“HISTÓRIA DE AMOR EM COPENHAGUE” (“SULT”), 2025, em cartaz na Netflix, 1h45m, Dinamarca, roteiro e direção de Louise Mieritz e Ditte Hansen. Não entendi e continuei não entendendo o que quis dizer o título original, pois a tradução literal de “Sult” é “Fome”, o que não quer dizer nada com relação à história. Essa questão fica em segundo plano considerando que o filme é muito bom. Trata-se de um drama romântico baseado no livro da escritora dinamarquesa Tine Høeg. Mia (Rosalinde Mynster), tal qual Tine, é uma escritora de sucesso. Solteirona, ela adora curtir as baladas noturnas com as amigas e não rejeita um sexo casual. Tudo mudaria quando ela conhece o simpático Emil (Joachim Fjelstrup), divorciado e com dois filhos. Na base de feitos um para o outro, os dois vivem um romance que nada parece abalar. Até que ela convence o parceiro a ajudá-la a concretizar o sonho de ser mãe. Eles tentam pela via natural, mas não dá certo. E aí decidem procurar tratamentos alternativos de fertilidade. No meio do caminho, o relacionamento entre o casal entra em crise. A atriz Rosalinde Mynster carrega o filme nas costas, com uma atuação digna de prêmios. Rosalinde é uma atriz muito interessante, um misto de Demi Moore piorada com Barbra Streisand melhorada. Enfim, uma bonita/feia, mas muito charmosa e simpática. Trocando em miúdos, “História de Amor em Copenhague” dá um sinal de inteligência no gênero drama romântico. Um filme que merece ser conferido.
terça-feira, 26 de agosto de 2025
sábado, 23 de agosto de 2025
“BOGOTÁ: A CIDADE DOS SONHOS
PERDIDOS” (BOGOTA: CITY OF THE LOST”), 2024, Coreia do
Sul, 1h48m, em cartaz na Netflix, direção de Kim Seong-je, que também assina o
roteiro com Hwang Seong-gu. Nos
materiais de divulgação não há referência sobre a história ser fictícia ou
baseada em fatos reais. Eu acredito na segunda hipótese. Em 1997, o jovem sul-coreano
Guk-Hee (Song Joong Ki) chega à Colômbia com seus pais em busca de uma vida
melhor, já que seu país enfrentava uma grave crise econômica. Ao chegar em
Bogotá, eles logo sofrem um choque de realidade: o pai de Guk-Hee é assaltado
por uma dupla de moto. A família se integra à comunidade sul-coreana, que vive
do comércio nas ruas da capital colombiana. Assim como a nossa 25 de Março, lá
também a maioria das mercadorias é proveniente de contrabando. Mediante suborno, a polícia local
finge que tudo está nos conformes. Até o dia em que um mafioso colombiano
resolve acabar com a concorrência, passando a perseguir os sul-coreanos. Ao
mesmo tempo, o jovem Guk-kee cai nas graças de Park (Kwon Hae-hyo), chefe dos
contrabandistas sul-coreanos, e sobe na hierarquia até chegar ao topo. A
história apresenta várias reviravoltas, traições e muita intriga, com uma
tensão constante mantida pelo excelente roteiro. Achei o filme muito bom.
sexta-feira, 22 de agosto de 2025
“A NOITE SEMPRE CHEGA” (“NIGHT
ALWAYS COMES”), 2025, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na
Netflix, roteiro de Sarah Conradt e direção do cineasta inglês Benjamin Caron.
A história é baseada no livro homônimo escrito em 2021 por Willy Vlautin. A
personagem principal é Lynette (Vanessa Kirby), uma mulher desajustada que já
fez de tudo na vida, desde garçonete até garota de programa, para sustentar a
família, ou seja, sua mãe Doreen (Jennifer Jason Leith) e seu irmão mais velho
Kenny (Zachary Gottsagen), que tem Síndrome de Down. Prestes a perder a casa
onde mora desde criança, Lynette tem apenas algumas horas para pagar um
empréstimo ao banco, devendo depositar 25 mil dólares. Como conseguir todo esse
dinheiro em tão pouco tempo? A resposta a esta pergunta é o mote do filme, pois
exigirá de Lynette uma verdadeira jornada de desafios durante a noite e
madrugada, quando embarca no submundo criminal de Portland. É um filme bastante movimentado, combinando situações inusitadas de
grande perigo, o que alimenta o suspense do começo ao fim. Completam o elenco
Julia Fox, Stephan James e Michael Kelly. É claro que o destaque maior é a inglesa
Vanessa Kirby, uma bela atriz e muito competente, como já comprovou em filmes
como “Pieces of Woman”, pelo qual foi indicada ao Oscar, “Napoleão” e “Missão
Impossível: Acerto de Contas”, entre outros. Vanessa arrasa mais uma vez em “A
Noite Sempre Chega”.
terça-feira, 19 de agosto de 2025
“CONFINADO” (“LOCKED”), 2025,
Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de David Yarovesky,
seguindo roteiro assinado por Michael Arlen Ross. Eddie Barrish (o ator sueco Bill
Skarsgard), um marginal “pé de chinelo” que sustenta a família praticando
furtos e traficando drogas, assim como as consome, percorre as ruas de Los
Angeles procurando novas vítimas. Quando vê um SUV de luxo – na verdade um Land
Rover Defender – em um estacionamento, resolve arrombar uma porta para furtar possíveis
objetos de valor do seu interior. Para sua surpresa, a porta do motorista
estava aberta. Ele entrou... e não saiu mais. O veículo foi adaptado para
trancar quem ousasse entrar. Resultado: Eddie caiu numa armadilha sofisticada e
mortal, sofrendo torturas inimagináveis. O dono do carro, saberíamos depois, é um sujeito
misterioso que assume o papel de justiceiro, um senhor chamado William (Anthony
Hopkins). O espectador terá a oportunidade de acompanhar praticamente dentro do
veículo o sufocante martírio do marginal até o desfecho. Essa história foi
inspirada em um caso real ocorrido na cidade de Córdoba, na Argentina, em 2016,
que também serviu de base para outros dois filmes antes deste, o argentino “4x4”,
de 2019, e o brasileiro “A Jaula”, de 2016. Segundo a crítica, “Confinado” é
muito melhor, pois conta com dois atores de ponta. O sueco Bill Skarsgard conquistou
Hollywood depois de atuar em filmes como “O Corvo”, “IT – A Coisa” e “Nosferatu”.
Anthony Hopkins dispensa apresentações. Enfim, um suspense da melhor qualidade.
domingo, 17 de agosto de 2025
“O FALSIFICADOR” (“DER
PASSFÄLSCHER”), 2022, Alemanha, 1h57m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção de Maggie Peren (“Um Dia para Sempre”). O filme,
baseado em fatos reais, conta a história do artista gráfico judeu Cioma
Schönhaus (1922/2015), cujas memórias serviram de base para o roteiro. Em 1942,
Cioma, aos 21 anos, falsificou seu documento de identidade para não ser preso e
enviado para algum campo de concentração. Ele passou a ser um oficial da marinha
alemã. Não demorou muito para ser procurado por uma organização de ajuda
humanitária para falsificar documentos de judeus. Com esse trabalho, ele salvou
centenas de pessoas durante a Segunda Guerra Mundial. Claro, passou muito perigo, pois era “visitado”
constantemente por um agente da Gestapo, a polícia do regime de Hitler, além de
ser vigiado de perto pela síndica nazista do prédio onde morava com um amigo. Em meio a
essa turbulência, Cioma ainda teve tempo de viver um romance com a jovem Gerda,
cujo namorado lutava no front. Cioma foi interpretado brilhantemente pelo ator Louis Hofmann,
da série “Dark”. Completam o elenco Jonathan Berlin, Luna Wedler e Nina
Gummichj. O filme é um tanto arrastado e filmado, na maioria das cenas, em
ambientes escuros. Vale pela história, mais uma da fonte inesgotável de
histórias ambientadas durante a Segunda Grande Guerra.
quinta-feira, 14 de agosto de 2025
“AMEAÇA NO AR” (“FLIGHT RISK”), 2025, Estados Unidos, 1h31m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro de Jared Rosenberg e direção de Mel Gibson. Este suspense de ação é o sexto longa-metragem dirigido pelo ator e cineasta Mel Gibson, que não está no elenco, reduzido praticamente a apenas três protagonistas: Mark Wahlberg, Michelle Dockery e Topher Grace. A agente federal dos EUA, Madolyn Harris (Dockery) vai para o Alasca com a missão de deter Winston (Topher), uma testemunha importante contra um chefão da Máfia. Um pequeno avião é requisitado para transportar a agente e o passageiro importante. O piloto é Daryl Booth (Wahlberg). A situação irá se complicar durante o voo, e não será por nenhuma tempestade, turbulências ou mesmo um problema mecânico. É melhor deixar o espectador assistir e não estragar as surpresas reservadas pelo roteiro. Gostaria de destacar, em primeiro lugar, a presença da atriz inglesa Michelle Dockery, que ficou conhecida por interpretar o papel de Lady Mary Crawley na série “Downton Abbey”. O filme garante muito suspense até o desfecho. Méritos ao diretor Mel Gibson, que já havia provado sua qualidade como cineasta desde o seu primeiro filme, “O Homem sem Face” (1993), e depois em “Coração Valente” (1995), “Apocalypto” (2006), “A Paixão de Cristo” (2007) e “Até o Último Homem” (2016). Seu mérito em “Ameaça no Ar” foi segurar a tensão desde o começo, colocando o espectador preso na poltrona e aflito para chegar ao desfecho.
terça-feira, 12 de agosto de 2025
“VÊNUS” (“VENUS”), 2022,
Espanha, 1h40m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jaume Balagueró (“REC”, “Enquanto
Você Dorme”), que também assina o roteiro com a colaboração de Fernando
Navarro. A história é baseada no conto “The Dreams in the Witch House” escrito
pelo romancista norte-americano H.P. Lovecraft (1890-1937). O filme é meio
maluco e conta com vários ingredientes, tudo junto e misturado: suspense, terror trash,
sobrenatural, bruxaria, humor negro, drama familiar e muito sangue jorrando na
telinha. O conjunto da obra não é ruim, pois prende a atenção do começo ao fim.
Começa com a dançarina Lúcia (Ester Expósito, da série “Elite”) roubando uma
carga de drogas do clube noturno, cujo proprietário é um violento mafioso.
Lúcia se esconde no apartamento da irmã Rocío (Ángela Cremonte), que mora com a
filha Alba (Inés Fernández) no Edifício Venus, localizado no distrito de
Villaverde, em Madrid. Não demora muito para Lúcia descobrir que o edifício
esconde forças ocultas, vizinhos esquisitos e um apartamento mal-assombrado.
Além de estar no meio dessa confusão, Lúcia terá que lidar com os capangas do
mafioso, encarregados de recuperar a droga roubada. O filme não agradou grande parte
da crítica e muitos espectadores. Mas eu curti muito, tomei alguns sustos e
me diverti bastante. Recomendo.
domingo, 10 de agosto de 2025
A GESTORA (LA JEFA), 2022,
Espanha, 1h49m, em cartaz na Netflix, roteiro de Laura Sarmiento Pallarés e
direção de Fran Torres. Desde que a vi pela primeira vez no cinema, fazendo par
romântico com Keanu Reeves em “Caminhando nas Nuvens”, de 1995, fiquei fã
incondicional da atriz espanhola Aitana Sánchez-Gijón, principalmente por sua
beleza. Foi ao ler seu nome nos créditos de “A Gestora” que me levou a assistir
a este drama de suspense espanhol e constatar que ela, agora aos 56 anos,
continua maravilhosa. Mas o filme... Aitana faz o papel de Beatriz, uma
importante empresária do mundo da moda. É uma mulher chique, arrogante e nada
simpática no trato com seus funcionários. Até que contrata uma nova assistente,
a jovem imigrante argentina Sofia (Cumelen Sanz), que logo se mostra inteligente
e cai nas graças de Beatriz. Prestes a ser promovida na empresa, Sofia anuncia
que está grávida do seu namorado, o também imigrante colombiano Nacho (Álex
Pastrana). Beatriz vê na situação uma oportunidade de contornar uma das suas
frustações: não conseguir engravidar. Ela propõe a Sofía que cuidará dela em
sua gravidez e adotará a criança. Tudo na base de um contrato. Sofía é colocada
em isolamento na mansão de Beatriz e, para a namorado, diz que vai trabalhar em
Londres por um tempo. Aos poucos, porém, todo esse contexto dramático acaba em alguns
imprevistos e é aqui que começa o suspense que traz a expectativa de uma tragédia
no desfecho. O filme até que vai bem até perto do final, quando desanda numa
série de situações pouco convincentes, inclusive no desfecho abrupto. Difícil
recomendar.
sábado, 9 de agosto de 2025
“UMA VIDA HONESTA” (“ETT ÄRLIGT
LIV”), 2025, Suécia, 2h2m, em cartaz na Netflix, direção de
Mikael Marcimain, seguindo roteiro assinado por Linn Gottfridsson. A história é
baseada no romance homônimo escrito por Joakim Zander. O jovem Simon (Simon
Lööf) chega à cidade de Lund para concretizar o sonho de se formar em Direito
na faculdade local, uma das mais prestigiosas do país. Em seu primeiro dia,
acaba se envolvendo numa manifestação estudantil, onde conhece Max (Nora Rios),
uma ativista ligada ao movimento anarquista, cena que lembra o emblemático ano
de 1968. Simon se instala num quarto alugado em uma casa onde vivem outros dois
jovens universitários certamente de famílias ricas. Ele tenta se integrar ao
ambiente da casa, mas fica incomodado com os luxos de seus vizinhos. Outro
incômodo ele encontra nas aulas de Direito, um tanto pedantes e conservadoras,
acabando por iludi-lo em suas expectativas. Quando reencontra Max, o caminho
está aberto para uma transição. Ela o leva para conhecer a república underground
onde mora com outros estudantes, numa casa pertencente a um veterano
professor adepto do anarquismo. Simon se identifica com o pensamento do grupo,
conhecido como “Bandits”. Para ingressar nele, Simon é obrigado a passar por um
teste: roubar relógios de uma relojoaria de luxo. Manipulado por Max, por quem
se apaixona, Simon começa a esquecer “a vida honesta” que pretendia seguir. O
filme é muito interessante por explorar um pano de fundo social e político num
país de primeiro mundo. Recomendo.
segunda-feira, 4 de agosto de 2025
“ANJOS DO DESERTO” (“DIRTY ANGELS”), 2024, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do veterano cineasta neozeland|ês Martin Campbell (“A Lenda do Zorro”, “A Marca do Zorro”, “007 Contra Golden Eye”, “007 - Cassino Royale”), que também assina o roteiro com Alissa Sullivan Haggis e Jonas McCord. Soldados de uma unidade de comando internacional composta apenas por mulheres se passam por membros de uma organização de ajuda humanitária para tentar resgatar jovens missionárias sequestradas no Afeganistão por Amir (George Iskandar), líder de um grupo terrorista islâmico. Amir pede uma quantia absurda para liberar as moças. Liderado pela experiente Jake (Eva Green), o grupo de soldados parte para o Afeganistão, onde enfrentarão muitos desafios para chegar até as moças sequestradas. Além de Eva Green, irreconhecível, e Iskandar, estão no elenco Maria Balakova, Ruby Rose, Emily Bruni, Rona-Lee Shimon, Laëtitia Eido e Christopher Backus. Embora o roteiro não ajude, pelo menos as cenas de ação são bem feitas, mas o resultado final deixa muito a desejar.
quinta-feira, 31 de julho de 2025
“OS RADLEY” (“THE RADLEYS”), 2024,
Inglaterra, 1h51m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro assinado por Talitha
Stevenson e direção do cineasta galês Euros Lyn (“Armadilha Mortal”, “Dream
Horse”). A história é baseada no livro homônimo escrito por Matt Haig em 2010. Misto
de comédia e terror, o filme é centrado na família Radley, um casal com dois
filhos adolescentes. Uma família aparentemente normal de um bairro classe média
em Londres. O segredo que cerca a família não é nada normal: eles são descendentes
de vampiros. Só o pai, o médico Peter Radley (Damian Lewis), e a mãe, Helen
(Kelly MacDonald), sabem disso. O casal segura o instinto vampirístico num trabalho
psicológico tipo “Alcoólicos Anônimos”, que transformou ambos em vampiros “abstêmios”.
Somente depois que a filha Clara (Bo Bragason) morde o primeiro pescoço é que o
segredo familiar vem à tona, obrigando o casal a contar a trágica verdade. A situação piora muito mais quando surge no
pedaço o irmão de Peter, Will (interpretado também por Damian Lewis), este sim
um vampiro assumido. Um vizinho da família, o policial aposentado Jared
Copleigh (Shaun Parkes), coincidentemente obcecado por vampiros (haja
coincidência!), começa a desconfiar do entra e sai da casa dos vizinhos. Até
que seu filho, o também adolescente Evan (Jay Lycurgo) acaba sendo vítima do “sanguinário”
Will. Apesar do bom elenco, o filme não engrena, pois perde o ritmo a partir da
sua metade, culminando com um desfecho pouco convincente e desconexo. Trocando em
miúdos, o resultado final é decepcionante.
quarta-feira, 30 de julho de 2025
“QUANDO A GUERRA ACABAR” (“NAR
BEFRIELSEN KOMMER”), 2023, Dinamarca, 1h40m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Anders Walter, que também assina o roteiro com a colaboração
de Miriam Nørgaard. Baseada em fatos reais, a história acontece na Dinamarca no
final da Segunda Guerra Mundial. O exército alemão, prestes a sair daquele país
depois de ocupá-lo desde o início do conflito, obriga um diretor de escola a
acolher cerca de 500 refugiados alemães, entre idosos, mulheres e crianças.
Pressionado pela população local – infelizmente não é nomeada a cidade, um
defeito do filme -, o diretor Jakob (Pilou Asbaek) se recusa a dar alimentos e
remédios aos refugiados para não ser chamado de colaboracionista. Instalados no
ginásio da escola, os recém-chegados começam a morrer de doenças e de fome.
Sensibilizado com a situação, porém, Jakob, com a ajuda da esposa Lis (Katrine
Greis-Rosenthal), começa a ajudar os alemães, arriscando-se a ser preso e até
morto pelo pessoal da resistência dinamarquesa. Enfim, mais um drama de guerra recordando
uma história trágica e ao mesmo tempo comovente. É o cinema dinamarquês tentando cicatrizar
as feridas da Segunda Guerra Mundial.
domingo, 27 de julho de 2025
“A MISTAKE” (a
Prime Vídeo manteve o título original, cuja tradução literal é “Um Erro”), 2024,
coprodução Nova Zelândia/Inglaterra, 1h41m, roteiro e direção da cineasta neozelandesa
Chistine Jeffs. Baseada no livro homônimo de Carl Shuker, a história é centrada
na médica-cirurgiã Elizabeth Taylor (Elizabeth Banks). Durante uma cirurgia de
rotina, aparentemente a retirada do apêndice, Taylor transfere um procedimento para o seu
médico-residente Richard (Richard Croughley), que comete um erro. A paciente
vai para a UTI, mas morre logo depois. A direção do hospital abre uma
investigação sobre o caso, o que resulta numa série de consequências nada
agradáveis para a médica, incluindo uma tragédia. Taylor bate de frente com a
direção do hospital, assumindo a responsabilidade pelo ocorrido e isentando seu
assistente pelo erro. Uma confusão danada. Não bastasse essa situação, Taylor
ainda enfrentaria um problemaço ao aceitar cuidar do cachorro de uma amiga.
Completam o elenco Simon McBurney, Mickey Sumner e Acacia O’Connor. O destaque
é, sem dúvida, a atriz norte-americana Elizabeth Banks, que aos 51 anos
continua bonita e ótima atriz, como já demonstrou em inúmeros outros filmes. Enfim,
“A Mistake” é um drama bastante eficiente. Recomendo.
sábado, 26 de julho de 2025
ANORA, 2024,
Estados Unidos, 2h19m, roteiro e direção de Sean S. Baker (“Projeto Flórida”). Finalmente
chega à Prime Vídeo este que foi o mais premiado filme de 2024, considerado o
melhor do ano pelo American Filme Institute e pelo National Board of
Review, além de ganhar cinco estatuetas do Oscar 2025 (veja no fim do comentário)
e a “Palma de Ouro” no Festival de Cannes. Realmente, o filme é ótimo. Conta a
história da jovem Anora, conhecida também como “Ani” (Mikey Madison), que
trabalha em Nova Iorque como garota de programa e stripper numa casa de
espetáculos no Brooklyn. Um de seus novos clientes é Ivan Zakharov (Mark
Eydelshteyn), filho mimado de um milionário russo. Ivan, de 21 anos, que vive
sozinho numa mansão espetacular, promove festas à base de drogas e muita bebida.
Ele se apaixona por Ani e a pede em casamento como forma de garantir sua
permanência nos Estados Unidos como cidadão naturalizado. Só que o casamento
não é aceito pelos pais de Ivan, que ordenam a seus capangas que cancelem o
casamento. Aí é que a confusão se instala em definitivo, pois Ivan acaba
sumindo e Ani sequestrada pelos capangas russos. A situação toma rumos
inesperados e as cenas de humor são hilariantes, comprovando que o filme é, sem
dúvida, um ótimo entretenimento. Completam o elenco Karren Karagulian, Vache
Tovmasyan, Yura Borisov, Darya Ekamasova, Vincent Tadwinsky e Alexey
Walerjewitsch Serebrjakow. “Anora” venceu o Oscar 2025 nas categorias Melhor Filme,
Melhor Atriz (Mikey Madison), Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor
Edição. Destaco em especial a atuação magistral da jovem Mikey Madison, de 26
anos, atriz que, com apenas 9 anos de carreira, já participou de diversos
filmes, entre os mais conhecidos estão “Era Uma Vez em...Hollywood”, “A
Informante” e “Pânico”, além das séries “Better Things”, “A Mulher no Lago” e
Amor e Trapaças”. Resumo da ópera, “Anora” é imperdível (Alerta final: antes de apertar o play tire as crianças da sala, pois as cenas de sexo são bem fortes).
quarta-feira, 23 de julho de 2025
O CRÍTICO (THE CRITIC), 2023,
Inglaterra, 1h42m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Anand Tucker, seguindo
roteiro assinado por Patrick Marber. Trata-se de um suspense noir baseado no livro “Curtain
Call”, escrito por Anthony Quinn e lançado em 2015. A história, ambientada em
1934, é centrada no crítico teatral Jimmy Erskine (Ian McKellen), que tem sua
coluna publicada há 40 anos no jornal “The Daile Chronicle”. Ele é muito respeitado
no meio artístico, sempre se destacando pelas suas críticas mordazes. Enfim, um
crítico implacável. Homossexual assumido, assim como o ator, Erskine mora com
seu assistente e amante, o jovem Tom Turner (Alfred Enoch). Apesar dessa
relação, Erskine apela para a promiscuidade nas noites em que passeia por um
parque repleto de rapazes de programa. Até que numa noite é flagrado pela
polícia. A notícia se espalha por Londres e chega ao conhecimento do visconde
David Brooke (Mark Strong), administrador do jornal, que resolve demiti-lo.
Como ainda terá alguns dias de aviso prévio, Erskine resolve, como vingança, colocar
em prática um jogo de chantagem emocional envolvendo a jovem atriz Nina Land
(Gemma Arterton) e que culminará em duas grandes tragédias. O filme é muito bom,
a história é ótima, com destaque para uma primorosa recriação de época. Como
trunfo adicional temos ainda um excelente elenco, do qual fazem parte ainda Lesley
Manville, Romola Garai, Matthew Cottle, Ed Madden, Ben Barnes, Beau Gadsdon e
Claire Skinner. Os grandes destaques são, sem dúvida, as ótimas atuações do
veterano ator inglês Ian McKeller, com grande vigor mesmo aos 86 anos – no ano
da filmagem – e a bela Gemma Arterton, espetacular como a atriz que se submete
às chantagens do crítico. Gostei muito do filme e recomendo.
segunda-feira, 21 de julho de 2025
A segunda temporada, também de
8 episódios, recebeu o título de “Dirty John: The Betty Broderick Story”.
A história é centrada num casal que passa por um tumultuado processo de
divórcio que acabaria numa tragédia. Betty Broderick, a esposa, descobre que o
marido, um advogado famoso, tem um caso com a secretária do escritório, mas
quem acaba sofrendo as consequências é ela própria, submetida a um inferno
psicológico que a levou a perder tudo, inclusive os filhos. No elenco, Amanda
Peet, Cristian Slater, Rachel Keller e Missi Pyle.
As duas histórias são baseadas
em fatos reais descritos em reportagens publicadas no podcast do jornalista Christopher Goffard,
do Los Angeles Times. A série foi muito elogiada principalmente por tratar de
temas bastante atuais como violência doméstica, manipulação psicológica e
relacionamentos abusivos, com interpretações primorosas dos nomes principais do
elenco, como Eric Bana, Connie Britton, Cristian Slater e Amanda Peet.
Realmente, a série é excelente. Imperdível!
sábado, 19 de julho de 2025
ENNIO, O MAESTRO (ENNIO, IL
MAESTRO), 2022, Itália, documentário de 2h36m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção de Giuseppe Tornatore. Quem acompanha meu blog já
percebeu que documentários são pouco comentados. Mas não poderia deixar de lado
o documentário sobre o maestro e compositor italiano Ennio Morricone (1928-2020),
um dos grandes gênios da música no século XX. Ainda mais que o diretor é Giuseppe
Tornatore, responsável por pequenas obras-primas do cinema, como “Cinema
Paradiso”, “Malèna”, “A Lenda do Pianista do Mar”, "Baaria – A Porta do Vento”,
entre tantos outros. A ideia do documentário sobre Morricone surgiu em 2016, e
o maestro só concordou se fosse dirigido por Tornatore. Para se ter uma ideia
da importância de Morricone para a música do século XX basta dizer que ele compôs
cerca de 500 trilhas sonoras para o cinema, além de centenas de outras composições.
O maestro italiano deixou fãs por todo o mundo, começando pelas trilhas dos
faroestes italianos da década de 60, entre os quais “Por um Punhado de Dólares”
e “Era uma Vez no Oeste”. Lembram-se daqueles assobios como parte da trilha?
Tornatore conseguiu inúmeros depoimentos de músicos, cantores, maestros e
cineastas para o documentário, entre os quais do próprio Morricone e Tornatore,
além de Clint Eastwood, Quincy Jones, Quentin Tarantino, Bruce Springsteen, Gino
Paoli, Gianni Morandi, Pat Metheny, Lina Wertmüller, Bernardo Bertolucci,
Sérgio Leone, Joan Baez e Brian de Palma, entre tantos outros, todos admiradores da obra de
Morricone. Intercaladas a estes depoimentos estão várias cenas dos filmes, um
trunfo a mais deste que é um documentário imperdível para músicos e cinéfilos.
Emocionante do começo ao fim!
sexta-feira, 18 de julho de 2025
“UM TIPO DE LOUCURA” (“A KIND
OF MADNESS”), 2025, África do Sul, 1h39m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção de Christiaan Olwagen. Drama familiar, com uma história de amor
e aceitação, formando um verdadeiro carrossel de emoções. Esses ingredientes fazem parte
da história desse belo filme do pouco conhecido cinema sul-africano. Dan Hart (Ian
Roberts) e Elna (Sandra Prinsloo), se conheceram ainda muito jovens e, mesmo
sem se casarem oficialmente, tiveram três filhos. Começa o filme e voltamos no
tempo para acompanhar o início do romance de Daniel e Elna (vividos por Luke
Volker e Ashley de Lange). A história dá um salto no futuro e nos surpreende
com a fuga de Elna da clínica com a ajuda de Daniel. O objetivo do casal é
pegar a estrada, casar e chegar até o litoral, subir num barco e sair pelo mundo como
última viagem. Desesperados, Lucy, Olivia e Ralph, os três filhos, saem em
busca dos pais e, a partir daí, o filme se transforma num road-movie, durante
o qual os personagens terão a oportunidade de discutir o relacionamento,
aplacar divergências do passado e tomar as decisões que a situação está
exigindo. Completam o elenco – todos sul-africanos - Erica Wessels (Lucy), Amy
Louise Wilson (Olivia) e Evan Hengst (Ralph). O grande destaque é, sem dúvida,
a incrível atuação da veterana atriz Sandra Prinsloo, de 77 anos. Enfim, “Um Tipo de
Loucura” é um drama sensível e comovente. Cinema de qualidade. Não perca!
segunda-feira, 14 de julho de 2025
“APACHES – GANGUES DE PARIS” (“APACHES”), 2023, coprodução França/Bélgica, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Romain Quirot, que também
assina o roteiro com a colaboração de Fannie Pailloux e Antoine Jaunin. Para
contextualizar a história do filme, existiam na Paris do fim do século XIX
várias gangues de marginais que agiam na cidade, assaltando, sequestrando e
vandalizando. Os alvos eram os de sempre: os burgueses. Ou seja, a classe mais
abastada. Uma das gangues mais famosas e temidas era chamada “Os Apaches”, que aterrorizaram
a capital francesa de 1890 até 1905. Os autores do roteiro aproveitaram esse ingrediente
para criar uma história colocando como protagonista principal a jovem Billie
(Alice Isaaz), que ingressa na gangue para se vingar da morte do seu irmão
Tricky (Malik Frikah), anos antes, provocada pelo líder da gangue, o violento Jésus (Niels
Schneider). Para ingressar no grupo criminoso, ela é obrigada a cometer alguns
assassinatos, inclusive o de um novo chefe de polícia. Completam o elenco
Dominique Pinon, Rod Paradot, Bruno Lochet, Emilie Gavois e Chloé Peillex.
Resumindo, “APACHES” é um filme que proporciona uma primorosa ambientação de
época, incluindo cenários e figurinos, mas é desagradável de assistir por mostrar
uma Paris sem nenhum charme, com muita sujeira, pobreza, prostituição à luz do dia e violência. Em todo
caso... tem a presença da bela atriz Alice Isaaz.
“NOSFERATU”, 2024,
coprodução Estados Unidos/República Checa, 2h14m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro
e direção de Robert Eggers (“O Farol”, “A Bruxa”, “O Homem do Norte”). Esta é
mais uma adaptação para o cinema do romance “Drácula”, escrito em 1897 por Bram
Stoker. A mais famosa é a de 1922, “Nosferatu”, considerada uma obra-prima do
expressionismo alemão. Também posso citar “Nosferatu: O Vampiro da Noite”, de
1979, e “Nosferatu: A Symphony of Horror, de 2023. Esta última adaptação, de
2024, recebeu quatro indicações ao Oscar (Melhor Figurino, Melhor Cabelo e
Maquiagem, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte”). Não ganhou a estatueta
em nenhuma. No elenco, os papeis principais foram interpretados por Lily-Rose
Depp (filha do ator Johnny Depp e da atriz Marisa Paradis), Nicholas Hoult,
Aaron Taylor-Johnson, Bill Skarsgard, Emma Corrin e Willem Dafoe. Nesta última
versão, ambientada em 1838, na Alemanha, a vítima da vez é Ellen Hutter (Depp),
esposa do corretor imobiliário Thomas Hutter (Hoult). O Conde Orlok (Skarsgard), que nas
horas vagas se transforma no vampiro Nosferatu, se apaixona pela moça, que
desde jovem tem sonhos assustadores, visões sobrenaturais e alucinações. Esse
sofrimento só será evitado se ela se entregar sexualmente a Nosferatu, que sai
da Transilvânia para concretizar o seu desejo. O filme tem seus méritos, como a
excelente fotografia e a ambientação de época, mas o resultado final não me convenceu.
sexta-feira, 11 de julho de 2025
“RETORNO A SEUL” (“RETOUR À SÉOUL”), 2022,
coprodução Camboja/França/Bélgica/Alemanha, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e
direção do cineasta francês Davi Ghou. Drama estreou, com muitos elogios, no Festival
de Cannes 2022 na seção Un Certain Regard e representou o Camboja
na disputa do Oscar 2023 na categoria Melhor Longa-Metragem Internacional. O
filme não é tão bom para merecer tanto, mas não é tão ruim para ser rejeitado.
Com base em 25 resenhas de críticos profissionais, o filme obteve um índice de
aprovação de 96%, um resultado excelente em se tratando do site Rotten
Tomatoes. A história é centrada na jovem Frédérique “Freddie” Benoît (Ji-Min Park) que, 25 anos
depois de ser adotada por um casal francês, volta a Seul (Coreia do Sul) para tentar
encontrar os seus pais biológicos. A tarefa não é fácil, e Freddie acaba
ficando na capital sul-coreana, se envolvendo em inúmeras situações
inesperadas, mostrando um comportamento não muito adequado muitas vezes, até
inconveniente em algumas ocasiões. Chega a se envolver com traficantes de armas, situação que não é muito destacada no roteiro, que se prende apenas na busca do pai e da mãe. Ao mesmo tempo, convive em certos momentos com uma certa apatia e depressão.
Falado em coreano, inglês e francês, “Retorno a Seul” não é um filme para o
grande público, pois é reflexivo, contemplativo, intimista e lento demais, mas
tem suas qualidades como filme de arte que pretende ser.
quarta-feira, 9 de julho de 2025
“CHEFES DE ESTADO” (“HEADS OF
STATE”), 2025, Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção do cineasta russo Ilya Naishulledr (“Anônimo”, “Hardcore: Missão
Extrema”), seguindo roteiro assinado por Josh Appelbaum, André Nemec e Harrison
Query. Estamos apenas no meio do ano, mas eu não tenho dúvida em afirmar que este
será eleito senão o melhor, um dos melhores filmes de ação de 2025. Aliás, uma
comédia de ação. Após um encontro formal em Londres, durante o qual o
presidente norte-americano Will Derringer (John Cena) e o primeiro-ministro
inglês Sam Clarke (Idris Alba) não se entenderam muito bem, os dois mandatários
foram aconselhados por assessores políticos a viajarem juntos no Air Force One
para Trieste, na Itália, onde participariam de uma reunião de cúpula da OTAN.
No meio do voo, porém, o avião é atacado e acaba explodindo. Claro que os
únicos sobreviventes são o presidente e o primeiro-ministro. A ação não para
por aí. A dupla enfrentará muitas situações de perigo ao longo do caminho que
os levará a Trieste. Para isso, contarão com a ajuda de Noel Bisset (a atriz
indiana Priyanka Chopra), uma agente do M16 (serviço secreto inglês)
especialista em armas e artes marciais. Completam o elenco Carla Gugino, Jack
Quaid (filho do ator Denis Quaid), Paddy Considine, Sarah Niles, Alexander Kuznetsov,
Sharlto Copley, Clare Foster, Katrina Durden e Ingeborga Dapkunaite. Além das
ótimas cenas de ação, outro trunfo do filme é a química entre John Cena, Idris
Alba e Priyanka Chopra. Resumindo, “Chefes de Estado” é um entretenimento de
primeira. Imperdível!
segunda-feira, 7 de julho de 2025
“MEU NOME ERA EILEEN” (“EILEEN”),
2023,
Estados Unidos, 1h38m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta inglês William
Oldroyd, seguindo roteiro assinado por Luke Goebel, marido de Ottessa Moshfegh,
autora do livro “Eileen”, de 2015, no qual a história do filme é baseada.
Trata-se de um suspense bem ao estilo daqueles que consagraram Alfred Hitchcock,
incluindo reviravoltas e o mesmo tipo de trilha sonora. Enfim, uma história
sinistra cuja tensão aumenta a cada cena. Estamos nos anos 60 do século passado e
somos apresentados a Eileen Dunlop (Thomasin Mackenzie), funcionária de um
centro de detenção juvenil em Boston. Filha de um pai alcóolatra, Eileen vive
um cotidiano triste e solitário, sem amigos ou namorados. Esse comportamento muda
quando chega ao centro de detenção a psicóloga Rebecca St. John (Anne Hathaway),
um tipo de mulher (literalmente) fatal, loira à Marilyn Monroe. Logo pinta uma
amizade entre a psicóloga e Eileen, feliz da vida por alguém dar-lhe atenção.
Aos poucos, porém, Eileen fica obcecada pela psicóloga, imitando seus trejeitos
e o modo de fumar. Parece que a amizade vai acabar entre lençóis, mas o caso é somente de manipulação, como será comprovado nos minutos finais. Tudo tem a ver com um
jovem detido depois de ter assassinado o pai. Rebecca resolve investigar o caso
e chega à conclusão que a mãe do garoto também tem culpa no cartório. Uma reviravolta passa a
conduzir a história, com muita tensão até o desfecho. Ótimas atuações de três
atrizes valorizam esse excelente suspense: Thomasin McKenzie, Anne Hathaway e
Marin Ireland no papel de Rita Polk, mãe do jovem assassino. Trocando em
miúdos, “Meu Nome Era Eileen” é um suspense de muita qualidade.
domingo, 6 de julho de 2025
“THE OLD GUARD 2”, 2025,
Estados Unidos, 1h45m, em cartaz na Netflix, direção de Victoria Mahoney,
seguindo roteiro assinado por Sarah L. Walker. Sequência do filme de 2020, mais
uma aventura dos guerreiros imortais da Graphic Novel criada por Greg
Ricka e Leandro Fernandez. Liderada por Andy (Charlize Theron), o grupo de
guerreiros novamente tentarão salvar o mundo. Desta vez, a vilã é Discord (Uma
Thurman), a primeira dos imortais. Andy, também conhecida como Androma of
Scythia, descobre que se tornou mortal e que nessa aventura terá que se cuidar
para não morrer. Ao contrário do primeiro filme, este tem menos ação e mais
papo furado, mas o resultado final não é decepcionante – o primeiro é bem
melhor. Completam o elenco, entre outros, Ngô Thanh Vân, Kiki Layne, Henry
Golding, Chiwetel Ejiofor, Matthias Schoenaerts, Marwan Kenzari e Luca
Marinelli. Impossível não destacar a presença da atriz sul-africana Charlize Theron, cada
vez mais bonita e competente, ainda em grande forma física aos 49 anos. Só ela vale o ingresso. Conforme o desfecho deu a entender, vem mais uma
sequência por aí, não sei quando. Uma confissão: esse tipo de filme não me
agrada, pois não engulo esse negócio de guerreiros imortais etc. Imagino uma
plateia de jovens nerds, aqueles que vão para o cinema vestidos como os
personagens. Tô fora!
sábado, 5 de julho de 2025
K.O. (utilizadas
inicialmente nas lutas de boxe, as duas letras significam nocaute, do inglês “knockout”),
2025, França, 1h30m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Antoine
Blossier (“O Pequeno Órfão”, “A Presa”). Começa o filme com uma luta de MMA.
Bastien (Ciryl Gane) vence a luta por nocaute, mas seu adversário morre no
ringue. Traumatizado, Bastien abandona as lutas e se isola. Até o dia em que, três anos depois, Emma
(Anne Azoulay), viúva do lutador morto, o procura para ajudá-la a encontrar o
filho adolescente Léo (Maleaume Paquin), que presenciou um assassinato e agora
é perseguido por uma gangue da pesada chamada de “Os Manchours”, que domina o
submundo do crime em Marselha. Juntamente com a capitã de polícia Kenza (Alice Belaïdi), Bastien tentará
encontrar o garoto. Essa procura termina em grandes pancadarias, muitos tiros e
sangue jorrando. As cenas de ação são ótimas. Não é para menos, pois o ator Ciryl
Gane, um brutamontes de 1,93m, é um ex-lutador de UFC, Muay Thai e especialista
em artes marciais mistas. Este é o seu primeiro papel como protagonista. Ele
já havia participado de outros filmes como personagem secundário em “Covil de
Ladrões 2”, “Resgate em Medellin” e nas séries “Validé” e “O Ringue”. Tudo bem
que Ciryl Gane é o astro do filme, mas quem realmente dá um show é a atriz
Alice Belaïdi como a policial brava e esquentada que não tem medo de cara feia.
Trocando em miúdos, “K.O.” é mais um ótimo filme francês de ação.
“O CASO ASUNTA” (“EL CASO
ASUNTA”), 2024, Espanha, minissérie de 6 episódios em cartaz na
Netflix, direção de Carlos Sedes e Jacobo Martínez, seguindo roteiro assinado
por Ramón Campos e Gema R. Neira. A história é baseada em fatos reais ocorridos
a partir de 2013 na cidade de Santiago de Compostela. Começa com o misterioso
desaparecimento da adolescente Asunta Basterra (Iris Wu), de 13 anos, filha
adotiva do casal Rosario Porto (Candela Peña) e Alfonso Basterra (Tristán Ullua).
O caso chega à polícia local, que designa os agentes Javier Ríos (Carlos
Blanco) e Cristina Cruces (María León) para iniciar as investigações, sob a
supervisão do Juiz Malvar (Javier Gutiérrez). Logo no início das buscas o corpo
da menina é encontrado sem vida à beira de uma estrada rural. Os primeiros indícios
sugerem que o casal esteja envolvido no crime, que teve grande repercussão na
mídia, provocando comoção em todo o país. Rosario e Alfonso, que sempre negaram
o crime, apresentam comportamento estranho e ficam presos até o julgamento, cujo resultado deixo de lado para o
espectador aguardar o desfecho da minissérie. Completam o elenco Vianessa
Castaños, Alicia Borrachero, Raúl Arévalo, Francesc Orella e Judith Fernándes. Fora
o interesse evidente sobre a história, pouco divulgada por aqui, a minissérie não
acrescenta muito mais para merecer uma recomendação entusiasmada.
segunda-feira, 30 de junho de 2025
“EM ALGUM LUGAR DO QUEEN’S” (“SOMEWHERE
IN QUEENS”), 2023, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Ray Romano, que também assina o roteiro com Mark
Stegemann. É o primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo comediante Ray
Romano, que também atua no filme. Trata-se de uma comédia dramática centrada na família ítalo-americana
Russo, cujo patriarca, Dominick Russo (Tony Lo Bianco), é proprietário de uma
empresa de reformas e consertos de residências. Seus dois filhos e netos
trabalham na empresa. Enfim, uma família tradicional que atua há muitos anos no
condado do Queens. Em meio às inúmeras festas da família, seja batizados,
aniversários ou casamentos, lá está todo mundo se divertindo, comendo e dançando.
Leo Russo (Ray Romano), um dos filhos de Dominick, casado com Angela (Laurie
Metcalf), acompanha de perto a performance do seu filho Matthew, de 18 anos,
nas quadras de basquete. Seu sonho é que Matthew consiga uma bolsa de estudos
numa universidade, facilitada por seu desempenho no basquete. Só que Matthew se
apaixona por Dani (Sadie Stanley), o que pode significar um desvio de rumo em
seu objetivo de conquistar a bolsa. Essa complicação domina o enredo até o
desfecho, envolvendo a família Russo inteira. E sabem como é família italiana,
todo mundo quer dar palpite em tudo. O filme é agradável, leve, tem humor e romance
na medida certa, transformando “Em Algum Lugar do Queen’s” num ótimo
entretenimento. Este foi o último filme do veterano ator Tony Lo Bianco, que faleceu um ano
depois do final das filmagens.
domingo, 29 de junho de 2025
“HOMEM COM H”, 2025,
Brasil, 2h09m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Esmir Filho (“Os
Famosos e os Duendes da Morte”, série “Boca a Boca”). Cinebiografia do cantor
Ney Matogrosso, baseada no livro “Ney Matogrosso: A Biografia”, escrito por
Julio Maria e lançado em 2021. Gostem dele ou não, o fato é que Ney Matogrosso
fez e continua fazendo um grande sucesso, principalmente nos palcos pelo Brasil
afora, cantando e dançando mesmo agora, aos 83 anos. Todo mundo conhece o artista
Ney Matogrosso, mas poucos conhecem Ney de Souza Pereira, o cidadão nascido em
Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, filho de Antônio Matogrosso (Rômulo Braga),
um militar de carreira ultraconservador da Aeronáutica. O menino Ney sofreu nas
mãos do pai, apanhou muito dele e por causa dele fugiu de casa aos 18 anos,
alistando-se como cadete na própria Aeronáutica. O filme destaca o início da
carreira de Ney como cantor do grupo Secos & Molhados, ponto de partida
para o seu sucesso solo, já como Ney Matogrosso. “Homem com H” também relembra
a perseguição que o artista sofreu dos censores da ditadura militar,
principalmente na segunda metade dos anos 70. Eles ordenaram a Ney que evitasse
rebolar e reduzir os movimentos sensuais. Ney não obedeceu e manteve, corajosamente, o seu estilo polêmico e ousado. Outro destaque da cinebiografia é o espaço dedicado a seus
vários amantes nos anos 80, um deles o cantor e compositor Cazuza (Jullio
Reis). Ney viu todos eles morrerem durante a epidemia de HIV, do qual saiu
milagrosamente ileso. As cenas de sexo são fortes, podem incomodar, mas são bem
realizadas. Um dos maiores trunfos é, sem dúvida, o desempenho impressionante
do ator pernambucano Jesuíta Barbosa na pele do astro, principalmente nos
palcos. Outro fator que alavancou o filme nas bilheterias e na audiência da Netflix
foi a saborosa trilha sonora com 15 músicas – “Rosa de Hiroshima”, “Bandido Corazón”,
“Pro Dia Nascer Feliz”, “Sangue Latino” e “Homem com H”, só para citar algumas.
Completam o elenco Bruno Montaleone, Lara Tremouroux, Carol Abras e Hermila
Guedes. Trocando em miúdos, mais uma ótima cinebiografia para curtir na telona ou
na telinha. Imperdível!
sexta-feira, 27 de junho de 2025
“NEFARIOUS”, 2023,
Estados Unidos, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Cary
Solomon e Chuck Konzelman. Grata surpresa este ótimo terror psicológico, baseado
no livro “A Nefarious Plot” (“Nefarious: O Plano Maligno”) livro de 2016
escrito por Steve Deace. Vamos à história. No dia da sua execução, marcada para
as 23 horas, o serial killer Edward Wayne Brady deve passar por uma última
avaliação psiquiátrica. Caso seja considerado doente mental, escapará da
cadeira elétrica. A avaliação fica a cargo do psiquiatra James Martin (Jordan
Belfi) - o psiquiatra que atendia o preso se suicidou. Dr. Martin conversa com o preso tentando descobrir sua
verdadeira situação psicológica. Os dois começam a dialogar e Edward parece
estar possuído por uma entidade demoníaca, o Nefarious do título. De início, o psiquiatra
acha que ele está fingindo, mas se surpreenderá com os fatos que virão à tona
logo depois. O embate entre os dois é o maior trunfo do filme, com diálogos em
que eles discutem filosofia, humanidade, história e religião, entre outros, temas que Edward
- ou Nefarious – demonstra conhecer a fundo. Outro destaque que não se pode
negar é o desempenho impressionante do ator Sean Patrick Flanery, tanto falando
como o demônio como na pele do serial killer acusado de pelo menos 7 assassinatos, confessando
outros quatro para o psiquiatra. Aos 59 anos, Flanery tem um extenso currículo
no cinema, embora tenha atuado em filmes pouco convincentes como “Frank & Penelope”,
“Nascido para Vencer” e “Energia Pura”, só para citar alguns. Mesmo ambientado em apenas um cenário,
ou seja, uma sala de interrogatório, o filme mantém um nível de tensão que
prende o espectador na beira da poltrona do começo ao desfecho. Dessa forma, “Nefarious”
demonstra que ainda há vida inteligente no cinema independente norte-americano. IMPERDÍVEL,
assim mesmo, com letras maiúsculas.
quarta-feira, 25 de junho de 2025
“ATÉ A ÚLTIMA GOTA” (“STRAW”), 2025,
Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Tyler Perry.
Imagine você acordar e logo receber a notícia de que vai ser despejada por falta de pagamento. Assim
começou o dia de Janiyah Witkins (Taraji P. Henson), uma mãe solteira prestes
também a perder o emprego cujo salário mal dá para sobreviver e pagar os remédios da filha
doente. Já à beira de um ataque de nervos, ela ainda enfrentará muitos
problemas, como se envolver numa confusão de trânsito com um policial e ainda
ser acusada de assalto. E pior, de homicídio. Desesperada, ela entra na sua agência
bancária para descontar um cheque, o que lhe é negado. É a gota d’água (ou a
última gota do título) para ela se armar com uma pistola e ameaçar todo mundo,
mobilizando a polícia local, a SWAT e até o FBI. O filme lembra muito “Um Dia
de Fúria”, com Michael Douglas, um grande sucesso de 1993. A tensão predomina do
começo ao desfecho, destacando a excelente atuação da atriz Taraji P. Henson,
comprovando a mesma competência que já demonstrou em outros filmes, como o ótimo “Estrelas
Além do Tempo”, (2016), “Proud Mary” (2018) e “A Cor Púrpura” (2023), entre
outros. Embora eu tenha gostado de “Até a Última Gota”, me incomodou de novo o fato
do cineasta Tyler Perry escalar praticamente todo o elenco com atores negros,
embora na maioria dos seus filmes, inclusive neste, ele introduz sempre a
questão do racismo nos Estados Unidos, quando quase todas as atrizes apareçam
com os cabelos alisados, uma incoerência constante de Perry.
segunda-feira, 23 de junho de 2025
domingo, 22 de junho de 2025
EXPIAÇÃO (SWIETY), 2023, coprodução Polônia/Hungria, 1h45m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e
direção de Sebastian Buttny. Trata-se de um suspense policial com pano de fundo
político e religioso. A história é baseada em fatos reais, ou seja, as
consequências do roubo da estátua de Santo Adalberto na catedral da cidade de
Gniezno, na Polônia. O ano é 1986 e o caso teve grande repercussão no país,
pois Santo Adalberto, também conhecido como Wojciech, foi uma figura central na
história do país, um missionário e bispo célebre por difundir o cristianismo
entre os povos eslavos no século 10. O tenente Andrzej Baran (Mateusz
Kosciukiewicz), da Milícia dos Cidadãos, ficou encarregado de investigar a
autoria do roubo. Durante o seu trabalho, porém, ele começou a receber pressão de
setores da Igreja, autoridades policiais e do governo comunista por intermédio
do Ministério da Segurança Pública (SB), o equivalente polonês da KGB. Até o
desfecho o espectador acompanhará todo o trabalho do tenente Andrzej, suas idas e
vindas ao local do roubo e ainda uma série de interrogatórios que o ajudarão na
solução do caso. Uma das cenas mais poderosas do filme é aquela em que acontece
a reconstituição do roubo, acompanhada por policiais, padres, imprensa e centenas de
devotos do Santo Adalberto. O roteiro não facilita o entendimento da história para o espectador, tornando EXPIAÇÃO um filme não destinado ao grande público, mas é
muito interessante e bem feito.
sábado, 21 de junho de 2025
“O ÚLTIMO RESPIRO” (“LAST
BREATH”), 2025, coprodução Estados Unidos/Inglaterra/Irlanda do
Norte, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Alex Parkinson (“Lucy, O
Chimpanzé Humano”, A Vida dos Leopardos”), que também assina o roteiro ao lado
de Mitchel LaFortune e David Brooks. O filme conta uma história incrível de
sobrevivência ocorrida em setembro de 2012. Uma equipe de mergulhadores profissionais
sai do porto da cidade de Aberdeen, na Escócia, a bordo do navio “Bibby Topaz”,
para realizar uma manutenção periódica de equipamentos localizados em águas
profundas do Mar do Norte. Enquanto dois mergulhadores descem numa “gaiola” para fazer
o serviço, a embarcação, devido ao mau tempo e mar agitado, sofre problemas no
sistema de posicionamento dinâmico, ficando praticamente à deriva. Nessa hora,
o cordão de sustentação de um dos mergulhadores se parte e ele fica praticamente
isolado nas profundezas, preso num equipamento a cerca de 100 metros de
profundidade e restando apenas 10 minutos de oxigênio. Pouco tempo para que o
seu resgate seja possível. Somente 29 minutos depois que o seu oxigênio
terminou é que um outro mergulhador consegue puxá-lo de volta à gaiola. Dado
inicialmente como morto, o mergulhador consegue literalmente ressuscitar, um
verdadeiro milagre que nem a ciência e os especialistas conseguem explicar. “O
Último Respiro” conta toda essa história com muita competência, destacando as
primorosas imagens submarinas e uma tensão que leva o espectador a eriçar os
pelos da nuca. O elenco conta com Finn Cole, Woody Harrelson, Simu Liou, Cliff Curtis,
Myanna Buring, Bobby Raisnbury, Djimon Hounsou e Mark Bonnar. A ideia do filme
surgiu depois que o próprio diretor Alex Parkinson realizou o documentário “Last Breath”,
em 2019, contando a história sob o ponto de vista jornalístico, provando que o
mergulhador profissional é uma das profissões mais perigosas do mundo. Trocando
em miúdos, “O Último Respiro” é um filmaço! Para encerrar, lembro que após o
desfecho aparecem imagens de alguns dos personagens reais que viveram aquela
grande aventura.
quinta-feira, 19 de junho de 2025
“MIKAELA”, 2025,
Espanha, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Daniel Calparsoro (“O
Aviso”, “O Engregador”, “Até o Céu”) e roteiro direção de Arturo Ruiz. A tal “Mikaela”
do título é o nome que as autoridades espanholas deram à violenta nevasca sem precedentes que
atingiu e paralisou as estradas na região entre Madrid e Segóvia no feriado
religioso do Dia dos Reis, no dia 6 de janeiro. Ou seja, em pleno inverno. Impedidos
de circular, os veículos ficaram parados à noite nas estradas. Numa delas, três
assaltantes se aproveitam do caos e roubam um carro-forte, matando seus seguranças
e fugindo com o dinheiro. O alarme é acionado e chega ao conhecimento do
policial veterano Leo (Antonio Resines), que também está preso no enorme
congestionamento. Com a ajuda de uma policial novata (Natalia Azahara), Leo
parte para a ação contra os assaltantes, que na fuga ainda sequestram um pai de
família. Toda a ação é acompanhada pela central de monitoramento da polícia,
que orienta a dupla de policiais na perseguição aos assaltantes debaixo de
muita neve. A tensão não para até o desfecho, o que torna “Mikaela” um ótimo
entretenimento, dosado com algumas boas cenas de ação e humor. Completam o elenco Roger Casamajor,
Adriana Torrebejano, Antón Pavel, Cristina Kovani, Patricia Vico, Rocio Muñoz,
Bernabé Fernández e Javier Albalá.
segunda-feira, 16 de junho de 2025
“TEMPO DE GUERRA” (“WARFARE”),
2025, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Ray
Mendoza e Alex Garland (“Guerra Civil”). É um filme para espectadores de
estômago forte, ainda mais por ser baseado em fatos reais. O ano é 2006 durante
a Guerra do Iraque e o cenário é a cidade de Ramadi, ocupada por militantes ligados à Al Qaeda. Um pelotão
de fuzileiros navais do exército dos Estados Unidos ocupa uma casa estrategicamente
localizada para vigiar os movimentos dos guerrilheiros. Só que o tirou saiu
pela culatra, pois foram os inimigos que localizaram a casa, colocando-a sob
fogo intenso. Uma granada é jogada pela janela e fere gravemente dois soldados.
Pelo rádio, os norte-americanos pedem socorro médico e, minutos depois, chega
um tanque para resgatar os feridos. Durante o procedimento, uma bomba explode o
veículo, matando e ferindo gravemente mais outros soldados. Enfim, uma
carnificina, que depois acabou sendo chamada de “a batalha de Ramadi”. O
episódio foi vivido pelo co-diretor Ray Mendonza, ex-fuzileiro naval que estava
naquele pelotão. Dessa forma, o filme foi realizado de acordo com o relato de
Mendonza, mostrando a tensão dos soldados diante da possível invasão da casa
pelos terroristas, gerando cenas intensas de violência e suspense. Não tenho dúvida em afirmar que “Tempo
de Guerra” é um dos retratos mais viscerais sobre os horrores de uma guerra.
Lembrei de um filme bastante semelhante, “Falcão Negro em Perigo”, de 2001,
dirigido por Ridley Scott. “Tempo de Guerra” não é melhor, mas é tão bom
quanto. É igualmente perturbador, realista e claustrofóbico, com alto nível de
tensão. Quanto ao elenco, é formado por atores jovens que dão conta do recado. IMPERDÍVEL!, assim mesmo, em letras maiúsculas.
domingo, 15 de junho de 2025
“UM ÁLIBI” (“AN ALIBI”), 2022,
França, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção de Orso Miret, seguindo roteiro assinado por Emmanuel Mauro e Laurente Roggero.
Quem assistir a este suspense vai lembrar na hora do velho ditado popular “Mentira
tem Perna Curta”. A história é bem legal, prende atenção até o desfecho, graças
a um primoroso roteiro e um ótimo elenco. Quando um grupo de amigos chega à casa da amiga
aniversariante Lucie (Sara Martins), o cenário é trágico: ela está morta nos
braços do marido Max (Pascal Demolon). Eles chamam a polícia e, percebendo que Max,
todo cheio de sangue, poderá ser considerado suspeito, inventam um álibi. Interrogados
pela inspetora Garnier (Aurélia Petit), os amigos mantêm o álibi, mas a policial,
experiente, não cai na história. Sobra para o marido, que, embora negue ser o
culpado, é detido por ser o principal suspeito. O mistério sobre o assassinato
só será revelado perto do desfecho, numa reviravolta surpreendente. Completam o
elenco Annelise Hesme, Michaël Cohen, Yannick Choirat, Grégori Derangère e
Saverio Maligno. Sem dúvida, um filme bastante interessante e agradável de
assistir. Um suspense de primeira.
quinta-feira, 12 de junho de 2025
“A NOITE DAS BRUXAS” (“A
HAUNTING IN VENICE”), 2023, coprodução Inglaterra/Estados
Unidos/Itália, 1h43m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Kenneth Branagh, que
também assina o roteiro com Michael Green. Este é o terceiro filme da trilogia
adaptada para o cinema pelo ator e cineasta inglês Kenneth Branagh da obra da
escritora Agatha Christie. O primeiro foi “Assassinato no Expresso Oriente (2017),
e o segundo “Morte no Nilo” (2022), sempre com Branagh atuando no papel do
inspetor Hercule Poirot. “A Noite das Bruxas” foi adaptado do livro “Hallowe’en
Party”, de 1969. A história é ambientada em 1947, quando Poirot curte sua
aposentadoria em Veneza, protegido pelo seu guarda-costas italiano Vitale
Portfloglio (Ricardo Scamarcio). Mas seu descanso não durará muito. Ao receber
a visita de sua amiga Ariadne Oliver (Tina Fey), uma escritora de romances de
mistério, ele aceita participar de uma sessão espírita na casa da cantora
lírica Rowena Drake (Kelly Reilly). A convidada especial é a misteriosa médium
sra. Reynolds (Michelle Yeoh). Rowena promoveu a reunião para tentar se
comunicar com a filha, que morreu afogada meses antes. Após o encerramento da
sessão, porém, mais uma morte misteriosa acontece, levando Poirot a acreditar
que o assassino está entre os convidados. E por aí vai a história, quando o
responsável pelas mortes será revelado adivinha por quem? Poirot, claro.
Completam o ótimo elenco Tina Fey, Camille Cottin, Jamie Dornan, Rowan Robinson,
Kyle Allen e Emma Laird. O filme é ótimo, destacando-se a primorosa direção de
arte, fotografia (Haris Zambarloukos), cenários, figurinos e, em especial, a vista aérea de Veneza
na cena que antecede os créditos finais, um espetáculo visual de levantar da poltrona
e aplaudir de pé. Trocando em miúdos, “A Noite das Bruxas” fecha com chave de
ouro a trilogia de Kenneth Branagh. Imperdível!
terça-feira, 10 de junho de 2025
“FÚRIA PRIMITIVA” (“MONKEY MAN”), 2024,
coprodução Estados Unidos/Canadá/Índia/Cingapura, 2h1m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Dev Patel, que também assina o roteiro com a colaboração de
Paul Angunawela e John Collee. Este filme de ação marca a estreia do ator inglês
de origem indiana Dev Patel no roteiro e direção (a história foi criada por
ele). Como ator, ele é conhecido por filmes como “Quem Quer Ser um Milionário”,
“Lion: Uma Jornada para Casa” e “A Lenda do Cavaleiro Verde”, entre outros. Em “Fúria
Primitiva”, ambientado na Índia, ele vive o papel de Kid, um jovem que cresceu
com o trauma de ter visto a mãe e toda a população do vilarejo em que morava
assassinada por policiais a mando de um poderoso político. Para se sustentar,
Kid participa de lutas clandestinas, nas quais usa uma máscara de gorila – seus
adversários usam máscaras de outros animais. Enfim, um zoológico sangrento no
ringue. Quando tenta iniciar uma vingança contra aqueles que assassinaram sua
mãe, Kid é ferido com gravidade e acaba sendo acolhido por uma comunidade Hijra,
constituída por pessoas transgênero, intersexo e eunucos, todas devotas da
deusa Bahuchara Mata – pesquisei no Google, e essa comunidade realmente existe.
Curado de seus ferimentos, Kid aspira um pó mágico – tipo espinafre do
Popeye - que lhe dá força e coragem para consumar seu objetivo de vingança. Com
sangue nos olhos e uma enorme raiva reprimida, lá vai nosso herói atrás dos
assassinos, principalmente o chefe de polícia Rana Singh (Sikandar Kher) e o
próprio Baba Shakt (Makarand Deshpande), o poderoso líder político. A violência
corre solta até o final, com muita ação, pancadaria e sangue jorrando. As cenas
são muito bem realizadas. Como já aconteceu com outros filmes cujo herói parte
para a vingança na base da violência, os críticos profissionais logo o comparam
com o personagem John Wick, que ficou famoso com o ator Keanu Reeves. Assim
aconteceu também com este “Fúria Primitiva”, já chamado de “o novo John Wick” e
ainda com o recém-lançado “Bailarina”, cuja heroína é uma mulher, papel da
atriz cubana Ana de Armas. Trocando em miúdos, “Fúria Primitiva” faz jus ao
título, com muita ação e violência.