sábado, 12 de agosto de 2023

 

“PAIXÃO SUFOCANTE” (“SOUS EMPRISE”), 2022, França, 1h58m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção do cineasta norte-americano David M. Rosenthal. O filme explora duas vertentes. A primeira se refere à paixão desenfreada e obsessiva entre um jovem casal. A outra diz respeito a um esporte radical pouquíssimo conhecido por aqui, que é o mergulho livre, disputado em campeonatos de apneia, cujos vencedores são obrigados a permanecer por mais tempo e mais fundo no mar sem o auxílio de respiradores. É preciso ter muita coragem e treinamento para arriscar a vida nesse esporte subaquático. A personagem principal é a jovem Roxana (Camille Rowe), que abandona os estudos para frequentar um curso de mergulho no sul da França, também conhecido como Riviera Francesa. Seu instrutor é Pascal Gautier (o ator de origem argelina Sofiane Zermani), um campeão mundial de mergulho por quem a moça se apaixona perdidamente. Entre essa paixão, os treinamentos e os campeonatos, “Paixão Sufocante” segue destacando belíssimas locações e cenários subaquáticos de grande beleza. Também estão no elenco César Domboy, Eva Danino, Natalie Mitson, Laurent Fernandez e Muriel Combeau. Em entrevistas durante o lançamento do filme, o diretor Rosenthal afirmou que baseou a história na biografia da mergulhadora Audrey Mestre (1974-2002), que morreu durante uma competição na qual tentava bater seu próprio recorde mundial de mergulho livre. O filme é muito interessante, pois nos apresenta um esporte pouco difundido e praticado entre nós e, tecnicamente, é muito bem feito. O que me incomodou muito foi a atriz principal, Camille Rowe, sem dúvida muito bonita, mas magérrima e esquelética demais para ser considerada uma atleta – na verdade, além de atriz, ela é uma supermodelo. Trocando em miúdos, “Paixão Sufocante” é apenas uma dica interessante.       

terça-feira, 8 de agosto de 2023

 

“RESPIRE FUNDO” (“A MOUTHFUL OF AIR”), 2022, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção de Amy Koppelman. A história foi adaptada do livro homônimo escrito pela própria Koppelman em 2003. Trata-se de um drama psicológico que aborda a depressão, no caso, a pós-parto. Julie Davis (Amanda Seyfried, em excelente desempenho), uma escritora best-seller de livros infantis, tenta o suicídio pouco antes do aniversário de primeiro ano do filho Teddy. Com o apoio do marido sempre presente Ethan Davis (Finn Wittrock) e da mãe Bobby (Amy Irving), além das consultas com o psiquiatra Dr. Sylvester (Paul Giamatti), Julie tenta vencer a depressão, mas logo se percebe que será uma tarefa muito difícil. Ela fica grávida novamente de uma menina e, quando parecia estar tudo bem, eis que... vou deixar essa dúvida para quem for assistir. Apesar de sensível e, em alguns momentos, bastante delicado, “Respire Fundo” vai fundo no problema da depressão. No caso de Julie, o estopim parece ter sido o relacionamento com o pai quando era criança. O filme não deixa claro, mas sugere que ela tenha sido abusada sexualmente pelo pai. Além da atuação magistral de Amanda Seyfried, é preciso destacar também a participação da veterana Amy Irving, de tantos clássicos importantes, como “Carrie, A Estranha”, “O Amigo Oculto” e o nosso “Bossa Nova”, dirigido pelo brasileiro Bruno Barreto, na época marido de Amy. Resumindo, “Respire Fundo” é um drama bastante forte. Respire fundo e assista.     

domingo, 6 de agosto de 2023

 

“SEQUESTRO: INOCÊNCIA ROUBADA” (“SMALL WORLD”), 2022, Polônia, 1h57m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Patrick Vega, que também assina o roteiro com a colaboração de Olaf Olszewski. O drama polonês trata de um tema bastante indigesto: a pedofilia. E não fica apenas na superfície: de maneira realista e explícita, toca nessa ferida de modo bastante contundente. Há cenas chocantes que podem incomodar os espectadores mais sensíveis. A história começa quando uma garota de apenas 4 anos é sequestrada numa pequena cidade da Polônia, perto da fronteira com a Rússia. A menina foi vendida por dois irmãos pedófilos a uma máfia russa que explora o sexo infantil. O detetive polonês Robert Goc (Piotr Adamczyk) resolve investigar o caso, que se arrasta pelos 12 anos seguintes. O policial consegue chegar à menina sequestrada já adolescente (a atriz Julia Wieniawa) trabalhando para um grupo de pedófilos chefiado pela mafiosa Jasmina (Montserrat Roig De Puig). Algumas cenas são chocantes demais, o que evidencia a intenção do roteirista e diretor de tratar o assunto da maneira mais realista possível. A questão psicológica que envolve o detetive, ele próprio se tornando um pedófilo, é um dos pontos de destaque da história. Não há referências de que o filme tenha sido baseado em fatos reais, mas não deve ser muito diferente do que acontece nos bastidores dessa praga terrível que é a pedofilia. Trocando em miúdos (desculpem o trocadilho), sem elogiar ou criticar, esse drama polonês é forte o suficiente para incomodar e chocar.    

sábado, 5 de agosto de 2023

 

“BATISMO DE SANGUE” ou “JUSTIÇA SELVAGEM” (“SAVAGE SALVATION”), 2022, EUA, 1h41m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Randall Emmett, seguindo roteiro assinado por Adam Taylor Barker e Chris Sivertson. A gente percebe quando um astro do cinema está em decadência quando começa a aceitar papeis em filmes medíocres. Robert De Niro topou atuar neste suspense policial interpretando o xerife Church, que, à beira da aposentadoria, se vê às voltas com a investigação de uma série de crimes. Aliás, De Niro, apesar de aparecer em poucas cenas, atua de forma patética, demonstrando uma apatia e uma incompetência que lhe são raras. Enfim, uma  decadência de forma ridícula. Bem, vamos à história. Shelby John (Jack Huston) e sua noiva Ruby Red (Willa Fitzgerald), tentam se livrar do vício da heroína. Pretendem se casar e levar uma vida normal, até que os traficantes forçam a moça a receber uma última dose. Ela morre com uma overdose e Shelby parte para a vingança contra os traficantes, que serão perseguidos um a um, até chegar ao chefão. Tudo é medíocre neste verdadeiro "abacaxi", principalmente o roteiro, que deixa para o final uma reviravolta tão ridícula quanto a história. As canções da trilha sonora, então, querendo acompanhar o enredo, são de uma mediocridade cavalar. O elenco, nem se fala. Também é cúmplice o ator John Malkovich, um canastrão de marca maior, um ator insuportável que se encontra igualmente em final melancólico de carreira. Robert De Niro não merecia passar por esse vexame, atuar num filme tão lamentável e num papel que não faz jus à sua carreira. Sem dúvida, “Savage Salvation” é um dos piores lançamentos do Prime Vídeo. Fuja a galope!   

terça-feira, 1 de agosto de 2023

 

“FATALE” (em alguns sites, o título ficou traduzido por  “Perdas e Danos”), 2021, Estados Unidos, 1h42m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Deon Taylor (“Hóspede Indesejado”, “Traffik: Liberdade Roubada”), seguindo roteiro assinado por David Loughery. É um filme de suspense na linha de “Atração Fatal”, clássico de 1987. A “Fatale” do título é Val Quinlan (Hilary Swank), detetive de polícia de Los Angeles. A “vítima” é Derrick Tyler (Michael Ealy), um ex-astro de basquete que agora é dono de uma empresa que agencia jogadores da NBA. Ao lado do sócio e melhor amigo Rafe Grimes (Mike Colter), Derrick transformou a empresa em um grande sucesso e, como consequência, é um homem rico, que vive em uma bela casa com a esposa Tracie Tyler (a espetacular morena Damaris Lewis). Durante uma crise conjugal, Derrick e o sócio partem para Las Vegas em viagem de negócios. É quando, numa noite regada a muito álcool, Derrick acaba na cama com uma mulher bastante fogosa. Alguns dias depois, Derrick e sua esposa são surpreendidos dentro de casa por um homem armado, que foge depois de entrar em luta corporal com Derrick. A polícia é chamada para investigar o caso e quem comandará o trabalho será a detetive Val Quinlam, justamente a amante casual de Las Vegas. E por aí vai a história, repleta de suspense e reviravoltas, transformando “Fatale” num bom suspense, cujo trunfo maior é o desempenho de Hillary Swank, que já tem no currículo dois Oscars de Melhor Atriz, por “Meninos não Choram (2000) e “Menina de Ouro” (2004”). Resumo da ópera: trata-se de um filme que não ficará na história do cinema, mas tem seus atrativos como suspense.   

segunda-feira, 31 de julho de 2023

 

“ZOYA – A GUERREIRA” (“ZOYA”), 2021, Rússia, 1h45m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Leonid Plyaskin e Maksim Brius, seguindo roteiro assinado por Andrey Nazarov e Andrey Tumarkin. Mais uma das milhares de histórias da fonte inesgotável que foi a Segunda Guerra Mundial. Desta vez, trata-se de um filme feito para a televisão com o objetivo de divulgar e exaltar a história de uma jovem russa que se transformou na primeira heroína russa do conflito, recebendo postumamente o título de “Herói da União Soviética”. Aos 18 anos, a estudante Zoya Kosmodemyanskaya (Anastasia Mishina), militante do Partido Comunista, deixa Moscou para se alistar na guerrilha contra os nazistas, invasores do território russo. Ela é integrada ao pelotão de sabotadores encarregados de incendiar casas na zona rural onde os moradores alojavam soldados alemães. No outono de 1941, ela acabou presa na aldeia de Petrishcheva, perto de Moscou. Mesmo torturada, espancada e estuprada, Zoya jamais denunciou seus companheiros. Como mostra o filme, até mesmo os oficiais e soldados alemães chegaram a admirar a tenacidade da moça. Enfim, uma história de heroísmo que merece ser conhecida e que, mesmo destinada à exibição pela TV, foi realizada com uma produção das mais caprichadas, incluindo elenco, cenários etc.   

sexta-feira, 28 de julho de 2023

 

“QUANDO HITLER ROUBOU O COELHO COR-DE-ROSA” (“ALS HITLER DAS ROSA KANICHEN STAHL”), 2020, coprodução Alemanha/Suíça, em cartaz no Prime Vídeo, roteiro e direção da cineasta alemã Caroline Link. Não se espante com o título, na verdade o mesmo do livro de memórias escrito por Judith Keer (1923-2019), lançado em 1971 e que se transformou num clássico da literatura juvenil alemã. Em 1933, Judith tinha 10 anos quando o partido de Hitler ganhou as eleições e começou com as perseguições, incluindo a sua própria família. No filme, ela foi renomeada Anna Kemper (Riva Krymalowski), pertencente a uma família judia cujo pai Arthur (Oliver Masucci) era jornalista e crítico teatral em Berlim. Em suas críticas publicadas nos jornais, Arthur costumava alertar sobre o perigo do nazismo. Ameaçado de prisão, foi obrigado a fugir com a família, sua esposa Dorothea (Carla Juri), Max (Marinus Hohmann) e, claro, Anna. Moraram na Suíça, depois Paris e finalmente Londres. Em todos esses lugares, Arthur dificilmente arrumava trabalho e a família sempre suportou a barreira das línguas e preconceito racial, sem contar as fases em que não tinham dinheiro nem para a comida. Mesmo diante desse contexto, o filme consegue ser sensível, comovente e até bem-humorado, graças, principalmente, à personagem da menina Anna. O filme não chega a ser alegre, mas consegue entreter sem partir para o drama pesado. Recomendo.

 

“OPERAÇÃO HUNT” (“HEON-TEU”), 2022, Coreia do Sul, 2h11m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Lee Jung-Jae, que também assina o roteiro com a colaboração de Jo Jeung-Hee. Mais um excelente exemplar do cinema sul-coreano, que nos últimos anos tem se destacado cada vez mais no cenário mundial. Desta vez, trata-se de um filme político de espionagem baseado em fatos reais ocorridos no final dos anos 70 do século passado. O filme começa com uma tentativa de assassinato do presidente Park Chung-Hee, da Coreia do Sul, durante visita oficial aos Estados Unidos. Houve a desconfiança de que um agente da Coreia do Norte teria se infiltrado nos serviços de segurança da Coreia do Sul e estava vazando informações. Park Pyong-Ho (Lee Jung-Jae) e Kim Jeong-Do (Jung Woo-Sung), ambos funcionários do alto escalão da Agência Central de Inteligência sul-coreana (HCIA), foram encarregados de investigar, identificar e prender o espião. Também havia muita gente interessada em prejudicar a reunificação das duas Coreias, um dos objetivos diplomáticos que havia na época. Só que até chegar perto da verdade, e a quem interessa a conspiração, muita água vai rolar, incluindo assassinatos, torturas físicas, tiroteios, explosões e reviravoltas, enfim, muita ação do começo ao fim. Verdade que o telespectador, como eu tive, terá alguma dificuldade em identificar quem é quem e, principalmente, o que está acontecendo. Ou seja, o roteiro poderia ser mais fácil, mas esse aspecto não prejudica o resultado final, que é muito bom. As cenas de ação, principalmente, são excelentes. Méritos totais ao roteirista, diretor e ator Lee Jung-Jae (da série “Round 6”). Exibido fora de competição no Festival de Cannes 2022, “Operação Hunt” foi muito elogiado pela crítica especializada, comprovando que o cinema sul-coreano está cada vez melhor. Resumo da ópera: trata-se de um thriller de espionagem da melhor qualidade.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

 

“A BALEIA” (“THE WHALE”), 2022, Estados Unidos, 1h57m, disponível para alugar no Prime Vídeo, direção de Darren Aronofsky (“Cisne Negro”), seguindo roteiro assinado por Samuel D. Hunter. O filme é uma adaptação para o cinema da peça de teatro “The Whale”, escrita pelo próprio roteirista. Trata-se de um drama psicológico cujo personagem central é o professor Charlie (Brendan Fraser), um gordo mórbido de quase 300 quilos que vive recluso e dá suas aulas de inglês on-line (por vergonha de seu corpo, ele mantém a webcam desligada). Aos poucos a gente acaba conhecendo sua história, a separação da mulher e da filha e o suicídio do amante, situações que o levaram a sofrer de transtorno de compulsão alimentar. Durante as visitas constantes da filha Ellie (Sadie Sink), da ex-mulher Mary (Samantha Morton), da vizinha e enfermeira Liz (Hong Chau) e de Thomas (Ty Simpkins), catequista de uma igreja evangélica, o roteiro constrói diálogos fortes, inteligentes e sarcásticos, durante os quais Charlie mostra arrependimento com relação às suas ações e sua vontade de reconstruir o passado. Tarefa difícil, já que os visitantes demonstram pouca paciência com o estado de saúde e a figura grotesca – para não dizer nojenta - que Charlie se transformou. Acompanhamos o cotidiano de uma pessoa cujo tempo de vida é cada vez menor. Charlie tem consciência disso, mas continua comendo suas três pizzas diárias, fora as barras de chocolate etc. e tal... A história é muito triste, pois apresenta um ser humano sem qualquer perspectiva, nenhuma alegria e completamente entregue a uma doença que logo o levará à morte. Pior: ele tem plena consciência disso. Esse aspecto me levou a recordar os vários episódios que assisti de “Quilos Mortais”, com o Dr. Younan Nowzaradam, o doutor “Now”. Indicado a três categorias do Oscar 2023, “A Baleia” venceu duas: Melhor Ator (Brendan Fraser) e Melhor Maquiagem (só para se ter uma ideia, Fraser utilizou 130 quilos de próteses durante as filmagens). Não sei se gostei ou não do filme. A única certeza é a de que o personagem principal me sensibilizou bastante.  

domingo, 23 de julho de 2023

 

“KING RICHARD: CRIANDO CAMPEÃS” (“KING RICHARD”), 2021, Estados Unidos, em cartaz na HBO Max Brasil, 2h25m, direção de Reinaldo Marcus Green, seguindo roteiro assinado por Zach Baylin. O personagem principal da história é Richard Williams (Will Smith) e como ele conseguiu transformar duas de suas cinco filhas, Serena e Venus Williams, em duas maravilhosas tenistas, várias vezes campeãs dos torneios do Grand Slam (Australian Open, Roland Garros, Wimbledom e US Open). A história é fascinante, a começar pela obsessão doentia de Richard em transformar Venus (Saniyya Sidney) e Serena (Demi Singleton) em grandes estrelas do tênis mundial. Para tanto, quando elas eram pequenas, Richard estabeleceu um plano de 78 páginas instituindo métodos próprios e nada convencionais, seguindo-o à risca até elas ficarem famosas. Um dos pontos mais controvertidos era a proibição das duas disputarem torneios juvenis, ao contrário da maioria das outras grandes tenistas. Teimoso ao extremo, Richard chegava a contrariar as orientações dos técnicos que contratava, além de não aceitar patrocínios milionários. Enfim, uma história e tanto, valorizada por um roteiro primoroso e pela atuação espetacular de Will Smith. O filme foi indicado a seis categorias do Oscar 2022 (Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Edição, Roteiro Original e Canção Original). Will Smith ganhou a estatueta de Melhor Ator, que quase perde depois de dar aquela famosa bofetada no humorista Chris Rock durante a solenidade de premiação. Também estão no elenco Tony Goldwyn, Jon Bernthal, Dilan McDermott, Liev Schreiber, Susie Abromeit, Judith Chapman e Aunjanue Ellis. Filme obrigatório para quem gosta de tênis e excelente para quem curte histórias de coragem e superação. Filmaço!

quinta-feira, 20 de julho de 2023

 

“JUDAS E O MESSIAS NEGRO” (“JUDAS AND THE BLACK MESSIAH”), 2021, Estados Unidos, 2h06m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Shaka King, que também assina o roteiro com Will Berson. Embora tenha recebido cinco indicações ao Oscar (leia no final do comentário) e conquistado uma estatueta (Melhor Ator Coadjuvante), o filme não teve a divulgação que merecia, decepcionando nas bilheterias. É um grande filme, um dos melhores a tratar das manifestações pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Em 1969, logo após a morte de Martin Luther King, surgia um novo líder: Fred Hampton (o ator inglês Daniel Kaluuya, de “Corra”). Com apenas 21 anos, Fred já era presidente dos Panteras Negras e seus discursos atraiam milhares de pessoas nas principais cidades dos EUA. Fred era radical. Não só defendia os direitos civis dos negros, mas também a luta armada, principalmente contra os policiais e os capitalistas. Ele era comunista convicto, admirador de Mao, Stalin e Che Guevara. A ascensão de Fred começou a preocupar o FBI. O agente Roy Mitchell (Jesse Plemons) recrutou Bill O’Neal (Lakeith Stanfield), um ladrão de carros, para se infiltrar nos Panteras Negras e vigiar Fred Hampton. As informações fornecidas por Bill ajudaram o FBI a desbaratar a organização Panteras Negras, culminando com o assassinato de Fred. Trocando em miúdos, “Judas e o Messias Negro” é um grande filme, poderoso, tocante. Mereceu com justiça as 5 indicações ao Oscar (a Academia inovou ao criar duas indicações para Melhor Ator Coadjuvante - vencido por Daniel Kalluuya, mas Lakeith Sanfield também merecia – Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Fotografia. Merecia muito mais, pois é um filmaço! (Nos créditos finais, o filme mostra o informante Bill O'Neal dando uma entrevista nos anos 90). 

quarta-feira, 19 de julho de 2023

 

“O ASSASSINO PERFEITO” (“THE ENFORCER”), 2023, Estados Unidos, 1h31m, lançamento do Prime Vídeo, direção do cineasta australiano, seguindo roteiro assinado W. Peter Iliff. Quando verificamos que atores consagrados começam a atuar em filmes de qualidade duvidosa, para não dizer medíocres, pode acreditar: eles estão na fase de decadência. Estava sendo assim com Bruce Willis e está sendo assim com Stallone, Nicolas Cage, Schwarzenegger, Al Pacino e De Niro, sem falar nas atrizes que não encontram mais um papel à sua altura. A vida também passa em Hollywood. Pensei nisso ao ver o ator espanhol Antonio Banderas atuar em “O Assassino Perfeito”, um filme B muito fraquinho. Banderas trabalha como assassino profissional e cobrador de “impostos” para a mafiosa Estelle (Kate Bosworth), que controla o crime em Miami. Cuda ganha um assistente, o lutador de rua Stray (Mojean Aria), um cara violento com um cérebro de ameba. Tudo muda de contexto quando Cuda conhece a adolescente Billie (Zolee Griggs), que vive nas ruas perigosas de Miami. Cuda a abriga em um hotel e paga por uns dias até ela arrumar o que fazer. Só que a moça é sequestrada por uma gangue que explora prostituição e pornografia e só mais tarde Cuda descobrirá que sua própria chefe mafiosa é a responsável pelo sequestro. Muita pancadaria, tiros e sangue jorrando, boas cenas de ação e pouco conteúdo. Recomendo, mas com restrições.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

 “O PACTO” (“PAGTEN”), 2021, Dinamarca, 1h55m, em cartaz no Prime Vídeo, direção de Bille August, seguindo roteiro assinado por Christian Torpe (não confundir com outro filme do mesmo nome também no Prime Vídeo, um norte-americano de ação). A história deste drama dinamarquês é baseada em fatos reais, ou seja, na relação entre a escritora Karen Blixen (Birthe Neumann) e o jovem escritor e poeta Thorkild Bjornvig (Simon Bennebjerg) nos anos 30 do século passado. Ao perceber que Bjornvig é um escritor promissor, Karen, já famosa como escritora, resolve ser a mentora do jovem, com o qual faz um pacto (daí o título): ele moraria com ela na casa de campo isolada em Rungsted, ao norte de Copenhague, e ela o ajudaria a se tornar um grande escritor. Aos poucos, porém, Bjornvig percebe que Karen é manipuladora, dominadora, frustrada e arrogante, a ponto de se meter na vida pessoal do seu pupilo, prejudicando até mesmo o seu casamento com a doce Grete (Nanna Skaarup Voss), com quem tem um filho. A escritora chega a arranjar uma amante para Bjornvig, a jovem Benedicte (Asta August, filha do diretor). Até o desfecho, o jovem escritor tentará se livrar da dominação imposta pela consagrada escritora – um de seus livros mais conhecidos é “A Fazenda Africana” (“Den Afrikanske Farm”), adaptado para o cinema em 1985 como “Entre Dois Amores”, com Meryl Streep. “O Pacto” é um belo drama dinamarquês, com diálogos saborosos e inteligentes, sem pedantismos ou erudição gratuita. Outro mérito é a primorosa recriação de época. Claro que o filme leva a marca do veterano cineasta Bille August, diretor de filmes como o premiadíssimo “Pelle, o Conquistador”, de 1988 (Palma de Ouro, Oscar e Globo de Ouro), além dos excelentes “Casa dos Espíritos”,

domingo, 16 de julho de 2023

“DESTEMIDA” (“TRUE SPIRIT”), 2023, Austrália/EUA, 1h49m, produção original Netflix, direção da cineasta australiana Sarah Spillane, que também assina o roteiro com a colaboração de Rebecca Banner e Cathy Randall. Trata-se de uma história real, o incrível feito da adolescente australiana Jessica Watson (Teagan Croft), de 16 anos, que se tornou a mais jovem velejadora a circum-navegar sozinha a Terra. De outubro de 2009 a maio de 2010, ou seja, em 210 dias, Jessica percorreu 22 mil milhas náuticas – pouco mais de 40 mil quilômetros – enfrentando tempestades, ondas gigantes e até mesmo depressão em função da solidão, mas ela venceu todos esses desafios com muita coragem e determinação. O filme conta tudo isso com base no livro escrito pela própria Jessica depois da aventura (“The Spirit: The Aussie Girl Who Took on the World”; traduzindo, “Espírito Verdadeiro: A Garota Australiana Que Encarou o Mundo”). Os detalhes das filmagens tiveram o aval da própria garota, que trabalhou como consultora da diretora Spillane. Dessa forma, acompanhamos a trajetória de Jéssica desde criança, quando aprendeu a velejar com os pais, participando de campeonatos e estudando a fundo a arte de velejar. Depois de ler o livro escrito pelo jovem velejador Jesse Martion, que com 17 anos circum-navegou a Terra, Jessica resolveu enfrentar o desafio. Para isso, contou com a ajuda do experiente velejador Ben Bryant (Cliff Curtis), que a orientou e treinou durante vários anos, durante os quais Jessica fez cursos de navegação, mecânica e primeiros socorros. A adolescente teve todo o apoio dos pais Julie (Anna Paquin) e Roger Watson (Josh Lawson), além dos irmãos. Embora tenha uma “pegada” de sessão da tarde, “Destemida” tem muita ação e cenas de tirar o fôlego, principalmente aquelas nas quais Jessica enfrenta violentas tempestades em alto-mar (aos espectadores mais sensíveis, recomendo tomar um dramin). Trocando em miúdos, o filme é ótimo e merece ser visto. Ah, durante os créditos finais são apresentados vídeos da época mostrando a Jéssica original e seus familiares, além das filmagens feitas por ela no barco durante a viagem. Não perca!      

 

 

quarta-feira, 12 de julho de 2023


“DEIXANDO O AFEGANISTÃO” (“BRATSTVO”), 2021, Rússia, em cartaz no Prime Vídeo, 1h53m, direção de Pavel Lungin, que também assina o roteiro com a colaboração de  Aleksandr Lungin. Não são muitos os filmes sobre a guerra entre União Soviética e o Afeganistão.  Este é o mais recente, cuja história é baseada nas memórias do general Nikolay Kovalyov, agente da KGB na frente afegã. Estamos em 1989, quando as últimas unidades do exército russo deixam o país inimigo depois de dez anos de guerra – a intenção dos russos era implantar o comunismo no Afeganistão, objetivo não concretizado. O filme acompanha os trabalhos de desmobilização da 108ª Divisão de Infantaria. Só que acontece um fato inesperado: um avião russo é abatido e seu piloto, Alexander Vasiliev, acaba sequestrado por guerrilheiros mujahidins. Vasiliev é filho de um general, que ordena aos seus comandados que o resgatem a qualquer custo. Ao mesmo tempo em que mostra a ação sendo planejada e executada, o roteiro destaca a rotina dos soldados russos, com cantorias, muita bebida, corrupção desenfreada e tráfico de armas e drogas, configurando uma crítica ácida e contundente aos invasores russos. Repleta de reviravoltas e traições de lado a lado, a história termina convidando a uma reflexão sobre quem ganha com uma guerra em que não há vencedores, somente vencidos. Exibido em vários festivais mundo afora, “Deixando o Afeganistão” teve uma boa aceitação por parte da crítica especializada, mas não é um filme muito fácil de digerir.                

1

terça-feira, 11 de julho de 2023

 

“REI DO RINGUE: A HISTÓRIA DE JEM BELCHER” (“PRIZEFIGHTER: THE LIFE OF JEM BELCHER”), 2022, Inglaterra, 1h47m, direção de Daniel Graham, seguindo roteiro assinado por Matt Hookings, lançamento da Prime Vídeo. Trata-se da adaptação para o cinema da biografia do lutador inglês Jem Belcher (Matt Hookings), que no início do século 19 foi campeão de boxe da Inglaterra. Desde garoto, o ídolo de Jem era o avô Jack Slack (Russell Crowe, ótimo), um beberrão que costumava lutar pelas ruas de Bristol. Jem cresceu e também começou a participar de lutas. Numa delas, derrubou um adversário muito mais forte e chamou a atenção do treinador Bill Warr (Ray Winstone), que o treinou para ser um campeão. O que de fato foi, quando enfrentou o então campeão inglês em Londres. Como a mãe já previra, o sucesso levou Belcher a frequentar a elite da capital inglesa, o que incluiu mulheres e muita bebida. Como na maioria dos filmes que tratam de boxe, a luta decisiva ficou para o desfecho, quando Jem coloca seu título em jogo. Completam o elenco Marton Csokas, Jodhi Mae, Julian Glover, Lucy Martin, Olivia Chenery, Steven Berkoff, Joe Egan e Emily Haigh. Como história baseada em fatos reais, o filme agrada completamente. O que me incomodou em demasia foi a fotografia em tons escuros nas cenas de interiores. A claridade só aparece nas cenas diurnas ao ar livre. Trocando em miúdos, o filme é indicado apenas para os amantes de boxe, que terão a oportunidade de conhecer uma história ambientada nos primórdios do esporte.       

 

sábado, 8 de julho de 2023

 

“ALERTA MÁXIMO” (“PLANE”), 2023, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h48m, lançamento do Prime Vídeo, direção do cineasta francês Jean-François Righet, seguindo roteiro assinado por Charles Cumming e J.P. Davis. O ator escocês Gerard Butler retorna a mais um filme de ação, gênero que o catapultou para o estrelato. Desta vez, ele é o piloto Brodie Torrance, da empresa Trailblazer Airlines. Seu próximo voo, o 119, decolará de Singapura com destino a Honolulu. Além do copiloto Dele (Yoson An), estão a bordo três comissárias e 19 passageiros, um deles Louis Gaspare (Mike Colter), transportado por um agente do FBI por uma acusação de homicídio. Antes de continuar o comentário, devo citar a famosa Lei de Murphy (aquela que diz “Se algo pode dar errado, dará”), que se aplica com perfeição à história. Logo de cara, o avião entra em uma tempestade e, durante os fortes solavancos, morrem o agente do FBI e uma comissária. Como se não bastasse, um raio atinge a aeronave, afetando todos os seus comandos, o que leva o comandante a decidir por um pouso forçado. Ele escolhe uma terra firme qualquer e consegue pousar. O que não se imagina é que a ilha está nas mãos de violentos milicianos filipinos que lutam contra o governo estabelecido. Desgraça atrás de desgraça, o filme segue com muito suspense e ótimas cenas de ação. Aliás, a ação corre solta desde o início, destacando-se a excelente cena em que o avião é envolvido pela tempestade. De tirar o fôlego! O elenco ainda traz Tony Goldwyn, Daniela Pineda, Evan Dane Taylor e Paul Ben-Victor. Por causa de todos esses ingredientes, “Alerta Máximo” recebeu incríveis 95% de aprovação no rigoroso site Rotten Tomatoes e, entre os críticos, conquistou 74% de avaliações positivas. Imperdível!      

 

 

 

                

 

 

                   

                    

quinta-feira, 6 de julho de 2023

 

“CHAMAS DA FÚRIA” (“DAS FLAMMENMÄDCHEN”), 2021, Áustria, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Catalina Molina, cineasta argentina radicada em Viena (Áustria). Trata-se de um suspense policial que entrega o vilão – no caso, a vilã - já no começo do filme. Resta ao espectador aguardar pelas respostas: Por que ela fez o que fez e como a polícia agirá para chegar até ela? Estamos em Salzburgo, famosa por ser a cidade natal de Mozart. Um incendiário já colocou fogo em casas, celeiros, barracões, provocando medo na população, apesar de que o fogo só consumiu imóveis abandonados, ou seja, em nenhum dos casos houve vítimas. Franziska “Franzi” Hilmayr (Stefanie Reinsperger), chefe da polícia local, não conseguiu nenhuma pista e, por isso mesmo, recebeu o reforço do agente federal Merana (Manuel Rubey) para ajudar nas investigações. O caso se complicou ainda mais quando mais uma casa abandonada é destruída por um incêndio, mas desta vez havia um cadáver carbonizado, justamente o filho do chefe dos bombeiros. A incendiária é Sophie (Annika Wonner), uma adolescente problemática órfã de mãe e filha de um alcóolatra. E por aí vai a história, repleta de reviravoltas, algum suspense e pouca substância. Ou seja, um filme que merece entrar na categoria dos esquecíveis, sem qualquer atrativo que mereça uma recomendação entusiasmada.     

segunda-feira, 3 de julho de 2023

 

“O PROTOCOLO DE AUSCHWITZ” (“THE AUSCHWITZ REPORT”), 2021, coprodução Eslováquia/Alemanha/ República Tcheca/Polônia, 1h36m, lançamento do Prime Vídeo, direção do cineasta eslovaco Peter Bebjak, que também assina o roteiro juntamente com Jozef Pastéka e Tomás Bombik. O filme relembra mais um acontecimento histórico importante ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial envolvendo o campo de concentração de Auschwitz, ao sul da Polônia, considerando o maior símbolo do holocausto perpetrado pela Alemanha Nazista. Dois jovens judeus eslovacos, Freddy (Noel Czuczor) e Walter (Peter Ondrejicka), prisioneiros do campo, conseguem fugir em 1944 e atravessar a fronteira para chegar à Eslováquia. Eles levavam documentos e relatórios denunciando as barbaridades praticadas em Auschwitz, apresentando-os às autoridades eslovacas, aos representantes dos países aliados e até à Cruz Vermelha Internacional. Por incrível que pareça, os dois foram desacreditados, ou seja, ninguém foi capaz de acreditar que as barbaridades descritas fossem verdadeiras, o que, naturalmente, causou mais mortes até o final da guerra, em maio de 1945. A história do filme se desenrola em três fases. A primeira, mostrando o dia a dia do campo de concentração, com cenas chocantes e perturbadoras. A segunda etapa acompanha a fuga de Freddy e Walter pela floresta até chegar à Eslováquia, ajudados por membros da resistência polonesa.  A terceira e última etapa apresenta os dois fugitivos tentando convencer as autoridades dos terríveis acontecimentos ocorridos em Auschwitz e também em Birkenau. Há que se destacar a estética desenvolvida pelo diretor Peter Bebjak, utilizando várias posições da câmera – há planos de cabeça para baixo -, muito diferente e mais criativa do que estamos acostumados a ver. Ponto para a coragem do diretor. Embora recebido com restrições pela crítica especializada, o filme foi selecionado para representar a Eslováquia na disputa do Oscar 2022 de Melhor Filme Estrangeiro. Eu gostei, mas alerto que não é um filme muito fácil de digerir. Se você assistir, não desligue antes dos créditos finais, pois neles aparecem falas legendadas de líderes mundiais sobre vários temas, incluindo o nosso glorioso presidente Jair Bolsonaro.      

 

 

 

                

 

 

                   

                    

quinta-feira, 29 de junho de 2023


 

“TILL – A BUSCA POR JUSTIÇA” (“TILL”), 2022, Estados Unidos, 2h11m, em cartaz na Prime Vídeo (estreou dia 23/06/2023), direção de Chinonye Chukwu, cineasta nigeriana radicada nos EUA, que também assina o roteiro com Michael Reilly e Keith Beauchamp. Baseado em fatos reais, o filme nos leva a 1955, contando uma história chocante de racismo, injustiça e impunidade. Emmett “Bo” Till (Jalyn Hall), de apenas 14 anos, sai de Chicago e viaja para a cidade de Money, no Mississipi, para passar as férias ao lado dos primos. Antes da viagem, sua mãe, Mamie Till-Mobley (Danielle Deadwiler), o alerta sobre como deve se comportar, pois lá em Money o racismo é muito forte. Não adiantou muito o conselho. Em uma loja de conveniência, “Bo” fala para a recepcionista (branca) que ela parece uma artista de cinema e, logo depois, ainda assobia um “fiu fiu”. Quatro dias depois, “Bo” é sequestrado da casa dos tios por dois homens brancos. Não passou muito tempo e o cadáver do garoto é encontrado inchado, com marcas de torturas e uma bala na cabeça. Começa o inferno de Mamie, que viaja para Money a fim de resgatar o corpo do filho e levá-lo para ser enterrado em Chicago. Ela insiste que, durante o velório, o menino seja exposto em caixão aberto para que as pessoas, e principalmente os repórteres fotográficos, vejam e registrem o estado em que ficou o filho. O caso teve ampla repercussão na mídia, sensibilizando a opinião pública dos Estados Unidos. Por causa do testemunho de um jovem negro, a polícia de Money consegue prender os dois responsáveis pelo assassinato do menino. Mamie resolve comparecer ao julgamento, sendo obrigada a presenciar um clima totalmente favorável aos assassinos, incluindo testemunhos falsos e, pior, ver o júri de 12 homens brancos inocentarem os acusados. Depois de tudo o que aconteceu, Mamie se transformou numa importante ativista pelos direitos civis dos negros. A atriz Danielle Deadwiler dá um show de interpretação, merecedora não só de uma indicação, mas da premiação do Oscar 2023, mas foi esquecida injustamente, pela Academia. Mas houve quem reconhecesse o seu impressionante trabalho, como a Britsh Academy of Film and Television Arts, que lhe concedeu o prestigiado Prêmio Bafta de melhor atriz. Completam o elenco de “Till” uma irreconhecível Whoopi Goldberg como a avó do garoto morto (ela é uma das produtoras do filme), Haley Bennett, Sean Patrick Thomas, Jayme Lawson, Jaylin Webb, Frankie Faison e Sean Michel Weber. Não tenho dúvida em afirmar que “Till” é o melhor lançamento do ano da Prime Vídeo. IMPERDÍVEL - assim mesmo, com maiúsculas.   

 

 

 


domingo, 25 de junho de 2023

 

“O PACTO” (“THE COVENANT”), 2023, Estados Unidos, 2h03m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta inglês Guy Ritchie, que também assina o roteiro com a colaboração de Ivan Atkinson e Marn Davies. Filmaço de ação ambientado em 2018 no Afeganistão, três anos antes dos Estados Unidos retirarem suas tropas daquele país, no qual estiveram desde 2001. A história é centrada no sargento John Kinley (Jake Gyllenhaal), comandante de um batalhão encarregado de encontrar e destruir depósitos de explosivos do Talibã. O perigo rondava a cada missão, que às vezes resultava em emboscadas e mortes. Em uma delas, morreu o intérprete. Para as próximas missões, Kinley entrevistou e contratou um novo intérprete, Ahmed (o ator iraquiano Dar Salim). Numa das missões mais perigosas, Kinley é ferido gravemente e teria sido preso pelos talibãs não fosse a coragem de Ahmed, que o levou de volta à base distante cerca de 100 quilômetros, grande parte deles percorrido em uma maca de madeira levada com grande esforço pelo intérprete. O sargento é levado de volta aos Estados Unidos e Ahmed é obrigado a se esconder com sua esposa e filho, pois virou inimigo número 1 dos talibãs. Kinley se sentiu obrigado a retribuir o ato heroico de Ahmed, voltando ao Afeganistão para tentar resgatá-lo e levá-lo a salvo aos EUA. Completam o elenco Alexander Ludwig, Antony Starr, Jason Wong, Bobby Schofield, Emily Beecham e Swen Temmel. O filme é repleto de muito suspense e inúmeras ótimas cenas de ação, valorizando uma história incrível de coragem e solidariedade. Nos créditos finais, são mostradas várias fotos dos personagens reais, o que dá a entender que a história é verídica, embora os materiais de divulgação omitam esse fato. Trocando em miúdos, “O Pacto” é ótimo. Assista e confira.             

sábado, 24 de junho de 2023

 

“O FIM DA VERDADE” (“DAS ENDE DER WAHRHEIT”), 2019, Alemanha, 1h45m, em cartaz na Prime Video, roteiro e direção de Philipp Leinemann. Suspense cuja história envolve espionagem e terrorismo. Martin Behrens (Ronald Zehrfeld), especialista em Oriente Médio da agência de inteligência alemã BND consegue informações sobre o paradeiro de um terrorista islâmico cuja base está localizada no (país fictício) Zahiristão. Segundo Behrens, os terroristas planejam um atentado na Alemanha. Para evitá-lo, Behrens passa a informação à CIA, que, utilizando drones, invade o território do Zahiristão e mata o chefe terrorista. Integrantes do mesmo grupo prometem vingança e, durante um atentado em um restaurante de Munique, matam várias pessoas, incluindo a jornalista Aurice Köhler (Antje Traue), namorada de Behrens. Em meio a esses acontecimentos, Behrens resolve agir de forma isolada, quando descobre que a verdade não é exatamente aquela demonstrada pelos fatos, e sim o que uma surpreendente reviravolta revelará, ou seja, uma conspiração de alguns integrantes do próprio governo alemão. Também estão no elenco Alexander Fehling, Claudia Michel, Katharina Lorenz, Axel Prahl e Alipeza Bayram. Como a maioria dos filmes de espionagem, o roteiro, de início, não é de fácil compreensão, exigindo um pouco de esforço da nossa inteligência, mas aos poucos as peças do quebra-cabeça vão se encaixando. De qualquer forma, é um excelente filme no gênero, movimentado e repleto de suspense. Imperdível.