Baseado
em fatos reais, o drama húngaro/romeno “Aglaja”, 2012, direção de Kristina Deák, faz uma bela homenagem ao mundo do circo,
de tanta tradição nos países do Leste Europeu, principalmente na Romênia – o famoso
circo Stankowich, por exemplo, foi fundado por romenos. A homenagem fica mais
evidente quando o filme mostra os artistas nos bastidores do circo, uma vida nada fácil, cheia
de sacrifícios, muito treinamento duro e acidentes - muitas vezes trágicos - de percurso. A história,
situada nos anos 70, é narrada in off
por Aglaja, filha de dois artistas de
circo, a trapezista Sabine (Eszter Onodi) e o palhaço Tandarica (Zsolt Bogdán).
O filme acompanha a trajetória do casal
e da filha desde a fuga da Romênia, para escapar da polícia do ditador Nicolae
Ceausescu, até seu périplo por circos em várias capitais europeias. Numa delas,
onde é proibido o trabalho infantil, Aglaja é separada dos pais e encaminhada a
um internato. O filme avança 10 anos e mostra Aglaja, que se tornou uma bela
jovem aos 15 anos de idade, saindo do internato para se encontrar com a mãe, na
época conhecida em toda a Europa pelo número acrobático em que fazia
malabarismos nas alturas içada pelos cabelos. Por causa dessa atração, Sabine ficou
famosa como “A Mulher dos Cabelos de Aço”. Um acidente com Sabine, porém, vai
colocar Aglaja de volta ao picadeiro. As duas atrizes que interpretam Aglaja - Babette
Javor aos 5 anos, e Piroska Moga aos 15 - são excelentes. Mas o maior destaque
é mesmo Eszter Onodi, que faz Sabine. O filme foi exibido aqui no Brasil pela
primeira vez na Mostra “Geração Praça Moscou: O Cinema Húngaro”, em São Paulo,
em junho de 2013. Um filme que merece ser descoberto por quem gosta de cinema
de qualidade.sábado, 7 de junho de 2014
Baseado
em fatos reais, o drama húngaro/romeno “Aglaja”, 2012, direção de Kristina Deák, faz uma bela homenagem ao mundo do circo,
de tanta tradição nos países do Leste Europeu, principalmente na Romênia – o famoso
circo Stankowich, por exemplo, foi fundado por romenos. A homenagem fica mais
evidente quando o filme mostra os artistas nos bastidores do circo, uma vida nada fácil, cheia
de sacrifícios, muito treinamento duro e acidentes - muitas vezes trágicos - de percurso. A história,
situada nos anos 70, é narrada in off
por Aglaja, filha de dois artistas de
circo, a trapezista Sabine (Eszter Onodi) e o palhaço Tandarica (Zsolt Bogdán).
O filme acompanha a trajetória do casal
e da filha desde a fuga da Romênia, para escapar da polícia do ditador Nicolae
Ceausescu, até seu périplo por circos em várias capitais europeias. Numa delas,
onde é proibido o trabalho infantil, Aglaja é separada dos pais e encaminhada a
um internato. O filme avança 10 anos e mostra Aglaja, que se tornou uma bela
jovem aos 15 anos de idade, saindo do internato para se encontrar com a mãe, na
época conhecida em toda a Europa pelo número acrobático em que fazia
malabarismos nas alturas içada pelos cabelos. Por causa dessa atração, Sabine ficou
famosa como “A Mulher dos Cabelos de Aço”. Um acidente com Sabine, porém, vai
colocar Aglaja de volta ao picadeiro. As duas atrizes que interpretam Aglaja - Babette
Javor aos 5 anos, e Piroska Moga aos 15 - são excelentes. Mas o maior destaque
é mesmo Eszter Onodi, que faz Sabine. O filme foi exibido aqui no Brasil pela
primeira vez na Mostra “Geração Praça Moscou: O Cinema Húngaro”, em São Paulo,
em junho de 2013. Um filme que merece ser descoberto por quem gosta de cinema
de qualidade.sexta-feira, 6 de junho de 2014
“Elena” é um
drama russo produzido em 2010 e dirigido por Andrey Zvyagintsev (de “O Retorno”).
O enredo gira em torno de Elena (Nadezhda Markina), uma enfermeira aposentada que
vive, há 10 anos – seu segundo casamento - com Vladimir (Andrey Smirnov), um
rico homem de negócios de Moscou. Sergei (Aleksey Rozin) é o filho de Elena, um
preguiçoso que passa o dia sentado no sofá tomando cerveja e vendo TV. Não quer
nada com o trabalho, embora tenha que sustentar mulher e um filho adolescente.
Sergei vive às custas da mãe, que todo mês vai até a periferia de Moscou
entregar o dinheiro de sua aposentadoria ao filho malandro. Por causa dessa
rotina de anos, Elena vive às turras com o marido, que critica a atitude da
mulher dizendo que ela transformou o filho num acomodado e vagabundo. Ela
defende o filho com unhas e dentes, dizendo que ele é vítima da crise econômica.
Vladimir sofre um infarto e, enquanto se recupera, decide escrever seu
testamento. Ele comunica suas intenções a Elena. A filha de Vladimir, Katerina
(Elena Lyadova), será a grande beneficiada. Elena acha que seu filho também
deve ser incluído no testamento. A partir daí, o filme passa a ter um clima de
suspense policial e fica melhor ainda. É impossível não enxergar nas atitudes da
superprotetora Elena uma evidente analogia com a “Mãe Rússia” e seu caráter
assistencialista. “Elena” foi o
grande destaque da 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, além de ter
conquistado o Prêmio Especial do Júri na Mostra “Um Certain Regard” no Festival
de Cannes 2011.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
“O Homem Duplicado” (“Enemy”),
2013, é um filme canadense baseado em livro do escritor português José
Saramago. Conta a história de Adam Bell (Jake Gyllenhaal), professor
universitário, que um dia descobre, assistindo a um filme, que tem um sósia
perfeito. Pelos créditos, Adam conclui que seu sósia é o ator Anthony St.
Claire (papel também de Gyllenhaal, claro). Aí ele não sossega enquanto não
encontrar o outro pessoalmente. O relacionamento entre os dois vai envolver
ainda a esposa de Adam, Helen (Sarah Gadon), e a namorada de Anthony, Mary
(Mélanie Laurent). Vai dar uma confusão maluca, mas nada de comédia. É tudo
levado muito a sério pelo diretor Denis Velleneuve, dos ótimos “Incêndios” e “Os
Suspeitos”, este último também com Gyllenhaal, que se mostra mais uma vez um
excelente ator. Com muita sutileza nos gestos e expressões, Gyllenhaal faz com
que o espectador consiga identificar, sem muito esforço, quando ele é Adam e
quando ele é Anthony. Isabella Rossellini, numa pequena ponta, faz a mãe de
Adam. O filme foi massacrado pela maioria dos críticos e também não conseguiu
muita simpatia do público, haja vista o resultado fraco das bilheterias. Não é
um filme tão ruim assim, mas também não é tão bom para ser recomendado. Não deixa, porém, de ser um filme interessante, diferente, com um ótimo elenco e uma história, embora surreal, criativa e instigante.
terça-feira, 3 de junho de 2014
Se
você pretende assistir a um filme para relaxar e se divertir, esqueça “O
Homem que Virá” (“L’Uomo che Verrà”), Itália, 2009, direção de Giorgio Diritti. Trata-se
de um drama pra lá de pesado que conta a história do Massacre de Marzabotto,
fato ocorrido em setembro de 1944, no qual soldados da SS nazista executaram cerca
de 800 camponeses da região de Marzabotto, nas colinas de Bolonha, naquele que é considerado um dos maiores crimes de guerra cometidos até hoje. Em termos
cinematográficos, porém, é um filme de altíssima qualidade. Toda a história é
vista e contada sob a ótica de uma menina de 8 anos, Martina (Greta Zuccheri
Montanari), cuja família é numerosa e paupérrima. Cansados da ocupação dos
soldados alemães, o que incluía ceder hospedagem, as mulheres e os já escassos alimentos,
os camponeses formam um grupo de partizans
para combater os nazistas. Depois de algumas baixas, os alemães resolvem partir
para a retaliação, o que envolve a execução em massa - e sem distinção - de crianças,
mulheres, idosos, deficientes, enfim, quem não for alemão. Embora muito bem
feitas, as cenas de execução são chocantes de tão realistas. Mas o filme também
tem algumas cenas comoventes, como aquela em que Lena (Maya Sansa), que está
grávida, toca na barriga de uma imagem da Virgem Maria, também grávida, o que dá a entender que a esperança daquela gente tão sofrida está no "Homem que Virá". segunda-feira, 2 de junho de 2014
“Ilo Ilo”, 2012,
Singapura, primeiro filme do diretor Anthony Chen. É um drama que tem como pano
de fundo a crise asiática no final dos anos 90. O ano é 1997. Teck (Tian
Wenchen) e sua esposa Hwee Leng (Yann Yann Yeo) trabalham fora e passam maus
bocados com o filho Jiale (Koh Jia Ler), um garoto de 10 anos terrível que sempre
apronta alguma no colégio ou em casa. Hwee está grávida e cansada, pois também
cuida dos serviços caseiros. Ela tem o gênio forte e é comum destratar o marido,
além de não ter a mínima paciência para lidar com o filho. Para aliviar Hwee, o casal decide,
então, contratar uma empregada filipina, Teresa (Angeli Bayani). Aos poucos,
Teresa consegue “domar” o menino. Ambos vão criar um laço de amizade que
deixará a mãe de Jiale com ciúmes. Quando parece que a situação vai melhorar,
Teck perde o emprego de vendedor e também o seguinte, de vigilante. A condição
financeira da família fica insustentável e o filme assume uma dramaticidade que
poderá tocar fundo em quem já passou ou passa por situação semelhante. “Ilo Ilo” conquistou o Prêmio “Caméra d’Or”,
destinado a cineastas estreantes, no Festival de Cannes 2013. Também representou
Singapura como candidato a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2014. Ah, Ilo Ilo
é uma cidade localizada nas Filipinas e onde a babá do diretor nasceu. Ele quis
homenageá-la com o título. Um belo filme que merece ser conferido.
“7 Caixas” (“7
Cajas”), 2012, é um bom filme de ação e suspense, humor e aventura. E, acreditem,
paraguaio. Aliás, o maior sucesso de bilheteria até hoje naquele país. Um feito
e tanto para uma indústria que produziu, até hoje em toda a sua história,
apenas 25 longas de ficção. O filme tem como locação o Mercado 4, um conjunto
de barracas, lojas e boxes que ocupa grande parte do centro de Assunção. Víctor
(Celso Franco) tem 17 anos e trabalha como carregador (carretillero), ajudando os clientes a transportar mercadorias. Um
dia, o funcionário de um açougue o contrata para transportar sete caixas sem
revelar seu conteúdo. Aí começa uma série de confusões que irão colocar em
risco a vida de Víctor, que se vê caçado por bandidos, pela polícia e pelo
pessoal que o contratou para levar as caixas. Aliás, como nas ruas do mercado não
há espaço para carros, o jeito foi criar/improvisar as cenas de perseguição com
os carrinhos utilizados pelos carregadores, uma das bem boladas gozações da dupla
de diretores Juan Carlos Maneglia e Tana Schémbori. O filme é bastante criativo,
mantém um bom ritmo de ação do começo ao fim. Os bandidos são caricatos e atrapalhados.
Nem o desfecho trágico consegue estragar o bom humor do filme. Pode ver que você vai se divertir.
“Rota de Fuga”
(“Escape Plan”), 2013, EUA, dirigido por Mikael Hafstrom, reúne os dois grandes
astros dos filmes de ação de Hollywood, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Os dois “velhinhos”
ainda impõe respeito, além de dar conta de correr, bater e apanhar. A história
é fantasiosa, mas com esses dois astros tudo é permitido. Stallone é Ray
Breslin, que trabalha para uma empresa que vende tecnologia de segurança para
presídios. A função de Breslin é ser preso e depois fugir de penitenciárias de
segurança máxima. Em oito anos, conseguiu escapar de 14. Um gênio da fuga. Um
dia, porém, ele é sequestrado, sedado e levado para uma prisão que ninguém sabe
que existe, uma tal de Prisão Internacional, comandada na base da violência por
Willard Hobbes (Jim Caviezel) e pelos seus guardas – na verdade, mercenários – altamente treinados.
É lá que Breslin conhece Emil Rottmayer (Schwarzenegger). Em meio a socos e
pontapés, torturas, rápidas temporadas em solitárias e algumas piadinhas, os
dois vão se aliar para tentar fugir. O elenco ainda conta com Sam Neil,
Vincente D’Onofrio, Amy Ryan, Vinnie Jones e a belíssima Caitriona Balfe. Para
quem não exige muito e gosta de filmes de ação, o entretenimento é garantido!
domingo, 1 de junho de 2014
“O Segredo – Pecado em Família”
(“Perfect Parents”), de 2006, dirigido por Joe Ahearne, um drama inglês
que mistura suspense, assassinatos e chantagens com temas como religiosidade,
família e educação. Não é entretenimento de fácil absorção. Stuart (Christopher
Ecleston) e sua esposa Alison (Susannah Harker), ateus de carteirinha, querem
colocar a filha Lucy (Madeleine Garrood), de 10 anos, num colégio público católico
dirigido por freiras. Só que precisam cumprir algumas normas exigidas pela
instituição, como, por exemplo, serem católicos praticantes e terem batizado a
filha. Eles conseguem o aval do padre Thomas (David Warner) mediante o
pagamento de propina. Há um intermediário no negócio, Ed (Brendan Coyle), um cidadão
aparentemente correto, mas nas sombras um psicopata e chantagista. As mentiras
do casal serão descobertas graças às denúncias de uma mãe invejosa cuja filha
não foi aceita no colégio católico. Duas pessoas serão assassinadas e outra ainda
será alvo de uma tentativa. No filme, ainda há espaço para muitas discussões de cunho religioso, o
que nos leva a refletir sobre questões como fé, perdão e solidariedade.
sábado, 31 de maio de 2014
“O Grande Assalto 11.6” (“11,6”), França, 2013, conta a história verídica de Toni Musulin, o
francês que em 2009 roubou 11.6 milhões de euros do Banque de France e virou celebridade
nacional. Musulin é interpretado por François Cluzet (da comédia “Intocáveis”),
um dos melhores atores franceses da atualidade. O filme rememora os fatos ocorridos
a partir de um ano antes. Musulin trabalha como motorista de carros-forte numa
empresa de segurança há dez anos. Orgulha-se de nunca ter faltado um dia sequer
por doença ou qualquer outro motivo. Mesmo assim, a empresa tem o costume de
reduzir o seu holerite por minutos atrasados. A gota d’água foi um pedido negado
por seu chefe para folgar um dia porque precisa ir com a esposa a um funeral. Aí
ele resolve se vingar e cometer o assalto, considerado pela mídia europeia como "O Assalto do Século". Dias depois, quando ouve a notícia pela TV de que as
ações da empresa começaram a cair depois do que fez, Musulin não segura um
sorriso de felicidade. Musulin se entrega, conta tudo como aconteceu e indica o
local onde o dinheiro está escondido. Só que o dinheiro encontrado totalizou
9.1 milhões de euros. Ficaram faltando, portanto, 2.5 milhões, que ele nega
saber onde estão. Como não houve violência ou vítimas no roubo, a lei francesa
condenou Musulin a apenas três anos de prisão. O filme termina sem aquele
letreiro que informa a situação atual do prisioneiro. Faltou dizer, por exemplo, que Musulin,
em 2010, teve sua pena prorrogada para mais cinco anos. Ou seja, ele ainda vai
esperar um tempo para gastar os 2.5 milhões. Além de Cluzet, outro destaque do
filme é a ótima atriz Corine Masiero, que faz Marion, sua esposa, numa
interpretação de tirar não apenas o chapéu, mas a roupa inteira. sexta-feira, 30 de maio de 2014

“Teia de Mentiras” (“The Trials of Cate Mccall”), EUA, 2013. Cate Maccall (Kate Beckinsale) é uma promotora
de justiça com muitos problemas. Está afastada do trabalho fazendo tratamento
contra o alcoolismo, perdeu a guarda da filha para o ex-marido e ainda convive com
o trauma de ter condenado um homem que ficou preso durante 11 anos e depois
comprovou sua inocência. Mesmo assim, dão a ela a chance de defender uma
mulher, Lacey Stubs (Anna Anissimova), condenada por assassinato e presa há 5
anos. Cate pega o caso com unhas e dentes, o que vai lhe causar ainda mais
problemas. Para suportar toda essa situação conturbada, Cate conta com a ajuda
do amigo ex-advogado Bridges (Nick Nolte). Em meio ao julgamento de Lacey e a
seus problemas particulares, Cate ainda é perseguida por policiais supostamente
envolvidos no assassinato do qual Lacey é acusada. Algumas reviravoltas no
enredo alimentam o suspense, reavivando a frase clichê “Nem tudo é o que parece
ser”. Kate Beckinsale não é mais tão bonita como quando apareceu em “Pearl Harbour”
(2001) e fez par romântico com Ben Affleck, mas continua muito charmosa e ótima
atriz. O que mais impressiona no filme é o rosto disforme de Nick Nolte,
carregado de um vermelho que pode ser resultado do excesso de álcool ou de alguma
doença dermatológica. O elenco conta ainda com a presença sempre marcante e competente do
ator James Cromwell como o Juiz Sumpter.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
“Uma Viagem” (“Izlet”)
é um drama esloveno de 2011 que conta uma história bastante simples, ancorada
em apenas três personagens, Zina (Nina Rakovec), Gregor (Jure Henigman) e
Andrej (Luka Cimpric). Hoje na faixa dos 25 anos de idade, eles são amigos desde
o colégio e todo ano, nas férias de verão, costumam viajar para o litoral. É um
tipo de road movie. Até a meia-hora
final, os três apresentam um comportamento bastante infantil, com piadas sem
graça, brincadeiras idiotas e papos com a profundidade de um pires. Chega a ser
irritante. Parecem três abobalhados que não tiveram infância. O filme fica mais
tolerável quando adquire um tom mais sério, logo após um chilique histérico de
Zina, que revela um segredo envolvendo um fato do passado que traumatizou
Andrej. A partir daí, a convivência entre os amigos vai azedar e colocar um ponto final no passeio. A cena final no aeroporto, quando Zina e Andrej aparecem de surpresa
para se despedir de Gregor, soldado do exército, que vai embarcar para uma missão
no Afeganistão, é muito bonita e tocante, o que não redime o filme de seus defeitos. "Uma Viagem", o primeiro filme dirigido por Nejc Gazvoda, fez sua
estreia no 17º Sarajevo Film Festival e já foi exibido em outros vinte
festivais, sempre com muitos – e, na minha opinião, exagerados - elogios.
Também foi o candidado da Eslovênia ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em
2012. terça-feira, 27 de maio de 2014
“Recomeço” (“All the
wrong Reasons”), 2012, direção de Gia Milani, é um misto de comédia e drama envolvendo
quatro personagens: Kate (Karine Vanasse), seu marido James Ascher (Cory
Monteith), o bombeiro Simon (Kevin Zegers) e Nicole (Emily Hampshire). Todos
eles trabalham numa grande loja de departamentos. Ascher é o gerente, Kate cuida
da segurança pelo circuito interno, Nicole é balconista e Simon o segurança. A
figura central é Kate, que sofre de estresse pós-traumático há anos, pois
presenciou o suicídio da irmã. Ela não permite qualquer contato físico,
inclusive do marido, além de conviver com uma depressão profunda. Depois de aguentar
tanto tempo essa situação, James vai afogar suas mágoas com a maluquete Nicole.
Simon faz bico de segurança na loja depois de se recuperar de um acidente que
lhe arrancou parte do braço esquerdo. Ele quer voltar a ser bombeiro apesar do seu problema físico. Mesmo abalado psicologicamente pela situação de quase
inválido, é Simon quem vai tentar ajudar na recuperação de Kate. O filme,
dedicado ao ator Cory Monteith (o astro da Série Glee), que morreu alguns meses
depois das filmagens, foi exibido no Festival de Toronto/2013 e ganhou muitos
elogios. É um filme interessante.
O
brucutu Jason Statham bota para quebrar novamente em “Linha
de Frente” (“Homefront”), EUA, 2013. Ele
faz o agente Phil Broker, do Departamento de Combate a Narcóticos, que se
infiltra numa gangue de motoqueiros traficantes de drogas. Na hora da prisão da
quadrilha, o filho do chefão Danny T (Chuck Zito) é morto a tiros. Danny T é
preso e jura vingança. Broker se afasta da polícia (não fica claro se entrou em
algum programa de proteção do governo) e vai morar com a filha Maddy (Izabela
Vidovic) na cidade natal da esposa, que morreu um ano antes. Tudo vai às mil
maravilhas até que um incidente na escola envolvendo Maddy e um garoto vai colocar
Cassie (Kate Bosworth), uma viciada em drogas, no caminho de Broker. Ela pede
ao irmão traficante Gator (James Franco) para ajudá-la a se vingar de Broker.
Gator descobre a identidade verdadeira do ex-agente e avisa Danny T, que da
penitenciária onde está preso contrata um grupo de delinquentes para matar
Broker. Será que o nosso herói vai escapar dessa? Pra quem gosta de filmes de
ação, com muita pancadaria e tiros, “Linha de Frente” é um ótimo acompanhamento para um sacão de pipoca. E como é bom ver um
sujeito honesto bater em tanto bandido. A cena final, quando Broker visita Danny
T na prisão, é hilariante. E gratificante. domingo, 25 de maio de 2014
Baseado
no romance escrito por Denis Diderot no século XVIII, o drama “A
Religiosa” (“Le Religieuse”) tem no
elenco feminino o seu maior trunfo: Isabelle Huppert, Louise Bourgoin, Françoise
Lebrun, a alemã Martina Gedek e a revelação belga Pauline Étienne, entre
outras. Em 1760, a jovem Suzanne Simonin (Étienne) é enviada a um convento como
um teste para sua possível vocação religiosa. No período em que fica enclausurada,
mesmo com a atenção carinhosa da madre superiora (Lebrun), Suzanne percebe que
não está preparada para assumir o compromisso. Ela então desiste, mas seus pais
não. Eles a enviam para outro convento, desta vez comandado por uma madre
superiora autoritária e insensível, Irmã Christine (Bourgoin), que vai fazer Suzanne
passar maus bocados. Mais tarde, Suzanne
ainda será enviada a um terceiro convento, cuja madre superiora (Isabelle
Huppert) lhe dedica uma atenção “muito especial”. Em meio a essa trajetória de
idas e vindas, Suzanne ainda descobrirá um segredo familiar que, no desfecho,
determinará o seu futuro. O filme é dirigido por Guilleume Nicloux, que também é
o autor do roteiro. Um filme sério, muito interessante por revelar e discutir aspectos
da religiosidade da época e abordar a questão da vocação. Cinema da mais alta
qualidade.
“O Médico” (“The
Physician”), 2013, direção do alemão Philipp Stölzl, é uma super co-produção Alemanha/EUA
baseada no livro de Noah Gordon. Numa gafe de tradução, o filme chegou aqui
como “O Físico”, assim como o livro (em inglês, físico é “physicist”). Para
evitar qualquer dúvida, escolhi para ilustrar o cartaz em alemão (“Der Medicus”).
No início da Idade Média, Rob Cole (Tom Pyne), tem o sonho de ser médico. Esse
desejo tem muito a ver com a morte de sua mãe, cuja doença ninguém conseguiu
curar. Cole a viu morrer sem poder fazer nada. Quando ouve falar de um famoso centro
de estudos na Pérsia (atual Irã), onde ensinava um professor/filósofo/cientista
Ibn Sina (Ben Kingsley) que, segundo se dizia na época, curava qualquer doença,
Cole inicia uma verdadeira jornada épica para concretizar seu sonho. Ele se
aventura numa longa viagem repleta de perigos e privações, mas é quando conhece
seu grande amor, a jovem Rebecca (Emma Rigby). Quando finalmente ingressa no
instituto, Cole cai nas graças de Ibn Sina e logo se tornará um de seus mais
destacados alunos, principalmente depois que descobre a fórmula para erradicar
a peste negra que assola a cidade. Cole será bajulado até pelo Schahn Ala
Ad-Daula, a autoridade maior do Irã. Assim como as históricas e violentas rusgas
envolvendo cristãos, muçulmanos e judeus, o filme também aborda como a influência
da religião prejudicava, na época, a evolução dos estudos científicos,
incluindo, principalmente, a medicina. Duas horas e meia de puro entretenimento.
Filmão!
Embora
os materiais de divulgação coloquem em maior destaque os atores Tim Roth e
Cillian Murphy, é a menina Eloise Laurence, em sua estreia no cinema, quem vive
o principal personagem no drama inglês “Broken”, 2011, dirigido por Rufus Norris. Ela é Skunk, uma garota de 11 anos que mora
com o irmão um pouco mais velho e o pai Archie (Tim Roth), cuja esposa o
abandonou por outro homem. Eles vivem num bairro classe média ao norte de
Londres. O filme acompanha os acontecimentos da casa e os que envolvem os
vizinhos. Um deles é um casal já mais velho que convive com os problemas
mentais do filho Rick (Robert Emms). Na casa em frente, um pai, Oswald (Rory
Kinnear), tenta controlar as três filhas adolescentes rebeldes e desajustadas. Skunk
e o irmão têm uma governanta, Kasia (Jana Marjanovic), que namora o jovem
professor Mike (Cillian Murphy). De uma ou de outra forma, essas famílias e
todos esses personagens se envolverão em algum momento da narrativa, tendo Skunk como
participante ou espectadora de todos os fatos. O ótimo desempenho de Eloise
Laurence, em sua estreia no cinema, pode ser o prenúncio de que está nascendo
uma atriz de grande futuro. A maneira diferente - e criativa - de filmar do diretor Rufus Norris, acrescida de diálogos inteligentes e um time de bons atores, faz de “Broken” um filme bastante interessante. O júri do Festival de Zurique/2012 também gostou, tanto que o elegeu como o Melhor Filme. sábado, 24 de maio de 2014
No drama
“Faro”, 2012, co-produção Suécia/Finlândia,
direção de Fredrik Edfeldt, um homem (Jakob
Cedergren) é procurado pela polícia acusado de ter cometido um assassinato. Ele
vive com a filha adolescente, Hella (Clara Chistiansson), numa casa isolada. Quando
a polícia chega para prendê-lo, ele consegue fugir e leva a filha junto. Durante
a fuga, ele conta a Hella que pretende chegar à cidade de Faro, em Portugal
(daí o nome do filme), a qual conheceu durante uma de suas viagens num antigo
emprego. O carro em que estão os fugitivos, porém, é visto numa estrada e a polícia
inicia uma perseguição. O homem (o personagem não tem nome), chamado de Pappan
pela filha, livra-se do carro e resolve embrenhar-se numa floresta. Pai e filha
viverão meses escondidos num ambiente bastante selvagem e, durante esse tempo,
terão a oportunidade de se conhecer melhor. Dá até para desconfiar, em
determinados momentos, que há uma relação incestuosa latente. Em meio a tudo
isso, a menina ainda vai encontrar uma casa habitada por uma senhora esquisita
e o pai vai invadir uma casa, sentar e escutar música clássica. Como já é possível antever durante sua exibição, a aventura de pai e filha não acabará muito bem. "Faro" não é um filme muito comum, mas não tão ruim quanto parece nem tão bom quanto
pretende ser. É ver para crer. Com uma recepção elogiosa, o filme estreou em
janeiro de 2013 no Festival de Gotemburgo, o maior evento cinematográfico dos
países nórdicos.sexta-feira, 23 de maio de 2014
“Operação Sombra” (“Jack
Ryan: Shadow Recruit”), 2013, é um ótimo filme de ação que traz de volta ao
cinema o agente da CIA Jack Ryan, personagem criado pelo escritor Tom Clancy.
Desta vez, o herói é interpretado pelo ator Chris Pine. Nos outros quatro filmes,
foi vivido por Alec Baldwin, Harrison Ford (duas vezes) e Ben Affleck. Apesar
da cara de bebê chorão, Pine faz um Jack Ryan à altura dos seus antecessores. A
história começa em 2001, quando Ryan está estudando em Londres e vê pela TV os
ataques às torres gêmeas do World Trade Center. Para ajudar seu país a
enfrentar o terrorismo, Ryan ingressa no Exército dos EUA. Enviado ao
Afeganistão, é ferido durante o ataque ao helicóptero em que estava em missão.
Mesmo muito machucado, ele salva dois companheiros e vira herói. No hospital,
conhece a Dra. Cathy (Keira Knightley), com quem casa alguns anos mais tarde.
Também no hospital ele será recrutado para a CIA por Thomas Harper (Kevin
Costner). Para investigar as contas bancárias de possíveis financiadores da causa
terrorista contra os EUA, Ryan ingressa como analista numa empresa de Wall
Street e acaba descobrindo um plano para provocar um caos na economia
norte-americana. Um poderoso empresário russo está por trás desse plano: Viktor
Cheverin (Kenneth Branagh, que também é o diretor do filme). Ryan vai para
Moscou e, a partir de sua chegada, a ação não para mais. Entretenimento de
sobra, daqueles que você não sente o tempo passar. Um filmaço!
quinta-feira, 22 de maio de 2014
“Solo”, 2013, é
um suspense/terror psicológico canadense dirigido por Isaac Cravit. Conta a
história da joven Gillian (Annie Clark), que se inscreve para trabalhar como orientadora num acampamento de verão no meio
de uma floresta. Ao chegar, como teste para sua contratação, ela deve passar pelo
teste “Solo” (daí o nome do filme), ou seja, ficar dois dias isolada numa ilha
próxima, que dizem ser habitada por um fantasma. Devidamente instalada na tal
ilha, ela recebe a visita de um homem estranho, que se oferece para ajudá-la.
Na verdade, como Gillian descobrirá mais tarde, o homem nada mais é do que um
psicopata assassino. Embora capaz de dar alguns sustos, o filme é bastante
medíocre, digno para figurar naquela lista que fazem de "O Pior do Ano". Os atores, então, são muito ruins, principalmente o vilão da história, cujo
desempenho chega a ser constrangedor. Um filme para passar, literalmente, bem
longe.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Com
raríssimas exceções, como por exemplo “Caçada ao Outubro Vermelho”, filmes com
submarinos são geralmente muito chatos. Pior, claustrofóbicos e escuros, com um monte de homens andando agachados pra lá e pra cá. “Phantom – A Última Missão” (“Phantom”), EUA, 2013, dirigido por Todd Robinson, não foge a essa regra.
A história é baseada em fatos reais ocorridos em 1968, em plena Guerra Fria. O
capitão Dmitri Zubov (Ed Harris) recebe ordens de comandar um submarino nuclear
russo numa missão secreta. Muito a contragosto, Dmitri é obrigado a aceitar
como membros da tripulação dois agentes da KGB, um deles Bruni (David
Duchovny). Somente durante a viagem é que Dmitri é informado que a missão
envolve o lançamento de um míssel nuclear contra os EUA. Com a recusa de Dmitri,
Bruni assume à força o comando do submarino, prendendo o capitão, seus oficiais
e parte da tripulação. Daí para a frente, o suspense só aumenta. Será que Bruni
conseguirá lançar o míssel? Como Dmitri e seus homens farão para evitar essa
aventura maluca? Como todos nós sabemos, não caiu nenhum míssel nuclear nos EUA
em 1968. O que torna o filme ainda mais chato é que, de 10 frases pronunciadas
pelos protagonistas, 9 referem-se a termos técnicos para nós indecifráveis. Um
exercício de paciência elevado a dois. Como vilão, David Duchovny revela-se um verdadeiro
canastrão: não muda a expressão do começo ao fim. Para o espectador, na
verdade, o grande suspense fica restrito à seguinte pergunta: “Quando surgirá o
The End?
Tal qual seu diretor, o francês Jean-Claude Brisseau, o filme “A Garota de Lugar Nenhum” (“La Fille de Nulle Part”), 2012, é bastante excêntrico.
O roteiro mistura diálogos de alta erudição, envolvendo assuntos como
filosofia, política, arte e religião, com aparições de fantasmas, visões
surreais e sessões mediúnicas. O professor de matemática aposentado Michel
Deviliers (interpretado pelo próprio diretor) ouve um barulho do lado de fora
do seu apartamento e vai verificar o que está acontecendo. Ele vê uma moça
sendo agredida e a socorre. Deviliers cuida dos seus ferimentos e a convida
para ficar em seu apartamento até que os ferimentos estejam curados. Solitário
e viúvo há mais de 20 anos, o professor vê na garota, Dora (Virginie Legeay), uma
companhia interessante para conversar e até opinar sobre o livro que está
escrevendo. Mas a presença de Dora começa a despertar fantasmas e forças
sobrenaturais. Deviliers, inclusive, passa a acreditar que Dora pode ser a reencarnação
de sua esposa, falecida há mais de 20 anos. As filmagens aconteceram no próprio
apartamento onde o diretor mora, em Paris. É o primeiro filme de Virginie
Legeay como atriz (ela atuou como assistente em outros filmes do diretor). Segundo
Brisseau, a ideia do filme surgiu porque estava nostálgico pelos filmes da
Nouvelle Vague feitos na década de 60. O filme ganhou o Leopardo de Ouro no
Festival de Lucarno/2012.
terça-feira, 20 de maio de 2014
“Uma Viagem
Extraordinária” (“L’Extravagant Voyage
du Jeune et Prodigieux T.S. Spivet”), 2013, é mais uma criação de Jean-Pierre
Jeunet, o mesmo diretor de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. Desta vez, Jeunet
foi aos EUA realizar o filme, que conta a história de T.S. Spivet (Kyle
Catlett), um garoto de 10 anos superdotado que mora num rancho isolado de
Montana. O pai (Callum Keith Rennie) não lhe dá a mínima. A mãe (Helena Bonham
Carter) está mais preocupada com suas experiências com insetos. Sem ninguém
saber, Spivet se inscreve no concurso promovido pela Universidade Smithsonian,
de Washington, destinado a premiar o cientista que inventar a máquina do
movimento perpétuo. Na ficha de inscrição, Spivet utiliza seu nome mas fornece os dados do pai. Dessa
forma, não sabem que ele é apenas um garoto. Ele ganha o prêmio e, sem avisar
os pais, inicia uma viagem cheia de aventuras até Washington para receber seu “Baird
Award” num grande jantar de gala. Como é do seu estilo, Jeunet utiliza efeitos especiais de animação em
várias cenas, o que contribui para dar um toque de fantasia ao filme e comprovar que o diretor francês é um dos mais criativos do cinema atual. Além de
Kyle e Bonham Carter, destaque especial para a atriz Judy Davis, que está ótima
como a hilariante G.H. Jibsen, responsável pela realização da premiação. Embora
o personagem principal seja um garoto de 10 anos de idade, o público adulto
também vai se deleitar com essa deliciosa e divertida aventura. O filme foi exibido como a grande atração do Festival Varilux de Cinema Francês/2014 realizado em São Paulo.
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