sábado, 11 de janeiro de 2025


“ALÉM DA ESCURIDÃO” (“DE FORBANDEDE AR 2”), 2022, Dinamarca, 1h52m, em cartaz na Prime Vídeo,direção de Anders Refn, seguindo roteiro escrito por Flemming Quist Møller. Esta é a sequência de “Tempos de Escuridão”, de 2020. Em ambos, a história é centrada na família Skov, cujo patriarca, Karl Skov (Jesper Christensen), é um poderoso empresário de Copenhague, dono de uma fábrica de eletrônicos. Quando os alemães invadiram a Dinamarca, em abril de 1940, Karl foi obrigado a fornecer equipamentos para a Alemanha. O primeiro filme vai até 1943. O segundo a partir daí, quando os filhos de Karl ingressam na resistência contra os nazistas, o que complica a situação do empresário perante os invasores. Não bastasse isso, o fato de fornecer equipamentos para os nazistas tornou Karl e sua família traidores da pátria. Completam o elenco Luestøvel Baek, Sara Viktoria, Gustav Dyekjaer Giese, Mads Reuther e Bodil Jørgensen. Os dois filmes têm a produção caprichada, com uma primorosa ambientação de época, além de uma história emocionante, que não descobri se aconteceu mesmo ou foi fruto da imaginação dos roteiristas. De qualquer formar, tanto o primeiro quanto sua sequência são excelentes. Aliás, recomendo que assistam o primeiro e depois o segundo. Imperdíveis!    



sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

 

“MEU VIZINHO ADOLF” (“MY NEIGHBOR, ADOLF”), 2022, coprodução Israel/Alemanha/Polônia, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Leonid Prudovsky, que também assina o roteiro ao lado de Dmitri Malinsky. Descobri essa pequena pérola do cinema meio escondida no catálogo da Prime Vídeo. E que descoberta! Estamos em 1960 em alguma cidade da América do Sul. O judeu polonês Marek Polski (David Hayman) mora numa casa meio isolada, com apenas uma outra ao lado. Sobrevivente do Holocausto da Segunda Guerra Mundial, quando perdeu toda a sua família, Polski é um sujeito muito mal-humorado. Vive isolado, sem vontade de fazer qualquer tipo de amizade. Até que um dia chega um novo vizinho, um senhor misterioso com uma barba branca imensa. Aos poucos Polski descobre que o sujeito é alemão – o que já é motivo de ódio -, gosta de pintar e de jogar xadrez. O homem se identifica como Herzog (Udo Kier), mas Polski começa a acreditar que ele, na verdade, é Adolf Hitler. O polonês leva sua desconfiança para a Embaixada de Israel, que simplesmente ignora sua denúncia. Afinal, segundo a história, Hitler se suicidou em 1945. Para tentar encontrar outras evidências, Polski acaba se aproximando de Herzog e cada vez mais se convence de que ele é realmente Hitler. O filme é bem leve, bem-humorado, e tem alguns momentos bastante comoventes. A dupla principal de atores é o grande destaque. O escocês David Hayman já havia feito o papel de uma vítima do Holocausto em “O Menino do Pijama Listrado”, de 2008. Por seu lado, o ator alemão Udo Kier, que já trabalhou no filme brasileiro “Bacurau”, de 2019, coincidentemente viveu o papel de Hitler na série televisiva “Hunters” (2020-2023). Trocando em miúdos, “Meu Vizinho, Adolf” é recomendado para quem curte filmes inteligentes, não comerciais. Um achado e tanto. Não perca!       

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

“NÃO FALE O MAL” (“SPEAK NO EVIL”), 2024, Estados Unidos, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de James Watkins. Trata-se de um suspense bem movimentado, daqueles que a gente assiste apertando as mãos nos braços da poltrona. Enfim um bom suspense. Louise Dalton (Mackenzie Davis), seu marido Ben (Scot McNairy) e a filha Agnes (Alix West Lefler), uma família norte-americana, vão passar as férias na Itália. Aqui, conhecem e fazem amizade com uma família inglesa, formada por Paddy (James McAvoy), sua esposa Ciara (Aisling Franciosa) e o filho Ant (Dan Hough). Com o tempo, a amizade adquire uma certa intimidade, quando Paddy convida a família de Ben para passar um final de semana em sua casa de campo no interior da Inglaterra. Já na Itália deu para perceber que o comportamento de Paddy não inspirava confiança. Ele trata mal o filho deficiente – é mudo -, é grosso com a mulher e fala muitos palavrões. Ou seja, um sujeito bastante desagradável, que não proporciona uma convivência normal. Algo de muito errado ocorre com Paddy e sua família, como logo descobrirão os visitantes. O clima de tensão é bastante intenso, do começo ao fim, tornando “Não Fale o Mal” um excelente suspense. Não há dúvidas que o trunfo maior do filme é a atuação do ator James McAvoy, que já mostrou qualidades para atuar em papéis de psicopata, como já ocorreu no ótimo “Fragmentado”, do diretor M. Night Shyamalan. Informação adicional: o filme é um remake de umaprodução dinamarquesa de 2022 com o mesmo título.        

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

“CHARLIE EM AÇÃO” (“FAST CHARLIE”), 2024, Estados Unidos, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta australiano Phillip Noyce ("Salt", "O Colecionador de Ossos", "O Doador de Memórias"), seguindo roteiro assinado por Richard Wenk, sendo que a história é baseada no livro homônimo escrito por Victor Gischler e lançado em 2023. Trata-se de um filme de ação centrado no assassino profissional Charlie Swift (Pierce Brosnan), que há mais de duas décadas é o braço direito do chefão mafioso Stan Mullen (James Caan), que domina a cidade costeira de Biloxi, no Mississipi. Por causa de uma desavença causada por disputa de território, toda a gangue de Stan acaba assassinada por mafiosos de Nova Orleans. Só sobrou Charlie, que resolve partir para a vingança. O ator irlandês Pierce Brosnan, que já foi o agente James Bond em quatro filmes, continua com seu charme inalterado, mas agora, aos 71 anos, não tem a mesma mobilidade para atuar em filmes de ação. Em todo caso, não decepciona com o dedo no gatilho. Outro destaque do elenco é a atriz brasileira Morena Baccarin. Nascida no Rio, filha da também atriz Vera Setta e do jornalista Fernando Baccarin, Morena já participou de vários filmes de Hollywood, entre os quais os três da franquia "Deadpool", além de "Destruição Final: O Último Refúgio" e "Serenity: A Luta pelo Amanhã". A nota triste fica por conta da morte do veterano ator James Caan, ocorrida logo após as filmagens, sendo este o seu último filme. Também estão no elenco Toby Huss, Gbenga Akinnagbe, Sharon Glass, Susan Gallagher, Fredric Lehne e David Chattam. Trocando em miúdos, “Charlie em Ação” é apenas um bom entretenimento, com humor e algumas boas cenas de ação. Ou seja, não espere muito.   

domingo, 5 de janeiro de 2025

 

“FERRY 2”, 2024, coprodução Holanda/Bélgica, 1h34m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta belga Wannes Destoop, seguindo roteiro assinado por Geerard Van De Walle e Tibbe Van Hoof. O primeiro “Ferry”, de 2021, fez um tremendo sucesso, um filme de ação da melhor qualidade, contando a história de um gangster violento, Ferry Bouman (Frank Lammers), que chegou a liderar um verdadeiro império das drogas. Depois de perder tudo, Ferry volta nessa segunda parte como um pacato morador de um camping de trailers longe do submundo da província de Brabant. Mas seu sossego tem um prazo de validade. Sua sobrinha Jezebel (Aiko Beemsterboer) e o namorado Jeremy (Tobias Kersloot) aparecem para pedir sua ajuda, pois estão fugindo de uma quadrilha de traficantes para a qual devem uma grande quantia de dinheiro. Resumindo, terão de fabricar uma quantidade enorme de ecstasy para pagar a dívida. Caso contrário, acabarão enterrados numa vala qualquer. Ferry, muito a contragosto, resolve ajudar o jovem casal na base de muita pancadaria e tiros. Eu gostei muito do primeiro “Ferry” – que assisti e comentei no blog - principalmente do ator Frank Lammers, que parece aquele sujeito bonachão, mas que na verdade é um cara bem violento. Também gostei do “Ferry 2”, mas sugiro que, antes de vê-lo, assista o primeiro.   

“UMA MULHER CONTRA HITLER” (“SOPHIE SCHOLL – DIE LETZTEN TAGE”), 2005, Alemanha, 1h58m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Marc Rothemund. Desde moço sempre gostei de ler livros ou ver filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, em sua grande maioria baseados em fatos reais. Não sei como deixei passar este excelente drama alemão que concorreu ao Oscar 2006 de Melhor Filme Estrangeiro e venceu o Festival de Cinema de Berlim nas categorias Melhor Atriz (Julia Jentsch) e Melhor Diretor. Ainda bem que o encontrei no catálogo da Prime Vídeo e agora pude assisti-lo. Conta a história da jovem Sophie Magdalena Scholl (Julia Jentsch), militante do Grupo Rosa Branca, que reunia universitários de Munique para protestar contra a guerra e denunciar Hitler como genocida. Em 1943, quando distribuíam panfletos na Universidade, Sophie, seu irmão Hans Scholl (Fabian Hinrichs) e Christoph Probst (Florian Stetter) foram presos pela Gestapo, interrogados e condenados à morte por guilhotina. Um dos trunfos do filme é o interrogatório ao qual Sophie foi submetida por Robert Mohr (Alexander Held). Inicialmente, a jovem dizia que era inocente, mas confirmou tudo depois que o irmão, segundo Mohr, confessou tudo. O embate de ideias entre Sophie e seu interrogador é bastante elucidativo e contêm diálogos primorosos com relação ao pensamento reinante entre a população civil da Alemanha e, por outro lado, o fanatismo radical do oficial que a interrogava. Embora firme e até agressiva, a postura do interrogador da Gestapo parece se entregar aos argumentos expostos por Sophie. Nesse contexto, é justo destacar o desempenho dos dois atores. E por falar em performance, também deve ser destacada a impressionante atuação do ator André Hennicke como o Juiz Roland Freisler, responsável por comandar o julgamento dos três jovens. Ele parece ter incorporado o espírito de Hitler quando grita enfurecido contestando as respostas dos réus. Uma atuação marcante. Resumo da ópera, “Uma Mulher Contra Hitler” é um dos melhores filmes alemães deste século, um filmaço! Não deixe de ver.   

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

“ROB PEACE”, 2024, Estados Unidos, 1h59m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Chiwetel Ejiofor. A história de Robert Peace não havia sido contada até 2014, quando seu antigo colega de quarto Jeff Hobbs, na Universidade de Yale, resolveu escrever um livro sobre o amigo ("A Curta e Trágica Vida de Robert Peace"). Robert Peace era um aluno excepcional, com um QI elevado, e nem o fato de ser negro e pobre o impediu de realizar inúmeras conquistas. Sem contar que seu pai, papel do ator e diretor Ciwetel Ejiofor (de “12 Anos de Escravidão”), cumpria pena na prisão acusado de assassinar duas mulheres, embora nunca tenha confessado o crime. Mesmo diante dessas circunstâncias adversas, Peace foi à luta nos estudos, além de ajudar, como empreiteiro autônomo, a investir em melhorias para a sua comunidade, na periferia de New Jersey. Para arrecadar dinheiro, ele e sua turma resolveram fabricar e vender drogas. Esse lado obscuro seria o caminho do fim para o garoto que queria ser bioquímico para inventar algum remédio que curasse o câncer. Peace não merecia o fim que teve. Mas, sem dúvida, sua história merecia ser contada, primeiro num livro e agora num filme. O excelente elenco conta com Jay Will (Rob Peace), Mary J. Blige, Mare Winningham, Benjamin Papac, Michael Kelly e a atriz cubana Camila Cabello como a namorada brasileira de Peace. Lançado no Festival do Cinema Independente de Sundance 2024, “Rob Peace” foi bastante elogiado, mas não o suficiente para alavancá-lo à condição de obra-prima. Apenas um bom filme.     

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

 

“A HORA DO SILÊNCIO” (“THE SILENT HOUR”), 2024, Estados Unidos, 1h39m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Brad Anderson, seguindo roteiro assinado por Dan Hall. Suspense policial ambientado em Boston. O detetive Frank Shaw (Joel Kinnaman) perde a audição durante uma perseguição mal sucedida. Depois de um período de recuperação, ele volta a trabalhar no Departamento de Homicídios, recebendo treinamento para se tornar intérprete da linguagem de sinais com o objetivo de se comunicar com prováveis testemunhas surdas. Claro que logo surge uma, Ava Fremont (Sandra Mae Frank), que não só testemunha como filma o assassinato de dois traficantes e comunica o caso à polícia. Frank Shaw e seu parceiro Doug Slater (Mark Strong) ficam encarregados do caso. Os assassinos também são traficantes e descobrem a identidade da testemunha, que mora num edifício em fase de despejo e reformas. É nos corredores, nos apartamentos e nas escadarias desse edifício que transcorre praticamente toda a ação do filme, com o detetive Frank tentando proteger Ava da gangue dos traficantes denunciados. Se há um mérito nesse filme é garantir o suspense do começo ao fim, e aqui devemos destacar a direção de Brad Anderson, cineasta que já nos presenteou com bons filmes do gênero suspense, como “Chamada de Emergência”, “Fratura” e “Beirute”, entre outros. Como informação adicional, destaco também a presença da atriz Sandra Mae Frank, que é realmente deficiente auditiva. Trocando em miúdos, “A Hora do Silêncio” não decepciona.      

domingo, 29 de dezembro de 2024

 

“O ÚLTIMO SOLDADO” (“FENG HUO FANG FEI” – nos países de língua inglesa chegou como “The Chinese Widow”), 2017, coprodução China/EUA, em cartaz na Prime Vídeo, direção do veterano cineasta dinamarquês Bille August, com roteiro assinado por Greg Latter e Mabel Cheung, falado em mandarim, inglês e japonês. Embora tenha sido produzido em 2017, só agora chega ao streaming. Ainda bem, pois é um excelente drama de guerra baseado em fatos reais ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial. Depois que os japoneses atacaram Pearl Harbor, em dezembro de 1941, os Estados Unidos entraram no conflito e resolveram bombardear Tóquio em retaliação. Um desses aviões, depois da missão cumprida, tentou voltar para o porta-aviões mas ficou sem combustível e acabou caindo na província chinesa de Zhejiang. Bom lembrar que o Japão era inimigo da China, à qual havia invadido e vinha realizando as piores atrocidades há anos. O filme é centrado no personagem do piloto Jack (Emile Hirsch), que foi salvo e depois tratado pela jovem viúva chinesa Ying (Liu Yifei), que vive com a filha Nunu (Li Fangcong) e fabrica seda para sobreviver. A viúva esconde o militar norte-americano no porão da casa, correndo um grande perigo, pois os japoneses estão sempre por perto. Não vou contar o resto para não dar spoilers sobre como terminará a história, mas posso garantir: o filme é ótimo. Claro que seu maior trunfo, além da história em si, é a direção firme, mas sensível, do cineasta Bille August, que já nos presenteou com algumas pequenas obras-primas, entre as quais destaco “Pelle, o Conquistador”, de 1982, que ganhou o Oscar, o Globo de Ouro e a Palma de Ouro em Cannes, além de “The Best Intentions", de 1991, também premiado com a Palma de Ouro, e “A Casa dos Espíritos”.     

        

 

 

sábado, 28 de dezembro de 2024

“O VOO SEQUESTRADO” (“HIJACK ‘93”), 2024, Nigéria, 1h26m, em cartaz na Netflix, direção de Robert Peters, seguindo roteiro assinado por Musa Jeffery David. Não torça o nariz só porque o filme é nigeriano. Digo isso porque já assisti a vários filmes muito bons feitos em Nollywood – como é chamado o cinema da Nigéria. Saiba também que a Nigéria é o segundo maior produtor de filmes do mundo, perdendo apenas para a Índia (Bollywood) e superando os Estados Unidos (Hollywood, claro), em terceiro lugar. “O Voo Sequestrado” relembra um fato real ocorrido em 1993. No dia 25 de outubro daquele ano, quatro jovens ligados ao MAD (Movimento para a Atualização da Democracia) sequestram o avião da Nigeria Airways que levantou de Lagos com destino à capital Abuja. Os sequestradores queriam chamar a atenção do mundo para a situação política da Nigéria, com abusos dos direitos humanos e corrupção governamental, além de exigirem a renúncia do general Ibrahim Babangida, o então ministro da Defesa. A intenção era desviar o voo para Frankfurt, na Alemanha, mas antes o avião teve que fazer um pouso forçado para abastecer no aeroporto de Niamey, no país vizinho Níger. Aqui se desenrolam as negociações entre os sequestradores, o governo do Níger e da Nigéria. Não vou dar spoilers sobre o que acontece no desfecho, pois acredito que são poucos os que se lembram dessa história. Trocando em miúdos, o filme é muito bom, mantém uma tensão constante do começo até o final. Tem seus defeitos, mas são poucos e não prejudicam o resultado final. Vale a pena assistir, principalmente para quem tem a curiosidade de conhecer um pouco do cinema de Nollywood.         

 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

“TÁR”, 2022, Estados Unidos, 2h38m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Todd Field. O filme já começa esquisito, apresentando os créditos completos logo no início, quando a grande maioria dos filmes os apresenta no final. A história é centrada na maestrina Lydia Tár (a atriz australiana Cate Blanchett), a primeira mulher a dirigir a conceituada Orquestra Filarmônica de Berlim. Ao contrário do que pensei inicialmente, trata-se de um personagem fictício, assim como o enredo. Lésbica assumida, Lydia exige que seja chamada de “Maestro”. Ela é casada com a spalla (primeiro violino) da orquestra, Sharon (a atriz alemã Nina Hoss), mas convive com a fama de ter assediado integrantes femininas das outras orquestras que dirigiu. Lydia mostra-se prepotente e arrogante, não apenas nas aulas que ministra em escolas de música, mas também com os músicos das orquestras. O filme se concentra nos bastidores do trabalho da maestrina, aliás “maestro”, destacando o estresse de tanta responsabilidade. Realmente, a vida de maestro não deve ser fácil. Além de estar prestes a lançar um livro de memórias, Tár ensaia com a Filarmônica de Berlim para a gravação da difícil 5ª Sinfonia do compositor Gustav Mahler. A música clássica está em toda parte, não só nos diálogos como em toda a trilha sonora. “Tár” não é um filme para o grande público. Talvez por isso mesmo tenha sido esnobado nas premiações do Oscar 2023, para o qual foi indicado em cincos categorias (Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Fotografia). Além de ser longo, os diálogos são inteligíveis apenas para músicos profissionais ou alunos de Escola de Música. Também estão no elenco Sophie Kauer, Noémie Merlant, Mark Strong e Julian Glover. De qualquer forma, vale conferir a excelente performance da atriz Cate Clanchett, que antes de filmar estudou regência e piano. Quem curte música clássica certamente vai gostar.     

 

 

 

 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

 

“UMA BELA MANHÔ (“UN BEAU MATIN”), 2023, França, 1h52m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Mia Hansen-Løve (“A Ilha de Bergman”, “O Que Está por Vir”). Trata-se de um drama centrado em Sandra Kienzler (Léa Seydoux), uma jovem viúva que trabalha em Paris como tradutora/intérprete em convenções e congressos. Ela tem uma filha de oito anos e está passando um momento muito difícil com a doença do pai, George (Pascal Greggory), que sofre de uma síndrome degenerativa do cérebro, que deixa a pessoa cada vez mais confusa, debilitada e esquecida, além de uma cegueira psicológica. Ao acompanhar os problemas do pai e a decisão da família de interná-lo em um asilo, Sandra entra em depressão e é nesses momentos que aparece o grande talento da atriz Léa Seydoux, talvez hoje a mais competente do cinema francês, capaz de trafegar entre dramas eróticos (“Azul é a Cor Mais Quente) e filmes de ação (“Spectre” e “007 – Sem Tempo para Morrer”). De volta à história: em meio aos problemas do pai, Sandra reencontra Clément (Malvil Poupaud), ex-amigo do seu marido. Papo vai papo vem, sofrendo de carência afetiva, Sandra começa a namorar Clément. Só que tem um problema: ele é casado e tem dois filhos. Mesmo assim, Sandra concorda em ser sua amante, até que um dia resolve que não quer mais fazer o papel da outra. Completam o elenco Nicole Garcia, Camille Leban Martins, Sarah Le Picard e Fejria Deliba. Trocando em miúdos, “Uma Bela Manhã” tem todos os ingredientes do melhor cinema francês, fazendo jus ao seguinte comentário da principal crítica do jornal The New York Times, Manohla Dargis: “O filme francês é maravilhosamente balanceado, persuasivo e comovente”. Sem dúvida, um belo filme que merece ser visto por quem admira cinema de qualidade. Imperdível”    

 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

“AGENTE DAS SOMBRAS” ("BLACKLIGHT”), 2022, coprodução Estados Unidos/Austrália/China, 1h48m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mark Williams, que também assina o roteiro com a colaboração de Nick May. O ator irlandês Liam Neeson ficou mais conhecido do público depois de interpretar o empresário Oskar Schindler em “A Lista de Schindler” (1993). Continuou com prestígio depois de, já veterano, atuar em filmes de ação, principalmente a trilogia de “Busca Implacável”, depois do qual fez vários filmes de ação. Neste último “Agente das Sombras”, aos 70 anos (hoje está com 72), Neeson dá mostras de que não tem mais a vitalidade de outrora para filmes do gênero. Está visivelmente alquebrado, sem a mobilidade de quem precisa correr, dar socos e pontapés. Nesse filme, Neeson é Travis Block, um agente do FBI prestes a se aposentar. Sob a supervisão direta de Gabriel Robinson (Aidan Quinn), diretor do FBI, Travis sempre agiu nas sombras, ajudando a salvar agentes em perigo ou com algum trauma de trabalho. A história de “Agente das Sombras” começa com o assassinato de uma jovem militante política que resolveu enfrentar o sistema, denunciando corrupção e a participação do governo em planos para eliminar opositores políticos. Resultado: acabou assassinada. O jovem agente Dusty Crame (Taylor John Smith), revoltado com a morte da moça, decide procurar a jornalista investigativa Mira Jones (Emmy Baver-Lampman) para denunciar uma tal Operation United como responsável pela morte da jovem militante. Dusty também terá destino igual e Travis acaba descobrindo que tudo é obra justamente do FBI, assim como o desaparecimento de sua filha e de sua neta. Com a ajuda da jornalista, Travis irá atrás dos responsáveis. Embora tenha algumas boas cenas de ação, “Agente das Sombras” não é “aquele” filme que mereça uma recomendação entusiasmada, mas também não chega a ser totalmente decepcionante.   

“BATALHÃO 6888” (“THE SIX TRIPLE EIGHT”), 2024, Estados Unidos, 2h07m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Tyler Perry (“Madea”, “Divórcio em Família”). Mais uma história da fonte inesgotável de histórias ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial e adaptadas para o cinema. Dessa vez, uma história pouco conhecida por aqui, ou seja, a formação do primeiro batalhão de mulheres negras do exército norte-americano. Comandadas e treinadas pela capitã Charity Adams (Kerry Washington, ótima), 855 mulheres foram enviadas para a Inglaterra com a difícil – e quase impossível – missão de selecionar, separar e enviar 17 milhões de cartas esquecidas e armazenadas na cidade inglesa de Birmingham. Parte dessas cartas havia sido escrita pelas famílias dos soldados que estavam no front europeu e outra parte escrita pelos soldados com destino às suas famílias. O maior objetivo dessa tarefa era levantar o moral dos soldados norte-americanos com notícias de seus familiares, assim como estes receberem notícias de seus entes queridos envolvidos na guerra. Para resumir a história, as mulheres do intitulado “6888º Batalhão do Diretório Postal Central” conseguiram cumprir sua missão em apenas três meses, ou seja, muito antes do estipulado. O filme destaca o forte racismo existente na época, o que fez muitos acreditarem que as mulheres negras não conseguiriam executar sua tarefa. Pois mesmo com esse incrível feito, elas nem sequer receberam qualquer homenagem quando voltaram ao seu país e a história de sua vitoriosa missão ficou escondida até agora. Também estão no elenco Ebony Obsidian, Sarah Jeffery, Oprah Winfrey, Shanice Williams, Dean Norris (da série Breaking Bad), Sam Waterston e Susan Sarandon, esta última irreconhecível como Eleanor Roosevelt, mulher do presidente. O filme é uma superprodução digna de Hollywood, com centenas de figurantes e uma primorosa recriação de época. Para coroar, o espectador ainda poderá conhecer, durante os créditos finais, alguns personagens reais que viveram aquela incrível história. Imperdível!      

sábado, 21 de dezembro de 2024

 

“O TREM ITALIANO DA FELICIDADE” ("IL TRENO DEI BAMBINI”), 2024, Itália, 1h45m, em cartaz na Netflix, direção de Cristina Comencini, seguindo roteiro assinado por Giulia Calenda, Furio Andreotti e Camille Dugay Comencini. Importante destacar o contexto histórico no qual o filme é baseado. Cidades do sul da Itália, mais afetadas pela Segunda Guerra Mundial, apresentavam um cenário de miséria absoluta. Em 1946, o Partido Comunista Italiano, em conjunto com a União das Mulheres Italianas (Unione Donne Italiane), teve a ideia de enviar as crianças do sul para Milão e outras cidades do norte do país não tão atingidas pelas consequências do conflito. Dessa forma, de 1946 até 1952, 70 mil crianças foram levadas para o norte em trens especiais reservados para elas pela Rede Ferroviária Nacional. O plano, executado com sucesso, previa o retorno das crianças seis meses depois, quando deveriam estar melhor de saúde e bem de saúde. Toda essa história foi contada em dois livros: “Crianças da Guerra: A História sobre o Trem Italiano da Felicidade", de Viola Ardone, e “Il Treni Della Felicitá. Storie Di Bambini in Viaggio Tra Due Italie”. Foi nos relatos de ambos que os roteiristas criaram o filme, cuja história é centrada no personagem fictício de Amerigo Speranza (Christian Cervone), de 7 anos, enviado por sua mãe para Milão. Aqui, ele foi acolhido por uma família ligada ao partido comunista. Tão fanáticos que seus três filhos se chamavam Revo, Lucio e Nario. Amerigo se adaptou bem à família, principalmente ao pai, que gostava de tocar violino, instrumento que Amerigo aprendeu a tocar e que o levaria, no futuro, ao posto de maestro de uma importante orquestra. Completam o ótimo elenco Serena Rossi, Barbara Ronchi, Stefano Accorsi, Francesdo Di Leva, Antonia Truppo e Nunzia Schiano. Embora o contexto seja dramático, o filme consegue ser leve principalmente por colocar as crianças como personagens principais, vítimas inocentes de um conflito que não entendiam. Enfim, “O Trem Italiano da Felicidade” é um filme sensível e comovente, ao mesmo tempo poderoso e impactante. Não perca!          

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

“BECO DO PESADELO” (“NIGHTMARE ALLEY”), 2021, Estados Unidos, 2h31m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta mexicano Guillermo Del Toro, com roteiro assinado por Kim Morgan. A história é baseada no romance “Nigthtmare Alley”, escrito em 1946 por William Lindsay Gresham. Como cinéfilo amador, sempre fico atento às novidades e lançamentos, e, portanto, não sei dizer como deixei de ver esse filme maravilhoso, que recebeu 4 indicações ao Oscar de 2022: Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. Não levou nenhuma estatueta, mas é um grande filme. O elenco é um luxo. Só para citar os nomes principais: Bradley Cooper, Toni Collette, Rooney Mara, David Strathairn, Cate Blanchet, Willem Dafoe, Mary Steenburgen, Ron Perlman e Richard Jenkins. Vamos à história: no final dos anos 30 do século passado, em plena recessão econômica nos EUA, o malandro Stanton Carlisle (Bradley Cooper) foge de um passado tenebroso e vai parar num circo itinerante, onde consegue emprego. Ele se entusiasma com o número de mediunidade apresentado por Pete Krumbeim (Strathairn) e sua mulher Zeena (Collette). Com Pete e Zeena ele aprende os truques do show que é um dos mais requisitados pelo público. Disposto a ganhar dinheiro, Stanton parte para Nova Iorque com sua namorada Molly (Rooney Mara), que também trabalhará como sua assistente de palco. Num golpe de sorte, Stanton conhece Lilith Ritter (Blanchet), uma refinada e conhecida psicóloga cujos pacientes, em sua maioria, são figuras da alta sociedade e muito ricos. Em associação com Lilith, Stanton, agora “O Grande Stanton”, arrasta multidões para suas apresentações mediúnicas e consegue algumas consultas particulares com gente da alta sociedade. O dinheiro chega fácil, mas as consequências da enganação chegarão logo. Não apenas pela história em si ou pelo maravilhoso elenco, o filme se destaca também pela primorosa fotografia e pela espetacular recriação de época. Enfim, mais uma verdadeira aula de cinema do diretor Guillermo Del Toro, que já havia nos presenteado com filmes que se transformaram em verdadeiros clássicos, como “O Labirinto do Fauno”, “A Espinha do Diabo”, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2006, além de “A Forma da Água”, pelo qual conquistou o Oscar em 2017 como Melhor Diretor. Se você gosta de cinema de alta qualidade, não deixe de assistir “O Beco do Pesadelo”.          

domingo, 15 de dezembro de 2024

“A VIRGEM VERMELHA” (“LA VIRGEN ROJA”), 2024, Espanha, 1h54m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Paula Ortiz, seguindo roteiro assinado por Eduard Sola e Clara Roquet.. A história, baseada em fatos reais, é centrada na jovem Hildegart Rodríguez Carballeira (Alba Planas), que, no início dos anos 30 do século passado,  surgiu no campo literário espanhol como uma escritora à frente do seu tempo. Com apenas 18 anos, ela já havia escrito vários livros sobre a sexualidade feminina, tornando-se um ícone precoce do feminismo e da revolução sexual – seus livros mais conhecidos são “Sexo e Amor” e “A Rebeldia Sexual da Juventude”. Também foi uma ativista política, militante do Partido Socialista Operário Espanhol. Todo esse contexto de liberdade não condiz com a educação autoritária da mãe (Najwa Nimri), que em nenhum momento revelou à filha quem era seu pai biológico – um segredo guardado a sete chaves, apenas revelado ao espectador. As atitudes abusivas da mãe autoritária acabarão tolhendo a liberdade de ir e vir da garota, que um dia finalmente se rebela depois de conhecer o jovem Abel Vilella (Patrick Criado), militante do partido socialista. A relação conflituosa entre mãe e filha é o fio condutor da história, e aqui deve ser destacado o excelente desempenho das atrizes Alba Planas, Najwa Nimri e Aixa Villagrán, esta última como a empregada da casa e confidente de Hildegart. Trocando em miúdos, “A Virgem Vermelha”, filme lançado durante o 72º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, é um dos melhores lançamentos da Prime este ano. Não perca!       

 

 

 

 

sábado, 14 de dezembro de 2024

“CIDADE DE ASFALTO” (“ASPHALT CITY”), 2023, Estados Unidos, 2h4m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta francês Jean Stéphane Sauvaire (“Johnny Mad Dog”), seguindo roteiro assinado por Ben Mac Brown e Ryan King. A história toda é baseada no livro “Black Flies”, escrito em 2008 por Shannon Burke. Se você está infeliz no seu emprego e estressado é porque não assistiu a esse suspense, que mostra o trabalho dos paramédicos – socorristas, aqui no Brasil – em Nova Iorque. O personagem central é o jovem Ollie Cross (Tye Sheriden), que ingressa no grupo de paramédicos enquanto se prepara para tentar o seu grande sonho, a faculdade de medicina. Novato no trabalho, ele é escalado para o turno da noite/madrugada, e como parceiro conta com o experiente Gene Rutkovsky (Sean Penn), que será o seu tutor por um bom tempo. O trabalho não é fácil, principalmente quando são chamados para atender emergências em bairros perigosos, como é o caso de Brownsville, no Brooklyn. Aqui, a maioria dos atendimentos refere-se a feridos em confronto de gangues, vítimas de overdose e outras ocorrências que nem sempre terminam bem. A rotina estressante é apresentada no filme de forma bastante realista, fazendo com que o espectador se sinta participante das cenas. Também participam do elenco Michael Pitt (sempre em papéis de personagens desagradáveis), Kali Reis, Raquel Nave, Katherine Waterston e Mike Tyson. Isso mesmo, o grande lutador de boxe, que no filme desempenha o papel de chefe da equipe de paramédicos. E olha que ele trabalhou direitinho. A primeira exibição de “Cidade de Asfalto” aconteceu no Festival de Cannes 2023, mas a recepção por parte dos críticos e do público não foi muito satisfatória. Eu gostei e recomendo.     

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

 

“TRÊS MULHERES – UMA ESPERANÇA” (“LOST TRANSPORT”), em cartaz na Prime Vídeo, 2022, coprodução Holanda/Luxemburgo/Alemanha, 1h45m, roteiro e direção de Saskia Diesing, cineasta alemã radicada na Holanda. A história, baseada em fatos reais, é ambientada na primavera de 1945, nos estertores da Segunda Guerra Mundial. Como último esforço de guerra, os nazistas tentaram transportar judeus da Bélgica, Holanda e Polônia aprisionados no campo de concentração da Baixa Saxônia para o interior da Alemanha. O objetivo era utilizar esses prisioneiros como moeda de troca por soldados alemães presos pelo exército russo. No total, foram três comboios, mas um deles não chegou ao seu destino, sendo abandonado perto do vilarejo de Tröbitz. Ao mesmo tempo, tropas do exército russo chegavam à região tentando organizar o problema, ou seja, garantir a sobrevivência dos judeus libertados do comboio. A população alemã de Tröbitz foi obrigada a acolher e alimentar os antigos prisioneiros em suas próprias casas. É nesse momento que uma improvável amizade acontece entre três mulheres: a alemã Winnie (Anna Bachmann), a oficial russa Vera (Eugénie Anselin) e a judia holandesa Simone (Hanna Van Vliet). Winnie mora na casa em que se hospedam a judia e a oficial russa. É justamente a relação entre essas mulheres que o roteiro coloca como fio condutor da história. Embora o filme, falado em holandês, alemão e russo, adote um tom dramático de novelão, vale a pena assisti-lo não só pelo fato histórico relatado e pouco conhecido por aqui, mas também pela primorosa ambientação de época.         

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024


“A INFORMANTE” (“WINNER”), 2024, coprodução Canadá/EUA, 1h52m, em cartaz na HBO Max, direção de Susanna Fogel, que também assina o roteiro juntamente com Kerry Howley. Grata surpresa este drama baseado em fatos reais. Depois de ter sido militar na Força Aérea dos Estados Unidos, a jovem Reality Winner (Emilia Jones, ótima) foi trabalhar como analista no Serviço de Inteligência da Agência de Segurança Nacional. Em 1916 ela foi acusada de vazar informações sobre a interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas naquele ano, sendo presa pelo crime de traição à pátria. Quem conviveu com a família da moça certamente adivinhou esse desfecho, pois Reality, a exemplo do pai Ron (Zach Galifianakis), cresceu como ativista e defensora do meio ambiente, dos direitos humanos, da justiça social e da democracia. Ou seja, uma mulher politicamente correta. Também estão no elenco Connie Britton, Danny Ramirez e Kathryn Newton. O roteiro não deixou o filme descambar para um drama, pois adotou um tom mais leve e bem humorado, diluindo a gravidade dos eventos retratados, tornando o filme mais acessível e menos impactante. Talvez este seja o único defeito do filme, já que a história merecia um tratamento mais sério como drama político. De qualquer forma, “A Informante” consegue captar a atenção do espectador do começo ao fim. Não perca.   

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

 

“ECOS DO PASSADO” (“KALÁVRYTA 1943”), 2021, Grécia, 1h39m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Nicholas Dimitropoulos, que também assina o roteiro com Dimitrios Katsantonis. Dois motivos especiais me motivaram a assistir a este filme grego. Primeiro, o fato histórico retratado, baseado em fatos reais, ou seja, o massacre, por parte dos soldados nazistas, contra a população do vilarejo de Kalávryta, em 1943. Segundo motivo é relativo à presença no elenco do grande ator sueco Max Von Sydow neste que foi seu último filme de uma longa carreira vitoriosa. Ele faleceu pouco depois do término das filmagens. “Ecos do Passado” é filmado em flashbacks, contando com grande realismo o que aconteceu no pequeno vilarejo grego. Em retaliação à morte de soldados nazistas, o comandante do exército alemão que ocupava a Grécia ordenou que a população local fosse totalmente dizimada. Ao final, centenas de pessoas foram mortas. No tempo presente, o filme é centrado na advogada Caroline Martin (Astrid Roos), que representa o governo alemão contra as reivindicações gregas por indenização pelo massacre de Kalávrita. Caroline viaja à Grécia para investigar o caso e encontra o único sobrevivente masculino daquela tragédia, o escritor Nikolaos Andreou (Max Von Sydow). É o próprio Nikolaos que narra a história, relembrando o que aconteceu. Caroline não tinha ideia das atrocidades praticadas pelos soldados alemães e se emociona com o relato. Sob o ponto de vista histórico, o filme é ótimo, pois revela um caso pouco conhecido pelo grande público. Trata-se de uma superprodução do cinema grego, considerado o filme mais caro dos últimos anos. Trocando em miúdos, “Ecos do Passado” é obrigatório, poderoso e realista como poucos. Imperdível!   

         

               

                     

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

 

“JOY”, 2024, Inglaterra, 1h55m, em cartaz na Netflix, direção de Ben Taylor (“Sex Education”), seguindo roteiro assinado por Jack Thorne, Rachel Mason e Emma Gordon. O filme é baseado em fatos reais que culminaram no nascimento do primeiro bebê in vitro, que depois ficaria conhecido popularmente, no mundo inteiro, como bebê de proveta.  A história começa em 1968, em Cambridge e depois em Bristol, quando o cientista Robert Edwards (James Norton), a enfermeira e embriologista Jean Purdy (Thomasin McKenzie) e o ginecologista Patrick Steptoe (Bill Nighy) começaram a pesquisar um processo envolvendo a combinação de óvulos e espermatozóides em um ambiente laboratorial, fora do corpo da mulher. O filme acompanha passo a passo todas etapas do trabalho do trio, as pesquisas com mulheres inférteis, a violenta oposição dos religiosos, que chamavam Edwards de “Dr. Frankestein”, e a perseguição incessante da imprensa inglesa. O primeiro bebê de proveta somente nasceria em 1978, fato alardeado no mundo inteiro como um grande avanço da ciência. Louise Joy Brown, o bebê, hoje aos 46 anos, continua viva e saudável. Embora o filme seja muito interessante como registro histórico, o espectador comum talvez tenha dificuldade de entender a linguagem técnica utilizada em muitos diálogos. Eu passei batido em vários. Certamente o pessoal da área médica terá mais facilidade de acompanhar os acontecimentos, principalmente no que se refere às pesquisas. Para as novas gerações, que talvez não imaginem como nasceu a fertilização in vitro, “Joy” é bastante esclarecedor.