“RESGATE EM AMSTERDÔ (“BLACK
LOTUS”), 2024, coprodução Estados Unidos/Holanda, 1h30m, lançamento
da Prime Vídeo, direção do búlgaro Rodor Chapkanov, seguindo roteiro assinado
por Tad Daggerhart. Quando vi que nos créditos aparecia o ator norte-americano
Frank Grillo, já desconfiei que lá vem mais um abacaxi. Afinal, nunca assisti a um filme de ação bom que
tivesse Grillo como ator. Aliás, a maioria deles é muito ruim. Minha
desconfiança inicial com relação a “Resgate em Amsterdã” se confirmou
plenamente. A história é fraca, o elenco é horrível e as cenas de ação lamentáveis,
chegando ao risível. Já começa pelo herói do filme, o grandalhão Rico Verhoeven,
um kickboxer profissional holandês que, como ator, é um verdadeiro desastre,
parecendo um sujeito com deficiência mental. Seu papel é o de Matteo Donner, um
ex-soldado das forças especiais do exército holandês, traumatizado depois da
morte de John (Roland Møller), seu colega de farda e amigo pessoal, durante uma
missão no Exterior. Anos depois, ele volta a Amsterdã para visitar Helene
(Marie Dompnier), a viúva do seu amigo, e a filhinha Angie (Pippi Casey). Helene
está casada agora com Paul (Peter Franzén), um importante executivo do mercado
financeiro que rouba dinheiro de um de seus mais importantes clientes, o
mafioso Saban (ele, Frank Grillo). Com o objetivo de reaver seu dinheiro, Saban
sequestra Angie. Aí que entra no circuito Matteo Donner (Verhoeven), que
promete resgatar a menina. A polícia de Amsterdã também quer resolver o caso do
sequestro, tendo no comando das investigações a detetive Shira (a atriz israelense
Rona-Lee Shim’on, da série “Fauda”). A cena do desfecho é tão ruim que chega a ofender nossa inteligência. Concluo afirmando que, quando criei este blog, assumi o compromisso de indicar aqueles filmes que merecem ser vistos, assim como apontar aqueles aqueles que não merecem ser vistos, o que é o caso de "Resgate em Amsterdã".
quinta-feira, 30 de maio de 2024
“LANSKY – UMA HISTÓRIA DE
MÁFIA” (“LANSKY”), 2021, Estados Unidos, 1h59m, em cartaz na
Netflix, direção de Eytan Rockaway (“Estranha Escuridão”), que também assina o
roteiro com Robert Rockaway. Não é de hoje que sou fã de filmes envolvendo a
Máfia, principalmente nos EUA. Os melhores continuam sendo “O Poderoso Chefão”
e “Os Bons Companheiros”. Agora chega à Netflix mais um muito bom, cuja
história é toda centrada em Meyer Lansky (1902-1983), um mafioso tão importante
no mundo do crime quanto Al Capone e Lucky Luciano. Lansky, um judeu nascido na
Rússia, fundou a máfia judia, que logo associava-se às máfias irlandesas e
italianas. Lansky foi um dos responsáveis pela instalação de cassinos nos EUA,
principalmente em Las Vegas. Também explorou cassinos em Cuba na época do
ditador Fulgêncio Batista. E ainda foi um dos fundadores do Sindicato Nacional
do Crime – existiu mesmo, acredite. O ponto de partida do filme acontece em
1981, quando o jornalista David Stone (Sam Worthington) é contratado por Lansky
para escrever sua biografia. À medida em que o mafioso conta sua história para
Stone, as cenas vão se alternando em flashbacks, relembrando a
juventude de Lansky, seu ingresso na Máfia, seu tumultuado casamento e um
mistério que levou o FBI a persegui-lo até a morte: o destino dos US$ 300 milhões
que o mafioso teria escondido das autoridades. Para tentar descobrir, o FBI chega
a cooptar o jornalista para fornecer detalhes das entrevistas feitas com
Lansky. O papel do mafioso na velhice é do ator Harvey Keitel, cuja atuação é
um dos maiores trunfos do filme. Na juventude, Lansky é vivido por John Magaro.
Completam o elenco AnnaSophia Robb, Minka Kelly, David James Elliott e David
Cade. Trocando em miúdos, “Lansky” é excelente. Imperdível!
domingo, 26 de maio de 2024
“ESTA NOITE, VOCÊ DORME COMIGO”
(“DZISIAJ SPISZ ZE MNA”; nos países de língua inglesa, “Tonight
You Are Sleeping With Me”), 2023, Polônia, 1h32m, em cartaz na Netflix, direção
de Robert Wichrowski, seguindo roteiro assinado por Anna Janyska. Trata-se da
adaptação do romance homônimo de Anna Szczypczynska. É um drama centrado na
jornalista Nina Szklarska (Roma Gasiorowska), uma quarentona bem casada e com duas
filhas. Com o casamento indo aos trancos e barrancos, ela reencontra um antigo
namorado do tempo da faculdade, bem mais novo do que ela. Quando o marido viaja
a trabalho para a Islândia, os antigos namorados ficam com o caminho livre para
relembrar a paixão de dez anos atrás. Mas eis que o dilema da traição ataca
Nina: pedir o divórcio ou continuar casada em prol da família? Claro que quiser
a resposta terá que assistir esse drama açucarado com cara de novelão. A
divulgação do filme erra feio ao vender o produto como um filme erótico. Longe
disso. Qualquer novela brasileira é muito mais ousada. Termino o comentário
recorrendo a Hamlet: “Ver ou não ver, eis a questão”. Portanto, a opção é sua.
“STILLWATER - EM BUSCA DA
VERDADE” (“STILLWATER”), 2021, Estados Unidos, 2h20m, em cartaz na
Netflix, direção de Tom McCarthy (“Spotlight: Segredos Revelados”), que também
assina o roteiro com Thomas Bidegain, Marcus Hinchey e Noé Debré. A história é
centrada em Bill Baker (Matt Damon), um quarentão norte-americano de Oklahoma
cuja filha Allison (Abigail Breslin) está presa há cinco anos em Marselha, na
França, acusada de assassinar sua colega de quarto e amante. Ela sempre se
declarou inocente. Como faz todos os anos, Bill visita sua filha na
penitenciária, mas desta vez uma carta escrita por ela pode ajudar a
inocentá-la. Disposto a ajudar a filha, Bill resolve ficar em Marselha e
investigar uma pista contida na tal carta, indicando um novo personagem, um tal
de Akim, como o verdadeiro assassino. Em meio a esse momento turbulento, Bill ainda
terá tempo de viver um romance com Virginie (Camille Cottin), uma atriz de
teatro e mãe solteira. Completam o elenco Lilou Siauvaud, Idir Azougli, Moussa
Maaskri e Deanna Dunagan. A história de “Stillwater” foi inspirada no caso
envolvendo Amanda Knox, uma estudante norte-americana presa na Itália em 2007 acusada
de ter assassinado sua colega de quarto, a inglesa Meredith Kercher. Embora
um tanto arrastado, “Stillwater” não decepciona, mas também não faz jus a uma indicação
entusiasmada, mesmo com a presença do astro Matt Damon. Também não ganhou muitos elogios quando estreou no Festival de Cannes.
quinta-feira, 23 de maio de 2024
“NAHIR
– ENTRE A PAIXÃO E AS GRADES” (“NAHIR”),
2024, Argentina, 1h46m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Hernán Guerschuny,
seguindo roteiro assinado por Sofia Wilhelmi. Trata-se de um drama policial
baseado em fatos reais, ou seja, o assassinato do jovem Fernando Pastorizzo
(Simon Hempe) por sua namorada, a jovem estudante universitária Nahir Galarza
(Valentina Zanedre), em 2017, na cidade argentina de Gualeguaychú, província de
Entre Ríos. O crime chocou a Argentina, culminando com a condenação, em 2018, de
Nahir à pena de prisão perpétua. Num tom quase documental, o filme acompanha a
trajetória da moça bem antes do homicídio, quando era uma das meninas mais bonitas
da cidade, chegando a concorrer ao concurso de Miss Primavera. Filha do
policial Marcelo Galarza (Cesar Bordón), ela sempre foi mimada e muito namoradeira.
Mesmo quando namorava Fernando, ela tinha casos com outros rapazes, despertando
o ciúme de Fernando. Em dezembro de 2017, Nahir assassinou Fernando com dois
tiros utilizando o revólver do pai. Os fatos são descritos em flashbacks, mostrando
o que realmente aconteceu naquela noite de dezembro de 2017. Nahir confessou o
crime, foi julgada e condenada à prisão perpétua. O filme destaca uma outra
versão sobre o caso, mas a culpa foi assumida por Nahir. O filme foi
totalmente realizado em locações na periferia de Buenos Aires, pois os
moradores de Gualeguaychú, em respeito à família do jovem assassinado, não
permitiram as filmagens. Trocando em miúdos, “Nahir” não é daqueles filmes
argentinos que a gente acostumou a elogiar, mas não faz feio como documento.
quarta-feira, 22 de maio de 2024
“BEEKEEPER – REDE DE VINGANÇA” (“THE BEEKEEPER”), 2024, Estados Unidos, 1h45m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de David Ayer (“Esquadrão Suicida”, “Marcados Para Morrer”), seguindo roteiro assinado por Kurt Wimmer. “Beekeeper” (apicultor) chega com a promessa de entreter e divertir, além de muita ação. Posso garantir que a promessa é plenamente cumprida. O filme tem um ritmo alucinante do começo ao fim, muita pancadaria e uma história que não ofende nossa inteligência, embora carregada de cenas difíceis de engolir. Mas é um filme de ação e tudo isso é perdoado. Vamos à história: Adam Clay (Jason Statham, o brucutu do momento) foi um agente especial do governo norte-americano, recrutado para missões especiais comandadas por uma organização clandestina chamada “Beekeeper”. Agora aposentado, mora de favor em um celeiro nos fundos de uma casa na zona rural onde vive a idosa Eloise Parker (Phylicia Rashad), que o acolheu como se fosse seu filho. Tudo caminha na maior normalidade até que uma empresa de informática engana a idosa e retira todo o dinheiro da sua conta, grande parte dele de uma entidade que cuida de crianças. Adam não se conforma e vai atrás dos picaretas, prometendo chegar até os chefões. Um deles, porém, é filho da presidente norte-americana. Olha a situação! Só que a vingança de Adam não tem limites e quem cruzar o seu caminho vai sofrer na pele a brutalidade do moço. Muita gente vai para a cidade dos pés juntos. As cenas de ação são ótimas. Como em outros filmes em que atuou, o ator inglês Jason Statham, na vida real especialista em artes marciais, dá plenamente conta do recado. Completam o elenco Jeremy Irons, Jemma Redgrave, Josh Hutcherson, Emmy Raver-Lampman, Minnie Driver, Michael Epp, Taylor James e David Witts. Sem dúvida, um ótimo filme de ação. Não perca!
segunda-feira, 20 de maio de 2024
“VIDAS PASSADAS” (“PAST LIVES”), 2023,
coprodução EUA/Coreia do Sul, 1h46m, em cartaz, para alugar, na Prime Vídeo, roteiro
e direção de Celine Song, cineasta sul-coreana radicada nos Estados Unidos. É o
seu primeiro filme no cinema. Antes, dirigiu a série “A Roda do Tempo”. É um
filme sensível e reflexivo, cuja história acompanha a trajetória de vida de dois
jovens sul-coreanos, amigos de infância e namoradinhos ginasianos em Seul. Aos
12 anos, Na Young – mais tarde Nora – emigrou com a família para o Canadá e durante
mais de uma década não ouviu falar do antigo namoradinho, Hae Sung (Teo Yoo).
Até que um dia os dois voltam a se encontrar através da Internet. Conversam
diariamente durante meses, mas, à medida que um sentimento mais forte aflora,
Nora decide não mais se comunicar com ele, pois precisa também se dedicar à profissão de escritora. Nove anos depois, eles se
reencontram, desta vez pessoalmente, em Nova Iorque. Só que ela está casada com
o jovem escritor Arthur (John Magaro). Como a própria diretora confessa, a
história é baseada em sua experiência pessoal de vida. Além de ser indicado para disputar o Oscar
2024 de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original, o filme conquistou inúmeros prêmios
em importantes festivais mundo afora, entre os quais os de Sundance, Berlim, São
Paulo, Rio de Janeiro, Sidney e Jerusalém. No site agregador de críticas Rotten
Tomatoes, o filme conseguiu uma taxa de aprovação de 97%, um número raramente atingido. Realmente, o filme é excelente, embora um tanto lento. “Vidas
Passadas” comprova mais uma vez a qualidade do atual cinema sul-coreano. Muitos críticos o elegeram como o melhor filme de 2023, no que eu concordo plenamente. Imperdível!
domingo, 19 de maio de 2024
“ROMA EM CHAMAS” (“ADAGIO”), 2023,
Itália, 2h6m, em cartaz na Netflix, direção de Stefano Sollima, que também
assina o roteiro ao lado de Stefano Bises. Ao estrear na programação do 80º
Festival Internacional de Cinema de Veneza, em setembro de 2023, o filme
dividiu os críticos. Eu fiquei do lado dos que gostaram. O jovem Manuel
(Gianmarco Franchini) é preso pela polícia e concorda em fazer um serviço em
troca de sua liberdade e do silêncio sobre o seu delito. Afinal, Manuel é filho
único de Daytona (o grande Toni Servillo), um poderoso chefão da máfia de Roma agora aposentado e com problemas de demência. No meio de sua missão, ou seja, fotografar uma
festa particular à base de cocaína, Manuel fica com medo e acaba se escondendo.
Vasco (Adriano Giannini), o chefe corrupto da polícia, sabe que o jovem sabe do
esquema de corrupção e então passa a persegui-lo por toda a capital italiana. Daytona
sugere que Manuel procure a ajuda de um antigo capanga mafioso, Romeo Cammello
(Pierfrancesco Favino, totalmente careca e com as sobrancelhas
raspadas, irreconhecível). A caçada ao jovem também envolverá um outro ex-capanga de Daytona, o
agora cego Polniuman (Valerio Mastandrea), uma referência bem-humorada ao
grande ator norte-americano Paul Newman. O próprio Daytona, apesar do declínio
mental, também se envolve na história. Vale destacar que o filme inteiro é
ambientado em uma Roma de calor insuportável, constantes apagões de energia e
um violento incêndio na floresta que circunda a cidade – daí o título. Além do
ótimo elenco, o filme destaca-se também pela qualidade de sua fotografia, a
cargo de Paolo Carnera. Lembro que o diretor Stefano Bises tem no currículo a
séria “Gomorra”, um grande sucesso, e os filmes “Suburra”, “Sicário – Dia do
Soldado” e “Sem Remorso”, estes dois últimos feitos nos Estados Unidos. Outro lembrete interessante é o fato do ator Adriano Giannini, no papel do chefe da polícia, ser filho do grande ator Giancarlo Giannini e da atriz Livia Giampalmo. Resumo
da ópera: “Roma em Chamas” é um filmaço!
sexta-feira, 17 de maio de 2024
“O ENTREGADOR” (“EL CORREO”), 2024,
em cartaz na Netflix, coprodução Espanha/Bélgica, 1h42m, direção de Daniel
Calparsoro, seguindo roteiro assinado por Patxi Amezcua e Alejo Flah. A
história é baseada em fatos reais e acompanha a incrível trajetória de Iván
Márquez (Arón Piper), um jovem do bairro de Vallecas, na periferia de Madrid,
desde o início dos anos 90 até a virada do século 21. Esperto, ambicioso e
ousado, Iván deixa o emprego de manobrista e se envolve em esquemas de lavagem
de dinheiro e corrupção, trabalhando para políticos, mafiosos e empresários
inescrupulosos. Sua missão é levar o dinheiro sujo para fora da Espanha,
principalmente para a Suíça e a Bélgica. Sua ambição, porém, não tem limites. De
“mula”, ele passa ao topo da hierarquia criminosa, traindo seus antigos chefes.
A partir daí, gastando milhares de euros em festas regadas a muita bebida e
cocaína, Iván começa a chamar a atenção da polícia espanhola. O pano de fundo
de toda a história é a crise econômica espanhola nos anos 90 e as mudanças verificadas
no período, incluindo a introdução do euro. Além do jovem e promissor ator Arón
Piper, fazem parte do excelente elenco Luis Tosar, María Pedraza, Laura Sépul,
Lara Martorell, Luis Zahera, Nourdin Batau, José Manuel Poga, Arantxa
Aranguren, Geert Van Rampelberg, Stefan Weinert e Antonio Buil. Filmado em
ritmo alucinante e com muita ação, “O Entregador” chega à Netflix recomendado
como possível melhor filme espanhol do ano, com toda justiça, pois realmente é
muito bom. Não perca!
quarta-feira, 15 de maio de 2024
PUAN (PUÁN), 2023,
coprodução Argentina, Brasil, Alemanha, França e Itália, 1h50, em cartaz no
Prime Vídeo, roteiro e direção de María Alché (“A Família Submersa”) e Benjamin
Naishtat (“Vermelho Sol”). Grande sucesso de bilheteria na Argentina em 2023,
além da participação em vários festivais mundo afora, recebendo premiações no
San Sebastián International Film Festival (melhor ator para Marcelo Subiotto e
melhor roteiro). Por aqui, foi exibido na 47ª Mostra Internacional de Cinema de
São Paulo. Trata-se de uma comédia dramática que tem como pano de fundo a crise
econômica argentina pré-Millei, provocando um grande colapso nas universidades
públicas. Após a morte do professor Caselli, titular da cadeira de Filosofia da
Universidade de Buenos Aires, o substituto natural seria seu adjunto, Marcelo
Pena (Marcelo Subiotto). Só que surge um novo postulante ao cargo, Rafael
Sujarchuk (Leonardo Sbaraglia), antigo aluno do professor falecido e que agora
lecionava em Frankfurt (Alemanha). De férias, Rafael retorna à Argentina e
participa das homenagens póstumas ao antigo professor, quando então acaba se
interessando em disputar a vaga. O roteiro explora com maestria essa disputa
entre os dois professores, dedicando, porém, um maior tempo ao cotidiano de Marcelo, seu
relacionamento com a família, com os demais professores, com a direção da
universidade e com seus alunos. Completam o elenco Julieta Zylberberg, Camila Peralta, Damián Dreizik, Juan Luppi, Cristina Banegas, Gaspar Offhanden e Lali
Espósito. Apenas para esclarecer: Puan é o nome do bairro onde se encontra a
Universidade de Buenos Aires. Resumo da ópera: mais um bom filme argentino que
merece ser visto. Não perca!
segunda-feira, 13 de maio de 2024
“CRISE” (“CRISIS”), 2021,
coprodução Canadá/Bélgica, 1h58m, em cartaz na Netflix desde o dia 22 de abril
de 2024, roteiro e direção de Nicholas Jarecki (“A Negociação”). Trata-se de mais uma poderosa denúncia contra a indústria farmacêutica responsável pela produção
de opioides, droga com efeitos analgésicos e sedativos potentes, altamente
viciante, responsável por viciar – e matar -, só nos EUA, centenas de milhares de pessoas. A
trama acompanha a trajetória de três personagens: um agente da DEA (Departamento
Antidrogas dos EUA), uma arquiteta que perde o filho adolescente e um cientista
professor universitário. Cada um deles terá papel fundamental no transcorrer da
história, os três envolvidos no combate inglório contra a fabricação e vendas dos
opioides. O elenco é de primeira: Armie Hammer, Gary Oldman, Evangeline Lilly,
Luke Evans, Michelle Rodriguez, Veronica Ferres, Greg Kinnear, Lily-Rose Depp
(filha do ator Johnny Depp e da atriz francesa Vanessa Paradis), Indira Varma,
Guy Nadon e Nicholas Jarecki (diretor do filme), só para citar os mais
conhecidos. É revoltante constatar o poder que a indústria farmacêutica exerce sobre
autoridades do governo, órgãos de fiscalização e a mídia em geral, corrompidos
por muito dinheiro e sem qualquer compaixão pela saúde pública. “Crise” cutuca essa ferida com muito realismo e competência. Não perca!
CINZAS (KÜL), 2024,
Turquia, 1h40m, em cartaz na Netflix, direção de Erdem Tepegöz, seguindo
roteiro assinado por Erdi Isik. Drama romanceado com algum suspense da metade
para o fim. Gökçe (Funda Erygit) é casada com Kenan (Mehme Günsür), dono de uma
grande editora de livros em Istambul. Ele é dona de uma loja de roupas
femininas de alto padrão. O editor Kenan faz questão de que Gökce faça a
primeira leitura dos livros enviados à editora e sua opinião é levada a sério.
Até que chega, pelo correio, o rascunho de um romance intitulado “Kül”, porém
sem o nome do autor ou autora. Ao ler a história, um romance entre um homem chamado
apenas de “M” e uma mulher, Gökçe começa a ficar obcecada pelas situações
relatadas, começando a ter fantasias sobre o livro, imaginando-se como a personagem principal - eu não sabia, mas existe uma tal de Fictofilia: amor ou obsessão por personagens fictícios. Seguindo alguns
locais citados no livro, a maioria deles na periferia pobre de Istambul, Gökçe
acaba encontrando o suposto autor do livro, um carpinteiro chamado Metin Ali
(Alperen Duymaz). Surge uma amizade entre eles, mas fica claro que Metin tem um
passado misterioso. Mesmo assim, Gökçe se apaixona perdidamente pelo
carpinteiro, uma relação que pode levar a uma tragédia. Não comento mais para
não estragar as surpresas deixadas para o desfecho. Além disso, a cena final
deixa o espectador com a pulga atrás da orelha, pois dá a entender que a
realidade talvez seja ficção, ou vice-versa. Este final intrigante valoriza e
faz de “Cinzas” um ótimo entretenimento – sem falar na beleza e competência da
atriz Funda Erygit, uma das mais conhecidas do cinema turco.
domingo, 12 de maio de 2024
RASTROS DE UM CRIME (THE
CLEANER), 2022, Estados Unidos, 1h33m, em cartaz no Prime Vídeo,
direção de Erin Elders, que também assina o roteiro juntamente com King Orba
(ator principal da história). Trata-se de um suspense com pouca ação, as coisas
demoram a acontecer, mas nem por isso deixa de ser um filme interessante. Buck
Enderly (King Orba) é um sujeito de meia idade que faz bicos como faxineiro de
casas e de veículos de concessionárias. Ele vive isolado com a mãe, Sharon
(Shelley Long), uma idosa complicada de se conviver. Ao oferecer os seus
serviços à idosa viúva Carlene Briggs (Lynda Carter, a Mulher Maravilha dos
anos 60/70), ele acaba numa grande confusão. Carlene o contrata para ser seu
detetive particular com a missão de encontrar seu filho Andrew (Shiloh
Fernandez), um jovem complicado envolvido com drogas e outras contravenções. Durante
suas “investigações”, Buck acaba dentro de um cenário de assassinato e terá de
provar que não tem nada com isso. Completam o elenco Luke Wilson, numa rápida e
pouco convincente aparição, Eden Brolin, James Paxton, Mike Starr e Hopper
Penn. O filme chega a ser entediante pela falta de ação e muito blá-blá-blá até
pouco antes do desfecho. Dessa forma, não merece uma indicação entusiasmada, a
não ser para os fãs da ex-Mulher Maravilha, que terão a oportunidade de vê-la agora
aos 74 anos de idade, metida a cantora.
sábado, 11 de maio de 2024
SEGREDOS DE UM ESCÂNDALO (MAY
DECEMBER), 2023, EUA, 1h57m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção de Todd Haynes (“Longe do Paraíso”), seguindo roteiro assinado por Samy
Burch, indicado ao Oscar 2024 na categoria Melhor Roteiro Original. Duas
atrizes de renome e muito competentes encabeçam o elenco: Julianne Moore e
Natalie Portman. A história é baseada em fatos reais, ou seja, o escândalo que
envolveu uma mulher casada de 36 anos de idade e um adolescente de 13 anos em
meados dos anos 90. Eles foram surpreendidos fazendo sexo e a mulher acabou
sendo presa por pedofilia e abuso sexual. Vinte anos depois, a atriz Elizabeth
Berry (Portman) é escalada para interpretar Gracie Atherton-Yoo (Moore) na
época do caso, que teve uma grande repercussão em toda a mídia norte-americana.
Elizabeth quer conhecer a personagem que irá interpretar e, para isso, passa a
conviver com Gracie, seu marido Joe Yoo (Charles Melton) e o casal de gêmeos –
na vida real, a mulher chamava-se Mary Kay Letourneau e o rapaz Vili Fualaau,
filho de samoanos (no filme, ele é filho de pai coreano). Completam o elenco Cory
Michael Smith, Elizabeth Yu, Gabriel Chung, Piper Curda e D.W. Moffett. “Segredos
de um Escândalo” não é um filme muito fácil de digerir, não apenas pelo tema da
história, mas pelo ritmo lento, chegando a entediar em alguns momentos. De
qualquer forma, vale conferir pela presença dessas duas grandes atrizes, mas o
resultado final chega a ser decepcionante.
quarta-feira, 8 de maio de 2024
“O SALÁRIO DO MEDO” (“LE
SALAIRE DE LA PEUR”), 2024, coprodução França/Bélgica, em cartaz na
Netflix, direção de Julien Leclercq, seguindo roteiro assinado por Hamid
Hlioua. Trata-se de um filme de ação e suspense. Um grupo de mercenários é
contratado para transportar dois caminhões carregados de nitroglicerina para a África
do Sul - pra mim não ficou claro de onde. Eles têm 24 horas para chegar ao destino. O objetivo é destruir um poço
de petróleo que explodiu e está ameaçando um vilarejo e um campo de refugiados.
Uma missão quase suicida, considerando-se o perigo de um possível ataque de terroristas
– o que realmente acontece -, além da enorme chance de os caminhões explodirem
com qualquer gota de nitroglicerina que saia dos recipientes. O filme é um remake
de “Wages of Fear”, dirigido por Henri-Georges Clouzot, vencedor da Palma
de Ouro do Festival de Cannes em 1953. Foi a primeira adaptação para o cinema
do livro de Georges Arnaud. O recém-lançado “O Salário do Medo” tem no elenco
Anne Girardot, Franck Gastambide, Alban Lenoir, Sofiane Zermani, Bakary
Diombera, Birol Tarkan, Astrid Whettnall, Joseph Beddelin, Douglas Grauwels e
Sarah Afchain. Trocando em miúdos, com exceção de algumas boas cenas de ação, o
filme não acrescenta muito e, portanto, pode decepcionar o espectador mais exigente.
terça-feira, 7 de maio de 2024
O DUQUE (THE DUKE), 2022,
Inglaterra, 1h36m, em cartaz no Prime Vídeo, direção do cineasta sul-africano
Roger Michell (“Um Lugar Chamado Notting Hill”, “Vênus”), seguindo roteiro
assinado por Clive Coleman e Richard Bean. O filme é baseado em fatos reais
ocorridos em 1961 envolvendo o roubo do famoso quadro “Retrato do Duque de
Wellington”, do pintor espanhol Francisco de Goya, que estava exposto na National Gallery de Londres.
O suposto ladrão era um senhor que residia na cidade de Newcastle, Kempton Bunton
(Jim Broadbent), que vivia fazendo bicos de padeiro e taxista, além de escrever
roteiros para cinema e peças de teatro nunca aproveitados. Era um tipo sonhador
e bonachão, sempre sem dinheiro, situação que esgotava a paciência da sua
esposa Dorothy (Helen Mirren). Quatro meses depois do roubo, Kempton devolve o
quadro, acaba preso e vai para julgamento, atuando em sua defesa o advogado
Jeremy Hutchinson (Matthew Goode). As situações mais engraçadas acontecem
justamente durante o julgamento de Kempton. Completam o elenco Fionn Whitehead,
Charlotte Spencer, Aimee Kelly, Anna Maxwell Martin, Sian Clifford, James Wilby
e Robbie Jarvis. ,Enfim, “O Duque” é daqueles filmes que chegam sem muito alarde e
conquistam o espectador com muita diversão, diálogos inteligentes e surpreendentes reviravoltas. Não
perca! A nota triste fica por conta do diretor Roger Michell, que faleceu em
2021, antes da estreia do filme.
domingo, 5 de maio de 2024
“HERÓI POR ENCOMENDA” (“FREELANCE”), 2023, Estados Unidos, 1h49mm em cartaz no Prime Vídeo, direção do cineasta francês Pierre Morel (“O Franco Atirador”, “Busca Implacável”, “A Justiceira”), seguindo roteiro assinado por Jacob Lentz. Em tempos tenebrosos como estes que estamos vivendo, nada melhor do que assistir a uma comédia de ação, mesmo que seja uma grande bobagem. Entediado com sua carreira de advogado e pai de família, Mason Pettis (John Cena) aceita o convite do amigo Sebastian (Christian Slater) para voltar à ação. Afinal, alguns anos antes, Mason era um agente de campo das forças especiais do exército norte-americano. Sua missão: trabalhar como segurança da jornalista Claire Wellington (Alison Brie) durante viagem à Paldônia, uma republiqueta da América do Sul, para entrevistar o ditador local, presidente Juan Venegas (Juan Pablo Raba). Cá pra nós, existe pior nome do que Paldônia para um país sul-americano? Nada a ver. Bom, chegando lá e em meio à entrevista com o presidente, a jornalista e seu segurança acabam no meio de um violento golpe de estado, cujo objetivo é colocar na presidência um sobrinho do presidente. Enfim, muitas cenas de ação, tiros e perseguições, tudo feito para entreter e divertir. Só para lembrar, John Cena é aquele mesmo ator que apareceu pelado no palco da premiação do Oscar. É um cara simpático, mas péssimo ator. Ainda bem que tem como parceira Alison Brie, que é boa atriz e atua com eficiência em comédias. Como afirmei no início do comentário é um filme que se propõe a divertir e consegue. Seus neurônios vão agradecer o descanso.
sexta-feira, 3 de maio de 2024
HERANÇA ROUBADA (STÖLD), 2024,
Suécia/Noruega, produção original Netflix, direção de Elle Márjá Eira, seguindo
roteiro assinado por Peter Birro e Ann-Helen Lastadius, esta última autora do
livro homônimo cujo conteúdo serviu como base no roteiro. Trata-se de uma
história real. Mais do que a história em si, cenários deslumbrantes e muito
suspense, o mais interessante é o mergulho profundo na cultura e nas tradições
da comunidade dos samis - antigos lapões -, povo indígena que ocupa um território que abrange
partes das regiões setentrionais da Suécia, Noruega, Finlândia e Península de
Kola, na Rússia, e a Lapônia. Eu ignorava a existência dos samis e, portanto,
gostei muito do filme. Aprendi bastante. A personagem principal de “Herança
Roubada” é Elsa (Elin Oskal), uma jovem sami que, junto com o pai e o irmão, pastoreiam
um grande rebanho de renas, uma tradição secular daquele povo. Aos 9 anos de
idade, Elsa testemunha o abate cruel de sua rena de estimação. Dez anos depois,
guardando o silêncio sobre o caso, ela resolve se vingar, pois o assassino
volta a atacar o rebanho – descobre-se, depois, que ele é dono de um comércio
clandestino de peles e de carne de rena. As imagens aéreas mostrando as renas se
descolando em meio à neve são deslumbrantes. Valem o ingresso. Não tenho dúvida
em afirmar que “Herança Roubada” já pode ser considerado um dos melhores
lançamentos da Netflix em 2024. Ah, ia esquecendo de um detalhe importante: tendo
em vista algumas cenas de maus tratos a animais, não recomendo o filme para os
espectadores mais sensíveis. De qualquer forma, imperdível!
quarta-feira, 1 de maio de 2024
ALARME DE INCÊNDIO (FROM THE
ASHES), 2024, Arábia Saudita, 1h43m, em cartaz na Netflix, roteiro
e direção de Khalid Fahad. Curiosidade foi o que me levou a assistir a este novo
filme saudita. Afinal, o cinema produzido naquele país está praticamente engatinhando.
Para se ter uma ideia, foi somente a partir de 2006, com “Keif Al-Hal?”, que a
produção começou, mas as locações aconteceram nos Emirados Árabes Unidos e com elenco de outros países. Somente em 2012 seria realizado o primeiro filme com elenco totalmente saudita
e filmado no país, “O Sonho de Wadja”. Além disso, entre 1983 e 2018, não era autorizada a abertura de salas de cinema. Por questões religiosas, é claro. Por isso tudo, “Alarme de Incêndio”
despertou minha vontade de assistir. A história é baseada em fatos reais,
ocorridos em 2002 em uma escola para meninas em Makkah, quando um grande
incêndio matou duas pessoas, uma aluna e uma professora. Com um detalhe macabro:
a aluna foi trancada de propósito no almoxarifado. Como o incêndio começou e
quem trancou a vítima? As respostas a estas duas perguntas conduziram o roteiro
até o desfecho. O clima é de muita tensão, com algumas reviravoltas e a
revelação surpreendente no final. À frente do elenco estão várias atrizes de
renome do cinema saudita, como Alshaima’a Tayeber, Khairyeh Abu Labu, Adwa
Fahad e Darin Albayed. No mais, as alunas são interpretadas por atrizes visivelmente
amadoras, sem nenhuma experiência na frente das câmeras. Não é um fator que
desmereça o filme, mas não contribui. No fim das contas, trata-se apenas de um filme
interessante, ainda mais por ser baseado em fatos reais.
terça-feira, 30 de abril de 2024
“BEBÊ RENA” (“BABY REINDDER”), 2024,
Inglaterra, série de sete episódios em sua 1ª temporada, em cartaz na Netflix, criação,
roteiro e direção do jovem e talentoso ator escocês Richard Gadd. Ele conta
suas próprias experiências de vida a partir de 2015 até 2019, quando resolve revelar o que aconteceu. Primeiro ele escreveu duas peças de teatro: “Baby
Reindeer” e “Monkey See, Monkey Do”, que fizeram tanto sucesso em Londres que
acabaram sendo adaptadas para esta série da Netflix. Na série, Gadd é Donny
Dunn, que sonha em fazer sucesso como comediante de stand-up, com
atuações medíocres em bares de qualidade duvidosa. Diante da situação, ele
arruma um emprego de bartender e acaba conhecendo uma cliente bastante
esquisita, que um dia pede um copo de água da torneira por não ter dinheiro.
Com pena, ele serve um chá e não cobra. Pronto! A mulher, Martha (Jessica
Gunning), obesa, feia e carente, resolve “pegar no pé” de Donny, praticando um
tipo de assédio doentio que se transforma em psicopatia. Só para se ter uma
ideia, ao longo de 4 anos ela enviou a ele 41.071 e-mails, 350 horas de
mensagens de voz, 744 twíters, 46 mensagens no facebook,106 páginas de cartas e
vários presentes. Ao mesmo tempo em que tenta fugir do assédio da gorda maluca,
Donny conhece Teri (a atriz mexicana Nava Mau), uma mulher trans (como a atriz,
na vida real) e se apaixona. Ao mesmo tempo, começa uma amizade com um sujeito que
diz ser roteirista de cinema, mas que na verdade é um viciado em drogas e sexo
nada convencional. Tudo isso é detalhado na série, a de maior sucesso este ano na Netflix. Para se ter uma ideia, “Bebê Rena” foi a mais assistida em mais de
30 países no período de 15 a 21 de abril. Por causa desse sucesso e também pela
cena final do sétimo e último capítulo, tudo leva a crer que haverá uma segunda
temporada. Nada mais justo, pois a série é realmente bastante interessante e
muito criativa. Não perca!
sábado, 27 de abril de 2024
CASO PERIGOSO (SHATTERRED), 2022,
Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta espanhol
Luis Prieto, seguindo roteiro de David Loughery. Divorciado e milionário, o
jovem Chris Decker (Cameron Monaghan) vive isolado em uma bela mansão. Ele
geralmente faz compras de madrugada em um supermercado. Numa dessas ocasiões,
Chris conhece uma jovem e bela mulher que diz se chamar Skyler (Lilly Krug).
Paixão fulminante, ele a leva para sua mansão e os dois se transformam em
amantes apaixonados. Ao mesmo tempo, Chris e a ex-mulher Jamie (Sasha Luss) se
comunicam via internet, conversam sobre o divórcio e outros assuntos, e ele
aproveita para matar a saudade da filha Willow (Ridley Asha Bateman). De
repente, o comportamento de Skyler muda completamente. Ela é, na verdade, uma
golpista psicopata que, ao lado do parceiro Sebastian (o intragável Frank
Grillo), quer roubar toda a fortuna de Chris. E a matança tem início, muito suspense
e sangue jorrando, com boas cenas de ação. Devo destacar o desempenho
sensacional da jovem e bela atriz alemã Lilly Krug – filha da também atriz Veronica
Ferres. Radicada em Los Angeles desde 2019, Lilly está ótima como a vilã
principal da história. Aposto que logo será uma grande estrela de Hollywood. E por
falar em beleza, também é preciso destacar a presença da atriz e modelo russa
Sasha Luss, também radicada nos EUA. Ela foi a principal protagonista de “Anna –
O Perigo Tem Nome”, como a espiã dupla contratada como assassina profissional.
O destaque negativo fica por conta do ator John Malkovich, que em evidente final
de carreira assume papéis no mínimo constrangedores. Como é o caso deste “Caso
Perigoso”. Entre prós e contras, afirmo com toda certeza de que se trata de um
ótimo suspense. Não perca!
quinta-feira, 25 de abril de 2024
“REMANDO PARA O OURO” (“THE
BOYS IN THE BOAT”), 2023, Estados Unidos, 2h04m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de George Clooney e roteiro assinado por Mark L. Smith.
Quando se fala do desempenho dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Berlim,
em 1936, o primeiro nome que vem à nossa memória é o de Jesse Owens, da equipe
de atletismo – os EUA ficaram em segundo lugar na classificação geral, com 24
medalhas de ouro, atrás apenas da Alemanha. Neste “Remando para o Ouro”, o
destaque principal é a equipe de remo (oito remadores mais um timoneiro), também vencedora de uma medalha de ouro.
Uma incrível história que começa alguns meses antes na Universidade de
Washington, em Seattle. Oito universitários são convocados para compor a segunda
guarnição da equipe de remo – a primeira guarnição era supostamente a melhor.
Resumindo, a equipe formada às pressas, com estudantes inexperientes e totalmente desacreditada, conseguiu
vencer as eliminatórias regionais e depois as nacionais, conquistando o direito
de ir aos Jogos Olímpicos. Aliás, tiveram que fazer uma "vaquinha" para conseguir dinheiro para a viagem, já que o Comitê Olímpico dos Estados Unidos negou a verba. Uma história e tanto de superação, dedicação, muito
treinamento e emoção à flor da pele, do começo ao fim. Toda a história é
baseada no livro “The Boys in The Boat”, escrito por Daniel James Brown. George
Clooney dirige seu nono filme, acertando em cheio ao adaptar a história desde
os árduos treinamentos em Seattle e depois a disputa das competições que
levaram a equipe aos Jogos Olímpicos e à medalha de ouro. Estão no elenco Joel
Edgerton, como o treinador da Universidade de Washington, Callum Turner, Peter
Guinness, Jack Mulhern, James Wolk e Haidley Robinson. Imperdível!