“HISTÓRIA DE AMOR EM COPENHAGUE” (“SULT”), 2025, em cartaz na Netflix, 1h45m, Dinamarca, roteiro e direção de Louise Mieritz e Ditte Hansen. Não entendi e continuei não entendendo o que quis dizer o título original, pois a tradução literal de “Sult” é “Fome”, o que não quer dizer nada com relação à história. Essa questão fica em segundo plano considerando que o filme é muito bom. Trata-se de um drama romântico baseado no livro da escritora dinamarquesa Tine Høeg. Mia (Rosalinde Mynster), tal qual Tine, é uma escritora de sucesso. Solteirona, ela adora curtir as baladas noturnas com as amigas e não rejeita um sexo casual. Tudo mudaria quando ela conhece o simpático Emil (Joachim Fjelstrup), divorciado e com dois filhos. Na base de feitos um para o outro, os dois vivem um romance que nada parece abalar. Até que ela convence o parceiro a ajudá-la a concretizar o sonho de ser mãe. Eles tentam pela via natural, mas não dá certo. E aí decidem procurar tratamentos alternativos de fertilidade. No meio do caminho, o relacionamento entre o casal entra em crise. A atriz Rosalinde Mynster carrega o filme nas costas, com uma atuação digna de prêmios. Rosalinde é uma atriz muito interessante, um misto de Demi Moore piorada com Barbra Streisand melhorada. Enfim, uma bonita/feia, mas muito charmosa e simpática. Trocando em miúdos, “História de Amor em Copenhague” dá um sinal de inteligência no gênero drama romântico. Um filme que merece ser conferido.
terça-feira, 26 de agosto de 2025
sábado, 23 de agosto de 2025
“BOGOTÁ: A CIDADE DOS SONHOS
PERDIDOS” (BOGOTA: CITY OF THE LOST”), 2024, Coreia do
Sul, 1h48m, em cartaz na Netflix, direção de Kim Seong-je, que também assina o
roteiro com Hwang Seong-gu. Nos
materiais de divulgação não há referência sobre a história ser fictícia ou
baseada em fatos reais. Eu acredito na segunda hipótese. Em 1997, o jovem sul-coreano
Guk-Hee (Song Joong Ki) chega à Colômbia com seus pais em busca de uma vida
melhor, já que seu país enfrentava uma grave crise econômica. Ao chegar em
Bogotá, eles logo sofrem um choque de realidade: o pai de Guk-Hee é assaltado
por uma dupla de moto. A família se integra à comunidade sul-coreana, que vive
do comércio nas ruas da capital colombiana. Assim como a nossa 25 de Março, lá
também a maioria das mercadorias é proveniente de contrabando. Mediante suborno, a polícia local
finge que tudo está nos conformes. Até o dia em que um mafioso colombiano
resolve acabar com a concorrência, passando a perseguir os sul-coreanos. Ao
mesmo tempo, o jovem Guk-kee cai nas graças de Park (Kwon Hae-hyo), chefe dos
contrabandistas sul-coreanos, e sobe na hierarquia até chegar ao topo. A
história apresenta várias reviravoltas, traições e muita intriga, com uma
tensão constante mantida pelo excelente roteiro. Achei o filme muito bom.
sexta-feira, 22 de agosto de 2025
“A NOITE SEMPRE CHEGA” (“NIGHT
ALWAYS COMES”), 2025, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na
Netflix, roteiro de Sarah Conradt e direção do cineasta inglês Benjamin Caron.
A história é baseada no livro homônimo escrito em 2021 por Willy Vlautin. A
personagem principal é Lynette (Vanessa Kirby), uma mulher desajustada que já
fez de tudo na vida, desde garçonete até garota de programa, para sustentar a
família, ou seja, sua mãe Doreen (Jennifer Jason Leith) e seu irmão mais velho
Kenny (Zachary Gottsagen), que tem Síndrome de Down. Prestes a perder a casa
onde mora desde criança, Lynette tem apenas algumas horas para pagar um
empréstimo ao banco, devendo depositar 25 mil dólares. Como conseguir todo esse
dinheiro em tão pouco tempo? A resposta a esta pergunta é o mote do filme, pois
exigirá de Lynette uma verdadeira jornada de desafios durante a noite e
madrugada, quando embarca no submundo criminal de Portland. É um filme bastante movimentado, combinando situações inusitadas de
grande perigo, o que alimenta o suspense do começo ao fim. Completam o elenco
Julia Fox, Stephan James e Michael Kelly. É claro que o destaque maior é a inglesa
Vanessa Kirby, uma bela atriz e muito competente, como já comprovou em filmes
como “Pieces of Woman”, pelo qual foi indicada ao Oscar, “Napoleão” e “Missão
Impossível: Acerto de Contas”, entre outros. Vanessa arrasa mais uma vez em “A
Noite Sempre Chega”.
terça-feira, 19 de agosto de 2025
“CONFINADO” (“LOCKED”), 2025,
Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de David Yarovesky,
seguindo roteiro assinado por Michael Arlen Ross. Eddie Barrish (o ator sueco Bill
Skarsgard), um marginal “pé de chinelo” que sustenta a família praticando
furtos e traficando drogas, assim como as consome, percorre as ruas de Los
Angeles procurando novas vítimas. Quando vê um SUV de luxo – na verdade um Land
Rover Defender – em um estacionamento, resolve arrombar uma porta para furtar possíveis
objetos de valor do seu interior. Para sua surpresa, a porta do motorista
estava aberta. Ele entrou... e não saiu mais. O veículo foi adaptado para
trancar quem ousasse entrar. Resultado: Eddie caiu numa armadilha sofisticada e
mortal, sofrendo torturas inimagináveis. O dono do carro, saberíamos depois, é um sujeito
misterioso que assume o papel de justiceiro, um senhor chamado William (Anthony
Hopkins). O espectador terá a oportunidade de acompanhar praticamente dentro do
veículo o sufocante martírio do marginal até o desfecho. Essa história foi
inspirada em um caso real ocorrido na cidade de Córdoba, na Argentina, em 2016,
que também serviu de base para outros dois filmes antes deste, o argentino “4x4”,
de 2019, e o brasileiro “A Jaula”, de 2016. Segundo a crítica, “Confinado” é
muito melhor, pois conta com dois atores de ponta. O sueco Bill Skarsgard conquistou
Hollywood depois de atuar em filmes como “O Corvo”, “IT – A Coisa” e “Nosferatu”.
Anthony Hopkins dispensa apresentações. Enfim, um suspense da melhor qualidade.
domingo, 17 de agosto de 2025
“O FALSIFICADOR” (“DER
PASSFÄLSCHER”), 2022, Alemanha, 1h57m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção de Maggie Peren (“Um Dia para Sempre”). O filme,
baseado em fatos reais, conta a história do artista gráfico judeu Cioma
Schönhaus (1922/2015), cujas memórias serviram de base para o roteiro. Em 1942,
Cioma, aos 21 anos, falsificou seu documento de identidade para não ser preso e
enviado para algum campo de concentração. Ele passou a ser um oficial da marinha
alemã. Não demorou muito para ser procurado por uma organização de ajuda
humanitária para falsificar documentos de judeus. Com esse trabalho, ele salvou
centenas de pessoas durante a Segunda Guerra Mundial. Claro, passou muito perigo, pois era “visitado”
constantemente por um agente da Gestapo, a polícia do regime de Hitler, além de
ser vigiado de perto pela síndica nazista do prédio onde morava com um amigo. Em meio a
essa turbulência, Cioma ainda teve tempo de viver um romance com a jovem Gerda,
cujo namorado lutava no front. Cioma foi interpretado brilhantemente pelo ator Louis Hofmann,
da série “Dark”. Completam o elenco Jonathan Berlin, Luna Wedler e Nina
Gummichj. O filme é um tanto arrastado e filmado, na maioria das cenas, em
ambientes escuros. Vale pela história, mais uma da fonte inesgotável de
histórias ambientadas durante a Segunda Grande Guerra.
quinta-feira, 14 de agosto de 2025
“AMEAÇA NO AR” (“FLIGHT RISK”), 2025, Estados Unidos, 1h31m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro de Jared Rosenberg e direção de Mel Gibson. Este suspense de ação é o sexto longa-metragem dirigido pelo ator e cineasta Mel Gibson, que não está no elenco, reduzido praticamente a apenas três protagonistas: Mark Wahlberg, Michelle Dockery e Topher Grace. A agente federal dos EUA, Madolyn Harris (Dockery) vai para o Alasca com a missão de deter Winston (Topher), uma testemunha importante contra um chefão da Máfia. Um pequeno avião é requisitado para transportar a agente e o passageiro importante. O piloto é Daryl Booth (Wahlberg). A situação irá se complicar durante o voo, e não será por nenhuma tempestade, turbulências ou mesmo um problema mecânico. É melhor deixar o espectador assistir e não estragar as surpresas reservadas pelo roteiro. Gostaria de destacar, em primeiro lugar, a presença da atriz inglesa Michelle Dockery, que ficou conhecida por interpretar o papel de Lady Mary Crawley na série “Downton Abbey”. O filme garante muito suspense até o desfecho. Méritos ao diretor Mel Gibson, que já havia provado sua qualidade como cineasta desde o seu primeiro filme, “O Homem sem Face” (1993), e depois em “Coração Valente” (1995), “Apocalypto” (2006), “A Paixão de Cristo” (2007) e “Até o Último Homem” (2016). Seu mérito em “Ameaça no Ar” foi segurar a tensão desde o começo, colocando o espectador preso na poltrona e aflito para chegar ao desfecho.
terça-feira, 12 de agosto de 2025
“VÊNUS” (“VENUS”), 2022,
Espanha, 1h40m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jaume Balagueró (“REC”, “Enquanto
Você Dorme”), que também assina o roteiro com a colaboração de Fernando
Navarro. A história é baseada no conto “The Dreams in the Witch House” escrito
pelo romancista norte-americano H.P. Lovecraft (1890-1937). O filme é meio
maluco e conta com vários ingredientes, tudo junto e misturado: suspense, terror trash,
sobrenatural, bruxaria, humor negro, drama familiar e muito sangue jorrando na
telinha. O conjunto da obra não é ruim, pois prende a atenção do começo ao fim.
Começa com a dançarina Lúcia (Ester Expósito, da série “Elite”) roubando uma
carga de drogas do clube noturno, cujo proprietário é um violento mafioso.
Lúcia se esconde no apartamento da irmã Rocío (Ángela Cremonte), que mora com a
filha Alba (Inés Fernández) no Edifício Venus, localizado no distrito de
Villaverde, em Madrid. Não demora muito para Lúcia descobrir que o edifício
esconde forças ocultas, vizinhos esquisitos e um apartamento mal-assombrado.
Além de estar no meio dessa confusão, Lúcia terá que lidar com os capangas do
mafioso, encarregados de recuperar a droga roubada. O filme não agradou grande parte
da crítica e muitos espectadores. Mas eu curti muito, tomei alguns sustos e
me diverti bastante. Recomendo.
domingo, 10 de agosto de 2025
A GESTORA (LA JEFA), 2022,
Espanha, 1h49m, em cartaz na Netflix, roteiro de Laura Sarmiento Pallarés e
direção de Fran Torres. Desde que a vi pela primeira vez no cinema, fazendo par
romântico com Keanu Reeves em “Caminhando nas Nuvens”, de 1995, fiquei fã
incondicional da atriz espanhola Aitana Sánchez-Gijón, principalmente por sua
beleza. Foi ao ler seu nome nos créditos de “A Gestora” que me levou a assistir
a este drama de suspense espanhol e constatar que ela, agora aos 56 anos,
continua maravilhosa. Mas o filme... Aitana faz o papel de Beatriz, uma
importante empresária do mundo da moda. É uma mulher chique, arrogante e nada
simpática no trato com seus funcionários. Até que contrata uma nova assistente,
a jovem imigrante argentina Sofia (Cumelen Sanz), que logo se mostra inteligente
e cai nas graças de Beatriz. Prestes a ser promovida na empresa, Sofia anuncia
que está grávida do seu namorado, o também imigrante colombiano Nacho (Álex
Pastrana). Beatriz vê na situação uma oportunidade de contornar uma das suas
frustações: não conseguir engravidar. Ela propõe a Sofía que cuidará dela em
sua gravidez e adotará a criança. Tudo na base de um contrato. Sofía é colocada
em isolamento na mansão de Beatriz e, para a namorado, diz que vai trabalhar em
Londres por um tempo. Aos poucos, porém, todo esse contexto dramático acaba em alguns
imprevistos e é aqui que começa o suspense que traz a expectativa de uma tragédia
no desfecho. O filme até que vai bem até perto do final, quando desanda numa
série de situações pouco convincentes, inclusive no desfecho abrupto. Difícil
recomendar.
sábado, 9 de agosto de 2025
“UMA VIDA HONESTA” (“ETT ÄRLIGT
LIV”), 2025, Suécia, 2h2m, em cartaz na Netflix, direção de
Mikael Marcimain, seguindo roteiro assinado por Linn Gottfridsson. A história é
baseada no romance homônimo escrito por Joakim Zander. O jovem Simon (Simon
Lööf) chega à cidade de Lund para concretizar o sonho de se formar em Direito
na faculdade local, uma das mais prestigiosas do país. Em seu primeiro dia,
acaba se envolvendo numa manifestação estudantil, onde conhece Max (Nora Rios),
uma ativista ligada ao movimento anarquista, cena que lembra o emblemático ano
de 1968. Simon se instala num quarto alugado em uma casa onde vivem outros dois
jovens universitários certamente de famílias ricas. Ele tenta se integrar ao
ambiente da casa, mas fica incomodado com os luxos de seus vizinhos. Outro
incômodo ele encontra nas aulas de Direito, um tanto pedantes e conservadoras,
acabando por iludi-lo em suas expectativas. Quando reencontra Max, o caminho
está aberto para uma transição. Ela o leva para conhecer a república underground
onde mora com outros estudantes, numa casa pertencente a um veterano
professor adepto do anarquismo. Simon se identifica com o pensamento do grupo,
conhecido como “Bandits”. Para ingressar nele, Simon é obrigado a passar por um
teste: roubar relógios de uma relojoaria de luxo. Manipulado por Max, por quem
se apaixona, Simon começa a esquecer “a vida honesta” que pretendia seguir. O
filme é muito interessante por explorar um pano de fundo social e político num
país de primeiro mundo. Recomendo.
segunda-feira, 4 de agosto de 2025
“ANJOS DO DESERTO” (“DIRTY ANGELS”), 2024, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do veterano cineasta neozeland|ês Martin Campbell (“A Lenda do Zorro”, “A Marca do Zorro”, “007 Contra Golden Eye”, “007 - Cassino Royale”), que também assina o roteiro com Alissa Sullivan Haggis e Jonas McCord. Soldados de uma unidade de comando internacional composta apenas por mulheres se passam por membros de uma organização de ajuda humanitária para tentar resgatar jovens missionárias sequestradas no Afeganistão por Amir (George Iskandar), líder de um grupo terrorista islâmico. Amir pede uma quantia absurda para liberar as moças. Liderado pela experiente Jake (Eva Green), o grupo de soldados parte para o Afeganistão, onde enfrentarão muitos desafios para chegar até as moças sequestradas. Além de Eva Green, irreconhecível, e Iskandar, estão no elenco Maria Balakova, Ruby Rose, Emily Bruni, Rona-Lee Shimon, Laëtitia Eido e Christopher Backus. Embora o roteiro não ajude, pelo menos as cenas de ação são bem feitas, mas o resultado final deixa muito a desejar.
quinta-feira, 31 de julho de 2025
“OS RADLEY” (“THE RADLEYS”), 2024,
Inglaterra, 1h51m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro assinado por Talitha
Stevenson e direção do cineasta galês Euros Lyn (“Armadilha Mortal”, “Dream
Horse”). A história é baseada no livro homônimo escrito por Matt Haig em 2010. Misto
de comédia e terror, o filme é centrado na família Radley, um casal com dois
filhos adolescentes. Uma família aparentemente normal de um bairro classe média
em Londres. O segredo que cerca a família não é nada normal: eles são descendentes
de vampiros. Só o pai, o médico Peter Radley (Damian Lewis), e a mãe, Helen
(Kelly MacDonald), sabem disso. O casal segura o instinto vampirístico num trabalho
psicológico tipo “Alcoólicos Anônimos”, que transformou ambos em vampiros “abstêmios”.
Somente depois que a filha Clara (Bo Bragason) morde o primeiro pescoço é que o
segredo familiar vem à tona, obrigando o casal a contar a trágica verdade. A situação piora muito mais quando surge no
pedaço o irmão de Peter, Will (interpretado também por Damian Lewis), este sim
um vampiro assumido. Um vizinho da família, o policial aposentado Jared
Copleigh (Shaun Parkes), coincidentemente obcecado por vampiros (haja
coincidência!), começa a desconfiar do entra e sai da casa dos vizinhos. Até
que seu filho, o também adolescente Evan (Jay Lycurgo) acaba sendo vítima do “sanguinário”
Will. Apesar do bom elenco, o filme não engrena, pois perde o ritmo a partir da
sua metade, culminando com um desfecho pouco convincente e desconexo. Trocando em
miúdos, o resultado final é decepcionante.
quarta-feira, 30 de julho de 2025
“QUANDO A GUERRA ACABAR” (“NAR
BEFRIELSEN KOMMER”), 2023, Dinamarca, 1h40m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Anders Walter, que também assina o roteiro com a colaboração
de Miriam Nørgaard. Baseada em fatos reais, a história acontece na Dinamarca no
final da Segunda Guerra Mundial. O exército alemão, prestes a sair daquele país
depois de ocupá-lo desde o início do conflito, obriga um diretor de escola a
acolher cerca de 500 refugiados alemães, entre idosos, mulheres e crianças.
Pressionado pela população local – infelizmente não é nomeada a cidade, um
defeito do filme -, o diretor Jakob (Pilou Asbaek) se recusa a dar alimentos e
remédios aos refugiados para não ser chamado de colaboracionista. Instalados no
ginásio da escola, os recém-chegados começam a morrer de doenças e de fome.
Sensibilizado com a situação, porém, Jakob, com a ajuda da esposa Lis (Katrine
Greis-Rosenthal), começa a ajudar os alemães, arriscando-se a ser preso e até
morto pelo pessoal da resistência dinamarquesa. Enfim, mais um drama de guerra recordando
uma história trágica e ao mesmo tempo comovente. É o cinema dinamarquês tentando cicatrizar
as feridas da Segunda Guerra Mundial.
domingo, 27 de julho de 2025
“A MISTAKE” (a
Prime Vídeo manteve o título original, cuja tradução literal é “Um Erro”), 2024,
coprodução Nova Zelândia/Inglaterra, 1h41m, roteiro e direção da cineasta neozelandesa
Chistine Jeffs. Baseada no livro homônimo de Carl Shuker, a história é centrada
na médica-cirurgiã Elizabeth Taylor (Elizabeth Banks). Durante uma cirurgia de
rotina, aparentemente a retirada do apêndice, Taylor transfere um procedimento para o seu
médico-residente Richard (Richard Croughley), que comete um erro. A paciente
vai para a UTI, mas morre logo depois. A direção do hospital abre uma
investigação sobre o caso, o que resulta numa série de consequências nada
agradáveis para a médica, incluindo uma tragédia. Taylor bate de frente com a
direção do hospital, assumindo a responsabilidade pelo ocorrido e isentando seu
assistente pelo erro. Uma confusão danada. Não bastasse essa situação, Taylor
ainda enfrentaria um problemaço ao aceitar cuidar do cachorro de uma amiga.
Completam o elenco Simon McBurney, Mickey Sumner e Acacia O’Connor. O destaque
é, sem dúvida, a atriz norte-americana Elizabeth Banks, que aos 51 anos
continua bonita e ótima atriz, como já demonstrou em inúmeros outros filmes. Enfim,
“A Mistake” é um drama bastante eficiente. Recomendo.
sábado, 26 de julho de 2025
ANORA, 2024,
Estados Unidos, 2h19m, roteiro e direção de Sean S. Baker (“Projeto Flórida”). Finalmente
chega à Prime Vídeo este que foi o mais premiado filme de 2024, considerado o
melhor do ano pelo American Filme Institute e pelo National Board of
Review, além de ganhar cinco estatuetas do Oscar 2025 (veja no fim do comentário)
e a “Palma de Ouro” no Festival de Cannes. Realmente, o filme é ótimo. Conta a
história da jovem Anora, conhecida também como “Ani” (Mikey Madison), que
trabalha em Nova Iorque como garota de programa e stripper numa casa de
espetáculos no Brooklyn. Um de seus novos clientes é Ivan Zakharov (Mark
Eydelshteyn), filho mimado de um milionário russo. Ivan, de 21 anos, que vive
sozinho numa mansão espetacular, promove festas à base de drogas e muita bebida.
Ele se apaixona por Ani e a pede em casamento como forma de garantir sua
permanência nos Estados Unidos como cidadão naturalizado. Só que o casamento
não é aceito pelos pais de Ivan, que ordenam a seus capangas que cancelem o
casamento. Aí é que a confusão se instala em definitivo, pois Ivan acaba
sumindo e Ani sequestrada pelos capangas russos. A situação toma rumos
inesperados e as cenas de humor são hilariantes, comprovando que o filme é, sem
dúvida, um ótimo entretenimento. Completam o elenco Karren Karagulian, Vache
Tovmasyan, Yura Borisov, Darya Ekamasova, Vincent Tadwinsky e Alexey
Walerjewitsch Serebrjakow. “Anora” venceu o Oscar 2025 nas categorias Melhor Filme,
Melhor Atriz (Mikey Madison), Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor
Edição. Destaco em especial a atuação magistral da jovem Mikey Madison, de 26
anos, atriz que, com apenas 9 anos de carreira, já participou de diversos
filmes, entre os mais conhecidos estão “Era Uma Vez em...Hollywood”, “A
Informante” e “Pânico”, além das séries “Better Things”, “A Mulher no Lago” e
Amor e Trapaças”. Resumo da ópera, “Anora” é imperdível (Alerta final: antes de apertar o play tire as crianças da sala, pois as cenas de sexo são bem fortes).
quarta-feira, 23 de julho de 2025
O CRÍTICO (THE CRITIC), 2023,
Inglaterra, 1h42m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Anand Tucker, seguindo
roteiro assinado por Patrick Marber. Trata-se de um suspense noir baseado no livro “Curtain
Call”, escrito por Anthony Quinn e lançado em 2015. A história, ambientada em
1934, é centrada no crítico teatral Jimmy Erskine (Ian McKellen), que tem sua
coluna publicada há 40 anos no jornal “The Daile Chronicle”. Ele é muito respeitado
no meio artístico, sempre se destacando pelas suas críticas mordazes. Enfim, um
crítico implacável. Homossexual assumido, assim como o ator, Erskine mora com
seu assistente e amante, o jovem Tom Turner (Alfred Enoch). Apesar dessa
relação, Erskine apela para a promiscuidade nas noites em que passeia por um
parque repleto de rapazes de programa. Até que numa noite é flagrado pela
polícia. A notícia se espalha por Londres e chega ao conhecimento do visconde
David Brooke (Mark Strong), administrador do jornal, que resolve demiti-lo.
Como ainda terá alguns dias de aviso prévio, Erskine resolve, como vingança, colocar
em prática um jogo de chantagem emocional envolvendo a jovem atriz Nina Land
(Gemma Arterton) e que culminará em duas grandes tragédias. O filme é muito bom,
a história é ótima, com destaque para uma primorosa recriação de época. Como
trunfo adicional temos ainda um excelente elenco, do qual fazem parte ainda Lesley
Manville, Romola Garai, Matthew Cottle, Ed Madden, Ben Barnes, Beau Gadsdon e
Claire Skinner. Os grandes destaques são, sem dúvida, as ótimas atuações do
veterano ator inglês Ian McKeller, com grande vigor mesmo aos 86 anos – no ano
da filmagem – e a bela Gemma Arterton, espetacular como a atriz que se submete
às chantagens do crítico. Gostei muito do filme e recomendo.
segunda-feira, 21 de julho de 2025
A segunda temporada, também de
8 episódios, recebeu o título de “Dirty John: The Betty Broderick Story”.
A história é centrada num casal que passa por um tumultuado processo de
divórcio que acabaria numa tragédia. Betty Broderick, a esposa, descobre que o
marido, um advogado famoso, tem um caso com a secretária do escritório, mas
quem acaba sofrendo as consequências é ela própria, submetida a um inferno
psicológico que a levou a perder tudo, inclusive os filhos. No elenco, Amanda
Peet, Cristian Slater, Rachel Keller e Missi Pyle.
As duas histórias são baseadas
em fatos reais descritos em reportagens publicadas no podcast do jornalista Christopher Goffard,
do Los Angeles Times. A série foi muito elogiada principalmente por tratar de
temas bastante atuais como violência doméstica, manipulação psicológica e
relacionamentos abusivos, com interpretações primorosas dos nomes principais do
elenco, como Eric Bana, Connie Britton, Cristian Slater e Amanda Peet.
Realmente, a série é excelente. Imperdível!
sábado, 19 de julho de 2025
ENNIO, O MAESTRO (ENNIO, IL
MAESTRO), 2022, Itália, documentário de 2h36m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção de Giuseppe Tornatore. Quem acompanha meu blog já
percebeu que documentários são pouco comentados. Mas não poderia deixar de lado
o documentário sobre o maestro e compositor italiano Ennio Morricone (1928-2020),
um dos grandes gênios da música no século XX. Ainda mais que o diretor é Giuseppe
Tornatore, responsável por pequenas obras-primas do cinema, como “Cinema
Paradiso”, “Malèna”, “A Lenda do Pianista do Mar”, "Baaria – A Porta do Vento”,
entre tantos outros. A ideia do documentário sobre Morricone surgiu em 2016, e
o maestro só concordou se fosse dirigido por Tornatore. Para se ter uma ideia
da importância de Morricone para a música do século XX basta dizer que ele compôs
cerca de 500 trilhas sonoras para o cinema, além de centenas de outras composições.
O maestro italiano deixou fãs por todo o mundo, começando pelas trilhas dos
faroestes italianos da década de 60, entre os quais “Por um Punhado de Dólares”
e “Era uma Vez no Oeste”. Lembram-se daqueles assobios como parte da trilha?
Tornatore conseguiu inúmeros depoimentos de músicos, cantores, maestros e
cineastas para o documentário, entre os quais do próprio Morricone e Tornatore,
além de Clint Eastwood, Quincy Jones, Quentin Tarantino, Bruce Springsteen, Gino
Paoli, Gianni Morandi, Pat Metheny, Lina Wertmüller, Bernardo Bertolucci,
Sérgio Leone, Joan Baez e Brian de Palma, entre tantos outros, todos admiradores da obra de
Morricone. Intercaladas a estes depoimentos estão várias cenas dos filmes, um
trunfo a mais deste que é um documentário imperdível para músicos e cinéfilos.
Emocionante do começo ao fim!
sexta-feira, 18 de julho de 2025
“UM TIPO DE LOUCURA” (“A KIND
OF MADNESS”), 2025, África do Sul, 1h39m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção de Christiaan Olwagen. Drama familiar, com uma história de amor
e aceitação, formando um verdadeiro carrossel de emoções. Esses ingredientes fazem parte
da história desse belo filme do pouco conhecido cinema sul-africano. Dan Hart (Ian
Roberts) e Elna (Sandra Prinsloo), se conheceram ainda muito jovens e, mesmo
sem se casarem oficialmente, tiveram três filhos. Começa o filme e voltamos no
tempo para acompanhar o início do romance de Daniel e Elna (vividos por Luke
Volker e Ashley de Lange). A história dá um salto no futuro e nos surpreende
com a fuga de Elna da clínica com a ajuda de Daniel. O objetivo do casal é
pegar a estrada, casar e chegar até o litoral, subir num barco e sair pelo mundo como
última viagem. Desesperados, Lucy, Olivia e Ralph, os três filhos, saem em
busca dos pais e, a partir daí, o filme se transforma num road-movie, durante
o qual os personagens terão a oportunidade de discutir o relacionamento,
aplacar divergências do passado e tomar as decisões que a situação está
exigindo. Completam o elenco – todos sul-africanos - Erica Wessels (Lucy), Amy
Louise Wilson (Olivia) e Evan Hengst (Ralph). O grande destaque é, sem dúvida,
a incrível atuação da veterana atriz Sandra Prinsloo, de 77 anos. Enfim, “Um Tipo de
Loucura” é um drama sensível e comovente. Cinema de qualidade. Não perca!
segunda-feira, 14 de julho de 2025
“APACHES – GANGUES DE PARIS” (“APACHES”), 2023, coprodução França/Bélgica, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Romain Quirot, que também
assina o roteiro com a colaboração de Fannie Pailloux e Antoine Jaunin. Para
contextualizar a história do filme, existiam na Paris do fim do século XIX
várias gangues de marginais que agiam na cidade, assaltando, sequestrando e
vandalizando. Os alvos eram os de sempre: os burgueses. Ou seja, a classe mais
abastada. Uma das gangues mais famosas e temidas era chamada “Os Apaches”, que aterrorizaram
a capital francesa de 1890 até 1905. Os autores do roteiro aproveitaram esse ingrediente
para criar uma história colocando como protagonista principal a jovem Billie
(Alice Isaaz), que ingressa na gangue para se vingar da morte do seu irmão
Tricky (Malik Frikah), anos antes, provocada pelo líder da gangue, o violento Jésus (Niels
Schneider). Para ingressar no grupo criminoso, ela é obrigada a cometer alguns
assassinatos, inclusive o de um novo chefe de polícia. Completam o elenco
Dominique Pinon, Rod Paradot, Bruno Lochet, Emilie Gavois e Chloé Peillex.
Resumindo, “APACHES” é um filme que proporciona uma primorosa ambientação de
época, incluindo cenários e figurinos, mas é desagradável de assistir por mostrar
uma Paris sem nenhum charme, com muita sujeira, pobreza, prostituição à luz do dia e violência. Em todo
caso... tem a presença da bela atriz Alice Isaaz.
“NOSFERATU”, 2024,
coprodução Estados Unidos/República Checa, 2h14m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro
e direção de Robert Eggers (“O Farol”, “A Bruxa”, “O Homem do Norte”). Esta é
mais uma adaptação para o cinema do romance “Drácula”, escrito em 1897 por Bram
Stoker. A mais famosa é a de 1922, “Nosferatu”, considerada uma obra-prima do
expressionismo alemão. Também posso citar “Nosferatu: O Vampiro da Noite”, de
1979, e “Nosferatu: A Symphony of Horror, de 2023. Esta última adaptação, de
2024, recebeu quatro indicações ao Oscar (Melhor Figurino, Melhor Cabelo e
Maquiagem, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte”). Não ganhou a estatueta
em nenhuma. No elenco, os papeis principais foram interpretados por Lily-Rose
Depp (filha do ator Johnny Depp e da atriz Marisa Paradis), Nicholas Hoult,
Aaron Taylor-Johnson, Bill Skarsgard, Emma Corrin e Willem Dafoe. Nesta última
versão, ambientada em 1838, na Alemanha, a vítima da vez é Ellen Hutter (Depp),
esposa do corretor imobiliário Thomas Hutter (Hoult). O Conde Orlok (Skarsgard), que nas
horas vagas se transforma no vampiro Nosferatu, se apaixona pela moça, que
desde jovem tem sonhos assustadores, visões sobrenaturais e alucinações. Esse
sofrimento só será evitado se ela se entregar sexualmente a Nosferatu, que sai
da Transilvânia para concretizar o seu desejo. O filme tem seus méritos, como a
excelente fotografia e a ambientação de época, mas o resultado final não me convenceu.
sexta-feira, 11 de julho de 2025
“RETORNO A SEUL” (“RETOUR À SÉOUL”), 2022,
coprodução Camboja/França/Bélgica/Alemanha, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e
direção do cineasta francês Davi Ghou. Drama estreou, com muitos elogios, no Festival
de Cannes 2022 na seção Un Certain Regard e representou o Camboja
na disputa do Oscar 2023 na categoria Melhor Longa-Metragem Internacional. O
filme não é tão bom para merecer tanto, mas não é tão ruim para ser rejeitado.
Com base em 25 resenhas de críticos profissionais, o filme obteve um índice de
aprovação de 96%, um resultado excelente em se tratando do site Rotten
Tomatoes. A história é centrada na jovem Frédérique “Freddie” Benoît (Ji-Min Park) que, 25 anos
depois de ser adotada por um casal francês, volta a Seul (Coreia do Sul) para tentar
encontrar os seus pais biológicos. A tarefa não é fácil, e Freddie acaba
ficando na capital sul-coreana, se envolvendo em inúmeras situações
inesperadas, mostrando um comportamento não muito adequado muitas vezes, até
inconveniente em algumas ocasiões. Chega a se envolver com traficantes de armas, situação que não é muito destacada no roteiro, que se prende apenas na busca do pai e da mãe. Ao mesmo tempo, convive em certos momentos com uma certa apatia e depressão.
Falado em coreano, inglês e francês, “Retorno a Seul” não é um filme para o
grande público, pois é reflexivo, contemplativo, intimista e lento demais, mas
tem suas qualidades como filme de arte que pretende ser.
quarta-feira, 9 de julho de 2025
“CHEFES DE ESTADO” (“HEADS OF
STATE”), 2025, Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção do cineasta russo Ilya Naishulledr (“Anônimo”, “Hardcore: Missão
Extrema”), seguindo roteiro assinado por Josh Appelbaum, André Nemec e Harrison
Query. Estamos apenas no meio do ano, mas eu não tenho dúvida em afirmar que este
será eleito senão o melhor, um dos melhores filmes de ação de 2025. Aliás, uma
comédia de ação. Após um encontro formal em Londres, durante o qual o
presidente norte-americano Will Derringer (John Cena) e o primeiro-ministro
inglês Sam Clarke (Idris Alba) não se entenderam muito bem, os dois mandatários
foram aconselhados por assessores políticos a viajarem juntos no Air Force One
para Trieste, na Itália, onde participariam de uma reunião de cúpula da OTAN.
No meio do voo, porém, o avião é atacado e acaba explodindo. Claro que os
únicos sobreviventes são o presidente e o primeiro-ministro. A ação não para
por aí. A dupla enfrentará muitas situações de perigo ao longo do caminho que
os levará a Trieste. Para isso, contarão com a ajuda de Noel Bisset (a atriz
indiana Priyanka Chopra), uma agente do M16 (serviço secreto inglês)
especialista em armas e artes marciais. Completam o elenco Carla Gugino, Jack
Quaid (filho do ator Denis Quaid), Paddy Considine, Sarah Niles, Alexander Kuznetsov,
Sharlto Copley, Clare Foster, Katrina Durden e Ingeborga Dapkunaite. Além das
ótimas cenas de ação, outro trunfo do filme é a química entre John Cena, Idris
Alba e Priyanka Chopra. Resumindo, “Chefes de Estado” é um entretenimento de
primeira. Imperdível!