sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Mesmo
ambientado num único cenário, “O HOMEM
NAS TREVAS” (“Don’t Breathe”), EUA, 2016, é um suspense aterrorizante que
não perde o pique do início até o final. O clima de tensão começa quando três
jovens delinquentes, Alex (Dyllan Minnette), Rocky (Jane Levy) e Money (Daniel
Zovatto) resolvem invadir um casarão num bairro abandonado de Detroit. O trio
está acostumado a cometer esse tipo de crime: eles invadem casas, roubam tudo e
causam enorme destruição. No casarão de Detroit, a ação parece muito fácil,
pois o proprietário (Stephen Lang, que viveu o coronel Miles Awaritch, o vilão
de “Avatar”) é cego. Não contavam, porém, que se trata de um ex-militar do exército
altamente treinado e que tem, como guia e protetor, um enorme e feroz cão
Rottweiler, empecilhos que dificultarão, e muito, a empreitada dos invasores.
Se a entrada na casa foi relativamente fácil, sair será quase impossível.
Principalmente vivo. O diretor uruguaio Fede Alvarez sabe como utilizar a
câmera de modo a colocar o espectador dentro do cenário da ação. Alvarez foi
descoberto por Hollywood depois de ter realizado, em 2009, o curta “Ataque de
Pânico”, que mostra robôs invadindo Montevidéu. Em 2013, já nos EUA, escreveu e
dirigiu “A Morte do Demônio”, muito elogiado pela crítica. “O Homem nas Trevas”, cujo roteiro também foi escrito por Alvarez, é um baita suspense, um ótimo entretenimento para quem gosta de sofrer junto
com os personagens.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
O veterano
diretor chinês Wayne Wang tem no currículo ótimos filmes, entre os quais
recomendo “Mil Anos de Orações”, “Flor da Neve e o Leque Secreto” e,
principalmente, “O Clube da Felicidade e da Sorte”. Mesmo um craque como Wang
pode, eventualmente, pisar na bola. Foi o que aconteceu quando dirigiu “ENQUANTO ELAS DORMEM” (“Onna Ga Nemuru Toki”), 2015,
Japão, cuja estreia (fora de
competição) aconteceu durante o 66º Festival de Berlim, em fevereiro de 2016. O
roteiro, escrito por Mami Sunada, Shinho Lee e Michael Ray, foi adaptado de um
dos mais conhecidos contos do escritor espanhol Javier Marías. No cinema, porém,
virou um verdadeiro conto do vigário. Indecifrável e lento. Enfim, difícil de
digerir. O filme explora temas como o voyeurismo e o desejo sexual, realidade
misturando-se com fantasia, tudo muito hermético para o espectador comum. Kenji
Shimizu (Hidetoschi Nishijima) é um escritor em crise criativa e existencial.
Ao hospedar-se com a esposa Aya (Sayuri Oyamada) num resort à beira-mar, Kenji
conhece o sr. Sahara (Takeshi Kitano), que está hospedado com a jovem Miki
(Shiori Kutsuna). A relação do idoso, de 72 anos, com a jovem de 20 anos, é um mistério.
Desde que Miki tinha 14 anos, por exemplo, Sahara sempre teve por hábito fotografá-la
dormindo – daí o título do filme. Quando Kenji vê as fotografias, fica totalmente
obcecado, passando a querer desvendar e entender o que está acontecendo. Eu
mudaria o título para “Enquanto a plateia dorme”...
“UM HOMEM CHAMADO OVE” (“En Man Som Heter Ove”), 2015,
Suécia, direção de Hannes Holm. Um drama com toques de humor, sensível e, de
certa forma, comovente. O roteiro foi inspirado no livro escrito por Fredrik
Backman. A história toda é centrada no sessentão Ove (Rolf Lassgard), um viúvo
solitário, rabugento e, acima de tudo, mal-humorado. Ele vive num condomínio fechado, do qual é o
síndico, catando bitucas de cigarro e discutindo com donos de cães e gatos. Sua
vida metódica ainda inclui visitas diárias ao túmulo da esposa. Sua depressão
chega ao limite quando é demitido pela fábrica onde trabalhava há mais de quarenta
anos, a ponto de tentar se matar várias vezes – tentativas frustradas por
alguém tocando a campainha ou por algum vizinho que insiste em fazer barulho. Por
mais impossível que possa parecer, será a chegada de uma família de imigrantes
iranianos que provocará uma enorme mudança no comportamento de Oven, provando
que mesmo as diferenças culturais não são obstáculos para o cultivo de uma bela
amizade. Como um motivo a mais para ser assistido, o filme foi indicado para
representar a Suécia na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
“CONEXÃO ESCOBAR” (“The Infiltrator”), 2016,
EUA, direção de Brad Furman (“O Poder e a Lei”). Durante cinco anos, na década
de 80, o agente federal norte-americano Robert Mazur trabalhou infiltrado no
cartel do traficante colombiano Pablo Escobar. Ele era o responsável pela
lavagem do dinheiro obtido com a venda de drogas nos EUA. Mazur contou toda a
história no livro “The Infiltrator”, agora adaptado para o cinema por
intermédio do roteiro escrito por Ellen Brown Furman. Mazur, aqui interpretado
pelo ator Bryan Cranston (indicado ao Oscar/2016 de Melhor Ator por “Trumbo”,
que perdeu injustamente para Leonardo DiCaprio), infiltrou-se no cartel com o
pseudônimo de Robert Musella, trabalhando com a ajuda dos agentes Emir Abreu
(John Leguizamo) e Kathy Ertz (Diane Kruger). Esse trabalho levou à prisão não
apenas vários chefões do tráfico, como também executivos do Bank of Credit and
Commerce International, instituição que lavava o dinheiro para o cartel. Mazur trabalha no limite do estresse, a cada momento vivendo o perigo de ver sua
verdadeira identidade de policial sendo revelada para os traficantes. Esses momentos de tensão são explorados com bastante competência pelo diretor
Furman.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
“CAVALOS DOMADOS” (“Broken Horses”), 2015,
EUA, é o primeiro filme em inglês escrito e dirigido pelo indiano Vidhu Vinod
Chopra. Ambientada numa cidade próxima da fronteira com o México, a história
começa com o assassinato do policial Gabriel Heckum (Thomas Jane). Seus dois filhos
adolescentes crescem e se separam mais tarde, seguindo rumos totalmente
diferentes. Buddy (Chris Marquette), o mais velho, faz parte da quadrilha do poderoso
e sanguinário Julius Hench (Vincent D’Onofrio), chefão envolvido com o tráfico
de drogas. Jake (Anton Yelchin, ator falecido em junho de 2016), o irmãos mais
novo, mora em Nova Iorque e segue promissora carreira como violinista clássico.
Ao retornar à cidade natal, depois de 8 anos, para anunciar seu casamento com
Vittoria (a atriz espanhola María Valverde) e convidar Buddy para padrinho,
Jake fica surpreso com a riqueza ostentada pelo irmão. Ao tentar descobrir como
Buddy ganhou tanto dinheiro, Jake acaba envolvido numa série de acontecimentos
que o farão se arrepender de ter feito a viagem. O drama até que vale para uma
sessão da tarde, mas está longe de ser um filme que mereça uma indicação
entusiasmada.
Depois de
escrever e dirigir o elogiado “Drive”, de 2011, o diretor dinamarquês Nicolas
Winding Refn achou que poderia ousar ainda mais. Escreveu e dirigiu também “DEMÔNIO DE NEON” (“The Neon Demon”), EUA,
2015, cuja estreia aconteceu no Festival de Cannes 2016, causando grande
polêmica – recebeu vaias da plateia. E polêmica é mesmo com Nicolas: durante suas
aparições públicas no festival francês, ele apareceu vestido com paletó, camisa
social, bermuda e chinelo de dedo. Ou seja, queria chocar e aparecer. Em “Demônio
de Neon”, ele conta a história de Jesse (Elle Fanning), uma jovem que chega a
Los Angeles para tentar a carreira de modelo profissional. Ela é contratada por
uma grande agência e logo vira a queridinha de fotógrafos e estilistas. Seu
sucesso gera ciúmes nas modelos mais antigas, como Sarah (Abbey Lee) e Gigi (Bella
Heathcote). O filme adota o suspense como gênero, utilizando muitas cenas
mórbidas e chocantes, incluindo canibalismo, necrofilia e outras aberrações. O
filme tem o ritmo lento, diálogos arrastados, muitos sem nexo, e um visual cuja
fotografia destaca as cenas como se iluminadas por lâmpadas de neon de diversas cores. O diretor também
utiliza bastante o recurso da câmera em slow
motion, o que torna o filme ainda mais enfadonho. Para coroar essa
verdadeira bobagem cinematográfica, ainda tem uma ponta do hoje canastrão Keanu
Reeves como proprietário de um motel sinistro.
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
“O MASSACRE EM GUERNICA” (“GERNIKA”), Espanha,
2015, direção de Koldo Serra. O pano de fundo é a Guerra Civil Espanhola
(1936-1939). A história é toda ambientada em 1937 durante os dias que
antecederam o ataque da aviação alemã à cidade de Guernica, talvez o episódio
mais marcante e dramático do conflito. A ação acontece em Bilbao, onde um grupo
de jornalistas estrangeiros faz a cobertura da guerra. Eles frequentam e
transmitem as notícias de uma central de comunicação do governo municipal comandada
pelo dirigente russo comunista Vasyl (Jack Davenport), cujo trabalho é censurar
o material enviado pelos jornalistas, um dos quais é o norte-americano Henry
(James D’Arcy), do The New York Times. Seu personagem foi inspirado no
jornalista inglês George Steer, que denunciou o ataque dos alemães em matérias
publicadas no The Times, no The New York Times e no jornal francês L’Humanité. O
relato do jornalista sensibilizou Pablo Picasso, que logo depois pintaria um
painel que ficaria famoso no mundo inteiro. Ao mesmo tempo em que destaca o
trabalho dos jornalistas, o filme também mostra os bastidores do planejamento
alemão para o ataque aéreo. Dá a entender, por exemplo, que o ataque não passou
apenas de um treinamento prático para os pilotos alemães. Sob o ponto de vista
histórico, o filme é bastante elucidativo, com informações muito interessantes
sobre o conflito que matou milhares de pessoas. Achei forçado demais o romance –
se é que existiu – entre o jornalista Henry e Teresa (Maria Valverde), principal
assistente de Vasyl no centro de comunicações. Só para esclarecer: o título
original foi escrito em dialeto basco – o diretor Koldo Serra é basco.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Uma
cabeça apenas não pensaria numa história tão fantasiosa. Foram precisos duas:
Daniel Kwan e Daniel Scheinert. Mais conhecidos como diretores de curtas e vídeos
musicais, os “Daniels” tiveram a ousadia de escrever e dirigir “SWISS ARMY MAN” (“Homem Canivete”, em tradução
literal, ou “Homem do Exército Suíço”; vamos aguardar a tradução quando o filme
chegar por aqui – se chegar), EUA, 2016. A história começa mostrando um homem
(Paul Dano, de “Os Suspeitos”) tentando se enforcar no que parece uma ilha. Num
primeiro momento, você é levado a acreditar que o sujeito é um náufrago. Prestes
a realizar o ato final, ele percebe que há um cadáver (Daniel Radcliffe, de “Harry
Potter”) recém-chegado à praia. Acredite se quiser: esse cadáver – na verdade,
um morto-vivo – sofre de uma incomum e barulhenta flatulência. Ele será o novo
amigo do náufrago. O cadáver é capaz de se transformar numa espécie de jet ski e sair para passear com o
náufrago a bordo. A maluquice não termina por aqui. O morto-vivo ainda tem
ereções e utiliza o pênis como bússula. Ah, eles ainda conversam sobre temas como a masturbação e o significado da vida. Quer mais? Assista, nem que seja por
curiosidade. Enfim, um filme sem pé nem cabeça, tronco e membros. Quando
estreou no Festival de Sundance (EUA), parte da plateia saiu no meio da
projeção. É preciso dizer mais?
sábado, 19 de novembro de 2016
“PROMESSA QUEBRADA” (“BROKEN VOWS”), 2015, EUA,
direção de Bram Coppens e roteiro da dupla Sean Keller e Jim Agnew. Trata-se
de um filme independente, cuja história
é a mesma de sempre, clichê dos clichês dos filmes de suspense. Mulher bonita,
Tara (Jaimie Alexander), vai a uma balada com as amigas, se encanta com o bartender e, depois de umas e outras,
acaba na cama com ele. Não dá para entender como ela não percebeu que o sujeito
tem um olhar maligno, daqueles que denunciam um psicopata. Pois Patrick (Wes
Bentley) é justamente um maluco perigoso, com uma ficha extensa na polícia por
crimes de assédio e violência. Rejeitado no dia seguinte por Tara, ele passa a persegui-la, utilizando chantagem e
muita pressão psicológica. O pior de tudo é que Tara está prestes a se casar
com Michael (Cam Gigandet). A perseguição levada a efeito por Patrick vai até a
lua-de-mel de Tara e Michael, durante a qual acontece o desfecho um tanto
forçado. O roteiro tem alguns furos que prejudicam o enredo. O principal deles
é o fato de Patrick estar livre, leve e solto, depois de tanto aprontar. Se fosse no Brasil, tudo bem... Eu
apostava num final cheio de suspense, surpresas, sustos e muito sangue. Nada disso. Wes
Bentley (“Interestelar”, “Jogos Vorazes” e “Lovelace”) até que se sai bem como
o psicopata. Do elenco, é o único que se salva. O filme é fraco, mas dá pra ver
sem compromisso.
“DESAFIANDO A ARTE” (“The Family Fang”), 2015,
EUA, segundo longa-metragem dirigido pelo ator Jason Bateman (o primeiro foi “Palavrões”,
em 2013). O roteiro foi escrito por David Lindsay-Abaire, baseado no romance “The
Family Fang”, de Kevin Wilson. A história é um tanto mirabolante e
estapafúrdia. Desde crianças, Annie e Baxter eram obrigados pelos excêntricos pais
Caleb e Camille a participar de performances públicas tipo pegadinhas para surpreender
e chocar quem estivesse por perto. Por exemplo, o menino ameaça assaltar um
banco com uma arma de verdade, aparece um policial (o pai) para tentar
desarmá-lo, a arma dispara e atinge uma mulher (a mãe), que finge estar morta,
a filha (Annie) ao lado desesperada. Todo mundo que está no banco grita de
pavor ao assistir a cena, para depois constatar que tudo não passou de uma
encenação. A família Fang fica famosa, é alvo de reportagens por todo país e
tema de discussões acaloradas entre especialistas de comportamento. Seria uma forma de arte, como dizia Caleb? Agora
adultos, Annie (Nicole Kidman), uma atriz em decadência, e Baxter (Bateman), um
escritor mediano, têm mantido distância dos pais, querendo esquecer o que
passaram na infância, ou seja, os “micos” que enfrentaram ao participar daquelas
performances malucas. Até que um dia, por causa de um acidente sofrido por
Baxter, os irmãos voltam a reencontrar os pais (Christopher Walken e Maryan
Plunkett). A reaproximação trará grandes surpresas e revelações,
incluindo um repentino sumiço dos pais. Teriam sido sequestrados e mortos ou se
trata de uma nova pegadinha? O desfecho esclarece tudo. O filme não consegue
engrenar em nenhum momento, mesmo com a presença de ótimos atores como Walken e uma quase irreconhecível Nicole Kidman, aqui de cabelos curtos e
escuros, longe da atriz esplendorosa de outros filmes. Bateman tentou fazer um
filme diferente, para um público restrito. Isso ele conseguiu. Recomendá-lo, portanto, é um tanto arriscado.
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
“CHOCOLATE” (“Chocolat”), 2015,
França, conta a história do palhaço “Chocolat”, que nos anos do final do Século
XIX e começo do Século XX encantou os franceses fazendo dupla com “Footit”. Esquecida
durante décadas, essa história foi descoberta e adaptada para o cinema pelo
ator francês Roschdy Zem, também responsável pela direção. Um verdadeiro
achado. É realmente fascinante a trajetória de Rafael Padilha (1868-1917), um
ex-escravo nascido em Cuba que chegou à França para trabalhar num circo
mambembe do interior, fazendo o papel de um canibal africano. Ele é interpretado
magistralmente por Omar Sy (“Intocáveis”), que por si só vale o filme. O palhaço
profissional George Footit, o “Footit” (o ator suíço James Thierrée, cuja semelhança
com o avô Charles Chaplin é impressionante), propõe formar uma dupla: “Footit”
e “Chocolat”. O sucesso chega rápido e eles acabam sendo contratados pelo
empresário Oller (Olivier Gourmet) para trabalhar num grande circo sofisticado
de Paris. Com o sucesso e o dinheiro entrando, Rafael Padilha começa a gastar
descontroladamente, inclusive viciando-se em jogo, mulheres e em algumas substâncias
ilícitas, o que o levará a um final dos mais tristes. Além do aspecto
biográfico do primeiro negro a trabalhar num circo na França, o diretor Roschdy
Zem faz uma clara homenagem aos palhaços de circo. Ao mesmo tempo, explora o
racismo que predominava na época. Assim como em “Vênus Negra”, de 2010, onde uma
escrava é exibida como se fosse um animal, assim acontece com Rafael Padilha. O
filme é espetacular, emocionante e cativante, os dois protagonistas principais
dão show (os números circenses são ótimos), assim como o restante do elenco, com
destaque para Olivier Gourme, Alice de Lencquesaing e Clotilde Hesme, sem falar
na primorosa recriação de época. IMPERDÍVEL!
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
“BLOOD ORANGE”, 2016, Inglaterra, roteiro e direção de Toby Tobias. Filme de suspense ambientado numa luxuosa mansão em Ibiza (Espanha). Nela moram Bill (Iggy Pop), um ex-astro do rock em decadência e gravemente doente, e sua bela e jovem esposa Isabelle (Kacey Barnfield), que nas suas infinitas horas vagas costuma nadar nua na piscina, além de transar com um empregado da casa, David (Antonio Magro). Tudo caminha num ritmo enfadonho até aparecer Lucas (Ben Lamb, de “Divergente”), um antigo amante de Isabelle. Ele veio cobrar dela uma dívida relacionada com uma herança paterna. Até o desfecho, quando a história dá uma reviravolta com direito a um banho de sangue, o filme segue sem nenhuma novidade, arrastando-se num roteiro medíocre e com diálogos que beiram o ridículo. Para piorar, o elenco é péssimo, a começar pelo astro de rock Iggy Pop, que destaca-se apenas por sua figura grotesca e patética. A atriz inglesa Kacey Barnfield aparece nua várias vezes, mas quando abre a boca é um desastre. Antonio Magro, que faz o empregado, é o pior de todos. Ainda bem que não fala muito. Difícil saber o que é pior: o filme ou o elenco. Enfim, um dos piores filmes que assisti nos últimos anos. Não sei se será exibido por aqui no circuito comercial. Se for, passe longe.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
“NEGÓCIO DAS ARÁBIAS” (“A HOLOGRAM FOR THE KING”), 2016, coprodução
Alemanha/EUA. Jamais imaginei que Tom Hanks pudesse participar de um filme tão
ruim quanto “A Viagem”, de 2012. Os dois filmes levam a assinatura (de
roteiro e direção) do diretor alemão Tom Tykwer, que ficou famoso com o surpreendente “Corra
Lola, Corra”, de 1998, mas depois nunca mais acertou. Tykwer adaptou a história
para o cinema do livro “A Hologram for the King”, de David Eggers. No recente
abacaxi, Tom Hanks é o empresário Alan Clay, cuja empresa de TI está à beira da
falência. Ele então parte para a Arábia Saudita, onde sua empresa já conta com
três funcionários instalados, pasmem, numa tenda no deserto. A ideia é
apresentar um software de hologramas ao rei da Arábia Saudita. Enquanto não é
recebido pelo rei, que está sempre viajando, Alan preenche seu tempo indo a uma
festa na embaixada da Dinamarca regada a muita bebida e drogas, ou embarcando numa
viagem à vila de seu motorista, Yousef (Alexander Black), no meio do deserto
(lá, é tudo no meio do deserto - as locações aconteceram no Marrocos, no Egito e na Arábia Saudita). O roteiro ainda reserva como atração adicional uma absurda cirurgia
que Alan sofrerá para retirar um caroço das costas, o que o levará a conhecer a
médica Zahra (Sarita Choudhury), por quem se apaixonará. Quer mais? Assista e veja se não tenho razão. Ao participar do filme, Tom Hanks talvez tenha feito um negócio das arábias, mas para nós, espectadores, restou o deserto.
O grande Jean
Rochefort, meu ator francês preferido, volta às telas no drama “A VIAGEM
DE MEU PAI” (“Floride”), 2015, França, roteiro e direção de Philippe Le Guay
(do ótimo “As Mulheres do 6º Andar”). Ele interpreta Claude Lherminier, um
idoso que começa a sofrer de demência. Ele mora sozinho numa enorme casa
isolada e sempre está aos cuidados de uma governanta. Como Claude é um sujeito
difícil, as cuidadoras não param no emprego, para desespero da filha Carole
(Sandrine Kiberlain). Para piorar a situação, ele não para de falar da filha Alice,
que há muitos anos mora em Miami (Flórida) e que ele insiste em visitar – daí o
título do filme. Só que ele apagou da memória que Alice morreu tragicamente há
9 anos. Em seus delírios, Claude também volta à infância e revê episódios que
viveu durante a Segunda Guerra Mundial, além de recordações de sua mãe. Baseada
na peça de teatro “Le Père”, de Florian Zeller, a história explora as mazelas
da velhice e o fato de ser um fardo para os filhos. O contexto dramático,
porém, é amenizado por muitas pitadas de humor, o que torna o filme um
entretenimento bastante agradável. E tem, claro, a presença de Rochefort, a
quem passei a admirar e curtir desde “O Marido da Cabeleireira” (1990).
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
“DEMOLIÇÃO” (“Demolition”), 2015,
EUA, direção do canadense Jean-Marc Vallée (do ótimo “Clube de Compras Dallas”,
que deu o Oscar de melhor ator a Matthew McConaughey). Depois de perder a jovem
e bela esposa Julia (Heather Lind) num trágico acidente, Davis Mitchell (Jake
Gyllenhaal), um bem sucedido executivo de um grande banco de investimentos, é
acometido de um colapso emocional e fica doidinho. Começa a escrever cartas
compulsivamente, passa a desmontar tudo o que vê pela frente – computadores,
aparelhos domésticos etc. –, e depois ingressa na fase de demolição, o que
justifica o título. A paranoia de Davis, que na fase de luto falava a quem quisesse ouvir que nunca
amou a falecida, tem início quando ele, ainda no hospital onde a esposa acabara de
morrer, não consegue tirar um M&M da máquina de doces instalada no
corredor. Ele entra em contato com o serviço de atendimento ao cliente da
empresa fabricante e acaba conhecendo a atendente Karen Moreno (Naomi Watts),
que também tem um parafuso a menos e é mãe de um adolescente problemático (Judah
Lewis). Phil (o sempre ótimo Chris Cooper), o chefe de Davis no banco e seu sogro, não sabe
mais o que fazer e se desespera ao ver o estado mental do genro. Quando estreou
no Festival de Toronto, em setembro de 2015, o filme foi recebido com frieza, tanto pelo púclico quanto pela crítica. Apesar da comprovada qualidade do diretor e do elenco, o filme realmente não funciona.
“ENFURECIDOS” (“Enragés”), 2015,
França, roteiro e direção de Éric Hannezo. Trata-se de um filme de ação e
suspense, cuja história começa quando quatro marginais assaltam um banco. A
polícia chega e tenta evitar a fuga do quarteto. Depois de um intenso tiroteio,
durante o qual morrem três policiais e um marginal, começa a perseguição aos
três bandidos restantes, que se refugiam num shopping center. Novo cerco e novo
tiroteio, com mais mortes. Os bandidos conseguem fazer uma refém e obrigam um
motorista, que estava levando o filho de 4 anos para o hospital, a ajudá-los na
fuga. Daí para frente, a fuga continua pelas estradas do interior da França e
mais mortes acabam acontecendo, num road movie bastante violento. O filme consegue
manter um bom clima de suspense, embora o ritmo da ação diminua consideravelmente
a partir da metade. No desfecho, uma surpreendente revelação causa uma reviravolta
na história. Estão no elenco Lambert Wilson, Virginie Ledoyen, Guillaume Gouix, Franck Gastambide, François Arnaud e Laurent Lucas. Difícil encontrar méritos suficientes nesta produção francesa para motivar uma recomendação entusiasmada. De qualquer forma, vale a indicação para uma sessão
da tarde.
terça-feira, 8 de novembro de 2016
“FLORENCE – QUEM É ESSA MULHER?” (“Florence Foster
Jenkins”), 2015, direção do inglês Stephen Frears (“Philomena” e “A Rainha”).
Trata-se do segundo filme a contar a história da norte-americana Florence
Foster Jenkins (1868-1944), herdeira milionária e amante do canto lírico que
ficou famosa por achar que era uma grande cantora de ópera. E, até o final de
sua vida, continuou acreditando nisso. Esta é a versão de Hollywood, lançada
nos cinemas logo depois da produção francesa “Marguerite”, também inspirada em
Florence. A comparação é inevitável. Os dois filmes são muito bons, mas a versão
de Hollywood é bem melhor, principalmente porque privilegia o humor, ao estilo das sensacionais comédias dos anos 40/50. Segundo, porque a ação toda transcorre em Nova
Iorque, cidade onde ocorreram todos os fatos narrados (na versão francesa, o cenário é Paris). Terceiro, porque, além de
Meryl Streep, conta no elenco com o inglês Hugh Grant. Ele interpreta magistralmente St. Clair
Bayfield, o marido protetor de Florence, que está sempre ao seu lado nos
momentos mais importantes, mas que à noite fica entre os lençóis com a bela
Kathleen (Rebecca Ferguson, de “Missão Impossível – Nação Secreta”). Embora
conte com a maravilhosa Meryl Streep, o dono do filme é mesmo Hugh Grant. Outro
trunfo é o ator Simon Belberg na pele do pianista Cosme McMoon, acompanhante de
Florence em seus recitais. A cena em que desce de elevador depois de ouvir
Florence pela primeira vez, é hilariante. É preciso destacar também a primorosa
recriação de época (1944), tanto nos cenários como nos figurinos. IMPERDÍVEL!
domingo, 6 de novembro de 2016
Ambientada
em apenas um dia – véspera de Ano Novo – no início dos anos 90, a comédia
argentina “LAS INSOLADAS”, 2014, apresenta
apenas seis personagens em um único cenário. São mulheres na faixa dos 30/40,
todas bonitonas – umas mais, outras menos –, que num dia de forte calor em
Buenos Aires se reúnem para tomar sol no terraço de um edifício. Amigas de um
curso de salsa, elas pretendem “ficar mulatas” para a apresentação da noite num
concurso de dança. Este será o cenário do filme inteiro, com exceção do
desfecho, onde as moças se apresentam no concurso. A cena inicial é muito
bonita, mostrando o nascer do sol e a capital argentina sendo iluminada aos
poucos, destacando a arquitetura dos prédios do centro da cidade. Tudo isso ao
som de “He Comes the Sun”, dos The Beatles. A fotografia do filme, ao estilo do diretor espanhol Pedro Almodovar, ressalta as cores fortes e amplia a sensação de um calor escaldante.
A verborragia predomina o tempo todo. As seis amigas, cada qual com uma
personalidade diferente, discutem temas como as relações amorosas,
extraterrestres, vidas passadas, tratamento com cromoterapia, a apresentação
que farão à noite e, principalmente, o planejamento de uma viagem para Cuba no
ano seguinte. Uma observação: naquela época, o bronzeado e o celular eram
símbolos de status entre os argentinos. Todas as conversas são levadas no maior
bom-humor, o que minimiza a monotonia de um cenário único e uma trama com pouca,
ou nenhuma, ação. Dessa forma, trata-se de um filme bastante agradável de
assistir. As eficientes atrizes do elenco - Carla Peterson, Luisana Lopilato, Marina Bellati, Elisa Carricajo, Maricel Alvarez e Violeta Urtizberea - são bastante conhecidas na Argentina. Umas do cinema e da TV, outras do teatro. O roteiro e a direção são assinados por Gustavo Taretto, o mesmo do
ótimo “Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual”.
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
O drama
francês “GERONIMO” é
ambientado num bairro carente de uma cidade litorânea no sul da França. Em sua
grande maioria, a comunidade local é constituída de imigrantes árabes,
africanos, turcos e ciganos. Ao escrever o roteiro, o diretor Tony Gatlif – ele
próprio de origem argelina e cigana – certamente foi inspirado a explorar os
problemas sociais franceses gerados pelos imigrantes que não param de chegar ao
país. A história começa com a fuga de uma jovem turca e de seu namorado cigano.
Vestida de noiva, ela acaba de abandonar o noivo à beira do altar. A família
turca dele promete vingança sanguinária, o que inclui matar os jovens amantes.
A guerra está declarada. Turcos contra ciganos. A catalã Gemma (Céline
Sallette), conhecida na comunidade como “Geronimo”, entra em ação para tentar
apaziguar os ânimos. Há muitos anos que ela cuida dos adolescentes do bairro,
livrando-os das drogas e da delinquência. Enfim, conselheira e educadora. Dessa
forma, ela tem moral para negociar um acordo de paz entre as famílias em
conflito. Só que agora é uma questão de honra, baseada numa cultura milenar. O diretor escorrega feio ao rechear a
trama de números musicais, deixando o drama com cara de musical, o que quebra o
ritmo da narrativa. Só para citar um exemplo: ciganos e turcos se encontram uma
noite e, quando se espera grossa pancadaria, passam a desafiar uns aos outros
com coreografias de dança de rua. Outro aspecto que não gostei foi a histeria do
casal de fujões, que vive berrando sem parar. Chatice monumental. Com exceção da
bela Céline Sallette e do ator espanhol Sérgi López, o resto do elenco é desconhecido.
Lançado no Festival de Cannes 2014, o filme foi recebido com bastante frieza
pelo público e pelos críticos. Deu saudades do verdadeiro Gerônimo, líder apache, dos faroestes americanos.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
“ARRANHA-CÉUS” (“High-Rise”),
Inglaterra, 2015, roteiro e direção de Ben Wheatley. Quando estreou nos cinemas da Inglaterra, no
início de 2016, a reação de grande parte da plateia foi sair no meio da
projeção. Atitude compreensível, já que se trata de um filme totalmente maluco,
onde imperam o humor negro, o surreal, a violência, o sexo e, acima de tudo, a falta de nexo.
Para completar o cenário, não há uma história linear, com começo, meio e fim.
As cenas vão acontecendo num ritmo alucinante, a maioria delas sem qualquer
explicação. A história toda – se há alguma – é ambientada nos anos 70, assim
como o romance escrito por James Graham Ballard, no qual foi baseado o roteiro
escrito por Wheatley, com a ajuda de sua esposa, Amy Jump. Um luxuoso edifício
de 40 andares serve de cenário para toda a ação. Nos andares inferiores moram
os condôminos de classe média baixa, nos andares intermediários os de classe
média alta e, nos andares superiores, os mais ricos. No complexo residencial
ainda funcionam um mercado e uma escola. Quando os serviços param de funcionar,
a começar pelos elevadores, o caos se instala e a violência corre solta. Tem
churrasco de husky siberiano, mulher grávida transando com o vizinho, pancadaria generalizada, briga por
mercadorias no mercado etc. Apesar de tudo, o elenco é de primeira: Jeremy
Irons, Tom Hiddleston, Sienna Miller, Luke Evans e Elisabeth Moss. Alguns críticos profissionais acharam o filme maravilhoso, enquanto o público normal detestou. Tire suas próprias conclusões assistindo, nem que seja só por curiosidade.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
“UM ESTADO DE LIBERDADE” (“The Free State of Jones”), EUA,
2016, roteiro e direção de Gary Ross (“Jogos Vorazes”), narra um episódio
histórico verídico ocorrido durante a Guerra Civil Americana, na segunda metade
do século XIX. Para escrever o roteiro, Ross se baseou em dois livros, “The
Free State of Jones” e “The State of Jones”.
Toda a
trama é centrada no fazendeiro Newton Knight (Matthew McConaughey), que se
alista no exército Confederado como enfermeiro e depois, insatisfeito com os verdadeiros
objetivos do lado que escolheu, volta para casa e é considerado desertor. Para
não ser preso e enforcado, ele se refugia na região dos pântanos, no
Mississipi, e lá forma um grupo de rebeldes constituído de fazendeiros pobres e
escravos. Depois de vencer várias batalhas contra os confederados, Knight decide
fundar o Estado Livre de Jones, casa-se com uma ex-escrava, Rachel (Gugu
Mbatha-Raw), e luta contra os integrantes do primeiro grupo da Ku Klux Klan. O
filme é muito bem feito e já estão dizendo que deve concorrer a algumas das
principais indicações ao Oscar 2017 (a Academia adora filmes históricos). Acho essa previsão um tanto exagerada. Em
todo caso, acredito que McConaughey deva ser indicado novamente para Melhor
Ator, prêmio que já conquistou em 2014 por sua atuação em “Clube de Compras
Dallas”.
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