quarta-feira, 9 de novembro de 2022

 

“5 DIAS SEM NORA” (“5 DÍAS SIN NORA”), México, 1h32m, roteiro e direção de Mariana Chenillo. Quem procura, acha. Pois eu procurei e achei uma pequena pérola do sempre surpreendente cinema mexicano. O filme foi produzido em 2008 e só chegou aos cinemas brasileiros em 2011, passando praticamente – e injustamente – despercebido. Só recentemente chegou à Netflix, o que dá uma excelente oportunidade de descobri-lo. É uma comédia intimista sensível e divertida na medida certa, que tem como ponto de partida o suicídio de Nora (Silvia Mariscal), que vive sozinha em seu apartamento de alta classe média. Seu corpo é descoberto pelo ex-marido José Kurtz (Fernando Luján) que mora em um apartamento vizinho e que de vez em quando leva a correspondência de Nora. Como Nora e o filho Ruben (Ari Brickman) obedeciam aos preceitos da lei judaica, José foi obrigado a aceitar o fato de que os preparativos para a cerimônia do velório e enterro sejam organizados pelo rabino Kolatch (Martin La Salle) e seus auxiliares da sinagoga. Aceitar em termos, pois José se revolta quando fica sabendo que a ex-esposa teria que ser enterrada numa ala do cemitério judeu destinada a criminosos e suicidas. A confusão está formada. Começa no apartamento da falecida um incessante entre-e-sai de familiares, amigos, vizinhos e religiosos. José, o viúvo, apronta das suas para se livrar principalmente dos religiosos, pois é ateu convicto. A confusão fica maior ainda depois que José descobre uma foto comprometedora da falecida. “5 Dias sem Nora” foi premiado em vários festivais mundo afora, como em Havana, Mar Del Plata, Miami, Moscou e Biarritz. Realmente, um filmaço. Não perca!         

terça-feira, 8 de novembro de 2022

 

“OVERDOSE”, 2022, França, 1h59m, em cartaz na Amazon Prime Video – desde 4 de novembro de 2022 – direção de Olivier Marchal. Colaboraram no roteiro Christophe Gavat e Pierre Pouchairet, este último autor do livro que inspirou a história, “Mortels Trafics: Prix Du Quai Des Orfèvres”, de 2016. Mais um excelente policial com a assinatura do cineasta francês Olivier Marchal. Hollywood que me desculpe, mas o cinema francês está produzindo, atualmente, os melhores filmes do gênero. Marchal está à frente de vários deles, como “Pacto de Sangue”, “MR 73, A Última Missão”, “Bronx” e “Carbono”, só para citar alguns. Em “Overdose”, a trama segue o trabalho da polícia de Toulouse para desvendar os misteriosos assassinatos de dois jovens dentro de um hospital. A capitã Sara Bellaiche (Sofia Essaïdi), encarregada das investigações, descobre que os crimes têm ligação com um poderoso cartel de drogas espanhol comandado por Alfonso Castroviejo (Carlos Barden, irmão do Javier). E dá-lhe muita ação do começo ao fim, com destaque às perseguições pelas estradas da Espanha e da França. Tudo muito bem feito, cenas de suspense, violência na medida certa e personagens que têm tudo a ver com o submundo do crime, como o sanguinário Eduardo Gracia (Alberto Ammann), braço direito de Castroviejo. Completam o elenco Zoé Marchal (filha do diretor), Kenza Fortas, Bruno Lopes e Simon Abkarian. Nos créditos finais, Marchal dedica o filme ao seu amigo e ator Jean Paul Belmondo, falecido em setembro de 2021. Trocando em miúdos, “Overdose” é imperdível.       

 

domingo, 6 de novembro de 2022

 

“A HORA DO DESESPERO” (“THE DESPERATE HOUR”), 2021, Estados Unidos, em cartaz na Amazon Prime Video, 1h24m, direção do cineasta australiano Phillip Noyce, seguindo roteiro assinado por Chris Sparling. Trata-se de um suspense com praticamente um único personagem em cena do começo ao fim, Amy Carr (Naomi Watts), uma mulher que recentemente ficou viúva. Ela acorda os filhos, a pequena Emily (Sierra Maltby) e o adolescente Noah (Colton Gobbo), e sai para sua corrida matinal. Claro, com os fones de ouvido ligados no celular. E não para ouvir música, mas para fazer chamadas telefônicas e escrever mensagens de texto. Correndo, imaginem. De repente ela recebe a notícia de que uma das escolas da cidade está sendo alvo de um atirador. Aí começa de verdade o desespero da mulher, primeiro querendo saber se a escola é a mesma dos seus filhos. De tão atordoada, Amy perde o senso de direção e acaba literalmente perdida no meio de uma floresta. E dá-lhe mensagens e telefonemas até o desfecho. Lançado no Festival de Toronto 2021, o filme dividiu a opinião dos críticos. Só houve unanimidade nos elogios ao desempenho da veterana atriz Naomi Watts, que realmente carrega o filme nas costas. Resumo da ópera: fico em dúvida em afirmar se a “A Hora do Desespero” é só da mãe em questão ou então dos espectadores que ficaram em frente da tela aguentando suas irritantes conversas e chamadas pelo celular. Ao invés de entreter, o filme realmente irrita.     

sábado, 5 de novembro de 2022

 

“NADA DE NOVO NO FRONT” (“IM WESTEN NICHTS NEUES”), 2022, Alemanha, em coprodução com EUA e Inglaterra, 2h28m, em cartaz na Netflix, direção de Edward Berger, que também assina o roteiro com Leslie Patterson e Ian Stokell. Esta é a segunda adaptação feita para o cinema do clássico homônimo escrito por Erich Maria Remarque – a primeira é de 1930. No Brasil, o livro foi lançado com o título de “Sem Novidade no Front”. Selecionado para disputar o Oscar 2023 de Melhor Filme Internacional representando a Alemanha, “Nada de Novo no Front” conta a história de um grupo de jovens soldados alemães recrutados em uma escola do ensino fundamental. Era 1918, quase final da Primeira Guerra Mundial, e a Alemanha tentava queimar seus últimos cartuchos, apelando de forma irresponsável ao recrutar jovens sem nenhuma experiência de combate. Inocentes ao extremo, empolgados com a onda de fervor patriótico que ainda restava, eles marcham decididos para o território francês, pensando que teriam pela frente uma grande aventura. Quando chegam ao front, porém, a realidade brutal da guerra aparece nua e crua: muita violência, fome, frio, combates corpo a corpo e outras tragédias ocorridas naquele conflito que chegou a ser chamado de “Guerra das Trincheiras”. Desde a convocação no colégio, até o desenrolar dos combates no front, o filme acompanha o soldado Paul Bäumer (o ator austríaco Felix Kammerer) e sua luta pela sobrevivência. Ao mesmo tempo, destaca o trabalho do diplomata Matthias Erzberger (Daniel Brühl, o nome mais conhecido do elenco) nas negociações para a rendição alemã. “Nada de Novo no Front” é uma superprodução, com um grande elenco e milhares de figurantes. Sem dúvida, um dos melhores lançamentos do ano da Netflix.                     

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

 

“O ENFERMEIRO DA NOITE” (“THE GOOD NURSE”), 2022, Estados Unidos, 2h1m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta dinamarquês Tobias Lindholm (“Guerra”, “A Caça”), com roteiro de Krysty Wilson-Cairns. Um suspense de primeira, baseado em fatos reais, ou seja, na história do serial killer Charlie Cullen, enfermeiro que durante 16 anos (de 1988 a 2003) assassinou dezenas de pessoas em hospitais de Nova Jersey e Pensilvânia. O seu método criminoso: adulterava medicamentos com doses fatais de insulina e digoxina. Para escrever o roteiro, Krysty adaptou a história do livro “The Good Nurse: A True Story of Medicine, Madness and Murder”, escrito em 2013 pelo jornalista norte-americano Charles Graeber. O psicopata só foi preso graças às denúncias de sua colega de trabalho Amy Loughren, que atuava com ele no turno da noite em um hospital de Nova Jersey. Condenado por 30 crimes comprovados e confessados, Cullen, hoje com 62 anos, cumpre prisão perpétua. Acredita-se, porém, que ele foi responsável por pelo menos 400 mortes. Ele nunca declarou os motivos que o levaram a assassinar os pacientes, um mistério até hoje. Se o filme já é bom por si próprio, com destaque para o roteiro, direção e fotografia, ainda contou com dois trunfos muito especiais: o ator inglês Eddie Redmayne (Oscar de Melhor Ator por “Teoria de Tudo”, em 2015) e a atriz Jessica Chastain (Oscar de Melhor Atriz por "Os Olhos de Tammy Faye", em 2022), ambos dando show de interpretação, ele como o assassino e ela como a enfermeira corajosa que o denunciou. Ainda fazem parte do elenco Kim Dickens, Noah Emmerich e Nnandi Asomugha. Mais um excelente lançamento da Netflix em 2022. Filmaço!                  

 

“CLEMÊNCIA” (“CLEMENCY”), 2019, Estados Unidos, 1h52m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Chinonye Chukwu, cineasta nigeriana radicada nos EUA. Um drama impactante, embora intimista, lento e de poucos diálogos muitas cenas silenciosas. A história é toda centrada em Bernardine Williams (Alfre Woodard), carcereira-chefe de uma unidade prisional com condenados aguardando a injeção letal (nos EUA, 29 estados aplicam a pena de morte). A cena inicial é chocante, mostrando os preparativos e a execução de Victor Gimenez (Alex Castillo). De embrulhar o estômago. Bernardine está lá presente, como em outras 12 ocasiões, comandando os trabalhos com pulso firme. Ela é aparentemente insensível às execuções, mas no fundo, como o filme deixa bem claro mais tarde, ela sofre as consequências psicológicas desse trabalho, o qual afeta o relacionamento com o marido Jonathan (Wendell Pierce), que tenta convencê-la o tempo todo a se aposentar. Anthony Woods (Aldis Hodje), acusado de assassinar um policial, será o próximo a ser executado, embora continue alegando inocência. É a partir do relacionamento com esse preso que Bernardine começa a desabar emocionalmente. O trabalho da atriz Alfre Woodard é sensacional. Vale o ingresso. Para escrever o roteiro, Chinonye Chukwu inspirou-se no caso de Troy Davis, um prisioneiro executado em 2011. Chukwu realizou um excelente trabalho, tanto que mereceu várias indicações no Sundance Film Festival, conseguindo o Grande Prêmio do Júri, a primeira mulher negra a conquistá-lo (o Sundance é um festival dedicado ao cinema independente). O filme é ótimo, com o mérito de apresentar, de forma realista e ao mesmo tempo sensível, o trabalho nos bastidores de um corredor da morte. Sem dúvida, um dos melhores lançamentos da Netflix em 2022.                     

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

 

“O COBRADOR DE IMPOSTOS” (“THE TAX COLLECTOR”), 2020, Estados Unidos, em cartaz na Netflix, 1h35m, roteiro e direção de David Ayer (“Esquadrão Suicida” e “Corações de Ferro”). Um retrato realista do submundo violento de Los Angeles. David Cuevas (Bobby Soto) e seu capanga psicopata Creeper (Shia Labeouf) trabalham para um poderoso chefão do crime organizado. A missão da dupla é cobrar “impostos” de comerciantes e traficantes de drogas, aos quais prometem proteção. Até o dia em que chega à cidade o sanguinário Conejo (Jose Conejo), chefe de um poderoso cartel mexicano. Com a intenção de dominar o tráfico local, Conejo será uma pedra no sapato de David e Creeper. E dá-lhe violência explícita, muitos tiros, pancadarias e sangue jorrando. Ha que se reconhecer: as cenas de ação são ótimas. A história destaca os dois lados da personalidade de Cuevas. O primeiro, o de um pai e marido sempre presente na família. O segundo, de um sádico cobrador de impostos. O ator que o interpreta, Bobby Soto, é conhecido pela série “Narcos: México”. Shia Labeouf, o mais conhecido do elenco, deixou de ser aquele ator considerado uma grande promessa de Hollywood. Completam o elenco Cle Shaheed Sloan, Lana Parrilla e Cinthya Carmona. Sem dúvida, um bom filme de ação, violento na medida certa.                    

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

 

“LICORICE PIZZA”, 2021, Estados Unidos, 2h14m, em cartaz na Amazon Prime Video, roteiro e direção de Paul Thomas Anderson. Trata-se de uma comédia romântica juvenil ideal para os adultos que, como eu, viveram sua juventude no início da década de 70. Um filme divertido e nostálgico, com uma deliciosa trilha sonora. Indicado em três categorias ao Oscar 2022 (Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Diretor), “Licorice Pizza” apresenta como personagens principais Gary Valentine (Cooper Hoffman), de 15 anos, e Alana Kane (Alana Haim), de 25 anos, que vivem um romance que não se concretiza nunca. Depois de tantos encontros e desencontros, sempre aos trancos e barrancos, eles finalmente se apaixonam. Gary é aquele adolescente que quer crescer mais do que a idade e Alana ainda não amadureceu como mulher. Uma dupla improvável para um romance. O filme apresenta muitas atrações durante o desenrolar da história, como as participações especiais de astros como Sean Penn, Tom Waits, Bradley Cooper, Maya Rudolph, as irmãs Destry Allyn e Sasha Spielberg, filhas do diretor Steven Spielberg e da atriz Kate Capshaw. As surpresas do elenco não param por aí. Também participam George DiCaprio, pai do Leonardo, e ainda toda a família da atriz Alana Haim: suas irmãs Danielle e Este, além de seus pais, Moti e Donna Haim. Méritos totais para a genialidade do diretor Paul Thomas Anderson, responsável por dois grandes clássicos (“Boogie Nights” e “Magnolia”), que deu o papel central ao jovem Cooper Hoffman, filho do falecido ator Philip Seymour Hoffman. Com seu carisma e a química perfeita com Alana Haim, que, além de atriz, atua em uma banda de rock com as irmãs, Cooper faz jus total à competência do pai. Para concluir, insisto em destacar alguns nomes presentes na ótima trilha sonora: Paul McCartney & Wings, Blood, Sweat & Tears, David Bowie, Chuck Barry, The Doors e Nina Simone. Um luxo. O filme é uma delícia e merece ser visto por quem curte cinema de primeira qualidade. Imperdível!                    

 

                           

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

 

“ARGENTINA, 1985”, 2022, Argentina, 2h21m, em cartaz na Amazon Prime Video, (desde 21/10/22), direção de Santiago Mitre, que também assina o roteiro ao lado de Mariano Llinás. O cinema argentino volta à sua melhor forma com esse drama político baseado em fatos reais, ou seja, o julgamento, em 1985, de nove comandantes militares que estiveram à frente da ditadura argentina de 1976 a 1983, acusados por crimes contra a humanidade, sendo responsáveis pelo desaparecimento, tortura e morte de mais de 30 mil pessoas. Este foi o primeiro julgamento no mundo por um tribunal civil contra comandantes militares. Os bastidores de toda essa história são contados em “Argentina, 1985”. O personagem central é o promotor Julio Strassera (Ricardo Darín), que, ao lado do jovem promotor Luis Moreno Ocampo (Peter Lanzani) e de uma pequena equipe de estudantes de Direito inexperientes em julgamento, enfrentaram o desafio de condenar importantes comandantes militares, entre os quais o general Jorge Rafael Videla, Roberto Eduardo Viola, Leopoldo Galtieri e Emílio Eduardo Massera. As cenas de julgamento são sensacionais, com destaque ao depoimento de vítimas e familiares de vítimas. Apesar do contexto sério, o filme abre espaço para alguns toques de humor, o melhor deles quando Strassera faz caretas provocando os réus. O filme estreou no 79º Festival Internacional de Cinema de Veneza, sendo indicado a melhor filme, melhor diretor, prêmio especial do júri e melhor ator (Darín, claro). Também recebeu indicações e muitos elogios no Festival Internacional de Cinema de San Sebastian e no Festival Internacional de Cinema do Rio, entre tantos outros mundo afora. Desde já, “Argentina, 1985” está sendo considerado o melhor filme de 2022 pela crítica especializada e grande favorito para conquistar o prêmio de Melhor Filme Internacional do Oscar 2023. Sem dúvida, trata-se de cinema político da mais alta qualidade, com o trunfo de contar no elenco com o grande Ricardo Darín em mais um desempenho magistral. Méritos também para o diretor Santiago Mitre, que já havia demonstrado grande competência em filmes como “A Cordilheira”, “El Estudiante”, “Elefante Branco” e “Paulina”. Resumo da ópera; “Argentina, 1985” é simplesmente IMPERDÍVEL, assim mesmo, com letras maiúsculas.             

 

                           

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

 

“BLACKOUT”, 2022, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Netflix, direção de Sam Macaroni, seguindo roteiro assinado por Van B. Nguyen. Trata-se de um suspense policial, repleto de ação, muita pancadaria e tiros, mas sem conteúdo. Começa o filme e um homem com uma maleta é perseguido na estrada e sofre um acidente. Ele acaba no hospital sem saber quem é – o espectador sabe que ele se chama John Cain (Josh Duhamel), que pode ser um agente infiltrado da DEA (Departamento Antigrogas dos EUA) ou um traficante. A dúvida permanecerá até o desfecho e depois dele também.  O hospital é invadido por uma gangue pertencente a um poderoso cartel mexicano de drogas, que faz inúmeros reféns, entre eles, pacientes, enfermeiros e médicos. Uma bagunça infernal. Enquanto isso, John Cain foge da cama com a ajuda da misteriosa Anna (Abbie Cornish), que também pode ser uma policial ou uma traficante. Ou seja, é tudo muito confuso. O filme garante muita ação, o ritmo é frenético, mas o roteiro é simplesmente ridículo e complicado, com destaque para os diálogos nada mais do que lamentáveis. O elenco conta ainda com o acabado Nick Nolt e um time de figurantes de dar dó, de tão ruins. Se o filme todo é muito fraco, o desfecho é a cereja estragada do bolo. Apesar de ter feito algum sucesso na pele do tenente-coronel William Lennox nos filmes “Transformers”, o ator Josh Duhamel ainda não emplacou. Resumo da ópera: “Blackout” é um dos lançamentos da Netflix mais fracos deste ano.            

domingo, 16 de outubro de 2022

 

“BROAD PEAK”, 2022, Polônia, produção original e distribuição Netflix, 1h41m, direção de Leszek Dawid, seguindo roteiro assinado por Lukasz Ludkowski. O título refere-se ao nome de uma montanha localizada na região de Karakoram, no Himalaia, próxima à fronteira com o Paquistão. Também chamada de K3, Broad Peak é a 12ª montanha mais alta do mundo, com 8.051m. A história do filme, baseada em fatos reais, é centrada no alpinista polonês Maciej Berbeka (Ireneusz Czop) que em 1988 tentou chegar ao topo. Faltavam apenas 17 metros quando avisou sua equipe que estava passando mal, que não sentia mais as pernas. Para resgatá-lo ainda com vida, sua equipe conseguiu convencê-lo de que havia chegado ao topo. Quando soube da mentira, Berbeka ficou revoltado e jurou que voltaria à montanha para chegar finalmente ao cume. Em certo momento, Maciej diz: “É difícil viver com a sensação de que você é uma fraude. Há vinte e cinco anos venho tentando me livrar disso”. Portanto, em 2013, Maciej forma uma equipe com mais três alpinistas e finalmente consegue chegar ao topo, mas na descida acontece uma tragédia. As filmagens, feitas na própria montanha, mas “apenas” a 5 mil metros de altura, são primorosas. O diretor Leszek Dawid utilizou drones e helicópteros com câmeras equipadas com giroscópio, descortinando cenários deslumbrantes. As tempestades de neve também são muito bem realizadas. Enfim, um filme que garante uma história incrível de coragem, sofrimento e muitos desafios. Imperdível.            

 

sábado, 15 de outubro de 2022

 

“O TELEFONE DO SR. HARRIGAN” (“MR. HARRIGAN’S PHONE”), 2022, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de John Lee Hancock. A história desse suspense, com pitadas de sobrenatural, é baseada em um conto do escritor Stephen King incluído na antologia “If It Bleeds”. John Harrigan (Donald Sutherland), um milionário recluso e solitário, contrata o jovem Craig (Colin O’Brien), de 9 anos, para ler livros em voz alta três vezes por semana, já que o velho tem uma certa deficiência visual. Ao longo dos anos, a amizade entre Craig e o idoso torna-se cada vez mais forte. Nos intervalos das leituras, Harrigan sempre conversa com o garoto e lhe dá conselhos. Agora vemos Craig (Jaeden Martell) aos 15 anos e ainda muito feliz com a convivência com Harrigan. O filme destaca algumas frases escritas nos livros, identificando os autores, o que dá um tom de erudição nos encontros. O filme torna-se ainda mais interessante quando Craig dá de presente a Harrigan um iPhone, ensinando-o a manuseá-lo. Embora goste da novidade, Harrigan transmite a Craig sua preocupação quanto aos malefícios do aparelho, um ponto de vista muito interessante que dá margem a muita reflexão. Para resumir, o milionário morre de repente e Craig coloca o celular no caixão. Paro por aqui para não estragar as surpresas. O que posso dizer é que o filme realmente é bastante interessante e mesmo o ritmo lento não prejudica o resultado final. E ainda temos, como trunfo, o veterano ator canadense Donald Sutherland em mais uma ótima performance. Completam o elenco Kirby Howell Baptiste, Cyrus Arnald, John Tippett e Alexa Niztak. Ótimo entretenimento. Recomendo.            

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

 


“O ÚLTIMO VERMEER” (“THE LAST VERMEER”), 2021, Estados Unidos, em cartaz na plataforma Amazon Prime Video, 1h58m, direção de Dan Friedkin (é o seu longa de estreia), seguindo roteiro assinado por Hawk Ostby, James McGee, John Orloff e Mark Fergus. A história é baseada em fatos reais, descritos no livro “The Man Who Made Vermeers”, escrito em 2008 pelo escritor e historiador de arte norte-americano Jonathan Lopez. Antes de iniciar o comentário propriamente dito, lembro que o filme destaca o pintor holandês Johannes Vermeer (1632-1675). O filme começa logo após o final da Segunda Guerra Mundial, quando as forças aliadas resgatam na Alemanha o quadro “Cristo e a Mulher Adúltera”, que havia sido comprado pelo líder nazista Hermann Göring acreditando ser um genuíno Vermeer. Enquanto isso, o capitão Joseph Piller (Claes Bang), judeu e membro da resistência holandesa, agora oficial dos aliados, coordenava as investigações sobre pessoas acusadas de colaborar com os nazistas por ocasião da ocupação do país. Um dos suspeitos de colaboração era o renomado pintor holandês Han Van Meegeren (Guy Pearce), justamente aquele que vendeu o quadro de Vermeer para Göring. Preso e prestes a ir a julgamento, descobriu-se que a tela vendida por Meegeren era falsa. O filme repassa os acontecimentos e a tentativa de Meegeren de não ser condenado, até perto do desfecho, quando a descoberta de um livro provoca uma grande reviravolta. Completam o elenco Vicky Krieps, August Diehl, Roland Moller e Olivia Grant. “O Último Vermeer” vale ser visto não só pela história em si, mas também pelo ótimo elenco e pela primorosa recriação de época. Ótimo lançamento da Amazon Prime Video.           

 

terça-feira, 11 de outubro de 2022

 

“UMA GAROTA DE MUITA SORTE” (“LUCKIEST GIRL ALIVE”), 2022, Estados Unidos, 1h55m, lançamento da Netflix (7/10/2022), direção do cineasta inglês Mike Barke. O roteiro é assinado por Jessica Knoll, autora do livro homônimo de 2015. A história é baseada na experiência traumática vivida por Jessica na adolescência. A figura central do filme é a jornalista Ani Fanelli (Mila Kunis), talentosa editora de uma revista feminina de glamour. Fanelli sempre escondeu seu passado trágico, pois foi vítima de estupro coletivo e testemunha de um atentado a tiros praticado por um colega de classe – não ficou claro que esse último caso aconteceu na realidade, mas o estupro sim. Fica evidente, porém, que Ani continua traumatizada pelos fatos ocorridos na adolescência, a ponto de prejudicar seu relacionamento com o noivo Luker Harrison (Finn Wittrock). Uma das cenas mais poderosas do filme aconteceu quase no desfecho, quando a jornalista é obrigada a se confrontar com um de seus estupradores. A atriz Mila Kunis, 38 anos, já comprovou sua competência em outros filmes, entre os quais “Cisne Negro”, talvez o mais conhecido. Mila nasceu na Ucrânia, filha de uma família judia, e chegou aos Estados Unidos em 1991. Três anos depois estreava como atriz na série “Days of Our Lives”. Hoje ela é, sem dúvida, uma das atrizes de maior sucesso em Hollywood. Outro destaque do elenco é a presença de Jennifer Beals, que ficou famosa depois do clássico “Flashdance: Em Ritmo de Embalo”, de 1983. Jennifer, hoje aos 58 anos, parece que não envelheceu. Continua bonita e em grande forma. Também estão no elenco Chiara Aurelia, Justine Lupe, Connie Britton, Alexandra Beaton, Scoot McNairy, Thomas Barbusca, Carson MacCormac, Iaac Kragten, Dalmar Auzeid e Alana Pancyr. Trocando em miúdos, “Uma Garota de Muita Sorte” é um drama que merece ser visto, embora contenha uma história indigesta e impactante. O roteiro é bem elaborado e o elenco é de primeira. Imperdível!           

sábado, 8 de outubro de 2022

 

“CONSPIRAÇÃO EXPLOSIVA (“GASOLINE ALLEY”), 2022, Estados Unidos, 1h40m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, roteiro e direção de Edward Drake. Ambientado em Los Angeles, trata-se de um filme policial centrado nas investigações do assassinato de quatro jovens candidatas a atriz, que nas horas vagas trabalhavam como prostitutas em bares pouco recomendados. Jimmy Jayne (Devon Sawa), um ex-presidiário e agora proprietário de um estúdio de tatuagem, surge como principal suspeito, já que foi visto conversando no balcão de um bar com uma das vítimas, conhecida como Star (Irina Antonenko). Os detetives Bill Freeman (Bruce Willis) e Freddy Vargas (Luke Wilson) tentam incriminar Jimmy de todas as maneiras, mas não conseguem provas. Pelo contrário, Jimmy ajuda a polícia a desvendar o mistério das mortes. Também estão no elenco Kat Foster, Sufe Malika Bradshaw, Vernon Davis, Billy Jack Harlow e Rick Salomon. Este foi um dos últimos filmes do astro Bruce Willis antes de anunciar sua aposentadoria depois de diagnosticado com afasia. O cineasta australiano Edward Drake dirigiu quatro filmes seguidos com Willis, “Invasão Cósmica”, “Apex”, “Emboscada” e agora “Conspiração Explosiva”, todos muito fracos, incluindo este último. Aliás, Willis, em todos esses filmes, foi colocado, nos materiais de divulgação, como um dos protagonistas principais, quando na verdade pouco aparece. Enfim, “Conspiração Explosiva” é mais um filme que não faz jus à carreira de Willis.            

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

 

“QUEEN E SLIM: OS PERSEGUIDOS” (“QUEEN & SLIM”), 2019, coprodução Estados Unidos/Canadá, 2h12m, direção de Melina Matsoukas, seguindo roteiro escrito por James Frey e Lena Waithe. Por causa da pandemia de Covid-19, o filme não foi exibido em nossos cinemas. Graças à Netflix, porém, chega até nós este ótimo drama premiado em vários festivais. É a história de Queen (a atriz britânica Jodie Turner-Smith) e de Slim (Daniel Kaluuya, de “Corra!”), dois afrodescendentes que se conhecem através do site de relacionamentos Tinder e marcam um encontro em uma lanchonete. Um casal pouco provável, pois ela é uma advogada bem sucedida e ele um “Zé-ninguém”. Depois do encontro, ele a leva para casa no seu carro, mas no caminho são parados por um policial (branco, é claro). Não há uma razão muito forte para a abordagem, então Queen se revolta com a atitude do policial, que dá um tiro em sua perna. Slim toma a arma do policial e atira nele, matando-o. Daí para a frente, o casal se empenha em uma fuga que se transforma em um verdadeiro road movie. A notícia se espalha através da mídia e lá se vai o casal por Ohio, Kentucky, Nova Orleans e Flórida. Nesta última parada, Queen e Slim pretendem pegar um avião ou um barco e fugir para Cuba. Ótima estreia na direção de Melina Matsoukas, mais conhecida como diretora de videoclipes musicais. O pano de fundo da história é o racismo, com uma conotação muito clara em favor do black power, o que nos remete aos filmes do diretor Spike Lee. Completam o elenco Bokeem Woodbine, Chloë Sevigny, Indya Moore, Benito Martinez e Jahi Di’Allo Winston. Entre os vários prêmios que recebeu, “Queen e Slim” foi eleito o melhor filme do BET AWARDS, que homenageia astros e atletas negros na música, esporte e cultura. O filme também alcançou 82% de aprovação em 214 avaliações realizadas para o site Rotten Tomatoes, que o considerou “Elegante, provocativo e poderoso, uma emocionante história fugitiva mergulhada em subtexto oportuno e pensativo”. Muitos críticos foram de opinião que o filme foi injustamente esnobado pela Academia no Oscar 2020. Eu não chegaria a tanto, mas concordo que é um filme bastante interessante, apresentando uma estética arrebatadora e original.              

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

 

“ASSALTO AO PODER” (“MARAUDERS”), coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h37m, direção de Steven C. Miller, seguindo roteiro assinado por Chris Sivertson e Michael Cody. O filme é de 2017, mas só chegou agora até nós por intermédio da Netflix. O título em português ficou muito longe do que quis dizer o título original: “Marauders”, que na tradução literal quer dizer “Saqueadores”. Trata-se de um policial de ação centrado em uma investigação do FBI destinada a desbaratar uma quadrilha de assaltantes de banco. No primeiro assalto, praticado por bandidos mascarados, o gerente do banco é assassinado a sangue frio. No segundo, em outro banco, a vítima é um segurança. Um detalhe que surpreendeu os agentes foi que o dinheiro roubado havia sido entregue a uma instituição de caridade. Conforme a investigação vai avançando, o FBI descobre vários desdobramentos. Por exemplo, a execução das duas vítimas pode estar relacionado a um pelotão de soldados que lutou na Guerra do Golfo. As desconfianças também recaem contra o dono das agências bancárias assaltadas, que teria um caso conjugal com um importante senador. Mais uma possível versão diz respeito à corrupção da própria polícia, que teria roubado parte do dinheiro, talvez por um detetive cuja esposa está morrendo de câncer. E ainda tem o agente do FBI que chefia as investigações, que teve a mulher assassinada por um gângster. Enfim, graças ao roteiro extremamente confuso, cheio de pontas soltas, fica difícil entender o que está acontecendo. É tudo muito complicado. Além disso, as cenas de ação são muito mal executadas, inclusive com vítimas de tiros caindo no tempo errado. Tudo isso contribui para um resultado pífio, beirando o medíocre. E olha que o elenco não é ruim: Christopher Meloni (da série “Lei e Ordem”), Bruce Willis, Dave Bautista (“Guardiões da Galáxia”), Adrian Grenier, Alyshia Ochse, Chris Hill, Johnathon Schaech, Lydia Hull e David Gordon. Resumo da ópera: o filme é fraco, muito longe de merecer uma indicação entusiasmada.           

 

                           

sábado, 1 de outubro de 2022

 

“BLONDE”, 2022, Estados Unidos, lançamento da Netflix, 2h47m, roteiro e direção do cineasta neozelandês Andrew Dominik. Trata-se da cinebiografia romanceada da atriz Marilyn Monroe, que nos anos 50 e início dos 60 – morreu aos 36 anos em 1962 – encantou o mundo com sua beleza e sensualidade, sendo considerada um dos maiores símbolos sexuais do século 20. Ela fez sucesso em todos os filmes em que atuou, principalmente “Os Homens Preferem as Loiras” (1953), “O Pecado Mora ao Lado” (1955) e “Quanto Mais Quente Melhor” (1959). Para escrever o roteiro de “Blonde”, Dominik se inspirou no romance homônimo de Joyce Carol Oates. Não se trata de uma cinebiografia normal, pois conta com alguns fatos ficcionais, tais como o suposto triângulo amoroso de Marilyn com dois personagens famosos em Hollywood na época, como Edward G. Robinson Jr (Evan Williams) e Charles Chaplin Jr. (Xavier Samuel). Ou então a cena de sexo forçado com o presidente John Kennedy. De qualquer forma, o filme destaca inúmeros fatos que marcaram a vida da diva – estes sim, verdadeiros -, como a demência da mãe Gladys (Julianne Nicholson), os abortos espontâneos, as crises histéricas nos sets de filmagem e sua dependência em drogas e álcool, além de seus três casamentos frustrados. Marilyn (Ana de Armas) é apresentada como uma mulher de alma torturada, infeliz, com uma enorme carência afetiva - sentia falta do pai, que nunca conheceu – e perturbada emocionalmente, a ponto de não gostar de ser Marilyn Monroe, seu nome artístico, e sim apenas Norma Jean Mortenson, seu nome de batismo. Há diversos motivos para assistir “Blonde”, o principal deles, sem dúvida, é o incrível desempenho da atriz cubana Ana de Armas, que se entrega ao papel de corpo e alma. Além de merecer uma indicação ao Oscar 2023, com sua atuação Ana de Armas é alçada ao posto da diva do momento em Hollywood. Ela já havia demonstrado muita competência em filmes de sucesso, como “Entre Facas e Segredos”, “Sérgio”, “Blade Runner 2049”, “Deep Water” e “007 – Sem Tempo de Morrer”. Sua atuação como Marilyn recebeu muitos elogios por ocasião do lançamento de “Blonde” na 79ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, no dia 8 de setembro de 2022. A plateia aplaudiu a atriz durante cerca de 15 minutos, uma consagração e tanto. O filme, porém, não caiu no gosto dos críticos especializados, muitos dos quais criticaram a abordagem machista que colocou Marilyn como apenas um objeto sexual. A cena de sexo oral com o presidente John Kennedy é repugnante e também mereceu críticas violentas. Também estão no elenco Adrien Brody, Bobby Cannavale, Ravil Isyanov, Caspar Phillipson, Toby Ross, Sara Paxton e David Warshofsky. Trocando em miúdos, “Blonde” apresenta trunfos que merecem ser destacados, como a primorosa recriação de época, figurinos, cenários, roteiro, fotografia, trilha sonora e, principalmente, a atuação de Ana de Armas. Filme destinado a várias indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar. Filmaço!          

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

 

“DAHMER: UM CANIBAL AMERICANO” (“MONSTER: THE JEFFREY DAHMER STORY”), 2022, Estados Unidos, produção original Netflix, minissérie em 10 capítulos criada por Ryan Murphy e Ian Brennan. Trata-se da série mais vista este ano na Netflix. Conta a história verídica do serial killer canibal Jeffrey Dahmer, que durante 13 anos – de 1978 a 1991 – assassinou 17 jovens, a maioria negros, guardando as partes dos corpos em freezers e tambores com soda cáustica. Homossexual, Dahmer encontrava suas vítimas em um bar de gays, as levava para casa, as drogava, matava e estuprava depois de mortas. Em seguida, esquartejava os corpos, fritava algumas partes e se deliciava como um verdadeiro churrasco. Gente fina o rapaz. A minissérie conta toda essa história, convidando o espectador a conhecer o perfil de um verdadeiro serial killer, a convivência com a família, a mãe viciada em remédios e o relacionamento com o pai ausente, cujo melhor ensinamento ocorreu quando Jeffrey era ainda menino. Eles saíam pelas estradas para pegar cadáveres de animais atropelados e depois fazer uma “autópsia” nos bichinhos. Aviso aos navegantes: há cenas bastante impactantes que podem incomodar o espectador com estômago mais sensível. O elenco é ótimo, a começar por Evan Peters, que interpreta o assassino. Peters ficou conhecido depois de atuar em séries como “WandaVision”, “American Horror Story” e “X-Men”. É um ótimo ator e logo chegará ao estrelato. A série conta ainda com interpretações destacadas de Richard Jenkins, Penelope Ann Miller, Niecy Nash, Molly Ringwald e Michael Learned. "Dahmer: Um Canibal Americano" é uma série chocante, perturbadora, que pode levar o espectador à insônia durante alguns dias. Primeiro, tire as crianças da sala. Segundo: cuidado para não engasgar com as pipocas e entortar os braços da poltrona. Enfim, a série é excelente, mas não dá para curtir como um entretenimento leve.          

 

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

 

“O HOMEM DO JAZZ” (“A JAZZMAN’S BLUES”), 2022, Estados Unidos, 2h7m, produção original Netflix, roteiro e direção de Tyler Perry. Excelente drama com boas chances de Oscar não só pela história, mas também pelo excelente elenco, uma deliciosa trilha sonora com muito blues e jazz, uma primorosa fotografia e uma caprichada recriação de época. A história é ambientada nos anos 40 do século passado no sul dos Estados Unidos, logo após o final da Segunda Guerra Mundial. O cenário é uma pequena cidade da Geórgia, onde os negros vivem em uma espécie de gueto, separados da racista população branca. A história é centrada em Bayou (Joshua Boone), um jovem negro cujo pai é trompetista de uma orquestra, vive bêbado, maltrata a esposa (Amirah Vann) e um dia resolve abandonar a família. O irmão mais velho de Bayou, Willie Earl (Austin Scott), também é músico, viciado em heroína. A família vive às custas da mãe, que lava roupa para famílias de brancos. Muitas vezes não há o que comer. Mas se a situação está ruim, pode piorar ainda mais depois que o tímido Bayou se apaixona por Leanne (Solea Pfeiffer), uma jovem também pobre, mas branca. Um romance proibido com tudo para dar errado. E não dá outra. Para desespero de Bayou, a mãe de Leanne dá um jeito de casar a filha com um jovem branco de família rica. Desiludido, Bayou concorda em aceitar o convite de um jovem empresário, Ira (Ryan Eggold, da série Amsterdam), para um teste musical numa tradicional casa de espetáculos de Chicago. Ele vai junto com o irmão Willie, que consegue uma vaga na orquestra da casa, mas continua no vício de heróina. Mas o grande sucesso acaba sendo Bayou, com sua voz melodiosa e talento para cantar blues e jazz. Tudo vai bem até que Bayou recebe a notícia de que a mãe precisa de ajuda para reabrir o bar onde costumava cantar. Bayou convoca sua banda e volta à cidade natal. Ele vai tentar se reaproximar, claro, do seu antigo amor, Leanne, o que lhe acarretará inúmeros problemas, culminando com uma grande tragédia. Também estão no elenco Lana Young, Milauna Jackson, Kario Pereira-Bailey, Brent Antonello, E. Roger Mitchell, Brad Benedict e Chadwick Farley. A excelente trilha sonora é coordenada e conta com os arranjos do trompetista e compositor Terence Blanchard, um dos músicos de jazz mais conceituados da atualidade. O diretor Tyler Perry escreveu o roteiro em 1995 e 27 anos depois o transforma em filme. É possível que eu me engane – como sempre -, mas sinto que “O Homem do Jazz”, lançado no dia 23 de setembro de 2022 na Netflix, deverá receber várias indicações para o Oscar do próximo ano. Filmaço!     

 

                            

sábado, 24 de setembro de 2022

 

“LINHAS INIMIGAS” (“ENEMY LINES”), 2021, Inglaterra, 1h33m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Anders Banke, seguindo roteiro assinado por Michael Wright e Tom George. Mais uma das histórias ambientadas durante a Segunda Grande Guerra e baseada em fatos reais. Estamos em novembro de 1943. Um grupo de quatro soldados britânicos de elite, comandados por um oficial do exército norte-americano, é recrutado para uma missão secreta e muito perigosa: resgatar um famoso cientista de foguetes mantido em poder dos alemães. Ele está prisioneiro em um laboratório improvisado no interior da Polônia trabalhando em um projeto de uma arma poderosa para o exército nazista. O grupo chega à Polônia de barco e, para transpor a linha inimiga, precisa do apoio de membros da resistência polonesa. Para dificultar ainda mais a missão, o frio é de lascar e a neve predomina nos cenários. As cenas de ação até que são boas, o roteiro é bem elaborado, mas o elenco, constituído de ilustres desconhecidos, decepciona. Você logo percebe que os atores são bem fraquinhos. O único ator mais conhecido é o inglês John Hannah, que interpreta o coronel Preston, o idealizador da missão. Ainda com relação ao elenco, há atores ingleses, norte-americanos, alemães, poloneses e russos, uma verdade ONU cinematográfica. Cito alguns, além de John Hannah: Ed Westwick, Ekaterina Vladimirova, Pawel Delag, Corey Johnson, Tom Wistom, Andrey Karako e Jean-Marc Birkholz. Vale assistir pela história, que nos apresenta mais um episódio da Segunda Grande Guerra pouco conhecido por aqui. Recomendo.     

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

 

“GAROTOS DE BEM” (“LA SCUOLA CATTOLICA”), 2021, Itália, lançamento recente da Netflix, 1h46m, direção de Stefano Mordini, seguindo roteiro de Massimo Gaudioso e Luca Infascelli. A história é verídica, baseada no livro que leva o título original escrito por Edoardo Albinati. Trata-se de um drama pesado que relembra um crime bárbaro ocorrido em 1975 e que chocou a Itália. Três jovens estudantes de um tradicional colégio católico de Roma sequestraram, estupraram e espancaram duas meninas. Uma delas morreu. Os fatos que antecederam o crime são contados em ordem cronológica, culminando com as cenas brutais, filmadas com um realismo que certamente incomodará os espectadores com estômago mais sensível. Além da violência, muitas cenas de sexo e nus frontais, o que levou o filme a ser censurado em algumas cidades italianas. “Garotos de Bem” apresenta os assassinos como fruto de famílias disfuncionais pertencentes a uma sociedade decadente que sofre a ausência de valores morais, o que surpreende em se tratando de um país tradicionalmente católico e conservador. Um cúmulo jurídico: época, o estupro não era considerado crime na Itália. Segundo um psiquiatra que comentou o ocorrido, os três assassinos sofriam de algum tipo de transtorno mental, sadismo e masoquismo. No fundo, no fundo, psicopatas da pior espécie. Angelo Izzo (Luca Vergoni), Gianni Guido (Francesco Cavallo) e Andrea Ghira (Giulio Pranno), jovens pertencentes a famílias abastadas, levaram Donatella (Benedetta Porcaroli) e Rosaria (Federica Torchetti) para conhecer uma casa de praia na cidade litorânea de San Felice Circeo, a 150 km de Roma. É aqui que aconteceria o crime, que ficou famoso com o nome de “O Massacre de Circeo”. A história é narrada pelo próprio autor do livro, que também foi aluno do colégio católico e amigo de todos os envolvidos na história. Também estão no elenco Riccardo Scamarcio, Jasmine Trinca, Valeria Golino, Valentina Cervi (esposa do diretor), Marco Sincini, Sofia Iacuitto, Corrado Invernizzi, Beatrice Spata, Giulio Tropea, Alessandro Cantalini, Giulio Fochetti e Guido Quaglione. Resumindo: os três assassinos foram presos e condenados à prisão perpétua. Andrea morreu em 1994, quando fugia da prisão; Angelo foi solto em 2005 por bom comportamento, mas voltou à prisão depois de cometer mais dois assassinatos; Gianni saiu livre em 2009 e Donatella morreu em 2005 aos 47 anos, de câncer de mama. O filme é excelente, o elenco ótimo e o roteiro primoroso, além de uma caprichada reconstituição de época. Mas, repito, é perturbador, chocante. Para se ter uma ideia, os próprios atores tiveram dificuldades emocionais para gravar determinadas  cenas. Ótimo lançamento da Netflix. Imperdível!