No
começo dos anos 80 foram descobertos enormes depósitos de óleo e gás a 500
metros de profundidade no litoral da Noruega, Mar do Norte. Diante dessa
descoberta, o governo norueguês contratou e treinou mergulhadores profissionais
para descer àquela profundidade e viabilizar a instalação de dutos para transferir
os materiais para a superfície. Os mergulhadores pioneiros, que arriscaram suas
vidas nessas perigosas missões, foram considerados heróis nacionais. O suspense
norueguês “Mergulho Profundo” (“Pionner”), 2012, aproveita esse contexto
histórico para contar a tragédia vivida por Petter (Aksel Hennie), mergulhador
profissional que participou de uma das primeiras missões juntamente com o irmão
Knut (André Eriksen). Num acidente de causas inexplicáveis, Knut morreu. Revoltado,
seu irmão Petter não vai descansar enquanto não descobrir e denunciar os responsáveis
pelo acidente, nem que arrisque sua vida enfrentando forças poderosas. Não há
qualquer indicação de que o acidente realmente aconteceu. O que fica claro é que
os mergulhares sempre corriam um grande risco nessas missões, como comprova uma
pesquisa médica feita anos depois. Segundo essa pesquisa, 240 ex-mergulhadores
do Mar do Norte sofreram danos cerebrais, além de doenças pulmonares e transtornos
de estresse pós-traumático. A briga judicial por indenizações dura até hoje.segunda-feira, 21 de abril de 2014
No
começo dos anos 80 foram descobertos enormes depósitos de óleo e gás a 500
metros de profundidade no litoral da Noruega, Mar do Norte. Diante dessa
descoberta, o governo norueguês contratou e treinou mergulhadores profissionais
para descer àquela profundidade e viabilizar a instalação de dutos para transferir
os materiais para a superfície. Os mergulhadores pioneiros, que arriscaram suas
vidas nessas perigosas missões, foram considerados heróis nacionais. O suspense
norueguês “Mergulho Profundo” (“Pionner”), 2012, aproveita esse contexto
histórico para contar a tragédia vivida por Petter (Aksel Hennie), mergulhador
profissional que participou de uma das primeiras missões juntamente com o irmão
Knut (André Eriksen). Num acidente de causas inexplicáveis, Knut morreu. Revoltado,
seu irmão Petter não vai descansar enquanto não descobrir e denunciar os responsáveis
pelo acidente, nem que arrisque sua vida enfrentando forças poderosas. Não há
qualquer indicação de que o acidente realmente aconteceu. O que fica claro é que
os mergulhares sempre corriam um grande risco nessas missões, como comprova uma
pesquisa médica feita anos depois. Segundo essa pesquisa, 240 ex-mergulhadores
do Mar do Norte sofreram danos cerebrais, além de doenças pulmonares e transtornos
de estresse pós-traumático. A briga judicial por indenizações dura até hoje.sábado, 19 de abril de 2014
“Quando chama o Coração” (“When calls
the Heart”), EUA, 2013, é o filme piloto que deu origem à série de TV que
começou a ser exibida em janeiro de 2014 pelo Hallmark Channel. Pelo aperitivo,
já dá para perceber que é uma produção de época (início do Século XX)
tipo novela das seis da Globo. Ou seja, um romance “água com açúcar” – com muito
mais açúcar do que água. A jovem Elizabeth Thatcher (Poppy Drayton) - nada a ver com a Dama de Ferro -, uma das três
filhas de um milionário nova-iorquino, resolve ser professora e começa a
procurar emprego. Numa noite, vasculhando a enorme biblioteca da casa, encontra
o diário escrito por sua tia Elizabeth (Maggie Grace), irmã do seu pai, que
conta sua aventura como professora numa longínqua cidade do Oeste, perto da
fronteira com o Canadá, num lugar chamado Vale do Carvão. Em seu relato, a tia ainda
conta sobre sua paixão por um oficial da Polícia Montada, Wynn Delaney (Stephen
Amell). Em flashback, o filme mostra as cenas da tia conforme os fatos
relatados no diário. Entusiasmada com a experiência da tia, Elizabeth se enche
de coragem e decide ir para o mesmo lugar. O filme piloto termina com a jovem chegando
à cidade, realmente um fim de mundo. A história é baseada no romance “Love
Comes Sofity”, de Janette Okke.

“Filhos do Divórcio” (“A.C.O.D. – Adult Children of Divorce”), EUA, 2013, é uma comédia bem
legal. Carter (Adam Scott) já passou dos
trinta anos e ainda carrega consigo o trauma da separação dos pais, fato que
aconteceu há muitos anos. A relação de Hugh (Richard Jenkis), o pai, com Melissa
(Catherine O’Hara), a mãe, sempre foi turbulenta, com brigas homéricas, nas quais
xingamentos e palavrões eram bastante comuns. Depois da separação, porém, nunca mais se
viram. Ele casou mais duas vezes e ela vive um casamento estável com um cara
bonachão. As coisas pareciam estar em seus devidos lugares quando, de repente, o
irmão mais novo de Carter resolve se casar. Carter vai pedir aos pais que concordem
em ir ao casamento do irmão e que aturem a presença um do outro. Pronto, bastou
para iniciar uma série de confusões envolvendo toda a família. Um jantar num
restaurante japonês – a noiva do irmão de Carter é japonesa – reunindo as duas
famílias é um dos pontos altos da comédia, que ainda tem no elenco a gata
Jessica Alba, Amy Poehller e Jane Linch. A direção é de Stuart Zicherman. Um
bom programa para uma sessão da tarde.
“Diário Perdido” (“Mères
et Filles”), 2009, é um drama francês dirigido por Julie Lopes-Curval. Não que
o título em português seja ruim, mas o original em francês, “Mães e Filhas”, é
mais condizente com a história. Audrey (Marina Hands) viaja do Canadá, onde
trabalha há anos, para a França com o objetivo de visitar os pais, Martine
(Catherine Deneuve) e Michel (Michel Duchaussoy), que moram num vilarejo à
beira-mar. Percebe-se desde o início que Martine é uma mulher amargurada e que
sua relação com a filha não é das melhores. Audrey aproveita para rever a casa onde moravam
os avós, fechada após a morte do avô. Escondido atrás de um velho armário, ela
acha um diário escrito por Louise, sua avó. Entre receitas culinárias e
anúncios de revistas dos anos 1950, Audrey encontra o relato de uma mulher infeliz
no casamento e disposta a dar uma guinada em sua vida. Até as revelações do
diário, a história “oficial” contada pela mãe Martine era a de que Louise havia
fugido de casa, abandonando o marido e os filhos, talvez por causa de um amante.
Ao ler e interpretar os fatos narrados no diário, Audrey vai descobrir que a
história aconteceu de forma diferente, o que fará com que o desfecho do filme
seja bastante surpreendente. Muito bem utilizado pelo diretor o recurso de fazer
com que Andrey interaja com os personagens do passado na mesma cena, tornando
reais os fatos como ela imagina terem acontecido. O filme é ótimo e merece ser
visto.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
O suspense policial francês “Assassinato
em 4 Atos” (“Le
Marque des Anges – Miserere), 2013, dirigido por Sylvain White, apresenta uma
trama bastante fantasiosa (nazistas fazendo experiências médicas em
prisioneiros políticos no Chile, crianças cujo canto estoura os tímpanos das
pessoas etc.). A história, baseada no romance de Jean-Christophe Grange, começa
com o assassinato de um maestro de um coral de crianças. Ele é encontrado com
os tímpanos estourados. A polícia francesa começa a investigar os motivos dessa
morte. Paralelamente, de forma não oficial, também passam a investigar o crime
o policial Frank Salek (Joey Starr) e o ex-policial Lionel Kasdan (Gérard
Depardieu). Frank tem um fato do passado como motivo para tentar a captura do
assassino e Kasdan vê nesse trabalho um bom motivo para sair da letargia de sua
recente aposentadoria. A dupla vai descobrir uma forte ligação dos assassinos
com os ideais nazistas e ainda um plano para assassinar uma importante autoridade.
Depardieu está enorme de gordo e com dificuldades de se locomover, o que,
convenhamos, não combina com um personagem que precisa perseguir bandidos. O
filme até que tem bastante ação e suspense, o que prende a atenção, mas está
muito longe dos melhores policiais franceses, talvez prejudicado por uma
história tão mirabolante.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Os
países escandinavos estão se especializando em filmes policiais, de ação e de
suspense. Bons exemplos não faltam: a trilogia sueca Millenium (um dos filmes
teve até versão hollywoodiana recente com Danel Craig e Rooney Mara), o ótimo norueguês
“Headhunters” e vários dinamarqueses, entre os quais “ID:
Identidade Anônima” (“ID: Identitet
Anonym”), de 2012. O filme começa com uma mulher (a ótima atriz sueca Tuva Novotny) toda machucada caída à beira
de um rio na França e com uma pesada mochila nas costas. E pior: sem memória. Ela
se hospeda numa pensão com o nome de Aliena e, ao abrir a mochila no quarto, acha um grande volume de dinheiro e um revólver. Sem saber o que fazer, ela sai andando pela
aldeia em busca de alguma pista sobre o que aconteceu. Ao passar por uma banca
de revistas, pega um folheto turístico escrito em dinamarquês e percebe que
conhece a língua. Quando sai de um restaurante, depois de jantar, é perseguida
por homens armados e consegue fugir. Resolve pegar um ônibus para a Dinamarca. Durante
a viagem, no fone de ouvido de um passageiro, ela ouve uma voz masculina cantando
uma ária de ópera. Ela identifica a voz e pergunta de quem é. Trata-se de uma gravação de Just Ore, um
famoso barítono dinamarquês. Ela vai seguir essa pista e tentar descobrir o que
aconteceu. De sua metade em diante, o filme volta em flashback até o momento em
que tudo começou e, a partir daí, Ida (seu verdadeiro nome) vai entender e relembrar tudo o que aconteceu, com direito a muitas cenas de ação e suspense. Quem gostou do estilo dos filmes
da trilogia Millenium vai gostar deste também.segunda-feira, 14 de abril de 2014
O ótimo drama alemão “À Espera de Turistas” (“Am
Ende kommen Touristen”), dirigido por Robert Thalheim, estreou no Festival de Cannes em 2007, mas, por alguma
razão que não sei, só chegou aos cinemas do Brasil em 2013. O jovem alemão Sven
(Alexander Fehling), ao invés de ingressar no Serviço Militar, faz a opção de integrar
um trabalho comunitário na cidade polonesa de Oswiecim (ex-Auschwitz). Aqui,
ele vai trabalhar no museu dedicado às vítimas do holocausto durante a 2ª Guerra
Mundial. Uma de suas tarefas é servir de cuidador do velho Krzeminski (Ryszard
Ronczewski), um sobrevivente do campo de concentração que costuma dar palestras
aos turistas que visitam o museu. Numa delas, um jovem turista pede para ver
o número de prisioneiro tatuado no braço de Krzeminski. O jovem olha e diz que
o número está meio apagado. “É que eu não quis retocar”, responde o velho, talvez
no único momento de humor do filme. Krzeminski também é responsável pela
manutenção e conserto das malas abandonadas pelos judeus antes de serem mortos
nas câmaras de gás. Por razões óbvias, Krzeminski não recebe bem o jovem alemão
e o trata de maneira bem rude, assim como os poloneses da cidade. Sven, porém,
acaba se afeiçoando ao velho, entendendo a revolta dele pelo que seus
antepassados fizeram. “À Espera de Turistas” é um filme forte, um tanto
melancólico, mas bastante impactante e esclarecedor. E sua mensagem é clara: as
feridas do holocausto jamais serão cicatrizadas.
domingo, 13 de abril de 2014
O
elenco é de primeira: Clive Owen, Billy Crudup, Mila Kunis, Marion Cotillard,
James Caan, Zoe Saldana e Matthias Schoenaerts. O filme é americano, de 2013, e
o diretor é francês (Guillaume Canet). “Laços de Sangue” (“Blood Ties”) é um drama ambientado em
Nova Iorque – o ano é 1974 – e conta a história de Chris (Owen), que sai da
cadeia depois de 9 anos preso por assassinato. Seu irmão mais novo, Frank
(Crudup), que é policial, tenta ajudá-lo a se reintegrar à sociedade e a se
reaproximar da mulher Monica (Marion) e dos dois filhos. Até arruma um emprego
para ele numa oficina mecânica. Mas o gênio rebelde e violento de Chris vai levá-lo
de volta ao crime. Enquanto isso, Frank está completamente obcecado pela
ex-namorada Vanessa (Zoe Saldana), que está casada e tem uma filha com Anthony
Scarfo (Schoenaerts), um ex-marginal que afirma estar limpo há tempos. A
obsessão por Monica vai fazer com que Frank prenda Scarfo – o filme dá a
entender que as provas foram forjadas pelo policial. Todas essas histórias paralelas
servem de pano de fundo para o que realmente interessa, que é o relacionamento conflituoso
entre os irmãos. O filme fez parte da seleção oficial do Festival de Cannes
2013 e teve boa recepção por parte de público e crítica. É um bom filme, valorizado
por um desfecho surpreendente e, principalmente, pelo ótimo elenco. sábado, 12 de abril de 2014
“Quando eu era sombrio” (“I Used to be darker”) é um exemplar clássico do cinema independente
a mericano. Filme de baixo orçamento, com atores
pouco conhecidos, liberdade total às ideias do diretor – no caso Mattew Porterfield
– e lançamento restrito apenas a alguns festivais de cinema. Aliás, o filme foi
bastante elogiado nos festivais de Sundance, Berlim, BAFICI (Buenos Aires) e Atlanta,
este último concedendo-lhe o prêmio de Melhor Filme. A história gira em torno
da jovem Taryn, que se refugia na casa dos tios Kim (Kim Taylor) e Bill (Ned
Oldham), em Baltimore, sem saber que os dois estão se separando. Portanto,
quando ela chega, pensando fazer uma surpresa agradável, encontra o clima
pesadíssimo na casa. Para piorar, chega de Nova Iorque a filha do casal, Abby
(Hannah Gross), para passar as férias escolares com os pais. O ambiente fica
ainda mais insuportável, pois Abby, que nunca se deu muito bem com a mãe, vai
responsabilizá-la pela separação. O filme tem um lado musical muito forte, pois
Kim é cantora de uma banda de rock e Bill é um antigo guitarrista que abandonou
a música para ganhar dinheiro em outra atividade. Os números musicais até que
não são ruins, mas acabam cansando. Como curiosidade, o filme tem a participação, numa ponta – aliás, numa pontinha -, da atriz francesa Adèle Exarchopoulos, de “Azul
é a Cor mais Quente”.
Quando
foi lançado no Festival de Cannes 2013, “Azul é a Cor mais Quente” (“La vie d’Adèle”) ficou marcado por
algumas polêmicas. Primeira, é claro, sobre as longas cenas de sexo quase
explícitas entre as duas protagonistas principais, Adèle (Adèle Exarchopoulos)
e Emma (Léa Seydoux) – há também outra cena de sexo bastante ousada entre
Adèle e um namoradinho no começo do filme. Outra polêmica envolveu o elenco,
particularmente as atrizes Adèle e Léa, e o diretor franco-tunisiano Abdellatif
Kechiche, acusado de ser um monstro tirano e torturador. O filme acabou
ganhando a Palma de Ouro de Cannes e as duas atrizes dividiram o Prêmio de Melhor
Atriz. Os prêmios foram mais do que justos, pois o filme é muito bom e o
trabalho das atrizes é espetacular, principalmente Adèle, um fenômeno.
Impossível não se emocionar com o seu desempenho. O filme é baseado na história
em quadrinhos adulta “Le Bleu est une Couper Chaude”, criada pela francesa
Julie Maroh. Em dúvida sobre a sua preferência sexual, Adéle (a personagem) é
uma adolescente de 15 anos que se apaixona por Emma, lésbica assumida. Adèle
leva Emma para jantar e apresentá-la aos seus pais, mas esconde o caso. O mesmo
faz Emma, cujos pais conhecem e aceitam a opção da filha. Em suas três horas de
duração, o filme vai acompanhar a paixão obsessiva das duas jovens. Embora
todos os principais protagonistas sejam jovens, os diálogos são bastante
inteligentes. Você já imaginou dois jovens estudantes do Ensino Fundamental
aqui no Brasil discutindo Sartre? Independente das polêmicas, o filme é obrigatório
para quem gosta de cinema de qualidade. quinta-feira, 10 de abril de 2014
“Vida de Adulto”
(“Adult World”), de 2012, EUA, com direção de Scott Coffey, é uma comédia
independente que estreou no Tribeca Film Festival em abril de 2013, sendo bem recebida pelo público. Conta a
história de Amy Anderson (Emma Roberts), uma jovem de 22 anos que tem o sonho de
se tornar uma grande poetisa. Há tempos que ela envia suas poesias a jornais,
revistas e editoras, mas não consegue publicar nenhuma. Desempregada e sem
dinheiro, Amy vive às custas dos pais. Numa discussão caseira sobre sua
situação financeira e seu sonho profissional, a coisa acaba em briga e Amy
resolve sair de casa. Para se sustentar, vai trabalhar numa loja de artigos
pornográficos chamada Adult World. Algum tempo depois ela conhece, numa sessão
de autógrafos, o poeta Rat Billings (John Cusack), um de seus ídolos, e pede a
ele que a ajude a ser uma grande poetisa. A relação entre os dois não será nada
boa, principalmente depois que ele resolve editar uma coletânea e promete incluir um
poema de Amy – só que não avisa que a coletânea terá o título de “Poemas Ruins”.
Emma Roberts é filha do ator Eric Roberts e, portanto, sobrinha de Júlia
Roberts. Ao contrário da tia, ela é baixinha e apenas "bonitinha". É o seu primeiro papel como protagonista principal. Sua atuação parece
um pouco forçada, mas se sai bem nos momentos de humor. Incomoda um pouco a sua voz esganiçada. Nada disso, porém, prejudica o filme, bom para assistir numa sessão da tarde com pipoca. quarta-feira, 9 de abril de 2014
Quem
gosta de um bom suspense não pode perder “Filho de Caim” (“Fill de Caín”), produção espanhola de 2013
dirigida por Jesús Monillaó. É filme para você ficar tenso e gruado na poltrona
do começo ao fim. Nico (David Solans) é um garoto de 15 anos muito estranho. Não
tem amigos e só tem uma paixão: o jogo de xadrez. Ele se isola do mundo diante
de um tabuleiro, jogando contra si próprio. Os pais, Carlos Albert (José
Coronado) e Coral (Maria Molins) sempre adiam a contratação de um psicólogo.
Até que Nico começa a mostrar o seu lado psicopata. O filme deixa bem claro que
o problema do garoto é o pai. Albert e Coral decidem finalmente contratar um psicólogo,
Júlio Beltran (Julio Manrique), que por coincidência havia sido namorado de
Carol antes dela se casar com Albert. O tratamento parece que está dando certo.
Julio até inscreve o jovem na escola de xadrez mais conceituada da cidade. Inteligente
e com um QI altíssimo, Nico, na verdade, está manipulando todos à sua volta,
inclusive o psicólogo, para conseguir o desfecho que havia planejado. Que não
será, obviamente, muito agradável. O filme é excelente e os atores são ótimos,
principalmente José Coronado, talvez o melhor ator espanhol da atualidade. Mas quem
dá show mesmo é o estreante David Solans, que a cada olhar sinistro vai fazer
você apertar com mais força os braços da poltrona.
Convém tomar um Dramin antes de começar a assistir “Até o Fim” (“All is Lost”). Afinal, serão
106 minutos no mar ao lado de Robert Redford, cujo personagem, um experiente
navegador, não tem nome, profissão ou outra qualquer indicação de sua vida
civil. Ele está navegando em seu belo veleiro de 12 metros pelo Oceano Pacífico
(não há também explicação sobre o motivo da viagem). A embarcação tem o nome de
“Virginia Jean” (quem será essa mulher?). Um dia, ele acorda com um estrondo:
um contêiner à deriva bate no barco e provoca um rombo no casco. A água que
entra danifica o rádio e os instrumentos de navegação. Mas isso não é o
pior. Uns dias depois, vem uma violenta tempestade que acaba por afundar o
veleiro. O jeito é se virar com o bote salva-vidas inflável. Impossível não
associar a situação do navegador com a da astronauta vivida por Sandra Bullock
em “Gravidade”. Ambos buscam sobreviver, sozinhos e abandonados à própria sorte:
Bullock perdida no espaço e Redford no vasto oceano. Assim como em “Gravidade”,
o suspense e a tensão predominam desde o começo até o final do filme. E mesmo com
apenas um personagem, sem qualquer diálogo ou monólogo, “Até o Fim” não fica monótono em nenhum
momento. O filme recebeu apenas uma indicação para o Oscar 2014 (Melhor Edição
de Som), uma grande injustiça com Redford, que merecia concorrer a Melhor Ator.
terça-feira, 8 de abril de 2014
“Metro Manila” (co-produção
Reino Unido/Filipinas de 2012), dirigido pelo inglês Sean Ellis, justifica plenamente
toda a fama que o precede. Foi aclamado
em vários festivais pelo mundo afora, inclusive no Sundance Film Festival 2013,
no qual fez sua estreia, além de ter
sido indicado para concorrer ao Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro pelo
Reino Unido, embora seja falado em filipino. Não é para menos. Este ótimo drama social, que a partir da sua
metade ganha ação e suspense e se transforma num vigoroso thriller policial, conta
a história de Oscar Ramirez (Jake Macapagal), um pequeno e pobre agricultor que
abandona os campos de arroz no norte das Filipinas para tentar uma vida melhor na
capital Manila (Metro Manila é o nome dado à região metropolitana da cidade). Ele leva a esposa Mai (Althea Vega) e as duas
filhas pequenas. O casal vai encarar a dura realidade de uma cidade grande e se
deparar com gente da pior espécie. Oscar consegue o emprego de motorista numa empresa
de segurança transportadora de valores e Mai vai trabalhar como dançarina numa
casa noturna. Ao ser bajulado pelo seu chefe Ong (John Arcilla) na firma de
segurança, Oscar não percebe que está sendo manipulado para participar de um
golpe. Quando finalmente percebe, é tarde demais, pois ele já está envolvido até
o pescoço na tramoia. Um incidente fatal, porém, vai fazer o plano ir por água
abaixo. É aí então que Oscar deixa a ingenuidade de lado e parte para a ação, o
que vai levar a um desfecho surpreendente e, ao mesmo tempo, tocante. Um
filmaço simplesmente imperdível!
domingo, 6 de abril de 2014
Os irmaõs Joel e Ethan Coen escreveram e dirigiram “Balada de um Homem Comum” (“Inside
Llewyn Davis”), produção de 2013. Conta a história de Llewyn Davis (Oscar
Isaac), que na Nova Iorque do início da década de 60 abandona um emprego na
marinha mercante para tentar o sucesso como cantor e compositor de música folk,
gênero que consagrou Bob Dylan e Joan Baez. O personagem Llewyn Davis foi
inspirado num cantor que realmente existiu, um tal de Dave von Ronk. Um achado
dos irmãos Coen. Fracassado, sem dinheiro, ele não tem nem onde dormir, nem
casaco para vestir no inverno rigoroso de Nova Iorque. Passa as noites de favor
na casa de um ou outro amigo. Apesar disso, é arrogante e se acha o máximo. Até que ele agrada a plateia quando canta num barzinho especializado em apresentações ao vivo de músicos de folk. Quando
finalmente consegue um teste com um empresário importante que pode alavancar
sua carreira, estraga tudo ao cantar a canção “The Death of Queen Jane”, cuja
letra fala da morte de uma mulher durante o parto. Ou seja, sem nenhuma chance
de conseguir sucesso junto ao público e nem de vendagem. Apesar do tom
melancólico da história e do seu personagem principal, há ótimos e divertidos diálogos.
O filme teve duas indicações para o Oscar 2014: de melhor fotografia e mixagem
de som. Não ganhou nem um nem outro. Talvez tenha sido injusta a não indicação
do ator guatemalteco Oscar Isaac, ótimo no papel de Davis.
Anunciado
como comédia, o filme francês “Pai por Acaso” (“Monsier Papa”), de 2012, é mais
sentimental do que cômico. Filho de mãe solteira, o garoto Marius (Gaspard
Meier-Chaurand), de 12 anos, sente falta de um pai. Sua mãe, Marie Vallois (Michèle
Laroque), é presidente de uma empreiteira da construção civil e não tem muito
tempo para dedicar ao filho. Ela sempre diz a Marius que seu pai está viajando
pelo mundo e que no momento está na Amazônia. Revoltado, Marius começa a dar trabalho na escola e a cometer pequenos
delitos, até ser detido num shopping center. Sem saber o que fazer, Marie tem a
ideia de arranjar um pai “postiço” e consegue convencer Robert Pique (Kad Merad,
também diretor do filme) a interpretar esse papel. A intenção inicial é promover
apenas um único encontro entre os dois. Entretanto, Marius e Robert se dão tão
bem que será muito difícil separá-los. Marie ainda tenta, contratando Robert
para sua empresa e o enviando para comandar uma obra na África do Sul. O filme
é muito agradável de assistir, tem lá seus momentos de humor e deixa uma
mensagem muito clara para quem ainda acha que os pais biológicos jamais podem ser
substituídos. Um programa gostoso para curtir com a família.sábado, 5 de abril de 2014
Uma reflexão sobre a China contemporânea. Foi assim que o filme “Um Toque de Pecado” (“Tian Zhu Ding”, ou no inglês “A Touch of Sin”) foi lançado nos cinemas e apresentado no Festival de Cannes de 2013, quando conquistou o prêmio de Melhor
Roteiro. Se você estiver em busca de entretenimento leve, porém, passe longe. São
quatro episódios, independentes uns dos outros, que contam a história de personagens
comuns cuja única ligação será o desfecho trágico destinado a cada um deles. No
primeiro episódio, um trabalhador se revolta contra a corrupção em sua aldeia; no
segundo, um homem comete crimes brutais para ajudar a família; no terceiro, uma
jovem recepcionista numa sauna masculina revida com violência o assédio sexual
de dois homens; no último, um jovem não aguenta a pressão de ser explorado nos
empregos. Não é um filme agradável de assistir, pois tem muitas cenas de
violência explícita, duas delas contra animais. Mas é um filme importante por
destacar o estilo de um diretor que está sendo considerado um dos melhores do
cinema chinês atual. Uma coisa é certa: impossível ficar indiferente ao filme durante
e ao final de sua exibição. É claro que muitos críticos profissionais escreveram
verdadeiros tratados sociológicos para explicar as intenções do diretor. É
melhor você assistir e tirar suas próprias conclusões.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
“Diana” é um
filme inglês de 2012 que conta a história do romance da Princesa Diana (Naomi
Watts) com o médico paquistanês Hasnat Khan (Naveen Andrews). O caso começou em
1995, quando Lady Di, separada do Princípe Charles e em processo de divórcio,
conhece o médico durante visita a um amigo no Hospital Royal Brompton, em
Londres. Eles ficaram juntos até poucos meses antes da morte de Diana, em
agosto de 1997. A história é baseada no livro “Diana: her Last Love”, escrito
em 2001 por Kate Snell. O curioso é que o médico paquistanês, cirurgião
cardíaco, sempre negou – e nega até hoje – que teve um caso com Diana. Os
ingleses odiaram o filme, não só atacando sua qualidade cinematográfica, mas,
principalmente, por revelar a vida íntima de sua querida princesa. O filme,
dirigido por Oliver Hirschbiegel, acirrou ainda mais a polêmica. Além do
romance com o médico, o filme destaca a participação de Lady Di em causas
humanitárias por todo o mundo, além da sua privacidade constantemente ameaçada
pelos paparazzi, assédio que provavelmente tenha sido a causa do acidente que a
matou. A atriz australiana Naomi Wattis está ótima como Diana, papel destinado
inicialmente à americana Jessica Chastain (“A Hora mais Escura”). A maioria dos
críticos profissionais não gostou do filme. Eu gostei e recomendo.quarta-feira, 2 de abril de 2014
“O Guardião das Causas
Perdidas” (“Kvinden I Buret” ou no inglês “The Keeper of Lost Causes”), dirigido
por Mikkel Norgaard, é um suspense dinamarquês de tirar o fôlego. Depois de ser
baleado numa missão em que resolveu agir por conta própria, sem esperar a chegada
de reforços, como estava combinado, o detetive Carl Morck (Nikolaj Lie Kaas) é transferido
para um setor de casos arquivados sem solução. Muito a contragosto, é obrigado
a aceitar como assistente o policial Assad (Fares Fares). O primeiro caso que reabrem
envolve o desaparecimento de uma mulher, Merete Lynggaard (Sonja Richter), há cinco
anos. As conclusões da época levam a crer que ela se suicidou, atirando-se ao
mar de uma balsa. As investigações de Carl e Assad, porém, vão mudar o rumo da
história. O resumo fica por aqui para não estragar as surpresas do enredo. O
filme foi um grande sucesso de público quando estreou nos cinemas da Dinamarca,
no final de 2013. E realmente, o filme é muito bom. Tem ação e suspense na dose
certa, uma história bem elaborada, um vilão assustador e um detetive mal-humorado,
arrogante, rebelde e estressado. Enfim, os clichês que fazem um bom filme
policial. Um programão para quem curte o gênero.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Produzido
em 2012 e dirigido por Walter Doehner, o filme mexicano “Viento
en Contra” é um policial com muita ação
e suspense. Nesse ponto, não decepciona. Luiza (Bárbara Mori) é uma executiva
em ascensão numa empresa de fundos de investimento na Cidade do México. Ela
descobre, porém, um desvio de dinheiro da empresa para as Ilhas Cayman. A partir
daí, passa a ser perseguida tanto por bandidos como pela polícia. O roteiro tem
algumas mancadas. Uma delas: em fuga alucinada com o filho, ela diz que está morrendo de fome e resolve parar
num restaurante chique para jantar, pede um suco de maçã para o filho e um copo
d’água. “O que vamos pedir, mamãe?”, pergunta o filho. Ela responde: “Nada, não
tenho dinheiro”. O menino paga o suco e
eles vão embora. Por que então entraram no restaurante? Impossível também não associar a interpretação dos
atores ao estilo dos novelões mexicanos. Mas o filme não é tão ruim quanto parece e, para
os padrões mexicanos, deve ser encarado como uma superprodução. As cenas de
ação são bem feitas, a história prende a atenção e há uma reviravolta no final que
realmente surpreende. A atriz uruguaia Bárbara Mori é muito bonita e dá conta
do recado. Um bom programa para uma sessão da tarde com pipoca. domingo, 30 de março de 2014

Como
a maioria das comédias românticas, “Noivos por Acaso” (“One Small Hitch”), 2013, não foge à regra:
é previsível demais. Molly (Aubrey Dollar) está no aeroporto aguardando o voo
para Chicago, onde sua mãe se casará pela segunda vez. Ela vai levar o namorado
para a família conhecer, mas, enquanto espera a chamada para embarcar, fica
sabendo sem querer que ele é casado. Claro que a relação vai acabar ali. Ela,
então, fica arrasada, mas eis que aparece Josh (Shane McRae), um amigo de infância
que também vai para Chicago visitar o pai que está muito doente. Josh conta a Molly
que o sonho do seu pai, antes de morrer, é ver o filho casado ou pelo menos
encaminhado nesse sentido. Sensibilizada, Molly topa fingir que é noiva de
Josh. As duas famílias ficam entusiasmadas com a notícia do futuro casamento e
aí começam as confusões. E mesmo com algumas reviravoltas, você já sabe de
antemão quem vai formar o casal do “happy end”. O filme até que começa bem, mas
não engrena. Em nenhum momento consegue ser engraçado nem engraçadinho. Apenas
bobinho.
“O Grande Herói” (“Lone Survivor”), 2012, é um
drama de guerra baseado numa história real que aconteceu em 2005, durante a
Operação “Asa Vermelha”, criada e planejada pela Marinha dos EUA para localizar
e matar o líder terrorista talibã Shah, escondido numa vila remota no
Afeganistão. Quatro soldados de elite, liderados pelo oficial Marcus Luttrell
(Mark Wahlberg), foram designados para a missão, até então considerada de fácil
execução. Eles verão, porém, que na prática as coisas não acontecerão como o planejado.
Ao se aproximarem da vila, os soldados são surpreendidos por três pastores de
cabras. Ao invés de prendê-los, impedindo que avisem os talibãs, os soldados
resolvem soltá-los. Por causa desse imprevisto, acham melhor abortar a missão e
chamar os helicópteros para resgatá-los. Tarde demais. De repente, centenas de
talibãs saem em seu encalço e aí eles vão sofrer na pele - e nos ossos – as
consequências do escrúpulo que tiveram ao liberar os pastores. As cenas são de
um incrível realismo, principalmente aquelas em que os soldados despencam morro
abaixo, chocando-se contra pedras e árvores. Um filmaço, repleto de ação e
suspense do começo ao fim. O famoso filme super
bonder: você não consegue desgrudar da poltrona. Outro ótimo filme nessa
linha é “Falcão Negro em Perigo”, de 2001, dirigido por Ridley Scott, também
baseado em fatos reais.
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