“O ESCÂNDALO” (“BOMBSHELL”), 2019,
EUA, 1h49m, direção de Jay Roach, com roteiro de Charles Randolph. A história é
baseada em fatos reais, ou seja, nas denúncias de funcionárias da gigante Fox
News, em 2016, contra o chefão Roger Ailes, fundador e CEO da empresa. O filme
mostra que há muitos anos Ailes (John Lithgow) obrigava as mulheres a se
submeter a seus caprichos sexuais. Caso contrário, não encontravam lugar na
empresa. Entre elas, as principais âncoras, repórteres e jornalistas. Uma
delas, porém, resolveu denunciar Ailes depois de ser demitida. Gretchen Carlson
(Nicole Kidman) contratou advogados para processar o CEO da Fox. No vácuo dessa
primeira denúncia, outras funcionárias da Fox News ingressaram com novos
processos. Megyn Kelly (Charlize Theron) foi uma delas. Outra personagem
importante no filme é a jornalista Kayla Pospisil (Margot Robbie), também
vítima do tarado. Em meio a todo esse escândalo, que ocupou com destaque o
noticiário norte-americano em 2016, o filme destaca a influência do partido
republicano nos meios de comunicação. Na Fox News, por exemplo, não se podia
falar mal de Donald Trump, então candidato à presidência. Esse talvez seja um
dos aspectos mais interessantes do filme, que ainda conta no elenco com as
presenças de Connie Britton, Allison Janney e Kate McKinnon. Mas o destaque
principal, sem dúvida, é o trio das protagonistas principais, Charlize Theron, Nicole
Kidman e Margot Robbie, atrizes que, além de bonitas, são muito competentes.
Theron, quase irreconhecível por causa da maquiagem, cabelo e lentes de contato,
foi indicada ao Oscar 2020 como Melhor Atriz. A australiana Margot Robbie
também foi indicada como Melhor Atriz Coadjuvante. Ela é, na minha opinião, a
atriz mais bonita do cinema atual. E a também australiana Nicole Kidman está
muito bem no papel da âncora que resolve fazer a primeira denúncia. Outra
indicação recebida pelo filme para a disputa do Oscar 2020 é a de Melhor Cabelo
e Maquiagem. Resumo da ópera: “O Escândalo” é um bom filme, mas poderia ser muito
melhor. O que o valoriza, além do trio de atrizes, é o fato de ter sido baseado em acontecimentos reais.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
“O FAROL” (“THE LIGHTHOUSE”), 2019,
Estados Unidos, 1h50m, direção de Robert Eggers (“A Bruxa”), que também assina
o roteiro com a colaboração de seu irmão Max Eggers. A história, ambientada no
final do século XIX e inspirada em fatos reais, é centrada na relação entre o experiente faroleiro Thomas
Wake (Willem Dafoe) e seu assistente Ephraim Winslow (Robert Pattinson). Os
dois são enviados a um rochedo distante da costa para cuidar de um farol, Wake
como faroleiro e Winslow como zelador do local. Enquanto cada um cuida de sua
função específica, o confinamento e a solidão começam a afetar a dupla. Passam
a se xingar, discutem por qualquer motivo e tomam bebedeiras homéricas. Winslow,
em especial, tem alucinações sobrenaturais, evocando monstros marinhos e até
uma sereia (a modelo Valeriya Karaman). A situação se complica ainda mais
quando uma violenta tempestade no mar impede que o navio de suprimentos chegue
ao rochedo. Filmado em preto e branco (a fotografia, de Jarin Blaschke, foi
indicada para disputar o Oscar 2020), “O Farol” não é um filme de fácil
digestão. É lúgubre, tenebroso, violento, escatológico, um misto de drama,
suspense, terror e fantasia. E também verborrágico demais, com os diálogos e longos monólogos falados no inglês antigo, difícil de entender. A entonação utilizada pelos
atores é bastante teatral, assim como o texto, que lembra as peças trágicas dos
dramaturgos de antigamente. O filme estreou durante o 72º Festival
Internacional de Cinema de Cannes em maio de 2019, arrancando muitos elogios da
crítica especializada. Recomendo assistir exclusivamente pela ótima atuação dos
atores (principalmente Pattinson, o que para mim é surpresa, pois sempre o
considerei um ator muito fraco; Dafoe está ótimo como sempre) e também pela fotografia em p/b, claramente inspirada pelo cinema expressionista alemão da primeira
metade do século passado.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Vencedor de dois prêmios no
Globo de Ouro (Melhor Filme de Drama e Melhor Diretor) e indicado em 10
categorias para disputar o Oscar 2020, entre os quais Melhor Filme, Melhor
Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Fotografia, “1917” é mais
um excelente filme da ótima safra 2019 do cinema mundial. Trata-se de um
épico de guerra ambientado durante a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) e conta a
história de dois jovens soldados ingleses, os cabos Schofield (George Mackay) e
Blake (Dean-Charles Chapman), que recebem uma difícil e quase suicida missão. Eles serão
obrigados a atravessar as linhas inimigas alemãs para levar uma mensagem ao comandante
de um pelotão inglês de 1.600 soldados. A ordem do alto comando era suspender o
avanço do batalhão, pois a retirada dos alemães da Linha Hindenburg, norte da
França, era um subterfúgio para pegar os ingleses numa armadilha. O filme
inteiro mostra o sacrifício e o ato heroico dos dois jovens soldados, que
enfrentaram terríveis obstáculos para cumprir a difícil missão. Para escrever o
roteiro, juntamente com Krysty Wilson-Cairns, o diretor britânico Sam Mendes se
inspirou nas histórias da 1ª Guerra Mundial contadas por seu avô paterno Alfred
Mendes, que lutou no conflito pelo exército inglês. Sam Mendes (Oscar de Melhor
Diretor com “A Beleza Americana” em 2000, e diretor dos dois últimos 007, “Operação
Skyfall” e “007 contra Spectre”) filmou tudo em apenas dois longos planos-sequência
(sem cortes), com a câmera acompanhando a ação bem perto dos protagonistas,
proporcionando ao espectador a sensação de estar em cena participando como protagonista. Para esse trabalho magistral, Mendes contou com a colaboração do fotógrafo Roger Diakins. Ainda estão no
elenco Mark Strong, Andrew Scott, Colin Firth, Benedict Cumberbatch e Richard
Madden. Muita adrenalina, ação e suspense, valorizados por cenas sensacionais,
de tirar o fôlego. Realmente, um filmaço!
terça-feira, 28 de janeiro de 2020
“BLACK ’47” (não deverá chegar
por aqui, pois não tem nenhum apelo comercial; por isso, não foi traduzido), 2018,
Irlanda, 1h40, roteiro e direção de Lance Daly. Trata-se de um drama histórico bastante
pesado, ambientado em 1847 na Irlanda durante o período que se chamou A Grande
Fome, que vitimou milhares de irlandeses. A história é centrada no mercenário Martin
Feeney (o ator australiano James Frechville), que desertou do exército inglês que
lutava no Afeganistão para rever sua família na Irlanda, mas encontrou todos mortos pela fome e
pela omissão das autoridades inglesas. Feeney quer se vingar de todos os que
fizeram tanto mal à sua família, desde o juiz que lhes tirou a casa até o
empresário avarento que se negava a lhes dar comida. A série de assassinatos
cometidos por Feeney chamaram a atenção das autoridades inglesas, que enviaram
para capturá-lo um ex-colega de exército de Feeney, Hannah (Hugo Heaving). O filme
acompanha a trajetória de Feeney e, em seu encalço Hannah, por uma Irlanda afundada na mais trágica crise
econômica, durante a qual grande parte da população morria de fome e frio. Nos diálogos, além da língua inglesa, o roteirista e diretor Lance Daly
fez questão de utilizar os dialetos dos irlandeses residentes em aldeias e
vilarejos da zona rural. Reforçam o elenco atores ingleses bastante conhecidos,
como Stephen Rea e Jim Broadbent. “Black ‘47” estreou, com elogios, durante o
Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2018. O filme é muito
interessante sob o ponto de vista histórico, mostrando um país devastado pela
fome e dominado pela tirania inglesa, o que provocou a ira do povo e depois o surgimento de uma ira maior: o IRA.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
“ENTRE FACAS E SEGREDOS” (“KNIVES
OUT”), 2019, Estados Unidos, 2h10m, roteiro e direção de Rian Johnson.
Mais um dos excelentes filmes que comprovam a qualidade da safra 2019 de Hollywood,
que já nos presenteou com os magistrais “Coringa”, “O Irlandês”, “Era uma vez...em Hollywood”
e outros tantos. “Knives Out” é um filme policial de mistério e foi escrito
inspirado, segundo o próprio Rian Johnson, nas histórias da escritora inglesa
Agatha Christie, principalmente “Assassinato no Expresso Oriente”. Ou seja,
segue a fórmula de um assassinato, vários suspeitos, interrogatórios e o
desfecho revelando o criminoso. O escritor de livros policiais Harlan Thrombey
(Christopher Plummer) aparece morto com a garganta cortada depois de sua festa
de 85º aniversário. Todos que estavam na festa tornam-se suspeitos: os filhos,
genros, netos, empregados etc., cada um com uma motivação diferente para
excluir Harlan da vida terrena. O tenente Elliott (Lakeith Stanfield) é o
encarregado oficial das investigações, auxiliado pelo detetive Benoit Blanc
(Daniel Craig, o atual 007), cujo método de interrogatório privilegia uma forte
pressão psicológica e perguntas desconcertantes. Blanc escolhe como seu bode
expiatório a enfermeira Marta Cabrera (a atriz cubana Ana De Armas, ótima), a imigrante
latino-americana que cuidava da saúde do falecido, aplicando-lhe os remédios e
injeções. A intuição de Blanc estava certa. Marta será a personagem que mais
ajudará o detetive a solucionar o mistério da morte do escritor, a que mais se
envolverá nos acontecimentos da investigação. O roteiro do filme é magistral,
tanto que foi indicado ao Oscar 2020. Entre o suspense reativado a cada minuto e
as várias e surpreendentes reviravoltas, o espectador estará se divertindo com
uma trama bastante engenhosa e com um humor sutil e irônico. O elenco é um luxo
só: além de Plummer, Craig e Ana De Armas, atuam Chris Evans (o Capitão
América), Jamie Lee Curtis, Don Johnson (pai de Dakota, de “50 Tons de Cinza”),
Michael Shannon, Toni Colette e Katherine Langforfd. Cinema de qualidade e
diversão garantida.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
“DOR E GLÓRIA” (“DOLOR Y
GLORIA”), 2019, Espanha, 1h53m, é o filme mais autobiográfico do roteirista
e diretor Pedro Almodóvar. É o seu 21º longa-metragem e, na minha opinião, o
mais genial. A história é centrada no cineasta Salvador Mallo (Antonio
Banderas), que tem dificuldade de enfrentar a velhice que chega e, com ela, a
depressão e a falta de inspiração. Tem problemas de saúde, dores pelo corpo e
nenhuma vontade de socializar. Até que um dia resolvem prestar uma homenagem ao
filme “Sabor”, que Mallo escreveu e dirigiu há 32 anos, um grande sucesso na
época. Os preparativos para a homenagem fizeram com que Mallo reencontrasse
Alberto Crespo (Azie Etxeandia), ator principal do filme e com o qual havia
brigado. Mallo também terá a oportunidade de rever Federico (o ator argentino
Leonardo Sbaraglia), seu antigo namorado. Em meio a esses encontros, Mallo
começa a recordar de sua infância pobre (papel do menino Asier Flores) em
Valência nos anos 60 e de sua relação com a dedicada mãe Jacinta (Penélope
Cruz), além de mostrar como surgiu sua opção sexual. Antonio
Banderas está ótimo no papel do diretor amargurado e, merecidamente, conquistou
o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes 2019, onde o filme teve a sua
estreia mundial e a indicação para a Palma de Ouro. “Dor e Glória” também
está representando a Espanha na disputa do Oscar 2020 de Melhor Filme
Estrangeiro. Segundo a prestigiosa revista norte-americana Times, trata-se do
melhor filme do ano. Almodóvar reconhece que Mallo tem tudo a ver com sua vida pessoal
(reparem que o penteado do ator Banderas é igual ao do cineasta). Quem assistir
poderá constatar que o Almodóvar colocou no roteiro uma série de memórias
afetivas. “Dor e Glória” é um grande filme, melancólico e, ao mesmo tempo, bastante sensível. Na minha
humilde opinião, um dos melhores de Almodóvar. Não perca!
domingo, 19 de janeiro de 2020

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
“HEBE – A ESTRELA DO BRASIL”, 2019, direção
de Maurício Farias, com roteiro de Carolina Kotscho. Trata-se da cinebiografia (incompleta)
da apresentadora Hebe Camargo (1929-2012), que ficou no ar com seu programa de
auditório durante 60 anos. Seja na Tupi, Record, Bandeirantes e SBT, seu programa
de auditório bateu recordes de audiência, superando muitas vezes a poderosa
Rede Globo. O filme acompanha a trajetória de Hebe durante a segunda metade dos
anos 80, quando já era uma apresentadora consagrada em todo Brasil. Os enfoques
principais são sua relação tumultuada com o diretor Walter Clark na TV
Bandeirantes, seus desabafos ao vivo contra a censura, os políticos e a
corrupção, o que quase lhe valeu uma prisão, e sua ida para o SBT. Mas é na sua
vida particular que o filme dá maior destaque, as brigas violentas com o
ciumento segundo marido Lélio Ravagnani, suas bebedeiras com as amigas Lolita
Rodrigues e Nair Bello, além da sua extravagância em usar joias caríssimas e roupas exóticas e escandalosamente cheias de brilho. O fato da vida de Hebe ser retratada em
apenas alguns anos da década de 80 restringiu em muito a história de Hebe,
nascida em uma família pobre de Taubaté – no filme, ela dá a entender que tinha passado fome na infância. Faltou ainda abordar um aspecto importante na vida da
apresentadora: sua participação no primeiro programa de televisão no Brasil, em
1950, na extinta TV Tupi. Também ficou faltando abordar seus últimos anos de
vida, a doença e sua luta para sobreviver. Ou seja, como escrevi no início
deste comentário, a cinebiografia de Hebe ficou incompleta, o que, na minha
opinião, acabou prejudicando o resultado final – o filme virou minissérie em 10
episódios exibidos na programação Tela Quente da Rede Globo. Não assisti, mas
dizem que é mais completa do que o filme. O elenco é o ponto alto do filme “Hebe
– A Estrela do Brasil”: Andréa Beltrão (Hebe), Marco Ricca (Lélio Ravagnani),
Danton Mello (Cláudio Pessutti, seu sobrinho e principal assessor), Caio
Horowicz (Marcello, filho de Hebe), Daniel Ventura (Silvio santos), Felipe Rocha
(Roberto Carlos), Stella Miranda (Dercy Gonçalves), Otávio Augusto (Chacrinha),
Gabriel Braga Nunes (Décio Capuano, primeiro marido de Hebe), Danilo Grangheia
(Walter Clark), Cláudia Missura (Nair Bello), Karine Teles (Lolita Rodrigues) e
Renata Bastos (Roberta Close). Na mesma linha de cinebiografias de artistas
brasileiros, recomendo as do Palhaço Bozo (“Bingo, o Rei das Manhãs”), Tim
Maia, Chacrinha, Maysa, Elis Regina, Erasmo Carlos, Zezé de Camargo e Luciano “Os
Dois Filhos de Francisco”) e Chacrinha.
terça-feira, 14 de janeiro de 2020
“A PRECE” (“LA PRIÈRE”), 2018,
França, 1h47m, direção de Cédric Kahn, que também assina o roteiro com a colaboração
de Fanny Burdino e Samuel Doux. O filme tem como pano de fundo a religião,
envolvendo questões como a fé, a devoção, o amor, a amizade, o sacrifício e a
entrega. A história é centrada no jovem Thomas (Anthony Bajon), um viciado em
heroína que aceita ser enviado a uma comunidade isolada nos Alpes franceses que
trata de dependentes químicos. São dois tipos de acampamento, um para os
rapazes e outro para as moças. Em ambos, a religião é a força motora para
tentar a recuperação dos jovens. Desde que acordam, os jovens cumprem uma
rotina bastante rigorosa e extenuante. Trabalham na horta, cortam lenha, rezam em
conjunto e participam de sessões de terapia em grupo, durante a qual contam suas
experiências e, alguns ex-internos, a sua vitória sobre o vício. Desde que chegou
ao acampamento, Thomas sempre tem a seu lado um colega que serve de tutor ou
orientador, no caso Pierre (Damien Chapelle), um ex-viciado que trabalha como
voluntário. Após livrar-se das crises de abstinência, Thomas acaba descobrindo
a fé e decide ir para o seminário. Quer ser padre. Ao mesmo tempo, porém,
conhece a jovem Sybelle (Louise Grinberg), outra ex-viciada, pela qual se apaixona.
Thomas viverá dias atormentados, devendo decidir pela Igreja ou pelo amor de
uma jovem. Destaque para a participação especial da atriz alemã Hanna Schygulla
como a Madre Myriam. Durante muitos anos - décadas de 70 e 80 -, Schygulla, dos
clássicos “O Casamento de Maria Braun” (1978) e “Lili Marlene” (1981), foi uma
das minhas musas do cinema. A atriz envelheceu e engordou. Está irreconhecível.
Outro destaque de “A Prece” é o ator espanhol, de descendência alemã, Alex
Brendemühl, do espetacular “The German Doctor” (2013), onde fez o papel do
criminoso de guerra alemão Josef Mengele. “A Prece” estreou em fevereiro de
2018 no Festival Internacional de Cinema de Berlim e consagrou a excelente
atuação de Antony Bajon com o Urso de Prata de Melhor Ator. Merecido. “A Prece”
também foi exibido por aqui durante a programação oficial da 43ª Mostra
Internacional de Cinema de São Paulo. Cinema da melhor qualidade.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

sábado, 11 de janeiro de 2020
Bruce Willis continua duro de
matar, mas seus últimos filmes são duros de aguentar, de engolir, de assistir.
Em quase todos eles Willis aparece pouco, mas seu nome surge sempre em destaque
nos materiais de divulgação, como se ele fosse o protagonista principal. Além
do mais, Willis está nitidamente sem fôlego para atuar em filmes de ação. Fora
que nunca foi um bom ator e agora piorou muito. Se alguém tiver alguma dúvida a
respeito de tudo isso que escrevi, assista ao recente suspense policial “CENTRO
DO TRAUMA” (“TRAUMA CENTER”), 2019, EUA, 1h26m, direção do cineasta
iraniano radicado na América Matt Eskandari, com roteiro de Paul J. Da Silva. A
história toda gira em torno de Madison Taylor (Nicky Whelan), que por um azar
acaba testemunhando o assassinato de um policial. Embora não possa identificar
os dois atiradores, ela recebeu um tiro na perna e a bala pode denunciar a quem
pertence o revólver do assassino. Os dois vilões conseguem descobrir que
Madison está internada num hospital. Como também são policiais – da Narcóticos
-, acabam tendo livre acesso às dependências do hospital. Seu objetivo é
retirar a bala da perna da moça. Enquanto isso, nada de Willis, cujo personagem
é o tenente Steve Swake. Por um bom tempo, Madison consegue fugir dos vilões até
a chegada da cavalaria, ou seja, o pangaré Willis. A ação transcorre à noite, o
hospital no maior silêncio, enquanto em alguns andares Madison tenta se
esconder dos bandidos. Muito barulho, inclusive tiros, mas nada chama a atenção
nem dos seguranças do hospital e muito menos dos médicos e enfermeiras. Tenha
dó! Os atores Tito Ortiz e Texas Battle, os vilões, são tão medíocres que
chegam a ser cômicos. Posso apontar como únicos destaques a presença da bela
atriz australiana Nicky Whelan e a aparição do ator Steve Guttenberg, que andava
sumido das telas – pelo menos faz tempo que não o vejo. “Centro do Trauma” é um
enorme abacaxi, daqueles que vem com a Carmem Miranda pendurada.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

domingo, 5 de janeiro de 2020
“JT LEROY”, 2018,
coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h48m, roteiro e direção de Justin Kelly.
Baseada em fatos reais, a história relembra um caso de grande repercussão
ocorrido nos Estados Unidos em meados da primeira década deste século. Sob o pseudônimo
de JT Leroy, a escritora independente Laura Albert escreveu, em 2000, o livro “Sarah”,
que logo virou best-seller ao retratar a vida sofrida, tumultuada e chocante de
Jeremiah “Terminator” Leroy (o pseudônimo JT Leroy, que assinava o livro), que
todo mundo acreditava ser um personagem real. Em 2001, saiu um novo livro de
Laura Albert, também como JT Leroy: “O Coração é Enganoso Acima de Todas as
Coisas”. Mas, afinal, quem é o JT Leroy na vida real? A curiosidade mexeu com
os meios literários, com a mídia e com os milhões de leitores pelo mundo
inteiro. Até com Hollywood, que queria fazer um filme com JT Leroy. Laura Albert (Laura Dern), a autora verdadeira, teve a ideia de
transformar sua cunhada Savannah Knoop (Kristen Stewart) no tal JT Leroy, uma
falsa jogada de marketing que durou até 2005, quando uma reportagem do Jornal
The New York Times revelou a farsa. Com seu tipo andrógeno, a atriz Kristen Stewart,
que, como o personagem JT Leroy, também é bissexual na vida real, é o grande
destaque do filme, que teve sua estreia mundial no dia 15 de setembro de 2018
no Festival de Toronto. Lembro que o roteiro foi inspirado no livro “Girl Boy
Girl: How I Became JT Leroy”, escrito pela própria Savannah Knoop, que também
ajudou o diretor Justin Kelly a roteirizar a história. Também estão no elenco,
além de Kristen Stewart e Laura Dern, a atriz alemã Diane Kruger, Jim Sturgess
e Courtney Love. Muita gente aqui no Brasil talvez nunca tenha ouvido falar no
caso JL Leroy. Por isso mesmo, o filme pode ser bastante interessante,
valorizado ainda mais pelo excelente elenco e o ótimo roteiro.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
Discutir a relação no
casamento. O assunto já foi abordado inúmeras vezes no cinema, sendo impossível não lembrar do clássico
“Cenas de um Casamento” (1973), do sueco Ingmar Bergman, onde Liv Ullmann e
Erland Josephson discutem a relação durante quase 3 horas de projeção. Em “Kramer
vs. Kramer” (1979), a relação conjugal também foi discutida pelo casal vivido
por Meryl Streep e Dustin Hoffman, culminando numa disputa judicial pela guarda
do filho. Esses dois aspectos – discutir o relacionamento e disputa judicial –
foram incorporados ao drama “HISTÓRIA DE UM CASAMENTO” (“MARRIAGE STORY”),
2019, Estados Unidos, 2h17m, roteiro e direção de Noah Baumbach. No início,
tudo parece correr às mil maravilhas com Charlie (Adam Driver) e Nicole (Scarlett
Johansson). Depois de dez anos de casados, que resultaram no filho Henry (Azhy
Robertson), a relação começa a azedar a partir do momento em que Nicole, uma
atriz de teatro, resolve sair de Nova Iorque para tentar o cinema em Hollywood,
levando o filho a tiracolo. Charlie, diretor de teatro, não se conforma com a
situação e parte para Los Angeles com o objetivo de tentar um acordo. Só que
Nicole contrata a advogada Nora Fanshaw (Laura Dern) e entra com uma ação na justiça
para preservar a guarda do menino e ainda exigir uma grana de Charlie. E por aí
vai a “História de um Casamento”, com muito blá, blá, blá – é verborrágico ao
extremo, como é o estilo do roteirista e diretor Noah Baumbach (dos chatérrimos
“Frances Ha” e “Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe”). Para escrever o
roteiro de “História de um Casamento”, Noah confirmou em entrevista que inseriu
muitos momentos de seu tumultuado casamento com a atriz Jennifer Jason Leigh,
com a qual viveu de 2005 até 2012. Também estão no elenco Alan Alda, Ray Liotta
e Julie Hagerty. Dizem que existe uma grande chance de Adam Driver e Scarlett
Johansson serem indicados ao Oscar 2020. Pode ser, mas o filme em si não chega
a ser uma maravilha. Achei a situação forçada demais e a verborragia reinante chega
a incomodar. Em todo caso, vale uma visita para conferir.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

sábado, 28 de dezembro de 2019
“MAMÃE SAIU DE FÉRIAS” (“MAMÁ
SE FUE DE VIAJE”), 2019, México, 1h40m, roteiro e direção de
Fernando Sariñana. Trata-se de um remake do filme argentino “Mamá se Fue
de Viaje”, de 2017, que também teve uma versão italiana este ano, “10 Giorni
Senza Mamma”. A versão mexicana, tema deste comentário, é muito divertida.
Cassandra (Andrea Legarreta), a dona da casa, resolve tirar umas férias para
fazer um curso de Ioga. Deixou os quatro filhos aos cuidados do pai,
completamente inexperiente na função, pois dedica-se integralmente à empresa
onde trabalha como gerente. Ah, ainda sobrou o cachorro da família, “Canabis”.
Aquelas confusões de sempre: acordar cedo para fazer o café para a criançada, cuidar
das roupas de cada um, deixar comida com o cachorro, levar e buscar no colégio
etc. E ainda ter que cuidar de contratar uma faxineira, pois a antiga sofreu um
acidente e está de licença. Como toda a desgraça não vem sozinha, Gabriel tem
de mostrar serviço na empresa, já que haverá uma promoção para um cargo mais
alto e ele é cotado como favorito. Sua maior chance de conquistar o cargo pode
estar no Dia da Família, um evento anual organizado pela empresa no qual os
funcionários levam suas famílias para participar de brincadeiras, jogos e
muitas diversões. As cenas dessa festa são as mais engraçadas do filme. “Mamãe Saiu
de Férias” é uma ótima dica para uma sessão da tarde com a família. Para rir à
vontade!
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
“EL REINO”, 2018,
Espanha, 2h12m, roteiro e direção de Rodrigo Sorogoyen (“Que Dios nos Perdone”).
Um filme poderoso e impactante, onde os bastidores sujos da política – corrupção,
traições, negociatas etc. – são expostos de forma crua e impiedosa. A história
é inspirada num dos mais famosos esquemas de corrupção da Espanha, o “Caso Gürtel”,
descoberto em novembro de 2007 e que levou gente graúda do Partido Popular (PP)
para a cadeia. No filme, o personagem principal é Manuel López-Vidal (Antonio
de la Torre, ótimo), vice-secretário de um governo regional que está sendo cotado para
ser candidato de seu partido a um alto cargo no governo espanhol. A turma partidária
de Manuel inclui políticos importantes (é nesse grupo que se baseou o título
original do filme). São os chamados “caciques” do partido. Eles se reúnem constantemente
em restaurantes e hotéis luxuosos e até no iate de um deles, além de festinhas
tipo Sérgio Cabral e quadrilha em Paris. O objetivo dessas reuniões é o de
sempre: festejar alguma maracutaia bem-sucedida, derrubar algum inimigo (ou até
um amigo) político e planejar o próximo golpe. Enfim, gente da pior qualidade e
sempre com a pior das intenções (lembram políticos de algum país que você conhece?).
Até que um dia Paco (Nacho Fresnada), um dos políticos da turma de Manuel,
acaba denunciado e preso acusado de conceder contratos públicos a empresas em
troca de dinheiro. As acusações recaem também sobre Manuel, que, ao ver sua
carreira política praticamente arruinada, decide que não vai “cair” sozinho. O elenco
conta ainda com Bárbara Lennie (excelente), Josep Maria Pou, Mónica López, Luis
Zahera e Ana Wagener. “El Reino” foi o grande vencedor do 33º Prêmio Goya de
Cinema (o Oscar espanhol), recebendo nada menos do que 13 indicações. Ganhou em
sete categorias, entre as quais Melhor Diretor, Melhor Ator (Antonio de La
Torre) e Melhor Roteiro Original. Também arrancou elogios entusiasmados quando
foi exibido no 66º Festival de San Sebastian e ainda na Seção “Contemporany
World Cinema” do Toronto International Film Festival/2018. Sem dúvida, um
grande filme. Imperdível!
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