quarta-feira, 27 de setembro de 2023

 

“O ACUSADO” (“ACCUSED”), 2023, Inglaterra, 1h28m, lançamento da Netflix, com direção de Philip Barantini, seguindo roteiro assinado por Barnaby Boulton e James Cummings. O jovem Harri Bhavsar (Chaneil Kular, de “Sex Education”), filho de imigrantes paquistaneses radicados em Londres, está prestes a viver momentos terríveis e de alta tensão. No caminho da casa dos pais, ele pega o metrô da capital inglesa e, perto do seu ponto de destino, fica sabendo que um atentado terrorista havia ocorrido na estação onde entrou no trem. Várias pessoas morreram e logo a notícia se espalha pelo noticiário das emissoras de TV e pelas redes sociais. Já na casa dos pais, que viajaram no dia seguinte em férias, Harri descobre que é o principal suspeito do atentado, conforme filmagens feitas pelas câmeras do metrô. Nas redes sociais, os ingleses prometem vingança e farão de tudo para encontrar Harri antes da polícia. Harri fica totalmente descontrolado, não sabe o que fazer. Ele até liga para a polícia dizendo-se inocente, mas sua ligação não é levada a sério. Até que dois sujeitos encontram o endereço e vão atrás dele. A primeira vítima é Flinn, o cachorro da família. E por aí vai o suspense, com momentos realmente de alta tensão, até o surpreendente desfecho. Completam o elenco Nila Aalia, Nitin Ganatra, Frances Tomelty, Lauryn Ajofo, Jay Johnson, Robbie O’Neil e Kimberley Marren. “O Acusado” prende a atenção, levando o espectador a desejar chegar até o final para ver o que vai acontecer. Não é nenhuma Brastemp, mas fica longe de uma geladeira de isopor.                  

 

Embora o título seja propício para definir o atual clima aqui no Brasil, “ONDA DE CALOR” (“HEATWAVE”), 2022, é um suspense policial norte-americano, 1h40m, um dos mais recentes lançamentos da Netflix, com direção de Ernie Barbarash e roteiro assinado por Chris Sivertson. Com pitadas de erotismo lésbico, nada do chocante e muito menos explícito - mas as atrizes são lindas -, a história é centrada em Claire Valens (Kat Graham, atriz nascida na Suíça), que trabalha em um grande escritório imobiliário. Com seu talento profissional, ela logo se transforma no “braço direito” do chefe, o empresário Scott Crane (Sebastian Roché). Solteirona disponível, Claire conhece Eve (Merritt Patterson), com a qual começa um relacionamento amoroso. Mal sabe Claire que Eve é a esposa do seu chefe e, quando descobre, a situação se complica. Não demora muito e Scott Crane é encontrado morto. Os detetives Parker (Roger Cross) e Arlo Leonard (Cardi Wong) iniciam as investigações e logo vários suspeitos viram alvo da polícia, entre os quais Claire e a esposa do falecido, além de alguns funcionários do escritório. O mistério só será revelado no desfecho, com uma surpreendente reviravolta. Também estão no elenco Jacqueline Breakweel, Alicia Hannah, Kayla Wallace e Aren Buchholz. A história até que prende a atenção, mas o filme está longe de merecer uma indicação entusiasmada.                

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

 

“BELA VINGANÇA” (“PROMISING YOUNG WOMEN”), 2020, coprodução Inglaterra/Estados Unidos, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Emerald Fennell. Este suspense foi indicado em cinco categorias ao Oscar 2021 (veja no final deste comentário), vencendo o de Melhor Roteiro Original, justiça feita à atriz inglesa Emerald Fennel em seu filme de estreia no roteiro e direção. A história é centrada em Cassandra (Carey Mulligan), que abandonou a faculdade de medicina e agora é atendente em uma pequena cafeteria. À noite, ela sai pelos bares da cidade fingindo-se de bêbada para atrair as atenções dos homens que querem se aproveitar do seu estado e levá-la para a cama. Ela se vinga dos mal intencionados, mudando o comportamento a ponto de ser comparada com uma psicopata. Aos poucos, o espectador percebe que sua intenção é uma vingança declarada ao que fizeram com sua amiga Nina Fisher há 7 anos. Sua vingança será ainda mais maligna quando ela consegue identificar os responsáveis diretos pela tragédia ocorrida com Nina, incluindo a reitora da faculdade, um advogado e estudantes de medicina, incluindo o seu namorado. A cereja do bolo, ou seja, a bela vingança propriamente dita, está reservada para o desfecho, valorizando ainda mais a ótima história. Além da atriz inglesa Carey Mulligan, completam o ótimo elenco Alfred Molina, Laverone Cox, Alison Brie, Chris Lowell, Bo Burnham, Clancy Crow, Molly Shannon, Adam Brody, Jennifer Coolidge, Lorna Scott e Christopher Mintz-Plasse. “Bela Vingança” foi indicado ao Oscar 2021 nas categorias Melhor Roteiro Original – foi o vencedor -, Melhor Filme, Melhor Atriz (Carey Mulligan, premiada com o Globo de Ouro), Melhor Direção e Melhor Edição. A deliciosa trilha sonora também merecia pelo menos uma indicação. Enfim, "Bela Vingança" é um ótimo entretenimento.               

domingo, 24 de setembro de 2023

 

“O CONDE” (“EL CONDE”), 2023, Chile, 1h50m, lançamento da Netflix, direção de Pablo Larraín, que também assina o roteiro juntamente com Guillermo Calderón. Trata-se de uma fábula macabra, satírica, fantasiosa e bem-humorada centrada no personagem do ex-ditador chileno Augusto Pinochet (1915-2006), agora como vampiro, interpretado por Jaime Vadell. O filme começa narrando a trajetória “vampiresca” de Pinochet, iniciada na França durante o período da Revolução Francesa, no século 18, até chegar ao Chile, quando derrubou Salvador Allende e em seguida governou como ditador até 1990. Pinochet agora mora num casarão isolado na Patagônia, com a esposa Lucía (Gloria Münchmeyer) e o também vampiro e fiel mordomo Fyodor Krassnoff (Alfredo Castro). Depois de 250 anos voando por aí, matando gente para beber o sangue, Pinochet confessa que está cansado e decide que quer morrer. Sabedores da intenção do pai, seus cinco filhos vão visitá-lo em seu refúgio, ávidos para se aproveitar de uma suposta herança milionária. Em meio à confusão familiar que se instala no casarão, surge no cenário a jovem Carmencita (Paula Luchsinger), que se apresenta como contadora, mas na verdade é uma freira designada para assassinar Pinochet. O roteiro do filme também conta com um forte componente político, principalmente nas reflexões sobre o seu período como ditador, com direito a uma inusitada e surpreendente visita da dama de ferro inglesa Margaret Tatcher (Stella Gonet), agradecida pelo fato de Pinochet ter ajudado a Inglaterra durante a Guerra das Malvinas. Além da ótima história, “o Conde” apresenta uma estética que remonta aos grandes clássicos do terror, como fotografia em preto e branco, mansão gótica e cenários enfumaçados. Além disso, é falado em espanhol, inglês e francês. Também estão no elenco Antonia Zeggers, Diego Muñoz, Catalina Guerra e Amparo Noguera. A estreia mundial de “O Conde” aconteceu no Festival Internacional de Cinema de Veneza 2023, quando foi indicado para premiações em diversas categorias, conquistando o “Leão de Ouro” de Melhor Roteiro. Muito pouco para um grande filme, tanto que acredito que será indicado como representante do Chile para disputar o Oscar 2024 como Melhor Filme Internacional. Termino o comentário afirmando que “O Conde” é a cereja do bolo da Netflix, com certeza seu melhor lançamento de 2023 e, sem dúvida, mais um gol de placa do diretor chileno Pablo Larraín, que possui no currículo excelentes filmes como "No" (indicado para o Oscar 2013 de Melhor Filme Estrangeiro), "O Clube" (vencedor do Globo de Ouro), "Neruda", "Spencer" e "Jackie", entre outros, todos comentados aqui no blog. Trocando em miúdos, "O Conde" é IMPERDÍVEL, assim mesmo com letras maiúsculas.                

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

 

“CAÇA MORTAL” (“THE SILENCING”), 2020, coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h33m, em cartaz na Netflix, primeiro filme dirigido pelo cineasta belga Robin Pront nos Estados Unidos, com roteiro de Micah Ranum. Trata-se de um suspense policial centrado na investigação dos assassinatos de garotas adolescentes em uma região montanhosa dos Estados Unidos ou do Canadá – um absurdo o filme não dar referências sobre o local. O tal serial killer sequestra as moças e desaparece com elas. A história começa quando uma das garotas aparece morta dentro de um rio. Quem comanda as investigações é a xerife Alice Gustafson (Annabelle Wallis). O primeiro suspeito que aparece é justamente o irmão da policial, um jovem problemático chamado Brooks (Hero Fiennes Tiffin). Outro que aparece no cenário é Rayburn Swanson (Nikolaj Coster-Waldau), um ex-caçador responsável por uma área de proteção florestal cuja filha de 14 anos desapareceu há 5 anos. É ele quem vê pela primeira vez, através de câmeras instaladas na floresta, o assassino agir, utilizando uma camuflagem cheia de plantas, um disfarce bem ridículo que lembra o Rambo. Seu modus operandi é inusitado: uma arma especial que atira flechas. Nem a reviravolta perto do desfecho salva esse filme, repleto de situações mal explicadas e uma história pra lá de mirabolante. O ator dinamarquês Nikolaj Coster-Waldau, de “Game of Thrones, é o único que se salva em meio ao elenco um tanto medíocre. Também do lado negativo destaco a fraca atuação da atriz inglesa Annabelle Wallis, que é bonita e frágil demais para uma policial que precisa ser durona no meio de tantos machos valentes. Trocando em miúdos, “Caça Mortal” não é motivo para uma recomendação entusiasmada.               

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

 

“DEPOIS DA CABANA” (“LIEBES KIND”), 2023, Alemanha, minissérie em 6 episódios, produção original da Netflix (estreou no dia 7 de setembro), direção de Jeanette Wagner e Julian Pörksen, seguindo roteiro assinado por Isabel Kleefeld e Kim Riedle. Trata-se de um suspense psicológico cuja história é baseada no best-seller da escritora alemã Romy Hausmann. Depois que uma mulher é atropelada à noite em uma pequena estrada, a polícia quer identificar o atropelador, que não socorreu a vítima, mas teve a decência de solicitar socorro médico. Quando a ambulância chega ao local do acidente, ao lado da vítima está uma menina de 12 anos, identificada mais tarde como Hannah (Naila Schuberth), que seria filha da moça atropelada. Essa ocorrência levou a polícia a acreditar que pode haver uma relação com o desaparecimento misterioso, há 13 anos, de uma moça chamada Lena Beck. A detetive Aida Kurt (Haley Louise Joses) e o agente especial Gerd Bühling (Hans Löw) iniciam as investigações, chegando à conclusão de que um homem estaria sequestrando mulheres, trancando-as com duas crianças em uma casa no meio de um quartel militar abandonado. O cativeiro é descoberto, mas o mistério continuará sem solução até o desfecho. A história realmente prende a atenção, pois apresenta revelações surpreendentes e algumas reviravoltas, resultando numa trama bastante envolvente. Não perca!             

domingo, 17 de setembro de 2023

 

“O REI DAS FUGAS” (“NAJMRO: KOCHA, KREADNIE, SZANUJE”), 2022, Polônia, 1h40m, em cartaz na Netflix, direção de Mateusz Rakowicz (“A Mãe do Ano”, comentado recentemente neste blog), que também assina o roteiro com a colaboração de Lukasz Wieckiewicz. Cinebiografia baseada na história do criminoso polonês Zdzislaw Najmrodzki (1954/1995), que nas décadas de 70 e 80 se notabilizou não apenas pelos seus golpes audaciosos, mas, principalmente, por suas fugas “cinematográficas”. No total, foram 29, incluindo uma pela janela de um tribunal, de um trem, de delegacias e penitenciárias. O filme, ambientado um pouco antes do fim do comunismo e da queda do muro de Berlim, mostra alguns golpes praticados por Zdzislaw (Dawid Ogrodnik) e sua gangue, da qual fazia parte a própria mãe Mira (Dorota Kolok). O investigador-chefe Barski (Robert Wieckiewicz), com seu assistente trapalhão Ujma (Rafal Zawierugha), prendeu o lendário bandido várias vezes. Prendê-lo virou uma obsessão para a dupla de policiais. O roteiro utilizou um tom bem-humorado, perto de uma comédia, para apresentar a trajetória do famoso fujão. O filme é bastante movimentado, divertido e fácil de digerir, tornando-se um ótimo entretenimento. Não perca!         

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

 

“O SEQUESTRO” (“TAKE BACK”), 2022, Estados Unidos, 1h29m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Christian Sesma, seguindo roteiro assinado por Zach Zerries. Zara (Gillian Iliana Waters) vive uma rotina de muito trabalho como advogada e treinos de luta com o técnico e seu marido Brian (Michael Jai White). Tudo vira de cabeça pra baixo, porém, quando ela, especialista em artes marciais, desarma e derruba um homem que ameaçava matar a namorada em uma cafeteria. A ação é filmada e o vídeo começa a aparecer nas redes sociais. Zara vira uma celebridade, o que chama a atenção de um antigo desafeto, o asqueroso Patrick (o ainda mais desfigurado e intragável Mickey Rourke), chefão de uma quadrilha que sequestra meninas para serem vendidas para gangues do tráfico sexual. Zara tenta de todas as maneiras esconder o seu passado de vítima do mesmo Patrick, que agora quer se vingar do que ela lhe causou. Essa vingança chegou até a enteada de Zara, a adolescente Audrey (Priscilla Walker), sequestrada pela gangue de Patrick. Até o desfecho, Zara terá que se livrar de alguns capangas de Patrick e ainda tentar negociar a libertação de Audrey. Completam o elenco Paul Sloan, James Russo, Jessica Uberuaga, Chris Browning, Nick Vallelonga, Jay Giannone, Victoriya Dov e Jay Montalvo. Com exceção de algumas cenas de luta muito bem coreografadas e pitadas de suspense, o filme não traz atrativos que motivem uma recomendação entusiasmada. Como curiosidade, a atriz Gillian Waters é casada na vida real, desde 2015, com o ator Michael Jai White, seu marido no filme.     

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

 





“BRINCANDO DE DEUS” (“PLAYING GOD”), 2021, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção do jovem e talentoso cineasta Scott Brignac. Como cinéfilo amador, muitas vezes resolvo arriscar e assistir a um filme sem muitas referências. De vez em quando faço uma descoberta interessante e agradável. Foi o que aconteceu quando vi “Brincando de Deus”, um drama com pitadas de humor que me agradou bastante. Resumindo, o filme começa apresentando dois jovens irmãos gêmeos vigaristas, Rachel (Hannah Kasulka) e Micah (Luke Benward). Órfãos desde crianças, eles cresceram praticando pequenos furtos e depois partiram para golpes mais lucrativos. Chega o dia, porém, que os irmãos picaretas recebem a visita, não muito gentil, de um poderoso mafioso – ou será agiota? -, um tal de Vaughn (Marc Menchaca), a quem Micah deve uma grana preta. Caso contrário, a situação também poderá ficar preta para os irmãos. A luz no fim do túnel é o bilionário Ben (Alan Tudyk), que vive um período de luto por causa da morte da filha e fica obcecado em cobrar Deus pela tragédia. Ao ingressar em uma igreja e promover um escândalo, Ben acaba no noticiário, o que chama a atenção dos irmãos. Com a colaboração de um velho amigo, Frank (Michael McKean), Rachel e Micah resolvem dar um golpe no fragilizado bilionário. Golpe muito sujo aliás, pois, entre as muitas enganações, inventam um Deus de carne e osso para conversar com Ben. Aí a confusão está formada, prendendo a atenção do espectador até o final. Hannah Kasulka, além de bonita, é ótima atriz, assim como seu colega de cena Luke Benward, por sinal uma cópia do ator Jim Carrey quando moço. Garanto, o filme é muito interessante, inteligente e delicioso de assistir. Não perca!   

domingo, 10 de setembro de 2023

 

“UM DIA E MEIO” (“EN DAG OCH EN HALV”), 2023, Suécia, 1h34m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta e ator libanês naturalizado sueco Fares Fares, que também assina o roteiro com a colaboração de Peter Smirnakos. O filme começa com um homem armado entrando em um centro médico e fazendo reféns funcionários e pacientes. A situação chegou ao conhecimento da Força-Tarefa Nacional, que enviou ao local uma equipe sob o comando do oficial Lukas (Fares Fares). Como o negociador oficial da polícia estava trabalhando em outra ocorrência, coube ao próprio Lukas conversar com homem, que logo veremos tratar-se de Artan (Alexej Manvelov), cuja ex-esposa, Louise (Alma Pöysti), é funcionária do centro médico. Artan quer recuperar a guarda da filha Cassandra, ainda um bebê. Artan exige ver a filha, agora aos cuidados dos pais de Louise em um pequeno sítio na zona rural. O policial Lukas solicita um carro para levar Artan e Louise até o sítio. Começa então um road movie, sendo que o carro dirigido por Lukas é o primeiro de um comboio formado por várias viaturas policiais. O suspense aumenta cada vez por causa do revólver sempre apontado para a cabeça de sua ex-mulher e pela expectativa do que irá acontecer quando Artan chegar ao local onde está a filha. “Um Dia e Meio” é um bom suspense, prende a atenção até o desfecho. Segundo os materiais de divulgação, a história é baseada em fatos reais, mas nem tudo. Segundo o próprio diretor, a única cena baseada em fatos reais foi aquela em que Artan invade o centro médico armado com um revólver para exigir a guarda da filha. O restante é fruto da imaginação de Fares Fares e do seu colaborador roteirista. Trocando em miúdos, é um bom suspense que merece ser conferido.  

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

 

“SOMBRAS DE UM CRIME” (“MARLOWE”), 2022, coprodução EUA/Irlanda, 1h49m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Neil Jordan, que também assina o roteiro com a colaboração de William Monahan. Os romances policiais norte-americanos escritos nas décadas de 30 e 40 do século passado resultaram, na mesma época, no surgimento dos chamados filmes noir, gênero que Hollywood cansou de explorar. “Sombras de um Crime” tenta resgatar esse estilo. A história, ambientada em 1939 na cidade de Los Angeles, é baseada no livro “A Loura de Olhos Negros”, de 2014, escrito pelo irlandês John Banville. O personagem principal é Philip Marlowe (Liam Neeson), detetive particular criado nos livros escritos por Raymond Chandler (1888-1959), um dos mais importantes escritores de romances policiais. Em crise de clientes, Marlowe recebe uma inesperada cliente, a loura femme fatale Clare Cavendish (Diane Kruger), que contrata o detetive para encontrar seu desaparecido amante, o vigarista Nico Peterson (François Arnaud). Durante sua investigação, Marlowe terá que se confrontar com um empresário malandro (Danny Huston), com a própria mãe de Clare, uma ricaça interpretada por Jessica Lange, e com gente da pior qualidade, incluindo um rico empresário (Alan Cumming) e uma dupla de traficantes mexicanos. A trama é complicada, o filme é um tanto lento e cansativo, com exceção da ótima direção de arte, uma primorosa fotografia – do espanhol Xavi Giménez – e uma caprichada recriação de época. O ator Liam Neeson não convence como Philip Marlowe, personagem que já foi vivido na tela por grandes atores, entre os quais Humphrey Bogart e Robert Mitchum. O resultado final não é capaz de convencer nem mesmo os fãs do estilo noir.    

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

 

“REFÉM REBELDE” (“ROGUE HOSTAGE”), 2021, Estados Unidos, em cartaz no Prime Vídeo, 1h34m, direção de Jon Keeyes, seguindo roteiro assinado por Mickey Solis. Um psicopata e dois amigos resolvem se vingar de um empresário famoso, dono de uma rede de supermercados. O motivo? Cerca de 20 anos atrás o empresário Sam Nelson (o intragável John Malkovich) teria denunciado o tio de Eagan Raize (Christopher Backus), que acabou sendo preso, abandonando seus dois sobrinhos ao Deus dará. Tantos anos depois, Eagan resolve se vingar, justamente no dia em que Sam Nelson está inaugurando mais um supermercado. Eagan e seus comparsas invadem a festa e fazem de reféns os funcionários e clientes, entre eles um ex-fuzileiro naval, Angel Snowden (Tyrese Gibson), que agora trabalha como funcionário do conselho tutelar da cidade e sofre de estresse pós-traumático depois de um período no Afeganistão. Apenas com esta pequena sinopse você será capaz de adivinhar o que vai acontecer no desfecho. Também estão no elenco Lauren Vélez, Michael Jai White, Holly Taylor e Brande Bravo. Toda a ação se desenrola dentro do supermercado, mas esse aspecto não significa que o filme é monótono. Até que tem bastante ação e algum suspense, mas não espere muita inteligência do roteiro, repleto de furos e situações pouco convincentes. De qualquer forma, vale como opção para uma sessão da tarde com pipoca.     

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

 

“SEDE ASSASSINA” (“TO CATCH A KILLER”), 2023, Estados Unidos, 1h59m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Damián Szifron, que também assina o roteiro com a colaboração de Jonathan Wakeham. Depois de se consagrar com elogios da crítica especializada pelo seu filme “Relatos Selvagens”, indicado ao Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro, o cineasta argentino foi convidado por Hollywood para dirigir este thriller policial, o seu primeiro longa em língua inglesa. O filme começa quente. É véspera de Ano Novo, Baltimore está em festa, a população comemorando, muitos fogos. Só que nem todos eram fogos, e sim os tiros de um atirador de elite que resultaram na morte de 29 pessoas e outras tantas feridas. Lammark (Ben Mendelsohn), diretor do FBI, ficou encarregado do caso e resolveu montar uma equipe para assessorá-lo: um agente experiente, Mackenzie (Jovan Adepo), e uma policial inexperiente e problemática, Eleanor Falco (Shailene Woodley, de “A Culpa é das Estrelas” e a saga “Divergente”). O pessoal do FBI tenta montar o perfil psicológico do atirador, o que resulta em inúmeras discussões entre os agentes, conversas bastante interessantes para o espectador. Não demora muito e o maluco volta a atacar, matando dezenas de pessoas, a maioria policiais, dentro de um shopping center. Pressionado pelo prefeito da cidade e pela promotoria pública, Lammark e sua equipe são afastados do caso, mas não largarão o osso facilmente. “Sede Assassina” é um bom suspense, prende a atenção e motiva os espectadores a torcer pela agente Falco, interpretada com muita competência pela atriz Shailene Woodley. Um filme acima da média.   

sábado, 2 de setembro de 2023

 

“IMPÉRIO DA DOR” (“PAIN KILLER”), 2023, Estados Unidos, minissérie em 6 episódios da Netflix, direção de Peter Berg. O roteiro foi escrito por Micah Fitzerman-Blue e Noah Harpster, que se basearam nos livros “Pain Killer: An Empire of Deceit and The Origin of America’s Opioid Epidemic", de Barry Meier, e “The Family That Builty An Empire of Pain”, de Patrick Raden Keefe. A história traz o relato de uma tragédia que se abateu nos Estados Unidos na década de 90 e início dos anos 2000, ou seja, as milhares de mortes ocorridas pelo consumo do OxyContin, um analgésico viciante à base de morfina fabricado pela Pardue Pharmam, pertencente à família Sackler. O remédio chegou a ser apelidado de “heroína em comprimido”. A minissérie explora três vertentes. A primeira, a ganância do empresário Richard Sackler (Matthew Broderick), dono da farmacêutica, que montou um esquema de representantes bonitas e sensuais para convencer os médicos a receitar o remédio em troca de favores sexuais. A segunda vertente mostra os esforços de Edie Flowers (Uzo Aduba), investigadora da Procuradoria dos EUA em denunciar as mortes ocorridas por causa do remédio. A terceira vertente explora a tragédia que se abateu sobre milhares de famílias cujos entes queridos se viciaram e morreram por overdose. Como exemplo, o roteiro apresenta o caso do mecânico de automóveis Glen Kryger (Taylor Kitsch), que se vicia e acaba morrendo de overdose, depois de perder a oficina, a mulher e o filho pequeno. Casos como esse são relatados no início de cada capítulo em depoimentos de pessoas que tiveram um ente querido morto pelo remédio. Importante ressaltar que todos esses acontecimentos ficaram escondidos do público por mais de uma década, demonstrando o poder da indústria farmacêutica em corromper autoridades, mídia e a classe médica. Também estão no elenco Madelaine West Duchovny (filha dos atores David Duchovny e Lea Leoni), Dina Shihabi, Carolina Bartczak, Mercedes Blanche e Clark Grege. “Império da Dor” é forte, contundente e realista ao máximo e, sem dúvida, deverá sensibilizar a opinião pública sobre essa tragédia.  

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

 

“A EXTORSÃO” (“LA EXTORSIÓN”), 2023, Argentina, 1h45m, em cartaz na HBO Max, direção de Martino Zaidelis, seguindo roteiro assinado por Emanuel Diez. Trata-se de um suspense bem movimentado, repleto de mistérios e algumas reviravoltas. É daqueles filmes que não deixam você piscar. Veterano piloto da aviação comercial prestes a se aposentar, Alejandro Petrussián (Guilhermo Francella) é obrigado a transportar uma maleta com conteúdo misterioso nos voos que saem de Buenos Aires com destino a Madrid. Na verdade, ele está sendo chantageado. Quem o obriga a fazer o serviço promete revelar à companhia de aviação, caso não obedeça, que não poderá mais voar devido a uma deficiência auditiva, aspecto que ele jamais revelou e que o proibiria de continuar trabalhando. A trama envolve não apenas seus colegas de trabalho e sua namorada, como também o serviço secreto da Argentina e a polícia aeroportuária de Buenos Aires. Como será que o piloto sairá dessa situação? Essa é a pergunta-chave cuja resposta motiva o espectador a ir até o desfecho da história. Completam o elenco Andrea Frigerio, Alberto Ajaka, Pablo Rago, Carlos Portaluppi e Mónica Villa. O veterano ator Guillermo Francella carrega o filme nas costas, comprovando, mais uma vez, que está no mesmo nível do grande Ricardo Darín. Não é para menos. Francella já atuou em vários filmes importantes do cinema argentino. Só para citar alguns, “O Segredo dos Seus Olhos”, “Granizo”, Minha Obra Prima” e “O Clã”. Sem dúvida, “A Extorsão” surge para valorizar ainda mais a carreira de Francella. Um ótimo suspense. Imperdível!  

 

“CRIME NA RODOVIA PARAÍSO” (“PARADISE HIGHWAY”), 2022, Estados Unidos, lançamento da Prime Vídeo, 1h55m, roteiro e direção de Anna Cutto, cineasta norueguesa radicada nos Estados Unidos – é o seu longa de estreia. A história é toda centrada na caminhoneira Sally (Juliette Binoche), que é obrigada a transportar cargas ilícitas para proteger a vida do irmão Dennis (Frank Grillo), que está na prisão e vive ameaçado por gangues da pesada. Sally vive na corda bamba, pois qualquer hora poderá ser presa em algum posto policial na estrada. Se a sua situação já é ruim, piora muito mais depois que é obrigada a dar “carona” a uma garota de 12 anos, Leila (Hala Finley), sequestrada por exploradores sexuais. Ao transportar a menina, Sally entra no radar do FBI, que escala seu agente especial Finley Sterling (Cameron Monaghan) para descobrir o paradeiro da caminhoneira. Para essa missão, Finley conta com a colaboração do ex-agente Gerick (Morgan Freeman), que agora trabalha como consultor do FBI. O filme vira um road movie pelas estradas do interior dos Estados Unidos, com algum suspense e reviravoltas. Completam o elenco Veronica Ferres, Christiane Seidel, Bill Luckett, Diva Tyler e Walker Babington. Embora conte com a presença de Juliette Binoche e Morgan Freeman, quem se destaca é a atriz adolescente Hala Finley, de 14 anos, numa interpretação talentosa que prenuncia o nascimento de uma nova estrela. Tomara que eu não esteja enganado. Estranho mesmo foi ver uma atriz consagrada, a francesa Juliette Binoche, escalada como motorista de caminhão, ainda mais em um filme tão fraco. Afinal, ela já participou de tantos clássicos do cinema europeu (“A Liberdade é Azul”, “Perdas e Danos”, “Cópia Fiel”, “Deixa a Luz do Sol Entrar” e “Acima das Nuvens”, só para citar alguns). Ela também ganhou um Oscar (“Paciente Inglês”), um César (“A Liberdade é Azul”) e um Leão de Ouro (“Cópia Fiel”). Estou pensando até agora como ela topou esse papel. Morgan Freeman, tudo bem, está à beira da aposentadoria, um dinheirinho a mais vai ajudar. Somando os prós e os contras, “Crime na Rodovia Paraíso” tem muito mais contras. Só se sustenta mesmo pela presença dessa dupla de astros e pelo talento da atriz adolescente.    

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

 

“ELVIS”, 2022, coprodução Estados Unidos/Austrália, 2h39m, em cartaz na HBO Max, direção de Baz Luhrmann, que também assina o roteiro com a colaboração de Craig Pearce. Além de acompanhar a trajetória de sucesso do cantor Elvis Presley durante 20 anos, até sua morte em 1977, “Elvis” destaca também a presença de seu mentor e empresário, conhecido como “coronel” Tom Parker, um sujeito manipulador e viciado em jogos de cassino. O filme relembra ainda a grande influência musical que o blues tocado e cantado pelos negros do sul dos EUA teve sobre Elvis, que absorveu o estilo de cantar e dançar no palco, levando a mulherada ao delírio. Elvis é interpretado com maestria pelo ator Austin Butler, enquanto o papel de Tom Parker é assumido pelo astro Tom Hanks, quase irreconhecível pela maquiagem, quase uma caricatura. O elenco conta ainda com as presenças de Olivia DeJonge, Luke Bracey, Richard Roxburgh, Helen Thompson e Dacre Montgomery. “Elvis” teve sua estreia mundial no Festival de Cannes de 2022 e, meses depois, foi indicado em oito categorias para disputar o Oscar 2023 (Melhor Filme, Ator, Fotografia, Edição, Som, Design de Produção, Figurino e Maquiagem e Cabelo). Não levou nenhuma estatueta, o que achei uma injustiça, como também injusto não ter sido indicado pelo roteiro e pela trilha sonora com 36 músicas, todas que foram sucesso na voz de Elvis. Trocando em miúdos, “Elvis” é um filme delicioso de assistir e de ouvir. Filme obrigatório para os espectadores jovens que não conhecem o grande cantor e um néctar para os milhões de fãs que continuam achando que Elvis não morreu. IMPERDÍVEL!

domingo, 27 de agosto de 2023

 

“UM CRIME ARGENTINO” (“UN CRIMEN ARGENTINO”), 2022, Argentina, em cartaz na HBO Max, 1h53m, filme de estreia na direção de Lucas Combina, seguindo roteiro assinado por Jorge Bechara e Sebastian Pivotto. A história é baseada em fatos reais ocorridos no início da década de 80 e relatados no livro homônimo escrito pelo jornalista argentino Reynaldo Sietecase, lançado em 2017. Mais um filme de fundo político do cinema argentino, tema que “los hermanos” exploram com muita competência, como comprovam várias produções que se tornaram clássicos premiadíssimos. Só para citar três: “A História Oficial”, “O Segredo dos seus Olhos” e “Argentina, 1985”. Ambientada em 1980, em pleno regime militar, a história de “Um Crime Argentino” relata a investigação do sequestro de um importante empresário ligado a uma família tradicional da cidade de Rosário. Carlos Torres (Matías Mayer) e Antonio Rivas (Nicolás Francella), dois jovens promotores de um departamento de justiça são designados para investigar o caso. Ao mesmo tempo, a polícia ligada à ditadura também quer solucionar o caso, mas do seu jeito – na base da porrada e da tortura. Um suspeito é preso e somente depois de torturado confessa o sequestro, mas se nega a fornecer detalhes, mais tarde descobertos pela dupla de promotores, com a ajuda de uma médica legista. Completam o elenco Malena Sánchez, Alberto Ajaka, Luis Luque, Dario Grandinetti, Rita Córtese e César Bordón.  O suspense prende a atenção até o desfecho, impulsionado pelo primoroso roteiro adaptado. Outros destaques são o capricho na caracterização de época - cenários e figurinos -, além do ótimo desempenho dos atores. Um crime seria não assistir a mais este excelente filme argentino, não tão bom quanto os citados no início deste comentário, mas bem acima da média. Não perca!   

domingo, 20 de agosto de 2023

 

“AGENTE STONE” (“HEART OF STONE”), 2023, Estados Unidos, 2h02m, em cartaz na Netflix, direção de Tom Harper, seguindo roteiro assinado por Greg Rucka e Allison Schroeder. A bela atriz israelense Gal Gadot tomou gosto pelos filmes de ação, ganhando mais um papel de heroína depois de ser destaque nos dois filmes como “Mulher-Maravilha” e no ótimo “Alerta Vermelho”. Neste “Agente Stone”, Gadot é Rachel Stone, agente especial da organização internacional de espionagem intitulada “A Carta”. Na história, ela recebe a missão de se infiltrar numa equipe do MI6 (serviço secreto do Reino Unido) para tentar impedir um hacker de roubar uma arma de inteligência artificial chamada “O Coração”. O roteiro é uma bagunça generalizada, repleta de reviravoltas incoerentes e situações absurdas. Demora para a gente entender o que está acontecendo, ou, pior, a gente pensa que está entendendo. Além do enredo fantasioso demais, o que se destaca como o ponto mais negativo do filme é a abundância de efeitos especiais, muitos deles criados para orientar as ações de Stone por intermédio de um gênio da informática pertencente à equipe da agência secreta. Algumas cenas de ação até que são muito bem realizadas, como a sequência de perseguição pelas ruas de Lisboa. O resultado final, porém, não merece elogios, conforme comprovado pela própria crítica especializada, que também não gostou. Além de Gadot, estão no elenco Jamie Dormer (“50 Tons de Cinza”), Alia Bhatt (“A Espiã”), Mattias Schweighöfer, Jing Lusi e Sophie Okonedo. Outro destaque negativo fica por conta da rápida e constrangedora aparição da atriz Glenn Close em um papel sem qualquer importância e com uma maquiagem de bruxa. Muito pouca coisa, portanto, convence e motiva uma recomendação entusiasmada. Vale apenas para uma sessão da tarde com o dia chuvoso.      

sábado, 19 de agosto de 2023

 

“CASAMENTO EM FAMÍLIA” (“MAYBE I DO”), 2023, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de Michael Jacobs. O que esperar de um filme cujo elenco apresenta grandes astros do cinema como Susan Sarandon, Richard Gere, Diane Keaton e William H. Macy?. Você espera coisa boa. Ledo engano. Esta comédia romântica é simplesmente lamentável e fica difícil acreditar que esses consagrados atores não tenham ficado constrangidos em participar desse verdadeiro abacaxi, dizendo diálogos medíocres e patéticos. Vamos à sinopse: Michelle (Emma Roberts, sobrinha da Julia) e Allen (Luke Bracey) pretendem assumir compromisso sério, mas estão em dúvida. Quem sabe, combinam, um encontro entre os pais de ambos possa ajudar a tomarem uma decisão. Triste ilusão, pois o jantar se transforma numa grande confusão, pois os pais já se conheciam de uma forma não muito convencional. Fiquei tão decepcionado com o resultado final que me recuso a continuar comentando. Fico imaginando os bastidores das filmagens, com os atores conversando uns com os outros sobre o vexame de participar de tamanha ofensa ao cinema. Com certeza, um dos piores lançamentos do Prime Vídeo nos últimos anos.  

terça-feira, 15 de agosto de 2023

 

“APARÊNCIAS” (“LES APPARENCES”), 2022, coprodução França/Bélgica, 1h48m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Marc Fitoussi, que também assina o roteiro ao lado de Sylvie Dauvillier. A história é baseada no livro “Traição”, da escritora sueca Karin Altegen, que também colaborou com o roteiro. Trata-se de um thriller psicológico com boas doses de suspense. O foco central é o casamento de Eve (Karin Viard, ótima) e Henri Monlibert (Benjamin Biolay), casal de franceses agora residindo em Viena (Áustria), ela diretora de uma biblioteca e ele maestro da orquestra sinfônica. O filme começa com um jantar chique entre casais, onde rola solto um papo repleto de conversas fúteis, bem a caráter de uma elite metida a besta, enfastiada e supérflua. Eve e Henri estão presentes, aliás, mais ausentes, pois pouco participam das conversas. Percebe-se que Henri age com frieza em relação a Eve, enquanto esta se derrete pelo marido. Havia um motivo, claro, para o distanciamento de Henri: uma amante. Eve descobre a traição e fica totalmente descontrolada, muito mais depois que a outra é nada menos que a professora da escola, Tina Brunner (Laetitia Dosch), muito mais moça que ela. O desespero a leva a chorar as mágoas em um barzinho, onde conhece um estranho, que se diz chamar Jonas (Lucas Englander), com o qual acaba em um motel. Esses relacionamentos começam a dar problemas, primeiro com Eve tentando de qualquer modo conquistar o marido de volta. A situação se complica ainda mais quando o casal se envolve em um assassinato. O elenco conta ainda com Pascale Arbillot, Laurence Bibot, Hélène de Saind-Père, Louise Coldefy, Éveline Buyle, Raphaëlle Lubansu e Hélène Babu. Resumo da ópera: “Aparências” é um ótimo suspense que vale a pena conferir. Recomendo.   

segunda-feira, 14 de agosto de 2023


 

“O EXORCISTA DO PAPA” (“THE POPE’S EXORCIST”), 2023, Estados Unidos, em cartaz na HBO Max, 1h43m, direção do cineasta australiano Julius Avery, seguindo roteiro assinado por Evan Spiliotopoulos e Michael Petroni. Já vimos o tema exorcismo explorado em inúmeros filmes, mas poucos com alguma qualidade. O melhor de todos continua sendo “O Exorcista”, de 1973, dirigido por William Friedkin. Entre os poucos com alguma qualidade é este “O Exorcista do Papa”, baseado nas memórias do padre italiano Gabriele Amorth (1925-2016), que, segundo sua biografia, teria realizado cerca de 100 mil exorcismos como exorcista-chefe da Diocese de Roma, cargo que ocupou durante vários anos. No filme, Gabriele, interpretado por Russell Crowe, é designado pelo Papa (Franco Nero) para verificar a possessão de um garoto de 12 anos de idade na Espanha. Segundo o Papa, o Satanás que tomou o corpo do menino é muito poderoso. Com o auxílio do jovem padre Esquibel (Daniel Zovatto), Gabriele tentará libertar o garoto de um demônio muito poderoso, cujos tentáculos chegarão até o Papa, sem falar no sofrimento que causa à mãe e à irmã do possuído. Tal qual o padre Gabriele original, o do filme também é bem-humorado, com muitas tiradas sarcásticas, principalmente nos diálogos com o jovem padre Esquibel. Numa das entrevistas que fizeram com o real padre Gabriele antes de morrer, ele afirmou: “Sabe por que o diabo tem medo de mim? Porque sou mais feio do que ele”. No elenco ainda estão Peter DeSouza-Feighoney, Carrie Munro, Alex Essoe e Laurel Marsden. Trocando em miúdos, “O Exorcista do Papa” é um bom programa para quem não tem medo do chifrudo. É assustador na medida certa, apresenta ótimos efeitos especiais e muitos sustos. Não perca!