“ROB PEACE”, 2024,
Estados Unidos, 1h59m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Chiwetel
Ejiofor. A história de Robert Peace não havia sido contada até 2014, quando seu
antigo colega de quarto Jeff Hobbs, na Universidade de Yale, resolveu escrever
um livro sobre o amigo ("A Curta e Trágica Vida de Robert Peace"). Robert Peace era um aluno excepcional, com um QI
elevado, e nem o fato de ser negro e pobre o impediu de realizar inúmeras conquistas.
Sem contar que seu pai, papel do ator e diretor Ciwetel Ejiofor (de “12 Anos de
Escravidão”), cumpria pena na prisão acusado de assassinar duas mulheres,
embora nunca tenha confessado o crime. Mesmo diante dessas circunstâncias adversas, Peace foi à luta nos estudos, além de ajudar, como empreiteiro
autônomo, a investir em melhorias para a sua comunidade, na periferia de New
Jersey. Para arrecadar dinheiro, ele e sua turma resolveram fabricar e vender
drogas. Esse lado obscuro seria o caminho do fim para o garoto que queria ser
bioquímico para inventar algum remédio que curasse o câncer. Peace
não merecia o fim que teve. Mas, sem dúvida, sua história merecia ser contada, primeiro num livro e
agora num filme. O excelente elenco conta com Jay Will (Rob Peace), Mary J. Blige,
Mare Winningham, Benjamin Papac, Michael Kelly e a atriz cubana Camila Cabello
como a namorada brasileira de Peace. Lançado no Festival do Cinema Independente
de Sundance 2024, “Rob Peace” foi bastante elogiado, mas não o suficiente para alavancá-lo
à condição de obra-prima. Apenas um bom filme.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2025
terça-feira, 31 de dezembro de 2024
“A HORA DO SILÊNCIO” (“THE
SILENT HOUR”), 2024, Estados Unidos, 1h39m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Brad Anderson, seguindo roteiro assinado por Dan Hall.
Suspense policial ambientado em Boston. O detetive Frank Shaw (Joel Kinnaman)
perde a audição durante uma perseguição mal sucedida. Depois de um período de
recuperação, ele volta a trabalhar no Departamento de Homicídios, recebendo
treinamento para se tornar intérprete da linguagem de sinais com o objetivo de
se comunicar com prováveis testemunhas surdas. Claro que logo surge uma, Ava Fremont
(Sandra Mae Frank), que não só testemunha como filma o assassinato de dois
traficantes e comunica o caso à polícia. Frank Shaw e seu parceiro Doug Slater
(Mark Strong) ficam encarregados do caso. Os assassinos também são traficantes
e descobrem a identidade da testemunha, que mora num edifício em fase de
despejo e reformas. É nos corredores, nos apartamentos e nas escadarias desse
edifício que transcorre praticamente toda a ação do filme, com o detetive Frank tentando
proteger Ava da gangue dos traficantes denunciados. Se há um mérito nesse filme
é garantir o suspense do começo ao fim, e aqui devemos destacar a direção de
Brad Anderson, cineasta que já nos presenteou com bons filmes do gênero suspense, como “Chamada
de Emergência”, “Fratura” e “Beirute”, entre outros. Como informação adicional,
destaco também a presença da atriz Sandra Mae Frank, que é realmente deficiente
auditiva. Trocando em miúdos, “A Hora do Silêncio” não decepciona.
domingo, 29 de dezembro de 2024
“O ÚLTIMO SOLDADO” (“FENG HUO
FANG FEI” – nos países de língua inglesa chegou como “The Chinese
Widow”), 2017, coprodução China/EUA, em cartaz na Prime Vídeo, direção do
veterano cineasta dinamarquês Bille August, com roteiro assinado por Greg
Latter e Mabel Cheung, falado em mandarim, inglês e japonês. Embora tenha sido
produzido em 2017, só agora chega ao streaming. Ainda bem, pois é um excelente
drama de guerra baseado em fatos reais ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial. Depois que os japoneses
atacaram Pearl Harbor, em dezembro de 1941, os Estados Unidos entraram no conflito
e resolveram bombardear Tóquio em retaliação. Um desses aviões, depois da
missão cumprida, tentou voltar para o porta-aviões mas ficou sem combustível e
acabou caindo na província chinesa de Zhejiang. Bom lembrar que o Japão era
inimigo da China, à qual havia invadido e vinha realizando as piores atrocidades há
anos. O filme é centrado no personagem do piloto Jack (Emile Hirsch), que foi
salvo e depois tratado pela jovem viúva chinesa Ying (Liu Yifei), que vive com
a filha Nunu (Li Fangcong) e fabrica seda para sobreviver. A viúva esconde o
militar norte-americano no porão da casa, correndo um grande perigo, pois os
japoneses estão sempre por perto. Não vou contar o resto para não dar spoilers
sobre como terminará a história, mas posso garantir: o filme é ótimo. Claro que
seu maior trunfo, além da história em si, é a direção firme, mas sensível, do
cineasta Bille August, que já nos presenteou com algumas pequenas obras-primas,
entre as quais destaco “Pelle, o Conquistador”, de 1982, que ganhou o Oscar, o
Globo de Ouro e a Palma de Ouro em Cannes, além de “The Best Intentions", de
1991, também premiado com a Palma de Ouro, e “A Casa dos Espíritos”.
sábado, 28 de dezembro de 2024
“O VOO SEQUESTRADO” (“HIJACK ‘93”), 2024,
Nigéria, 1h26m, em cartaz na Netflix, direção de Robert Peters, seguindo
roteiro assinado por Musa Jeffery David. Não torça o nariz só porque o filme é
nigeriano. Digo isso porque já assisti a vários filmes muito bons feitos em Nollywood
– como é chamado o cinema da Nigéria. Saiba também que a Nigéria é o segundo
maior produtor de filmes do mundo, perdendo apenas para a Índia (Bollywood) e
superando os Estados Unidos (Hollywood, claro), em terceiro lugar. “O Voo
Sequestrado” relembra um fato real ocorrido em 1993. No dia 25 de outubro daquele
ano, quatro jovens ligados ao MAD (Movimento para a Atualização da Democracia) sequestram
o avião da Nigeria Airways que levantou de Lagos com destino à capital Abuja.
Os sequestradores queriam chamar a atenção do mundo para a situação política da
Nigéria, com abusos dos direitos humanos e corrupção governamental, além de exigirem
a renúncia do general Ibrahim Babangida, o então ministro da Defesa. A intenção
era desviar o voo para Frankfurt, na Alemanha, mas antes o avião teve que fazer
um pouso forçado para abastecer no aeroporto de Niamey, no país vizinho Níger.
Aqui se desenrolam as negociações entre os sequestradores, o governo do Níger e
da Nigéria. Não vou dar spoilers sobre o que acontece no desfecho, pois
acredito que são poucos os que se lembram dessa história. Trocando em miúdos, o
filme é muito bom, mantém uma tensão constante do começo até o final. Tem seus
defeitos, mas são poucos e não prejudicam o resultado final. Vale a pena assistir, principalmente para quem tem a curiosidade de conhecer um pouco do cinema de Nollywood.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2024
“TÁR”, 2022,
Estados Unidos, 2h38m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Todd
Field. O filme já começa esquisito, apresentando os créditos completos logo no
início, quando a grande maioria dos filmes os apresenta no final. A história é
centrada na maestrina Lydia Tár (a atriz australiana Cate Blanchett), a
primeira mulher a dirigir a conceituada Orquestra Filarmônica de Berlim. Ao
contrário do que pensei inicialmente, trata-se de um personagem fictício, assim
como o enredo. Lésbica assumida, Lydia exige que seja chamada de “Maestro”. Ela
é casada com a spalla (primeiro violino) da orquestra, Sharon (a atriz
alemã Nina Hoss), mas convive com a fama de ter assediado integrantes femininas
das outras orquestras que dirigiu. Lydia mostra-se prepotente e arrogante, não
apenas nas aulas que ministra em escolas de música, mas também com os músicos
das orquestras. O filme se concentra nos bastidores do trabalho da maestrina,
aliás “maestro”, destacando o estresse de tanta responsabilidade. Realmente, a
vida de maestro não deve ser fácil. Além de estar prestes a lançar um livro de
memórias, Tár ensaia com a Filarmônica de Berlim para a gravação da difícil 5ª Sinfonia
do compositor Gustav Mahler. A música clássica está em toda parte, não só nos
diálogos como em toda a trilha sonora. “Tár” não é um filme para o grande público.
Talvez por isso mesmo tenha sido esnobado nas premiações do Oscar 2023, para o
qual foi indicado em cincos categorias (Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor
Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Fotografia). Além de ser longo, os
diálogos são inteligíveis apenas para músicos profissionais ou alunos de Escola
de Música. Também estão no elenco Sophie Kauer, Noémie Merlant, Mark Strong e
Julian Glover. De qualquer forma, vale conferir a excelente performance da
atriz Cate Clanchett, que antes de filmar estudou regência e piano. Quem curte música clássica certamente vai gostar.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2024
“UMA BELA MANHÔ (“UN BEAU MATIN”), 2023,
França, 1h52m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Mia Hansen-Løve (“A
Ilha de Bergman”, “O Que Está por Vir”). Trata-se de um drama centrado em Sandra Kienzler (Léa Seydoux), uma jovem viúva que trabalha em Paris como tradutora/intérprete
em convenções e congressos. Ela tem uma filha de oito anos e está passando um
momento muito difícil com a doença do pai, George (Pascal Greggory), que sofre
de uma síndrome degenerativa do cérebro, que deixa a pessoa cada vez mais confusa,
debilitada e esquecida, além de uma cegueira psicológica. Ao acompanhar os
problemas do pai e a decisão da família de interná-lo em um asilo, Sandra entra
em depressão e é nesses momentos que aparece o grande talento da atriz Léa
Seydoux, talvez hoje a mais competente do cinema francês, capaz de trafegar
entre dramas eróticos (“Azul é a Cor Mais Quente) e filmes de ação (“Spectre” e
“007 – Sem Tempo para Morrer”). De volta à história: em meio aos problemas do
pai, Sandra reencontra Clément (Malvil Poupaud), ex-amigo do seu marido. Papo
vai papo vem, sofrendo de carência afetiva, Sandra começa a namorar Clément. Só
que tem um problema: ele é casado e tem dois filhos. Mesmo assim, Sandra concorda
em ser sua amante, até que um dia resolve que não quer mais fazer o papel da outra.
Completam o elenco Nicole Garcia, Camille Leban Martins, Sarah Le Picard e Fejria
Deliba. Trocando em miúdos, “Uma Bela Manhã” tem todos os ingredientes do
melhor cinema francês, fazendo jus ao seguinte comentário da principal crítica
do jornal The New York Times, Manohla Dargis: “O filme francês é
maravilhosamente balanceado, persuasivo e comovente”. Sem dúvida, um belo filme
que merece ser visto por quem admira cinema de qualidade. Imperdível”
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
“AGENTE DAS SOMBRAS”
("BLACKLIGHT”), 2022, coprodução Estados Unidos/Austrália/China,
1h48m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mark Williams, que também assina o
roteiro com a colaboração de Nick May. O ator irlandês Liam Neeson ficou mais
conhecido do público depois de interpretar o empresário Oskar Schindler em “A
Lista de Schindler” (1993). Continuou com prestígio depois de, já veterano,
atuar em filmes de ação, principalmente a trilogia de “Busca Implacável”, depois
do qual fez vários filmes de ação. Neste último “Agente das Sombras”, aos 70
anos (hoje está com 72), Neeson dá mostras de que não tem mais a vitalidade de
outrora para filmes do gênero. Está visivelmente alquebrado, sem a mobilidade
de quem precisa correr, dar socos e pontapés. Nesse filme, Neeson é Travis
Block, um agente do FBI prestes a se aposentar. Sob a supervisão direta de
Gabriel Robinson (Aidan Quinn), diretor do FBI, Travis sempre agiu nas sombras,
ajudando a salvar agentes em perigo ou com algum trauma de trabalho. A história
de “Agente das Sombras” começa com o assassinato de uma jovem militante
política que resolveu enfrentar o sistema, denunciando corrupção e a
participação do governo em planos para eliminar opositores políticos.
Resultado: acabou assassinada. O jovem agente Dusty Crame (Taylor John Smith),
revoltado com a morte da moça, decide procurar a jornalista investigativa Mira
Jones (Emmy Baver-Lampman) para denunciar uma tal Operation United como
responsável pela morte da jovem militante. Dusty também terá destino igual e
Travis acaba descobrindo que tudo é obra justamente do FBI, assim como o
desaparecimento de sua filha e de sua neta. Com a ajuda da jornalista, Travis
irá atrás dos responsáveis. Embora tenha algumas boas cenas de ação, “Agente
das Sombras” não é “aquele” filme que mereça uma recomendação entusiasmada, mas
também não chega a ser totalmente decepcionante.
“BATALHÃO 6888” (“THE SIX
TRIPLE EIGHT”), 2024, Estados Unidos, 2h07m, em cartaz na
Netflix, roteiro e direção de Tyler Perry (“Madea”, “Divórcio em Família”).
Mais uma história da fonte inesgotável de histórias ocorridas durante a Segunda
Guerra Mundial e adaptadas para o cinema. Dessa vez, uma história pouco conhecida
por aqui, ou seja, a formação do primeiro batalhão de mulheres negras do
exército norte-americano. Comandadas e treinadas pela capitã Charity Adams (Kerry
Washington, ótima), 855 mulheres foram enviadas para a Inglaterra com a difícil
– e quase impossível – missão de selecionar, separar e enviar 17 milhões de
cartas esquecidas e armazenadas na cidade inglesa de Birmingham. Parte dessas
cartas havia sido escrita pelas famílias dos soldados que estavam no front
europeu e outra parte escrita pelos soldados com destino às suas famílias. O
maior objetivo dessa tarefa era levantar o moral dos soldados norte-americanos
com notícias de seus familiares, assim como estes receberem notícias de seus
entes queridos envolvidos na guerra. Para resumir a história, as mulheres do intitulado
“6888º Batalhão do Diretório Postal Central” conseguiram cumprir sua missão em
apenas três meses, ou seja, muito antes do estipulado. O filme destaca o forte
racismo existente na época, o que fez muitos acreditarem que as mulheres negras
não conseguiriam executar sua tarefa. Pois mesmo com esse incrível feito, elas
nem sequer receberam qualquer homenagem quando voltaram ao seu país e a
história de sua vitoriosa missão ficou escondida até agora. Também estão no
elenco Ebony Obsidian, Sarah Jeffery, Oprah Winfrey, Shanice Williams, Dean
Norris (da série Breaking Bad), Sam Waterston e Susan Sarandon, esta última irreconhecível como Eleanor
Roosevelt, mulher do presidente. O filme é uma superprodução digna de Hollywood,
com centenas de figurantes e uma primorosa recriação de época. Para coroar, o
espectador ainda poderá conhecer, durante os créditos finais, alguns personagens reais que viveram aquela
incrível história. Imperdível!
sábado, 21 de dezembro de 2024
“O TREM ITALIANO DA FELICIDADE”
("IL TRENO DEI BAMBINI”), 2024, Itália, 1h45m, em cartaz na
Netflix, direção de Cristina Comencini, seguindo roteiro assinado por Giulia
Calenda, Furio Andreotti e Camille Dugay Comencini. Importante destacar o
contexto histórico no qual o filme é baseado. Cidades do sul da Itália, mais
afetadas pela Segunda Guerra Mundial, apresentavam um cenário de miséria
absoluta. Em 1946, o Partido Comunista Italiano, em conjunto com a União das
Mulheres Italianas (Unione Donne Italiane), teve a ideia de enviar as crianças
do sul para Milão e outras cidades do norte do país não tão atingidas pelas
consequências do conflito. Dessa forma, de 1946 até 1952, 70 mil crianças foram
levadas para o norte em trens especiais reservados para elas pela Rede
Ferroviária Nacional. O plano, executado com sucesso, previa o retorno das
crianças seis meses depois, quando deveriam estar melhor de saúde e bem de saúde. Toda essa
história foi contada em dois livros: “Crianças da Guerra: A História sobre o Trem Italiano da Felicidade", de Viola Ardone, e “Il Treni Della Felicitá.
Storie Di Bambini in Viaggio Tra Due Italie”. Foi nos relatos de ambos que os
roteiristas criaram o filme, cuja história é centrada no personagem fictício de Amerigo
Speranza (Christian Cervone), de 7 anos, enviado por sua mãe para Milão. Aqui,
ele foi acolhido por uma família ligada ao partido comunista. Tão fanáticos que
seus três filhos se chamavam Revo, Lucio e Nario. Amerigo se adaptou bem à
família, principalmente ao pai, que gostava de tocar violino, instrumento que
Amerigo aprendeu a tocar e que o levaria, no futuro, ao posto de maestro de uma
importante orquestra. Completam o ótimo elenco Serena Rossi, Barbara Ronchi,
Stefano Accorsi, Francesdo Di Leva, Antonia Truppo e Nunzia Schiano. Embora o
contexto seja dramático, o filme consegue ser leve principalmente por colocar as
crianças como personagens principais, vítimas inocentes de um conflito que não
entendiam. Enfim, “O Trem Italiano da Felicidade” é um filme sensível e comovente, ao mesmo
tempo poderoso e impactante. Não perca!
quarta-feira, 18 de dezembro de 2024
“BECO DO PESADELO” (“NIGHTMARE
ALLEY”), 2021, Estados Unidos, 2h31m, em cartaz na Prime Vídeo, direção
do cineasta mexicano Guillermo Del Toro, com roteiro assinado por Kim Morgan. A
história é baseada no romance “Nigthtmare Alley”, escrito em 1946 por William
Lindsay Gresham. Como cinéfilo amador, sempre fico atento às novidades e
lançamentos, e, portanto, não sei dizer como deixei de ver esse filme
maravilhoso, que recebeu 4 indicações ao Oscar de 2022: Melhor Filme, Melhor
Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. Não levou nenhuma estatueta,
mas é um grande filme. O elenco é um luxo. Só para citar os nomes principais:
Bradley Cooper, Toni Collette, Rooney Mara, David Strathairn, Cate Blanchet,
Willem Dafoe, Mary Steenburgen, Ron Perlman e Richard Jenkins. Vamos à
história: no final dos anos 30 do século passado, em plena recessão econômica nos
EUA, o malandro Stanton Carlisle (Bradley Cooper) foge de um passado tenebroso
e vai parar num circo itinerante, onde consegue emprego. Ele se entusiasma com o número de
mediunidade apresentado por Pete Krumbeim (Strathairn) e sua mulher Zeena
(Collette). Com Pete e Zeena ele aprende os truques do show que é um dos mais
requisitados pelo público. Disposto a ganhar dinheiro, Stanton parte para Nova
Iorque com sua namorada Molly (Rooney Mara), que também trabalhará como sua
assistente de palco. Num golpe de sorte, Stanton conhece Lilith Ritter
(Blanchet), uma refinada e conhecida psicóloga cujos pacientes, em sua maioria,
são figuras da alta sociedade e muito ricos. Em associação com Lilith, Stanton,
agora “O Grande Stanton”, arrasta multidões para suas apresentações mediúnicas
e consegue algumas consultas particulares com gente da alta sociedade. O
dinheiro chega fácil, mas as consequências da enganação chegarão logo. Não
apenas pela história em si ou pelo maravilhoso elenco, o filme se destaca também pela
primorosa fotografia e pela espetacular recriação de época. Enfim, mais uma
verdadeira aula de cinema do diretor Guillermo Del Toro, que já havia nos
presenteado com filmes que se transformaram em verdadeiros clássicos, como “O
Labirinto do Fauno”, “A Espinha do Diabo”, indicado ao Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro em 2006, além de “A Forma da Água”, pelo qual conquistou o Oscar em
2017 como Melhor Diretor. Se você gosta de cinema de alta qualidade, não deixe
de assistir “O Beco do Pesadelo”.
domingo, 15 de dezembro de 2024
“A VIRGEM VERMELHA” (“LA
VIRGEN ROJA”), 2024, Espanha, 1h54m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Paula Ortiz, seguindo roteiro assinado por Eduard Sola e
Clara Roquet.. A história, baseada em fatos reais, é centrada na jovem
Hildegart Rodríguez Carballeira (Alba Planas), que, no início dos anos 30 do século passado, surgiu no campo literário espanhol como uma escritora à frente
do seu tempo. Com apenas 18 anos, ela já havia escrito vários livros sobre a
sexualidade feminina, tornando-se um ícone precoce do feminismo e da revolução
sexual – seus livros mais conhecidos são “Sexo e Amor” e “A Rebeldia Sexual da
Juventude”. Também foi uma ativista política, militante do Partido Socialista
Operário Espanhol. Todo esse contexto de liberdade não condiz com a educação
autoritária da mãe (Najwa Nimri), que em nenhum momento revelou à filha quem
era seu pai biológico – um segredo guardado a sete chaves, apenas revelado ao
espectador. As atitudes abusivas da mãe autoritária acabarão tolhendo a
liberdade de ir e vir da garota, que um dia finalmente se rebela depois de
conhecer o jovem Abel Vilella (Patrick Criado), militante do partido
socialista. A relação conflituosa entre mãe e filha é o fio condutor da
história, e aqui deve ser destacado o excelente desempenho das atrizes Alba
Planas, Najwa Nimri e Aixa Villagrán, esta última como a empregada da casa e
confidente de Hildegart. Trocando em miúdos, “A Virgem Vermelha”, filme lançado durante
o 72º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, é um dos melhores
lançamentos da Prime este ano. Não perca!
sábado, 14 de dezembro de 2024
“CIDADE DE ASFALTO” (“ASPHALT
CITY”), 2023, Estados Unidos, 2h4m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção do cineasta francês Jean Stéphane Sauvaire (“Johnny Mad Dog”), seguindo
roteiro assinado por Ben Mac Brown e Ryan King. A história toda é baseada no
livro “Black Flies”, escrito em 2008 por Shannon Burke. Se você está infeliz no
seu emprego e estressado é porque não assistiu a esse suspense, que mostra o
trabalho dos paramédicos – socorristas, aqui no Brasil – em Nova Iorque. O
personagem central é o jovem Ollie Cross (Tye Sheriden), que ingressa no grupo de
paramédicos enquanto se prepara para tentar o seu grande sonho, a faculdade de
medicina. Novato no trabalho, ele é escalado para o turno da noite/madrugada, e
como parceiro conta com o experiente Gene Rutkovsky (Sean Penn), que será o seu
tutor por um bom tempo. O trabalho não é fácil, principalmente quando são
chamados para atender emergências em bairros perigosos, como é o caso de
Brownsville, no Brooklyn. Aqui, a maioria dos atendimentos refere-se a feridos
em confronto de gangues, vítimas de overdose e outras ocorrências que nem
sempre terminam bem. A rotina estressante é apresentada no filme de forma bastante
realista, fazendo com que o espectador se sinta participante das cenas. Também
participam do elenco Michael Pitt (sempre em papéis de personagens
desagradáveis), Kali Reis, Raquel Nave, Katherine Waterston e Mike Tyson. Isso
mesmo, o grande lutador de boxe, que no filme desempenha o papel de chefe da
equipe de paramédicos. E olha que ele trabalhou direitinho. A primeira exibição
de “Cidade de Asfalto” aconteceu no Festival de Cannes 2023, mas a recepção por
parte dos críticos e do público não foi muito satisfatória. Eu gostei e
recomendo.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2024
“TRÊS MULHERES – UMA ESPERANÇA”
(“LOST TRANSPORT”), em cartaz na Prime Vídeo, 2022, coprodução Holanda/Luxemburgo/Alemanha,
1h45m, roteiro e direção de Saskia Diesing, cineasta
alemã radicada na Holanda. A história, baseada em fatos reais, é ambientada na
primavera de 1945, nos estertores da Segunda Guerra Mundial. Como último
esforço de guerra, os nazistas tentaram transportar judeus da Bélgica, Holanda
e Polônia aprisionados no campo de concentração da Baixa Saxônia para o
interior da Alemanha. O objetivo era utilizar esses prisioneiros como moeda de
troca por soldados alemães presos pelo exército russo. No total, foram três
comboios, mas um deles não chegou ao seu destino, sendo abandonado perto do
vilarejo de Tröbitz. Ao mesmo tempo, tropas do exército russo chegavam à região
tentando organizar o problema, ou seja, garantir a sobrevivência dos judeus
libertados do comboio. A população alemã de Tröbitz foi obrigada a acolher e
alimentar os antigos prisioneiros em suas próprias casas. É nesse momento que uma
improvável amizade acontece entre três mulheres: a alemã Winnie (Anna
Bachmann), a oficial russa Vera (Eugénie Anselin) e a judia holandesa Simone
(Hanna Van Vliet). Winnie mora na casa em que se hospedam a judia e a oficial
russa. É justamente a relação entre essas mulheres que o roteiro coloca como
fio condutor da história. Embora o filme, falado em holandês, alemão e russo, adote
um tom dramático de novelão, vale a pena assisti-lo não só pelo fato histórico
relatado e pouco conhecido por aqui, mas também pela primorosa ambientação de
época.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2024
“A INFORMANTE” (“WINNER”),
2024, coprodução Canadá/EUA, 1h52m, em cartaz na HBO Max, direção de Susanna
Fogel, que também assina o roteiro juntamente com Kerry Howley. Grata surpresa
este drama baseado em fatos reais. Depois de ter sido militar na Força Aérea
dos Estados Unidos, a jovem Reality Winner (Emilia Jones, ótima) foi trabalhar
como analista no Serviço de Inteligência da Agência de Segurança Nacional. Em 1916
ela foi acusada de vazar informações sobre a interferência russa nas eleições presidenciais
norte-americanas naquele ano, sendo presa pelo crime de traição à pátria. Quem
conviveu com a família da moça certamente adivinhou esse desfecho, pois Reality,
a exemplo do pai Ron (Zach Galifianakis), cresceu como ativista e defensora do
meio ambiente, dos direitos humanos, da justiça social e da democracia. Ou
seja, uma mulher politicamente correta. Também estão no elenco Connie Britton, Danny Ramirez e Kathryn Newton. O roteiro não deixou o filme descambar
para um drama, pois adotou um tom mais leve e bem humorado, diluindo a
gravidade dos eventos retratados, tornando o filme mais acessível e menos
impactante. Talvez este seja o único defeito do filme, já que a história
merecia um tratamento mais sério como drama político. De qualquer forma, “A Informante” consegue captar
a atenção do espectador do começo ao fim. Não perca.
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
“ECOS DO PASSADO” (“KALÁVRYTA 1943”), 2021,
Grécia, 1h39m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Nicholas Dimitropoulos, que
também assina o roteiro com Dimitrios Katsantonis. Dois motivos especiais me
motivaram a assistir a este filme grego. Primeiro, o fato histórico retratado,
baseado em fatos reais, ou seja, o massacre, por parte dos soldados nazistas,
contra a população do vilarejo de Kalávryta, em 1943. Segundo motivo é relativo
à presença no elenco do grande ator sueco Max Von Sydow neste que foi seu
último filme de uma longa carreira vitoriosa. Ele faleceu pouco depois do término das
filmagens. “Ecos do Passado” é filmado em flashbacks, contando com grande
realismo o que aconteceu no pequeno vilarejo grego. Em retaliação à morte de
soldados nazistas, o comandante do exército alemão que ocupava a Grécia ordenou
que a população local fosse totalmente dizimada. Ao final, centenas de pessoas
foram mortas. No tempo presente, o filme é centrado na advogada Caroline Martin
(Astrid Roos), que representa o governo alemão contra as reivindicações gregas
por indenização pelo massacre de Kalávrita. Caroline viaja à Grécia para
investigar o caso e encontra o único sobrevivente masculino daquela tragédia, o
escritor Nikolaos Andreou (Max Von Sydow). É o próprio Nikolaos que narra a
história, relembrando o que aconteceu. Caroline não tinha ideia das atrocidades
praticadas pelos soldados alemães e se emociona com o relato. Sob o ponto de vista histórico, o filme é
ótimo, pois revela um caso pouco conhecido pelo grande público. Trata-se de uma superprodução do cinema grego, considerado o filme mais caro dos últimos anos. Trocando em miúdos,
“Ecos do Passado” é obrigatório, poderoso e realista como poucos.
Imperdível!
terça-feira, 3 de dezembro de 2024
“JOY”, 2024,
Inglaterra, 1h55m, em cartaz na Netflix, direção de Ben Taylor (“Sex Education”),
seguindo roteiro assinado por Jack Thorne, Rachel Mason e Emma Gordon. O filme
é baseado em fatos reais que culminaram no nascimento do primeiro bebê in
vitro, que depois ficaria conhecido popularmente, no mundo inteiro, como bebê de proveta. A história começa em 1968, em Cambridge e
depois em Bristol, quando o cientista Robert Edwards (James Norton), a
enfermeira e embriologista Jean Purdy (Thomasin McKenzie) e o ginecologista Patrick
Steptoe (Bill Nighy) começaram a pesquisar um processo envolvendo a combinação
de óvulos e espermatozóides em um ambiente laboratorial, fora do corpo da
mulher. O filme acompanha passo a passo todas etapas do trabalho do trio, as
pesquisas com mulheres inférteis, a violenta oposição dos religiosos, que
chamavam Edwards de “Dr. Frankestein”, e a perseguição incessante da imprensa
inglesa. O primeiro bebê de proveta somente nasceria em 1978, fato alardeado no mundo inteiro como um grande avanço da
ciência. Louise Joy Brown, o bebê, hoje aos 46 anos, continua viva e saudável. Embora
o filme seja muito interessante como registro histórico, o espectador comum talvez
tenha dificuldade de entender a linguagem técnica utilizada em muitos diálogos.
Eu passei batido em vários. Certamente o pessoal da área médica terá mais
facilidade de acompanhar os acontecimentos, principalmente no que se refere às
pesquisas. Para as novas gerações, que talvez não imaginem como nasceu a
fertilização in vitro, “Joy” é bastante esclarecedor.
domingo, 1 de dezembro de 2024
“TIGRES E HIENAS” (“TIGRES Y HIÈNES”),
2024,
França, 1h49m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jérémie Guez, que também
assina o roteiro com a colaboração de Louis Lagayette. Não é de hoje que o
cinema francês tem nos ofertado ótimos filmes de ação, alguns deles do próprio Jérémie
Guez, como “Asfalto de Sangue” e “Ligados pelo Sangue”, entre outros. O cineasta francês
volta ao submundo do crime em Paris para desenvolver a história de “Tigres e
Hienas”. Quando soube que seu padrasto Serge (Vincent Pérez), um conhecido
assaltante de bancos, foi preso novamente, o jovem Malik (Waël Sersoub) retorna
da Espanha para Paris para saber o que aconteceu e também para dar apoio para a
mãe. Serge foi preso juntamente com outros três assaltantes, um deles Chérif
Zhaoui (Omar Salim). Durante o julgamento da quadrilha, a advogada Irís
(Géraldine Nakache), defensora de Chérif, faz uma proposta maluca e improvável
para Malik: em troca da liberdade de seu padrasto, ele terá que planejar e praticar
um audacioso assalto e ainda participar de um plano para libertar os presos que
estão sendo julgados. Como deve sua vida ao padrasto, quando este o livrou da
morte quando era apenas um adolescente, Malik topa a empreitada, devendo recrutar,
para isso, alguns marginais indicados pela advogada. Completam o elenco Olivier Martinez, Evelyne El Garby Klaï, Samir Guesmi, Cassandra Cano e Sofiane Zermani. Recomendo que você não ligue tanto para o conteúdo um tanto inverossímil da história, mas sim para as sequências de
ação, algumas delas de tirar o fôlego. Importante destacar que a maioria dos
personagens – como também os atores que os interpretam – são de origem árabe e
africana. Ou seja, a participação de imigrantes na vida francesa, para bem e
para o mal, está cada vez maior.
“SUBMISSÃO” (“ALICE:
SUBSERVIENCE”), 2024, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de S.K. Dale (Scott Dale), seguindo roteiro assinado por
Will Honley e April Maguire. O filme explora, com muita competência, um tema da
maior atualidade: a Inteligência Artificial. O roteiro mistura ficção científica,
suspense, terror e erotismo. A história acontece num futuro difícil de afirmar se
é próximo ou longínquo - mas sabemos que vai chegar. Enquanto sua esposa Maggie
(Madeline Zima) permanece internada num hospital à espera de um transplante de
coração, seu marido Nick (Michele Morrone) resolve adquirir uma androide (Megan
Fox) para executar os serviços domésticos e de babá dos filhos do casal. Aliás,
foi Isla (Mathilde Firth), a filha mais velha, que escolheu o nome da sua babá
robô: Alice. A partir da chegada de Alice na casa o espectador mais atento logo
percebe que a androide e seu dono vão acabar tendo um caso. Mas como, se ela é
um robô, que imaginamos sem sentimentos? Nada é impossível para Hollywood. Quando Maggie volta para casa,
depois do transplante, a harmonia da família acaba indo (literalmente) escada
abaixo. Nick terá que administrar a confusão para salvar a família de uma tragédia.
O filme garante um bom suspense e muitas cenas eróticas. Pelo desfecho já dá para prever que vem uma sequência logo logo. A bela Megan Fox, é
claro, arrasa como a robô erótica, num de seus papeis mais difíceis. O ator
italiano Michele Morrone, o garanhão de “365 Dias”, também não destoa, neste
que é seu primeiro filme nos States. Trocando em miúdos, “Submissão” é um
entretenimento de primeira, mas é bom dar um alerta: tirem as crianças da sala.
terça-feira, 26 de novembro de 2024
“TRANSMITZVAH”, 2024,
Argentina, 1h42m, em cartaz na Netflix, direção de Daniel Burman (“Ninho Vazio”,
“O Décimo Homem”), que também assina o roteiro com Ariel Gurevich. Divulgado
como uma comédia, longe disso, “Transmitzvah” é um drama com muita música que tem
como pano de fundo a tradição judaica. Se tivesse partido para a comédia, o
filme certamente seria muito melhor e não tão decepcionante. Começa o filme e temos uma
família de judeus ortodoxos sentada para jantar e anunciar que o seu filho
Rubén (Milo Burgess-Webb), de 12 anos, participará em breve do seu Bar Mitzvah,
cerimônia de passagem para a vida adulta. Só que a passagem foi outra. Rubén
anunciou que dali em diante seria Mumy, ou seja, uma menina. E, portanto, sem
Bar Mitzvah. A história dá um salto de vinte anos e agora Mumy é a cantora
trans Mumy Singer (Penélope Guerrero, de “Sky Rojo”, “Nacho” e “Vestidas de
Azul”), que faz enorme sucesso pelo mundo afora cantando músicas pop em
iídiche, língua falada pelos judeus no mundo inteiro. Ao retornar à Argentina -
ela estava morando na Itália -, para
fazer shows e rever os pais e o irmão mais velho Eduardo (Juan Minujín,
de “Golpe Duplo” e “Dois Papas”), Mumy resolve procurar um rabino que
concorde em fazer o seu Bar Mitzvah. No fim, os irmãos viajam para a Espanha em busca de um guru - e aí o filme descamba realmente para o desastre. Recheado de números musicais e coreografias
com bailarinos – o que me fez lembrar dos filmes indianos que abusam daquelas
irritantes danças coletivas – e uma história um tanto mirabolante e pouco
convidativa, “Transmitzvah” se arrasta em ritmo lento, o que faz com que a
1h42m pareça muito mais. O consagrado diretor Daniel Borman desta vez pisou em la pelota.
domingo, 24 de novembro de 2024
“VENCER OU MORRER” (“VENCER O
MORIR”), 2024, Chile, minissérie baseada em fatos reais de 8 episódios em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Rodrigo Sepúlveda e Gabriel Díaz, com roteiro de Josefina
Fernández, Mauricio Dupuis e Francesca Bernardi. Dez anos após o golpe militar
desfechado contra o presidente Salvador Allende, um grupo de jovens resolve
fundar a Frente Patriótico Manuel Rodríguez (FPMR) para lutar contra a ditadura
do General Augusto Pinochet. A FPMR atuava sob a orientação do partido
comunista chileno, que indicava os atentados que deveriam ser efetuados contra a
ditadura, mas o planejamento e a execução eram de responsabilidade dos jovens.
A minissérie destaca a atuação no grupo guerrilheiro da professora de
sociologia Cecília Magni Camino (a ótima Mariana Di Girolamo), que ingressou na
FPMR como soldado e logo atingiu o posto de comandante, sob o pseudônimo de
Tamara. Acima dela estava o comandante Rodrigo (o ator uruguaio Nicolás
Furtado), guerrilheiro mais experiente por ter lutado pela causa comunista em
outros países. O grupo terrorista era perseguido pelos agentes da Central
Nacional de Informações (CNI), comandados pelo violento comissário Bareta
(Gabriel Urzúa). Depois de vários atentados, incluindo o sequestro de um
general de alta patente, o FPMR resolveu planejar o assassinato do próprio Pinochet.
Quem conhece um pouco essa história saberá o seu final, mas deixo a surpresa
para quem não conhece. Não tenho dúvida em apontar a minissérie chilena como uma das melhores do
ano, bastante movimentada, roteiro bem elaborado e uma primorosa ambientação de
época, na qual se destacam os cenários, os figurinos e a trilha sonora. “Vencer
ou Morrer” – o grito de guerra da FPMR – é um registro histórico da melhor
qualidade. Imperdível!
quinta-feira, 21 de novembro de 2024
“APENAS CORRA” (“RUN RABBIT
RUN”), 2023, Austrália, 1h40m, em cartaz na Prime Vídeo, direção
de Daina Reid (das séries “Iluminadas” e “O Conto da Aia”), seguindo roteiro
assinado por Hannah Kent. A tradução literal do título original é “Foge Coelho
Foge”, que também vi em outro material de divulgação. Trata-se de um misto de
suspense e terror sobrenatural, com a vantagem de não ter efeitos especiais, o que garante maior credibilidade. A
história é centrada na médica Sarah (Sarah Snook), uma mulher divorciada mãe da
pequena Mia (Lily Latorre). Aos poucos, a menina começa a apresentar um
comportamento estranho, dizendo ser alguém que jamais conheceu. Em vez de
consultar algum psiquiatra ou psicólogo para diagnosticar o que se passa com sua filha, Sarah mostra
uma atitude muito passiva, mesmo depois que Mia começa a sangrar pelo nariz.
Ora, qualquer mãe teria levado a filha para ser examinada, fazer uma tomografia.
Sarah, porém, começa a apresentar um comportamento também estranho, que, logo o
espectador irá saber, tem tudo a ver com seu passado. Até que o filme mantém um
clima de tensão bastante acentuado, garantindo o suspense necessário para levar
o espectador a esperar alguma revelação bombástica, o que realmente acontece
perto do desfecho. A atriz australiana Sarah Snook se destaca no elenco,
comprovando sua competência consagrada na série “Succession”, pela qual ganhou
2 Globos de Ouro e também um Emmy. Outro destaque no elenco é a presença de
Greta Scacchi, que já foi uma das atrizes mais bonitas do cinema – e uma das
minhas divas. Em respeito justamente à antiga beleza da atriz, hoje com 64 anos, a diretora mostrou Greta entre sombras. Trocando em miúdos, “Apenas Corra” garante uns bons sustos, não
muito mais que isso.
terça-feira, 19 de novembro de 2024
“O HOMEM QUE AMAVA OS DISCOS
VOADORES” (“EL HOMBRE QUE AMABA A LOS PLATOS VOLADORES”), 2024,
Argentina, 1h47m, em cartaz na Netflix, direção de Diego Lerman, seguindo
roteiro assinado por Adrián Biniez. Na base da sátira bem-humorada, o filme
relembra os fatos reais que envolveram, em 1986, o jornalista e apresentador de
TV José Bernardo Kerzer, cujo nome artístico era José de Zer. Interpretado pelo
ator Leonardo Sbaraglia, o jornalista ficou famoso na Argentina depois que seu
programa alcançou picos de audiência ao explorar o tema “Não Estamos Sozinhos”.
Tudo começa quando José de Zer recebe uma dica de pauta nos pampas argentinos,
próximo ao vilarejo La Candelaria, na província de Córdoba. Aqui, os habitantes
descobrem um círculo perfeito desenhado na mata que mobilizou toda a população
do vilarejo. Enquanto cobre o evento misterioso, o jornalista tem a ideia de
explorar a hipótese de uma aeronave alienígena ter pousado naquele local,
lançando a teoria de que os alienígenas teriam visitado a Argentina. Com
entrevistas forjadas e encenações bizarras, o jornalista exibe várias
reportagens que alavancam a audiência de seu programa, transformando-o numa
celebridade nacional. Audiência que aumentaria ainda mais após um acidente
envolvendo o jornalista. Depois de assistir ao filme fiquei em dúvida se tudo
isso aconteceu mesmo ou o roteiro aumentou a dose. Em todo caso, vale a pena
assistir, pois trata-se de mais um ótimo e interessante filme argentino. Ainda
mais pela presença impecável de Leonardo Sbaraglia, ator de filmes como “Relatos
Selvagens”, “Puan”, “No Fim do Túnel” e “Plata Quemada”, entre outros clássicos.