K.O. (utilizadas
inicialmente nas lutas de boxe, as duas letras significam nocaute, do inglês “knockout”),
2025, França, 1h30m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Antoine
Blossier (“O Pequeno Órfão”, “A Presa”). Começa o filme com uma luta de MMA.
Bastien (Ciryl Gane) vence a luta por nocaute, mas seu adversário morre no
ringue. Traumatizado, Bastien abandona as lutas e se isola. Até o dia em que, três anos depois, Emma
(Anne Azoulay), viúva do lutador morto, o procura para ajudá-la a encontrar o
filho adolescente Léo (Maleaume Paquin), que presenciou um assassinato e agora
é perseguido por uma gangue da pesada chamada de “Os Manchours”, que domina o
submundo do crime em Marselha. Juntamente com a capitã de polícia Kenza (Alice Belaïdi), Bastien tentará
encontrar o garoto. Essa procura termina em grandes pancadarias, muitos tiros e
sangue jorrando. As cenas de ação são ótimas. Não é para menos, pois o ator Ciryl
Gane, um brutamontes de 1,93m, é um ex-lutador de UFC, Muay Thai e especialista
em artes marciais mistas. Este é o seu primeiro papel como protagonista. Ele
já havia participado de outros filmes como personagem secundário em “Covil de
Ladrões 2”, “Resgate em Medellin” e nas séries “Validé” e “O Ringue”. Tudo bem
que Ciryl Gane é o astro do filme, mas quem realmente dá um show é a atriz
Alice Belaïdi como a policial brava e esquentada que não tem medo de cara feia.
Trocando em miúdos, “K.O.” é mais um ótimo filme francês de ação.
sábado, 5 de julho de 2025
“O CASO ASUNTA” (“EL CASO
ASUNTA”), 2024, Espanha, minissérie de 6 episódios em cartaz na
Netflix, direção de Carlos Sedes e Jacobo Martínez, seguindo roteiro assinado
por Ramón Campos e Gema R. Neira. A história é baseada em fatos reais ocorridos
a partir de 2013 na cidade de Santiago de Compostela. Começa com o misterioso
desaparecimento da adolescente Asunta Basterra (Iris Wu), de 13 anos, filha
adotiva do casal Rosario Porto (Candela Peña) e Alfonso Basterra (Tristán Ullua).
O caso chega à polícia local, que designa os agentes Javier Ríos (Carlos
Blanco) e Cristina Cruces (María León) para iniciar as investigações, sob a
supervisão do Juiz Malvar (Javier Gutiérrez). Logo no início das buscas o corpo
da menina é encontrado sem vida à beira de uma estrada rural. Os primeiros indícios
sugerem que o casal esteja envolvido no crime, que teve grande repercussão na
mídia, provocando comoção em todo o país. Rosario e Alfonso, que sempre negaram
o crime, apresentam comportamento estranho e ficam presos até o julgamento, cujo resultado deixo de lado para o
espectador aguardar o desfecho da minissérie. Completam o elenco Vianessa
Castaños, Alicia Borrachero, Raúl Arévalo, Francesc Orella e Judith Fernándes. Fora
o interesse evidente sobre a história, pouco divulgada por aqui, a minissérie não
acrescenta muito mais para merecer uma recomendação entusiasmada.
segunda-feira, 30 de junho de 2025
“EM ALGUM LUGAR DO QUEEN’S” (“SOMEWHERE
IN QUEENS”), 2023, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Ray Romano, que também assina o roteiro com Mark
Stegemann. É o primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo comediante Ray
Romano, que também atua no filme. Trata-se de uma comédia dramática centrada na família ítalo-americana
Russo, cujo patriarca, Dominick Russo (Tony Lo Bianco), é proprietário de uma
empresa de reformas e consertos de residências. Seus dois filhos e netos
trabalham na empresa. Enfim, uma família tradicional que atua há muitos anos no
condado do Queens. Em meio às inúmeras festas da família, seja batizados,
aniversários ou casamentos, lá está todo mundo se divertindo, comendo e dançando.
Leo Russo (Ray Romano), um dos filhos de Dominick, casado com Angela (Laurie
Metcalf), acompanha de perto a performance do seu filho Matthew, de 18 anos,
nas quadras de basquete. Seu sonho é que Matthew consiga uma bolsa de estudos
numa universidade, facilitada por seu desempenho no basquete. Só que Matthew se
apaixona por Dani (Sadie Stanley), o que pode significar um desvio de rumo em
seu objetivo de conquistar a bolsa. Essa complicação domina o enredo até o
desfecho, envolvendo a família Russo inteira. E sabem como é família italiana,
todo mundo quer dar palpite em tudo. O filme é agradável, leve, tem humor e romance
na medida certa, transformando “Em Algum Lugar do Queen’s” num ótimo
entretenimento. Este foi o último filme do veterano ator Tony Lo Bianco, que faleceu um ano
depois do final das filmagens.
domingo, 29 de junho de 2025
“HOMEM COM H”, 2025,
Brasil, 2h09m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Esmir Filho (“Os
Famosos e os Duendes da Morte”, série “Boca a Boca”). Cinebiografia do cantor
Ney Matogrosso, baseada no livro “Ney Matogrosso: A Biografia”, escrito por
Julio Maria e lançado em 2021. Gostem dele ou não, o fato é que Ney Matogrosso
fez e continua fazendo um grande sucesso, principalmente nos palcos pelo Brasil
afora, cantando e dançando mesmo agora, aos 83 anos. Todo mundo conhece o artista
Ney Matogrosso, mas poucos conhecem Ney de Souza Pereira, o cidadão nascido em
Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, filho de Antônio Matogrosso (Rômulo Braga),
um militar de carreira ultraconservador da Aeronáutica. O menino Ney sofreu nas
mãos do pai, apanhou muito dele e por causa dele fugiu de casa aos 18 anos,
alistando-se como cadete na própria Aeronáutica. O filme destaca o início da
carreira de Ney como cantor do grupo Secos & Molhados, ponto de partida
para o seu sucesso solo, já como Ney Matogrosso. “Homem com H” também relembra
a perseguição que o artista sofreu dos censores da ditadura militar,
principalmente na segunda metade dos anos 70. Eles ordenaram a Ney que evitasse
rebolar e reduzir os movimentos sensuais. Ney não obedeceu e manteve, corajosamente, o seu estilo polêmico e ousado. Outro destaque da cinebiografia é o espaço dedicado a seus
vários amantes nos anos 80, um deles o cantor e compositor Cazuza (Jullio
Reis). Ney viu todos eles morrerem durante a epidemia de HIV, do qual saiu
milagrosamente ileso. As cenas de sexo são fortes, podem incomodar, mas são bem
realizadas. Um dos maiores trunfos é, sem dúvida, o desempenho impressionante
do ator pernambucano Jesuíta Barbosa na pele do astro, principalmente nos
palcos. Outro fator que alavancou o filme nas bilheterias e na audiência da Netflix
foi a saborosa trilha sonora com 15 músicas – “Rosa de Hiroshima”, “Bandido Corazón”,
“Pro Dia Nascer Feliz”, “Sangue Latino” e “Homem com H”, só para citar algumas.
Completam o elenco Bruno Montaleone, Lara Tremouroux, Carol Abras e Hermila
Guedes. Trocando em miúdos, mais uma ótima cinebiografia para curtir na telona ou
na telinha. Imperdível!