quinta-feira, 8 de junho de 2023

 

“A MÃE DO ANO” (“DZIÉN MATKI”), 2023, Polônia, 1h34m, produção original e distribuição Netflix, direção de Mateusz Rakowicz (“O Rei das Fugas”), que também assina o roteiro com Lukasz M. Maciejewski. A tradução para o português do título original é “Dia das Mães”, o que sugere um filme leve, com crianças brincando no parquinho, mulheres grávidas etc. Que nada! Trata-se de um filme de ação durante o qual predomina muita pancadaria e tiroteios. A mãe a que se refere o título é Nina Nowak (Agnieszka Grochowska, de “Crimes Ocultos”), uma ex-agente das forças especiais polonesas. Quando era da ativa, ela assassinou um chefão da máfia russa, um tal de Dusan Dragan. O filho dele, Igor (Dariusz Chojnacki), quer se vingar e vai atrás de Nina. Como passo inicial da vingança, ele sequestra o filho de Nina, o adolescente Maks (Adrian Delikta), que desde bebê vive com pais adotivos. O sequestro acontece exatamente no Dia das Mães, o que justifica o título original. O diretor Rakowicz ilustra a história com vários personagens excêntricos e caricatos, pequenas doses de humor à base de sátira e muita pancadaria, destacando ótimas cenas de luta estilosas e bem coreografadas. Nina, a heroína da história, parece ter sido tirada de uma revista de quadrinhos, assim como inúmeras cenas e os vilões da história. Trocando em miúdos, trata-se de um filme ideal para uma sessão da tarde com pipoca.     

quarta-feira, 7 de junho de 2023

 

“ESQUEMA DE RISCO – OPERAÇÃO FORTUNE” (“OPERATION FORTUNE – RUSE DE GUERRE”), 2023, coprodução Estados Unidos/Turquia, 1h54m, em cartaz na Amazon Prime Video, direção de Guy Ritche, que também assina o roteiro com a colaboração de Ivan Atkinson e Marn Davies. O elenco é de primeira. Só para citar alguns nomes: o brucutu do momento Jason Statham, Hugh Grant, Aubrey Plaza, Josh Hartnett, Carl Elwes e Eddie Marsan. O filme não é tão bom quanto o elenco, mas cumpre seu compromisso de divertir. E muito. Trata-se de um filme de ação com muito humor, repleto de sátira aos filmes de espionagem (James Bond, Missão Impossível etc.). A história começa com o roubo de uma maleta que contém um dispositivo capaz de criar uma nova forma de inteligência artificial capaz de dominar a economia de todos os países do mundo. O agente especial inglês Orson Fortune (Statham) é encarregado de investigar o caso. O principal suspeito é um bilionário traficante de armas, Greg Simmonds (Grant). A estratégia para chegar a Greg inclui o recrutamento do ator Danny Francesco (Hartnett), um astro de Hollywood, para participar da equipe. Isto porque o traficante é um grande fã de Francesco. Só que tem muita gente também disposta a roubar a maleta, como uma terroristas ucranianos, uma máfia turca e uma gangue chefiada por um ex-espião inglês. A confusão está formada. A ação corre solta até o desfecho, com muita pancadaria, tiroteios e perseguições. Tudo realizado com grande competência pelo diretor inglês Guy Ritche, que ficou conhecido depois de dirigir o ótimo “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, de 1998, e em seguida “Snatch: Porcos e Diamantes”, em 2000. Também contribuiu para a fama de Ritche o fato de ser casado, na época, com a diva do pop Madonna. “Esquema de Risco” é, portanto, um ótimo entretenimento, diversão pura. Ah, não desligue antes dos créditos finais, pois ainda é exibida uma cena que define com maestria o espírito de sátira que caracteriza o filme. IMPERDÍVEL!    

domingo, 4 de junho de 2023

 

“SEM CULPA” (“INDEMNITY”), 2022, África do Sul, 2h04m, em cartaz na Amazon Prime, roteiro e direção de Travis Taute. Ainda um pouco desconhecido por aqui, o cinema sul-africano já produziu ótimos filmes. Só para citar alguns: “Hotel Ruanda”, “Invictus” e “Distrito 9”. Sem falar, é claro, da diva Charlyze Theron, a melhor produção do país. Falado em inglês e africâner, duas das línguas oficiais da África do Sul, “Sem Culpa” é mais um bom filme de ação cuja história é centrada em Theo Abrams (Jarrid Geduld), um bombeiro afastado do trabalho depois de um episódio de transtorno de estresse pós-traumático grave, resultado de uma missão para combater um incêndio em uma favela da periferia da Cidade do Cabo. Enquanto isso, sua mulher, a jornalista investigativa Angela Abrams (Nicole Fortuim), trabalha numa reportagem que denunciará uma conspiração envolvendo autoridades governamentais e uma importante empresa fabricante de medicamentos. Um dia, Theo acorda e sua mulher está morta ao seu lado na cama. A polícia chega rápido à casa e prende Theo pelo misterioso assassinato. Ele terá que provar que é inocente, tarefa impossível enquanto estiver preso. Então ele consegue fugir e vai atrás dos responsáveis, o que resulta em inúmeras cenas de ação. Aliás, muito bem executadas. Também estão no elenco Gail Nkoane Mabalane, Susan Danford, André Jacobs e Hannes Van Wyk. Vale a pena conferir este ótimo filme de ação e suspense.    

quinta-feira, 1 de junho de 2023

 

“UM FILHO” (“THE SON”), 2022, coprodução Inglaterra/França, 2h03m, em cartaz na Amazon Prime, direção do dramaturgo e cineasta francês Florian Zeller, que também assina o roteiro com a colaboração de Christopher Hampton. Trata-se de mais uma adaptação de uma peça de teatro, “Les Fils”, escrita pelo próprio Florian Zeller, como já havia sido feita com “Meu Pai”, de 2020, que deu o Oscar de melhor ator para Anthony Hopkins. “Um Filho” é mais um drama sensível, centrado nas dificuldades de um pai em se comunicar com o problemático filho adolescente. Peter Miller (Hugh Jackman) é um importante executivo de uma empresa em Nova Iorque, divorciado de Kate (Laura Dern) e agora casado com Beth (Vanessa Kirby), com a qual tem um bebê de poucos meses. Com Kate, ele teve o filho Nicholas (Zen McGrath), um adolescente depressivo que acusa a separação dos pais como indutor de seus problemas psicológicos. Nicholas finge que vai ao colégio, costuma se automutilar e apresenta tendências suicidas. Baita problemão que Peter tenta resolver com muita conversa e tolerância, até que a situação fica tão grave que o garoto é internado em um hospital psiquiátrico. Lógico que tudo isso acaba afetando o relacionamento de Peter com a atual esposa, ainda mais que a ex-mulher tenta uma reaproximação. Tudo isso, junto e misturado, resulta em um drama familiar dos mais pesados e tocantes, devendo arrancar lágrimas dos espectadores mais sensíveis. Embora apareça com destaque nos materiais de divulgação, a presença de Anthony Hopkins não passa de uma ponta rápida como o pai de Peter. Claro, com a intenção evidente de relembrar “Meu Pai”. Trocando em miúdos, “Um Filho” é mais um ótimo drama à disposição no Amazon Prime. Ah, não esqueça de providenciar uma caixa de lenços de papel. Imperdível!

segunda-feira, 29 de maio de 2023

 

“TEMPESTADE” (“SURVIVE”), 2022, Estados Unidos, em cartaz na Amazon Prime Video, 1h48m, direção de Mark Pellington, seguindo roteiro assinado por Richard Abate e Jeremy Ungar. Embora nenhum crítico especializado tenha notado e muito menos o material de divulgação tenha informado, este drama de sobrevivência é uma cópia exata do filme “Depois Daquela Montanha”, de 2017, com Kate Winslet e Idris Alba. A semelhança também está na mediocridade, pois tanto aquele quanto este são muito fracos. “Tempestade” traz como dupla a problemática Jane (Sophie Turner, de “Game of Thrones”) e o bom rapaz Paul (Corey Hawkins), os dois únicos sobreviventes de um acidente aéreo ocorrido nas montanhas. Juntos, assim como a dupla de “Depois Daquela Montanha”, eles tentarão sobreviver a um frio congelante, sem água nem comida. Também estão no elenco Caroline Goodall, Dane Foxx, Lauren Marsden, Lewis Hayes, Makgotso M, Terence Maynard, Jo Stone-Fewings, Marta Kessler e Elliot Wooster. O filme é arrastado demais, tem momentos de puro tédio e pouca ação. Mas o pior mesmo é esconder que é uma cópia de outro filme, o que para mim configura propaganda enganosa. E o filme é mesmo muito fraco e nem a beleza da atriz inglesa Sophie Turner justifica uma recomendação. Passe em branco, como a neve dos cenários.   

 

                 

 

“SANGUE E OURO” (“BLOOD & GOLD”), 2023, Alemanha, em cartaz na Netflix desde o dia 26 de maio, 1h40m, direção de Peter Thorwarth (“A Onda”, “Céu Vermelho-Sangue”), seguindo roteiro assinado por Stefan Barth. Este é, sem dúvida, um dos lançamentos do ano mais interessantes. Trata-se de um drama com toques de comédia e sátira. A história é ambientada em 1945, quando a Alemanha estava prestes a perder a Segunda Guerra Mundial. Começa o filme com o soldado Heinrich (Robert Maaser) fugindo do seu batalhão, pois resolveu desertar. Quando foi preso e prestes a ser enforcado, ele é salvo por uma corajosa fazendeira Elza (Maria Hacke), que o leva para casa e cuida dos seus ferimentos. A perseguição a Heinrich prossegue pelo mesmo batalhão da SS comandado pelo sádico tenente Von Starfeld (Alexander Scheer), o melhor e mais engraçado da sátira. Toda a ação leva os personagens a um pequeno vilarejo onde estaria escondida uma grande quantidade de ouro pertencente a uma família de judeus. Habitantes do vilarejo e os nazistas começam uma guerra sanguinária pelo ouro, o que justifica o título do filme. Realmente, a matança fará jorrar muito sangue, principalmente perto do desfecho, quando toda a ação acontece no interior de uma igreja, bem ao estilo Tarantino. “Sangue e Ouro” é uma boa surpresa do cinema alemão, resultando num ótimo entretenimento. Não perca!         

sábado, 27 de maio de 2023

 

“UMA MÃE CONTRA UM PAÍS” (“MRS. CHATTERIEE VS NORWAY”), 2023, Índia, em cartaz na Netflix, 2h13m, direção da cineasta Ashima Chibber, que também assina o roteiro juntamente com Rahul Handa e Sameer Satija. Drama para fazer chorar os espectadores mais sensíveis, principalmente as mães. Baseada em fatos reais, a história é centrada em Debika Chatterjee (Rani Mukerji), uma imigrante indiana vivendo na Noruega com o marido Aniruddha Chatterjee (Anirban Bhattacharya) e dois filhos pequenos. Desde que chegaram ao novo país, a família era continuamente visitada por assistentes sociais que verificavam as condições em que eles viviam. Demonstrando uma acentuada xenofobia, as assistentes relatavam que a situação na casa dos Chatterjee não era condizente com os costumes locais, o que revela um grande choque cultural. Por exemplo, relatavam que eles comiam com a mão e o pai não ajudava a mulher em casa, além da desconfiança dele bater na esposa. Resumindo, o governo norueguês retirou a guarda dos filhos, doando-os a uma família norueguesa. A partir daí, Debika lutará com unhas e dentes, corpo e alma, pelos filhos, chegando até mesmo a sequestrá-los. O caso cresceu quando chegou às cortes norueguesas e, depois, aos tribunais indianos. O drama é recheado daquelas cantorias irritantes comuns aos filmes de Bollywood, mas, nesse caso, pelo menos as letras têm tudo a ver com a história. A luta dessa mãe guerreira emociona. Nos créditos finais, a verdadeira mãe – Sagarina Chakraborty – aparece em fotos juntamente com os filhos.          

quinta-feira, 25 de maio de 2023

  

“FIÉIS” (“FAITHFULLY YOURS”), 2022, Holanda, 1h36m, produção original e distribuição Netflix, direção de Andre Van Duren (“A Fúria”, “A Gangue de OSS”), que também assina o roteiro com a colaboração de Elisabeth Lodeizen e Paul Jan Nelilssen. Drama repleto de suspense e mistério, pistas falsas, personagens ambíguos, algumas pitadas de erotismo e muitas reviravoltas. Vamos à história: Bodil Backer (Bracha Van Doesburgh) e Isabel Uijten (Elise Schaap) são duas amigas de bem com a vida. Bem sucedidas, bonitas e aparentemente bem casadas, elas não dispensam a companhia uma da outra para viver aventuras, digamos, extraconjugais. Em alguns finais de semana, com a anuência dos respectivos maridos e sem os próprios, elas embarcam para a cidade belga de Oostende, onde Bodil possui uma casa de praia, herança de sua avó. Ao contrário do que faz parecer o título, elas partem para a diversão, o que inclui bastante ação debaixo dos lençóis. Num desses finais de semana, porém, acontece uma tragédia. Bodil volta de um banho de mar e encontra uma grande quantidade de sangue na cozinha. A polícia confirma: o sangue é da amiga Isabel. Mistério. Quem teria assassinado Isabel e por qual motivo?  A lista de suspeitos é grande, incluindo a própria Bodil. Várias reviravoltas acontecem até o desfecho, quando enfim o quebra-cabeças é montado e o mistério desvendado. Também estão no elenco Hannah Hoekstra, Nasrdin Dchar, Gijs Naber e Sofie Decleir. O filme foi exibido nos cinemas da Holanda em dezembro de 2022, com grande sucesso de bilheteria, e estreou na Netflix no dia 17 de maio de 2023. . Resumo da ópera, “Fiéis” é um filme bastante interessante, apresentando como trunfos o ótimo elenco e o roteiro repleto de surpresas.          

 

                 

 

                   

   

segunda-feira, 22 de maio de 2023

 

“A LUZ DO DEMÔNIO” (“PREY FOR THE DEVIL”), 2022, EUA, em cartaz na Amazon Prime, 1h33m, direção do cineasta alemão Daniel Stamm (“O Último Exorcismo”), seguindo roteiro assinado por Robert Zappia, Todd R. Jones e Earl Richey Jones. Depois de fazer sucesso de bilheteria nos cinemas dos Estados Unidos e daqui, chega à Amazon Prime este filme de terror bastante elogiado pela crítica. Sem dúvida, no gênero, é um dos melhores filmes já lançados nos últimos anos. A história é centrada na freira Ann (Jacqueline Byers, ótima), que trabalha em um hospital psiquiátrico mantido pela Igreja Católica. Devido ao seu passado traumático, quando era abusada com violência pela mãe, Ann também se interessa pela prática do exorcismo. Dessa forma, ela decide se inscrever em uma escola de exorcismo destinada para padres. De início, ela não consegue o ingresso, já que a Igreja Católica não permite mulheres como exorcistas. Porém, com o aval do padre Quinn (Colin Salmon) e do cardeal Matthews (Ben Cross), ela consegue se inscrever. Sua primeira experiência prática acontece quando é escalada para o exorcismo de Natalie (Posy Taylor), uma menina possuída pelo demônio. O exorcismo é aparentemente bem sucedido, mas o demônio tem muitas caras e consegue enganar quem chega perto de Natalie. Algumas reviravoltas surpreendentes acontecem na história, culminando em um desfecho dos mais assustadores. Destaco ainda a presença da veterana e ainda bonita atriz Virginia Madsen como a psiquiatra-chefe do hospital psiquiátrico. Outro destaque, mas de forma triste, foi a morte do ator Ben Cross, de “Carruagens de Fogo” (1981), pouco depois do fim das filmagens. Trocando em miúdos, “A Luz do Demônio” apresenta uma história interessante e que não ofende nossa inteligência, além de garantir muitos sustos, um clichê bastante positivo do gênero terror. Não perca!            

domingo, 21 de maio de 2023

 

“UM FASCINANTE NOVO MUNDO” (“THE WORLD TO COME”), 2021, Estados Unidos, 1h45m, em cartaz na Amazon Prime, direção da cineasta norueguesa Mona Fastvold, seguindo roteiro assinado por Ron Hansen e Jim Shepard, este último autor do romance homônimo escrito em 2017, no qual é baseada toda a história. Estamos em 1856 na zona rural do estado de Nova York. Numa fazenda mora o casal Abigail (Katherine Waterston) e seu marido Dyer (Casey Affleck, irmão do Ben). Na fazenda vizinha moram Tallie (Vanessa Kirby) e seu marido Finney (Christopher Abbott). Toda a história é narrada em off por Abigail ao mesmo tempo em que escreve o seu diário pessoal. Ela relata uma vida infeliz e melancólica, o relacionamento frio com o marido e a tristeza que tomou conta do casal depois da morte da filha. Em um dos trechos do diário, Abigail escreve: “Com pouco orgulho e menos esperança começamos o ano novo”. Mais depressivo impossível. Uma luz surge no final do túnel quando Abigail começa uma amizade com Tallie, sua vizinha de fazenda. Tallie também não vive um bom momento em seu casamento, principalmente pelo fato de não conseguir engravidar. Com o estreitamento da amizade e as confidências mútuas, Abigail e Tallie acabam se apaixonando, culminando em um romance lésbico dos mais arriscados. Um dos aspectos que mais me incomodou foi a série de diálogos utilizando um vocabulário dos mais sofisticados, o que seria impossível tratando-se de camponeses pobres e sem nenhuma cultura. O filme é lento, beirando o tédio, mas o excelente trabalho das duas atrizes valoriza a carga dramática que a história carrega em seu conteúdo. Vanessa Kirby e Katherine Waterston comprovam que são duas das melhores atrizes do cinema na atualidade. No geral, porém, o filme não embala e, portanto, não merece uma indicação entusiasmada.             

quinta-feira, 18 de maio de 2023

 

“ENFERMEIRA” (“SYGEPLEJERSKEN”), 2023, Dinamarca, minissérie em 4 episódios, produção original e distribuição Netflix, direção de Kasper Barfoed, que também assina o roteiro com a colaboração de Dorte W. Høgh. A história é baseada em fatos reais relatados no livro “The Nurse: The True Story Behind One of Scandinavia’s Most Notorious Criminal Trials”, do jornalista dinamarquês Kristian Corfixen. O filme destaca os crimes praticados em 2015 pela enfermeira Christina Aistrup Hansen (Josephine Park) em um hospital da pequena cidade de Nykøbing Falster, sul da Dinamarca. Suas práticas criminosas eram baseadas na aplicação de doses letais de morfina e Diazepam em pacientes. Ela foi denunciada pela enfermeira novata Pernille Kurzmann Larsen (Fanny Louise Bernth). Em 2016, Christina foi presa, julgada e condenada a 12 anos de prisão por 4 acusações de tentativa de homicídio – ela também era suspeita de ter assassinado vários pacientes nos três anos anteriores, mas nada ficou provado. Com algumas doses de suspense, a minissérie se desenrola de forma a convencer o espectador a ficar assistindo até o final, quando se revelaria como a assassina seria desmascarada. Fora a história em si, e com exceção de alguns bons desempenhos da dupla central de atrizes, nada de importante a se destacar na minissérie.        

 

terça-feira, 16 de maio de 2023

 


“AIR – A HISTÓRIA POR TRÁS DO LOGO” (“AIR”), 2023, Estados Unidos, 1h50m, em cartaz na Amazon Prime, direção de Ben Affleck, seguindo roteiro assinado por Alex Convery. Baseado em fatos reais, o filme revela os bastidores das negociações que culminaram numa das mais bem sucedidas jogadas do marketing esportivo, ou seja, o contrato entre a Nike e o jogador Michael Jordan, em 1984. Tudo isso foi feito para concretizar o lançamento do tênis que ficou conhecido como “Air Jordan”, um dos maiores sucessos de vendas da Nike nos anos seguintes. O personagem central é Sonny Vaccaro (Matt Damon), olheiro da divisão de basquete da Nike e responsável por descobrir novos talentos nas quadras para depois servirem como garotos de propaganda da empresa, utilizando seus produtos. Vaccaro apostou todas as fichas naquele garoto de 18 anos que em 1984 era apenas uma promessa. Ele conseguiu convencer o CEO Phil Knight (Ben Affleck) e o diretor de marketing Rob Strasser (Jason Bateman) a investir no jovem atleta, enquanto as concorrentes Adidas e Converse tentavam o mesmo. Como estratégia, Vaccaro agiu com ousadia, indo procurar os pais de Michael, passando por cima do agente David Falk (Chris Messina). Vaccaro negociou diretamente com Deloris Jordan (Viola Davis) e James R. Jordan (Julius Tennon). Tudo no filme funciona às mil maravilhas, desde o primoroso roteiro, a direção ágil e segura de Affleck, o ótimo elenco, até a saborosa trilha sonora (Bruce Springsteen, Dire Straits, The Clash, The Alan Parsons Project, só para citar alguns nomes). Méritos especiais a Ben Affleck, que se consagra definitivamente como um dos cineastas mais competentes da nova geração, qualidade que já havia demonstrado em filmes como "Argo" e "Medo da Verdade". Mas o grande trunfo é realmente a história em si, apresentando uma das maiores jogadas de marketing já realizadas até hoje no mercado esportivo. Arrisco afirmar que “Air” deverá ser indicado ao Oscar 2024 em várias categorias. Imperdível!        

sábado, 13 de maio de 2023

 

“A MÃE” (“THE MOTHER”), 2023, Estados Unidos, 1h55m, produção original e distribuição Netflix, direção da neozelandesa Niki Caro (“O Zoológico de Varsóvia”, “Encantadora de Baleias”), seguindo roteiro assinado por Misha Green, Andrea Berloff e Peter Craig. Não sei se foi essa a intenção, mas o filme foi lançado em 12 de maio, antevéspera do Dia das Mães. Intencional ou não, ficou com cara de homenagem, o que por si só é um fato bastante positivo. Trata-se de um filme de ação, com a diva Jennifer Lopez interpretando a tal mãe do título (seu personagem não tem nome). Ex-atiradora de elite (sniper) do exército, ela se consagrou em missões no Afeganistão. Ao abandonar o exército, ela se envolveu com dois ex-colegas de farda, Hector Alvarez (Gael Garcia Bernal) e Adrian Lovell (Joseph Fiennes), no contrabando de armas. Ela era uma assassina de aluguel que matava a mando dos dois parceiros, um dos quais a engravidaria. Depois de um tempo, ao descobrir que Alvarez e Adrian também faziam contrabando de pessoas, ela resolve fazer uma delação entregando os parceiros para o FBI e é colocada no programa de proteção a testemunhas, indo morar no Alasca. A história dá um salto de 12 anos, quando ela é informada de que a filha Zoe (Lucy Paez) havia sido sequestrada. Daí para a frente, a mãe enfurecida parte para a briga, sabendo que os responsáveis são seus dois ex-parceiros. As cenas de ação são muito bem feitas e Jennifer Lopez mostra que, aos 54 anos, ainda está em grande forma física. E continua bonita. Trocando em miúdos, “A Mãe” é um ótimo programa para uma sessão da tarde com pipoca.       

sexta-feira, 12 de maio de 2023

 

“QUERIDA ALICE” (“ALICE, DARLING”), 2022, coprodução Canadá/EUA, em cartaz na Amazon Prime Video, 1h28m, direção da cineasta inglesa Mary Nighy (filha do ator Bill Nighy e da atriz Diana Quick), seguindo roteiro assinado por Alanna Francis e Mark Van De Ven. Quando inaugurei meu blog, há cerca de 12 anos, prometi comentar e indicar os melhores filmes e, ao mesmo tempo, alertar sobre filmes medíocres, dispensando os fãs de cinema de assistirem a verdadeiros abacaxis. Desta vez, meu veneno vai para este drama insosso à beira do patético. Três amigas de infância, agora adultas na faixa dos quarenta, mal amadas e mal resolvidas, resolvem passar alguns dias na casa de campo de uma delas, Sophie (Wunmi Mosaku). As outras duas são Alice (Anna Kendrick) e Tess (Kaniehtiio Horn). As conversas, recheadas de papo furado e de diálogos com a profundidade de uma poça d’água, giram em torno da antiga amizade e, principalmente, da situação amorosa de Alice, que se relaciona há tempos com Simon (Charlie Carrick) e que não está nada feliz. Mesmo com a presença da raquítica e feiosa Anna Kendrick, que já teve alguns bons momentos como atriz (em 2010 chegou a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Amor Sem Escalas”, quando contracenou com George Clooney e Vera Farmiga), “Querida Alice” não oferece um atrativo sequer atrativo que faça merecer uma indicação. Pelo contrário, merece a condição de um dos piores lançamentos do ano, chato ao extremo, entediante e irritante. Fuja a galope!!!  

 

quinta-feira, 11 de maio de 2023

 

“22 MILHAS” (“MILE 22”), 2018, Estados Unidos, 1h38m, em cartaz na Amazon Prime, direção de Peter Berg e roteiro assinado por Graham Roland e Lea Carpenter. Embora tenha sido produzido há cerca de 5 anos, somente agora é lançado pela Amazon Prime. Trata-se de um filme de ação que marca mais uma parceria entre o ator Mark Wahlberg e o cineasta Peter Berg, que já haviam trabalhado juntos em “Horizonte Profundo – Desastre no Golfo”, “O Dia do Atentado” e “O Grande Herói”, este último um excelente filme de ação. Em “22 Milhas”, Wahlberg é James Silva, um oficial da Divisão de Atividades Especiais, uma força-tarefa de elite ultrassecreta que sai pelo mundo afora se envolvendo em crises internacionais depois que a diplomacia não funcionou. Ou seja, soldados fantasmas. O cenário é algum país fictício da Indonésia, onde foi verificado o roubo de uma grande quantidade de césio, que seria destinada a algum grupo terrorista. Li Noor (Iko Uwais), um policial local, se entrega à embaixada norte-americana dizendo saber onde está a carga de césio, mas, em troca, pede exílio nos Estados Unidos. James Silva e sua equipe ficam encarregados de tirar Li Noor do país e levá-lo a um aeroporto localizado a 22 milhas da embaixada, ou seja, a 35 quilômetros. Só que muita gente quer a cabeça de Li Noor, o que garante muita ação até o desfecho. Também estão no elenco a bela Lauren Cohan, o intragável John Malkovich e Ronda Rousex, esta última lutadora profissional de MMA. O roteiro é um tanto complicado, principalmente com relação à participação de uma unidade russa, mas as cenas de ação são espetaculares. O ritmo é alucinante, o que garante um ótimo entretenimento, embora a câmera nervosa e trepidante possa incomodar os espectadores menos histéricos. Resumindo, um filme com ação frenética e com pouco conteúdo. Para os fãs do gênero, um tiro certo. Ah, a cena final dá a ideia de que haveria uma sequência, o que não aconteceu até agora.           

segunda-feira, 8 de maio de 2023

 

“MEU PAI” (“THE FATHER”), 2020, Inglaterra, 1h38m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta francês Florian Zeller (sua estreia em longas), que também assina o roteiro juntamente com Christopher Hampton. Esse drama inglês teve o roteiro adaptado da peça teatral “Le Père”, escrita pelo próprio diretor francês e que ganhou o Prêmio Molière em 2014. O filme foi indicado em seis categorias para o Oscar 2021, vencendo duas delas: o de Melhor Ator para Anthony Hopkins e de Melhor Roteiro Adaptado. Premiações à parte, ambas muito justas, “Meu Pai” é todo centrado em Anthony (Hopkins), um engenheiro aposentado que sofre de Alzheimer em estágio avançado. Em quase sua totalidade, o filme destaca o relacionamento de Anthony com a filha Anne (Olivia Colman, indicada para Melhor Atriz Coadjuvante), suas alucinações, perdas de memória e confusão mental. A surpreendente revelação no desfecho explica todas as situações vividas por Anthony durante a história, numa cena bastante sensível e emocionante, durante a qual Hopkins mostra porque é um dos maiores atores da atualidade. Uma atuação primorosa. Além dele e de Olivia Colman, também estão no elenco Imogen Poots, Olivia Williams, Rufus Sewell, Mark Gatiss, Evie Wray, Ayesha Dharker, Roman Zeller, Ray Burnet, Mark Williams e David Hunt. Assistir “Meu Pai” pode significar uma experiência bastante dolorosa, principalmente para quem tem um ente querido na mesma situação. Mas é um filme muito especial, poderoso e ao mesmo tempo sensível. Imperdível!               

quinta-feira, 4 de maio de 2023

 

“ENCURRALADOS” (“BOGA BOGA”), 2023, Turquia, 1h52m, em cartaz na Netflix, direção de Onur Saylak, seguindo roteiro assinado por Rakan Günday. Esse suspense turco não é fácil de digerir, mas tem muitas qualidades. O empresário Yalin (Kivanç Taglitug) e a esposa Beyza (Funda Eryigit) buscam uma nova vida no vilarejo de Assos, costa do Mar Egeu. Depois de se envolver em um esquema de pirâmide financeira que virou um escândalo, Yalin faz uma delação premiada e é solto. Ao chegar ao pequeno vilarejo, Yalin não é bem recebido por grande parte dos moradores, talvez vítimas da pilantragem de Yalin – o roteiro não explica direito a causa da revolta. De qualquer forma, Yalin acaba se envolvendo em uma série de crimes e se vê encurralado entre a polícia, seus algozes e até por sua esposa, ficando à beira de um ataque de nervos. O roteiro não esconde a intenção da história em denunciar a corrupção vigente, pela qual o dinheiro compra tudo e o crime compensa. A cena final é de um simbolismo inteligente e de fácil entendimento, valorizando ainda mais este bom filme turco. Recomendo.                   

segunda-feira, 1 de maio de 2023

 

“AGENTE INFILTRADO” (“AKA”), 2023, França, 2h01m, direção de Morgan S. Dalibert, que também assina o roteiro com a colaboração de Alban Lenoir – também o ator principal. Lançado em 28 de abril de 2023 pela Netflix, este é mais um ótimo filme de ação do cinema francês. Depois de um violento atentado à bomba em Paris, o serviço secreto francês descobre a identidade do terrorista responsável, o sudanês Moktar (Kevin Layne). As autoridades descobrem também que Moktar tem uma forte ligação com a gangue de mafiosos chefiada por Victor Pastore (Eric Cantona, ex-jogador de futebol que se tornou ator). Com o objetivo de prender o terrorista e evitar novos atentados, o serviço secreto recruta o agente Adam Franco (Alban Lenoir), conhecido por trabalhar em situações de risco extremo – no início do filme, Adam aparece em uma dessas situações, durante missão na Líbia. Para chegar ao terrorista, a estratégia planejada prevê a infiltração de Adam na gangue mafiosa. Dentro da organização criminosa, ele começa a ser respeitado não só pelos seus colegas, como também pelo chefão Victor Pastore. Apesar do seu jeitão de poucas palavras, Adam acaba ficando amigo do filho de Pastore, um garoto de oito anos e se apegando a ele, principalmente por causa da falta de atenção dos pais. Entre tiros, muita pancadaria e sangue jorrando, Adam enfrenta inúmeras situações de perigo até o desfecho. “Agente Infiltrado” tem uma boa história e cenas de ação muito bem elaboradas. Alban Lenoir é mais um ator cujos personagens não levam desaforo pra casa e é bom de briga, bem na linha de Steven Seagal, Jason Statham ou Jean-Claude Van Damme. Com uma diferença evidente: Lenoir é muito feio. Lenoir já trabalhou com o diretor Dalibert em outros filmes, como os ótimos “Bala Perdida 1 e 2”. Enfim, “Agente Infiltrado” é mais um excelente filme de ação do cinema francês. Do mesmo gênero, recomendo também “Um Dia Difícil” e “Bac Nord”.                   

sábado, 29 de abril de 2023

 

“ROUBO PELOS ARES” (“CHOR NIKAL KE BHAGA”), 2023, Índia, produção original e distribuição exclusiva da Netflix, 1h40m, direção de Ajay Singh, seguindo roteiro escrito por Shiraz Ahmed, Raj Jumar e Amar Kaushik. Trata-se de um suspense com muita ação, cuja história é centrada na comissária de voo Neha Grover (Yami Gautam) e no seu namorado Ankit Sethi (Sunny Kaushal). O início do filme é dedicado ao insistente assédio de Ankit sobre a bela Neha. Os dois acabam se apaixonando e ela fica grávida. Tudo vai bem até que Ankit, funcionário de uma empresa de seguros, assume uma dívida milionária e se vê obrigado a inventar alternativas para pagar o que deve. Com o auxílio de sua namorada, eles planejam roubar um estojo com diamantes que seria levado em um avião cuja tripulação inclui Neha e, como passageiro, o próprio Ankit. Só que, não mais do que repente, o avião é sequestrado por um grupo terrorista, impossibilitando o roubo dos diamantes. Além das boas cenas de ação, recheadas de suspense, o filme conta com um trunfo bastante especial: as surpreendentes reviravoltas da história perto do desfecho, a cereja do bolo de um roteiro inteligente, criativo e que mantém a atenção do espectador até o final. Trocando em miúdos, “Roubo pelos Ares” comprova que Bollywood aprendeu a fazer filmes de ação com muita competência. Não perca!                 

 

                 

quarta-feira, 26 de abril de 2023

 

“INIMIGA PERFEITA” (“PERFECT ENEMY”), 2021, em cartaz na Netflix, coprodução Espanha/Alemanha/França, 1h28m, direção do cineasta espanhol Kike Maíllo, seguindo roteiro assinado por Cristina Clemente e Fernando Navarro, que adaptaram a história do romance “The Enemy’s Cosmetique”, da escritora belga Amélie Nothomb.  Trata-se de um suspense enigmático e repleto de reviravoltas. Você assiste e pensa que vê o que acontece, mas na verdade a realidade é outra. Claro que não vou abrir os segredos reservados para o desfecho. Só vou comentar o que vi na telinha. Ou o que penso que vi. O arquiteto Jeremiasz August (Tomasz Kot) está em Paris para dar uma palestra. No caminho do aeroporto, onde tem voo marcado para a Polônia, ele é surpreendido por uma jovem que lhe pede uma carona. Destino: o mesmo aeroporto. Aqui, o arquiteto e a moça, que se intitula Texel Textor (Athena Strates), embarcam em um jogo psicológico pra lá de esquisito, ela contando histórias que, coincidentemente, têm a ver com a vida do arquiteto. Ele só ouvindo. O foco é a morte misteriosa da esposa de Jeremiasz, a bela Isabelle (Marta Nieto), alguns anos atrás. Isabelle estava grávida, o que causou uma confusão mental no arquiteto, algo como um forte sentimento de culpa. Mais não dá para comentar. Resumindo, “Inimiga Perfeita”, mais do que bom ou ruim, mostra-se apenas interessante. Depende da leitura que o telespectador faça, do seu entendimento diante do que está vendo. De qualquer forma, sinta-se à vontade para arriscar.                     

 

                 

segunda-feira, 24 de abril de 2023

 

“DEIXE-O PARTIR” (“LET HIM GO”), 2020, Estados Unidos, 1h53m, direção de Thomas Bezucha (“Tudo em Família”), que também assina o roteiro adaptado do romance homônimo escrito por Larry Watson. O casal Margaret (Diane Lane) e George Blackledge (Kevin Costner) vive em um rancho na zona rural de Montana. Ele, um ex-xerife aposentado, ela uma ex-domadora de cavalos. Eles moram bem perto da casa do filho James (Ryan Bruce), casado com Lorna (Kayli Carter). Margaret e George são grudados no netinho Jimmy e toda hora vão visitá-lo. A vida transcorre normalmente e em paz até que James morre em um acidente. Três anos depois, Lorna casa com Donnie Weboy (Will Brittain), um sujeito caladão e esquisito, que mais tarde demonstrará sua verdadeira personalidade, quando Margaret o surpreende batendo no netinho e em Lorna. Margaret conta para o marido o que testemunhou e no dia seguinte os dois vão tirar satisfações com Donnie, mas só que ele, Lorna e o menino saíram de fininho e foram embora. Pergunta daqui, pergunta dali, George e Margarete descobrem que a família de Donnie mora no interior da Dakota do Norte. Sem qualquer outra indicação, os avós de Jimmy pegam estrada e saem em busca dos três. Mal sabem eles que terão de enfrentar uma família de psicopatas, chefiados pela inescrupulosa Blanche Weboy (Lesley Manville). Mesmo diante desse quadro desanimador, os avós tentarão de todas maneiras resgatar o neto e a mãe. Embora seja Kevin Costner o astro principal, é Diane Lane que brilha com um desempenho nada menos do que espetacular. Outra que dá show é a também veterana atriz inglesa Lesley Manville. Ainda merecem destaque os cenários naturais filmados durante a viagem de Margaret e George. Trocando em miúdos, “Deixe-o Partir” é um bom drama, recheado de suspense, que merece ser visto. Recomendo.                 

sábado, 22 de abril de 2023

 

“FOME DE SUCESSO” (“HUNGER”), 2023, Tailândia, em cartaz na Netflix, 2h25m, direção de Sitisiri Mongkolsiri, seguindo roteiro assinado por Kongdej Jaturanrasamee. Tão entusiasmado fiquei que, logo no início do meu comentário, fiz questão de afirmar que este drama tailandês é, por enquanto, o melhor lançamento do ano da Netflix. O pano de fundo é a desigualdade social na Tailândia. A história é toda centrada na trajetória da jovem Aoy (Chutimon Chuengcharoensukying), uma cozinheira do restaurante simples de sua família na periferia da capital Bangkok. Os clientes adoram sua especialidade, o Pad See Ews (tipo de macarrão frito). Um deles a recomenda para fazer um teste na equipe do famoso chef Paul (Nopachai Chaiyanam), que comanda a cozinha do buffet “Hunger”, cujos clientes são, em sua maioria, empresários milionários, altas autoridades do governo e celebridades do mundo artístico. Aoy passa no teste e logo nos primeiros dias de trabalho percebe que o chef Paul é um profissional arrogante, opressor e autoritário, que comanda sua equipe na base do terror psicológico e de xingamentos. Depois de um banquete servido a uma autoridade do governo no meio da floresta, quando uma ave silvestre é abatida para o almoço, Aoy se revolta e pede demissão. Logo aparece um empresário que a convida para comandar a cozinha de um novo restaurante, o “Flame”. O sucesso de Aoy como chef acaba incitando o antigo patrão Paul a iniciar uma guerra de concorrentes. A “batalha” final ocorre durante uma festa oferecida por uma celebridade do mundo artístico, para o qual são contratados os restaurantes concorrentes, de um lado a equipe de Aoy e de outro a de Paul. As cenas dessa disputa são as melhores do filme. “Fome de Sucesso” não é apenas um drama baseado na culinária, mas um suspense da melhor qualidade. A fotografia é espetacular e o roteiro muito bem elaborado, que mantém ótimo ritmo até o final. Não poderia deixar de destacar o desempenho da atriz e ex-modelo tailandesa Chutimon Cuengcharoensukying (olha o tamanho do sobrenome!) e também do ator Nopachai Chaiyanam. Um filmaço, mais uma pérola do excelente cinema asiático. Não perca!