sexta-feira, 4 de novembro de 2016
terça-feira, 1 de novembro de 2016
“ARRANHA-CÉUS” (“High-Rise”),
Inglaterra, 2015, roteiro e direção de Ben Wheatley. Quando estreou nos cinemas da Inglaterra, no
início de 2016, a reação de grande parte da plateia foi sair no meio da
projeção. Atitude compreensível, já que se trata de um filme totalmente maluco,
onde imperam o humor negro, o surreal, a violência, o sexo e, acima de tudo, a falta de nexo.
Para completar o cenário, não há uma história linear, com começo, meio e fim.
As cenas vão acontecendo num ritmo alucinante, a maioria delas sem qualquer
explicação. A história toda – se há alguma – é ambientada nos anos 70, assim
como o romance escrito por James Graham Ballard, no qual foi baseado o roteiro
escrito por Wheatley, com a ajuda de sua esposa, Amy Jump. Um luxuoso edifício
de 40 andares serve de cenário para toda a ação. Nos andares inferiores moram
os condôminos de classe média baixa, nos andares intermediários os de classe
média alta e, nos andares superiores, os mais ricos. No complexo residencial
ainda funcionam um mercado e uma escola. Quando os serviços param de funcionar,
a começar pelos elevadores, o caos se instala e a violência corre solta. Tem
churrasco de husky siberiano, mulher grávida transando com o vizinho, pancadaria generalizada, briga por
mercadorias no mercado etc. Apesar de tudo, o elenco é de primeira: Jeremy
Irons, Tom Hiddleston, Sienna Miller, Luke Evans e Elisabeth Moss. Alguns críticos profissionais acharam o filme maravilhoso, enquanto o público normal detestou. Tire suas próprias conclusões assistindo, nem que seja só por curiosidade.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
“UM ESTADO DE LIBERDADE” (“The Free State of Jones”), EUA,
2016, roteiro e direção de Gary Ross (“Jogos Vorazes”), narra um episódio
histórico verídico ocorrido durante a Guerra Civil Americana, na segunda metade
do século XIX. Para escrever o roteiro, Ross se baseou em dois livros, “The
Free State of Jones” e “The State of Jones”.
Toda a
trama é centrada no fazendeiro Newton Knight (Matthew McConaughey), que se
alista no exército Confederado como enfermeiro e depois, insatisfeito com os verdadeiros
objetivos do lado que escolheu, volta para casa e é considerado desertor. Para
não ser preso e enforcado, ele se refugia na região dos pântanos, no
Mississipi, e lá forma um grupo de rebeldes constituído de fazendeiros pobres e
escravos. Depois de vencer várias batalhas contra os confederados, Knight decide
fundar o Estado Livre de Jones, casa-se com uma ex-escrava, Rachel (Gugu
Mbatha-Raw), e luta contra os integrantes do primeiro grupo da Ku Klux Klan. O
filme é muito bem feito e já estão dizendo que deve concorrer a algumas das
principais indicações ao Oscar 2017 (a Academia adora filmes históricos). Acho essa previsão um tanto exagerada. Em
todo caso, acredito que McConaughey deva ser indicado novamente para Melhor
Ator, prêmio que já conquistou em 2014 por sua atuação em “Clube de Compras
Dallas”.
domingo, 30 de outubro de 2016
“DESERTO”
(“DESIERTO”), México, 2016, roteiro e direção de Jonás Cuarón, filho do diretor
Alfonso Cuarón, de “Gravidade” (o roteiro também foi escrito por Jonás). O drama
aborda a questão dos mexicanos que atravessam a fronteira de forma ilegal para
melhorar de vida nos EUA, assunto do momento entre os candidatos à presidência
do Tio Sam. A história começa com um grupo de mexicanos tentando atravessar a
fronteira pelo deserto de Sonora. Ao mesmo tempo, um caçador sádico e racista
prepara-se para o seu plantão habitual, ou seja, praticar tiro ao alvo nos
mexicanos. Em suas caçadas, ele leva o cão policial Tracker (“Rastreador”), que
também possui o mesmo instinto assassino. Na primeira meia-hora do filme, para
delírio de Donald Trump, o caçador sai matando um por um. Mesmo debaixo de um
sol escaldante e temperatura beirando os 50 graus, o caçador continua em
perseguição ao pequeno grupo que sobrou. O suspense aumenta na medida em que o
caçador vai chegando perto dos dois últimos sobreviventes (Gael García Bernal e
Alondra Hidalgo). Apesar de ser totalmente ambientado no deserto e com poucos
personagens, o filme mantém a ação e o suspense até o final, proporcionando um
ótimo entretenimento. O filme foi escolhido para representar o México no Oscar
2017 de Melhor Filme Estrangeiro e, antes disso, concorreu ao prêmio de Melhor
Filme no London Film Festival 2015.
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
“A BUSCA” (“The Search”), 2014, França,
foi escrito e dirigido por Michel Hazanavicius, o mesmo diretor de “O Artista”
(Oscar de Melhor Filme em 2011). Neste drama de guerra ambientado em 1999 na
Chechênia, Hazanavicius conta duas histórias no filme, ambas alternando-se
durante a projeção sem nunca se interligarem. A primeira é centrada em Hadji
(Abdul Khalim Mamutsiev), de 9 anos, cujos pais foram executados friamente pelos
soldados russos. O menino foge com o irmão, bebê de colo, até ser acolhido por Carole
(Bérénice Bejo, esposa do diretor), inspetora da União Europeia que trabalha no
escritório chefiado por Helen (Annette Bening), responsável pelo acolhimento de
jovens refugiados de guerra. Enquanto o menino é procurado pela irmã mais
velha, Raïssa (Zushra Duishvili), Carole se afeiçoa por Hadji e resolve
adotá-lo. A outra história envolve o jovem Kolia (Maksim Emelyanov), que
ingressa no exército russo e irá conhecer bem de perto os horrores de uma
guerra. Kolia começa seu sofrimento já na fase de treinamento, que lembra “Nascido
para Matar”, de Kubrick. Tanto numa história como na outra, Hazanavicius não
economiza na violência e no terror psicológico. Haja estômago para suportar
tanta tragédia. Os soldados russos são mostrados como assassinos frios e psicopatas
sanguinários, sem pudor para matar, torturar e estuprar. O diretor também acrescentou alguns depoimentos de vítimas reais da repressão russa ocorrida na época. Ao estrear no Festival
de Cannes em 2014, o filme foi considerado fraco e até chegou a ser vaiado. Não
achei o filme tão ruim assim. Só não entendi até agora porque o nome original é
em inglês, já que é uma produção francesa. O maior mérito do filme, na minha
opinião, é a denúncia que faz dos métodos empregados pelas autoridades russas
para “apaziguar” os ânimos nas repúblicas que almejavamm sua independência. Nesse
contexto, o filme merece ser visto.
terça-feira, 25 de outubro de 2016
“ROMANCE À FRANCESA” (“Caprice”), 2015,
França, é mais uma comédia romântica bobinha e sem graça. Nenhuma surpresa em
se tratando de um gênero onde filmes de qualidade são bastante escassos. O que
surpreende é o fato de ser um representante do cinema francês, que normalmente
produz boas comédias românticas. O responsável por essa pisada na bola é
Emmanuel Mouret, o famoso “três em um” – ele escreveu o roteiro, dirigiu e
ainda atuou como o protagonista principal. “Romance à Francesa” conta a
história do professor Clément (Mouret), um trintão tímido, meio abobalhado e
totalmente inseguro, além de feio. Ele é fã de teatro, especialmente da atriz
Alícia Bardery (Virginie Efira), cujo filho estuda na escola onde Clément leciona. Um dia, os dois se encontram e começam um improvável romance, sendo ele feio e sem nenhum charme e ela um mulherão de alta classe. Eis que surge no meio
da história - e dos dois - a jovem Caprice (Anaïs Demoustier), uma atriz de teatro iniciante,
carente e problemática. Ela parte para o ataque a toda hora tentando seduzir o
professor, num grude enervante. Enquanto isso, Alícia também é cortejada pelo diretor da escola,
Thomas (Laurent Stocker). Duvido que alguém consiga reunir personagens tão
chatos como Clément, Caprice e Thomas. Quem se salva é a bela e classuda atriz
belga Virginie Efira, única razão para se assistir a este verdadeiro abacaxi. Aliás, o título original do filme deveria ser "Alícia".
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
“PALMEIRAS NA NEVE” (“Palmeras en La Nieve”), Espanha,
2015. A história é baseada no best-seller
da escritora Luz Gabás, lançado em 2012 e adaptado para o cinema pelo diretor
Fernando González Molina (“Paixão sem Limites”). A autora espanhola revelou que, para escrever o romance, se inspirou na história do próprio pai, que emigrou para a Guiné Equatorial –
então colônia espanhola – em 1953 para trabalhar numa plantação de cacau. O filme começa em 2003, quando a jovem
Clarence (Adriana Ugarte) encontra uma carta esquecida entre os pertences do
seu pai, Jacobo, que acabara de falecer. O teor misterioso da missiva – um amor secreto
– a incentiva a ir até a Guiné. O roteiro retrocede para 1953, quando os irmãos
Kilian (Mario Casas) e Jacobo (Alain Hernández) vão para a ilha de Fernando Poo
(hoje Bioko), na Guiné Equatorial - perto da costa de Camarões -, trabalhar na
plantação de cacau de propriedade do pai. Kilian se apaixona pela nativa Bisila
(Berta Vásquez), amor que é plenamente correspondido, porém proibido para os
padrões da época. Além do romance entre os dois, o pano de fundo para toda a
história também contempla o contexto político da época, destacando a situação
de uma colônia prestes a proclamar sua independência.
O filme é longo (2h43), levado no estilo novelão, mas em nenhum momento chega a
ser monótono, o que é um mérito. De qualquer forma, um bom programa para os românticos de plantão.
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
“ELVIS & NIXON”, EUA, 2015. No dia 21 de
dezembro de 1970, o cantor Elvis Presley esteve na Casa Branca em visita ao então
presidente Richard Nixon. O encontro, a pedido do ídolo do rock, só foi aceito por
insistência da filha mais velha de Nixon, fã de Elvis. O que de fato se sabe é
que Elvis estava muito preocupado com os rumos da nação norte-americana e de
sua juventude, principalmente com relação às drogas, e por isso pediu uma
audiência especial na Casa Branca. Elvis também queria um distintivo de agente policial a
paisana para ajudar o governo no que fosse necessário. Não há documentos nem
gravações do que foi conversado entre os dois. Mesmo assim, num exercício de
criatividade e baseados nas personalidades de Elvis e Nixon, os roteiristas Suzan
Stadner, Cary Elwes e Joe Sagal imaginaram e escreveram como teria sido a
conversa do Rei do Rock com o presidente da nação mais poderosa do mundo. O
filme explora em grande parte os fatos que antecederam a visita. O encontro em
si é de pouca duração. A diretora Liza Johnson (“Amores Inversos”) manteve o
bom humor do roteiro e fez um filme delicioso de assistir, escalando dois dos
melhores atores da atualidade: Michael Shannon (Elvis) e Kevin Spacey (Nixon). O
fato de não terem qualquer semelhança com os personagens valoriza o tom irônico
e cômico empregado no filme. Algumas cenas são hilariantes, como aquelas em que
o verdadeiro Elvis é confundido com um de seus inúmeros sósias e imitadores. Curiosidade:
a foto oficial do encontro, que realmente aconteceu, é, até hoje, a mais
requisitada aos Arquivos Nacionais do Governo dos EUA. Imperdível!
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
“DOCE VENENO” (“Un Moment D’Égarement”), 2015, França,
direção de Jean-François Richet, que também escreveu o roteiro em parceria com
Lisa Azuelos. Trata-se de uma comédia, refilmagem de outro filme francês com o
mesmo título, de 1977, dirigido por Claude Berri. Dois amigos de longa data,
Antoine (François Cluzet) e Laurent (Vincent Cassel), resolvem sair de Paris e
passar uns dias na paradisíaca ilha de Córsega, levando suas respectivas
filhas, Louana (Lola Le Lann) e Marie (Alice Isaaz), ambas na faixa dos 17 anos. Eles se hospedam
na antiga casa de Antoine, na qual ele passou sua infância. Antoine, recém-separado,
é durão com a filha Louana, enquanto Laurent é mais liberal com Marie. Aliás, a maneira
como um e outro educa a filha é motivo de muita discussão. Mas o que ninguém
esperava acaba acontecendo: Louana se apaixona por Laurent e tenta seduzí-lo de
tudo o que é jeito. Esse assédio – e a fuga dele por Laurent – rende os
melhores momentos de humor do filme. Esconder o fato do seu melhor amigo e da
própria filha atormentará Laurent até o final. O enredo me fez lembrar uma
comédia norte-americana, de 2011, “A Filha do Meu Melhor Amigo”, onde uma
ninfeta (Leighton Meester) também se envolve com um quarentão. A versão
norte-americana é muito mais recatada. O filme francês tem até nu frontal e
cenas quentes de sexo – sem ser explícito. Portanto, tirem as crianças da sala e aproveitem para se divertir com essa boa comédia francesa.
terça-feira, 18 de outubro de 2016
“RESSURREIÇÃO” (“Risen”), EUA,
2015, direção de Kevin Reynolds, conta um episódio bíblico pouco explorado pelo
cinema. A mando do governador romano Pôncio Pilatos (Peter Firth), o comandante
militar Clavius (Joseph Fiennes) recebe a missão de evitar uma revolta em
Jerusalém após a crucificação do Messias. Pouco depois, Pilatos convoca
novamente Clavius para investigar o desaparecimento do corpo de Yeshua (Jesus),
que havia sido confinado em uma gruta. Os rumores davam conta de que Jesus
havia ressuscitado, algo inconcebível para os incrédulos romanos e, politicamente, um desastre. Clavius
infiltra-se entre os apóstolos e discípulos, acompanhando sua peregrinação e
presenciando as três aparições de Jesus depois de ressuscitado. Clavius também
terá a oportunidade de testemunhar alguns milagres. Pela primeira vez no
cinema, que eu me lembre, Jesus não é interpretado por um ator branco, cabelos
longos e olhos claros. Aqui, ele é interpretado pelo ator neozelandês Cliff
Curtis, moreno de pele escura, quase um mulato, tipo indiano. O roteirista Paul
Aiello e o diretor Kevin Reynolds (“Robin Hood: O Princípe dos Ladrões” e “Tristão
& Isolda”), criaram um filme bastante interessante e esclarecedor. Para quem curte filmes bíblicos, trata-se de um ótimo programa.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
“ÁGUAS RASAS” (“The Shallows”), 2016,
EUA, direção do espanhol Jaume Collet-Serra, é um suspense de arrepiar. Para
colocar a cabeça em ordem depois da morte recente da mãe, o que a fez abandonar
a faculdade de medicina, a jovem Nancy (Blake Lively) resolve passar uns dias
surfando numa praia isolada do litoral mexicano. Tudo vai bem até um enorme
tubarão branco aparecer e atacar a moça, quase arrancando a sua perna esquerda.
Nancy passa o filme inteiro fugindo do feroz agressor, primeiro subindo numa
baleia morta, depois num recife de corais ― até a maré subir ― e por fim numa
boia de sinalização. Se a briga entre a bela surfista e o tubarão já vale o filme,
o espectador ainda vai aproveitar para curtir um cenário paradisíaco e deslumbrante,
onde se destaca um mar de azul transparente, valorizado por espetaculares
imagens aéreas e subaquáticas, acrescidas de ótimas sequências de surfe. O
clima de suspense predomina do começo ao fim, num ritmo bastante ágil, apesar
de ter apenas uma personagem em cena durante a maior parte dos 90 minutos de
filme, como já aconteceu em filmes como "127 Horas", com James Franco, "Até o Fim", com Robert Redford, e "Náufrago", com Tom Hanks. O diretor espanhol acerta mais uma vez, como já tinha conseguido em ótimos
filmes como “A Órfã”, “Sem Escalas” e “A Casa de Cera”. E a loiraça Blake
Lively, que ganhou destaque após ser a principal protagonista de “A Incrível
História de Adaline”, também dá conta do recado, comprovando ser uma ótima
atriz. Programão perfeito para uma sessão da tarde com pipoca.
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
“JANE GOT A GUN” (deve chegar por aqui com o
título “JANE TEM UMA ARMA”), 2015, EUA, direção de Gavin O’Connor, com roteiro
de Brian Duffield – dizem que inspirado no filme “Hannie Caulder”, de 1971, com
Rachel Welch. Jane Hammond (Natalie Portman) é casada com o pistoleiro Bill
(Noah Emmerich), um dos integrantes da gangue chefiada por John Bishop (Ewan
McGregor, irreconhecível). Um dia, Bill volta para casa gravemente ferido,
depois de ter sido baleado pelos próprios companheiros de gangue. Enquanto é
medicado por Jane, ele avisa: eles vêm se vingar. Para se proteger, Jane pede a
ajuda de Dan Frost (o ator australiano Joel Edgerton), um ex-soldado beberrão
que foi seu noivo. Até o confronto final, muita água vai rolar, ou seja, muito
blá-blá-blá, recordações românticas e flashbacks
que contarão a história da ligação de Jane e Bill com a quadrilha de Bishop. Sim, Jane foi uma pistoleira (no bom sentido). E dá-lhe clichês dos velhos filmes de faroeste. Nada de inovador. O diretor
exagera em explorar a beleza de Portman (realmente muito bonita na medida em
que amadurece). A cada cena, Portman parece que vai ser fotografada para um
editorial de moda country. A tensão aumentando, os pistoleiros chegando e o
marido morrendo e lá está ela, toda bonitona, sem um grão de areia no rosto ou nas roupas. O
ator brasileiro Rodrigo Santoro aparece numa ponta, aliás, uma pontinha. Que
saudades dos filmes de John Ford, de Randolph Scott, John Wayne, Gary Cooper,
Clint Eastwood, Giuliano Gemma e até de Rachel Welch.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
“OS COWBOYS” (“Les Cowboys”), 2015,
França, roteiro e direção de Thomas Bidegain. Parece esquisito um filme francês
com esse título. A referência aparece logo
no começo, quando os principais protagonistas participam de um festival country
em alguma cidade do interior da França. Tipo Festa do Peão de Boiadeiro de
Barretos, todo mundo vestido de cowboy e muita música country. Alain Balland
(François Damiens) está lá com a família – a esposa Nicole (Agathe Dronne), a
filha Kelly (Iliana Zabeth), de 16 anos, e o filho Kid (Maxim Driesen).
Percebe-se logo que Alain é muito querido e influente na comunidade. No meio da
festa, como num passe de mágica, Kelly desaparece. Sequestrada, assassinada?
Demora para Alain, em sua busca alucinada pela filha, descobrir que ela, na
verdade, fugiu com um rapaz muçulmano e foi viver em lugar incerto e não sabido.
Quem sabe tenha sido cooptada por alguma facção islamita radical. Tudo isso
passou pela cabeça de Alain. Depois de muitos anos, já separado da esposa,
Alain continua em busca da filha. Obcecado, percorre outros países, visitando,
principalmente, as comunidades islâmicas. Essa peregrinação incessante terá
continuidade com o filho Kid, já adulto, interpretado pelo ator inglês Finnegan
Oldfield. O desfecho revela o misterioso destino de Kelly. Ótima estreia de
Thomas Bidegain como diretor. Ele era mais conhecido como roteirista de filmes
excelentes, entre os quais “O Profeta” e “Ferrugem e Osso”. “Os Cowboys” teve
sua primeira exibição na Mostra “Quinzena dos Realizadores” do Festival de
Cannes 2015 e foi uma das atrações principais do Festival Varilux do Cinema
Francês/2016, em São Paulo. Tensão do começo ao fim. Filmaço!
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Sempre
gostei de assistir a filmes que têm como pano de fundo histórias ambientadas em
períodos de ditadura militar, seja aqui no Brasil, na Argentina, Chile, Grécia,
Espanha ou qualquer outro país. Por isso, quando li a sinopse do nacional “O OUTRO LADO DO PARAÍSO”, 2014, direção de André Ristum, fiz questão de
assistí-lo. A história é baseada no livro autobiográfico do jornalista e
escritor Luiz Fernando Imediato. O filme é ambientado nos primeiros anos da
década de 60 e acompanha a saga de Antônio (Eduardo Moscovis) e de sua família,
que saem do interior de Minas Gerais e vão para Brasília, onde havia maior
oferta de empregos – era época da construção da Capital. Só que os sonhos de
Antônio viram pesadelo quando acontece o golpe militar de 1964. Envolvido na
militância sindical, Antônio é preso e vai deixar a família na penúria. A
história é narrada in off por Nando
(Davi Galdeano), filho do meio e obcecado por livros políticos. Os destaques do
elenco, porém, ficam para as mulheres: Simone Iliescu, que interpreta a esposa
de Antônio, e Camila Márdila, a filha do meio. As duas dão show. Para
representar Taguatinga, cidade-satélite onde moravam os operários que
trabalharam na construção de Brasília, a produção do filme providenciou a montagem
de uma cidade cenográfica de 20 mil m². O filme é bastante interessante por
abordar um período importante de nossa história e ainda mais por exibir imagens
de arquivo feitas pelo lendário Jean Manzon. Na trilha sonora, Milton Nascimento dá um toque todo especial.
“TRÊS LEMBRANÇAS DA MINHA JUVENTUDE” (“TROIS SOUVENIRS
DE MA JEUNESSE”), 2014, França, roteiro e direção de Arnaud
Desplechin. O filme começa ao estilo dos contos infantis: “Era uma vez...”. O
antropólogo Paul Dédalus (Mathieu Amalric) está deitado na cama com sua namorada
russa e no meio do papo decide recordar alguns fatos que marcaram sua vida: “Eu
me lembro...”. Dédalus relembra três episódios, começando com sua infância ao lado
dos dois irmãos e o horror que tinha pela mãe problemática, que se suicidou quando
ele tinha 11 anos. O segundo episódio conta sua passagem pela Rússia, quando
emprestava sua identidade para seus amigos judeus fugirem do regime comunista.
O terceiro episódio – o mais longo – é dedicado a um grande amor da juventude,
Esther (Lou Roy Lecollinet). O relacionamento é bastante conturbado, com muitos
encontros e desencontros, muito sexo em meio a brigas, traições e separações.
Quando jovem, Dédalus é interpretado pelo ator estreante Quentin Dolmaire (o
filme também marca a estreia da bela Lou Lecollinet). O filme tem um roteiro meio complicado, que dificulta a compreensão da história em certos momentos. É
verborrágico demais, além de apresentar algumas situações forçadas e cenas que
se arrastam sem uma conclusão convincente. Gostei apenas da recriação de época
e do recurso utilizado pelo diretor para situar a ação em determinadas épocas,
como a queda do Muro de Berlim, em 1989. De qualquer forma, é importante
ressaltar que o filme recebeu o prêmio de Melhor Direção de Arte do Festival Internacional
de Cinema de Chicago e o prêmio SACD da Quinzena dos Diretores do Festival de
Cannes 2015.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
A comédia
dramática “MINHA MÃE” (“Mia Madre”), 2015,
Itália, consagra Nanni Moretti como um dos mais importantes diretores do cinema
europeu e mundial. A história do filme é centrada na quarentona Margherita
(Margherita Buy), famosa diretora de cinema que passa por uma fase bastante
estressante, literalmente à beira de um ataque de nervos. Além de estar às
voltas com a produção do seu novo filme e amargurada por uma recente separação,
ela ainda enfrenta problemas com a filha adolescente e as intermináveis rusgas
com o astro norte-americano Barry Hughins (John Turturro), que ela contratou
para ser o ator principal do filme. O problema maior, porém, é com a mãe Ada
(Giulia Lazzarini), internada num hospital e gravemente doente, o que justifica
o título. O único apoio psicológico ela encontra no irmão Giovanni (Nanni
Moretti), que está sempre ao seu lado para o que der e vier. Como já havia
feito em “O Quarto do Filho”, Moretti volta o luto como um dos temas principais
do filme. Assim como sua mãe, falecida em 2010, a personagem Ada também é uma
professora de latim aposentada. Apesar desse contexto dramático, Moretti cria
situações bastante bem-humoradas, principalmente quando Turturro está em cena
como o ator canastrão, irascível e egocêntrico. Enfim, um filme de altíssima
qualidade, com uma atriz espetacular (Margherita Buy) e uma história bastante
interessante. O filme estreou no 68º Festival de Cannes (maio/2015),
emocionando público e críticos. Ainda de Moretti, recomendo “Habemus Papam”.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
“O CLUBE” (“El Club”), 2014, Chile, roteiro e
direção de Pablo Larraín. Ao contrário do que faz pensar à primeira vista, o
clube do título não tem nada a ver com um local de reuniões sociais ou práticas
esportivas. Trata-se de uma casa isolada numa pequena cidade litorânea do Chile
alugada pela Igreja para hospedar padres excomungados, a maioria deles por
pedofilia. Na casa em questão vivem quatro padres e uma freira, que atua como uma espécie de governanta. Eles vivem praticamente
enclausurados, só saindo para acompanhar os treinos na praia do galgo “Rayo”, cujo
adestrador é um dos ex-sacerdotes. Enfim, uma casa de expiação, de arrependimento.
A rotina do grupo é quebrada quando chega um quinto padre, em evidente
depressão e crise de consciência. Logo depois, um morador de rua aparece e
passa a denunciar, aos gritos, que havia sido molestado sexualmente pelo tal
padre, contando os detalhes sórdidos de como tudo aconteceu. O sacerdote acaba
se suicidando e a Igreja envia um padre psicólogo para investigar o ocorrido. A
partir daí, o filme fica ainda mais pesado. O clima de tensão aumenta a cada cena,
causando um grande desconforto a quem está assistindo. Com certeza, um dos
filmes mais perturbadores e chocantes que assisti nos últimos anos. Quem tiver
estômago sensível vai sofrer diante da telinha. Mas é ótimo e com um elenco
bastante afinado, entre os quais consagrados atores chilenos como Marcelo
Alonso, José Soza, Roberto Farias, Alfredo Castro e Antonia Zegers. É tão bom
que foi o vencedor do Urso de Prata do 65º Festival de Berlim em
2015 e indicado para o Prêmio Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Do
mesmo diretor, recomendo também "No" e “Post Mortem”, ambos apresentando
a ditadura chilena como pano de fundo. Por falar em Larraín, sua competência chegou
a Hollywood. Ele acaba de dirigir “Jackie”, com Natalie Portman no papel da
viúva de Kennedy.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
“DEUS NÃO ESTÁ MORTO 2” (“GOD’S NOT DEAD 2”), 2016, EUA,
direção de Harold Cronk. A premissa é a mesma do primeiro filme: promover um
debate sobre a existência de Deus e de seu filho Jesus. Embora as duas
produções apresentem um evidente caráter doutrinário, as discussões são levadas
em alto nível, com a participação de religiosos, especialistas neutros e
historiadores. Se no primeiro filme um professor desafia um aluno a provar a
existência de Deus, neste segundo o embate se dá num tribunal. Numa escola pública
do Ensino Médio, a professora de História Grace Wesley (Melissa Joan Hart) está
falando sobre Gandhi e Martin Luther King quando uma aluna, Brooke (Hayley
Orrantia), pergunta se eles praticavam os mesmos conceitos de Jesus Cristo. A
professora respondeu que sim. Essa concordância acabou chegando ao conhecimento
da diretora Kinney (Robin Givens) e aos pais de Brooke, que resolveram
processar a professora. Afinal, escola é lugar para ensinar, e não para pregar.
O caso chegou aos tribunais, com a professora sendo defendida por um advogado
novato (Jesse Metcalfe). Os debates durante o julgamento são o que de mais
interessante oferece este segundo filme, que, como o primeiro, foi grande
sucesso de bilheteria nos EUA e em outros países, incluindo o Brasil. Uma curiosidade
sobre este segundo filme é a presença de Pat Boone, que nos anos 50/60 foi um
cantor de grande sucesso.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
“BIZARRE”, França, 2015, escrito e dirigido
por Étienne Faure (é o seu longa-metragem de estreia como diretor). A história
é centrada no jovem Maurice (Pierre Prieur), de 18 anos, francês radicado em
Nova Iorque. Maurice faz bicos em lanchonetes e dorme na rua. Não há qualquer
referência ao seu passado, como chegou aos EUA e nem se é imigrante legal ou
ilegal, mistérios que você acha que serão esclarecidos até o final da história,
o que não acontece, o que, para mim, é uma das grandes falhas do roteiro.
Enfim, Maurice começa a trabalhar num cabaré do Brooklyn chamado “Bizarre”, famoso
por apresentar, ao vivo, shows dos mais bizarros, reunindo artistas com
deficiência física, sexo explícito e outras atrações exóticas e inusitadas. Um retrato
bastante realista da decadência do ser humano. Maurice é acolhido na casa das
donas do cabaré, Kim (Raquel Nave) e Betty (Rebekah Underhill), com as quais
terá um relacionamento muito especial. Maurice também encontrará apoio na
amizade com o jovem homossexual Luka (Adrian James), também funcionário do
cabaré. O filme transcorre numa sequência de situações sem muita importância
para o enredo, como os números musicais bizarros do cabaré, explorados ao máximo pelo
diretor como forma de preencher o vazio entediante da história. O resultado
final é um filme desagradável de assistir e, portanto, não recomendável. O filme foi exibido por aqui durante
a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e concorreu à premiação do Festival
de Berlim/2015.
domingo, 2 de outubro de 2016
“EDGE OF WINTER” (ainda sem tradução por aqui),
2015, Canadá, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Rob Connolly. Trata-se
de um drama psicológico repleto de suspense. Depois que se separou de Karen
(Rachelle Lefevre), Elliot Baker (o ator sueco Joel Kinnaman) ficou um tempo afastado
dos filhos Bradley (Tom Holland), de 15 anos, e Caleb (Percy Hynes White), de 12
anos. A oportunidade de estabelecer uma relação mais próxima surge quando Karen
tem de fazer uma viagem com o novo marido e deixa os filhos para um final de
semana com Elliot. Machão convicto, a ponto de se vangloriar por ter acertado
um soco no patrão e ser demitido, Elliot leva os filhos para uma aventura na
floresta, incluindo no programa ensiná-los a atirar com uma espingarda, beber
cerveja e dirigir uma SUV. Nem tudo acaba dando certo. Eles sofrem um acidente
e são obrigados a pernoitar numa cabana aparentemente abandonada. Até aí tudo
bem, mas as coisas mudam depois que Caleb conta ao pai que a mãe e o padrasto
pretendem mudar-se para Londres com os garotos. A partir dessa notícia, Elliot muda
completamente seu comportamento e coitado de quem estiver na sua frente,
incluindo dois caçadores e os próprios filhos. Nada de especial nesse filme serve
como aval para recomendá-lo.
O drama
romeno “O TESOURO” (“Comoara”), 2015,
roteiro e direção de Corneliu Porumboiu (“A Leste de Bucareste”), apresenta um
ponto de partida até que bastante interessante. Adrian (Adrian Purcarescu)
procura o vizinho Costi (Cuzin Toma) e pede emprestado 800 euros. Funcionário
público, casado e com um filho, Costi diz não ter o dinheiro. Adrian, porém,
volta mais tarde e esclarece a razão do empréstimo: alugar um detector de
metais para descobrir um possível tesouro enterrado na propriedade da família
em Islaz, interior da Romênia. Adrian diz que o tesouro talvez tenha sido
enterrado por seu bisavô na época da Segunda Grande Guerra. Adrian faz a
proposta: se Costi emprestar o dinheiro para o aluguel do detector de metais, metade do possível
tesouro será dividido entre os dois. A partir daí, o filme dará destaque, em
pelo menos metade de sua duração, à busca do tal tesouro. O diretor Porumboiu
imprime um ritmo bastante lento em sua narrativa, principalmente por utilizar a
câmera estática na maioria das cenas. O filme foi exibido durante a mostra “Um
Certo Olhar” no Festival de Cannes 2015. Os críticos profissionais elogiaram, como fazem habitualmente com relação a filmes esquisitos e indecifráveis. Sinceramente, nunca vi uma caça ao
tesouro tão enfadonha.
sábado, 1 de outubro de 2016

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