sábado, 17 de maio de 2014

A situação é inverossímil: com o teatro lotado, pianista famoso senta ao piano, abre a partitura do concerto e lá está a ameaça assustadora dizendo que, se ele errar uma nota ou interromper o concerto, sua esposa, que está na plateia, será assassinada. O responsável pela ameaça ainda coloca à disposição do pianista um ponto eletrônico que ele usará no ouvido durante o concerto para que o suposto assassino possa se comunicar. O Cinema é fascinante por causa disso. Você entra no clima e assiste como se achasse possível tudo isso acontecer. Esse enredo pertence ao ótimo suspense “Toque de Mestre” (“Grand Piano”), Espanha, 2013. Tom Selznick, o pianista, é interpretado por Elijah Wood (“Senhor dos Anéis”). O assassino é chamado de Clem (John Cusack), que durante todo o filme é representado apenas por sua voz no ponto eletrônico e que só vai se revelar de corpo e alma no final. A tensão aumenta a cada minuto, acompanhando a evolução dos movimentos do concerto. Da maneira como conduziu a encenação e o suspense, a utilização da música como elemento de tensão, assim como o desfecho, o diretor espanhol Eugenio Mira (“Agnosia”) parece homenagear Hitchcock, o que é um predicado dos mais positivos para esse grande suspense.      

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A gente pega a capinha do DVD, lê o que está escrito e logo percebe que não tem nenhuma referência sobre o filme e os atores são pouco conhecidos. A primeira reação é torcer o nariz e não assistir. Ledo “Ivo” engano, como diria Carlos Heitor Cony. Um bom exemplo de que não podemos descartar um filme por esses critérios é o recém-lançado “Not safe for Work” (ainda sem tradução no Brasil). Trata-se de um ótimo suspense, com muita ação e humor, com um ritmo alucinante do começo ao fim. Tom Miller (Max Minghella) é assistente jurídico num grande escritório de advocacia. Por causa de um memorando, ele é demitido. Quando está para sair do edifício, nota uma movimentação estranha entre dois homens. Um pega a maleta que o outro deixou no chão do saguão e entra no edifício. Muito estranho! Curiosidade à flor da pele, Tom resolve investigar e vai atrás do homem, que pega o elevador e vai para o 34º andar. Já não há mais pessoas no edifício e logo Tom vai descobrir que o homem (JJ Field) é um sádico assassino. Tanto Minguella quando JJ Fied estão ótimos em seus papéis. Embora toda a ação do filme aconteça no interior do edifício, o jogo de “gato e rato” entre os dois protagonistas é de tirar o fôlego, graças ao trabalho do diretor Joe Johnston (“Capitão América – O primeiro vingador”, “Jumanji”, “Jurassic Park III”). Se há um filme que podemos chamar de super bonder (você não vai desgrudar da poltrona), este é ”Not safe for Work”. Não perca!                   

quinta-feira, 15 de maio de 2014

O título original em norueguês é “Kiss meg for Faen i Helvete”. Chequei algumas traduções feitas para o português, entre as quais “Beije-me, Porra” e “Beije-me, seu maldito Moron”. Optei por “Beije-me” (2013). É uma comédia romântica juvenil, mas não ao estilo boboca e apelativo que estamos acostumados a ver nos filmes americanos do gênero. Esta, escrita e dirigida por Stian Kristiansen, tem conteúdo sério, um elenco jovem de primeira e uma história bastante agradável. Tem também humor, mas pouco. Grupo de teatro amador, integrado por jovens, está cansado de encenar peças infantis. Uma de suas atrizes, Tale (Eili Harboe), propõe a encenação da peça “Sonho de Outono”, escrita em 1999 pelo famoso dramaturgo norueguês Jon Fosse. Por coincidência, está na cidade, curtindo uma fossa amorosa, o conhecido ator profissional Lars Nykvist (Kristoffer Joner). Os jovens pedem a ele que assuma a direção da peça. Ele topa e logo marca o início dos ensaios. Só que falta um ator para representar o principal protagonista. Quem assume o papel, muito a contragosto, mediante uma série de chantagens, é o “machão” Vegard (Øyvind Larsen Runestad), astro do clube de futebol amador da cidade. Nykvist vai usar de muita psicologia e de toda sua experiência teatral para fazer com que os jovens e inexperientes atores tenham um bom desempenho. Se vai conseguir, você só saberá vendo o filme.      
Exibido no Festival de Cannes 2013, o holandês “Borgman” dividiu opiniões, pois não é um filme comum. Trata-se de um suspense psicológico carregado de tensão. Foi feito realmente para amedrontar o espectador, como confirmou o diretor Alex van Warmerdam. Para aliviar um pouco esse clima sufocante, o diretor acrescentou algumas pitadas de humor negro. É um filme esquisito, com várias situações absurdas e sem nexo. Duvido que, em determinadas cenas, os atores não tenham tido vontade de rir. Pois todos atuam muito sérios, o que acrescenta uma certa dose de cinismo. O filme começa como naqueles filmes de exorcismo: um padre e dois homens saem armados com espingarda e estacas pela floresta em busca das tais figuras demoníacas. Três delas são representadas por homens que moram sob a terra (uma alusão ao inferno?). Eles conseguem fugir e se dispersam. Um deles, Camiel Borgman (Jan Bijvoet), com aparência de mendigo, caminha por um bairro de classe média alta. Numa das casas em que pede para tomar um banho, é atendido por Marina (Hdewych Minis) e seu marido Richard (Jeroen Perceval). Este se revolta quando o mendigo ofende sua mulher e o agride. Depois que o marido sai para trabalhar, Marina, como se nada tivesse acontecido, acolhe o mendigo em casa. A partir daí, as pessoas da casa começam a mudar o seu comportamento, como se uma força maligna tomasse conta delas. Ainda por cima, aparecem outros visitantes estranhos, tumultuando ainda mais o ambiente. O filme termina sem explicação sobre tudo aquilo que aconteceu e nem quem são aqueles seres estranhos. “Borgman” é ideal para quem gosta de decifrar enigmas. Um filme interessante e, sem dúvida, muito instigante.    

terça-feira, 13 de maio de 2014

“Cuba Libre – Sangue e Paixão” (“Dreaming of Júlia”), 2001, EUA, é um drama baseado nas memórias de infância do diretor Juan Gerard em Cuba. O ano é 1958, às vésperas da revolução que levaria Fidel Castro ao poder, e o cenário é a cidade de Holguím. O personagem central da história é um garoto de 11 anos (Andhy Mendez), neto de Che (Harvey Keitel), chefe de uma tradicional família da cidade. Todos os acontecimentos são narrados pelo garoto (seu personagem não tem nome, uma opção do diretor). No início do filme, o garoto está no cinema com sua avó Beta (Diana Bracho) assistindo ao filme “Julie”, com Doris Day. No meio da sessão ocorre um apagão que deixa a cidade às escuras e interrompe o filme bem no seu momento crucial, quando Julie (Doris Day) tenta pousar o avião. A partir de então, as noites de Honguím serão à luz de velas. Até a metade do filme prevalece um clima de bom humor e nostalgia romântica. Esse panorama mudará radicalmente com a tensão gerada pela iminente chegada das forças rebeldes, a repressão da polícia de Batista, o assassinato de um amigo da família e a descoberta de um segredo de alcova de Che, o avô do garoto. Por motivos óbvios, o filme foi todo rodado na República Dominicana. O elenco conta ainda com Gael Garcia Bernal, Cecília Suárez e Iben Hjejle. O filme faz um retrato interessante da sociedade cubana pré-revolução. Além disso, chama a atenção o ótimo trabalho de caracterização de época, principalmente nos cenários e figurinos.    
 

                                                     

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Até o consagrado diretor norte-americano Brian De Palma está apelando para os remakes, prova que realmente existe uma crise de bons roteiros na indústria do cinema, principalmente nos EUA. “Passion” (“Paixão”), realizado por De Palma em 2012 (co-produção França/Alemanha), é uma refilmagem do francês “Crime de Amor” (“Crime d’Amour”), de 2009. Trata-se de um suspense policial envolvendo duas altas executivas de uma grande agência de publicidade. Uma delas vai utilizar a ideia da outra para se vangloriar com os chefes e, a partir daí, começam uma luta velada pelo poder, onde não faltarão traições, chantagens e até assassinatos. Se no original francês havia Kristin Scott Thomas e Ludivine Sagnier nos papéis principais, neste há Rachel McAdams e a sueca Noomi Rapace. As quatro atrizes são ótimas. De Palma, que já dirigiu grandes filmes como “Vestida para Matar”, “Dublê de Corpo” e “Os Intocáveis”, entre tantos outros, desta vez não obteve um bom resultado, embora tenha conseguido manter o clima de suspense até o final, apesar do desfecho um tanto confuso. Quem curtiu os filmes de Hitchcock vai notar uma grande semelhança. O que, convenhamos, prejudica a originalidade do filme – já prejudicada pelo fato de ser um remake. A versão original francesa, dirigida por Alain Corneau, é bem melhor.            
“Hôtel Normandy”, 2012, é uma comédia francesa dirigida por Charles Menes. Alice (Helena Noguerra) é uma quarentona elegante, bonita e charmosa que trabalha num banco em Paris. Desde que o marido morreu num acidente, há cinco anos, que ela não se relaciona com homem nenhum. No 40º aniversário de Alice, suas colegas de trabalho e melhores amigas Isabel (Frederique Bel) e Penélope (Anne Girouard) resolvem presenteá-la com um final de semana no luxuoso Hôtel Normandy. E contratam, através de um anúncio na Internet, um homem para cortejar Alice e tirá-la do seu jejum sentimental. Antes, porém, Alice conhece Jacques Delboise (Eric Elmosnino) e se apaixona no mesmo dia por ele. Enquanto isso, o homem contratado para assediar Alice está com gripe e envia o irmão em seu lugar, o atrapalhado Yvan Choisy (Ary Abittan). A partir daí, muitas confusões vão acontecer, gerando situações bastante engraçadas. O filme forçou um pouco a barra ao fazer Alice se apaixonar no primeiro dia por Jacques. Helena Noguerra é um mulherão, bonita, alta, silhueta e porte de modelo, enquanto Elmosnino, ator de “Gainsbourg”, é baixinho, magrelo e muito feio. Fora essa mancada, o filme mantém um bom pique. Não é das melhores comédias francesas, mas garante boa diversão.                                            

domingo, 11 de maio de 2014

“Baran”, produção iraniana de 2001, tem como pano de fundo a situação dos imigrantes afegãos no Irã, a maioria fugindo do regime talibã e da pobreza crônica do Afeganistão. Como se no Irã a situação fosse melhorar. O filme conta a história de Lateef, um jovem iraniano que trabalha num canteiro de obras em Teerã. Ele é o encarregado de servir comida e chá aos trabalhadores, em sua maioria imigrantes ilegais, principalmente afegãos, curdos e turcos. Um acidente na obra provoca um ferimento sério na perna do afegão Najaf. Para não perder o dinheiro pelos dias em que ficará afastado, Najaf envia o filho Rahmat para substituí-lo, mas ele se mostra sem forças para fazer o trabalho pesado. Rahmat é designado para o lugar de Lateef na cozinha e este vai para o trabalho pesado. Lateef fica revoltado com a situação. Os dias transcorrem sem nenhuma novidade, até que Lateef descobre um segredo que mudará radicalmente o seu modo de pensar e agir. Em meio a tanta pobreza e desilusão, o diretor Majid Majidi ameniza o drama da história com alguns momentos de humor e outros bastante comoventes, principalmente quando Lateef demonstra sua bondade e solidariedade aos menos favorecidos – como se ele não fosse um deles. Do mesmo diretor, recomendo também “Filhos do Paraíso” e “A Cor do Paraíso”.                                                       
 

 “A Música nunca Parou” (“The Music never Stoped”), EUA, 2011, é um filme musical. Não um musical tradicional, daqueles em que o protagonista está conversando com alguém e de repente começa a cantar. É um filme musical porque sua trilha sonora tem importância fundamental no enredo. E que trilha sonora! Bing Crosby, Beatles, Bob Dylan, Rolling Stones, Grateful Dead, Crosby, Stills & Nash... Uma delícia aos ouvidos! Em 1988, Henry (J.K. Simmons) e Helen Sawyer (Cara Seymour) recebem a notícia de que seu filho Gabriel (Lou Taylor Pucci), que fugiu de casa em 1968, está hospitalizado em Nova Iorque com sérios danos cerebrais. Ele está completamente desmemoriado. No período em que passou a visitá-lo, Henry percebe que Gabriel reage ao estímulo de certas músicas, pelas quais consegue reviver fatos do passado. Henry então vai procurar a dra. Dianne Daley (Julie Ormond), musicoterapeuta famosa por conseguir ótimos resultados no tratamento de vítimas de tumores cerebrais através da música. As consultas com a médica vão fazer com que Gabriel reavive suas memórias. E proporcionar, a quem assistir ao filme, uma deliciosa viagem à música dos anos 60. Um filme para ver cantarolando e batendo os pés.                                                     

sábado, 10 de maio de 2014

“A Gaiola Dourada” (“La Cage Dorée”), 2012, co-produção França/Portugal, é uma deliciosa e divertida comédia, daquelas que não perdem o ritmo até o final. Os portugueses Maria e José Ribeiro (Rita Blanco e Joaquim de Almeida) casaram e imigraram para a França, onde moram há 30 anos. Maria é zeladora de um prédio na zona nobre de Paris e José é mestre de obras numa construtora. Seus filhos, Paula (Barbara Cabrita) e Pedro (Alex Alves Pereira) são franceses. A família está feliz e plenamente ambientada em Paris. São muito queridos no bairro e os moradores do prédio adoram o trabalho de Maria, o mesmo acontecendo na construtora com relação a José. Até que um dia José recebe uma carta informando que é herdeiro de uma grande fortuna, que inclui uma imensa propriedade em Portugal. Só que existe uma cláusula obrigatória: o casal deve mudar para Portugal e residir na propriedade. Fruto de uma empregada fofoqueira, a notícia do inesperado enriquecimento de José e Maria chega aos ouvidos de todo mundo no bairro, aos moradores do prédio e na empresa de José. Ninguém quer que os dois voltem para a “Terrinha”. As artimanhas criadas para fazer o casal não sair de Paris dão margem a uma série de confusões e situações muito engraçadas. O jantar que José oferece ao seu patrão e à esposa, por exemplo, é um dos momentos mais hilariantes do filme. A história é baseada na própria experiência do diretor Ruben Alves, que escreveu o roteiro. Sua família também imigrou para a França. Seu pai trabalhou como pedreiro e a mãe como zeladora de prédio. Ruben também faz uma ponta no filme, no papel de ex-namorado de Paula. Simplesmente imperdível!                                              

sexta-feira, 9 de maio de 2014


“A Reconstrução” (“La Reconstrucción”), 2012, direção de Juan Taratuta, é mais um bom filme argentino (como se isso fosse alguma novidade). Eduardo (Diego Peretti), trabalhador numa refinaria de petróleo, é um sujeito solitário e extremamente desagradável. Além de fechado e mal-humorado, não liga para a aparência. Barba por fazer, cabelos desgrenhados e ensebados, unhas grandes e sujas. Seu aspecto é de um verdadeiro troglodita.  Um dia, recebe o telefonema de um antigo amigo, Mario (Alfredo Casero), que o convida para passar uns dias em sua casa em Ushuaia (capital da Província da Terra do Fogo). Como está para sair de férias, Eduardo aceita o convite e uns dias depois pega a estrada. Eduardo chega a uma casa alegre e vê uma família feliz – Mario, a esposa Andrea (Claudia Fontán) e as duas filhas adolescentes do casal, Ana (Maria Casali) e Cata (Eugenia Aguilar). Mesmo nesse ambiente agradável, Eduardo não consegue externar nenhuma emoção. A morte repentina de Mario, porém, fará com que Eduardo tenha de assumir, pelo menos temporariamente, as rédeas da família enlutada. Durante esse processo, ele também vai repensar e tentar reconstruir sua vida. Mais conhecido pela ótima comédia “Um Namorado para minha Esposa”, Taratuta fez um filme um tanto melancólico, mas bastante sensível.                                       

quinta-feira, 8 de maio de 2014

“A Imigrante” (“The Immigrant”), EUA, 2013, dirigido por James Gray, é um drama pesado, depressivo e melancólico. O ano é 1921. As irmãs Ewa (Marion Cotillard) e Magda Cybulski (Jicky Schnee) chegam de navio a uma Nova Iorque gélida e sombria . Elas vêm da Polônia para tentar uma vida melhor. Quando desembarcam e passam pela inspeção alfandegária, Clara é diagnosticada com tuberbulose e encaminhada para tratamento no hospital da Ilha Ellis, onde ficavam os imigrantes doentes. Em meio ao desespero de se separar da irmã, Ewa conhece Bruno (Joaquin Phoenix), um empresário influente que dá acolhida à moça. Na verdade, Bruno é um conhecido cafetão na cidade e convence Ewa a ingressar no seu time. Por sua beleza, logo Ewa será a prostituta mais assediada e a preferida de Bruno, que acaba se apaixonando por ela. Tudo muda quando Ewa conhece Orlando (Jeremy Renner), mágico e primo de Bruno. Os dois vão disputá-la na base dos sopapos. Dividida entre os dois homens, Ewa só vai encontrar solução para o seu dilema quando uma situação trágica elimina um deles. O dramalhão segue firme até o final.  Nem esse trio de ótimos atores consegue salvar esse filme. Impossível deixar de sentir um certo alívio quando, finalmente, aparece o The End.                        

                                     
O que tem a ver a Holanda com o cenário árido do Deserto do Novo México? O filme holandês “Jackie”, de 2012, dirigido por Antoinette Beumer. Trata-se de uma comédia com direito a road movie ao estilo “Telma & Louise”, só que com três mulheres. A história começa quando as irmãs gêmeas Sofie (Carice van Houten) e Daan (Jelka van Houten), que moram na Holanda, recebem um telefonema dos EUA dizendo que sua mãe biológica, Jackie (Holly Hunter), fraturou a perna, está internada num hospital e precisa ser levada para um centro de reabilitação. Motivo meio forçado para justificar a viagem das irmãs, que nunca tiveram contato com a mãe. Em todo caso, elas são incentivadas a viajar pelos pais adotivos (um casal gay), que dizem ser esta uma ótima oportunidade para que conheçam a mãe biológica. Quando chegam, encontram uma mulher rabugenta e nem um pouco feliz em conhecê-las. As três iniciam uma longa viagem onde terão a oportunidade de se conhecer melhor e talvez recuperar o tempo perdido. Em seu desfecho, o filme terá uma reviravolta surpreendente. As atrizes holandesas Carice e Jelka van Houten, que também são irmãs na vida real, mas não gêmeas, estão ótimas, assim como Holly Hunter. As três garantem boas risadas. Mas é Carice que se sai melhor, embora seja mais conhecida por papéis em dramas como “A Espiã” (2006), “Operação Valquíria” (2008) e “Borboletas Negras” (2011), comprovando que uma atriz, quando é competente, atua em qualquer papel e em qualquer gênero de filme.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

“O Refúgio” (“Gimme Shelter”), EUA, 2013, dirigido por Ron Krauss, é um drama muito parecido com o que a gente já viu em  outros filmes. A história deste, pelo menos, é baseada em fatos reais. Aos 8 anos de idade, Apple (Vanessa Hudgens) foge de casa e de sua mãe prostituta e viciada em drogas, June (Rosario Dawson). Passou por reformatórios e lares adotivos, dos quais sempre fugiu. No filme, Apple já está com 16 anos e continua cada vez mais problemática. Por intermédio de uma carta, descobre a identidade do pai, que nunca conheceu, e vai procurá-lo. O pai, Tom Fitzpatrick (Brendan Fraser), um empresário bem sucedido do ramo imobiliário, acolhe Apple em sua casa, pede desculpas por nunca tê-la procurado, contando que era muito joven quando se relacionou com June e a engravidou. A esposa de Tom, Joanna (Stephanie Szostak), é contra a permanência de Apple. O clima fica pesado e, para piorar, Apple descobre que está grávida. Tom e Joanna querem que ela faça um aborto e a levam a uma clínica. Apple foge dali e rouba um carro. Durante a fuga, causa um acidente e vai parar no hospital, onde conhece o padre Frank McCarthy (James Earl Jones). Esse encontro vai mudar o rumo da história e da vida de Apple. A partir daí, o filme vira uma sessão da tarde para jovens mães solteiras. Se o filme não é tão bom, louve-se pelo menos o ótimo desempenho das duas atrizes principais, a jovem Vanessa Hudgens e Rosário Dawson.        

terça-feira, 6 de maio de 2014

“Bekas”, co-produção Suécia/Curdistão, 2012,  é um drama dos mais comoventes, sem deixar de ser sensível e alegre. Conta a história dos irmãos Zana (Zamand Taha) e Dana (Sarwar Fazil), garotos órfãos que vivem nas ruas de uma pequena cidade no Curdistão (norte do Iraque), um cenário de extrema pobreza. O ano é 1990, no auge da perseguição de Saddam Hussein aos curdos. Quando o filme “Superman” foi exibido no cinema local, Zana e Dana encontram um jeito de assistir por uma fresta no telhado. Mas logo são descobertos e expulsos. Pelo pouco que viram do filme, eles chegam à conclusão que o Superman é a solução para os seus problemas. “Ele tem poderes para ressuscitar nossos pais”, diz um irmão para o outro. Decidem, então, ir para a América. “É lá que ele mora”. Zana e Dana conseguem comprar um burro para levá-los nessa viagem. Eles o chamam de “Michael Jackson”. Aí começa uma grande aventura para os garotos, onde não faltarão momentos hilariantes, como quando encontram um agricultor analfabeto e tentam explicar a viagem. Mas o grande trunfo do filme é a amizade, o amor e o carinho entre os irmãos. O diretor curdo Karzan Kader, ainda criança, fugiu com a família para a Suécia no ínicio dos anos 90 e lá mora até hoje (o que explica a co-produção). As filmagens aconteceram no Curdistão e o elenco foi formado por atores amadores, incluindo os dois garotos. O filme estreou no Festival de Cinema de Dubai/2012. Concluindo, “Bekas” é uma joia rara do cinema mundial. Imperdível!                                          

segunda-feira, 5 de maio de 2014

“A Pedra da Paciência” (“Syngue Sabour”), co-produção Afeganistão/França, 2012, dirigido por Atiq Rahimi. A história é baseada no livro “Syngue Sabour. Pierre de Patience”, escrito pelo próprio diretor afegão em 2008. Numa cidade do interior do Afeganistão dominada pelos talibãs, uma mulher (a bela e competente atriz iraniana Golshifteh Farahani) cuida do marido em estado vegetativo, vítima de um tiro na nuca. O ambiente é de extrema pobreza e muito violento, com franco-atiradores nos telhados, atentados à bomba e tiroteios diários. A mulher leva as duas filhas pequenas para a casa da tia (Hassina Burgan), que vive ao norte da cidade. Ela desabafa com a tia e diz que não aguenta mais a vida de pobreza que leva, além de cuidar do marido em coma. A tia conta a história de pessoas que relatam seus problemas para uma pedra (a tal “Pedra da Paciência”) e que, um dia, essa pedra vai acabar estourando. Quando esse dia chegar, a pessoa estará totalmente liberta de tudo que a aflige. A mulher segue o conselho da tia, só que, ao invés da pedra, desabafa com o marido em coma. Ela faz um resumo da história da sua vida e não poupa sua decepção com o casamento e culpa o marido que, segundo ela, nunca lhe deu atenção e nunca a ouviu. “Estou casada há dez anos com você e só agora eu consigo falar”. Esses desabafos vão ocupar grande parte do filme, sem deixá-lo monótono ou cansativo, graças, principalmente, à excelente atuação de Farahani. O filme torna-se ainda mais interessante ao mostrar algumas tradições da sociedade afegã e do mundo muçulmano em geral. Um belo filme que merece ser conferido. 

domingo, 4 de maio de 2014

“Zulu”, 2013, co-produção França/África do Sul, é um policial da pesada. O Departamento de Polícia da Cidade do Cabo investiga o assassinato de uma jovem encontrada morta na praia. A vítima foi espancada violentamente e ficou desfigurada. Encarregados do caso, o capitão Ali Sokhela (Forest Whitaker) e o detetive Brien (Orlando Bloom) vão enfrentar bandidos violentos e sádicos - perto deles, o nosso PCC vai parecer Congregação Mariana. Durante as investigações, os policiais descobrem uma conexão entre a morte da moça e uma organização criminosa que produz, em laboratório, uma substância química que ativa a agressividade. Os testes são feitos com crianças das favelas da Cidade do Cabo (viu que bonzinhos?). A violência corre solta e lá, como aqui, a polícia não dá conta de tanto bandido. Igualmente, os bandidos de lá também não têm medo da polícia. Para se ter uma ideia, um colega policial de Ali e Brien tem o braço decepado e é degolado na frente da dupla sem a menor cerimônia. O filme, dirigido pelo francês Jérôme Salle, foi escolhido para ser exibido na sessão de encerramento do Festival de Cannes 2013. “Zulu” tem todos os ingredientes de um bom filme policial: um enredo interessante, dupla de policiais problemáticos, muita violência, perseguições, tiros e bandidos de dar medo. Ah, tem também mulher pelada. Prepare o sacão de pipoca e aperte o Play.                   

sábado, 3 de maio de 2014

“A Jaula de Ouro” (“La Jaula de Oro”), 2013, México, conta a odisseia de Juan, Sara e Samuel, jovens recém-saídos da adolescência, que um dia resolvem abandonar sua vida miserável numa favela da Guatemala e emigrar, clandestinamente, para os Estados Unidos, atravessando o México. No meio da viagem, incorpora-se ao trio o jovem índio Chauk. Como meio de locomoção, eles sobem em vagões de trens de carga, onde se juntam a centenas de hondurenhos, nicaraguenses, mexicanos etc. Durante o percurso, muitas situações de perigo vão acontecer e nem todos chegarão ao destino. O diretor Daniel Quemada-Diez optou por um estilo quase documental, mostrando inúmeras vezes, em close, os rostos dessas pessoas tão sofridas e cheias de esperança. Todos os atores envolvidos no filme são amadores, o que, segundo o diretor, reforçou a autenticidade dos personagens. Os três principais, por exemplo, foram selecionados entre 6 mil jovens da Guatemala. Não há dúvida de que Daniel recebeu forte influência dos estilos de Ken Loach, Fernando Meirelles e Alejandro Gonzalez Iñarritu, diretores com os quais trabalhou em várias produções. "Jaula de Ouro" integrou a Mostra “Um Certain Regard” do Festival de Cannes 2013 e participou, com destaque, da 37ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme deixa bem claro, em seu desfecho, que, mesmo nos EUA, o sonho americano continuará bastante distante para essa gente.               
O filme justifica plenamente o título estranho: “Emanuel e a Verdade sobre Peixes” (“Emanuel and the True about Fishes”), EUA, 2013. Trata-se de um drama meio fantasioso tratado como suspense. A esquisitice já começa pelo personagem principal, Emanuel, normalmente um nome masculino e que, no filme, é o nome da jovem de 17 anos (Kaya Scudelario) que mora com o pai e a madrasta e vai trabalhar como babá na casa de uma nova moradora da rua, Linda (Jessica Biel). Para surpresa de Emanuel, o bebê não passa de uma boneca, fruto da obsessão de Linda depois da morte de seu bebê uns anos atrás. Passado o susto inicial, Emanuel acaba se afeiçoando ao “bebê” e criando um elo muito forte com Linda. Em meio a esse enredo, Emanuel sofre de alucinações em que se vê submersa no mar ou num lago, além de ver água invadindo os ambientes da casa. Com tanta água, é possível que o espectador termine o filme “boiando”, sem entender muito bem o que aconteceu. Essa produção independente estreou no Festival de Sundance 2013 e ainda traz no elenco Alfredo Molina e Francis O’Connor. É o segundo filme da diretora ítalo-americana Francesca Gregorini (“Os Segredos de Tanner Hall”, de 2009, foi o primeiro). Vale a pena conferir por curiosidade.           

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Não digo que seja o melhor, mas entre os 9 filmes indicados ao Oscar 2014 de Melhor Filme, “Nebraska”, direção de Alexandre Payne,  é, com certeza, o mais agradável de assistir, mesmo com a fotografia em P&B (ótima!) e as paisagens gélidas que servem de cenário para todo o filme. Conta a história do velho Woody Grant (Bruce Dern), que recebe um desses folders de propaganda onde está escrito que ele poderá ganhar US$ 1 milhão. Já meio “gagá”, Woody está convencido de que ganhou mesmo esse prêmio e que precisa ir buscá-lo em Lincoln, capital do Estado de Nebraska, bem longe de onde mora, em Billings (Montana). Só que ele resolve ir a pé e logo é detido pela polícia na estrada. Ele é levado de volta para casa, mas continua insistindo em fazer a viagem, sob os protestos da esposa Kate (June Squibb) e dos filhos Davie (Will Forte) e Ross (Bob Odenkirk). Finalmente, Davie resolve levar o pai de carro. No meio da viagem, passam pela cidadezinha Natal de Woody, onde ainda moram seus irmãos e antigos amigos. Kate e Ross vão encontrá-los para também participarem do almoço com toda a família. A notícia de que Woody virou milionário se espalha pela cidade e é motivo de muitas confusões. Depois, Woody e Davie seguem viagem para o destino final. Além de muito bem-humorado, com diálogos ácidos e sarcásticos, o filme é sensível na medida em que mostra o desprendimento de Davie em acompanhar o pai, mesmo sabendo que será tudo em vão. Apesar do ótimo desempenho de Bruce Dern como Woody, a atração do filme é mesmo a Kate de June Squibb. Rabugenta e desbocada, ela é responsável pelas passagens mais hilariantes do filme. Simplesmente imperdível! 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

“Garotos de Abu Ghraib” (“Boys de Abu Ghraib”), EUA, 2013, não é um entrenimento dos mais agradáveis. Afinal, a história quase inteira é filmada dentro da prisão de Abu Ghraib, no Iraque, aquela mesma que ficou famosa no mundo inteiro por mostrar fotos de soldados norte-americanos humilhando e torturando seus prisioneiros, em sua maioria terroristas árabes. Aliás, tem tudo a ver com esse filme. Vamos a ele: o soldado Jack Farmer (Lucas Moran, que também escreveu o roteiro e dirigiu), de 22 anos, é enviado ao Iraque junto com um pelotão encarregado de fazer a manutenção dos veículos do Exército, cuja “oficina” fica no interior das instalações de Abu Ghraib. A missão estava prevista para durar seis meses, mas acabou se estendendo por um ano. Cansado da rotina de consertar motores e suspensões e de vez em quando fugir de morteiros, Jack pede ao seu comandante para ser escalado nos plantões dentro da ala onde estão presos os terroristas. Essa experiência vai levar Jack ao limite do estresse e modificar totalmente o seu comportamento e o seu modo de pensar a respeito dos terroristas. Quem não tiver o estômago forte, não veja. Mas quem tiver e assistir, verá um filme muito bom.      

quarta-feira, 30 de abril de 2014

“Parada em pleno curso” (“Halt auf freier Strecke”), 2011, é um drama alemão realista e muito comovente. Começa o filme com Frank Lange, de 42 anos, ao lado da esposa, Simone, ouvindo o diagnóstico do médico: tumor maligno na cabeça em local inoperável. Mesmo com radioterapia e quimioterapia, alguns meses de vida. A partir daí, o filme vai mostrar o dia-a-dia da família (o casal e dois filhos, um de 14 e outro de 8 anos) e como vão enfrentar a trágica situação até a morte de Frank. Vai mostrar, por exemplo, a inocência de uma criança de 8 anos ao ter que lidar com a situação. O garoto pergunta a Frank se ele vai morrer mesmo. Frank responde que sim. E o filho pergunta: “Você me dá o seu iPhone?”. O diretor Andreas Dresen faz com que o espectador tenha a sensação de participar de cada momento angustiante, de interagir emocionalmente com o doente e sua família. Estamos lá na hora em que o médico dá o diagnóstico fatal, estamos lá nas consultas com psicólogos, vivenciamos a visita que o casal faz à empresa de cremação para escolher o caixão e a trilha sonora (ele escolhe The Cure e Nirvana) e acompanhamos de perto todo o processo do avanço da doença. Sem dúvida, quem já passou por uma situação semelhante vai se emocionar ainda mais. Com exceção de Milan Peschel, que vive Frank, e Steffi Kühnert (Simone), o restante do elenco é formado por amadores. Aliás, os médicos, psicólogos e enfermeiros que aparecem no filme são os mesmos profissionais na vida real. Aí você vai compreender a frieza com que o médico dá o diagnóstico do câncer na cena inicial. Um ator não conseguiria ser tão frio. O filme estreou no Festival de Cannes em 2011 e ganhou o prêmio “Um Certain Regard”. Um filme capaz de nos fazer refletir e  emocionar.