sábado, 18 de setembro de 2021

 

“KATE”, 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h46m, roteiro de Umair Aleem e direção do cineasta francês Cedric Nicolas-Troyan (é o seu segundo longa-metragem; o primeiro foi “O Caçador e a Rainha do Gelo”). Nos últimos anos virou moda em Hollywood escalar atrizes para os principais papéis em filmes de ação. Só para citar alguns nomes, foi assim com Charlize Theron (“Atomica” e “The Old Guard”), Angelina Jolie (“Lara Croft: Tomb Rider”), Scarlett Johansson (“Lucy” e “Viúva Negra”), Mila Jojovich (“Resident Evil”) e Kate Beckinsale (“Anjos da Noite” e “Jolt”), entre outras. Agora, em “Kate”, quem surge como a rainha da porrada é Mary Elizabeth Winstead, tão bonita quanto as já citadas e também boa de briga e de pontaria. Kate é uma assassina profissional treinada desde criança em artes marciais e armas. Desde o início, seu tutor e chefe é Varrick (Woody Harrelson). Começa o filme e eles estão em Osaka (Japão), Kate com a missão de assassinar um chefão da Yakuza, a poderosa máfia japonesa. Logo depois da missão executada, sem que o roteiro explique como, o pessoal da Yakuza consegue identificar Kate como a assassina do seu importante membro. Em um raro descuido, ela é envenenada com um líquido com alto teor de radioatividade e descobre que terá apenas 24 horas de vida. Dessa forma, ela decide esgotar esse tempo para descobrir quem foi o mandante do envenenamento e executar sua vingança. Mas, até lá, Kate vai sofrer um bocado, ao nível de “Dura de Matar”. Mary Elizabeth Winstead dá conta do recado nas cenas de ação, que são inúmeras, com muita pancadaria, tiros, explosões e uma sensacional perseguição de carro pelas ruas de Tóquio. Outro destaque do filme é a jovem atriz Miku Patricia Martineau como a neta do poderoso chefão mafioso Kijina (Jun Kunimura). Ela é a responsável pelas cenas mais engraçadas do filme. Sem levar em conta a história mirabolante, o fraco roteiro e os diálogos sofríveis e muitas vezes beirando o patético, asseguro que “Kate” é um ótimo filme de ação. Entretenimento de primeira. Não perca!    

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

 

“MENTIRA INCONDICIONAL” (“THE LIE”), 2018, Estados Unidos, coprodução Blumhouse e Amazon Studios, 1h37m, roteiro e direção de Veena Sud. Trata-se de uma refilmagem do filme alemão “Wir Monster” (“Nós Monstros”), de 2015, inaugurando o projeto “Welcome to the Blumhouse”, destinado a produzir uma série de filmes de suspense e terror. “Mentira Incondicional” traz no elenco Peter Sarsgaard, Mireille Enos, Joey King, Devery Jacobs, Cas Anvar, Patti Kim e Nicholas Lea. Começa o filme e lá está Jay (Sarsgaard) levando a filha adolescente Kayla (Joey King) para um acampamento de dança (coisa de americano). Está um frio danado e as ruas tomadas pelo gelo. Quando saem da cidade, eles encontram Brittany (Devery Jacobs) em um ponto de ônibus. Amiga inseparável de Kayla, ela também pretende ir para o tal acampamento e pega carona com o pai da amiga. No carro, Brittany revela que teve uma briga com o pai, Sam Ifrani (Cas Anvar), que a abandonou no meio do caminho. Logo depois que pegam a estrada, Brittany pede para sair do carro, pois precisa fazer xixi (no meio daquele frio?). Kayla vai junto com a amiga. Como demoram, Jay sai à procura das duas e, para sua surpresa, encontra a filha sentada numa pequena ponte. Ela confessa que empurrou a amiga e a forte correnteza a levou embora rio abaixo. Desesperado, Jay ainda tenta encontrar a menina, mas em vão. Ele volta para a casa com a filha e resolve contar tudo para Rebecca (Enos), sua ex-esposa e mãe de Kayla. A partir daí, Jay e Rebecca farão de tudo para proteger a filha problemática e agora assassina, mas logo serão alvos da desconfiança da polícia. E toda essa tensão será o tom do filme até o seu desfecho, com muitas reviravoltas - e mentiras. Como não vi o filme original alemão, não tenho condição de fazer uma comparação, mas confesso que gostei muito dessa refilmagem, que, como suspense, funciona muito bem e garante um ótimo entretenimento.              

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

 

“A ROSA VENENOSA” (“THE POISON ROSE”), 2019, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de George Gallo e Francesco Cinquemani. O roteiro é assinado por Richard Salvatore, autor do livro “The Poison Rose”, de 2013 (o filme é dedicado à memória de Steve e Geraldine Salvatore, pais de Richard). Ao estilo policial noir, a história é ambientada em 1978 e copia todos os clichês do gênero, a começar pela mulher fatal que procura um detetive particular e joga todo o seu charme para convencê-lo a assumir o caso. O detetive em questão, fumante inveterado e alcoólatra (mais um clichê), é Carson Philips (John Travolta). A mulher quer que ele investigue por que sua tia, internada em uma clínica psiquiátrica, não responde às suas mensagens. A clínica, é claro, fica na cidade natal de Carson, onde ele era conhecido na juventude como um excelente jogador de futebol (rugby) que abandonou a carreira por causa de uma contusão, mudou para Los Angeles e virou detetive particular. Ao chegar à clínica, ele é recebido pelo seu diretor, dr. Miles Mitchell (Brendan Fraser), um tipo esquisito como a maioria dos psiquiatras. Em meio a essa investigação, Carson é procurado por Jayne Hunt (Famke Janssen), uma antiga namorada cuja filha está sendo acusada de assassinato. A filha é Becky Hunt (Ella Bleu Travolta), nada menos do que a filha de Travolta na vida real. Dividido entre as duas investigações, Carson ainda terá que conviver com as ameaças do chefão mafioso do lugar, Doc (Morgan Freeman), e com o xerife corrupto Walsh (Robert Patrick). Vamos parar por aqui para não estragar as surpresas da história. Aliás, a maior surpresa desse filme é contar com um elenco recheado de astros e ser tão ruim. Seu lançamento comercial nos Estados Unidos foi um grande fracasso de bilheteria, além de ser alvo de pesadas críticas do público e dos jornalistas especializados - só no site Roten Tomatoes, que concentra as críticas especializadas, recebeu 0% . Realmente, o filme é péssimo, e uma grande parte dessa responsabilidade cabe ao péssimo roteiro e ao desempenho dos atores. John Travolta principalmente. Ele está simplesmente patético e canastrão, com uma peruca cor de abóbora e com um enorme topete – ele parece aquele leão do Mágico de Oz. Famke aplicou tanto botox no rosto que tirou toda a sua expressão. Mas os piores são mesmo Brendan Fraser, que, além de enorme de gordo, parece fazer papel de um médico abobado, tipo aquele da série Good Doctor, e Ella Bleu Travolta, uma péssima e antipromissora atriz – se é que pode ser chamada de atriz. O único que se salva é Morgan Freeman, mesmo assim com algumas ressalvas. O filme é recheado de cenas ridículas, mas uma em especial merece ser destacada. O detetive está no gramado de um campo de rugby quando aparece um franco atirador no topo do estádio. Como as balas do revólver de Carson acabam, ele atira a bola lá de longe e derruba o atirador. Não é o máximo? Trocando em miúdos, "A Rosa Venenosa" é um grande abacaxi.        

terça-feira, 14 de setembro de 2021

 

“O CORVO BRANCO” (“THE WHITE CROW”), 2018, distribuição Amazon Prive Vídeo, coprodução Inglaterra/França/Sérvia, 2h7m, direção de Ralph Fiennes, que também atua. O roteiro é assinado por David Hare, que se inspirou no livro “Rudolf Nureyev: The Life”, da jornalista sul-africana Julie Kavanaugh. Como já deu para perceber, trata-se de uma cinebiografia do lendário bailarino russo Rudolf Nureyev (1938-1993). O filme descreve a trajetória de Nureyev desde criança, criado numa família muito pobre no interior da Rússia, e mais tarde seu ingresso na Academia de Dança de Leningrado (hoje São Petersburgo). Ainda jovem, ele já demonstrava uma personalidade muito forte, o que lhe valeu o apelido de “Corvo Branco” (na verdade, uma gíria usada na Rússia para designar pessoas que fogem do padrão). Além do seu talento, Nureyev sempre teve um gênio difícil que o acompanharia até o final dos seus dias. Conforme o seu perfil traçado no filme, o grande bailarino era um sujeito arrogante, petulante, atrevido e ousado. Ousado, principalmente, em sua performance nos palcos. Segundo os especialistas, ele revolucionou a dança clássica, fazendo sua união com o balé moderno. Era, enfim, um gênio. Em 1961, quando participava de uma turnê em Paris com a Companhia Kirov, ele resolveu pedir asilo, o que resultou em um grande escândalo para o governo russo, principalmente em meio à guerra fria – Nureyev foi o primeiro artista russo a pedir asilo no Ocidente. A cena em que ele pede o asilo, no aeroporto Le Bourget, de onde deveria seguir com a companhia de balé para Londres, é a de maior tensão no filme. Rudi, como era chamado pelos mais íntimos, foi detido, antes de embarcar, por agentes da KGB (polícia secreta russa), que o levariam de volta à Rússia, certamente para ser preso. Nureyev escapou dos agentes e pediu asilo à polícia do aeroporto. Enfim, uma história incrível que merece ser conhecida. É preciso destacar o trabalho de Ralph Fiennes como diretor e ator – ele interpreta o professor de dança Alexander Pushkin, um dos principais responsáveis pela evolução técnica de Nureyev. Este é o terceiro filme dirigido por Fiennes (os dois primeiros foram “Coriolano” e “O Nosso Segredo”). Como ator, ele já conseguiu o seu lugar de destaque, com grandes filmes em seu currículo, entre os quais “O Paciente Inglês”, “A Lista de Schindler” e “O Jardineiro Fiel”, além de muitos outros. É preciso destacar também a presença do ucraniano Oleg Ivenko como Nureyev, que marcou sua estreia como ator. Claro que ele ganhou o papel por ser um ótimo bailarino, hoje o principal nome da Tatar State Opera, em Kazan (República do Tartaristão). Seu desempenho como ator também surpreende. Do elenco – uma verdadeira ONU (franceses, russos, ucranianos, sérvios, ingleses) - ainda fazem parte Adèle Exarchopoulos, Chulpan Khamatova, Rawschana Kurkowa, Olivier Rabordin, Sergei Polunin, Louis Hofmann, Raphaël Personnaz e Calypso Valois. Os idiomas falados no filme são o russo, o inglês e o francês. Enfim, o filme é ótimo, com destaque para a recriação de época, as coreografias e as visitas aos grandes museus, uma paixão de Nureyev. “O Corvo Branco” é, portanto, arte pura. IMPERDÍVEL com letras maiúsculas.      

domingo, 12 de setembro de 2021

 

“ATRÁS DA LINHA: FUGA PARA DUNKIRK” (“BEHIND THE LINE: ESCAPE TO DUNKIRK”), 2020, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Vídeo, 1h27m, roteiro e direção de Ben Mole. O título suntuoso faz a gente esperar um filme de guerra daqueles com uma superprodução, tiros, tanques, aviões. Nada disso. Fica logo evidente que se trata de uma produção feita para a TV, com poucos recursos e um elenco de ilustres desconhecidos. Mas a história, baseada em fatos reais, é muito interessante. Estamos em 1940, início da Segunda Grande Guerra, quando as tropas alemãs acabam de invadir a França. No interior do país, os nazistas aprisionam um grupo de soldados ingleses da Força Expedicionária Britânica, entre eles Danny Finnegan (Sam Gittins), um conhecido campeão de boxe. Aficionado pelo pugilismo e admirador do boxeador inglês, o oficial alemão Drexler (Tim Berrington), comandante da prisão, convence Finnegan a lutar com os boxeadores alemães. O inglês vence a primeira e fere o orgulho alemão. Drexler então convoca o lutador Maximus Sennewhund, um ex-campeão mundial dos pesos pesados – Finnegan era peso médio. Essa tão aguardada luta pode dar a oportunidade de fuga para os soldados ingleses, e um plano é elaborado. Como já era esperado, a luta se transforma num verdadeiro massacre. Não há muito mais a comentar para não estragar as surpresas da história. Ainda fazem parte do elenco – se é que você conhece alguém - Guy Falkner, Chris Simmons Jake J. Meniani, Chris Shipton, Jennifer Martin e Joe Egan. Como já afirmei no início deste comentário, não espere muito desse drama de guerra, apenas o suficiente para passar o tempo. Ou seja, nada de novo no front.

sábado, 11 de setembro de 2021

 

“CRIME SEM SAÍDA” (“21 BRIDGES”), 2019, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Vídeo, 1h39m, direção do cineasta irlandês Brian Kirk, seguindo roteiro assinado por Adam Mervis e Matthew Michael Carnahan. Este é um dos últimos filmes do ator Chadwick Boseman – ele só faria mais dois antes de morrer aos 43 anos, em agosto de 2020: “Destacamento Blood” e “A Voz Suprema do Blues”. “Crime Sem Saída” é daqueles filmes policiais para assistir sem piscar e grudado na poltrona. Começa com tudo, quando uma dupla de marginais resolve roubar um carregamento de cocaína. A polícia chega e começa o tiroteio. A dupla consegue fugir, matando 8 policiais. A cena é de um filme de guerra, com cadáveres pelo chão e carros de polícia alvejados com muitos tiros. Os dois bandidos são experientes em batalhas, pois foram colegas no exército - Ray Jackson (Taylor Kitsch) e Michael Trujillo (Stephan James), em ótimas atuações. Para estudar a cena do crime e iniciar as investigações, chega ao local da carnificina o detetive Andre Davis (Chadwick), o capitão Mckenna (J.K. Simmons) e os policiais da 85ª Delegacia, colegas daqueles que foram mortos. Para ajudar Davis é nomeada como sua nova parceira a policial Frankie Burns (Sienna Miller), também da 85ª Delegacia. A primeira providência de Davis é mandar fechar as 21 pontes de Manhattan na tentativa de impedir a fuga da dupla. Daí para a frente, a polícia percorre toda a cidade tentando capturar os marginais. As cenas de ação são ótimas, com muitas perseguições pelas ruas e pelo metrô, tiroteios e muito sangue jorrando, num ritmo alucinante e repleto de tensão. Em meio a toda essa agitação, que praticamente paralisa Nova Iorque durante toda a madrugada, Davis começa a desconfiar que há uma conspiração com gente graúda envolvida, inclusive integrantes da própria polícia nova-iorquina. Para amantes do gênero policial, este é um filme pra ninguém colocar defeito. Imperdível!      

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

 

“O SOM DO SILÊNCIO” (“SOUND OF METAL”), 2020, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Vídeo, 120 minutos, direção de Darius Marder – é o seu primeiro longa-metragem -, que também assina o roteiro com a colaboração de Derek Cianfrance. Indicado ao Oscar 2021 em seis categorias e vencedor em uma delas (veja as indicações no final deste comentário), o filme tem como pano de fundo o drama vivido por pessoas que sofrem de surdez. O personagem central é o jovem Ruben (Riz Ahmed), um baterista que forma dupla com a cantora e guitarrista Lou (Olivia Cooke). Eles tocam heavy metal e vivem de cidade em cidade, viajando em um trailer, se apresentando em bares e outros locais não muito convidativos. De repente, não mais do que repente, Ruben começa a perder a audição a tal ponto que não dá mais para tocar. Muito a contragosto e revoltado com sua situação, Ruben aceita o conselho da namorada e concorda em se mudar para uma comunidade de pessoas com deficiência auditiva. Aqui, ele aprenderá a conviver com a trágica realidade, tendo como mentor e conselheiro o velho Joe (o ótimo Paul Raci), que perdeu a audição numa embosca na Guerra do Vietnã. Ruben aprenderá a linguagem dos sinais e também a socializar com as outras pessoas que sofrem da mesma deficiência. Pela internet, Ruben descobre uma clínica que implanta um aparelho no cérebro (implante coclear) que tem dado ótimos resultados. Ele vende o trailer para pagar a cirurgia e é operado com relativo sucesso. Seu desejo agora é reencontrar Lou e retomar o romance. Ele então segue até a casa da moça e é recebido pelo pai dela – uma surpreendente aparição do ator francês Mathieu Amalric. Até o desfecho, Ruben tentará retomar a sua vida normal, claro que com todas as restrições da deficiência. Mesmo com o ritmo lento e às vezes arrastado demais, “O Som do Silêncio” tem muitos momentos sensíveis e comoventes. O trabalho do ator Riz Ahmed é excelente, mas o destaque maior fica por conta da atuação do veterano Paul Raci, que domina todas as cenas em que aparece. Não é um grande filme, embora tenha sido indicado ao Oscar 2021 em seis categorias – Melhor Ator (Riz), Ator Coadjuvante (Paul Raci), Filme, Montagem, Som e Roteiro Original. Venceu apenas na categoria Montagem. Conforme fica claro no desfecho, a principal mensagem do filme equivale a um velho ditado: “É melhor ser surdo do que ouvir todo esse barulho do cotidiano". Ou seja, ouvir o som do silêncio é muito melhor. Confiram e vejam se não estou certo.       

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

 

“DESTRUIÇÃO FINAL: O ÚLTIMO REFÚGIO” (“GREENLAND”), 2020, Estados Unidos (Hollywood, é claro), 120 minutos, distribuição Amazon Prime Vídeo, direção de Ric Roman Waugh e roteiro assinado por Chris Sparling. Mais um filme catástrofe (disaster movie) pra gente grudar na poltrona e chegar ao final pensando que “ainda é bem que é ficção”. Já pensou um cometa desgovernado que, perto da Terra, começa a se desintegrar e lançar seus enormes fragmentos em direção ao nosso planeta? É o que acontece nesse filme. Eles caem em todo o mundo, causando destruição em massa. A história se concentra em território dos Estados Unidos, especificamente em Atlanta (Geórgia). Começa com o engenheiro civil John Garrity (Gerard Butler) recebendo uma ligação do governo dizendo que ele, sua mulher Allison (a atriz brasileira Morena Baccarin) e o filho Nathan (Roger Dale Floyd) foram selecionados para serem salvos da tragédia que se anunciava e que, para isso, deveriam seguir para o aeroporto e embarcar em um avião que os levará para a Groenlândia (o título original), onde foi construído um bunker especial. A aflição do casal começa quando, ao chegar no aeroporto, John e Allison percebem que o remédio do filho diabético ficou no carro. Por conta deste e de outros imprevistos, John se perde da família e, daí para a frente, o clima de tensão aumenta cada vez mais, principalmente depois que Nathan é sequestrado por um casal com más intenções. Até o desfecho, portanto, você acompanhará o desespero de John e Allison para voltar a se encontrar. Em meio a esse sofrimento, muita coisa acontece para aumentar ainda mais a tensão. O ritmo é alucinante do começo ao fim e os efeitos especiais são muito bem feitos. Completam o elenco Hope Davis, Scott Glenn (irreconhecível) e David Denman. Informo ainda que já foi confirmada a realização de uma sequência, que se chamará “Greenland: Migration”, com o mesmo elenco. Quem gosta de sofrer e torcer por um final feliz, “Destruição Final” é um ótimo entretenimento. Recomendo.        

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

 

“QUANTO VALE?” (“WORTH”), 2020, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h58m, direção de Sara Colangelo, seguindo roteiro assinado por Max Borenstein. Aliás, o primoroso roteiro é um dos grandes trunfos deste ótimo drama de Hollywood, além da excelente atuação de Michael Keaton. Dos inúmeros filmes realizados sobre os atentados ocorridos nos Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001, este talvez seja o único a tratar com detalhes como transcorreu o difícil trabalho de indenização das famílias das vítimas. Procurado pelo Congresso norte-americano dias depois dos atentados, o advogado Kenneth Feinberg (Keaton) assumiu a responsabilidade de determinar como compensar as famílias das vítimas, incluindo os valores indenizatórios caso a caso. Para isso, constituiu um Fundo de Compensação Monetária - pioneiro nos Estados Unidos. Trabalho nada fácil, pois teria que entrevistar cada uma das famílias e convencê-las a participar do fundo e concordar com os valores determinados. Juntamente com a sócia Camille Biros (Amy Ryan) e advogados do escritório, Feinberg chegou a um resultado final incrível, ou seja, em dois anos, ele conseguiu um acordo com 97% dos reclamantes elegíveis (somente 94 pessoas se recusaram a participar). O resultado foi a distribuição de mais de US$ 7 bilhões para 5.560 famílias. O filme mostra como foi desenvolvido todo esse trabalho, cercado de uma constante tensão e de muita emoção, principalmente no que se refere às entrevistas pessoais com as famílias enlutadas. Além de Keaton e Amy Ryan, ainda estão no elenco em papéis de destaque Stanley Tucci, Laura Benanti, Tate Donovan, Talia Balsam, Marc Maron, Zuzanna Szadokowski, Gayle Rankin e Shunori Ramanathan. Destaco novamente o primoroso roteiro de Max Borenstein, que, para escrevê-lo, se inspirou nos detalhes descritos no livro “What is Life Worth? The Unprecedented Effort to Compensate the Victims” of 9/11” (“Quanto Vale uma Vida? Os Esforços sem Precedentes para Compensar as Vítimas do 11/9”), escrito pelo próprio advogado Kenneth Feinberg. Trocando em miúdos, “Quanto Vale” é um drama da melhor qualidade. IMPERDÍVEL com negrito e letras maiúsculas.                

terça-feira, 7 de setembro de 2021

“A ESPIÔ (“SPIONEN”), 2020, Noruega, 1h49m, distribuição Amazon Prime Vídeo, direção de Jess Jonsson, seguindo roteiro escrito por Harald Rosenlow-Eeg e Jan Trygve Royneland. Baseado em fatos reais descritos na biografia escrita por Iselin Theien, o filme acompanha a trajetória da consagrada atriz e cantora sueca Sonja Wigert (1913-1980), que durante a Segunda Guerra Mundial atuou como espiã em Oslo (Noruega) e em Estocolmo (Suécia). Ela foi uma agente dupla, servindo o governo sueco e também aos nazistas. No caso do governo sueco, com a promessa de libertarem seu pai preso em Oslo pelos nazistas. Sonja é interpretada de forma magnífica pela atriz norueguesa Ingrid Bolso Berdal. Vamos ao contexto em que tudo aconteceu. No começo da guerra, os alemães invadiram a Noruega e, possivelmente, fariam o mesmo com a Suécia. O governo sueco recrutou Sonja para se infiltrar entre os nazistas em Oslo e descobrir quais seriam as reais intenções de Hitler. Antes de partir para Oslo, Sonja tornou-se amante de Andor Gellért (Damien Chapelle), diplomata húngaro em Estocolmo. Em Oslo, com sua beleza, Sonja logo conquistou o oficial alemão Josef Terboven, reichskommissar responsável por chefiar a ocupação da Noruega, tornando-se também sua amante. Para adquirir a confiança de Terboven, Sonja concordou em espionar para os nazistas, que queriam saber dos planos da Suécia para a defesa de seu país. Como a maioria dos filmes de espionagem, o enredo pode parecer complicado no início, mas aos poucos você acaba absorvendo tudo de maneira mais clara. O filme é um primor no que se refere à recriação de época, destacando-se a direção de arte, os cenários e locações, além dos figurinos criados por Ulrika Sjölin para vestir a personagem principal. Por esse trabalho, Ulrika foi premiada no Festival de Cinema Amanda 2020, um dos mais prestigiados da Noruega. “A Espiã” (não confundir com o filme holandês de 2006) conta mais uma história incrível de coragem durante a Segunda Guerra Mundial pouco conhecida por aqui. Mais um gol de placa do excelente cinema norueguês. Imperdível!                 

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

 

 “SEGREDOS OFICIAIS” (“OFFICIAL SECRETS”), 2019, Inglaterra, 1h52, disponível na plataforma Amazon Prime Vídeo, direção e roteiro de Gavin Hood. Baseada em fatos reais descritos no livro “The Spy Who Tried to Stoop a War”, de Marcia e Thomas Mitchell, a história é centrada na inglesa Katharine Gun (Keira Knightley), funcionária da GCHQ, agência de comunicações ligada ao serviço secreto do governo britânico. Ela exercia uma atividade de cunho sigiloso, ou seja, era responsável por receber e traduzir mensagens que poderiam colocar em risco a segurança nacional. Estamos em 2003, quando os Estados Unidos ameaçavam invadir o Iraque com a justificativa de que o país de Saddam Hussein possuía armas químicas de destruição em massa. Quando descobre um e-mail confidencial da NSA (Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos) enviado para o governo britânico propondo espionar países e exercer pressão para que eles aprovem na ONU a guerra contra o Iraque, Katharine resolve passar a informação para o jornal The Observer. Ou seja, jogou aquilo no ventilador. Segundo ela, para tentar evitar a guerra e milhares de mortes. Mesmo com toda repercussão causada por sua atitude, Katharine não conseguiu evitar a invasão do Iraque e ainda foi acusada de traição de acordo com a lei de segredos oficiais da constituição britânica, que proíbe qualquer funcionário do governo de compartilhar informações consideradas sigilosas com pessoas de fora do trabalho. Um dos fatores que poderiam prejudicar ainda mais a situação de Katharine é o fato dela ser casada com Yasar Gun (Adam Bakri), um imigrante curdo proveniente da Turquia e, claro, visto como um suposto terrorista muçulmano. O resultado do julgamento de Katharine foi uma grande surpresa, não só para a opinião pública, como também para ela e seu advogado de defesa, Ben Emmerson (Ralph Fiennes). Deixo essa surpresa também para quem assistir. O filme é ótimo, baseado no roteiro primoroso e muito bem adaptado pelo diretor sul-africano Gavin Hood (“Decisão de Risco”). O trabalho da atriz Keira Knightley também merece destaque. Trocando em miúdos, “Segredos Oficiais” é um suspense envolvente, repleto de tensão do começo ao fim. Imperdível! (Ah, antes dos créditos finais, o filme mostra a verdadeira Katharine Gun dando uma entrevista após o julgamento).                

domingo, 5 de setembro de 2021

 

“ASCENSÃO DO CISNE NEGRO” (“SAS – RED NOTICE”), 2021, coprodução Inglaterra/Hungria/Holanda/Suíça, 2h3m, distribuição Netflix, direção do cineasta norueguês Magnus Martens, com roteiro de Laurence Malkin. A história é inspirada no livro – o mesmo do título original – escrito pelo ex-soldado do exército inglês Andy McNab, que certamente deve ser muito melhor do que o filme. Nos primeiros minutos, somos levados ao deserto da Geórgia, antiga república soviética, onde o grupo de mercenários intitulado “Cisnes Negros” promove uma matança e explode um gasoduto. O serviço de inteligência da Inglaterra descobre que os responsáveis estão sediados em solo inglês e encarrega o agente Tom Buckingham (Sam Heughan), das forças especiais, de chefiar a caça aos criminosos. Numa operação desastrada, eles prendem o chefão dos mercenários, William Lewis (Tom Wilkinson), mas deixam escapar seus dois filhos, a machona Grace (a atriz australiana Ruby Rose, também machona na vida real) e Oliver (Owain Yeoman). Tom é afastado do comando das operações e resolve viajar com a namorada Sophie (Hannah John-Kamen) para Paris, onde pediria a moça em casamento. Entretanto, o trem em que viajam é sequestrado, adivinhem por quem? Isso mesmo, pelos “Cisnes Negros” comandados por Grace e Oliver. E adivinhem quem vai lutar contra os bandidos? Claro, o mocinho da história, o agente Tom. Do começo ao fim, o roteiro apresenta tantos furos que fica difícil não compará-lo a uma peneira gigante. Vou citar um deles. Grace, a mercenária machona, chega disfarçada à estação onde embarcará no trem. Quando entra, qual a sua primeira atitude? Desfazer o disfarce no banheiro para logo depois voltar ao vagão repleto de passageiros, todos lendo jornais em que a foto da moça aparece na primeira página. É ou não é risível. Outro destaque negativo, de tantos, é o péssimo elenco. Difícil nomear o pior, mas a tal Ruby Rose ganha longe. A atriz (?) australiana é mesmo muito ruim. Os diálogos, então, beiram o ridículo. Se você pensa que já viu tudo de ruim é porque ainda não chegou às cenas finais, que fazem do desfecho do filme uma impiedosa ofensa à nossa inteligência. O pior de tudo é que o final da história indica que poderá haver uma continuação, o que eu duvido muito. Sem dúvida, este é um dos mais fracos lançamentos da Netflix este ano.                  

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

 

“FÚRIA INCONTROLÁVEL” (“UNHINGED”), 2020, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Vídeo, 1h30m, direção de Derrick Borte, seguindo roteiro de Carl Ellsworth. É um ótimo suspense, levado num ritmo alucinante, de prender a atenção o tempo inteiro e de tirar o fôlego. O pano de fundo da história é o estresse que atinge a população das grandes cidades. Às vezes, uma simples discussão de trânsito, por exemplo, pode provocar uma fúria incontrolável e levar a consequências trágicas. Vamos à história. Rachel (Caren Pistorius) perde a hora para levar Kyle (Gabriel Bateman), seu filho adolescente, para o colégio. Além disso, tinha um compromisso de trabalho agendado. Quando ela para o carro atrás de uma perua, em meio ao trânsito totalmente congestionado, o sinal abre e ela ultrapassa o outro veículo e buzina como protesto. Deu azar, pois o motorista (Russell Crowe) é um psicopata em seus piores dias. Daí para a frente, ela será perseguida pelo maluco, enfrentará situações de alto risco que colocarão não só a sua vida em perigo, mas como também a de sua família. As cenas de perseguição são muito bem executadas, recheadas de trombadas e capotamentos. É tensão do começo ao fim. Cabe destacar a ótima performance de Russell Crowe, que está assustador como o vilão da história. “Fúria Incontrolável” é filme para grudar o espectador na poltrona. Suspense dos bons. Não perca!                 

 

“MEU NOME É SARA” (“MY NAME IS SARA”), 2019, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Vídeo, 1h51m, direção de Steven Oritt (é o seu primeiro longa), seguindo roteiro assinado por David Himmelstein. Embora seja uma produção norte-americana, o elenco é formado, em sua maioria, por artistas poloneses. Além disso, as filmagens aconteceram no interior da Polônia. Embora conte a história de uma judia polonesa que foge para a Ucrânia durante a Segunda Grande Guerra, o filme é falado em inglês, o que ficou esquisito, pois a língua não combina com o contexto em que estão envolvidos, além da jovem polonesa, ucranianos, russos e alemães. Enfim... A história é mais uma daquelas trágicas, tristes e melancólicas ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial, ainda mais baseada em fatos reais, acompanhando a trajetória de sofrimento da judia polonesa Sara Góralnik Shapiro (1930/2018). Em 1942, aos 12 anos, Sara fugiu da Polônia depois que sua família foi morta pelos nazistas. Um ano depois, conseguiu chegar a um pequeno vilarejo da Ucrânia, onde foi acolhida por um casal de fazendeiros, em troca de comida e abrigo, sendo obrigada a ajudar nos afazeres da fazenda e ainda cuidar dos dois filhos pequenos do casal. Para conseguir sobreviver, ela escondeu o fato de ser judia e até mudou de nome para Mania Romanchuk, uma antiga amiga de infância. Antes de dormir, colocava um pano na boca para não falar íidiche durante o sono. Fora isso, aprendeu a fazer o sinal da cruz, comungar e rezar como os católicos, além de comer carne de porco, o que os judeus são proibidos. Além do relacionamento nem sempre pacífico de Sara com o casal de fazendeiros, o filme destaca ainda o sofrimento do povo ucraniano durante o conflito, tendo que se submeter à insanidade dos soldados alemães e à violência dos russos, que estupravam as mulheres e roubavam toda a comida da população. O maior destaque do elenco fica por conta da estreante Zuzanna Surowy no papel de Sara. Uma atuação magistral, demonstrando que está quase pronta para se destacar no cinema. Zuzanna foi selecionada para o papel entre 650 jovens candidatas polonesas. Também ocupam papel de destaque Michalina Olszanka e Eryk Lubos. “Meu  Nome é Sara” não é um entretenimento leve, mas de muita qualidade e que merece ser visto (nos créditos finais aparece a foto da verdadeira Sara).                  

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

 

“O QUINTO SET” (“CINQUIÈME SET”), 2020, França, produção original Netflix, 1h53m, roteiro e direção de Quentin Reynaud (ele também atua; é o técnico do tenista). Quem gosta de tênis, como eu, vai adorar. E mesmo quem não gosta também pode curtir a história (fictícia) do tenista francês Thomas Edison (Alex Lutz), que, aos 37 anos de idade, tenta voltar a disputar torneios em alto nível. Thomas foi um tenista prodígio. Aos 17 anos, em 2001, chegou à semifinal do Torneio Roland Garros. Ele acabou derrotado e, nos anos seguintes, tentou voltar a disputar os principais torneios, mas sofreu com as lesões. Só o joelho direito ele operou três vezes. Agora, vinte anos depois, sem uma condição física ideal, ele resolve disputar as rodadas classificatórias do tradicional torneio francês. O filme não dá muito destaque às partidas, a não ser no desfecho, quando apresenta uma partida eletrizante. “O Quinto Set” prioriza o lado psicológico do tenista – o que certamente vale para os demais atletas das quadras. Thomas terá de enfrentar as queixas da sua esposa Eve (Ana Girardot), uma ex-tenista que, depois de casar, abandonou as quadras para se dedicar  exclusivamente ao marido e ao filho. “Só no ano passado você ficou nove meses fora de casa disputando torneios, me deixando sozinha”, diz ela. “Chegou a hora de você parar e me ajudar em casa”. Thomas também possui um relacionamento problemático com a mãe Judith (a envelhecida mas ainda charmosa e competente atriz inglesa Kristin Scott Thomas), que nunca acreditou no talento do filho e ainda agora continua pressionando-o para melhorar. O filme mostra como esses problemas pessoais prejudicam o tenista, que precisa estar com o psicológico em dia para enfrentar os desafios das quadras. Destaque para a magistral atuação do ator Alex Lutz, que realmente parece um tenista profissional – como não o conhecia, pensei que fosse. “O Quinto Set” tem todos os ingredientes para agradar o público que gosta de esporte, principalmente os adeptos do tênis, para os quais também indico “Borg vs. McEnroe” e “Guerra dos Sexos”. Imperdível!               

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

 

“MA”, 2019, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Vídeo, 1h40m, direção de Tate Taylor, que também assina o roteiro juntamente com Scotty Landes. Trata-se de um misto de suspense e terror psicológico protagonizado pela ótima Octavia Spencer. Ela é Sue Ann, uma mulher de meia idade que vive isolada num casarão na periferia de alguma cidade norte-americana e trabalha como funcionária de uma clínica veterinária.  Depois de comprar bebidas alcóolicas para um grupo de adolescentes, ela oferece o porão de sua casa para que eles curtam seus prazeres, que incluem também fumar um baseado. Aos poucos, o casarão vira ponto de encontro de estudantes para muitas festas. E assim Sue Ann sai de seu isolamento e acaba participando também das baladas juvenis. O que ninguém imagina, porém, que ela tem outras intenções, a principal delas relativas ao bullying que sofria no tempo em que era estudante. Bullying que envolvia, principalmente, racismo e rejeição social. Na verdade, Sue Ann planejou uma vingança macabra, com cenas de fazer virar o rosto. Além de Octavia, estão no elenco Diana Silvers (guardem bem o nome dessa jovem atriz), Luke Evans, Corey Fogelmanis, Juliette Lewis, McKaley Miller e Kyanna Simone. A atuação mais marcante, como não poderia deixar de ser, é de Octavia, atriz que já ganhou um Oscar e um Globo de Ouro por “Histórias Cruzadas” (2012). Também foi indicada ao Oscar mais duas vezes, por “Estrelas Além do Tempo” (2017) e por “A Forma da Água” (2018). Em “Ma”, Spencer está como protagonista, mas sua atuação, ainda que excelente, não é daquelas que merece premiação. O clima de tensão em “Ma” segue num ritmo crescente até desaguar numa verdadeira carnificina. Suspense dos melhores. Não perca!                

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

 

“TERROR NA SÍRIA” (“BE VAGHTE SHAM” – nos países de língua inglesa, “Damascus Time”), 2018, Irã, distribuição Amazon Prime Video, 1h52m, roteiro e direção de Ebrahim Hatamikia. Este é, sem dúvida, o filme mais poderoso e impactante que já assisti sobre terrorismo, pois apresenta, de forma muito realista, a essência do mal que motiva os integrantes do Estado Islâmico (ISIS). A história de “Terror na Síria” é centrada em dois pilotos da força aérea iraniana encarregados de uma missão muito arriscada em plena guerra civil na Síria: resgatar alguns habitantes de Palmira, cidade cercada pelos terroristas do EI. A missão também envolve o resgate de um avião que havia sido tomado pelo EI. Os pilotos iranianos são Ali (Babak Hamidfan) e Younes (Hadi Hejazifar), pai e filho. A missão começa bem, pois eles conseguem chegar ao avião com o grupo de pessoas resgatadas. Os pilotos também teriam que transportar terroristas do EI feitos prisioneiros pelo exército sírio. Quando o avião se prepara para decolar, surgem no aeroporto milícias terroristas que tentarão impedir a decolagem. Aí começa um verdadeiro derramamento de sangue, que continuará durante toda a história. As imagens são violentas e certamente incomodarão os estômagos mais sensíveis. Mas são muito bem feitas e realistas. Não tenho dúvida em afirmar que seriam censuradas pela mídia de tão fortes. “Terror na Síria” é um filme de muito suspense e ação, o que difere do estilo da maioria dos filmes iranianos. Resumindo, é um filmaço de tirar o fôlego.                 

domingo, 29 de agosto de 2021

 

“SEM REMORSO” (“WITHOUT REMORSE”), 2021, Estados Unidos, produção original e distribuição Amazon Prime Video, 1h49m, roteiro e direção do cineasta italiano Stefano Sollima. Mais uma ótima adaptação de um livro do consagrado escritor norte-americano Tom Clancy (1947/2013), “Without Remorse”, de 1993. Como se sabe, as histórias de Clancy envolvem espionagem, teias intrincadas, conspirações, reviravoltas, suspense e muita ação, geralmente ligadas aos bastidores da Guerra Fria. “Sem Remorso” se encaixa perfeitamente nesse contexto. Numa missão secreta na Síria, John Kelly (Michael B. Jordan), oficial de elite da Marinha, acaba executando mercenários russos. Em retaliação, sua esposa Pam Kelly (Lauren London), grávida de oito meses, é assassinada dentro de casa. Com a ajuda de sua colega, a oficial Karen Greer (Jodie Turner-Smith), e outros fuzileiros, Kelly vai atrás dos responsáveis pela morte e sua esposa. Nessa caçada, ele descobrirá que pode haver mais gente envolvida e passa a desconfiar de Robert Ritter (Jamie Bell), agente da CIA, e até do secretário de Defesa (Guy Pearce). Durante essa verdadeira caçada, que levará a equipe de Kelly até a Rússia, muito sangue vai jorrar – as cenas de ação são ótimas, com destaque para a atuação de Michael B. Jordan, que já havia demonstrado sua versatilidade em filmes como “Quarteto Fantástico”, “Creed – Nascido para Lutar” e “Pantera Negra”. A assinatura de Tom Clancy também é um bom aval para a qualidade da história. Só para lembrar, ele foi o autor de best-sellers como “Jogos Patrióticos”, “Caçada ao Outubro Vermelho”, “Perigo Real e Imediato” e “A Soma de Todos os Medos”, entre outros romances adaptados com sucesso para o cinema. O roteiro e a direção do italiano Stefano Sollima, de “Sicário: Dia do Soldado” e “Suburra”, também colaboram com a qualidade de “Sem Remorso”, pois sabe, como poucos, desenvolver e contar uma história tão intrincada como é normal nos livros de Clancy. Um lembrete importante: após os créditos finais há uma cena que deixa evidente a realização de uma continuação. Trocando em miúdos, “Sem Remorso” vale o ingresso. Não perca!           

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

 

“ESTADOS UNIDOS VS. BILLIE HOLIDAY” (“THE UNITED STATES VS. BILLIE HOLIDAY”), 2020, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Video, 2h10m, direção de Lee Daniels (“O Mordomo da Casa Branca”, “Preciosa: Uma História de Esperança”). O roteiro foi escrito por Suzan-Lori Parks com base no livro “Chasing The Scream”, do jornalista inglês Johann Hari. O filme acompanha a trajetória tumultuada dos últimos dez anos da cantora e compositora negra de jazz/blues Billie Holiday, morta em 1959 aos 44 anos. A história começa no final dos anos 40, quando Billie já era uma cantora consagrada, vendendo milhares de discos e arrastando multidões para suas apresentações ao vivo. Numa delas, ela cantou pela primeira vez a música “Strange Fruit”, que denunciava a prática de linchamentos contra os negros. Quando as autoridades governamentais ouviram a música, imediatamente proibiram Billie de cantá-la. Como não conseguiram, mobilizaram o Departamento Federal de Narcóticos para prendê-la por uso e porte de drogas – Billie era viciada em heroína -, um pretexto para deixá-la longe dos palcos. Numa das cenas, um policial diz a outro: “Drogas e negros são o problema desta nação”. Billie teve uma vida muito sofrida. Abandonada pelo pai logo que nasceu, foi criada pela mãe que trabalhava como prostituta. Aos 10 anos, foi estuprada pelo vizinho. Além disso, foi obrigada a conviver com o racismo enraizado na sociedade norte-americana da época. Nos hotéis em que se hospedava durante suas turnês, por exemplo, mesmo sendo uma grande estrela da música, Billie só podia utilizar os elevadores de serviço. O lado sentimental também foi um desastre. Ela foi amante de empresários e casou três vezes, todas com homens que também consumiam drogas e a espancavam. Claro que toda essa conjuntura acabou levando Billie para o álcool e as drogas. No filme, o papel de Billie ficou com a cantora Andra Day, que fez sua estreia no cinema. E arrasou, não só pela sua poderosa atuação como atriz, mas também como cantora – é ela que canta todas as músicas. Aliás, um dos maiores trunfos do filme é justamente a trilha sonora, recheada com os maiores sucessos de Billie Holiday. Não foi à toa que Andra Day conquistou o Globo de Ouro como “Melhor Atriz”, além de ter sido indicada ao Oscar 2021. Também estão no elenco Trevante Rhodes, Garrett Hedlund, Rob Morgan, Natasha Lyonne e Leslie Jordan. Em tempos de tanta mediocridade musical, “Estados Unidos vs. Billie Holiday” é simplesmente imperdível e obrigatório, ainda mais para quem não sabe quem foi Billie Holiday. Para os fãs, então, como eu sempre fui, o filme é um daqueles presentes para guardar do lado esquerdo do peito.            

quinta-feira, 26 de agosto de 2021





“AS ESPIÃS DE CHURCHILL (“A CALL TO SPY”), 2019, Estados Unidos, distribuição Netflix, 2h4m, roteiro e direção de Lydia Dean Pilcherl. Este é, na verdade, o seu segundo longa – o primeiro foi “Radium Girls”, de 2018. Mais conhecida como produtora, Lydia fez um excelente trabalho nesse drama de guerra, adaptando uma história baseada em fatos reais ocorridos durante a Segunda Grande Guerra. Logo após a França ser invadida pelo exército alemão, o serviço de inteligência da Inglaterra começou a trabalhar com a possibilidade de os alemães invadirem também o seu país. Dessa forma, o primeiro-ministro Winston Churchill ordenou que fosse formada uma equipe de espiões para se infiltrar em solo francês e tentar descobrir os planos dos nazistas. O grupo ficou sob o comando do oficial Maurice Buckmaster (Linus Roache), que encarregou a também oficial Vera Atkins (Stana Katic) para realizar o recrutamento. Atkins conseguiu convencer Maurice de que seria mais fácil treinar mulheres, já que elas despertariam menos suspeitas por parte dos alemães. A primeira recrutada foi Virginia Hall (a ótima Sarah Megan Thomas), apesar de sua grave deficiência física – ela usava uma perna mecânica. Era chamada de “a espiã manca”.  A segunda, treinada como espiã e também como telegrafista, foi a indiana Noor Inayat Khan (Radhika Apte). O filme acompanha o treinamento das duas novas espiãs, o trabalho de ambas em solo francês e os perigos que enfrentaram em seu difícil trabalho. Virginia Hall se destacou tanto que logo assumiria o comando das unidades da resistência à ocupação nazista. Seu trabalho, assim como o de Noor, resultou em valiosas informações para os ingleses. Quem gosta de histórias de guerra vai curtir muito “As Espiãs de Churchill”, um filme cuidadosamente realizado, principalmente em termos de recriação de época. O clima de tensão se mantém até o final e a gente nem sente passar as 2 horas de duração. Imperdível!       

terça-feira, 24 de agosto de 2021

 

“JOLT: FÚRIA FATAL” (“JOLT”), 2021, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Vídeo, 1h31m, direção de Tanya Wexler, seguindo roteiro assinado por Scott Wascha. Existe um ótimo motivo para você assistir a este ótimo filme de ação: a atriz Kate Beckinsale. Ainda em grande forma e cada vez mais bonita aos 48 anos, ela arrasa como Lindy, uma mulher que desde criança é afetada por um distúrbio neurológico raro que a faz ter impulsos de raiva e violência descontrolada. Resumindo, ela não gosta de ser contrariada, não suporta desaforo e parte para a briga com quem estiver fazendo barulho ao mastigar ou até mesmo se for mal atendida por uma garçonete. Também não tolera injustiças. Nesse contexto, e ainda por se vestir somente de preto, fica parecendo uma heroína de história em quadrinhos, o que não é o caso. Tentaram conter sua fúria internando-a em vários hospitais psiquiátricos e até a submeteram a um treinamento forçado no exército, mas ninguém conseguiu controlar seus acessos de fúria. Até que apareceu o Dr. Munchin (Stanley Tucci), um renomado psiquiatra. Ele inventou um dispositivo constituído de eletrodos – grudados no corpo de Lindy – e ligados a um comando manual que, quando acionado, provoca choques elétricos. Dessa forma, quando começa a se descontrolar, Lindy aciona um botão e a raiva passa num instante. Tudo caminha aparentemente sob controle até ela conhecer Justin (Jai Courtney) por intermédio de um site de namoro. Depois de uma ou duas noites de amor, eles acabam se apaixonando, mas a alegria vai durar pouco. Justin é encontrado morto e a polícia não tem pistas. O detetive Vicars (Bobby Carnevale) e sua assistente, a detetive Nevin (Laverne Cox), são encarregados da investigação. Lindy resolve investigar o caso por conta própria, atitude que tumultua todo o trabalho da polícia. Depois de muita pancadaria – as brigas são muito bem coreografadas -, tiros, perseguições e explosões, tudo num ritmo alucinante, uma surpreendente reviravolta acontece no desfecho, quando Lindy finalmente ficará frente a frente com o assassino. Ainda no desfecho, outra surpresa é a presença, numa rápida aparição, da veterana atriz Susan Sarandon, cuja conversa com Lindy sugere uma continuação da história em outro filme. Não desligue antes dos créditos finais, pois ainda haverá outra surpresa. Gostei muito de “Jolt”, uma ótima diversão, principalmente porque é levado com muito bom humor, além da ação frenética. Sem esquecer, é claro, da maravilhosa Kate Beckinsale, craque em filmes do gênero, como o ótimo “Anjos da Noite”.        

 

“UM CLÁSSICO FILME DE TERROR” (“A CLASSIC HORROR STORY”), 2021, Itália, 1h35m, produção e distribuição Netflix, direção de Roberto De Feo e Paolo Strippoli, que também assinam o roteiro com a colaboração de Lucio Besana. Apesar do título original em inglês, o filme é inteiramente italiano. Trata-se de um filme de terror que pode ser encarado de duas formas: uma homenagem ao gênero terror ou uma sátira. É recheado de clichês e referências a alguns clássicos (leia no final do comentário), mas o resultado final decepciona. Pode ser considerado também um terror trash, em seu sentido mais negativo. A história começa esquisita e termina mais esquisita ainda. De início, temos uma perua tipo de lotação alugada para uma viagem turística à região da Calábria. Fazem parte do grupo um casal jovem de estrangeiros, uma moça misteriosa, um médico mais velho e o motorista do veículo. Um acidente no meio da estrada acaba resultando no primeiro mistério. A perua bate numa árvore à beira da estrada e depois, quando os seus ocupantes acordam, o veículo está no meio de uma floresta. Aí começam a acontecer fatos que, logo eles descobrirão, estão ligados a uma seita macabra que costuma torturar, esquartejar e matar suas vítimas. Até o desfecho, muito sangue vai rolar na telinha, culminando com uma grande e surpreendente reviravolta. Como comentei no início, o filme faz referências a inúmeros clássicos do gênero terror, como “Midsommar – O Mal não Espera a Noite”, “Uma Noite Alucinante de Terror”, “Jogos Mortais”, “O Segredo da Cabana”, “Holocausto Canibal e “O Homem de Palha”, entre tantos outros. É uma boa ideia, mas concretizada sem muita competência, talvez porque os diretores sejam jovens e iniciantes na carreira. No elenco estão Matilda Lutz, Yuliia Sobol, Will Merrick, Francesco Russo, Peppino Mazzotta e Alida Baldari. “Um Clássico Filme de Terror” deixa claro que terror não é muito a praia do cinema italiano. Em todo caso, deve agradar bastante a quem curte o gênero.