terça-feira, 3 de janeiro de 2017
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Coincidência
trágica, “ATENTADO EM PARIS” (“Bastille
Day”), coprodução Inglaterra/França/EUA, estreou nos cinemas franceses um dia antes
do atentado de Nice, em julho do ano passado, durante as comemorações do Dia da
Bastilha, que resultou na morte de 84 pessoas. O filme foi imediatamente retirado de cartaz e teve o nome mudado
para “The Take”. Trata-se de um ótimo filme de ação estrelado pelo brucutu
inglês Idris Alba (“Beasts of no Nation”, o primeiro filme produzido pela
Netflix). Ele é o agente especial da CIA Sean Briar, recrutado para investigar
um atentado terrorista à bomba em Paris, no qual morreram quatro pessoas. Briar
descobrirá que o jovem norte-americano Michael Mason (Richard Madden, da série
“Game of Thrones”), um habilidoso bateador de carteiras e ladrão de celulares, acabou
se envolvendo no crime ao roubar uma sacola de Zoe Naville (Charlotte Le Bon),
uma jovem francesa recrutada por nacionalistas radicais que intencionam colocar
a culpa nos árabes. Dirigido pelo inglês James Watkins (“A Mulher de Preto”),
o filme traz ótimas cenas de ação, principalmente aquela que mostra uma
perseguição de tirar o fôlego sobre os telhados da capital francesa. O bom
elenco ainda é valorizado pelas presenças de José Garcia e Kelly Reilly. Bom
programa para uma sessão da tarde com pipoca.
Representante oficial da Palestina na disputa do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro, “O ÍDOLO” (“Ya Tayr El Tayer”) conta a
história verídica do jovem cantor Mohammed Assaf, que em 2013 saiu de Gaza para
vencer o Arab Idol – versão árabe do American Idol – no Cairo Opera House, na
capital egípcia. Escrito e dirigido pelo israelense Hany Abu-Assad (dos ótimos “Paradise
Now” e “Omar”), o filme pode ser visto em duas partes. A primeira mostra o
garoto Assaf (Kaís Attalah) e sua turma querendo montar um grupo musical, sonho
desfeito quando Nour, a irmã, fica gravemente doente. Ela sofre de
insuficiência renal e precisa de um transplante. Numa das visitas que Assaf faz
à irmã no hospital, ela pergunta por que contraiu a doença. Assaf responde que
se ela fosse uma criança sueca não ficaria doente dessa forma. “Deve ser por
causa das nossas frustrações”. Dá o que pensar. O filme dá um salto para 2012,
quando Assaf (agora interpretado por Tawfeek Barhom) trabalha como motorista de
táxi. Nessa parte, o diretor Abu-Assad explora a situação de calamidade vivida
pela população de Gaza, com imagens de bairros inteiros destruídos pelos
ataques de Israel. O desfecho, é claro, reproduz a vitória de Assaf no Arab
Idol, com direito a imagens do verdadeiro cantor no dia em que venceu a disputa,
tornando-se um grande herói para o povo palestino. Enfim, um filme biográfico e
musical com pano de fundo político, com alguns momentos sensíveis e até
comoventes, principalmente na primeira fase. Mas está longe de ser um grande
filme ou merecedor de um Oscar.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
“THE BEATLES – OITO DIAS DA SEMANA” (“The Beatles –
Eight Days a Week – The Touring Years”), 2016,
EUA, direção de Ron Howard (“Uma Mente Brilhante” e “Apolo 13”). O foco
principal do documentário são as turnês realizadas pela banda entre 1963 e
1966, com destaque para as apresentações realizadas nos EUA. Nesse período, a
banda inglesa participou de nada menos do que 250 concertos no mundo inteiro.
Além das cenas desses shows ao vivo, incluindo a participação no programa de Ed
Sullivan na TV norte-americana, vista por 73 milhões de telespectadores, o
documentário apresenta depoimentos exclusivos de personalidades como Woopi
Goldberg e Sigourney Weaver, que estiveram presentes em alguns shows da banda
nos EUA e se declaram fãs de carteirinha da banda inglesa. Howard também conseguiu
entrevistar Paul McCartney e Ringo Starr, além de reproduzir depoimentos de John
Lennon e George Harrison. Muitas informações curiosas e, para mim, surpreendentes,
também estão no documentário. Por exemplo, que foi o empresário Brian Epstein
que teve a ideia, em 1962, de substituir os casacos de couro com os quais os
músicos se apresentavam no Cavern Club e em Hamburgo pelos famosos terninhos.
Outra revelação: Paul, Lennon, Ringo e Harrison, numa fase de desgaste profissional, chegaram a pensar em fundar uma
nova banda, com outro nome. Além disso, Howard abriu espaço para mostrar a dura
rotina de trabalho dos Beatles: gravações em estúdio, entrevistas coletivas,
shows ao vivo, participação em clipes etc. Também ganhou destaque no
documentário o pedido de desculpas de John Lennon, em entrevista coletiva,
depois de afirmar que os Beatles eram maiores do que Jesus. Enfim, um documentário
que proporciona uma viagem fantástica aos anos 60 na companhia da banda que
revolucionou a cultura musical e influenciou milhões de jovens pelo mundo
inteiro, inclusive este humilde comentarista. Impossível não se emocionar com tantas canções maravilhosas. Mais do que imperdível, OBRIGATÓRIO!
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
Confesso
que fiquei em dúvida se assistia ou não o drama japonês “PIETÁ NO BANHEIRO” (“Toire no Pieta” no original, ou “Pieta in the Toilet”
em inglês), 2015, roteiro e direção de Daishi Matsunaga. A começar pelo título
suspeito (explicado no desfecho), a falta de referências sobre o diretor e os protagonistas, além do fato de ser
baseado num mangá (história em quadrinhos), arte mais direcionada para os jovens. Mas resolvi assistir e acabei
diante de uma obra bastante interessante. A história é baseada num mangá autobiográfico do
escritor Osamu Tezuka. O jovem Hiroshi (o ator e astro da música pop Yojiro
Noda) desiste da carreira de pintor e resolve trabalhar como limpador de
janelas de escritórios em grandes edifícios. Ao realizar exames médicos depois
de passar mal durante o trabalho, ele descobre que tem um tumor maligno no
estômago e poucos meses de vida. A história toda gira em torno da relação de
Hiroshi com a proximidade da morte, sua amizade com a estudante Mai (Hana
Sugisaki), que se passa por sua irmã, e com os doentes terminais do hospital.
Hiroshi terá a oportunidade de refletir sobre a doença, sobre sua vida, o
relacionamento com os pais e, principalmente, sobre a falta de perspectivas. Trata-se
de um filme lento e contemplativo, mas que em nenhum momento torna-se tedioso. Um
digno representante japonês do cinema de arte. Como aval, informo que o filme foi premiado no Japan Tokyo International Film Festival de 2015.
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
O
escritor britânico John Le Carré já teve vários de seus livros adaptados para o
cinema, entre os quais obras-primas da espionagem, como “O Espião que Sabia
Demais” e “O Homem mais Procurado”. Em 2016, mais um de seus romances ganhou
versão cinematográfica. Trata-se de “NOSSO
FIEL TRAIDOR” (“Our Kind of Traitor”, nome
original do livro e do filme), cujo roteiro foi assinado por Hossein Amini e a
direção pela inglesa Susanna White. A história começa no Marrocos, onde o professor
universitário Perry Makepeace (Ewan McGregor) e sua esposa, a advogada Gail
Perkins (Naomi Harris), passam alguns dias de férias. Lá, conhecem o russo Dima (o ator sueco Stellan
Skarsgard, em mais uma ótima atuação), responsável por lavar dinheiro para uma poderosa organização
criminosa. Sentindo-se ameaçado, Dima quer se desligar da máfia e pede a Perry que entregue um pen drive ao Serviço Secreto Britânico
com provas de corrupção contra importantes políticos ingleses, um deles
ministro de Estado. Em troca, Dima pede proteção e asilo para sua família na Inglaterra. A
partir daí, Perry e Gail acabam se envolvendo numa trama bastante complicada e repleta de ação e suspense, escrita
com maestria por Le Carré (o livro foi lançado em 2010) e transformada num
excelente filme de espionagem. Programão!
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
“SULLY – O HERÓI DO RIO HUDSON” (“Sully”), 2016,
EUA, direção de Clint Eastwood, com roteiro de Todd Komarnicki. No dia 15 de
janeiro de 2009, logo depois de decolar do aeroporto LaGuardia, em Nova Iorque,
o avião pilotado por Cheslei “Sully” Sullenberger, com 155 passageiros a bordo,
teve suas turbinas avariadas pelo choque com pássaros. “Sully” foi obrigado a
realizar um pouso forçado nas águas geladas do Rio Hudson. Como todo mundo sobreviveu, “Sully”
virou herói nacional. Mas não para a agência de regulação aérea dos EUA, que
submeteu o piloto a um rigoroso julgamento a fim de esclarecer se, sob o ponto
de vista da segurança aérea, o Rio Hudson foi a melhor alternativa para um
pouso forçado. O filme de Eastwood conta toda essa história em apenas 96
minutos, alternando cenas do acidente e o resgate dos passageiros com as cenas
do julgamento do piloto. “Sully” é interpretado por Tom Hanks, numa atuação que
pode lhe valer mais um Oscar em 2017 – a Academia adora personagens heroicos, além de idolatrar Eastwood. Ainda
estão no elenco Laura Linney como a esposa de “Sully” e Aaron Eckhart como o
co-piloto Jeff Skiles. O filme já estreou por aqui depois de ter seu lançamento
adiado em duas semanas por causa do acidente do avião da Chapecoense.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
“SNOWDEN – HERÓI OU TRAIDOR” (“SNOWDEN”), 2016,
EUA, roteiro e direção de Oliver Stone. Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Shaiene
Woodley, Nicolas Cage, Melissa Leo, Zachary Quinto e Tom Wilkinson. Trata-se da
cinebiografia de Edward Snowden, que trabalhou para a CIA e para a NSA (Agência
de Segurança Nacional) e que, em 2013, denunciou publicamente a existência de programas
de vigilância e espionagem executados – a nível mundial - a mando do governo
norte-americano. Como todo mundo lembra, o caso teve uma enorme repercussão.
Mais uma vez Oliver Stone explora um tema polêmico, como já havia feito em “Nascido
em 4 de Julho”, “Nixon” e “JFK – A Pergunta que não quer Calar”. Faz parte
também do seu estilo dar um jeito de colocar o dedo na ferida de quem esteve ou
está na Casa Branca. Em “Snowden”, Stone percorre o período de 2004 a 2013,
durante o qual Edward Snowden trabalhou para o governo norte-americano. Um dos
grandes méritos do primoroso roteiro – Stone teve a colaboração de Kieran
Fitzgerald – foi conseguir condensar tantas informações em pouco mais de 2
horas de filme, desde que Snowden entrou para o exército e depois para a CIA e
NSA até a decisão de denunciar os atos do governo norte-americano, em 2013,
através dos jornais The Guardian e The Washington Post. Nos créditos finais,
Stone ainda acrescenta outras importantes informações sobre o caso. “Snowden” é
um dos 336 títulos selecionados para concorrer ao Oscar 2017 de Melhor Filme,
além de outras premiações. Aposto no Melhor Roteiro e Melhor Diretor. Um
filmaço. Imperdível!
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Confesso
que nunca tinha ouvido falar do drama russo “COMO
TERMINEI ESTE VERÃO” (“Kak
Ya Provel Etim Letom”). O filme caiu na minha mão e resolvi assistir. Procurei referências e descobri que foi lançado
em 2010 durante o Festival de Berlim, sendo muito elogiado pelos críticos, pelo
público e pelo júri, que conferiu ao filme escrito e dirigido por Alexei
Popogrebsky o Urso de Prata. Além disso, também foi premiado em festivais de
cinema realizados em Londres, Dublin e Chicago. Realmente, o filme é muito bom,
foge do lugar-comum reinante e tem uma
fotografia (Pavel Kostomarov) maravilhosa. A história é toda ambientada numa
estação metereológica russa instalada numa ilha isolada no Oceano Ártico. Lá
trabalham o experiente Pavel (Grigroriy Dobrygin) e o jovem estagiário Sergei
(Sergey Puskepalis) – os dois atores são excelentes. A função dos dois na
estação é fazer leituras diárias da radioatividade do terreno e transmitir o
resultado das medições pelo rádio para o escritório central. Embora seja verão,
o frio é de lascar e a sensação de isolamento angustiante. Um dia, enquanto
Pavel sai para pescar trutas, Sergei recebe uma mensagem que decide omitir do companheiro, atitude que acaba
gerando ótimas situações de suspense e um pouco de humor. Uma reviravolta
acontece perto do desfecho, o que trará consequências nada positivas para o
relacionamento de Sergei e Pavel. Apesar do tédio que exala da tela, do ritmo
lento e apenas dois protagonistas, além de poucos diálogos, o filme é muito
interessante e merece ser conferido.
domingo, 18 de dezembro de 2016
“O VERÃO DE SANGAILE” (“Sangailè”),
Lituânia, 2015, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Alanté Kavaïté –
o primeiro foi “Écoute Le Temps”. A história é centrada na jovem Sangaïle
(Julija Steponaitite), de 17 anos, introspectiva e tímida, enfim, apática, que
tem uma fascinação obsessiva por aviões de acrobacia. Num desses shows
acrobáticos, durante o verão, Sangaïle conhece Auste (Aiste Dirziute), uma
jovem de sua idade que se diferencia porque é extrovertida, alegre e falante.
Auste consegue resgatar Sangaïle de sua apatia, convidando-a para sair com sua
turma. A amizade entre as duas acaba virando uma paixão desenfreada, com
direito a inúmeras cenas eróticas, exploradas com bastante sensibilidade pela
diretora Alanté. Apesar do romance, Sangaïle continua a enfrentar seus demônios
internos. Para tentar descrevê-los, a diretora exagera numa sequência de
situações absurdas e fantasiosas difíceis de entender, como aquela em que
Sangaïle se joga no mar e, aparentemente, tenta se afogar. Acho que a diretora
tentou realizar um filme de fundo psicológico, mas conseguiu apenas confundir o
espectador. De qualquer forma, o filme foi selecionado para representar a Lituânia
na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. Aqui, foi exibido durante
a 40ª Mostra Internacional de Cinema, em outubro/novembro de 2016.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
A indústria do cinema no Vietnã nunca foi de produzir muitos filmes, mas de vez em quando nos presenteia com uma pérola, como foi o caso de “O Cheiro do Papaia Verde”,
de 1993, um drama sensível e comovente que foi premiado em Cannes, além de ter
sido o primeiro filme do Vietnã a concorrer ao Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro. Outra pérola é o recente "FLORES AMARELAS NA GRAMA VERDE” (“Tôi
Thây Hoa Vàng Trên Có Xanh”), também candidato
oficial daquele país para disputar o Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro. A
história, baseada no romance escrito por Nguyen Nhat Anh e que virou best-seller, é ambientada na década
de 80 num vilarejo da zona rural do Vietnã. Num cenário de extrema pobreza, mas
rodeado por uma Natureza deslumbrante, vivem os irmãos Tuong (Khang Trong) e Thieu
(Thinh Vinh). Eles levam uma vida normal comum aos garotos de sua idade (8 e 12
anos), vão à escola, caçam insetos para o sapo de estimação, enfrentam um vilão
infantil, adoram ouvir histórias assustadoras. O foco principal do filme, porém, é o processo de amadurecimento dos irmãos, a primeira paixão, os dramas vividos por algumas
famílias do vilarejo e o despertar para uma realidade que não faz parte da
inocência do mundo infantil, a pobreza em primeiro plano. O filme é dirigido com muita sensibilidade por
Victor Vu, que também assina o roteiro. A belíssima fotografia é mais um trunfo
desta elogiada produção vietnamita. Para quem curte cinema de arte, uma ótima
pedida.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
A comédia
“WILD OATS” (ainda
sem tradução por aqui, mas algo como “Aveia Selvagem” – título esquisito, não?),
2016, direção de Andy Tennant, reúne três das mais consagradas e competentes
atrizes de Hollywood: Shirley MacLaine, Jessica Lange e Demi Moore. A história
é centrada em Eva (MacLaine), que acaba de ficar viúva e aguarda receber um seguro
de vida de 50 mil dólares. Ao receber o cheque, tal qual não é sua surpresa:
por um erro de digitação ou falha do computador, o valor veio com a astronômica
quantia de 50 milhões de dólares. Ela não tem dúvida: convoca sua melhor amiga
Maddie (Lange), uma fogosa sessentona recém-separada, para uma viagem à
paradisíaca Las Palmas, nas Ilhas Canárias. A ordem é gastar todo o dinheiro em
diversão. É claro que a gastança chamará a atenção de alguns vigaristas que
tentarão roubar o dinheiro da viúva. Mas o problema não é só esse: ao verificar
o erro no preenchimento do cheque, a companhia seguradora convoca um
especialista para tentar recuperar o dinheiro e o envia a Las Palmas em
companhia da filha de Eva, Crystal (Demi Moore). A confusão, portanto, está
formada. Os raros momentos de bom humor ficam por conta de Jessica Lange, ainda
em grande forma para os seus 67 anos. Demi Moore, como Crystal, a filha da
viúva, aparece pouco e sem nenhum brilho. MacLaine sempre foi ótima em
comédias, mas nesta ficou devendo uma atuação digna de sua competência. Também
está no elenco a brasileira Rebecca da Costa, que faz carreira nos EUA como
atriz e modelo – ela já atuou até com Robert De Niro em “Profissão de Risco”, filme
de 2014. Mais uma bola fora do diretor Tennant, que já havia dirigido, entre
outros, as comédias românticas “Caçador de Recompensa” e “Hitch – Conselheiro Amoroso”,
que também não merecem recomendação.
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
O drama chinês
“VOLTANDO PARA CASA” (“Gui Lai”) estreou
no 67º Festival de Cannes, em maio de 2014, na sessão Fora de Competição,
ganhando elogios da crítica e do público. Além da história de um amor
comovente, o filme apresenta como trunfos adicionais a direção do mestre Zhang
Yimou e a atuação soberba da atriz Gong Li. Ambientada durante os anos da
Revolução Cultural de Mao-Tsé-Tung, a história é centrada em Feng Wanyu (Gong
Li), cujo marido Lu Yanshi (Chen Daoming) está preso há anos num campo de
trabalhos forçados. Com o fim da Revolução Cultural, Lu volta para casa, mas
Feng não o reconhece. Ela sofreu uma espécie de bloqueio psicológico
em virtude de uma queda. O filme segue até o seu final mostrando o empenho do
marido e da filha Dandan (Zhang Huiwen) em fazer com que Feng o reconheça
novamente. A dedicação de Lu a essa empreitada, que dura muitos anos, é uma
verdadeira prova de amor, originando os momentos mais comoventes deste sensível
filme chinês. Hoje aos 50 anos, Gong Li, que vi pela primeira vez no clássico “Lanternas
Vermelhas”, de 1991, do mesmo Zhang Yimou, já não é tão bela como antigamente –
ela chegou a ser eleita uma das 50 pessoas mais bonitas do planeta pela revista
People Magazine -, mas continua uma atriz espetacular. Aproveito para
recomendar outros filmes dirigidos por Zhang Yimou: “Tempo de Viver”, “O
Caminho para Casa”, “Flores do Oriente” e “Nenhum a Menos”. E ainda, claro, “Lanternas
Vermelhas”.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
“UM AMOR À ALTURA” (“Un Homme à La Hauteur”), França, 2016,
roteiro e direção de Laurent Tirard. Trata-se de uma refilmagem da comédia
argentina “Coração de Leão – O Amor não tem Tamanho”, de 2013, que conta a
história de uma mulher bonita, recém-separada, que esquece o celular dentro de
um restaurante e logo recebe o telefonema de um homem que achou e guardou o
aparelho e quer marcar um encontro para devolvê-lo. Durante as conversas por
telefone, o homem mostra-se um verdadeiro galanteador, o que faz com que a moça
concorde num jantar como primeiro encontro, mas uma grande surpresa está
reservada: o homem tem apenas 1,36 de altura. Apesar do tamanho, ele é muito seguro
de si, charmoso e realizado profissionalmente – é um renomado arquiteto. Com a
convivência, os dois acabam se apaixonando. A versão francesa é quase uma cópia
da original argentina, explorando as mesmas situações e repetindo até mesmo a
maioria dos diálogos, além dos efeitos especiais para “diminuir” os atores que
interpretam o baixinho, no caso francês o ator Jean Dujardin (“O Artista”). A
versão francesa é tão boa quanto a argentina. Além disso, têm em comum a beleza
e o charme das protagonistas, as atrizes Julieta Diaz e a belga Virginie Efira.
Como mais um trunfo, o filme francês é dirigido por um craque em comédias. Tirard
tem em seu currículo ótimos filmes como “O Pequeno Nicolau”, “As Férias do
Pequeno Nicolau” e “Astérix e Obélix: A Serviço de Sua Majestade”. Achei a
versão francesa melhor, mais charmosa, mais engraçada. Qualquer uma das versões proporciona um ótimo entretenimento.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
“INVASÃO DE PRIVACIDADE” (“I.T.”), 2016,
EUA, roteiro e direção de John Moore. Suspense dos melhores. O empresário Mike
Ryan (Pierce Brosnan) decide abrir o capital de sua empresa de aviação e
convida potenciais investidores para apresentar um novo projeto. Durante a
exibição de um vídeo, porém, o sistema entra em pane e a apresentação corre o
risco de se transformar num grande fiasco. A turma de informática da empresa é
chamada em caráter de emergência para resolver o problema. E quem acaba
resolvendo é justamente um estagiário do setor, Ed Porter (James Frecheville). Ele
cai nas graças de Mike e acaba sendo contratado, inclusive para instalar
câmeras e outros apetrechos tecnológicos na mansão do empresário. Além disso,
Mike convida Ed para jantar e o apresenta à sua esposa Rose (Anna Friel) e à
sua filha única Kaitlyn (Stefanie Scott). Ed começa a se achar o dono do
pedaço, aparecendo sem avisar e assediando Kaitlyn. Mike acaba ficando furioso
com a situação, demite Ed da empresa e o proíbe de chegar perto de sua família.
Ed decide se vingar. Com seu conhecimento de informática, promove uma
verdadeira invasão de privacidade na vida do empresário, incluindo sabotar os
computadores de sua firma e até filmar e divulgar pela Internet um vídeo com
sua filha tomando banho. Mike até contrata um especialista (Michael Nyqvist,
irreconhecível) para destruir o sistema instalado em sua casa por Ed. A partir
daí, o filme vira um jogo de gato e rato, Mike contra Ed. A crítica
especializada detonou o filme e também o trabalho dos atores principais,
Brosnan e Frecheville. Não achei tão ruim. O filme tem todos os ingredientes de
um bom suspense: muita tensão, violência física e psicológica, reviravoltas e
bastante ação. É bom lembrar que o diretor irlandês John Moore tem no currículo
bons filmes de ação como “Duro de Matar – Um Bom Dia para Morrer” e “Max Payne”.
Acho que vale a pena conferir esta sua nova produção.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Mesmo
ambientado num único cenário, “O HOMEM
NAS TREVAS” (“Don’t Breathe”), EUA, 2016, é um suspense aterrorizante que
não perde o pique do início até o final. O clima de tensão começa quando três
jovens delinquentes, Alex (Dyllan Minnette), Rocky (Jane Levy) e Money (Daniel
Zovatto) resolvem invadir um casarão num bairro abandonado de Detroit. O trio
está acostumado a cometer esse tipo de crime: eles invadem casas, roubam tudo e
causam enorme destruição. No casarão de Detroit, a ação parece muito fácil,
pois o proprietário (Stephen Lang, que viveu o coronel Miles Awaritch, o vilão
de “Avatar”) é cego. Não contavam, porém, que se trata de um ex-militar do exército
altamente treinado e que tem, como guia e protetor, um enorme e feroz cão
Rottweiler, empecilhos que dificultarão, e muito, a empreitada dos invasores.
Se a entrada na casa foi relativamente fácil, sair será quase impossível.
Principalmente vivo. O diretor uruguaio Fede Alvarez sabe como utilizar a
câmera de modo a colocar o espectador dentro do cenário da ação. Alvarez foi
descoberto por Hollywood depois de ter realizado, em 2009, o curta “Ataque de
Pânico”, que mostra robôs invadindo Montevidéu. Em 2013, já nos EUA, escreveu e
dirigiu “A Morte do Demônio”, muito elogiado pela crítica. “O Homem nas Trevas”, cujo roteiro também foi escrito por Alvarez, é um baita suspense, um ótimo entretenimento para quem gosta de sofrer junto
com os personagens.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
O veterano
diretor chinês Wayne Wang tem no currículo ótimos filmes, entre os quais
recomendo “Mil Anos de Orações”, “Flor da Neve e o Leque Secreto” e,
principalmente, “O Clube da Felicidade e da Sorte”. Mesmo um craque como Wang
pode, eventualmente, pisar na bola. Foi o que aconteceu quando dirigiu “ENQUANTO ELAS DORMEM” (“Onna Ga Nemuru Toki”), 2015,
Japão, cuja estreia (fora de
competição) aconteceu durante o 66º Festival de Berlim, em fevereiro de 2016. O
roteiro, escrito por Mami Sunada, Shinho Lee e Michael Ray, foi adaptado de um
dos mais conhecidos contos do escritor espanhol Javier Marías. No cinema, porém,
virou um verdadeiro conto do vigário. Indecifrável e lento. Enfim, difícil de
digerir. O filme explora temas como o voyeurismo e o desejo sexual, realidade
misturando-se com fantasia, tudo muito hermético para o espectador comum. Kenji
Shimizu (Hidetoschi Nishijima) é um escritor em crise criativa e existencial.
Ao hospedar-se com a esposa Aya (Sayuri Oyamada) num resort à beira-mar, Kenji
conhece o sr. Sahara (Takeshi Kitano), que está hospedado com a jovem Miki
(Shiori Kutsuna). A relação do idoso, de 72 anos, com a jovem de 20 anos, é um mistério.
Desde que Miki tinha 14 anos, por exemplo, Sahara sempre teve por hábito fotografá-la
dormindo – daí o título do filme. Quando Kenji vê as fotografias, fica totalmente
obcecado, passando a querer desvendar e entender o que está acontecendo. Eu
mudaria o título para “Enquanto a plateia dorme”...
“UM HOMEM CHAMADO OVE” (“En Man Som Heter Ove”), 2015,
Suécia, direção de Hannes Holm. Um drama com toques de humor, sensível e, de
certa forma, comovente. O roteiro foi inspirado no livro escrito por Fredrik
Backman. A história toda é centrada no sessentão Ove (Rolf Lassgard), um viúvo
solitário, rabugento e, acima de tudo, mal-humorado. Ele vive num condomínio fechado, do qual é o
síndico, catando bitucas de cigarro e discutindo com donos de cães e gatos. Sua
vida metódica ainda inclui visitas diárias ao túmulo da esposa. Sua depressão
chega ao limite quando é demitido pela fábrica onde trabalhava há mais de quarenta
anos, a ponto de tentar se matar várias vezes – tentativas frustradas por
alguém tocando a campainha ou por algum vizinho que insiste em fazer barulho. Por
mais impossível que possa parecer, será a chegada de uma família de imigrantes
iranianos que provocará uma enorme mudança no comportamento de Oven, provando
que mesmo as diferenças culturais não são obstáculos para o cultivo de uma bela
amizade. Como um motivo a mais para ser assistido, o filme foi indicado para
representar a Suécia na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
“CONEXÃO ESCOBAR” (“The Infiltrator”), 2016,
EUA, direção de Brad Furman (“O Poder e a Lei”). Durante cinco anos, na década
de 80, o agente federal norte-americano Robert Mazur trabalhou infiltrado no
cartel do traficante colombiano Pablo Escobar. Ele era o responsável pela
lavagem do dinheiro obtido com a venda de drogas nos EUA. Mazur contou toda a
história no livro “The Infiltrator”, agora adaptado para o cinema por
intermédio do roteiro escrito por Ellen Brown Furman. Mazur, aqui interpretado
pelo ator Bryan Cranston (indicado ao Oscar/2016 de Melhor Ator por “Trumbo”,
que perdeu injustamente para Leonardo DiCaprio), infiltrou-se no cartel com o
pseudônimo de Robert Musella, trabalhando com a ajuda dos agentes Emir Abreu
(John Leguizamo) e Kathy Ertz (Diane Kruger). Esse trabalho levou à prisão não
apenas vários chefões do tráfico, como também executivos do Bank of Credit and
Commerce International, instituição que lavava o dinheiro para o cartel. Mazur trabalha no limite do estresse, a cada momento vivendo o perigo de ver sua
verdadeira identidade de policial sendo revelada para os traficantes. Esses momentos de tensão são explorados com bastante competência pelo diretor
Furman.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
“CAVALOS DOMADOS” (“Broken Horses”), 2015,
EUA, é o primeiro filme em inglês escrito e dirigido pelo indiano Vidhu Vinod
Chopra. Ambientada numa cidade próxima da fronteira com o México, a história
começa com o assassinato do policial Gabriel Heckum (Thomas Jane). Seus dois filhos
adolescentes crescem e se separam mais tarde, seguindo rumos totalmente
diferentes. Buddy (Chris Marquette), o mais velho, faz parte da quadrilha do poderoso
e sanguinário Julius Hench (Vincent D’Onofrio), chefão envolvido com o tráfico
de drogas. Jake (Anton Yelchin, ator falecido em junho de 2016), o irmãos mais
novo, mora em Nova Iorque e segue promissora carreira como violinista clássico.
Ao retornar à cidade natal, depois de 8 anos, para anunciar seu casamento com
Vittoria (a atriz espanhola María Valverde) e convidar Buddy para padrinho,
Jake fica surpreso com a riqueza ostentada pelo irmão. Ao tentar descobrir como
Buddy ganhou tanto dinheiro, Jake acaba envolvido numa série de acontecimentos
que o farão se arrepender de ter feito a viagem. O drama até que vale para uma
sessão da tarde, mas está longe de ser um filme que mereça uma indicação
entusiasmada.
Depois de
escrever e dirigir o elogiado “Drive”, de 2011, o diretor dinamarquês Nicolas
Winding Refn achou que poderia ousar ainda mais. Escreveu e dirigiu também “DEMÔNIO DE NEON” (“The Neon Demon”), EUA,
2015, cuja estreia aconteceu no Festival de Cannes 2016, causando grande
polêmica – recebeu vaias da plateia. E polêmica é mesmo com Nicolas: durante suas
aparições públicas no festival francês, ele apareceu vestido com paletó, camisa
social, bermuda e chinelo de dedo. Ou seja, queria chocar e aparecer. Em “Demônio
de Neon”, ele conta a história de Jesse (Elle Fanning), uma jovem que chega a
Los Angeles para tentar a carreira de modelo profissional. Ela é contratada por
uma grande agência e logo vira a queridinha de fotógrafos e estilistas. Seu
sucesso gera ciúmes nas modelos mais antigas, como Sarah (Abbey Lee) e Gigi (Bella
Heathcote). O filme adota o suspense como gênero, utilizando muitas cenas
mórbidas e chocantes, incluindo canibalismo, necrofilia e outras aberrações. O
filme tem o ritmo lento, diálogos arrastados, muitos sem nexo, e um visual cuja
fotografia destaca as cenas como se iluminadas por lâmpadas de neon de diversas cores. O diretor também
utiliza bastante o recurso da câmera em slow
motion, o que torna o filme ainda mais enfadonho. Para coroar essa
verdadeira bobagem cinematográfica, ainda tem uma ponta do hoje canastrão Keanu
Reeves como proprietário de um motel sinistro.
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
“O MASSACRE EM GUERNICA” (“GERNIKA”), Espanha,
2015, direção de Koldo Serra. O pano de fundo é a Guerra Civil Espanhola
(1936-1939). A história é toda ambientada em 1937 durante os dias que
antecederam o ataque da aviação alemã à cidade de Guernica, talvez o episódio
mais marcante e dramático do conflito. A ação acontece em Bilbao, onde um grupo
de jornalistas estrangeiros faz a cobertura da guerra. Eles frequentam e
transmitem as notícias de uma central de comunicação do governo municipal comandada
pelo dirigente russo comunista Vasyl (Jack Davenport), cujo trabalho é censurar
o material enviado pelos jornalistas, um dos quais é o norte-americano Henry
(James D’Arcy), do The New York Times. Seu personagem foi inspirado no
jornalista inglês George Steer, que denunciou o ataque dos alemães em matérias
publicadas no The Times, no The New York Times e no jornal francês L’Humanité. O
relato do jornalista sensibilizou Pablo Picasso, que logo depois pintaria um
painel que ficaria famoso no mundo inteiro. Ao mesmo tempo em que destaca o
trabalho dos jornalistas, o filme também mostra os bastidores do planejamento
alemão para o ataque aéreo. Dá a entender, por exemplo, que o ataque não passou
apenas de um treinamento prático para os pilotos alemães. Sob o ponto de vista
histórico, o filme é bastante elucidativo, com informações muito interessantes
sobre o conflito que matou milhares de pessoas. Achei forçado demais o romance –
se é que existiu – entre o jornalista Henry e Teresa (Maria Valverde), principal
assistente de Vasyl no centro de comunicações. Só para esclarecer: o título
original foi escrito em dialeto basco – o diretor Koldo Serra é basco.
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