sábado, 25 de março de 2023

 

“IRMÃOS DE HONRA” (“DEVOTION”), 2022, Estados Unidos, 2h19m, em cartaz na Amazon Prime, direção de Justian Dillard. O roteiro é assinado por Jack Crane e Jonathan Stewart, que fizeram uma adaptação para o cinema da história verídica relatada no livro “Devotion: Na Epic Story of Heroism, Friendship and Sacrifice”, escrito por Adam Makos. Ambientado no início dos anos 50 durante a Guerra da Coreia, o drama conta a incrível história de coragem e heroísmo de Jesse Brown (Jonathan Majors), segundo-tenente e o primeiro aviador negro da Marinha norte-americana. Recrutado pelo esquadrão de elite da Marinha (VF-32), Jesse logo passou a ser admirado e respeitado por seus companheiros. Um deles, o piloto de caça Tom Hudner (Glen Powell), se transformou em seu melhor amigo, uma atitude nobre em um tempo quando o racismo estava em grande evidência. Mesmo casado e com uma filha para criar, Jesse ficou famoso pelos seus atos de coragem. As cenas aéreas de ação e as batalhas em terra são muito bem realizadas, repletas de suspense e emoção. Também estão no elenco Christina Jackson, Serinda Swan (está ótima como Elizabeth Taylor), Joe Jonas, Daren Kagasoff, Boone Platt, Thomas Sadoski, Nick Hargrove e Spencer Neville. Enfim, um filme que chega para se transformar em um grande entretenimento e não fica devendo, em emoção, ao grande sucesso “Top Gun: Maverick”. E, melhor ainda, pelo fato de ser baseado em fatos verídicos. Filmaço!           

domingo, 19 de março de 2023

 

“OS MUITOS SANTOS DE NEWARK: UMA HISTÓRIA SOPRANO” (“THE MANY SAINTS OF NEWARK”), 2021, Estados Unidos, 2h03m, em cartaz na Amazon Prime, direção de Alan Taylor (“Game of Thrones”, “O Exterminador do Futuro: Gênesis”), seguindo roteiro assinado por Davi Chase e Lawrence Konner. Todo mundo se lembra da “Família Soprano”, série premiadíssima e que teve uma grande audiência entre 1999 e 2007. O personagem central da série, Tony Soprano, foi interpretado por James Gandolfini, que morreu em 2013. “Os Muitos Santos...” mostra como foi a infância e a juventude de Tony Soprano (Michael Gandolfini, o filho de James estreando no cinema). O filme destaca a família de mafiosos Moltisanti e a influência que tiveram sobre o jovem Tony, desde o patriarca e grande chefão “Hollywood” Dick Moltisanti (Ray Liotta), o pai Johnny Boy Soprano (Jon Bernthal) e, principalmente, o tio Dickie Moltisanti (Alessandro Nivola), além da mãe Livia Soprano (Vera Farmiga). Sob toda essa influência, Tony cresceu na base de fazer pilantragem, roubando provas do colégio, liderando uma banca de apostas para os estudantes e roubando um trailer de sorvete. Meio caminho andado para ingressar mais tarde no comando da máfia com a Família Soprano. Destaco ainda a presença, no elenco, da ótima atriz italiana Michela De Rossi como a fogosa viúva do chefão Dick Moltisanti e amante do tio Dickie e de um negro inimigo da família. O filme é ambientado a partir de 1967 e o pano de fundo são os conflitos entre gangues de negros e mafiosos italianos. Além da boa história e do ótimo elenco, destaco também a saborosa trilha sonora, incluindo, só para citar alguns, Frank Sinatra, Stevie Wonder, John Coltrane, The Rolling Stones, James Brown, Dionne Warwick e Jackson 5, sem contar algumas árias de óperas italianas. Uma delícia para os ouvidos. Eu achei o filme muito bom, melhor ainda por mostrar as raízes da série Família Soprano.             

 

sexta-feira, 17 de março de 2023

 

"AQUELES QUE ME DESEJAM A MORTE” (“THOSE WHO WISH ME DEAD”), 2021, coprodução Canadá/Estados Unidos, 1h39m, em cartaz na Amazon Prime, direção de Taylor Sheridan (“Sicário: Terra de Ninguém”, “A Qualquer Custo”), que também assina o roteiro com Charles Leavitt. O filme é uma adaptação do romance homônimo escrito em 2014 por Michael Koryta. A diva Angelina Jolie errou feio ao escolher este filme de ação para sua volta ao cinema, depois de um período longe das telas. O filme é fraco, a começar pelo elenco mal escalado, principalmente os vilões, bonitões e com cara de bonzinhos, enquanto os mocinhos são mal encarados, com exceção, é claro, de Angelina. Ela interpreta a personagem Hannah, uma bombeira que trabalha em uma reserva ambiental em Montana. Sua principal função e de sua equipe é combater incêndios na floresta. Traumatizada por uma tragédia ocorrida há mais de um ano, Hannah é obrigada a proteger um garoto de 12 anos (Fin Little), cujo pai acabara de ser assassinado. O menino é perseguido pelos dois bandidos que mataram seu pai, pois, além de tê-los visto, ainda leva documentos que podem comprometer a organização criminosa à qual pertence a dupla. Alguns momentos tediosos e muito papo furado acontecem entre a bombeira e o garoto. Mas o pior mesmo é o que acontece com a esposa de um policial. Grávida de seis meses, ela enfrenta os bandidos, sai galopando em um cavalo pela floresta, sobe de escada em uma torre bem alta e ainda enfrenta um baita incêndio. E não perde o bebê... Ainda estão no elenco Jake Weber, Jon Bernthal, Nicholas Hoult, Aidan Gillen, Tyler Perry e Medina Senghore. Trocando em miúdos, Angelina Jolie continua linda de morrer - e não morre -, mas é pouco para salvar um filme que pouco acrescenta à sua carreira. Muito menos acrescenta para o espectador mais exigente.          

quarta-feira, 15 de março de 2023

 

“LUTA POR JUSTIÇA” (“JUST MERCY”), 2020, EUA, 2h17m, em cartaz na Amazon Prime, direção de Dentin Daniel Cretton, que também assina o roteiro com Andrew Lanham. A história é baseada em fatos reais descritos no livro “Just Mercy: A Story of Justice e Redemption”, escrito por Bryan Stevenson em 2014. Bryan conta sua própria experiência como advogado de 1988 até os anos 90. Recém-formado em Direito pela Universidade de Harvard, Bryan (Michael B. Jordan), resolveu abrir mão de uma carreira em escritórios renomados na Costa Leste dos Estados Unidos para se dedicar à defesa de condenados à morte no Estado do Alabama, recebendo um salário irrisório da organização ativista “Equal Justice Initiative”. Seu caso mais famoso foi a defesa do condenado negro Walter McMillian (Jamie Foxx), que aguardava a execução no corredor da morte acusado de ter assassinado uma jovem branca. Bryan dedicou-se a descobrir supostas falhas no processo investigativo e no julgamento que culminaram na condenação à morte de McMillian. Tarefa árdua e perigosa, mas Bryan não desistiu, principalmente por acreditar na inocência de McMillian. “Luta por Justiça” escancara de forma contundente as barbaridades e deficiências do sistema judicial e o racismo estrutural da sociedade norte-americana naquela época. O elenco é, sem dúvida, um dos principais trunfos do filme. Além das ótimas atuações de Michael B. Jordan e Jamie Foxx, o elenco conta ainda com a participação de Brie Larson, Rob Morgan, O’Shea Jackson, Tim Blake Nelson, Charlie Pye Jr., Drew Starkey e Kara Kendrick. Para quem for assistir, aviso não desligar antes dos créditos finais, pois os personagens reais são mostrados em fotos. Filmaço imperdível!     

 

domingo, 12 de março de 2023

 

“SOZINHA” (“ALONE”), 2021, Estados Unidos, 1h38m, em cartaz na Amazon Prime, direção de John Hyams, seguindo roteiro assinado por Mattias Olsson. Este é mais um daqueles filmes que você encontra meio escondido, não acredita que seja bom e resolve arriscar. Pois este suspense é muito bom, prende a atenção do começo ao fim, apesar de contar apenas com dois protagonistas, o vilão e a vítima, aparecendo um terceiro em rápida aparição. Méritos não apenas para o diretor, mas principalmente para o roteirista, que soube conduzir a história sem dar brecha para o espectador levantar da poltrona. Aliás, “Sozinha” é o remake do suspense sueco “Försvunnen”, de 2011, cujo roteirista é o mesmo dessa versão norte-americana. A vítima da história é Jessica Swanson (a bela e competente Jules Willcox), que vive uma depressão pós-viuvez e resolve sair pela estrada de mala e cuia – o destino não é revelado. No meio do caminho, ela se vê assediada por um sujeito bem estranho (Marc Menchaca, ótimo), que logo se revelará um psicopata bem maluco. Depois de idas e vindas, Jessica é sequestrada pelo sujeito e mantida refém em uma cabana isolada no meio da floresta. Ela consegue fugir, mas será perseguida o tempo inteiro, até o desfecho. A atriz se entrega tanto ao papel que acabou quebrando um pé durante as filmagens. Trocando em miúdos, “Sozinha” é um suspense eletrizante que vale a pena ser conferido. Filmaço!      

sábado, 11 de março de 2023

 

“O CASO RICHARD JEWELL” (“RICHARD JEWELL”), 2020, EUA, em cartaz na Amazon Prime, 2h09m, roteiro de Billy Ray e direção de Clint Eastwood. Baseado em fatos reais, o filme relembra um caso de enorme repercussão nos Estados Unidos em 1996, durante os Jogos Olímpicos de Atlanta. Em uma noite em que milhares de pessoas reuniam-se no Centennial Olympic Park para curtir atrações musicais, acontece um atentado à bomba que resultou em 2 mortos e 111 pessoas féridas. O número de vítimas poderia ter sido bem maior se o segurança Richard Jewell (Paul Walter Hauser), depois de descobrir uma mochila estranha, não alertasse os colegas para afastar as pessoas do local. Quando a fumaça baixou, Richard se transformou em um verdadeiro herói, aparecendo nas capas dos jornais e entrevistas na TV. Não demorou muito e a situação toma um rumo surpreendente. Sem nenhum suspeito à vista, o FBI resolve investigar o próprio Richard como o principal suspeito. Essa informação é obtida pela jornalista inescrupulosa Kathy Scruggs (Olivia Wilde), que ganha a primeira página do seu jornal, o Atlanta Journal-Constitution, denunciando Richard como farsante e principal suspeito do atentado. A vida de Richard e de sua mãe Bobi Jewell (Kathy Bates) vira um verdadeiro inferno, sofrendo pressão dos agentes do FBI, comandados por Tom Shaw (Jon Hamm), pela mídia em geral e pela opinião publica. Até conseguir provar sua inocência, com a ajuda do advogado Watson Bryant (Sam Rockwell), Richard sofrerá na pele o que é ser acusado de algo quando se é inocente. Talvez toda essa pressão que viveu tenha causado sua morte por infarto, em 2007, com apenas 44 anos. Com a mão firme de Eastwood e um roteiro bem elaborado, “O Caso Richard Jewell” é um drama intenso e impactante, que conta ainda com um excelente elenco, destacando-se a maravilhosa atuação da veterana Kate Bates, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Filmaço!      

 

                   

                    

quarta-feira, 8 de março de 2023

 

“TRIÂNGULO DA TRISTEZA” (“TRIANGLE OF SADNESS”), 2022, Suécia, em cartaz na Amazon Prime, 2h29m, roteiro e direção de Ruben Östlund, cineasta sueco conhecido por seus filmes polêmicos – é só lembrar dos ótimos “Força Maior” e “The Square: A Arte da Discórdia”. Mais uma vez, Östlund volta à crítica social, abordando temas como a luta de classes e a decadência da elite. Começa o filme e você está diante de um casal de modelos - Yaya (Charlbi Dean) e Carl (Harris Dickinson) – discutindo quem deveria pagar a conta. A discussão demora um tempão. Logo depois, os dois aparecem fazendo um cruzeiro num iate luxuoso, cujos passageiros são, em sua maioria, milionários idosos. Durante o tradicional “Jantar com o Comandante”, uma tempestade joga a luxuosa embarcação pra lá e pra cá, e aí a maioria dos passageiros começa a vomitar, uma longa cena que pode enjoar o espectador, mas que diverte, diverte, principalmente quando o capitão (Woody Harrelson, ótimo), completamente bêbado, fala ao microfone atacando o mundo capitalista. Mas quando tudo parece melhorar, acontece o pior: o barco é vítima de piratas, o que acaba provocando uma grande explosão e o iate afunda. Sobram apenas alguns passageiros, que conseguem chegar a uma ilha. É aqui que acontecerão as situações mais hilariantes, demonstrando quem é quem na hierarquia social, já que agora ricos e pobres estão na mesma situação. Trocando em miúdos, o filme faz uma sátira social ácida e contundente, como é o estilo do cineasta sueco. “Triângulo da Tristeza” ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes 2022 e está indicado ao Oscar 2023 em três categorias: Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Original. Também estão no elenco Iris Barben, Dolly De Leon, Zlatko Buric, Carolina Gynning, Vicki Berlin e Jean-Christophe Folly. A nota triste fica por conta da morte da atriz e modelo sul-africana Charlbi Dean, de 32 anos, que faleceu em dezembro de 2022 aos 32 anos, vítima de uma septicemia bacteriana. Resumo da ópera: “Triângulo da Tristeza” é um filmaço, mas, aviso, não é muito fácil de digerir.       

domingo, 5 de março de 2023

 

“ROGAI POR NÓS” (“THE UNHOLY”), 2021, EUA, 1h39m, em cartaz na Amazon Prime, direção de Evan Spiliotopoulos, que também escreveu o roteiro baseado no romance “Shrine”, de 1983, de James Herbert. Trata-se de um terror repleto de clichês típicos do gênero, misturando temas como religião, fé, histeria coletiva, possessão demoníaca, espíritos malignos e curas milagrosas. Começa a história em 1845, numa pequena cidade da Nova Inglaterra (EUA), mostrando uma jovem sendo torturada e morta. Ela havia sido acusada por causa de seus poderes sobrenaturais e, portanto, considerada uma bruxa. O filme dá um salto até os dias de hoje, quando a jovem Alice Pagett (Cricket Brown), na mesma cidade, começa a apresentar a capacidade de cura. O jornalista Gerry Fenn (Jeffrey Dean Morgan) comprovará os dons da jovem, que diz ser um instrumento da Virgem Maria, com a qual afirma conversar. Alice, que nasceu deficiente auditiva, de repente começa a ouvir e a falar. Ela também cura um menino paraplégico. Tudo acompanhado por várias pessoas, entre as quais o jornalista e a médica psiquiatra Natalie Gates (Katie Aselton), além do padre Hagan (William Sadler), que criou Alice depois da morte dos pais dela. Aos poucos, porém, os poderes de Alice começam a desencadear uma série de acontecimentos que parecem ser responsabilidade de algum ser maligno. O roteiro é meio capenga, com alguns lances patéticos, como a afirmação da médica de que conhece latim por ter estudado a matéria na faculdade. Alguém pode me dizer se alguma faculdade de medicina ensina latim? É claro que tudo o que está acontecendo tem relação com o sacrifício da jovem no século 19, talvez o maior clichê do filme, fora os sustos esperados. Portanto, “Rogai por Nós” não acrescenta nada de novo no front dos filmes de terror, mas dá para assistir sem medo de ser feliz. Considero uma boa estreia na direção do grego Spiliotopoulos, radicado nos Estados Unidos e mais conhecido como roteirista de filmes como “O Caçador e a Rainha do Gelo”, “A Bela e a Fera” e “As Panteras”, entre outros.           

                    

quinta-feira, 2 de março de 2023

 

“TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO” (“EVERYTHING EVERYWHERE ALL AT ONCE”), 2022, Estados Unidos, 2h19m, em cartaz na Amazon Prime, roteiro e direção de Daniel Kwan e Daniel Scheinert, também conhecidos como “Os Danieis".  Com certeza, é um dos filmes mais malucos dos últimos anos, com uma história sem pé nem cabeça, tronco e membros. Tudo bem, é original e criativo, mas feito para tumultuar nossos neurônios. Inacreditável, pelo menos para mim, humilde cinéfilo amador, que o filme tenha sido indicado para o Oscar 2023 em nada menos do que 11 categorias (veja a lista no final deste comentário) – a Academia de Hollywood endoidou de vez! O filme mistura ficção científica, comédia, artes marciais, drama familiar e muita ação. Tudo num ritmo mais do que alucinante. O começo até que é normal. Evelyn Quan Wang (Michelle Yeoh) e Waymond (He Huy Quan), imigrantes chineses, vivem nos Estados Unidos e são proprietários de uma lavanderia. Em virtude de problemas com documentação e recibos, o casal é chamado a esclarecer a situação em um órgão da receita federal, onde são interrogados por Deirdre (Jamie Lee Curtis). Em determinado momento, Evelyn recebe um “chamado” interdimensional convocando-a para salvar todos os mundos e a partir daí começa uma aventura maluca por realidades paralelas. Isso mesmo, fica difícil até de explicar o contexto da história. A favor do filme, destaco apenas sua surpreendente estética visual, repleta de impressionantes efeitos especiais. Apesar de ter batido recordes de bilheteria nos Estados Unidos e ser elogiado por grande parte da crítica especializada, além das indicações ao Oscar, eu fiquei meio perdido com tantas cenas inexplicáveis e tantos absurdos. Vou citar apenas um de tantos: de repente, os dedos das mãos dos principais protagonistas se transformam em salsichas. E dá-lhe maluquice. Li vários comentários de críticos especializados tentando decifrar a história com argumentos patéticos e sem qualquer noção. Como dizia o nosso grande crítico de cinema Rubens Ewald Filho, “Os críticos adoram filmes que não entendem”. Como prometi, aqui estão as categorias do Oscar 2023 às quais o filme foi indicado: Filme, Direção, Atriz (Michelle Yeoh), Ator (Ke Huy Quan), Atriz Coadjuvante (Jamie Lee Curtis e Stephanie Hsu), Roteiro Original, Trilha Sonora, Figurino, Montagem, Canção Original e Edição.     


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

 

“O HOMEM DE TORONTO” (“THE MAN FROM TORONTO”), 2022, Estados Unidos, em cartaz na Netflix, 1h52m, direção de Patrick Hughes (“Dupla Explosiva”, “Os Mercenários 3”) e roteiro por Robbie Fox, Chris Bremner e Jason Blumenthal. Passou meio despercebido por aqui esta comédia besteirol, bastante engraçada e com muita ação. O personagem central é Teddy (Kevin Hart), o funcionário trapalhão de uma academia de ginástica. É tão atrapalhado que confeccionou um folheto para divulgar a academia sem colocar o endereço nem o telefone. Mesmo prestes a ser demitido, ele resolve fazer uma surpresa para comemorar o aniversário de sua esposa Lori (Jasmine Mathews). Ele aluga um chalé para um final de semana romântico, mas confunde o endereço e vai parar em outro chalé cujos ocupantes esperam a chegada do “Homem de Toronto” (Woody Harrelson), um assassino profissional e torturador especialista em obter confissões na base da crueldade, além de ser mestre em 23 lutas marciais. Trocando em miúdos, o trapalhão Teddy é confundido com o “Homem de Toronto” e terá que fazer o impossível para garantir a fama do outro e não morrer. A confusão só aumenta quando o verdadeiro assassino aparece e acaba fazendo parceria com Teddy para enfrentar uma poderosa gangue - a química entre os atores é um dos trunfos do filme. O ritmo é alucinante do começo ao fim, ótimas cenas de ação e muito humor. Também estão no elenco Kaley Cuoco, Pierson Fodé, Ellen Barkin, Lela Loren, Kate Drummond e Tomohisa Yamashita. Enfim, diversão garantida!                      

domingo, 26 de fevereiro de 2023

 

“BEAUTY”, 2022, Estados Unidos, produção original e distribuição Netflix, 1h40m, direção do cineasta nigeriano radicado nos EUA Andrew Dosunmu (“Where Is Kira?”, “Mother of George”), seguindo roteiro assinado por Lena Waithe. Trata-se de um drama centrado na jovem aspirante a cantora Beauty (a estreante Gracie Marie Bradley), sua relação tumultuada com a família, sua dependência de drogas (maconha, cocaína e LSD) na juventude e o conturbado namoro com a jovem Jasmine (Aleyse Shannon), jamais aceita pelos seus pais e irmãos. Aos 15 anos, Beauty cantava no coral da igreja e logo obteve destaque com sua poderosa voz. Incentivada pelo pai (Giancarlo Esposito) e pela mãe (Niecy Nash), uma ex-cantora que só conseguiu se destacar como backing vocal em estúdios de gravação, Beauty acabou nas mãos de uma famosa empresária (Sharon Stone), que afirmava em entrevistas que “A garota tem o talento capaz de mudar os rumos da indústria musical norte-americana.” O filme acompanha os passos iniciais de Beauty até se transformar em um grande sucesso, a partir de 1983. Como constatado por fãs e críticos musicais, “Beauty” nada mais é do que a cinebiografia não-autorizada da cantora Whitney Houston (1963-2012), considerada por muitos como a melhor de todos os tempos. Não apenas por isso, “Beauty” é um projeto bastante ousado, inovador, a começar pelo fato de que os principais personagens – a cantora, a empresária, os pais – não serem identificados por nomes. Por se tratar de um drama musical, é estranho verificar também que Beauty não canta em nenhum momento do filme. Os números musicais são de vídeos antigos de cantoras consagradas, entre as quais Ella Fitzgerald, uma das grandes influências de Beauty. Um filme, sem dúvida, muito interessante que merece ser conferido.                           

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

 

“A INUNDAÇÃO DO MILÊNIO” (“WIELKA WODA”), 2022, Polônia, minissérie da Netflix em seis capítulos, roteiro e direção de Jan Holoubek e Bartlomiej Ignaciuk. História baseada em fatos reais ocorridos em 1997 na cidade polonesa de Breslávia, quando uma grande inundação matou 56 pessoas e outras 40 mil perderam tudo o que tinham. Fica claro que houve negligência governamental, pois as autoridades foram alertadas de que o nível de água dos rios Oder e Mava estavam subindo rapidamente. Quem deu o alerta – e foi totalmente ignorada – foi a ambientalista e hidróloga Jasmina Tremer (Agnieszka Zulewska) – como acontece em filmes de catástrofes naturais, as autoridades costumam não acreditar nos alertas. Esta inundação foi considerada como a maior tragédia da Polônia depois da Segunda Grande Guerra. Paralelamente à iminente catástrofe – que também atingiu o nordeste da República Tcheca e um pedaço da Alemanha -, o roteiro da minissérie desenvolveu várias situações envolvendo dramas familiares e incompetência de cientistas, autoridades governamentais e funcionários da defesa civil da Polônia. Jasmina Tremer, a principal personagem da história, por exemplo, esconde o fato de ser mãe de uma garota devido ao seu vício em drogas. Algumas cenas da inundação de Breslávia são originais de reportagens televisivas da época, o que fornece maior credibilidade à minissérie. Também estão no elenco Blanka Kot, Tomasz Schuchardt e Anna Dymna, além de dezenas de figurantes. Trocando em miúdos, “A Inundação do Milênio” é um ótimo programa para curtir na telinha.                           

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

 

“AS LEIS DE LIDIA POËT” (“LIDIA POËT”), 2023, Itália, minissérie em seis episódios (estreou no último dia 15 de fevereiro), produção original Netflix, criação e roteiro por Guido Iuculano e Davide Orsini, com direção de Letizia Lamartire e Matteo Rovere. Para quem nunca tinha ouvido falar em Lidia Poët (1855-1949), como eu, ela era uma jovem italiana de Turim que se tornou a primeira advogada da Itália. Essa primeira temporada da minissérie compreende os fatos ocorridos em 1883, quando Lidia trabalhava como assistente no escritório de advocacia do irmão, Enrico Poët (Pier Luigi Pasino). Ela havia sido aprovada no exame da Ordem dos Advogados, mas impedida de exercer a profissão pelo procurador-geral. Comecei a assistir cheio de expectativa sobre a minissérie, esperando cenas de tribunal e discussões sobre a participação das mulheres, mas, nesse ponto, fiquei totalmente decepcionado. Lidia Poët é tratada como uma heroína metida a aventuras, ajudando a polícia a desvendar assassinatos misteriosos, um a cada capítulo. Acho que essa abordagem fugiu totalmente ao contexto de uma advogada que queria reivindicar o direito de exercer a advocacia, num tempo em que uma mulher andar de bicicleta, por exemplo, era um verdadeiro escândalo.  Virou um filme de aventuras, ao nível de uma Enola Holmes ou As Panteras. Para piorar, a trilha tem muito rock e música moderna, o que destoa totalmente da época em que a história é ambientada. O que não se pode negar é a competência da jovem atriz Matilda De Angelis e a recriação de época, um show de cenários e figurinos. Apesar de todos os pesares, dá para antever que haverá uma 2ª temporada, pelo menos é o que a cena do desfecho sugere. Garanto que não verei.                        

sábado, 18 de fevereiro de 2023

 

“INFIESTO”, 2023, Espanha, produção original e distribuição Netflix, 1h36m, roteiro e direção de Patxi Amezcua (“Sétimo” e “La Sombra de La Lei”). Thriller policial que prende a atenção do começo até o desfecho. A história é ambientada no início de 2020 em uma pequena cidade mineira de Piloña, localizada nas montanhas das Astúrias. Começa o filme e uma jovem aparece ferida andando no meio da rua, totalmente desnorteada. Ela é internada em um hospital e a polícia logo descobre sua identidade, pois havia sido sequestrada há alguns dias. Os detetives Samuel Garcia (Isak Ferriz) e sua parceira Marta Castro (Iria Del Río) ficam encarregados de investigar o caso e vão para Piloña. Eles chegam à conclusão que o caso pode estar relacionado com o desaparecimento misterioso de outras quatro jovens. Aos poucos, os detetives chegam a um sujeito chamado de “Mataperros” e logo depois descobrem outro suspeito, chamado de “El Demonio”. As investigações levam a um terceiro elemento, um tal de “Profeta”, ligado a forças satânicas e provavelmente responsável pelos sequestros. Completam o elenco Antonio Buil, Luis Zahera, José Manuel Poga, Juan Fernández, Andrea Barrado e Ismael Fritschi. O filme garante muito suspense, boas cenas de ação e um surpreendente e trágico desfecho. Um aspecto interessante da história é que ela é ambientada nos primeiros dias do lockdown levado a efeito na Espanha por causa do coronavírus. Resumo da ópera: “Infiesto” é um dos melhores filmes lançados pela Netflix neste começo de 2023.                     

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

 

“DESLIZANDO PELA VIDA” (“UR SPAR”), 2022, Suécia, em cartaz na Netflix, 1h49m, direção de Marten Klingberg, seguindo roteiro assinado por Maria Karlson. Embora trate de alguns assuntos sérios, como divórcio, alcoolismo, crise familiar e natalidade, trata-se de uma comédia. Não daquelas de fazer gargalhar, mas apenas com algumas poucas situações de humor. A personagem central é Lisa (Katia Winter), uma mulher desequilibrada, alcoólatra e amante de baladas e sexo sem compromisso. Por esse comportamento, que um dia a levou a dormir em uma delegacia de polícia, Lisa corre o risco de perder a guarda compartilhada da filha, que mora com o pai e a madrasta. Desesperada com a situação, Lisa recorre ao irmão Daniel (Fredrick Halgren), um sujeito bonachão e viciado em malhação, mas que está em crise com a esposa Klara (Rakel Wärmländer) por conta de não conseguirem o sonho de ter um filho. Daniel promete ajudar a irmã, mas com algumas condições: ela terá de parar de beber e treinar com ele para a “Vasa Race”, uma das corridas de esqui mais desafiadoras da Suécia, uma prova anual tradicional de cross-country com uma distância de 90 km. Lisa tentará vencer esse desafio, treinando muito sempre pensando em voltar a ver a filha. “Deslizando pela Vida”, mesmo com alguns defeitos, é uma boa opção para uma sessão da tarde, sem merecer uma indicação entusiasmada.                    

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

 

“A PORTEIRA” (“THE DOORMAN”) – encontrei em alguns sites a tradução – equivocada – para “A Protetora", 2020, Estados Unidos, 1h37m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção do cineasta japonês Ryûhei Kitamura, seguindo roteiro de Lior Chefetz e Joe Swanson, baseado na história criada por Greg Williams e Matt McAllester. Muita gente envolvida para um resultado tão fraco. Lá pelo meio do filme você já percebe que você já viu essa história antes. Lembrei na hora: “Duro de Matar”, que consagrou Bruce Willis. Lembra que ele luta com terroristas no interior de um edifício de luxo. Pois é, neste “A Porteira”, o herói é, na verdade, uma heroína também “Dura de Matar”, o que poderia ser o melhor título. A sargento Ali (Ruby Rose), das forças especiais da Marinha, atuava como segurança da Embaixada dos EUA na Romênia, quando em determinado dia o comboio que levava a família do embaixador foi atacado por terroristas. Ali não conseguiu salvar a família, mas matou todos os terroristas. Esta cena inicial é a melhor de todo o filme. O incidente deixou muitos traumas em Ali, que abandonou a Marinha e foi morar em Nova York. Aqui, ela consegue um emprego de porteira no The Carrington, um edifício de luxo onde, por coincidência – e que coincidência! – moram seu ex-cunhado com os dois filhos. O prédio está quase que praticamente desabitado, pois grande parte dos moradores mudou-se provisoriamente por conta das reformas estruturais efetuadas no edifício. Eis que, do nada, uma quadrilha invade o prédio em busca de quadros de pintores famosos que estariam escondidos no interior das paredes e que teriam sido roubados há mais de 30 anos em Berlim por um dos moradores. Os bandidos são chefiados por um colecionador de arte, Victor Dubois (Jean Reno). Já dá para imaginar que história maluca vem por aí. É claro e previsível que Ali enfrentará os bandidos utilizando sua experiência como ex-militar, mas apanhará muito até o desfecho, como Bruce Willis. Resumo da ópera, trata-se de uma cópia escrachada de “Duro de Matar”. Só que Willis era forte e Ali muito franzina para encarar tanta porrada. Em todo caso, dá para assistir numa sessão da tarde com pipoca, dando um bom descanso para seus neurônios. O elenco é uma verdadeira ONU: Ruby Rose é australiana; Jean Reno é francês; Aksel Hennie é norueguês, além de norte-americanos, japoneses, dinamarqueses e romenos. Fora o diretor, japonês.                   

domingo, 12 de fevereiro de 2023

 

“O PÁLIDO OLHO AZUL” (THE PALE BLUE EYE”), 2022, Estados Unidos, em cartaz na Amazon Prime Video, 2h,08m, direção de Scott Cooper, que também assina o roteiro, baseado no romance homônimo de Louis Bayard, lançado em 2003. A história é ambientada em 1830. Trata-se de um filme policial psicológico, ou seja, nada de tiros, pancadarias ou perseguições. O detetive Augustus Landor (Christian Bale) é contratado pela Academia Militar dos Estados Unidos, que ficaria famosa como West Point, no Estado de Nova York, para investigar o possível assassinato de um cadete da corporação, encontrado enforcado com o peito aberto e sem coração. Landor estava afastado da polícia e recluso depois da morte da mulher e a fuga da filha. Para ajudá-lo na investigação, Landor conta com a colaboração do cadete Edgar Allan Poe (Harry Melling), ele mesmo, o grande escritor que se tornaria anos depois. Um adendo: Poe realmente serviu em West Point, mas sua participação como ajudante do detetive é pura ficção, como revelou o diretor Cooper em uma entrevista. Mais um assassinato seria cometido com o mesmo modus operandi, levando Landor e Poe a acreditar que os responsáveis estão aparentemente ligados a rituais de ocultismo. O roteiro bem elaborado por Scott Cooper garante o suspense até o desfecho, quando então a história apresenta uma surpreendente e inimaginável reviravolta. O elenco ainda conta com Lucy Boynton, Gillian Anderson, Robert Duvall, Timothy Spall, Toby Jones, Hadley Robinson e Charlotte Gainsbourg. Um elenco de peso, convenhamos. Outro grande destaque do filme é a direção de arte, principalmente os cenários, figurinos e a fotografia de Masanobu Takayanagi. Trocando em miúdos, um prato cheio para quem curte filmes de suspense e mistério.                    

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

 

“7 MULHERES E UM MISTÉRIO” (“7 DONNE E UN MISTERO”), 2021, Itália, em cartaz na Netflix, 1h23m, roteiro e direção de Alessandro Genovesi. Trata-se de um remake do filme francês “Oito Mulheres”, de 2002, comédia baseada em uma peça teatral escrita por Robert Thomas. Não vi a versão original francesa, dirigida pelo grande François Ozon, muito elogiada pela crítica, mas gostei muito da nova versão italiana, com um elenco muito especial. Sem falar que a língua italiana se encaixa com perfeição na comédia. Resumo da história: em uma  luxuosa mansão,  o patriarca da família é encontrado morto com uma facada nas costas. Sete mulheres, todas ligadas ao falecido, têm motivos suficientes para se tornarem suspeitas. O suspense está no jogo psicológico montado pelo roteiro para alimentar a dúvida: quem é a assassina? A amante, a esposa, uma das filhas, a nova empregada... E assim o suspense está garantido até o desfecho, quando a verdade surpreendente vem à tona. O elenco é muito especial, com atrizes do maior gabarito: Margherita Buy, Micaela Ramazzotti, Sabrina Impacciatore, Luisa Ranieri, Ornella Vanoni, Benedetta Porcaroli e Diana Del Bufalo. Alguém deve ter notado o nome de Ornella Vanoni. É ela mesma, aquela cantora de grande sucesso nos anos 60, vencedora de vários festivais de San Remo. Aos 89 anos, ainda está firme e forte. Além do elenco afiado, outro trunfo do filme é a primorosa direção de arte, principalmente a decoração interna da mansão, os figurinos e a fotografia. Trocando em miúdos, trata-se de um suspense cômico, envolvente e muito divertido. Uma delícia de comédia. Imperdível!                   

 

“IMERSÃO” (“INMERSIÓN”), 2021, Chile/México, 1h28m, em cartaz na Netflix, direção de Nicolas Postiglione, que também assina o roteiro com a colaboração de Moisés Sepúlveda. Trata-se de um drama familiar que aos poucos se encaminha para um thriller psicológico. Produção simples, elenco enxuto e um roteiro que pouco oferece em criatividade, mas garante um bom suspense. Ricardo (Alfredo Castro) leva suas duas filhas, Teresa (Consuelo Carreño) e Claudia (Mariela Mignot), para visitar uma velha casa da família à beira de um lago no sul do Chile. A embarcação de Ricardo navega pelo lago quando surge no meio do caminho um pequeno bote com três pescadores pedindo socorro. Pensando na segurança das filhas, Ricardo passa direto, o que revolta Teresa e Claudia, que obrigam o pai a voltar e socorrer quem estava pedindo ajuda. A partir daí, pai e filhas já não se entendem mais, iniciando-se o conflito familiar. A situação fica meio sinistra, já que ao voltar para socorrer os pescadores, Ricardo só encontra dois. Esquisito. Não dá para contar mais para não correr o risco de estragar as surpresas. O que posso dizer é que o filme garante um bom suspense, valorizado pela trilha sonora e pelas situações criadas com o objetivo de preparar o espectador para um final trágico, o que realmente acontece. Não há dúvida de que a presença do veterano ator chileno Alfredo Castro é o principal trunfo do filme. Castro é hoje o principal ator chileno, tendo no currículo bons filmes como “No”, “O Clube”, “Tony Manero” e “Tenho Medo Toureiro”, entre tantos outros. “Imersão” estreou durante a programação do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara (México), além de ter sido vista aqui no 50º Festival de Cinema de Gramado. Em ambos, conquistou vários prêmios e elogios da crítica especializada. Recomendo, com a ressalva de que não é um filme para qualquer público.                   

domingo, 5 de fevereiro de 2023

 

“O PREÇO DA FAMÍLIA” (“NATALE A TUTTI I COSTI”), 2022, Itália, em cartaz na Netflix, 1h30m, roteiro e direção de Giovanni Bognetti. Deliciosa e divertida comédia italiana recentemente lançada pela Netflix. O foco central da história é o “ninho vazio” vivido pelo casal de meia idade Carlo (Christian De Sica, filho do grande ator e diretor Vittorio De Sica) e Anna (Angela Finocchiaro). Sentindo-se abandonados pelos filhos Emilio (Claudio Colica) e Alessandra (Dharma Mangia Woods), o casal inventa que ganhou uma herança de seis milhões de euros de uma tia acaba de falecer. Dessa forma, Carlo e Anna conseguem atrair a atenção dos filhos, ao mesmo tempo em que arrumam as maiores confusões, o que compreende ainda inventar uma doença grave para Carlo. São inúmeras as situações hilariantes, como aquelas em que Carlo e Anna são obrigados, pela farsa, a parecerem milionários, envolvendo até o aluguel de uma Ferrari. Para divertir ainda mais o espectador, o filme destaca a presença de uma avó meio maluca, Giuliana (Fioretta Mari). O elenco é excelente, o roteiro muito bem elaborado e uma história que, além de engraçada, nos obriga a refletir no que se refere às relações familiares. Nesses tempos tenebrosos de guerra e instabilidade política e econômica, nada melhor do que curtir “O Preço da Família”. Diversão garantida. Não perca!                    

sábado, 4 de fevereiro de 2023

 

“NARVIK” (“KAMPEN OM NARVIK – HITLERS FØRSTE NEDERLAG”), 2022, Noruega, 1h48m, em cartaz na Netflix, direção de Erik Skjoldbjaerg, que também assina o roteiro com Christopher Grondahl. Mais um incrível e trágico episódio, baseado em fatos reais, ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. Narvik é uma cidade portuária localizada no extremo norte da Noruega, perto da fronteira com a Suécia. Antes e no início do conflito, Narvik era o principal porto por onde era embarcado minério de ferro sueco com destino à Alemanha para utilização na fabricação de armamentos. Portanto, era uma cidade estratégica, principalmente para os nazistas, que invadiram e ocuparam a cidade. Logo depois aconteceria a resistência, reunindo soldados noruegueses, ingleses e franceses. Dessa forma, de abril a junho de 1940, ocorreu a famosa "Batalha de Narvik", depois da qual a cidade foi retomada e os alemães expulsos. Em 62 dias, 64 navios foram afundados e 86 aeronaves abatidas, resultando na morte de 8.500 soldados. Durante esse período, a população civil de Narvik sofreu as consequências. É dentro desse contexto que se desenrola o roteiro do filme, destacando como personagem principal - fictícia - a família Tofte, formada pelo casal Gunnar (Carl Martin Eggesbø) e Ingrid (Kristine Hartgen) e o filho Ole (Christoph Gelfert Mathiesen). Gunnar atua como soldado no front de batalha, enquanto Ingrid, funcionária do principal hotel da cidade, como fala alemão, é recrutada para servir de intérprete de um oficial nazista. Porém, para salvar a vida do filho, é obrigada a cometer uma traição. De forma bastante realista, o filme acompanha o sofrimento da população civil da cidade e os esforços para expulsar os alemães. As cenas de batalha são muito bem realizadas, utilizando cenários que parecem reais. Por isso tudo, e também pelo fato histórico de grande importância, já que foi considerada a primeira derrota de Hitler na Segunda Guerra, “Narvik” é, sem dúvida, um dos melhores lançamentos do ano da Netflix. Imperdível!                         

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

 

“CAÇA IMPLACÁVEL” ("LAST SEEN ALIVE”), 2022, Estados Unidos, 1h36m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção de Brian Goodman, seguindo roteiro assinado por Marc Frydman. Depois de ganhar fama como galã fortão no épico “300”, em 2006, o ator escocês Gerard Butler virou atração em vários filmes de ação, tais como “Invasão a Londres”, “Invasão ao Serviço Secreto”, “Fogo Cruzado” e tantos outros. Sua mais recente atuação foi neste “Caça Implacável”, no qual ele interpreta Will Spann, um rico empresário do setor imobiliário. Começa o filme e ele está no carro com a esposa Lisa (Jaimie Alexander), levando-a para a casa dos pais dela. Em crise conjugal, ela pede um tempo para pensar na vida. No meio do caminho, Will estaciona o carro em um posto para abastecer e Lisa vai até à loja de conveniência comprar uma garrafa de água. Num piscar de olhos e ela simplesmente desaparece. Will fica aflito e, mesmo sem a ajuda mais efetiva da polícia, sai na “caça implacável” da mulher. Muito suspense até ele conseguir uma pista. E, depois, muita violência, pancadaria, tiros e explosões. O filme termina e você não entende como um corretor imobiliário pode ser tão bom de briga e de pontaria. Enfim, é Gerard Butler, novamente no papel de herói macho. Também estão no elenco Ethan Embry, Russell Hornsby, Bruce Altman, Michael Irby, Dani Deetté, David Kallaway e Cindy Hogan. Dá pra ver numa sessão da tarde com pipoca, não ofende nossa inteligência e nem exige muito dos neurônios.