sábado, 6 de junho de 2015

O drama romântico “DOIS LADOS DO AMOR”, que também recebeu o título “O DESAPARECIMENTO DE ELEANOR RIGBY” (“The Disappearance of Eleanor Rigby: Them”), é um drama romântico norte-americano de 2013. A história já havia sido contada em dois filmes anteriores, um sob o ponto de vista dela e outro sob o ponto de vista dele. Neste mais recente, o ponto de vista é de ambos. Daí o "Them". Vamos à história: o casamento de Eleanor Rigby (Jessica Chastain) com Connor Ludlow (James McAvoy) vai bem até que um acontecimento faz desandar a relação. Ela sai de casa, é vítima de um surto mental, tenta o suicídio e acaba voltando para a casa dos pais, Mary e Julian Rigby (Isabelle Huppert e William Hurt). Connor não se conforma com a situação e vai atrás de Eleanor na esperança de reatar o casamento. E assim vai o filme inteiro: ele tentando a reaproximação. Os personagens são infelizes, à beira da depressão. O filme é bem baixo astral. De qualquer forma, é mais uma produção para demonstrar o talento da ruiva Jessica Chastain, atriz das mais requisitadas atualmente pelo cinemão do Tio Sam, além de abrir espaço para a ótima Viola Davis e para os veteranos William Hurt e a francesa Isabelle Huppert. Dirigido por Ned Benson (“Heróis Imaginários”), o filme estreou no Festival de Cannes 2014 na Mostra “Um Certo Olhar”. Ah, o nome Eleanor Rigby tem tudo a ver com a música dos Beatles, dos quais Mary e Julian eram fãs na juventude. Pena que a música propriamente dita não esteja na trilha sonora.  

sexta-feira, 5 de junho de 2015

“O LIMITE DA SUBMISSÃO” (“The Duke of Burgundy”), 2014, é um drama psicológico inglês de fundo erótico, esquisitão e sinistro. Conta a história de duas mulheres, Evelyn (Chiara D’Anna) e Cynthia (Sidse Babett Knudsen), que moram juntas, são amantes e adeptas dos mais estranhos jogos sexuais, típicos de mentes doentias. Além disso, as duas mulheres são estudiosas de borboletas e mariposas, frequentando palestras sobre o assunto na universidade local. Parece que o diretor Peter Strickland – que também escreveu o roteiro - tentou fazer uma analogia entre a relação das lésbicas e o ciclo de vida dos insetos, mas não tive inteligência suficiente para entender. As cenas de sexo entre as mulheres são bastante contidas, sem nudez ou algo mais explícito. O filme é arrastado demais, monótono, lembrando às vezes os antigos filmes do falecido diretor brasileiro Walter Hugo Khoury, embora este trabalhasse com atrizes mais bonitas. O filme inglês é indicado apenas àqueles espectadores que gostam de assistir a filmes diferentes e excêntricos. Se depender da minha recomendação, fuja a galope...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

“EFFIE GRAY”, 2014, direção de Richard Lexton (“Um Inglês em Nova Iorque”) é um drama de época baseado num escândalo que abalou a sociedade inglesa em meados do Século 19. A atriz Emma Thompson leu a história e a adaptou para o cinema, escrevendo o roteiro. Ela também atua no filme. A história começa com o casamento da jovem escocesa Euphemia “Effie” Gray (Dakota Fanning) com o aristocrata inglês John Ruskin (Greg Wise), pertencente a uma família da alta aristocracia e um consagrado crítico de arte da época. Ruskin é um marido frio e insensível, não dá a mínima para a mulher. Tão frio e insensível que durante anos não foi capaz nem de tocá-la, não consumando o casamento. Essa infelicidade matrimonial, além do amor por John Everett Millais (Tom Sturridge), um pintor pré-rafaelita que se tornaria famoso, fez com que “Effie” entrasse na Justiça com pedido de divórcio. Além da belíssima fotografia – de Veneza e dos cenários rurais da Escócia, especialmente - e da caprichada reconstituição de época, o filme conta com um elenco de primeira linha. Além de Fanning, Thompson, Sturridge e Wise, atuam Julie Walters, David Suchet, Derek Jacob, Claudia Cardinale e Riccardo Scamarcio. Um filme para espectadores mais sensíveis.         

terça-feira, 2 de junho de 2015

O escritor norte-americano Philip Roth escreveu “The Humbling” em 2009. A história do livro foi adaptada agora para o cinema, sob a direção de Barry Levinson, e recebeu, no Brasil, o título de “O ÚLTIMO ATO” (“The Humbling”), trazendo no papel principal o grande Al Pacino. Ele é Simon Axler, um famoso ator de teatro que tem um surto durante uma peça, sofre um acidente e acaba numa instituição psiquiátrica. Quando sai do hospital, recebe a visita de Pegeen Stapleford (a insuportável Greta Gerwig), filha de antigos colegas de trabalho. Ela se declara a Simon, dizendo que desde criança é apaixonada por ele. E ainda diz que continua apaixonada, apesar da sua condição de lésbica assumida. O filme conta a história desse tumultuado romance, como também a frágil condição psicológica do ator diante da velhice iminente (no filme, o personagem de Pacino tem 65 anos de idade, enquanto o ator, na vida real, tem 74). Simon passa grande parte do filme conversando com seu terapeuta, Dr. Farr (Dylan Baker). O filme é verborrágico demais, com muitos diálogos sarcásticos e bem-humorados, ao estilo Woody Allen. O elenco conta ainda com Diane West (por sinal, atriz de muitos filmes de Allen), Kyra Sedgwick e Nina Arianda. Só para lembrar: o diretor Barry Levinson é o mesmo de “Rain Man”, que ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1988. 
“OS ENCONTROS DA MEIA-NOITE” (“Les Rencontres d’Après Minuit”) é um filme francês certamente adaptado de uma peça de teatro para o cinema. Trata-se, na verdade, de um filme experimental, meio surreal, diálogos sem sentido e nenhum compromisso com o espectador comum que está a fim apenas de entretenimento. Minha paciência durou uns 30 minutos e se esgotou com tanta bobagem. Toda a ação transcorre apenas num cenário, o apartamento de um casal cuja empregada(o) é um travesti tarado. O casal, Ali (Kate Moran) e Matthias (Niels Schneider), espera alguns convidados para uma festa. Os convidados são um garanhão com fama de bem dotado, um adolescente, uma prostituta e uma estrela. Os diálogos têm a profundidade de um pires, tudo muito doido e sem nexo. O cenário é pós alguma coisa, talvez pós-modernista. O filme estreou durante a Semana da Crítica no Festival de Cannes 2013 e marcou a estreia na direção de longas do diretor francês Yann Gonzalez, mais conhecido por seus curtas-metragem. Resumo da ópera: um filme chato, metido a besta, com a intenção de ser cult, um surto de megalomania criativa.       

segunda-feira, 1 de junho de 2015


Liam Neesson continua batendo um bolão em filmes de ação, apesar dos 63 anos de idade. Em “BUSCA IMPLACÁVEL 3” (“Taken 3”), França, 2014, o último da trilogia iniciada em 2008, o ator irlandês mais uma vez não nega fogo. Ele faz o ex-agente especial Bryan Mills, que cai numa cilada e é acusado de ter assassinado a ex-mulher Lenore (a atriz holandesa Famke Janssen, em grande forma aos 50 anos). Mills passa a ser caçado pela polícia, comandada pelo detetive Franck Dotzler (o sempre competente Forest Whitaker), e, ao mesmo tempo, tenta descobrir quem matou sua ex-esposa, o que vai levá-lo a enfrentar mafiosos russos comandados pelo temível Oleg Malankov (Sam Spruell). A trama ainda vai envolver a filha de Mills, Kim (Maggie Grace), que também correrá perigo. O filme é dirigido pelo francês Olivier Megaton – que também dirigiu o nº 2 da série - e o roteiro foi elaborado pelo também diretor francês Luc Besson. Os dois são especialistas em filmes de ação, o que é um aval e tanto. Para quem gosta de filmes com ritmo alucinante, pancadaria, perseguições e tiros, este não decepciona. É ação o tempo inteiro.
 

sábado, 30 de maio de 2015

Em 2008, quando ainda eram ilustres desconhecidos, Kristen Stewart e Eddie Redmayne participaram do drama “O LENÇO AMARELO” (“The Yellow Handkerchief”), também traduzido por “OS CAMINHOS DO AMOR”. Stewart ficaria famosa logo depois, quando apareceu na saga “Crepúsculo”, e Redmayne mais recentemente, quando atuou em “Teoria da Vida”, pelo qual ganhou o Oscar/2015 de Melhor Ator. O filme conta a história dos jovens Martine (Stewart) e Gordy (Redmayne), que resolveram pegar estrada e sair sem rumo de sua cidadezinha. No caminho, dão carona para um estranho, Brett Hanson (William Hurt), que depois se revelaria um ex-presidiário recentemente saído da cadeia depois de cumprir pena por assassinato. Papo vai, papo vem, Hanson relembra que esteve envolvido com uma mulher chamada May (Maria Bello), pela qual se apaixonou e ainda está apaixonado. O filme é um road-movie pelos cenários um tanto tristes e pantanosos da Louisiana. Os atores são ótimos, mas o drama é meio arrastado, monótono, culpa do diretor indiano Udayan Prasad. O desfecho deve agradar os espectadores mais românticos. De qualquer forma, trata-se de uma opção interessante, principalmente por dar a oportunidade de conferir o trabalho de Kristen Stewart e o ator inglês Eddie Redmayne em início de carreira, ambos já bastante talentosos.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Não li e nem tive vontade de ler o livro, certo de que se tratava de literatura de segunda classe, mas fiz questão de conferir o filme, o que comprovou o que eu já pensava sobre o livro. “CINQUENTA TONS DE CINZA” (“Fifty Shades of Grey”), 2013, não passa de um drama romântico erótico, baseado no romance homônimo escrito por E.L. James e que virou um best-seller mundial. Pelo tom erótico, o filme lembra um pouco “Nove e Meia Semanas de Amor”, de 1986 (tem até a cena do gelinho). Só que Dakota Johnson não chega nem perto do mulherão que era – e ainda é – Kim Basinger, nem o ator irlandês Jamie Dornan lembra o machão “pegador” Mickey Rourke. Mais parece um garoto mimado, o queridinho da mamãe. A direção é da inglesa Sam Taylor-Johnson (do ótimo “O Garoto de Liverpool”, sobre a juventude de John Lennon). Resumo da história: Anastasia Steele (Dakota Johnson) é uma estudante que um dia vai entrevistar o poderoso e jovem empresário Christian Grey (Jamie Dornan) para um trabalho da faculdade. Esquisitão e cheio de manias, Grey acaba se apaixonando por Anastasia. E vice-versa. O filme não dá uma explicação convincente sobre a razão pela qual Grey se transformou numa pessoa doente, um sádico sexual. Como o cara é rico, bonito e poderoso, a mulherada deixa se convencer e cai nas garras do jovem sedutor, submetendo-se às suas fantasias sexuais. O que acontece também com Anastasia. As cenas de sexo são bem feitas e nada apelativas. Apenas eróticas. Enfim, um filme apenas mediano, que não merecia todo a alarde que teve quando foi lançado, em 2014.        

terça-feira, 26 de maio de 2015

O drama australiano “PROMESSAS DE GUERRA” (“The Water Divine”), 2014, marca a estreia do ator Russel Crowe na direção de longas. A história, baseada em fatos reais, é muito bonita. Durante a I Guerra Mundial (1914-18), soldados australianos participaram das forças aliadas que ajudaram a Inglaterra a combater o império otomano em acirradas e sangrentas batalhas na Turquia. Entre os soldados estavam os três jovens filhos do fazendeiro Joshua Connor (Crowe), desaparecidos e, quatro anos depois, finalmente dados como mortos em batalha. Desesperada, a esposa de Joshua comete suicídio, mas antes pede a ele que vá para a Turquia resgatar os corpos para enterrá-los em solo sagrado, ou seja, na terra natal, Austrália. O filme conta a aventura de Joshua na Turquia para encontrar os restos mortais dos filhos. Joshua ficará frente a frente com o oficial turco (Yilmaz Erdogan) comandante do batalhão que matou seus filhos. A aventura de Joshua também incluirá ajudar os turcos a se livrar dos invasores gregos, o que garante alguns momentos ao estilo “Indiana Jones”. Como estreante na direção, Crowe até que não compromete. Tudo bem que exagerou um pouco no tom novelesco, pretendendo fechar a história com um chororô, mas não conseguiu. Tentou romancear o enredo, incluindo um flerte de Joshua com Ayshe (a atriz ucraniana Olga Kurylenko). Ficou no platônico. Um destaque positivo é a bonita fotografia, tanto dos cenários australianos quanto dos cenários na Turquia. Resumindo: o filme poderia ser muito melhor, fazendo jus à bela história por ele contada.   

segunda-feira, 25 de maio de 2015

“PAS SON GENRE” (traduzido para o inglês como “Not My Type”, ainda não traduzido por aqui, mas algo como “Não é meu Tipo”), 2014, co-produção França/Bélgica, com direção de Lucas Belvaux. Trata-se de uma comédia romântica baseada na novela homônima escrita por Philippe Vilain. O professor de Filosofia Clément (Loïc Corbery) é transferido de Paris para dar aulas na Universidade de Arras - cidade ao norte da França. Ele conhece Jennifer (Émilie Dequenne), uma cabeleireira, e juntos vão viver um caso de amor. É claro que um dia a diferença cultural entre os dois vai pesar no romance. Além disso, o professor é calado, introspectivo, e só fala em Filosofia. Jennifer é expansiva, alegre, adora cantar e dançar. Tudo isso cria um abismo entre o casal. Só vendo o filme para ver como termina. O importante é destacar o trabalho da belga Émilie Dequenne, atriz que exala simpatia e muito charme. O feioso ator francês Loïc Corbery também não compromete, apesar de passar longe de um galã tradicional. O filme destaca também alguns lugares turísticos de Arras, realmente uma bela cidade. É um filme apenas simpático e que pode agradar ao espectador pouco exigente e que esteja a fim apenas de uma diversão sem compromisso com o intelecto. 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Errol Flynn foi um dos mais importantes atores de Hollywood nas décadas de 30, 40 e 50. Fazia filmes de capa e espada, além de ter protagonizado o Robin Hood mais famoso do cinema. Na vida real, porém, além de alcóolatra, era um mulherengo de marca maior. Nos bastidores, costumavam chamá-lo de “Pênis ambulante”. Ele dava preferência a meninas bem mais jovens. A última delas, Beverly Hadland, tinha 15 anos quando Flynn a levou para a cama. E foi nos braços dela que o ator morreria, em 1959, aos 50 anos de idade. A história do romance de Flynn e Beverly é contada no filme “A ÚLTIMA AVENTURA DE ROBIN HOOD” (“The Last of Hobin Hood”), 2013, direção de Richard Glatzer e Wash Westmoreland. O papel de Flynn ficou para Kevin Kline, que, além de viver o ator com muita competência, ainda se parece muito com o próprio. Dakota Fanning, ótima, faz Beverly Hadland, e Susan Sarandon sua mãe, Florence. Beverly sempre quis ser atriz, no que foi incentivada pela mãe desde criança. Aos 15 anos, com certidão de nascimento falsa de 18, Beverly tentou ingressar no elenco da Warner Brothers, onde conheceu o já consagrado ator. Na esperança de que Flynn ajudasse Beverly, Florence fez vistas grossas para o romance, na verdade um caso que poderia acabar na polícia. Com a morte de Flynn, o romance proibido veio à tona e virou escândalo mundial. Vale pela história, pelos ótimos atores e pela reconstituição de época - repare a de Nova Iorque, um primor.   

quarta-feira, 20 de maio de 2015

“VÍCIO INERENTE” (“Inherent Vice”), 2014, EUA, é um drama bem-humorado baseado em livro de Thomas Pynchon. A história, ambientada em 1970 na cidade de Los Angeles, é centrada no detetive particular Larry “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix), que, a pedido da ex-namorada Shasta Fay Hepworth (Katherine Waterston), começa a investigar o desaparecimento do atual namorado dela, um empresário do ramo imobiliário. Em meio ao seu trabalho, “Doc” acaba se desentendendo com o detetive Christian “Bigfood” Bjorsen (Josh Brolin), encarregado oficial do caso. “Doc” passa o filme inteiro totalmente chapado, maconha como combustível – de vez em quando, cocaína. É um personagem asqueroso, sujo e maltrapilho, enfim, um hippie da pior qualidade. Seu único fator positivo é ficar igualzinho a John Lennon quando coloca aqueles óculos escuros redondinho. Joaquin Phoenix está ótimo no papel, provando que é um ator bastante versátil. A trama é meio complicada e pode confundir o espectador, principalmente pelos inúmeros personagens que aparecem no meio da história. Para complementar o quadro geral meio estranho, o escritório de “Doc” fica dentro de uma clínica médica. Tem até uma cena onde um grupo de rock aparece comendo pizza ao estilo do quadro da Santa Ceia. É claro que todo esse cenário é obra do diretor Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”, “O Mestre”, “Magnólia”), acostumado em não economizar esquisitices. Vale pelo humor, ambientação de época e, principalmente, pelo ótimo elenco, que conta também com Reese Witherspoon, Benício Del Toro, Martin Short, Owen Wilson e Eric Roberts (o irmão da Júlia). Não chega a ser bom, mas um filme bastante interessante.     

quinta-feira, 14 de maio de 2015

“A ENTREGA” (“The Drop”), EUA, 2013, é um drama, com pitadas de policial e suspense, baseado no romance “Animal Rescue”, escrito por Dennis Lehane (o autor de “Sobre Meninos e Lobos”). A trama gira em torno do bar gerenciado por Marv (James Gandolfini), que na verdade funciona como uma espécie de banco clandestino, onde gângsters, mafiosos e bandidos em geral depositam seus “lucros”. Enfim, um estabelecimento de fachada para lavagem de dinheiro. O bar, aliás, era de Marv e foi “comprado” por um chefão mafioso checheno. O braço direito de Marv é seu primo e barman Bob Saginowski (Tom Hardy). A história é filmada num ritmo bastante lento, quase arrastado. Alguns personagens parecem ter sido colocados para preencher espaços na trama, como o psicopata Eric (Matthias Schoenaertes) e Nadia (Noomi Rapace), o que no livro talvez funcione, mas no filme pouco acrescentam. Assim como o filhote de pit bull que Bob acha na lata de lixo da casa de Nádia. Além de uma figura bonitinha, nada mais acrescenta à história. De vez em quando aparecem os capangas do chefão checheno fazendo ameaças, mas fica por isso mesmo. Quando você acha que algo vai acontecer, nada acontece. Essa sensação perdura até o final, deixando o espectador com uma pergunta na ponta da língua quando o filme termina: “E daí?”. Uma estreia fraca do diretor belga Michael R. Roskam no cinema norte-americano. O filme foi o último do ator James Gandolfini, que morreu logo depois do final das filmagens. Fora esse fato, nada mais de interessante que justifique uma recomendação. 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

“A RECOMPENSA” (“Dom Hemingway”), 2013, Inglaterra, direção de Richard Shepard, é um filme que mistura gêneros como comédia, drama e ação. Mas é com base no seu afiado humor que o filme garante um entretenimento de primeira. Os diálogos são repletos de ironia e sacadas inteligentes. O ator inglês Jude Law dá um verdadeiro show na pele de Dom Hemingway, um criminoso que acaba de sair da cadeia depois de cumprir uma pena de 12 anos por roubo. Por ter ficado quieto e não ter denunciado seu antigo chefão Ivan Fontaine (Demián Bichir), que participou do roubo, Hemingway vai cobrar seu prêmio por ter ficado calado. Ele recebe de Ivan uma volumosa quantia em dinheiro, mas uma amante do chefão acaba dando um golpe e fica com tudo. Ao lado de seu fiel escudeiro e companheiro Dickie (o ótimo Richard E. Grant), ele vai tentar recuperar a grana, ao mesmo tempo em que tenta reatar com sua filha Evelyn (Emilia Clarke), a qual abandonou quando ela ainda era uma criança. Jude Law, que já foi considerado o homem mais bonito do mundo, está quase irreconhecível como Dom Hemingway: mais gordo, com acentuadas entradas de calvície, dentes mal cuidados e umas costeletas ao estilo do super-herói Wolverine. Mas ele é a alma do filme, provando mais uma vez ser um ótimo ator também em comédia. O filme tem bastante ação e é muito divertido, garantindo uma ótima sessão de cinema.    

domingo, 10 de maio de 2015

Depois de emplacar boas comédias no início de carreira, o que um tornaram um astro, Adam Sandler fez muitos filmes medianos, até mesmo medíocres. Nos últimos anos, porém, tenta dar uma guinada de qualidade. Ele melhorou muito seu currículo ao abandonar aquela cara de garoto bobão que já não faz mais sentido quando se chega quase aos 50 anos (ele tem 48). No ano passado, fez um papel sério no bom drama “Homens, Mulheres e Filhos” e agora volta à comédia em “TROCANDO OS PÉS” (“The Cobbler"), 2014, direção de Thomas McCarthy. Aliás, uma ótima comédia. Aqui, Sandler é Max Simkin, um sapateiro de descendência judaica proprietário de uma sapataria em Nova Iorque. Desde seu tataravô, todos exercem a profissão. Ao utilizar uma antiga máquina de costurar solas de sapato, Max descobre um poder mágico. Ao experimentar um par de sapatos costurados pela tal máquina, Max se transforma fisicamente no dono. Além das situações muito engraçadas que a mágica proporciona, também dá margem a momentos de rara sensibilidade, quando Max veste os sapatos do pai (Dustin Hoffman) para atender a um desejo da mãe. Trata-se de uma das cenas mais tocantes do filme. No final, acontece uma surpreendente reviravolta, o que dá um toque de qualidade a mais nessa história que por si só já é bastante interessante. Estão ainda no elenco Steve Buscemi, Ellen Barkin, Melonie Dias e Dan Stevens. Finalmente, um filme de Adam Sandler que merece ser recomendado.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

“GAROTA DE PROGRAMA” (“Call Girl”), 2012, é um filme sueco baseado em fatos reais. A história é estarrecedora. “Havia algo de podre no reino da Suécia” poderia ser a outra opção de título. Nos anos 70, uma rede de prostituição chefiada por Dagmar Glans (Pernilla August) tinha como seus principais clientes desde ministros do governo – inclusive o da Justiça – e políticos até empresários e figuras importantes da alta sociedade de Estocolmo. Dagmar promovia festas de luxo, verdadeiras orgias palacianas, além de aliciar jovens, inclusive menores, para ingressar na profissão mais antiga do mundo. Foi o caso de Íris (Sofia Karemyr) e Sonja (Josefin Asplund). É baseada no recrutamento e na “atuação” dessas duas jovens que o diretor estreante Mikael Marcimain desenvolve toda a história. Houve uma investigação e até uma tentativa de prender Dagmar e denunciar os ilustres “clientes”, mas o caso foi abafado. Inacreditável que esse tipo de impunidade possa ter acontecido num país tão sério como a Suécia. Se o filme já é bom pela história em si, vale mais ainda pela primorosa ambientação de época. Figurinos, cenários, trilha sonora, enfim, tudo foi feito com muito capricho. Para quem viveu essa época, trata-se de uma ótima viagem no tempo. Há ainda algumas cenas de sexo e nudismo, mas realizadas sem apelar para a vulgaridade. Destaque para as ótimas atuações da veterana atriz Pernilla August, que atuou na obra-prima “Fanny and Alexander” (1982), de Ingmar Bergman, e da jovem estreante Sofia Karemyr. Filme sério e de qualidade. Recomendo sem fazer figa.      

sábado, 2 de maio de 2015

“SARKI SÖYLEYEN KADINLAR” (“Singing Women”, traduzido para o inglês) é um filme turco de 2013 dirigido por Reha Erdem. Um drama muito entediante e esquisito, tornando as suas duas horas de duração um verdadeiro martírio. O pano de fundo da história é a previsão da chegada de um violento terremoto numa ilha do litoral da Turquia, próxima a Istambul. Além disso, acontece uma epidemia que está matando os cavalos da ilha. Enquanto a maioria da população obedece à ordem das autoridades de abandonar o local, outros preferem ficar. E é nesses poucos habitantes que restam que o diretor Reha Erdem foca sua história. Há um médico com um passado político tenebroso, um idoso cujo filho, além de depressivo, tem uma doença grave, uma mulher com poderes sobrenaturais e seu irmão debilóide, uma jovem infeliz que foge de um namorado e, claro, os cavalos morrendo pela ilha. Muitos dos diálogos não têm qualquer nexo, assim como a maioria das situações. Dá para perceber que o diretor Erdem teve a pretensão de realizar um filme poético, valorizando a força das mulheres da ilha diante das dificuldades. O filme é esquisito, difícil de entender, assim como é difícil decifrá-lo e comentá-lo. A única certeza é a de que se destina a um público restrito, amante dos chamados filmes de arte.                                                                                                                                                    

quinta-feira, 30 de abril de 2015

’71 é um ótimo drama inglês ambientado em 1971 (daí o título) em Belfast (Irlanda do Norte). A história tem como pano de fundo o conflito envolvendo de um lado os militantes católicos do IRA (Exército Republicano Irlandês) e de outro os protestantes e o Exército britânico. A violência imperava naquela época, o que incluía muitos atos terroristas, atentados à bomba e protestos que terminavam em depredação, mortes e pancadaria generalizada. O soldado britânico Gary (Jack O’Connell, do recente “Invencível”, dirigido por Angelina Jolie) e seu pelotão são designados para conter um motim na zona de guerra de Belfast. No meio da confusão, um soldado é morto com um tiro no rosto e Gary é violentamente espancado. Os manifestantes são em maior número e a situação foge de controle, o que obriga o pelotão do Exército a fugir com o rabo entre as pernas, abandonando Gary à sua própria sorte. O filme quase inteiro mostra o jovem soldado tentando escapar do pessoal do IRA. A caçada pela cidade é de uma tensão angustiante, no que o diretor francês estreante Yann Demange soube transformar num suspense de prender o ar. Produzido em 2013, o filme estreou com muitos elogios no Festival de Berlim/2014. Realmente, é  muito bom.    

segunda-feira, 27 de abril de 2015

“118 DIAS” (“Rosewater”), 2014, EUA, conta o drama vivido em 2009 pelo jornalista iraniano Maziar Bahari (Gael Garcia Bernal), que ficou preso por 118 dias numa prisão de Teerã acusado de ser espião do Ocidente e de Israel. Colaborador da Revista Newsweek e residindo em Londres com a esposa Paola (Claire Foy), Bahari foi enviado ao Irã para cobrir as eleições presidenciais daquele ano. Mahmoud Ahmadinejad disputava a reeleição e seu principal oponente era Mir Hussein Mussavi. Ahmadinejad foi reeleito. Por causa da desconfiança de que houve fraude na apuração dos votos, aconteceram várias manifestações pelo país. Numa delas, em Teerã, um manifestante foi morto com um tiro. Bahari captou o flagrante com sua câmera de vídeo e foi aí que a polícia secreta de Ahmadinejad encontrou motivo para prendê-lo. Durante um período de 118 dias, o jornalista sofreu uma grande pressão psicológica, sendo frequentemente interrogado e torturado. Na solidão de sua cela, Bahari sofre alucinações e conversa com os fantasmas da sua irmã Maryan (Golshifteh Farahani) e de seu pai Baba Akbar (Haluk Bilginer), ambos assassinados por motivos políticos. Depois de libertado graças à mobilização internacional liderada por Hilary Clinton, o jornalista escreve o livro “They Can Came for Me: A Family’s Story of Love, Captivity and Survivel”, no qual o diretor Jon Stewart se baseou para escrever o roteiro do filme. No bom elenco, destaque especial para o ator dinamarquês Kim Bodnia, que interpreta o interrogador numa atuação magistral. Até o ator mexicano Gael Garcia Bernal, normalmente mediano, está bem no papel do jornalista preso. Um filme de grande impacto.       
                                           

sábado, 25 de abril de 2015

Após assistir à comédia australiana “A PEQUENA MORTE” (“The Little Death”), 2014, fiquei intrigado com o título do filme. Mas depois descobri a ligação: a expressão “Pequenequena Morte” é uma metáfora para o Orgasmo. Ou seja, tem tudo a ver com o filme, cujo tema principal é o Sexo. A história envolve vários casais - na faixa dos 30/40 anos - residentes em Sydney que estão encontrando problemas em seu relacionamento sexual. Tudo por conta de uma tara ou fetiche de um dos cônjuges: uma tem o sonho de ser estuprada; outra só tem desejo sexual quando o marido chora; outro descobre que só tem vontade de fazer sexo com a esposa se ela estiver dormindo; e ainda outro que, ao realizar o sonho da esposa de transar com um ator, acaba achando que tem o dom de representar... E vai por aí afora. O filme reserva o melhor para o desfecho, quando uma intérprete da língua dos sinais intermedia uma conversa de um rapaz surdo-mudo com uma moça do disque-sexo. Hilariante. O diretor Josh Lawson, que escreveu o roteiro e protagoniza um dos personagens (o marido da mulher que sonha em ser estuprada), soube dosar as situações com muito humor, inteligência e – o mais importante - sem apelar para a baixaria, coisa rara nas comédias sobre sexo. Além de Lawson, estão no elenco Lisa McCune, Bojana Novakovic, Patrick Brammall e Kate Mulvany. Um filme bastante divertido e muito interessante.   

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Inexplicavelmente elogiado pelos críticos profissionais – ganhou até o Grande Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes 2014 -, o drama ucraniano “A GANGUE” (“Plemya”) tenta inovar o conceito de cinema mudo colocando seus atores atuando através da linguagem dos sinais. O único som é o do ambiente. A história é centrada num jovem recém-chegado a um internato especializado em deficientes auditivos. Ele entra para uma gangue que pratica furtos e logo se destaca por sua ousadia. Mas entra em desgraça ao se envolver com a namorada do chefão. O filme é muito violento e tem algumas cenas de sexo quase explícito. Não é só por isso que o filme é bastante desagradável. Os gestos dos atores são sempre nervosos, praticamente histéricos, o que faz parecer que estão sempre querendo se livrar de um ataque de mosquitos. Como foi seu filme de estreia, o diretor Miroslav Slaboshpytskiy provavelmente queria chocar as plateias e garantir publicidade. Conseguiu pelo menos chocar, o que aconteceu durante sua exibição na última Mostra São Paulo. De qualquer forma, pode ser interessante para quem curte filmes esquisitos. Mas, repito, é muito incômodo, causa desconforto a cada cena. Sem dúvida, um filme distante "anos-luz” do que costumamos chamar de entretenimento.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Em “PASOLINI”, 2014, uma co-produção França/Itália/Bélgica, o polêmico diretor norte-americano Abel Ferrara conta como foram os últimos dias de vida do também polêmico diretor italiano Pier Paolo Pasolini. Homossexual assumido, Pasolini foi assassinado a pauladas por um garoto de programa. Ferrara enfoca a intimidade de Pasolini nas cenas em que está em casa com a irmã e a mãe, jantares em seu restaurante preferido, sozinho e com amigos, e suas andanças pela noite afora em busca de garotos de programa. Numa das cenas de maior impacto, garotos estão enfileirados aguardando pelo sexo oral de Pasolini. Ferrara também reproduz algumas das últimas entrevistas dadas pelo diretor italiano, nas quais ele fala sobre política, filosofia, literatura e cinema. Não podemos esquecer que Pasolini, além de diretor de cinema, era um respeitado filósofo, cronista, roteirista e dramaturgo. Enfim, um intelectual dos mais influentes naquela época. Numa das entrevistas, Pasolini pede que o entrevistador envie as perguntas por escrito, pois ele confessa ter dificuldade em se expressar verbalmente. Willem Defoe, com sua reconhecida competência, interpreta Pasolini. Também estão no elenco Ricardo Scamarcio, a portuguesa Maria de Medeiros e Ninetto Davoli. O filme, que estreou no Festival de Veneza 2014, deve ser exibido por aqui apenas nos circuitos de arte.