sexta-feira, 24 de abril de 2026

“QUEER”, 2024, coprodução Estados Unidos/Itália, 2h16m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta italiano Luca Guadagnino (“Me Chame Pelo Seu Nome”, “Rivais”), seguindo roteiro assinado por Justin Kuritzkes e adaptado do romance homônimo escrito por William S. Burroughs (1914-1997). Antes de mais nada, esclareço ao prezado leitor qual o significado do termo “Queer”, que pode ser traduzido como “estranho” ou “esquisito”, podendo ser definido também como “homossexual”. A história é ambientada no início dos anos 50 do século passado na Cidade do México e reúne pitadas de erotismo, suspense, terror, comédia e romance. Tudo junto e misturado. O personagem principal da história, William Lee (Daniel Craig), alter ego de Burroughs, se encaixa direitinho na categoria Queer homossexual. Oficial da marinha norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial e vivendo como expatriado, Lee é homossexual assumido, alcoólatra, viciado em heroína e fumante inveterado. Seu cotidiano na capital mexicana compreende visitar clubes noturnos destinados aos gays para encontrar parceiros que topem uma transa casual. O sujeiro é um verdadeiro predador sexual. Até que ele conhece o jovem Eugene Allerton (Drew Starkey) e se apaixona. Confesso que foi difícil assistir às fortes cenas de sexo, principalmente levando-se em conta que o ator Daniel Craig foi o último James Bond. Não duvido que Sean Connery e Roger Moore, os dois melhores James Bond machos, tenham se revirado nos caixões, assim como o criador do agente 007, Ian Fleming. Durante suas bebedeiras monumentais e doses caprichadas de heroína, Lee resolve convencer o amante a viajar para o Equador atrás de uma planta alucinógena chamada “Ayahuasca”, ou “Yagé”, cujo consumo seria capaz de levar o usuário a um alto grau de telepatia. Segundo Lee ficou sabendo, a tal droga é estudada há anos por uma tal de doutora Cotter (Lesley Manville, irreconhecível), que vive no meio da selva equatoriana. E para lá parte o casal em busca de uma nova aventura. Ou de mais uma loucura. O maior destaque do filme é, sem dúvida, a interpretação primorosa e muito corajosa do ator inglês Daniel Craig, que se entregou ao papel de corpo e alma. Realmente, ele está sensacional. “Queer” foi nomeado um dos 10 melhores filmes de 2024 pelo National Board of Review, que também premiou Craig como Melhor Ator. Trocando em miúdos, não é um filme fácil, mas tem muitos méritos como cinema de arte. Elenco: Daniel Craig, Drew Starkey, Jason Schwartzman, Lesley Manville, David Lowery, Omar Apollo, Henrique Zaga, Colin Bates, Michaël Borremans, Drew Droege, Ariel Schulman e Lisandro Alonso       

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