quinta-feira, 18 de janeiro de 2024


“LIFT – ROUBO NAS ALTURAS” (“LIFT”), 2023, Estados Unidos, 1h44m, produção original e distribuição Netflix, direção de F. Gary Gray (“Código de Conduta”), que também assina o roteiro com Daniel Kunka. É um filme de ação com bastante humor. Para não ser preso juntamente com sua quadrilha de criminosos internacionais, Cyrus Whitaker (Kevin Hart), se associa à CIA e à Interpol para planejar e executar uma missão inusitada: roubar, em pleno voo, US$ 500 milhões em barras de ouro que serão transportadas por um Boing 777 durante o trajeto de Londres a Zurique. As barras de ouro destinam-se a um terrorista psicopata (redundância?), responsável por várias ações trágicas na Europa. Além de Kevin Hart, estão no elenco Gugu Mbatha-Raw, Sam Worthington, Vincent D’Onofrio, a atriz espanhola Úrsula Corberó, Billy Magnussen, Viveik Kalra e a atriz chinesa NS Yoon-g. Trocando em miúdos, com exceção de algumas boas cenas de ação, como a da perseguição de lanchas pelos canais de Veneza e o roubo nas alturas, “Lift” é apenas mais um bom filme de ação para curtir numa sessão da tarde.     

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

 

“SALTBURN”, 2023, Inglaterra, 2h07m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de Emerald Fennell. Este é o segundo filme na direção da atriz Emerald (o primeiro foi “Promising Young Woman”, de 2020). “Saltburn” conta a história de uma amizade entre dois estudantes da Universidade de Oxford, Oliver Quick (o ator irlandês Barry Keoghan), pobre e feio, e Felix Catton (Jacob Elordi), rico e bonito. Um determinado dia, Felix convida Oliver para passar alguns dias na mansão de sua família. Chamada de “Saltburn”, a casa de campo é mais do que uma mansão, um verdadeiro palácio. É lá que residem os pais e a irmã de Felix, além de outros agregados. Gente muito esquisita, antipática, esnobe, bizarra. No primeiro contato, Oliver é paparicado pela família Catton, mas aos poucos se revelará como uma pessoa inconveniente, manipuladora, envolvendo todos em sua trama macabra. Embora exaltado por alguns críticos, achei o filme bastante desagradável, metido a cinema de arte, com algumas cenas fortes de sexo homossexual feitas para chocar a plateia. O que não se pode negar é sua qualidade estética, proporcionada por uma fotografia realmente deslumbrante, digna de prêmios - vamos aguardar as indicações ao Oscar 2024. O elenco conta ainda com Rosamund Pike, Richard E. Grant, Alison Oliver, Carey Mulligan (numa aparição surpreendentemente rápida), Paul Rhys e Archie Madekwe. Concluirei meu comentário lembrando que a Emerald Fennel, a diretora, trabalhou em inúmeros filmes como atriz, inclusive nos recentes “Barbie”, e “A Garota Dinamarquesa”, além da série “The Crown”. Tomando como exemplo “Saltburn”, acho que prefiro Emerald como atriz.   

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

 

“MARSELHA EM PERIGO” (“PAX MASSILIA”), 2023, França, minissérie da Netflix em 6 episódios (1ª temporada), direção de Olivier Marchal, que também assina o roteiro juntamente com Kamel Guemra e Edgar Marie. Este é mais um exemplo de que o cinema francês está cada vez melhor quando se trata de filmes de ação do gênero policial, consagrando mais uma vez um especialistta no gênero, o diretor Olivier Marchal. Nesta minissérie, os protagonistas principais são cinco policiais da delegacia de combate ao narcotráfico em Marselha, uma das cidades mais violentas da Europa. Essa equipe é comandada pelo capitão Lyès Benamar (Tewfik Jallab), um cara durão que conhece como poucos o lado obscuro do tráfico de drogas. Dois poderosos traficantes resolvem se enfrentar para ter o domínio dos negócios na cidade: Franck Murillo (Nicolas Duvauchelle) e Ali Saidi (Samir Boitard). Para tentar evitar um banho de sangue na cidade, os policiais de Benamar precisam intervir com o objetivo de prender os dois. Murillo é o mais perigoso, pois conta com um capanga violento e sanguinário, Tarek Hamadi (Moussa Maaskri), também conhecido como “Índio”, pois usa uma trança atrás da cabeça. Não bastasse ter de enfrentar os marginais, Benamar e seus comandados são perseguidos por um policial da corregedoria que não lhes dá trégua. A minissérie não economiza na violência e em cenas de jorrar sangue. Tudo dentro do contexto normal que a gente vê hoje no Rio de Janeiro ou em São Paulo. No caso da França, o perigo está nas periferias, dominadas pelos imigrantes árabes e africanos, gente da pesada. Também estão no elenco Lani Sagoyou, Jeanne Goursaud (talvez a atriz mais bonita do cinema francês atual), Idir Azougli, Florence Thomassin, Diouc Koma e Olivier Barthelemy. A minissérie é ótima e certamente terá uma segunda temporada. Imperdível!   

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

 

“HISTÓRIA DE UM CRIME – O CABELEIREIRO DAS ESTRELAS” (“HISTORIA DE UN CRIMEN: MAURICIO LEAL”), 2023, Colômbia, 1h30m, produção original e distribuição Netflix, roteiro e direção de Jacques Toulemonde Vidal. Baseada em fatos reais, a história relembra um caso que chocou a Colômbia em novembro de 2021: o assassinato do famoso cabeleireiro Mauricio Leal e de sua mãe Marleny Hernández, encontrados mortos lado a lado em uma cama de casal. O salão de Mauricio era frequentado por celebridades, principalmente atrizes do cinema colombiano. Mauricio e a mãe foram brutalmente esfaqueados e, ao lado dos corpos, havia um bilhete de suicídio supostamente escrito por Mauricio. A investigação do caso ficou a cargo da jovem promotora Rebeca, pressionada para resolver o mistério em apenas 20 dias. Yhonier Leal, irmão de Mauricio e também cabeleireiro, era um dos suspeitos, assim como outros que se relacionavam com a família. Não vou contar o final da história para não estragar a surpresa de quem não sabe o que aconteceu no desfecho. Estão no elenco Juana Del Rio (a promotora), G. Alejandro Gomez (Maurício), Johan Velandia (Yhonier) e Myriam de Lourdes (a mãe), além de Ernesto Benjumea e Nelson Camayo. Quem gosta do gênero policial e já assistiu a vários outros filmes realizados mundo afora pode se decepcionar. A começar pelo desempenho do elenco, um pior do que o outro, além de um roteiro que não convence do começo ao fim, principalmente por não saber desenvolver situações de suspense, clichê primordial do gênero policial.    

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

 

“AGRADECIMENTO E DESCULPAS” ("TACK OCH FÖRLĂT”), 2023, Suécia, 1h30m, direção de Lisa Aschan, seguindo roteiro assinado por Marie Østerbye, em cartaz na Netflix. Trata-se de um drama leve, com algumas pitadas de humor, muito simpático e agradável de assistir. Enquanto escovava os dentes antes de dormir, Sara (Sanna Sundqvist), grávida de oito meses, ouve seu marido Daniél (Mattias Ramos) bater na porta do banheiro e anunciar que vai viajar para dar um tempo na relação. Um “boa noite” dos mais desagradáveis, mesmo porque ela não dorme mais na mesma cama que dividiam. Na manhã seguinte, quando Sara entra no quarto para acordar o marido, este não acorda. Sara chama o resgate, que constata: Daniel está morto. Sara reage com frieza, mesmo durante o velório e enterro. Dá para perceber que ela está bastante deprimida e nem o filho fofinho é capaz de colocar alguma alegria na sua vida. Sara começa a encrencar com a sogra (Ia Langhammer), que só quer ajudar. E tem mais: Sara não se dá com a irmã mais velha, Linda (Charlotta Vjorck) e nem com o pai, Timo (Villo Virtanen), que vive em uma casa de repouso. Sozinha e carente, Sara começa a entender que as pessoas à sua volta, mesmo a sogra antipática, só querem ajudar. Aos poucos, ela concorda em esquecer fatos do passado, perdoar quem lhe fez mal e se reaproximar das pessoas, inclusive de sua irmã e de seu pai. Embora intimista e um tanto lento, o filme é bastante sensível, principalmente por instigar uma reflexão sobre relações familiares. Mais um bom lançamento da Netflix. Recomendo.   

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

 

“DRUK – MAIS UMA RODADA" (“DRUK”), 2020, Dinamarca, 1h57m, em cartaz na Netflix, direção de Thomas Vinterberg, que também assina o roteiro com Tobias Lindholm. Este é o filme mais interessante e criativo de Vinterberg (leia no final do comentário a lista de alguns filmes realizados pelo diretor dinamarquês). A história é baseada em uma peça teatral escrita por Vinterberg alguns anos antes. Ida Maria, sua filha adolescente, o incentivou a fazer uma adaptação para o cinema, o que o motivou a concretizar o projeto. A nota triste é que Ida faleceu em um acidente de carro nos primeiros dias da filmagem de “Druk”, mas o cineasta não se deixou abater e concluiu o projeto, com o apoio dos produtores, equipe técnica e elenco. O resultado final não poderia ter sido melhor, pois o filme foi um grande sucesso, recebendo inúmeras premiações, inclusive o Oscar 2021 de Melhor Filme Internacional. “Druk” conta a história de quatro professores de uma mesma escola que se tornaram amigos íntimos. Com problemas familiares e desmotivados nas salas de aula, eles resolvem partir para a bebida, aplicando na prática uma teoria que consagrava as bebidas alcoólicas como remédios para provocar relaxamento e bem-estar, além de afastar qualquer tipo de depressão. O consumo passou a ser diário, antes, durante e depois das aulas, mas nunca após às 20 horas. Eram litros e litros de conhaque, vodca, vinho e até absinto. Eles acabam exagerando nas doses e chegam até a linha tênue que existe entre diversão e vício. É aqui que o drama fala mais alto, resultando em uma tragédia anunciada. Intercalando drama com algumas situações cômicas, o filme transmite uma mensagem clara de como é difícil conviver com o cotidiano de cara limpa. Trata-se, evidentemente, de uma postura negativa em relação à vida, exigindo uma reflexão filosófica e psicológica por parte dos espectadores. Ou seja, mais um filme polêmico de Vinterberg, que tem no currículo excelentes filmes como “A Caça”, “Submarino”, “Longe deste Insensato Mundo” e o mais polêmico deles, “Festa de Família” (1998), marco inicial do controverso e malfadado movimento Dogma 95, que Vinterberg criou com o cineasta Lars Von Trier. Tudo isso para concluir que “Druk” é mais um filme obrigatório do cinema dinamarquês. No elenco, Mads Mikkelsen (o ator preferido do diretor), Thomas Bo Larsen, Magnus Millang, Lars Ranthe, Maria Bonnevie, Albert Rudbeck Lindhardt, Susse Wold e Frederik Winther Rasmussen. Resumo da ópera: “Druk” é simplesmente imperdível!

 

domingo, 31 de dezembro de 2023

 

“A BAILARINA” (“BALLERINA”), 2023, Coreia do Sul, 1h33m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Lee Chung-Hyeon (“A Ligação”). Não é de hoje que o cinema sul-coreano tem produzido excelentes filmes, muitos deles premiados (vide “Parasita”). Os filmes de ação também são destaque, como este recente lançamento da Netflix. A história começa com o assassinato da bailarina clássica Min-Hee (Park Yu-Rim). O assassino é revelado no começo.  Trata-se de Choi (Kim Ji-Hun), um psicopata integrante de uma poderosa máfia que explora a prostituição e o tráfico de drogas. A bailarina era obrigada a se prostituir, mas quando quis abandonar o negócio virou alvo e vítima de Choi. É a partir daí que entra na história a melhor amiga da bailarina, Ok-Ju (Jeon Jong-Seo, esposa do diretor e que havia atuado sob sua direção em “A Ligação”), uma especialista em artes marciais e que trabalhava como guarda-costas. Embora franzina, ela briga como gente grande, batendo com vontade em qualquer marmanjo metido a valente. Disposta a vingar a morte da amiga, ela vai atrás de Choi e, então, muita pancadaria vai rolar até o final, sangue jorrando aos borbotões (que palavra mais antiga...). As cenas de ação são muito bem feitas, com destaque para as coreografias das lutas. Trata-se, portanto, de um filme de ação feito para quem gosta de pancadaria, mas tem lá seus momentos de reflexão e alguma sensibilidade. Vale para uma sessão da tarde com pipoca.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

 

“O NATAL DE COSTUME” (“SĂ VAR DED JOL IGJEN”), 2023, Noruega, 1h28m, em cartaz na Netflix (estreou dia 6 de dezembro), roteiro e direção de Petter Holmsen. Nunca fui muito fã desses filmes de Natal, em sua grande maioria açucarados e bobinhos. Mas esta comédia romântica norueguesa é bem divertida. Melhor ainda, baseada em fatos reais. Thea (a bela Ida Ursin-Holm) conhece o indiano Jashan (Kanan Gil) nos Estados Unidos. Os dois se apaixonam e pretendem se casar. Antes, porém, ela quer levá-lo para a Noruega e passar o Natal com sua família e, aí então, anunciar o noivado. Como já era previsível, as diferenças culturais acabam tumultuando o ambiente, principalmente pelo preconceito da mãe dela. A família de Thea, cristã, segue um ritual próprio para comemorar a data, algo que Jashan não compreende, mas pretende aceitar. Tentando ser simpático, Jashan resolve elaborar um cardápio especial de comida indiana para o jantar, surpreendendo a família de Thea com o exagero de pimenta. O jantar acaba caótico. Para piorar a situação, surge em cena um ex-namorado de Thea. Aí a coisa complica de vez. O filme é leve e muito divertido, valorizado por diálogos hilariantes, como este: “Os noruegueses já nascem com os esquis nos pés”, diz Thea. “Então os partos devem ser bem dolorosos”, devolve Jashan.  As situações engraçadas acontecem uma atrás da outra, ou seja, dá para rir o filme todo. No desfecho, Jasha revela o desejo de apresentar a família de Thea para seus parentes na Índia, o que dá a entender que haverá uma sequência. Vou assistir, com certeza.     

                       

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

 

“TOP GUN: MAVERICK”, 2022, Estados Unidos, 2h11m, em cartaz na Netflix, direção de Joseph Kosinski (“Oblivion”, “Tron: O Legado”), seguindo roteiro assinado por Christopher McQuarrie, Eric Warren Singer e Ehren Kruger. Antes tarde do que nunca, finalmente chega até nós a sequência tão aguardada de “Top Gun: Ases Indomáveis”, grande sucesso de 1986 no mundo inteiro. Aos 59 anos, Tom Cruise, ainda em ótima forma física, volta ao papel do piloto de caça Pete “Maverick” Mitchell, agora encarregado de treinar uma equipe de pilotos de elite para uma missão (quase) impossível, ou seja, ingressar em um país inimigo e destruir uma usina de enriquecimento de urânio localizada em um bunker subterrâneo (o país não é nomeado). Como já sabemos, missão impossível, ou quase, é com Tom Cruise. Durante o treinamento, realizado na base aeronaval de North Island, Maverick voltará a se encontrar com uma antiga namorada, Penny (Jennifer Connelly), e com seu antigo amigo e agora seu superior, o comandante Tom Kazanski (Val Kilmer). Aliás, Kilmer é o único ator de “Maverick” que esteve em “Ases Indomáveis”, além de Cruise, é claro. Completam o elenco Jon Hamm, Milles Teller, Monica Barbaro, Glen Powell e Ed Harris. O filme foi indicado ao Oscar 2023 em seis categorias, vencendo apenas na de Melhor Som, ou seja, muito pouco para um filme tão bom, o segundo de melhor bilheteria mundial em 2022, perdendo para “Avatar: O Caminho da Água”. A cereja do bolo de “Top Gun: Maverick” são as cenas de ação, que impressionam pelo realismo nas tomadas aéreas e acrobacias. Em algumas delas, o espectador é “convidado” a interagir com o piloto nas manobras mais ousadas. Aos de estômago mais sensível, recomendo tomar um dramin antes do filme começar. Em resumo, o filme é espetacular como entretenimento. Não perca!      

                       

sábado, 23 de dezembro de 2023

 

“MAESTRO”, 2023, Estados Unidos, 2h09m, em cartaz na Netflix, direção de Bradley Cooper, que também assina o roteiro com a colaboração de Josh Singer. Trata-se da cinebiografia do compositor e maestro Leonard Bernstein (1918-1990), um dos maiores gênios da música no Século XX. Para se ter uma ideia da importância desse projeto para o cinema, basta dizer que, além do próprio Bradley Cooper, são também produtores nomes como Steven Spielberg, Martin Scorsese e Todd Phillips. O filme acompanha a trajetória de Bernstein durante quatro décadas, a partir do início dos anos 40, quando ele inicia a carreira de maestro e compositor – ele compôs inúmeras trilhas sonoras para vários filmes e musicais da Broadway, entre as quais “West Side Story”, “Peter Pan” e “Candice”, além de ter sido maestro da Orquestra Filarmônica de Nova York durante 18 anos. A vida particular do maestro, interpretado por Bradley Cooper, também é bastante explorada, sua bissexualidade recheada de muita promiscuidade e seu casamento com a atriz costarriquenha Felicia Montealegre, seu grande amor. Este foi o segundo filme de Bradley como diretor - o primeiro foi o grande sucesso “Nasce uma Estrela”, de 2018. “Maestro” é um filme completo, primoroso em toda a sua concepção, direção de arte, roteiro, figurino, fotografia e maquiagem. Com certeza, já pode ser considerado um dos favoritos ao Oscar 2024 nessas categorias e mais na de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator (Cooper) e Melhor Atriz (Carey Mulligan) – a lista dos indicados será divulgada no próximo dia 23 de janeiro. Também estão no elenco Mattew Bomer, Sara Silverman, Maya Hawke (filha de Ethan Hawke e Uma Thurman), Jeremy Strong e Sam Nivola. Enfim, “Maestro” é muito bom, irresistível e imperdível.   

 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

 

“GOLDA – A MULHER DE UMA NAÇÃO” (“GOLDA”), 2023, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h40m, em cartaz no Prime Vídeo, direção do cineasta israelense Guy Nattiv (em 2019, venceu o Oscar de Melhor Curta-Metragem com “Skin”), seguindo roteiro assinado por Nicholas Martin. Nascida na Ucrânia, Golda Meyer (1898-1978) emigrou para Israel em 1921 e foi primeira-ministra de 1969 a 1974. O filme é ambientado apenas durante o período em que durou a Guerra do Yom Kippur, em 1973, quando Israel sofreu um ataque-surpresa por parte de tropas do Egito, Síria e Jordânia. Juntamente com seus ministros de guerra, Golda administrou a situação, planejou uma contra-ofensiva e venceu o conflito. Golda, que ficou conhecida como a "Dama de Ferro de Israel", é interpretada pela maravilhosa atriz Helen Mirren, cuja impressionante maquiagem valorizou ainda mais sua performance (Oscar à vista?). O filme revela os bastidores dessa guerra, as reuniões de Golda com seus comandantes e sua vida particular, que destaca a relação de amizade com sua assistente Lou Kaddar (Camille Cottin) e seu vício de fumante. Também estão no elenco Lieve Schreiber (Henry Kissinger), Rami Heuberger (Moshe Dayan), Ohad Knoller (Ariel Sharon), Lior Ashkenazi (David Elazar) e a atriz Jaime Ray Newman, esposa do diretor. “Golda” estreou no 73º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2023, com elogios da crítica e do público. Além da primorosa interpretação de Helen Mirren, vale destacar o contexto histórico do filme. Filmaço!  

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

 

“ANÔNIMO” (“NOBODY”), 2021, Estados Unidos, 1h31m, em cartaz na Netflix, direção do diretor russo radicado nos EUA Ilya Naishuller (“Hardcore: Missão Extrema”), seguindo roteiro de Derek Kolstad, criador dos filmes da franquia John Wick. Quando foi lançado nos Estados Unidos, mesmo em plena pandemia do Covid, “Anônimo” foi um grande sucesso de bilheteria, faturando em poucas semanas US$ 57 milhões, lembrando que o investimento na produção foi de US$ 16 milhões. Depois de dois anos, chega agora à Netflix sem muito alarde, mas é um filmaço de ação, divertido, com muita pancadaria, tiros e tudo mais que se espera de um filme do gênero. O personagem principal da história é Hutch Mansell (Bob Odenkirk, das séries “Better Call Saul” e “Breaking Bad”), um pacato pai de família e funcionário exemplar de uma pequena metalúrgica. Sua rotina não passa de casa-família-trabalho. Certo dia, dois bandidos invadem sua casa para roubar e ele e o filho entram em luta corporal com a dupla. Em determinado momento da briga, Hutch tem a chance de golpear um dos marginais com um taco de golfe, mas deixa pra lá e os bandidos acabam fugindo. Sua atitude revela ou falta de coragem ou de preferência pela não-violência. Escolheu esta segundo opção para explicar à família e à polícia. Será que ele é um covarde? Calma, sem conclusões precipitadas. Revoltado pelo fato de a dupla de ladrões ter levado a pulseira de gatinhos da sua filha, ele resolve tomar uma atitude de macho e vai atrás dos bandidos. No caminho, dentro de um ônibus, ele vê cinco cafajestes perturbando uma jovem. É o suficiente para ele entrar finalmente em ação e bota ação nisso. Ele espanca sem dó um por um e todos - menos ele, é claro – vão parar em estado grave no hospital. Só que um dos cafajestes em estado de coma é o irmão mais novo de um poderoso chefão da máfia russa, Yulian Kusnetsov (Aleksey Serebryakov, de “Leviatã”). Claro que Hutch e sua família viram alvo dessa turma da pesada. E haja violência explícita, tiros e pancadarias, tudo levado com muito bom humor. Também estão no elenco Connie Nielsen, Michael Ironside e Christopher Lloyd (o cientista de “De Volta para o Futuro” e o mordomo de “A Família Adams”). Enfim, “Anônimo” é um dos melhores filmes de ação do ano. Imperdível!

sábado, 16 de dezembro de 2023

 

“AMSTERDAM”, 2022, Estados Unidos, 2h14m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de David O. Russell (“Trapaça”, “Três Reis”, “O Lado Bom da Vida”). Nem sempre um elenco com muitos astros garante a qualidade de um filme. “Amsterdam” chega para confirmar essa afirmação. Confiram o elenco (só para citar os mais conhecidos): Margot Robbie (a Barbie), Christian Bale, Anya Taylor-Joy, Zoë Saldana, Robert De Niro, Taylor Swift (ela mesma!), John David Washington, Rami Malek, Mike Myers, Andrea Riseboroughj, Chris Rock, Matthias Schoenaerts, Michael Shannon e Alessandro Nivola. Todos esses astros juntos não conseguem salvar o filme de uma chatice generalizada. Trata-se de um misto de comédia, drama, suspense e mistério. O roteiro é uma bagunça, diálogos sem pé nem cabeça e, para piorar, uma história pra lá de complicada, além de personagens excêntricos e caricaturais. O único elogio deve ser dado à qualidade estética do visual, com uma bela fotografia e primorosa direção de arte, na qual se destaca a recriação de época – Nova York dos anos 30 do século passado, época em que a história é ambientada. Os principais personagens são três amigos norte-americanos que se conheceram na Europa durante a Primeira Guerra Mundial, dois soldados e uma enfermeira. Após alguns anos, eles se reencontram em Nova York e acabam se envolvendo numa grande confusão, o que os levará a desvendar um plano elaborado por empresários da extrema-direita para derrubar o presidente Franklin Roosevelt (houve sim essa tentativa, o que levou o material de divulgação do filme a dizer que a história é baseada em fatos reais). O filme é muito verborrágico, repleto de diálogos sem o menor sentido. O roteiro também não ajuda, pois a cada momento entra um personagem novo na história, complicando ainda mais o entendimento do espectador. Resumo da ópera, “Amsterdam” poderia aproveitar melhor o excelente elenco, mas o resultado final é decepcionante, ou seja, mais uma grande bobagem cinematográfica.     

                       

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

 

“MEU PAI É UM PERIGO” (“ABOUT MY FATHER”), 2023, Estados Unidos, 1h29m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Laura Terruso (“Dançarina Imperfeita” e a série “Dickenson”), seguindo roteiro assinado por Sebastian Maniscalco e Austen Earl. O comediante Sebastian Maniscalco escreveu o roteiro baseado em sua experiência pessoal e atua no filme como ele mesmo. Ele lembra o relacionamento difícil com o pai, o imigrante italiano Salbo Maniscalco (Robert De Niro), que só piorou depois que Sebastian resolve ficar noivo de Ellie Collins (Leslie Bibb), artista plástica filha de um empresário milionário dono de uma rede de hotéis “5 Estrelas”. Para pedir a mão da moça, ele foi convidado para um final de semana na mansão litorânea dos pais dela e, muito a contragosto, concordou em levar seu pai. Logo de cara fica claro ao espectador que a diferença cultural e social entre o “casca-grossa” italiano e a família Collins, sofisticada e chique, é gritante. Os Collins são aristocratas, moram num casarão de luxo, e Salbo terá que se adaptar ao ambiente. Torna-se previsível, portanto, uma grande confusão, com direito a situações hilariantes e diálogos idem até o desfecho. Enfim, uma boa comédia, que faz rir sem ofender nossa inteligência. Também estão no elenco Kim Cattrall (a Samantha Jones da série “Sex and the City), David Rasche, Brett Dier e Anders Holm. Embora seja fã de Robert De Niro, prefiro vê-lo em filmes de máfia, como “O Irlandês”, “O Poderoso Chefão” e “Os Bons Companheiros”, o melhor de todos, do que em comédias. Neste último gênero, gostei muito de De Niro apenas em “Entrando Numa Fria e “Máfia no Divã”. No caso específico de “Meu Pai é um Perigo”, De Niro faz o mesmo personagem de sempre nas comédias, um cara ranzinza, rabugento e grosso, com as mesmas caras e bocas. Mas ainda é o grande astro De Niro. Um ótimo programa para uma sessão da tarde com a família.                     

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

 

“UMA FAMÍLIA QUASE PERFEITA” (“EN HELT VANLIG FAMILJ”), 2023, Suécia, em cartaz na Netflix, minissérie em seis episódios, direção de Per Hanefjord, com roteiro de Hans Jörnlind e Anna Platt. Trata-se da adaptação para a telinha do livro best-seller homônimo do escritor sueco Matthias Edvardsson. Começa a história e vemos Stella Sandell, de 15 anos, sendo estuprada por um homem durante o acampamento de férias. Quatro anos depois, Stella (Alexandra Karlsson Tyrefors) é presa como principal suspeita do assassinato de seu namorado, Christoffer Olsen (Christian Sundgren). Os efeitos colaterais dessa situação acabam atingindo o casamento dos pais, Adam Sandell (Björn Bengtsson), padre da igreja luterana da Suécia, e Ulrika Sandell (Lo Kauppi), advogada e professora universitária, ambos cidadãos muito respeitados na comunidade de Lund, pequena cidade do condado de Skane. Adam não se conforma com a prisão da filha e faz tudo para tentar inocentá-la, nem que para isso se utilize de recursos pouco religiosos. Como advogada experiente, Ulrika também age em favor da filha, escondendo provas e mentindo para a polícia, sem contar com suas puladas de cerca com o seu colega advogado. Enfim, como diz o título, uma família "quase" perfeita. A história prende a atenção do espectador do começo ao fim, com muita tensão e suspense. Sem dúvida, uma das melhores minisséries lançadas este ano pela Netflix.                   

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

 

“DAVID CONTRA OS BANCOS” (“BANK OF DAVE”), 2023, Inglaterra, 1h47m, em cartaz na Netflix, direção de Chris Foggin (“Música A Bordo”), seguindo roteiro assinado por Piers Ashworth. A história é ótima, mais ainda por ser baseada em fatos reais. O título em português já dá a dica de que se trata de uma briga de David contra Golias. O empresário Dave Fishwick (Rory Kinnear), dono de uma concessionária de veículos (vans) na pequena cidade de Burnley, ao norte da Inglaterra, resolve abrir um banco. As dificuldades são enormes, pois a elite financeira de Londres não aprova um novo banco há 100 anos. Com a ajuda do advogado Hugh (Joel Fry), de um grande escritório de advocacia da capital inglesa, ele enfrentará todos os desafios pela frente para conseguir o seu objetivo. Como é destacado no filme, Dave é um empresário idealista, sempre disposto a ajudar os membros da comunidade de Burnley. Para se ter  uma ideia sobre o caráter do empresário, basta dizer que o lucro auferido pelo bando é destinado a instituições beneficentes da cidade. Também estão no elenco Phoebe Dynevor (de “Bridgerton”), Angus Wright e Jo Hartley. Trocando em miúdos, trata-se de um filme leve, divertido e com uma deliciosa trilha sonora. Enfim, muito agradável de assistir. Gol de placa da Netflix.               

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

 

“PARALISIA” (“LOCKED IN”), 2023, Inglaterra, 1h37m, em cartaz na Netflix, direção da cineasta libanesa Nour Wazzi, seguindo roteiro assinado por Rowan Joffe. Trata-se de um suspense carregado de muita tensão. Começa com uma mulher em coma em um hospital, vítima de um suposto atropelamento. Ela é Katherine Carter (Famke Janssen), uma ex-atriz de sucesso em Hollywood que ficou viúva de um milionário, herdando uma mansão na Inglaterra. Com a pancada, ela adquiriu a Síndrome do Encarceramento, quando o paciente permanece tetraplégico, mas com a função cognitiva intacta. Quem cuida dela, no hospital, é a enfermeira Mackenzie (Anna Friel), que resolve dar uma de detetive. Ela desconfia de que algo está errado com a versão do atropelamento depois de acompanhar as visitas da filha adotada de Katherine, Lina (Rose Williams), e do médico da família, dr. Lawrence (Alex Hassell). Katherine também tinha um filho, Jamie (Fill Cole), um jovem que sempre foi doente e que era cuidado justamente pela enfermeira Mackenzie antes de morrer afogado. Tudo muito misterioso. Até a verdade ser finalmente revelada, muitos acontecimentos e reviravoltas acontecem, valorizando este bom suspense da Netflix.                 

sábado, 2 de dezembro de 2023

 

“O ASSASSINO” (“THE KILLER”), 2023, Estados Unidos, 1h58m, em cartaz na Netflix, direção de David Fincher, seguindo roteiro assinado por Andrew Kevin Walker. Nos materiais de divulgação, os títulos foram grafados de forma esquisita, por exemplo “O Assass__.no” ou, no original, “The K__.ller”. O que isso quer dizer, não tenho a mínima ideia. Vamos ao filme. Trata-se de um policial neo-noir adaptado da série francesa de quadrinhos escrita por Alexis Nolent sob o pseudônimo de Matz. O personagem principal é um assassino profissional (Michael Fassbender) solitário, frio, impiedoso e meticuloso. A história começa e lá está ele em Paris tentando matar um bilionário. Sua missão fracassa e, a partir daí, ele é perseguido pela própria organização que o contratou. Depois que sua namorada Magdala (a brasileira Sophie Charlotte) é espancada e torturada, o assassino passa de perseguido a perseguidor, indo atrás dos responsáveis pela violência aplicada na sua namorada. Também estão no elenco Tilda Swinton, Monique Ganderton, Arliss Howard, Charles Parnell e Kerry O’Malley. Aviso que o filme não é muito fácil de digerir, começando pela narração em off durante a qual o assassino reflete sobre sua profissão, a maneira como gosta de agir e até explica ao espectador seus próximos passos. “O Assassino” é um filme sombrio, que mistura suspense com algumas (poucas) cenas de ação, mas não deixa de ser interessante pela estética adotada, embora um tanto cansativa e enfadonha. Cabe lembrar que o cineasta David Fincher é responsável por alguns clássicos do gênero suspense, tais como “Seven – Os Sete Pecados Capitais”, “Clube da Luta”, “Zodíaco” e “Garota Exemplar”.               

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

 

“FILHOS DA DINAMARCA” (“DANMARKS SØNNER”), 2019, Dinamarca, 2h03m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de Ulaa Salim (é o primeiro longa do cineasta dinamarquês de origem iraquiana). Descobri este filme meio escondido no catálogo do Prime Vídeo, ao qual chegou em outubro de 2021. Grata surpresa, principalmente por tratar, com muita seriedade e competência, de temas importantes e atuais como a questão dos imigrantes e do terrorismo. A história é ambientada em 2025, um ano depois de um atentado à bomba no metrô da capital Copenhague, que matou 20 pessoas e feriu outras dezenas. Sem uma prova concreta sobre sua autoria, a opinião pública acusou os imigrantes árabes muçulmanos e, desde então, uma campanha contra eles foi iniciada, incentivada pelo candidato de extrema-direita Martin Nordahl, favorito para ocupar o cargo de primeiro-ministro. Com um poderoso discurso xenofóbico, Nordahl conseguiu um grande número de adeptos, muitos deles pertencentes a uma organização radical nacionalista intitulada “Filhos da Dinamarca”. Enquanto isso, um grupo pró-árabe começou a planejar um novo atentado, para o qual foi recrutado o jovem Zakaria (Mohammed Ismail Mohammed), de 19 anos. Zakaria foi submetido a um treinamento especial por um extremista veterano do grupo, Ali (Zaki Youssef). No meio da história, porém, há uma reviravolta que mudará o destino de todos os envolvidos. Muita tensão é reservada ao espectador até o desfecho, consagrando “Filhos da Dinamarca” como um filme dos mais interessantes e realistas do atual cinema dinamarquês. O filme estreou por aqui durante a 43ª Mostra Internacional do Cinema de São Paulo na categoria "Novos Diretores". Recomendo.              

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

 

“RUSTIN”, 2023, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na Netflix, direção de George C. Wolfe (“A Voz Suprema do Blues”), seguindo roteiro assinado por Julian Breece e Dustin Lance Black. Trata-se da cinebiografia de Bayard Rustin, um dos mais importantes ativistas dos direitos civis nos Estados Unidos, que ficou famoso – não tão quanto Martin Luther King ou Malcolm X – por planejar a Marcha Sobre Washington por Trabalho e Liberdade, em 1963, evento que reuniu mais de 250 mil ativistas. Produzido, entre outros, pelo ex-presidente Barack Obama, o filme conta a incrível história dos bastidores dessa grande manifestação, organizada em apenas dois meses e que mobilizou todo o país. Rustin conseguiu agregar várias tendências da sociedade, incluindo pastores de diversas igrejas, políticos, policiais, mulheres influentes, contando ainda com a ajuda de Martin Luther King, que liderou a marcha. Não foi fácil convencer tanta gente a participar, principalmente pelo fato de que Bayard Rustin era homossexual assumido, numa época em que essa opção era bastante discriminada. O filme mostra todo o esforço de Rustin e de sua equipe na organização da marcha. O ator Colman Domingo, que interpreta o ativista, já é um dos favoritos à indicação ao Oscar 2024 de Melhor Ator. Também estão no elenco Chris Rock, Audra McDonald, Glynn Turman, Aml Ameen, Jeffrey Wright, Gus Halper e Johnny Ramey. O filme é um primor de roteiro e recriação de época, principalmente nas cenas urbanas. Trocando em miúdos, “Rustin” é excelente, sem dúvida um dos melhores lançamentos do ano da Netflix.           

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

 

“ASTÉRIX E OBÉLIX: O IMPÉRIO DO MEIO” (“ASTÉRIX ET OBÉLIX: L’EMPIRE DU MILIEU”), 2023, França, 1h52m, em cartaz na Netflix, direção de Guillaume Canet, que também assina o roteiro com Julien Hervé e Philippe Mechelen. Esta é a quinta adaptação cinematográfica da série em quadrinhos criada por Albert Uderzo e Rene Goscinny (as quatro primeiras foram "Astérix e Obélix Contra César", de 1999, “Missão Cleópatra, de 2002, Astérix nos Jogos Olímpicos, de 2008, e “A Serviço de Sua Majestade, de 2012). Nesta última versão, “O Império do Meio”, ambientada no ano 50 a.C., os heróis gauleses partem para uma aventura na China com o objetivo de ajudar a princesa Fu Yi a libertar a imperadora, sua mãe, das garras do golpista Deng Tsin Quin. Ao mesmo tempo, o imperador romano César vê a possibilidade de expandir seu império, e vai tentar conquistar justamente a China. A confusão está formada, e o solo chinês será sacudido por batalhas campais, muita pancadaria, romances inusitados e situações hilariantes, tudo isso ao som de uma deliciosa trilha sonora com músicas do Queen, ABBA, Lionel Richie e tantos outros astros da música contemporânea. O elenco é de primeira: Guilaume Canet (Astérix), Gilles Lellouche (Obélix), Marion Cotillard (Cleópatra), Vincente Cassel (César), Julie Chen (princesa Fu Yi), Leanna Chea (Tat Han), Pierre Richard (Panoramix), José Garcia (Biopix), Linh-Dan Pham (imperadora chinesa) e até o craque de futebol Zlatan Ibrahimovic como o oficial romano Caius Antivírus. A comédia corre solta durante todo o filme, com direito a personagens como Titanix, o comandante do navio, Lapsus, Plexus, Abdelmalix e por aí vai. Astro dos quatro primeiros filmes como o gordo e bonachão Obélix, Gérard Depardieu cede o seu lugar para Gilles Lellouche, que não é tão bom quanto Depardieu, mas está muito bem no papel. É tudo muito divertido, uma delícia de entretenimento, mesmo para aqueles que não curtiram os quadrinhos. Eu li quase todos e mesmo que não seja a mesma coisa, as adaptações feitas pelo cinema francês são excelentes. Diversão garantida.          

sábado, 18 de novembro de 2023

 

“O ÚLTIMO HERÓI” (“GEROY”), 2019, Rússia, 2h01m, em cartaz desde o último dia 6 de outubro no Prime Vídeo, direção do cineasta armênio Karen Oganesyan, seguindo roteiro assinado por Nikolay Kulikov. Ótima opção de entretenimento para quem curte filmes de espionagem, com cenas de ação de tirar o fôlego, cenários deslumbrantes, belas mulheres e muitas reviravoltas. A história é centrada no espião russo Andrey Rodin (Alexander Andrejewitsch), integrante da agência secreta intitulada Juventude. Assim como vários agentes da Juventude espalhados por vários países do mundo, Andrey foi treinado desde adolescente pelo seu próprio pai, coronel Oleg Rodin (Vladimir Mashkov). Depois que a agência foi extinta e seu pai dado como morto, Andrey resolve ficar na Alemanha, país onde ocorreu sua última missão. Em uma competição de balões na Polônia, ele conhece Masha Rakhmanova (Svetlana Khodchenkova), outra espiã que trabalhou para a Juventude. Quando eles iniciam um romance, a história apresenta uma surpreendente primeira grande reviravolta. Os dois são perseguidos por uma outra organização russa disposta a encontrar uma senha especial que só Andrey conhece e que servirá para revelar a identidade de todos os espiões recrutados pela Juventude. Outra surpresa acontece quando Andrey recebe o telefonema de seu pai, até então considerado morto e desaparecido. A perseguição prossegue em ritmo desenfreado até o desfecho, mas antes acontecem outras reviravoltas que dão um bom tempero ao roteiro. Uma ótima surpresa do cinema russo para quem aprecia filmes de ação.