sábado, 15 de fevereiro de 2025

 

“O ASSASSINO DO CALENDÁRIO” (“DER HEIMWEG”), 2024, Alemanha, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Adolfo J. Kolmerer, seguindo roteiro assinado por Susanne Schneider. A história é baseada no livro “Walk Me Home”, best-seller escrito por Sebastian Fitzek. Jules (Sabin Tambrea), atendente de um serviço telefônico de apoio à segurança de mulheres solitárias a caminho de suas casas à noite e de madrugada, recebe a ligação de uma mulher desesperada que diz estar sendo seguida pelo Assassino do Calendário. Ela se identifica como Klara (Luise Heyer) que, depois ficaremos sabendo, é esposa de Martin (Friedrich Mücke), um funcionário do alto escalão do governo alemão prestes a ser nomeado secretário. Martin costuma agredir Klara, além de colocá-la frequentemente em situações constrangedoras, como numa ida a um clube exclusivo, onde ela é agredida e estuprada. Enquanto conversa com Jules, Klara é perseguida por um homem misterioso cuja identidade só será revelada ao espectador no desfecho. Confesso que não entendi grande parte da história e a motivação dos personagens com relação às suas atitudes. A fotografia, sombria e escura o tempo todo, também dificulta o entendimento e torna o filme ainda mais desagradável. Isso mesmo, desagradável, angustiante e incompreensível. Faço uma exceção à ótima atuação da jovem atriz Luise Heyer, talvez o único ponto positivo desse suspense alemão. Não vou recomendar, ressaltando, porém, que a democracia também faz parte do cinema: assiste quem quiser.                     

 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

“BOA SORTE, LEO GRANDE” (“GOOD LUCK TO YOU, LEO GRANDE”), 2022, Inglaterra, 1h37m, em cartaz na Netflix, direção da cineasta australiana Sophie Hyde, seguindo roteiro assinado por Katy Brand. Imagine um filme com apenas dois protagonistas em cena. O cenário é um quarto de hotel. A professora aposentada Nancy Stokes (Emma Thompson) contrata o garoto de programa Leo Grande (Daryl McCormack). O primeiro encontro serve mais para os dois se conhecerem melhor através de muita conversa, confidências e desabafos, quase uma sessão de terapia. O sexo é o tema principal, já que ela relembra a falta dele num casamento morno, sem nenhuma emoção e nenhum orgasmo. Ele responde lembrando o relacionamento com a mãe, que até hoje não sabe que o filho é um garoto de programa. O sexo entre Nancy e Leo fica para o fim. No segundo encontro, no mesmo quarto de hotel, o papo rola com mais desenvoltura, mas o encontro não acaba bem. No terceiro encontro, depois de muita conversa, eles, principalmente ela, se entrega totalmente e é aqui que a veterana atriz inglesa mostra todo o seu enorme talento em algumas cenas que também exigiram muita coragem – cenas de nudez e sexo. Embora o filme mostre apenas um casal em cena do começo ao fim, em nenhum momento o espectador terá sono. Os diálogos são espertos, bem humorados, e os dois atores parecem estar bem à vontade. É um filme direcionado para um público adulto e, certamente, será melhor absorvido pelas mulheres de meia idade, que se colocarão na pele de Nancy. O filme recebeu indicações aos prêmios de Melhor Atriz e Melhor Ator no British Academy Film Awards. Emma Thompson também disputou o Globo de Ouro de Melhor Atriz. Resumo da ópera, trata-se de um filme no mínimo interessante que deve ser visto.                 

 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

 

“CONSENTIMENTO” (“APRÈS LE SILENCE”), 2022, França, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jérôme Cornuau (“Chic!”, “Brigadas do Tigre”, “Dissonances”), seguindo roteiro assinado por Raphaëlle Roudaut. A temática do filme é das mais atuais: o assédio sexual, o sexo sem consentimento, ou seja, o estupro. A história é baseada em fatos reais. A professora Marina (Caroline Anglade) vai à polícia denunciar o ex-marido Gregory (Clovis Cornillac), com o qual teve o filho Tom, por violência sexual. Sem apresentar testemunhas, o caso acaba virando “Minha palavra contra a dele”, e o caso é arquivado. Mas Marina segue em frente, ainda mais depois que Gregory ameaça entrar na Justiça com pedido de guarda total de Tom, alegando insanidade mental da ex-mulher e também o fato dela estar desempregada e, portanto, sem conseguir sustentar o filho. Marina tentará de todas as maneiras comprovar sua denúncia, nem que para isso recorra a uma ex-namorada de Gregory, Samia (Samira Laccab) e a atual dele, Chloe (Alice David). O espectador, e, principalmente, a espectadora, aguarda com ansiedade o desfecho do caso. Será que Marina está mentindo? Antes dos créditos finais é apresentado um balanço dos casos de assédio sexual e estupro na França. O filme foi produzido e exibido pela France Télévisions. Não confundir com outro filme francês, este de 2023, também intitulado “Consentimento” (“Le Consentement”).               

 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

“REALITY”, 2023, Estados Unidos, 1h23m, em cartaz na Netflix, direção de Tina Satter, que também assina o roteiro com a colaboração de James Paul Dallas. Baseada em fatos reais, trata-se de uma adaptação para o cinema da peça de teatro “In This a Room”, escrita por Tina Satter e encenada, com grande sucesso, na Broadway. É quase um documentário, restrito à sala de uma casa, onde os agentes Garrick (Josh Hamilton) e Taylor (Marchánt Davis), do FBI, em 2017, interrogam Reality Winner (Sydney Sweeney), suspeita de fornecer informações confidenciais do governo dos EUA para o site de notícias “The Intercept”. O interrogatório foi gravado e sua transcrição integral serviu como base para o texto da peça e do filme. Os diálogos do interrogatório exigem muita paciência do espectador. Chegam a ser enfadonhos na medida em que os agentes não vão direto ao ponto, ficam rodeando com perguntas aleatórias, tentando minar as defesas de Reality. Verdadeiro manual de persuasão psicológica do FBI. Ainda sobre a história de Reality Winner, presa por espionagem e traição, foi feito um filme em 2024 intitulado “A Informante” (“Winner), em cartaz na HBO Max, muito melhor e mais esclarecedor do que “Reality”. Na dúvida, vá de “A Informante”.           

domingo, 9 de fevereiro de 2025

 

“A ORDEM” (“THE ORDER”), 2024, coprodução EUA/Canadá, 1h56m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Justin Kurzel (“Nitram”, “Snowtown”), seguindo roteiro assinado por Zach Baylin. A história é baseada em fatos reais ocorridos no início da década de 80 narrados no livro “The Silent Brotherhood”, de Kevin Flynn e Gary Gerhardt. Encarregado de investigar uma série de assaltos a bancos, carros-fortes, falsificação de dinheiro e atentados à bomba na pequena cidade de Coeur D’Alene (Idaho) e outras cidades da região, o experiente agente do FBI Terry Husk (Judy Law) chega à conclusão de que os crimes estão sendo cometidos por supremacistas brancos integrantes de uma célula neonazista intitulada “A Ordem”. Auxiliado pelo detetive Jamie Bowen (Tye Sheridan) e sua equipe da polícia local, Husk tentará conter os criminosos, cujo principal objetivo é continuar promovendo assaltos e atentados mais violentos e até derrubar o governo federal. O grupo racista é chefiado por Bob Mathews (Nicholas Hoult, de “O Jurado nº 2”), um extremista fanático e violento. “A Ordem” é um filme com muita tensão e violência, conduzido de forma magistral pelo cineasta australiano Justin Kurzel. Garanto: é o melhor lançamento do ano, até agora, da Prime Vídeo. Não perca!       

 

sábado, 8 de fevereiro de 2025

 

“DESAPARECIDOS” (“VANISHING”), em cartaz na Prime Vídeo, 2022, coprodução França/Coreia do Sul, 1h28m, direção de Denis Dercourt, que também assina o roteiro com Marion Dessout. A história é baseada no livro “The Killing Room, escrito por Peter May. Famosa por ter inventado uma técnica revolucionária no campo da restauração e identificação de cadáveres danificados, a médica cientista forense francesa Alice Launey (Olga Kurylenko) viaja para Seul (Coreia do Sul) para proferir palestras sobre sua descoberta. Durante esse trabalho ela é procurada pelo detetive Park Jin-Ho (Yoo Yeon-Seok) para ajudá-lo a identificar uma mulher encontrada morta à beira de um rio. As investigações prosseguem e a polícia de Seul, graças à ajuda da médica francesa, chegam à conclusão de que o caso envolve o tráfico de órgãos humanos. Muito suspense até o desfecho, o que prende a atenção do espectador. Além da história em si, desenvolvida por um primoroso roteiro, a presença sempre marcante da atriz ucraniana Olga Kurylenko é o grande trunfo do filme. As imagens de Seul, principalmente as aéreas, são outro destaque. Outro detalhe interessante: o filme é falado em inglês, francês, coreano, mandarim e até em português.  Resumo da ópera: trata-se de um ótimo suspense, muito acima da média. Não perca!      

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

 

“HEREGE” (“HERETIC”), 2024, Estados Unidos, 1h51m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Scott Beck e Brian Woods (“A Casa do Terror”, “Um Lugar Silencioso”). Terror psicológico cuja história é toda ambientada num cenário único. Reúne três personagens principais: as jovens missionárias sister Barnes (Sophie Tatcher) e sister Paxton (Chloe East), além de Mr. Reed (Hugh Grant), um sujeito solitário e excêntrico. São eles que participarão de toda a trama. Começa com as missionárias chegando num casarão isolado, propriedade de Mr. Reed, aparentemente um homem bastante simpático e receptivo, mas que logo mostrará sua face tenebrosa. Tenebrosa também é a casa, que lembra muito o Bates Motel, de “Psicose”, clássico de 1960 dirigido por Hitchcock. Reparem: o plano que mostra a fachada da casa é praticamente o mesmo, tudo envolto em neblina. Dentro da casa, as missionárias e Mr. Reed conversarão muito sobre religião e questões existenciais. Essas discussões são enfadonhas e chegam a irritar o espectador. A história toda é sem pé nem cabeça, tronco e membros. Não há uma explicação plausível para o que está acontecendo. O resultado final é decepcionante. Não sei se é o caso, mas o ator inglês Hugh Grant, de tantos filmes muito bons, desta vez errou feio na escolha ou está muito precisando de grana. Mais uma vez vou contra a corrente dos comentaristas profissionais, que gostaram do filme. Eu achei muito fraco.

 

 

 

“A CHAVE DO PROBLEMA” (“THE LOCKSMITH”), 2023, Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Nicolas Harvard, seguindo roteiro assinado por John Glosser, Chris Lamont, Ben Kabialis e Joe Russo. A história é centrada no ladrão Miller Graham (Ryan Phillippe), preso no começo do filme quanto praticava um roubo, colocando em prática sua especialidade de chaveiro. Dez anos depois ele sai em liberdade condicional disposto a reconstruir sua vida ao lado de Beth Fisher (Kate Bosworth), sua antiga namorada, e de Lindsay (Madeleine Guilbot), filha de ambos. Só que Miller terá que enfrentar um problema: April Reyes (Gabriela Quezada), irmã do parceiro de Miller no roubo, está precisando de dinheiro e exige que ele resolva seu problema. Afinal, o irmão de April foi assassinado durante o roubo com Miller. A situação acaba se complicando ainda mais depois que a polícia começa a perseguir Miller acusando-o de um novo assalto. Se não bastasse tudo isso, Beth Fisher, sua antiga namorada, é uma destacada detetive da polícia local. Embora tenha algum suspense, o filme é de pouca ação, acentuando o ritmo lento e uma história pouco interessante. O roteiro tem alguns furos – não são de bala -, e a trama não deslancha em nenhum momento. Vale destacar no elenco a presença de Ryan Phillippe e Kate Bosworth, que, apesar de bons atores, nunca deslancharam em Hollywood. De qualquer forma, dá para assistir "A Chave do Problema" (o título em português é horrível) sem compromisso com a inteligência.  

domingo, 2 de fevereiro de 2025

“DE SOMBRA E SILÊNCIO” (“NE M Á TAJEMSTVI”), 2023, República Tcheca, 1h41m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Tomas Masin (“Brothers", “3 Seasons In Hell”), que também assina o roteiro com Alice Nellis. Drama familiar, suspense, policial, tudo junto e misturado, uma história com algumas reviravoltas e um desfecho inesperado. O filme é centrado no veterinário Martin (Marian Mitas), que sofre um grave acidente de trabalho – um coice de cavalo na cabeça, tem lesão cerebral que o faz perder a habilidade de falar, prejudica os movimentos e a compreensão do que os outros falam. O acidente terá consequências no seu casamento com Erika (Jana Plodková) e no relacionamento desta com Dana (Milena Steinmasslová), mãe de Martin. Em meio a este conflito familiar ainda surge em cena Jana (Magdaléna Borová), dona da fazenda onde ocorreu o acidente. Aos poucos, alguns segredos começam a ser revelados, tumultuando a fase de recuperação de Martin, que tenta duas vezes o suicídio e finalmente morre sob circunstâncias bastante misteriosas. O primoroso roteiro alterna cenas em flashbacks com a polícia interrogando as três mulheres da vida de Martin, além de médicos e enfermeiras do hospital onde ele é encontrado morto. A situação prende a atenção do espectador até o incrível e surpreendente desfecho. Premiado em vários festivais europeus, “De Sombra e Silêncio” é, sem dúvida, um dos melhores filmes já produzidos na República Tcheca. Imperdível!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

 

“ALERTA! TEMPORADA DE TUBARÕES” (“L’ANNÉE DU REQUIN”), 2022, França, 1h27m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção dos irmãos gêmeos cineastas Zoran e Ludovic Boukherma (“Teddy”, “O Homem de Argila”). Numa pequena cidade costeira no sul da França, as férias de verão têm início trágico: um surfista aparece morto, estraçalhado por um tubarão. Para não estragar as férias do vilarejo e o risco para os milhares de turistas que chegam nessa época, uma equipe de policiais marítimos é encarregada de encontrar e matar o tubarão. A chefe dessa equipe é a experiente policial Maja Bordenave (Marina Foïs), também ativista em prol da preservação marinha e meio ambiente. Auxiliada pelos policiais assistentes Engénie (Christine Gautier) e Blaise (Jean-Pascal Zadi), Maja parte para o alto mar em busca do predador. E o encontra, mas, ao invés de matá-lo, o atinge com um dardo sedativo, aprisionando-o numa piscina adaptada. Diante desse fato, Maja se transforma em celebridade em seus últimos dias de trabalho, pois logo depois se aposenta. O tubarão volta ao mar e logo aparece outra vítima fatal. Maja passa a ser chamada de assassina e resolve voltar ao batente decidida a matar o animal. O resultado final do filme francês não é dos melhores, mas serve para uma sessão sem compromisso numa tarde chuvosa. Outro filme francês sobre tubarões é "Sob As Águas do Sena", na Netflix, produção de 2024.  

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

“ELENA SABE” (“ELENA SABE”), 2023, Argentina, 1h44m, em cartaz na Netflix, direção de Anahí Berneri (“Alanis”, “Um Año Sin Amor”), seguindo roteiro assinado por Gabriela Larralde. Trata-se de um drama baseado no romance homônimo de 2007 da consagrada escritora, roteirista e dramaturga argentina Claudia Piñero. O livro foi um grande sucesso de vendas, o que o levou a esta adaptação cinematográfica. Elena (Mercedes Morán) e Rita (Erica Rivas), respectivamente mãe e filha, vivem uma relação conflituosa. Elena sempre foi uma mãe dominadora, amargurada e intransigente. Rita (Miranda de la Serna quando jovem) não tinha vida própria, suas ações sempre comandadas pela mãe autoritária. A situação de Rita piorou ainda mais quando Elena começou a ficar doente, sofrendo de um Mal de Parkinson progressivo. Na verdade, Rita virou a cuidadora da mãe, sem tempo para a vida pessoal. O drama familiar iria complicar ainda mais quando Rita é encontrada morta, enforcada, no campanário da igreja que costumava frequentar. Tudo leva a crer que foi suicídio, mas Elena não acredita. Ela acha que a filha foi assassinada. E por aí vai a história até o desfecho, Elena, mesmo doente, tentando encontrar pistas que levem a um suposto assassino. Completam o elenco Susana Pamín, Marcos Montes, Marcos Ferrante, Agostina Muñoz e Mónica Gonzaga. Embora em ritmo lento e um tanto arrastado, o filme tem alguns trunfos para agradar a plateia, o maior deles o sensacional desempenho da veterana atriz Mercedes Morán, conhecida por atuar em alguns dos melhores filmes argentinos, como “Um Amor Inesperado”, “O Pântano”, “Norma” e “O Anjo”, entre outros. Em “Elena Sabe” ela mostra mais uma vez seu enorme talento.

 

“A GRANDE DESCOBERTA” (“GENOMBROTTET”), 2025, Suécia, minissérie de 4 episódios em cartaz na Netflix, direção de Lisa Siwe, que também assina o roteiro com a colaboração da jornalista Anna Bodin e do genealogista Peter Sjölund, autores do livro “Genombrottet: Sà Löste Släktforskaren Dubbelmordet i Linköping”. A história descrita no livro é baseada em fatos reais ocorridos a partir de 2004, quando ocorreu um duplo homicídio na pequena cidade de Linköping, localizada ao sul da Suécia. Mohamad Ammori, de 8 anos, e Anna-Lena, de 56 anos, foram esfaqueados e mortos numa praça, em plena luz do dia. O detetive John Sundin (Peter Eggers) ficou responsável pela investigação e, por 16 anos, o assassino ficou livre, leve e solto. Até que, em 2020, Sundin tomou conhecimento de um trabalho inovador do genealogista Per Skogkvist (Mattias Nordkvist). Segundo ele, ao pesquisar parentes distantes utilizando bancos de dados genéticos públicos, a polícia poderia identificar um assassino. Confesso que tentei entender essa teoria, explicada no filme, mas minha inteligência limitada não permitiu. De qualquer forma, foi a primeira vez que uma pesquisa genealógica conseguiu desvendar um crime na Europa. Ao contrário da maioria das séries com 8 episódios ou mais, “A Grande Descoberta” não precisa “encher linguiça”. Os quatro episódios preenchem todas as lacunas da história, sem precisar se alongar em tramas paralelas. Termino afirmando que esta é uma minissérie que vale a pena assistir, principalmente por explorar um fato real.   

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

“MEU PAI, O ASSASSINO” (“LA FILLE DE L’ASSASSIN”), 2023, coprodução França/Bélgica, 1h46m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Carole Kornmann (das séries “A Legista” e “Les Dames”), seguindo roteiro assinado por Natalie Carter e Ève de Castro. A história é baseada no romance “The Girl Without a Face”, de Patricia MacDonald, lançado em 2005. Feito para ser exibido nas emissoras França Télévisions e RTBF (belga), o filme é um drama familiar recheado de suspense e reviravoltas. Depois de 15 anos preso, acusado de assassinar a esposa, Pierre Adelin (Bruno Wolkowitch) é libertado em condicional. Apoiado pela filha Nina (Chloé Chaudoye), que sempre acreditou na sua inocência, ao contrário dos seus dois irmãos, Pierre decide sair atrás do verdadeiro assassino e provar que não é culpado. O roteiro de “Meu Pai, O Assassino” prevê muitas surpresas e reviravoltas, mantendo a tensão do começo ao fim. Mérito para os roteiristas. Também estão no elenco Nicolas Gob, Barbara Probst, Emmanuel Bordier, Ann-Gisel Glass e Samir Boitard. Trocando em miúdos, o filme é muito interessante e merece ser visto por quem gosta de filmes de qualidade. Uma ótima surpresa meio escondida no catálogo da Prime Vídeo.

 

“PACTO DE REDENÇÃO” (“KNOX GOES AWAY”), 2024, Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na Prime Vídeo, segundo filme na direção do ator Michael Keaton (o primeiro foi “Má Companhia”, de 2008), seguindo roteiro assinado por Gregory Poirier. Como ator, Keaton já comprovou muita competência, tanto que é um dos astros consagrados de Hollywood. Neste seu segundo filme como diretor, Keaton é responsável por um filme acima da média, principalmente quando falamos do gênero suspense policial. Keaton é John Knox, um assassino de aluguel que trabalha há anos para o mafioso Xavier Crane (Al Pacino, cada vez mais canastrão). Em sua mais recente missão, ele assassina um traficante e a amante, mas também mata por engano um colega de trabalho, mais um indício de que sua cabeça não anda muito bem. Ao consultar um neurologista e fazer alguns exames, ele descobre que está sofrendo de uma demência rara e agressiva. Para piorar, surge em cena seu filho Miles Knox (James Marsden), que não o vê há anos, pedindo sua ajuda para “limpar” uma cena de crime. Miles assassinou um sujeito que estuprou sua filha. Diante de tantos crimes, uma dupla de detetives fica perdida diante de tantas evidências contraditórias. Não dá para comentar muito mais para não estragar as reviravoltas que acontecem até o desfecho. Completam o elenco a atriz alemã Joanna Kulig, Ray McKinnon, Lela Loren, Marcia Gay Harden, Morgan E. Bastin, Suzy Nakamura e John Hoogenakker. Como escrevi no início deste comentário, “Pacto de Redenção” é um filme acima de média que merece ser visto.   

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

“DESCANSE EM PAZ” (“DESCANSAR EN PAZ”), 2024, Argentina, 1h45m, em cartaz na Netflix, direção de Sebastián Borensztein, que também assina o roteiro com Marcos Osorio Vidal. A história é baseada no livro “Descansar En Paz: Nunca Soñaste Com Dejar Todo Y Empezar de Nuevo”, escrito em 2018 por Martín Baintrub. Estamos no ano de 1994. O empresário Sergio Dayán (Joaquín Furriel) está quebrado, devendo para agiotas, bancos, fornecedores e até para familiares, sem falar das mensalidades em atraso da escola dos filhos. O desespero toma conta, pois ele não tem mais a quem recorrer e a gota d’água é a greve dos funcionários de sua empresa por não receberem salário há meses. Exatamente no dia 18 de julho de 1994 – e aqui a história se aproveita de um fato real de repercussão mundial -, Dayán está nas proximidades da Asociación Mutual Israelita Argentina (AMIA), quando acontece um atentado à bomba, matando dezenas de vítimas. Ferido sem gravidade, o empresário tem a ideia de sumir do mapa, como se tivesse sido morto no atentado e, assim, beneficiando sua família com o seguro de vida. Dayan se refugia no Paraguai e começa uma nova vida. Enquanto isso, Estela Dayán, com o dinheiro do seguro em mãos, começa a pagar as dívidas do marido. Quinze anos depois, Dayán começa a sentir falta da família, vê vídeos dos filhos nas redes sociais e resolve tentar uma volta ao passado, o que será muito difícil diante das circunstâncias, entre as quais o novo casamento de Estela. A trama é bem conduzida pelo diretor Borensztein, levando o espectador a especular o que poderá acontecer no desfecho. Mais um bom filme do cinema argentino. Não deixe de assistir.     

 

 

 

 

 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

 

“DE VOLTA À AÇÃO” (“BACK IN ACTION”), 2024, Estados Unidos, 1h52m, em cartaz na Netflix, direção de Seth Gordon (“Cry Wolf: O Jogo da Mentira”, “Cidade Perdida), que também assina o roteiro juntamente com Brendan O’Brien. Comédia de ação que marca o retorno às telas da atriz Cameron Diaz, depois de dez anos afastada - seu último filme foi “Annie”, de 2014. Cameron é Emily, uma ex-espiã da CIA que abandonou o trabalho quando ficou grávida e escapou da morte durante uma missão. Seu colega de trabalho e marido Matt (Jamie Foxx) também escapou por milagre na mesma missão e ambos resolveram se casar, se aposentar e constituir uma família. Mudaram de identidade e se esconderam do mundo, principalmente porque mafiosos russos acreditavam que eles mantinham em seu poder uma chave especial. Quinze anos depois, já com dois filhos adolescentes, eles são filmados durante uma briga de bar. O filme viralizou nas redes sociais e os mafiosos russos, ao identificar os antigos inimigos, partem para o ataque. Só resta à família fugir e, até desfecho, muitas perseguições e pancadarias vão acontecer. Completam o elenco Glenn Glose, Tom Brittney, Kyle Chandler, Andrew Scott e Leela Owen. Com exceção de algumas ótimas cenas de ação, nada mais interessante podemos destacar nesse filme, nem mesmo o retorno da bela Cameron Diaz ao trabalho. Os diálogos são um caso à parte, de uma mediocridade ofensiva a quem possui algum neurônio. Trocando em miúdos, “De Volta à Ação” é decepcionante. Cameron Diaz não merecia voltar em um filme tão ruim.     

sábado, 18 de janeiro de 2025

“MAXXXINE”, 2024, Estados Unidos, 1h44, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Ti West. Misto de terror, suspense e policial noir, trata-se do terceiro filme de uma trilogia que conduziu a atriz inglesa Mia Goth ao estrelato. Os dois primeiros são “X – A Marca da Morte” e “Pearl”, ambos de 2022 e dirigidos pelo mesmo Ti West. Mesmo que você não tenha visto os dois primeiros, dá para assistir este numa boa. Em “MaXXXine”, a garota do interior Maxine Minx (Goth) chega a Los Angeles para trabalhar como atriz de filmes pornô. Seu objetivo, porém, sempre foi chegar a Hollywood, atuar em filmes sérios e se tornar uma atriz reconhecida mundialmente. Depois de muito esforço e alguns testes, ela consegue um papel em um filme de terror dirigido por Elizabeth Bender (Elizabeth Debicki) que promete ser um sucesso de bilheteria. Enquanto isso, uma série de assassinatos amedronta Los Angeles. As vítimas são mulheres que trabalham em filmes pornôs e o serial killer está sendo chamado de “Night Stalker”. Como Maxine poderá ser a próxima vítima, ela é seguida de perto por dois detetives, papéis de Michelle Monaghan e Bobby Carnevale. A tensão aumenta a cada cena, pois o assassino pode estar em qualquer lugar. Completam o ótimo elenco Lily Collins, Kevin Bacon, Sophie Tatcher, Giancarlo Esposito e Moses Sumney. Vale a pena aqui lembrar que a atriz Mia Goth (Mia Gypsy Mello da Silva Goth), 31 anos, é filha de mãe brasileira e pai canadense. Sua avó materna é a atriz brasileira Maria Gladys, com a qual Mia Goth morou aqui no Brasil até se mudar para a Inglaterra. Sua estreia no cinema aconteceu em 2013 no polêmico “Nymphomaniac”. Atualmente, Mia está casada com o ator Shia Labeouf. Para encerrar, “MaXXXine” é um filme muito interessante que vale a pena assistir.  

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

“TUDO PELO DIVÓRCIO” (“ROZWODNICY”), 2024, Polônia, 1h31m, em cartaz na Netflix (produção original), direção de Michal Chacinski (“Planeta Singli”, “Juliusz”), que também assina o roteiro com a colaboração de Lukasz Swiatowiec. Simpática comédia, agradável de assistir, roteiro leve e ótimo elenco. Malgosia (Magdalena Poplawska) e Jacek (Wojciech Mecwaldowski) se casaram há vinte anos, mas logo se separaram. Agora, tantos anos depois, eles precisam anular o casamento, pois Jacek pretende se casar com Monika (Michalina Labacz), que tem o sonho de entrar na igreja toda de branco. Eles precisam obter, por parte da igreja polonesa, uma declaração oficial de nulidade. Só que os padres poloneses obedecem rigorosamente aos regulamentos do Vaticano, colocando empecilhos no objetivo do casal. Algumas cenas onde Jacek e Malgosia tentam convencer os padres geram diálogos hilariantes. Jacek chega a afirmar que estava bêbado no dia do casamento e que, por isso, não sabia o que estava fazendo. Não bastasse essa situação, Malgosia também se vê às voltas com os ensaios de uma pequena orquestra juvenil da qual é regente e que se prepara para uma importante apresentação musical durante a inauguração de uma ferrovia do governo. Resumo da ópera, “Tudo pelo Divórcio” é um ótimo entretenimento. Não perca!  

 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

“JURADO Nº 2” (“JUROR #2”), 2024, Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na HBO Max, direção de Clint Eastwood, seguindo roteiro de Jonathan A. Abrams. Quase impossível determinar se Clint Eastwood é melhor ator do que diretor. O que é possível afirmar é que o astro – hoje aos 94 anos - deu uma grande contribuição ao cinema, tanto na frente como atrás das câmeras. Neste “Jurado Nº 2”, que provavelmente será o seu último filme antes de se aposentar, Eastwood nos brinda com um ótimo suspense. O personagem central é Justin Kemp (Nicholas Hoult), casado e prestes a ser pai. Numa noite de chuva torrencial, ele está voltando para casa quando na estrada seu carro sofre um impacto, causado provavelmente por um cervo que atravessava a pista. Ele parou o carro e desceu, mas, como estava muito escuro e chovendo, não viu o que seu carro atingiu. Até aí tudo normal. Mas daqui a pouco ele será confrontado com uma situação que ninguém gostaria de enfrentar. Começa quando ele recebe uma convocação judicial para participar de um júri que irá julgar um homem acusado de ter assassinado a namorada. Quando os detalhes do crime começam a ser detalhados no tribunal, Justin fica sabendo que a vítima foi encontrada no mesmo local em que supostamente atropelou um cervo. A partir daí ele começa a viver um enorme dilema ético e moral, pois, considerando os fatos expostos e as testemunhas ouvidas, tudo leva a crer que a vítima morreu depois de atropelada por Justin. Diante da situação, ele tentará convencer os demais jurados a inocentar o acusado. Até o desfecho, o espectador acompanhará a crise de consciência de Justin, pois, prestes a ser pai, evitará ao máximo contar a verdade. Também estão no elenco Toni Collette, Kiefer Sutherland, J. K. Simmons, Zoey Deutch, Chris Messina, Gabriel Basso, Leslie Bibb e Francesca Eastwood, filha do diretor. Trocando em miúdos, “Jurado Nº 2” é um ótimo suspense, conduzido com muita segurança por Eastwood. Se realmente for este seu último filme, o experiente ator e diretor sairá de cena pela porta da frente.  

 

 

 

“AD VITAM”, 2024, coprodução França/Bélgica, 1h38m, em cartaz na Netflix, direção de Rodolphe Lauga, que também assina o roteiro com o ator Guillaume Canet, que atua no filme. O filme chegou com o título original em latim, que em português significa “para a vida”, o que achei um tanto estranho, já que pouco tem a ver com a história. Trata-se de um filme de ação centrado no personagem de Franck Lazareff (Canet), agente de elite das Forças Especiais. Depois de uma missão mal sucedida no Trianon Hotel, provocando a morte de algumas pessoas e culminando num incidente político internacional, Franck é afastado de suas funções. Quando sua esposa Leo (Stéphane Caillard), grávida prestes a parir, é sequestrada, ele descobre que os responsáveis são alguns dos seus próprios colegas, que acreditam estar de posse de Franck algo que os incrimine. Confesso que não entendi essa parte, como talvez tantos outros espectadores não entenderão. Mas nada que prejudique o resultado final desse bom filme de ação – algumas cenas são espetaculares. Achei, porém, que o filme demora a engrenar, priorizando a convivência entre os agentes, seu período de treinamento, questão familiares etc. Pura encheção de linguiça. Completam o elenco Alexis Manenti, Johan Heldengergh, Nassim Lyes e Zita Nanrot. Trocando em miúdos, ”AD VITAM” não entusiasma, mas também não decepciona. De 0 a 10, dou 6. Ou seja, dá para ver...    

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

“NÚMERO 24” (“NR.24”), 2024, Noruega, 1h51m, em cartaz na Netflix, direção de John Andreas Andersen (“Mar do Norte”, “Terremoto”), seguindo roteiro assinado por Vibeke Idsøe e Erlend Loe. Trata-se da cinebiografia de Gunnar Sønsteby (1918-2012), o maior e mais condecorado herói norueguês da 2ª Guerra Mundial. Por ocasião da invasão da Noruega pelo exército alemão, Gunnar (Sjur Vatne Brean) foi recrutado e treinado pela unidade militar secreta britânica Special Operations Executive (SOE). Ao regressar a Oslo, meses depois, sob o codinome “Número 24”, Gunnar liderou o grupo de resistência denominado “Gangue de Oslo”, responsável por vários atentados contra os alemães, incluindo fábricas de armamentos, de produtos químicos e de aeronaves.  O grupo também foi responsável pela perseguição e morte dos principais oficiais nazistas e colaboracionistas noruegueses. Utilizando várias identidades falsas, Gunnar jamais foi preso, mesmo integrando a lista dos mais procurados pela Gestapo. Depois da guerra, Gunnar ministrou inúmeras palestras para jovens estudantes sobre sua participação no conflito. Uma delas, com Gunnar já bastante idoso, interpretado por Erik Hivju, serviu como condutor da narrativa, alternando a história com flashbacks dos tempos de guerra. Enfim, posso afirmar que este é um dos melhores filmes já feitos sobre os heróis da resistência na Europa contra os nazistas. História pura. Imperdível!      

 

 

 

domingo, 12 de janeiro de 2025

“ARMADILHA” (“TRAP”), 2024, Estados Unidos, 1h47m, em cartaz na HBO Max, roteiro e direção do cineasta indiano naturalizado norte-americano M. Night Shyamalan. A história é mirabolante, mas convence como suspense, como tantos outros filmes dirigidos por Shyamalan, a começar pelo estrondoso sucesso de 1999, “O Sexto Sentido”. Podemos acrescentar ao currículo do indiano outros bons suspenses, tais como “Fragmentado”, “Sinais” e “Corpo Fechado”. Ou seja, falou em suspense, Shyamalan está no topo dos diretores. Em, “Armadilha”, ele conta a história de um pai de família que leva a filha adolescente a um show da cantora teen Lady Raven (Saleka Night, filha do diretor). Aparentemente, Cooper (Josh Hartnett) é aquele pai amoroso que se sente feliz em levar Riley (Ariel Donoghue) ao show de sua cantora preferida. De repente você percebe que Cooper começa a ficar incomodado com a presença de muitos policiais na plateia. Ele fica sabendo que os policiais estão atrás de um serial killer chamado “O Açougueiro” que estaria no meio do público. Bingo! Cooper é o próprio assassino. Como o local está totalmente cercado pela polícia, ele vai tentar encontrar uma saída criativa, o que só faz aumentar a tensão. Para escrever o roteiro, Shyamalan disse numa entrevista que se baseou na Operação Flagship, em 1985, planejada e executada pelo Serviço de Delegados dos Estados Unidos, que convenceram mais de 3 mil fugitivos da justiça a comparecer a uma falsa cerimônia de premiação com o pretexto de ganhar ingressos para um importante jogo de futebol americano, no que resultou em dezenas de prisões. “Armadilha” seguiu esse roteiro e no desfecho você fica sabendo que tudo foi uma armação para prender “O Açougueiro”. A história continua depois do show e termina com a certeza de que haverá uma sequência. Mesmo que não tenha sido um sucesso de bilheteria quando foi lançado nos cinemas dos EUA, “Armadilha” garante um bom suspense do começo até o desfecho, comprovando, mais uma vez, que o diretor indiano é craque no gênero.