sexta-feira, 26 de julho de 2024

 

 

“ROUBANDO MUSSOLINI” (“RAPINIAMO IL DUCE”), 2022, Itália, 1h30m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Renato De Maria (“Desaparecidos na Noite”, “Nada Santo”, "La Vita Oscena”). Comédia de ação muito criativa, ambientada no final da Segunda Guerra Mundial. Um grupo de militantes da resistência planeja roubar o tesouro do ditador italiano, um grande volume de joias, moedas de ouro, e documentos ultrassecretos. Mussolini pretendia levar isso tudo para a Suíça. Até aqui, tudo baseado em fatos reais. A ficção começa quando um grupo da resistência italiana resolve roubar todo esse tesouro. Isola (Pietro Castellitto) reúne seus amigos mais próximos para planejar e executar o roubo. Havia, porém, um problema. Isola é amante de Yvonne (Matilda de Angelis), que por sua vez é amante de Achille Borsalino (Fillipo Timi), um alto oficial de Mussolini. A missão não é nada fácil. Esse tesouro do ditador italiano está protegido no quartel-general dos fascistas em Milão. Muita ação e suspense prendem o espectador até o desfecho, num desenrolar de situações hilariantes. Completam o elenco Coco Rebecca Edogamhe, Maurizio Lombardi, Marcelo Macchia, Isabella Ferrari, Tommaso Ragno e Lorenzo de Moor. Sem dúvida, “Roubando Mussolini” é um dos filmes mais criativos e interessantes do cinema italiano nos últimos anos. Entretenimento garantido. Não perca!      

quarta-feira, 24 de julho de 2024

 

    

    “I WANNA DANCE WITH SOMEBODY – A HISTÓRIA DE WHITNEY HOUSTON” (“WHITNEY HOUSTON: I WANNA DANCE WITH SOMEBODY”), 2022, Estados Unidos, 2h26m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Kasi Lemmons, seguindo roteiro assinado por Anthony McCarten. Cinebiografia da cantora pop norte-americana Whitney Houston (1963-2012). A história acompanha a trajetória de Whitney, interpretada com maestria pela atriz e cantora inglesa Naomi Ackie, desde que cantava no coro da igreja e como backing vocal nas apresentações da mãe Cissy Houston (Tamara Tunie), até ser descoberta pelo empresário Clive Davis (Stanley Gucci) e fazer um grande sucesso com suas gravações e shows. Whitney era um fenômeno vocal. Seus discos venderam milhões e a consagraram como a grande cantora norte-americana nos anos 80/90 e nos primeiros anos do século XXI. O filme destaca sua vida pessoal, seu suposto romance lésbico com uma assessora e seu tumultuado casamento com o cantor Bobby Brown e seu vício em drogas, que acabou com sua carreira e vida. Um detalhe precioso que o filme destacou foi o fato de que o ator Kevin Costner, com quem ela contracenou no filme “O Guarda-Costas”, foi o responsável por indicar a canção “I Will Always Love You” para a trilha sonora. Aliás, falando em trilha sonora, não há dúvida de que é um dos maiores trunfos de “I Wanna Dance With Somebody”, além da excelente performance de Naomi Ackie e do primoroso roteiro, assinado por Anthony McCarten, responsável também pelos roteiros de grandes sucessos como “Bohemian Rhapsod”, cinebiografia de Freddie Mercury, e ainda pelos excelentes “Dois Papas”, “A Teoria de Tudo” e “O Destino de Uma Nação”. Trocando em miúdos, “I Wanna Dance...” é um verdadeiro espetáculo. Estranho não ter sido indicado para nenhuma categoria do Oscar 2023. Mais uma injustiça da Academia.              


segunda-feira, 22 de julho de 2024

 

“MERGULHANDO NO AMOR” (“FIND ME FALLING”), 2024, Estados Unidos, 1h32m, produção original e distribuição Netflix, roteiro e direção da cineasta cipriota Stelana Kliris (é o seu segundo longa-metragem). Comédia romântica cuja história é centrada no cinquentão John Allman (Harry Connick Jr.), um astro do rock em decadência. Com o insucesso do seu último álbum, Allman entra em depressão e resolve se isolar na Ilha de Chipre, onde acaba de comprar uma pequena casa à beira de um penhasco. Aqui, logo descobriria, é um local bastante apreciado - acreditem! - pelos suicidas. Por uma dessas coincidências que só o cinema é capaz de inventar, Allman dá de cara com Sia (Agni Scott), uma cipriota com a qual teve um caso há muitos anos, quando ela estudava medicina em Nova York. Allman também conhece Melina (Ali Fumiko Whitney), uma jovem cantora que faz sucesso cantando num barzinho, que ele logo descobrirá ser filha de Sai. Coincidências à parte, Allman consegue se enturmar com o pessoal do vilarejo, até que o seu empresário liga anunciando que conseguiu um show especial para ele em Nova York. Será que Allman deixará a ilha e voltará para sua rotina de shows nos Estados Unidos? Só assistindo que você saberá a resposta. O filme destaca algumas peculiaridades dos moradores de Chipre, inclusive a gastronomia tradicional, além de cenários deslumbrantes da ilha. Como curiosidade, vale lembrar que Harry Connick Jr., além de ator, é pianista e cantor de jazz de grande sucesso, com várias premiações ao longo de sua carreira musical. Voltando a “Mergulhando no Amor”, achei o filme bastante interessante, leve e simpático, muito agradável de assistir, ideal para uma sessão da tarde sem compromisso com a seriedade.               

domingo, 21 de julho de 2024

 

“DESAPARECIDOS NA NOITE” (“SVANITI NELLA NOTTE”), 2024, Itália, 1h32m, em cartaz na Netflix, direção de Renato De Maria (“Roubando Mussolini”, “Nada Santo”), seguindo roteiro assinado por Luca Infascelli, Patxi Amezcua e Francesca Marciano. Suspense com uma história sem pé nem cabeça, incompreensível do começo ao fim. Começa com um drama familiar entre o casal formado por Pietro (Riccardo Scamarcio) e Elena (Annabelle Wallis, de “Invocação do Mal”). Ela uma psiquiatra norte-americana radicada na Itália desde que se casou com Pietro, um sujeito com um passado nada abonador. Mesmo endividado, ele consegue comprar uma casa na zona rural, para onde leva o casal de filhos para passar um final de semana. No meio da noite, as crianças somem e logo chega um telefonema. É o sequestrador pedindo uma quantia absurda de resgate. Para conseguir o dinheiro, Pietro concorda em fazer um serviço para um traficante: buscar um carregamento de cocaína na Grécia. Com um detalhe: ele tem 36 horas para cumprir sua missão. O filme é repleto de defeitos, um dos quais, bastante risível, é o nível dos diálogos. Pietro conversa com Elena em italiano e ela responde em inglês. Não é hilário? Constrangedora também é a cena em que Pietro entra em luta corporal com o traficante no meio de uma festa e todo mundo que está em volta nada percebe. Não é mais hilário ainda? Trocando em miúdos, mesmo com a presença do astro italiano Riccardo Scamarcio e da bela Annabelle Wallis, “Desaparecidos na Noite” é uma decepção.                 

sábado, 20 de julho de 2024


“BLUE BAYOU” (é com esse título original que o drama chega à Netflix – trata-se de um termo utilizado na Louisiana, sul dos EUA, que também pode ser entendido como “Lagoa Calma”), 2021, coprodução Estados Unidos/Canadá, em cartaz na Netflix, escrito, dirigido e estrelado por Justin Chon, ator norte-americano de ascendência coreana. Trata-se de um drama social que aborda a questão dos imigrantes adotados que vivem nos Estados Unidos, muitos dos quais foram entrevistados por Chon para escrever o roteiro. A história do filme é baseada na experiência de um desses imigrantes, o personagem denominado Antonio LeBlanc. Adotado aos três anos por um casal de norte-americanos, Antonio cresceu, estudou e casou como um cidadão do país. Por causa de sua ficha criminal – roubo de motos na juventude -, Antonio tem muita dificuldade em arrumar emprego. O dinheiro que consegue vem de seu trabalho como tatuador. Sua esposa Kathy (a atriz sueca Alicia Vikander) ajuda no orçamento trabalhando como assistente numa clínica de fisioterapia. O casal tem uma filha, Jessie (Sidney Kowalske), do primeiro casamento de Kathy, que aceitou Antonio como seu verdadeiro pai. A mãe de Kathy tenta ajudar, mas sempre deixou clara sua antipatia pelo atual genro, um comportamento xenofóbico destacado pelo roteiro. As dificuldades financeiras e o fato de Kathy estar novamente grávida aumentam o nível de dramaticidade da história, que piora ainda mais a partir do momento em que Antonio recebe a notícia de que será deportado para a Coreia do Sul, pois seus pais adotivos não o naturalizaram norte-americano. Completam o elenco Mark o'Brien, Linh-Dan Pham, Vondie Curtis e Geraldine Singer. "Blue Bayou” estreou no Festival de Veneza e dividiu a opinião dos críticos, muitos dos quais acharam o filme excessivamente dramático. Também, não é para menos... Com base na opinião de 125 críticos ouvidos pelo site agregador Rotten Tomatoes, o filme ganhou a aprovação de 75%. O filme foi ainda mais valorizado pela presença da ótima atriz sueca Alicia Vikander, vencedora do Oscar de melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em “A Garota Dinamarquesa”, de 2015. Resumo da ópera: “Blue Bayou” é um excelente drama social, capaz de emocionar até mesmo o espectador menos sensível. Portanto, antes de assisti-lo, separe uma caixa de lenços de papel.      

sexta-feira, 19 de julho de 2024

 

“DARKLAND: O RETORNO” (“UNDERVERDEN II”), 2023, Dinamarca, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do dinamarquês de origem iraquiana Fenar Ahmad, seguindo roteiro assinado por Behrouz Bigdeli. Trata-se da sequência de “Darkland: Guerreiro da Escuridão”, de 2017, repetindo a mesma equipe técnica e grande parte do elenco, com destaque para o ator Dar Salim, que dá vida ao personagem central, o médico Thomas Zaid, que no primeiro filme, depois de vingar a morte do irmão, acaba na prisão. Seis anos depois, portanto, em “Darkland: O Retorno”, Zaid é procurado pela detetive Helle (Birgitte Hjorty Sørensen), que lhe oferece a liberdade se ele concordar em se infiltrar numa poderosa gangue de traficantes, em sua maioria imigrantes árabes. Ele topa, mais pelo fato de ter a oportunidade de finalmente conhecer Noah (Asgar Hansen), seu filho que nasceu quando ele estava na prisão. Zaid, porém, não terá vida fácil, sendo obrigado a participar das atividades criminosas da gangue chefiada pelo sádico Muhdir (Soheil Bavi). Como se não bastasse, surge no cenário outra gangue disposta a tomar o lugar de Muhdir, tornando a missão de Zaid ainda mais perigosa. O filme garante boas cenas de ação e muito suspense. Pelo que dá a entender o desfecho, haverá certamente mais uma sequência. Completam o elenco Stine Fischer, Soheil Bavi, Abdu Mustafa, Mohamed Ayman e Noah Carter. Um dos grandes trunfos do filme é contar com o carismático ator iraquiano Dar Salim, radicado na Dinamarca e conhecido por participações destacadas em filmes como “Um Marido Fiel”, Caranguejo Negro”, “O Pacto” e “O Dublê do Diabo”, além do já citado “Guerreiro da Escuridão, entre outros.           

quinta-feira, 18 de julho de 2024

“DIVÓRCIO EM FAMÍLIA” (“DIVORCE IN THE BLACK”), 2024, EUA, em cartaz na Prime Vídeo, 2h23m, roteiro e direção de Tyler Perry. Trata-se de um drama que trata da violência doméstica. Ava (Meagan Good), executiva de um banco, é a figura central da história. Durante anos, ela sofreu nas mãos do marido Dallas (Cory Hardrict), até que chegou ao ponto de chegarem a um acordo sobre o divórcio. A gota da d’água foi o que aconteceu durante o velório de um dos irmãos de Dallas, quando o reverendo, pai de Ava, afirmou que o falecido não era uma pessoa que merecia respeito. Influenciado pela mãe maluca e pelos irmãos, Dallas resolve se divorciar. Porém, quando soube que Ava estava saindo com outro homem, Dallas se enfurece e vai tirar satisfações. A guerra entre as famílias estava declarada. Completam o elenco Debbi Morgan, Joseph Lee Anderson, Taylor Polidore, Richard Lawson e Shannon Wallace. Como na maioria dos seus filmes, Tyler Perry escala um elenco formado, em sua maioria, por atores negros. Tyler até que vinha obtendo bons resultados com filmes como “O Limite da Traição” e “O Homem do Jazz”, mas desta vez não conseguiu agradar a crítica. No rigoroso site Rotten Tomatoes, por exemplo, o índice de aprovação foi de 0%, uma tragédia. O restante da crítica especializada também não gostou. Chegaram a considerá-lo, desde já, como o pior filme de 2024. E o pior é que o desfecho dá a entender que poderá haver uma sequência.           

quarta-feira, 17 de julho de 2024

“PERSEGUIÇÃO EM MALTA” (“LOVE ON THE ROCK”), 2023, coprodução Estados Unidos/República de Malta, 1h39m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Matt Shapira, que também assina o roteiro com Tommy Blaze e David Andrew Roy White. Pensei que assistiria a um bom filme de ação, mas o que vi de bom foram os belos cenários de Malta, uma ilha localizada no Mar Mediterrâneo entre a Europa e a África. Sem dúvida, as imagens favorecem bastante o turismo de Malta e talvez tenham minimizado um pouco a mediocridade do filme. Trata-se de um filme de ação, repleto de humor e momentos da mais pura sátira, garantida pela própria atuação caricata dos atores. Vamos à história. Uma poderosa organização criminosa quer roubar a fórmula de um soro capaz de curar qualquer tipo de doença. Ou seja, um remédio que renderá, ao seu proprietário, uma fortuna incalculável. Uma agência secreta também está atrás da fórmula. Algumas evidências indicam que a pequena mostra está em poder de Colton Riggs (David A.R. White), um ex-policial de Chicago que comprou um barco e promove excursões pagas em volta da ilha. Sem saber de nada, ele passa a ser o alvo de quem quer recuperar o soro. E por aí segue a história, com algumas cenas de ação e perseguições, com direito a um inesperado romance entre uma bela espiã (Lauriane Gilliéron, miss Suíça em 2005) e o protagonista principal. Completam o elenco Nathalie Rapti Gomez, Jeff Fahey, Steven Bauer, Kira Reed, Jon Lovitiz, Vincente De Paul, Andrea Sabatino e Lisel Hlista. Quem gosta de cinema vai reconhecer dois rostos bastante conhecidos. Um deles é o ator norte-americano Jon Lovitz, de tantas comédias, e também o ator e roteirista David Andrew Roy White, que atua em filmes evangélicos feitos por sua produtora Pinnacle Peak Pictures. Trocando em miúdos, “Perseguição em Malta” é um filme que prioriza a sátira e o turismo, deixando de lado a qualidade como cinema.        

domingo, 14 de julho de 2024

 

“OS REJEITADOS” (“THE HOLDOVERS”), 2023, Estados Unidos, 2h13m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Alexander Payne (“Sideways”, “Nebraska”), seguindo roteiro assinado por David Hemingson. Indicado a disputar o Oscar 2024 em cinco categorias (ganhou em uma – leia no fim do comentário), “Os Rejeitados” é um drama ambientado no último mês de 1970, quando os alunos do colégio interno Barton Academy, na Nova Inglaterra, preparavam-se para passar as festas de final de ano com suas famílias. Como o título já deixa antever, três desses personagens foram obrigados a permanecer no campus: o professor rabugento e exigente Paul Hunham (Paul Giamatti), o aluno problemático Angus Tully (o estreante Dominic Sessa) e a cozinheira-chefe Mary Lamb (Da’Vine Joy Randolph), que vive o luto recente pela perda de seu filho na guerra do Vietnã. A partir dessa relação meio forçada, surge uma forte ligação entre os três, cada qual dando uma força para o outro. É o lado sensível da história, muito bem trabalhado pelo roteiro recheado de diálogos bem-humorados que emocionam a cada cena. “Os Rejeitados” tem uma produção simples, ao estilo dos filmes independentes, mas mesmo assim mereceu cinco indicações ao Oscar 2024: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante (Da’Vine ganhou o prêmio), Melhor Roteiro Original e Melhor Edição. O excelente desempenho do veterano Paul Giamatti foi reconhecido pelo Globo de Ouro. Completam o elenco Carrie Preston, Gillian Vigman, Michael Provost, Tate Donovan, Oscar Wahlberg e Darby Lee-Stack. Enfim, um ótimo programa, sensível, divertido e inteligente. Não perca.      

sábado, 13 de julho de 2024

 

“UMA LIÇÃO DE ESPERANÇA” (“PERSISCHSTUNDEN”), 2020, coprodução Rússia, Bielorússia e Alemanha, 2h07m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta ucraniano - hoje radicado no Canadá - Vadim Perelman (“Casa de Areia e Névoa”, “Sem Medo de Morrer”), seguindo roteiro assinado por Ilja Zofin e Wolfgang Kohlhaase. Sabe aquele filme escondidinho no catálogo do streaming e que você descobre por acaso e que acaba sendo ótimo? É o caso de “Uma Lição de Esperança”, um drama, baseado em fatos reais, ambientado durante a Segunda Guerra Mundial. A história é realmente incrível e só ela já merece uma atenção especial. Depois que o exército nazista de Hitler invade a Bélgica, em 1942, começa a perseguição aos judeus belgas, em seguida enviados a campos de concentração. O jovem judeu Gilles (o ator argentino Nahuel Pérez Biscayart) está entre eles. Quando  o seu grupo é obrigado a descer do caminhão para ser fuzilado, Gilles grita que não é judeu, e sim persa. Por uma dessas “coincidências” divinas, o oficial alemão Klaus Kock (Lars Eidinger) prometeu premiar o soldado que encontrar um persa entre os prisioneiros, já que é seu sonho aprender o pársi, língua oficial do Irã. O irmão do oficial alemão mora em Teerá e Klaus Kock deseja visitá-lo após o fim da guerra. Sem saber nenhuma palavra em pársi, Gilles diz chamar-se Reza Joon. Ele foi inventando as palavras e ensinando o nazista a pronunciá-las e traduzí-las para o alemão. Para isso, precisava memorizar todas essas palavras fictícias, pois caso não lembrasse de alguma iria direto para o paredão. Os diálogos entre o prisioneiro e o oficial nazista são ótimos, cercados de grande suspense, já que qualquer vacilada significaria a morte do falso judeu. Exibido pela primeira vez no Festival de Cinema de Berlim, o filme recebeu elogios tanto do público como dos críticos profissionais. Realmente, “Uma Lição de Esperança” é ótimo, contando uma das melhores histórias originadas daquele conflito. Imperdível!        

quarta-feira, 10 de julho de 2024

“INFILTRADO” (“DUE JUSTICE”) - no vídeo aparece “Palido” como título original; vá entender! -, 2023, Estados Unidos, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Javier Reyna. Suspense policial centrado na história de Max (Kellan Lutz), um advogado de Seattle e ex-agente das forças especiais. Por causa de seu irmão, agente do FBI infiltrado em uma quadrilha de traficantes de órgãos humanos, Max acaba sofrendo duas perdas trágicas e irreparáveis: sua esposa e o próprio irmão. Além disso, sua filha pequena foi sequestrada. Com espírito de vingança e com o objetivo de resgatar a menina, Max vai atrás dos responsáveis. Não bastasse essa situação, a polícia de Seattle desconfia que Max pode ser o responsável pelos crimes. Completam o elenco Efren Ramirez, Chelsea Lopez, Niko Foster, Cynthia Geary, Tonantzin Esparza e Richard Carmen. Trocando em miúdos, o resultado final deixa muito a desejar. É um filme violento, com algumas poucas cenas de ação, um elenco dos mais fracos e uma história pouco convincente. Dessa forma, é preciso boa vontade para recomendar. Conforme nossa democracia relativa, o espectador é livre para escolher.         

terça-feira, 9 de julho de 2024

 

“NOSSO AMIGO EXTRAORDINÁRIO” (“JULES”), 2023, Estados Unidos, 1h30m, em cartaz na Netflix, direção de Marc Turtletaub (“O Quebra-Cabeça” e “Gods Behaving Badly”), seguindo roteiro assinado por Gavin Steckler. Taí um programão para uma sessão da tarde com pipoca. Filme leve, divertido, sensível e, em alguns momentos, bastante comovente. Um disco voador cai no jardim da casa do viúvo Milton Robinson (Ben Kingsley), um sujeito rabugento, solitário e ficando gagá. Ele liga para a emergência e conta o que acaba de acontecer. Claro que a atendente acha que é trote. Da nave sai um ET e o velho convida-o para ficar em sua casa. Aos poucos, nasce uma amizade entre os dois. A partir daí, Robinson tenta manter o acontecimento em sigilo, mas não contava com as bisbilhoteiras Joyce (Jane Curtin) e Sandy (Harriet Sansom Harris), que descobrem o segredo e até viram amigas do ET, ao qual decidem dar o nome de Jules (o título original). Enquanto isso tudo acontece, as autoridades norte-americanas convocam o FBI para investigar a possível queda de um satélite na Pensilvânia, justamente na pequena cidade onde aconteceu a queda da aeronave. Enquanto isso, o pequeno ET (trata-se da atriz Jade Quon) tenta consertar o seu disco voador, cuja matéria-prima para o combustível é constituída de gatos mortos – não há explicação sobre isso. Enfim, dá para se divertir e se emocionar com as situações que acontecem depois da chegada inusitada do ET. “Nosso Amigo Extraordinário” é, portanto, um entretenimento de primeira.       

segunda-feira, 8 de julho de 2024

 

“DESESPERO PROFUNDO” (“NO WAY UP”), 2024, em cartaz na Prime Vídeo, 1h35m, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, direção do cineasta suíço Claudio Fäh (“A Saga Viking”, “O Atirador”), seguindo roteiro assinado por Andy Mayson. Aviso de amigo: se você estiver prestes a viajar de avião, não assista! A situação é brava, realmente desesperadora. Um avião sai da Califórnia com turistas que pretendem passar alguns dias de férias na cidade mexicana de Cabo San Lucas (no filme, todos falam que vão para o Cabo, que depois de pesquisar cheguei ao nome correto da cidade turística). No meio da viagem, porém, um dos motores começa a pegar fogo e o avião acaba caindo no Oceano Pacífico. Se cair já é trágico, imagina afundar, ainda mais com um rombo na lateral. Pois é isso que acontece. O avião imbicou no fundo e parou numa formação rochosa. Alguns poucos passageiros conseguiram sobreviver ao impacto e à invasão da água, colocando-se no fundo da aeronave. A agonia não acaba por aí, pois até tubarões entram no avião. Claro que a situação dos sobreviventes fica cada vez mais difícil, pois não há muita saída. Até o desfecho, o espectador vai embarcar nesse sufoco e sofrer junto com o pessoal. Fazem parte do elenco Sophie Mcintosh (“Admirável Mundo Novo”), Colm Meaney, Grace Nettle, Manuel Pacific, Will Attenborough, Jeremias Amoore e Phyllis Logan. O filme funciona muito bem como suspense, destacando-se algumas cenas de ação e alguns bons sustos. Ideal para uma sessão da tarde, mas repito o alerta: não assista se você tiver alguma viagem aérea marcada.    

sábado, 6 de julho de 2024

 


 

  “QUIZÁS ES CIERTO LO QUE DICEN DE NOSOTRAS” (como chegou à Prime Vídeo com esse título original, sem a tradução devida, resolvi traduzir do meu jeito: “Talvez Seja Verdade o Que Dizem Sobre Nós”), 2024, Chile, 1h36m, roteiro e direção de Camilo Becerra e Sofía Paloma Gómez, dupla responsável também por “Perro Morto”, “Trastornos Del Sueño" e “El Último Sacramento”. Em “Quizás...”, revela o material de divulgação, a história é baseada em fatos reais, que não descobri quem, quando ou aonde. Aí vai a sinopse. Depois de ficar um tempo fora de casa, integrada a uma seita misteriosa, a jovem Tamara (Camila Roeschmann) volta para casa e exibe um comportamento muito estranho, que nem mesmo sua mãe, a psiquiatra Ximena, consegue desvendar. Até que um dia a polícia bate na casa: Tamara é acusada de matar o próprio bebê. A confusão está formada. Assim como Tamara, seus companheiros de seita também são presos, já que o guru da turma está foragido. Ximena promete mundos e fundos para defender a filha, contratando um advogado e realizando reuniões com os pais dos outros jovens detidos. Afinal, o que realmente aconteceu? Esse mistério mantém o suspense até o desfecho. Os críticos profissionais não foram muito generosos com o filme, mas garanto que ele não é tão ruim quanto a opinião deles. Eu, por exemplo, achei o filme muito interessante, com um roteiro bem elaborado e boas atuações.  


quinta-feira, 4 de julho de 2024

“O SEQUESTRO DE DANIEL RYE” (“SER DU MANEN, DANIEL”), 2019, coprodução Dinamarca/Suécia/Noruega, 2h18m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Niels Arden Oplev e Anders W. Berthelsen. Drama baseado em fatos reais, ou seja, tudo o que envolveu o sequestro do fotógrafo dinamarquês Daniel Rye (Sben Smed), em 2013, na Síria, por terroristas do Estado Islâmico. Acusado de ser espião da CIA, Rye ficou preso 13 meses, durante os quais sofreu as piores torturas físicas e psicológicas. Entre seus companheiros de prisão estava o jornalista norte-americano James Foley (Toby Kebbell), cuja decapitação foi apresentada em vídeo para o mundo inteiro. O filme mostra não apenas o martírio de Daniel na prisão, mas também o sofrimento de sua família, obrigada a recorrer a bancos e empresários para conseguir um empréstimo para pagar o resgate exigido pelos sequestradores do EI, já que o governo da Dinamarca tinha como norma jamais negociar com terroristas. Na prisão, os terroristas também afirmavam se vingar dos seus colegas presos em Guantánamo (Cuba) e em Abu Ghraib (Iraque). Também estão no elenco Sara Hjort Ditlevsen, Amir El-Nasry, Ardalan Esmaili e Sofie Torp. Enfim, um filme muito forte, poderoso e impactante - o diretor não economiza nas cenas chocantes -, não muito fácil de digerir, principalmente pelos espectadores mais sensíveis e de estômago fraco. De qualquer forma, um filmaço. Imperdível!

quarta-feira, 3 de julho de 2024

 

“UMA VIDA: A HISTÓRIA DE NICHOLAS WINTON” (“ONE LIFE”), 2023, Estados Unidos, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de James Hawes (“Slow Horses”, “Black Mirror”), seguindo roteiro assinado por Lucinda Coxon e Nike Drake. Belíssimo e sensível, este drama histórico e biográfico foi injustamente esnobado pelo Oscar 2024. Conta a incrível história de coragem e altruísmo do inglês Nicholas Winton (1909-2015), um corretor da bolsa de valores de Londres que se dedicou a vida inteira às causas humanitárias. Sua maior conquista, pela qual ficaria mundialmente famoso, ocorreu antes e no início da Segunda Guerra Mundial, quando conseguiu resgatar da Tchecoslováquia cerca de 700 crianças judias e levá-las para adoção na Inglaterra. O filme conta a história de Winton desde o início dessa sua missão, em 1938, quando viajou para aquele país para se juntar ao Comitê Britânico para Refugiados da Tchecoslováquia, cuja principal objetivo era salvar judeus da iminente invasão dos nazistas. Com a ajuda da sua mãe, em Londres, ele conseguiu a incrível façanha de mobilizar famílias que se dispunham a adotar as crianças refugiadas. Por incrível que possa parecer, todo esse trabalho ficou anônimo até 1988, quando a produção do programa “That’s Life”, da BBC, conseguiu um álbum de recortes confeccionado por Winton com as fotografias e nomes das crianças e a indicação das famílias que as adotaram. O desfecho é emocionante, de arrepiar. O elenco é de primeira: Johnny Flynn (Nicholas jovem), Anthony Hopkins (Nicholas velho), Helena Bonham Carter, Lena Olin, Romola Garai, Jonathan Pryce, Marthe Keller, Alex Sharp, Samantha Spiro e Juliana Moska. O roteiro foi adaptado do livro “One Life”, escrito por Barbara Winton, filha de Nicholas. Um filme sensacional, uma história que merece ser conhecida. Imperdível!                           

segunda-feira, 1 de julho de 2024

 

“A SOMBRA DO MAL” (“THE NIGHTMAN”), 2024, Bélgica, 1h41m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mélanie Dalloye-Betancourt, seguindo roteiro assinado por Elsa Marpeau. Trata-se de um suspense bastante tenebroso, beirando o terror. A história começa quando o casal Alex (Zara Devlin) e Damian Miller (Mark Huberman) chega à nova casa em que decidem morar, num lugar bem afastado em meio à uma floresta e perto de um castelo em ruínas. Um cenário bem peculiar de um filme de terror. A casa pertence à mãe de Damian, que está internada em um hospital psiquiátrico. A coisa começa a se complicar quando Damian e Alex ouvem tiros e vão ver o que está acontecendo, quando dão de cara com três sujeitos mal-encarados que ameaçam o casal. Nesse meio tempo, Alex visita um internato onde Damian teria estudado na infância. Chegando lá, descobre uma idosa morta. Quando a polícia chega, Alex fica sabendo que, na verdade, aquele prédio não era um colégio, e sim um reformatório para jovens delinquentes. Por que motivo Damian foi internado no reformatório? Será que tem alguma ligação ao fato de que Damian é sonâmbulo e toda noite caminha sem rumo pela floresta? Todo esse contexto naturalmente antecipa alguma tragédia, o que de fato acaba acontecendo. Embora levado num ritmo bastante lento, o filme prende a atenção do começo ao fim, garantindo um bom suspense. Várias curiosidades envolvem “A Sombra do Mal”. O filme é belga, falado em inglês e com um elenco formado em sua maioria por atores irlandeses, além da roteirista ser francesa. Mas a grande novidade é a diretora Mélanie Delloye-Betancourt, nascida na Colômbia e filha da política Íngrid Betancourt, famosa por ter sido candidata à presidência da Colômbia e em seguida sequestrada pelas Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).                               

 

domingo, 30 de junho de 2024

 

“MISSÃO CONDOR” (“CONDOR’S NEST”), 2023, Estados Unidos, 1h42m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Phil Blattenberger. Não confundir com a Operação Condor, implementada em países da América do Sul em 1975 para eliminar inimigos das ditaturas em vigência. “Missão Condor” é outra história, fictícia. Em 1944, perto do final da Segunda Guerra Mundial, um avião B-17 dos EUA é abatido na França. Os membros de sua tripulação foram presos pelos alemães e assassinados a sangue-frio pelo Coronel SS Martin Bach (Arnold Vosloo, de “A Múmia”). Will Spalding (Jacob Keochane), o único sobrevivente da tripulação, assistiu toda a matança e jurou vingança. A história dá um salto de dez anos e lá está Spalding na América do Sul seguindo a pista do oficial alemão, que estaria escondido na Argentina, no Paraguai, no Brasil ou na Bolívia, juntamente com outros milhares de nazistas, entre os quais o temido Heinrich Himmler (James Urbaniak), braço direito e esquerdo de Hitler, e também responsável pelo planejamento e criação do holocausto judeu. Spalding viaja para esses países sul-americanos interrogando e matando qualquer alemão suspeito de ser um nazista. Com a ajuda de Leyna Rahen (Corinne Britti), uma agente do Mossad (serviço secreto de Israel), Spalding descobre um tal de Ninho da Águia, na Bolívia, onde estariam escondidos Himmler e outros importantes oficiais nazistas. Tudo isso que escrevi parece ter resultado em um filme sério. Mas, do jeito que foi filmado, ficou parecendo mais uma sátira grotesca, com situações completamente sem nexo e com personagens que descambam para um humor negro que passa longe do risível e muito perto do ridículo. Juntando tudo, medíocre é pouco para definir o resultado final. É ver para crer!                             

 

quinta-feira, 27 de junho de 2024

 

“LAMBORGHINI: O HOMEM POR TRÁS DA LENDA” (“THE MAN BEHIND THE LEGEND”), 2022, coprodução Estados Unidos/Itália, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de Robert Moresco (vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original por “Crash: No Limite”). Para escrever o roteiro de “Lamborghini”, Moresco utilizou como base o livro “Ferruccio Lamborghini, La Storia Ufficiale”, escrito por Tonino Lamborghini, filho do famoso empresário. Nascido em uma família simples de fazendeiros, Ferruccio (1916-1993) desde jovem adorava carros. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu como mecânico de veículos militares. Em 1963, fundou uma fábrica de tratores e, no ano seguinte, projetou, desenvolveu e lançou o modelo 350 GT, que marcou o ingresso da Lamborghini Motors no mercado de automóveis. Seu alvo, como concorrente, era justamente a Ferrari, até então a principal marca italiana. Além de sua trajetória como empresário, o filme destaca a vida particular de Ferruccio, o primeiro casamento, a morte da esposa no parto, o novo casamento e, a cereja do bolo, a grande disputa com a Ferrari (em cenas imaginárias, Ferruccio Lamborghini e Enzo Ferrari, disputam uma corrida com seus respectivos veículos). Frank Grillo, ator conhecido por participar de filmes de ação pouco recomendáveis, surpreende com sua ótima atuação como Ferruccio Lamborghini. Também estão no elenco Mira Sorvino, Gabriel Byrne, Eliana Jones, Hannah Van Der Westhuysen, Fortunato Cerlino e Romando Reggiane. Se você gosta do tema automobilismo, não deixe de assistir também o ótimo "Ferrari”, comentado recentemente neste blog.   

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quarta-feira, 26 de junho de 2024

 

Acaba de chegar à Prime Vídeo o drama italiano “A TENTAÇÃO” (“PERFETTA ILLUSIONE”), 2022, produzido e exibido pela RAI Cinema e logo depois pelo circuito comercial. A direção é de Pappi Corsicato, que também colabora com o roteiro assinado por Luca Infascelli. A história é centrada no jovem Toni (Giuseppe Maggio, de “Demais para Mim”), um simples empregado de hotel que nas horas vagas pinta quadros. Nem mesmo sua esposa Paola (Margherita Vicario) acredita no seu talento de artista. Mas eis que surge Chiara (Carolina Sala), filha de dois ricos colecionadores de arte e donos de uma renomada galeria em Milão. Chiara se apaixona por Toni e fica tão empolgada que resolve incentivá-lo a realizar uma mostra de seus quadros. Toni esconde de Chiara que é casado e começa um romance com a moça. Claro, com a ambição de ser reconhecido como artista. Ao mesmo tempo, não diz à esposa que foi demitido do hotel e que agora trabalha numa galeria de arte. Como dizem por aí, mentira tem pena curta. Duas mentiras, então. A trama se transforma num suspense interessante, pois a gente fica imaginando até quando Toni conseguirá sustentar tanta mentira. A cereja do bolo está reservada para o desfecho, que tem uma reviravolta surpreendente. Completam o elenco Ivana Monti, Daniela Piperno, Maurizio Donadoni, Sandra Ceccarelli e Elettra Dallimore Mallaby. Trocando em miúdos, “A Tentação” é um filme que proporciona um entretenimento adulto e não decepciona a tradicional qualidade do cinema italiano.        

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terça-feira, 25 de junho de 2024

 

“ALERTA DE RISCO” (“TRIGGER WARNING”), 2024, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na Netflix, direção da cineasta indonésia Mouly Surya, seguindo roteiro assinado por Halley Wegryn Gross, Josh Olson e John Brancato. Filme de ação centrado numa agente das forças especiais, Parker (Jessica Alba, de “Quarteto Fantástico”), que, durante uma missão no Oriente Médio, é informada da morte trágica do pai. De volta aos Estados Unidos para cuidar do enterro, Parker reencontra os velhos amigos da cidade natal, um deles Jesse (Mark Webber), seu ex-namorado e agora xerife. Ao verificar o local do acidente que vitimou seu pai, Parker percebe alguns indícios de que há algo errado com a versão oficial, ou seja, o desmoronamento de uma mina. Ela começa a investigar e desconfia de alguns baderneiros que adoram atirar e explodir granadas. Entre socos, pontapés e tiros, claro que ela vai resolver a situação sozinha, chegando aos responsáveis. E aí ninguém segura a fera ferida. Literalmente ferida. Completam o elenco Alejandro De Hoyos, Jake Weary, Tone Bel, Anthony Michael Hall e Gabriel Basso. Indico apenas para aquela sessão da tarde com pipoca, sem muito compromisso com a qualidade cinematográfica.     

segunda-feira, 24 de junho de 2024



“FERRARI”, 2023, Estados Unidos, 2h10m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do veterano cineasta Michael Mann. O roteiro, assinado por Troy Kennedy-Martin e David Rayfield, foi baseado no livro “Enzo Ferrari: The Man and the Machine”, do jornalista norte-americano Brock Yates. O filme acompanha as atividades do empresário italiano Enzo Ferrari (1898-1988) no emblemático ano de 1957, quando a famosa fabricante encontrava-se à beira da falência. Ferrari estuda várias soluções para sair da crise: associar-se à Ford ou à Fiat, além da obrigação de vencer a tradicional prova “Mille Miglia”, pois uma vitória certamente alavancará as vendas da empresa. Além desses aspectos, o filme explora os problemas familiares enfrentados pelo egocêntrico e arrogante Enzo Ferrari (Adam Driver), seu conflituoso casamento com Laura (Penélope Cruz), também sua sócia no negócio, e seus casos com outras mulheres, especialmente a amante oficial, Lina Lard (Shailene Woodley), com a qual teve um filho. Para os apreciadores do automobilismo esportivo, “Ferrari” reserva ótimas cenas de corrida, com destaque para a já citada “Mille Miglia”, competição de rua e estrada de mil milhas, saindo de Bréscia até Roma e retornando a Bréscia. Outro destaque deve ser dado às atuações primorosas de Adam Driver e Penélope Cruz. Completam o elenco Sarah Gadon, Daniela Piperno, Patrick Dempsey e o ator brasileiro Gabriel Leone, que recentemente desempenhou o papel de Ayrton Senna em uma série a ser lançada este ano pela Netflix. O que me incomodou no filme foi o fato de ser falado em inglês, num ambiente totalmente italiano. Mesmo que os atores tenham forçado um sotaque, não ficou a mesma coisa. Talvez tenha sido essa, na minha opinião, a única falha do filme, que infelizmente foi esnobado pelo Oscar 2024, não recebendo nenhuma indicação, o que achei muito injusto. Trata-se de um filmaço. Não perca!  

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