quinta-feira, 14 de agosto de 2025

“AMEAÇA NO AR” (“FLIGHT RISK”), 2025, Estados Unidos, 1h31m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro de Jared Rosenberg e direção de Mel Gibson. Este suspense de ação é o sexto longa-metragem dirigido pelo ator e cineasta Mel Gibson, que não está no elenco, reduzido praticamente a apenas três protagonistas: Mark Wahlberg, Michelle Dockery e Topher Grace. A agente federal dos EUA, Madolyn Harris (Dockery) vai para o Alasca com a missão de deter Winston (Topher), uma testemunha importante contra um chefão da Máfia. Um pequeno avião é requisitado para transportar a agente e o passageiro importante. O piloto é Daryl Booth (Wahlberg). A situação irá se complicar durante o voo, e não será por nenhuma tempestade, turbulências ou mesmo um problema mecânico. É melhor deixar o espectador assistir e não estragar as surpresas reservadas pelo roteiro. Gostaria de destacar, em primeiro lugar, a presença da atriz inglesa Michelle Dockery, que ficou conhecida por interpretar o papel de Lady Mary Crawley na série “Downton Abbey”. O filme garante muito suspense até o desfecho. Méritos ao diretor Mel Gibson, que já havia provado sua qualidade como cineasta desde o seu primeiro filme, “O Homem sem Face” (1993), e depois em “Coração Valente” (1995), “Apocalypto” (2006), “A Paixão de Cristo” (2007) e “Até o Último Homem” (2016). Seu mérito em “Ameaça no Ar” foi segurar a tensão desde o começo, colocando o espectador preso na poltrona e aflito para chegar ao desfecho.            


terça-feira, 12 de agosto de 2025

 

“VÊNUS” (“VENUS”), 2022, Espanha, 1h40m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jaume Balagueró (“REC”, “Enquanto Você Dorme”), que também assina o roteiro com a colaboração de Fernando Navarro. A história é baseada no conto “The Dreams in the Witch House” escrito pelo romancista norte-americano H.P. Lovecraft (1890-1937). O filme é meio maluco e conta com vários ingredientes, tudo junto e misturado: suspense, terror trash, sobrenatural, bruxaria, humor negro, drama familiar e muito sangue jorrando na telinha. O conjunto da obra não é ruim, pois prende a atenção do começo ao fim. Começa com a dançarina Lúcia (Ester Expósito, da série “Elite”) roubando uma carga de drogas do clube noturno, cujo proprietário é um violento mafioso. Lúcia se esconde no apartamento da irmã Rocío (Ángela Cremonte), que mora com a filha Alba (Inés Fernández) no Edifício Venus, localizado no distrito de Villaverde, em Madrid. Não demora muito para Lúcia descobrir que o edifício esconde forças ocultas, vizinhos esquisitos e um apartamento mal-assombrado. Além de estar no meio dessa confusão, Lúcia terá que lidar com os capangas do mafioso, encarregados de recuperar a droga roubada. O filme não agradou grande parte da crítica e muitos espectadores. Mas eu curti muito, tomei alguns sustos e me diverti bastante. Recomendo.             

domingo, 10 de agosto de 2025

A GESTORA (LA JEFA), 2022, Espanha, 1h49m, em cartaz na Netflix, roteiro de Laura Sarmiento Pallarés e direção de Fran Torres. Desde que a vi pela primeira vez no cinema, fazendo par romântico com Keanu Reeves em “Caminhando nas Nuvens”, de 1995, fiquei fã incondicional da atriz espanhola Aitana Sánchez-Gijón, principalmente por sua beleza. Foi ao ler seu nome nos créditos de “A Gestora” que me levou a assistir a este drama de suspense espanhol e constatar que ela, agora aos 56 anos, continua maravilhosa. Mas o filme... Aitana faz o papel de Beatriz, uma importante empresária do mundo da moda. É uma mulher chique, arrogante e nada simpática no trato com seus funcionários. Até que contrata uma nova assistente, a jovem imigrante argentina Sofia (Cumelen Sanz), que logo se mostra inteligente e cai nas graças de Beatriz. Prestes a ser promovida na empresa, Sofia anuncia que está grávida do seu namorado, o também imigrante colombiano Nacho (Álex Pastrana). Beatriz vê na situação uma oportunidade de contornar uma das suas frustações: não conseguir engravidar. Ela propõe a Sofía que cuidará dela em sua gravidez e adotará a criança. Tudo na base de um contrato. Sofía é colocada em isolamento na mansão de Beatriz e, para a namorado, diz que vai trabalhar em Londres por um tempo. Aos poucos, porém, todo esse contexto dramático acaba em alguns imprevistos e é aqui que começa o suspense que traz a expectativa de uma tragédia no desfecho. O filme até que vai bem até perto do final, quando desanda numa série de situações pouco convincentes, inclusive no desfecho abrupto. Difícil recomendar.        

sábado, 9 de agosto de 2025

“UMA VIDA HONESTA” (“ETT ÄRLIGT LIV”), 2025, Suécia, 2h2m, em cartaz na Netflix, direção de Mikael Marcimain, seguindo roteiro assinado por Linn Gottfridsson. A história é baseada no romance homônimo escrito por Joakim Zander. O jovem Simon (Simon Lööf) chega à cidade de Lund para concretizar o sonho de se formar em Direito na faculdade local, uma das mais prestigiosas do país. Em seu primeiro dia, acaba se envolvendo numa manifestação estudantil, onde conhece Max (Nora Rios), uma ativista ligada ao movimento anarquista, cena que lembra o emblemático ano de 1968. Simon se instala num quarto alugado em uma casa onde vivem outros dois jovens universitários certamente de famílias ricas. Ele tenta se integrar ao ambiente da casa, mas fica incomodado com os luxos de seus vizinhos. Outro incômodo ele encontra nas aulas de Direito, um tanto pedantes e conservadoras, acabando por iludi-lo em suas expectativas. Quando reencontra Max, o caminho está aberto para uma transição. Ela o leva para conhecer a república underground onde mora com outros estudantes, numa casa pertencente a um veterano professor adepto do anarquismo. Simon se identifica com o pensamento do grupo, conhecido como “Bandits”. Para ingressar nele, Simon é obrigado a passar por um teste: roubar relógios de uma relojoaria de luxo. Manipulado por Max, por quem se apaixona, Simon começa a esquecer “a vida honesta” que pretendia seguir. O filme é muito interessante por explorar um pano de fundo social e político num país de primeiro mundo. Recomendo.     

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

 

“ANJOS DO DESERTO” (“DIRTY ANGELS”), 2024, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do veterano cineasta neozeland|ês Martin Campbell (“A Lenda do Zorro”, “A Marca do Zorro”, “007 Contra Golden Eye”, “007 - Cassino Royale”), que também assina o roteiro com Alissa Sullivan Haggis e Jonas McCord. Soldados de uma unidade de comando internacional composta apenas por mulheres se passam por membros de uma organização de ajuda humanitária para tentar resgatar jovens missionárias sequestradas no Afeganistão por Amir (George Iskandar), líder de um grupo terrorista islâmico. Amir pede uma quantia absurda para liberar as moças. Liderado pela experiente Jake (Eva Green), o grupo de soldados parte para o Afeganistão, onde enfrentarão muitos desafios para chegar até as moças sequestradas. Além de Eva Green, irreconhecível, e Iskandar, estão no elenco Maria Balakova, Ruby Rose, Emily Bruni, Rona-Lee Shimon, Laëtitia Eido e Christopher Backus.  Embora o roteiro não ajude, pelo menos as cenas de ação são bem feitas, mas o resultado final deixa muito a desejar. 

quinta-feira, 31 de julho de 2025

 

“OS RADLEY” (“THE RADLEYS”), 2024, Inglaterra, 1h51m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro assinado por Talitha Stevenson e direção do cineasta galês Euros Lyn (“Armadilha Mortal”, “Dream Horse”). A história é baseada no livro homônimo escrito por Matt Haig em 2010. Misto de comédia e terror, o filme é centrado na família Radley, um casal com dois filhos adolescentes. Uma família aparentemente normal de um bairro classe média em Londres. O segredo que cerca a família não é nada normal: eles são descendentes de vampiros. Só o pai, o médico Peter Radley (Damian Lewis), e a mãe, Helen (Kelly MacDonald), sabem disso. O casal segura o instinto vampirístico num trabalho psicológico tipo “Alcoólicos Anônimos”, que transformou ambos em vampiros “abstêmios”. Somente depois que a filha Clara (Bo Bragason) morde o primeiro pescoço é que o segredo familiar vem à tona, obrigando o casal a contar a trágica verdade. A situação piora muito mais quando surge no pedaço o irmão de Peter, Will (interpretado também por Damian Lewis), este sim um vampiro assumido. Um vizinho da família, o policial aposentado Jared Copleigh (Shaun Parkes), coincidentemente obcecado por vampiros (haja coincidência!), começa a desconfiar do entra e sai da casa dos vizinhos. Até que seu filho, o também adolescente Evan (Jay Lycurgo) acaba sendo vítima do “sanguinário” Will. Apesar do bom elenco, o filme não engrena, pois perde o ritmo a partir da sua metade, culminando com um desfecho pouco convincente e desconexo. Trocando em miúdos, o resultado final é decepcionante.  

quarta-feira, 30 de julho de 2025



“QUANDO A GUERRA ACABAR” (“NAR BEFRIELSEN KOMMER”), 2023, Dinamarca, 1h40m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Anders Walter, que também assina o roteiro com a colaboração de Miriam Nørgaard. Baseada em fatos reais, a história acontece na Dinamarca no final da Segunda Guerra Mundial. O exército alemão, prestes a sair daquele país depois de ocupá-lo desde o início do conflito, obriga um diretor de escola a acolher cerca de 500 refugiados alemães, entre idosos, mulheres e crianças. Pressionado pela população local – infelizmente não é nomeada a cidade, um defeito do filme -, o diretor Jakob (Pilou Asbaek) se recusa a dar alimentos e remédios aos refugiados para não ser chamado de colaboracionista. Instalados no ginásio da escola, os recém-chegados começam a morrer de doenças e de fome. Sensibilizado com a situação, porém, Jakob, com a ajuda da esposa Lis (Katrine Greis-Rosenthal), começa a ajudar os alemães, arriscando-se a ser preso e até morto pelo pessoal da resistência dinamarquesa. Enfim, mais um drama de guerra recordando uma história trágica e ao mesmo tempo comovente. É o cinema dinamarquês tentando cicatrizar as feridas da Segunda Guerra Mundial.    

domingo, 27 de julho de 2025

“A MISTAKE” (a Prime Vídeo manteve o título original, cuja tradução literal é “Um Erro”), 2024, coprodução Nova Zelândia/Inglaterra, 1h41m, roteiro e direção da cineasta neozelandesa Chistine Jeffs. Baseada no livro homônimo de Carl Shuker, a história é centrada na médica-cirurgiã Elizabeth Taylor (Elizabeth Banks). Durante uma cirurgia de rotina, aparentemente a retirada do apêndice, Taylor transfere um procedimento para o seu médico-residente Richard (Richard Croughley), que comete um erro. A paciente vai para a UTI, mas morre logo depois. A direção do hospital abre uma investigação sobre o caso, o que resulta numa série de consequências nada agradáveis para a médica, incluindo uma tragédia. Taylor bate de frente com a direção do hospital, assumindo a responsabilidade pelo ocorrido e isentando seu assistente pelo erro. Uma confusão danada. Não bastasse essa situação, Taylor ainda enfrentaria um problemaço ao aceitar cuidar do cachorro de uma amiga. Completam o elenco Simon McBurney, Mickey Sumner e Acacia O’Connor. O destaque é, sem dúvida, a atriz norte-americana Elizabeth Banks, que aos 51 anos continua bonita e ótima atriz, como já demonstrou em inúmeros outros filmes. Enfim, “A Mistake” é um drama bastante eficiente. Recomendo.  

sábado, 26 de julho de 2025

ANORA, 2024, Estados Unidos, 2h19m, roteiro e direção de Sean S. Baker (“Projeto Flórida”). Finalmente chega à Prime Vídeo este que foi o mais premiado filme de 2024, considerado o melhor do ano pelo American Filme Institute e pelo National Board of Review, além de ganhar cinco estatuetas do Oscar 2025 (veja no fim do comentário) e a “Palma de Ouro” no Festival de Cannes. Realmente, o filme é ótimo. Conta a história da jovem Anora, conhecida também como “Ani” (Mikey Madison), que trabalha em Nova Iorque como garota de programa e stripper numa casa de espetáculos no Brooklyn. Um de seus novos clientes é Ivan Zakharov (Mark Eydelshteyn), filho mimado de um milionário russo. Ivan, de 21 anos, que vive sozinho numa mansão espetacular, promove festas à base de drogas e muita bebida. Ele se apaixona por Ani e a pede em casamento como forma de garantir sua permanência nos Estados Unidos como cidadão naturalizado. Só que o casamento não é aceito pelos pais de Ivan, que ordenam a seus capangas que cancelem o casamento. Aí é que a confusão se instala em definitivo, pois Ivan acaba sumindo e Ani sequestrada pelos capangas russos. A situação toma rumos inesperados e as cenas de humor são hilariantes, comprovando que o filme é, sem dúvida, um ótimo entretenimento. Completam o elenco Karren Karagulian, Vache Tovmasyan, Yura Borisov, Darya Ekamasova, Vincent Tadwinsky e Alexey Walerjewitsch Serebrjakow. “Anora” venceu o Oscar 2025 nas categorias Melhor Filme, Melhor Atriz (Mikey Madison), Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição. Destaco em especial a atuação magistral da jovem Mikey Madison, de 26 anos, atriz que, com apenas 9 anos de carreira, já participou de diversos filmes, entre os mais conhecidos estão “Era Uma Vez em...Hollywood”, “A Informante” e “Pânico”, além das séries “Better Things”, “A Mulher no Lago” e Amor e Trapaças”. Resumo da ópera, “Anora” é imperdível (Alerta final: antes de apertar o play tire as crianças da sala, pois as cenas de sexo são bem fortes).     

quarta-feira, 23 de julho de 2025

O CRÍTICO (THE CRITIC), 2023, Inglaterra, 1h42m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Anand Tucker, seguindo roteiro assinado por Patrick Marber. Trata-se de um suspense noir baseado no livro “Curtain Call”, escrito por Anthony Quinn e lançado em 2015. A história, ambientada em 1934, é centrada no crítico teatral Jimmy Erskine (Ian McKellen), que tem sua coluna publicada há 40 anos no jornal “The Daile Chronicle”. Ele é muito respeitado no meio artístico, sempre se destacando pelas suas críticas mordazes. Enfim, um crítico implacável. Homossexual assumido, assim como o ator, Erskine mora com seu assistente e amante, o jovem Tom Turner (Alfred Enoch). Apesar dessa relação, Erskine apela para a promiscuidade nas noites em que passeia por um parque repleto de rapazes de programa. Até que numa noite é flagrado pela polícia. A notícia se espalha por Londres e chega ao conhecimento do visconde David Brooke (Mark Strong), administrador do jornal, que resolve demiti-lo. Como ainda terá alguns dias de aviso prévio, Erskine resolve, como vingança, colocar em prática um jogo de chantagem emocional envolvendo a jovem atriz Nina Land (Gemma Arterton) e que culminará em duas grandes tragédias. O filme é muito bom, a história é ótima, com destaque para uma primorosa recriação de época. Como trunfo adicional temos ainda um excelente elenco, do qual fazem parte ainda Lesley Manville, Romola Garai, Matthew Cottle, Ed Madden, Ben Barnes, Beau Gadsdon e Claire Skinner. Os grandes destaques são, sem dúvida, as ótimas atuações do veterano ator inglês Ian McKeller, com grande vigor mesmo aos 86 anos – no ano da filmagem – e a bela Gemma Arterton, espetacular como a atriz que se submete às chantagens do crítico. Gostei muito do filme e recomendo.  

segunda-feira, 21 de julho de 2025

 


“DIRTY JOHN”, 2020, Estados Unidos, série em duas temporadas com 16 episódios, em cartaz na Netflix, direção de Jeffrey Reiner, seguindo roteiro assinado por Alexandra Cunningham e Diana Son. A primeira temporada, de 8 episódios, foi intitulada “Dirty John: O Golpe do Amor”, que conta a história de Debra Newell, uma bem sucedida design de interiores que, divorciada e carente, conhece John Meehan através de um aplicativo de namoro. Mal sabia ela que o garanhão sedutor era um psicopata. No elenco, Connie Britton, Eric Bana, Julia Garner, Jean Smart, Juno Temple e Kevin Zegers.

A segunda temporada, também de 8 episódios, recebeu o título de “Dirty John: The Betty Broderick Story”. A história é centrada num casal que passa por um tumultuado processo de divórcio que acabaria numa tragédia. Betty Broderick, a esposa, descobre que o marido, um advogado famoso, tem um caso com a secretária do escritório, mas quem acaba sofrendo as consequências é ela própria, submetida a um inferno psicológico que a levou a perder tudo, inclusive os filhos. No elenco, Amanda Peet, Cristian Slater, Rachel Keller e Missi Pyle.

As duas histórias são baseadas em fatos reais descritos em reportagens publicadas no podcast do jornalista Christopher Goffard, do Los Angeles Times. A série foi muito elogiada principalmente por tratar de temas bastante atuais como violência doméstica, manipulação psicológica e relacionamentos abusivos, com interpretações primorosas dos nomes principais do elenco, como Eric Bana, Connie Britton, Cristian Slater e Amanda Peet. Realmente, a série é excelente. Imperdível!

sábado, 19 de julho de 2025

ENNIO, O MAESTRO (ENNIO, IL MAESTRO), 2022, Itália, documentário de 2h36m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Giuseppe Tornatore. Quem acompanha meu blog já percebeu que documentários são pouco comentados. Mas não poderia deixar de lado o documentário sobre o maestro e compositor italiano Ennio Morricone (1928-2020), um dos grandes gênios da música no século XX. Ainda mais que o diretor é Giuseppe Tornatore, responsável por pequenas obras-primas do cinema, como “Cinema Paradiso”, “Malèna”, “A Lenda do Pianista do Mar”, "Baaria – A Porta do Vento”, entre tantos outros. A ideia do documentário sobre Morricone surgiu em 2016, e o maestro só concordou se fosse dirigido por Tornatore. Para se ter uma ideia da importância de Morricone para a música do século XX basta dizer que ele compôs cerca de 500 trilhas sonoras para o cinema, além de centenas de outras composições. O maestro italiano deixou fãs por todo o mundo, começando pelas trilhas dos faroestes italianos da década de 60, entre os quais “Por um Punhado de Dólares” e “Era uma Vez no Oeste”. Lembram-se daqueles assobios como parte da trilha? Tornatore conseguiu inúmeros depoimentos de músicos, cantores, maestros e cineastas para o documentário, entre os quais do próprio Morricone e Tornatore, além de Clint Eastwood, Quincy Jones, Quentin Tarantino, Bruce Springsteen, Gino Paoli, Gianni Morandi, Pat Metheny, Lina Wertmüller, Bernardo Bertolucci, Sérgio Leone, Joan Baez e Brian de Palma, entre tantos outros, todos admiradores da obra de Morricone. Intercaladas a estes depoimentos estão várias cenas dos filmes, um trunfo a mais deste que é um documentário imperdível para músicos e cinéfilos. Emocionante do começo ao fim!  

sexta-feira, 18 de julho de 2025

 

“UM TIPO DE LOUCURA” (“A KIND OF MADNESS”), 2025, África do Sul, 1h39m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Christiaan Olwagen. Drama familiar, com uma história de amor e aceitação, formando um  verdadeiro carrossel de emoções. Esses ingredientes fazem parte da história desse belo filme do pouco conhecido cinema sul-africano. Dan Hart (Ian Roberts) e Elna (Sandra Prinsloo), se conheceram ainda muito jovens e, mesmo sem se casarem oficialmente, tiveram três filhos. Começa o filme e voltamos no tempo para acompanhar o início do romance de Daniel e Elna (vividos por Luke Volker e Ashley de Lange). A história dá um salto no futuro e nos surpreende com a fuga de Elna da clínica com a ajuda de Daniel. O objetivo do casal é pegar a estrada, casar e chegar até o litoral, subir num barco e sair pelo mundo como última viagem. Desesperados, Lucy, Olivia e Ralph, os três filhos, saem em busca dos pais e, a partir daí, o filme se transforma num road-movie, durante o qual os personagens terão a oportunidade de discutir o relacionamento, aplacar divergências do passado e tomar as decisões que a situação está exigindo. Completam o elenco – todos sul-africanos - Erica Wessels (Lucy), Amy Louise Wilson (Olivia) e Evan Hengst (Ralph). O grande destaque é, sem dúvida, a incrível atuação da veterana atriz Sandra Prinsloo, de 77 anos. Enfim, “Um Tipo de Loucura” é um drama sensível e comovente. Cinema de qualidade. Não perca!

segunda-feira, 14 de julho de 2025

“APACHES – GANGUES DE PARIS” (“APACHES”), 2023, coprodução França/Bélgica, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Romain Quirot, que também assina o roteiro com a colaboração de Fannie Pailloux e Antoine Jaunin. Para contextualizar a história do filme, existiam na Paris do fim do século XIX várias gangues de marginais que agiam na cidade, assaltando, sequestrando e vandalizando. Os alvos eram os de sempre: os burgueses. Ou seja, a classe mais abastada. Uma das gangues mais famosas e temidas era chamada “Os Apaches”, que aterrorizaram a capital francesa de 1890 até 1905. Os autores do roteiro aproveitaram esse ingrediente para criar uma história colocando como protagonista principal a jovem Billie (Alice Isaaz), que ingressa na gangue para se vingar da morte do seu irmão Tricky (Malik Frikah), anos antes, provocada pelo líder da gangue, o violento Jésus (Niels Schneider). Para ingressar no grupo criminoso, ela é obrigada a cometer alguns assassinatos, inclusive o de um novo chefe de polícia. Completam o elenco Dominique Pinon, Rod Paradot, Bruno Lochet, Emilie Gavois e Chloé Peillex. Resumindo, “APACHES” é um filme que proporciona uma primorosa ambientação de época, incluindo cenários e figurinos, mas é desagradável de assistir por mostrar uma Paris sem nenhum charme, com muita sujeira, pobreza, prostituição à luz do dia e violência. Em todo caso... tem a presença da bela atriz Alice Isaaz.   




 

“NOSFERATU”, 2024, coprodução Estados Unidos/República Checa, 2h14m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Robert Eggers (“O Farol”, “A Bruxa”, “O Homem do Norte”). Esta é mais uma adaptação para o cinema do romance “Drácula”, escrito em 1897 por Bram Stoker. A mais famosa é a de 1922, “Nosferatu”, considerada uma obra-prima do expressionismo alemão. Também posso citar “Nosferatu: O Vampiro da Noite”, de 1979, e “Nosferatu: A Symphony of Horror, de 2023. Esta última adaptação, de 2024, recebeu quatro indicações ao Oscar (Melhor Figurino, Melhor Cabelo e Maquiagem, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte”). Não ganhou a estatueta em nenhuma. No elenco, os papeis principais foram interpretados por Lily-Rose Depp (filha do ator Johnny Depp e da atriz Marisa Paradis), Nicholas Hoult, Aaron Taylor-Johnson, Bill Skarsgard, Emma Corrin e Willem Dafoe. Nesta última versão, ambientada em 1838, na Alemanha, a vítima da vez é Ellen Hutter (Depp), esposa do corretor imobiliário Thomas Hutter (Hoult). O Conde Orlok (Skarsgard), que nas horas vagas se transforma no vampiro Nosferatu, se apaixona pela moça, que desde jovem tem sonhos assustadores, visões sobrenaturais e alucinações. Esse sofrimento só será evitado se ela se entregar sexualmente a Nosferatu, que sai da Transilvânia para concretizar o seu desejo. O filme tem seus méritos, como a excelente fotografia e a ambientação de época, mas o resultado final não me convenceu.    

sexta-feira, 11 de julho de 2025

“RETORNO A SEUL” (“RETOUR À SÉOUL”), 2022, coprodução Camboja/França/Bélgica/Alemanha, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção do cineasta francês Davi Ghou. Drama estreou, com muitos elogios, no Festival de Cannes 2022 na seção Un Certain Regard e representou o Camboja na disputa do Oscar 2023 na categoria Melhor Longa-Metragem Internacional. O filme não é tão bom para merecer tanto, mas não é tão ruim para ser rejeitado. Com base em 25 resenhas de críticos profissionais, o filme obteve um índice de aprovação de 96%, um resultado excelente em se tratando do site Rotten Tomatoes. A história é centrada na jovem Frédérique  “Freddie” Benoît (Ji-Min Park) que, 25 anos depois de ser adotada por um casal francês, volta a Seul (Coreia do Sul) para tentar encontrar os seus pais biológicos. A tarefa não é fácil, e Freddie acaba ficando na capital sul-coreana, se envolvendo em inúmeras situações inesperadas, mostrando um comportamento não muito adequado muitas vezes, até inconveniente em algumas ocasiões. Chega a se envolver com traficantes de armas, situação que não é muito destacada no roteiro, que se prende apenas na busca do pai e da mãe. Ao mesmo tempo, convive em certos momentos com uma certa apatia e depressão. Falado em coreano, inglês e francês, “Retorno a Seul” não é um filme para o grande público, pois é reflexivo, contemplativo, intimista e lento demais, mas tem suas qualidades como filme de arte que pretende ser.

quarta-feira, 9 de julho de 2025

“CHEFES DE ESTADO” (“HEADS OF STATE”), 2025, Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta russo Ilya Naishulledr (“Anônimo”, “Hardcore: Missão Extrema”), seguindo roteiro assinado por Josh Appelbaum, André Nemec e Harrison Query. Estamos apenas no meio do ano, mas eu não tenho dúvida em afirmar que este será eleito senão o melhor, um dos melhores filmes de ação de 2025. Aliás, uma comédia de ação. Após um encontro formal em Londres, durante o qual o presidente norte-americano Will Derringer (John Cena) e o primeiro-ministro inglês Sam Clarke (Idris Alba) não se entenderam muito bem, os dois mandatários foram aconselhados por assessores políticos a viajarem juntos no Air Force One para Trieste, na Itália, onde participariam de uma reunião de cúpula da OTAN. No meio do voo, porém, o avião é atacado e acaba explodindo. Claro que os únicos sobreviventes são o presidente e o primeiro-ministro. A ação não para por aí. A dupla enfrentará muitas situações de perigo ao longo do caminho que os levará a Trieste. Para isso, contarão com a ajuda de Noel Bisset (a atriz indiana Priyanka Chopra), uma agente do M16 (serviço secreto inglês) especialista em armas e artes marciais. Completam o elenco Carla Gugino, Jack Quaid (filho do ator Denis Quaid), Paddy Considine, Sarah Niles, Alexander Kuznetsov, Sharlto Copley, Clare Foster, Katrina Durden e Ingeborga Dapkunaite. Além das ótimas cenas de ação, outro trunfo do filme é a química entre John Cena, Idris Alba e Priyanka Chopra. Resumindo, “Chefes de Estado” é um entretenimento de primeira. Imperdível!

segunda-feira, 7 de julho de 2025

 

“MEU NOME ERA EILEEN” (“EILEEN”), 2023, Estados Unidos, 1h38m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta inglês William Oldroyd, seguindo roteiro assinado por Luke Goebel, marido de Ottessa Moshfegh, autora do livro “Eileen”, de 2015, no qual a história do filme é baseada. Trata-se de um suspense bem ao estilo daqueles que consagraram Alfred Hitchcock, incluindo reviravoltas e o mesmo tipo de trilha sonora. Enfim, uma história sinistra cuja tensão aumenta a cada cena. Estamos nos anos 60 do século passado e somos apresentados a Eileen Dunlop (Thomasin Mackenzie), funcionária de um centro de detenção juvenil em Boston. Filha de um pai alcóolatra, Eileen vive um cotidiano triste e solitário, sem amigos ou namorados. Esse comportamento muda quando chega ao centro de detenção a psicóloga Rebecca St. John (Anne Hathaway), um tipo de mulher (literalmente) fatal, loira à Marilyn Monroe. Logo pinta uma amizade entre a psicóloga e Eileen, feliz da vida por alguém dar-lhe atenção. Aos poucos, porém, Eileen fica obcecada pela psicóloga, imitando seus trejeitos e o modo de fumar. Parece que a amizade vai acabar entre lençóis, mas o caso é somente de manipulação, como será comprovado nos minutos finais. Tudo tem a ver com um jovem detido depois de ter assassinado o pai. Rebecca resolve investigar o caso e chega à conclusão que a mãe do garoto também tem culpa no cartório. Uma reviravolta passa a conduzir a história, com muita tensão até o desfecho. Ótimas atuações de três atrizes valorizam esse excelente suspense: Thomasin McKenzie, Anne Hathaway e Marin Ireland no papel de Rita Polk, mãe do jovem assassino. Trocando em miúdos, “Meu Nome Era Eileen” é um suspense de muita qualidade.   

domingo, 6 de julho de 2025

“THE OLD GUARD 2”, 2025, Estados Unidos, 1h45m, em cartaz na Netflix, direção de Victoria Mahoney, seguindo roteiro assinado por Sarah L. Walker. Sequência do filme de 2020, mais uma aventura dos guerreiros imortais da Graphic Novel criada por Greg Ricka e Leandro Fernandez. Liderada por Andy (Charlize Theron), o grupo de guerreiros novamente tentarão salvar o mundo. Desta vez, a vilã é Discord (Uma Thurman), a primeira dos imortais. Andy, também conhecida como Androma of Scythia, descobre que se tornou mortal e que nessa aventura terá que se cuidar para não morrer. Ao contrário do primeiro filme, este tem menos ação e mais papo furado, mas o resultado final não é decepcionante – o primeiro é bem melhor. Completam o elenco, entre outros, Ngô Thanh Vân, Kiki Layne, Henry Golding, Chiwetel Ejiofor, Matthias Schoenaerts, Marwan Kenzari e Luca Marinelli. Impossível não destacar a presença da atriz sul-africana Charlize Theron, cada vez mais bonita e competente, ainda em grande forma física aos 49 anos. Só ela vale o ingresso. Conforme o desfecho deu a entender, vem mais uma sequência por aí, não sei quando. Uma confissão: esse tipo de filme não me agrada, pois não engulo esse negócio de guerreiros imortais etc. Imagino uma plateia de jovens nerds, aqueles que vão para o cinema vestidos como os personagens. Tô fora!     

sábado, 5 de julho de 2025

K.O. (utilizadas inicialmente nas lutas de boxe, as duas letras significam nocaute, do inglês “knockout”), 2025, França, 1h30m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Antoine Blossier (“O Pequeno Órfão”, “A Presa”). Começa o filme com uma luta de MMA. Bastien (Ciryl Gane) vence a luta por nocaute, mas seu adversário morre no ringue. Traumatizado, Bastien abandona as lutas e se isola. Até o dia em que, três anos depois,  Emma (Anne Azoulay), viúva do lutador morto, o procura para ajudá-la a encontrar o filho adolescente Léo (Maleaume Paquin), que presenciou um assassinato e agora é perseguido por uma gangue da pesada chamada de “Os Manchours”, que domina o submundo do crime em Marselha. Juntamente com a capitã de polícia  Kenza (Alice Belaïdi), Bastien tentará encontrar o garoto. Essa procura termina em grandes pancadarias, muitos tiros e sangue jorrando. As cenas de ação são ótimas. Não é para menos, pois o ator Ciryl Gane, um brutamontes de 1,93m, é um ex-lutador de UFC, Muay Thai e especialista em artes marciais mistas. Este é o seu primeiro papel como protagonista. Ele já havia participado de outros filmes como personagem secundário em “Covil de Ladrões 2”, “Resgate em Medellin” e nas séries “Validé” e “O Ringue”. Tudo bem que Ciryl Gane é o astro do filme, mas quem realmente dá um show é a atriz Alice Belaïdi como a policial brava e esquentada que não tem medo de cara feia. Trocando em miúdos, “K.O.” é mais um ótimo filme francês de ação.      

“O CASO ASUNTA” (“EL CASO ASUNTA”), 2024, Espanha, minissérie de 6 episódios em cartaz na Netflix, direção de Carlos Sedes e Jacobo Martínez, seguindo roteiro assinado por Ramón Campos e Gema R. Neira. A história é baseada em fatos reais ocorridos a partir de 2013 na cidade de Santiago de Compostela. Começa com o misterioso desaparecimento da adolescente Asunta Basterra (Iris Wu), de 13 anos, filha adotiva do casal Rosario Porto (Candela Peña) e Alfonso Basterra (Tristán Ullua). O caso chega à polícia local, que designa os agentes Javier Ríos (Carlos Blanco) e Cristina Cruces (María León) para iniciar as investigações, sob a supervisão do Juiz Malvar (Javier Gutiérrez). Logo no início das buscas o corpo da menina é encontrado sem vida à beira de uma estrada rural. Os primeiros indícios sugerem que o casal esteja envolvido no crime, que teve grande repercussão na mídia, provocando comoção em todo o país. Rosario e Alfonso, que sempre negaram o crime, apresentam comportamento estranho e ficam presos até o julgamento, cujo resultado deixo de lado para o espectador aguardar o desfecho da minissérie. Completam o elenco Vianessa Castaños, Alicia Borrachero, Raúl Arévalo, Francesc Orella e Judith Fernándes. Fora o interesse evidente sobre a história, pouco divulgada por aqui, a minissérie não acrescenta muito mais para merecer uma recomendação entusiasmada.      

segunda-feira, 30 de junho de 2025

 

“EM ALGUM LUGAR DO QUEEN’S” (“SOMEWHERE IN QUEENS”), 2023, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Ray Romano, que também assina o roteiro com Mark Stegemann. É o primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo comediante Ray Romano, que também atua no filme. Trata-se de uma comédia dramática centrada na família ítalo-americana Russo, cujo patriarca, Dominick Russo (Tony Lo Bianco), é proprietário de uma empresa de reformas e consertos de residências. Seus dois filhos e netos trabalham na empresa. Enfim, uma família tradicional que atua há muitos anos no condado do Queens. Em meio às inúmeras festas da família, seja batizados, aniversários ou casamentos, lá está todo mundo se divertindo, comendo e dançando. Leo Russo (Ray Romano), um dos filhos de Dominick, casado com Angela (Laurie Metcalf), acompanha de perto a performance do seu filho Matthew, de 18 anos, nas quadras de basquete. Seu sonho é que Matthew consiga uma bolsa de estudos numa universidade, facilitada por seu desempenho no basquete. Só que Matthew se apaixona por Dani (Sadie Stanley), o que pode significar um desvio de rumo em seu objetivo de conquistar a bolsa. Essa complicação domina o enredo até o desfecho, envolvendo a família Russo inteira. E sabem como é família italiana, todo mundo quer dar palpite em tudo. O filme é agradável, leve, tem humor e romance na medida certa, transformando “Em Algum Lugar do Queen’s” num ótimo entretenimento. Este foi o último filme do veterano ator Tony Lo Bianco, que faleceu um ano depois do final das filmagens.