“KING –
UMA HISTÓRIA DE VINGANÇA” ("MESSAGE FROM THE KING”), 2016, coprodução
Inglaterra/França/Bélgica, 1h42m, disponível na Netflix, direção do cineasta
belga Fabrice Du Welz, com roteiro de Stephen Cornwell e Oliver Butcher. Trata-se
de um suspense de ação cuja história é toda centrada em Jacob King (Chadwick
Boseman, o “Pantera Negra”), que viaja da África do Sul, sua terra natal, para
Los Angeles com o objetivo de encontrar a irmã caçula Bianca (Sibongile
Mlambo). King havia sido informado de que Bianca estava com problemas ligados
ao tráfico de drogas e prostituição em Los Angeles. Ao chegar em LA, King
procurou por todo lado e, depois de alguns dias, só encontrou a irmã na mesa
fria de um necrotério, com o corpo totalmente mutilado. King resolve investigar por conta própria até chegar a uma turma da pesada, envolvida com
pornografia, exploração de sexo infantil, prostituição e tráfico de drogas. No
meio deles, um importante dentista da cidade e um político corrupto em campanha.
Aí a coisa vai pegar, pois King é bom de briga (pertenceu a uma famosa e
violenta gangue de delinquentes que metia medo na população de Joanesburgo) e,
enquanto não caçar um por um dos assassinos de sua irmã, não voltará para o seu
país. O filme não traz muita coisa de novo, tem os clichês de sempre que
caracterizam todas aquelas histórias de vingança. A única surpresa está
destinada para o desfecho, quando King chega de volta ao seu país. Completam o
elenco Teresa Palmer, Luke Evans, Alfred Molina e Natalie Martinez. Resumo da
ópera: “King” tem bastante ação, tiros e muita pancadaria, bem ao gosto de quem
curte um bom entretenimento com um saco de pipoca do lado. Dá para ver numa boa.
sábado, 27 de junho de 2020
sexta-feira, 26 de junho de 2020

quinta-feira, 25 de junho de 2020
Talvez esteja enganado, mas não
lembro de já ter assistido a algum filme policial israelense. “SUICÍDIO” (“ITSEMURHA:
HITABDUT”) deve ter sido o primeiro. E não me decepcionou. A produção é
de 2014 – está disponível na plataforma Netflix-, tem 1h53m de duração e foi escrito
e dirigido por Benny Fredman, estreando como cineasta de longas. A história é
centrada no empresário Oded (Rotem Keinan), endividado até o pescoço e, pior,
deve muito dinheiro para Muki (Igal Naor), um agiota da pior espécie, que
costuma cobrar seus devedores com torturas e ameaças às suas famílias - e até algumas mortes no percurso. Para
pagar suas dívidas e salvar a família da vingança de Muki, Oded planeja sua
própria morte para que sua esposa Dafna (Mali Levi) receba o seguro de vida e pague
ao agiota. Quando Oded aparece queimado e morto depois de um incêndio em sua
loja, a polícia começa a investigar o que realmente aconteceu. O mistério fica
ainda maior depois que os legistas descobrem que Oded morreu depois de
levar um tiro, à primeira vista suicídio. Detida na cena do crime, Dafna é levada para a delegacia e
interrogada pelo detetive Romi Dor (Dro Keren). Ela logo é considerada
suspeita, já que a questão do seguro de vida a receber é descoberta pela
polícia. Até o desfecho, muita coisa acontece, num clima de tensão e muito
suspense que segue em bom ritmo, valorizado pela inclusão no roteiro de algumas
surpreendentes reviravoltas. Além disso, tem a presença da bela e competente atriz israelense Mali Levi, o que já vale a entrada. Recomendo sem dourar muito a pílula.
quarta-feira, 24 de junho de 2020
“PRESSÁGIO”
(“LA CORAZONADA”), 2020, Argentina, produção Netflix, 1h56m, roteiro e direção
de Alejandro Montiel. Bom suspense policial cuja história é baseada no romance “La
Virgen en Tus Ojos”, da escritora Florencia Etcheves, que também colaborou no roteiro.
O filme já começa com dois assassinatos. O de um rapaz que acabou da sair da
cadeia depois de cumprir pena pelo assassinato da esposa de um policial e de
uma jovem cujo pai é um grande empresário do ramo de supermercados. Os casos
são entregues para a equipe do inspetor Francisco Juanez (Joaquín Furriel), cujas
atitudes misteriosas parecem guardar algum segredo. Juanez conta com dois
assistentes diretos, um deles a detetive novata Manoela “Pipa” Pelari (Luisana
Lopilato), recém-integrada à equipe. Enquanto as investigações evoluem, o
promotor Roger (Rafael Ferro), da corregedoria de polícia, recebe informações
de que Juanez pode ter assassinado o rapaz, já que sua vítima era justamente a
esposa de Juanez. Caberá justamente a “Pipa” Pelari a missão de também investigar,
em segredo, as atitudes do seu chefe. Daí até o desfecho, muita tensão,
suspense e algumas reviravoltas. A boa atuação da atriz argentina Luisana Lopilato - na vida real casada desde 2011 com o cantor norte-americano Michael Buble desde
2011-, dá credibilidade à personagem da detetive Pelari, com sobriedade e sem
afetações. Trocando em miúdos, “Presságio” certamente agradará quem curte o gênero
policial, principalmente pelo roteiro bem elaborado, situações convincentes e
pela estética “noir” sempre bem-vinda. Desde que estreou na Netflix, em 28 de maio de 2020,
é o suspense mais assistido do ano até agora na plataforma.
segunda-feira, 22 de junho de 2020
“A
TERRA E O SANGUE” (“LA TERRE ET LE SANG”), 2020, França, 1h20m. Quem
assima o roteiro e a direção é Julien Leclercq. Disponível na Netflix desde 18
de abril de 2020, a ação de “A Terra e o Sangue“ começa logo na abertura, quando
quatro assaltantes roubam uma grande quantidade de cocaína de uma delegacia de
polícia. A droga pertencia ao traficante Adama (Erik Ebouaney), que conseguiu
escapar quando da apreensão da cocaína. Erik não teve nada a ver com o roubo da delegacia e, quando soube que
haviam levado a cocaína, partiu atrás dos responsáveis. Resumindo: a droga
acaba escondida na serralheria de Said (o ator franco-tunisiano Sami Bouajila),
levada por um de seus funcionários, Yanis (Samy Seghir), irmão de um dos
assaltantes da delegacia. Por uma razão que não vou adiantar, a gangue de Adama
descobre o paradeiro da cocaína e a ação passa a se concentrar na serralheria,
onde Said está com a filha deficiente auditiva (Sofie Lesaffre). A partir daí,
o suspense rola solto, Said tentando se defender sozinho dos invasores, inclusive
utilizando alguns equipamentos da serralheria. Mesmo sendo um filme que prende
a atenção até o final, não é o melhor do cineasta Leclerck, um especialista em
filmes de ação, alguns muito bons, como “Gibraltar” e “Carga Bruta” (ambos
comentados aqui no blog). Em todo caso, dá para assistir numa boa.
domingo, 21 de junho de 2020
“WASP
NETWORK – REDE DE ESPIÕES” (“WASP NETWORK”), 2019, coprodução
França/Espanha/Brasil/Bélgica, 2h10m, roteiro e direção do veterano cineasta Frances
Olivier Assayas. A história na qual se baseou o roteiro foi inspirada no livro “Os
Últimos Soldados da Guerra Fria”, do jornalista e escritor brasileiro Fernando
Morais, que relembra fatos ocorridos na década de 90. Naqueles anos, o
governo cubano resolveu criar uma equipe de espiões para se infiltrar na
comunidade da Flórida, em especial em Miami, com o objetivo de localizar e
eliminar cidadãos anticastristas que estavam realizando atentatos a
instalações turísticas em Havana e Varadero. A operação secreta dos agentes
cubanos ficou conhecida como “Rede Vespa”. Entre os espiões recrutados estavam
René Gonzalez (Édgar Ramírez) e Juan Pablo Roque (Wagner Moura), ex-pilotos da
força aérea cubana, além de Jose Basulto (Leonardo Sbaraglia) e Gerardo
Hernandez (Gael García Bernal). Embora não soubessem da operação secreta, Olga
Salanueva (Penélope Cruz) e Ana Margarita Martinez (Ana de Armas), esposas de
René e Juan Pablo, respectivamente, também tiveram um papel de destaque na
história. Como os trabalhos de espionagem eram realizados em território
norte-americano, logo o FBI entraria em ação para acabar com a operação. O
cineasta francês Assayas não tira partido de um lado nem de outro, mas não
deixa de cutucar o dedo na ferida da situação econômica cubana, que piorou
muito com o fim da parceria com a Rússia após o fim do regime comunista, em
1989. O elenco latino é um dos principais destaques do filme: o venezuelano Óscar
Ramírez, do brasileiro Wagner, o mexicano Gael García Bernal), a cubana Ana de
Armas, o argentino Sparaglia e a espanhola Penélope Cruz, todos artistas em
grande evidência há anos no cenário cinematográfico mundial. A estreia mundial
de “Wasp Network” ocorreu durante o Festival de Veneza, no qual disputou o Leão
de Ouro. Por aqui, foi exibido na abertura da Mostra Internacional de Cinema de
São Paulo, em 2019. O filme é muito bom, mantém um nível de suspense e tensão
do começo ao fim, além de mostrar detalhes de fatos pouco divulgados por aqui. Resumo
da ópera: um filmaço! Ah, e está disponível na plataforma Netflix desde o dia
16 de junho de 2020.
sábado, 20 de junho de 2020

sexta-feira, 19 de junho de 2020

quarta-feira, 17 de junho de 2020
“DESTACAMENTO
BLOOD” (“DA 5 BLOODS”), 2020, Estados Unidos, 2h34m, roteiro e
direção de Spike Lee, que contou com a colaboração dos roteiristas Kevin
Willmott, Danny Bilson e Paul de Meo. O filme foi lançado mundialmente na plataforma
Netflix no dia 12 de junho de 2020, em meio às manifestações antirracistas
ocorridas nos Estados Unidos e outros países do mundo em protesto contra o
assassinato do negro George Floyd, no dia 25 de maio. Resultado: o filme de Spike
Lee teve uma das maiores audiências já registradas pela plataforma. Realmente, “Destacamento
Blood” tem tudo a ver com o momento – aparece até uma faixa com os dizeres “Vidas
Negras Importam”. Tendo como ponto de partida a Guerra do Vietnã, Lee faz uma
longa reflexão sobre o racismo ontem e hoje, politizando a discussão ao atacar
os governos norte-americanos pelo tratamento dado aos afrodescendentes e
filosofando sobre o tema. A história de “Destacamento Blood” é centrada em
quatro ex-combatentes negros que, 50 anos depois, voltam ao Vietnã com o
objetivo de resgatar os restos mortais de Norman (Chadwick Boseman), o
idolatrado comandante do grupo, além de tentar recuperar uma grande quantidade
de barras de ouro que esconderam por lá na época da guerra. Em meio à história,
Spike apresenta vários vídeos da época das manifestações antirracistas dos anos
60, com depoimentos do líder Martin Luther King Jr., da ativista Angela Davis e
do lutador de boxe Muhammad Ali, entre outros. Além disso, Spike faz referências
explícitas a “Apocalypse Now” (1979), o grande clássico de Francis
Ford Coppola. Estão lá a viagem de barco pelos rios do Vietnã, o helicóptero
chegando ao som de “A Cavalgada das Valquírias” e até o nome da boate da
capital atual Ho Chi Minh onde os veteranos vão tomar umas e outras, justamente
“Apocalypse Now”. Paul (Delroy Lindo), Eddie (Norm Lewis), Otis (Clarke Peters)
e Melvin (Isiah Whitlock Jr.), como fizeram durante a guerra, se embrenharão
nas selvas do Vietnã numa aventura cheia de riscos e muita ação. Spike Lee já
fez filmes melhores, como “Infiltrado na Klan” (Oscar 2019 de Melhor Roteiro
Adaptado), “Malcolm X”, de 1992, e “Faça a Coisa Certa”, de 1989, mas “Destacamento
Blood” também é ótimo e certamente ganhará algumas indicações ao Oscar 2021
(cerimônia da premiação foi adiada para abril). Aposto todas as minhas fichas de
que Delroy Lindo será indicado para Melhor Ator. Sua atuação é espetacular. Também
estão no elenco Jonathan Majors e os franceses Jean Reno e Mélanie Thierry. Resumo
da ópera: mais um filme polêmico e impactante de Spike Lee, já sendo considerado por alguns críticos como o filme do ano. Assista e forme sua opinião.
segunda-feira, 15 de junho de 2020
“MENASHE”, 2017, Estados Unidos,
1h22m, filme de estreia na direção de Joshua Weinstein, mais conhecido como
diretor de fotografia e documentarista. O roteiro também leva a assinatura de
Weinstein, com a colaboração de Alex Lipschultz e Musa Syeedm. A história é ambientada
no bairro Boro Park (Brooklyn), em Nova Iorque, onde está localizada uma das
comunidades mais populosas de judeus ultra-ortodoxos do mundo. Aqui vive e trabalha
o quarentão Menashe (Menashe Lustig), que ficou viúvo e precisa cuidar sozinho do
filho Rieven (Ruben Niborski), o que contraria a lei judaica, pois, segundo o Talmude
(coletânea de livros sagrados dos judeus), “Para criar os filhos, o homem deve
ter em casa uma mulher que limpe tudo, que cozinhe e que cuide da casa”. Menashe
trabalha como empregado num supermercado do bairro, ganha pouco e é obrigado pelo
patrão autoritário a fazer muitas horas extras, o que o impede de dedicar mais
tempo ao filho. Dessa forma, a questão foi decidida pelo rabino da comunidade (Meyer
Schwrtz), que colocou o garoto sob a guarda de Eizik (Yoel Weisshaus), cunhado
de Menashe e irmão da falecida, que tem família e condições financeiras de
sustentar mais uma “boca”. Segundo o rabino, Rieven só voltará para a guarda de
Menashe se ele casar. O filme acompanha o dilema de Menashe e suas tentativas
de recuperar a guarda do filho, o que gera algumas cenas tocantes e sensíveis,
principalmente pelo fato de Menashe ser um sujeito bonachão, inocente e puro, a
ponto de não se incomodar de ser chamado de “Gordito” pelos seus colegas latinos
no supermercado. Esta produção independente apresenta algumas curiosidades
muito interessantes, a começar pelo elenco, todo ele constituído de atores que
nunca participaram de uma filmagem. Por falar nisso, ao tentar mostrar as ruas
do bairro e a movimentação das pessoas, a equipe técnica foi obrigada a filmar
escondida, pois a comunidade judaica, fechada, não permite esse tipo de exposição. Além
disso, o roteiro foi inspirado na própria experiência de vida do "ator" Menashe
Lustig, que também perdeu a guarda do filho. Vale destacar ainda que, na vida
real, Menashe nunca tinha entrado num cinema, o que só aconteceu porque foi
convidado para a exibição de estreia. Segundo seu material de divulgação, “Menashe”
é o primeiro filme norte-americano totalmente falado em Iídiche Todos esses aspectos
somados, mais a competência mostrada pelo diretor Joshua Weinstein, resultaram em
mais uma joia do cinema independente norte-americano, à disposição na plataforma
Netflix. Imperdível!
sábado, 13 de junho de 2020
quinta-feira, 11 de junho de 2020
“JÁ
NÃO ME SINTO EM CASA NESSE MUNDO” (“I DON’T FEEL AT HOME IN THIS WORLD”), 2017,
Estados Unidos, produção Netflix, 1h36m, estreia no roteiro e direção de Macon
Blair. E que ótima estreia. Uma pequena joia do cinema independente
norte-americano, tanto que foi o vencedor do júri do Festival de Cinema de
Sundance 2017. O filme é um misto de drama, policial, suspense e comédia, com
pitadas de humor negro. A trama é toda centrada na trintona Ruth Kimke (Melanie
Lynskey, a Rose de “Two and a Half Men”), uma mulher solitária, amargurada, que
não é dada a socializar por considerar as pessoas mal-educadas e sem noção de cidadania. Ela vive revoltada com as injustiças do cotidiano, principalmente aqueles ligadas à má
educação, como um vizinho que não recolhe as fezes do cachorro, alguém que
deixa cair uma mercadoria no chão e não repõe na prateleira ou então aquele
cara que no balcão de um bar conta o final do livro que ela está lendo. Um dia,
ao voltar do trabalho, ela percebe que sua casa foi assaltada. Roubaram seu
computador e os talheres de prata que ganhou da avó. Mais do que o produto do
roubo, o que mais indigna Ruth é o fato de terem invadido sua casa sem
permissão. De nada adiantou chamar a polícia, pois não deram muita bola para o
caso e nem se esforçaram para investigar. Aí foi a gota d’água. Ao lado de Tony
(Elijah Wood, o Frodo de “O Senhor dos Anéis”), um vizinho esquisito que pensa como ela, Ruth vai tentar achar os ladrões por conta própria, recheando o
filme com muitas situações de perigo a reforçar o suspense, mas sem nunca deixar
de lado o bom humor. Completam o elenco David Yow, Jane Levy, Macon Blair, Devon
Graye, Christine Woods e Gary Anthony Williams. Sem dúvida, um filme
surpreendente e muito criativo, garantindo um ótimo entretenimento. Imperdível!
quarta-feira, 10 de junho de 2020

terça-feira, 9 de junho de 2020
“THI
MAI: RUMO AO VIETNAM” (“THI MAI, RUMBO A VIETNAM”), 2017,
Espanha, distribuição Netflix, 1h39m, direção de Patrícia Ferreira, com roteiro
de Marta Sánchez. Trata-se de uma comédia bastante simpática e divertida para
assistir com toda a família. Depois da morte da filha em um acidente de carro,
Carmen (Carmen Machi) descobre que ela dera entrada numa papelada para a adoção
de uma criança órfã do Vietnã, a Thi Mai do título. Na companhia das amigas Rosa
(Adriana Ozores) e Elvira (Aitana Sánches-Gijón), Carmen viaja para Hanói (capital
do Vietnam), onde fica o orfanato de Thi Mai. Na verdade, as amigas embarcam
numa grande e divertida aventura, repleta de situações hilariantes,
principalmente no que se refere aos costumes dos vietnamitas, muito diferentes do mundo ocidental. Nas suas
peripécias em Hanói, Carmen, Elvira e Rosa conhecerão Andrés (Dani Rovira), um
espanhol que tinha viajado para a capital do Vietnam com o objetivo de encontrar
o ex-namorado. A turma vira um quarteto e, juntos, tentarão convencer as
autoridades vietnamitas a liberar a papelada exigida para concretizar a adoção
de Thi Mai, para a qual contarão com a ajuda de Dan (Eric Nguyen), um simpático guia turístico de Hanói. O grande trunfo do filme é, sem dúvida, o trio principal de protagonistas: Carmen
Machi é mais conhecida por ser uma das atrizes preferidas do diretor Pedro Almodóvar;
Adriana Ozores, uma das mais importantes atrizes de teatro e cinema da Espanha;
e a italiana Aitana Sánches-Gijón, cuja beleza e competência eu já conhecia
desde que a vi pela primeira vez atuando em “Caminhando nas Nuvens”, de 1995,
no qual contracenou com Anthony Quinn e fez par romântico com Keanu Reeves. Aos
51 anos, Aitana continua linda, charmosa e
competente. É a atuação destas três grandes atrizes – e a química entre elas - que
faz com que “Thi Mai” seja uma comédia bastante agradável e divertida. Imperdível!
segunda-feira, 8 de junho de 2020

sábado, 6 de junho de 2020
“ASSASSINOS
MÚLTIPLOS” (“ACTS OF VENGEANCE”), 2017, Estados Unidos,
disponível na plataforma Netflix, 1h27m, direção de Isaac Florentine (“Assalto
à Casa Branca”), seguindo roteiro escrito por Matt Venne. A história repete um
dos clichês mais utilizados em dezenas de filmes. Esposa e filha são assassinadas,
a polícia não se esforça e o pai parte para a vingança, fazendo justiça com as
próprias mãos. Ao chegar atrasado para a apresentação teatral da filha na
escola, o advogado criminalista Frank Varela (Antonio Banderas) se desencontra
da esposa Sue (Cristina Serafini) e da filha Olivia (Lilian Blankenship). Ele
vai para casa e fica esperando as duas, mas quem chega é a polícia para avisar
que elas foram assassinadas. Daí para a frente o roteiro viaja na
maionese. Cheio de culpa, Frank ingressa nas lutas de MMA, apanha pra valer e
vê esse sacrifício como forma de punição. Numa briga de rua, ele recebe uma
facada na perna e tenta estancar o sangue com um livro que estava no lixo.
Trata-se de “Meditações”, escritos pessoais e reflexões do imperador romano Marco
Aurélio (121 d.C./180 d.C.), que ele adota como livro de cabeceira enquanto se
recupera. Ao mesmo tempo, lê também “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu. As duas
leituras o convencem a partir para a vingança, incentivando-o a se preparar física
e mentalmente. Ele ingressa numa academia de artes marciais e resolve também
fazer um voto de silêncio para apurar os outros sentidos. Enquanto isso,
Frank continua a investigar por conta própria até chegar aos criminosos.
Exageros à parte, “Assassinos Múltiplos” funciona bem como filme de ação. Tem
pancadaria, suspense e muito sangue jorrando. Também estão no elenco a atriz
espanhola Paz Veja, grande amiga de Banderas na vida pessoal, Karl Urban,
Lilian Blankenship, Robert Forster e Cristina Serafini. O que me surpreendeu
favoravelmente foi a excelente forma física de Banderas aos 56 anos, idade que
tinha quando atuou no filme. Segundo o material de divulgação, o ator espanhol
treinou artes marciais durante meses para o papel. Antes de encerrar o
comentário, faço meu protesto quando ao título em português, que não condiz
muito com a história. Melhor seria a tradução literal: “Atos de Vingança”. Resumo
da ópera: o filme prende a atenção e não economiza nas cenas de ação, garantindo
um ótimo entretenimento.
quinta-feira, 4 de junho de 2020
“MY
HAPPY FAMILY” (“Chemi Bednieri Ojakhi”), 2017, Geórgia (antiga
república soviética), 120 minutos, produção Netflix, direção e roteiro de Nana
Ekvtimishvili e Simon Gross. Trata-se de um drama familiar centrado em Manana
(a ótima Ia Shugliashvili), uma professora de 52 anos que está em crise
existencial por conta da rotina diária com a família conservadora. Ela, o
marido, os dois filhos e os pais dela moram todos juntos num apartamento simples
e apertado. Logo no café da manhã começam as discussões, que continuam durante
o almoço e o jantar. Ou seja, não existe um momento de sossego, que é o que
Manana sempre desejou. O marido é ausente, não tem opinião sobre nada, o filho
mais velho não trabalha, só fica no computador, e tem ainda o crônico mau humor
da matriarca, dona Lamara (Bertha Khapava) que reclama de tudo e pega no pé de
todo mundo, inclusive de Manana. No dia de seu aniversário, Manana logo avisa: “não
quero festa, não quero bolo, não quero nenhum convidado”, como quem diz “Quero
sossego!”. Para o seu desespero, acontece justamente o contrário. A casa enche
de parentes, tem bolo, velinhas e cantorias – o povo georgiano deve gostar de
música, pois a cada reunião, seja familiar ou com amigos, logo aparece alguém
tocando violão e todo mundo canta junto. Manana fica alheia à comemoração, deixando
os convidados aos cuidados do seu marido. Como era de se esperar, logo depois
Manana avisa que vai sair de casa, alugar um apartamento e morar sozinha. A
notícia se espalha pela família e logo em seguida aparecem seu irmão Rezo
(Dimitri Oraguelidze) e outros parentes, todos tentando fazer Manana mudar de
ideia. A pergunta que todos fazem é por que ela que ir embora, abandonar a
família. Ela nunca responde a verdadeira razão, mas quem entende um pouco de
psicologia vai saber o por quê, principalmente as mulheres que estão na mesma
situação com suas famílias. O filme parece um episódio do seriado da TV Globo “A
Grande Família”, mas foge bastante do seu humor. “My Happy Family”, título que representa
uma grande ironia, é muito interessante não apenas pela história em si, mas por
destacar os costumes, os valores e o comportamento do povo georgiano. É um belo
filme, com uma atriz excepcional (Ia Shugliashvili) e um ótimo elenco, embora
seja formado, em sua maioria, por atores amadores. O filme estreou na Seção
Fórum do 67º Festival Internacional de Cinema de Berlim e depois foi exibido em
vários outros festivais mundo afora, conquistando nada menos do que 12 prêmios
e outras tantas indicações. O filme é realmente muito bom.
terça-feira, 2 de junho de 2020

segunda-feira, 1 de junho de 2020
“CONTOS DE GUERRA” (“ÁPRÓ
MESÉK”) – “Tall Tales” nos países de língua inglesa –, 2019, Hungria,
1h52m, direção de Attila Szász e roteiro de Norbert Köbli. Um filme bastante
interessante, um misto de drama de guerra e suspense noir, lembrando os
policiais de Hollywood dos anos 40/50. Mas a grande influência parece ter vindo mesmo dos filmes do diretor inglês Alfred Hitchcock, principalmente a utilização da trilha sonora
para acentuar as cenas de maior tensão. A história de “Contos de Guerra” é
ambientada na Hungria logo após o final de Segunda Guerra Mundial. O ex-combatente
Hankó (Tamás Szabó Kimmel), aparentemente um desertor, retorna a Budapeste e,
ao ler um jornal local, vê vários classificados de famílias pedindo informações
sobre o paradeiro de seus entes queridos que foram para o front. Hankó decide
visitar essas pessoas dizendo que foi companheiro de trincheira do tal soldado.
Confesso que não entendi muito bem qual era a sua verdadeira intenção: consolar
as famílias dizendo que o ente querido foi um herói ou se aproveitar da
situação para conseguir alguma vantagem. Quando descobrem sua maracutaia, Hankó
foge e se esconde na zona rural, onde conhece Judit (Vica Kerekes) e seu filho
Virgil (Bercel Tóth). Bérces, marido de Judit, não voltou da guerra e é dado
como desaparecido. Enquanto isso, Hankó e Judit se apaixonam e tudo vai às mil
maravilhas até Bérces (Levente Molnár) surgir inesperadamente. A partir daí é
que o suspense entra em jogo pra valer, pois Bérces, um sujeito violento, não
vai deixar em paz a esposa e o amante, garantindo muita tensão até o desfecho
do filme. “Contos de Guerra”, repito, é um filme bastante interessante e que
merece ser visto.
sábado, 30 de maio de 2020
“RIPHAGEN”, 2016,
Holanda, disponível na plataforma Netflix, 2h11m, direção de Pieter Kuijpers,
com roteiro de Paul Jan Nelissen e Thomas van der Ree. O filme é baseado em
fatos reais ocorridos na Holanda durante a 2ª Guerra Mundial. Bernardus Andries
Riphagen (Jeroen van Konings Brugge) foi um grande colaborador dos nazistas
invasores, denunciando pelo menos 200 judeus , principalmente em Amsterdam. Antes, porém, chantageava as vítimas, sequestrando os seus pertences – dinheiro, joias,
objetos de arte e até imóveis. Ele prometia às famílias judias que assim que a
guerra terminasse devolveria tudo aos proprietários. Em seguida, porém, dava os
endereços de suas vítimas aos nazistas, que as enviavam para os campos de
concentração na Polônia. Quando a guerra acabou, Riphagen foi considerado traidor
e maior criminoso de guerra da Holanda. Para não ser preso, conseguiu fugir para a Espanha e
depois para a Argentina, onde fez amizade com Juan e Evita Peron, que conseguiram
evitar sua extradição para a Holanda. O filme conta toda a essa história e
ainda revela os bastidores da vida de Riphagen, como seu casamento com Greetje
(Lisa Zeerman), sua ligação com os alemães e como chantageava suas vítimas. Enfim,
Riphagen foi um verdadeiro monstro. O filme é excelente e o elenco é ótimo (atuam também Kay Greidanus, Anna Raadsveld e Sigrid Ten Napel), além
de uma primorosa reconstituição de época, destacando-se os cenários e figurinos.
Filmaço!
sexta-feira, 29 de maio de 2020

quinta-feira, 28 de maio de 2020
“A MULHER MAIS ODIADA DOS ESTADOS
UNIDOS” (“THE MOST HATED WOMAN IN AMERICA”), 2017, Estados Unidos,
1h31m – está no catálogo da Netflix. O roteiro e a direção são assinados por
Tommy O’Haver. Trata-se do filme biográfico de Madalyn Murray O’Hair, uma dona
de casa que nos anos 60 do século passado conseguiu que a Suprema Corte dos EUA
derrubasse a obrigatoriedade da leitura da Bíblia nas escolas públicas. Madalyn
defendia sua causa afirmando que “A religião é uma questão privada e só deveria
ser celebrada dentro de casa ou das igrejas”. Madalyn também questionou a
realização de cerimônias religiosas semanais na Casa Branca e contestou a
inclusão da frase “In God We Trust” (“Em Deus Nós Confiamos”) nas moedas e notas
de dólar. Não bastasse tudo isso, ainda conseguiu que a Constituição do Estado
do Texas eliminasse a exigência de acreditar em Deus para os candidatos a
cargos públicos. Além disso, ainda participava de debates com padres e pastores,
transmitidos pela TV, durante os quais falava um monte de palavrões, ofendia
Deus, o Papa e os santos, como também rasgava as Bíblias que estivessem ao seu
alcance. Imaginem a repercussão negativa que isso causou num país onde 70% da
população segue a religião cristã. Tanto é que, em 1964, ganhou capa na famosa
revista Life com o título “The Most Hated Woman in America” ao lado de sua
foto. Ao mesmo tempo, fundou a associação “Ateístas da América”, que durante
muitos anos arrecadou tantas doações que Madalyn ficou milionária, o que seria
motivo para o seu fim trágico, em 1995, quando foi sequestrada, juntamente com
seu filho e neta. O filme conta isso e mais um pouco, como as maracutaias
de Madalyn (Melissa Leo) para ganhar dinheiro e enganar o fisco. Ela chegou até
mesmo a encenar uma farsa com um pastor da igreja cristã – papel vivido por
Peter Fonda num de seus últimos filmes antes de morrer, em 2019 – para lucrar
ainda mais. Além de Melissa Leo e Peter Fonda, estão no elenco Juno Temple,
Adam Scott, Josh Lucas e Machel Chernus. Mas quem carrega o filme nas costas é
mesmo Melissa Leo, atriz norte-americana de 59 anos que já tem um Oscar de
Melhor Atriz Coadjuvante por “The Fighter” (2011). “A Mulher mais Odiada dos
Estados Unidos” é muito bom, tem um roteiro bem elaborado e atuações bastante
competentes.
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