quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Quem diria, Hollywood fazendo remake de filme argentino (Mordam-se de inveja, cineastas brasileiros!). É, parece que a crise de criatividade dos roteiristas da meca do cinema continua. “OLHOS DA JUSTIÇA” (“The Secret in their Eyes”), 2015, foi adaptado do maravilhoso “O Segredo dos Seus Olhos”, 2009, filme argentino ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Embora haja algumas modificações de roteiro, “Olhos da Justiça” conta a mesma história, talvez com mais ação e suspense. O diretor Billy Ray (“Quebra de Confiança” e “O Preço de uma Verdade”) até faz uma menção ao incrível e famoso plano-sequência criado por Juan José Campanella no filme argentino. Se “Olhos da Justiça” não é melhor do que o original, pelo menos ganha no que diz respeito ao elenco de astros: Chiwetel Ejiofor (“12 Anos de Escravidão”), Nicole Kidman e Julia Roberts. Fazia tempo que não via Nicole Kidman tão linda como neste filme, e também Julia Roberts tão envelhecida. No filme norte-americano, senti falta do humor que sobrava no filme argentino. Em “Olhos da Justiça” o drama é reforçado pelas ótimas atuações de Júlia Roberts e, principalmente de Chiwetel Ejiofor. Mesmo quem tenha assistido o filme argentino vai gostar deste, também um ótimo entretenimento.    

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O drama francês “OS APACHES” (“Le Apaches”), 2013, segundo longa escrito e dirigido por Thierry de Peretti, faz um retrato bastante realista e cruel da juventude que habita uma cidade na região da Córsega, grande parte constituída de imigrantes africanos e de origem árabe. A história é centrada em cinco jovens pobres, inconsequentes e revoltados com sua condição de pobreza. Dois deles, Azis (Azis El Hadachi) e Hamza (Hamza Meziani), são filhos de imigrantes árabes. Numa noite de farra, os cinco invadem uma mansão para curtir a piscina. Consomem a bebida da casa, ficam bêbados e acabam roubando dois fuzis. A polícia começa a investigar o roubo e os jovens ficam apavorados. Uns querem devolver as armas, outros não. Até que um deles resolve vender um dos fuzis. Pressionados pela possibilidade de serem descobertos, eles começam a se desentender, culminando com um evento trágico. O filme, selecionado para a Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes/2013, é bastante impactante, forte e desagradável, principalmente por mostrar uma juventude alheia aos princípios morais e sem horizontes para traçar um objetivo de vida. É muito triste, mas esse retrato da juventude pode ser aplicado no mundo inteiro. Tristes tempos...  

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Apesar da impressionante atuação de Isabelle Huppert, não gostei de “UMA RELAÇÃO DELICADA” (“ABUS DE FAIBLESSE”), 2013, França, roteiro e direção de Catherine Breillat. Hupper interpreta a cineasta Maud Schoenberg, que sofre um AVC, fica meses internada e passa a viver com sequelas graves, uma delas a paralisação do lado esquerdo do corpo. Em meio à sua recuperação, Maud trabalha na produção de seu novo filme e procura um ator para determinado papel. Ao assistir a um programa de TV, ela vê um ex-presidiário sendo entrevistado. Maud tem certeza de que ele será o ator ideal e o convida para uma conversa. O ex-presidiário é Vilko (Kool Shen), um marginal que virou celebridade ao dar um grande golpe e ser preso. A partir daí, Vilko vai aproveitar o fato da cineasta estar vulnerável e tentar tirar o máximo de dinheiro dela. Aí que a história fica forçada demais, pois Maud tem amigos e uma família que, na vida real, jamais deixariam que ela fosse tão explorada. Também não há explicação – a não ser algum tipo de obsessão – para o comportamento irracional de Maud. Enfim, um filme mediano que não faz jus ao enorme talento da atriz francesa.
“DIÁRIO DE UMA CAMAREIRA” (“Journal D’une Femme de Chambre”), 2015, co-produção França/Bélgica, direção de Benoit Jacquot (“Adeus, Minha Rainha” e “3 Corações”), que também escreveu o roteiro, inspirado no romance escrito por Octave Mirbeau. Trata-se da terceira adaptação para o cinema – a primeira, de 1946, teve a direção de Jean Renoir, e a segunda, em 1964, de Luis Buñuel. A história é ambientada no início do Século XX e acompanha a trajetória do trabalho de camareira de Célestine (Léa Sedoux). Enviada por uma agência para trabalhar na mansão da família Lanlaire, interior da França, Célestine vai conhecer o inferno das mãos de Madame Lanlaire (Clotilde Mollet), uma patroa sádica e megera. Além disso, Célestine tem que conviver com os frequentes assédios do patrão tarado – aliás, pelo que o filme dá a entender, era prática comum na época os patrões exigerem esse tipo de serviço das empregadas, com ou sem o consentimento das respectivas patroas. Na casa dos Lanlaire, Célestine conhece Joseph (Vincent Lindon), que trabalha como cocheiro da família há 15 anos. Ele é um homem bastante misterioso, envolvido em atividades políticas clandestinas, além de ferrenho antissemita. O filme teve sua exibição de estreia em fevereiro de 2015 durante o Festival de Cinema de Berlim. Léa Seydoux, mais uma vez, esbanja competência e prova porque é considerada uma das melhores atrizes francesas da atualidade. A caprichada recriação de época é outro dos destaques desse ótimo drama francês. 

                                                                                                       

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Imagine ficar perdido numa floresta, no mar, no deserto ou simplesmente numa grande cidade. A sensação é horrível, de desesperar. Imagine então ficar perdido em Marte! É o que acontece com o astronauta Mark Watney (Matt Damon) no ótimo “PERDIDO EM MARTE” (“The Martian”), 2015, EUA. A história é baseada no livro homônimo de ficção científica escrito por Andy Weir. Mark foi praticamente abandonado em Marte pela equipe de astronautas da qual fazia parte depois de uma tempestade. Dado como morto, foi “enterrado” com honras militares nos EUA. Só que ele não morreu. Sozinho num planeta praticamente desconhecido, Mark teve que se virar para sobreviver. Com  seu conhecimento de botânica, criou uma plantação de batatas e inúmeros outros artifícios para se manter vivo até um possível resgate. E jamais perdeu o bom humor, tanto ao conversar consigo mesmo como falando com o pessoal da NASA. Numa de suas frases bem humoradas, ele diz: “Eu colonizei Marte. Chupa essa, Neil Armstrong”, referindo-se ao primeiro astronauta a pisar na Lua, em 1969. O elenco conta ainda com Jessica Chastain, Jeff Daniels, Kristen Wiig e Chiwetel Ejiofor. O filme é divertido e movimentado do começo ao fim e nem mesmo a utilização de inúmeros termos técnicos e científicos indecifráveis para nós, leigos e simples mortais, prejudica o resultado final. Como curiosidade:  o deserto de Wadi Rum, na Jordânia, foi utilizado como locação e cenário para reproduzir Marte. O diretor é o veterano Ridley Scott, dos clássicos “Alien, o Oitavo Passageiro”, “Blade Runner, o Caçador de Andróides”, “Falcão Negro em Perigo” e “Thelma & Louise”. Com sete indicações ao Oscar 2016, entre as quais Melhor Filme e Melhor Ator, “Perdido em Marte” é diversão garantida na telinha. 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

“BOULEVARD”, 2014, EUA, direção de Dito Montiel, foi um dos últimos filmes de Robin Williams, falecido em agosto daquele ano. O ator norte-americano interpreta Nolan Mack, que trabalha num banco há 26 anos e mantém um casamento de conveniência com Joy (Kathy Baker), já que é homossexual e precisa manter as aparências para conseguir promoções no trabalho. À noite, Nolan sai pelas ruas à procura de garotos de programa e acaba se envolvendo com um deles, Leo (o ator mexicano Roberto Aguirre). Ao mesmo tempo em que vive o dilema de uma paixão proibida, Nolan recebe o convite para assumir a gerência de uma agência do banco, uma promoção e tanto. Só que o relacionamento com Leo se transforma numa paixão avassaladora, provocando grandes transformações no comportamento de Nolan, colocando em risco o seu casamento e até o próprio emprego no banco. Robin Williams defende o papel de Nolan com competência, mas quem se destaca é a veterana Kathy Baker. O filme carrega uma enorme carga dramática, é trista e melancólico, passa longe de um entretenimento agradável, mas trata de um tema bastante polêmico e que, por isso, merece ser visto.   

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

“MAGICAL GIRL”, Espanha, 2014, é o segundo filme escrito e dirigido por Carlos Vermut. Trata-se de um drama de mistério, meio noir, envolvendo uma mulher casada com problemas mentais, um professor desempregado com uma filha gravemente doente e um professor aposentado que acabara de sair da prisão. O filme começa com o desespero do professor desempregado Luís (Luís Bermejo) ao ver a filha Alícia (Lucía Pollán), de apenas 12 anos, definhando com o avanço de uma agressiva leucemia. Ao ler o diário da adolescente, Luís fica sabendo que o maior sonho de Alícia é ganhar um vestido utilizado pela principal personagem da série japonesa “Magical Girl Yukiko”. Para conseguir os 7 mil euros necessários para comprar o vestido, Luís passa a chantagear Bárbara (Bárbara Lennie), uma bela mulher casada que sofre de distúrbios mentais. Para arrumar dinheiro, Bárbara se submete a situações constrangedoras, incluindo a prostituição. As chantagens continuam até aparecer o professor aposentado Damián (José Sacristán), que se dispõe a ajudar Bárbara a se livrar do chantagista. O drama da adolescente doente passa, então, para segundo plano e o que rola daí em diante serve para o espectador aguardar com ansiedade o final do filme e ver o que vai acontecer. O filme ganhou os prêmios “Concha de Oro” e “Concha de Plata”, respectivamente de “Melhor Filme” e “Melhor Diretor”, do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián 2014. Também foi exibido em outras mostras e festivais pelo mundo afora, inclusive na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2015.   
Nunca fui muito fã dos filmes de Quentin Tarantino, embora tenha assistido a todos. Não que sejam ruins, mas são desagradáveis de ver pela violência explícita, personagens desprezíveis, humor negro sem muita graça e nenhum espaço para romances, momentos sensíveis ou comoventes. Meu índice de rejeição ao diretor americano aumentou consideravelmente depois de assistir ao seu mais recente “OS OITO ODIADOS” (“The Hateful Eight”), 2015. Trata-se de um faroeste cômico, com muita violência e sangue jorrando. É longo demais (167 minutos) e, em determinados momentos, chega a entediar. A história envolve uma série de personagens que buscam abrigo, fugindo de uma forte nevasca, num armazém nos cafundós do Oeste. O grupo reúne caçadores de recompensa, um general do exército, um futuro xerife e outros tipos esquisitos. Tudo gira em torno de dinheiro e de um eventual plano para resgatar uma assassina. Toda a ação é encenada dentro desse armazém, com muito blá-blá-blá, acusações e reviravoltas na história, culminando com uma tentativa de envenenamento coletivo e cenas de muita violência. Não faltam menções racistas contra o personagem de Samuel L. Jackson, o único negro da turma. Além de Jackson, estão no elenco Jennifer Jason Leigh, Kurt Russell, Demian Bichir, Tim Roth, Walton Goggins, Channing Tatum, Bruce Dern e Michael Madsen. O filme concorrerá ao Oscar 2016 em três categorias: Atriz Coadjuvante (Jennifer Jason Leigh), Trilha Sonora (Ennio Morricone) e Fotografia (Robert Richardson).  

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Uma fantasia, uma fábula, um romance? O material de divulgação diz que é comédia, do que também discordo. Dessa forma, confesso que fiquei em dúvida para definir “TOKYO FIANCÉE”, 2014, Bélgica, roteiro e direção de Stefan Liberski. De qualquer forma, é um filme bastante interessante, criativo, e realmente tem um pouco de fantasia, fábula e romance. A jovem Amélie (Pauline Etienne, de “A Religiosa”), quando completa 20 anos de idade, resolve voltar para o Japão, onde nasceu e viveu até os cinco anos. Sua ideia é fixar residência em Tóquio, conhecer mais da cultura japonesa e dar aulas particulares de francês para pagar suas despesas. Seu primeiro aluno é Rinri (Taichi Inoue), de uma família classe média alta. Ao mesmo tempo em que ensina francês a Rinri, este transmite inúmeras informações sobre o modo de vida dos japoneses. Os dois visitam lugares tradicionais de Tóquio e das redondezas, em passeios quase turísticos. Claro que os dois vão se apaixonar e viver um grande amor, até que... A cultura e as tradições japonesas estão presentes em vários momentos do filme, tornando-o ainda mais interessante. Mas alerto: não é aquele tipo de filme que você aplaude de pé ou fica com um sorriso no rosto quando termina.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

“ENQUANTO HOUVER AMOR” (“And While We Were Here”), 2012, EUA, direção de Kat Coiro, é um drama romanceado ambientado em Nápoles. É aqui que o violinista norte-americano Leonard (Iddo Goldberg) chega para trabalhar num concerto com a orquestra sinfônica local. Ele leva a mulher, a escritora Jane (Kate Bosworth), que está trabalhando num livro sobre as experiências da sua avó durante a Segunda Grande Guerra. Como o marido se dedica inteiramente aos ensaios, Jane tem tempo de circular pelos lugares turísticos de Nápoles, sentindo-se solitária e carente. É claro que está prestes a colocar uma peruca de touro no marido. Na paradisíaca Ilha de Ischia, ela conhece um jovem norte-americano “mochileiro”, Caleb (Jamie Blackley). Carente de atenção e em crise no casamento, Jane acaba se envolvendo com Caleb. É o estopim para aumentar ainda mais o conflito no casamento. Não há dúvida de que Kate Bosworth é uma das atrizes mais competentes e bonitas da atualidade, como já provou em outros filmes como “Para Sempre Alice”, “A Onda dos Sonhos” e “Superman: O Retorno”. Mas o filme deixa a desejar, morno e monótono. Nada que justifique uma indicação entusiasmada.   
Charles Chaplin morreu no dia 25 de dezembro de 1977 e foi enterrado no cemitério de Corsier Sur-Vevey, na Suíça, onde o gênio vivia há anos com a família. Poucos dias depois, dois homens roubaram o caixão e tentaram extorquir dinheiro da viúva. A polícia pegou a dupla, que acabou confessando o crime. Todos esses fatos reais são contados em “O PREÇO DA FAMA” (“La Rançon de La Gloire”), França, 2014. Quem teve a infeliz ideia foi Eddy (Benoit Poelvoorde), imigrante belga e ex-presidiário. Seu comparsa foi Osman (Roschoy Zem), imigrante argelino que precisava urgentemente de dinheiro para pagar o tratamento de saúde da esposa, Noor (Nadine Labake). Osman e Noor têm uma filha, Samira (Séli Gmach), que praticamente fica aos cuidados de Eddy. Na verdade, nem Eddy e muito menos Osman possuem perfil de bandidos perigosos. Estão mais para dois desajustados trapalhões. O filme termina com o julgamento da dupla, com resultado bastante inusitado. Estão ainda no elenco Chiara Mastroianni e Peter Coyote. Este talvez seja o filme mais irregular do diretor francês Xavier Beauvois, dos ótimos “Adeus, Minha Rainha” e “Homens e Deuses”. Mas vale assistir para conhecer um dos casos policiais de maior repercussão na época, ainda mais envolvendo o maior gênio que o Cinema já conheceu.                                                          
Muito humor, ação e aventura estão garantidos no filme sueco “O CENTENÁRIO QUE FUGIU PELA JANELA E DESAPARECEU”, cuja exibição de estreia aconteceu em dezembro de 2013 no Festival de Berlim - também foi exibido durante a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. No dia de seu aniversário de 100 anos, Allan Karlsson (Robert Gustafsson) pula a janela da clínica de repouso onde mora e foge por aí, sem destino. A coisa se complica quando ele se apodera de uma mala sem saber do seu conteúdo. Além de ser procurado pela polícia, notificada pela clínica, Allan também será perseguido por uma perigosa gangue. Em sua viagem sem rumo definido, o velho terá a companhia do abobado Benny (David Wiberg) e de Julius (Iwar Wiklander). Os três vão parar na casa de Gunilla (Mia Skäringer), dona de um elefante. Em meio à fuga e a muitas confusões, Allan ainda recorda de sua participação em vários momentos marcantes do Século XX. Ele lutou na Guerra Civil Espanhola, ficou amigo íntimo do generalíssimo Franco, ajudou o físico norte-americano Robert Oppenheimer a desenvolver o projeto da Bomba Atômica, tomou uma bebedeira com o então vice-presidente Harry Truman. Como se não bastasse, foi espião durante a Guerra Fria e ainda conselheiro de Stalin. Tudo bem ao estilo de Forrest Gump. Só por curiosidade, o nome original do filme é “Hundraaringen Som Klev ut Genom Fönstret och Fürsvann” (ufa!) e o roteiro foi baseado no livro homônimo escrito por Jonas Jonasson. O filme é muito divertido e movimentado, criativo e inteligente, servindo como um ótimo entretenimento.                                                                               

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Esperava muito mais de “BROOKLYN”, uma co-produção Irlanda/Inglaterra/Canadá. Afinal, o filme recebeu três indicações ao Oscar 2016 (Melhor Filme, Atriz e Roteiro Adaptado). Não que o filme seja ruim. Longe disso. Mas não passa de um romance açucarado ao estilo dos filmes baseados nos livros do escritor norte-americano Nicholas Sparks. “Brooklyn”, porém, apesar da alta taxa de glicose, foi inspirado no livro homônimo escrito pelo romancista irlandês Colm Tóibin. A história, ambientada nos anos 50, gira em torno de Ellis Lacey (Saoirse Ronan), uma jovem irlandesa que fica dividida entre dois amores e dois países. Ellis deixa a irmã, a mãe e a Irlanda e parte para Nova Iorque atrás de um futuro melhor. Na “Big Apple”, ela se apaixona por Tony Fiorello (Emory Cohen), descendente de italianos. Uma tragédia fará com que ela volte temporariamente à Irlanda, onde conhece Jim Farrell (Domhnall Gleeson), um rapaz refinado e ótimo partido. E agora, Ellis volta para os braços de Tony nos EUA ou fica em sua terra natal e casa com Jim Farrell? Dá-lhe água com açúcar... Vou fazer como Maitê Proença, que prometeu ficar nua em público se o Botafogo fosse rebaixado para a Série B. Se “Brooklyn” ganhar como Melhor Filme, prometo que tiro a  a roupa e coloco a foto no meu Facebook. Quanto ao Oscar de Melhor Atriz, reconheço que a atriz irlandesa Saoirse Ronan pode ficar com a estatueta. Ela realmente está ótima. Além da história romanceada, o filme faz uma homenagem bastante singela e emotiva aos imigrantes irlandeses que trabalharam na construção civil e ajudaram a erguer todos aqueles arranha-céus de Nova Iorque.      
“LOVE AND MERCY” (“Amor e Misericórdia”, em tradução literal), 2015, EUA, direção de Bill Pohlad, é um filme biográfico que explora duas fases da vida do cantor e compositor Brian Wilson. A primeira, no início dos anos 60, quando liderava a banda “The Beach Boys”, um fenômeno da música popular que fez tanto sucesso nos EUA quanto os Beatles. Na segunda fase, o filme dá um salto para 1988, quando Brian Wilson conhece a vendedora de carros Melinda Ledbetter (a bela Elizabeth Banks), mulher que mudaria sua vida. O filme destaca a esquizofrenia de Wilson, doença que o acometeu ainda jovem. Na fase aguda da doença, ele passou a ser tratado pelo médico Eugene Landy (Paul Giamatti), que o entupia de remédios sem alcançar nenhum resultado positivo. Na fase jovem, Wilson é interpretado por Paul Dano, e, na fase adulta, por John Cusack. Ambos, aliás, estão ótimos. O filme também dedica grande espaço à genialidade de Wilson, que, em 1966, deixou de acompanhar o grupo numa turnê internacional para se trancar em estúdio e conceber aquele que seria apontado, mais tarde, como um dos discos mais importantes da música pop: “Pet Sounds”. Segundo o filme, Wilson teve a inspiração ao ouvir o disco “Rubber Soul”, dos Beatles, lançado em 1965. Resumindo: o filme é ótimo. 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

“INFÂNCIA”, do diretor carioca Domingos de Oliveira, tem muito de autobiográfico. Dona Mocinha (Fernanda Montenegro), por exemplo, foi inspirada em Dona Sinhá, avó de Domingos. O filme, baseado na peça “Do Fundo Lago Escuro”, escrita pelo próprio Domingos em 1977, retrata um dia no casarão de Dona Mocinha, no bairro de Botafogo. Parte da família de classe média alta está ali reunida: Conceição (Priscila Rozembaum) e Orlando (Ricardo Kosovski), filhos de Dona Mocinha, Henrique (Paulo Betti), casado com Conceição e procurador de Dona Mocinha, além dos primos Rodriguinho e Ricardinho, este último a praga em pessoa. Entre as conversas, muita lavagem de roupa suja, culminando com a desconfiança da matriarca de que Henrique teria vendido dois terrenos de propriedade da sogra sem autorização. A revelação vai desencadear uma crise no casamento de Henrique com Conceição. A autoritária Dona Mocinha domina o cenário, dando ordens sem parar, além de recordar seus momentos com José, o marido falecido. Admiradora de Carlos Lacerda, Dona Mocinha faz questão de reunir toda a família e empregados em torno do rádio para ouvir as palavras do então jornalista carioca. O elenco conta ainda com Maria Flor e Nanda Costa. Nem é preciso dizer que Fernanda Montenegro é o maior destaque do filme.                                                                           

sábado, 6 de fevereiro de 2016

“DIFRET”, 2014, Etiópia, roteiro e direção do estreante Zeresenay Berhane Mehari. Angelina Jolie assina como produtora executiva (quem mais seria?). Trata-se de um drama sensível e comovente, baseado em fatos reais acontecidos em 1996. A adolescente Hirut Assefa (Tizita Hagere), de 14 anos, vive com a família numa aldeia do interior da Etiópia. Ao receber uma recusa dos pais de Hirut ao seu casamento, o pretendente, ajudado por amigos, resolve sequestrá-la. Ela consegue fugir do cativeiro, depois de violentada, e mata o responsável pelo estupro. Hirut é presa e será julgada. A advogada Meaza Ashenafi (Meron Getnet), que trabalha para uma ONG que defende os direitos humanos das mulheres, assume a defesa da menina. O caso vira comoção nacional e se transforma numa grande polêmica, pois o sequestro de mulheres para casamento é uma tradição secular na Etiópia. A manutenção dessa tradição estará em jogo dependendo do resultado do julgamento de Hirut. Exibido em vários festivais pelo mundo, o filme foi bastante elogiado e até ganhou prêmios, como o do Festival de Sundance (EUA), na categoria “Cinema Dramático Mundial”. Para se ter uma ideia da importância desse reconhecimento, basta dizer que “Difret” é simplesmente o quarto filme realizado na paupérrima Etiópia. Assista e se emocione com o desempenho da jovem atriz Tizita Hagere. Enfim, um filme para encher os olhos. De lágrimas, inclusive. Não perca!                                                                          
O drama canadense “FÉLIX & MEIRA” (“Félix et Meira”), 2014, roteiro e direção de Maxime Giroux, fez parte da programação oficial do 19º Festival de Cinema Judaico de São Paulo, em outubro/novembro 2015. A história, ambientada na comunidade judaica ortodoxa de Montreal (Canadá), é centrada na jovem Meira (Hadas Yaron), casada com o rabino Shulem (Luzer Twersky). Insatisfeita com a rotina de obediência ao marido e à religião, Meira passa os dias cuidando da filha e participando de reuniões com outras mulheres da comunidade hassídica. O marido a proíbe até de escutar algumas músicas que, segundo ele, denigrem a imagem da família. Ao mesmo tempo, Meira recusa-se a manter a tradição das mulheres judias de gerar muitos filhos, o que deixa o marido bastante contrariado. Crise conjugal instalada, Meira, em suas andanças com a filha pelo bairro, acaba conhecendo Félix (Martin Dubreuil), um solteirão solitário e carente em luto pela morte do pai. Da amizade inicial, a coisa extrapola para um romance proibido, o que dá combustível para a segunda metade do filme. O maior destaque do filme vai para o desempenho da atriz israelense Hadas Yaron, conhecida pelo ótimo “A Noiva Prometida”, que lhe valeu o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza/2012. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

“YOUTH” (“La Giovinezza”), 2015, filme mais recente do diretor italiano Paolo Sorrentino (de “La Grande Bellezza”, Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro). Podemos definir este filme somando três adjetivos: onírico, satírico, felliniano. A história gira em torno de alguns hóspedes ilustres de um luxuoso hotel nos Alpes Suíços: Fred Ballinger (Michael Kane), um famoso maestro, sua filha Lena (Rachel Weisz, belíssima), tentando se recuperar de um casamento desfeito, Mick Boyle (Harvey Keitel), um cineasta em busca de um bom roteiro para o seu próximo filme, a atriz Brenda Morel (Jane Fonda), que chega ao hotel apenas para conversar com Boyle, Jimmy Tree (Paul Dano), um ator norte-americano, uma Miss Universo (a estonteante modelo romena Madalena Diana Ghenea) e ninguém menos do que Diego Maradona (Roly Serrano), caracterizado como uma figura patética e grotesca. Não faltarão também, num delírio visual do diretor Boyle, mulheres representando personagens femininas marcantes do cinema. A cada cena, Sorrentino nos presenteia com imagens belíssimas, formando um visual que poucos cineastas são capazes de criar. Para reforçar, o diretor ainda acrescenta cenários e paisagens deslumbrantes dos Alpes Suíços. Embora seja produção italiana, é todo falado em inglês. O filme causou polêmica ao ser exibido no Festival de Cannes 2015, quando disputou a Palma de Ouro. Ao final da exibição, uma parte da plateia aplaudiu de pé. Outra parte vaiou. Se eu estivesse lá, seguiria o pessoal que aplaudiu de pé. Aliás, gostei mais deste do que de “A Grande Beleza”. Faço questão de aplaudir, também de pé, Jane Fonda, que nos poucos minutos em que permanece em cena dá um verdadeiro show de interpretação. Cinema da melhor qualidade.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

“O ENCONTRO” (“Time Out of Mind”), 2015, EUA, roteiro e direção do israelense Oren Moverman (“O Mensageiro”). A história acompanha a rotina do sem-teto George (Richard Gere, que também é um dos produtores) pelas ruas de Nova Iorque, a luta diária para conseguir dinheiro para comer, enfrentar a burocracia dos serviços sociais para tirar documentos e as dificuldades para encontrar vaga nos abrigos nas noites de inverno. George é alcóolatra e sofre de confusão mental. Ele busca uma reaproximação com a filha, Maggie (Jena Malone), que trabalha num bar. Em suas perambulações, George faz amizade com outro morador de rua, Dixon (Ben Vereen), que afirma ter sido um grande músico de jazz, tendo tocado, inclusive, com Bill Evans. Se o filme se arrasta numa monotonia tediosa, fica pior ainda com o surgimento de Dixon, um sujeiro inconveniente que não para de falar um segundo, irritando não só os outros personagens do filme como o próprio espectador. Você vai ver um Richard Gere como nunca se viu na tela. Envelhecido, cara de sujo, inchado, doente. Longe, muito longe, do galã charmoso de tantos filmes. Um filme melancólico, muito triste, desagradável. Difícil recomendar, mesmo com a presença de Gere.

                                                       

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O tráfico de drogas na fronteira EUA/México é o tema central de “SICÁRIO – TERRA DE NINGUÉM” (“Sicario”), 2014, direção do canadense Denis Villeneuve (dos ótimos “Incêndios” e “Os Suspeitos”). A personagem central é Kate Macy (Emily Blunt), agente do FBI recrutada para fazer parte de um grupo encarregado de prender um grande líder de um cartel de drogas mexicano. A equipe é comandada pelo agente da CIA Matt Graver (Josh Brolin) e tem como um de seus integrantes um mercenário sanguinário e violento, Alejandro (Benício Del Toro). Kate começa a discordar dos métodos utilizados pelo grupo, que incluem interrogatórios com torturas, das quais Alejandro é especialista, e assassinatos sumários. A cena inicial é bastante chocante, quando a equipe do FBI comandada por Kate descobre dezenas de cadáveres “emparedados” na casa de um traficante. Outra cena marcante acontece no final. Garotos jogam futebol num campo de areia na periferia da violenta Ciudad Juárez, no México, quando, de repente, ouvem uma rajada de metralhadora. Param o jogo por segundos, prestam atenção e logo voltam a jogar novamente, como se nada tivesse acontecido. O filme é bom, tem ação e suspense do começo ao fim.                           

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Fã dos filmes de Wood Allen, confesso que me decepcionei com o seu mais recente, “HOMEM IRRACIONAL” (“Irrational Man”), 2015. Não é uma comédia, como poderia ter sido, muito menos um romance ou um drama. Está mais para um suspense policial, gênero que Allen já havia adotado em “Crimes e Pecados”, “Match Point” e “O Sonho de Cassandra”, com resultado bem melhor. “Homem Irracional” ficou com a cara daqueles filmes baseados em romances da escritora Patricia Highsmith, com algumas referências a Hitchcock. Em crise existencial e com depressão, o professor de Filosofia Abe Lucas (Joaquin Phoenix) vai lecionar numa universidade de uma pequena cidade. Sua presença agita as jovens alunas, mas apenas uma delas conseguirá uma atenção maior de Abe, a bela Jill (Emma Stone). A professora Rita (Parker Posey) também encontrará um espaço na cama de Abe. Allen explora a Filosofia como a grande fonte dos diálogos, com citações de Sartre, Kierkegaard e Kant. Quem não está acostumado com o tradicional estilo verborrágico de Allen pode não gostar e se cansar de tanto blá-blá-blá. Mesmo não sendo um dos melhores filmes do diretor norte-americano, fica bem acima da média reinante.
Inspirado no romance “The Price of Salt”, escrito por Patrícia Highsmith – o que já é um bom começo -, o drama “CAROL” conta a história do envolvimento amoroso de duas mulheres nos anos 50. Uma delas é Carol (Cate Blanchett), mulher refinada da sociedade nova-iorquina que está em processo de divórcio. A outra é Therese Belivet (Rooney Mara), vendedora de uma loja de departamentos. A atração entre ambas acontece no dia em que Carol vai comprar um presente para sua filha pequena e é atendida por Therese. O romance entre as duas enfrentará muitas barreiras, a pior delas do marido de Carol, Harge Aird (Kyle Chandler), que consegue a guarda da filha mediante a acusação de que sua esposa tinha e tem casos com outras mulheres, uma delas Abby (Sarah Paulson) e agora Therese. O que mais impressiona no filme é o esmero visual criado pelo diretor Todd Haynes (“Longe do Paraíso” e “Não Estou Lá”). Fotografia, cenários, figurinos e até o recurso de misturar ambientes em P/B com pessoas e objetos em cores. Tudo feito com classe, requinte e elegância. O filme é ainda valorizado pela atuação espetacular da dupla principal de atrizes, Cate Blanchett e Rooney Mara. Não foi à toa que o filme recebeu 6 indicações para o Oscar 2016 (Atriz, Atriz Coadjuvante, Fotografia, Trilha Sonora, Roteiro Adaptado e Figurinos). Achei injusto não ter sido indicado para “Melhor Filme” e “Melhor Diretor”. O filme é ótimo, tanto que, ao final de sua exibição de estreia no Festival de Cannes 2015, foi aplaudido de pé.