quinta-feira, 29 de agosto de 2024

“O MELHOR ESTÁ POR VIR” (“LE MEILLEUR RESTE À VENIR”), 2020, coprodução França/Bélgica, 1h58m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte. Não confundir com o filme recém-lançado com o mesmo título do italiano Nanni Moretti. No filme francês, uma comédia dramática, a história é centrada na amizade de Arthur (Fabrice Luchini) e César (Patrick Bruel), que se conhecem desde crianças e até hoje são amigos inseparáveis. São personalidades diferentes. Arthur é um sujeito sério, médico pesquisador do Instituto Pasteur, divorciado e com uma filha, enquanto César nunca teve juízo, vive de empréstimos que dificilmente paga e cercado de amantes. Enfim, um bon vivant. Quando Arthur leva César para uma consulta médica e empresta seu cartão do plano de saúde para o amigo, a situação começa a complicar de vez. Os exames mostram que César tem um grave problema de saúde e poucos meses de vida. Só que, por causa dos nomes trocados, uma confusão se instaura. Quando César diz ao amigo que será pai dali a alguns meses, Arthur não tem coragem de dizer a verdade. Dessa forma, César passa o filme quase inteiro como a vítima da história, o que resulta em inúmeras situações hilariantes. Aqui cabe ressaltar a química entre os dois veteranos atores franceses, que têm carisma especial quando se trata de comédia, embora haja muitas cenas sensíveis e comoventes. Completam o elenco Zineb Triki e Pascale Arbillot. Impossível não lembrar de um filme muito parecido, "Antes de Partir", de 2007, com Morgan Freeman e o sumido Jack Nicholson. Não posso afirmar que "O Melhor Está por Vir" é um remake, mas está muito próximo de ser. Em todo caso, trata-se de um filme bastante simpático, agradável de assistir.     

                     

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

“KISSUFIM”, 2023, Israel, 1h29m, em cartaz na Netflix, direção de Keren B. Nechmad, que também assina o roteiro com Hadar Arazi e Yonatan Bar-Ilan. A história, ambientada em 1977, acompanha a rotina de um grupo de jovens soldados israelenses que se oferecem para trabalhar como voluntários no Kibutz Kissufim, próximo à fronteira com Gaza. O filme mostra o trabalho dos jovens na fazenda, seu cotidiano repleto de responsabilidades, e as conversas sobre a tensão que vivem num país habituado a sofrer atentados e ameaças de novos conflitos, além do momento político vivido naquele ano, quando Anwar Sadat, presidente do Egito, visita Israel na esperança de iniciar um processo de paz entre árabes e israelenses (doce ilusão!). Mesmo diante desse contexto dramático, os jovens também encontram tempo para se divertir, promovendo festas com muita música, namoros e sexo. Os nomes mais conhecidos do elenco são Swell Ariel Or, Adam Gabay, Tamir Ginsburg, Mili Eshet e Eres Oved. Impossível acompanhar a história sem pensar no fatídico 7 de outubro de 2023, quando terroristas do Hamas invadiram Israel e mataram mais de mil pessoas, sequestrando outras centenas. Pois um dos alvos dos terroristas foi justamente o Kibutz Kissufim. Embora “Kissufim” tenha sido filmado antes desse atentado (afirmação feita nos créditos iniciais), é impossível não sentir um certo desconforto ao imaginarmos que muitas das vítimas dos terroristas sejam iguais aos personagens mostrados na tela. Trocando em miúdos, “Kissufim” não é um grande filme, mas é poderoso a partir do momento em que foi capaz de prenunciar uma tragédia que chocou o mundo. Não deixe de assistir.  

                     

domingo, 25 de agosto de 2024

 

“PANAMÁ” (“PANAMA”), 2022, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mark Neveldine (mais conhecido como roteirista - “Adrenalina”, “Motoqueiro Fantasma”), seguindo roteiro assinado por Daniel Adams e William Barber. Estamos em 1989, pouco antes do exército norte-americano invadir o Panamá e prender o ditador Manoel Antonio Noriega. James Backer (Cole Hauser), um ex-fuzileiro naval de elite, é recrutado por seu ex-comandante Stark (Mel Gibson), agora trabalhando para a CIA, para uma perigosa missão no Panamá. Ele deverá negociar com gente da pesada a compra de um helicóptero russo que será doado para os rebeldes que lutam contra o ditador Daniel Ortega na Nicarágua. Pelo menos foi isso que eu entendi, pois a trama é bem complicada. Para amenizar toda essa confusão, o filme destina muitas cenas com mulheres bonitas em ambientes luxuosos, frequentados por gente que circula em torno do poder, como acontece em qualquer ditadura. Nesse clima de espionagem, como um James Bond qualquer, Becker acaba se apaixonando por Camila (Kiara Liz), uma bela morena colombiana cujo passado não a torna muito confiável. Entre algumas reviravoltas e cenas de ação de pouca credibilidade, o filme caminha para o seu desfecho sem entusiasmar o espectador mais exigente. Como em seus últimos filmes, o astro Mel Gibson é colocado nos materiais de divulgação como se ocupasse um personagem importante, quando na verdade faz um papel quase secundário na história. Resumo da ópera: um filme que não merece uma indicação entusiasmada.      

  

                     

 

Mais um desempenho genial do ator Tom Hanks em “O PIOR VIZINHO DO MUNDO” (“A MAN CALLED OTTO”), 2022, Estados Unidos, 2h6m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta alemão Mark Foster. Trata-se do remake do excelente “Em Man Som Heter Ove” (“Um Homem Chamado Ove”), de 2016, representante da Suécia no Oscar como Melhor Filme Internacional. Na adaptação com Tom Hanks, o personagem é Otto Anderson, um viúvo mal-humorado, rabugento e encrenqueiro, que mora em um condomínio fechado cercado de vizinhos que tentam manter certa distância do coroa de 63 anos. O clima começa a mudar quando chega uma família de imigrantes mexicanos, um casal com duas filhas e a mãe prestes a ter outra criança. Uma amizade improvável nasce entre Otto e os novos vizinhos. O humor negro é destacado com as tentativas malsucedidas de suicídio de Otto, deprimido desde a morte de sua esposa, há seis meses, além da aposentadoria compulsória decretada pela empresa em que trabalhava. Quando jovem, Otto é interpretado por Truman Theodore Hanks, filho de Tom na vida real. Completam o elenco Maria Treviño, Manuel Garcia, Cameron Britton, Juanita Jennings, Peter Lawson Jones e Mack Bayda, um ator trans que interpreta um personagem tal qual no filme, uma surpresa para mim sem se tratando da conservadora Hollywood. Trocando em miúdos, “O Pior Vizinho do Mundo” é muito bom, um entretenimento de primeira, valorizado pelo carisma de Tom Hanks. Não perca!  

  

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

 

“A LIGA” (“THE UNION”), 2024, Estados Unidos, 1h49m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta inglês Julian Farino, seguindo roteiro assinado por David Guggenheim e Joe Barton. Um filme de ação e comédia cuja história é centrada nas atividades de um grupo secreto de agentes intitulado “A Liga”, que presta serviços "por baixo do pano" para a CIA. Começa com um trabalhador da construção civil (papel de Mark Wahlberg) em New Jersey sendo recrutado por uma ex-namorada (Halle Berry) para trabalhar como espião numa arriscada missão na Europa: recuperar documentos sigilosos com a relação de agentes de vários países do ocidente. Mike (Wahlberg) é levado para a Inglaterra e treinado para ser um tipo James Bond, uma forçada de barra do roteiro, como tantas outras no transcurso da história. Aliás, uma história bem complicada, deixando o espectador meio perdido em vários momentos. A missão se estende por várias capitais da Europa, com muita pancadaria e ótimas cenas de ação, principalmente as perseguições numa estrada na costa da Croácia – na verdade, as filmagens aconteceram em Piran, uma pequena vila costeira na Eslovênia. Completam o elenco J.K. Simmons, Mike Colter, Alice Lee, Jessica De Gouw, Adware Akinnuoye-Agbage e Jackie Earle Haley. Trocando em miúdos, trata-se apenas de um filme de ação. Se formos considerar a história mirabolante e os diálogos de uma mediocridade ofensiva aos nossos neurônios, “A Liga” favorece o “Desliga”. Por incrível que possa parecer, deverá haver uma sequência, já que no desfecho o agente Mike é recrutado para uma nova missão. Por fim, seria injusto não elogiar a beleza da morena Halle Berry, ainda em grande forma aos 58 anos.  

terça-feira, 20 de agosto de 2024

 

“ELA DISSE” (“SHE SAID”), 2022, Estados Unidos, 2h09m, em cartaz na Prime Vídeo, direção da cineasta alemã Maria Schrader (“O Homem Ideal”, a minissérie “Nada Ortodoxa”), seguindo roteiro assinado por Rebecca Lenkiewicz. A história é baseada em fatos reais narrados no livro “Ela Disse: Os Bastidores da Reportagem que Impulsionou o #Me Too”, escrito por Megan Twohey e Jodi Kantor, jornalistas investigativas do jornal The New York Times. No dia 5 de outubro de 2017, Megan e Jodi publicaram uma reportagem bombástica, revelando os abusos sexuais praticados há anos pelo produtor Harvey Weinstein, um dos mais importantes de Hollywood. Com depoimentos de algumas vítimas de Weinstein, incluindo atrizes importantes como Rose McGowan, Gwyneth Paltrow e Ashley Judd, a reportagem fez com que outras mulheres tomassem coragem para denunciar Weinstein, chegando a mais de 80. No ano seguinte, o produtor seria preso, julgado e condenado a 25 anos de prisão. “Ela Disse” revela os passos das duas jornalistas do NYT desde que receberam a primeira denúncia, a procura por novas testemunhas, as reuniões com os editores, enfim, tudo o que envolveu o intenso trabalho investigativo que culminou com a revelação de um dos maiores escândalos que já ocorreram em Hollywood. O elenco é de primeira: Carey Mulligan, Zoe Kazan, Patricia Clarkson, Samantha Morton, Andre Braugher, Jennifer Ehle, Angela Yeoh e participação especial de Ashley Judd. Trocando em miúdos, “Ela Disse” é ótimo, tanto que foi eleito um dos melhores filmes de 2022 pelo American Film Institute. Imperdível!

                     

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

“OS FABELMANS” (“THE FABELMANS”), 2022, Estados Unidos, 2h31m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Steven Spielberg, que assina o roteiro com a colaboração de Tony Kushner. Todo mundo curte há anos os filmes de Spielberg, um dos grandes de Hollywood, mas poucos conhecem a história de sua vida em família. Em “Os Fabelmans”, o grande diretor resgata memórias da sua infância e adolescência, destacando o dia a dia da família - pai, mãe e três irmãs -, o início de sua paixão pelo cinema ao assistir “O Maior Espetáculo da Terra”, em 1952, o bullying sofrido na escola pelo fato de ser judeu, sua primeira namorada e até uma confidência muito pessoal e delicada, como a traição de sua mãe com o melhor amigo do seu pai, sem falar nos primeiros filmes caseiros que dirigiu. Convém lembrar que os nomes dos personagens são fictícios. O personagem de Spielberg é Sammy (Mateo Zoryan quando criança e Gabriel Labelle como adolescente), Michelle Williams interpreta a mãe Mitzi, Paul Dano é Burt Fabelman, o pai, e Seth Rogan é Bennie Loewy, o amigo da família pelo qual Mitzi se apaixona, culminando com um divórcio bastante dolorido. Completam o elenco Judd Hirsch, como o tio meio maluco, e David Lynch como John Ford. O filme foi indicado em 7 categorias para disputar o Oscar 2023: Melhor Direção, Melhor Atriz (Michelle Williams), Melhor Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante (Judd Hirsch), Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Direção de Arte. Não conseguiu nenhuma estatueta, uma injustiça, pelo menos no que diz respeito a Michelle Williams, que dá um show de interpretação e não merecia perder para Michelle Yeoh, de “Tudo em Todo lugar ao Mesmo Tempo”. Eu considero “Os Fabelmans” uma bela homenagem ao cinema, assim como “Cinema Paradiso” e outros tantos. Spielberg, mais uma vez, acertou em cheio.    

                     

domingo, 18 de agosto de 2024

 

“INSTINTO MATERNO” (“MOTHER’S INSTINCT”), 2024, Estados Unidos, 1h34m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta francês Benoît Delhomme, seguindo roteiro assinado por Sarah Conradt. A história, baseada no livro “Derrière La Haine”, da escritora belga Barbara Abel, é ambientada no início dos anos 60. Alice (Jessica Chastain) e Celine (Anne Hathaway) são típicas donas de casa, têm uma vida perfeita com maridos carinhosos e filhos da mesma idade. As famílias são vizinhas e grandes amigas, assim como os dois meninos. Tudo vai às mil maravilhas até que o filho de Celine morre em um acidente doméstico. As relações entre as duas famílias ficam prejudicadas, principalmente a amizade entre Celine e Alice, a primeira acusando a segunda de não ter salvado a criança do trágico acidente. É nesse embate psicológico entre as duas mães que segue a história, transformando-se em um suspense ao nível dos melhores filmes de Hitchcock, com uma reviravolta surpreendente para dar mais sabor à trama. Não poderia ser diferente em se tratando de duas grandes atrizes, que já contracenaram juntas em “Interstellar” (2014) e “Armageddon Time” (2022). Jessica Chastain e Anne Hathaway fazem o filme ficar ainda melhor do que já é. Completam o elenco Josh Charles, Anders Danielsen Lie, Eamon Patrick O’Connell e Baylen D. Bielitz. Um suspense eletrizante da melhor qualidade. Imperdível!  

                     

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

 

“MANOBRA ARRISCADA” (“ONE FAST MOVE”), 2024, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção do jovem cineasta Kelly Blatz, também conhecido como ator. Como diretor de longa metragens, ele estreou com “Senior Love Triangle”, em 2019, filme elogiado pela crítica. Neste “Manobra Arriscada”, Blatz criou um filme com drama familiar, romance e ação esportiva, no caso empolgantes corridas de motocicleta. A história começa com o jovem Wes Neal (o ator neozelandês KJ Apa, de “Riverdale”, cujo nome verdadeiro é Keneti James Fitzgerald Apa), sendo expulso do exército depois de participar de um racha de motos. Sem emprego, sem grana e perdido no mundo, ele viaja até uma pequena cidade onde vive seu pai biológico, o piloto de motos Dean Miller (Eric Dane), um ex-campeão que vive uma fase decadente. O encontro de pai e filho é conflitante, mas no fim o esporte vence as barreiras. Abel (Edward James Olmos), dono de uma oficina de motos, contrata Wes como mecânico. Dean resolve treinar o filho no esporte para participar de uma competição de amadores, para quem sabe depois ingressar nos profissionais. Entre uma competição e outra, o roteiro encontra lugar para um romance, juntando Wes e Camila (Maia Reficco), uma jovem mãe solteira. Adianto que as cenas de corridas são eletrizantes, muito bem realizadas. Infelizmente, o desfecho não traz muita emoção, o que prejudica o resultado final, embora deva agradar os amantes do motociclismo esportivo. Apenas um bom entretenimento.         

                     

terça-feira, 13 de agosto de 2024

 

“POSTAIS MORTÍFEROS” ("THE POSTCARD KILLINGS”), 2020, coprodução Inglaterra/Estados Unidos/Alemanha/Irlanda do Norte, 1h44m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta bósnio Danis Tanovic (seu filme de estreia, “Terra de Ninguém”, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2002), seguindo roteiro assinado por Ellen Brown Furman. Embora produzido em 2020, chega somente agora à Netflix este suspense policial, uma adaptação do romance homônimo escrito por Liza Marklund e James Patterson, este último um dos meus autores preferidos. A história de “Postais Mortíferos” é centrada na investigação de vários assassinatos ocorridos em capitais da Europa, caracterizados por requintes de crueldade, com mutilações e outras maldades. Em cada um deles, um aspecto sórdido: os corpos das vítimas são dispostos de maneira a lembrar algum quadro famoso. No primeiro dos crimes,  em Londres, a vítima é filha do detetive nova-iorquino Jacob Kanon (Jeffrey Dean Morgan), assassinada com seu marido. O casal estava em lua de mel. Kanon viaja às pressas para Londres e decide investigar o caso juntamente com uma jornalista e a polícia local. Entretanto, outros crimes com as mesmas características começam a ocorrer em outras cidades da Europa. Muita água vai rolar até se chegar aos suspeitos, incluindo uma surpreendente reviravolta. Na cena final, um telefonema em especial dá a entender que haverá uma sequência. Vamos aguardar. Completam o elenco Famke Janssen, Cush Jumbo, Joachim Król, Steven Mackintosh, Denis O’Hare, Naomi Batrick, Ruairi O’Connor, Eva Röse, Dylan Devonald Smith e Celine Arden. Uma fofoca de bastidores: a atriz dinamarquesa Connie Nielsen abandonou as filmagens por discordar do roteiro. Acabou substituída por Famke Janssen e várias cenas tiveram que ser refeitas. Pelo fato de o filme ser dirigido por um diretor premiado, contar com um bom elenco e uma história criada por James Patterson, esperava muito mais de “Postais Mortíferos”, mas mesmo não sendo uma obra-prima, dá pra assistir numa boa.      

                      

domingo, 11 de agosto de 2024

 

“TUBARÃO: MAR DE SANGUE” (“SHARK BAIT”), 2022, Inglaterra, 1h25m, em cartaz na Netflix, direção de James Nunn (“Busca Explosiva 6: Sem saída”, “Tiro Certo”, “Risco Máximo”), seguindo roteiro assinado por Nick Saltrese. Depois do clássico “Tubarão”, de Steven Spielberg, talvez o maior sucesso de bilheteria de 1975, o cinema descobriu que o grande predador poderia gerar muitas histórias. E foi o que aconteceu, mas poucas mereceram elogios. Pelo contrário. “Tubarão: Mar de Sangue” pode ser indicado como um filme que não ofende nossa inteligência. A produção é muito caprichada, tanto é que os ataques de tubarão parecem reais e são assustadores. O cenário é alguma praia dos Estados Unidos, não identificada pelo roteiro. Cinco jovens amigos estudantes estão em férias e acabam de participar de uma balada na praia, do tipo luau. De manhã, ainda sob o efeito de álcool, os cinco amigos, três homens e duas mulheres, resolvem furtar dois jet skis e saem mar adentro, apostando corrida e fazendo malabarismos. É claro que chega a hora de um acidente, e quem leva a pior é um rapaz, que sofre fratura exposta numa das pernas. Para piorar, um dos jet skis afunda. O sangue do jovem cai no mar e atrai os tubarões, um maior e mais feroz do que o outro. Aí a coisa complica de vez e até o desfecho o grupo tentará sobreviver de qualquer jeito. Eu poderia dizer que muita água vai rolar embaixo da ponte, mas no filme não há nenhuma ponte à vista... Fazem parte do elenco Holly Earl, Catherine Hannay, Jack Trueman, Malachi Pullar e Thomas Flynn. Garanto que você não vai se arrepender de assistir, pois trata-se de um suspense eletrizante.   

                     

sábado, 10 de agosto de 2024

 

“O SEQUESTRO DO VOO 601” (“SECUESTRO AL VUELO 601”), 2024, Colômbia, minissérie da Netflix em 6 capítulos de 50 minutos cada, roteiro e direção de Camilo Salazar Prince, David Pombo e Pablo González. A história é baseada num fato real de grande repercussão na época, ou seja, o sequestro do voo HK-1274, da SAM Airlines, no dia 30 de maio de 1973. O roteiro foi escrito com base no livro de Massimo Di Ricco. A aeronave, com 84 passageiros e três tripulantes, saiu de Bogotá com destino a Medellín. No meio do caminho, dois sequestradores, apresentando-se como militantes do Exército de Libertação Nacional da Colômbia, assumiram o comando do avião, obrigando o piloto a desviar a aeronave para Aruba, depois Lima, Assunción, Buenos Aires e Guayaquil. Foi considerado o sequestro de avião mais longo já ocorrido na América Latina: durou cerca de 30 horas. Os sequestradores exigiam uma recompensa de 400 mil dólares mais a libertação de 50 presos políticos. Como o governo colombiano tinha como norma não negociar com sequestradores, a negociação ficou a cargo de um diretor da empresa de aviação. Embora o contexto seja dramático, com muito suspense e situações de perigo iminente, o roteiro cria inúmeras cenas recheadas de humor e diálogos bem engraçados, resultando num entretenimento bastante leve e divertido. O elenco é mais um dos trunfos da minissérie. Nos papéis de maior destaque estão Mónica Lopera, Ángela Cano, Christian Tappan, Valentin Villafañe, Alián Devetac, Enrique Carriazo, Marcela Benjumea e Johan Zumaqué. Resumindo, “O Sequestro do Voo 601” é uma ótima minissérie, um gol de placa da Netflix. Imperdível!                      

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

 


“BOB MARLEY: ONE LOVE” ("ONE LOVE"),
2024, Estados Unidos, 1h47m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Reinaldo Marcus Green (King Richard: Criando Campeãs”), que também assina o roteiro com a colaboração de Terence Winter, Frank E. Flowers e Zach Baylin. Na linha das cinebiografias tão em moda no cinema atual, esta é, sem dúvida, uma das melhores (no final deste comentário, recomendo as que eu acho imperdíveis). Bob Marley (1945-1981) foi um cantor e compositor jamaicano de grande sucesso nas décadas de 60 e 70. Foi o maior astro do reggae e ao mesmo tempo um ativista pelos direitos humanos, justiça social, igualdade de raças, amor e fé rastafari, temas que estão em destaque na maioria das suas canções. O filme relembra seu início de carreira, sua ascensão musical, o ativismo político e sua tumultuada vida particular, além de sua adoração por Haile Selassie (1892-1975), ex-imperador da Etiópia. O roteiro de “One Love” é um primor, sem falar no ótimo elenco e na saborosa trilha sonora, recheada de sucessos, entre os quais os meus preferidos: “I Shot The Sheriff” e “No Woman, No Cry”. Estão no elenco Kingsley Ben-Adir (Marley), Lashana Lynch, Michael Gondolfini, James Norton, Cindy Breakspeare, Tosin Cole, Umy Myers, Anthony Welsh e Junior Marvin. Também recomendo as cinebiografias “Ray” (Ray Charles), “I Wanna Dance With Somebody” (Whitney Houston), “Elvis”” (Elvis Presley), “Rocketman” (Elton John) e “Bohemian Rhapsody” (Freddie Mercury), todas comentadas neste blog.                      

terça-feira, 6 de agosto de 2024

 

“EMILY, A CRIMINOSA” (“EMILY, THE CRIMINAL”), 2022, Estados Unidos, 1h34m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de John Patton Ford. Drama policial independente com altas doses de suspense e alguma violência. A história é centrada em Emily (Aubrey Plaza), uma mulher que faz bicos como entregadora de um restaurante. Muito pouco para quem tem problemas financeiros – uma grande dívida estudantil – e não consegue um emprego fixo por causa de um delito que cometeu na juventude e que consta de sua ficha criminal. Através de um colega de trabalho no restaurante, ela conhece Youcef (Theo Rossi), um pilantra que aplica golpes utilizando cartões de crédito clonados. Ele compra mercadorias com os falsos cartões e depois as revende. O trabalho é arriscado, mas Emily topa participar do esquema. A partir do momento em que começa a ganhar dinheiro, Emily ingressa em definitivo no esquema e passa a se arriscar mais. Completam o elenco Gina Gershon, Jonathan Avigdori, Bernardo Badillo, Wesley Han, Megalyn Echikunwoke, Sheila Korsi e Brandon Sklenar. O filme é muito bom, valorizado pela ótima atuação de Aubrey Plaza, uma atriz que tem uma carreira bastante consistente, mas sem maiores oportunidades em papéis de destaque. Alguns de seus filmes mais conhecidos: "Tirando o Atraso", "Sem Segurança Nenhuma", "Ingrid vai para o Oeste" e "Esquema de Risco".                          

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

“A SALA DOS PROFESSORES” (“DAS LEHRERZIMMER”), 2023, Alemanha, 1h38m, em cartaz na MAX, direção de Ilker Çatak, que também assina o roteiro com Johannes Duncker. Drama alemão premiado como o Melhor Filme do Ano pelo Deutscher Filmpreis (Prêmio de Cinema Alemão) e um dos cinco finalistas na categoria Melhor Filme Internacional do Oscar 2024. A história é centrada na jovem professora Carla Nowak (Leonie Benesch), que dá aulas de matemática e educação física para uma classe do Ensino Médio de uma escola pública. Depois que alguns furtos são comunicados à diretoria, os professores resolvem interrogar os alunos, sugerindo que apontem quem está praticando os delitos. Ou seja, pedem para que eles dedurem os colegas, o que revolta Carla. Claro que a desconfiança recai sobre os alunos filhos de imigrantes. Carla resolve investigar por conta própria e deixa o seu laptop com a câmera ligada na sala dos professores. Ao verificar as imagens, ela percebe que alguém mexe na sua bolsa e furta uma determinada quantia. A pessoa só é identificada pela estampa da blusa. Carla vai à diretoria e acusa uma secretária da escola, que, confrontada, alega inocência, mas é afastada. Tem início então um verdadeiro inferno na vida de Carla, que acaba como a vilã da história, acusada por professores e alunos de haver cometido uma grande injustiça. A situação causa um grande estresse para a jovem professora, que até no jornal interno é criticada por sua postura. É dentro desse contexto e num constante suspense que o drama ganha força. A atuação de Carla Nowak, realmente estupenda, lhe valeu o prêmio de Melhor Atriz pelo Deutscher Filmpreis. Trocando em miúdos, “A Sala dos Professores” não é um grande filme, mas poderoso na medida em que explora com maestria a tensão que faz parte do dia a dia de uma instituição de ensino, seja aqui, na Alemanha ou outro qualquer país. Imperdível!                       

domingo, 4 de agosto de 2024

“INGRESSO PARA O PARAÍSO” (“TICKET TO PARADISE”), 2022, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta inglês Ol Parker, que também assina o roteiro com a colaboração de Daniel Pipski (Parker é mais conhecido como roteirista, responsável por filmes de grande sucesso como, por exemplo, “Mamma Mia!” e “Exótico Hotel Marigold”). O grande trunfo dessa comédia romântica é a presença de dois grandes astros de Hollywood: Julia Roberts e George Clooney, contracenando juntos pela quinta vez. Vamos à história: Lily Cotton (Kaitlyn Dever), acaba de se formar em Direito pela Universidade de Chicago e, para comemorar, viaja com sua melhor amiga Wren Butler (Billie Lourd, filha de Carrie Fisher e neta de Debbie Reynolds) para a paradisíaca ilha de Bali, na Indonésia. Ela, porém, resolve não voltar, pois se apaixonou por Gede (Maxime Bouttier), um jovem nativo da ilha, e com o qual decide se casar. A notícia cai com uma bomba para seus pais, David Cotton (Clooney) e Georgia (Julia Roberts), que não são mais casados há mais de cinco anos e mal se falam. Mesmo assim, eles viajam às pressas juntos para Bali com o objetivo de acabar com o casamento e convencer a filha a voltar para Chicago e iniciar sua carreira de advogada. David e Georgia colocam em prática algumas maldades para separar o jovem casal e, a partir daí, muita confusão vai agitar a ilha. Como se não bastasse, chega em Bali, de surpresa, o atual namorado de Georgia, um atrapalhado piloto de avião. As situações são bem conduzidas, embora o humor seja fraco, tanto no que se refere aos diálogos como em algumas cenas que se propõem hilárias. Na verdade, além de Julia Roberts e George Clooney, o que mais se destaca é o cenário paradisíaco de Bali, que na verdade é pura ilusão de ótica, pois “Ingresso para o Paraíso” foi todo filmado em Queensland, na Austrália. Somando os prós e os contras, o resultado é decepcionante.                     

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

“GUERRA SEM REGRAS” (“THE MINISTRY OF UNGENTLEMANLY WARFARE”), 2024, Estados Unidos, 2h01m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta inglês Guy Ritchie (“Snatch – Porcos e Diamantes”, “Sherlock Holmes”), que também assina o roteiro ao lado de Arash Amel, Paul Tamasy e Eric Johnson. Mais uma daquelas incríveis histórias da fonte interminável de histórias ambientadas durante a Segunda Guerra Mundial. Esta, em especial, foi inspirada por arquivos secretos e por um documentário do Departamento de Guerra Britânico. Ou seja, (quase) tudo é baseado num fato real, fantasiado com incrível competência pelos roteiristas, uma criativa e original direção de arte, com cenários deslumbrantes e um show de fotografia. Trata-se de um filme de ação com um ritmo alucinante, cenas espetaculares e muito humor. Vamos à história. Durante aquele conflito, o exército inglês, com o aval do primeiro-ministro Winston Churchill, recruta um grupo de mercenários para explodir um navio, ancorado no litoral da África, que abastecia os temidos U-BOAT, submarinos nazistas que aterrorizavam os mares e foram responsáveis por abater inúmeros navios dos aliados, tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra Mundial. A missão, coordenada de Londres pelo oficial britânico Ian Fleming – aquele mesmo, criador do agente OO7 – tinha um prazo de alguns dias para ser concluída, pois havia informações de que o navio logo partiria para outro porto. Muita tensão até o desfecho, destacando as ótimas cenas de ação. Estão no elenco Henry Cavill, Eiza González, Alan Ritchson, Alex Pettyfer, Hero Fiennes Tiffin, Till Schweiger, Freddie Fox, Rory Kinnear e Babs Olusanmokun. Enfim, um ótimo filme para entreter e divertir. Não perca!                 

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

“TEIA DE VINGANÇA” (“WHAT COMES AROUND”), 2024, Estados Unidos, 1h24m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Amy Redford (filha do ator e diretor Robert Redford), seguindo roteiro assinado por Scott Organ. Trata-se de um suspense cuja história é bem interessante e atual, ao mesmo tempo em que serve de alerta para pais de adolescentes que costumam se relacionar pela Internet. A jovem Anna (Grace Van Dien, filha do ator Casper Van Dien) passa horas, todos os dias, conversando com um tal de Eric (Kyle Gallner), 12 anos mais velho que ela – ela tem 16 e ele 28 (na vida real, o ator Kyle Gallner tem 37). Papo vai, papo vem, eles combinam de se encontrar pessoalmente. Essa relação tem tudo para acabar mal, pois Eric – o espectador logo percebe – apresenta um comportamento muito esquisito, beirando a esquizofrenia ou a psicopatia (ponto para a ótima atuação do ator Gallner). Beth (Summer Phoenix), a mãe da moça, fica revoltada com a situação, assim como seu namorado, o policial Tim (Jesse Garcia). Numa revelação bombástica, um fato do passado vem à tona e a história dá uma grande reviravolta, dando a impressão que uma tragédia está próxima de acontecer. Infelizmente, o desfecho não condiz com o suspense que permeia a história. O roteiro preferiu dar um “the end” mais light, o que, na minha opinião, acabou prejudicando o resultado final. Mais um destaque negativo é a fraca atuação da atriz Summer Phoenix, irmã mais nova dos atores Joaquin Phoenix e do falecido River Phoenix. Enfim, "Teia de Vingança" é apenas interessante.                 

terça-feira, 30 de julho de 2024

 

“ESPOSA E MÃE” (“SAVI”), 2024, Índia, 1h52, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Abhinay Deo. Começo o comentário destacando um aspecto um tanto inusitado, ou seja, um filme produzido por Bollywood inteiramente filmado na cidade inglesa de Liverpool. Aqui mora o casal de imigrantes indianos Savi (Divya Khosla Kumar) e Nakul Sachdeva (Harshvardhan Rane) e o filho menor. Ele trabalha e ela é apenas dona de casa. Tudo vai bem até que um dia a polícia bate na porta do casal e anuncia a prisão de Nakul. A acusação: ele teria assassinado sua chefe no estacionamento da empresa. Ele nega o crime, mas é julgado e condenado à prisão perpétua. Savi não se conforma com a situação, pois acredita que o marido é inocente. Seu desespero é tão grande que ela resolve simplesmente resgatar Nakul da penitenciária de segurança máxima. Quando planeja a estratégia, ela entra em contato com um sujeito que conseguiu escapar de uma prisão inglesa de segurança máxima, “coincidentemente” um ex-prisioneiro indiano que, comovido com a situação da moça, resolve ajudá-la. Até o desfecho, muito suspense para prender a atenção do espectador, valorizado por algumas boas cenas de ação. Completam o elenco Anil Kapoor, Hadelin De Ponteves e M.K. Raina. Para concluir, lembro que o filme é um remake do drama francês “Tudo por Ela”, de 2008, com a diferença de que a prisioneira é a esposa. Trocando em miúdos, “Esposa e Mãe” é um bom suspense que garante um ótimo entretenimento, com a vantagem de não ter aquelas coreografias irritantes nem festas com guerra de pó colorido, dois dos chavões mais tradicionais da maioria dos filmes de Bollywood.          

domingo, 28 de julho de 2024

 

“O SABOR DA VIDA” (“LA PASSION DE DODIN BOUFFANT”), 2023, coprodução França/Bélgica, 2h16m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção do cineasta vietnamita Tran Anh Hung, que ficou conhecido depois de dirigir a pequena obra-prima “O Cheiro do Papaia Verde”, de 1993. Já vimos inúmeros filmes cujo tema é a gastronomia. O mais famoso e talvez o melhor deles ainda seja “A Festa de Babette”, de 1987, produção dinamarquesa que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “O Sabor da Vida” não fica muito longe em termos de qualidade. Tanto é que foi indicado pela França ao Oscar 2024 de Melhor Filme Internacional, além de receber o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes. O filme realmente é muito bom, com uma primorosa fotografia (Jonathan Ricquebourg), excelente elenco, romântico, poético e, acima de tudo, requintado no que se refere à gastronomia. Não à toa que o cenário é basicamente a cozinha de um casarão, onde toda a ação acontece desde a primeira cena. Antes de revelar a sinopse, lembro que a história é baseada no romance “The Passionate Epicure: La Vie Et La Passion de Dodin-Bouffant”, escrito por Marcel Rouff. Estamos em 1885, na cozinha da casa cujo proprietário é o empresário Dodin Bouffant (Benoît Magimel), dono de restaurante e chef de cozinha – seu personagem foi inspirado em Anthelme Brillat-Savarin (1755-1826), renomado gourmet e gastrônomo francês, responsável pela criação dos mais famosos pratos da alta culinária francesa. Eugenie (Juliette Binoche) trabalha como cozinheira para Dodin há cerca de vinte anos. Dodin gosta de ficar na cozinha acompanhando o trabalho de Eugenie, dando palpites, saboreando os molhos e criando novos cardápios. Depois que ficou viúvo, Dodin se apaixonou por Eugenie e, quando esta ficou doente, ele mesmo passou a cozinhar para ela. Ou seja, a gastronomia como fator preponderante para unir ainda mais o casal. Cabe aqui destacar a química perfeita entre Binoche e Magimel, que pode ser explicada pelo fato de terem sido casados na vida real entre 1998 e 2003, relação que resultou numa filha. Completam o elenco Emmanuel Salinger, Patrick D’Assunção, Jean-Mark Roulot, Yannik Landrein, Sarah Adler, Bonnie Chagneau e Galatea Bellugi. Embora lento, o filme em nenhum momento perde o seu encanto. Um prato cheio para quem curte gastronomia. Imperdível!         

sexta-feira, 26 de julho de 2024

 

 

“ROUBANDO MUSSOLINI” (“RAPINIAMO IL DUCE”), 2022, Itália, 1h30m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Renato De Maria (“Desaparecidos na Noite”, “Nada Santo”, "La Vita Oscena”). Comédia de ação muito criativa, ambientada no final da Segunda Guerra Mundial. Um grupo de militantes da resistência planeja roubar o tesouro do ditador italiano, um grande volume de joias, moedas de ouro, e documentos ultrassecretos. Mussolini pretendia levar isso tudo para a Suíça. Até aqui, tudo baseado em fatos reais. A ficção começa quando um grupo da resistência italiana resolve roubar todo esse tesouro. Isola (Pietro Castellitto) reúne seus amigos mais próximos para planejar e executar o roubo. Havia, porém, um problema. Isola é amante de Yvonne (Matilda de Angelis), que por sua vez é amante de Achille Borsalino (Fillipo Timi), um alto oficial de Mussolini. A missão não é nada fácil. Esse tesouro do ditador italiano está protegido no quartel-general dos fascistas em Milão. Muita ação e suspense prendem o espectador até o desfecho, num desenrolar de situações hilariantes. Completam o elenco Coco Rebecca Edogamhe, Maurizio Lombardi, Marcelo Macchia, Isabella Ferrari, Tommaso Ragno e Lorenzo de Moor. Sem dúvida, “Roubando Mussolini” é um dos filmes mais criativos e interessantes do cinema italiano nos últimos anos. Entretenimento garantido. Não perca!      

quarta-feira, 24 de julho de 2024

 

    

    “I WANNA DANCE WITH SOMEBODY – A HISTÓRIA DE WHITNEY HOUSTON” (“WHITNEY HOUSTON: I WANNA DANCE WITH SOMEBODY”), 2022, Estados Unidos, 2h26m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Kasi Lemmons, seguindo roteiro assinado por Anthony McCarten. Cinebiografia da cantora pop norte-americana Whitney Houston (1963-2012). A história acompanha a trajetória de Whitney, interpretada com maestria pela atriz e cantora inglesa Naomi Ackie, desde que cantava no coro da igreja e como backing vocal nas apresentações da mãe Cissy Houston (Tamara Tunie), até ser descoberta pelo empresário Clive Davis (Stanley Gucci) e fazer um grande sucesso com suas gravações e shows. Whitney era um fenômeno vocal. Seus discos venderam milhões e a consagraram como a grande cantora norte-americana nos anos 80/90 e nos primeiros anos do século XXI. O filme destaca sua vida pessoal, seu suposto romance lésbico com uma assessora e seu tumultuado casamento com o cantor Bobby Brown e seu vício em drogas, que acabou com sua carreira e vida. Um detalhe precioso que o filme destacou foi o fato de que o ator Kevin Costner, com quem ela contracenou no filme “O Guarda-Costas”, foi o responsável por indicar a canção “I Will Always Love You” para a trilha sonora. Aliás, falando em trilha sonora, não há dúvida de que é um dos maiores trunfos de “I Wanna Dance With Somebody”, além da excelente performance de Naomi Ackie e do primoroso roteiro, assinado por Anthony McCarten, responsável também pelos roteiros de grandes sucessos como “Bohemian Rhapsod”, cinebiografia de Freddie Mercury, e ainda pelos excelentes “Dois Papas”, “A Teoria de Tudo” e “O Destino de Uma Nação”. Trocando em miúdos, “I Wanna Dance...” é um verdadeiro espetáculo. Estranho não ter sido indicado para nenhuma categoria do Oscar 2023. Mais uma injustiça da Academia.