“ESCOBAR
– A TRAIÇÃO” (“LOVING ESCOBAR”), 2018, Espanha, roteiro e
direção de Fernando León de Aranoa (“Segunda-Feira ao Sol”). Baseado no livro “Amando
a Pablo, Odiando a Escobar”, da jornalista colombiana Virginia Vallejo, este
talvez seja o melhor filme sobre a trajetória e personalidade, ascensão e queda de Pablo Escobar,
que durante a década de 80, como líder do Cartel de Medellín, foi o traficante
de drogas mais importante da Colômbia, responsável por alimentar de cocaína,
durante quase uma década, o mercado dos Estados Unidos. Em 1981, a jornalista
Virginia Vallejo (Penélope Cruz), apresentadora de grande popularidade da TV
colombiana, teve um caso com o famoso traficante (Javier Bardem), que na época era
casado com Maria Victoria (Julieth Restrepo). Humilhada pelo amante e correndo
risco de vida por causa dessa relação, Virgínia decide colaborar com a DEA
(agência anti-drogas do governo norte-americano), entregando os segredos mais
escabrosos do traficante. Em 1982, quando o governo dos EUA (Ronald Reagan)
decidiu fazer um acordo com o governo colombiano para a prisão e extradição de
Escobar, o traficante resolveu se candidatar a deputado federal para barrar o
projeto norte-americano. Venceu as eleições e continuou a traficar, até ser
morto em 1993, aos 44 anos. O filme é bastante esclarecedor quanto a
personalidade de Escobar, que um dia diz ao filho: “Se não te respeitam, façam
com que o temam”. A frase representa exatamente a filosofia do traficante
colombiano, para quem a lealdade era ponto de honra. Um ótimo desempenho de
Javier Bardem no papel de Escobar, mas achei que Penélope Cruz, mulher de Bardem
na vida real, exagerou na sua interpretação da apresentadora colombiana. De
qualquer forma, na minha opinião é um ótimo e definitivo filme sobre o famoso traficante
colombiano.
sábado, 20 de outubro de 2018
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
“VIVA
A FRANÇA!” (“EN MAI FAIS CE QU’IL TE PLAÎT”), 2015, França, roteiro
e direção de Christian Carion. Trata-se de mais um drama histórico da Segunda
Guerra Mundial baseado em fatos reais. Em maio de 1940, quando era iminente a
invasão da França pelas tropas do exército alemão, os franceses residentes no
norte do país resolveram fugir para o sul, contrariando ordens do governo
central. Deixando tudo para trás, mais de 8 milhões de franceses marcharam para
o sul, transformando essa fuga no maior movimento migratório de toda a
História. “Viva a França!” aborda o tema centrando a trama na população de um
pequeno vilarejo, cujo prefeito Paul (Oliver Gourmet) convence todos a fugir da
aproximação das tropas nazistas. O filme acompanha a saga de velhos, mulheres e
crianças estrada afora, numa marcha triste, desesperançada, quase fúnebre. As
cenas mais fortes e chocantes são aquelas em que os comboios de civis são
metralhados por aviões alemães, caracterizando um dos mais hediondos e abomináveis
crimes de guerra. Além de Gourmet, estão no elenco August Diehl, Mathilde
Seigner, Alice Iaaz, Matew Rhys e Laurent Guerra. Ah, a trilha sonora é
assinada pelo grande Enio Morricone. O filme foi exibido no Brasil durante a
programação do Festival Varilux de Cinema Francês/2016.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
“OPERAÇÃO
FINAL” (“OPERATION FINALE”), 2018, EUA, direção de Chris
Witz, com roteiro de Matthew Orton, produção da Netflix (o que significa que provavelmente
não chegará a ser exibido nos circuitos comerciais). A história é toda baseada
em fatos reais, bastante conhecidos. Em 1960, portanto quinze anos depois do
final da Segunda Guerra Mundial, agentes do Mossad (serviço secreto de Israel) localizaram
o nazista Adolf Eichmann na Argentina, conseguindo sequestrá-lo e enviá-lo para
ser julgado em Israel. Como todo mundo sabe, Eichmann foi o grande idealizador
dos campos de concentração e da “Solução Final”, o holocausto de 10 milhões de
pessoas, a maioria judeus. Os bastidores de toda essa história estão neste ótimo
drama histórico, talvez o melhor já feito sobre a prisão de Eichmann. O filme
também dá destaque a um fato bastante tenebroso: a presença maciça de nazistas
na Argentina. O ator inglês Ben Kingsley rouba a cena como o assassino nazista,
numa interpretação digna de Oscar (ele já é dono da estatueta de Melhor Ator por "Gandhi", em 1983). Outra boa presença é a do ator guatemalteco
Oscar Isaac como Peter Malkin, chefe da equipe do Mossad. Aliás, a cena em que
o israelense barbeia Eichmann com uma navalha é uma das mais angustiantes que
já vi no cinema. Também estão no elenco Joe Alwyn, Mélanie Laurent e Greta
Scacchi. Fiquei triste ao constatar que a atriz italiana Greta Scacchi, que faz
o papel de Vera Eichmann, esposa do nazista, está envelhecida e bastante
inchada, embora ainda moça (58 anos). Era uma atriz lindíssima, uma das minhas
musas do cinema. O diretor Chris Weitz tem uma boa carreira em Hollywood, com filmes como "A Bússola de Ouro", "Um Grande Garoto" e "A Saga Crepúsculo: Lua Nova". Este "Operação Final" talvez seja o seu melhor filme.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
“O PROFESSOR DO CAMPO” (“VENKOVSKÝ
UCITEL”) – A tradução do título em português é minha, baseada no título original
vertido para o inglês “The Country Teacher”. Tive a sorte de desencavar esse
excelente drama de 2008 produzido na República Checa, escrito e dirigido por
Bohdan Sláma. A história é centrada no jovem Petr Dolezal (Pavel Liska), um
professor de Ciências Naturais que sai da Praga para lecionar numa escola
pública da zona rural. Seu jeito não engana: ele é homossexual. Mas segura a
barra, ou seja, fica dentro do armário para não prejudicar sua reputação. Só
que ele acaba conhecendo a viúva Marie (Zuzana Bydzovská), com quem faz uma
forte amizade. A porta do armário começa a se abrir quando Petr se apaixona pelo filho de Marie, o adolescente Chlapec (Ladslav Sedivy). O pano de fundo homossexual
é tratado com muita sensibilidade pelo diretor Sláma, que soube dosar o drama
vivido pelo professor com momentos bastante comoventes. O ator Pavel Liska e a
atriz Zuzana Bydzovská – principalmente ele – dão um show de interpretação. Enfim,
o filme é ótimo, cinema da melhor qualidade.
terça-feira, 16 de outubro de 2018
“A
FUGA” (“THE ESCAPE”), 2017, Inglaterra, roteiro e direção de Dominic
Savage (mais conhecido como roteirista e diretor de séries da TV inglesa). A
história: Tara (Gemma Arterton) é uma mulher que entrou na casa dos trinta e
começa a rever os seus valores. Ela é casada com Mark (Dominic Cooper), tem
dois filhos pequenos e mora numa bela casa num bairro de classe média alta. Ou seja, leva uma vida confortável. Mas sua rotina como dona de casa não é fácil: acordar e vestir as crianças, preparar o
café da manhã, levar os filhos para o colégio e ainda escolher e fazer o nó na
gravata do marido. É dose, sem contar o fato de que Mark acorda sempre disposto
a fazer sexo, mesmo que ela não esteja a fim. Essa árdua rotina acaba
provocando um surto depressivo em Tara, que expõe sua insegurança, infelicidade
e total incapacidade de ser um exemplo de dona de casa. Ela não aguenta mais e
um dia resolve “explodir”. Ou seja, pega um trem para Paris, passagem só de ida,
e fica perambulando pela capital parisiense para meditar. O que fazer com sua
vida dali em diante? Quando retorna a Londres, faz uma visita à sua mãe Anna
(Marthe Keller) em busca de um conselho. Tara quer liberdade. Sua mãe define
bem a situação: “Casamento e liberdade não combinam”. Simples assim. Será que
Tará voltará para a sua família? Assista ao filme para saber a resposta. É um
drama pesado, bem ao gosto do talento dramático da atriz inglesa Gemma
Arterton, que está ótima no papel. Seu coadjuvante, Dominic Cooper, é um
excelente ator, como já comprovou principalmente no excelente e pouco divulgado
“O Dublê do Diabo”, de 2011, quando faz o papel de sósia do sádico Uday
Hussein, filho de Saddam. O talento desses dois atores vale o ingresso. O filme
estreou no Toronto International Film 2017, recebendo rasgados elogios. Prefiro
indicá-lo como uma opção alternativa.
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
“ESTADOS
UNIDOS PELO AMOR” (“ZJEDNOCZONE STANY MILOSCI”), 2016, Polônia,
roteiro e direção do jovem diretor Tomasz Wasilewski – o filme ganhou o Urso de
Prata como “Melhor Roteiro” no 66º Festival Internacional de Cinema de Berlim.
A história é ambientada no início dos anos 90 em Varsóvia, quando as mudanças
políticas – queda do Muro de Berlim e o fim do Comunismo – apontavam para a
recuperação da liberdade e da economia do país. Os poloneses, porém, tinham
suas dúvidas quanto ao futuro e viviam, digamos assim, uma crise de valores. O
filme acompanha a trajetória de quatro mulheres frustradas, infelizes e
neuróticas. Uma jovem mãe com o casamento em crise que se envolve com um homem
casado; uma diretora de escola apaixonada pelo pai de um de seus alunos, que
recentemente ficou viúvo; uma velha professora obcecada por sua jovem vizinha;
e uma mulher que vive uma crise no casamento e tem fixação por um padre. A
carência de cada uma delas também envolve a falta de sexo – todas elas, em
algum momento, aparecem nuas, assim como alguns de seus parceiros. Os nús,
principalmente, masculinos, beiram o grotesco. O quarteto de mulheres é formado
por excelentes atrizes: Julia Kijowska (Agata), Dorota Kolac (Renata), Marta
Nieradkiewicz (Marzena) e Magdalena Cielecka (Iza). A câmera do diretor está
sempre em movimento, o que dá uma dinâmica especial a cada cena. A câmera
também capta a intimidade dos personagens, parecendo transformar o espectador numa
espécie de voyeur. Resumo da ópera: é
um filme bastante interessante, com grande força dramática, retratando uma
sociedade à beira de mudanças radicais. O pano de fundo é justamente a situação
vivida pela Polônia naquela época. Quem quiser conferir in loco, o filme fará parte da programação especial da 42ª Mostra
Internacional de Cinema de São Paulo, prevista para ao final de outubro/2018.
domingo, 14 de outubro de 2018
“O
DIA TROUXE A ESCURIDÃO” (“El Día Trajo la Oscuridad”), 2013,
Argentina, direção de Martín De Salvo, com roteiro de Josefina Trotta. Trata-se
de um terror psicológico ambientado numa região rural da Argentina, que de
repente é atingida por uma doença misteriosa, um tipo de vírus da raiva. Virgínia
(Mora Recalde) mora com seu pai, que é médico e atende às famílias da
comunidade. Virgínia vive solitária na casa de fazenda, pois o pai sai toda
hora para consultas. Um certo dia ela recebe uma inesperada visita, de sua
prima Anabel (Romina Paula, de “Medianeras”), uma jovem misteriosa que parece
não estar nada bem de saúde. Anabel sai noite afora e volta de manhã toda suja.
Claro que tem coisa ruim por aí. O filme tenta segurar a tensão até o desfecho,
quando a terrível verdade é revelada. Mas o ritmo é lento demais, não acontece
nada durante um tempão e a única novidade é o lance lésbico entre as primas.
Segundo o diretor De Salvo, a história foi inspirada no conto “Carmilla”, de
Sheridan Le Fanu, escritor irlandês de histórias de terror do Século 19, além de receber forte influência dos contos de terror de Edgar
Allan Poe, principalmente no que ser refere aos nomes das personagens. O
material de divulgação afirma que o filme foi aclamado nos festivais de Berlim
e Roterdã. Sei não!
sábado, 13 de outubro de 2018
“VIDAS
À DERIVA” (“Adrift”), 2018, EUA, direção de Baltasar Kormákur, com
roteiro de Aaron Kandell, Jordan Kandell e David Branson Smith. A história é baseada
em fatos reais ocorridos em 1983 e centrada na paixão fulminante de dois jovens
aventureiros: Tami Oldhan (Shailene Woodley, da Série “Divergente”) e Richard
Sharp (o ator britânico Sam Caiflin, de “Como Eu Era Antes de Você” e “Jogos
Vorazes”). Tami e Richard se conheceram no Taiti, ilha da Polinésia Francesa,
se apaixonaram e um dia resolveram navegar pelo mundo afora a bordo do barco “Hazanã”.
Como não eram velejadores muito experientes, contavam com mares calmos. Ledo engano, pois logo se viram diante de um furacão, um tal de “Raymond”, cuja força virou o barco
e deixou os dois largados à própria sorte, sofrendo da falta de água, alimentos,
medicamentos, sol escaldante, sem comunicação etc. Enfim, fortes candidatos a
morrer no mar. O filme inteiro, portanto, acompanha os 41 dias em que os jovens
passaram à deriva tentando sobreviver de qualquer jeito. O roteiro, porém,
amenizou a tragédia iminente privilegiando também a história de amor entre Tami
e Richard, com muito vaivém entre o passado e o presente, visando provocar
lágrimas na plateia, ou seja, apostar no romantismo para não deixar o filme tão
pesado. Méritos para os roteiristas e para o diretor islandês Kormákur, que
tem em seu currículo um excelente filme de sobrevivência no mar: “Sobrevivente”,
de 2012. Kormákur já havia trabalhado em Hollywood, onde dirigiu dois
filmes de ação com o ator Mark Wahlberg, “Dose Dupla” e “Contrabando”, abrindo caminho para "Vidas à Deriva".
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Se você acha que já viu tudo
no cinema, prepare-se para ter uma surpresa: um faroeste sul-africano. Estou
falando de “CINCO DEDOS POR MARSELHA” (“Five
Fingers for Marseilles”), 2018,
escrito e dirigido por Michael Matthews. O filme é todo falado em sesoto (língua
oficial da África do Sul e do Lesoto) e ambientado numa comunidade pobre
chamada “Trilho", na periferia da cidade de Marselha, nos cafundós da África do
Sul. Conta a história de um grupo de amigos que na adolescência resolveu
intitular-se “Cinco Dedos”, tipo aquela velha história “Um por todos, todos por
um”. Quando ainda eram bem jovens, enfrentam a opressão policial matando um
agente da lei. O responsável foi Tau, que fugiu da cidade para não ser preso.
Os outros quatro amigos ficaram e cresceram com a cidade. Vinte anos depois,
Tau (Vuyo Dabula) retorna e percebe que nada mudou. Pior, além da polícia
corrupta, a população ainda tem de sofrer nas mãos de malfeitores sanguinários.
Tau e uns poucos corajosos, incluindo um gringo e um chinês, resolvem “limpar”
Marselha, salvando a população dos bandidos. A história é muito parecida com
filmes que já vimos no cinema, como os faroestes “spaghettis” de Sérgio Leone,
nas décadas de 60 e 70, quando o mocinho chega à cidade e vira herói depois de
eliminar as gangues de criminosos. Tem até a silhueta de um cavalo no fim da tarde,
assinatura visual de dezenas de faroestes. Apesar da boa intenção, este western peca pelo amadorismo da
produção. As cenas de ação, tiros etc., por exemplo, são de uma infantilidade
atroz, muito malfeitas. Além disso, já viram um faroeste onde só aparece um
cavalo em cena? Dá para sentir muita saudade dos filmes do Clint Eastwood, John
Wayne, Giuliano Gemma...
“AQUI
EM CASA TUDO BEM” (“A CASA TUTTI BENE”), 2018, Itália, escrito e
dirigido por Gabriele Muccino. Uma grande família chega de balsa à ilha de
Ísquia, no golfo de Nápoles, para as comemorações das Bodas de Ouro dos
patriarcas Pietro (Ivano Marescotti) e Alba (Stefania Sandrelli). Estão lá seus
filhos, seus genros e noras, primos, crianças, uma ex-nora, tem aquele primo
que não toma jeito na vida e vive pedindo dinheiro emprestado, primos que revivem
um amor do passado etc. No começo, tudo é alegria, abraços, beijos e muita
cantoria para relembrar os velhos tempos. No fim do dia, na hora de voltarem
para o continente, uma tempestade impede que a balsa chegue à ilha. Ou seja,
ficam todos literalmente “ilhados”. Não é só o tempo que muda. O clima fica
ruim nos relacionamentos e aí chega a hora de lavar a roupa suja. E nenhum
cinema consegue explorar com tanta graça os “barracos” familiares como o
italiano. O elenco é ótimo: além da antiga diva Stefania Sandrelli e
Marescotti, atuam Sandra Milo, Stefano Accorsi, Pierfrancesco Favino, Carolina
Crescentini, Claudia Gerini e Elena Cucci. O diretor Gabrielle Muccino já
transitou por Hollywood, onde filmou “Sete Vidas” e “À Procura da Felicidade”,
ambos com Will Smith. “Aqui em Casa Tudo Bem” é, até agora, o maior sucesso de
bilheteria na Itália em 2018. Além do elenco e dos diálogos ácidos e
bem-humorados, o filme tem uma fotografia maravilhosa, principalmente ao
retratar a Natureza que cerca a ilha paradisíaca de Ísquia. Sem dúvida, uma
ótima comédia, ao estilo dos mestres Dino Risi e Mario Monicelli.
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
“A
SOMBRA DA VERDADE” (“BACKSTABBING FOR BEGINNERS”), 2017,
EUA/Dinamarca/Canadá, roteiro e direção do dinamarquês Per Fly Plejdrup.
Trata-se de um ótimo thriller político
que relembra um dos fatos mais escabrosos da diplomacia mundial, envolvendo num
esquema de corrupção gente importante das Nações Unidos e dirigentes de países
do Oriente Médio. Tudo baseado em fatos reais, relatados no livro “Backstabbing
for Beginners: My Crash Course in International Diplomacy”, escrito pelo
jornalista dinamarquês Michael Soussan. A história começa em 2002 e é centrada
no jovem diplomata Michael Sullivan (Theo James, da série “Divergente”), que
cai nas graças de um chefão da ONU, Pasha (Ben Kingsley). Numa missão muito
complicada para sua inexperiência, Michael é colocado na coordenação do
Programa “Petróleo por Comida” (“Oil for Food”), um projeto da ONU para
alimentar as populações mais carentes do Oriente Médio. Para iniciar sua
tarefa, Michael é enviado em missão para o Iraque e lá conhece a tradutora
Nashim (Belçim Bilgin), que esconde sua condição de cidadã curda. Enfim, Michael vai conhecer bem de perto a podridão do jogo diplomático e, com a coragem de um
jovem idealista, tentará denunciá-la. O filme é muito bom, tem suspense e
tensão do começo ao fim, mas o que vale mesmo é a história que ele conta.
terça-feira, 9 de outubro de 2018
Nunca fui muito fã de filmes
sobre discos voadores, alienígenas e outras ficções, mas “UFO”, 2018, EUA, me prendeu desde o início. Sabe aquele filme que
você começa a ver e fica curioso sobre o que vai acontecer? Começa assim:
dezenas de pessoas que estavam esperando seus vôos no aeroporto de Cincinnati (Ohio)
são surpreendidas pela aparição de um UFO (um OVNI para nós, ou seja, Objeto
Voador Não Identificado). O porta-voz do aeroporto dá uma entrevista coletiva
afirmando que tudo não passou de um engano, que a nave misteriosa não passava
de um jato Gulfstream, desmentindo os depoimentos de várias testemunhas. Para dar maior veracidade à sua versão, o diretor do
aeroporto ainda cita vários números, como coordenadas, tempo de vôo etc. Derek
(Alex Sharp), um jovem e brilhante universitário, um pequeno gênio da matemática
e da física, investiga os números oficiais transmitidos pela direção do
aeroporto e chega à conclusão de que o que realmente ocorreu foi a aparição de
um UFO. Com a ajuda da sua professora de matemática avançada Dra. Hendricks
(Gillian Anderson, de “Arquivo X”), o rapaz contesta publicamente a versão
oficial e, com isso, chama a atenção do FBI, que também investiga o caso com uma
equipe comandada pelo agente especial Franklin Ahls (David Strathairn). Muitos
diálogos são incompreensíveis para nós, os leigos, com números de coordenadas
espaciais, fluxos de ondas magnéticas, dados científicos etc. Em algumas cenas, parece que você
está assistindo a um filme grego sem legendas. Não dá para entender bulhufas!
Mesmo assim, o filme prende a atenção até o seu final. “UFO” foi o quarta
longa-metragem escrito e dirigido por Ryan Eslinger. Um bom trabalho, sem dúvida.
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
Da fonte inesgotável de
histórias ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial surge “O BANQUEIRO DA
RESISTÊNCIA” (“Bankier Van het Verzet”), Holanda, 2018, produção Netflix, com
direção de Joram Lürsen e roteiro de Marieke Van der Pol, Mattijs Bocketing e
Thomas Van der Ree. Trata-se de mais uma história de coragem e heroísmo. Com a
invasão da Holanda pelos nazistas, a partir de 1940, dois irmãos banqueiros de
Amsterdam, Walraven e Gijjs Van Hall resolveram ajudar financeiramente a resistência
holandesa. Para isso, elaboraram um complexo esquema que incluiu a criação de
um bando clandestino, a emissão de promissórias falsas e títulos do governo. Tudo muito arriscado. De
1940 a 1945, praticamente durante toda a ocupação alemã, os irmãos van Hall
conseguiram movimentar – em números de hoje - uma quantia equivalente a meio
bilhão de euros. O filme é repleto de suspense, com momentos de alta tensão e
um desfecho a quilômetros de distância de um happy end. Destaco também a sensacional recriação de época, principalmente os figurinos, valorizando uma superprodução histórica. Aliás, como a produção é da Netflix, o filme certamente não será exibido
nos circuitos comerciais. O negócio é acompanhar a programação televisiva da
produtora. De qualquer forma, é um filmaço, simplesmente imperdível!domingo, 7 de outubro de 2018
“O
TERCEIRO ASSASSINATO” (“SANDOME NO SATISUJIN”), 2017, Japão,
roteiro e direção de Kirokazu Kore-eda. Trata-se de um drama jurídico centrado
no julgamento de Misumi (Koji Yakusho), que matou seu chefe a golpes de chave
inglesa num terreno abandonado à beira de um rio, queimou o corpo e fugiu, mas
logo foi capturado. Acreditando estar agindo para se livrar da pena de morte,
ele confessa o crime e vai para a cadeia aguardar o julgamento. O conceituado
advogado Tomoaki Shigemori (Masaharu Fukuyama) aceita a missão de defendê-lo e
mobiliza toda a sua equipe para descobrir tudo sobre a vida pregressa do réu.
Shigemori fica sabendo, por exemplo, que seu próprio pai, juiz na época, foi
quem condenou Misumi a cumprir uma longa pena depois de considerado culpado por
outro crime. Ao realizar as entrevistas com familiares do réu e da vítima,
amigos e prováveis testemunhas, Shigemori percebe que está no meio de verdades
desconexas e declarações contraditórias. Misumi, inclusive, toda hora muda a
versão do crime. Afinal, o que está acontecendo? O grande trunfo desse ótimo
filme de tribunal são os diálogos entre advogado e seus entrevistados, verdadeiros
embates psicológicos que fortalecem ainda mais uma trama bem urdida por um
roteiro de muita qualidade. Sem dúvida, mais uma obra instigante, provocadora e
fascinante deste Kore-eda, que é considerado o melhor roteirista e diretor
japonês em atividade, responsável por filmes como “Depois da Vida”, “Ninguém pode
Saber”, “Seguindo em Frente e “Pais e Filhos", este último vencedor do Prêmio Especial
do Júri do Festival de Cannes 2013. Assisti a quase todos e passei a admirar o grande diretor japonês. “O Terceiro Assassinato” é mais um
excelente trabalho de Kore-Eda. Imperdível!sábado, 6 de outubro de 2018
“A
CÂMERA DE CLAIRE” (“Keul-Le-Eo-Ui-Ka-Me-La”), Coreia do Sul, 2017, do
roteirista e diretor queridinho dos críticos profissionais, Hong Sang-Soo. Mais
um exemplar típico do gênero cinema de arte. Dentro de seu estilo intimista, de
poucos personagens e muitos diálogos, sua marca inconfundível em 12 anos de
carreira, Sang-Soo ambienta a história em Cannes durante os dias do festival de
cinema, embora não apareça nenhuma imagem do tapete vermelho nem a paparicação
em torno dos grandes astros. A professora Claire (Isabelle Huppert, em seu
segundo filme com o diretor sul-coreano; o primeiro foi “A Visitante Francesa”,
de 2012), caminha por Cannes tirando fotos de pessoas e de paisagens com sua
câmera Polaroid. Numa dessas andanças ela conhece Jeon Manhee (Kim Minhee), uma
sul-coreana que veio com uma equipe de cinema participar do festival. Em poucas
horas de conversa – em inglês -, as duas mulheres fazem confidências, contam
suas histórias e acabam fazendo amizade. Claire segue seu caminho e faz
contato com outro sul-coreano, o diretor So Wansoo (Jin-Yeong Jeong),
coincidentemente da mesma equipe de Manhee. A presença de um quarto personagem,
Nam Yaghye (Jang Mi Hee), esposa de Wansoo, será fundamental para esclarecer
alguns fatos narrados pela jovem Manhee. Exibido pela primeira vez no Festival de Cannes
2017, “A Câmera de Claire” ganhou rasgados elogios, confirmando a fama de Hong
Sang-Soo.
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
O terror “HEREDITÁRIO” (“HEREDITARY”), EUA, 2018, é o filme de estreia do
roteirista e diretor Ari Oster. A história começa com a morte da matriarca da
família Graham, uma velha dedicada ao culto a Paimon, um dos reis do inferno.
Como todas as integrantes da família, Anne Graham (Toni Collette), filha da
velha, sofre de distúrbio psicológico. Ela é casada com Steve (Gabriel Byrne) e
tem dois filhos, Charlie (Milly Shapiro), e o adolescente Perer (Alex Wolff). A
maldição da velha vai atingir toda a família de Anne. Como a história é meio
sem pé nem cabeça – aliás, muita gente perde a cabeça durante o filme -, e você
espera uma explicação plausível para o desfecho, o que não acontece. A cena
final é bastante constrangedora. Calma, não deixe de assistir por minha causa,
pois a crítica especializada adorou. Teve até um crítico que afirmou: “Este é o
filme mais aterrorizante de 2018”. Diante de tudo isso, não custa experimentar.
terça-feira, 2 de outubro de 2018
“DESOBEDIÊNCIA”
(“DISOBEDIENCE”), EUA, 2017, roteiro e direção do chileno
Sebastián Lelio. Trata-se de um drama centrado na amizade de duas mulheres que
voltam a se encontrar e acabam revivendo o romance que tiveram na juventude. A fotógrafa
Ronit Krushka (Rachel Weisz) está radicada há muitos anos em Nova Iorque, onde
é uma profissional respeitada. É uma mulher liberada, solitária. Um dia ela
recebe a notícia de que seu pai, um rabino importante, acaba de morrer em
Londres. Ao chegar à capital inglesa para o funeral, ela é recebida com muita
frieza pelos judeus ortodoxos que vivem na comunidade judaica no bairro de
Hendon. Tratada como ovelha negra da família, Ronit só é bem recebida pelo seu
primo David Kuperman (Alessandro Nivola) e ainda mais pela esposa dele, Esti
(Rachel McAdams). Logo fica claro que as
duas tiveram um caso na juventude e mesmo depois de tantos anos decidem retomar
o romance. As cenas de sexo entre as duas são bastante tórridas, mas dirigidas
com sensibilidade por Lelio. Tanto David, eleito o novo rabino, como a
comunidade de judeus ficam sabendo do caso, mas as mulheres aguentam firme.
Este é o primeiro filme em língua inglesa dirigido por Sebastián Lelio, que tem
em seu currículo ótimos filmes como “Gloria”, de 2013, e “Uma Mulher Fantástica”,
que ganhou o Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro. Para realizar “Desobediêcia”,
o diretor chileno adaptou o livro "Disobedience”, escrito pela romancista
inglesa Naomi Alderman. Enfim, um filmaço imperdível, com destaque para o desempenho
dessas duas grandes atrizes, com jeito de Oscar 2019, principalmente para Rachel
McAdams. Alessandro Nivola também está muito bem e talvez mereça uma indicação.
domingo, 30 de setembro de 2018
“O QUE DE VERDADE IMPORTA” (“The
Healer”), 2017, EUA, um misto de drama, fantasia, comédia romântica e religião.
Trata-se do primeiro filme cuja arrecadação de bilheteria pelo mundo inteiro
está sendo destinada a entidades que cuidam de crianças com câncer. O diretor
mexicano Paco Arango preside uma delas, a Aladina. Ele esteve aqui no Brasil,
no dia 27 de setembro, para divulgar o filme. Vamos à história: Alec Bailey (o
candidato a galã Oliver Jackson-Cohen) mora em Londres, ganha uns cobres
consertando eletrodomésticos e vive encalacrado em dívidas de jogo. Deve uma
grana preta até para uns mafiosos russos. Quando se vê quase sem saída para a
situação, surge um tio distante, Raymond Heacock (Jonathan Pryce), com uma
proposta irrecusável, ou seja, pagará todas as suas dívidas, mas em troca Alec
terá de se mudar para a Nova Escócia (Canadá) e lá morar durante um ano. Claro
que Alec acaba topando a empreitada e, ao chegar por lá, descobre que tem o dom
da cura. Ele conhece uma moça que se diz lésbica, Cecilia (Camilla Luddington),
e vai fazer amizade com uma jovem que tem câncer terminal, a bonitinha Abigail
(Kaitlyn Bernard). Entre cenas bem-humoradas e outras até comoventes, o filme é
ideal para reunir a família numa sessão da tarde sem compromisso. Dá pra ver
numa boa.
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
“A
GUERRA DOS SEXOS” (“Battle of the Sexes”), 2017, EUA, baseado em
fatos reais, relembra um acontecimento esportivo que repercutiu em todo o mundo.
Em 1973, a tenista Billie Jean King, então ocupando a primeira colocação no
ranking mundial, reclamou publicamente que as tenistas profissionais ganhavam
muito menos do que os seus correspondentes masculinos. Billie referia-se,
principalmente, aos prêmios destinados aos tenistas vencedores de torneios
oficiais. Com um grupo de outras
tenistas de primeira linha, ela rompe com a Associação de Tenistas dos Estados
Unidos e decide organizar um torneio próprio. Aproveitando a situação, o
ex-campeão Bobby Riggs (Steve Carell), mesmo aos 55 anos, decide desafiar qualquer tenista profissional
mulher, gabando-se de que os homens são muito mais poderosos. O desafio transforma-se
num grande evento chamado “A Batalha dos Sexos”. Riggs enfrenta primeiro a
tenista Margaret Court, na época uma das melhores do mundo, e a vence com
grande facilidade. Depois da vitória, Riggs, com seu jeito fanfarrão e
exibicionista, dá declarações humilhando as tenistas, vangloriando-se de ser um
tenista aposentado e com 55 anos. E que nenhuma mulher poderia vencê-lo. Billie
Jean King resolve encarar esse desafio e enfrentar Riggs. O filme é dedicado
aos bastidores de todos esses eventos, principalmente o que rolou antes da
partida entre Riggs e Billie. Há também espaço para revelar o romance ardente
entre Billie e sua cabeleleira Marilyn Barnett, sendo que a tenista era casada
com Larry King, seu treinador. Aliás, as cenas de sexo entre Billie (Emma Stone,
de “La La Land”) e Marilyn (a inglesa Andrea Riseborough) são bastante
ardentes. Ainda estão no elenco Austin Stowell, Bill Pullman, Elizabeth Shue, Sarah Silverman e Alan Cumming. O roteiro foi escrito por Simon Beaufoy e o filme dirigido por Jonathan
Dalton e Valerie Faris, os mesmos do ótimo “Pequena Miss Sunshine”, de 2006. O
filme tem uma levada de comédia e é bem agradável de assistir.
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
“1945”, Hungria,
2017, direção de Ferenc Törok, que também escreveu o roteiro juntamente com Gábor T. Szántó. A história é inspirada no conto “Hazatérés”, escrito pelo
próprio Szántó. Em agosto de 1945, enquanto os moradores de um vilarejo no
interior da Hungria preparam-se para o casamento do filho do prefeito (na verdade,
1º secretário, já que foi nomeado pelos comunistas russos), dois judeus
ortodoxos – pai e filho – chegam à estação de trem com dois grandes baús. A
notícia da chegada daqueles visitantes misteriosos logo chega ao ao pessoal do
vilarejo e vai tumultuar de vez os preparativos do casamento. Todo mundo fica
desesperado, pois acreditam que os judeus retornaram para recuperar seus imóveis
e pertences - no início da Segunda Guerra Mundial, em alguns países da Europa, muitos
judeus foram denunciados e levados pelos nazistas para os campos de
concentração, e seus bens acabaram sendo tomados pelos cidadãos locais. No
vilarejo, o clima de tensão aumenta cada vez mais, culminando com vários
eventos trágicos. O desfecho reserva para o espectador uma grande surpresa, na
verdade muito comovente. Embora com elogios, os críticos especializados
reagiram com uma certa frieza à primeira exibição do filme no 67º Festival de
Berlim, mas eu não. Adorei, achei sensacional, uma pequena obra-prima. Irresistível
e simplesmente imperdível!
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
“GAUGUIN
– VIAGEM AO TAITI” (“Gauguin – Voyage de Tahiti”), 2017,
França, roteiro e direção de Edouard Deluc (seu segundo longa-metragem).
Trata-se de um drama biográfico centrado na vida do pintor francês Paul Gauguin,
que ficou famoso com seu estilo pós-impressionista, mas só depois de morrer
como indigente, em 1903. O filme de Deluc é ambientado em 1891, quando Gauguin
sai de Paris para morar no Taiti, uma das mais importantes ilhas da então
Polinésia Francesa. Na capital francesa, o pintor vivia um momento de falta de
inspiração, não ligava para a família e passava as noites bebendo nos cabarés.
Num desses momentos de boemia, Gauguin fala para um amigo: “Estou sufocando.
Não há paisagem nem rosto que mereça ser pintado aqui”. Ao tomar a decisão de
viajar para o Taiti, Gauguin tenta convencer a esposa e os filhos a irem com
ele, sem sucesso. Ele então parte sozinho. No Taiti, ele conhece a jovem nativa
Tehura, que será sua esposa e tema de suas telas mais importantes. Na
realidade, Tehura tinha 13 anos quando casou com o pintor, mas no filme ela
aparece adulta. Para sobreviver, Gauguin trabalha como estivador, o que irá
piorar ainda mais sua frágil saúde. Gauguin, como todo artista, tinha um gênio
difícil, era violento, egocêntrico e, ao mesmo tempo, amargurado. O ritmo lento
da narrativa não prejudica a história, principalmente pelo excelente desempenho
do ator francês Vincent Cassel e da atriz Tuheï Adams, além de uma fotografia
exuberante explorando as cores e a natureza selvagem do Taiti, onde as
filmagens aconteceram. Enfim, um filme que deve agradar não apenas os fãs de
Gauguin, mas os amantes da pintura em geral. Por aqui, antes de chegar ao circuito comercial, o filme foi exibido como uma das principais atrações do Festival Varilux de Cinema Francês 2018. domingo, 23 de setembro de 2018
O drama holandês “LAYLA M.”, 2016, escrito e dirigido
pela diretora holandesa Mijke de Jong, é um dos filmes mais esclarecedores
sobre o pensamento, o comportamento e os ideais que norteiam os jovens a se
engajar numa organização terrorista. A jovem Layla nasceu e vive em Amsterdam
com a família de imigrantes marroquinos. Ela é uma garota radical invocada,
gosta de bater boca e desafiar qualquer ordem, inclusive na sua família. Ela é
radical no que diz respeito à religião muçulmana, seguindo os preceitos do
Alcorão à risca. Ao participar de uma campanha pela Internet incentivando as mulheres muçulmanas a continuar usando a burca - proibida na Holanda -, ela desperta a atenção de grupos extremistas,
incluindo o jovem jihadista Abdel (Ilias Addab), com o qual se casará. Para
acompanhar o marido numa missão na Jordânia, Layla abandona a família e resolve
também ingressar numa célula islâmica terrorista. Na Jordânia, porém, ela
sofrerá na pele o tratamento machista que é dedicado a toda mulher casada com
um muçulmano. Em todo caso, ela resolve encarar a situação e passa a ajudar uma
equipe humanitária num campo de refugiados da Síria. O filme é muito bom, tanto
que foi selecionado pela Holanda como seu representante oficial na disputa do Oscar 2018 de
Melhor Filme Estrangeiro. Além disso, participou da seleção oficial de
festivais como o de Toronto, Chicago e Londres, sendo vencedor do Prêmio
Especial do Júri no Filadélfia Film Festival.
Assinar:
Postagens (Atom)


















