista, um soldado do exército e dois coveiros, além de dois
prisioneiros acusados de um assassinato. O motivo da caravana é encontrar o
local onde a vítima foi enterrada, mas os prisioneiros alegam que estavam bêbados
e não se lembram. É noite fechada e esse verdadeiro road movie entra madrugada
adentro, acompanhado de uma série de diálogos dentro e fora dos carros, muita
divagação e praticamente nada acontece durante um bom tempo. O filme é
arrastado, contemplativo, com muitas cenas longas, muitas delas silenciosas. O
desfecho dá uma pista, mas não explica com clareza tudo o que aconteceu. Cabe ao espectador tirar suas próprias deduções. Definitivamente, não é um
filme fácil de digerir e entender. Uma coisa é líquida e certa: não dá para ficar indiferente diante da telinha. Assista e comprove.
Esqueça
aquela Shailene Woodley que estreou no cinema como uma adolescente rebelde no
filme “Os Descendentes” (2010), onde fez o papel de filha de George Clooney. Esqueça
também a jovem romântica de “A Culpa é das Estrelas”, no qual representa uma
doente terminal apaixonada. Em “PÁSSARO BRANCO NA NEVASCA”
(“White Bird in a Blizzard”), 2014, direção
de Gregg Araki, ela vive Katrina, uma jovem sensual, fogosa e doida por sexo. Como
o nome da personagem dá a entender, um verdadeiro furacão. E não economiza nas
cenas de nudez, sem qualquer constrangimento. O filme, baseado no livro da
escritora norte-americana Laura Kasischke, é ambientado nos anos 80. Aos 17
anos (na vida real, Shailene tem 23), Katrina vive o drama do desaparecimento
da mãe Eve (a atriz francesa Eva Green). A polícia investiga o caso e a
suspeita recai sobre uma possível fuga de Eve com um amante, já que o casamento
com o pai de Katrina, Brock Connors (Christopher Meloni), vivia uma crise
crônica. O filme é uma mistura de drama com suspense policial, com direito a
uma reviravolta surpreendente e chocante no final. Participam ainda do elenco Ângela
Bassett, Shiloh Fernandez e Thomas Jane. Trata-se de entretenimento garantido,
não só pela história em si, mas também pela presença de duas ótimas atrizes
como Shailene e Eva Green.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
O
estranhamento quanto ao drama canadense “MIRACULUM” (ainda sem tradução por aqui, mas significa “milagre” em latim), 2014, já começa nos
créditos. Está lá: filme dirigido por Podz. Quem??? Pois é, trata-se do
pseudônimo do diretor Daniel Grou (“O Caso Dumont”). Na literatura, é normal um
escritor escrever um livro sob pseudônimo, mas num filme? Não lembro de caso
semelhante. Vi a foto do cara: tem pinta de excêntrico. Mas vamos ao filme
(falado em francês). Trata-se de várias histórias correndo em paralelo: uma
enfermeira adepta da seita Testemunhas de Jeová, cujo marido tem leucemia e
precisa de uma transfusão de sangue; um homem e uma mulher da terceira idade
que são amantes (as cenas de sexo entre os dois são bastante fortes); um homem que transporta drogas no próprio corpo e precisa se acertar com a filha;
e, por último, um casal em crise no casamento, ela se entregando ao álcool e
ele à jogatina. Todas essas histórias entremeiam um acidente de avião em que
haverá apenas um sobrevivente. O filme adota um tom bastante depressivo e praticamente não cria nenhum momento tocante ou sensível. Ou seja, o filme
está bem longe de oferecer um entretenimento leve. Também não dá para
dizer que é ruim. Apenas interessante. O elenco: Xavier Dolan (também cineasta,
talvez o nome mais conhecido), Julien Poulin, Anne Dorval, Marilyn Castonguay,
Xavier Dolan e Robin Aubert. domingo, 16 de novembro de 2014
“CODE BLUE”, de
2011, direção de Urszula Antoniak, é um drama psicológico holandês pra lá de
pesado. O filme, com poucos diálogos e povoado de muitos silêncios, acompanha o
dia-a-dia da enfermeira Marian (Bien de Moor), que trabalha na ala dos
pacientes terminais de um hospital. Ela é eficiente, atenciosa e carinhosa com a
maioria dos doentes, em geral idosos, embora extrapole em casos mais extremos,
agindo como um “anjo da morte”. Em sua vida particular, Marian - uma mulher de meia idade - é solitária,
reclusa e triste. Suas únicas diversões é olhar um vizinho por um buraco na
cortina – o que se tornará uma prática obsessiva – e assistir a programas de TV
(numa ocasião, o filme mostra Marian assistindo a novela “A Escrava Isaura”, aquela
mesma, com Lucélia Santos). Quando vai a uma festa, convidada por uma colega de
trabalho, Marian é apresentada justamente para o vizinho que ela vigia da
janela, Konrad (Lars Eidinger), e pelo qual está obcecada. Pelo tom depressivo
do filme, você até adivinha que a relação dos dois não deve acabar bem. O
desfecho é violento, trágico, e deve incomodar o espectador mais sensível. Não
poderia ser diferente para um filme que é todo desagradável. Louve-se apenas o
trabalho corajoso da atriz belga Bien de Moor. Só para ilustrar: a tradução literal do título é "Código Azul", o que, na linguagem dos hospitais, significa uma emergência de parada cardiorrespiratória.
O
maior mérito do drama finlandês “SILÊNCIO” (“Hiljaisuus”), 2011, direção de Sakari
Kirjavainen, consiste em contar uma história pouco conhecida. Durante a Segunda
Grande Guerra, a Finlândia foi um dos únicos países envolvidos no conflito que
criou batalhões especiais em seu exército para resgatar os corpos de soldados
mortos em combate, preservá-los e arrumá-los para serem velados pelas
respectivas famílias. O filme conta a história justamente de um desses
batalhões, constituído por três soldados e três mulheres voluntárias, sob as
ordens de um capelão do exército. O enredo do filme é todo ambientado durante o
rigoroso inverno de 1944. Os soldados e as voluntárias ficavam alojados num
acampamento próximo à frente de batalha. De vez em quando, um desses soldados
era incumbido de resgatar um corpo próximo às trincheiras do inimigo, numa
missão quase suicida. Na maioria das vezes, porém, os cadáveres eram enviados
ao acampamento, onde eram descongelados, tratados, limpos e maquiados, sendo depois
enviados às suas famílias para serem velados e enterrados como heróis de
guerra. O filme mostra os bastidores desse trabalho, em meio a romances
fugazes, conversas com fantasmas, insubordinações, roubo de dentes de
ouro e, de vez em quando, uma "ressuscitação" inesperada. Apesar do contexto dramático, melancólico e até lúgubre, o filme é muito
bom, valorizado por um elenco de ótima qualidade. Um filme interessante que
merece ser visto.sábado, 15 de novembro de 2014
“BOYHOOD - DA INFÂNCIA À
JUVENTUDE” (“Boyhood”), EUA, dirigido por Richard Linklater, é aquele filme lançado
recentemente (2014) e que alcançou grande repercussão por ter sido feito em 12
anos. Explico: a cada ano, o elenco principal se reunia durante alguns dias e
filmava. Isso foi feito de 2002 a 2014. Nesse período, o filme acompanhou o
crescimento do menino Mason (Ellar Coltrane) e de sua irmã Samantha (Lorelei
Linklater, filha do diretor). Ellar, por exemplo, tinha 6 anos quando as
filmagens começaram e 18 quando terminaram. Na história, eles são filhos de um casal
recém-separado, Olivia (Patricia Arquette) e Mason Sr. (Ethan Hawke). O filme
vai mostrar, durante longos 165 minutos, o relacionamento familiar dos personagens,
aqui incluídos os três novos maridos de Olivia, os problemas que caracterizam a
fase adolescente, os primeiros namoros, os primeiros pileques, o amadurecimento
etc. O filme lembra muito aquela série de TV “Anos Incríveis”, com muito blá blá blá e pouca ação. Na verdade, parece mesmo uma interminável sessão
de terapia infanto-juvenil, apesar de alguns diálogos interessantes, principalmente
entre o pai Mason e os filhos. Dizem que o filme está bem cotado para o Oscar
2015, o que é um exagero. Em todo o caso, o diretor Linklater tem em seu
currículo bons filmes como “Escola do Rock” e “Antes da Meia-Noite”.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Para
quem curte o gênero policial, o francês “MEA CULPA”, 2014, oferece o cardápio completo: muita
ação, tiros, perseguições, pancadarias e mulher bonita (e põe bonita nisso,
pois ela é a atriz e diretora libanesa Nadine Labaki, mulher de fechar o
comércio do Oriente Médio). O filme é todo ambientado em Toulon e a ação
desenfreada começa quando o garoto Theo (Max Baissette de Malglaive), de 9 anos, testemunha
um ajuste de contas entre duas gangues que acaba em assassinato. Daí pra
frente, os bandidos irão atrás do menino e de sua mãe (Labaki). Só que eles não
sabem que Theo é filho de Simon (Vincent Lindon), um ex-policial durão que
agora trabalha numa firma transportadora de valores. Com a ajuda de Franck
(Gilles Lellouche), seu antigo parceiro na polícia, Simon vai tentar proteger
seu filho e sua ex-mulher. Muito sangue vai rolar até o final, que ainda terá a
revelação surpreendente de um segredo envolvendo o relacionamento de Franck e
Simon. O filme é dirigido por Fred Cavayé, um especialista em filmes policiais e
de suspense (“À Queima-Roupa”, “Tudo por Ela” e “Os Infiéis”). Entretenimento
garantido!
“A MONTANHA MATTERHORN” (Matterhorn”),
2013, Holanda, é uma comédia dramática muito interessante e criativa. Conta a
história de Fred (Tom Kas), um viúvo de 54 anos que vive numa pequena vila no
interior da Holanda. Fred é recluso, solitário e extremamente metódico. Sua
esposa morreu num acidente e ele expulsou o filho Johan – em homenagem a Bach,
do qual é fã ardoroso - de casa. Um dia, aparece em sua rua um homem com problemas
mentais, a quem Fred dá acolhida. Mais tarde, saberá que o homem, que só emite
sons de animais, se chama Theo (René Van’t Hof). Tanto Fred como os moradores
da vila são bastante religiosos, frequentam a igreja calvinista e todos são
bastante rígidos em seus costumes. Dessa forma, a comunidade não vê com bons
olhos o gesto humanitário de Fred, principalmente depois que o pastor e um
vizinho flagram Theo vestindo as roupas da falecida. Até a metade do filme, as
situações parecem se repetir e nada acontece ou é explicado. Na segunda metade,
porém, a história engrena e o filme dá uma reviravolta, tornando-se bastante
agradável e até comovente. Não é um filme que se possa recomendar como se fosse
comum, igual a tantos outros. Merece ser visto justamente por isso e pelo inusitado enredo.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Não
é tarefa das mais fáceis assistir ao drama filipino “NORTE,
O FIM DA HISTÓRIA” (“Norte, Hangganan ng
Kasaysayan”), 2013, direção de Lav Diaz. A começar por sua duração, nada menos
do que 250 minutos, ou seja, quatro horas e 10 minutos. Um verdadeiro exercício
de paciência e persistência. O ritmo é lento, quase arrastado, e as cenas
longas demais. O filme destaca dois núcleos na história. Um deles é uma família
muito pobre com imensas dificuldades para sobreviver. Para piorar, o chefe da
família, Joaquim (Archie Alemania) é preso, julgado e condenado à prisão perpétua
por um crime que não cometeu. De outro
lado está Fabian (Sid Lucero), um brilhante estudante de Direito que, faltando
um ano para se formar, abandonou a faculdade devido às suas radicais convicções
políticas e existenciais, transformando-se num jovem arredio e psicótico. Os
dois núcleos só terão alguma ligação por intermédio de uma agiota gananciosa.
Na primeira hora de filme ainda acontecem alguns diálogos interessantes, com a
turma de estudantes de Direito discutindo política. Numa dessas conversas, é
colocada em questão se as revoluções como a cubana e a filipina, por exemplo,
foram bem sucedidas. Um dos estudantes responde: “A única revolução que deu
certo foi a revolução dos Beatles”. O filme, na verdade, é depressivo, triste, de
um baixo astral generalizado – trata-se, na verdade de uma livre adaptação do clássico
“Crime e Castigo” (Dostoiévsky). Mesmo com todos esses problemas, é o candidato
oficial das Filipinas ao Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro, além de ter
sido selecionado para a mostra “Um Certain Regard” do Festival de Cannes. terça-feira, 11 de novembro de 2014
Em
1983/1984, uma série de TV no Japão, com cerca de 300 capítulos, emocionou milhões
de espectadores ao contar a saga de uma menina de 7 anos obrigada a trabalhar
para ajudar a família pobre. A história, ambientada no início do século XX, foi
filmada em 2013 com o mesmo nome da série, “OSHIN”. Trata-se de um drama muito triste e, ao
mesmo tempo, tocante, graças principalmente à interpretação bastante
convincente da atriz mirim Kokone Hamada. Naquela época, no Japão, bem antes do
milagre econômico, as mulheres japonesas eram tratadas como escravas. Como diz
a mãe de Oshin: “Nós, mulheres, não temos vida própria. Vivemos para servir os
maridos, os filhos e os pais”. Nascida numa família extremamente pobre numa
vila da província de Yamagatae, Oshin é enviada para uma longínqua vila para
trabalhar como serviçal de uma família rica em troca de arroz. Isso aos 7 anos de idade. Lá, ela é maltratada
pela patroa e ainda acusada de roubar dinheiro. Ela foge e, sozinha, em pleno
inverno, enfrentará muitas adversidades. Embora realizado em clima de novela, o
filme é bem feito, destacando-se pelas belas imagens que formam os cenários de
inverno e pelo trabalho da atriz mirim. Quem for muito sensível pode preparar
um bom estoque de lenços de papel. Chororô garantido, né!segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Ao
final de sua exibição na sessão inaugural do Festival de Cannes/2014, “GRACE
– A PRINCESA DE MÔNACO” (“Grace of
Monaco”) levou algumas vaias da plateia e foi massacrado pela crítica. Realmente,
não é um grande filme, mas não deixa de ser muito interessante, pois
ressalta a influência positiva de Grace junto ao Príncipe Rainier na gestão da
administração política do Principado. Foi Grace, por exemplo, a responsável
pela não intervenção de De Gaulle na crise de 1962. A França exigia o pagamento
de impostos e ameaçava, caso contrário, anexar Mônaco ao seu território. Também
foi por intermédio de Grace que Rainier descobriu uma sórdida manobra de sua irmã,
a Princesa Antoinette, para destituí-lo do cargo e ela mesma ocupar o seu lugar.
Embora predominem, como pano de fundo, as questões políticas, o filme tem
bastante glamour, principalmente no que se refere aos figurinos de época, joias
e celebridades. Há que se destacar a beleza de Nicole Kidman como Grace, além
de Paz Vega como Maria Callas. As únicas menções relativas à sua carreira de atriz
acontecem no começo do filme, quando Grace aparece ao final de uma cena de “Alta
Sociedade”, e quando Alfred Hitchcock a convida para atuar em “Marnie –
Confissões de uma Ladra”, quando ela já era princesa. O diretor Olivier Dahan é
o mesmo de “Piaf – Um Hino ao Amor, de 2007, que deu o Oscar de Melhor Atriz a
Marion Cotillard. domingo, 9 de novembro de 2014
“MONTEVIDÉU” (“Montevideo,
Vidimo Se”), 2014, é o segundo filme do projeto do diretor sérvio Dragana
Bjelogrlic que visa contar a história, baseada em fatos reais, da participação da
seleção de futebol da Iugoslávia na Copa do Mundo de 1930, no Uruguai. O
primeiro, “Montevideo – O Sonho da Copa”, de 2011, mostra a escolha dos
jogadores entre os jovens atletas dos subúrbios de Belgrado, suas famílias,
seus romances, os treinamentos e alguns amistosos. O segundo conta a história
da participação da seleção na disputa daquela que foi a primeira copa do mundo
de futebol. A viagem de navio, a recepção no porto da capital uruguaia, a espelunca
em que foram hospedados, o romance do atacante Tirke (Milos Bikovic) com a bela
uruguaia Dolores (Elena Martinez), tudo contado na base do bom humor, o que
torna o filme, além de muito interessante pela história em si, bastante agradável
de assistir. É preciso destacar, porém, o total desconhecimento de Dragana
sobre os brasileiros, primeiros adversários da Iugoslávia. Para se ter uma
ideia, na apresentação oficial das delegações, nossos jogadores aparecem vestidos
com trajes típicos de tribos africanas. Uma mancada terrível! As cenas dos
jogos são todas muito fracas, diria até mal feitas. Ainda no elenco, o veterano
ator norte-americano Armand Assante aparece no papel de um empresário ganancioso em busca
de novos talentos. Assim como o primeiro filme concorreu ao Oscar 2012 de
Melhor Filme Estrangeiro, este segundo é pré-candidato na mesma categoria ao
Oscar 2015, também pela Sérvia. sexta-feira, 7 de novembro de 2014
“LONGWAVE – NAS ONDAS DA REVOLUÇÃO” (“Les
Grandes Ondes – À L’Ouest”), 2013, é uma co-produção Suíça/França/Portugal dirigida
por Lionel Baier. Trata-se de uma comédia bastante divertida, que tem como pano
de fundo a Revolução dos Cravos, movimento que acabou com a ditadura salazarista.
O filme é ambientado, claro, em abril de 1974, e conta a história da jornada de
dois jornalistas (Julie e Cauvin) e um técnico de som (Bob) de uma emissora de
rádio suíça escalados para realizar reportagens sobre a contribuição do governo
da Suíça para algumas áreas essenciais de Portugal, como, por exemplo, a Educação
– eles visitam um colégio e constatam que a colaboração se resumiu a um relógio
de parede (suíço, é claro). Mais algumas tentativas e eles chegam à conclusão
de que a viagem foi uma “furada”. Em meio aos preparativos para retornar à Suíça,
eles contratam um jovem tradutor chamado Pelé (o rapaz é branco). Quando
resolvem voltar, no dia 25 de abril, se dão conta de que teve início, na noite
anterior, uma grande revolução no país. Eles partem então para Lisboa, centro
dos acontecimentos, e acabam se envolvendo numa série de confusões. De qualquer
forma, farão valer a viagem. Nos créditos finais, aparece a foto da verdadeira
Julie, agora bem mais velha, o que dá a entender que a história realmente
aconteceu, embora com muitas pitadas de ficção. Vale a pena assistir, pois,
além de engraçado, é um filme inteligente.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
“AMADOR”, 2010,
é um drama espanhol dirigido por Fernando León de Aranoa (de “Segunda-feira ao
Sol”, com Javier Bardem). Conta a história do casal de imigrantes peruanos Marcela
e Nelson, que enfrenta um período de grande dificuldade financeira na Espanha. Nelson
(Pietro Sibille) vende nas ruas flores que rouba de um entreposto. Marcela (Magaly
Solier) ajuda o marido. Como o negócio não vai bem, Marcela decide procurar
emprego. Em meio a essa situação difícil, Marcela ainda descobre que está grávida,
mas tem medo de contar para o marido. Ela aceita o emprego para cuidar de um
idoso doente, Amador (Celso Bugallo), até que a filha dele, Yolanda (Sonia Almarcha),
volte da viagem de férias. Marcela vai encontrar em Amador um bom ouvinte e
conselheiro. Esse convívio acaba gerando uma grande amizade entre os dois, até
que um fato inesperado acontece e deixa Marcela numa situação alarmante. Ela vai tentar superar o problema com a ajuda de Puri (Fanny de
Castro), uma prostituta sessentona que “visitava” Amador uma vez por semana.
Puri é responsável por alguns bons momentos de humor, suavizando o clima triste
que ronda a trajetória de Marcela e do próprio filme. O diretor utiliza o jogo
de quebra-cabeças como representação da complexidade da vida. É montando um
quebra-cabeças com pedaços de uma foto, por exemplo, que Marcela descobrirá um segredo
nada agradável sobre o marido. Um filme mais interessante do que bom, mas que
merece ser visto não apenas pela história um tanto inusitada, mas também pela ótima atriz
peruana Magaly Solier, do premiado “A Teta Assustada”.terça-feira, 4 de novembro de 2014
“O SEGREDO DAS ÁGUAS” (“Futatsume no Mado” ou, no inglês, “Still the Water”), 2013, é
um drama japonês sensível que merece ser visto por quem curte discussões filosóficas e conversas
sobre os vários aspectos da nossa vida. O filme é ambientado na ilha Amami
Oshima, ao Sul do Japão, e centra o desenvolvimento do enredo nos jovens Kioko
(Jun Yoshinaga) e Kaito (Nigirô Murakami). Os fatos que se desenrolam em torno
deles é que dão margem às discussões filosóficas já mencionadas. A doença
terminal da mãe de Kioko e o aparecimento de um cadáver na praia, por exemplo, resultam
em reflexões sobre a vida e a morte. A separação dos pais de Kaito leva os
protagonistas a refletir sobre o amor, casamento e paternidade. O mesmo
acontece com relação a temas como o destino, a Natureza, religião etc. Quem
tiver paciência – e tempo – poderá até mesmo copiar os diálogos e depois
refletir sobre o que foi dito. Num deles, o viúvo pai de Kioko compara a morte
de Isa, sua esposa, ao fim de uma onda na praia, atribuindo ambos os fatos à
energia que se esvai, mas que já tiveram sua força e o seu esplendor. Há também
muitas cenas comoventes, como aquela em que a família e os amigos se despedem
de Isa nos seus últimos momentos de vida. As cenas de mar - aéreas, submarinas e das ondas - são belíssimas e dizem muito sobre a força da Natureza. O filme, dirigido pela cineasta japonesa
Namomi Kawase, disputou a Palma de Ouro do Festival de Cannes/2014 e foi
exibido, aqui no Brasil, durante o 38º Festival Internacional de Cinema de São
Paulo. Mais um belo filme que merece ser visto.
“CARIBE – A TRAJETÓRIA DE
WORRICKER” (“Turks & Caicos”), telefilme produzido e exibido pela BBC em 2013,
é o segundo filme de uma trilogia que tem como protagonista principal Johnny
Worricker (Bill Nighy), agente do MI-5, Serviço Secreto da Inglaterra (o
primeiro filme da trilogia é “Page 8”, de 2010). Trata-se de um suspense
político ambientado num luxuoso hotel das ilhas Turcas e Caicos, nas Antilhas, na
verdade um paraíso fiscal. Lá se reúnem algums empresários americanos, a
relações-públicas deles Melanie Fall (Winona Ryder), Curtis Pelissier
(Christopher Walken), agente da CIA, e o próprio Worricker, além de uma
contadora anã que aparece lá pelo meio do filme. Pelo que o enredo muito
complicado dá a entender, ninguém sabe da verdadeira identidade de Worricker
nem de Pelissier. O filme é repleto de diálogos, a maioria deles
incompreensíveis e tediosos, num blá blá
blá interminável dos mais irritantes. Não há ação e muito menos suspense. O
elenco ainda conta com Helena Bonhan Carter e Ralph Fiennes, ou seja, um
desperdício de talentos. Se o filme já é ruim, pior mesmo é o ator Bill Nighy,
que faz o protagonista principal. Tem mais cara de agente funerário do que
agente secreto. Feio, cara de fuinha, expressão de abobado, nenhum carisma e
muito menos charme. Resumindo: o filme é uma bomba de proporções atômicas.
domingo, 2 de novembro de 2014
“A BICICLETA DO MEU PAI” (“Mój Rower”), 2012, Polônia, direção de Peter Trzaskalski, é daqueles
filmes sensíveis e comoventes que, ao mesmo tempo, divertem. Depois de uma vida juntos, a
mulher de Wlodek (Michal Urbaniak) o abandona por um novo amor. Ela tem, veja
só, 75 anos. Wlodek deve ter a mesma idade,
talvez um pouco mais velho. Depois
de ler a carta de despedida da esposa, ele bebe umas a mais e acaba sendo
internado num hospital, pois é diabético. Seu filho Paul (Artur Zmijewski), um pianista
muito famoso, chega às pressas da Alemanha para visitá-lo. O mesmo faz o jovem Maciec
(Krzysztof Chodorowski), neto de Wlodec e filho de Paul, que vem de Londres
para ficar ao lado do avô. O reencontro dos três, que não se viam a alguns
anos, vai trazer à tona antigos desentendimentos. Paul decide buscar a mãe onde
ela estiver e exige que seja acompanhado por Wlodek e Maciec. Nesse road movie, os três vão se conhecer
melhor e tentar amenizar o relacionamento conflituoso que sempre tiveram. Os
ásperos diálogos entre Paul e Maciec são hilariantes. Choque de gerações em
estado puro. Há também muitos momentos comoventes, como aquele em que Wlodek e
Paul tocam juntos no aniversário de uma menina, ou quando os três estão nadando
juntos num rio. Mas o nó na garganta está reservado mesmo para o desfecho, quando Paul
se apresenta ao lado da Orquestra
Sinfônica de Berlim. A trilha sonora é outro ponto alto do filme, do jazz de Benny Goodman à música clássica de Mozart. Um
filme para ver, ouvir, rir e se comover. E recomendar para os amigos. Simplesmente imperdível!
“EXUBERANTE DESERTO” (“Adama Meshuga’at”), 2006, dirigido por Dror Shaul, é um belo e
sensível drama israelense que tem como pano de fundo a vida num kibutz
tradicional. A história é ambientada em 1974 e tem como principais
protagonistas Dvir (Tomer Steinhof), um menino de 12 anos, e sua mãe Miri
(Ronit Yudkvitz), uma mulher que sofre de depressão a nível psiquiátrico, além
de alcoólatra e viciada em remédios.
Dvir tem um irmão mais velho, Eyal (Pini Tavger), que não liga muito para a
mãe. Quem cuida dela é mesmo Dvir. O filme mostra as normas rígidas que regem
um kibutz, naquela época uma comunidade bastante fechada e tradicional. Interessante
que os filhos, depois que nasciam, eram encaminhados para uma creche intitulada
“Casa das Crianças” e lá moravam até os 13 anos, quando faziam o Bar Mitzvah. Dessa
maneira, os pais, de acordo com a norma dos kibutz, ficavam livres para o
trabalho comunitário. O filme tem momentos tocantes e bastante comoventes, principalmente
quando envolve a relação afetuosa entre Dvir e a mãe, interpretada por esta
estupenda atriz Ronit Yudikvitz. A qualidade desse filme foi reconhecida no
Festival de Sundance/2007, onde conquistou o “Grande Prêmio do Júri”, e, no
mesmo ano, no Festival de Berlim, onde ganhou o Urso de Vidro de Melhor Filme. Um
filme sensível que merece ser visto e revisto.
“A GAROTA DO 14 DE JULHO” (“La Fille du 14 Juillet”) é uma comédia francesa de 2013. Trata-se do
primeiro longa dirigido por Antonin Peretjavko. É um filme que abusa do humor nonsense, com situações absurdas e sem
nexo, piadas infames sem a menor graça e personagens caricatos cujos nomes
incluem, por exemplo, Dr. Placenta, Sr. Guilhotin etc. Algumas cenas fazem
referência a filmes franceses da década de 60, da chamada Nouvelle Vague, mas o
estilo de paródia adotado pelo diretor Peretjavko passou longe de configurar
uma homenagem. A personagem principal é Truquette (Vimala Pons), uma moça que
transita pra cá e pra lá de vestido curto e biquíni com sua amiga Charlotte
(Marie-Lorna Vaconsin). As duas conhecem Hector (Grégoire Tachnakian) e Pator
(Vincent Macaigne) e com eles irão viajar para a praia no início das férias de
verão. No meio do caminho, eles ficam sabendo que as férias de verão foram
canceladas em toda a França pelo governo devido à recessão. Todo mundo deve
voltar a trabalhar. E por aí vai esse filme repleto de bobagens, um nonsense generalizado. Quem quiser
arriscar e assistir, pelo menos vai curtir a atriz de origem indiana Vimala
Pons, que, mesmo fazendo papel de abobada, mantém um charme irresistível,
complementado por uma bela silhueta. Aqui no Brasil, o filme foi exibido
durante a 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
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