“QUEER”, 2024,
coprodução Estados Unidos/Itália, 2h16m, em cartaz na Netflix, direção do
cineasta italiano Luca Guadagnino (“Me Chame Pelo Seu Nome”, “Rivais”),
seguindo roteiro assinado por Justin Kuritzkes e adaptado do romance homônimo
escrito por William S. Burroughs (1914-1997). Antes de mais nada, esclareço ao
prezado leitor qual o significado do termo “Queer”, que pode ser traduzido como
“estranho” ou “esquisito”, podendo ser definido também como “homossexual”. A
história é ambientada no início dos anos 50 do século passado na Cidade do
México e reúne pitadas de erotismo, suspense, terror, comédia e romance. Tudo
junto e misturado. O personagem principal da história, William Lee (Daniel
Craig), alter ego de Burroughs, se encaixa direitinho na categoria Queer homossexual. Oficial
da marinha norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial e vivendo como
expatriado, Lee é homossexual assumido, alcoólatra, viciado em heroína e
fumante inveterado. Seu cotidiano na capital mexicana compreende visitar clubes
noturnos destinados aos gays para encontrar parceiros que topem uma transa casual. O sujeiro é um
verdadeiro predador sexual. Até que ele conhece o jovem Eugene Allerton (Drew
Starkey) e se apaixona. Confesso que foi difícil assistir às fortes cenas de
sexo, principalmente levando-se em conta que o ator Daniel Craig foi o último
James Bond. Não duvido que Sean Connery e Roger Moore, os dois melhores James
Bond machos, tenham se revirado nos caixões, assim como o criador do agente 007,
Ian Fleming. Durante suas bebedeiras monumentais e doses caprichadas de heroína,
Lee resolve convencer o amante a viajar para o Equador atrás de uma planta
alucinógena chamada “Ayahuasca”, ou “Yagé”, cujo consumo seria capaz de levar o
usuário a um alto grau de telepatia. Segundo Lee ficou sabendo, a tal droga é
estudada há anos por uma tal de doutora Cotter (Lesley Manville,
irreconhecível), que vive no meio da selva equatoriana. E para lá parte o casal
em busca de uma nova aventura. Ou de mais uma loucura. O maior destaque do filme
é, sem dúvida, a interpretação primorosa e muito corajosa do ator inglês Daniel Craig, que se entregou ao papel de
corpo e alma. Realmente, ele está sensacional. “Queer” foi nomeado um dos 10
melhores filmes de 2024 pelo National Board of Review, que também premiou Craig
como Melhor Ator. Trocando em miúdos, não é um filme fácil, mas tem muitos
méritos como cinema de arte. Elenco: Daniel Craig, Drew Starkey, Jason
Schwartzman, Lesley Manville, David Lowery, Omar Apollo, Henrique Zaga, Colin
Bates, Michaël Borremans, Drew Droege, Ariel Schulman e Lisandro Alonso
sexta-feira, 24 de abril de 2026
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