sexta-feira, 7 de agosto de 2020

 

O CERCO DE JADOTVILLE (The Siege of Jadotville), 2016, Irlanda, 1h46m, longa de estreia na direção de Richie Smyth, mais conhecido como diretor de curtas. O roteiro é de Kevin Brodbin, que se inpirou no livro “Siege at Jadotville: The Irish Army’s Forgotten Battle”, escrito por Declan Power. Trata-se de uma adaptação para o cinema de um fato histórico ocorrido em 1961, quando a ONU resolver intervir na guerra civil da República do Congo. Os golpistas, depois de assassinarem o então primeiro-ministro Patrice Lumumba, assumiram o poder no país e introduziram no cargo Moise Tshombe, líder da Frende Nacional de Libertação. A força de paz da ONU enviada ao Congo era formada por 150 soldados irlandeses, comandados pelo oficial Pat Quinlan. Detalhe: nenhum desses soldados, em sua maioria jovens, tinha experiência de combate. A base da ONU que ocupavam, na cidade de Jadotville, sofreu um cerco de seis dias pelas tropas da província de Katanga, leais ao governo golpista, treinadas e comandadas por mercenários franceses. É bom lembrar que a França, além de outros países, estava de olho nas riquezas naturais do Congo, entre os quais cobre, urânio, estanho, rádio, diamantes e petróleo. Os valentes soldados irlandeses defenderam heroicamente a sua base e, ao final de seis dias, se renderam por causa da falta de suprimentos e munições, além de alguns feridos em estado grave. Enquanto nos combates morreram cerca de 300 soldados katangeses, os irlandeses não tiveram baixas fatais. Considerando-se a inexperiência do batalhão, foi um feito realmente heroico. O filme mostra toda essa história, preservando o clima tenso e muita ação do começo ao fim, mantendo a atenção do espectador até o desfecho, com sequências de batalha muito bem feitas. O elenco reúne Jamie Dornan (capitão Pat Quinlan), Danny Sapani (Moise Tshombe), Mark Strong (Conor Cruise O’Brien), Mikhel Persbrandt (Dag Hammarskjöld), Guillaume Canet (Rene Faulques), Jason O’Mara (sargento Jack Prendergast), Emmanuelle Seigner (madame La Fontagne) e Fiona Glascott (Carmela Quinlan). Disponível na plataforma Netflix, “O Cerco de Jadotville” é um filme obrigatório para quem curte fatos históricos.     

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

   

“CLAIR OBSCUR” (“TEREDDÜT”), 2016, Turquia, 1h45m, roteiro e direção de Yesim Ustaoglu. Excelente drama cujo pano de fundo é a condição da mulher num país onde o machismo impera dentro e fora das quatro paredes. A história é centrada em duas mulheres que vivem situações diferentes, mas que, no fundo, sofrem o mesmo tipo de dilema em seus relacionamentos. A jovem Elmas (Ecem Uzun) é infeliz no casamento. Mora com o marido e a sogra, vivendo praticamente como a empregada da casa. À noite, mesmo sem vontade, é obrigada a se submeter aos desejos sexuais do marido de uma maneira que beira o estupro. Por outro lado, o filme acompanha a rotina diária da psiquiatra Sehnaz (Funda Eryigit), especialista em jovens problemáticos. Ela mora com seu namorado Cem (Mehmet Kurtulus), viciado em vídeos de pornografia na Internet. Quando fica excitado, ele procura Sehnaz. Não é difícil perceber que o relacionamento do casal gira em torno exclusivamente do sexo. Como já era previsível, o roteiro logo unirá as duas mulheres. Elmas acaba de ser presa pelo assassinato do marido e da sogra, mas está em estado de choque e não lembra o que aconteceu. Ela então é encaminhada para os cuidados de Sehnaz, que tentará descobrir o que se passa na mente da moça, assim como desvendar o que a levou a cometer os assassinatos. O roteiro dedica um grande espaço às sessões de Sehnaz com sua nova paciente. Nesse ponto, há que se destacar a excelente atuação das duas atrizes turcas, especialmente a estreante Ecem Uzun. “Clair Obscur” foi lançado no dia 7 de novembro de 2016 durante o Festival Internacional de Cinema de Toronto (Canadá), conquistando público e críticos. O filme recebeu inúmeras premiações mundo afora, como no 32º Festival de Cinema de Varsóvia (Polônia), no Festival de Antálya (Turquia) e no Festival de Haifa (Israel). O filme é excelente, intenso, com um primoroso roteiro que valoriza e esmiúça os relacionamentos sob o ponto de vista da psicologia. Mais um poderoso filme do cinema turco. IMPERDÍVEL!         





segunda-feira, 3 de agosto de 2020


“DEEP WATER” é uma minissérie policial australiana de 2016 com 4 capítulos (cada um com a duração de 50 minutos), direção de Kris Wyld, que assina o roteiro juntamente com Kym Golsworthy. A história foi inspirada nos assassinatos ocorridos em Sidney no final da década de 80 do século passado. As vítimas eram todas homossexuais e os assassinos integrantes de um grupo de jovens violentos e homofóbicos. Em “Deep Water” (a Netflix manteve o título original), os crimes acontecem na praia de Bondy, também em Sidney, um local tradicionalmente frequentado por surfistas. Quando um jovem gay é brutalmente assassinado, a detetive Tori Lustigman (Yael Stone) e seu parceiro Nick Manning (Noah Taylor - tem cara de tudo, menos de policial) iniciam as investigações, no decorrer das quais chegam à conclusão de que o crime pode estar relacionado com os fatos ocorridos em 1989, quando vários homossexuais foram assassinados com o mesmo modus operandi e os mesmos motivos. Diante disso, eles vasculham o passado, interrogando várias pessoas que tiveram alguma relação com aqueles fatos trágicos, entre as quais parentes das vítimas, homossexuais amigos daqueles que morreram e policiais aposentados que investigaram os crimes. Durante essa fase do trabalho, a detetive Tori descobre que seu próprio irmão  surfista e gay também havia sido assassinado naquela época (situação um tanto forçada). O filme acompanha Tori e Nick trabalhando no caso e buscando pistas até chegar ao assassino, cuja identidade só é revelada no desfecho. No gênero policial, a minissérie até que funciona, prendendo a atenção do espectador até o final, mas deixa a desejar no quesito ação. Ou seja, o ritmo é um pouco lento e algumas sequências entediantes. Nada que mereça uma indicação entusiasmada.            

domingo, 2 de agosto de 2020


Se tiver oportunidade, não perca “REDE DE ÓDIO” (“HEJTER”), 2020, Polônia, 2h16m, roteiro de Mateusz Pacewicz e direção de Jan Komasa (“Corpus Christi”, indicado ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2020). Trata-se de um dos filmes mais interessantes e criativos feitos nos últimos anos, além de polêmico e impactante. E, acima de tudo, bastante atual, pois trata dessa praga das fake news, um fenômeno que tem prejudicado muita gente pelo mundo afora. A história é toda centrada no jovem Tomek (Maciej Musialowski), um estudante de Direito que acaba de ser expulso da Universidade de Varsóvia por plágio, ou seja, apresentou um trabalho utilizando um texto que não era seu. Sua trajetória de mentiroso não terminará por aqui. Nas entrevistas de emprego, ele continua mantendo o status de estudante de Direito. Ele consegue finalmente um trabalho numa conceituada empresa de relações-públicas de Varsóvia, na verdade uma empresa de fachada que atua, contratada por clientes importantes, disseminando notícias falsas (fake news) e manchando a reputação de muita gente, principalmente do mundo político, artístico e empresarial. Uma verdadeira praga do mundo moderno. Um dos primeiros trabalhos de Tomek foi inventar maneiras de denegrir a imagem do político Pawel Rodnick (Maciej Stuhr) às vésperas de uma importante eleição. Para conseguir subsídios para montar sua estratégia demolidora contra o político, Tomek se aproxima de uma família importante da sociedade de Varsóvia, grande apoiadora da candidatura de Pawel. É nesse contexto que Pawel mostrará seu lado perverso de manipulador e psicopata digital, colocando em prática toda a sua crueldade virtual em prol do ódio. E não é apenas no mundo virtual que ele destila toda a sua maldade, mas também no mundo real, envolvendo-se emocionalmente com as pessoas e enganando-as com suas performances teatrais. Um perfeito artista do mal, um propagador de ódio.  Sua crueldade chega ao auge quando conhece um fanático extremista nacionalista contrário às ideias do político Pawel, levando o espectador a acreditar que um desfecho trágico está prestes a acontecer. Também fazem parte do ótimo elenco Vanessa Aleksander, Danuta Stenka, Agata Kulesza e Jacek Koman, entre outros atores poloneses da mais alta qualidade. Mas a estrela máxima é realmente Maciej Musialowski no papel de Tomek, um monstro na interpretação de outro monstro. “Rede de Ódio” estreou no Festival Internacional de Cinema de Treblinka (Polônia”), conquistando o prêmio de “Melhor Filme Narrativo Internacional”. O reconhecimento à sua qualidade não parou por aí. Após ser lançado na plataforma Netflix, em 29 de junho de 2020, o filme logo passou a figurar na lista Top 10. A polêmica maior, porém, aconteceria três semanas depois do final das filmagens, quando Pawel Adamowicz, prefeito de Gdansk, seria assassinado em pleno evento público. Por causa disso, o lançamento do filme teve de ser adiado e quase ficou de fora do circuito comercial na Polônia. Resumo da ópera: “Rede de Ódio” é um filme obrigatório, poderoso e impactante. Não duvido que seja indicado para representar a Polônia no Oscar 2021 para disputar o prêmio de “Melhor Filme Estrangeiro”. E com grandes chances de vencer.             

sexta-feira, 31 de julho de 2020


"FORÇAS DE SEGURANÇA” (“EL-KHALIYYAH”), 2017, Egito, 2h06m, direção de Tarek Al Eryan e roteiro de Salah El Gehiny, disponível na plataforma Netflix. Surpreendente filme de ação do cinema egípcio, recheado com muita pancadaria, explosões, tiros, perseguições de carro e, para amenizar o contexto violento, também tem romance e muito humor. A trama é centrada no agente Saif (Ahmed Ezz), integrante das forças especiais antiterrorismo do exército egípcio. Numa missão para desbaratar uma organização terrorista responsável por um violento atentado à bomba no Cairo, durante o qual morreram dezenas de pessoas, inclusive um importante ministro do governo, Saif vê seu parceiro e grande amigo ser morto pelos criminosos. Depois disso, ele promete vingança e vai atrás do chefão da organização terrorista, o sanguinário Marwan (Samer Al Masry), que mantém ligação com o Estado Islâmico. Daí em diante, muito sangue vai espirrar na sua telinha. Saif ainda vai encontrar tempo para engatar um romance com uma bela egípcia (Amina Khalil), além de se meter em várias confusões com seu chefe direto, o desajeitado Saber (Mohamed Mamdouh). A dupla resolve agir por conta própria e será responsável pelas sequências mais hilariantes do filme, quando perseguem os terroristas pelas ruas do Cairo. O filme prende a atenção do começo ao fim, tornando-se uma ótima opção para um programa com um saco de pipoca na mão. Recomendo.  

quinta-feira, 30 de julho de 2020


“AREIA MOVEDIÇA” (“STÖRST AV ALLT”), 2019, Suécia, minissérie da Netflix em 6 capítulos, cada um com cerca de 50 minutos de duração, roteiro e direção de Camilla Ahl Gren. Trata-se de um drama policial adaptado do best-seller de Malin Persson Giolito. A sequência inicial mostra uma sala de aula de uma escola do ensino médio de Estocolmo com vários alunos mortos. A polícia chega e prende Maja Norberg (Hannah Ardéhn). Em estado de choque, ela não sabe dizer o que aconteceu, mas todos os indícios levam a crer que ela foi a responsável pela carnificina. A partir daí, o filme acompanha a rotina de Maja (pronuncia-se Maia) na prisão, suas reuniões com o advogado Peder Sander (David Dencik), as crises emocionais na solitária e sua amizade com uma agente penitenciária. Paralelamente, em flashbacks, o roteiro volta aos fatos do passado recente de Maja, destacando o namoro tumultuado com Sebastian Fagerman (Felix Sandman), seu colega de classe problemático. O namoro vira um tipo de obsessão de ambas as partes, o ciúme exagerado de Sebastian e a cegueira de Maja com relação aos desmandos do namorado. Os capítulos finais serão dedicados ao tão aguardado julgamento de Maja, a tentativa do advogado de defesa em colocá-la na condição de vítima e os esforços da promotoria para transformá-la numa assassina cruel. A expectativa pelo resultado do julgamento torna esta produção sueca ainda mais interessante. Uma curiosidade: na Suécia não há júri popular. A Corte, constituída por juízes, é quem dá o veredicto. Os principais trunfos de “Areia Movediça” são o seu roteiro bem elaborado, a história em si e o elenco afiado, no qual se destaca a jovem atriz sueca Hannah Ardéhn, de 24 anos (no filme, sua personagem tem 18), com uma primorosa atuação. Esta é mais uma ótima minissérie do cinema europeu, realista e impactante, um retrato muito triste e desanimador do futuro da grande maioria da nossa juventude.            

segunda-feira, 27 de julho de 2020


“O CAMINHO DIFÍCIL” (“THE HARD WAY”), 2019, Estados Unidos, 1h32, direção de Keoni Waxman, que também assina o roteiro com a colaboração de Thomas J. Churchill. Esqueça Van Damme, Jason Stathan ou Steven Siegal e outros mocinhos e reis da pancadaria nos filmes de ação. A bola da vez é o ator norte-americano Michael Jai White, como você poderá comprovar neste “O Caminho Difícil”. Além de grandão e fortíssimo, White é especialista em sete estilos diferentes de artes marciais. Neste recente filme de ação, à disposição na plataforma Netflix, ele é Payne, um ex-soldado das forças especiais norte-americanas que um dia recebe a notícia da morte de seu irmão Cody (Grant Campbell), assassinado durante missão em Bucareste (Romênia). White viaja para a capital romena a fim de resgatar o corpo do irmão, e então descobre que ele foi morto por um integrante de uma poderosa gangue chefiada por um tal de “Toro”, uma figura misteriosa e sinistra que jamais aparece em público e sempre esconde o rosto sob o chapéu de cowboy que não tira da cabeça. Nem os seus capangas sabem a sua verdadeira identidade. Com o objetivo de vingar a morte do irmão, White ganha a companhia de Mason (Luke Goss), parceiro de Cody em sua missão em Bucareste. A dupla tentará chegar até “Toro”, mas antes terá que enfrentar uma legião de capangas. E dá-lhe sopapos, ossos quebrados, sangue jorrando e muitos tiros. Ação é a especialidade do diretor Keoni Waxman, conhecido por dirigir a maioria dos filmes do brucutu canastrão Steven Siegal. Para quem é fã de filmes de ação, "O Caminho Difícil" pode ser uma boa opção, mas ficará devendo se o espectador exigir algo com mais profundidade.  

domingo, 26 de julho de 2020


“IL PROCESSO”, 2019, Itália, coprodução Canale 5/RTI/Lucky Red, minissérie com 8 capítulos (cada um com cerca de 50 minutos), direção de Stefan Ludovichi, seguindo roteiro escrito por Alessandro Fabbri, Enrico Audenino e Laura Corella. Estreou na Itália em novembro de 2019 e na Netflix em abril de 2020 (aqui, o título original em italiano foi mantido). A história começa com um caso policial, quando a jovem Angelica Petroni (Margherita Caviezel), de 17 anos, é encontrada morta boiando num canal da cidade de Mântua (Mantova). Durante as investigações, a polícia local, sob a supervisão da promotora Elena Guerra (Vittoria Puccini), descobre que Angelica era prostituta de luxo e amante de Claudio Cavalleri (Michele Morrone, o chefão mafioso de “365 Dias”), que comandaria um esquema de prostituição na cidade. Só que Claudio é casado com Linda Monaco (Camilla Filippi), pertencente a uma das mais poderosas e ricas famílias não só de Mântua como também da Itália. As primeiras suspeitas recaem justamente sobre Claudio, que talvez tenha assassinado a amante para proteger seu casamento. Posteriormente, porém, começam a surgir evidências de que o crime teria sido cometido por Linda, a esposa ciumenta. A promotora Elena Guerra determina a prisão de Linda e providencia para que ela seja submetida a julgamento. A partir do segundo episódio, o que se vê é um drama de tribunal que se desenrola até o desfecho, envolvendo uma verdadeira batalha entre a promotora e o conceituado advogado Ruggero Barone (Francesco Scianna), defensor da ré. O enredo, muito bem elaborado e repleto de reviravoltas, prende a atenção do espectador e cria a expectativa sobre a culpa ou a inocência de Linda, além de colocar em evidência alguns personagens suspeitos. Quem prestar muita atenção nos detalhes, como eu fiz, logo descobrirá que o roteiro, muito sutilmente, fornece uma pista bem forte sobre a arma do crime e, consequentemente, seu autor. Além da história em si, outro destaque da minissérie são as locações e os belos e exuberantes cenários de Mântua, notadamente seus palazzos e suas piazzas. Completam o elenco Roberto Herlitzka, Euridice Axen, Alessandro Averone e Maurizio Lastrico. “IL PROCESSO” é mais uma excelente minissérie europeia, um ótimo entretenimento para quem curte dramas de tribunal.    

quinta-feira, 23 de julho de 2020


Eleita pelos críticos de cinema como a melhor minissérie europeia de 2016, a norueguesa “NOBEL” (“NOBEL – FRED PARA ENHVER PRIS”) realmente é sensacional. Como afirmou um crítico, “É instantaneamente viciante”. Concordo plenamente, pois é difícil fazer um intervalo, por menor que seja, entre os 8 capítulos (cada um de 45 minutos). O pano de fundo é a participação da Noruega na Guerra do Afeganistão. Por trás da intenção de combater o Talibã, porém, há outros motivos para que o governo norueguês envie seus soldados. Como mostra a minissérie, a principal motivação é um acordo envolvendo a produção e venda de petróleo, negócio que também contemplaria uma parceria com o governo da China. Além dos bastidores dessas negociatas, a minissérie confere maior destaque à participação de um grupo das forças especiais do exército norueguês comandado pelo tenente Erling Riiser (Aksel Hennie). Ele e seus comandados serão encarregados de várias missões em território afegão, uma delas, a mais difícil de todas, é a de convencer os talibãs que a Noruega está oferecendo um negócio que beneficiará o povo afegão. Outra missão da equipe de Erling é a de garantir a segurança do ministro das relações exteriores da Noruega durante uma visita secreta aos líderes do Talibã. Quando volta a Oslo para um período de descanso, Erling ainda terá de enfrentar a insatisfação da esposa Johanne (a ótima Tuva Novotny) com seus longos períodos longe de casa. A minissérie é bastante abrangente ao focar vários temas, como a guerra, a amizade, os bastidores da política e o drama familiar. Revela também a pressão política exercida sobre a indicação ao Prêmio Nobel, daí a justificativa para a escolha do título. Ainda estão no elenco Danica Curcic, Anders Danielsen Lie e Christian Rubeck, só para citar os mais conhecidos. Sem dúvida, uma das melhores minisséries já realizadas pelo cinema europeu - disponível na plataforma Netflix. Não deixe de ver!             

quarta-feira, 22 de julho de 2020


“SEGURANÇA EM JOGO” (“BODYGUARD”), 2018, minissérie em 6 episódios, Inglaterra, produção da BBC, roteiro e direção de Jed Mercurio. Começa o filme com uma longa sequência de grande impacto e repleta de tensão. Um verdadeiro teste para cardíacos. Em um trem de passageiros, uma jovem muçulmana ameaça detonar a bomba que carrega no corpo. O policial David Budd (Richard Madden, o Rob Stark de “Game of Thrones”), de folga, assume a responsabilidade de convencer a mulher-bomba a não se explodir, o que certamente mataria muita gente, inclusive os filhos do policial. Depois de muita conversa e o trem já cercado pela polícia inglesa, a moça finalmente resolve se entregar. Resumindo, o caso ganha grande repercussão na mídia e David Budd é aclamado como herói nacional. Como compensação, é promovido a chefe da segurança da Ministra do Interior do Reino Unido, Julia Montague (Keeley Hawes), que está em grande evidência por defender políticas mais rígidas e leis mais severas antiterroristas, além de se posicionar a favor do envio de soldados ingleses para países simpáticos ao terrorismo. A posição da ministra não agradará apenas os terroristas, mas também gente do próprio governo inglês, incluindo o serviço secreto. Dessa forma, a ministra Julia passa a ser considerada um alvo em potencial de um atentado, o que fará David Budd se defrontar com muitos inimigos tentando defender a vida da sua chefe. A esposa e os filhos de Budd também estarão em perigo. Ainda estão no elenco Gina McKee, Sophie Rundle, Paul Ready, Vincent Franklin e Tom Brooke. Lembro que o ator Richard Madden, por sua atuação, conquistou o Globo de melhor ator de minisséries. “Segurança em Jogo”, já disponível na plataforma Netflix, foi a minissérie mais vista de 2018 na programação da BBC. Realmente, é excelente, prende a atenção do começo ao fim, com várias reviravoltas, muita tensão e um desfecho de tirar o fôlego. E um romance que, embora previsível, fornece um toque mais leve à tensão reinante. Imperdível!       
  

terça-feira, 21 de julho de 2020


“CASTELO DE AREIA” (“SAND CASTLE”), 2017, Estados Unidos/Inglaterra, produção Netflix, 1h53m, direção do cineasta brasileiro Fernando Coimbra. A história é ambientada durante a ocupação norte-americana no Iraque, em 2003, e acompanha um pelotão encarregado de ações em Bagdá. Como última missão, os soldados devem ir até o vilarejo de Bakuba consertar o serviço de fornecimento de água, destruído meses antes em um ataque aéreo realizado pelos próprios norte-americanos. Só que a população local, embora seja beneficiada pelos reparos, não quer a presença dos soldados. O personagem principal é o soldado Matt Ocre (Nicholas Hoult), que se alistou em 2001 no exército como alternativa para pagar sua faculdade. Porém, não imaginava que seria enviado para o front, ou seja, o Iraque. Do medo inicial – ele chegou a forjar um ferimento para cair fora da ação -, Ocre vai aos poucos adquirindo gosto pelo perigo, tornando-se um ótimo soldado. As cenas de batalha são muito bem realizadas e a tensão corre solta do começo ao fim, lembrando “Falcão Negro em Perigo” e o sul-coreano “Sequestro no Mar Vermelho”, dois dos melhores filmes de guerra ambientados no Oriente Médio. Além de Nicholas Hoult (“Ex-Men”), estão no elenco Henry Cavill ("Batman vs. Superman"), Logan Marchall-Green, Glen Powel e Tommy Flanagan, só para citar os mais conhecidos. Em seu primeiro filme em língua estrangeira, Fernando Coimbra comprova que é um dos diretores mais promissores do cinema atual. Ele já havia mostrado competência no excelente “Um Lobo Atrás da Porta” e em dois episódios da série “Narcos”, chamando a atenção dos produtores internacionais. Em “Castelo de Areia”, Coimbra contou com a colaboração do roteirista Chris Roessner, um ex-soldado do exército norte-americano que também esteve no Iraque. O filme estreou na plataforma Netflix no dia 21 de abril de 2017.       
  

domingo, 19 de julho de 2020


“CALIFADO” (“KALIFAT”) é uma série sueca com 8 capítulos (47 minutos cada um) dirigida por Goran Kapetanovic, com roteiro de Wilhelm Behrman e Niklas Rockström, que estreou em janeiro de 2020 no “streaming” SVT Play da Suécia e depois, em 18 de março, na Netflix. O pano de fundo da história é o fanatismo religioso dos muçulmanos radicais e o aliciamento de jovens pelo Estado Islâmico, o que acontece na vida real em vários países da Europa, inclusive na Suécia. A história começa a partir do momento em que o setor de antiterrorismo do Serviço de Segurança Sueco (SAPO) é alertado por sua equipe de inteligência de que o EI está planejando um atentado na capital Estocolmo. No transcorrer de suas investigações, a agente Fatima Zukic (Aliette Opheim), especialista em contraterrorismo do Serviço de Segurança Sueco (SAPO), recebe um telefonema de Pervin El Kaddouri (Gizem Erdogan), que mora com o marido Husam El Kaddouri (Amed Bozan) e a filha recém-nascida em Ar-Raqqah, na Síria, cidade dominada pelo Estado Islâmico. Insatisfeita com a situação, Pervir pede que Fatima a ajude a voltar para a Suécia, país que abandonou depois que o marido foi cooptado pelo Estado Islâmico. Fatima promete ajudá-la, desde que ela obtenha informações sobre o eventual atentado em Estocolmo. Ao mesmo tempo, o filme mostra a rotina do jovem Ibrahim Hadda (Lancelot Ncube) e seus métodos para aliciar jovens suecos para a causa do EI, principalmente nas escolas da capital sueca. As irmãs Suleika (Nora Rios) e Lisha Wasem (Yussra El Adouni) são cooptadas e, para desespero dos pais, são levadas para a Síria. Até o seu desfecho, a série apresenta momentos de alta tensão, principalmente com relação ao risco de Pervin ser desmascarada como espiã a serviço do governo sueco. Alguns sequências são mesmo de tirar o fôlego, de prender a respiração. “Califado” é, sem dúvida, uma série bastante impactante, das melhores produzidas nos últimos anos. Não perca!   
  

sexta-feira, 17 de julho de 2020


BUSCA SEM LIMITES (“COLLIDE”), 2016, coprodução Alemanha/Estados Unidos/Inglaterra, disponível na plataforma Netflix, 1h39m, roteiro e direção de Eran Creevy. A história é centrada no norte-americano Casey Stein (Nicholas Hoult), que resolveu se refugiar na Alemanha depois de se envolver em atividades ilícitas em seu país. Na cidade de Colônia, Casey continuou no crime, vendendo drogas nas baladas para o traficante turco Geran (Ben Kingsley), que por sua vez tem como sócio o mafioso Hagen Kaal (Anthony Hopkins), um poderoso empresário do setor de transportes, também envolvido com o tráfico – seus caminhões transportam as drogas. Quando conhece a garçonete Juliette (Felicity Jones), Casey se apaixona e resolve abandonar o crime. Só que Juliette revela que sofre de uma doença grave e precisa urgentemente de um transplante de rim, mas não tem dinheiro para pagar a operação. Diante disso, para conseguir a grana e salvar a vida da namorada, Casey resolve realizar um último trabalho para Geran, na verdade um golpe contra Hagen. O filme tem bastante ação e o maior destaque fica por conta das perseguições nas ruas e estradas ao redor de Colônia, nas quais o diretor Creevy utiliza carrões de marcas famosas, entre as quais Jaguar, Aston Martin e Mercedes. São sequências muito bem realizadas, algumas de tirar o fôlego. Não há dúvida de que a presença de astros como Anthony Hopkins e Ben Kingsley, além dos novatos Nicholas Hoult (“Castelo de Areia”) e Felicity Jones (“A Teoria de Tudo”), serviu para valorizar o filme, mas não a ponto de justificar uma recomendação entusiasmada. De qualquer forma, como filme de ação, “Busca sem Limites” até que é um bom entretenimento.    

quarta-feira, 15 de julho de 2020


“ATÔMICA” (“ATOMIC BLONDE”), 2017, Estados Unidos, 1h55m, direção de David Leitch. Trata-se de um filme de ação e espionagem inspirado na HQ “Atomic – The Coldest City”, de Antony Johnston e Sam Hart, que o roteirista Kurt Johnstead adaptou para o cinema. A história é toda centrada em Lorraine Broughton (Charlize Theron), agente secreta do M16 (Serviço Secreto Britânico). Às vésperas da queda do muro de Berlim, em 1989, Lorraine recebe a missão de viajar até a capital alemã para investigar a morte de um agente inglês e descobrir o paradeiro de uma lista de espiões duplos que forneciam informações para os russos durante a Guerra Fria. Só que a tal lista também é disputada, além da Inglaterra, por agentes secretos da Rússia, França, Estados Unidos e Alemanha. Imaginem a confusão em que Lorraine irá se meter, mas ela briga bem e não tem medo de marmanjo. “Atômica” garante muitas sequências empolgantes de ação. Nesse ponto, há que se destacar o trabalho da atriz sul-africana Charlize Theron, que nesse filme está mais bonita do que nunca. Ela não nega fogo somente com os inimigos, mas também entre os lençóis, em cenas muito calientes com a atriz argelina Sofia Boutella. Além da beleza e competência como atriz, o diretor David Leitch soube explorar de Charlize um olhar fatal capaz de trincar vidros blindados. Resumindo, a atriz carrega o filme nas costas, embora acompanhada por um excelente elenco: James McAvoy, John Goodman, Eddie Marsan, Toby Jones e Till Schweiger. A trilha sonora, de muito bom gosto, também apresenta papel fundamental na história: New Order, David Bowie, Public Enemy, The Clash, George Michael e Queen, só para citar os mais conhecidos. Há que se ressaltar também o ótimo trabalho na direção de David Leitch, um especialista em filmes de ação, como comprovam “John Wick: De Volta ao Jogo”, “Dead Pool 2” e Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw”, entre outros. Produzido com um orçamento de US$ 30 milhões, “Atômica” rendeu mais de US$ 90 milhões nas bilheterias, ou seja, um grande sucesso. Vale a pena só por Charlize, mas os complementos também são ótimos. Imperdível!
  

segunda-feira, 13 de julho de 2020


“OLHOS QUE CONDENAM” (“WHEN THEY SEE US”), 2019, Estados Unidos, minissérie em quatro capítulos da Netflix, roteiro e direção de Ava DuVernay (do excelente “Selma”). A história é baseada em fatos reais. Na noite do dia 19 de abril de 1989, um grupo de mais de 30 adolescentes do Harlem resolveu tumultuar o ambiente familiar do Central Park, assediando mulheres, xingando ciclistas e provocando quem por ali passava. Ao mesmo tempo, perto dali, uma jovem corredora seria estuprada e morta. No meio de toda aquela confusão, a polícia prendeu cinco adolescentes, acusando-os do assassinato. Detalhe: a vítima era branca e os cinco rapazes afrodescendentes, entre os 14 e 16 anos de idade. O caso, de grande repercussão em todo o país, foi a julgamento e os jovens acabaram condenados, até que em 2002 aconteceria uma reviravolta (não vou entrar em detalhes para não estragar a surpresa). A minissérie carrega no drama dos garotos, mostra como funcionaram os interrogatórios abusivos da polícia, com muita tortura psicológica, o sofrimento das famílias, o julgamento e o destino de cada um dos acusados. Nessa época, aliás, um tal de Donald Trump, magnata do ramo imobiliário de Nova Iorque, fazia campanha para a volta da pena de morte no Estado. Vamos ao excelente elenco: primeiro, os cinco rapazes – Jharrel Jerome, Caleel Harris/Jovan Adepo (jovem/adulto), Marquis Rodriguez/Freddy Miyares, Ethan Herisse/Chris Chalk, Asante Blackk/Justin Cunningham; Vera Farmiga, Kylie Bunbury, Annjanue Ellis, Marsha Stephanie Blake, Felicity Huffman, Michael K. Williams, William Sadler e Felicity Huffman. Lembro ainda que entre os produtores estão Oprah Winfrey e Robert De Niro. Nas primeiras semanas após sua estreia, dia 31 de maio de 2019, a minissérie foi vista por 23 milhões de espectadores em todo mundo, ou seja, mais um grande sucesso da Netflix. E vale todos os elogios, pois é excelente, forte e impactante. Imperdível!

sábado, 11 de julho de 2020

“O ESPIÃO” (“The Spy”), 2019, minissérie israelense com 6 episódios, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Gideon Ralf. Baseado em fatos reais, o filme conta uma das histórias mais fantásticas e emocionantes do mundo da espionagem mundial. No início da década de 60 do século passado, Eli Cohen (Sacha Baron Cohen), judeu nascido no Egito e residente em Telavive (Israel), é recrutado pelo Mossad (serviço secreto de Israel) para uma missão das mais difíceis: infiltrar-se na Síria como espião. Antes, porém, passou por um rigoroso treinamento por especialistas do Mossad. Para disfarçar, Cohen entrou na Síria como Kamal Amin Ta’Abat, um rico empresário do ramo de importação e exportação, com conexões comerciais por vários países. O fato de aparentar ser um empresário bem sucedido contribuiu para que ele fizesse amizade com políticos e militares do alto escalão do governo sírio, ganhando sua confiança a tal ponto que foi  cogitado para o cargo de Ministro da Defesa da Síria. Cohen chegou a fazer negócios com Mohamed Bin Laden, pai do futuro terrorista Osama (que aparece no filme ainda garoto). Ao longo de cinco anos, de 1961 a 1965, suas informações secretas foram vitais para que Israel pudesse se antecipar militarmente aos ataques desferidos pela Síria e outros países árabes, como aconteceu alguns anos depois na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Famoso por suas comédias de humor ácido, o ator britânico Sacha Baron Cohen revela-se aqui um ótimo ator dramático. É ele quem carrega a minissérie nas costas, embora tenha a companhia de um ótimo elenco, cujos nomes mais conhecidos são Noah Emmerick, Hadar Ratzon, Alexander Siddig e Tim Seyfi. “O Espião” garante muita ação e suspense, um filme tenso do começo ao fim. A gente fica imaginando como o espião manteve a calma num nível de pressão tão intenso. Enfim, a minissérie é ótima, pela história em si, como foi adaptada e produzida, com destaque para a primorosa reconstituição de época, especialmente os cenários e os figurinos. Imperdível!


quinta-feira, 9 de julho de 2020


“NADA ORTODOXA” (“Unorthodox”), Alemanha, minissérie da Netflix (lançada em 26 de março de 2020), em quatro capítulos, direção de Maria Schrader, com roteiro escrito por Anna Winger e Alexa Karolinski, que adaptaram a história inspiradas na autobiografia de Deborah Feldman (“Unorthodox: The Scandalous Rejection of My Hasidic Roots”), de 2012. O drama é todo centrado na jovem judia Esther Shapiro (Shira Haas), de 19 anos, que mora com a família ultraortodoxa no bairro de Williamsburg, Brooklyn (Nova Iorque). É norma entre os judeus hassídicos da comunidade casar suas jovens filhas para que logo tenham filhos, uma forma, segundo a tradição ultraortodoxa, de repor as vidas perdidas no Holocausto. Seguindo esse preceito, Esther Shapiro foi obrigada a casar com Yanky (Amit Rahav), um jovem fanático religioso de boa família. Só que o casamento não dá certo, principalmente porque Esther tem problemas em consumar o ato sexual e, portanto, dificilmente ficará grávida. A pressão é tão grande que a jovem decide fugir para a Alemanha, onde mora sua mãe Leah (Alex Reid), que também havia abandonado o marido e a filha em Williamsburg. Em Berlim, Esther fica amiga de um grupo de músicos e tenta iniciar uma nova vida. Ofendida em sua moral religiosa, a família do marido abandonado resolve ir buscá-la em Berlim. Yanky e o primo Moishe (Jeff Wilbusch) viajam para tentar convencê-la a voltar. Ambientada em Nova Iorque e Berlim, e falada em inglês, íidiche e alemão, a minissérie tem como principal atrativo as tradições judaicas ortodoxas, segundo as quais as mulheres servem somente para procriar e cuidar da casa. Destaque para o excelente elenco, em especial para a atriz israelense Shira Haas, com uma atuação fenomenal, e para o primoroso roteiro. Enfim, uma minissérie imperdível.          


segunda-feira, 6 de julho de 2020


Se você procura um ótimo entretenimento na telinha, não perca “EM RITMO DE FUGA” (“BABY DRIVER”), 2017, Estados Unidos, 1h53m, roteiro e direção de Edgar Wright. Não tem erro. Doc (Kevin Spacey) é um financiador de assaltos: contrata bandidos para roubar bancos, correios e qualquer outra coisa que diga respeito a muito dinheiro. Ele nunca trabalha com a mesma equipe, só com Baby (Ansel Elgort), um motorista que dá fuga aos criminosos e sabe, como ninguém, despistar a polícia. Um piloto incrível, mesmo que sofra de uma deficiência auditiva depois de um acidente automobilístico quando era criança. Ficou um zumbido terrível nos ouvidos e, para abafá-los, usa o tempo inteiro fones com música no mais alto volume. O filme já começa em alta rotação, com uma perseguição pelas ruas de Atlanta de tirar o fôlego. Outras perseguições acontecerão, filmadas com muita competência. Em meio aos assaltos, o roteiro abre espaço para o romance: Baby conhece Débora (a atriz inglesa Lily James), uma atendente de lanchonete. Os dois se apaixonam e Baby resolve largar a vida de crimes, mas antes, como deve dinheiro a Doc, ainda será cúmplice de um novo assalto, que acaba se complicando e termina em tragédia. “Em Ritmo de Fuga” foi um grande sucesso de bilheteria, arrecadando nas primeiras semanas de lançamento nada menos do que 226 milhões de dólares, lembrando que o orçamento da produção não passou de 34 milhões de dólares. O elenco conta ainda com Jamie Foxx, Jon Hamm e Eiza González. Destaque especial para a deliciosa trilha sonora: The Jon Spencer Blues Explosion, The Beach Boys, The Commodores, Barry White, Sky Ferreira, Run the Jewls e Queen. Enfim, o filme tem uma boa história, muita ação, romance e humor, ingredientes que completam um entretenimento de primeira. Esqueça os problemas e dê uma folga aos seus neurônios. Embarque nessa ótima aventura e aproveite a diversão (disponível na plataforma Netflix).               

domingo, 5 de julho de 2020


Se você continua alimentando algum preconceito contra o cinema asiático, comece a rever os seus conceitos. Os filmes sul-coreanos, por exemplo, têm dado mostras de que estão fazendo um excelente cinema. Vide “Parasita”. Outra boa comprovação da qualidade do cinema sul-coreano é “CHUVA DE AÇO” (“GANGCHEOLBI”) – em inglês, “Steel Rain” -, 2017, roteiro e direção de Yang Woo-Seok, 2h19m. Um filmaço de ação, com muito suspense e ritmo alucinante. Enquanto as duas Coreias começam a se preparar para negociações de paz com objetivo de conduzir os países à reunificação, um golpe militar ocorre no país comunista, com a tentativa de assassinato do atual líder do governo Kim Jong-un, que fica muito ferido no atentado. Um experiente agente secreto norte-coreano, Eom (Jung Chul-Woo), consegue resgatar o seu líder e o leva secretamente para a Coreia do Sul. Aqui, Eom entra em contato como o governo sul-coreano e pede proteção. A negociação é acertada com um alto oficial do serviço secreto da Coreia do Sul, Kwak Chul-Woo (Kwak D-Won). Ambos se unem numa missão secreta para evitar uma guerra entre os dois países. É ação do começo ao fim, corda esticada ao máximo, envolvendo não só as duas Coreias, mas também os governos dos Estados Unidos e do Japão, aliados da Coreia do Sul, e a China, parceira da Coreia Comunista. A tensão aumenta cada vez mais, pois existe uma possibilidade enorme de começar uma guerra nuclear. “Chuva de Aço” estreou nos cinemas sul-coreanos no dia 14 de dezembro de 2017, batendo recordes de bilheteria. O filme também está disponível na plataforma Netflix desde o dia 14 de março de 2018. Um filmaço!    

sexta-feira, 3 de julho de 2020


“BALA PERDIDA” (“Balle Perdue”), 2020, França, 1h32m, disponível na Netflix desde o dia 19 de junho de 2020, direção de Guillaume Pierret (é o seu primeiro longa-metragem), que também assina o roteiro com a colaboração do ator Alban Lenoir (principal protagonista). É um filme policial com muita ação e violência. Alguns críticos profissionais o comparam à série “Velozes e Furiosos”, o que não concordo, pois “Bala Perdida” é muito melhor e mais inteligente, enquanto o outro é mais uma bobagem do cinema de ação. A história de “Bala Perdida” é toda centrada no mecânico de automóveis Lino (Alban Lenoir), um gênio na turbinagem de motores e equipamentos de proteção capazes de tornar o veículo tão forte a ponto de derrubar paredes de concreto. Foi numa tentativa de assaltar uma joalheria que Lino acabou sendo preso. Por causa de sua habilidade com carros e motores, Lino foi recrutado pelo detetive Charas (Ramzy Bedia) para transformar as viaturas policiais em veículos mais potentes. Em meses de trabalho, Lino ganhou a confiança do pessoal da delegacia e ainda teve um caso com a policial novata Julia (Stéfi Celma). Porém, a vida de Lino se transforma num inferno a partir do assassinato de Charas, seu mentor e protetor. Lino testemunha a tragédia e logo é considerado suspeito pelo detetive Areski (Nicolas Duvauchele), um policial corrupto que tem responsabilidade no crime. Enfim, “Bala Perdida” tem tudo para agradar aos fãs de filmes de ação, ou seja, uma história legal, muita pancadaria, tiros e cenas de perseguição muito bem feitas. Com justiça, é, atualmente, um dos filmes mais vistos da Netflix. Entretenimento garantido!    

quinta-feira, 2 de julho de 2020


“ADÚ”, 2020, Espanha, distribuição dfa Netflix (estreou no dia 30 de junho de 2020), 1h49m, com roteiro de Alejandro Hernandes e direção de Salvador Calvo. O pano de fundo é a questão dos imigrantes africanos que querem fugir de seus países para tentar uma vida melhor na Europa, a matança indiscriminada de animais na África e a violência policial nas fronteiras. O roteiro transcorre em três frentes. A principal delas no Congo, envolvendo Adú (Moustapha Oumarou), um garoto de seis anos que, ao lado da irmã, testemunha um crime num parque de preservação animal. Adú e a irmã ficam com medo de represálias e resolvem fugir, iniciando uma grande aventura. A segunda frente diz respeito a três policiais de fronteira que atuam no extremo norte da África, acusados de praticar atos violentos contra refugiados que tentavam atravessar o Estreito de Gibraltar. E, por fim, o roteiro destaca o difícil trabalho de Gonzalo (Luis Tosar), que preside uma Ong que luta pela sobrevivência dos elefantes na África. Como se não bastasse, ainda recebe a visita da filha Sandra (a ótima Anna Castillo), uma jovem rebelde e irresponsável. Das três histórias, a que é melhor desenvolvida é, sem dúvida, a do garoto Adú. Por terra, pelo mar e até pelo ar, o menino enfrentará muitos desafios, que tentará superar ao lado da irmã e de outro refugiado e novo amigo de andanças, o somaliano Massar (Adam Nourou). “Adú” é muito realista e impactante, mostrando a triste realidade que assola a África, num cenário de muita pobreza e desesperança. Um filme que, apesar do contexto dramático, consegue ao mesmo tempo ser bastante sensível e comovente. Em seu primeiro longa-metragem como diretor, Salvador Calvo acertou em cheio. E que descoberta ele fez ao encontrar o garoto Moustapha Oumarou para representar Adú. Ele é a alma do filme.

quarta-feira, 1 de julho de 2020


“SONI”, 2018, Índia, produção e distribuição Netflix, 1h37m, roteiro e direção de Ivan Ayr. O pano de fundo da história é a questão da violência sexual contra as mulheres no país de Mahatma Gandhi. Segundo especialistas da Thomson Reuters Foudation, a Índia é o país mais perigoso do mundo para as mulheres. Partindo desse contexto, o cineasta Iva Ayr resolveu explorar o assunto através do cotidiano de duas policiais da capital Nova Délhi. Kaldana Ummat (Saloni Batra) é a inspetora-chefe da Delegacia Especializada em Crimes Sexuais. Soni (a ótima Geetika Vidya Ohlyan) é sua subordinada. Temperamental, explosiva e com um pavio curtíssimo, Soni encara uma briga com marmanjos numa boa, e este seu comportamento só atrai problemas. Ela não suporta o tratamento que os homens dão às mulheres indianas. Ela vive revoltada com o machismo reinante e sai na porrada com o primeiro abusado que aparecer na frente. Com muita conversa, Kaldana tenta controlar os ímpetos de sua subordinada e é esta relação entre as duas que será explorada pelo roteiro. “Soni” foi premiado em vários festivais de cinema pelo mundo afora. Logo na sua estreia, na Seção “Horizons” do 75º Festival Internacional de Cinema de Veneza/2018, o filme foi aplaudido de pé, assim como aconteceu na Asía Pacific Screen Awards, Mami Film Festival, BFI London Filme Festival e Pingyao International Film Festival (China), onde ganhou o Prêmio de Melhor Filme. Sem dúvida, o filme é muito bom, um retrato bem atual do machismo vigente na Índia. E com uma enorme vantagem: não tem aquelas cenas de cantorias e coreografias chatérrimas que costumam inundar as produções comerciais de Bollywood.