O drama “TRAMA FANTASMA” (“Phantom Thread”), 2017,
EUA, 2h11m, roteiro e direção de Paul Thomas Anderson, marca a despedida das
telas do ator britânico Daniel Day-Lewis, que ao final das filmagens anunciou
sua aposentadoria. Aos 61 anos, vencedor de três Oscars (“Lincoln”, “Sangue Negro”
e “Meu Pé Esquerdo”), Day-Lewis resolveu se aposentar num filme onde mais uma
vez tem uma atuação à altura da sua competência. Em “Trama Fantasma”, cuja
história é ambientada nos anos 50, ele interpreta Reynolds Woodcock, um
renomado estilista da alta costura em Londres, requisitado pelas mulheres da
elite londrina e até da realeza inglesa, assim como de outros países da Europa.
Enfim, uma celebridade do mundo da moda. Ao mesmo tempo, é um sujeito egocêntrico
e grosseiro. A única pessoa que ele ainda se dá bem é sua irmã Ciryl (Lesley
Manville), sócia no negócio e seu braço direito. Em uma de suas viagens ao
interior para descansar, Reynolds conhece a jovem Alma (Vicky Krieps), garçonete
de um restaurante. Ele se encanta com o corpo e a postura da moça e a convida
para trabalhar vestindo seus novos modelos. Em pouco tempo os dois se
apaixonam, mas Alma logo descobrirá que Reynolds é, na verdade, um sujeito bastante
grosseiro, a quilômetros de distância do homem gentil que ela conheceu. Ele é
tão chato que implica com o barulho que Alma faz ao passar manteiga em uma
torrada. Mesmo assim, eles acabam se casando e pouco tempo depois a relação se
transforma num inferno, amor e ódio levados ao extremo. O filme é excelente,
como comprovam as cinco indicações que recebeu na disputa do Oscar 2018 –
venceu como Melhor Figurino. Mais um trabalho de alto nível criado pelo diretor
norte-americano Paul Thomas Anderson em seu primeiro filme realizado fora dos
Estados Unidos – as filmagens aconteceram na Inglaterra e na Escócia. Do
currículo de Anderson constam filmes muito bons, como “Sangue Negro”, “Magnolia”,
“Vício Inerente” e “Boggie Nights: Prazer sem Limites”. E, agora, “Trama
Fantasma”. Cinema da mais alta qualidade. Não perca!
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
domingo, 10 de fevereiro de 2019
Eleito
o melhor filme do ano pelo American Film Institute e com 10 indicações ao Oscar
2019, “A FAVORITA” (“THE FAVOURITE”),
2h00, coprodução Reino Unido/EUA, direção do grego Yorgos Lanthimos, com
roteiro escrito por Deborah Davis e Tony McNamara, é um dos mais deslumbrantes
filmes de época que já assisti. Não sou muito fã do gênero, mas este em especial
me impressionou positivamente. Tudo funciona muito bem: roteiro, fotografia,
figurinos, ambientações, enfim, um esplendor visual que define com propriedade
a opulência da corte inglesa no Século XIII. O grande trunfo do filme, porém, é
o trio de protagonistas principais, Olivia Colman como a rainha Anne, Raquel
Weisz como Sara Churchill – Duquesa de Marlborough (antepassada de Winston
Churchill) e Emma Stone como Abigail Hill. Vamos à história, baseada em fatos
reais: a Duquesa de Marlborough é a figura mais importante da corte. Além de
ser a tesoureira da Casa Real, ela é quem influencia a rainha na tomada de
decisões. Além disso, é amante da rainha. Seu poder só será ameaçado com a
chegada de sua prima distante Abigail Hill, que começa como simples faxineira
até cair nas graças da rainha, inclusive frequentando a cama real. O embate entre
ela e a Duquesa de Marborough para ver quem é mais poderosa na corte faz o
filme ficar ainda mais interessante. Ao contrário do que se vê nos filmes de
época, onde a câmera é mais contemplativa, o diretor grego Lanthimos impõe um ritmo
bastante ágil na tomada de cenas. Para dar amplitude e suntuosidade aos
ambientes, ele utiliza lente-angular, produzindo um efeito dos mais
interessantes. “A Favorita” estreou na programação oficial do 75º Festival
Internacional de Cinema de Veneza, em agosto de 2018, e já conquistou dois
prêmios: Melhor Atriz para Olivia Colman e Prêmio Especial do Júri. Eu já
conhecia o trabalho do diretor Yorgos Lanthimos por filmes difíceis e sem
nenhum apelo comercial, como “O Lagosta”, “O Sacrifício do Cervo Dourado” e “Dente
Canino”. Ao dirigir “A Favorita”, ele tornou o filme mais acessível ao grande
público, realizando um maravilhoso trabalho. Imperdível!sábado, 9 de fevereiro de 2019
“ANOS
DOURADOS” (“Nos Années Folles”), 2017, França, 1h43m, direção
do veterano André Téchiné. Baseado em fatos reais, o filme é uma adaptação do
livro “La Garçonne et L’Assassin: Histoire de Louise et Paul”, escrito pelos
historiadores Fabrice Virgili e Danièle Voldman, que também colaboraram com o
roteiro, juntamente com Téchiné e Cédric Anger. Ambientado entre os anos de
1914 e 1925, o filme conta a história incrível de Paul Grappe (Pierre Deladochamps),
que desertou do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial. Antes do início
do conflito, Paul casou com Louise (Céline Sallette), que trabalhava como costureira
numa confecção. Paul foi convocado para lutar no front, mas depois de sofrer
alguns ferimentos, resolveu desertar e se esconder, pois se fosse preso seria
fuzilado. Ele então se escondeu no porão da casa da avó de Louise. Não
suportando viver daquele jeito, ele resolve, com a ajuda da própria mulher, se
vestir de mulher e sair noite afora. Nas madrugadas, ele começa a frequentar o
bosque Bois, local onde mulheres e homens se encontravam para praticar as mais
variadas formas de sexo, inclusive homem com homem. Até 1925, quando foi
anistiado, Paul Grappe transou com homens e mulheres, com o consentimento de Louise.
O relacionamento do casal entrou em crise quando Louise engravidou e teve um
filho, culminando com uma grande tragédia. A história teve grande repercussão
quando foi revelada através de uma peça de teatro, causando comoção em toda a
França. Entre os vários motivos para assistir a esse excelente drama francês,
destaco as primorosas performances do ator Pierre Deladochamps e da atriz Céline
Sallette. Também vale pela incrível história, desconhecida totalmente por aqui - pelo menos por mim.
O filme concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2017 e fez parte da
programação oficial do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em
outubro de 2017.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
“PERDOAI
AS NOSSAS DÍVIDAS” (“RIMETRI A NOI I NOSTRI DEBITI”), Itália,
1h44m, produção da Netflix (lançamento aconteceu no dia 4 de maio de 2018),
roteiro e direção de Antonio Morabito. Surpreendente drama cujo pano de fundo é
a crise social-econômica que afeta a Itália. A figura central é o fracassado
Guido (Claudio Santamaria), que à beira dos cinquenta anos é demitido da
empresa de informática e também do armazém onde fazia uns bicos. Encalacrado em
dívidas e pressionado pelos credores, ele propõe trabalhar de graça como cobrador
para a empresa e assim pagar o que deve. Franco (Marco Giallini), um cobrador
de dívidas profissional, fica encarregado de treinar Guido para a função. Com
seu jeito truculento e sem escrúpulos, Franco utiliza métodos pouco católicos,
como pressionar o devedor em lugares públicos ou diante da família. Guido é
obrigado a seguir a cartilha do mentor, embora com a coração partido. Essa
dualidade entre Guido e Franco é explorada o filme inteiro com muita
competência, principalmente graças às ótimas atuações da dupla de atores.
Embora o contexto seja bastante dramático, o filme reserva alguns bons momentos
de humor e aqui quem arrasa é o ator Marco Giallini. Este foi o segundo longa-metragem escrito e dirigido por Morabito (o primeiro foi "Il Venditore di Medicine", de 2013). O filme é excelente e
conta ainda com uma trilha sonora de primeira, incluindo desde obras do Século
18 do compositor Giovanni Báttista Pergolesi até Françoise Hardi. Cinema da
melhor qualidade. Não perca!
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
“BOHEMIAN
RHAPSODY”, 2018, EUA/Inglaterra, 2h13m, direção inicial de Bryan
Singer (dirigiu dois terços do filme e acabou sendo demitido pouco antes do fim
das filmagens), substituído por Dexter Fletcher. Indicado para disputar o Oscar
2019 em cinco categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator, “Bohemian
Rhapsody” é uma cinebiografia de Freddie Mercury, vocalista e líder da banda de
rock inglesa “Queen”. A história começa em 1970, quando Mercury ingressa na
banda “Smile”. O novo vocalista sugere a mudança de nome para “Queen” e daí para
a frente a banda vira um sucesso mundial. O filme conta a trajetória de Mercury
e da “Queen” até 1985, quando a banda se apresenta no Estádio de Wembley, em
Londres, durante o concerto mundial intitulado “Live Aid” em prol da África –
segundo os críticos musicais, esta foi a melhor apresentação ao vivo da banda
em muitos anos. O filme revela detalhes desconhecidos pelo público em geral –
os fãs devem conhecer -, como, por exemplo, o fato de Mercury ser filho de
paquistaneses e de que seu nome verdadeiro era Farrokh Bulsara. Antes de
ingressar na banda, ele trabalhava como carregador de malas no aeroporto de
Heathrow, em Londres. O filme também acompanha a vida particular de Mercury,
seu romance e casamento com Mary Austin (Lucvy Boynton), além dos bastidores da
banda, incluindo algumas desavenças entre os integrantes do grupo. Mas o melhor
mesmo fica por conta de como algumas músicas de sucesso foram feitas,
principalmente “Bohemian Rhapsody”. Além de fornecerem detalhes sobre a
trajetória da banda, os músicos originais Brian May (guitarrista) e Roger
Taylor (baterista) também participaram como produtores – Robert De Niro também
foi um deles. Sucesso de bilheteria no mundo inteiro, o filme é um dos grandes
favoritos a ganhar o Oscar. Eu votaria nele, com certeza, além de escolher Rami
Malek, o intérprete de Freddie Mercury, como Melhor Ator. A cereja do bolo,
porém, é a trilha sonora. Imperdível!
domingo, 3 de fevereiro de 2019
Muitas vezes a gente desiste
de ver um filme por causa da sua sinopse. Foi o que aconteceu comigo antes de
assistir “LUA DE JÚPITER” (“JUPITER HOLDJA”), 2017, Hungria, 2h3m, roteiro e
direção de Kornél Mundruczó ("Deus Branco"). Um resumo da sinopse que quase me fez desistir: um jovem imigrante sírio é assassinado com três tiros ao tentar cruzar a
fronteira da Hungria, depois ressuscita e descobre que adquiriu o poder de
levitar. Fala sério, você assistiria a um filme com essa apresentação? E ainda
por cima feito na Hungria? Pois eu arrisquei e me dei muito bem, pois o filme é surpreendentemente ótimo. Quando ressuscita, Aryan Dahni (Zsombor Jéger) acorda num campo de
refugiados e é medicado pelo dr. Gabor Stern (Marab Ninodze), que é
surpreendido com uma levitação do jovem. Dr. Stern vê nisso uma oportunidade de
ganhar dinheiro, pois precisa juntar um valor alto para pagar um processo de
indenização por causa de um antigo erro médico. Ao perseguir o imigrante
desaparecido, o policial Lászlo (György Cserhalmi), chefe da divisão de
fronteiras, também acaba conhecendo o dom de levitar do garoto, cujo pai é
acusado de praticar um atentato à bomba em Budapeste. Aryan acaba envolvido
também como suspeito e vai depender do dr. Stern para escapar da polícia. Para
escrever a história, o diretor Kornél Mundruczó se inspirou numa fábula que leu
durante a infância. Nela, um homem tinha o poder de levitar. O filme é bastante
interessante, muito bem feito e tem ótimas cenas de ação, uma delas uma
empolgante perseguição de carros pelas ruas de Budapeste. O filme estreou e disputou a
Palma de Ouro no 70º Festival de Cannes, em maio de 2017. Uma informação adicional sobre o título. Europa é uma das 67 luas de Júpiter, o que serviu de ideia ao diretor para fazer uma associação com a questão dos refugiados que ingressam naquele continente. Enfim, não digo que o filme é imperdível, mas, sem dúvida, muito interessante e criativo, tornando-o irresistível.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Representante da
Turquia na disputa do Oscar/2019 de Melhor Filme Estrangeiro, “A ÁRVORE
DOS FRUTOS SELVAGENS” (“AHLAT AGACI”) leva a assinatura do cultuado – não por
mim - roteirista e diretor Nuri Bilge Ceylan. A história: o jovem Sinan (Dogu
Demirkol) termina a faculdade e retorna à sua vila natal, no interior da
Turquia. Ao reencontrar sua família, vê
que as coisas não andam bem. Idris (Murat Cencir), seu pai, um professor à
beira da aposentadoria, é viciado em apostas de corridas de cavalo e está
endividado, a ponto de não poder pagar nem a conta de energia da casa. Asuman
(Bennu Yildirimlar), a mãe, trabalha como babá, não reage, sofre calada e vive
apenas se lamentando, mas não admite que Sinan fale mal do pai. Em meio a esse
clima melancólico e de rusgas familiares, Sinan, que sonha em ser escritor, enfrenta
dificuldades em levantar um financiamento para editar seu primeiro livro, cujo título é o mesmo do filme. E
assim vão passando as longas e entediantes 3h9m de filme, com longas cenas
recheadas de diálogos onde se discute filosofia, literatura e religião – algumas
dessas cenas demoram mais de 20 minutos. Eu já conhecia o estilo do diretor
Nuri Bilge Ceylan, depois de assistir a dois de seus filmes mais conhecidos, “Era
uma Vez na Anatolia” e “Sono de Inverno”. Ceylan teima em tornar seus filmes
monótonos, verborrágicos demais. Quando foi exibido no Festival de Cannes em
maio de 2018, onde concorreu à Palma de Ouro, parte da plateia de críticos
deixou a sessão, provavelmente para não pegar no sono. Eu consegui assistir até
o final, apesar de alguns cochilos. Resumo da ópera: o novo filme de Ceylan,
assim como os anteriores, exige uma paciência hercúlea. Não é para espectadores
iniciantes. Apesar dos pesares, o filme foi exibido por aqui durante a
programação oficial da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Duvido
que chegue ao circuito comercial.
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Nesses tenebrosos
tempos de tantas notícias ruins, trágicas e estressantes, nada melhor do que se
divertir assistindo a uma boa comédia. É o caso de “JOHNNY ENGLISH 3.0” (“JOHNNY ENGLISH STRIKES AGAIN”), 2018, Inglaterra,
1h29m, roteiro de William Davies e direção de Peter Howitt. Este é o terceiro
filme da série que mostra as confusões do desastrado agente secreto britânico
Johnny English, interpretado pelo ator Rowan Atkinson (o “Mr. Bean”). O
primeiro foi “Johnny English”, de 2002, e o segundo “O Retorno de Johnny
English, de 2011. Trata-se de uma sátira aos filmes de espiões famosos como James
Bond, utilizando agentes atrapalhados e sem qualquer inteligência, como víamos
na famosa série “A Pantera Cor de Rosa”, com Peter Sellers no papel do inspetor
Jacques Clouseau. Em “Johnny English 3.0”, a missão do agente é descobrir o hacker que invadiu o bando de dados do
governo inglês, revelando a identidade de todos os agentes secretos ingleses –
só sobrou Johnny English, que estava aposentado. Além disso, o hacker prometia cometer atos terroristas
não só na Inglaterra, como no mundo todo. English e seu inseparável assistente
trapalhão Angus Bough (Ben Miller) serão responsáveis por grandes confusões
durante a missão, como, por exemplo, incendiar um famoso restaurante de luxo e
outras trapalhadas hilariantes. A comédia conta ainda com a participação da
bela atriz russa Olga Kurylenko como uma espiã contratada pelo vilão e a
inglesa Emma Thompson como a primeira-ministra. Claro que o filme é uma grande
bobagem, mas diverte muito.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
“UM PEQUENO FAVOR” (“A SIMPLE FAVOR”), EUA,
2018, direção de Paul Feig. Assina o roteiro Jessica Sharzer, que o escreveu inspirada
no livro “A Simple Favor”, o primeiro romance escrito pela norte-americana
Darcey Bell e que se transformou num grande best-seller, agora adaptado para o cinema. A história reúne duas mulheres com
personalidades totalmente opostas. Stephanie (Anna Kendrick) é mãe solteira, dona
de casa, vive solitária, um tanto carente e insegura, é baixinha e atrapalhada,
sem nenhum atrativo físico capaz de atrair um olhar masculino. Por sua vez,
Emily (Blake Lively) é segura de si, bonita, alta, muito charmosa e sensual, tem
classe e um corpaço. Além disso, é relações-públicas numa grande empresa e
ganha um dinheirão, como comprova a bela casa onde mora, as roupas e o carro.
As duas se conhecem na porta da escola onde estudam os seus filhos e daí nasce
uma forte amizade, a ponto de um dia Emily pedir “Um Pequeno Favor” a
Stephanie. Buscar seu filho no colégio. Só que Emily sumiu misteriosamente, dando margem a muitas especulações. Será que ela foi
assassinada ou fugiu com algum amante? O marido de Emily, Sean Townsend (Henry
Goldine), torna-se o primeiro suspeito, ainda mais depois de arrastar as asas
para cima de Stephanie, além de uma polpudo seguro de vida no meio. Até o desfecho, muitas reviravoltas acontecerão,
esclarecendo todo o mistério do desaparecimento de Emily. Resumindo: trata-se
de um misto de comédia e suspense, ou, como definiu um crítico, um “suspense
tragicômico”. Paul Feig é, sem dúvida, perito em comédias, como já demonstrou
em “Missão Madrinha de Casamento”, “As Bem-Armadas” e “A Espiã que Sabia de
Menos”. Faço questão de destacar, em “Um Pequeno Favor”, a presença da loiraça Blake
Lively, que, além de ótima atriz, é linda e muito sensual. Aos 31 anos, ela já
pode ser considerada, na minha modesta opinião, como a nova diva de Hollywood. Se
quiserem comprovar o que digo, assistam “Café Society”, “A Incrível História
de Adaline”, “Águas Rasas” e “Por Trás dos Seus Olhos”. Ela arrasa em todos.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
No transcorrer de “A FESTA” (“THE PARTY”), 2017,
Inglaterra, 1h11m, fiquei com a certeza de que se tratava de uma adaptação de
uma peça teatral. Afinal, a trama tem apenas sete personagens e o palco, aliás,
o cenário, é um só, o interior de uma casa, além de muitos diálogos. A casa é
de Janet (Kristen Scott Thomas) e de seu marido, Bill (Timothy Spall). A festa
é em comemoração à escolha de Janet para o cargo de ministra da Saúde da
Inglaterra. Um jantar para poucos amigos: Tom (Cillian Murphy), April (Patricia
Clarkson), Gottfried (Bruno Ganz), Jinny (Emily Mortimer) e Martha (Cherry
Jones). Enquanto rola a festa, algumas revelações bombásticas e surpreendentes são
feitas, estragando o caráter comemorativo do evento e aniquilando de vez algumas amizades. Há muito humor negro, com
diálogos corrosivos e muito inteligentes, envolvendo política, cultura,
religião, sexo e até assuntos esotéricos. O filme foi escrito e dirigido por
Sally Potter (“Ginger&Rosa”, “Por que Choram os Homens” e “Orlando, a
Mulher Imortal”). Ao assistí-lo, pelo estilo, lembrei de dois filmes de Luis
Buñuel, “O Anjo Exterminador” e “O Discreto Charme da Burguesia”. Não sei se foram eles que inspiraram a diretora Potter. Resumo da
ópera: “A Festa” é ótimo, melhor ainda pelo sensacional elenco.
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
“TRÊS
SEGUNDOS” (“Divizhenie Vverkh”
no original, “Three Seconds” nos países de língua inglesa – eu mesmo traduzi o título para o português),
2017, Rússia, 2h13m, roteiro da dupla Nikolay Kulikov e Andrey Kureychik, e
direção de Anton Megerdichev. O filme conta a história de uma das façanhas mais
incríveis, espetaculares e surpreendentes do esporte mundial: a vitória do time
masculino de basquete da Rússia sobre os Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Munique
(Alemanha), em 1972, numa parte das mais polêmicas. Ninguém ganhava dos norte-americanos desde as Olimpíadas
de 1936. “Três Segundos” conta toda a história dessa grande conquista,
começando em 1970, quando Vladimir Garanzhin (Vladimir Mashkov) assume como
técnico da equipe, trocando quase todos os jogadores e introduzindo novos
métodos de treinamento. Em sua apresentação, numa concorrida coletiva de
imprensa, Garanzhin, que dirigia a equipe do Spartak, afirma que seu objetivo é
vencer os norte-americanos nas Olimpíadas de Munique, dois anos depois. Sua
declaração deixou as autoridades esportivas da Rússia revoltadas, pois ninguém
acreditava que algum time ganharia dos EUA. O filme mostra os bastidores dessa
trajetória, incluindo uma excursão aos Estados Unidos para jogos contra equipes
universitárias. Garanzhin queria que seus atletas jogassem como os
norte-americanos, o que seria, para ele, a única forma de vencê-los. O filme
todo é emocionante, tem bom humor, cenas comoventes e um espetacular desfecho,
com a reprodução da grande final. Inacreditável que um filme tão bom não tenha
sido exibido por aqui no circuito comercial. Simplesmente imperdível!
sábado, 19 de janeiro de 2019
Não é só Hollywood que
sabe fazer disaster movies. Os
noruegueses aprenderam a fazer bons filmes no gênero. Coitada de Oslo. Em 2015,
no filme “A Onda”, a capital da Noruega quase foi destruída pelo violento tsunami
de Geiranger. Três anos depois, Oslo seria atingida por um terremoto que
novamente quase a destruiu. É a história de “O TERREMOTO” (“SKJELVET” no original e “The Quake” nos países de
língua inglesa). Como no primeiro filme, o geólogo Kristian Eikjord (Kristoffer
Joner) alerta as autoridades noruegueses sobre o provável desastre. E também
como na primeira versão, Kristian viverá momentos de alta tensão para salvar
sua esposa e sua filha. O ritmo é alucinante, graças ao ótimo roteiro elaborado
por Harald Rosenløw Eeg e John Kare Raake, os mesmos de “A Onda” - só mudou o diretor, agora John Andreas Andersen. As cenas de
perigo são espetaculares, principalmente aquelas em que os protagonistas ficam
presos no alto de um edifício prestes a desmoronar. Os cenários são tão bem
produzidos que a gente quase nem percebe que tudo foi feito com computação
gráfica. Como informação histórica, o filme lembra o violento terremoto – este verdadeiro
- que aconteceu em Oslo em 1904 e alerta sobre a possibilidade de outros a
qualquer momento. Ou seja, visite Oslo antes que acabe. Exibido durante a
programação oficial do Festival de Cannes, “O Terremoto” recebeu críticas bastante
elogiosas, o que não é muito comum em se tratando desse gênero de filmes. Resumo
da ópera: “O Terremoto” é um entretenimento da melhor qualidade.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
Selecionado para
representar o Paraguai na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, “AS HERDEIRAS” (“LAS HEREDERAS”) ganhou
o aval dos críticos profissionais que o premiaram nos Festivais de Berlim, onde
estreou, e em Gramado. Trata-se de um drama, cuja história é centrada em Chela
(Ana Brun), mulher de meia-idade lésbica que vive com a companheira Chiquita
(Margarita Irún) há muitos anos – no começo, pensei que eram irmãs (aliás, o filme não especifica claramente a relação, podendo gerar especulações). Ambas, como
o filme dá a entender, pertenciam a famílias abastadas, mas agora são obrigadas
a vender seus pertences para sobreviver. A casa onde vivem recebe muitas
visitas de mulheres que se interessam em comprar jogos de copos de cristal,
estátuas, mesas, toalhas, prataria etc. Chela é uma mulher de falar pouco,
sempre com uma atitude passiva. Tanto que, quando chegam as pessoas para
comprar suas coisas, quem negocia é a empregada Pati (Nilda González). Chela
fica num canto da casa só observando. Chela só fica brava quando Pati não
coloca de maneira correta copos, xícaras e remédios em sua bandeja do café da
manhã. Depois que Chiquita é presa por sonegação fiscal, Chela se vê ainda mais
sozinha e é justamente em Pati que ela vai buscar aconchego. Até que um dia, ao
dar uma carona para uma vizinha rica, Pituca (María Martins, ótima), Chela aceita,
meio constrangida, “uma caixinha”. Ela então passa a trabalhar como uma taxista
amadora, levando pra lá e pra cá as amigas de Pituca. Nessas andanças ela
conhece a fogosa Angy (Ana Ivanova), bem mais nova, e daí surge uma amizade bem
próxima de uma paixão. Chela muda seu comportamento depois de conhecer Angy e culmina com um ato
desesperado depois que sua companheira, depois que saiu da prisão, vende o carro
sem o consentimento da parceira. O roteirista e diretor Marcelo Martinessi, em
seu primeiro longa-metragem, conseguiu um belo registro intimista de um mundo
exclusivo das mulheres de meia-idade, suas fragilidades, carências e frustrações.
Sem dúvida, um filme bastante sensível, cinema de alta qualidade. E que atriz é
Ana Brun!
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
“A
ÚLTIMA FAMÍLIA” (“OSTATNIA RODZINA”), 2016, Polônia, 124 minutos, direção
de Jan P. Matuszynsk – mais conhecido como diretor de curtas; este é o seu
primeiro longa-metragem – e roteiro de Robert Bolesto. A história é baseada em
fatos reais da vida do famoso pintor surrealista polonês Zdzislaw Beksinski e
sua família, compreendendo o período de 1977 até 2005. Como quase todo artista,
Beksinski tinha um parafuso a menos, imaginava criar um supercomputador para transformar
a atriz norte-americana Alicia Silverstone numa mulher com poderes especiais. Além
disso, passava os dias pintando, filmando tudo o que acontecia em seu
apartamento e fotografando cenas de Varsóvia. Beksinski (Andrzej Seweryn) vivia
com a mulher Zofia (Aleksandra Konieczna) e duas idosas, uma mãe dele e a outra
mãe dela. O filho Tomasz (Dawed Ogrodnik), totalmente paranoico, desequilibrado
e com tendências neuróticas, morava sozinho num edifício vizinho e trabalhava
fazendo bicos como DJ e dublador de filmes. Uma das avós ficava na janela
gritando que a Gestapo estava chegando. Enfim, uma família totalmente disfuncional,
beirando a maluquice. Tudo parece caminhar para um final trágico, o que
realmente acaba acontecendo – como na vida real da família Beksinski. O filme foi
exibido na programação do Festival Internacional de Cinema de São Paulo de 2016
e ganhou o “Leão de Ouro” no Gdynia Film Festival (o Oscar polonês). Por sua
atuação, Andrzej Seweryn ganhou o prêmio de “Melhor Ator” no Festival de Cinema
de Locarno (Suíça). Resumo da ópera: o filme é muito bom e merece ser
conferido.
domingo, 13 de janeiro de 2019
“MEMÓRIAS
DA DOR” (“LA DOULEUR”), 2017, França, 2h06m, escrito e dirigido
por Emmanuel Finkiel. Selecionado para representar a França no Oscar 2019 de
Melhor Filme Estrangeiro, trata-se de um drama biográfico baseado nas memórias
da escritora Marguerite Duras descritas no romance “La Douleur”. Marguerite
Duras, vivida pela excelente atriz Mélanie Thierry, revive o episódio ocorrido em
plena Segunda Guerra Mundial, quando seu marido, o também escritor Robert
Antelme (Emmanuel Bourdieu) é preso pelos nazistas e enviado a um campo de
concentração – tanto ele quanto Marguerite pertenciam à Resistência. Para
descobrir o paradeiro do marido e saber se ainda está vivo ou morto, Marguerite
forja uma amizade com o oficial da Gestapo Pierre Rabier (Benoît Magimel),
admirador da então jovem escritora. A angustiante espera por notícias do marido,
preso desde o início de 1944, quando a França ainda era ocupada pelos alemães,
até 1945, depois do fim do conflito, é relatada por Marguerite num contexto de
sofrimento e desesperança. O filme é excelente, graças à história em si, à
primorosa ambientação de época e, principalmente, à magistral atuação de Mélanie
Thierry, uma das melhores atrizes francesas da nova geração. Um detalhe
interessante é a semelhança cada mais evidente entre o também excelente ator Benoît Magimel e o veterano Gerard Depardieu, incluindo a volumosa pança. Exibido por aqui na programação
oficial do 20º Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em novembro
de 2018, “Memórias da Dor” é um filmaço, cinema da melhor qualidade.
“OH
LUCY!”, 2017, Japão/EUA, 1h35m, primeiro longa-metragem escrito e
dirigido pela cineasta japonesa Atsuko Hirayanagi, mais conhecida como diretora
de curtas. “Oh Lucy”, aliás, é uma adaptação de um curta dirigido pela própria Atsuko em
2014. Trata-se de um misto de comédia e drama. A primeira parte é uma ótima
comédia, com alguns momentos até tocantes. A segunda parte da história parte
para uma situação dramática, com um suspense que lembra o clássico “Atração
Fatal”. Setsuko Kawashima (Shimobu Terajima) é uma mulher solitária que
trabalha num escritório cuja rotina é das mais maçantes. Anônima na multidão – como
dá a entender a cena inicial, com os japoneses vestindo máscaras contra a poluição
de Tóquio -, Setsuko é o retrato da solidão e da infelicidade. Até que um dia
resolve ingressar numa aula de inglês. O professor é John (o galã
norte-americano Josh Hartnett), que adota métodos não muito convencionais para
ensinar inglês. Uma das estratégias para aproximar professor e alunos é dar um
longo abraço. Algum tempo depois, John sai de Tóquio e volta para Los Angeles,
só que acompanhado da namorada Mika (Shioli Kutsuna), justamente a sobrinha de Setsuko,
filha de sua irmã Ayako (Kaho Minami). Com o objetivo de saber como Mika está
vivendo em outro país, Setsuko convence a irmã a viajar para Los Angeles. Aqui,
Setsuko deixará claro quais são as suas verdadeiras intenções. O filme é todo da
ótima atriz Shinobu Terajima, que arrasa no papel da mulher carente e tímida que
se transforma numa espécie de ninfomaníaca apaixonada. “Oh Lucy!” estreou na
programação oficial da Semaine de La Critique do Festival de Cannes 2017,
recebendo entusiasmados elogios. Recomendo!
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
De vez em quando é até
saudável assistir a um filme que não exija nenhum esforço dos seus neurônios.
Um filme de ação, por exemplo, como “A
JUSTICEIRA” (“PEPPERMINT”), 2018, EUA, 1h35m, direção de Pierre Morel e
roteiro de Chad St. John. A dona de casa Riley North (Jennifer Garner) presencia
o assassinato de seu marido e de sua filha num parque de diversões. Depois de
sair do coma, pois também foi atingida pelos tiros, ela vai à delegacia e
reconhece cada um dos quatro matadores, todos pertencentes à gangue do poderoso
traficante Diego Garcia (Juan Pablo Raba). Eles vão a julgamento e são absolvidos,
enquanto Riley é considerada incapaz e acaba confinada numa instituição psiquiátrica.
Corte rápido! O filme avança cinco anos e Riley volta a Los Angeles a fim de se
vingar. Não vai escapar ninguém: os matadores, o mandante, o promotor, o
advogado de defesa dos bandidos e o juiz. De vítima, Riley transforma-se em assassina
serial, mobilizando a polícia local e também o FBI. Muita ação, tiros,
pancadaria, sangue jorrando e, para lavar a alma do espectador, muitos bandidos
mortos. A história não é nenhuma novidade. Já vimos vinganças semelhantes em “Desejo
de Matar”, com Charles Bronson, e o recente remake
com Bruce Willis. E também em “Valente”, onde a justiceira é interpretada
por Jodie Foster. Aos 46 anos, Jennifer Garner está em plena forma física – e que
forma! – e continua muito bonita e sensual. As cenas de ação são ótimas, pois o
diretor Pierre Morel é especialista no gênero (“O Franco Atirador”, “Busca
Implacável” e “Dupla Implacável”), assim como o roteirista Chad St. John (“Invasão
a Londres”). Um dos meus dois neurônios foi ativado quando o filme terminou:
como é que uma dona de casa, de uma hora para outra, transforma-se numa especialista
em armas pesadas e perita em artes marciais? De qualquer forma, é um ótimo filme
de ação.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
“AMANDA” é um drama francês de
2018 escrito e dirigido por Mickhaël Hers (“Aquele Sentimento do Verão”). Depois
da morte de Sandrine (Ophélia Kolb), sua irmã mais velha e mãe solteira, a quem era muito
próximo, David (Vincent Lacoste), um jovem de 24 anos, se vê obrigado a criar a
sobrinha órfã Amanda (Isaure Multrier), de 7 anos. A história do filme é toda
centrada na relação de amor e companheirismo de tio e sobrinha, o que garante momentos
bastante comoventes, graças à interpretação de Vincent Lacoste, o ator jovem do
momento na França, e, principalmente, da atriz mirim Isaure Multrier. Difícil
não se emocionar com a atuação dessa menina. Como também não é difícil de se
emocionar com a presença da bela atriz italiana Greta Scacchi, que chega perto
dos 60 anos com uma beleza ainda digna de uma grande diva que foi nos anos
80/90. Em “Amanda”, ela interpreta a mãe ausente de David que mora em Londres. “Amanda”
também explora os atos terroristas ocorridos recentemente na França, num dos
quais foi morta Sandrine, mãe de Amanda. O filme é excelente. Comovente sem cair no melodrama. Por aqui, foi exibido na programação oficial da 42ª Mostra
Internacional de Cinema em São Paulo, em outubro de 2018. Programão!
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
“ONDE
ESTÁ KYRA?” (“WHERE IS KYRA?”), 2017, EUA, 1h38m, roteiro e
direção do cineasta nigeriano Andrew Dosunmu, mais conhecido por ter dirigido videoclipes
para vários artistas, entre os quais Tracy Chapman, Isaac Hayes e Aaron
Neville. Nesta produção independente, que estreou no Festival de Sundance 2017,
Dosunmu conta a história de Kyra (Michele Pfeiffer), uma mulher de meia-idade solitária,
desempregada, cheia de dívidas e que vive exclusivamente para cuidar da mãe
doente. Quanto esta falece, Kyra descobre a chance de ganhar um dinheiro
mensal. Ela não comunica a morte às autoridades e se disfarça de velhinha para
receber os cheques da pensão. Em meio à fraude, Kyra conhece Doug (Kiefer
Sutherland), outro fracassado na vida. Juntou a fome com a vontade de comer, e
os dois iniciam um romance. Doug descobre a mutreta de Kyra e pede a ela que
desista de continuar, pois se descobrirem é cana certa. Será? Michelle Pfeiffer
está muito longe da loira linda e glamorosa da forma como aparece na maioria
dos seus filmes. Ela está até feia, magra demais, cabelos escuros e com o rosto
encovado. Mas sua performance é excelente, tanto que a crítica especializada já
está achando que Michelle será indicada para o Oscar 2019. Vamos aguardar. Resumo
da ópera: trata-se de um drama filmado de forma esquisita, sombrio e
depressivo, desagradável de assistir. Em todo caso, elogiado pelos críticos.
Mesmo com a presença de Michelle, duvido que o filme seja exibido por aqui no
circuito comercial.
sábado, 5 de janeiro de 2019
“ROCK’N
ROLL – POR TRÁS DA FAMA” (“Rock’n Roll”), 2017, França, 2h03m,
direção de Guillaume Canet, também autor do roteiro juntamente com Philippe Lefebvre
e Rodolphe Lauga. Além de ótimo ator, Canet está se consagrando como excelente
diretor. Já deu provas disso no magistral “Até a Eternidade”, de 2010, e agora
com o recente “Rock’n Roll”, uma comédia na qual ele satiriza os bastidores do
cinema, expondo as fraquezas, manias e desequilíbrios emocionais dos atores,
diretores, produtores etc. (ao assistir “Rock’Roll”, lembrei muito do clássico “A
Noite Americana”, 1973, do diretor François Truffaut). Canet, porém, inova ao dar o
mesmo nome dos principais atores aos personagens da história. Dessa forma,
Guillaume Canet é Guillaume Canet, Marion Cotillard é Marion Cotillard (os dois
são casados no filme e na vida real), Gilles Lellouche é o próprio, assim como
acontece com o astro do rock Johnny Hallyday e Camille Rowe. Uma jogada de
mestre. A história é toda centrada no ator Guilhaume Canet (o personagem), que
entra em crise psicológica ao perceber que passou dos 40 anos e só é convidado
para interpretar papéis de homens mais velhos. É o caso do filme “dentro do
filme” em que ele está atuando no papel de pai de uma jovem de 23 anos (Camille
Rowe). Ao participar de uma entrevista ao lado de Camille, Canet ouve da
jornalista que “Você não é mais tão Rock’n Roll”, ou seja, não é mais novo,
está chegando à meia-idade. Pronto, foi essa constatação que provocou em Canet
um início de depressão. Aí ele parte para o botox, academia de musculação,
baladas e a vontade de ser um músico roqueiro, enquanto seu casamento entra na
maior crise. Tudo é muito engraçado, garantindo diversão do começo ao fim. Uma comédia feita com inteligência. O
filme foi exibido por aqui durante a programação do Festival Varilux de Cinema
Francês, em junho de 2017. Um crime não ter sido exibido – pelo menos por
enquanto - no circuito comercial dos nossos cinemas. Imperdível!
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
“A
ÚLTIMA NOTA” (“Para Telefaxio Simeioma” – a tradução para o
português é minha, baseada no título “The Last Note”, pelo qual o filme foi
lançado nos países de língua inglesa – não acredito que chegue por aqui), 2017,
Grécia, 117 minutos, direção de Pantelis Voulgaris, que é autor do roteiro assinado
também por Ionna Karystiani. Trata-se de mais um drama histórico baseado em
fatos reais ocorridos durante a Segunda Grande Guerra. Desta vez, as vítimas
dos nazistas são os gregos. A Grécia ocupada pelo exército alemão também tinha
seus campos de concentração. A história do filme é ambientada num deles, Chaidari,
na província de Kaisariani. Os prisioneiros eram membros da resistência, comunistas
e judeus – ou seja, os de sempre. Em
represália ao assassinato de um general alemão numa emboscada realizada por militantes
da resistência grega, veio a ordem de Berlim para que 200 prisioneiros do campo
de Chaidari fossem assassinados. Um dos personagens principais da história é
Napoleon Soukatzidis (Andreas Konstantinou), prisioneiro que servia de tradutor
para o oficial Karl Fischer (o ótimo ator alemão André Hennicke) durante os
interrogatórios e torturas dos presos. As cenas que mostram o fuzilamento dos
200 prisioneiros são bastante impactantes e comoventes, assim como aquelas que mostram os jurados de morte dançando ao som de músicas populares gregas antes da execução. Só para lembrar: o
diretor grego Pantelis Voulgaris é o mesmo do excelente “Little England”, de
2013, filme dos mais premiados nos festivais de cinema mundo afora.
domingo, 30 de dezembro de 2018
“OS
ESCRITOS SECRETOS” (“THE SECRET SCRIPTURE”), 2016, Irlanda, 1h48m.
A história é inspirada no livro homônimo escrito pelo poeta, dramaturgo e
escritor irlandês Sebastian Barry, adaptado e dirigido pelo veterano Jim
Sheridan (“Meu Pé Esquerdo”, “Em Nome do Pai”). Uma clínica psiquiátrica está
prestes a ser desativada e os seus pacientes transferidos para outras unidades
ou então liberados para voltar para casa. O psiquiatra William Grene (Eric
Bana) ficou encarregado de avaliar as condições mentais da idosa Roseanne
McNuttry, que há 50 anos vive na clínica, acusada de ter assassinado seu bebê.
Em meio à sua investigação, dr. Grene encontra um diário secreto escrito por
Roseanne, no qual ela conta a história da sua vida, sua paixão pelo aviador
Michael Eneas (Jack Reynor) e a perseguição que sofreu por parte do padre
católico Gaunt (Theo James). O médico também descobrirá a verdade sobre o
suposto assassinato do bebê, revelação que é feita no desfecho. Quando moça,
Roseanne é interpretada pela ótima atriz norte-americana Rooney Mara. Como não
poderia deixar de ser, quem rouba a cena é a veterana Vanessa Redgrave com uma atuação magistral, o que por si só já é
motivo suficiente para assistir a este bom drama irlandês.
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