ENNIO, O MAESTRO (ENNIO, IL
MAESTRO), 2022, Itália, documentário de 2h36m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção de Giuseppe Tornatore. Quem acompanha meu blog já
percebeu que documentários são pouco comentados. Mas não poderia deixar de lado
o documentário sobre o maestro e compositor italiano Ennio Morricone (1928-2020),
um dos grandes gênios da música no século XX. Ainda mais que o diretor é Giuseppe
Tornatore, responsável por pequenas obras-primas do cinema, como “Cinema
Paradiso”, “Malèna”, “A Lenda do Pianista do Mar”, "Baaria – A Porta do Vento”,
entre tantos outros. A ideia do documentário sobre Morricone surgiu em 2016, e
o maestro só concordou se fosse dirigido por Tornatore. Para se ter uma ideia
da importância de Morricone para a música do século XX basta dizer que ele compôs
cerca de 500 trilhas sonoras para o cinema, além de centenas de outras composições.
O maestro italiano deixou fãs por todo o mundo, começando pelas trilhas dos
faroestes italianos da década de 60, entre os quais “Por um Punhado de Dólares”
e “Era uma Vez no Oeste”. Lembram-se daqueles assobios como parte da trilha?
Tornatore conseguiu inúmeros depoimentos de músicos, cantores, maestros e
cineastas para o documentário, entre os quais do próprio Morricone e Tornatore,
além de Clint Eastwood, Quincy Jones, Quentin Tarantino, Bruce Springsteen, Gino
Paoli, Gianni Morandi, Pat Metheny, Lina Wertmüller, Bernardo Bertolucci,
Sérgio Leone, Joan Baez e Brian de Palma, entre tantos outros, todos admiradores da obra de
Morricone. Intercaladas a estes depoimentos estão várias cenas dos filmes, um
trunfo a mais deste que é um documentário imperdível para músicos e cinéfilos.
Emocionante do começo ao fim!
sábado, 19 de julho de 2025
sexta-feira, 18 de julho de 2025
“UM TIPO DE LOUCURA” (“A KIND
OF MADNESS”), 2025, África do Sul, 1h39m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção de Christiaan Olwagen. Drama familiar, com uma história de amor
e aceitação, formando um verdadeiro carrossel de emoções. Esses ingredientes fazem parte
da história desse belo filme do pouco conhecido cinema sul-africano. Dan Hart (Ian
Roberts) e Elna (Sandra Prinsloo), se conheceram ainda muito jovens e, mesmo
sem se casarem oficialmente, tiveram três filhos. Começa o filme e voltamos no
tempo para acompanhar o início do romance de Daniel e Elna (vividos por Luke
Volker e Ashley de Lange). A história dá um salto no futuro e nos surpreende
com a fuga de Elna da clínica com a ajuda de Daniel. O objetivo do casal é
pegar a estrada, casar e chegar até o litoral, subir num barco e sair pelo mundo como
última viagem. Desesperados, Lucy, Olivia e Ralph, os três filhos, saem em
busca dos pais e, a partir daí, o filme se transforma num road-movie, durante
o qual os personagens terão a oportunidade de discutir o relacionamento,
aplacar divergências do passado e tomar as decisões que a situação está
exigindo. Completam o elenco – todos sul-africanos - Erica Wessels (Lucy), Amy
Louise Wilson (Olivia) e Evan Hengst (Ralph). O grande destaque é, sem dúvida,
a incrível atuação da veterana atriz Sandra Prinsloo, de 77 anos. Enfim, “Um Tipo de
Loucura” é um drama sensível e comovente. Cinema de qualidade. Não perca!
segunda-feira, 14 de julho de 2025
“APACHES – GANGUES DE PARIS” (“APACHES”), 2023, coprodução França/Bélgica, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Romain Quirot, que também
assina o roteiro com a colaboração de Fannie Pailloux e Antoine Jaunin. Para
contextualizar a história do filme, existiam na Paris do fim do século XIX
várias gangues de marginais que agiam na cidade, assaltando, sequestrando e
vandalizando. Os alvos eram os de sempre: os burgueses. Ou seja, a classe mais
abastada. Uma das gangues mais famosas e temidas era chamada “Os Apaches”, que aterrorizaram
a capital francesa de 1890 até 1905. Os autores do roteiro aproveitaram esse ingrediente
para criar uma história colocando como protagonista principal a jovem Billie
(Alice Isaaz), que ingressa na gangue para se vingar da morte do seu irmão
Tricky (Malik Frikah), anos antes, provocada pelo líder da gangue, o violento Jésus (Niels
Schneider). Para ingressar no grupo criminoso, ela é obrigada a cometer alguns
assassinatos, inclusive o de um novo chefe de polícia. Completam o elenco
Dominique Pinon, Rod Paradot, Bruno Lochet, Emilie Gavois e Chloé Peillex.
Resumindo, “APACHES” é um filme que proporciona uma primorosa ambientação de
época, incluindo cenários e figurinos, mas é desagradável de assistir por mostrar
uma Paris sem nenhum charme, com muita sujeira, pobreza, prostituição à luz do dia e violência. Em todo
caso... tem a presença da bela atriz Alice Isaaz.
“NOSFERATU”, 2024,
coprodução Estados Unidos/República Checa, 2h14m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro
e direção de Robert Eggers (“O Farol”, “A Bruxa”, “O Homem do Norte”). Esta é
mais uma adaptação para o cinema do romance “Drácula”, escrito em 1897 por Bram
Stoker. A mais famosa é a de 1922, “Nosferatu”, considerada uma obra-prima do
expressionismo alemão. Também posso citar “Nosferatu: O Vampiro da Noite”, de
1979, e “Nosferatu: A Symphony of Horror, de 2023. Esta última adaptação, de
2024, recebeu quatro indicações ao Oscar (Melhor Figurino, Melhor Cabelo e
Maquiagem, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte”). Não ganhou a estatueta
em nenhuma. No elenco, os papeis principais foram interpretados por Lily-Rose
Depp (filha do ator Johnny Depp e da atriz Marisa Paradis), Nicholas Hoult,
Aaron Taylor-Johnson, Bill Skarsgard, Emma Corrin e Willem Dafoe. Nesta última
versão, ambientada em 1838, na Alemanha, a vítima da vez é Ellen Hutter (Depp),
esposa do corretor imobiliário Thomas Hutter (Hoult). O Conde Orlok (Skarsgard), que nas
horas vagas se transforma no vampiro Nosferatu, se apaixona pela moça, que
desde jovem tem sonhos assustadores, visões sobrenaturais e alucinações. Esse
sofrimento só será evitado se ela se entregar sexualmente a Nosferatu, que sai
da Transilvânia para concretizar o seu desejo. O filme tem seus méritos, como a
excelente fotografia e a ambientação de época, mas o resultado final não me convenceu.
sexta-feira, 11 de julho de 2025
“RETORNO A SEUL” (“RETOUR À SÉOUL”), 2022,
coprodução Camboja/França/Bélgica/Alemanha, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e
direção do cineasta francês Davi Ghou. Drama estreou, com muitos elogios, no Festival
de Cannes 2022 na seção Un Certain Regard e representou o Camboja
na disputa do Oscar 2023 na categoria Melhor Longa-Metragem Internacional. O
filme não é tão bom para merecer tanto, mas não é tão ruim para ser rejeitado.
Com base em 25 resenhas de críticos profissionais, o filme obteve um índice de
aprovação de 96%, um resultado excelente em se tratando do site Rotten
Tomatoes. A história é centrada na jovem Frédérique “Freddie” Benoît (Ji-Min Park) que, 25 anos
depois de ser adotada por um casal francês, volta a Seul (Coreia do Sul) para tentar
encontrar os seus pais biológicos. A tarefa não é fácil, e Freddie acaba
ficando na capital sul-coreana, se envolvendo em inúmeras situações
inesperadas, mostrando um comportamento não muito adequado muitas vezes, até
inconveniente em algumas ocasiões. Chega a se envolver com traficantes de armas, situação que não é muito destacada no roteiro, que se prende apenas na busca do pai e da mãe. Ao mesmo tempo, convive em certos momentos com uma certa apatia e depressão.
Falado em coreano, inglês e francês, “Retorno a Seul” não é um filme para o
grande público, pois é reflexivo, contemplativo, intimista e lento demais, mas
tem suas qualidades como filme de arte que pretende ser.
quarta-feira, 9 de julho de 2025
“CHEFES DE ESTADO” (“HEADS OF
STATE”), 2025, Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção do cineasta russo Ilya Naishulledr (“Anônimo”, “Hardcore: Missão
Extrema”), seguindo roteiro assinado por Josh Appelbaum, André Nemec e Harrison
Query. Estamos apenas no meio do ano, mas eu não tenho dúvida em afirmar que este
será eleito senão o melhor, um dos melhores filmes de ação de 2025. Aliás, uma
comédia de ação. Após um encontro formal em Londres, durante o qual o
presidente norte-americano Will Derringer (John Cena) e o primeiro-ministro
inglês Sam Clarke (Idris Alba) não se entenderam muito bem, os dois mandatários
foram aconselhados por assessores políticos a viajarem juntos no Air Force One
para Trieste, na Itália, onde participariam de uma reunião de cúpula da OTAN.
No meio do voo, porém, o avião é atacado e acaba explodindo. Claro que os
únicos sobreviventes são o presidente e o primeiro-ministro. A ação não para
por aí. A dupla enfrentará muitas situações de perigo ao longo do caminho que
os levará a Trieste. Para isso, contarão com a ajuda de Noel Bisset (a atriz
indiana Priyanka Chopra), uma agente do M16 (serviço secreto inglês)
especialista em armas e artes marciais. Completam o elenco Carla Gugino, Jack
Quaid (filho do ator Denis Quaid), Paddy Considine, Sarah Niles, Alexander Kuznetsov,
Sharlto Copley, Clare Foster, Katrina Durden e Ingeborga Dapkunaite. Além das
ótimas cenas de ação, outro trunfo do filme é a química entre John Cena, Idris
Alba e Priyanka Chopra. Resumindo, “Chefes de Estado” é um entretenimento de
primeira. Imperdível!
segunda-feira, 7 de julho de 2025
“MEU NOME ERA EILEEN” (“EILEEN”),
2023,
Estados Unidos, 1h38m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta inglês William
Oldroyd, seguindo roteiro assinado por Luke Goebel, marido de Ottessa Moshfegh,
autora do livro “Eileen”, de 2015, no qual a história do filme é baseada.
Trata-se de um suspense bem ao estilo daqueles que consagraram Alfred Hitchcock,
incluindo reviravoltas e o mesmo tipo de trilha sonora. Enfim, uma história
sinistra cuja tensão aumenta a cada cena. Estamos nos anos 60 do século passado e
somos apresentados a Eileen Dunlop (Thomasin Mackenzie), funcionária de um
centro de detenção juvenil em Boston. Filha de um pai alcóolatra, Eileen vive
um cotidiano triste e solitário, sem amigos ou namorados. Esse comportamento muda
quando chega ao centro de detenção a psicóloga Rebecca St. John (Anne Hathaway),
um tipo de mulher (literalmente) fatal, loira à Marilyn Monroe. Logo pinta uma
amizade entre a psicóloga e Eileen, feliz da vida por alguém dar-lhe atenção.
Aos poucos, porém, Eileen fica obcecada pela psicóloga, imitando seus trejeitos
e o modo de fumar. Parece que a amizade vai acabar entre lençóis, mas o caso é somente de manipulação, como será comprovado nos minutos finais. Tudo tem a ver com um
jovem detido depois de ter assassinado o pai. Rebecca resolve investigar o caso
e chega à conclusão que a mãe do garoto também tem culpa no cartório. Uma reviravolta passa a
conduzir a história, com muita tensão até o desfecho. Ótimas atuações de três
atrizes valorizam esse excelente suspense: Thomasin McKenzie, Anne Hathaway e
Marin Ireland no papel de Rita Polk, mãe do jovem assassino. Trocando em
miúdos, “Meu Nome Era Eileen” é um suspense de muita qualidade.
domingo, 6 de julho de 2025
“THE OLD GUARD 2”, 2025,
Estados Unidos, 1h45m, em cartaz na Netflix, direção de Victoria Mahoney,
seguindo roteiro assinado por Sarah L. Walker. Sequência do filme de 2020, mais
uma aventura dos guerreiros imortais da Graphic Novel criada por Greg
Ricka e Leandro Fernandez. Liderada por Andy (Charlize Theron), o grupo de
guerreiros novamente tentarão salvar o mundo. Desta vez, a vilã é Discord (Uma
Thurman), a primeira dos imortais. Andy, também conhecida como Androma of
Scythia, descobre que se tornou mortal e que nessa aventura terá que se cuidar
para não morrer. Ao contrário do primeiro filme, este tem menos ação e mais
papo furado, mas o resultado final não é decepcionante – o primeiro é bem
melhor. Completam o elenco, entre outros, Ngô Thanh Vân, Kiki Layne, Henry
Golding, Chiwetel Ejiofor, Matthias Schoenaerts, Marwan Kenzari e Luca
Marinelli. Impossível não destacar a presença da atriz sul-africana Charlize Theron, cada
vez mais bonita e competente, ainda em grande forma física aos 49 anos. Só ela vale o ingresso. Conforme o desfecho deu a entender, vem mais uma
sequência por aí, não sei quando. Uma confissão: esse tipo de filme não me
agrada, pois não engulo esse negócio de guerreiros imortais etc. Imagino uma
plateia de jovens nerds, aqueles que vão para o cinema vestidos como os
personagens. Tô fora!
sábado, 5 de julho de 2025
K.O. (utilizadas
inicialmente nas lutas de boxe, as duas letras significam nocaute, do inglês “knockout”),
2025, França, 1h30m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Antoine
Blossier (“O Pequeno Órfão”, “A Presa”). Começa o filme com uma luta de MMA.
Bastien (Ciryl Gane) vence a luta por nocaute, mas seu adversário morre no
ringue. Traumatizado, Bastien abandona as lutas e se isola. Até o dia em que, três anos depois, Emma
(Anne Azoulay), viúva do lutador morto, o procura para ajudá-la a encontrar o
filho adolescente Léo (Maleaume Paquin), que presenciou um assassinato e agora
é perseguido por uma gangue da pesada chamada de “Os Manchours”, que domina o
submundo do crime em Marselha. Juntamente com a capitã de polícia Kenza (Alice Belaïdi), Bastien tentará
encontrar o garoto. Essa procura termina em grandes pancadarias, muitos tiros e
sangue jorrando. As cenas de ação são ótimas. Não é para menos, pois o ator Ciryl
Gane, um brutamontes de 1,93m, é um ex-lutador de UFC, Muay Thai e especialista
em artes marciais mistas. Este é o seu primeiro papel como protagonista. Ele
já havia participado de outros filmes como personagem secundário em “Covil de
Ladrões 2”, “Resgate em Medellin” e nas séries “Validé” e “O Ringue”. Tudo bem
que Ciryl Gane é o astro do filme, mas quem realmente dá um show é a atriz
Alice Belaïdi como a policial brava e esquentada que não tem medo de cara feia.
Trocando em miúdos, “K.O.” é mais um ótimo filme francês de ação.
“O CASO ASUNTA” (“EL CASO
ASUNTA”), 2024, Espanha, minissérie de 6 episódios em cartaz na
Netflix, direção de Carlos Sedes e Jacobo Martínez, seguindo roteiro assinado
por Ramón Campos e Gema R. Neira. A história é baseada em fatos reais ocorridos
a partir de 2013 na cidade de Santiago de Compostela. Começa com o misterioso
desaparecimento da adolescente Asunta Basterra (Iris Wu), de 13 anos, filha
adotiva do casal Rosario Porto (Candela Peña) e Alfonso Basterra (Tristán Ullua).
O caso chega à polícia local, que designa os agentes Javier Ríos (Carlos
Blanco) e Cristina Cruces (María León) para iniciar as investigações, sob a
supervisão do Juiz Malvar (Javier Gutiérrez). Logo no início das buscas o corpo
da menina é encontrado sem vida à beira de uma estrada rural. Os primeiros indícios
sugerem que o casal esteja envolvido no crime, que teve grande repercussão na
mídia, provocando comoção em todo o país. Rosario e Alfonso, que sempre negaram
o crime, apresentam comportamento estranho e ficam presos até o julgamento, cujo resultado deixo de lado para o
espectador aguardar o desfecho da minissérie. Completam o elenco Vianessa
Castaños, Alicia Borrachero, Raúl Arévalo, Francesc Orella e Judith Fernándes. Fora
o interesse evidente sobre a história, pouco divulgada por aqui, a minissérie não
acrescenta muito mais para merecer uma recomendação entusiasmada.
segunda-feira, 30 de junho de 2025
“EM ALGUM LUGAR DO QUEEN’S” (“SOMEWHERE
IN QUEENS”), 2023, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Ray Romano, que também assina o roteiro com Mark
Stegemann. É o primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo comediante Ray
Romano, que também atua no filme. Trata-se de uma comédia dramática centrada na família ítalo-americana
Russo, cujo patriarca, Dominick Russo (Tony Lo Bianco), é proprietário de uma
empresa de reformas e consertos de residências. Seus dois filhos e netos
trabalham na empresa. Enfim, uma família tradicional que atua há muitos anos no
condado do Queens. Em meio às inúmeras festas da família, seja batizados,
aniversários ou casamentos, lá está todo mundo se divertindo, comendo e dançando.
Leo Russo (Ray Romano), um dos filhos de Dominick, casado com Angela (Laurie
Metcalf), acompanha de perto a performance do seu filho Matthew, de 18 anos,
nas quadras de basquete. Seu sonho é que Matthew consiga uma bolsa de estudos
numa universidade, facilitada por seu desempenho no basquete. Só que Matthew se
apaixona por Dani (Sadie Stanley), o que pode significar um desvio de rumo em
seu objetivo de conquistar a bolsa. Essa complicação domina o enredo até o
desfecho, envolvendo a família Russo inteira. E sabem como é família italiana,
todo mundo quer dar palpite em tudo. O filme é agradável, leve, tem humor e romance
na medida certa, transformando “Em Algum Lugar do Queen’s” num ótimo
entretenimento. Este foi o último filme do veterano ator Tony Lo Bianco, que faleceu um ano
depois do final das filmagens.
domingo, 29 de junho de 2025
“HOMEM COM H”, 2025,
Brasil, 2h09m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Esmir Filho (“Os
Famosos e os Duendes da Morte”, série “Boca a Boca”). Cinebiografia do cantor
Ney Matogrosso, baseada no livro “Ney Matogrosso: A Biografia”, escrito por
Julio Maria e lançado em 2021. Gostem dele ou não, o fato é que Ney Matogrosso
fez e continua fazendo um grande sucesso, principalmente nos palcos pelo Brasil
afora, cantando e dançando mesmo agora, aos 83 anos. Todo mundo conhece o artista
Ney Matogrosso, mas poucos conhecem Ney de Souza Pereira, o cidadão nascido em
Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, filho de Antônio Matogrosso (Rômulo Braga),
um militar de carreira ultraconservador da Aeronáutica. O menino Ney sofreu nas
mãos do pai, apanhou muito dele e por causa dele fugiu de casa aos 18 anos,
alistando-se como cadete na própria Aeronáutica. O filme destaca o início da
carreira de Ney como cantor do grupo Secos & Molhados, ponto de partida
para o seu sucesso solo, já como Ney Matogrosso. “Homem com H” também relembra
a perseguição que o artista sofreu dos censores da ditadura militar,
principalmente na segunda metade dos anos 70. Eles ordenaram a Ney que evitasse
rebolar e reduzir os movimentos sensuais. Ney não obedeceu e manteve, corajosamente, o seu estilo polêmico e ousado. Outro destaque da cinebiografia é o espaço dedicado a seus
vários amantes nos anos 80, um deles o cantor e compositor Cazuza (Jullio
Reis). Ney viu todos eles morrerem durante a epidemia de HIV, do qual saiu
milagrosamente ileso. As cenas de sexo são fortes, podem incomodar, mas são bem
realizadas. Um dos maiores trunfos é, sem dúvida, o desempenho impressionante
do ator pernambucano Jesuíta Barbosa na pele do astro, principalmente nos
palcos. Outro fator que alavancou o filme nas bilheterias e na audiência da Netflix
foi a saborosa trilha sonora com 15 músicas – “Rosa de Hiroshima”, “Bandido Corazón”,
“Pro Dia Nascer Feliz”, “Sangue Latino” e “Homem com H”, só para citar algumas.
Completam o elenco Bruno Montaleone, Lara Tremouroux, Carol Abras e Hermila
Guedes. Trocando em miúdos, mais uma ótima cinebiografia para curtir na telona ou
na telinha. Imperdível!
sexta-feira, 27 de junho de 2025
“NEFARIOUS”, 2023,
Estados Unidos, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Cary
Solomon e Chuck Konzelman. Grata surpresa este ótimo terror psicológico, baseado
no livro “A Nefarious Plot” (“Nefarious: O Plano Maligno”) livro de 2016
escrito por Steve Deace. Vamos à história. No dia da sua execução, marcada para
as 23 horas, o serial killer Edward Wayne Brady deve passar por uma última
avaliação psiquiátrica. Caso seja considerado doente mental, escapará da
cadeira elétrica. A avaliação fica a cargo do psiquiatra James Martin (Jordan
Belfi) - o psiquiatra que atendia o preso se suicidou. Dr. Martin conversa com o preso tentando descobrir sua
verdadeira situação psicológica. Os dois começam a dialogar e Edward parece
estar possuído por uma entidade demoníaca, o Nefarious do título. De início, o psiquiatra
acha que ele está fingindo, mas se surpreenderá com os fatos que virão à tona
logo depois. O embate entre os dois é o maior trunfo do filme, com diálogos em
que eles discutem filosofia, humanidade, história e religião, entre outros, temas que Edward
- ou Nefarious – demonstra conhecer a fundo. Outro destaque que não se pode
negar é o desempenho impressionante do ator Sean Patrick Flanery, tanto falando
como o demônio como na pele do serial killer acusado de pelo menos 7 assassinatos, confessando
outros quatro para o psiquiatra. Aos 59 anos, Flanery tem um extenso currículo
no cinema, embora tenha atuado em filmes pouco convincentes como “Frank & Penelope”,
“Nascido para Vencer” e “Energia Pura”, só para citar alguns. Mesmo ambientado em apenas um cenário,
ou seja, uma sala de interrogatório, o filme mantém um nível de tensão que
prende o espectador na beira da poltrona do começo ao desfecho. Dessa forma, “Nefarious”
demonstra que ainda há vida inteligente no cinema independente norte-americano. IMPERDÍVEL,
assim mesmo, com letras maiúsculas.
quarta-feira, 25 de junho de 2025
“ATÉ A ÚLTIMA GOTA” (“STRAW”), 2025,
Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Tyler Perry.
Imagine você acordar e logo receber a notícia de que vai ser despejada por falta de pagamento. Assim
começou o dia de Janiyah Witkins (Taraji P. Henson), uma mãe solteira prestes
também a perder o emprego cujo salário mal dá para sobreviver e pagar os remédios da filha
doente. Já à beira de um ataque de nervos, ela ainda enfrentará muitos
problemas, como se envolver numa confusão de trânsito com um policial e ainda
ser acusada de assalto. E pior, de homicídio. Desesperada, ela entra na sua agência
bancária para descontar um cheque, o que lhe é negado. É a gota d’água (ou a
última gota do título) para ela se armar com uma pistola e ameaçar todo mundo,
mobilizando a polícia local, a SWAT e até o FBI. O filme lembra muito “Um Dia
de Fúria”, com Michael Douglas, um grande sucesso de 1993. A tensão predomina do
começo ao desfecho, destacando a excelente atuação da atriz Taraji P. Henson,
comprovando a mesma competência que já demonstrou em outros filmes, como o ótimo “Estrelas
Além do Tempo”, (2016), “Proud Mary” (2018) e “A Cor Púrpura” (2023), entre
outros. Embora eu tenha gostado de “Até a Última Gota”, me incomodou de novo o fato
do cineasta Tyler Perry escalar praticamente todo o elenco com atores negros,
embora na maioria dos seus filmes, inclusive neste, ele introduz sempre a
questão do racismo nos Estados Unidos, quando quase todas as atrizes apareçam
com os cabelos alisados, uma incoerência constante de Perry.
segunda-feira, 23 de junho de 2025
domingo, 22 de junho de 2025
EXPIAÇÃO (SWIETY), 2023, coprodução Polônia/Hungria, 1h45m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e
direção de Sebastian Buttny. Trata-se de um suspense policial com pano de fundo
político e religioso. A história é baseada em fatos reais, ou seja, as
consequências do roubo da estátua de Santo Adalberto na catedral da cidade de
Gniezno, na Polônia. O ano é 1986 e o caso teve grande repercussão no país,
pois Santo Adalberto, também conhecido como Wojciech, foi uma figura central na
história do país, um missionário e bispo célebre por difundir o cristianismo
entre os povos eslavos no século 10. O tenente Andrzej Baran (Mateusz
Kosciukiewicz), da Milícia dos Cidadãos, ficou encarregado de investigar a
autoria do roubo. Durante o seu trabalho, porém, ele começou a receber pressão de
setores da Igreja, autoridades policiais e do governo comunista por intermédio
do Ministério da Segurança Pública (SB), o equivalente polonês da KGB. Até o
desfecho o espectador acompanhará todo o trabalho do tenente Andrzej, suas idas e
vindas ao local do roubo e ainda uma série de interrogatórios que o ajudarão na
solução do caso. Uma das cenas mais poderosas do filme é aquela em que acontece
a reconstituição do roubo, acompanhada por policiais, padres, imprensa e centenas de
devotos do Santo Adalberto. O roteiro não facilita o entendimento da história para o espectador, tornando EXPIAÇÃO um filme não destinado ao grande público, mas é
muito interessante e bem feito.
sábado, 21 de junho de 2025
“O ÚLTIMO RESPIRO” (“LAST
BREATH”), 2025, coprodução Estados Unidos/Inglaterra/Irlanda do
Norte, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Alex Parkinson (“Lucy, O
Chimpanzé Humano”, A Vida dos Leopardos”), que também assina o roteiro ao lado
de Mitchel LaFortune e David Brooks. O filme conta uma história incrível de
sobrevivência ocorrida em setembro de 2012. Uma equipe de mergulhadores profissionais
sai do porto da cidade de Aberdeen, na Escócia, a bordo do navio “Bibby Topaz”,
para realizar uma manutenção periódica de equipamentos localizados em águas
profundas do Mar do Norte. Enquanto dois mergulhadores descem numa “gaiola” para fazer
o serviço, a embarcação, devido ao mau tempo e mar agitado, sofre problemas no
sistema de posicionamento dinâmico, ficando praticamente à deriva. Nessa hora,
o cordão de sustentação de um dos mergulhadores se parte e ele fica praticamente
isolado nas profundezas, preso num equipamento a cerca de 100 metros de
profundidade e restando apenas 10 minutos de oxigênio. Pouco tempo para que o
seu resgate seja possível. Somente 29 minutos depois que o seu oxigênio
terminou é que um outro mergulhador consegue puxá-lo de volta à gaiola. Dado
inicialmente como morto, o mergulhador consegue literalmente ressuscitar, um
verdadeiro milagre que nem a ciência e os especialistas conseguem explicar. “O
Último Respiro” conta toda essa história com muita competência, destacando as
primorosas imagens submarinas e uma tensão que leva o espectador a eriçar os
pelos da nuca. O elenco conta com Finn Cole, Woody Harrelson, Simu Liou, Cliff Curtis,
Myanna Buring, Bobby Raisnbury, Djimon Hounsou e Mark Bonnar. A ideia do filme
surgiu depois que o próprio diretor Alex Parkinson realizou o documentário “Last Breath”,
em 2019, contando a história sob o ponto de vista jornalístico, provando que o
mergulhador profissional é uma das profissões mais perigosas do mundo. Trocando
em miúdos, “O Último Respiro” é um filmaço! Para encerrar, lembro que após o
desfecho aparecem imagens de alguns dos personagens reais que viveram aquela
grande aventura.
quinta-feira, 19 de junho de 2025
“MIKAELA”, 2025,
Espanha, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Daniel Calparsoro (“O
Aviso”, “O Engregador”, “Até o Céu”) e roteiro direção de Arturo Ruiz. A tal “Mikaela”
do título é o nome que as autoridades espanholas deram à violenta nevasca sem precedentes que
atingiu e paralisou as estradas na região entre Madrid e Segóvia no feriado
religioso do Dia dos Reis, no dia 6 de janeiro. Ou seja, em pleno inverno. Impedidos
de circular, os veículos ficaram parados à noite nas estradas. Numa delas, três
assaltantes se aproveitam do caos e roubam um carro-forte, matando seus seguranças
e fugindo com o dinheiro. O alarme é acionado e chega ao conhecimento do
policial veterano Leo (Antonio Resines), que também está preso no enorme
congestionamento. Com a ajuda de uma policial novata (Natalia Azahara), Leo
parte para a ação contra os assaltantes, que na fuga ainda sequestram um pai de
família. Toda a ação é acompanhada pela central de monitoramento da polícia,
que orienta a dupla de policiais na perseguição aos assaltantes debaixo de
muita neve. A tensão não para até o desfecho, o que torna “Mikaela” um ótimo
entretenimento, dosado com algumas boas cenas de ação e humor. Completam o elenco Roger Casamajor,
Adriana Torrebejano, Antón Pavel, Cristina Kovani, Patricia Vico, Rocio Muñoz,
Bernabé Fernández e Javier Albalá.
segunda-feira, 16 de junho de 2025
“TEMPO DE GUERRA” (“WARFARE”),
2025, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Ray
Mendoza e Alex Garland (“Guerra Civil”). É um filme para espectadores de
estômago forte, ainda mais por ser baseado em fatos reais. O ano é 2006 durante
a Guerra do Iraque e o cenário é a cidade de Ramadi, ocupada por militantes ligados à Al Qaeda. Um pelotão
de fuzileiros navais do exército dos Estados Unidos ocupa uma casa estrategicamente
localizada para vigiar os movimentos dos guerrilheiros. Só que o tirou saiu
pela culatra, pois foram os inimigos que localizaram a casa, colocando-a sob
fogo intenso. Uma granada é jogada pela janela e fere gravemente dois soldados.
Pelo rádio, os norte-americanos pedem socorro médico e, minutos depois, chega
um tanque para resgatar os feridos. Durante o procedimento, uma bomba explode o
veículo, matando e ferindo gravemente mais outros soldados. Enfim, uma
carnificina, que depois acabou sendo chamada de “a batalha de Ramadi”. O
episódio foi vivido pelo co-diretor Ray Mendonza, ex-fuzileiro naval que estava
naquele pelotão. Dessa forma, o filme foi realizado de acordo com o relato de
Mendonza, mostrando a tensão dos soldados diante da possível invasão da casa
pelos terroristas, gerando cenas intensas de violência e suspense. Não tenho dúvida em afirmar que “Tempo
de Guerra” é um dos retratos mais viscerais sobre os horrores de uma guerra.
Lembrei de um filme bastante semelhante, “Falcão Negro em Perigo”, de 2001,
dirigido por Ridley Scott. “Tempo de Guerra” não é melhor, mas é tão bom
quanto. É igualmente perturbador, realista e claustrofóbico, com alto nível de
tensão. Quanto ao elenco, é formado por atores jovens que dão conta do recado. IMPERDÍVEL!, assim mesmo, em letras maiúsculas.
domingo, 15 de junho de 2025
“UM ÁLIBI” (“AN ALIBI”), 2022,
França, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção de Orso Miret, seguindo roteiro assinado por Emmanuel Mauro e Laurente Roggero.
Quem assistir a este suspense vai lembrar na hora do velho ditado popular “Mentira
tem Perna Curta”. A história é bem legal, prende atenção até o desfecho, graças
a um primoroso roteiro e um ótimo elenco. Quando um grupo de amigos chega à casa da amiga
aniversariante Lucie (Sara Martins), o cenário é trágico: ela está morta nos
braços do marido Max (Pascal Demolon). Eles chamam a polícia e, percebendo que Max,
todo cheio de sangue, poderá ser considerado suspeito, inventam um álibi. Interrogados
pela inspetora Garnier (Aurélia Petit), os amigos mantêm o álibi, mas a policial,
experiente, não cai na história. Sobra para o marido, que, embora negue ser o
culpado, é detido por ser o principal suspeito. O mistério sobre o assassinato
só será revelado perto do desfecho, numa reviravolta surpreendente. Completam o
elenco Annelise Hesme, Michaël Cohen, Yannick Choirat, Grégori Derangère e
Saverio Maligno. Sem dúvida, um filme bastante interessante e agradável de
assistir. Um suspense de primeira.
quinta-feira, 12 de junho de 2025
“A NOITE DAS BRUXAS” (“A
HAUNTING IN VENICE”), 2023, coprodução Inglaterra/Estados
Unidos/Itália, 1h43m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Kenneth Branagh, que
também assina o roteiro com Michael Green. Este é o terceiro filme da trilogia
adaptada para o cinema pelo ator e cineasta inglês Kenneth Branagh da obra da
escritora Agatha Christie. O primeiro foi “Assassinato no Expresso Oriente (2017),
e o segundo “Morte no Nilo” (2022), sempre com Branagh atuando no papel do
inspetor Hercule Poirot. “A Noite das Bruxas” foi adaptado do livro “Hallowe’en
Party”, de 1969. A história é ambientada em 1947, quando Poirot curte sua
aposentadoria em Veneza, protegido pelo seu guarda-costas italiano Vitale
Portfloglio (Ricardo Scamarcio). Mas seu descanso não durará muito. Ao receber
a visita de sua amiga Ariadne Oliver (Tina Fey), uma escritora de romances de
mistério, ele aceita participar de uma sessão espírita na casa da cantora
lírica Rowena Drake (Kelly Reilly). A convidada especial é a misteriosa médium
sra. Reynolds (Michelle Yeoh). Rowena promoveu a reunião para tentar se
comunicar com a filha, que morreu afogada meses antes. Após o encerramento da
sessão, porém, mais uma morte misteriosa acontece, levando Poirot a acreditar
que o assassino está entre os convidados. E por aí vai a história, quando o
responsável pelas mortes será revelado adivinha por quem? Poirot, claro.
Completam o ótimo elenco Tina Fey, Camille Cottin, Jamie Dornan, Rowan Robinson,
Kyle Allen e Emma Laird. O filme é ótimo, destacando-se a primorosa direção de
arte, fotografia (Haris Zambarloukos), cenários, figurinos e, em especial, a vista aérea de Veneza
na cena que antecede os créditos finais, um espetáculo visual de levantar da poltrona
e aplaudir de pé. Trocando em miúdos, “A Noite das Bruxas” fecha com chave de
ouro a trilogia de Kenneth Branagh. Imperdível!
terça-feira, 10 de junho de 2025
“FÚRIA PRIMITIVA” (“MONKEY MAN”), 2024,
coprodução Estados Unidos/Canadá/Índia/Cingapura, 2h1m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Dev Patel, que também assina o roteiro com a colaboração de
Paul Angunawela e John Collee. Este filme de ação marca a estreia do ator inglês
de origem indiana Dev Patel no roteiro e direção (a história foi criada por
ele). Como ator, ele é conhecido por filmes como “Quem Quer Ser um Milionário”,
“Lion: Uma Jornada para Casa” e “A Lenda do Cavaleiro Verde”, entre outros. Em “Fúria
Primitiva”, ambientado na Índia, ele vive o papel de Kid, um jovem que cresceu
com o trauma de ter visto a mãe e toda a população do vilarejo em que morava
assassinada por policiais a mando de um poderoso político. Para se sustentar,
Kid participa de lutas clandestinas, nas quais usa uma máscara de gorila – seus
adversários usam máscaras de outros animais. Enfim, um zoológico sangrento no
ringue. Quando tenta iniciar uma vingança contra aqueles que assassinaram sua
mãe, Kid é ferido com gravidade e acaba sendo acolhido por uma comunidade Hijra,
constituída por pessoas transgênero, intersexo e eunucos, todas devotas da
deusa Bahuchara Mata – pesquisei no Google, e essa comunidade realmente existe.
Curado de seus ferimentos, Kid aspira um pó mágico – tipo espinafre do
Popeye - que lhe dá força e coragem para consumar seu objetivo de vingança. Com
sangue nos olhos e uma enorme raiva reprimida, lá vai nosso herói atrás dos
assassinos, principalmente o chefe de polícia Rana Singh (Sikandar Kher) e o
próprio Baba Shakt (Makarand Deshpande), o poderoso líder político. A violência
corre solta até o final, com muita ação, pancadaria e sangue jorrando. As cenas
são muito bem realizadas. Como já aconteceu com outros filmes cujo herói parte
para a vingança na base da violência, os críticos profissionais logo o comparam
com o personagem John Wick, que ficou famoso com o ator Keanu Reeves. Assim
aconteceu também com este “Fúria Primitiva”, já chamado de “o novo John Wick” e
ainda com o recém-lançado “Bailarina”, cuja heroína é uma mulher, papel da
atriz cubana Ana de Armas. Trocando em miúdos, “Fúria Primitiva” faz jus ao
título, com muita ação e violência.