quinta-feira, 5 de maio de 2022

 

“A PRINCESA DA YAKUZA” (“YAKUZA PRINCESS”), 2021, Brasil, produção e distribuição Netflix, 1h52m, direção de Vicente Amorim, seguindo roteiro assinado por Fernando Toste e Kimi Lee. Trata-se da adaptação para o cinema da graphic novel “Shirô: Yakuza, Honra e Sangue no Coração de São Paulo”, de Danilo Beyruth. É um filme interessante, nada mais. Esteticamente impecável, uma fotografia digna de prêmio (Gustavo Hadba) e boas cenas de ação, principalmente as coreografias de luta. Infelizmente, o roteiro apresenta muitas falhas, a principal delas é não propiciar um bom entendimento do que está acontecendo e nem quem são todos aqueles personagens, o que confunde a cabeça do espectador por um bom tempo. A trama começa em Osaka, no Japão, quando um poderoso chefão da Yakuza (a máfia japonesa) e toda sua família são assassinados. A única sobrevivente é uma bebê, Akemi, levada em segredo para o Brasil e entregue para seus avós, no bairro da Liberdade, em São Paulo. O roteiro dá um salto de 20 anos e vemos Akemi (Masumi Harukawa) sendo treinada em artes marciais e plenamente adaptada ao nosso País. Os antigos rivais do seu pai na Yakuza descobrem o seu paradeiro e vêm para São Paulo com o objetivo de matá-la e recuperar uma katana (espada utilizada pelos antigos samurais). No meio dessa confusão surge um personagem misterioso (o ator norte-americano Jonathan Rhys Meyers), que perdeu a memória, está muito ferido e anda sem destino pelo bairro da Liberdade armado com uma katana. Não explicar de onde veio esse personagem e por que está em São Paulo é outro mistério que o roteiro não explica. Como desde o início estava previsível, esse homem misterioso encontra Akemi, e ambos terão de lutar contra os algozes japoneses da Yakuza. A partir daí a matança não acaba mais. O filme é falado em inglês, japonês e algumas vezes em português. Assim como os idiomas, o elenco também é misto, com um norte-americano (Meyers), vários japoneses e alguns brasileiros (André Ramiro, Charles Paraventi, Nicolas Trevijano, Iuri Saraiva, Ricargo Gelli e Lucas Oranmian). O diretor brasileiro Vicente Amorim é filho do ex-ministro Celso Amorim, ex-ministro do governo Lula. Em seu currículo constam filmes como "Corações Sujos" e "O Homem Bom". Trocando em miúdos, “A Princesa da Yakuza” é um filme que deve agradar apenas a um público específico, por exemplo, aos fãs de Quentin Tarantino (lembram-se de "Kill Bill"?).                 

 

“MEIA-NOITE NO SWITCHGRASS” (“MIDNIGHT IN THE SWITCHGRASS”), 2021, Estados Unidos, 1h39m, disponível na plataforma Amazon Prime, direção de Randall Emmett, seguindo roteiro de Alan Horsnail. A começar pelo lamentável título original, nada funciona neste suspense policial que marca a estreia na direção de Randall Emmett, mais conhecido como produtor. Estreia medíocre, conforme a opinião de vários críticos especializados (veja algumas delas no final deste comentário). A escalação do elenco também faz parte dos aspectos negativos do filme. O ator Emile Hirsch, por exemplo, é franzino e baixinho, nada que caracterize um policial do interior. O astro Bruce Willis, cuja foto aparece como destaque nos materiais de divulgação, faz praticamente uma ponta (propaganda enganosa). E, aliás, atuando muito mal, talvez já afetado pela tal Afasia, doença que o fez anunciar, recentemente, seu afastamento definitivo dos estúdios. Lukas Haas também não convence como o vilão da história. Para quem possa lembrar, ele é aquele garoto amich que, aos 8 anos de idade, contracenou com Harrison Ford no filme “A Testemunha”. A imagem de menino continua em seu semblante. Um lado positivo, talvez o único, é a atuação da atriz Megan Fox como a agente do FBI parceira de Bruce Willis. A história é baseada em fatos reais, ou seja, os crimes praticados no Texas, entre os anos 70 e 90, por um serial killer que ficou conhecido como “Assassino das Paradas de Caminhões” (“Truck Stop Killer”), responsável pelo assassinato de cerca de 50 pessoas, a maioria prostitutas e garotas na fase de adolescência. Também estão no elenco Sistine Rose Stallone (filha de Sylvester), Caitlin Carmichael, Lydia Hull, Katalina Viteri, Michael Beach e Donovan Carter. Como prometi no início deste comentário, destaco agora algumas frases pinçadas de opiniões de críticos sobre esse filme: “Um dos piores filmes que já vi na vida”; “O filme parece ter sido feito por amadores”; “Um dos thrillers policiais mais genéricos do ano”. “Bruce Willis está perdido na ação”; “Totalmente terrível”; “Estúpido e previsível”. Acrescento a minha: “Abominável e descartável”.           

 

terça-feira, 3 de maio de 2022

 

“GIRL – O FLORESCER DE UMA GAROTA” (“GIRL”), 2018, Bélgica/Holanda, disponível na plataforma Netflix, 1h45m, direção de Lucas Dhont, que também assina o roteiro com a colaboração de Angelo Tijssens. Este surpreendente e impactante drama marca a estreia em longas do cineasta belga Lucas Dhont, mais conhecido como diretor de curtas. E que estreia! Para começar, “Girl” foi escolhido para representar a Bélgica na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro. Além disso, foi premiado com o “Camera D’Or” no 71º Festival Internacional de Cinema de Cannes, além de receber o troféu “Sutherland” na categoria “Best First Feature” do Festival de Cinema de Londres. A fantástica performance do ator Victor Polster também foi reconhecida no Festival de Cannes: Melhor Performance do Júri da Mostra “Um Certain Regard”. O filme realmente é espetacular, sem dúvida um dos melhores do catálogo Netflix. Trata-se de um intenso e comovente retrato da transsexualidade feminina, realizado com grande sensibilidade. A história acompanha o dilema de Lara (Victor Polster), de 15 anos, que nasceu e foi batizado como Victor. Com o apoio do pai Mathias (o ótimo Arieh Worthalter) – a mãe não aparece nem é citada -, Victor assumiu sua nova sexualidade como Lara e, como tal, foi aceita nos colégios em que estudou. Seu sonho de criança é ser bailarina profissional. Para isso, ingressou em uma prestigiosa escola de balé da Bélgica (o material de divulgação informa que a história é baseada em fatos reais, sem citar nomes ou situações). Uma das temáticas do filme é o esforço de Lara nas aulas de balé e as dificuldades físicas por conta de sua estrutura óssea e muscular. Além disso, “Girl” acompanha a rotina diária de Lara indo a médicos e psicólogos, o tratamento carinhoso e solidário do pai e o relacionamento difícil de Lara com as colegas de escola e academia. Lara insiste na cirurgia de readequação de gênero, além de exigir doses maiores de hormônio feminino. O drama de Lara é comovente. Nesse contexto, vale aqui destacar o impressionante desempenho do ator estreante Victor Polster, também dançarino profissional na vida real. Enfim, “Girl” é sensacional. Imperdível!         

segunda-feira, 2 de maio de 2022

 

“HYPNOTIC”, 2021, Estados Unidos, 1h28m, produção e distribuição Netflix, direção de Suzanne Coote e Matt Angel (“Vende-se Esta Casa”), que também assinam o roteiro com a colaboração de Richard D’Ovidio. Trata-se de um suspense psicológico cuja história é centrada em Jennifer Tompson (Kate Siegel), uma mulher com sérios problemas emocionais depois da morte do filho durante a gravidez, o que provocou o fim do noivado com Brian (Jaime Callica). Em fase depressiva, Jennifer é convidada pela amiga Gina (Lucie Guest) a uma festa em sua casa. Na ocasião, Jennifer é apresentada ao médico Colin Meade (Jason O’Mara), terapeuta de Gina e especialista em hipnoterapia. Depois de várias sessões, Jennifer começa a demonstrar um comportamento estranho, com perda de memória e alucinações. Ao estudar a fundo a biografia do médico, Jennifer descobre que o dr. Colin teve como principal orientador um psiquiatra que havia sido responsável pelo projeto “MKultra”, encomendado pela CIA nos anos 60, em plena Guerra Fria. Conforme Jennifer conseguiu apurar, o objeto do estudo era tornar possível o comando da mente humana, favorecendo o controle de ações e atitudes, nem sempre para o bem. A situação faz com que Jennifer procure a polícia. O detetive Wade Rollins (Dule Hill) começa a investigar o médico. “Hypnotic” é um bom suspense, com uma trama envolvente e cercada de mistério e tensão. Destaque para mais uma ótima atuação da atriz Kate Siegel, esposa na vida real do cineasta Mike Flanagan. Além de bonita, Kate é excelente atriz, mas infelizmente pouco reconhecida por Hollywood. Trocando em miúdos, "Hypnotic" é um um bom entretenimento.     

sábado, 30 de abril de 2022

 

“CHAMADA EXPLOSIVA” (“DHAMAKA”), 2021, Índia, disponível na plataforma Netflix, 1h43m, direção de Ram Madhvani, que também assina o roteiro com a colaboração de Puneet Sharma. Trata-se de uma refilmagem (remake) do filme sul-coreano “The Terror Live” (título original é “Deu Tae-ro Ra-i-Beu”), de 2013. No filme de Bollywood, a ação acontece em Bombaim. O apresentador Arjun Pathak (Kartik Aaryan) está ao vivo em seu programa de notícias na rádio, durante o qual abre espaço para ligações dos ouvintes. Um deles ameaça explodir uma importante ponte da cidade. Arjun não lhe dá ouvidos, pensando ser mais um maluco querendo aparecer. Só que dali a alguns segundos uma violenta explosão ocorre na ponte, visível pelas janelas da emissora. Prevendo a oportunidade de ganhar audiência para a TV, a editora Ankita Malaskar (Amruta Subhash) providencia de imediato a montagem de um estúdio para que Arjun entre ao vivo pela TV. O tal terrorista é então levado a sério e a emissora abre espaço para que ele explique suas intenções. Ele conta que está se vingando da morte do pai e outros dois trabalhadores que morreram, anos antes, em um acidente no canteiro de obras da mesma ponte. E faz nova ameaça: se um determinado ministro do governo não for ao programa e pedir desculpas, ele explodirá mais uma parte da ponte. Arjun tenta levar o programa adiante nesse clima de grande tensão, pressionado não só pelo terrorista, mas também pela direção da emissora e pelas autoridades policiais, sem contar que sua ex-esposa Soumya (Mrunal Thakur), repórter da TV, está presa no meio da ponte com outros reféns. O suspense segue em ritmo acelerado até o desfecho, proporcionando um ótimo entretenimento. O desfecho, porém, quase põe tudo a perder, exagerando demais na dramaticidade e, para piorar, com uma irritante cantoria. O resultado final, porém, pode ser encarado como um bom filme de suspense. Recomendo!  

sexta-feira, 29 de abril de 2022

 

“JOGO PERIGOSO” (“MOST DANGEROUS GAME”), 2021, Estados Unidos, 2h7m, disponível na plataforma Amazon Prime, direção de Phil Abraham, seguindo roteiro assinado por Scott Elder, Nick Santoro e Josh Harmón. A história foi adaptada para o cinema do conto “The Most Dangerous Game”, escrito em 1924 por Richard Connell. Sem dúvida, “Jogo Perigoso” (não confundir com o filme homônimo de 2017, cuja história é completamente diferente) é um dos piores lançamentos da Amazon neste ano. Sou até bonzinho ao afirmar isso, pois alguns críticos especializados já o consagraram com o título de “O pior filme já realizado”. Tudo começa quando Dodge Maynard (Liam Hemsworth, irmão de Chris, o Thor da Marvel), depois de receber o diagnóstico de que está com um tumor maligno no cérebro, concorda em participar de uma caçada humana pelas ruas de Detroit. Atolado em dívidas e com a mulher grávida, ele se transforma na caça para divertimento de cinco caçadores. Se sobreviver durante 24 horas, ganhará algo em torno de 2 milhões e meio de dólares. Aí começa a lamentável, ridícula e patética aventura, uma soma de cenas inverossímeis e, o pior, quatro caçadores que não passam de caricaturas mal elaboradas, interpretados por atores da pior qualidade. Cada um deles recebeu o pseudônimo de um presidente dos Estados Unidos: Reagan (Billy Burke), Carter (Jimmy Akingbola), Kennedy (Natasha Bordizzo) e Nixon (Chris Webster). Liam Hemsworth, então, apresenta uma interpretação lastimável: quando chora, parece que está com dor de barriga. Um péssimo ator. Também estão no elenco Christoph Waltz e Sarah Gadon. O roteiro tem tantos absurdos que chega a ofender nossa inteligência. Escrevo este comentário revoltado com tamanha mediocridade. Assistir a este “Jogo Perigoso” é um ato de puro masoquismo. Fuja a galope!   

quarta-feira, 27 de abril de 2022

 

“FOGO CRUZADO” (“COPSHOP”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime, 1h48m, direção de Joe Carnahan, que também assina o roteiro com a colaboração de Mark Williams e Kurt McLeod. Trata-se de um thriller policial de ação quase que totalmente dentro de uma delegacia de uma pequena cidade do interior. Teddy Murretto (Frank Grillo) roubou dinheiro de uma máfia e agora é perseguido por assassinos profissionais. Para não ser morto, ele provoca sua prisão e vai parar na cadeia daquela delegacia, onde imaginou que ficaria seguro. Logo em seguida chega preso um alcóolatra que depois se revelaria um dos potenciais matadores de Teddy. Ele é Bob Viddick (Gerard Butler). Aí começa a confusão. Os policiais tentam administrar a situação, que só piora a partir do momento em que a delegacia é invadida por psicopata armado com uma metralhadora. Aí é sangue pra todo lado até o desfecho. Além da dupla principal de atores, destaca-se a atriz Alexis Louder como a policial Valery Young, recém-chegada à delegacia e muito mais corajosa do que os seus colegas, um deles, inclusive, associado à bandidagem. “Fogo Cruzado” tem mais suspense do que ação, o que não é prejudicial ao resultado final. Gerard Butler, a gente conhece, é um ator que trabalha bem em filmes de ação, alguns muito bons. Por seu lado, Frank Grillo é um ator de filmes medianos, quase sempre fazendo o papel do vilão, mas que até agora não conseguiu um papel de destaque em Hollywood. É ator de filmes independentes. Ainda estão no elenco Toby Huss, Ryan O’Nan e Chad Coleman. Somando os prós e os contras, “Fogo Cruzado” tem mais prós, resultando em um ótimo entretenimento.                                                                           

 

segunda-feira, 25 de abril de 2022

 

“GRANIZO”, 2022, Argentina, 1h58m, produção original e distribuição Netflix, direção de Marcos Carnevale, seguindo roteiro elaborado por Fernando Balmayor e Nicolás Giacobone. Trata-se de uma comédia muito interessante cuja história é centrada em Miguel Flores (Guillermo Francella), um meteorologista que mantém um programa televisivo dedicado à previsão do tempo. Em 20 anos, ele nunca errou. Por isso, virou um ídolo na Argentina. Em Buenos Aires, onde mora, ele é querido pelos espectadores, pelos vizinhos e pelo pessoal da TV. Enfim, uma celebridade televisiva. Até que um dia, logo na estreia de um programa especial que a emissora criou só para ele, Miguel divulgou que o tempo ia ficar bom, ensolarado e ideal para um passeio. Ledo engano, e dos mais graves, pois caiu uma tempestade acompanhada por uma chuva violenta de granizo, causando inúmeros estragos em Buenos Aires, incluindo a morte de animais de estimação, quedas de árvores e veículos amassados pelas pedras de gelo. Enfim, uma catástrofe. A repercussão foi extremamente negativa, com Miguel tornando-se figura non grata não só na emissora como em toda a capital argentina. Perdeu o lugar no programa, sendo substituído pela assistente de palco Mery Oliva (Laura Fernández), que de meteorologia não entende nada. Como um fugitivo, ele retorna em segredo para Córdoba, sua cidade natal, e resolve morar um tempo com a filha Clara (Romina Fernandes). Em suas andanças pela cidade, Miguel cruza com um sujeito esquisito e místico chamado Bernardo (Horacio Fernández), que lhe dará dicas preciosas sobre a previsão do tempo em Buenos Aires nas próximas horas. Dessa forma, Miguel retorna às pressas para a capital e tentará reverter sua situação diante da opinião pública. O filme é bastante agradável de assistir, tem um humor leve e inteligente, não do tipo de provocar gargalhadas. A cenografia é outro ponto forte, principalmente nas cenas onde Buenos Aires sofre a tempestade de granizo. Mas é o ator Guillermo Francella quem carrega o filme nas costas. Só para lembrar, Francella já atuou em inúmeros filmes de sucesso, entre os quais “O Segredo dos Seus Olhos”, “Minha Obra-Prima”, “O Clã” e “Coração de Leão – O Amor Não tem Tamanho”. Em “Granizo”, Francella atua mais uma vez sob a direção de Marcos Carnevale, o cineasta argentino responsável pelos excelentes “Elza & Fred”, “Viúvas” e “Inseparáveis”.                                                                      

 

sexta-feira, 22 de abril de 2022

 

“AS AGENTES 355” (‘THE 355”), 2021, coprodução Estados Unidos/China, 2h04m, disponível na plataforma Amazon Prime, roteiro de Theresa Rebeck e direção de Simon Kinberg. É um filme de ação e espionagem centrado em um grupo de espiãs de cinco países cuja missão é recuperar um dispositivo capaz de provocar atentados e explosões remotamente pelo mundo afora. Mason “Mace” Brown (Jessica Chastain), agente da CIA, é a primeira a ser convocada para a missão de resgatar o dispositivo de um grupo terrorista. Durante esse trabalho, ela se junta a outras agentes de países como a Alemanha, Inglaterra, China e Colômbia. Essa equipe, só de mulheres, vai encarar desafios e perigos até o desfecho. Há algumas boas cenas de ação, mas o grande atrativo é realmente o time feminino, da melhor qualidade em termos de competência e beleza. Além de Jessica Chastain, estão Diane Kruger, Penélope Cruz, Bingbing Fan e Lupita Nyong’o. Também estão no elenco Sebastian Stan, Edgar Ramírez, Jason Flemyng, Sylvester Groth, Raphael Acloque e Waleed Elgadi. A trama percorre várias partes do mundo, culminando com o desfecho em Xangai. Claro, a história é mirabolante, mas o ritmo é bem movimentado e deve agradar os espectadores que curtem filmes de ação. Se não é uma Brastemp, pelo menos não ofende nossa inteligência. Ah, lembrei: o número 355 refere-se ao codinome de uma espiã que atuou durante a independência dos Estados Unidos infiltrada nas forças britânicas. Trocando em miúdos, “As Agentes 355” é um ótimo entretenimento para quem quer dar folga aos neurônios.                                                                  

 

quinta-feira, 21 de abril de 2022

 

“AJUSTE DE CONTAS” (“A SCORE TO SETTLE”), 2019, Canadá/Estados Unidos, produção original Netflix, 1h43m, Roteiro de John Stuart Newman e direção de Shawn Ku. A mediocridade tem sido a característica principal dos últimos filmes do ator Nicolas Cage. Neste drama psicológico, apesar da divulgação tratá-lo como um suspense de ação, o tédio predomina do começo ao fim. Cage interpreta Frank, que acaba de sair da cadeia depois de 19 anos encarcerado. Sua pena inicial era prisão perpétua por assassinato, mas transformada em condicional depois que um exame médico constatou que ele sofre de uma doença incurável provocada por uma insônia crônica, fazendo com que ele tenha alucinações constantes, perdas de memória e desmaios. Na verdade, Frank ganhou US$ 450 mil para assumir o assassinato em nome do chefe da quadrilha, este sim o responsável pelo crime. Ao sair da prisão, Frank reencontra o filho Joey (Noah Le Gros) para tentar reparar uma paternidade irresponsável. Frank sentia culpa de não ter participado da educação do filho, que entrou cedo para o mundo das drogas. Grande parte do filme é dedicada aos diálogos entre pai e filho, conversas entediantes e de pouco conteúdo. Quando saiu da prisão, Frank partiu para a vingança contra os antigos parceiros de crime pelo que fizeram com seu filho. Ação mesmo, só perto do desfecho. O filme já começa errado, quando a primeira cena mostra Frank saindo da cadeia e andando sem rumo por uma estrada de terra. De repente, vindo na direção contrária, aparece um sujeito misterioso de capuz. Era justamente Joey, o filho dele. Que coincidência mais patética! E segue por aí mais essa bomba de Cage. Também são cúmplices nessa bobagem cinematográfica Benjamin Bratt, Karolina Wydra, Mohamed Karim, Ian Tracey e Nicole Muñoz. O diretor Shawn Ku também é conhecido como coreógrafo de vários filmes. Dessa forma, só posso afirmar que Ku, como diretor, é um excelente coreógrafo. O filme é tão ruim que só obteve 15% de aprovação dos leitores do site Rotten Tomatoes, além da rara unanimidade dos críticos especializados em considerá-lo um dos piores filmes de Cage. Assino embaixo.                                                                    

segunda-feira, 18 de abril de 2022

 

“PRAZER, KALINDA” (“BO WE MNIE JEST SEKS”), 2021, Polônia, produção original Netflix, 1h45m, direção de Katarzyna Klimkiewicz, que também assina o roteiro com a colaboração de Patricia Nowak. Cinebiografia de Kalina Jedrusik (1930-1991), atriz e cantora que fez grande sucesso na década de 60 do século passado. Entre 1953 e 1991, ela fez mais de trinta filmes, além de programas na TV e shows. Por sua beleza e sensualidade, era conhecida como a Marilyn Monroe da Polônia, embora tivesse cabelos pretos. Seu comportamento liberal não agradava a sociedade conservadora da época (a Polônia sempre foi um dos países mais católicos do mundo) e muito menos as autoridades polonesas. Por exibir decotes escandalosos, além de cantar e dançar com uma sensualidade exagerada, ela chegou a ser impedida de aparecer na TV. Entretanto, o filme deixa bem claro que o principal motivo foi ela ter-se negado a ir para a cama com o novo diretor de cultura, Ryszard Molski (Bartlomiej Kotschedoff). O filme ainda revela o casamento aberto que a artista mantinha com o escritor Stanislaw Dygat (Leslek Lichota) – o amante oficial de Kalina era Lucek (Krzysztof Zalewski), amigo de Stanislaw. Os amantes curtiam a cama enquanto o marido lia jornal na cozinha. A atriz Maria Debska dá um show no papel de Kalina. Sem dúvida, merece um destaque especial por sua maravilhosa atuação. Como quase sempre, vou remar contra a maré, ou seja, contrariar a opinião de vários críticos profissionais, que não gostaram do filme. Pois eu achei o filme muito bom, criativo, inteligente e agradável de ser visto. Destaco a primorosa recriação de época, a cenografia e ainda a saborosa trilha sonora, assinada por Radoslaw Luka. As músicas têm uma levada de jazz e as letras acompanham o que acontece na história. O título de uma delas é o mesmo do título original do filme, “Bo We Mnie Jest Seks”, cuja tradução literal é “Porque Há Sexo em Mim”, que foi uma das músicas de maior sucesso do repertório de Kalina. Resumindo, trata-se de um dos filmes mais criativos do cinema polonês. Recomendo.                                                                    

 

domingo, 17 de abril de 2022

 

“ANATOMIA DE UM ESCÂNDALO” (“ANATOMY OF A SCANDAL”), 2022, Inglaterra, minissérie da Netflix em seis capítulos, direção da cineasta norte-americana S.J. Clarkson, seguindo roteiro de David E. Kelley e Melissa James Gibson, que adaptaram o livro homônimo de Sarah Vaughan, não a diva do jazz já falecida, mas o pseudônimo da escritora Sarah Hall, ex-jornalista inglesa de política e ex-repórter de tribunais. Lançada no último dia 15 de abril pela Netflix, a minissérie é um suspense psicológico e drama de tribunal. A história é centrada no personagem James Whitehouse (Rupert Friend), ex-ministro e atual membro importante do governo britânico. Ele é casado com Sophie (Sienna Miller), uma antiga colega de universidade. O casal tem dois filhos e, publicamente, vive um casamento harmonioso e feliz. Um dia, porém, tudo vira do avesso. James é acusado de estupro por Olivia Lytton (Naomi Scott), uma de suas assessoras, com a qual teve um caso durante cinco meses. Mesmo diante da grave acusação, James recebe o apoio da esposa e do próprio primeiro-ministro Tom Southern (Geoffrey Streatfeild), seu amigo e antigo colega de universidade. Grande parte da minissérie é dedicada às cenas de tribunal, durante as quais destaca-se os embates entre a promotora Kate Woodcroft (Michelle Dockery) e a advogada de defesa Angela Regan (Josette Simon). Até o veredito do júri, muita água vai rolar sob a ponte do charmoso e um tanto arrogante político, que tem muito a explicar não só para seus eleitores, mas principalmente para a sua esposa. Muitos fatores contribuem para o sucesso da minissérie, que chegou ao Top 10 de Netflix logo em seu lançamento. O roteiro funciona perfeitamente, mantendo um desenrolar bastante movimentado e com muita tensão, notadamente durante as inúmeras cenas no tribunal, além de uma surpreendente reviravolta no final do 4º episódio, envolvendo a promotora Kate Woodcroft. Destaque para a atuação das atrizes Michelle Dockery e Sienna Miller, bonitas e muito competentes. Resumo da ópera (ou da minissérie): excelente entretenimento, inteligente, sério e adulto. Mais um gol de placa da Netflix. Não perca! 

                                    

quinta-feira, 14 de abril de 2022

 

“UM JANTAR ENTRE ESPIÕES” (“ALL THE OLD KNIVES”), 2022, Estados Unidos, produção original Amazon Studios, 1h41m, direção do cineasta dinamarquês Janus Metz Pedersen (da série “True Detective”). Trata-se de uma adaptação para o cinema do livro homônimo de 2015 escrito por Olen Steinhauer, que também é o autor do roteiro, por sinal primoroso. Trata-se de um thriller de espionagem envolvendo um caso ocorrido em 2012. Um avião foi sequestrado por terroristas chechenos no aeroporto de Viena. Os agentes do escritório da CIA na capital austríaca foram mobilizados para ajudar a polícia. Entre os passageiros do avião havia um agente que fornecia informações sobre o que estava ocorrendo dentro da aeronave. Não se sabe como, os terroristas foram avisados de que havia o tal agente entre os passageiros. Ele foi morto e seu corpo atirado para fora do avião. Não havia o que fazer e logo aconteceria uma matança generalizada, provocando a morte de todos os passageiros, tripulantes e terroristas. Quando o pessoal da CIA em Viena começou a investigar o que aconteceu, chegou-se à conclusão de que alguém do escritório ajudou os terroristas a identificar o agente entre os passageiros. Ou seja, um traidor. Mas quem? O agente Henry Pelham (Chris Pine) ficou encarregado da investigação. Oito anos depois, sem chegar a nenhuma conclusão, Henry vai até a Califórnia para reencontrar Celia Harrison (Thandiwe Newton), que na época também trabalhava no escritório da CIA em Viena. Henry e Celia eram amantes e, depois da tragédia, se desencontraram. Celia voltou para os Estados Unidos, casou e agora era mãe de três filhos. Os antigos colegas de trabalho combinaram um jantar para conversar sobre os fatos que aconteceram em Viena. Durante o encontro, eles rememoraram todos os pormenores que envolveram o trabalho da CIA em Viena, tentando, com essas memórias, quem sabe descobrir quem havia sido o traidor. O jantar toma quase metade da projeção, entremeado pelas lembranças transformadas em flashbacks, o que não deixa o filme cair no tédio em nenhum momento. No desfecho, para valorizar ainda mais a história, acontece uma surpreendente e inesperada revelação. Além de Thandiwe e Pine, completam o elenco Jonathan Price, Laurence Fishburne, Orli Shuka, Gala Gordon, Corey Johnson, Colin Stinton, Erhard Kamel, David Bedella, David Dawson, Nasser Memarzia e Jonjo O’Neill. Resumo da ópera: o filme é excelente, muito acima da média entre os filmes de espionagem lançados nos últimos anos. Filmaço!                                                                

 

terça-feira, 12 de abril de 2022

 

“LAÇOS DE AFETO” ("IL FILO INVISIBLE”), 2021, Itália, disponível na plataforma, 1h43m, direção de Marco Simon Puccioni, que também assina o roteiro em parceria com Luca De Bei e Gianluca Bernardini. A atriz e diretora Valeria Golino é a produtora. Trata-se de uma comédia dramática, com mais humor que drama, leve, sensível e comovente. A história é centrada no adolescente Leone Ferrari (Francesco Gheghi), filho do casal de gays Paolo Ferrari (Filippo Timi) e Simone Lavia (Francesco Scianna). Com a “colaboração técnica” de ambos, Leone foi gerado na barriga de uma amiga norte-americana, Tilly Nolan (Jodhi May). Mesmo com as gracinhas que ouve diariamente no colégio, Leone adora os pais, tanto que está produzindo um vídeo sobre sua família, com a colaboração de seu colega e melhor amigo Jacopo (Emanuele Maria Di Stefano). Trata-se de um trabalho de encerramento de curso, para ser exibido na festa de formatura. Mesmo com a traição de um dos seus pais e a consequente crise conjugal, Leone continuou a produzir o vídeo. Nesse meio tempo, ele também conhece Anna (Giulia Maenza), uma aluna nova no colégio, por quem se apaixona. O elenco é ótimo, a história é contagiante, o ritmo é intenso e as cenas de humor são hilariantes. Tudo funciona com perfeição no filme, que é muito simpático e divertido, agradável de assistir. Não perca!                                                               

 

domingo, 10 de abril de 2022

 

“FURIOZA”, 2021, Polônia, 2h19m, direção de Cyprian T. Olencki, que também assina o roteiro com a colaboração de Tamasz Klimala. Desde que estreou na Netflix, dia 6 de abril de 2022, “Furioza” é um dos filmes mais vistos da plataforma. Trata-se, sem dúvida, de um filme bastante impactante, um dos mais violentos produzidos nos últimos anos e, sem dúvida, o mais violento no cardápio da Netflix. Quando o grupo foi criado, seu principal objetivo era formar uma torcida organizada para torcer pelo time de futebol local. Aos poucos, porém, a violência começou a fazer parte da sua rotina. Dessa forma, marcavam brigas coletivas com outras torcidas, em confrontos bastante violentos, muito sangue jorrando. Uma parte da “Furioza”, porém, passou a traficar drogas e isso chamou a atenção da polícia. Diante do problema, a policial Dzika (Weronika Ksiazkiewicz) pediu ao seu namorado, o médico e ex-hoolligan David (Mateusz Banasiurd), para se infiltrar na gangue, prometendo que não prenderia seu irmão Kashubian (Wojciegh Zielinski), acusado de um outro delito. Muita água vai rolar e muito sangue vai jorrar até o desfecho. Pelas cenas de luta bastante realistas e violentas, o filme é desagradável de assistir e difícil de digerir, mas uma coisa é certa: é muito bem feito e tem tudo para agradar quem curte filmes de ação com pancadaria. Aliás, o filme tem sido um grande sucesso de público e crítica na Polônia desde que chegou aos cinemas em outubro de 2021 – proibido para menores de 18 anos, claro. O filme agradou tanto que no começo deste ano foi transformado em uma minissérie em quatro capítulos a ser exibida no Canal+. Além disso, concorreu em várias categorias ao Prêmio “Polish Film Awards”. Não é recomendável para quem tiver estômago sensível.                                                     

 

 

“MEDO DE CHUVA” (“FEAR OF RAIN”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h32m, roteiro e direção de Castille Landon. Trata-se de um suspense psicológico com algumas pitadas de terror. A história é centrada na jovem Rain Burroughs (Madison Iseman), que sofre de esquizofrenia, ouve vozes e de vez em quando tem surtos e alucinações, além de visões fantasmagóricas. Em suas alucinações, ela é atacada por um psicopata na floresta, vê larvas saindo das suas mãos e sangue jorrando das paredes. Rain sofre bullying na escola, onde tem a fama de louca. Por causa disso tudo, Rain, filha única, torna-se um tormento e uma preocupação constante para os pais Michelle (Katherine Heigl) e John (Harry Connick Jr.). A situação se complica ainda mais quando Rain afirma que viu a vizinha Dani McConnell (Eugenie Bondurant) torturando uma menina na janela. Foi mais um delírio? A acusação acaba envolvendo a polícia, que chega à conclusão que Rain está mentindo. Para provar o que afirmou, ela conta com a ajuda de Caleb (Israel Broussard), um novo colega de classe por quem ela se apaixona, mesmo que tenha dúvida se ele existe ou é mais uma alucinação. Mesmo com o risco de ser internada em uma clínica psiquiátrica, Rain enfrenta o desafio de esclarecer o mistério da casa da vizinha, que por sinal é sua professora no colégio. O filme é um tanto arrastado, com muito papo furado entre a jovem e seus pais. Pouca coisa acontece, não há sustos convincentes nem mesmo muita tensão, restando esperar pelo desfecho. Madison Iseman convence como a jovem doente, assim como Katherine Heigl, uma bonita atriz que estamos acostumados a ver em comédias românticas, e por fim Harry Connick Jr., um cantor e pianista de jazz que também deu certo no cinema. Até agora estou tentando descobrir a relação do título “Medo de Chuva” com a história. Trocando em miúdos, trata-se de mais uma bobagem cinematográfica daquelas bem descartáveis.                                                             

quinta-feira, 7 de abril de 2022

 

“MÃES PARALELAS” (“MADRES PARALELAS”), 2021, Espanha, 2h03m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Pedro Almodóvar. Trata-se de um drama estilo novelão, mas nas mãos de Almodóvar resulta em cinema da melhor qualidade, principalmente quando ele acrescenta fatos políticos como pano de fundo da narrativa. É o sétimo filme em que o grande diretor espanhol trabalha com a atriz Penélope Cruz. E, mais uma vez, o resultado é uma ótima história vinculada ao universo feminino, como já fez em outros tantos filmes. Penélope é Janis (o nome foi dado por sua mãe hippie em homenagem a Janis Joplin), uma mulher entrando na casa dos 40 que trabalha como fotógrafa de publicidade e editoriais de moda. Ela engravida depois de um sexo casual com o antropólogo Arturo (Israel Elejalde), personagem de um ensaio fotográfico para uma revista. O filme dá um salto de 9 meses e lá está Janis no hospital já em trabalho de parto. No mesmo quarto, também em trabalho de parto, está a jovem Ana (Milena Smit), que engravidou por acidente. Nascem duas meninas e Janis e Ana se transformam em grandes amigas. Um dos bebês, porém, morre de repente, aumentando a dosagem dramática, principalmente depois que se descobre que as crianças foram trocadas no berçário. Perto do desfecho, a história dá uma guinada total. Janis resolve acompanhar Arturo nas escavações na zona rural de sua cidade natal, onde seu bisavô e outras pessoas teriam sido enterrados depois de assassinados pelo grupo fascista “Falange Espanhola” durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). A cena final é bastante impactante, que só um gênio criativo como Almodóvar teria coragem de realizar. “Mães Paralelas” concorreu ao Oscar 2022 em duas categorias: Melhor Atriz (Penélope Cruz) e Melhor Trilha Sonora, assinada por Alberto Iglesias. Não foram premiadas, mas Penélope já havia conquistado o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza. O elenco é outro trunfo do filme. Também estão no elenco Aitana Sánchez-Gijón, Rossy De Palma, Daniela Santiago, Ainhoa Santamaria, Julieta Serrano, Inma Ochoa e Julio Manrique. Faço questão de destacar a presença da atriz italiana Aitana Sánchez Gijón. Aos 53 anos, ela continua linda e competente. Aitana domina cada cena em que aparece e sua beleza desbanca atrizes mais jovens também bonitas como a própria Penélope Cruz e Milena Smit, sua filha na história. Por sua atuação, Aitana ganhou o prêmio “Feroz” de Melhor Atriz Coadjuvante concedido pela Asociación de Informadores Cinematográficos de España. Tudo isso junto e misturado com a belíssima trilha sonora, a fotografia e a arte de Almodóvar resultam em um filme de alta qualidade. Não perca!                                                             

 

terça-feira, 5 de abril de 2022

 

“ZONA DE CONFRONTO” (“SHORTA”), 2020, Dinamarca, disponível na plataforma Netflix, 1h48m, roteiro e direção de Anders Ølholm e Frederick Louis Hviid. Filme policial violento e tenso. Começa com um jovem árabe sendo detido pela polícia de Copenhague. Com um joelho pressionando seu pescoço, ele grita dizendo que não consegue respirar (claro que você vai lembrar do caso George Floyd nos EUA, em maio de 2020, que repercutiu no mundo inteiro). Gravemente ferido, Talib Ben Hassi (Jack Pedersen) é levado em estado grave para o hospital. A notícia logo correu pela periferia de Copenhague, onde reside a maior parte dos imigrantes árabes e africanos, que se rebelam e prometem vingança. O clima fica muito tenso e as autoridades recomendam que os policiais não cheguem perto dessas comunidades. Os policiais Mike Andersen (Jacob Lohmann) e Jens Høyer (Simon Sears) desconsideram a recomendação e resolvem patrulhar pelas ruas do bairro de Svalegarden, reduto onde reside grande parte da comunidade árabe. Depois de deter o jovem Amos Al-Shami (Tarek Zayat) para uma verificação de rotina, são atacados por uma multidão e são obrigados a se esconder para não morrer. Muita tensão diante da situação, que fica ainda pior depois que lhes é negado reforço. Eles ficam encurralados nos prédios do conjunto habitacional e sofrerão um bocado tentando permanecer vivos. O roteiro lembra muito o filme francês “Bac Nord – Sob Pressão”, de 2020. Achei “Zona de Confronto” muito bom, assim como críticos e público que o assistiram em sua primeira exibição no Festival de Veneza 2020. Vale lembrar também que o filme foi um dos 3 concorrentes à indicação da Dinamarca ao Oscar 2021 na categoria Melhor Filme Internacional. Filmaço!                                                           

 

segunda-feira, 4 de abril de 2022

 

“PROJETO GEMINI” (“GEMINI MAN”), 2019, Estados Unidos, 1h57m, disponível na plataforma Netflix, direção de Ang Lee, seguindo roteiro de Darreri Lemke e Billy Ray. É um filme de ação e ficção que traz o astro Will Smith como o assassino profissional Henry Brogan, especialista em artes marciais e atirador de elite com uma mira impressionante, como já comprova a cena inicial. Henry está na Bélgica com a missão de assassinar um terrorista. A cena é ótima. A vítima está em um trem-bala a 238 km/h e Henry aguarda a hora de atirar acomodado em um morro distante. E, claro, consegue acertar. Uma mentira que só o cinema é capaz de produzir e tornar aceitável. Depois dessa missão, Henry decide se aposentar, mas a Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos, para a qual trabalha, quer obrigá-lo a continuar. Ou então matá-lo. Henry não sabe, mas criaram um clone seu mais moço, treinado para ser um combatente feroz e assassino. Até o desfecho, Henry terá de enfrentar ele mesmo mais moço – para representá-lo, o ator foi submetido a um incrível processo digital de rejuvenescimento. “Projeto Gemini” também inovou ao utilizar a nova tecnologia 3D+, um formato digital de projeção de cinema em 60 quadros por segundo, quando o normal é 24. A nova tecnologia, entre outros recursos, coloca o espectador no centro da ação. Por falar nisso, as cenas de ação são espetaculares, destacando-se aquela que mostra uma incrível perseguição de motos pelas ruas de Cartagena, na Colômbia. Mas tem muito mais, inclusive em Budapeste (Hungria). O ótimo elenco é outro trunfo deste emocionante filme de ação. Além de Will Smith, atual a bela Mary Elizabeth Winstead, Clive Owen, Benedict Wong, Lina Emond e Douglas Hodger. Destaque especial também para o dublê de Will Smith nas cenas de ação: trata-se de Victor Hugo, nascido no Guarujá (SP) e radicado em Londres. Desde o início fica claro que quem comanda o espetáculo é o veterano cineasta taiwanês Ang Lee, premiado duas vezes com o Oscar de Melhor Diretor por “O Segredo de Brokeback Montain” e “As Aventuras de Pi”. Outros filmes de Lee imperdíveis são “O Tigre e o Dragão”, “Desejo e Perigo”, “A Arte de Viver” e “Comer Beber Viver”, estes dois últimos os meus preferidos. Resumo da ópera: apesar da história mirabolante, “Projeto Gemini” é um filmaço! Em tempo: no filme, Will Smith entra na pancadaria para valer, batendo pesado, ao contrário do tapinha que deu em Chris Rock na cerimônia do Oscar.                                                         

 

domingo, 3 de abril de 2022

 

“CODA: NO RITMO DO CORAÇÃO” (“CODA”), 2021, Estados Unidos, 1h51m, disponível na plataforma Amazon Prime, roteiro e direção de Sian Heder. Vencedor do Oscar 2022 de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante (Troy Kotsur) e também premiado no Festival de Sundance, “CODA” é um sensível e comovente drama centrado em uma família de quatro pessoas, sendo que apenas uma delas, a filha caçula, não é surda/muda. Só para esclarecer: o filme é um remake do francês “A Família Bélier” (“La Famille Bélier”), de 2014. Outra nota explicativa: CODA é a sigla para “Child of Deaf Adults” (Filha de Adultos Surdos). A personagem principal é Ruby Rossi (Emilia Jones), filha de Frank (Troy Kotsur) e de Jackie Rossi (Marlee Matlin, a primeira atriz surda/muda a ganhar um Oscar de Melhor Atriz por “Os Filhos do Silêncio”, em 1987. Além dos pais, o seu irmão mais velho Leo Rossi (Daniel Durant) também é deficiente auditivo. Ou seja, Ruby é a principal interlocutora da família, que tem um barco de pesca e vive da comercialização dos peixes na pequena comunidade de Gloucester (Massachusetts). Sem Ruby não tem negócio, até mesmo em alto-mar, já que a lei exige que uma pessoa da embarcação seja capaz de escutar as sirenes dos navios e falar no rádio. Estudante do ensino fundamental, Ruby decide ingressar no coral da escola para ficar perto de Miles (Ferdia Walsh-Peelo), um garoto pelo qual é apaixonada. Nas aulas do professor de canto Bernardo Villalobos (o ótimo ator mexicano Eugenio Derbez), Ruby revela uma grande capacidade vocal. Entusiasmado com sua descoberta, Villalobos incentiva a menina a seguir carreira de cantora e a aconselha a se inscrever no conceituado Berklee College of Music, em Boston. Apesar do desejo de seguir o conselho do seu professor de música, Ruby reluta em abandonar a família e só recebe o apoio do irmão mais velho. Ruby sofrerá muito com essa dúvida até o desfecho da história. Eu gostei do filme, mas gostaria de fazer um último comentário: não é filme para ganhar o Oscar, a começar pelo fato de ser uma refilmagem. Acrescento que achei uma injustiça enorme não indicarem a jovem Emilia Jones para Melhor Atriz. Afinal, ela carrega o filme nas costas. Apesar dos pesares, com alguns momentos bastante comoventes e outros de bom humor, “CODA” é um ótimo entretenimento, pois emociona e diverte.                                                 

 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

 

“O HERDEIRO DAS DROGAS (“INHERIT THE VIPER”) – a tradução literal do título original é “Herdar a Víbora” -, 2019, Estados Unidos, 1h24m, disponível na plataforma Amazon Prime, direção de Anthony Jergen, seguindo roteiro de Andrew Crabtree. Trata-se de um drama familiar bem pesado, com algum suspense e pouca ação. A história, ambientada numa pequena cidade na zona rural de Ohio, é centrada nos irmãos Conley, Kip (Josh Hartnedtt), Josie (Margarita Levieva) e Boots (Owen Teague). Como meio de subsistência, já que o emprego na região é escasso, Kip e Josie traficam drogas, principalmente opióides em pílulas. Boots, o irmão caçula, ficou fora do negócio para ser preservado dos perigos da atividade criminosa e, quem sabe, mais tarde, cursar uma universidade. Um dia, porém, uma mulher morre de overdose no banheiro de um bar após consumir a droga vendida por Josie. Os irmãos Conley, dessa maneira, entram no radar da polícia e também sofrem ameaças dos familiares da vítima. Para piorar a situação, numa negociação mal sucedida, um tiroteio acaba causando a morte de um jovem amigo de Boots. Aí a coisa complica de vez. Kip quer abandonar o tráfico, mas sua irmã insiste em continuar, o que resulta numa grande traição e em uma tragédia perto do desfecho. Para ressaltar ainda mais o contexto dramático, a fotografia do filme foi elaborada em tons escuros. Além do mais, a maioria das cenas acontece à noite. Um dos destaques do filme é o ator Josh Hartnett, que um dia já fez sucesso em Hollywood, ao protagonizar filmes como o excelente “Falcão Negro em Perigo” e “Pearl Harbor”, ambos grandes sucessos de 2001. Outro destaque é, sem dúvida, a boa atriz Margarita Levieva. Nascida na Rússia e radicada nos Estados Unidos desde criança, ela ainda não teve muitas chances em Hollywood, só participando de filmes independentes. Também estão no elenco Bruce Dern, Chandler Riggs, Valorie Curry, Dash Mihok, Brad William e Garrett Kruithof. Resumo da ópera: “O Herdeiro das Drogas” não merece uma recomendação entusiasmada. Nem mesmo uma recomendação.