quarta-feira, 7 de maio de 2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
“Bekas”,
co-produção Suécia/Curdistão, 2012, é um
drama dos mais comoventes, sem deixar de ser sensível e alegre. Conta a
história dos irmãos Zana (Zamand Taha) e Dana (Sarwar Fazil), garotos órfãos
que vivem nas ruas de uma pequena cidade no Curdistão (norte do Iraque), um cenário
de extrema pobreza. O ano é 1990, no auge da perseguição de Saddam Hussein aos
curdos. Quando o filme “Superman” foi exibido no cinema local, Zana e Dana
encontram um jeito de assistir por uma fresta no telhado. Mas logo são
descobertos e expulsos. Pelo pouco que viram do filme, eles chegam à conclusão
que o Superman é a solução para os seus problemas. “Ele tem poderes para ressuscitar
nossos pais”, diz um irmão para o outro. Decidem, então, ir para a América. “É
lá que ele mora”. Zana e Dana conseguem comprar um burro para levá-los nessa
viagem. Eles o chamam de “Michael Jackson”. Aí começa uma grande aventura para
os garotos, onde não faltarão momentos hilariantes, como quando encontram um
agricultor analfabeto e tentam explicar a viagem. Mas o grande trunfo do filme
é a amizade, o amor e o carinho entre os irmãos. O diretor curdo Karzan Kader,
ainda criança, fugiu com a família para a Suécia no ínicio dos anos 90 e lá
mora até hoje (o que explica a co-produção). As filmagens aconteceram no
Curdistão e o elenco foi formado por atores amadores, incluindo os dois
garotos. O filme estreou no Festival de Cinema de Dubai/2012. Concluindo, “Bekas” é uma joia rara do cinema
mundial. Imperdível!
segunda-feira, 5 de maio de 2014
“A Pedra da Paciência” (“Syngue Sabour”), co-produção Afeganistão/França, 2012, dirigido por
Atiq Rahimi. A história é baseada no livro “Syngue Sabour. Pierre de Patience”,
escrito pelo próprio diretor afegão em 2008. Numa cidade do interior do
Afeganistão dominada pelos talibãs, uma mulher (a bela e competente atriz iraniana
Golshifteh Farahani) cuida do marido em estado vegetativo, vítima de um tiro na
nuca. O ambiente é de extrema pobreza e muito violento, com franco-atiradores nos
telhados, atentados à bomba e tiroteios diários. A mulher leva as duas filhas
pequenas para a casa da tia (Hassina Burgan), que vive ao norte da cidade. Ela
desabafa com a tia e diz que não aguenta mais a vida de pobreza que leva, além
de cuidar do marido em coma. A tia conta a história de pessoas que relatam seus
problemas para uma pedra (a tal “Pedra da Paciência”) e que, um dia, essa pedra vai
acabar estourando. Quando esse dia chegar, a pessoa estará totalmente liberta
de tudo que a aflige. A mulher segue o conselho da tia, só que, ao invés da
pedra, desabafa com o marido em coma. Ela faz um resumo da história da sua vida
e não poupa sua decepção com o casamento e culpa o marido que, segundo ela,
nunca lhe deu atenção e nunca a ouviu. “Estou casada há dez anos com você e só
agora eu consigo falar”. Esses desabafos vão ocupar grande parte do filme, sem
deixá-lo monótono ou cansativo, graças, principalmente, à excelente atuação de
Farahani. O filme torna-se ainda mais interessante ao mostrar algumas tradições
da sociedade afegã e do mundo muçulmano em geral. Um belo filme que merece ser
conferido. domingo, 4 de maio de 2014
“Zulu”, 2013, co-produção
França/África do Sul, é um policial da pesada. O Departamento de Polícia da Cidade
do Cabo investiga o assassinato de uma jovem encontrada morta na praia. A
vítima foi espancada violentamente e ficou desfigurada. Encarregados do caso, o
capitão Ali Sokhela (Forest Whitaker) e o detetive Brien (Orlando Bloom) vão
enfrentar bandidos violentos e sádicos - perto deles, o nosso PCC vai parecer Congregação Mariana. Durante as investigações, os policiais descobrem uma conexão entre a morte da moça e uma organização criminosa que
produz, em laboratório, uma substância química que ativa a agressividade. Os
testes são feitos com crianças das favelas da Cidade do Cabo (viu que bonzinhos?). A violência corre
solta e lá, como aqui, a polícia não dá conta de tanto bandido. Igualmente, os
bandidos de lá também não têm medo da polícia. Para se ter uma ideia, um colega
policial de Ali e Brien tem o braço decepado e é degolado na frente da dupla
sem a menor cerimônia. O filme, dirigido pelo francês Jérôme Salle, foi escolhido
para ser exibido na sessão de encerramento do Festival de Cannes 2013. “Zulu” tem todos os ingredientes de um bom filme policial:
um enredo interessante, dupla de policiais problemáticos, muita violência,
perseguições, tiros e bandidos de dar medo. Ah, tem também mulher pelada. Prepare o sacão de pipoca e aperte
o Play. sábado, 3 de maio de 2014
“A Jaula de Ouro”
(“La Jaula de Oro”), 2013, México, conta a odisseia de Juan, Sara e Samuel, jovens
recém-saídos da adolescência, que um dia resolvem abandonar sua vida miserável
numa favela da Guatemala e emigrar, clandestinamente, para os Estados Unidos,
atravessando o México. No meio da viagem, incorpora-se ao trio o jovem índio
Chauk. Como meio de locomoção, eles sobem em vagões de trens de carga, onde se
juntam a centenas de hondurenhos, nicaraguenses, mexicanos etc. Durante o
percurso, muitas situações de perigo vão acontecer e nem todos chegarão ao
destino. O diretor Daniel Quemada-Diez optou por um estilo quase documental,
mostrando inúmeras vezes, em close, os rostos dessas pessoas tão sofridas e cheias
de esperança. Todos os atores envolvidos no filme são amadores, o que, segundo
o diretor, reforçou a autenticidade dos personagens. Os três principais, por
exemplo, foram selecionados entre 6 mil jovens da Guatemala. Não há dúvida de que Daniel recebeu forte influência dos estilos de Ken Loach, Fernando Meirelles e Alejandro Gonzalez Iñarritu, diretores com os quais trabalhou em várias produções. "Jaula de Ouro" integrou a
Mostra “Um Certain Regard” do Festival de Cannes 2013 e participou, com
destaque, da 37ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme
deixa bem claro, em seu desfecho, que, mesmo nos EUA, o sonho americano continuará bastante distante para essa gente.
O
filme justifica plenamente o título estranho: “Emanuel
e a Verdade sobre Peixes” (“Emanuel and
the True about Fishes”), EUA, 2013. Trata-se de um drama meio fantasioso tratado
como suspense. A esquisitice já começa pelo personagem principal, Emanuel, normalmente
um nome masculino e que, no filme, é o nome da jovem de 17 anos (Kaya
Scudelario) que mora com o pai e a madrasta e vai trabalhar como babá na casa
de uma nova moradora da rua, Linda (Jessica Biel). Para surpresa de Emanuel, o
bebê não passa de uma boneca, fruto da obsessão de Linda depois da morte de seu
bebê uns anos atrás. Passado o susto inicial, Emanuel acaba se afeiçoando ao “bebê” e criando
um elo muito forte com Linda. Em meio a esse enredo, Emanuel sofre de alucinações
em que se vê submersa no mar ou num lago, além de ver água invadindo os
ambientes da casa. Com tanta água, é possível que o espectador termine o filme “boiando”,
sem entender muito bem o que aconteceu. Essa produção independente estreou no
Festival de Sundance 2013 e ainda traz no elenco Alfredo Molina e Francis O’Connor.
É o segundo filme da diretora ítalo-americana Francesca Gregorini (“Os Segredos
de Tanner Hall”, de 2009, foi o primeiro). Vale a pena conferir por curiosidade.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
quinta-feira, 1 de maio de 2014
“Garotos de Abu Ghraib” (“Boys de Abu Ghraib”), EUA, 2013, não é um entrenimento dos mais
agradáveis. Afinal, a história quase inteira é filmada dentro da prisão de Abu
Ghraib, no Iraque, aquela mesma que ficou famosa no mundo inteiro por mostrar
fotos de soldados norte-americanos humilhando e torturando seus prisioneiros,
em sua maioria terroristas árabes. Aliás, tem tudo a ver com esse filme. Vamos a ele: o
soldado Jack Farmer (Lucas Moran, que também escreveu o roteiro e dirigiu), de
22 anos, é enviado ao Iraque junto com um pelotão encarregado de fazer a
manutenção dos veículos do Exército, cuja “oficina” fica no interior das
instalações de Abu Ghraib. A missão estava prevista para durar seis meses, mas
acabou se estendendo por um ano. Cansado da rotina de consertar motores e
suspensões e de vez em quando fugir de morteiros, Jack pede ao seu comandante
para ser escalado nos plantões dentro da ala onde estão presos os terroristas.
Essa experiência vai levar Jack ao limite do estresse e modificar totalmente o
seu comportamento e o seu modo de pensar a respeito dos terroristas. Quem não
tiver o estômago forte, não veja. Mas quem tiver e assistir, verá um filme muito
bom. quarta-feira, 30 de abril de 2014
“Parada em pleno curso” (“Halt
auf freier Strecke”), 2011, é um drama alemão realista e muito comovente. Começa
o filme com Frank Lange, de 42 anos, ao lado da esposa, Simone, ouvindo o diagnóstico
do médico: tumor maligno na cabeça em local inoperável. Mesmo com radioterapia
e quimioterapia, alguns meses de vida. A partir daí, o filme vai mostrar o dia-a-dia
da família (o casal e dois filhos, um de 14 e outro de 8 anos) e como vão
enfrentar a trágica situação até a morte de Frank. Vai mostrar, por exemplo, a
inocência de uma criança de 8 anos ao ter que lidar com a situação. O garoto
pergunta a Frank se ele vai morrer mesmo. Frank responde que sim. E o filho
pergunta: “Você me dá o seu iPhone?”. O diretor Andreas Dresen faz com que o
espectador tenha a sensação de participar de cada momento angustiante, de
interagir emocionalmente com o doente e sua família. Estamos lá na hora em que
o médico dá o diagnóstico fatal, estamos lá nas consultas com psicólogos, vivenciamos
a visita que o casal faz à empresa de cremação para escolher o caixão e a
trilha sonora (ele escolhe The Cure e Nirvana) e acompanhamos de perto todo o
processo do avanço da doença. Sem dúvida, quem já passou por uma situação
semelhante vai se emocionar ainda mais. Com exceção de Milan Peschel, que vive
Frank, e Steffi Kühnert (Simone), o restante do elenco é formado por amadores. Aliás,
os médicos, psicólogos e enfermeiros que aparecem no filme são os mesmos
profissionais na vida real. Aí você vai compreender a frieza com que o médico
dá o diagnóstico do câncer na cena inicial. Um ator não conseguiria ser tão
frio. O filme estreou no Festival de Cannes em 2011 e ganhou o prêmio “Um Certain
Regard”. Um filme capaz de nos fazer refletir e emocionar.
terça-feira, 29 de abril de 2014
“Passagem para a Vida” (“The Man on the Train”), Canadá, 2011, é um remake do fran cês
“L’Homme du Train”, de 2002, este último dirigido por Patrice Leconte. Os dois
são ótimos filmes. Se no original havia o grande ator Jean Rochefort fazendo o
personagem do professor de literatura, neste último temos o ótimo Donald
Sutherland. Se no francês o homem misterioso era Johnny Hallyday, no canadense
é Larry Mullen Jr., fundador e baterista da banda U2. Como se vê, ambos ligados
à música. Sutherland é professor aposentado de literatura que dá aulas
particulares numa pequena cidade. O misterioso Mullen chega – de trem, daí o
título – e, ao comprar comprimidos para dor de cabeça numa farmácia, conhece o
professor. Como o hotel da cidade está fechado, o estranho é convidado pelo
professor a ficar em sua casa, uma antiga mansão isolada. O professor acaba
descobrindo que a visita do seu hóspede à cidade não tem, vamos dizer, um objetivo
turístico. Na verdade, ele está envolvido com uma quadrilha que quer roubar o
banco local. O filme tem um ritmo bastante lento e é dirigido por Mary
McGuckian como se fosse uma peça teatral. Seus trunfos são os ótimos diálogos, nos
quais se destacam a erudição e as citações literárias do professor, o desfecho
surpreendente e inesperado, além do trabalho excepcional dos atores, principalmente Sutherland. Um
filme acima da média feito para um público idem. segunda-feira, 28 de abril de 2014
“O último amor de Mr.
Morgan” (“Mr. Morgan’s last Love”) é uma co-produção Bélgica/Alemanha/França/EUA de 2013. O grande Michael Caine faz um professor
aposentado que mora em Paris e está deprimido pela recente morte da esposa. Ele
conhece uma jovem professora de dança (a atriz francesa Clémence Poésy), também
deprimida pela morte do pai. Pronto: juntou a fome com a vontade de comer, esta
última do Mr. Morgan. É um filme simpático e que tem lá seus momentos de humor,
principalmente quando Mr. Morgan vai à academia da moça e ensaia uns passos de
dança.
“Vento do Oeste” (“Westwind”),
2011, Alemanha. O filme até que começa interessante. 1988, portanto um ano
antes da queda do Muro de Berlim. Dooren (Friederick Becht) e Isabel (Luise
Heyer) são irmãs gêmeas, moram na Alemanha Oriental e são duas grandes
promessas do remo. Convocadas por seu treinador, elas viajam para um campo de férias
na Hungria, onde deverão se submeter a um treinamento rigoroso com vistas a uma
importante competição que será realizada em Berlim. Durante a viagem, porém,
elas se atrasam no banheiro de um posto e perdem o ônibus. Ao pedir carona na
beira da estrada, elas conhecem os jovens Arne e Nico, da Alemanha Ocidental,
que estão em férias. A partir da chegada de Isabel e Dooren ao campo de
treinamento, o filme vira uma sessão da tarde ao estilo daquelas produções água
com açúcar da Disney, com direito a namoricos escondidos, alguém tocando violão
para os jovens em volta da fogueira e chiliques de meninas mimadas. Surpresa
verificar que o diretor, Robert Thalheim, é o mesmo do ótimo “À Espera de
Turistas”.
domingo, 27 de abril de 2014
“A Pele de Vênus” (“Venus in Fur”) foi o primeiro longa realizado por Roman Polanski depois de ter ficado preso dois
meses na Suiça no final de 2009. O filme tem apenas dois atores que atuam num
teatro vazio. Vanda (Emmanuelle Seigner) chega atrasada ao teatro para
participar de um teste para protagonista da peça “Venus in Fur”. O diretor
Thomas (Mathieu Amalric) está quase saindo e, muito a contragosto, acaba
concordando em conceder uma audição àquela estranha. A partir daí os diálogos entre
Thomas e Vanda misturam-se aos da peça escrita em 1870 pelo dramaturgo
austríaco Leopold Sacher-Masoch (o termo masoquismo vem do seu sobrenome). Para
surpresa de Thomas, Vanda conhece o texto inteiro e ainda dá sugestões de
iluminação, figurinos e cenário. Como na peça de Masoch, o filme explora o tema da dominação,
o que explica a total submissão de Thomas diante de Vanda. Só para relembrar: na
vida real, Emmanuelle Seigner é esposa de Polanski. Não estou insinuando nenhum
tipo de proteção, pois ela sempre foi uma ótima atriz. Recomendo esse filme apenas
para estudantes ou artistas de teatro. As demais categorias, como a minha
(jornalista), vão achar chatérrimo.
“Refém da Paixão” (“Labor
Day”), EUA, 2013, é um drama baseado no livro “Fim de Verão”, de Joyce Maynard,
que situa a ação nos dias que antecedem o feriado do Dia do Trabalho (Labor
Day) na cidade de Holton Mills (New Hampshire), em 1987. Adele (Kate Winslet) e
seu filho Henry (Gattlin Griffith) estão num supermercado fazendo compras quando
um homem, Frank (Josh Brolin), diz que está ferido (ele é um presidiário que
acaba de fugir do hospital) e pede ajuda. Como ele está com as mãos no pescoço
do menino, com um semblante ameaçador, Adele não tem como resistir. Leva-o para
casa. Frank vai provar que não é tão perigoso
quando os noticiários da TV fazem crer, caindo nas graças de mãe e filho. Divorciada,
solitária e infeliz, Adele vê a chegada de Henry como uma companhia adulta para
conversar e até como um complemento à sua vida sentimental frustada. Henry
sente a falta da presença do pai, que só vê aos finais de semana, mas é obrigado
a dividir sua atenção com os meio-irmãos. Frank, porém, dedica toda a sua
atenção ao garoto, ensinando-lhe alguns truques de beisebol, a consertar o
carro e a fazer uma torta de pêssegos. O que se imaginava no início um
sequestro, acaba virando uma cumplicidade familiar e uma paixão entre Adele e
Frank. Como isso tudo vai terminar, só assistindo ao filme. A direção é de Jaison
Reitman (de “Juno” e “Amor sem Escalas”).
Confesso
que fui adiando a decisão de assistir “12 Anos de Escravidão” (“12 Years a Slave”). Nem mesmo depois que
ganhou o Oscar 2014 me deu vontade de vê-lo. Afinal, você sabe que vai estar
diante de uma história triste, de muito sofrimento, maldades, torturas,
humilhações, espancamentos etc. Resolvi respirar fundo e encarar finalmente a
saga verídica de Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um cidade americano livre, que é sequestrado em 1841 e
vendido como escravo para trabalhar em plantações na região da Louisiana, onde
vai servir a dois senhores, um deles o violento Edwin Epps (Michael Fassbinder).
Solomon só será libertado 12 anos mais tarde por um advogado. Logo depois ele
decide escrever suas memórias sobre essa triste e sofrida trajetória. O filme,
dirigido por Steve McQueen, foi todo baseado nesse relato de Solomon. Sem
dúvida, é um filme forte e impactante, muito bem feito, mas talvez tenha sido
um exagero – um “mea culpa” dos americanos? - ter sido escolhido como
Melhor Filme do Oscar, assim como o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para
Lupita Nyong’o. A Academia exagerou no “politicamente correto”.
“Rolou uma Química” (“Better
Living through Chemistry”), EUA, 2013, é uma comédia dirigida pela dupla Geoff
Moore e David Posamentier. Conta a história de Douglas Varney (Sam Rockwell),
um farmacêutico em crise no casamento com Kara (Michelle Monaghan), que só pensa em sua
academia de ginástica e em participar de provas de ciclismo. Além disso, Varney
enfrenta problemas com o comportamento nada normal do filho pré-adolescente,
que se transformou no terror da escola. Em meio a essa fase turbulenta, Varney
conhece Elizabeth Roberts (Olivia Wilde), uma bela e infeliz dona de casa
viciada em álcool e remédios. Varney também começa a manipular fórmulas de drogas
estimulantes e acaba viciado como Elizabeth. Logo, Varney e Elizabeth começam a
ter um caso, que se torna ainda mais complicado e perigoso quando decidem planejar o
assassinato do marido dela (Ray Liotta). A partir daí, Varney vai se meter em
muitas confusões, o que melhora um pouco o humor do filme, até então motivador de um ou outro sorriso amarelo. Apesar do nome
de Jane Fonda aparecer nos créditos principais, ela tem apenas uma aparição
rápida no final. Se o filme já não é tão bom, pior mesmo é o título que
inventaram em português.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
"Eu, Mamãe e os Meninos” (“Les
Garçons et Guillaume, à table!”) não é uma comédia como outras que estamos
acostumados a assistir. Está mais para um filme “de arte” e, portanto, talvez
agrade a um público mais restrito. Mas, sem dúvida nenhuma, é um filme bastante
original, criativo, sensível e, ao mesmo tempo, muito divertido. O filme foi escrito,
dirigido e interpretado por Guillaume Gallienne – ele faz dois protagonistas –
e é uma adaptação de um monólogo que ele próprio escreveu e apresentou no
teatro em 2008, com grande sucesso. A história é autobiográfica e conta como
Guilhaume foi criado pela mãe para ser uma menina. “Quanto tinha uns cinco anos,
minha mãe nos chamava - eu e meus irmãos - para almoçar gritando ‘Meninos e
Guillaume, na mesa!’, lembra ele. Até
descobrir em definitivo sua identidade sexual, Guilhaume vai descrever algumas
situações hilariantes. Numa delas, ele é surpreendido pelo pai em seu quarto imitando a Imperatriz Sissi, com saia rodada improvisada
com um edredon e um pulover amarrado na cabeça como se fosse uma enorme peruca
da época. O filme ganhou, em 2013, o Prêmio Cesar, o Oscar francês, em cinco categorias, entre elas a de melhor
filme, melhor ator e melhor roteiro adaptado. No Brasil, estreou em abril de
2014 como uma principais atrações do 5º Festival Varilux do Cinema Francês,
promovido em São Paulo. É um ótimo filme, muito inteligente, que merece ser
visto por quem aprecia cinema de qualidade.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
“Real” (“Riaru:
Kanzen naru Kubimagaryû no hi”) é um filme japonês de 2013, misto de ficção
científica, suspense, terror e fantasia. A desenhista de mangás Atsumi (Hauka
Ayase) está em coma há um ano. Seu namorado, Koichi (Takeru Satô), concorda em
participar de um experimento que vai permitir que ele entre na mente de Atsumi por telepatia e descubra os motivos que a levaram a tentar se matar. Quando a
conexão é feita com sucesso, Koichi e Atsumi voltam a se encontrar num plano
que não é real. Aliás, a partir daí, Koichi começa a ter alucinações e
confundir a imaginação com a realidade - o espectador também. Aí começam aparecer os mortos-vivos –
que, segundo a médica explica quando Koichi acorda, são “zumbis filosóficos”
(???). Nas indas e vindas à mente de Atsumi, Koichi volta ao passado e tenta
achar, a pedido dela, o desenho de um Plesiossauro, um réptil gigante que viveu
em outras eras. Os dois também querem identificar o fantasma de um garoto que
aparece para assustá-los. E por aí vai esse filme fantasioso, com direito até a uma reviravolta meio absurda quase no final e à aparição de um Plesiossauro no tamanho natural para atormentar ainda mais a vida do casal. O diretor do
filme é Kiyoshi Kurosawa, que, por sinal, não tem nenhum parentesco com o grande
Akira Kurosawa. Para alívio dos cinéfilos de plantão e do próprio mestre...
terça-feira, 22 de abril de 2014
Não
é sempre que aparece um filme tão bom como “Run & Jump”. Ainda mais vindo da Irlanda, cuja produção
cinematográfica é bastante limitada. Mas esse drama, produzido em 2013, é uma
joia rara, um filme tocante e sensível. Começa com Conor (Edward Maclian)
voltando para casa depois de ficar internado durante cinco meses em
consequência de um AVC, que o deixou com amnésia, o lado esquerdo paralisado e
dificuldades de se expressar. Vanetia (Maxine Peake), sua esposa, e os dois
filhos, de 14 e 8 anos respectivamente, terão de se adaptar ao “novo papai”. Durante
os dois primeiros meses, o médico neurologista norte-americano Ted Fielding (Will
Forte) vai morar com a família para documentar o processo de recuperação de Conor.
Um quadro como esse poderia resultar num filme triste e baixo astral. Pelo
contrário, trata-se de um filme bem-humorado, até mesmo divertido em alguns
momentos, graças, principalmente, a Vanetia, que não se deixa abater e enfrenta
a situação com firmeza, otimismo e, acredite, com bom-humor. A maravilhosa
atuação de Maxine Peake dá ainda mais vigor à personagem. É o primeiro filme da
diretora Steph Green, que também escreveu o roteiro juntamente com Ailbhe
Keogan. Provavelmente, não será exibido no circuito comercial dos nossos cinemas, o que é uma pena. Não dá para perder um filme como esse!
A
crise financeira que atingiu os EUA em 2008 levou muita gente à falência.
Milhares de investidores, grandes e pequenos, perderam grande parte ou todo o
seu dinheiro, muitos deles vítimas da má fé de corretores, bancos e
financeiras. “Um Homem contra Wall Street” (“Assault on Wall
Street”), produção canadense de 2013 dirigida por Uwe Boll, aproveita esse cenário
para inserir a história de Jim Baxford (Dominic Cooper), ex-combatente do
exército e funcionário de uma empresa de segurança. Ele perde todo o dinheiro
que investiu a vida inteira. Desesperado, ainda mais pela condição de sua
mulher que precisa de remédios, Jim procura o corretor que aplicou o seu
dinheiro, vai falar com um gerente de banco para tentar um empréstimo, com um
advogado para saber se é possível recuperar seu dinheiro por via judicial e até
com um promotor de justiça para tentar impedir que sua casa seja penhorada. Por
uns, é recebido com desculpas. Por outros, nem é recebido. O advogado ainda lhe
tira mais dinheiro. Em meio a essa situação desesperadora, Jim ainda vai ter
que enfrentar um trágico acontecimento familiar. A partir daí, ele se enche de
razão e fúria para se vingar de todos aqueles que o prejudicaram, incluindo os
que estiverem por perto. É tiro que não acaba mais.segunda-feira, 21 de abril de 2014

Embora
tenha participado de algumas superproduções como, por exemplo, os dois filmes
do Capitão América, o ator inglês Dominic Cooper só conseguiu um papel
destacado em “Dublê do Diabo” (2011), pelo qual merecia o Oscar de melhor ator.
Em “Reasonable Doubt” (no sentido literal, “Dúvida Razoável”, mas ainda sem tradução no Brasil),
suspense canadense de 2013, ele é Mitch
Brockden, um promotor em ascensão que, ao sair bêbado de um bar com amigos,
atropela um homem e foge. No dia seguinte, fica sabendo que a sua vítima foi
encontrada morta dentro do carro de Clinton Davies (Samuel L. Jackson), que
passa a ser acusado pela morte do homem. Davies vai a julgamento e o promotor
que vai acusá-lo é justamente Mitch. Como condenar alguém que você sabe que é
inocente? Esse dilema de Mitch, porém, não dura muito, pois vai descobrir que Davies
não é tão santo quanto parece. Só que, ao começar a pegar no pé de Davies,
Mitch vai colocar em risco não apenas a sua vida, mas também a da sua família. Desta vez, Dominic passa longe do ótimo ator que é. Jackson, porém, está ótimo como vilão. O
filme até que funciona bem como suspense, pois prende a atenção do começo ao
fim. Mas poderia ser muito melhor.
“Flores Raras”,
2012, é um filme nacional dirigido por Bruno Barreto (“Bossa Nova”, “Dona Flor
e seus dois Maridos”). Conta a história verídica da relação amorosa da poeta
norte-americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto) com a arquiteta brasileira Lota
de Macedo Soares (Glória Pires). Tudo começou em 1951, quando Bishop, em crise
criativa, resolve vir ao Brasil para visitar sua amiga Mary (Tracy Middendorf),
que na época morava e namorava com Lota na casa da arquiteta, em Petrópolis. Ao
chegar, Bishop teve dificuldade para se adaptar ao jeito expansivo dos brasileiros,
que confundiram sua enorme timidez com arrogância. Mas, aos poucos, ela foi se
soltando, principalmente depois de começar um caso com Lota, provocando uma
enorme crise de ciúme por parte de Mary. O filme apresenta muitos fatos
interessantes como, por exemplo, a inspiração de Bishop para escrever o poema
que escreveu e pelo qual conquistou o Prêmio Pulitzer em 1956. Ou então o
trabalho de Lota na idealização e construção do Parque do Flamengo. Outro fato
interessante é a amizade entre Lota e Carlos Lacerda (Marcello Airoldi), que também
se tornou grande amigo de Bishop. O filme é muito bom, imperdível pela história
em si, pela reconstituição de época e ainda mais pelo desempenho das duas
atrizes principais. Com seus trejeitos masculinos – aperfeiçoados desde “Se eu
fosse você” -, Glória Pires está ótima como Lota. Mas é a atriz australiana Miranda
Otto que dá um verdadeiro show de interpretação.
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