segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 

“O CHEIRO DO OURO” (CASH”), 2023, França, 1h35m, em cartaz na Netflix, direção de Jérémie Rozan (é o seu primeiro longa), que também assina o roteiro com Victor Rodenbach. Trata-se de uma comédia policial que não engrena como comédia, mas prende a atenção do espectador do começo ao fim. Tanto a história como a empresa e os personagens são fictícios. O que não é ficção é a cidade, Chartres, na verdade, como é chamada por lá, uma comuna. Nela existe uma empresa chamada Breuil & Sons, fabricante de perfumes finos e caros. Um sucesso de vendas há gerações. Um jovem morador da comuna chamado Daniel Salveur (Raphaël Quenard) consegue um emprego na linha de produção da empresa, depois de anos vivendo de bicos. Enfim, um fracassado. Mas ao ingressar na Breuil, ele começa a pensar numa fórmula ousada e inteligente de ganhar dinheiro roubando frascos para vender pela Internet. Além do sócio e amigo Scania (Igor Gotesman), ele montou uma verdadeira quadrilha dentro da fábrica, incluindo sua namorada, acreditem se quiser, a diretora de Recursos Humanos (Agathe Rousselle). O filme é bastante movimentado e agrada pelas situações criativas boladas pelo roteiro. Recomendo.      

sábado, 31 de janeiro de 2026

“INESTIMÁVEL” (“JEWEL”), 2022, África do Sul, 1h20m, em cartaz na Netflix, direção de Adze Ugah, que também assina o roteiro com Glenrose Ndlovu. Tendo como pano de fundo o tema do Apartheid, como acontece com a maioria dos filmes sul-africanos, a história é centrada na fotógrafa profissional Tyra (Michelle Botes), que se desloca da Cidade do Cabo para Johanesburgo para visitar e fotografar o memorial dedicado às vítimas do massacre de Sharpeville ocorrido em 1960 (leia no final do comentário). Tyra conhece a jovem Siya (Nqobile Khumalo), oferecendo uma quantia em dinheiro para que ela sirva de guia na cidade. Na verdade, Tyra tem outras intenções com a moça. Tyra assedia Siyas, mas esta tem um namorado tipo machão, e, pior, odeia os brancos. Tyra, portanto, não vai ter vida fácil. Siya a aconselha a voltar para a Cidade do Cabo, pois estará correndo perigo, mas Tyra insiste em ficar por amor a ela. O filme, falado em inglês e africâner, dois dos doze idiomas oficiais do país, é muito interessante por destacar alguns importantes cultos religiosos africanos praticados pela população negra, além de ressaltar o trauma das pessoas com relação ao Apartheid e também ao massacre de Sharpeville, um bairro na periferia de Johanesburgo. Aconteceu durante uma manifestação realizada pelo Congresso Pan-Africano (PAC) contra a Lei do Passe, que obrigava os negros sul-africanos a usarem uma caderneta na qual estava escrito onde poderiam ir. A polícia nacional da África do Sul, formada por maioria branca, mandou bala contra os manifestantes, causando a morte de 69 pessoas e ferimentos em outras 180. Um destaque triste foi a morte da atriz sul-africana Michelle Botes, em dezembro de 2024, aos 62 anos. Ela era muito conhecida por participar de muitos filmes e inúmeras séries televisivas. “Inestimável” não é um filme muito fácil de digerir, mas é forte o suficiente para manter a atenção do espectador, que poderá conferir um bom exemplar do cinema sul-africano.       

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

“AMORES À PARTE” (“SPLITSVILLE”), 2025, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Michael Angelo Covino (“Relatos do Mundo”, “Riff, Raff: Um Crime em Família”), que também assina o roteiro juntamente com Kyle Marvin – os dois também atuam no filme. Aqui no Brasil, há muito tempo que costumamos dizer que o filme ruim é um “abacaxi”. Nos Estados Unidos mudaram a fruta e criaram, em 1981, o “Framboesa de Ouro”, prêmio que elege anualmente os piores filmes, atuações e produções de Hollywood. Tudo isso para chegar a este filme que merecia pelo menos ser indicado em 2025/26 para tal vexatória premiação. Trata-se de uma comédia pastelão reunindo dois casais em crise. No meio de uma viagem, Ashley (Adria Arjona) confessa ao marido, Carey (Marvin), estar tendo um caso e que quer se separar. Ele para o carro no acostamento e sai correndo pelo mato aparentemente sem direção, mas algum tempo depois chega à casa dos amigos Julie (Dakota Johnson) e Paul (Michael Angelo Covino), um casal que confessa ser adepto do relacionamento aberto, onde cada um vai para a cama com qualquer um/uma. A partir dessa situação começa uma confusão danada, repleta de cenas de qualidade duvidosa, entre elas um constrangedor nu frontal masculino. O humor é na base do pastelão, incapaz de provocar gargalhadas, muito menos risadas e sorrisos amarelos. As situações envolvendo troca de casais, amantes à vontade e diálogos sem graça nenhuma fazem de “Amores à Parte” um dos piores lançamentos do ano. Louve-se, porém, é preciso admitir, a beleza das atrizes Dakota Johnson e Adria Arjona, num contraste violento contra a feiura de seus respectivos pares. Resumindo, não passa de um puro besteirol de baixa qualidade.        

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

“RAINHA DO CARVÃO” (“MISS CARBÓN”), 2025, coprodução Argentina/Espanha, 1h34m, em cartaz na Netflix, direção de Agustina Macri e roteiro assinado por Erika Halvorsen e Mara Pescio. A história é baseada em fatos reais ocorridos na primeira década deste século. O/a personagem principal é Carla Antonella Rodríguez, a primeira mulher transgênero a ser admitida como funcionária numa empresa mineradora localizada no vilarejo de Río Turbio, na Patagônia argentina, um frio danado. Rejeitada/o pelos pais, “Carlita” foi colocada/o para fora de casa e vivia perambulando pelas ruas, dormindo em albergues e casas de amigos. Ainda homem (?), ela conseguiu trabalhar como mecânico na empresa mineradora Yacimientos Carboníferros Río Turbio (YCRT). Trabalhava no interior da mina de carvão e pegava no pesado, mas não tinha o respeito dos seus colegas de trabalho, que o tratavam como bichinha e viado. Ela costumava dizer: “O carvão não discrimina, os homens sim”. Mas ele/ela não se importou. Nas horas vagas de trabalho, Carlita frequentava um clube noturno que funcionava também como prostíbulo recheado de travestis. Carlita se enturmou com o grupo e logo decidiu se submeter a uma operação de mudança de sexo. Com isso, a contragosto, foi transferida para o escritório, pois a empresa não admitia mulheres na mina. Quando a identidade de gênero passou a ser reconhecida pelo Estado argentino (Lei de Identidade de Gênero, de 2012), Carlita assumiu de vez o nome de Carla Antonella Rodríguez e batalhou muito para voltar a trabalhar no interior da mina, apoiada (quem diria?), pelos seus próprios antigos colegas homens. Sem dúvida, uma história muito interessante de perseverança e coragem. Carlita é interpretada de maneira magistral pela atriz e ativista  trans Lux Pascal (irmã do ator latino do momento em Hollywood, Pedro Pascal), que ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes 2025. Completam o elenco Laura Grandinetti, Paco León, Simone Mercado, Jorge Román e Romina Escobar. Outro destaque são os cenários gelados da Patagônia, de um branco deslumbrante. Enfim, “Rainha do Carvão” é um filme muito interessante que merece ser assistido.         

domingo, 25 de janeiro de 2026

“O FALSÁRIO” (“IL FALSARIO”), 2025, Itália, 1h50m, em cartaz na Netflix, direção de Stefano Lodovighi, seguindo roteiro assinado por Sandro Petraglia e Lorenzo Bagnotori. A história é baseada em fatos reais ocorridos na década de 70 e primeira metade dos anos 80 do século passado e relatados no livro “Il Falsario Di Stato”, escrito pelos jornalistas Massimo Veneziani e Nicola Biondo. O personagem central é o italiano Antonio “Toni” Chiarelli (Pietro Castellitto), um artista plástico amador que sai de sua cidade natal, Roscíolo Dei Marsi, para Roma, em 1970, com o objetivo de se aperfeiçoar na sua arte e ganhar dinheiro. Ele logo começa a frequentar galerias e, numa delas, conhece Donata (Giulia Michelini), que seria sua empresária, amante e esposa. Toni demonstrou uma facilidade enorme em reproduzir telas de grandes pintores e começou a ganhar dinheiro. Mas logo estaria envolvido em trabalhos ilegais como falsificação de documentos para a Banda Della Magliana, organização criminosa ligada à Máfia. Desde o início, a história tem como pano de fundo a tumultuada situação política da Itália e os atentados do grupo terrorista Brigadas Vermelhas, responsável pelo sequestro e assassinato do ex-primeiro ministro Aldo Moro, em 1978. Completam o elenco Andrea Arcangeli, Edoardo Pesce, Perluigi Gigante e Claudio Santamaria. O roteiro complica um pouco o entendimento de algumas situações. A história é incrível e poderia, na minha opinião, ser melhor aproveitada. Faltou esmiuçar um pouco mais os acontecimentos e identificar melhor alguns personagens que circulam em volta de Toni. Um aspecto é preciso destacar: a primorosa recriação de época e os belos cenários da capital italiana. Resumo da ópera, achei o filme bastante interessante e movimentado, mas não me convenceu a fazer uma indicação entusiasmada.         

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

“DINHEIRO SUSPEITO” (“THE RIP”), 2025, Estados Unidos, 1h52m, em cartaz na Netflix, direção de Joe Carnahan (“Mate ou Morra”, “Fogo Cruzado”), que também assina o roteiro com Michael McGrale. A história realmente aconteceu, relatada por Chris Casiano, chefe do setor tático de narcóticos da Polícia de Miami e amigo do diretor Carnahan. No dia 29 de junho de 2016, policiais do setor tático da Polícia de Miami foram a uma casa no bairro Miami Lakes verificar uma denúncia de que se tratava de um local utilizado por um cartel de drogas e que havia pelo menos 300 mil dólares escondidos. Graças ao cão treinado para farejar dinheiro, os policiais encontraram, atrás de uma parede, 24 galões repletos de dólares. Surpresa geral: havia milhões de dólares. Pelo protocolo estabelecido para esse tipo de operação, os policiais são obrigados a contar o dinheiro no próprio local da apreensão. Aí começa o problema. Uns queriam roubar uma parte sem que os outros soubessem. E, pior, poderiam aparecer os donos da grana, ou seja, os traficantes. O suspense predomina a noite inteira, envolvendo também policiais do DEA (Departamento Anti-Drogas) e o FBI. Perto do desfecho, uma surpreendente reviravolta, que desencadeou um grande tiroteio e perseguições. Embora baseada no relato do seu amigo policial, o diretor Carnahan afirmou que usou de criatividade para inventar situações e personagens. Estão no elenco Matt Damon, Ben Afflek, Steven Yeun, Teyana Taylor, Catalina Sandino Moreno, Sasha Calle, Scott Adkins, Kyle Chandler e Lina Esco. Trocando em miúdos, “Dinheiro Suspeito” é um filme policial muito interessante e tem tudo para agradar os fãs do gênero.           

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

“INTENÇÕES CRUÉIS” (“JANE”), 2022, Estados Unidos, 1h23m, em cartaz na Prime Vídeo, estreia de Sabrina Jaglom na direção de longas, seguindo roteiro assinado por Rishi Rajani. Trata-se de um suspense psicológico destinado ao público juvenil, mas pode ser visto por adultos sem comprometer os neurônios. Olivia Brooks (Madelaine Petsch) e Isabelle (Chloe Bailey), estudantes do último ano do Ensino Médio, ainda estavam digerindo a perda de Jane (Chloe Yu), uma amiga inseparável da dupla que se suicidou naquele mesmo ano. Talvez essa perda e mais o estresse causado pela proximidade do processo seletivo para a faculdade tenham abalado a estrutura emocional de Olivia e Isabelle, que resolveram abrir a caixa de maldades para prejudicar quem elas não gostavam ou tinham inveja. Dessa forma, conseguiram destruir a carreira de uma professora, causar a expulsão de uma aluna nova e intoxicar, por inveja, uma outra colega que fazia sucesso como atriz etc. Isso tudo com a constante aparição fantasmagórica de Jane para Olivia, incentivando-a a praticar a próxima maldade. Como eu já esperava, um dia o feitiço acaba virando contra a feiticeira, no caso, Olivia. Completam o elenco Nina Bloomgarden, Kerri Medders, Melissa Leo, Amie Mackenzie, Victoria Foyt e Morse Bicknell. Resumo da ópera: entre prós e contras, “Intenções Cruéis” ganha em alguns prós, mas derrapa em alguns contras.        

“GUERRA OCULTA (“BLACK SITE”), 2022, Estados Unidos, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo, direção da australiana Sophia Banks e roteiro assinado por Jinder Ho e John Collee. Suspense com muita ação, valorizado pela presença da atriz Michelle Monaghan, ainda muito bonita e em pleno vigor físico aos 49 anos (faz 50 no próximo dia 27 de março). Ela é a figura central da história como Abigail “Abby” Trent, uma experiente analista militar do Pentágono. Começa o filme mostrando um violento atentado terrorista em Istambul (Turquia), que destrói um hospital e mata dezenas de pessoas, entre as quais o marido médico e a filha de Abby. Ela fica arrasada e com sede de vingança. Afinal, quem foi o responsável pelo terrível atentado? Para ajudar a identificar alguns suspeitos, Abby consegue sua transferência de Washington para uma base militar secreta no deserto da Jordânia, onde funciona uma prisão para terroristas de alto risco. Um mês após Abby chegar à base como oficial-chefe, um suspeito é identificado e preso, um tal de Hatchet (Jason Clarke, ótimo). Ele chega à base e é  colocado numa cela especial para ser interrogado. Imobilizado por algemas no pescoço, pulsos e pernas, Hatchet dá uma de Houdini e se livra dos acessórios, além de matar todos em volta. Leve, livre e solto, ele se torna um pesadelo para o pessoal da base, que tenta capturá-lo a qualquer custo, o que garante muita ação até o desfecho. Também estão no elenco Jai Courtney, Pallavi Sharda, Fayssal Bazzi, Phoenix Raei, Lucy Barrett e Logan Huffman. Trocando em miúdos, “Guerra Oculta” é um ótimo entretenimento.     

sábado, 17 de janeiro de 2026

 

“SONHOS DE TREM” (“TRAIN DREAMS”), 2025, Estados Unidos, 1h43m, em cartaz na Netflix, direção de Clint Bentley (“Sing Sing”), que também assina o roteiro com Greg Kwedar. A história é baseada no conto homônimo escrito pelo romancista Denis Johnson (1949-2017), finalista do Prêmio Pulitzer de Ficção em 2012. Estamos no início do século XX no interior dos Estados Unidos, época em que as ferrovias estavam se expandindo. A figura central do filme é o lenhador Robert Grainier (Joel Edgerton), que trabalhava duro derrubando árvores e ajudando a construir as ferrovias. Solteirão convicto, ele acaba se apaixonando e casando com Gladys (a dentuça Felicity Jones), com a qual teria uma filha. O trabalho, porém, o levava para longe da família por longos períodos. Depois de uma tragédia, Robert entra em parafuso, começa a delirar e fica depressivo. A partir desse episódio não há muito a comentar, pois a história passa a se concentrar nas lembranças de Robert e sua indefinição sobre o futuro. Narrado pelo ator Will Patton, o filme se arrasta com poucos diálogos, cenas contemplativas da natureza, principalmente árvores – a fotografia, do brasileiro Adolpho Veloso, é excelente, cotada a disputar o Oscar 2026. Tudo lembra muito o estilo irritante, intragável e insuportável do cineasta Terrence Malick. Quem já viu algum filme de Malick sabe do que estou falando. Dá sono em bicho-preguiça. O elenco de “Sonhos de Trem” conta ainda com Kerry Condon, William H. Macy, Alfred Hsing, Nathaniel Arcand e John Deal. Alguns críticos profissionais afetados – os mesmos que adoram Malick - elogiaram o filme, mas eu achei enfadonho, embora tenha gostado muito do visual/fotografia e da atuação de Joel Edgerton e William H. Macy. Para concluir o comentário, sou obrigado a admitir que o tempo de duração (1h43m) pareceu muitas horas a mais.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

 

“LIÇÕES DE LIBERDADE” (“THE PENGUIN LESSONS”), 2024, coprodução Inglaterra/Espanha/Estados Unidos, em cartaz na Prime Vídeo, 1h51m, direção de Peter Gattaneo (“Ou Tudo ou Nada”, "Unidas pela Esperança”), seguindo roteiro assinado por Jeff Pope. Sempre valorizei os filmes baseados em histórias reais. Este, em especial, apresenta uma história incrível que realmente merecia ser transformada em filme. É baseada no livro “The Penguin Lessons”, escrito em 2016 pelo professor inglês Tom Michell. Tudo começa em 1976, quando Michell (Steve Coogan) chega a Buenos Aires (Argentina) para dar aulas de inglês no tradicional colégio interno St. George, só para meninos de famílias ricas. Um golpe militar havia sido dado poucos dias antes e Tom logo percebeu que o clima não estava muito confortável. Só se via soldados armados andando pelas ruas com cara de poucos amigos. Vou tentar resumir a história. Num período em que as aulas foram suspensas, o professor viaja até Punta Del Este, no Uruguai, conhece uma moça e vai passear na praia. Aqui, encontra um pinguim preso a uma poça de óleo. Depois de resgatar o bichinho e tirar todo o óleo, ele decide devolvê-lo ao mar. Mas o pinguim volta para o seu salvador, que então decide levá-lo para a Argentina. Resultado: ficam amigos. O bichinho recebe o nome de “Juan Salvador” e logo vira atração na escola. Até o diretor Buckle (Jonathan Price) vira amigo do pinguim. Não é mesmo incrível essa história? O filme também destaca os eventos que marcaram a Argentina naquela época de trevas. Uma das faxineiras da escola é levada pelos militares em plena à luz do dia. O professor presencia a prisão, mas não pode fazer nada. Pouco tempo depois o professor inglês se vê em meio a uma manifestação das Mães de Maio, cujos filhos também foram “sumidos” pelos militares. Enfim, entre momentos sensíveis e bem humorados “Lições de Liberdade” também dá espaço ao drama vivido pelos argentinos. Outro destaque é o artifício utilizado pelo diretor Peter Gattaneo para resolver o problema da língua. Na maioria dos diálogos, os atores são dublados, no caso dos ingleses falando espanhol e no caso dos argentinos falando inglês. Estranhei que esse filme não tenha merecido muita divulgação, mesmo depois que estreou com elogios no Festival Internacional de Cinema de Toronto 2024. Ainda bem que a Prime resolveu resgatá-lo, assim como fez o professor com o pinguim.        

 

domingo, 11 de janeiro de 2026

 

“O TANQUE DE GUERRA” (“DER TIGER”), 2025, Alemanha, 1h58m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Dennis Gansel, que também assina o roteiro com Colin Teevan. Pintou filme sobre a Segunda Guerra Mundial eu já aperto o Play. Desde que iniciei minha vida de cinéfilo, há muito tempo, este é um tema que sempre me atraiu. “O Tanque de Guerra” é um filme bem diferente dos que já vi. Mais psicológico do que na base de explosões, tiros etc. No final do comentário explicarei um fato que, a princípio, confesso que não percebi. Estamos no outono de 1943. A história se concentra em cinco jovens soldados alemães a bordo de um tanque Tiger em missão na frente oriental.  Logo após a batalha de Stalingrado eles tentam atravessar uma ponte, mas são surpreendidos pelo fogo inimigo e pelas explosões que destruíram a ponte. Eles conseguem seguir adiante e recebem uma ordem para cumprir uma difícil missão: resgatar um tal de coronel Paul Von Hardenburg preso num bunker atrás das linhas inimigas. Os soldados serão submetidos a testes que exigem muito sangue frio e coragem, como desmontar minas e atravessar um rio por baixo d’água. As situações são angustiantes e tão bem feitas que levam o espectador a quase sentir o mesmo medo dos soldados, que enfrentam tudo na base da anfetamina – prática comum historicamente comprovada, pelos soldados alemães durante o conflito. No desfecho, quando o capitão Philip (David Schütter), líder dos soldados no tanque, encontra o coronel Paul Von Hardernburg (Tilman Strauss), a gente percebe que o filme tem algo a dizer que não se refere propriamente ao que você viu antes. Eu demorei para entender que aqueles soldados alemães estavam, na verdade, pagando seus pecados num outro plano – o purgatório? – depois de tantos assassinatos praticados contra civis em Stalingrado. A Prime Vídeo começou 2026 nos proporcionando um excelente filme de guerra.    

sábado, 10 de janeiro de 2026

 

“ALVO DA MÁFIA” (“BANG”), 2025, coprodução Tailândia/Estados Unidos, 1h28m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta tailandês Wich Kaosayananda (“Uma Noite em Bangkok”), seguindo roteiro assinado por Peter M. Lenkov e Ken Solarz. Tal qual foi minha surpresa ao surgir na telinha o ator Peter Weller, de “Robocop – O Policial do Futuro”, grande sucesso de 1987. Quem se lembra? Weller andava meio sumido e agora, aos 78 anos, vive o personagem de um chefão mafioso. “Alvo da Máfia”, todo ambientado em Bangkok, capital tailandesa, é centrado em William Bang (Jack Kesy, da série “Task”), um assassino profissional contratado full time pela gangue chefiada pelo poderoso Morgan Cutter (Weller). Órgão desde criança, Bang foi praticamente criado por Morgan, que o treinou para ser um assassino de aluguel dos mais eficientes. Pelos menos até sofrer um atentado, quando levou 7 tiros. É claro que ele sobreviveu, mas somente à custa de um transplante de coração. Depois de curado, Bang voltou à ativa, mas com um comportamento bem diferente. Será por causa do novo coração? Essa mudança fará com que ele se transforme no inimigo mortal de seu mentor. E dá-lhe tiros, pancadarias, explosões etc. Trocando em miúdos, apesar da história um tanto fantasiosa, “Alvo da Máfia” funciona como um bom filme de ação.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

 

“UM DIREITO MEU” (“HAQ”), 2025, Índia, 2h14m, em cartaz na Netflix, direção de Suparn Verma, seguindo roteiro assinado por Reshu Nath. A história é baseada em fatos reais e traz à tona um processo judiciário que mobilizou a opinião pública da Índia. Em 1967, Shazia Bano (Yama Gautam, a atriz do momento em Bollywood) casa com o advogado Abbas Khan (Emraan Hashmi). A relação acaba em 1975, quando Abbas volta de uma viagem supostamente a trabalho e casado com a jovem Saira (Vartika Singh, modelo e ex-miss Índia). Claro que Shazia não aceita a situação e foge de casa com os três filhos. O marido alega abandono de lar e deixa de pagar a pensão. O caso vai parar nos tribunais de Nova Deli e o processo dura anos, passando por várias instâncias até chegar, em 1985, à Suprema Corte. Todo esse tempo é dedicado a discutir muitas questões interessantes, pois as famílias de Abbas e de Shazia são muçulmanas e que, por isso, estavam sujeitas ao Sharia, a lei divina islâmica. As discussões nos tribunais são bastante elucidativas quanto as questões que envolvem o caso, num país predominantemente machista, onde as mulheres têm poucos direitos. Outro fato interessante diz respeito a uma audiência num tribunal islâmico, à parte da justiça comum indiana. Enfim, um filme que nos proporciona conhecer as complexidades de uma sociedade que mistura religião e tradição para exercer justiça. Não deixe de ver.    

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

“BOCA DE FUMO” (“TRAP HOUSE”), 2025, Estados Unidos, 1h42m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta canadense Michael Dowse (“Stuber”), seguindo roteiro assinado por Gary Scott Thompson e Tom O’Connor. Apesar do título nacional infeliz (a tradução literal do título original é “Casa das Drogas”, o que também seria péssimo – faltou criatividade na tradução), trata-se de um bom filme de ação, cuja história mistura drama familiar, suspense, muita ação e vários momentos de humor. Ambientada na cidade de El Paso (Texas), bem próximo da fronteira com o México, a história é centrada no trabalho da equipe da DEA (Agência Federal de Repressão às Drogas) em eliminar o tráfico de drogas através da fronteira México/EUA. Os filhos adolescentes dos agentes da DEA resolvem agir também contra os traficantes roubando dinheiro para financiar a compra de uma casa para um dos amigos que ficou órfão de pai. Enfim, muita confusão, ótimas cenas de ação e muita pancadaria, tiros, perseguições etc. “Boca de Fumo” tem tudo para fazer a festa dos amantes de filmes de ação. A cena final deixa evidente que haverá uma sequência, que também pretendo assistir. No elenco, Dave Bautista, Bobby Cannavale, Jack Champion, Sophia Lillis, Kate Del Castillo, Tony Dalton, Whitney Park, Inde Navarrette, Zaire Adams, Sofia Embid, Alfredo Quiroz e Josh Harton.