“EM EMERGÊNCIA” (“EMERGENCY”),
2025,
Índia, 2h26m, em cartaz na Netflix, direção de Kangana Ranaut, que também
escreveu o roteiro com a colaboração de Ritesh Xá. O roteiro utilizou como base
os livros “The Emergency”, de Coomi Kapoor, e “Priyadarshini”, de Jaiyanth
Sinho. Superprodução de Bollywood centrada na vida de Indira Gandhi
(1917-1984), personagem de grande importância na história política da Índia num período bastante conturbado. O
filme acompanha a vida de Indira desde 1929, ao mesmo tempo em que abre espaço
para os principais fatos que aconteceram no país, como sua Independência, a
guerra indo-chinesa, a crise de Assam em 1962, a guerra indo-paquistanesa em
1971, culminando com o assassinato de Indira, em 1984, por um de seus
seguranças. O título do filme refere-se ao período entre 1975 e 1977, quando
Indira declarou estado de emergência no país, suspendeu liberdades civis e
enfrentou oposição interna e internacional. Isso tudo como pano de fundo, o
roteiro acompanha a ascensão de Indira no campo político, destacando o período
em que foi primeira-ministra. A atriz Kangana Ranaut, que fez o papel de Indira
e dirigiu o filme, também é integrante do parlamento indiano. Ela é bonita e
ótima atriz, mas não achei boa sua performance como Indira. Ela utilizou nariz
postiço e peruca de mechas brancas, mas seu semblante jovial e sua beleza a traíram. De qualquer forma, o filme é muito bom como registro
histórico.
sábado, 29 de março de 2025
quinta-feira, 27 de março de 2025
“DUPLICIDADE” (“TYLER PERRY’S
DUPLICITY”), 2025, Estados Unidos, 1h49m, em cartaz na
Prime Vídeo, roteiro e direção de Tyler Perry. Trata-se de um drama policial
com muito suspense e reviravoltas. A “Duplicidade” do título diz respeito à
falsidade de alguns personagens, os famosos “lobos em pele de cordeiro”, gente de duas caras. Quando
um negro é assassinado por um policial branco, Los Angeles se transforma num barril
de pólvora, com revoltas, depredações e manifestações antirracistas. A vítima é
Rodney Blackburn (Joshua Adeyeye), não por acaso o mesmo nome daquele negro
morto por policiais em 2012 (Rodney King). A vítima era marido de Fela
Blackburn (Meagan Tandy), uma apresentadora popular de um programa jornalístico de TV. A advogada Marley Wells (Kat Graham), amiga da viúva, resolve comprar a
briga e levar o policial branco às barras da Justiça. No meio do caminho,
porém, começam a aparecer indícios de que há algo de muito errado acontecendo,
culminando com algumas reviravoltas que mudam todo o rumo da história e um
desfecho pra lá de surpreendente. O diretor Tyler Perry mantém o estilo que caracteriza
a maioria de seus filmes, denunciando sempre o racismo da sociedade branca do Tio Sam
e colocando os negros como seres superiores. Uma evidência disso é que as
atrizes negras são todas lindas, a cada cena parecendo ter saído de um salão de
beleza, maquiadas e super bem vestidas. Os atores negros são bonitos, sarados
e também vestidos com capricho. Todo esse estilo está em filmes do diretor como
“Divórcio em Família” e “Batalhão 6888”, entre tantos outros. Resumo da ópera: entre erros e
acertos, “Duplicidade” não decepciona, mas fica longe de merecer uma recomendação entusiasmada.
quarta-feira, 26 de março de 2025
“O SILÊNCIO DE MARCOS TREMMER”
(“EL SILENCIO DE MARCOS TREMMER”), 2024, coprodução
Espanha/Uruguai, 1h52m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Miguel García de La
Calera, seguindo roteiro assinado por Javier Dampierre e Ricardo Urroz. Drama
sensível e comovente tendo como principal protagonista o publicitário Marcos
Tremmer (Benjamín Vicuña), que um dia recebe a chocante notícia de que está com
um câncer terminal. Com a cumplicidade do irmão médico, ele esconde a doença da
esposa Lucía (Adriana Ugarte), que acabara de passar por um luto doloroso por
causa da morte da irmã. Com o prognóstico de poucos meses de vida, Marcos
resolve mudar seu comportamento em relação a Lucía, passando a tratá-la mal para
que ela não sofra com sua morte. Além disso, ele deseja que Lúcia seja feliz
com outro homem. Claro que Marcos sofre muito com a situação, pois ama demais
Lucía, com quem é casado há 7 anos. Marcos consegue o objetivo de magoar a esposa,
mas uma reviravolta inesperada perto do desfecho muda toda a situação.
Completam o elenco Mirta Busnelli, Félix Gomez e Daniel Hendler. Recomendo.
segunda-feira, 24 de março de 2025
“GEORGE FOREMAN: SUA HISTÓRIA”
(“BIG GEORGE FOREMAN”), 2023, Estados Unidos, 2h9m,
direção de George Tillman Jr. (“Notorious”, “Homens de Honra”), também autor do
roteiro com Dan Gordon e Frank Baldwin. Quando soube da morte de George
Foreman, no dia 21 de março, naquela semana mesmo eu havia resolvido assistir a
este filme biográfico daquele que é considerado um dos maiores lutadores de boxe
do século XX, bicampeão mundial dos pesos pesados. E com um fato inusitado: sua
segunda conquista foi aos 45 anos. O filme conta sua história desde a infância,
adolescência e juventude, mostrando um jovem raivoso que partia para briga a
qualquer hora. Até que apareceu em sua vida Doc Broadus (Forest Whitaker),
técnico de boxe que viu naquele rapaz um potencial enorme para lutar
profissionalmente. Foreman (Khris Davis) enfrentou os melhores lutadores da
época, como o genial Muhammad Ali, Archie Moore, Sonny Liston, Joe Frazier e
Evander Holyfield. As cenas de luta são ótimas – algumas das quais reproduzidas
com flashes das verdadeiras. O roteiro também dá espaço para a
conturbada vida particular de Foreman, a pobreza na infância, sua opção de
abandonar os ringues para trabalhar como pastor e depois como empresário. O
filme é excelente, com um primoroso roteiro e um elenco de primeira. Não
precisa gostar de boxe para curtir este ótimo filme biográfico. Imperdível!
domingo, 23 de março de 2025
“FÚRIA” (“RABID”), 2019,
Canadá, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção das irmãs Jen e Sylvia Soska,
que também assinam o roteiro com John Serge. O filme é um remake de “Enraivecida
na Fúria do Sexo” (o título original também era “Rabid”), filme de 1977
dirigido pelo polêmico e veterano cineasta canadense David Cronenberg, pelo qual as irmãs
gêmeas cineastas confessam enorme admiração. Pois foi seguindo o estilo de
terror típico dos filmes de Cronenberg (“Crash: Estranhos Prazeres”, “A Mosca”,
entre tantos outros) que elas realizaram “Fúria”. Vamos à história: a recatada
Rose (Laura Vandervoort) trabalha como estilista no estúdio de moda do afetado
Gunter (Mackenzie Gray). Quando sofre um acidente de moto, ela fica totalmente
desfigurada, perdendo parte do rosto na altura da boca. Desesperada, Rose
ingressa como paciente voluntária em uma clínica que oferece um tratamento
radical e experimental com células-tronco não testadas. Um risco e tanto, mas ela
encara o desafio com muita coragem. O resultado é milagroso, pois Rose volta a
ter o seu antigo rosto bonito, mas as sequelas são terríveis. Até a metade de
sua duração, “Fúria” parece bastante promissor, preservando um cenário de
suspense muito bem elaborado. Da metade para o fim, porém, o filme descamba
para um terror de corpos estraçalhados, deformados e outras aberrações. Trocando
em miúdos, “Fúria” tem tudo para agradar quem gosta de ver sangue jorrando na tela.
sábado, 22 de março de 2025
“A CONTADORA DE FILMES” (“LA
CONTADORA DE PELÍCULAS”), 2023, coprodução
Chile/Espanha/França, direção da cineasta dinamarquesa Lone Scherfig, seguindo
roteiro assinado por Walter Salles (ele mesmo, o diretor de “Ainda Estou Aqui”),
Rafa Russo e Isabel Coixet, adaptado do romance homônimo escrito pelo novelista
e poeta chileno Hernán Rivera Letelier. Trata-se de mais uma bela, sensível e
tocante homenagem ao cinema. A história é centrada numa família que vive numa pequena
cidade no deserto do Atacama (Chile), cuja maioria dos habitantes trabalha em
uma mina de salitre chefiada por Nansen, papel do ator Daniel Brühl. Medardo (o ator espanhol Antonio de La Torre) e Maria
Magnolia (Bérénice Bejo, atriz argentina radicada na França) e seus quatro
filhos vão ao cinema todos os domingos. Maria Margaríta (quando criança, Alontra
Valenzuela, e quando jovem, interpretada por Sara Becker), é a mais nova dos
quatros irmãos e a que mais curte os filmes exibidos pelo pequeno cinema da
cidade, a maioria deles de Hollywood. O programa familiar de domingo, porém, seria prejudicado
depois que Medardo sofre um acidente e fica impossibilitado de trabalhar,
afetando a situação financeira da família. Para economizar, o casal resolve comprar apenas um ingresso para as sessões de cinema no domingo e a escolhida
para assistir é Maria Margaríta, pois ela sempre demonstrou capacidade para
reproduzir as falas dos atores, descrever as situações e interpretar a
história. Sua fama de “contadora de filmes” chegou aos vizinhos, que, em
sessões especiais, acompanhavam com toda atenção o desempenho da menina. E
assim segue a história, acompanhando a família desde o final dos anos 50,
percorrendo a década de 60 e chegando ao final em 1973, quando um golpe militar
depôs o presidente Salvador Allende. “A Contadora de Filmes” é mais um daqueles
filmes para ficar do lado esquerdo do peito de qualquer cinéfilo, como tantos outros
filmes que também homenagearam o cinema, entre os quais considero “Cinema
Paradiso” o melhor de todos.
quarta-feira, 19 de março de 2025
“ADOLESCÊNCIA” (“ADOLESCENCE”),
2025, Inglaterra, minissérie da Netflix em 4 episódios, direção de Philip
Barantini (“Enola Holmes 3”, “O Chef”, “Villain”) em 4 episódios, criação e roteiro
de Stephen Graham (ator da minissérie) e Jack Thorne. Acusado de ter
assassinado uma colega de escola, o adolescente Jamie Miller (Owen Cooper, em
sua estreia como ator), de 13 anos, é preso em casa e levado à delegacia. O
jovem é interrogado pelos detetives Luke Bascomber (Ashley Waters) e Misha
Frank (Faye Marsay), teimando sempre que não cometeu o assassinato. Eddie
(Stephen Graham) e Manda (Christine Tremarco), os pais de Jamie, além da sua
irmã também adolescente Lisa (Amelie Pease), também afirmam ter certeza de que
o menino é inocente. Os policiais buscam testemunhas entre os colegas de
colégio, sugerindo que entre eles possa estar o verdadeiro assassino ou talvez
um cúmplice ou uma testemunha. Até que um vídeo acaba mostrando toda a verdade. Evidente que não vou dar
nenhum spoiler sobre o que acontece no final da história. O que posso
garantir é que a minissérie é excelente, muito acima da média de outras do
gênero, mas exige uma certa paciência por parte do espectador, já que o roteiro
se baseia em diálogos, muitos dos quais de fundo psicológico, tentando saber o
que se passa na cabeça dos adolescentes da atual geração. O longo diálogo entre
o jovem acusado e a psicóloga Briony (Erin Doherty) é bastante esclarecedor. A
grande sacada do diretor foi filmar cada episódio num único plano-sequência,
sem cortes, fazendo com que vários personagens apareçam na próxima cena cruzando
com aqueles que estavam na cena anterior. Uma aula de cinema, um achado que
acabou se constituindo em um dos principais trunfos desta minissérie, além do excelente elenco. Não
perca!
domingo, 16 de março de 2025
“LEE MILLER: NA LINHA DE
FRENTE” (“LEE”), 2023, Inglaterra, em cartaz na Prime Vídeo,
1h57m, direção de Ellen Kuras, seguindo roteiro assinado por Liz Hannah e John
Collee. A história é baseada em fatos reais da vida da norte-americana Elizabeth
“Lee” Miller (1907-1977), que ficou famosa como modelo, fotógrafa e correspondente de
guerra. O filme retrata Lee Miller desde a época em que foi modelo – década de
30 – e logo em seguida fotógrafa de moda da revista Vogue francesa e
correspondente de guerra no final da Segunda Guerra Mundial. Ela ficou famosa
depois de cobrir a libertação de Paris dos nazistas em 1944 e pelas fotografias
chocantes que fez nos campos de concentração de Buchenwald e Dachau, na
Alemanha. A foto dela tomando banho na banheira particular de Hitler, tirada por seu amigo também fotógrafo David Scherman, ficou ainda mais famosa. Além dessa incrível história, o filme conta com um elenco de primeira
linha, a começar pela a atriz inglesa Kate Winslet como Lee Miller – por esse
papel, foi indicada ao Globo de Ouro –, além de Marion Cottilard, Andy Samberg,
Alexander Skarsgard, Andrea Riseborough, Noèmie Merlant, Enrique Arce, Josh
Connor e Samuel Barnett. Como informação adicional, lembro que o roteiro foi
baseado no livro “The Lives of Lee Miller”, de 1985, escrito por Antony
Penrose, filho de Lee e Roland Penrose. Resumo da ópera: um filmaço!
sábado, 15 de março de 2025
“O SILÊNCIO DA VINGANÇA” (“SILENT
NIGHT”), 2023, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção de John Woo, seguindo roteiro assinado por Robert Archer Lynn. Filme
mudo em pleno século XXI? Pois é, o filme não tem diálogos, apenas gritarias, barulho de
tiros, pancadarias, derrapagens,
perseguições. Estamos em Los Angeles, onde a violência urbana e a guerra entre
gangues levam pânico à população – não lembra uma tal de cidade maravilhosa? Num
desses tiroteios, uma bala perdida atinge e mata um garoto de 7 anos que
brincava com o pai e mãe no jardim da casa. Brian Godlook (Joel Kinnaman), o
pai, leva um tiro no pescoço e perde a voz. Ele se recupera do ferimento e jura
vingança. Passa o ano inteiro treinando artes marciais, tiro ao alvo e derrapagens
no Mustang usado que acabara de comprar. O filme segue um longo caminho sem
qualquer ação e ficamos sentados na poltrona assistindo Brian se exercitando, o
que exige muito da nossa paciência. Além de Kinnaman, o elenco de “mudos” conta com
Catalina Sandino Moreno, Harold Torres, Valeria Santaella, Kidi Cudi e Anthony
Giulietti. Só no desfecho é que a ação toma conta, com boas cenas executadas
com maestria pelo cineasta chinês John Woo. O resultado final, porém, é
decepcionante. “O Silêncio da Vingança” foi considerado pela crítica
especializada como o pior filme de Woo em Hollywood - seu último filme na terra de Trump foi "O Pagamento", em 2003. E olha que o cineasta chinês
tinha o crédito de ter dirigido ótimos filmes de ação nos States, tais
como “O Alvo” – seu primeiro nos Estados Unidos, em 1990, com Jean-Claude Van
Damme -, além de “A Outra Face”, “O Alvo”, “Fervura Máxima” e “Missão
Impossível 2”, entre outros. Não à toa que “O Silêncio da Vingança” foi um
grande fracasso de bilheteria nos Estados Unidos e no Canadá. Realmente, muito
fraco.
quinta-feira, 13 de março de 2025
“DELICIOUS” (a
Netflix manteve o título original), 2025, Alemanha, 1h42m, roteiro e direção de
Nele Mueller-Stöfen (é o seu primeiro longa). Suspense na linha de “Parasita” e
“O Menu”, explorando a questão da luta de classes. Neste filme alemão, falado
em francês, alemão e inglês, uma família rica vai passar as férias de verão em
sua luxuosa vila francesa na Provença. Numa noite, voltando de um restaurante,
o carro da família atropela uma jovem. O desespero toma conta de John (Fahri
Yardim), o pai, que dirigia o veículo e tinha bebido um pouco a mais. Sua
esposa, Esther (Valerie Pachner), resolve cuidar da moça pessoalmente, evitando
levá-la para um hospital e também uma eventual comunicação à polícia, já que o
marido havia bebido. A vítima, Theodora (Cara Días), de origem espanhola, acaba
se aproximando da família até ser contratada como empregada da casa. Theodora,
porém, tem planos sórdidos para a família, começando por influenciar Esther a
se aventurar fora do casamento. Aos poucos, a gente percebe que a família alemã
é bastante desajustada e que a história não acabará bem. E, pior, de uma forma
bastante trágica e inusitada, justificando o título do filme. “Delicious” é um
suspense muito interessante, que prende a atenção do começo ao desfecho. Enfim,
um filme do gênero suspense acima da média.
quarta-feira, 12 de março de 2025
“O APRENDIZ” (“THE APPRENTICE”), 2024,
coprodução Canadá/Dinamarca/Irlanda/Estados Unidos, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta iraniano Ali Abbai (“Holy Spider”, “Border”), seguindo
roteiro assinado por Gabriel Sherman. Com primorosa recriação de época – anos 70
e 80 -, o filme mostra a ascensão vertiginosa do jovem Donald Trump (Sebastian
Stan) no mercado imobiliário de Nova Iorque, desde a construção do Grand Hyatt
Hotel de Manhatan, em 1978, seu primeiro grande empreendimento. O roteiro destaca não
apenas o lado empresarial do futuro presidente dos Estados Unidos, como também
a relação conflituosa com sua família, o casamento com a modelo tcheca Ivana (Maria
Bakalova) e, principalmente, sua relação com o advogado Roy Cohn (Jeremy
Strong), responsável por ensinar Trump as artimanhas, truques e como negociar –
nem sempre de forma honesta - e sair sempre ganhando. O lema que Cohn
aconselhou Trump a adotar: atacar, negar todas as acusações e nunca aceitar a
derrota. Entre os demais atores mais conhecidos do ótimo elenco estão Martin
Donovan, Catherine McNally e Charlie Carrick. O destaque maior fica, sem dúvida, por conta
do ator romeno Sebastian Stan, que também está nas telas com os filmes “Um
Homem Diferente” e “Capitão América: Admirável Mundo Novo”. A impressionante
interpretação de Stan como Trump o levou a ser indicado ao Oscar 2025 como
Melhor Ator – “O Aprendiz” também disputou o Oscar 2025 na categoria Melhor
Filme. Não venceu, como era esperado, em nenhuma das duas, já que os membros votantes
da Academia nos EUA, em sua maioria, são ativistas do partido democrata e nunca
gostaram de Trump. Aliás, o próprio Donald Trump não gostou do filme, achando que atrapalharia sua campanha. Eu achei um filmaço.
sábado, 8 de março de 2025
“OS ASSASSINATOS DE BUCKINGHAM”
(“THE BUCKINGHAM MURDERS”), 2024, Índia, 1h47m, em
cartaz na Netflix, direção de Hansal Mehta (“Omertá”, "Quando Bangladesh Chorou”),
seguindo roteiro de Aseem Arrora, Raghav Raj Kakker e Kashyap Kakker. Embora
seja indiano, ou seja, produzido por Bollywood, o filme é todo ambientado na
Inglaterra, falado em inglês e hindi, assim como o elenco e equipe técnica é formada por indianos e ingleses. A personagem principal é a detetive Jass
Bhamra (Kareena Kapoor, uma das atrizes mais conhecidas do cinema indiano), da
polícia de Londres. Quando ocorre o assassinato de um adolescente na cidade de
Buckinghamshire, Jass é designada para ajudar o detetive local, Hardik Patel
(Ash Tandon), a encontrar os responsáveis pela morte do garoto. Uma
investigação dolorida para Jass, que pouco tempo antes viu seu filho ser
assassinado e arrasta esse trauma até agora. A vítima de Buckinghamshire é filho
adotivo de uma família de indianos, cuja comunidade é grande na cidade. O
roteiro coloca à frente do espectador vários suspeitos, mas o verdadeiro
somente será revelado no final. Aliás, um desfecho surpreendente. Só como
informação adicional, a criação da detetive Jass Bhamra foi inspirada na
personagem de Kate Winslet na minissérie “Mare of Easttown”, de 2021.
Resumindo, “Os Assassinatos de Buckingham” é um bom suspense, mas não oferece nenhum grande motivo para merecer uma indicação entusiasmada.
quinta-feira, 6 de março de 2025
“O REFORMATÓRIO NICKEL” (“NICKEL
BOYS”), 2024, Estados Unidos, 2h20m, em cartaz na Prime Vídeo,
roteiro e direção de Ramell Ross. A história é baseada no livro “The Nickel
Boys”, escrito por Colson Whitehead, lançado em 2019 e premiado com o Pulitzer.
Indicado ao Oscar 2025 em duas categorias, Melhor Filme e Melhor Roteiro
Adaptado, o filme não é muito fácil de digerir, principalmente pela forma com
que o cineasta resolveu adotar para filmar a história. Segundo o material de
divulgação, o romance foi inspirado em fatos reais ocorridos nos anos 60 do
século passado no Dozier School for Boys, localizado na Flórida. Não sei se o
diretor Ramell Ross teve um surto de criatividade psicodélica ou resolveu
incorporar o estilo maluco do intragável cineasta Terrence Malick, outro autor
de filmes sem pé nem cabeça. De forma surreal, com enquadramentos esquisitos,
personagens que dialogam com a câmera e reprodução de fotos e vídeos da época,
o filme coloca em discussão temas como o racismo e a violência que imperavam
nos Estados Unidos naquela década efervescente. Os personagens principais da história
são os adolescentes Elwood (Ethan Herisse) e Turner (Brandon Wilson), que ficam
amigos e confidentes no reformatório. Se o diretor Ramell Ross tivesse o bom
senso de contar a história de forma normal, o filme certamente seria bem melhor
de assistir. Mas ele preferiu arriscar em uma maneira de filmar totalmente
foram dos padrões, pensando que é um gênio. No meu entender, fracassou redondamente,
pois o filme é muito chato, arrastado, insuportável. Alguns críticos
profissionais afetados elogiaram, mas nem suas indicações ao Oscar foram
capazes de me sensibilizar. Uma coisa é certa: é preciso muita paciência para
chegar até o final.
segunda-feira, 3 de março de 2025
“BASTION 36”, 2025,
França, 2h4m, em cartaz na Netflix (que manteve o título original), direção de Olivier
Marchal, que também escreveu o roteiro inspirado no livro “Flic Requiem”, de
Michel Tourscher. A assinatura do cineasta Olivier Marchal é aval garantido
para um bom filme policial de ação (leia no fim do comentário alguns filmes dirigidos
por ele). Este “Bastion 36” não é dos seus melhores, mas mantém alguns aspectos
do seu estilo, como muita pancadaria, violência extrema, perseguições
eletrizantes e, principalmente, corrupção policial. A história é centrada no
capitão Antoine Cerda (Victor Belmondo, neto do falecido ator Jean-Paul Belmondo),
comandante da Brigada de Investigações de Paris. Perito em artes marciais, ele
complementa seu salário participando de lutas clandestinas. Depois de uma
delas, ele entra numa briga de rua e nocauteia dois homens. O caso chega ao
conhecimento dos seus superiores, que resolvem transferi-lo para outra
delegacia. Logo depois, dois de seus ex-colegas são assassinados, um outro
ex-colega desaparece e sua namorada também policial sofre um atentado e fica em
estado crítico. Por conta própria, Antoine começa a investigar para tentar
descobrir quem são os responsáveis por tudo isso. Será que foi o crime
organizado ou gente da própria polícia? Tudo será esclarecido no desfecho, mantendo
o suspense e a atenção do espectador. Como disse no começo, não é o melhor de
Marchal, nem muito menos o pior. Do diretor recomendo filmes como “36”, “Bronx”,
“Pacto de Sangue”, “Carbono”, “MR-73”, “Overdose” e a série “Marselha em Perigo”.
domingo, 2 de março de 2025
“INVASÃO DE LUA DE MEL” (“LUNE
DE MIEL AVEC MA MÈRE”), 2025, França, 1h33m, em cartaz na Netflix,
direção de Nicolas Cuche, que também assina o roteiro com Laurent Turner e
Laure Hennequart. Trata-se de uma comédia francesa, remake do filme espanhol
“Lua de Mel com a Minha Mãe”, de 2022, que também está na Netflix. Como não
assisti a comédia espanhola, fico isento de fazer uma comparação, mas posso
afirmar que a versão francesa é bem divertida, mas irregular no ritmo. Tudo
começa quando Lucas (Julien Frison) é abandonado pela noiva Élodie (Camille
Aguilar) em pleno altar. A viagem de lua de mel para as paradisíacas ilhas
Maurício já estavam pagas. Como não conseguiu o reembolso, Lucas aceitou ir com
a própria mãe Lily (Michèle Laroque). Os valores acertados com o resort
compreendiam uma série de mordomias, somente concedidas a casais em lua de mel.
Dessa forma, Lucas e a mãe se registram como um casal. Claro que a diferença
de idade é logo percebida pelos funcionários do resort como também pelos demais hóspedes, gerando algumas situações bem
engraçadas. Do meio para o fim, porém, o filme perde o ritmo inicial, mas sem
prejudicar o resultado final. Também estão no elenco Kad Merad, Margot Bancilhon,
Gilbert Melki e Rossy De Palma. Programa ideal para dar um período de descanso aos neurônios.
sábado, 1 de março de 2025
“PRESSÃO MÁXIMA” (“CESTA DO
TMY”), 2023, República Tcheca, 1h20m, em cartaz na Prime Vídeo,
roteiro e direção de Jirí Svoboda. A história é baseada no livro “The Little
Girl”, de Martin Goffa. Começa quando um homem invade um banco de arma na mão e
faz vários reféns, entre eles duas crianças e o ministro das Relações
Exteriores do país. Aparentemente sua intenção é assaltar o banco. Mas aos poucos
o espectador ficará sabendo quem é ele e os motivos que o levaram a esta atitude tresloucada. A polícia
e a tropa de elite logo chegam e cercam o quarteirão. Enquanto o suspense rola
solto dentro do banco, o sujeito ameaçando matar um e outro, o roteiro dá
espaço para vários flashbacks que explicam o seu surto de violência. O
espectador fica sabendo que o homem é um renomado cientista, cuja filha
adolescente acabara de morrer de overdose de drogas. Vladimir (Matej Hádek) culpa
o sistema judiciário do país por abrandar as penas dos traficantes – como
acontece com a maioria dos países ocidentais (aqui, nem se fala). Resumindo,
Vladimir, com sua atitude, quer chamar a atenção das autoridades e dos
legisladores. A polícia tenta negociar a soltura dos reféns e, para isso,
recruta uma ex-namorada de Vladimir. O clima de tensão segue firme até o
desfecho, consagrando um filme acima da média. Concluindo, é impossível não se
sensibilizar com a situação de Vladimir, principalmente quem é pai nos dias de
hoje.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025
“O LUTADOR DE AUSCHWITZ” (“MISTRZ”), 2022,
Polônia, 1h31m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Maciej Barczewski.
A história é baseada em fatos reais. O personagem principal é Tadeusz
Pietrzykowski (1917-1991), soldado polonês preso pelos alemães na invasão da
Polônia. Em 1940, ele e outros prisioneiros, em sua maioria judeus, foram os
primeiros a chegar ao recém-inaugurado campo de concentração de Auschwitz, em
1940. Antes de ingressar no exército, Pietrzykowski era um campeão de boxe da
categoria peso-galo (entre 57 e 61 quilos). Para entreter os soldados alemães
no campo de concentração e conseguir rações alimentares adicionais, as quais
dividia com os outros presos, “Teddy” começou a participar de algumas lutas,
primeiro contra prisioneiros, depois contra soldados alemães. Não perdeu nenhuma,
embora tenha lutado com oponentes de maior peso, como foi o caso do peso-pesado
alemão Schally Hottenbach, ”O Martelada”, também nocauteado pelo polonês. O
filme não se concentra apenas no boxeador e nas suas lutas. As cenas de maior
impacto são aquelas que mostram o tratamento cruel dado aos prisioneiros, as
torturas às quais eram submetidos e os assassinatos a sangue frio. As mais
chocantes são aquelas que mostram as filas formadas por homens, mulheres e
crianças para ingressarem nos chamados “recintos de banho”, quando na verdade caminhavam
para a morte por gás. Enfim, “O Lutador de Auschwitz” é um filme obrigatório,
embora muito triste e impactante. Mas faz parte de um capítulo negro da
história mundial e que, por isso mesmo, deve ser visto.
domingo, 23 de fevereiro de 2025
“PISCINA INFINITA” (“INFINITY
POOL”), 2023, coprodução Canadá/Hungria/França, 1h58m, em cartaz
na Netflix, roteiro e direção de Brandon Cronenberg (filho do renomado e
polêmico cineasta canadense David Cronenberg). Alerto de cara, trata-se de um
filme de terror maluco, indigesto, sem pé e cabeça, tronco e membros. Um casal viaja de
férias para uma ilha (fictícia) chamada La Tolqa. Ele é James Foster (Alexander
Skarsgard), um escritor em crise de criatividade com apenas um livro publicado.
Ela é Ern Foster (Cleopatra Coleman), de família rica e, aparentemente, a fonte
de dinheiro que sustenta o casal. Eles se hospedam num resort e conhecem outro
casal, Gabi Bauer (Mia Goth) e Alban Bauer (Jalil Lespert). Segundo as regras
estabelecidas pelo governo da ilha, os turistas hospedados no resort não podem
sair de suas imediações. Os dois casais, porém, alugam um carro e resolvem sair
escondidos para conhecer melhor os lugares naturais da ilha. Na volta, à noite,
o veículo atropela um homem na estrada. Como Foster é quem dirigia, ele é preso
e condenado à morte, a não ser que pague para que seja criado um clone para
morrer no seu lugar. Aí começa toda a loucura na telinha, todo mundo cheirando a
fumaça de uma erva alucinógena. O diretor deve ter cheirado também, pois o
filme se transforma num caleidoscópio psicodélico, com imagens de entortar os
olhos. Ou seja, nada compreensíveis. Como curiosidade, descobri que as
filmagens foram realizadas no resort Amadria Park, em Sibenik, Croácia, e em
locações da Hungria. Para resumir o que é esse filme separei dois comentários
de críticos profissionais. Michael O’Sullivan, do The Washington Post: “Um
enredo de revirar os olhos. Brandon, o diretor, herdou alguns dos piores
excessos do pai: violência fetichista e sexualização gratuita”. David Rooney,
do The Hollywood Reporter: “Filme carece de substância e tem enredo bobo,
superficial, frio e úmido”. Modestamente, como cinéfilo amador, também resolvi
colocar minha colher nesse angu: “O filme é ridículo, realizado única e
exclusivamente para causar polêmica. Enfim, um filme totalmente dispensável”.
sábado, 22 de fevereiro de 2025
“MORTE ANTES DO CASAMENTO” (“ZGON
PRZED WESELEM”), 2025, Polônia, 1h46m, direção de Tomasz Konecki
e Iwona Ogonowska-Konecka, seguindo roteiro escrito por Hanna Wesierska e
Karolina Szymczyk-Majchrzak. Comédia leve, simpática e agradável de assistir.
Numa pequena cidade do interior, o gerente de uma fábrica de laticínios é
encontrado morto e a dúvida é quem o substituirá, gerando uma acirrada disputa
entre os funcionários, um deles Mirek (Tomasz Kapolak), o mais antigo e, portanto, o mais indicado. Só tem um problema: a situação financeira da
empresa é preocupante. Como se não bastasse, Maja (Natalia
Iwanska), filha de Mirek, chega à cidade para apresentar seu noivo, o holandês
Milosz (Gamou Fall), que por ser negro de início não agrada a família, mas Maja
anuncia que vai se casar com ele nos próximos dias. Graças ao roteiro esperto,
todas essas situações rendem bons momentos de humor. Alguns deles, porém,
dispensáveis, como a cena em que as mulheres descem um morro virando cambalhotas.
Dispensável e sem graça. Entretanto, o filme como um todo agrada como comédia, proporcionando
um entretenimento leve e divertido. Completam o elenco Agnieszka Suchora,
Paulina Garazka, Waleria Gorobets, Natalia Sitarska e Antoni Pauwlicki, só para citar os mais conhecidos.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2025
“FORÇA DA NATUREZA – THE DRY 2”
(“FORCE OF NATURE: THE DRY 2”), 2024, Austrália, 1h52m, em
cartaz na Prime Vídeo, direção de Robert Connolly (“Segredos do Passado”). A
história é baseada no livro “Force Of Nature”, de Jane Harper, também autora do roteiro juntamente com o diretor. Trata-se de um suspense policial com pouca ação, sem tiros, sem
pancadarias, sem perseguições. Começa com um grupo de cinco mulheres
participando de um ridículo roteiro corporativo, ou seja, funcionárias de uma
empresa tentando se integrar e trabalhar em equipe. A missão delas é fazer uma
longa caminhada no meio de uma floresta, enfrentando subidas e descidas íngremes,
mosquitos, aranhas, noites frias etc. Sem experiência em enfrentar tal tipo de desafio, as
moças acabam perdidas. Quando conseguem voltar da caminhada, uma delas simplesmente sumiu. O
desaparecimento da moça é comunicado à polícia, que envia os agentes Aaron Falk
(Eric Bana) e Carmen Cooper (Jacqueline McKenzie) para investigar o caso. Entre
inúmeros flashbacks mostrando as cinco mulheres na floresta, o filme
destaca os interrogatórios dos policiais com as quatro sobreviventes. Muito blá
blá blá e pouco conteúdo. Aparece até a possibilidade da moça desaparecida ser uma informante da polícia sobre um esquema de lavagem de dinheiro. E finalmente
chega o desfecho, que todo espectador ficou torcendo para chegar logo, pois o
filme é muito fraco. Participam também do elenco Anna Torv, Sisi Stringer, Debora-Lee
Furness, Richard Roxburg, Jeremy Lindsay
Taylor, Ash Ricardo, Robin McLeavy e Lucy Ansell.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025
“CONTRATO PERIGOSO” (“THE
CONTRACTOR”), 2022, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção do cineasta sueco Tarik Saleh (“Metropia”, “O Garoto dos
Céus”, “Tommy”), seguindo roteiro de J.P. Davis. Filme de ação trazendo o ator
Chris Pine como James Harper, fuzileiro naval dispensado das Forças Especiais
dos EUA depois de um exame de sangue. Atolado em dívidas e preocupado em
sustentar a mulher e o filho, ele concorda em participar de uma missão para uma
organização secreta paramilitar comandada por Rusty Jennings (Kiefer
Sutherland). Juntamente com o ex-companheiro de exército Mike (Ben Foster) e
outros dois mercenários, Harper vai para Berlim com o objetivo de se apoderar de
uma fórmula secreta referente supostamente a uma arma química que seria
utilizada por terroristas islâmicos. Depois de concluída a missão, o grupo de
Harper é cercado pela polícia berlinense, e apenas ele e Mike conseguem
escapar, se escondendo no que parece ser um túnel de esgoto. Depois de ficar
perambulando por Berlim, Harper consegue retornar aos Estados Unidos, quando
descobrirá uma trama das mais sórdidas que o levará a uma vingança. Ou seja, uma reviravolta no enredo que
colocará tudo nos seus devidos eixos. O filme conta com ainda no elenco com a atriz
alemã Nina Hoss numa participação especial, Fares Fares e Eddie Marsan. Como
filme de ação, “Contrato Perigoso” até que funciona, mesmo que a história não
seja muito convincente.
sábado, 15 de fevereiro de 2025
“O ASSASSINO DO CALENDÁRIO” (“DER
HEIMWEG”), 2024, Alemanha, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, direção
de Adolfo J. Kolmerer, seguindo roteiro assinado por Susanne Schneider. A
história é baseada no livro “Walk Me Home”, best-seller escrito por
Sebastian Fitzek. Jules (Sabin Tambrea), atendente de um serviço telefônico de
apoio à segurança de mulheres solitárias a caminho de suas casas à noite e de madrugada, recebe a
ligação de uma mulher desesperada que diz estar sendo seguida pelo Assassino do
Calendário. Ela se identifica como Klara (Luise Heyer) que, depois ficaremos
sabendo, é esposa de Martin (Friedrich Mücke), um funcionário do alto escalão
do governo alemão prestes a ser nomeado secretário. Martin costuma agredir
Klara, além de colocá-la frequentemente em situações constrangedoras, como numa
ida a um clube exclusivo, onde ela é agredida e estuprada. Enquanto conversa
com Jules, Klara é perseguida por um homem misterioso cuja identidade só será
revelada ao espectador no desfecho. Confesso que não entendi grande parte da
história e a motivação dos personagens com relação às suas atitudes. A
fotografia, sombria e escura o tempo todo, também dificulta o entendimento e
torna o filme ainda mais desagradável. Isso mesmo, desagradável, angustiante e
incompreensível. Faço uma exceção à ótima atuação da jovem atriz Luise Heyer,
talvez o único ponto positivo desse suspense alemão. Não vou recomendar, ressaltando, porém, que
a democracia também faz parte do cinema: assiste quem quiser.