sábado, 29 de março de 2014

“Ninfomaníaca” (Partes 1 e 2) é mais um filme polêmico do diretor dinamarquês Lars Von Trier. Encontrada caída na rua e toda machucada, Joe (Charlotte Gainsburg) é levada por Seligman (Stellan Skarsgard) para sua casa. Ele cuida dos ferimentos dela e ela resolve contar a história de sua vida conturbada. Sem nenhum tipo de censura, Joe relata em detalhes todas as suas experiências sexuais desde os 12 anos de idade. Seligman, um homem simples e de grande erudição, comenta os fatos contados relacionando-os à História, aspectos religiosos, música clássica, filosofia, psicologia, literatura etc. O filme tem muitas cenas de sexo explícito e torturas físicas, o que pode incomodar muita gente.  Portanto, tire as crianças, adolescentes e idosos da sala. É claro que Lars Von Trier faz tudo para chocar, como na maioria dos seus filmes anteriores. Ele mesmo gosta de ser polêmico. No Festival de Cannes 2011, por exemplo, elogiou Hitler numa entrevista e foi banido do festival. “Ninfomaníaca” ainda tem no elenco Stacy Martin (a jovem Joe), Shi Labeouf, Christian Slater, Uma Thurman e Jamie Bell. Tem gente que detesta Trier, outros o suportam e outros tantos o adoram. Mas uma coisa é certa: ele é um diretor muito criativo. Assistir a um de seus filmes pode ser uma experiência bastante interessante. É seguir em frente ou clicar stop. A opção é sua.                                

 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Nova Iorque. O ano é 1955. Um grupo de meninas adolescentes decide criar uma sociedade secreta chamada Foxfire. O objetivo das garotas é reunir forças para se defender e se vingar do assédio masculino, aqui incluídos o sexo e a violência. Só que elas acabam extrapolando os limites do bom senso, passando ao roubo, chantagem e até sequestro. Este é basicamente o enredo do filme “Foxfire – Confissões de uma Gangue de Garotas” (“Foxfire – Confessions of a Girl Gang”), uma co-produção França/Canadá de 2013, sob a direção do francês Laurent Cantet. A história é baseada no livro “Foxfire – Confessions of a Girl Gang”, escrito pela norte-americana Joyce Carol Oates e publicado em 1993. A liderança do grupo de meninas é exercida por Legs (Raven Adamson), uma jovem problemática, rebelde e radical, inconformada com a sociedade capitalista e o sonho americano – as demais seguem a mesma cartilha. Legs é influenciada por um velho que, num banco de praça, fala sobre os ideais socialistas que fizeram a  cabeça de muitos jovens no início do século 20. Por outro lado, impossível dissociar as  atitudes das garotas do movimento feminista que se fortalecia cada vez mais nos EUA naquela época. Embora sua duração alcance as duas horas e meia, o filme nunca perde o ritmo. As atrizes que interpretam as garotas do Foxfire são todas iniciantes, mas muito competentes, em especial a que faz Legs, Raven Adamson. Do mesmo diretor, recomendo também “Entre os Muros da Escola” (2008) e “Em direção ao Sul” (2005).

terça-feira, 25 de março de 2014

“Poklosie” (no inglês, “Aftermath”) ainda não tem tradução no Brasil, mas podemos chamá-lo de “Consequências”. É um filme polonês de 2012, considerado o mais polêmico já feito naquele país. E não é à toa. O filme revela um grande segredo guardado a sete chaves desde a Segunda Guerra Mundial: o massacre, em 1941, de mais de 300 judeus poloneses que moravam na aldeia de Jedwabne. O crime sempre foi atribuído aos alemães, que ocupavam a Polônia desde 1939. No entanto, o filme, dirigido por Wladyslaw Pasikowiski, revela que essa história foi muito mal contada. E a verdade revelada em “Poklosie” revoltou os poloneses, tanto que o diretor e os atores foram execrados por uma grande parte da opinião pública. Baseado, portanto, em fatos reais, o filme mostra o retorno de Józef Kalina (Maciej Stuhr) à sua aldeia natal para visitar o irmão, Franciszek Kalina (Irineusz Czop), que não via há 20 anos. Józef encontra o irmão completamente obcecado pela ideia de proteger e conservar as lápides de um antigo cemitério judeu, as quais encontrou enterradas numa estrada perto de sua propriedade. Contrariando a vontade da população local, os irmãos Kalina passam a investigar o que realmente aconteceu aos judeus. Uma das descobertas dos irmãos, porém, fará com que se arrependam terrivelmente de ter escarafunchado esse passado. O filme é um drama pesado, mas muito intenso e revelador, pois reabre uma ferida que os poloneses - pelo menos os daquela aldeia - acreditavam estar definitivamente cicatrizada. Um filme obrigatório para quem se interessa por histórias da 2ª Guerra Mundial.                    

segunda-feira, 24 de março de 2014

“Eu, Anna” (“I, Anna”), uma co-produção Inglaterra/França/Alemanha, de 2012, é um misto de policial e suspense. Chamado para investigar o assassinato de um homem num edifício residencial de Londres, o detetive Bernie Reid (Gabriel Byrne) cruza acidentalmente com uma mulher de meia idade que sai apressada do lugar. Esta mesma mulher, Anna Welles (Charlotte Rampling), Bernie virá a reencontrar numa festa destinada a aproximar pessoas interessadas em conhecer novos parceiros. Anna e Bernie vêm de divórcios traumáticos. Anna trabalha numa loja de departamentos e vive num apartamento pequeno com a filha (Hayley Atwell) e a neta, mas está infeliz. Bernie não dorme bem desde que se separou da mulher e vive solitário. Em meio às investigações do crime, policiais subordinados a Bernie levantarão suspeitas sobre Anna, o que colocará o detetive numa situação complicada. O filme, dirigido por Barnabie Southcombe (filho de Rampling na vida real), é baseado no livro “I, Anna”, de Elsa Lewin. No livro, a história acontece em Nova Iorque. Trata-se de um suspense muito bom, valorizado ainda mais pelo ótimo desempenho de Rampling e Byrne.   

domingo, 23 de março de 2014

Quando o filme termina, você se sente compelido a fazer a seguinte pergunta: “Será que o resultado do julgamento foi um grande erro judiciário? O filme é “Lizzie Borden pegou o machado” (“Lizzie Borden took an axe”), produzido para a TV em 2013 e dirigido por Nick Gomez. Não para nós, mas para o pessoal dos EUA o caso teve uma enorme repercussão, que perdurou durante muitos anos. A história é, portanto, baseada em fatos reais. Em 1892, na cidade de Fall River (Massachusetts), a jovem Lizzie Borden (Christina Ricci) foi acusada, presa e julgada pelo assassinato, a machadadas, do pai Andrew Borden e da madastra Abby Borden. O filme mostra, em sua primeira metade, o dia-a-dia e o relacionamento entre os integrantes da família Borden, na qual se inclui Emma (Clea Duvall), a irmã de Lizzie, e os assassinatos. A segunda metade detalha as investigações, os interrogatórios e, finalmente, o julgamento. Aqui no Brasil, certamente, poucos já ouviram falar de Lizzie Borden ou de seu julgamento. Talvez por isso mesmo seja muito interessante assistí-lo. Aliás, o filme foi indicado para vários prêmios Emmy, inclusive de melhor atriz. Julgue você mesmo!
 “Uma Armadilha para Cinderela” (“Trap for Cinderella”) é um filme inglês de 2013 dirigido por Iain Softley. Trata-se de um suspense baseado no livro de Jean-Baptiste Rossi. A trama começa meio complicada. Uma explosão seguida de incêndio atinge duas jovens amigas. Uma morre e a outra fica desfigurada e desmemoriada. Esta é levada para a Suíça e lá operada por um cirurgião plástico de renome. Ela volta a Londres e, por causa da amnésia, não sabe quem é e não conhece ninguém. Fica sabendo que é muito rica. Aí entram os flashbacks que contam a história das amigas de infância Micky (Tuppence Middleton) e Domenica (Alexandra Roach). Agora adultas, elas voltam a se encontrar casualmente e reatam a velha amizade. Domenica vem de família pobre e trabalha num banco. É toda certinha. Micky é rica, descompromissada e meio muluquete, adora baladas e não dispensa um copo de bebida. Até a explosão, o filme explora a amizade entre as duas moças, incluindo a obsessão de Domenica por Micky, fato que acabará abalando a relação. Uma reviravolta na história, perto do final, vai mostrar que nem tudo era o que parecia ser, e todas as dúvidas deixadas no ar serão finalmente esclarecidas.  

sábado, 22 de março de 2014

“O Julgamento de Nuremberg”, co-produção Canadá/EUA de 2000, é talvez o melhor filme já feito sobre o maior acontecimento jurídico do Século XX. O julgamento, ocorrido logo depois do final da 2ª Guerra Mundial, colocou no banco dos réus, na cidade alemã de Nuremberg, vinte e quatro importantes oficiais nazistas acusados dos mais hediondos crimes, o maior deles o assassinato de milhões de judeus em campos de concentração. O filme é uma verdadeira aula de história. Os depoimentos de juízes, promotores, advogados de defesa, sobreviventes e réus foram copiados das fitas gravadas durante o julgamento original. Cenas de bastidores, incluindo os prisioneiros em seu dia-a-dia, também obedeceram fielmente os relatos da época. É impossível não se emocionar com as cenas que mostram trechos de filmes produzidos pelas forças aliadas nos campos de concentração libertados. São chocantes. A impressão que dá é que os atores também ficaram chocados, muitos deles com lágrimas nos olhos. O elenco é excelente: Alec Baldwin, Jill Hennessy, Brian Cox, Christopher Plummer, Roger Dunn e Max Von Sidow, entre outros. A atriz Charlotte Gainsbourg faz uma sobrevivente que dá um depoimento emocionado sobre o que viu e sofreu num campo de concentração. É marcante, por exemplo, a cena seguinte, quando ela termina de testemunhar e passa diante dos reús, encarando um por um. O filme tem três horas de duração, mas vale cada minuto.  

sexta-feira, 21 de março de 2014

Em fase de treinamento numa academia para formação de oficiais de polícia, dois colegas da mesma turma acabam se apaixonando. Só que existe um problema: os dois são homens. Outro problema maior: um deles é casado com uma moça e está prestes a ser pai. Estes são os pontos de partida do drama alemão “Queda Livre” (“Freier Fall”), de 2013, dirigido por Stephan Lacant. A convivência na academia fez com que Kay (Max Riemelt) se apaixonasse por Marc (Hanno Koffler). Numa das corridas que ambos faziam pela floresta, Kay assedia Marc, que rejeita a investida do colega. Kay continua insistindo, até o dia em que Marc resolve se entregar. É claro que seu casamento com Bettina (Katharina Schüttler) vai balançar, mas o nascimento do bebê faz com que Marc repense a situação. Ele tenta se afastar de Kay. Será que conseguirá? O filme mostra o quanto é difícil alguém “sair do armário” e assumir a nova condição perante a família, amigos e colegas de trabalho. O filme foi premiado em festivais da Alemanha e EUA. Os críticos o consideraram como a versão alemã de “O Segredo de Brokebeck Montain”, dirigido por Ang Lee em 2005, cuja temática é bastante semelhante. O filme alemão é ainda melhor, embora as cenas ousadas de sexo entre os dois amantes possa chocar os menos liberais. O trabalho dos três atores principais - os dois amantes e a mulher traída - é muito bom. Esqueça o preconceito e confira esse ótimo drama!   

quarta-feira, 19 de março de 2014

“O Fundamentalista Relutante” (“The Reluctant Fundamentalist”) é um drama baseado no best-seller, com o mesmo título, do escritor paquistanês Mohsin Hamidhr. O filme, dirigido pela indiana Mira Nair, foi produzido em 2012 e estreou no mesmo ano no Festival de Veneza. O enredo do filme segue a história contada pelo paquistanês Changez Khan (Riz Ahmed) na entrevista ao jornalista norte-americano Bobby Lincoln (Liev Schreiber).  Ele conta como, aos 18 anos, saiu de Lahore, no Paquistão, para estudar nos EUA, onde se destacou na Universidade de Princeton. Depois de se formar, foi trabalhar como analista financeiro na Empresa Underwood Samson, uma das mais importantes de Wall Street. O trabalho de Khan impressiona Jim Cross (Kiefer Sutherland), um dos diretores, que se transforma em seu mentor e responsável por promovê-lo a sócio. Khan vive o sonho americano. Além de ganhar dinheiro, ele conhece a bela fotógrafa Erica (Kate Hudson), pela qual se apaixona. Mas aí acontece o atentado de setembro de 2011 contra o Word Trade Center.  E a vida de Khan muda do avesso e o sonho americano parece ir água abaixo. Mesmo que seja baseado num romance de ficção, o filme mostra um retrato de como os estrangeiros, principalmente os de origem árabe e muçulmanos, passaram a ser tratados nos EUA após o atentado. Numa das frases que diz ao jornalista, Khan afirma que, apesar de amar os EUA e lamentar as vítimas inocentes, não deixou de sentir um certo orgulho pelo atentado às torres gêmeas. “Um David derrubando Golias”, diz. Um filme vigoroso que merece ser conferido.  

segunda-feira, 17 de março de 2014

“Sunlight Jr.”, dirigido por Laurie Collyer, estreou no Tribeca Film Festival (o segundo festival de cinema independente mais importante dos EUA depois de Sundance) em novembro do ano passado. Trata-se de um drama triste e pesado, que mostra a realidade de trabalhadores pobres para os quais o sonho americano está muito distante. É inspirado no livro “Nickel and Dimed”, de Barbara Ehrenreich.  Melissa (Naomi Watts), funcionária de um mercado, mora com o namorado Richie (Matt Dillon) numa espelunca. Ele é paraplégico e está desempregado. Apesar das dificuldades financeiras, o casal vive feliz e vai tocando o barco do jeito que dá. Eles se amam e fazem sexo toda hora. Mas depois que ela fica grávida e logo em seguida perde o emprego, as coisas vão ficar cada vez mais difíceis. Richie aumenta o consumo de bebida, fica violento e a relação acaba entrando numa grave crise. Será que eles conseguirão superar a situação? Sem maquiagem e despida de qualquer glamour, Naomi Watts não se importou até em parecer feia em prol do papel e seu desempenho comprovou o que a gente já sabia: ela é uma ótima atriz. Matt Dillon está longe do galã que já foi, mas continua um bom ator. Um bom drama que vale a pena ser visto.    

domingo, 16 de março de 2014

O suspense “Conexão Perigosa” (“Paranoia”), 2012, dirigido por Robert Luketic, traz no elenco ótimos atores como Harrison Ford, Gary Oldman e Liam Hemsworth, este último irmão mais novo de Chris Hemsworth (“Thor” e “Rush”). Tem ainda a bela Amber Heard, um colírio, Embeth Davidtz, Lucas Til, Josh Holloway e Richard Dreyfuss. Liam interpreta Adam Cassidy, um funcionário ambicioso da gigante Wyatt Corporation. Ele dá uma mancada terrível e, além de perder o emprego, pode ir para a cadeia. Só que o chefão da empresa, Nicholas Wyatt, tem outros planos. Chama Adam e promete perdoá-lo se ele aceitar uma missão, ou seja, espionar a empresa de Jack Hoddard (Ford) – as duas empresas operam na área de tecnologia (Wyatt e Hoddard haviam sido sócios e se odeiam). Daí para a frente, haverá muito suspense, bem ao estilo dos filmes de espionagem, e, quase no final, duas reviravoltas que conseguem deixar a história mais interessante.  

Entre 1998 e 1999, uma gangue formada por jovens judeus ortodoxos de uma comunidade do bairro do Brooklyn, em Nova Iorque, contrabandeou, de Amsterdam (Holanda) para os EUA, mais de um milhão de comprimidos de Ecstasy. Essa história, que abalou a comunidade judaica do Tio Sam, é contada no filme “Caminhos Opostos” (“Holy Rollers”), de 2010, dirigido por Kevin Asch. O jovem Sam Gold (Jesse Eisenberg) é filho de um judeu ortodoxo e estuda para ser rabino. Seu vizinho Yosef (Justin Bartha) o convence a participar de um esquema de transporte de “remédios” da Holanda. Sam começa a ganhar muito dinheiro e, como é inteligente, acaba ocupando um cargo de destaque na quadrilha. Uma de suas funções é cooptar novos integrantes na comunidade judaica. Aos poucos, também, Sam vai abandonando os preceitos religiosos e de comportamento do povo judeu, o que vai acarretar seu desligamento da família. A história não ganhou muito destaque no noticiário aqui no Brasil. Apesar de muito interessante, ainda mais pelo fato de ser baseado em fatos reais, o filme não foi lançado no circuito comercial. Saiu direto em DVD. Vale a pena conferir!

sábado, 15 de março de 2014

“O Homem da Mala” (“The Bag Man”), EUA, 2013, dirigido por David Grovic, é um misto de policial noir, comédia e suspense. Conta a história de Jack (John Cusack), um assassino profissional que trabalha há tempos para o milionário Dragna (Robert De Niro). Jack é convocado por Dragna para mais uma missão: pegar uma mala e se hospedar no quarto nº 13 de um motel decrépito de beira de estrada. A ordem dada a Jack inclui jamais abrir a tal mala. Na mesma noite em que entra no motel, Jack vai se defrontar com tipos esquisitos e bizarros, como o dono do motel cadeirante, um anão e um cafetão caolho, além de uma prostituta, papel da atriz e modelo brasileira Rebbeca da Costa. Aliás, este é o sexto filme da pernambucana Rebbeca nos EUA. Depois de muita confusão, tiros e assassinatos, Jack vai receber a visita do próprio Dragna no motel para o desfecho da trama. Além da história ser muito fraca e sem sentido – a razão pela qual Dragna quer a mala é ridícula -, o elenco está péssimo. Nem De Niro se salva. Está mais canastrão do que nunca, numa caracterização que faz lembrar o detetive Columbo (Peter Falk) velho e de óculos. Rebbeca é a mocinha do filme, pela qual Jack se apaixona, mas a impressão inicial é de que se trata de um travesti. Tem cara, corpo e altura de homem. E trabalha muito mal. Cusack é o menos pior, mesmo assim passa longe do bom ator que é. Enfim, o filme é muito ruim.  

sexta-feira, 14 de março de 2014

O diretor francês Olivier Marchal é especialista em filmes policiais e de ação. Na maioria deles, Marchal não alivia para a polícia. Sempre há personagens policiais corruptos, violentos e emocionalmente desequilibrados. Um dos melhores filmes da safra Marchal é “Gangsters”, de 2002. Franck Chaievski (Richard Anconina) e Nina Delgado (Anne Parillaud, a Nikita original) são policiais destacados pela Corregedoria para investigar um roubo de diamantes no qual, desconfia-se, estão envolvidos alguns detetives da elite policial de Paris. Em sua estratégia, Chaievski e Delgado provocam suas prisões e, durante os violentos interrogatórios a que são submetidos, tentam jogar uns policiais contra os outros, o que culminará numa grande reviravolta final e a descoberta dos culpados. Além da história, outro destaque do filme é o elenco feminino, que tem um quarteto de boas e belas atrizes. Além de Parillaud, Shirley Bousquet, Catherine Marchal e Alexandra Vandernoot. Entre tantos outros ótimos filmes de Marchal, indico também  são “Não Conte a Ninguém”, baseado no livro de Harlan Coben, e “MR 73”.    

quinta-feira, 13 de março de 2014

“Em Nome de Deus” (“Captive”), de 2012, é uma co-produção França/Filipinas/Reino Unido/Alemanha, dirigida pelo diretor filipino Brilhante Mendoza (“Lola”). A história é baseada num fato real acontecido em 2001, quando mais de 20 pessoas, em sua maioria turistas, foram sequestradas nas Filipinas pelo grupo terrorista islâmico Abu Say Yaf. A trajetória de sofrimento dos reféns, que vão ficar nas mãos dos terroristas por mais de um ano, é contada da forma mais realista possível. Durante todo o tempo, eles andam pela selva enfrentando, além do forte calor e a falta de comida, ataques de formigas, cobras, escorpiões e vespas. De vez em quando, ainda ficam expostos ao tiroteio entre terroristas e o exército filipino. Entre os sequestrados está a francesa Thérese Bourgoine (Isabella Huppert), voluntária de uma organização humanitária na Ilha de Palawan. É sob o ponto-de-vista dela que a história é contada. O filme é de um realismo impressionante. Parece que os atores e figurantes sofreram da mesma forma que as pessoas que passaram por aquela terrível experiência. A câmera acompanha tudo como se fosse uma reportagem de TV ou um documentário sobre o que aconteceu. O efeito é angustiante. A atriz francesa Isabella Huppert é a única cara conhecida do filme, que integrou a seleção oficial do Festival de Cinema de Berlim 2012. 

quarta-feira, 12 de março de 2014


“Circuito Fechado” (“Closed Circuit”), de 2013, é um suspense inglês dirigido por John Crowley. O filme conta a história da prisão do imigrante turco Farroukh Erdogan (Denis Moschitto), acusado de ter liderado um atentado à bomba contra um mercado de Londres, no qual morreram mais de 100 pessoas e outras tantas ficaram feridas. Depois de uns 15, 20 minutos de filme, você já começa a sentir aquela sensação de que “Há algo de podre no Reino Unido”. Embora seja uma obra de ficção, dá a entender nas entrelinhas que pode haver muita sujeira nos bastidores da espionagem oficial de governos como a Inglaterra, por exemplo. Simon, o advogado que defendia Farroukh é encontrado morto e, segundo as fontes oficiais, foi suicídio. Os advogados Martin (Eric Bana) e Cláudia (Rebecca Hall), antigos amantes, são designados para o lugar de Simon. No começo das investigações, eles descobrem evidências que não vão agradar a muita gente, incluindo o pessoal do governo inglês. E vão descobrir um segredo que poderá custar suas vidas. Ainda no elenco, Julia Stiles, Ciaran Hinds, Jean Broadbent e Isaac Hempstead Wright. O filme tem ação e o ritmo de suspense impera do começo ao fim.    

terça-feira, 11 de março de 2014

“A Fita Azul” (“Electrick Children”), de 2012, EUA, é o filme de estreia da diretora Rebecca Thomas. Trata-se de uma produção independente, um misto de comédia e drama, que conta uma história cheia de segredos e mistérios, a começar pela gravidez da jovem Rachel (Julia Garner, de “As Vantagens de Ser Invisível”). Ela diz à mãe Gay (Cynthia Watros) e a Paul (Billy Zane), líder da comunidade mórmon em que vive com a família, em Utah, que o bebê foi concebido por algum espírito divino. Ela acredita, porém, que o responsável pela gravidez foi o cantor de um rock n’roll que ela ouve numa fita-cassete (azul) encontrada no sótão da casa em que mora com a mãe e os irmãos. Para manter as aparências, vão tentar arrumar um casamento com um membro da comunidade. Contrária à ideia, Rachel foge e vai para a cidade grande mais perto, Las Vegas. Aqui, conhece uma rapaziada ligada a uma banda de rock, sendo um deles o jovem Clyde (Rory Culkin, irmãos mais novo de Macaulay e Kieran). Durante a tentativa de encontrar o cantor do rock gravado na fita, Rachel vai ter uma grande surpresa. O filme vai agradar principalmente o pessoal mais novo, pois tem muitas cenas filmadas em pistas de skate, shows de rock e muita curtição, além de um elenco de atores bastante jovens. Outro fator positivo do filme é o clima meio “hippie anos 60/70”, principalmente nos figurinos. Um filme interessante que vale a pena conferir.        

domingo, 9 de março de 2014


Os créditos iniciais já começam de forma macabra. O diretor Manuel Martin Cuenca diz que o filme é “Em memória de minha mãe”. O filme que ele dedica à mãe é o espanhol “Cannibal”, história de um serial killer que, depois de matar suas vítimas, todas mulheres, ainda as come em filés. Dedicar à mãe um filme com essa temática? A história apresenta a trajetória de crimes do alfaiate Carlos (Antonio de La Torre), um dos mais renomados da cidade de Granada. Nas horas vagas, ele sai em busca de mulheres e tem um estilo próprio para capturá-las – uma delas vítima de um acidente de carro que ele mesmo provoca na estrada. O lado sádico do alfaiate também compreende assistir, com prazer, a morte de uma moça por afogamento, depois de matar o seu namorado. As coisas parecem que vão mudar depois que o alfaiate conhece a vizinha Alexandra e depois a irmã gêmea da moça, Nina. Carlos é um homem de poucas palavras, assim como o filme é de poucos diálogos. As cenas são longas e o ritmo um tanto lento. Apesar do tema, não há cenas chocantes nem de terror. É mais um suspense psicológico. Os mais sensíveis poderão não gostar de ver o alfaiate saboreando com prazer um belo filé no jantar. O filme termina mais ou menos como as vítimas de Carlos: sem pé nem cabeça. 

“O Autor da Carta” (“The Letter Writer”), de 2013, é um filme bastante sensível, daqueles que você chega ao final com um nó na garganta e com vontade de fazer uma reflexão. A adolescente Maggy Fuller (Aley Underwood) é bastante problemática. Só pensa na banda de rock da qual é vocalista, dorme durante as aulas e tem problemas na relação com sua mãe. Para complicar ainda mais, é abandonada pelo namorado e dispensada da banda. É claro que a menina vai entrar numa fase baixo astral. Até que recebe uma carta escrita por um tal de Sam Worthington. Ele escreve coisas bonitas sobre ela, deixa mensagens positivas e a motiva a seguir em frente. Ela fica curiosa sobre quem é o verdadeiro autor, que parece conhecê-la tão bem. De tanto investigar, Maggy descobre que a carta é proveniente de um asilo de idosos. Ela vai conhecer finalmente o autor da carta, na verdade um senhor bastante idoso (Bernie Diamond) que usa o pseudônimo de Sam Worthington (não sei se foi proposital ou por coincidência, mas é o mesmo nome do ator e galã australiano). A partir da sua amizade com o simpático e sábio velhinho, Maggy vai mudar seu modo de pensar e de agir. O filme, dirigido por Christian Vuissa, conquistou o Prêmio de Melhor Filme no Festival Crown Award 2013, um dos mais importantes festivais de cinema cristão. É dedicado ao ator Bernie Diamond, que morreu ao final das filmagens.                      

sexta-feira, 7 de março de 2014

“Oldboy – Dias de Vingança” (“Oldboy”), de 2013, direção de Spike Lee, é mais uma prova contundente da falta de roteiristas criativos na indústria cinematográfica do Tio Sam. Trata-se de um novo remake, desta vez do filme sul-coreano “Oldboy” de 2003 dirigido por Park Chan-wook. O executivo Joe Douchett (Josh Brolin) é sequestrado e fica preso num quarto, isolado, durante 20 anos. Ele nem imagina o motivo. Pelo noticiário da TV instalada no quarto, ele ouve a notícia do assassinato da mulher. Os sequestradores forjam tudo, espalham provas na cena do crime como se Joe tivesse feito tudo aquilo. A filha de três anos, Mia, é entregue para adoção. Durante todo o período em que fica preso, Joe treina artes marciais através de um programa na TV. Quando é libertado, vira uma arma mortal e aí vai tentar descobrir quem o sequestrou e o manteve preso durante 20 anos e o motivo pelo qual fez isso. A partir daí, a pancadaria vai correr solta. Nesse meio tempo, ele conhece Marie (Elizabeth Olsen), uma assistente social, pela qual acaba se apaixonando. No final, uma reviravolta de embrulhar o estômago – o estômago dele, Joe. É um filme bastante interessante não apenas para quem quiser comparar as duas versões, mas pelo trabalho de Spike Lee, que, todo mundo sabe, é um diretor diferenciado, que tem um estilo próprio de filmar. Vale a pena conferir! 

quinta-feira, 6 de março de 2014

“Desafio no Ártico” (“The Snow Walter”) é um filme repleto de ação e aventura, daqueles em que a gente reúne a família na sala com muita pipoca. Trata-se de um filme canadense da Columbia Pictures produzido em 2003 e dirigido por Charles Martin Smith. O enredo é baseado no conto “Walk Well, my Brother”, de Farley Mowat. A história acontece em 1953, quando o piloto Charlie (Barrie Pepper), herói na 2ª Guerra Mundial, é designado pelo seu chefe Walter (James Cromwell), dono de uma companhia de aluguel de aviões pequenos, para testar um novo modelo de aeroplano. Ele aterrissa numa área deserta e encontra uma família de esquimós, cuja filha Kanaalaq (Annabella Piugattuk) parece estar com tuberculose. Charlie se compromete a levá-la a um hospital da cidade mais próxima, o que significará uma mudança no seu roteiro de viagem e também irá dificultar as buscas posteriores. Por causa de um problema mecânico, o avião acaba caindo numa região inóspita e gelada do Ártico canadense. A partir daí, a sobrevivência de ambos vai depender de muito sacrifício e da experiência de caçadora da jovem esquimó. O filme mantém um ritmo constante de ação e aventura até o final. Vale a pena!                 

terça-feira, 4 de março de 2014

A cineasta francesa Claire Denis fez filmes bem melhores que esse “Bastardos” (“Les Salauds”), que dirigiu em 2012 e que estreou no Festival de Cannes/2013.  Por exemplo, “35 Doses de Rum (2008), ou então “Minha Terra África” (2009). Não que “Bastardos” seja ruim. Mas é pesado demais, arrastado demais, escuro demais, os personagens são todos problemáticos, depressivos e estressados, e o enredo é um tanto confuso. Marco (Vincent Lindon) é comandante de navio e volta para terra quando seu cunhado se suicida. A irmã Sandra (Julie Battaille) está completamente falida e, ainda por cima, tem uma filha prostituta e drogada. Marco vende tudo que tem, até o carro e o relógio, para ajudar a irmã. No prédio em que aluga um apartamento, Marco conhece uma vizinha misteriosa, Raphaelle (Chiara Mastroianni), amante de um poderoso empresário, com a qual começa um caso. Daí para a frente, a história deixa de lado a coerência para entrar num labirinto de situações que pode deixar o espectador meio perdido. É um filme de difícil digestão, mas, como trunfo, conta com um elenco excelente. Além de Vincent,  Battaille e Mastroianni, tem ainda Michel Subor, Lola Creton, Alex Descas e Grégoire Colin. Só para os aficionados pelo cinema francês ou então para quem está estudando a língua.