quinta-feira, 25 de julho de 2019


“EIS MEU CORAÇÃO” (“Behold My Heart”, a tradução é minha, pois o filme até agora não chegou por aqui; também é apresentado com um título alternativo, “Dark Was the Night”), 1h20m, EUA. É um filme independente dirigido por Joshua Leonard, que também assina o roteiro com a colaboração de Rebecca Lowman. Sua primeira exibição aconteceu em 2018 durante o Galway Film Fleadh (Irlanda). Começa o filme e a gente se depara com uma família feliz: o pai Steven Lang (Timothy Olyphant), a mãe Margaret (Marisa Tomei) e o filho Marcus (Charlie Plummer). Steven é um marido amoroso e um pai sempre presente, dando-se às mil maravilhas com a esposa e com Marcus – de vez em quando, os dois até fumam um baseado juntos. A felicidade da família, porém, é abalada com a morte trágica de Steven, covardemente agredido no estacionamento de um bar. Margaret entra numa depressão profunda, parte para o alcoolismo e se enfurna dentro de casa. Marcus é obrigado a vigiar a mãe o tempo inteiro, o que faz com a maturidade de um adulto. Até que um dia a mãe, bêbada, confunde Marcus com o falecido. Constrangido e revoltado, Marcus resolve sair de casa. O amor de mãe fala mais alto e Margaret decide ficar sóbria para recuperar o filho. O drama até que tem seus momentos comoventes, mas o seu maior destaque realmente é a atuação de Marisa Tomei, uma ótima atriz um tanto rejeitada por Hollywood. Ela até chegou a ganhar um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, em 1993, por seu trabalho em “Meu Primo Vinny”. Aos 54 anos, ainda está com cara de menina e em grande forma. O jovem Charlie Plummer também tem se revelado um bom ator, como já provou, por exemplo, em “Todo o Dinheiro do Mundo”, quando interpretou John Paul Getty II, o neto sequestrado do magnata John Paul Getty. Enfim, “Eis Meu Coração” não tem qualidade suficiente para motivar uma recomendação entusiasmada, mas é bom filme.  

quarta-feira, 24 de julho de 2019


“MISTÉRIO NO MEDITERRÂNEO” (“MURDER MISTERY”), 2019, EUA, 1h37m, produção da Netflix. Kyle Newacheck assina a direção e James Vanderbilt o roteiro. Trata-se de uma comédia bem movimentada, com a presença de um elenco de peso, destacando-se Adam Sandler, Jennifer Aniston, Luke Evans, Terence Stamp, Gemma Arterton e o ator francês Dany Boon. Nick Spitz (Sandler) trabalha como segurança num supermercado de Nova Iorque, mas diz para a família e amigos que é detetive. Audrey (Aniston), sua esposa, é cabeleireira e sócia de um salão de beleza. Prestes a comemorar 15 de casados, Spitz dá de presente à mulher uma viagem à Europa. No avião, ao bisbilhotarem o bar da 1ª classe, eles acabam conhecendo o figurão Charles Cavendish (Evans), um ricaço sobrinho do magnata bilionário Malcolm Quince (Stamp). Cavendish convida o casal para se hospedar no iate do tio ancorado em Mônaco, com direito a assistir de camarote a uma prova da Fórmula 1. Além de Cavendish, Spitz e Audrey, estão hospedados no iate o filho do bilionário, uma ex-amante, a atual esposa chinesa, um coronel africano, um segurança particular, um guru indiano e até um piloto de Fórmula 1. Em meio a um jantar, quando falta energia no iate, o magnata é assassinado com uma facada. Quem seria o assassino? Nesse ponto, o filme faz menção ao famoso livro “O Assassinato no Expresso do Oriente”, de Agatha Christie, quando vários personagens poderiam ter cometido o crime. Mas, quem? Resolver esse mistério ficará a cargo do inspetor De La Croix (Dany Boon), com a ajuda do “detetive” interpretado por Sandler, cujas trapalhadas, tendo como “cúmplice” a esposa, são motivos para boas risadas (Sandler e Aniston já trabalharam juntos em outra comédia, “Esposa de Mentirinha”). Sandler, aliás, é um dos produtores do filme. A atriz Charlize Theron, que não faz parte do elenco, assina como produtora executiva. “Murder Mistery” foi o filme mais visto até agora entre os produzidos pela Netiflix. Em sua estreia mundial, nos dias 14, 15 e 16 de junho de 2019, a comédia foi assistida por 31 milhões de contas. Destaco no filme os deslumbrantes cenários de Mônaco, muito bem aproveitados pela produção. Jennifer Aniston continua em grande forma, bonita e charmosa. E que mulherão é a atriz inglesa Gemma Arterton... O destaque negativo fica por conta de Adam Sandler, que acho intragável e sem graça, principalmente quando faz papel de adulto abobado, como é o caso. Para resumir o que achei do filme, aproveito a definição de um colega comentarista: para assistir “Mistério no Mediterrâneo”, coloque o cérebro no colo e fique fazendo carinho nele como se fosse o gato de estimação. Deu pra entender?       

segunda-feira, 22 de julho de 2019


“O MELHOR DOS INIMIGOS” (“The Best of Enemies”), 2019, EUA, 2h13m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Robin Bissell. A história é baseada em fatos reais relatados no livro “The Best of Enemies: Race and Redempetion in the New South” (“O Melhor dos Inimigos: Raça e Redenção no Novo Sul”), escrito por Gray Davidson. O ano é 1971 e o cenário é a cidade de Durham, na Carolina do Norte, onde, há muitos anos, o racismo faz parte do cotidiano da população. Quando uma escola municipal frequentada por crianças negras é praticamente destruída por um incêndio (criminoso?), a ativista dos direitos civis Ann Atwater (Taraji P. Henson) pressiona o Conselho da cidade a abrir as portas de um colégio particular, frequentado por brancos, para acomodar aquelas crianças que ficaram sem aula. A partir de então, a cidade entra em clima de guerra, já que os pais dos alunos da escola particular não aceitam que ela receba crianças negras. Um dos membros do Conselho é o comerciante Claiborne Paul Ellis (Sam Rockwell), dono de um posto de gasolina e, nas horas vagas, líder local da Ku Klux Klan. Atwater tem de lidar com a forte oposição da parte branca da cidade, incluindo o pessoal da KKK e toda a sociedade conservadora. É justamente esse trabalho de Atwater que o filme destaca, numa atuação inesquecível da atriz Taraji P. Henson, que se submeteu a uma maquiagem especial e roupas com enchimento para parecer mais gorda. Sam Rockwell é um dos melhores atores do cinema norte-americano, mas injustamente pouco aproveitado por Hollywood. Ainda estão no elenco Wes Bentley, Anne Heche, Bruce McGill, Caitlin Mehner e Babou Ceesay. Uma ótima estreia de Robin Bissell como roteirista e diretor, mais conhecido até agora como produtor de filmes como, por exemplo, "Jogos Vorazes". "O Melhor dos Inimigos" é excelente. Não perca!   

domingo, 21 de julho de 2019


“O PROFESSOR” (“The Professor”), 2018, EUA, 1h31m, roteiro e direção de Wayne Roberts. Trata-se de misto de drama e comédia, contando a história de Richard Brown (Johnny Depp, ótimo), um professor universitário que um dia recebe a notícia fatídica: está com câncer agressivo, com metástase, e poucas chances de sobreviver nos próximos seis meses – um ano se receber o tratamento. Arrasado, vai para casa decidido a contar logo para a esposa Veronica (Rosemarie DeWitt) e a filha adolescente Olivia (Odessa Young). Só que começa o jantar e Olivia toma a palavra e anuncia que é lésbica e está apaixonada por uma amiga. Depois da notícia, Veronica tem um acesso histérico e confessa que está tendo um caso. Richard resolve ficar quieto e não contar o seu drama. Porém, diante de tanta tragédia, resolve mudar o seu jeito de agir. Diz adeus às regras e passa a tomar atitudes com toda liberdade possível, deixando de lado o politicamente correto, em cenas que resultam em boas risadas.  Em seu surto libertário, ele chega a levar seus alunos para um bar, liberando a bebida, ou para uma aula ao ar livre, contrariando as orientações da conservadora diretoria da universidade. Este foi o segundo filme escrito e dirigido por Wayne Roberts (o primeiro foi “Katie Says Goodbye”, de 2016). “O Professor” é excelente, um filme inteligente e bem-humorado. O elenco conta ainda com as presenças de Danny Huston, Zoey Deutch e Ron Livingston. Mas o destaque é mesmo Johnny Depp com uma atuação genial.       

sexta-feira, 19 de julho de 2019


“ACUSADA”, 2018, Argentina, 1h54m, segundo longa-metragem dirigido por Gonzalo Tobal (o primeiro foi “Villegas", de 2012), que também assina o roteiro com a colaboração de Ulises Porra Guardiola. A trama é toda centrada na jovem Dolores Dreier (Lali Espósito), acusada de ter assassinado a melhor amiga, Camila, durante uma festa de arromba. Há dois anos que ela sofre com a perseguição da imprensa e depoimentos à polícia. Nesse período, ela deixou de ir à escola e vive enclausurada dentro de casa, superprotegida pelos pais Luis (Leonardo Sbaraglia) e Betina (Inés Estévez). Chegou a hora de ir a julgamento, quando Dolores recebe as orientações do seu advogado Ignácio (Daniel Fanego). Em todos esses momentos, não fica clara a culpa de Dolores, embora existam algumas evidências que a incriminem. Como, por exemplo, o fato de Camila ter divulgado pela Internet um vídeo onde Dolores está transando com o namorado. Testemunhas ouviram Dolores afirmar que um dia mataria Camila por isso. Durante todo o filme, Dolores permanece num silêncio misterioso, em certos momentos com aparência de culpa e outros tantos como se fosse vítima de uma armação. Será mesmo culpada? Ou foi seu namorado? Ou o próprio pai para vingar-se? Caberá ao espectador responder. Para isso, terá que prestar muita atenção nos detalhes. A primeira exibição do filme aconteceu no dia 4 de setembro de 2018 durante o 75º Festival Internacional de Cinema de Veneza, recebendo elogios dos críticos e do público. Lali Espósito também foi muita elogiada por seu desempenho. Lali – o nome verdadeiro é Mariana Espósito – é uma celebridade artística na Argentina. Aos 27 anos, além de atriz, é uma cantora de muito sucesso por lá, tipo uma Anita portenha. “Acusada” tem algumas cenas de julgamento, mas não chega a ser um filme considerado “de tribunal”. Enfim, mais um bom filme argentino.     

quarta-feira, 17 de julho de 2019


“A VIGILANTE” (“A Vigilante” também é o título do original), 2018, EUA, 1h31m, longa-metragem de estreia da roteirista e diretora australiana Sarah Daggar-Nickson. A história é centrada em Sadie (Olivia Wilde), uma mulher que largou o marido depois de sofrer violência doméstica. Um desses ataques do marido resultou na morte trágica do filho do casal. Traumatizada, Sadie ingressa num grupo de terapia destinado a mulheres que passam, ou passaram, por experiências semelhantes. Só que Sadie não fica só no blá-blá-blá das sessões. Ela parte para o ataque. Primeiro, compra um manual da Krav Maga, um estilo de arte marcial criada pelo serviço secreto de Israel, que ensina tanto defesa pessoal como golpes mortais. Treinando todo dia em casa durante anos, Sadie transforma-se numa arma mortífera. Mas só lendo o manual? Exagero, mas é cinema... Depois de ouvir os depoimentos de mulheres durante as sessões de terapia, Sadie parte para a vingança, espancando os maridos violentos. Sobrou até para uma mãe que torturava os filhos. Como esperado, um dia Sadie parte em busca do ex-marido (Morgan Spector) a fim de se vingar. E dá-lhe sopapos, sangue jorrando etc. Nascida Olivia Jane Cockburn em New York há 35 anos, a bela e competente Olivia Wilde – o sobrenome artístico foi adotado em homenagem ao escritor irlandês Oscar Wilde – estreou no cinema em 2004 na comédia “Show de Vizinha”. Em seguida, atuou em vários outros filmes, entre os quais “Cowboys & Aliens”, “O Preço do Amanhã” e “Terceira Pessoa”. Agora, em 2019, acaba de estrear como diretora no filme “Fora de Série”, ainda sem data para ser lançado.

segunda-feira, 15 de julho de 2019


Quem gosta de filmes de ação não deve perder “ONDA DE CHOQUE” (“Chai Dan Zhuan Jia” no original; “Shock Wave” nos países de língua inglesa), 2017, Hong Kong, 2 horas de duração, roteiro e direção de Herman Yau. É tensão e muito suspense do começo ao fim. Infiltrado numa quadrilha de assaltantes de banco, o policial Cheung Choi-San (o astro chinês Andy Lau) é responsável pela captura de vários bandidos da gangue, um deles irmão do chefão Hung Kai-Pang (Jiang Wu), que promete vingança. Sete anos depois, Kai-Pang, especialista em explosivos, reúne uma grande quadrilha e toma de assalto um dos principais e mais movimentados túneis de Hong Kong, fazendo centenas de reféns e ameaçando explodir tudo se o seu irmão não for libertado. Pânico geral na cidade. É nessa hora que entra em ação o policial Choi-San, agora agente e inspetor-chefe do Esquadrão Antibomba e Eliminação de Armamento Explosivo. Se no começo do filme a tensão já era enorme, fica ainda maior a partir de agora. Ação o tempo inteiro, muito suspense, violência, tiros e explosões, tudo muito bem realizado pelo diretor Herman Yau, especialista de filmes do gênero. Realmente, não dá para piscar. Uma superprodução de fazer inveja a Hollywood.  Prepare um balde de pipoca e boa diversão!

domingo, 14 de julho de 2019


“JOGO DUPLO” (“THE PADRE”), 2018, Estados Unidos/Canadá, 1h32m, terceiro longa-metragem escrito e dirigido pelo cineasta canadense Jonathan Sobol. Ambientada numa cidade qualquer do interior da Colômbia, a história é centrada no vigarista que aplicava golpes vestido de padre. Por isso, ficou conhecido como “O Padre” (Tim Roth). Em seu encalço estavam o juiz da corte norte-americana e ex-oficial do exército dos EUA Nemes (Nick Nolte) e o policial local Gaspar (Luís Guzmán). Pelo meio do filme, ficamos sabendo que Nemes tinha um outro motivo particular para caçar “O Padre”. Enquanto isso, em meio às suas picaretagens, “O Padre” acaba conhecendo a jovem Lena (Valeria Henríquez), que acaba de fugir de casa para tentar ingressar nos Estados Unidos e resgatar sua irmã mais nova, adotada por uma família norte-americana. Para essa missão, ela chantageia “O Padre”, dizendo que, se ele não a ajudasse, ela o entregaria às autoridades. Durante a fuga, a dupla planeja o roubo a uma igreja que possui objetos litúrgicos de alto valor, inclusive um grande cálice de ouro. E dá-lhe perseguição, num misto de suspense e road movie. Embora com excelentes atores como Nick Nolte e Tim Roth, quem se destaca no elenco é a jovem atriz colombiana Valeria Henríquez, cuja atuação lhe valeu uma indicação de Melhor Atriz no Canadian Screen Awards. Resumo da ópera: nada de especial para recomendar “Jogo Duplo”, que classifico apenas como mediano.   

sexta-feira, 12 de julho de 2019


“UMA QUESTÃO PESSOAL” (“UNA QUESTIONE PRIVATA”), 2017, Itália, 1h25m, roteiro e direção de Paolo Taviani. Trata-se de uma adaptação livre para o cinema do romance de Beppe Fenoglio, publicado em 1963. A história é ambientada na região de Piemonte durante a Segunda Guerra Mundial, quando os fascistas de Mussolini, em apoio aos nazistas de Hitler, perseguiam, prendiam e matavam os partisans membros da Resistência italiana. Uns anos antes, Milton (Luca Marinelli), Giorgio (Lorenzo Richelmy) e Fulvia (Valentina Bellè) eram amigos inseparáveis. Amavam passear, tomar um bom vinho, dançar e ouvir jazz. Fulvia não tirava da vitrola (muita gente talvez não saiba, mas vitrola era o toca-discos da época) o disco de Judy Garland cantando “Over the Rainbow” (trilha sonora do "O Mágico de Oz". Fulvia sabia a letra de cor e salteado. Resumindo: Milton e Giorgio se apaixonaram por Fulvia, mas aí veio a Segunda Guerra Mundial e separou o trio. Fulvia foi enviada para um lugar longe do conflito, Milton e Giorgio entraram para a Resistência, cada qual em um batalhão diferente. Quando Milton retornou à casa de Fulvia, encontrou a velha governanta. Conversa vai, ela deixa a entender que Giorgio teve um caso com Fulvia. Milton fica transtornado, louco de ciúmes, e sai à procura de Giorgio para esclarecer a verdade. Descobre, porém, que Giorgio foi aprisionado pelos fascistas, mas mesmo assim fará de tudo para chegar até ele. Apesar do contexto de guerra, o filme explora a paixão doentia de Milton por um amor antigo que dificilmente se concretizará novamente diante da situação de guerra. Para ele, a verdade sobre o relacionamento de Fulvia com Giorgio vira uma obsessão paranoica, “Uma Questão Pessoal”. Com o irmão Vittorio doente – faleceu em 2018 -, Paolo Taviani trabalhou praticamente sozinho no roteiro e na direção. Beirando os noventa, Paolo, ainda mais sem o irmão, talvez não tenha folego para continuar filmando. Se isso realmente acontecer, será uma pena para o cinema. Lembro que os Taviani foram responsáveis por grandes clássicos do cinema italiano, como "Pai Patrão" e "La Notte Di San Lorenzo", entre tantos outros.     

terça-feira, 9 de julho de 2019


“SUPREMA” (“ON THE BASIS OF SEX”), 2018, EUA, 2h1m, direção de Mimi Leder, com roteiro assinado por Daniel Stiepleman. Trata-se da cinebiografia da juíza Ruth Bader Ginsburg, segunda mulher a integrar a Suprema Corte dos Estados Unidos – ela foi nomeada em 1993 pelo presidente Bill Clinton. O filme começa lá pela segunda metade dos anos 50, quando Ruth ingressa na prestigiosa Universidade de Harvard, mesmo casada e mãe. Quando o marido foi transferido para Nova Iorque, Ruth conseguiu vaga na também prestigiosa Columbia para prosseguir seus estudos. Em ambas as faculdades, Ruth sempre foi a primeira da classe. Formada, saiu à procura de emprego em vários escritórios de advocacia. Foi recusada em quase todos, pois na época os homens eram os privilegiados com as vagas - além dela ser judia, é claro. Num dos escritórios, ouviu do entrevistador que as mulheres não eram bem-vindas por causa dos ciúmes que talvez provocassem nas esposas dos seus advogados. Na verdade, na sociedade norte-americana machista e conservadora da época, as mulheres não tinham muita chance – ela conseguiu vaga como professora universitária de Direito. A partir dessa desigualdade é que Ruth encontrou o filão para se destacar no Direito. Desafiou as leis que discriminavam as mulheres, defendeu a igualdade de gênero, enfrentou os tribunais com sua oratória envolvente, conhecimento e inteligência, culminando com a sua indicação à Suprema Corte. Uma história de coragem e perseverança. Para se ter uma ideia da sua importância, Ruth foi eleita, em 2015, pela Revista Time, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. No filme, Ruth é interpretada por Felicity Jones (“A Teoria de Tudo”), atriz inglesa muito competente, simpática e charmosa, mesmo baixinha e dentucinha. Na verdade, o papel seria de Natalie Portman, que desistiu na última hora. Completam o elenco Armie Hammer como Martin Ginsburg, marido de Ruth, Sam Waterston, Justin Theroux e a sempre eficiente Kathy Bates. Tudo bem que tem muito blá-blá-blá, mas blá-blá-blá do mais alto nível envolvendo leis, constituição e, acima de tudo, questões de justiça. Filmão!


segunda-feira, 8 de julho de 2019


“A MULA” (“The Mule”), 2018, EUA, 1h55m, é o mais novo filme dirigido por Clint Eastwood. Ele também interpreta o personagem principal, Earl Stone, um idoso de 90 anos preso depois de transportar, durante dois anos, mais de 1 tonelada de drogas a serviço do cartel mexicano Sinaloa. Utilizando sua velha pick-up e depois uma mais moderna, Stone levava drogas do México para Michigan. Stone foi escolhido porque tinha o perfil perfeito para passar sem desconfianças pela fronteira e pelas barreiras policiais. Além do fato de ser um idoso de aspecto ilibado, embora um péssimo pai e marido, era respeitado como cidadão que lutou durante a Segunda Guerra Mundial contra os nazistas na Itália e também como paisagista, decorador e floricultor. Porém, nem ele nem os traficantes contavam com a astúcia da equipe comandada pelo agente Colin Bates (Bradley Cooper), do Departamento de Narcóticos dos EUA. Ainda fazem parte do elenco de "A Mula" Dianne West, Taissa Farmiga (irmã de Vera), Andy Garcia, Laurence Fishburn, Michael Peña e Alison Eastwood (filha mais velha de Clint). Embora difícil de acreditar, a história é totalmente baseada em fatos reais. Ou seja, na vida do norte-americano Leo Earl Sharp (1924-2016), preso em 2011 e condenado a cumprir uma pena de três anos. Também conhecido como “El Tata”, Sharp trabalhou para o cartel de drogas comandado pelo poderoso chefão mexicano Laton, no filme interpretado por Andy García. Para escrever o roteiro, Nick Schenck (“Gran Torino”, também dirigido e interpretado por Eastwood) se inspirou na reportagem “A Mula de Drogas de 90 Anos do Cartel Sinaloa”, escrita por Sam Dolnick e publicada pelo Jornal New York Times em 2014. Para quem viu tantos filmes ótimos com a assinatura de Eastwood, "A Mula" certamente será motivo de decepção. Sem dúvida, um dos mais fracos do grande astro norte-americano. Em todo caso, Eastwood é Eastwood, e só por isso vale colocar o filme para rodar.    

sábado, 6 de julho de 2019


“O RETORNO DE BEN” (“BEN IS BACK”), 2018, EUA, 1h42m, roteiro e direção de Peter Hedges. O Ben do título (Lucas Hedges, filho do diretor) é um jovem problemático que sai da reabilitação e volta para a casa na véspera de Natal. Detalhe importante: sem avisar a família. Holly Burns (Júlia Roberts), a mãe, é a única que o recebe de braços abertos e cheia de amor, ao contrário do padastro Neal Beeby (Courtney B. Vance), convencido de que Ben certamente não está totalmente curado e que, por isso, tem grandes chances de estragar a harmonia da família. Dito e feito. Holly tenta ser amorosa e protetora, ao mesmo tempo em que se mostra durona a ponto de seguir o filho até no banheiro. Quando a família retorna da missa de Natal, constata que desconhecidos invadiram a casa, destruíram vários objetos e sequestraram o cachorro de estimação. Desconfiam que os responsáveis têm tudo a ver com o passado turbulento de Ben, que, além de consumir, vendia drogas para o traficante local. Holly e o filho partem noite afora para tentar achar o cachorro. A partir daí a tensão aumenta cada vez mais e o filme se transforma num verdadeiro suspense. De qualquer forma, a mensagem principal é o amor incondicional de uma mãe por seu filho, capaz de sacrificar a família e arriscar o próprio casamento para defendê-lo e protegê-lo. Aqui, merece destaque a força dramática da atuação de Júlia Roberts. Longe da fogosa prostituta de “Uma Linda Mulher” (1990) e da moça romântica de “O Casamento do Meu Melhor Amigo” (1997), Júlia, aos 51 anos, prova que a maturidade e a experiência foram capazes de torná-la uma atriz ainda melhor, como já havia provado em dramas como “Erin Brockovich” (2000), “Álbum de Família” (2013) e  “Extraordinário (2017).  O jovem Lucas Hedges também prova mais uma vez que é um ator dos mais promissores. Ele já havia se destacado em filmes como “Boy Erased: Uma Verdade Anulada”, “Anos 90” e “Manchester à Beira-Mar”. Voltando a “O Retorno de Ben”, o classifico como um dos melhores dramas dos últimos anos envolvendo a questão das drogas e suas consequências para a família.         

quarta-feira, 3 de julho de 2019


“BELOS SONHOS” (“FAI BEI SOGNI”), 2016, Itália, 2h14m, direção de Marco Bellocchio, que também assina o roteiro com a colaboração de Valia Santella e Edoardo Albinati. A história foi adaptada do livro de memórias de Massimo Gramellini, jornalista italiano de grande destaque como profissional do Jornal La Stampa e, atualmente, do Corriere Della Sera. Final dos anos 60. O filme começa mostrando a relação afetuosa entre o menino Massimo (Dario Dal Pero), de 9 anos, e sua jovem mãe (Barbara Ronchi). São inseparáveis, vão ao cinema, passeiam juntos, dançam hits do rock da época, assistem a filmes de terror na TV, enfim, são felizes como toda mãe e filho deveriam ser. Essa felicidade seria abalada quando ela morre repentinamente. Massimo não aceita o que aconteceu e a explicação do seu pai (Guido Caprino) é que ela teve um infarto fulminante. O filme dá um corte abrupto e pula para meados da década de 90, quando Massimo, adulto e já um consagrado jornalista, ainda carrega as lembranças da mãe. Quando ele resolve vender a casa onde moravam, acaba descobrindo, por intermédio de um recorte de jornal, a verdadeira causa da morte de sua mãe. E entra em parafuso, incluindo ataques de pânico e outros traumas. É nesse período que conhece Elisa (a atriz argentina Bérénice Bejo, de “O Artista”), uma médica que o atende num ambulatório de Turim – a cidade onde toda a história é ambientada. Em “Belos Sonhos”, Bellocchio, continua explorando os temas Família, Fé e Política, como já havia feito na maioria dos seus filmes, como “Bom Dia, Noite” e “Vinceri”, só para citar dois. Seu mais recente trabalho deve chegar logo aos cinemas. Trata-se de “Il Traditore” (“O Traidor”), sobre o mafioso Tommaso Buscetta. No elenco, com atuação bastante elogiada, a atriz brasileira Maria Fernanda Cândido. “Belos Sonhos” foi escolhido como filme de abertura da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, depois de ser exibido no Festival de Cannes, onde saiu cheio de elogios. Realmente, o filme é excelente, sensível, comovente e bem-humorado. Imperdível!    

terça-feira, 2 de julho de 2019


“O HOMEM COM O CORAÇÃO DE FERRO” (“The Man with The Iron Heart”), 2017, coprodução França/Inglaterra/Bélgica/EUA, 120 minutos, terceiro longa-metragem dirigido por Cédric Jimenez (“A Conexão Francesa”), que também assina o roteiro com a colaboração de David Farr e Audrey Diwan. A história, baseada em fatos reais, foi inspirada no livro “HHHH”, do escritor francês Laurent Binet. Até a metade do filme, o foco principal recai sobre a ascensão do líder nazista Reinhard Heydrich (Jason Clarke), principal arquiteto da “Solução Final”, e que chegaria ao posto de chefe das SS e Gestapo. Depois que ele sofre um atentado em Praga (Tchecoslováquia, hoje República Checa), em 1942, o filme passa a acompanhar a perseguição dos nazistas a dois membros da resistência tcheca, Jan Kubis (Jack O’Connell) e Jozef Gabcik (Jack Reynor), acusados de serem os autores – o planejamento foi feito pelos ingleses, que denominaram a operação de “Antropóide”. O filme tem uma grande produção, uma esmerada recriação de época e cenários deslumbrantes – as filmagens ocorreram em Praga, cidade dos eventos, e em Budapest (Hungria) -, sem contar o ótimo elenco, onde se destacam, além de Jason Clark, em atuação inspirada como o líder nazista, Jack O’Connell e Jack Reynor, Rosamund Pike, Céline Sallette, Mia Wasirowska, Gilles Lellouche e Enzo Cilente. Para quem gosta de fatos históricos, principalmente ligados à Segunda Grande Guerra, trata-se de um filmaço!    

domingo, 30 de junho de 2019



"A OLIVEIRA" (“El Olivo”), 2016, Espanha, 1h40m. Belíssimo drama repleto de momentos comoventes, de grande sensibilidade, e, melhor, de muito humor. Criada na zona rural do interior da Província de Castellón, desde criança a jovem Alma (Anna Castillo) sempre foi apegada ao avô Ramón (Manuel Cucala), que de repente deixou de falar e entrou num estado de demência, não conhecendo mais ninguém. A grande paixão de Ramón era uma oliveira muita antiga que pertencia à família há várias gerações e onde Alma sempre sentava para conversar com o avô. Quando Alma tinha 10 anos e Ramón já estava doente, a família resolveu vender a árvore para um empresário alemão. Dez anos depois, Alma, vendo que a saúde do avô piorava, resolve encontrar a tal oliveira e trazer de volta para Ramón, acreditando que assim ele recuperaria a sanidade. Com a ajuda de uma amiga craque em internet, ela descobre que a oliveira está exposta no salão de entrada da sede de uma grande empresa na cidade alemã de Düsseldorf. Apelando para a chantagem emocional, Alma convence o amigo Rafa (Pep Ambrós) e o tio Alcachofra (Javier Gutiérrez) a viajar de caminhão para a Alemanha com o objetivo de resgatar a árvore. A direção do filme leva a assinatura da atriz e diretora Icíar Bollaín. O primoroso roteiro ficou a cargo de Paul Laverty, um veterano no ramo, autor de muitos roteiros para o diretor inglês Ken Loach, tais como “A Parte dos Anjos”, “Ventos da Liberdade”, “Eu, Daniel Blake” e “Jimmy's Hall”, entre outros. "A Oliveira" foi exibido por aqui durante a programação oficial da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2018, e, que eu me lembre, não frequentou os cinemas. Como escrevi no início deste comentário, trata-se de um filme bastante sensível e emotivo, um dos mais bonitos que assisti nos últimos anos. Simplesmente imperdível!

sábado, 29 de junho de 2019



“A FILHA DA MÁFIA” (“Victoria Gotti: My Father’s Daughter”), 2019, EUA, Lifetimes Movies – estreou no Brasil na TV fechada no dia 9 de junho de 2019 -, 1h26m, roteiro e direção de Catherine Cyran. A história é baseada em fatos reais relatados no livro de memórias de Victoria Gotti (“The Family of Mine: What It Was Like Growing Up Gotti”), filha do poderoso John Gotti, chefão da Família Gambino, que nos anos 60, 70 e 80 dominou a cena do crime em Nova Iorque. O filme apresenta a rotina particular de Gotti (Maurice Bernard), sua esposa Butch (Ronda Dent) e os quatro filhos, entre os quais Victoria (Chelsea Frei) era a que tinha maior proximidade com o pai. O longa foi produzido pela própria Victoria, que aparece várias vezes narrando os principais acontecimentos. Com imagens da época, "A Filha da Máfia" reproduz com eficácia o clima reinante em Nova Iorque, dominada pelo crime organizado, leia-se a máfia italiana. John Gotti já havia sido personagem principal de outro filme, “Gotti”, de 2018, com John Travolta interpretando o mafioso. Meus elogios à “A Filha da Máfia” são suspeitos, pois sempre adorei filmes envolvendo a Máfia. Mesmo sendo do mal, acho seus personagens fascinantes. O melhor filme que já assisti no gênero foi “Os Bons Companheiros”, de 1990, dirigido por Martin Scorsese.

quinta-feira, 27 de junho de 2019



“DAGUERREÓTIPO – O SEGREDO DO QUARTO ESCURO” (“Le Secret de La Chambre Noire”), 2017, França, 131 minutos, direção do japonês Kiyoshi Kurosawa (nenhum parentesco com o mestre Akira Kurosawa), que também assina o roteiro com a colaboração de Catherine Paillé e Eléonore Mahmoudian. Trata-se de um suspense com pitadas de terror psicológico. Nada explícito, porém, apenas vozes do além e aparições de fantasmas. O suspense é muito bem elaborado (Kiyoshi é considerado um especialista no gênero – “Pulse” e “Cure” foram dirigidos por ele). Ele utiliza muito o recurso da câmera em slow motion percorrendo um ambiente e antevendo algum susto. Vamos à história do filme: o jovem Jean (Tahar Rahim) é contratado como assistente de Stéphane Hégray (Olivier Gourmet), um famoso fotógrafo de moda que vive enclausurado em sua mansão após a morte trágica de sua esposa Denise. Para realizar suas fotos, Stéphane utiliza o Daguerreótipo, equipamento antigo dos primórdios da fotografia. E, como seu modelo preferido, ele recruta a filha Marie (Constance Rousseau), que se submete a extenuantes sessões de foto que costumam durar horas (o Daguerreótipo exige 10 minutos, no mínimo, de exposição à luz solar para obter uma imagem satisfatória). Quando Stéphane começa a dar sinais de loucura, Marie e Jean resolver bolar um plano para convencê-lo a vender a velha e carcomida mansão e faturar uma grana com a comissão. O filme é tecnicamente bem feito, mantendo o suspense do começo ao fim e, como principal trunfo, conta com dois excelentes atores franceses, Olivier Gourmet e Tahar Rahim. Conta ainda com uma ponta de luxo, o ator Mathieu Amalric. Tudo bem que Kiyoshi Kurosawa não é nenhum Akira, mas comprova mais uma vez que é um bom cineasta.  

terça-feira, 25 de junho de 2019



“OS GIGANTES NÃO EXISTEM” (“LOS GIGANTES NO EXISTEN” – a tradução literal para o português é minha, já que o filme não chegou por aqui e nem deve chegar), 2017, coprodução Guatemala/Espanha, 1h22m, direção de Chema Rodríguez, que também assina o roteiro juntamente com Francisco Vargas e Leon Siminiani. A história, baseada em fatos reais, é ambientada em 1982, no auge da Guerra Civil da Guatemala (1960-1996). O personagem verdadeiro, no qual o roteiro foi inspirado, é Jesus Tecú Osorio, único sobrevivente do massacre do Vilarejo de Rio Negro, onde foram mortos 176 civis, entre mulheres, idosos e crianças. A matança foi obra do Exército Nacional da Guatemala e dos integrantes do PAC (Patrulhamento da Audofesa Civil). No filme, Jesus foi transformado em Andrés (José Javier Martinez), de 9 anos, que após o massacre foi sequestrado e obrigado a trabalhar como escravo do violento Pedro (Rafael Rojas), um sujeito que mora num casebre miserável e que mantém uma banca de legumes na feira do seu vilarejo. Maria (Patricia Orantes), esposa doente de Pedro, se afeiçoa ao garoto e o trata como filho. Essa situação dura cerca de dois anos, quando de repente aparece a irmã mais velha de Andrés com objetivo de resgatá-lo. O filme é bastante pesado, num cenário de miséria, tristeza e medo. Nesse contexto, o diretor espanhol Chema Rodríguez (é o seu segundo longa-metragem) é implacável em aumentar ainda mais a carga dramática e o impacto da história, incluindo algumas cenas bastante chocantes. Ou seja, não é um filme agradável de se ver. De qualquer forma, foi escolhido para ser exibido nas seleções oficiais dos festivais de cinema de Chicago, Roma, Guadalajara, Punta Del Este e Sevilha, recebendo rasgados elogios da crítica.  

domingo, 23 de junho de 2019


“DUAS RAINHAS” (“MARY QUEEN OF SCOTS”), 2018, co-produção EUA/Inglaterra, 2h05m, primeiro longa-metragem de Josie Rourke, mais conhecida na Inglaterra como diretora de teatro. O roteiro, escrito por Beau Willimon (o mesmo de “House of Cards”), foi inspirado no livro “My Heart Is My Own: The Life of Mary Queen of Scots”, escrito pelo biógrafo e historiador John Guy. Existem vários bons motivos para indicar este belo filme de época. Primeiro, a história em si, ambientada no século 16 e baseada em fatos reais, ou seja, os acontecimentos que fazem parte da história de Inglaterra e Escócia, incluindo o relacionamento conflituoso entre a Escócia da Rainha Mary Stuart e a Inglaterra da Rainha Elizabeth I. Segundo, a primorosa recriação da época, com cenários suntuosos e maravilhosos figurinos (o filme foi um dos finalistas na disputa do Oscar 2019 de Melhor Figurino), além do excelente trabalho de maquiagem. A fotografia, que leva a assinatura do premiado John Matheson, é outro grande destaque. Mas o que mais me impressionou foi o trabalho dessas duas grandes atrizes, Saoirse Ronan como Mary Stuart e Margot Robbie como Elizabeth I. Nem mesmo a pesada maquiagem e o nariz postiço conseguiram deixar feia a australiana Margot Robbie, talvez a atriz mais bonita do cinema atual. A norte-americana Saoirse Ronan firma-se como uma das melhores atrizes do momento, tendo atuado em filmes como “O Grande Hotel Budapeste”, “Brooklyn” e “Lady Bird: A Hora de Voar”, entre tantos outros. Nunca fui muito fã de filmes de época, mas já assisti a alguns muito bons, o mais recente deles “A Favorita” e agora “Duas Rainhas”. Não percam!   

sábado, 22 de junho de 2019


“CHOQUE E PAVOR – A VERDADE IMPORTA” (“SCHOCK AND AWE”), 2017, Estados Unidos, 1h32m, direção de Rob Reiner, com roteiro de Joey Hartstone. Baseada em fatos reais, a história aborda os bastidores da cobertura da imprensa norte-americana após os atentados de 11 de setembro de 2001. Primeiro, as tentativas fracassadas de capturar Osama Bin Laden no Afganistão. Logo depois, o alvo do governo norte-americano seria o Iraque de Saddam Hussein. Para justificar a invasão do país árabe, o governo Bush garantia que o Iraque possuía armas de destruição em massa. Será que isso era verdade? O governo norte-americano afirmava que sim, mas não apresentava provas concretas. É aí que entram em ação os principais órgãos de comunicação do Tio Sam. O filme apresenta os fatos a partir da cobertura de dois jornalistas da editoria política da empresa Knight Ridder, especializada na publicação de jornais e internet. Designados pelo editor-chefe John Walcott (papel do diretor Rob Reiner), Warren Strobel (James Marsden) e Jonathan Landay (Woody Harrelson) saíram a campo para verificar se realmente o Iraque tinha o tal arsenal de armas de destruição em massa. Uma parte da imprensa norte-americana defendia a invasão, confiando nas versões oficiais do governo, principalmente os conservadores The Washington Post e o The New York Times. A disputa pelas informações corretas levou a imprensa norte-americana a uma verdade guerra. O editor John Walcott até chegou a contratar o jornalista Joe Galloway (Tommy Lee Jones), veterano na cobertura da Guerra do Vietnam, para auxiliar os trabalhos investigativos. O filme, elaborado num ritmo ágil, quase alucinante, destaca muitas informações importantes sobre aquele período histórico e revela as sequelas da guerra sobre os jovens soldados que morreram ou voltaram mutilados. A pergunta que ficou no ar: valeu a pena sacrificar tanta gente, incluindo as perdas humanas da população civil do Iraque? O filme é excelente, justificando a fama de Rob Reiner como um dos cineastas mais importantes da atualidade – é só lembrar que ele é responsável por filmes como o clássico “Conta Comigo”, “O Lobo de Wall Street”, “Um Amor de Vizinha” e tantos outros. “Choque e Pavor” também tem mulheres bonitas: Jessica Biel e Mila Jovovich. Filme indicado para estudantes e profissionais de jornalismo, mas o público em geral deve assistir também, pois contempla um fato histórico da maior importância.     

quinta-feira, 20 de junho de 2019


“O PACIENTE”, 2018, Brasil – Globo Filmes – 1h40, direção de Sérgio Rezende, com roteiro de Gustavo Liptzein. O filme revela, com detalhes, tudo o que se passou durante os dias em que Tancredo Neves ficou internado. Os bastidores desse período, ilustrados com imagens da época, estão no filme de Sérgio Rezende, cineasta que se notabilizou por realizar obras enfocando personagens e eventos históricos nacionais, entre as quais “Guerra de Canudos”, “Mauá – O Imperador e Rei”, “Lamarca” e “Zuzu Angel – assisti a todos, ótimos. No caso de “O Paciente”, o roteiro foi adaptado do livro “O Paciente – O Caso Tancredo Neves”, escrito pelo historiador Luís Mir e lançado em 2010. Para escrever o livro, Mir fez uma extensa pesquisa e realizou várias entrevistas com os envolvidos, além de ler os prontuários médicos e documentos, até então confidenciais, do Hospital de Base de Brasília e do Instituto do Coração, em São Paulo. O drama começa três dias antes antes da posse, quando Tancredo (Othon Bastos) começa a sentir fortes dores abdominais. Ao contrário dos conselhos médicos, que recomendaram uma operação urgente, já que se tratava de uma apendicite, Tancredo se recusou a ser operado, pois queria de qualquer jeito tomar posse e evitar uma possível crise institucional. Ele temia, por exemplo, que se caso José Sarney assumisse em seu lugar, o então presidente João Figueiredo não aceitaria entregar a faixa, o que de fato aconteceu. Tancredo piorou e aí ele foi submetido a uma primeira cirurgia, que revelou não ser o caso de apendicite e sim de diverticulite. O filme segue revelando detalhes dos bastidores, o sofrimento de Tancredo com as várias cirurgias e procedimentos, a angústia da família – e de todo o País -, as desavenças entre os médicos – quase teve pancadaria -, o despreparo não só dos médicos como do Hospital de Base de Brasília, e a transferência do ilustre paciente para o Instituto do Coração, em São Paulo, onde acabaria falecendo no dia 21 de abril de 1985, deixando o posto vazio para o glorioso José Sarney – e deu no que deu. Além de Othon Bastos, em atuação comovente, estão no elenco Leonardo Franco, Paulo Betti, Leonardo Medeiros, Esther Góes, Otávio Müller, Eucir de Souza, Luciana Braga, Emílio Dantas e Lucas Drummond. Achei o filme excelente, tenso, revelador, angustiante, reservando para o seu desfecho Milton Nascimento cantando “Coração de Estudante” – de marejar os olhos. Imperdível!     

quarta-feira, 19 de junho de 2019


“O PAI DE ITALIA” (“IL PADRE D’ITALIA”), 2017, Itália, 1h22m, direção de Fabio Mollori, que também assina o roteiro com a colaboração de Josella Porto. A história começa mostrando a tristeza do jovem homossexual Paolo (Luca Marinelli), devastado com o fim do relacionamento de oito anos com o namorado Mario (Mario Sgueglia). Ainda em depressão e com a intenção de esquecer o antigo amante, Paolo vai a uma discoteca gay tentando conhecer um novo parceiro, mas quem ele acaba conhecendo é a jovem Mia (Isabella Ragonese, ótima), que faz bico como cantora em "inferninhos", mas nunca se destacou. Ela também está em fase depressiva, depois de ser abandonada grávida pelo namorado. Ou seja, juntou a fome com a vontade de comer. Paolo se propõe a ajudar a moça a encontrar o pai da criança. Para isso, pega “emprestado” o carro de serviço da loja de móveis onde trabalha. Paolo e Mia saem de Turim e iniciam um verdadeiro périplo turístico, passando por Asti, Roma e chegando até Nápoles, onde mora a família conservadora de Mia. O filme se transforma num road movie. Afinal, quem assumirá a filha que Mia está esperando? Claro, “O Pai de Italia”. Mas quem será? Assista e desvende o mistério. Não é que o filme seja ruim, mas achei exagero o fato de que tenha sido premiado em vários festivais – na verdade, nenhum que seja importante. Enfim, vale pela excelente atuação da dupla principal de protagonistas e pelos cenários deslumbrantes, valorizados pela ótima fotografia assinada por Daria D'Antonio, além de alguns momentos sensíveis e comoventes.