quinta-feira, 6 de junho de 2024

 


“KALI – O ANJO VINGADOR” (“KALI - L'ANGE DE LA VENGEANCE"), 2024, França, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Julien Seri (“Filhos do Vento”, “Scorpion”), que também assina o roteiro com Cyril Ferment e Pascal Sid. Filme de ação em grande parte filmado no Rio de Janeiro, com elenco metade francês e metade brasileiro, em sua maioria figurantes. A figura central é Lisa (a atriz francesa de origem argelina Sabrina Ouazani), uma ex-agente das forças especiais do exército francês que deixou a profissão depois da morte do filho. Ela decide voltar à ativa depois que seu marido, agente da alfândega francesa, é assassinado durante uma missão no Rio de Janeiro. Com sangue nos dentes, Lisa viaja ao Brasil para descobrir o que aconteceu, saber quem matou o marido e se vingar. Aí ninguém segura a moça, que entra nas favelas do Rio batendo em todo mundo, inclusive nos mais perigosos traficantes. Bate aqui, tortura ali, ela enfim descobre o mandante do crime, o empresário Andres Barbosa (Emílio de Mello), dono de uma empresa que fabrica remédios falsificados. O filme tem inúmeros defeitos, um dos quais é que todo mundo se comunica em inglês ou francês, seja o pessoal da favela ou da polícia. Outra falha gritante é a facilidade com que Lisa entra nos mais lugares mais perigosos e sai sempre ilesa, apenas com um corte aqui e ali. Sempre sozinha, um baita exagero do roteiro. Enfim, é cinema de ação, o que demanda um certo exagero nas cenas. Completam o elenco Philippe Bas, Olivia Côte e Thiago Fragoso. Sabrina Ouazani é uma atriz francesa de respeito, tem bons filmes no currículo, mas dessa vez pagou mico. O filme é muito fraco.                

 

terça-feira, 4 de junho de 2024

 




 

“THE LESSON” (o título original foi mantido pela Prime Vídeo), 2023, coprodução Inglaterra/Alemanha, 1h42m, direção de Alice Troughton e Monica Moore-Suriyage, seguindo roteiro assinado por Alex Mackeith. Trata-se de um suspense psicológico que começa de forma a não parecer um filme do gênero. Só aos poucos é que a gente percebe que algo de ruim vai acontecer, antecipando alguma situação que poderá terminar em tragédia. O jovem candidato a autor Liam Sommers (o ator irlandês Daryl McCormack) é contratado para orientar o adolescente Bertie (Stephen McMillan) nos estudos de literatura com o objetivo de torná-lo apto para os exames de ingresso à Universidade de Oxford. JM Sinclair (Richard E. Grant, de “Saltburn”), pai do garoto, é um romancista consagrado e ídolo literário de Liam. Logo que chega à mansão onde mora o escritor, seu filho e a esposa Hélène (Julie Delpy), Liam é instalado na casa de hóspedes da mansão. Ele almoça e janta com a família e é tratado como um novo integrante, mas a convivência começa a tornar evidente que algum trauma do passado afeta as relações de pai, mãe e filho. As cenas vão transcorrendo com lentidão, destacando-se apenas diálogos que privilegiam a erudição de fatos literários, o que para muitos espectadores pode ser uma grande chatice. A cada cena que passa fica a sensação de que alguma coisa vai acontecer. Resumo da ópera, não é um filme para qualquer público, pois exige um tanto de paciência para chegar até o final.         

 

domingo, 2 de junho de 2024

 

“AS CORES DO MAL: VERMELHO” (“KLORY ZLA. CZERWIEN”), 2024, Polônia, 1h51m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Adrian Panek. Suspense policial que chega direto na Netflix (29/05/2024), sem ser exibido nos cinemas. O filme é uma adaptação do livro homônimo da escritora polonesa Malgorzata Oliwia Sobzak. O ponto de partida da história é a descoberta do corpo de uma jovem na praia de Trójmiasto, região de Gdansk. A vítima apresenta vestígios de um crime sádico, incluindo estupro e a retirada dos lábios. A moça é identificada como Monika (Zofia Jastrzebska), filha da juíza Helena Bogucka (Maja Ostaszewska). O jovem promotor Leopold Bilski (Jakub Gierszel) é encarregado do caso. Um crime com as mesmas características foi praticado há vários anos e é a partir daí que o promotor começa a seguir uma pista ligada a uma danceteria chamada “O Estaleiro”, último lugar onde Monika foi vista com vida. Dessa forma, o proprietário do local torna-se o principal suspeito, mas haverá uma surpreendente reviravolta perto do desfecho. Trocando em miúdos, não é um filme que mereça uma indicação entusiasmada. Contribuíram para tal um roteiro bem fraco e o elenco sem nenhum destaque. Até dá para entender por quê não foi exibido nos cinemas. Uma pisada de bola do cinema polonês.            

“JOIKA – UMA AMERICANA NO BOLSHOI” (“THE AMERICAN”), 2024, coprodução Estados Unidos/Nova Zelândia/Polônia, 1h51m, em cartaz na HBO Max, roteiro e direção do cineasta neozelandês James Napier Robertson. A história é baseada em fatos reais, ou seja, a trajetória da bailarina norte-americana Joy Womack. Em 2009, aos 15 anos, Joika, como ficou conhecida, foi aceita no programa de treinamento da Academia Bolshoi de Moscou. Seu maior sonho era se tornar a primeira bailarina da companhia de ballet mais famosa do mundo. O filme mostra as dificuldades encontradas por Joika (papel da jovem e promissora atriz norte-americana Talia Ryder) logo em sua chegada à academia russa, principalmente a rejeição das outras bailarinas e o rigor nos treinamentos da instrutora Tatiyana Volkova (Diane Kruger). Joyka era persistente, enfrentou todos os desafios com muita coragem, chegando até mesmo a denunciar, alguns anos depois, a influência política, sexual e xenofóbica adotada na escolha das bailarinas. Rejeitada pelo Bolshoi, Joika foi escolhida como dançarina principal do Universal Ballet e do Kremlin Ballet Theatre de Moscou, além de participações de destaque na Ópera e Ballet Nacional de Sofia, Ópera e Ballet de Cracóvia e Paris Ópera Ballet. O filme é muito bom e merece ser visto, mesmo por aqueles que não apreciem o tema. Para os que apreciam, trata-se de um filmaço.        

 

quinta-feira, 30 de maio de 2024

“RESGATE EM AMSTERDÔ (“BLACK LOTUS”), 2024, coprodução Estados Unidos/Holanda, 1h30m, lançamento da Prime Vídeo, direção do búlgaro Rodor Chapkanov, seguindo roteiro assinado por Tad Daggerhart. Quando vi que nos créditos aparecia o ator norte-americano Frank Grillo, já desconfiei que lá vem mais um abacaxi.  Afinal, nunca assisti a um filme de ação bom que tivesse Grillo como ator. Aliás, a maioria deles é muito ruim. Minha desconfiança inicial com relação a “Resgate em Amsterdã” se confirmou plenamente. A história é fraca, o elenco é horrível e as cenas de ação lamentáveis, chegando ao risível. Já começa pelo herói do filme, o grandalhão Rico Verhoeven, um kickboxer profissional holandês que, como ator, é um verdadeiro desastre, parecendo um sujeito com deficiência mental. Seu papel é o de Matteo Donner, um ex-soldado das forças especiais do exército holandês, traumatizado depois da morte de John (Roland Møller), seu colega de farda e amigo pessoal, durante uma missão no Exterior. Anos depois, ele volta a Amsterdã para visitar Helene (Marie Dompnier), a viúva do seu amigo, e a filhinha Angie (Pippi Casey). Helene está casada agora com Paul (Peter Franzén), um importante executivo do mercado financeiro que rouba dinheiro de um de seus mais importantes clientes, o mafioso Saban (ele, Frank Grillo). Com o objetivo de reaver seu dinheiro, Saban sequestra Angie. Aí que entra no circuito Matteo Donner (Verhoeven), que promete resgatar a menina. A polícia de Amsterdã também quer resolver o caso do sequestro, tendo no comando das investigações a detetive Shira (a atriz israelense Rona-Lee Shim’on, da série “Fauda”). A cena do desfecho é tão ruim que chega a ofender nossa inteligência. Concluo afirmando que, quando criei este blog, assumi o compromisso de indicar aqueles filmes que merecem ser vistos, assim como apontar aqueles aqueles que não merecem ser vistos, o que é o caso de "Resgate em Amsterdã".     

 

 

“LANSKY – UMA HISTÓRIA DE MÁFIA” (“LANSKY”), 2021, Estados Unidos, 1h59m, em cartaz na Netflix, direção de Eytan Rockaway (“Estranha Escuridão”), que também assina o roteiro com Robert Rockaway. Não é de hoje que sou fã de filmes envolvendo a Máfia, principalmente nos EUA. Os melhores continuam sendo “O Poderoso Chefão” e “Os Bons Companheiros”. Agora chega à Netflix mais um muito bom, cuja história é toda centrada em Meyer Lansky (1902-1983), um mafioso tão importante no mundo do crime quanto Al Capone e Lucky Luciano. Lansky, um judeu nascido na Rússia, fundou a máfia judia, que logo associava-se às máfias irlandesas e italianas. Lansky foi um dos responsáveis pela instalação de cassinos nos EUA, principalmente em Las Vegas. Também explorou cassinos em Cuba na época do ditador Fulgêncio Batista. E ainda foi um dos fundadores do Sindicato Nacional do Crime – existiu mesmo, acredite. O ponto de partida do filme acontece em 1981, quando o jornalista David Stone (Sam Worthington) é contratado por Lansky para escrever sua biografia. À medida em que o mafioso conta sua história para Stone, as cenas vão se alternando em flashbacks, relembrando a juventude de Lansky, seu ingresso na Máfia, seu tumultuado casamento e um mistério que levou o FBI a persegui-lo até a morte: o destino dos US$ 300 milhões que o mafioso teria escondido das autoridades. Para tentar descobrir, o FBI chega a cooptar o jornalista para fornecer detalhes das entrevistas feitas com Lansky. O papel do mafioso na velhice é do ator Harvey Keitel, cuja atuação é um dos maiores trunfos do filme. Na juventude, Lansky é vivido por John Magaro. Completam o elenco AnnaSophia Robb, Minka Kelly, David James Elliott e David Cade. Trocando em miúdos, “Lansky” é excelente. Imperdível!  

domingo, 26 de maio de 2024

 

“ESTA NOITE, VOCÊ DORME COMIGO” (“DZISIAJ SPISZ ZE MNA”; nos países de língua inglesa, “Tonight You Are Sleeping With Me”), 2023, Polônia, 1h32m, em cartaz na Netflix, direção de Robert Wichrowski, seguindo roteiro assinado por Anna Janyska. Trata-se da adaptação do romance homônimo de Anna Szczypczynska. É um drama centrado na jornalista Nina Szklarska (Roma Gasiorowska), uma quarentona bem casada e com duas filhas. Com o casamento indo aos trancos e barrancos, ela reencontra um antigo namorado do tempo da faculdade, bem mais novo do que ela. Quando o marido viaja a trabalho para a Islândia, os antigos namorados ficam com o caminho livre para relembrar a paixão de dez anos atrás. Mas eis que o dilema da traição ataca Nina: pedir o divórcio ou continuar casada em prol da família? Claro que quiser a resposta terá que assistir esse drama açucarado com cara de novelão. A divulgação do filme erra feio ao vender o produto como um filme erótico. Longe disso. Qualquer novela brasileira é muito mais ousada. Termino o comentário recorrendo a Hamlet: “Ver ou não ver, eis a questão”. Portanto, a opção é sua.   

“STILLWATER - EM BUSCA DA VERDADE” (“STILLWATER”), 2021, Estados Unidos, 2h20m, em cartaz na Netflix, direção de Tom McCarthy (“Spotlight: Segredos Revelados”), que também assina o roteiro com Thomas Bidegain, Marcus Hinchey e Noé Debré. A história é centrada em Bill Baker (Matt Damon), um quarentão norte-americano de Oklahoma cuja filha Allison (Abigail Breslin) está presa há cinco anos em Marselha, na França, acusada de assassinar sua colega de quarto e amante. Ela sempre se declarou inocente. Como faz todos os anos, Bill visita sua filha na penitenciária, mas desta vez uma carta escrita por ela pode ajudar a inocentá-la. Disposto a ajudar a filha, Bill resolve ficar em Marselha e investigar uma pista contida na tal carta, indicando um novo personagem, um tal de Akim, como o verdadeiro assassino. Em meio a esse momento turbulento, Bill ainda terá tempo de viver um romance com Virginie (Camille Cottin), uma atriz de teatro e mãe solteira. Completam o elenco Lilou Siauvaud, Idir Azougli, Moussa Maaskri e Deanna Dunagan. A história de “Stillwater” foi inspirada no caso envolvendo Amanda Knox, uma estudante norte-americana presa na Itália em 2007 acusada de ter assassinado sua colega de quarto, a inglesa Meredith Kercher. Embora um tanto arrastado, “Stillwater” não decepciona, mas também não faz jus a uma indicação entusiasmada, mesmo com a presença do astro Matt Damon. Também não ganhou muitos elogios quando estreou no Festival de Cannes.       

quinta-feira, 23 de maio de 2024

 

“NAHIR – ENTRE A PAIXÃO E AS GRADES” (“NAHIR”), 2024, Argentina, 1h46m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Hernán Guerschuny, seguindo roteiro assinado por Sofia Wilhelmi. Trata-se de um drama policial baseado em fatos reais, ou seja, o assassinato do jovem Fernando Pastorizzo (Simon Hempe) por sua namorada, a jovem estudante universitária Nahir Galarza (Valentina Zanedre), em 2017, na cidade argentina de Gualeguaychú, província de Entre Ríos. O crime chocou a Argentina, culminando com a condenação, em 2018, de Nahir à pena de prisão perpétua. Num tom quase documental, o filme acompanha a trajetória da moça bem antes do homicídio, quando era uma das meninas mais bonitas da cidade, chegando a concorrer ao concurso de Miss Primavera. Filha do policial Marcelo Galarza (Cesar Bordón), ela sempre foi mimada e muito namoradeira. Mesmo quando namorava Fernando, ela tinha casos com outros rapazes, despertando o ciúme de Fernando. Em dezembro de 2017, Nahir assassinou Fernando com dois tiros utilizando o revólver do pai. Os fatos são descritos em flashbacks, mostrando o que realmente aconteceu naquela noite de dezembro de 2017. Nahir confessou o crime, foi julgada e condenada à prisão perpétua. O filme destaca uma outra versão sobre o caso, mas a culpa foi assumida por Nahir. O filme foi totalmente realizado em locações na periferia de Buenos Aires, pois os moradores de Gualeguaychú, em respeito à família do jovem assassinado, não permitiram as filmagens. Trocando em miúdos, “Nahir” não é daqueles filmes argentinos que a gente acostumou a elogiar, mas não faz feio como documento.    

quarta-feira, 22 de maio de 2024

 

“BEEKEEPER – REDE DE VINGANÇA” (“THE BEEKEEPER”), 2024, Estados Unidos, 1h45m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de David Ayer (“Esquadrão Suicida”, “Marcados Para Morrer”), seguindo roteiro assinado por Kurt Wimmer. “Beekeeper” (apicultor) chega com a promessa de entreter e divertir, além de muita ação. Posso garantir que a promessa é plenamente cumprida. O filme tem um ritmo alucinante do começo ao fim, muita pancadaria e uma história que não ofende nossa inteligência, embora carregada de cenas difíceis de engolir. Mas é um filme de ação e tudo isso é perdoado. Vamos à história: Adam Clay (Jason Statham, o brucutu do momento) foi um agente especial do governo norte-americano, recrutado para missões especiais comandadas por uma organização clandestina chamada “Beekeeper”. Agora aposentado, mora de favor em um celeiro nos fundos de uma casa na zona rural onde vive a idosa Eloise Parker (Phylicia Rashad), que o acolheu como se fosse seu filho. Tudo caminha na maior normalidade até que uma empresa de informática engana a idosa e retira todo o dinheiro da sua conta, grande parte dele de uma entidade que cuida de crianças. Adam não se conforma e vai atrás dos picaretas, prometendo chegar até os chefões. Um deles, porém, é filho da presidente norte-americana. Olha a situação! Só que a vingança de Adam não tem limites e quem cruzar o seu caminho vai sofrer na pele a brutalidade do moço. Muita gente vai para a cidade dos pés juntos. As cenas de ação são ótimas. Como em outros filmes em que atuou, o ator inglês Jason Statham, na vida real especialista em artes marciais, dá plenamente conta do recado. Completam o elenco Jeremy Irons, Jemma Redgrave, Josh Hutcherson, Emmy Raver-Lampman, Minnie Driver, Michael Epp, Taylor James e David Witts. Sem dúvida, um ótimo filme de ação. Não perca!             

segunda-feira, 20 de maio de 2024

 

 

“VIDAS PASSADAS” (“PAST LIVES”), 2023, coprodução EUA/Coreia do Sul, 1h46m, em cartaz, para alugar, na Prime Vídeo, roteiro e direção de Celine Song, cineasta sul-coreana radicada nos Estados Unidos. É o seu primeiro filme no cinema. Antes, dirigiu a série “A Roda do Tempo”. É um filme sensível e reflexivo, cuja história acompanha a trajetória de vida de dois jovens sul-coreanos, amigos de infância e namoradinhos ginasianos em Seul. Aos 12 anos, Na Young – mais tarde Nora – emigrou com a família para o Canadá e durante mais de uma década não ouviu falar do antigo namoradinho, Hae Sung (Teo Yoo). Até que um dia os dois voltam a se encontrar através da Internet. Conversam diariamente durante meses, mas, à medida que um sentimento mais forte aflora, Nora decide não mais se comunicar com ele, pois precisa também se dedicar à profissão de escritora. Nove anos depois, eles se reencontram, desta vez pessoalmente, em Nova Iorque. Só que ela está casada com o jovem escritor Arthur (John Magaro). Como a própria diretora confessa, a história é baseada em sua experiência pessoal de vida.  Além de ser indicado para disputar o Oscar 2024 de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original, o filme conquistou inúmeros prêmios em importantes festivais mundo afora, entre os quais os de Sundance, Berlim, São Paulo, Rio de Janeiro, Sidney e Jerusalém. No site agregador de críticas Rotten Tomatoes, o filme conseguiu uma taxa de aprovação de 97%, um número raramente atingido. Realmente, o filme é excelente, embora um tanto lento. “Vidas Passadas” comprova mais uma vez a qualidade do atual cinema sul-coreano. Muitos críticos o elegeram como o melhor filme de 2023, no que eu concordo plenamente. Imperdível!          

domingo, 19 de maio de 2024

“ROMA EM CHAMAS” (“ADAGIO”), 2023, Itália, 2h6m, em cartaz na Netflix, direção de Stefano Sollima, que também assina o roteiro ao lado de Stefano Bises. Ao estrear na programação do 80º Festival Internacional de Cinema de Veneza, em setembro de 2023, o filme dividiu os críticos. Eu fiquei do lado dos que gostaram. O jovem Manuel (Gianmarco Franchini) é preso pela polícia e concorda em fazer um serviço em troca de sua liberdade e do silêncio sobre o seu delito. Afinal, Manuel é filho único de Daytona (o grande Toni Servillo), um poderoso chefão da máfia de Roma agora aposentado e com problemas de demência. No meio de sua missão, ou seja, fotografar uma festa particular à base de cocaína, Manuel fica com medo e acaba se escondendo. Vasco (Adriano Giannini), o chefe corrupto da polícia, sabe que o jovem sabe do esquema de corrupção e então passa a persegui-lo por toda a capital italiana. Daytona sugere que Manuel procure a ajuda de um antigo capanga mafioso, Romeo Cammello (Pierfrancesco Favino, totalmente careca e com as sobrancelhas raspadas, irreconhecível). A caçada ao jovem também envolverá um outro ex-capanga de Daytona, o agora cego Polniuman (Valerio Mastandrea), uma referência bem-humorada ao grande ator norte-americano Paul Newman. O próprio Daytona, apesar do declínio mental, também se envolve na história. Vale destacar que o filme inteiro é ambientado em uma Roma de calor insuportável, constantes apagões de energia e um violento incêndio na floresta que circunda a cidade – daí o título. Além do ótimo elenco, o filme destaca-se também pela qualidade de sua fotografia, a cargo de Paolo Carnera. Lembro que o diretor Stefano Bises tem no currículo a séria “Gomorra”, um grande sucesso, e os filmes “Suburra”, “Sicário – Dia do Soldado” e “Sem Remorso”, estes dois últimos feitos nos Estados Unidos. Outro lembrete interessante é o fato do ator Adriano Giannini, no papel do chefe da polícia, ser filho do grande ator Giancarlo Giannini e da atriz Livia Giampalmo. Resumo da ópera: “Roma em Chamas” é um filmaço!              

sexta-feira, 17 de maio de 2024

 

“O ENTREGADOR” (“EL CORREO”), 2024, em cartaz na Netflix, coprodução Espanha/Bélgica, 1h42m, direção de Daniel Calparsoro, seguindo roteiro assinado por Patxi Amezcua e Alejo Flah. A história é baseada em fatos reais e acompanha a incrível trajetória de Iván Márquez (Arón Piper), um jovem do bairro de Vallecas, na periferia de Madrid, desde o início dos anos 90 até a virada do século 21. Esperto, ambicioso e ousado, Iván deixa o emprego de manobrista e se envolve em esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção, trabalhando para políticos, mafiosos e empresários inescrupulosos. Sua missão é levar o dinheiro sujo para fora da Espanha, principalmente para a Suíça e a Bélgica. Sua ambição, porém, não tem limites. De “mula”, ele passa ao topo da hierarquia criminosa, traindo seus antigos chefes. A partir daí, gastando milhares de euros em festas regadas a muita bebida e cocaína, Iván começa a chamar a atenção da polícia espanhola. O pano de fundo de toda a história é a crise econômica espanhola nos anos 90 e as mudanças verificadas no período, incluindo a introdução do euro. Além do jovem e promissor ator Arón Piper, fazem parte do excelente elenco Luis Tosar, María Pedraza, Laura Sépul, Lara Martorell, Luis Zahera, Nourdin Batau, José Manuel Poga, Arantxa Aranguren, Geert Van Rampelberg, Stefan Weinert e Antonio Buil. Filmado em ritmo alucinante e com muita ação, “O Entregador” chega à Netflix recomendado como possível melhor filme espanhol do ano, com toda justiça, pois realmente é muito bom. Não perca!            

quarta-feira, 15 de maio de 2024

 

PUAN (PUÁN), 2023, coprodução Argentina, Brasil, Alemanha, França e Itália, 1h50, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de María Alché (“A Família Submersa”) e Benjamin Naishtat (“Vermelho Sol”). Grande sucesso de bilheteria na Argentina em 2023, além da participação em vários festivais mundo afora, recebendo premiações no San Sebastián International Film Festival (melhor ator para Marcelo Subiotto e melhor roteiro). Por aqui, foi exibido na 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Trata-se de uma comédia dramática que tem como pano de fundo a crise econômica argentina pré-Millei, provocando um grande colapso nas universidades públicas. Após a morte do professor Caselli, titular da cadeira de Filosofia da Universidade de Buenos Aires, o substituto natural seria seu adjunto, Marcelo Pena (Marcelo Subiotto). Só que surge um novo postulante ao cargo, Rafael Sujarchuk (Leonardo Sbaraglia), antigo aluno do professor falecido e que agora lecionava em Frankfurt (Alemanha). De férias, Rafael retorna à Argentina e participa das homenagens póstumas ao antigo professor, quando então acaba se interessando em disputar a vaga. O roteiro explora com maestria essa disputa entre os dois professores, dedicando, porém, um maior tempo ao cotidiano de Marcelo, seu relacionamento com a família, com os demais professores, com a direção da universidade e com seus alunos. Completam o elenco Julieta Zylberberg, Camila Peralta, Damián Dreizik, Juan Luppi, Cristina Banegas, Gaspar Offhanden e Lali Espósito. Apenas para esclarecer: Puan é o nome do bairro onde se encontra a Universidade de Buenos Aires. Resumo da ópera: mais um bom filme argentino que merece ser visto. Não perca!            

segunda-feira, 13 de maio de 2024

 

 

“CRISE” (“CRISIS”), 2021, coprodução Canadá/Bélgica, 1h58m, em cartaz na Netflix desde o dia 22 de abril de 2024, roteiro e direção de Nicholas Jarecki (“A Negociação”). Trata-se de mais uma poderosa denúncia contra a indústria farmacêutica responsável pela produção de opioides, droga com efeitos analgésicos e sedativos potentes, altamente viciante, responsável por viciar – e matar -, só nos EUA, centenas de milhares de pessoas. A trama acompanha a trajetória de três personagens: um agente da DEA (Departamento Antidrogas dos EUA), uma arquiteta que perde o filho adolescente e um cientista professor universitário. Cada um deles terá papel fundamental no transcorrer da história, os três envolvidos no combate inglório contra a fabricação e vendas dos opioides. O elenco é de primeira: Armie Hammer, Gary Oldman, Evangeline Lilly, Luke Evans, Michelle Rodriguez, Veronica Ferres, Greg Kinnear, Lily-Rose Depp (filha do ator Johnny Depp e da atriz francesa Vanessa Paradis), Indira Varma, Guy Nadon e Nicholas Jarecki (diretor do filme), só para citar os mais conhecidos. É revoltante constatar o poder que a indústria farmacêutica exerce sobre autoridades do governo, órgãos de fiscalização e a mídia em geral, corrompidos por muito dinheiro e sem qualquer compaixão pela saúde pública. “Crise” cutuca essa ferida com muito realismo e competência. Não perca!            

 

CINZAS (KÜL), 2024, Turquia, 1h40m, em cartaz na Netflix, direção de Erdem Tepegöz, seguindo roteiro assinado por Erdi Isik. Drama romanceado com algum suspense da metade para o fim. Gökçe (Funda Erygit) é casada com Kenan (Mehme Günsür), dono de uma grande editora de livros em Istambul. Ele é dona de uma loja de roupas femininas de alto padrão. O editor Kenan faz questão de que Gökce faça a primeira leitura dos livros enviados à editora e sua opinião é levada a sério. Até que chega, pelo correio, o rascunho de um romance intitulado “Kül”, porém sem o nome do autor ou autora. Ao ler a história, um romance entre um homem chamado apenas de “M” e uma mulher, Gökçe começa a ficar obcecada pelas situações relatadas, começando a ter fantasias sobre o livro, imaginando-se como a personagem principal - eu não sabia, mas existe uma tal de Fictofilia: amor ou obsessão por personagens fictícios. Seguindo alguns locais citados no livro, a maioria deles na periferia pobre de Istambul, Gökçe acaba encontrando o suposto autor do livro, um carpinteiro chamado Metin Ali (Alperen Duymaz). Surge uma amizade entre eles, mas fica claro que Metin tem um passado misterioso. Mesmo assim, Gökçe se apaixona perdidamente pelo carpinteiro, uma relação que pode levar a uma tragédia. Não comento mais para não estragar as surpresas deixadas para o desfecho. Além disso, a cena final deixa o espectador com a pulga atrás da orelha, pois dá a entender que a realidade talvez seja ficção, ou vice-versa. Este final intrigante valoriza e faz de “Cinzas” um ótimo entretenimento – sem falar na beleza e competência da atriz Funda Erygit, uma das mais conhecidas do cinema turco.           

domingo, 12 de maio de 2024

 

RASTROS DE UM CRIME (THE CLEANER), 2022, Estados Unidos, 1h33m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Erin Elders, que também assina o roteiro juntamente com King Orba (ator principal da história). Trata-se de um suspense com pouca ação, as coisas demoram a acontecer, mas nem por isso deixa de ser um filme interessante. Buck Enderly (King Orba) é um sujeito de meia idade que faz bicos como faxineiro de casas e de veículos de concessionárias. Ele vive isolado com a mãe, Sharon (Shelley Long), uma idosa complicada de se conviver. Ao oferecer os seus serviços à idosa viúva Carlene Briggs (Lynda Carter, a Mulher Maravilha dos anos 60/70), ele acaba numa grande confusão. Carlene o contrata para ser seu detetive particular com a missão de encontrar seu filho Andrew (Shiloh Fernandez), um jovem complicado envolvido com drogas e outras contravenções. Durante suas “investigações”, Buck acaba dentro de um cenário de assassinato e terá de provar que não tem nada com isso. Completam o elenco Luke Wilson, numa rápida e pouco convincente aparição, Eden Brolin, James Paxton, Mike Starr e Hopper Penn. O filme chega a ser entediante pela falta de ação e muito blá-blá-blá até pouco antes do desfecho. Dessa forma, não merece uma indicação entusiasmada, a não ser para os fãs da ex-Mulher Maravilha, que terão a oportunidade de vê-la agora aos 74 anos de idade, metida a cantora.          

sábado, 11 de maio de 2024

SEGREDOS DE UM ESCÂNDALO (MAY DECEMBER), 2023, EUA, 1h57m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Todd Haynes (“Longe do Paraíso”), seguindo roteiro assinado por Samy Burch, indicado ao Oscar 2024 na categoria Melhor Roteiro Original. Duas atrizes de renome e muito competentes encabeçam o elenco: Julianne Moore e Natalie Portman. A história é baseada em fatos reais, ou seja, o escândalo que envolveu uma mulher casada de 36 anos de idade e um adolescente de 13 anos em meados dos anos 90. Eles foram surpreendidos fazendo sexo e a mulher acabou sendo presa por pedofilia e abuso sexual. Vinte anos depois, a atriz Elizabeth Berry (Portman) é escalada para interpretar Gracie Atherton-Yoo (Moore) na época do caso, que teve uma grande repercussão em toda a mídia norte-americana. Elizabeth quer conhecer a personagem que irá interpretar e, para isso, passa a conviver com Gracie, seu marido Joe Yoo (Charles Melton) e o casal de gêmeos – na vida real, a mulher chamava-se Mary Kay Letourneau e o rapaz Vili Fualaau, filho de samoanos (no filme, ele é filho de pai coreano). Completam o elenco Cory Michael Smith, Elizabeth Yu, Gabriel Chung, Piper Curda e D.W. Moffett. “Segredos de um Escândalo” não é um filme muito fácil de digerir, não apenas pelo tema da história, mas pelo ritmo lento, chegando a entediar em alguns momentos. De qualquer forma, vale conferir pela presença dessas duas grandes atrizes, mas o resultado final chega a ser decepcionante.     


quarta-feira, 8 de maio de 2024

 

“O SALÁRIO DO MEDO” (“LE SALAIRE DE LA PEUR”), 2024, coprodução França/Bélgica, em cartaz na Netflix, direção de Julien Leclercq, seguindo roteiro assinado por Hamid Hlioua. Trata-se de um filme de ação e suspense. Um grupo de mercenários é contratado para transportar dois caminhões carregados de nitroglicerina para a África do Sul - pra mim não ficou claro de onde. Eles têm 24 horas para chegar ao destino. O objetivo é destruir um poço de petróleo que explodiu e está ameaçando um vilarejo e um campo de refugiados. Uma missão quase suicida, considerando-se o perigo de um possível ataque de terroristas – o que realmente acontece -, além da enorme chance de os caminhões explodirem com qualquer gota de nitroglicerina que saia dos recipientes. O filme é um remake de “Wages of Fear”, dirigido por Henri-Georges Clouzot, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1953. Foi a primeira adaptação para o cinema do livro de Georges Arnaud. O recém-lançado “O Salário do Medo” tem no elenco Anne Girardot, Franck Gastambide, Alban Lenoir, Sofiane Zermani, Bakary Diombera, Birol Tarkan, Astrid Whettnall, Joseph Beddelin, Douglas Grauwels e Sarah Afchain. Trocando em miúdos, com exceção de algumas boas cenas de ação, o filme não acrescenta muito e, portanto, pode decepcionar o espectador mais exigente.

terça-feira, 7 de maio de 2024

 

O DUQUE (THE DUKE), 2022, Inglaterra, 1h36m, em cartaz no Prime Vídeo, direção do cineasta sul-africano Roger Michell (“Um Lugar Chamado Notting Hill”, “Vênus”), seguindo roteiro assinado por Clive Coleman e Richard Bean. O filme é baseado em fatos reais ocorridos em 1961 envolvendo o roubo do famoso quadro “Retrato do Duque de Wellington”, do pintor espanhol Francisco de Goya, que estava exposto na National Gallery de Londres. O suposto ladrão era um senhor que residia na cidade de Newcastle, Kempton Bunton (Jim Broadbent), que vivia fazendo bicos de padeiro e taxista, além de escrever roteiros para cinema e peças de teatro nunca aproveitados. Era um tipo sonhador e bonachão, sempre sem dinheiro, situação que esgotava a paciência da sua esposa Dorothy (Helen Mirren). Quatro meses depois do roubo, Kempton devolve o quadro, acaba preso e vai para julgamento, atuando em sua defesa o advogado Jeremy Hutchinson (Matthew Goode). As situações mais engraçadas acontecem justamente durante o julgamento de Kempton. Completam o elenco Fionn Whitehead, Charlotte Spencer, Aimee Kelly, Anna Maxwell Martin, Sian Clifford, James Wilby e Robbie Jarvis. ,Enfim, “O Duque” é daqueles filmes que chegam sem muito alarde e conquistam o espectador com muita diversão, diálogos inteligentes e surpreendentes reviravoltas. Não perca! A nota triste fica por conta do diretor Roger Michell, que faleceu em 2021, antes da estreia do filme.  

domingo, 5 de maio de 2024

 

“HERÓI POR ENCOMENDA” (“FREELANCE”), 2023, Estados Unidos, 1h49mm em cartaz no Prime Vídeo, direção do cineasta francês Pierre Morel (“O Franco Atirador”, “Busca Implacável”, “A Justiceira”), seguindo roteiro assinado por Jacob Lentz. Em tempos tenebrosos como estes que estamos vivendo, nada melhor do que assistir a uma comédia de ação, mesmo que seja uma grande bobagem. Entediado com sua carreira de advogado e pai de família, Mason Pettis (John Cena) aceita o convite do amigo Sebastian (Christian Slater) para voltar à ação. Afinal, alguns anos antes, Mason era um agente de campo das forças especiais do exército norte-americano. Sua missão: trabalhar como segurança da jornalista Claire Wellington (Alison Brie) durante viagem à Paldônia, uma republiqueta da América do Sul, para entrevistar o ditador local, presidente Juan Venegas (Juan Pablo Raba). Cá pra nós, existe pior nome do que Paldônia para um país sul-americano? Nada a ver. Bom, chegando lá e em meio à entrevista com o presidente, a jornalista e seu segurança acabam no meio de um violento golpe de estado, cujo objetivo é colocar na presidência um sobrinho do presidente. Enfim, muitas cenas de ação, tiros e perseguições, tudo feito para entreter e divertir. Só para lembrar, John Cena é aquele mesmo ator que apareceu pelado no palco da premiação do Oscar. É um cara simpático, mas péssimo ator. Ainda bem que tem como parceira Alison Brie, que é boa atriz e atua com eficiência em comédias. Como afirmei no início do comentário é um filme que se propõe a divertir e consegue. Seus neurônios vão agradecer o descanso.  

sexta-feira, 3 de maio de 2024

 

HERANÇA ROUBADA (STÖLD), 2024, Suécia/Noruega, produção original Netflix, direção de Elle Márjá Eira, seguindo roteiro assinado por Peter Birro e Ann-Helen Lastadius, esta última autora do livro homônimo cujo conteúdo serviu como base no roteiro. Trata-se de uma história real. Mais do que a história em si, cenários deslumbrantes e muito suspense, o mais interessante é o mergulho profundo na cultura e nas tradições da comunidade dos samis - antigos lapões -, povo indígena que ocupa um território que abrange partes das regiões setentrionais da Suécia, Noruega, Finlândia e Península de Kola, na Rússia, e a Lapônia. Eu ignorava a existência dos samis e, portanto, gostei muito do filme. Aprendi bastante. A personagem principal de “Herança Roubada” é Elsa (Elin Oskal), uma jovem sami que, junto com o pai e o irmão, pastoreiam um grande rebanho de renas, uma tradição secular daquele povo. Aos 9 anos de idade, Elsa testemunha o abate cruel de sua rena de estimação. Dez anos depois, guardando o silêncio sobre o caso, ela resolve se vingar, pois o assassino volta a atacar o rebanho – descobre-se, depois, que ele é dono de um comércio clandestino de peles e de carne de rena. As imagens aéreas mostrando as renas se descolando em meio à neve são deslumbrantes. Valem o ingresso. Não tenho dúvida em afirmar que “Herança Roubada” já pode ser considerado um dos melhores lançamentos da Netflix em 2024. Ah, ia esquecendo de um detalhe importante: tendo em vista algumas cenas de maus tratos a animais, não recomendo o filme para os espectadores mais sensíveis. De qualquer forma, imperdível!