quinta-feira, 7 de setembro de 2023

 

“SOMBRAS DE UM CRIME” (“MARLOWE”), 2022, coprodução EUA/Irlanda, 1h49m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Neil Jordan, que também assina o roteiro com a colaboração de William Monahan. Os romances policiais norte-americanos escritos nas décadas de 30 e 40 do século passado resultaram, na mesma época, no surgimento dos chamados filmes noir, gênero que Hollywood cansou de explorar. “Sombras de um Crime” tenta resgatar esse estilo. A história, ambientada em 1939 na cidade de Los Angeles, é baseada no livro “A Loura de Olhos Negros”, de 2014, escrito pelo irlandês John Banville. O personagem principal é Philip Marlowe (Liam Neeson), detetive particular criado nos livros escritos por Raymond Chandler (1888-1959), um dos mais importantes escritores de romances policiais. Em crise de clientes, Marlowe recebe uma inesperada cliente, a loura femme fatale Clare Cavendish (Diane Kruger), que contrata o detetive para encontrar seu desaparecido amante, o vigarista Nico Peterson (François Arnaud). Durante sua investigação, Marlowe terá que se confrontar com um empresário malandro (Danny Huston), com a própria mãe de Clare, uma ricaça interpretada por Jessica Lange, e com gente da pior qualidade, incluindo um rico empresário (Alan Cumming) e uma dupla de traficantes mexicanos. A trama é complicada, o filme é um tanto lento e cansativo, com exceção da ótima direção de arte, uma primorosa fotografia – do espanhol Xavi Giménez – e uma caprichada recriação de época. O ator Liam Neeson não convence como Philip Marlowe, personagem que já foi vivido na tela por grandes atores, entre os quais Humphrey Bogart e Robert Mitchum. O resultado final não é capaz de convencer nem mesmo os fãs do estilo noir.    

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

 

“REFÉM REBELDE” (“ROGUE HOSTAGE”), 2021, Estados Unidos, em cartaz no Prime Vídeo, 1h34m, direção de Jon Keeyes, seguindo roteiro assinado por Mickey Solis. Um psicopata e dois amigos resolvem se vingar de um empresário famoso, dono de uma rede de supermercados. O motivo? Cerca de 20 anos atrás o empresário Sam Nelson (o intragável John Malkovich) teria denunciado o tio de Eagan Raize (Christopher Backus), que acabou sendo preso, abandonando seus dois sobrinhos ao Deus dará. Tantos anos depois, Eagan resolve se vingar, justamente no dia em que Sam Nelson está inaugurando mais um supermercado. Eagan e seus comparsas invadem a festa e fazem de reféns os funcionários e clientes, entre eles um ex-fuzileiro naval, Angel Snowden (Tyrese Gibson), que agora trabalha como funcionário do conselho tutelar da cidade e sofre de estresse pós-traumático depois de um período no Afeganistão. Apenas com esta pequena sinopse você será capaz de adivinhar o que vai acontecer no desfecho. Também estão no elenco Lauren Vélez, Michael Jai White, Holly Taylor e Brande Bravo. Toda a ação se desenrola dentro do supermercado, mas esse aspecto não significa que o filme é monótono. Até que tem bastante ação e algum suspense, mas não espere muita inteligência do roteiro, repleto de furos e situações pouco convincentes. De qualquer forma, vale como opção para uma sessão da tarde com pipoca.     

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

 

“SEDE ASSASSINA” (“TO CATCH A KILLER”), 2023, Estados Unidos, 1h59m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Damián Szifron, que também assina o roteiro com a colaboração de Jonathan Wakeham. Depois de se consagrar com elogios da crítica especializada pelo seu filme “Relatos Selvagens”, indicado ao Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro, o cineasta argentino foi convidado por Hollywood para dirigir este thriller policial, o seu primeiro longa em língua inglesa. O filme começa quente. É véspera de Ano Novo, Baltimore está em festa, a população comemorando, muitos fogos. Só que nem todos eram fogos, e sim os tiros de um atirador de elite que resultaram na morte de 29 pessoas e outras tantas feridas. Lammark (Ben Mendelsohn), diretor do FBI, ficou encarregado do caso e resolveu montar uma equipe para assessorá-lo: um agente experiente, Mackenzie (Jovan Adepo), e uma policial inexperiente e problemática, Eleanor Falco (Shailene Woodley, de “A Culpa é das Estrelas” e a saga “Divergente”). O pessoal do FBI tenta montar o perfil psicológico do atirador, o que resulta em inúmeras discussões entre os agentes, conversas bastante interessantes para o espectador. Não demora muito e o maluco volta a atacar, matando dezenas de pessoas, a maioria policiais, dentro de um shopping center. Pressionado pelo prefeito da cidade e pela promotoria pública, Lammark e sua equipe são afastados do caso, mas não largarão o osso facilmente. “Sede Assassina” é um bom suspense, prende a atenção e motiva os espectadores a torcer pela agente Falco, interpretada com muita competência pela atriz Shailene Woodley. Um filme acima da média.   

sábado, 2 de setembro de 2023

 

“IMPÉRIO DA DOR” (“PAIN KILLER”), 2023, Estados Unidos, minissérie em 6 episódios da Netflix, direção de Peter Berg. O roteiro foi escrito por Micah Fitzerman-Blue e Noah Harpster, que se basearam nos livros “Pain Killer: An Empire of Deceit and The Origin of America’s Opioid Epidemic", de Barry Meier, e “The Family That Builty An Empire of Pain”, de Patrick Raden Keefe. A história traz o relato de uma tragédia que se abateu nos Estados Unidos na década de 90 e início dos anos 2000, ou seja, as milhares de mortes ocorridas pelo consumo do OxyContin, um analgésico viciante à base de morfina fabricado pela Pardue Pharmam, pertencente à família Sackler. O remédio chegou a ser apelidado de “heroína em comprimido”. A minissérie explora três vertentes. A primeira, a ganância do empresário Richard Sackler (Matthew Broderick), dono da farmacêutica, que montou um esquema de representantes bonitas e sensuais para convencer os médicos a receitar o remédio em troca de favores sexuais. A segunda vertente mostra os esforços de Edie Flowers (Uzo Aduba), investigadora da Procuradoria dos EUA em denunciar as mortes ocorridas por causa do remédio. A terceira vertente explora a tragédia que se abateu sobre milhares de famílias cujos entes queridos se viciaram e morreram por overdose. Como exemplo, o roteiro apresenta o caso do mecânico de automóveis Glen Kryger (Taylor Kitsch), que se vicia e acaba morrendo de overdose, depois de perder a oficina, a mulher e o filho pequeno. Casos como esse são relatados no início de cada capítulo em depoimentos de pessoas que tiveram um ente querido morto pelo remédio. Importante ressaltar que todos esses acontecimentos ficaram escondidos do público por mais de uma década, demonstrando o poder da indústria farmacêutica em corromper autoridades, mídia e a classe médica. Também estão no elenco Madelaine West Duchovny (filha dos atores David Duchovny e Lea Leoni), Dina Shihabi, Carolina Bartczak, Mercedes Blanche e Clark Grege. “Império da Dor” é forte, contundente e realista ao máximo e, sem dúvida, deverá sensibilizar a opinião pública sobre essa tragédia.  

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

 

“A EXTORSÃO” (“LA EXTORSIÓN”), 2023, Argentina, 1h45m, em cartaz na HBO Max, direção de Martino Zaidelis, seguindo roteiro assinado por Emanuel Diez. Trata-se de um suspense bem movimentado, repleto de mistérios e algumas reviravoltas. É daqueles filmes que não deixam você piscar. Veterano piloto da aviação comercial prestes a se aposentar, Alejandro Petrussián (Guilhermo Francella) é obrigado a transportar uma maleta com conteúdo misterioso nos voos que saem de Buenos Aires com destino a Madrid. Na verdade, ele está sendo chantageado. Quem o obriga a fazer o serviço promete revelar à companhia de aviação, caso não obedeça, que não poderá mais voar devido a uma deficiência auditiva, aspecto que ele jamais revelou e que o proibiria de continuar trabalhando. A trama envolve não apenas seus colegas de trabalho e sua namorada, como também o serviço secreto da Argentina e a polícia aeroportuária de Buenos Aires. Como será que o piloto sairá dessa situação? Essa é a pergunta-chave cuja resposta motiva o espectador a ir até o desfecho da história. Completam o elenco Andrea Frigerio, Alberto Ajaka, Pablo Rago, Carlos Portaluppi e Mónica Villa. O veterano ator Guillermo Francella carrega o filme nas costas, comprovando, mais uma vez, que está no mesmo nível do grande Ricardo Darín. Não é para menos. Francella já atuou em vários filmes importantes do cinema argentino. Só para citar alguns, “O Segredo dos Seus Olhos”, “Granizo”, Minha Obra Prima” e “O Clã”. Sem dúvida, “A Extorsão” surge para valorizar ainda mais a carreira de Francella. Um ótimo suspense. Imperdível!  

 

“CRIME NA RODOVIA PARAÍSO” (“PARADISE HIGHWAY”), 2022, Estados Unidos, lançamento da Prime Vídeo, 1h55m, roteiro e direção de Anna Cutto, cineasta norueguesa radicada nos Estados Unidos – é o seu longa de estreia. A história é toda centrada na caminhoneira Sally (Juliette Binoche), que é obrigada a transportar cargas ilícitas para proteger a vida do irmão Dennis (Frank Grillo), que está na prisão e vive ameaçado por gangues da pesada. Sally vive na corda bamba, pois qualquer hora poderá ser presa em algum posto policial na estrada. Se a sua situação já é ruim, piora muito mais depois que é obrigada a dar “carona” a uma garota de 12 anos, Leila (Hala Finley), sequestrada por exploradores sexuais. Ao transportar a menina, Sally entra no radar do FBI, que escala seu agente especial Finley Sterling (Cameron Monaghan) para descobrir o paradeiro da caminhoneira. Para essa missão, Finley conta com a colaboração do ex-agente Gerick (Morgan Freeman), que agora trabalha como consultor do FBI. O filme vira um road movie pelas estradas do interior dos Estados Unidos, com algum suspense e reviravoltas. Completam o elenco Veronica Ferres, Christiane Seidel, Bill Luckett, Diva Tyler e Walker Babington. Embora conte com a presença de Juliette Binoche e Morgan Freeman, quem se destaca é a atriz adolescente Hala Finley, de 14 anos, numa interpretação talentosa que prenuncia o nascimento de uma nova estrela. Tomara que eu não esteja enganado. Estranho mesmo foi ver uma atriz consagrada, a francesa Juliette Binoche, escalada como motorista de caminhão, ainda mais em um filme tão fraco. Afinal, ela já participou de tantos clássicos do cinema europeu (“A Liberdade é Azul”, “Perdas e Danos”, “Cópia Fiel”, “Deixa a Luz do Sol Entrar” e “Acima das Nuvens”, só para citar alguns). Ela também ganhou um Oscar (“Paciente Inglês”), um César (“A Liberdade é Azul”) e um Leão de Ouro (“Cópia Fiel”). Estou pensando até agora como ela topou esse papel. Morgan Freeman, tudo bem, está à beira da aposentadoria, um dinheirinho a mais vai ajudar. Somando os prós e os contras, “Crime na Rodovia Paraíso” tem muito mais contras. Só se sustenta mesmo pela presença dessa dupla de astros e pelo talento da atriz adolescente.    

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

 

“ELVIS”, 2022, coprodução Estados Unidos/Austrália, 2h39m, em cartaz na HBO Max, direção de Baz Luhrmann, que também assina o roteiro com a colaboração de Craig Pearce. Além de acompanhar a trajetória de sucesso do cantor Elvis Presley durante 20 anos, até sua morte em 1977, “Elvis” destaca também a presença de seu mentor e empresário, conhecido como “coronel” Tom Parker, um sujeito manipulador e viciado em jogos de cassino. O filme relembra ainda a grande influência musical que o blues tocado e cantado pelos negros do sul dos EUA teve sobre Elvis, que absorveu o estilo de cantar e dançar no palco, levando a mulherada ao delírio. Elvis é interpretado com maestria pelo ator Austin Butler, enquanto o papel de Tom Parker é assumido pelo astro Tom Hanks, quase irreconhecível pela maquiagem, quase uma caricatura. O elenco conta ainda com as presenças de Olivia DeJonge, Luke Bracey, Richard Roxburgh, Helen Thompson e Dacre Montgomery. “Elvis” teve sua estreia mundial no Festival de Cannes de 2022 e, meses depois, foi indicado em oito categorias para disputar o Oscar 2023 (Melhor Filme, Ator, Fotografia, Edição, Som, Design de Produção, Figurino e Maquiagem e Cabelo). Não levou nenhuma estatueta, o que achei uma injustiça, como também injusto não ter sido indicado pelo roteiro e pela trilha sonora com 36 músicas, todas que foram sucesso na voz de Elvis. Trocando em miúdos, “Elvis” é um filme delicioso de assistir e de ouvir. Filme obrigatório para os espectadores jovens que não conhecem o grande cantor e um néctar para os milhões de fãs que continuam achando que Elvis não morreu. IMPERDÍVEL!

domingo, 27 de agosto de 2023

 

“UM CRIME ARGENTINO” (“UN CRIMEN ARGENTINO”), 2022, Argentina, em cartaz na HBO Max, 1h53m, filme de estreia na direção de Lucas Combina, seguindo roteiro assinado por Jorge Bechara e Sebastian Pivotto. A história é baseada em fatos reais ocorridos no início da década de 80 e relatados no livro homônimo escrito pelo jornalista argentino Reynaldo Sietecase, lançado em 2017. Mais um filme de fundo político do cinema argentino, tema que “los hermanos” exploram com muita competência, como comprovam várias produções que se tornaram clássicos premiadíssimos. Só para citar três: “A História Oficial”, “O Segredo dos seus Olhos” e “Argentina, 1985”. Ambientada em 1980, em pleno regime militar, a história de “Um Crime Argentino” relata a investigação do sequestro de um importante empresário ligado a uma família tradicional da cidade de Rosário. Carlos Torres (Matías Mayer) e Antonio Rivas (Nicolás Francella), dois jovens promotores de um departamento de justiça são designados para investigar o caso. Ao mesmo tempo, a polícia ligada à ditadura também quer solucionar o caso, mas do seu jeito – na base da porrada e da tortura. Um suspeito é preso e somente depois de torturado confessa o sequestro, mas se nega a fornecer detalhes, mais tarde descobertos pela dupla de promotores, com a ajuda de uma médica legista. Completam o elenco Malena Sánchez, Alberto Ajaka, Luis Luque, Dario Grandinetti, Rita Córtese e César Bordón.  O suspense prende a atenção até o desfecho, impulsionado pelo primoroso roteiro adaptado. Outros destaques são o capricho na caracterização de época - cenários e figurinos -, além do ótimo desempenho dos atores. Um crime seria não assistir a mais este excelente filme argentino, não tão bom quanto os citados no início deste comentário, mas bem acima da média. Não perca!   

domingo, 20 de agosto de 2023

 

“AGENTE STONE” (“HEART OF STONE”), 2023, Estados Unidos, 2h02m, em cartaz na Netflix, direção de Tom Harper, seguindo roteiro assinado por Greg Rucka e Allison Schroeder. A bela atriz israelense Gal Gadot tomou gosto pelos filmes de ação, ganhando mais um papel de heroína depois de ser destaque nos dois filmes como “Mulher-Maravilha” e no ótimo “Alerta Vermelho”. Neste “Agente Stone”, Gadot é Rachel Stone, agente especial da organização internacional de espionagem intitulada “A Carta”. Na história, ela recebe a missão de se infiltrar numa equipe do MI6 (serviço secreto do Reino Unido) para tentar impedir um hacker de roubar uma arma de inteligência artificial chamada “O Coração”. O roteiro é uma bagunça generalizada, repleta de reviravoltas incoerentes e situações absurdas. Demora para a gente entender o que está acontecendo, ou, pior, a gente pensa que está entendendo. Além do enredo fantasioso demais, o que se destaca como o ponto mais negativo do filme é a abundância de efeitos especiais, muitos deles criados para orientar as ações de Stone por intermédio de um gênio da informática pertencente à equipe da agência secreta. Algumas cenas de ação até que são muito bem realizadas, como a sequência de perseguição pelas ruas de Lisboa. O resultado final, porém, não merece elogios, conforme comprovado pela própria crítica especializada, que também não gostou. Além de Gadot, estão no elenco Jamie Dormer (“50 Tons de Cinza”), Alia Bhatt (“A Espiã”), Mattias Schweighöfer, Jing Lusi e Sophie Okonedo. Outro destaque negativo fica por conta da rápida e constrangedora aparição da atriz Glenn Close em um papel sem qualquer importância e com uma maquiagem de bruxa. Muito pouca coisa, portanto, convence e motiva uma recomendação entusiasmada. Vale apenas para uma sessão da tarde com o dia chuvoso.      

sábado, 19 de agosto de 2023

 

“CASAMENTO EM FAMÍLIA” (“MAYBE I DO”), 2023, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de Michael Jacobs. O que esperar de um filme cujo elenco apresenta grandes astros do cinema como Susan Sarandon, Richard Gere, Diane Keaton e William H. Macy?. Você espera coisa boa. Ledo engano. Esta comédia romântica é simplesmente lamentável e fica difícil acreditar que esses consagrados atores não tenham ficado constrangidos em participar desse verdadeiro abacaxi, dizendo diálogos medíocres e patéticos. Vamos à sinopse: Michelle (Emma Roberts, sobrinha da Julia) e Allen (Luke Bracey) pretendem assumir compromisso sério, mas estão em dúvida. Quem sabe, combinam, um encontro entre os pais de ambos possa ajudar a tomarem uma decisão. Triste ilusão, pois o jantar se transforma numa grande confusão, pois os pais já se conheciam de uma forma não muito convencional. Fiquei tão decepcionado com o resultado final que me recuso a continuar comentando. Fico imaginando os bastidores das filmagens, com os atores conversando uns com os outros sobre o vexame de participar de tamanha ofensa ao cinema. Com certeza, um dos piores lançamentos do Prime Vídeo nos últimos anos.  

terça-feira, 15 de agosto de 2023

 

“APARÊNCIAS” (“LES APPARENCES”), 2022, coprodução França/Bélgica, 1h48m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Marc Fitoussi, que também assina o roteiro ao lado de Sylvie Dauvillier. A história é baseada no livro “Traição”, da escritora sueca Karin Altegen, que também colaborou com o roteiro. Trata-se de um thriller psicológico com boas doses de suspense. O foco central é o casamento de Eve (Karin Viard, ótima) e Henri Monlibert (Benjamin Biolay), casal de franceses agora residindo em Viena (Áustria), ela diretora de uma biblioteca e ele maestro da orquestra sinfônica. O filme começa com um jantar chique entre casais, onde rola solto um papo repleto de conversas fúteis, bem a caráter de uma elite metida a besta, enfastiada e supérflua. Eve e Henri estão presentes, aliás, mais ausentes, pois pouco participam das conversas. Percebe-se que Henri age com frieza em relação a Eve, enquanto esta se derrete pelo marido. Havia um motivo, claro, para o distanciamento de Henri: uma amante. Eve descobre a traição e fica totalmente descontrolada, muito mais depois que a outra é nada menos que a professora da escola, Tina Brunner (Laetitia Dosch), muito mais moça que ela. O desespero a leva a chorar as mágoas em um barzinho, onde conhece um estranho, que se diz chamar Jonas (Lucas Englander), com o qual acaba em um motel. Esses relacionamentos começam a dar problemas, primeiro com Eve tentando de qualquer modo conquistar o marido de volta. A situação se complica ainda mais quando o casal se envolve em um assassinato. O elenco conta ainda com Pascale Arbillot, Laurence Bibot, Hélène de Saind-Père, Louise Coldefy, Éveline Buyle, Raphaëlle Lubansu e Hélène Babu. Resumo da ópera: “Aparências” é um ótimo suspense que vale a pena conferir. Recomendo.   

segunda-feira, 14 de agosto de 2023


 

“O EXORCISTA DO PAPA” (“THE POPE’S EXORCIST”), 2023, Estados Unidos, em cartaz na HBO Max, 1h43m, direção do cineasta australiano Julius Avery, seguindo roteiro assinado por Evan Spiliotopoulos e Michael Petroni. Já vimos o tema exorcismo explorado em inúmeros filmes, mas poucos com alguma qualidade. O melhor de todos continua sendo “O Exorcista”, de 1973, dirigido por William Friedkin. Entre os poucos com alguma qualidade é este “O Exorcista do Papa”, baseado nas memórias do padre italiano Gabriele Amorth (1925-2016), que, segundo sua biografia, teria realizado cerca de 100 mil exorcismos como exorcista-chefe da Diocese de Roma, cargo que ocupou durante vários anos. No filme, Gabriele, interpretado por Russell Crowe, é designado pelo Papa (Franco Nero) para verificar a possessão de um garoto de 12 anos de idade na Espanha. Segundo o Papa, o Satanás que tomou o corpo do menino é muito poderoso. Com o auxílio do jovem padre Esquibel (Daniel Zovatto), Gabriele tentará libertar o garoto de um demônio muito poderoso, cujos tentáculos chegarão até o Papa, sem falar no sofrimento que causa à mãe e à irmã do possuído. Tal qual o padre Gabriele original, o do filme também é bem-humorado, com muitas tiradas sarcásticas, principalmente nos diálogos com o jovem padre Esquibel. Numa das entrevistas que fizeram com o real padre Gabriele antes de morrer, ele afirmou: “Sabe por que o diabo tem medo de mim? Porque sou mais feio do que ele”. No elenco ainda estão Peter DeSouza-Feighoney, Carrie Munro, Alex Essoe e Laurel Marsden. Trocando em miúdos, “O Exorcista do Papa” é um bom programa para quem não tem medo do chifrudo. É assustador na medida certa, apresenta ótimos efeitos especiais e muitos sustos. Não perca!       

sábado, 12 de agosto de 2023

 

“PAIXÃO SUFOCANTE” (“SOUS EMPRISE”), 2022, França, 1h58m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção do cineasta norte-americano David M. Rosenthal. O filme explora duas vertentes. A primeira se refere à paixão desenfreada e obsessiva entre um jovem casal. A outra diz respeito a um esporte radical pouquíssimo conhecido por aqui, que é o mergulho livre, disputado em campeonatos de apneia, cujos vencedores são obrigados a permanecer por mais tempo e mais fundo no mar sem o auxílio de respiradores. É preciso ter muita coragem e treinamento para arriscar a vida nesse esporte subaquático. A personagem principal é a jovem Roxana (Camille Rowe), que abandona os estudos para frequentar um curso de mergulho no sul da França, também conhecido como Riviera Francesa. Seu instrutor é Pascal Gautier (o ator de origem argelina Sofiane Zermani), um campeão mundial de mergulho por quem a moça se apaixona perdidamente. Entre essa paixão, os treinamentos e os campeonatos, “Paixão Sufocante” segue destacando belíssimas locações e cenários subaquáticos de grande beleza. Também estão no elenco César Domboy, Eva Danino, Natalie Mitson, Laurent Fernandez e Muriel Combeau. Em entrevistas durante o lançamento do filme, o diretor Rosenthal afirmou que baseou a história na biografia da mergulhadora Audrey Mestre (1974-2002), que morreu durante uma competição na qual tentava bater seu próprio recorde mundial de mergulho livre. O filme é muito interessante, pois nos apresenta um esporte pouco difundido e praticado entre nós e, tecnicamente, é muito bem feito. O que me incomodou muito foi a atriz principal, Camille Rowe, sem dúvida muito bonita, mas magérrima e esquelética demais para ser considerada uma atleta – na verdade, além de atriz, ela é uma supermodelo. Trocando em miúdos, “Paixão Sufocante” é apenas uma dica interessante.       

terça-feira, 8 de agosto de 2023

 

“RESPIRE FUNDO” (“A MOUTHFUL OF AIR”), 2022, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de Amy Koppelman. A história foi adaptada do livro homônimo escrito pela própria Koppelman em 2003. Trata-se de um drama psicológico que aborda a depressão, no caso, a pós-parto. Julie Davis (Amanda Seyfried, em excelente desempenho), uma escritora best-seller de livros infantis, tenta o suicídio pouco antes do aniversário de primeiro ano do filho Teddy. Com o apoio do marido sempre presente Ethan Davis (Finn Wittrock) e da mãe Bobby (Amy Irving), além das consultas com o psiquiatra Dr. Sylvester (Paul Giamatti), Julie tenta vencer a depressão, mas logo se percebe que será uma tarefa muito difícil. Ela fica grávida novamente de uma menina e, quando parecia estar tudo bem, eis que... vou deixar essa dúvida para quem for assistir. Apesar de sensível e, em alguns momentos, bastante delicado, “Respire Fundo” vai fundo no problema da depressão. No caso de Julie, o estopim parece ter sido o relacionamento com o pai quando era criança. O filme não deixa claro, mas sugere que ela tenha sido abusada sexualmente pelo pai. Além da atuação magistral de Amanda Seyfried, é preciso destacar também a participação da veterana Amy Irving, de tantos clássicos importantes, como “Carrie, A Estranha”, “O Amigo Oculto” e o nosso “Bossa Nova”, dirigido pelo brasileiro Bruno Barreto, na época marido de Amy. Resumindo, “Respire Fundo” é um drama bastante forte. Respire fundo e assista.     

domingo, 6 de agosto de 2023

 

“SEQUESTRO: INOCÊNCIA ROUBADA” (“SMALL WORLD”), 2022, Polônia, 1h57m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Patrick Vega, que também assina o roteiro com a colaboração de Olaf Olszewski. O drama polonês trata de um tema bastante indigesto: a pedofilia. E não fica apenas na superfície: de maneira realista e explícita, toca nessa ferida de modo bastante contundente. Há cenas chocantes que podem incomodar os espectadores mais sensíveis. A história começa quando uma garota de apenas 4 anos é sequestrada numa pequena cidade da Polônia, perto da fronteira com a Rússia. A menina foi vendida por dois irmãos pedófilos a uma máfia russa que explora o sexo infantil. O detetive polonês Robert Goc (Piotr Adamczyk) resolve investigar o caso, que se arrasta pelos 12 anos seguintes. O policial consegue chegar à menina sequestrada já adolescente (a atriz Julia Wieniawa) trabalhando para um grupo de pedófilos chefiado pela mafiosa Jasmina (Montserrat Roig De Puig). Algumas cenas são chocantes demais, o que evidencia a intenção do roteirista e diretor de tratar o assunto da maneira mais realista possível. A questão psicológica que envolve o detetive, ele próprio se tornando um pedófilo, é um dos pontos de destaque da história. Não há referências de que o filme tenha sido baseado em fatos reais, mas não deve ser muito diferente do que acontece nos bastidores dessa praga terrível que é a pedofilia. Trocando em miúdos (desculpem o trocadilho), sem elogiar ou criticar, esse drama polonês é forte o suficiente para incomodar e chocar.    

sábado, 5 de agosto de 2023

 

“BATISMO DE SANGUE” ou “JUSTIÇA SELVAGEM” (“SAVAGE SALVATION”), 2022, EUA, 1h41m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Randall Emmett, seguindo roteiro assinado por Adam Taylor Barker e Chris Sivertson. A gente percebe quando um astro do cinema está em decadência quando começa a aceitar papeis em filmes medíocres. Robert De Niro topou atuar neste suspense policial interpretando o xerife Church, que, à beira da aposentadoria, se vê às voltas com a investigação de uma série de crimes. Aliás, De Niro, apesar de aparecer em poucas cenas, atua de forma patética, demonstrando uma apatia e uma incompetência que lhe são raras. Enfim, uma  decadência de forma ridícula. Bem, vamos à história. Shelby John (Jack Huston) e sua noiva Ruby Red (Willa Fitzgerald), tentam se livrar do vício da heroína. Pretendem se casar e levar uma vida normal, até que os traficantes forçam a moça a receber uma última dose. Ela morre com uma overdose e Shelby parte para a vingança contra os traficantes, que serão perseguidos um a um, até chegar ao chefão. Tudo é medíocre neste verdadeiro "abacaxi", principalmente o roteiro, que deixa para o final uma reviravolta tão ridícula quanto a história. As canções da trilha sonora, então, querendo acompanhar o enredo, são de uma mediocridade cavalar. O elenco, nem se fala. Também é cúmplice o ator John Malkovich, um canastrão de marca maior, um ator insuportável que se encontra igualmente em final melancólico de carreira. Robert De Niro não merecia passar por esse vexame, atuar num filme tão lamentável e num papel que não faz jus à sua carreira. Sem dúvida, “Savage Salvation” é um dos piores lançamentos do Prime Vídeo. Fuja a galope!   

terça-feira, 1 de agosto de 2023

 

“FATALE” (em alguns sites, o título ficou traduzido por  “Perdas e Danos”), 2021, Estados Unidos, 1h42m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Deon Taylor (“Hóspede Indesejado”, “Traffik: Liberdade Roubada”), seguindo roteiro assinado por David Loughery. É um filme de suspense na linha de “Atração Fatal”, clássico de 1987. A “Fatale” do título é Val Quinlan (Hilary Swank), detetive de polícia de Los Angeles. A “vítima” é Derrick Tyler (Michael Ealy), um ex-astro de basquete que agora é dono de uma empresa que agencia jogadores da NBA. Ao lado do sócio e melhor amigo Rafe Grimes (Mike Colter), Derrick transformou a empresa em um grande sucesso e, como consequência, é um homem rico, que vive em uma bela casa com a esposa Tracie Tyler (a espetacular morena Damaris Lewis). Durante uma crise conjugal, Derrick e o sócio partem para Las Vegas em viagem de negócios. É quando, numa noite regada a muito álcool, Derrick acaba na cama com uma mulher bastante fogosa. Alguns dias depois, Derrick e sua esposa são surpreendidos dentro de casa por um homem armado, que foge depois de entrar em luta corporal com Derrick. A polícia é chamada para investigar o caso e quem comandará o trabalho será a detetive Val Quinlam, justamente a amante casual de Las Vegas. E por aí vai a história, repleta de suspense e reviravoltas, transformando “Fatale” num bom suspense, cujo trunfo maior é o desempenho de Hillary Swank, que já tem no currículo dois Oscars de Melhor Atriz, por “Meninos não Choram (2000) e “Menina de Ouro” (2004”). Resumo da ópera: trata-se de um filme que não ficará na história do cinema, mas tem seus atrativos como suspense.   

segunda-feira, 31 de julho de 2023

 

“ZOYA – A GUERREIRA” (“ZOYA”), 2021, Rússia, 1h45m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Leonid Plyaskin e Maksim Brius, seguindo roteiro assinado por Andrey Nazarov e Andrey Tumarkin. Mais uma das milhares de histórias da fonte inesgotável que foi a Segunda Guerra Mundial. Desta vez, trata-se de um filme feito para a televisão com o objetivo de divulgar e exaltar a história de uma jovem russa que se transformou na primeira heroína russa do conflito, recebendo postumamente o título de “Herói da União Soviética”. Aos 18 anos, a estudante Zoya Kosmodemyanskaya (Anastasia Mishina), militante do Partido Comunista, deixa Moscou para se alistar na guerrilha contra os nazistas, invasores do território russo. Ela é integrada ao pelotão de sabotadores encarregados de incendiar casas na zona rural onde os moradores alojavam soldados alemães. No outono de 1941, ela acabou presa na aldeia de Petrishcheva, perto de Moscou. Mesmo torturada, espancada e estuprada, Zoya jamais denunciou seus companheiros. Como mostra o filme, até mesmo os oficiais e soldados alemães chegaram a admirar a tenacidade da moça. Enfim, uma história de heroísmo que merece ser conhecida e que, mesmo destinada à exibição pela TV, foi realizada com uma produção das mais caprichadas, incluindo elenco, cenários etc.   

sexta-feira, 28 de julho de 2023

 

“QUANDO HITLER ROUBOU O COELHO COR-DE-ROSA” (“ALS HITLER DAS ROSA KANICHEN STAHL”), 2020, coprodução Alemanha/Suíça, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção da cineasta alemã Caroline Link. Não se espante com o título, na verdade o mesmo do livro de memórias escrito por Judith Keer (1923-2019), lançado em 1971 e que se transformou num clássico da literatura juvenil alemã. Em 1933, Judith tinha 10 anos quando o partido de Hitler ganhou as eleições e começou com as perseguições, incluindo a sua própria família. No filme, ela foi renomeada Anna Kemper (Riva Krymalowski), pertencente a uma família judia cujo pai Arthur (Oliver Masucci) era jornalista e crítico teatral em Berlim. Em suas críticas publicadas nos jornais, Arthur costumava alertar sobre o perigo do nazismo. Ameaçado de prisão, foi obrigado a fugir com a família, sua esposa Dorothea (Carla Juri), Max (Marinus Hohmann) e, claro, Anna. Moraram na Suíça, depois Paris e finalmente Londres. Em todos esses lugares, Arthur dificilmente arrumava trabalho e a família sempre suportou a barreira das línguas e preconceito racial, sem contar as fases em que não tinham dinheiro nem para a comida. Mesmo diante desse contexto, o filme consegue ser sensível, comovente e até bem-humorado, graças, principalmente, à personagem da menina Anna. O filme não chega a ser alegre, mas consegue entreter sem partir para o drama pesado. Recomendo.

 

“OPERAÇÃO HUNT” (“HEON-TEU”), 2022, Coreia do Sul, 2h11m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Lee Jung-Jae, que também assina o roteiro com a colaboração de Jo Jeung-Hee. Mais um excelente exemplar do cinema sul-coreano, que nos últimos anos tem se destacado cada vez mais no cenário mundial. Desta vez, trata-se de um filme político de espionagem baseado em fatos reais ocorridos no final dos anos 70 do século passado. O filme começa com uma tentativa de assassinato do presidente Park Chung-Hee, da Coreia do Sul, durante visita oficial aos Estados Unidos. Houve a desconfiança de que um agente da Coreia do Norte teria se infiltrado nos serviços de segurança da Coreia do Sul e estava vazando informações. Park Pyong-Ho (Lee Jung-Jae) e Kim Jeong-Do (Jung Woo-Sung), ambos funcionários do alto escalão da Agência Central de Inteligência sul-coreana (HCIA), foram encarregados de investigar, identificar e prender o espião. Também havia muita gente interessada em prejudicar a reunificação das duas Coreias, um dos objetivos diplomáticos que havia na época. Só que até chegar perto da verdade, e a quem interessa a conspiração, muita água vai rolar, incluindo assassinatos, torturas físicas, tiroteios, explosões e reviravoltas, enfim, muita ação do começo ao fim. Verdade que o telespectador, como eu tive, terá alguma dificuldade em identificar quem é quem e, principalmente, o que está acontecendo. Ou seja, o roteiro poderia ser mais fácil, mas esse aspecto não prejudica o resultado final, que é muito bom. As cenas de ação, principalmente, são excelentes. Méritos totais ao roteirista, diretor e ator Lee Jung-Jae (da série “Round 6”). Exibido fora de competição no Festival de Cannes 2022, “Operação Hunt” foi muito elogiado pela crítica especializada, comprovando que o cinema sul-coreano está cada vez melhor. Resumo da ópera: trata-se de um thriller de espionagem da melhor qualidade.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

 

“A BALEIA” (“THE WHALE”), 2022, Estados Unidos, 1h57m, disponível para alugar no Prime Vídeo, direção de Darren Aronofsky (“Cisne Negro”), seguindo roteiro assinado por Samuel D. Hunter. O filme é uma adaptação para o cinema da peça de teatro “The Whale”, escrita pelo próprio roteirista. Trata-se de um drama psicológico cujo personagem central é o professor Charlie (Brendan Fraser), um gordo mórbido de quase 300 quilos que vive recluso e dá suas aulas de inglês on-line (por vergonha de seu corpo, ele mantém a webcam desligada). Aos poucos a gente acaba conhecendo sua história, a separação da mulher e da filha e o suicídio do amante, situações que o levaram a sofrer de transtorno de compulsão alimentar. Durante as visitas constantes da filha Ellie (Sadie Sink), da ex-mulher Mary (Samantha Morton), da vizinha e enfermeira Liz (Hong Chau) e de Thomas (Ty Simpkins), catequista de uma igreja evangélica, o roteiro constrói diálogos fortes, inteligentes e sarcásticos, durante os quais Charlie mostra arrependimento com relação às suas ações e sua vontade de reconstruir o passado. Tarefa difícil, já que os visitantes demonstram pouca paciência com o estado de saúde e a figura grotesca – para não dizer nojenta - que Charlie se transformou. Acompanhamos o cotidiano de uma pessoa cujo tempo de vida é cada vez menor. Charlie tem consciência disso, mas continua comendo suas três pizzas diárias, fora as barras de chocolate etc. e tal... A história é muito triste, pois apresenta um ser humano sem qualquer perspectiva, nenhuma alegria e completamente entregue a uma doença que logo o levará à morte. Pior: ele tem plena consciência disso. Esse aspecto me levou a recordar os vários episódios que assisti de “Quilos Mortais”, com o Dr. Younan Nowzaradam, o doutor “Now”. Indicado a três categorias do Oscar 2023, “A Baleia” venceu duas: Melhor Ator (Brendan Fraser) e Melhor Maquiagem (só para se ter uma ideia, Fraser utilizou 130 quilos de próteses durante as filmagens). Não sei se gostei ou não do filme. A única certeza é a de que o personagem principal me sensibilizou bastante.  

domingo, 23 de julho de 2023

 

“KING RICHARD: CRIANDO CAMPEÃS” (“KING RICHARD”), 2021, Estados Unidos, em cartaz na HBO Max Brasil, 2h25m, direção de Reinaldo Marcus Green, seguindo roteiro assinado por Zach Baylin. O personagem principal da história é Richard Williams (Will Smith) e como ele conseguiu transformar duas de suas cinco filhas, Serena e Venus Williams, em duas maravilhosas tenistas, várias vezes campeãs dos torneios do Grand Slam (Australian Open, Roland Garros, Wimbledom e US Open). A história é fascinante, a começar pela obsessão doentia de Richard em transformar Venus (Saniyya Sidney) e Serena (Demi Singleton) em grandes estrelas do tênis mundial. Para tanto, quando elas eram pequenas, Richard estabeleceu um plano de 78 páginas instituindo métodos próprios e nada convencionais, seguindo-o à risca até elas ficarem famosas. Um dos pontos mais controvertidos era a proibição das duas disputarem torneios juvenis, ao contrário da maioria das outras grandes tenistas. Teimoso ao extremo, Richard chegava a contrariar as orientações dos técnicos que contratava, além de não aceitar patrocínios milionários. Enfim, uma história e tanto, valorizada por um roteiro primoroso e pela atuação espetacular de Will Smith. O filme foi indicado a seis categorias do Oscar 2022 (Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Edição, Roteiro Original e Canção Original). Will Smith ganhou a estatueta de Melhor Ator, que quase perde depois de dar aquela famosa bofetada no humorista Chris Rock durante a solenidade de premiação. Também estão no elenco Tony Goldwyn, Jon Bernthal, Dilan McDermott, Liev Schreiber, Susie Abromeit, Judith Chapman e Aunjanue Ellis. Filme obrigatório para quem gosta de tênis e excelente para quem curte histórias de coragem e superação. Filmaço!