sábado, 15 de outubro de 2022

 

“O TELEFONE DO SR. HARRIGAN” (“MR. HARRIGAN’S PHONE”), 2022, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de John Lee Hancock. A história desse suspense, com pitadas de sobrenatural, é baseada em um conto do escritor Stephen King incluído na antologia “If It Bleeds”. John Harrigan (Donald Sutherland), um milionário recluso e solitário, contrata o jovem Craig (Colin O’Brien), de 9 anos, para ler livros em voz alta três vezes por semana, já que o velho tem uma certa deficiência visual. Ao longo dos anos, a amizade entre Craig e o idoso torna-se cada vez mais forte. Nos intervalos das leituras, Harrigan sempre conversa com o garoto e lhe dá conselhos. Agora vemos Craig (Jaeden Martell) aos 15 anos e ainda muito feliz com a convivência com Harrigan. O filme destaca algumas frases escritas nos livros, identificando os autores, o que dá um tom de erudição nos encontros. O filme torna-se ainda mais interessante quando Craig dá de presente a Harrigan um iPhone, ensinando-o a manuseá-lo. Embora goste da novidade, Harrigan transmite a Craig sua preocupação quanto aos malefícios do aparelho, um ponto de vista muito interessante que dá margem a muita reflexão. Para resumir, o milionário morre de repente e Craig coloca o celular no caixão. Paro por aqui para não estragar as surpresas. O que posso dizer é que o filme realmente é bastante interessante e mesmo o ritmo lento não prejudica o resultado final. E ainda temos, como trunfo, o veterano ator canadense Donald Sutherland em mais uma ótima performance. Completam o elenco Kirby Howell Baptiste, Cyrus Arnald, John Tippett e Alexa Niztak. Ótimo entretenimento. Recomendo.            

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

 


“O ÚLTIMO VERMEER” (“THE LAST VERMEER”), 2021, Estados Unidos, em cartaz na plataforma Amazon Prime Video, 1h58m, direção de Dan Friedkin (é o seu longa de estreia), seguindo roteiro assinado por Hawk Ostby, James McGee, John Orloff e Mark Fergus. A história é baseada em fatos reais, descritos no livro “The Man Who Made Vermeers”, escrito em 2008 pelo escritor e historiador de arte norte-americano Jonathan Lopez. Antes de iniciar o comentário propriamente dito, lembro que o filme destaca o pintor holandês Johannes Vermeer (1632-1675). O filme começa logo após o final da Segunda Guerra Mundial, quando as forças aliadas resgatam na Alemanha o quadro “Cristo e a Mulher Adúltera”, que havia sido comprado pelo líder nazista Hermann Göring acreditando ser um genuíno Vermeer. Enquanto isso, o capitão Joseph Piller (Claes Bang), judeu e membro da resistência holandesa, agora oficial dos aliados, coordenava as investigações sobre pessoas acusadas de colaborar com os nazistas por ocasião da ocupação do país. Um dos suspeitos de colaboração era o renomado pintor holandês Han Van Meegeren (Guy Pearce), justamente aquele que vendeu o quadro de Vermeer para Göring. Preso e prestes a ir a julgamento, descobriu-se que a tela vendida por Meegeren era falsa. O filme repassa os acontecimentos e a tentativa de Meegeren de não ser condenado, até perto do desfecho, quando a descoberta de um livro provoca uma grande reviravolta. Completam o elenco Vicky Krieps, August Diehl, Roland Moller e Olivia Grant. “O Último Vermeer” vale ser visto não só pela história em si, mas também pelo ótimo elenco e pela primorosa recriação de época. Ótimo lançamento da Amazon Prime Video.           

 

terça-feira, 11 de outubro de 2022

 

“UMA GAROTA DE MUITA SORTE” (“LUCKIEST GIRL ALIVE”), 2022, Estados Unidos, 1h55m, lançamento da Netflix (7/10/2022), direção do cineasta inglês Mike Barke. O roteiro é assinado por Jessica Knoll, autora do livro homônimo de 2015. A história é baseada na experiência traumática vivida por Jessica na adolescência. A figura central do filme é a jornalista Ani Fanelli (Mila Kunis), talentosa editora de uma revista feminina de glamour. Fanelli sempre escondeu seu passado trágico, pois foi vítima de estupro coletivo e testemunha de um atentado a tiros praticado por um colega de classe – não ficou claro que esse último caso aconteceu na realidade, mas o estupro sim. Fica evidente, porém, que Ani continua traumatizada pelos fatos ocorridos na adolescência, a ponto de prejudicar seu relacionamento com o noivo Luker Harrison (Finn Wittrock). Uma das cenas mais poderosas do filme aconteceu quase no desfecho, quando a jornalista é obrigada a se confrontar com um de seus estupradores. A atriz Mila Kunis, 38 anos, já comprovou sua competência em outros filmes, entre os quais “Cisne Negro”, talvez o mais conhecido. Mila nasceu na Ucrânia, filha de uma família judia, e chegou aos Estados Unidos em 1991. Três anos depois estreava como atriz na série “Days of Our Lives”. Hoje ela é, sem dúvida, uma das atrizes de maior sucesso em Hollywood. Outro destaque do elenco é a presença de Jennifer Beals, que ficou famosa depois do clássico “Flashdance: Em Ritmo de Embalo”, de 1983. Jennifer, hoje aos 58 anos, parece que não envelheceu. Continua bonita e em grande forma. Também estão no elenco Chiara Aurelia, Justine Lupe, Connie Britton, Alexandra Beaton, Scoot McNairy, Thomas Barbusca, Carson MacCormac, Iaac Kragten, Dalmar Auzeid e Alana Pancyr. Trocando em miúdos, “Uma Garota de Muita Sorte” é um drama que merece ser visto, embora contenha uma história indigesta e impactante. O roteiro é bem elaborado e o elenco é de primeira. Imperdível!           

sábado, 8 de outubro de 2022

 

“CONSPIRAÇÃO EXPLOSIVA (“GASOLINE ALLEY”), 2022, Estados Unidos, 1h40m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, roteiro e direção de Edward Drake. Ambientado em Los Angeles, trata-se de um filme policial centrado nas investigações do assassinato de quatro jovens candidatas a atriz, que nas horas vagas trabalhavam como prostitutas em bares pouco recomendados. Jimmy Jayne (Devon Sawa), um ex-presidiário e agora proprietário de um estúdio de tatuagem, surge como principal suspeito, já que foi visto conversando no balcão de um bar com uma das vítimas, conhecida como Star (Irina Antonenko). Os detetives Bill Freeman (Bruce Willis) e Freddy Vargas (Luke Wilson) tentam incriminar Jimmy de todas as maneiras, mas não conseguem provas. Pelo contrário, Jimmy ajuda a polícia a desvendar o mistério das mortes. Também estão no elenco Kat Foster, Sufe Malika Bradshaw, Vernon Davis, Billy Jack Harlow e Rick Salomon. Este foi um dos últimos filmes do astro Bruce Willis antes de anunciar sua aposentadoria depois de diagnosticado com afasia. O cineasta australiano Edward Drake dirigiu quatro filmes seguidos com Willis, “Invasão Cósmica”, “Apex”, “Emboscada” e agora “Conspiração Explosiva”, todos muito fracos, incluindo este último. Aliás, Willis, em todos esses filmes, foi colocado, nos materiais de divulgação, como um dos protagonistas principais, quando na verdade pouco aparece. Enfim, “Conspiração Explosiva” é mais um filme que não faz jus à carreira de Willis.            

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

 

“QUEEN E SLIM: OS PERSEGUIDOS” (“QUEEN & SLIM”), 2019, coprodução Estados Unidos/Canadá, 2h12m, direção de Melina Matsoukas, seguindo roteiro escrito por James Frey e Lena Waithe. Por causa da pandemia de Covid-19, o filme não foi exibido em nossos cinemas. Graças à Netflix, porém, chega até nós este ótimo drama premiado em vários festivais. É a história de Queen (a atriz britânica Jodie Turner-Smith) e de Slim (Daniel Kaluuya, de “Corra!”), dois afrodescendentes que se conhecem através do site de relacionamentos Tinder e marcam um encontro em uma lanchonete. Um casal pouco provável, pois ela é uma advogada bem sucedida e ele um “Zé-ninguém”. Depois do encontro, ele a leva para casa no seu carro, mas no caminho são parados por um policial (branco, é claro). Não há uma razão muito forte para a abordagem, então Queen se revolta com a atitude do policial, que dá um tiro em sua perna. Slim toma a arma do policial e atira nele, matando-o. Daí para a frente, o casal se empenha em uma fuga que se transforma em um verdadeiro road movie. A notícia se espalha através da mídia e lá se vai o casal por Ohio, Kentucky, Nova Orleans e Flórida. Nesta última parada, Queen e Slim pretendem pegar um avião ou um barco e fugir para Cuba. Ótima estreia na direção de Melina Matsoukas, mais conhecida como diretora de videoclipes musicais. O pano de fundo da história é o racismo, com uma conotação muito clara em favor do black power, o que nos remete aos filmes do diretor Spike Lee. Completam o elenco Bokeem Woodbine, Chloë Sevigny, Indya Moore, Benito Martinez e Jahi Di’Allo Winston. Entre os vários prêmios que recebeu, “Queen e Slim” foi eleito o melhor filme do BET AWARDS, que homenageia astros e atletas negros na música, esporte e cultura. O filme também alcançou 82% de aprovação em 214 avaliações realizadas para o site Rotten Tomatoes, que o considerou “Elegante, provocativo e poderoso, uma emocionante história fugitiva mergulhada em subtexto oportuno e pensativo”. Muitos críticos foram de opinião que o filme foi injustamente esnobado pela Academia no Oscar 2020. Eu não chegaria a tanto, mas concordo que é um filme bastante interessante, apresentando uma estética arrebatadora e original.              

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

 

“ASSALTO AO PODER” (“MARAUDERS”), coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h37m, direção de Steven C. Miller, seguindo roteiro assinado por Chris Sivertson e Michael Cody. O filme é de 2017, mas só chegou agora até nós por intermédio da Netflix. O título em português ficou muito longe do que quis dizer o título original: “Marauders”, que na tradução literal quer dizer “Saqueadores”. Trata-se de um policial de ação centrado em uma investigação do FBI destinada a desbaratar uma quadrilha de assaltantes de banco. No primeiro assalto, praticado por bandidos mascarados, o gerente do banco é assassinado a sangue frio. No segundo, em outro banco, a vítima é um segurança. Um detalhe que surpreendeu os agentes foi que o dinheiro roubado havia sido entregue a uma instituição de caridade. Conforme a investigação vai avançando, o FBI descobre vários desdobramentos. Por exemplo, a execução das duas vítimas pode estar relacionado a um pelotão de soldados que lutou na Guerra do Golfo. As desconfianças também recaem contra o dono das agências bancárias assaltadas, que teria um caso conjugal com um importante senador. Mais uma possível versão diz respeito à corrupção da própria polícia, que teria roubado parte do dinheiro, talvez por um detetive cuja esposa está morrendo de câncer. E ainda tem o agente do FBI que chefia as investigações, que teve a mulher assassinada por um gângster. Enfim, graças ao roteiro extremamente confuso, cheio de pontas soltas, fica difícil entender o que está acontecendo. É tudo muito complicado. Além disso, as cenas de ação são muito mal executadas, inclusive com vítimas de tiros caindo no tempo errado. Tudo isso contribui para um resultado pífio, beirando o medíocre. E olha que o elenco não é ruim: Christopher Meloni (da série “Lei e Ordem”), Bruce Willis, Dave Bautista (“Guardiões da Galáxia”), Adrian Grenier, Alyshia Ochse, Chris Hill, Johnathon Schaech, Lydia Hull e David Gordon. Resumo da ópera: o filme é fraco, muito longe de merecer uma indicação entusiasmada.           

 

                           

sábado, 1 de outubro de 2022

 

“BLONDE”, 2022, Estados Unidos, lançamento da Netflix, 2h47m, roteiro e direção do cineasta neozelandês Andrew Dominik. Trata-se da cinebiografia romanceada da atriz Marilyn Monroe, que nos anos 50 e início dos 60 – morreu aos 36 anos em 1962 – encantou o mundo com sua beleza e sensualidade, sendo considerada um dos maiores símbolos sexuais do século 20. Ela fez sucesso em todos os filmes em que atuou, principalmente “Os Homens Preferem as Loiras” (1953), “O Pecado Mora ao Lado” (1955) e “Quanto Mais Quente Melhor” (1959). Para escrever o roteiro de “Blonde”, Dominik se inspirou no romance homônimo de Joyce Carol Oates. Não se trata de uma cinebiografia normal, pois conta com alguns fatos ficcionais, tais como o suposto triângulo amoroso de Marilyn com dois personagens famosos em Hollywood na época, como Edward G. Robinson Jr (Evan Williams) e Charles Chaplin Jr. (Xavier Samuel). Ou então a cena de sexo forçado com o presidente John Kennedy. De qualquer forma, o filme destaca inúmeros fatos que marcaram a vida da diva – estes sim, verdadeiros -, como a demência da mãe Gladys (Julianne Nicholson), os abortos espontâneos, as crises histéricas nos sets de filmagem e sua dependência em drogas e álcool, além de seus três casamentos frustrados. Marilyn (Ana de Armas) é apresentada como uma mulher de alma torturada, infeliz, com uma enorme carência afetiva - sentia falta do pai, que nunca conheceu – e perturbada emocionalmente, a ponto de não gostar de ser Marilyn Monroe, seu nome artístico, e sim apenas Norma Jean Mortenson, seu nome de batismo. Há diversos motivos para assistir “Blonde”, o principal deles, sem dúvida, é o incrível desempenho da atriz cubana Ana de Armas, que se entrega ao papel de corpo e alma. Além de merecer uma indicação ao Oscar 2023, com sua atuação Ana de Armas é alçada ao posto da diva do momento em Hollywood. Ela já havia demonstrado muita competência em filmes de sucesso, como “Entre Facas e Segredos”, “Sérgio”, “Blade Runner 2049”, “Deep Water” e “007 – Sem Tempo de Morrer”. Sua atuação como Marilyn recebeu muitos elogios por ocasião do lançamento de “Blonde” na 79ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, no dia 8 de setembro de 2022. A plateia aplaudiu a atriz durante cerca de 15 minutos, uma consagração e tanto. O filme, porém, não caiu no gosto dos críticos especializados, muitos dos quais criticaram a abordagem machista que colocou Marilyn como apenas um objeto sexual. A cena de sexo oral com o presidente John Kennedy é repugnante e também mereceu críticas violentas. Também estão no elenco Adrien Brody, Bobby Cannavale, Ravil Isyanov, Caspar Phillipson, Toby Ross, Sara Paxton e David Warshofsky. Trocando em miúdos, “Blonde” apresenta trunfos que merecem ser destacados, como a primorosa recriação de época, figurinos, cenários, roteiro, fotografia, trilha sonora e, principalmente, a atuação de Ana de Armas. Filme destinado a várias indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar. Filmaço!          

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

 

“DAHMER: UM CANIBAL AMERICANO” (“MONSTER: THE JEFFREY DAHMER STORY”), 2022, Estados Unidos, produção original Netflix, minissérie em 10 capítulos criada por Ryan Murphy e Ian Brennan. Trata-se da série mais vista este ano na Netflix. Conta a história verídica do serial killer canibal Jeffrey Dahmer, que durante 13 anos – de 1978 a 1991 – assassinou 17 jovens, a maioria negros, guardando as partes dos corpos em freezers e tambores com soda cáustica. Homossexual, Dahmer encontrava suas vítimas em um bar de gays, as levava para casa, as drogava, matava e estuprava depois de mortas. Em seguida, esquartejava os corpos, fritava algumas partes e se deliciava como um verdadeiro churrasco. Gente fina o rapaz. A minissérie conta toda essa história, convidando o espectador a conhecer o perfil de um verdadeiro serial killer, a convivência com a família, a mãe viciada em remédios e o relacionamento com o pai ausente, cujo melhor ensinamento ocorreu quando Jeffrey era ainda menino. Eles saíam pelas estradas para pegar cadáveres de animais atropelados e depois fazer uma “autópsia” nos bichinhos. Aviso aos navegantes: há cenas bastante impactantes que podem incomodar o espectador com estômago mais sensível. O elenco é ótimo, a começar por Evan Peters, que interpreta o assassino. Peters ficou conhecido depois de atuar em séries como “WandaVision”, “American Horror Story” e “X-Men”. É um ótimo ator e logo chegará ao estrelato. A série conta ainda com interpretações destacadas de Richard Jenkins, Penelope Ann Miller, Niecy Nash, Molly Ringwald e Michael Learned. "Dahmer: Um Canibal Americano" é uma série chocante, perturbadora, que pode levar o espectador à insônia durante alguns dias. Primeiro, tire as crianças da sala. Segundo: cuidado para não engasgar com as pipocas e entortar os braços da poltrona. Enfim, a série é excelente, mas não dá para curtir como um entretenimento leve.          

 

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

 

“O HOMEM DO JAZZ” (“A JAZZMAN’S BLUES”), 2022, Estados Unidos, 2h7m, produção original Netflix, roteiro e direção de Tyler Perry. Excelente drama com boas chances de Oscar não só pela história, mas também pelo excelente elenco, uma deliciosa trilha sonora com muito blues e jazz, uma primorosa fotografia e uma caprichada recriação de época. A história é ambientada nos anos 40 do século passado no sul dos Estados Unidos, logo após o final da Segunda Guerra Mundial. O cenário é uma pequena cidade da Geórgia, onde os negros vivem em uma espécie de gueto, separados da racista população branca. A história é centrada em Bayou (Joshua Boone), um jovem negro cujo pai é trompetista de uma orquestra, vive bêbado, maltrata a esposa (Amirah Vann) e um dia resolve abandonar a família. O irmão mais velho de Bayou, Willie Earl (Austin Scott), também é músico, viciado em heroína. A família vive às custas da mãe, que lava roupa para famílias de brancos. Muitas vezes não há o que comer. Mas se a situação está ruim, pode piorar ainda mais depois que o tímido Bayou se apaixona por Leanne (Solea Pfeiffer), uma jovem também pobre, mas branca. Um romance proibido com tudo para dar errado. E não dá outra. Para desespero de Bayou, a mãe de Leanne dá um jeito de casar a filha com um jovem branco de família rica. Desiludido, Bayou concorda em aceitar o convite de um jovem empresário, Ira (Ryan Eggold, da série Amsterdam), para um teste musical numa tradicional casa de espetáculos de Chicago. Ele vai junto com o irmão Willie, que consegue uma vaga na orquestra da casa, mas continua no vício de heróina. Mas o grande sucesso acaba sendo Bayou, com sua voz melodiosa e talento para cantar blues e jazz. Tudo vai bem até que Bayou recebe a notícia de que a mãe precisa de ajuda para reabrir o bar onde costumava cantar. Bayou convoca sua banda e volta à cidade natal. Ele vai tentar se reaproximar, claro, do seu antigo amor, Leanne, o que lhe acarretará inúmeros problemas, culminando com uma grande tragédia. Também estão no elenco Lana Young, Milauna Jackson, Kario Pereira-Bailey, Brent Antonello, E. Roger Mitchell, Brad Benedict e Chadwick Farley. A excelente trilha sonora é coordenada e conta com os arranjos do trompetista e compositor Terence Blanchard, um dos músicos de jazz mais conceituados da atualidade. O diretor Tyler Perry escreveu o roteiro em 1995 e 27 anos depois o transforma em filme. É possível que eu me engane – como sempre -, mas sinto que “O Homem do Jazz”, lançado no dia 23 de setembro de 2022 na Netflix, deverá receber várias indicações para o Oscar do próximo ano. Filmaço!     

 

                            

sábado, 24 de setembro de 2022

 

“LINHAS INIMIGAS” (“ENEMY LINES”), 2021, Inglaterra, 1h33m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Anders Banke, seguindo roteiro assinado por Michael Wright e Tom George. Mais uma das histórias ambientadas durante a Segunda Grande Guerra e baseada em fatos reais. Estamos em novembro de 1943. Um grupo de quatro soldados britânicos de elite, comandados por um oficial do exército norte-americano, é recrutado para uma missão secreta e muito perigosa: resgatar um famoso cientista de foguetes mantido em poder dos alemães. Ele está prisioneiro em um laboratório improvisado no interior da Polônia trabalhando em um projeto de uma arma poderosa para o exército nazista. O grupo chega à Polônia de barco e, para transpor a linha inimiga, precisa do apoio de membros da resistência polonesa. Para dificultar ainda mais a missão, o frio é de lascar e a neve predomina nos cenários. As cenas de ação até que são boas, o roteiro é bem elaborado, mas o elenco, constituído de ilustres desconhecidos, decepciona. Você logo percebe que os atores são bem fraquinhos. O único ator mais conhecido é o inglês John Hannah, que interpreta o coronel Preston, o idealizador da missão. Ainda com relação ao elenco, há atores ingleses, norte-americanos, alemães, poloneses e russos, uma verdade ONU cinematográfica. Cito alguns, além de John Hannah: Ed Westwick, Ekaterina Vladimirova, Pawel Delag, Corey Johnson, Tom Wistom, Andrey Karako e Jean-Marc Birkholz. Vale assistir pela história, que nos apresenta mais um episódio da Segunda Grande Guerra pouco conhecido por aqui. Recomendo.     

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

 

“GAROTOS DE BEM” (“LA SCUOLA CATTOLICA”), 2021, Itália, lançamento recente da Netflix, 1h46m, direção de Stefano Mordini, seguindo roteiro de Massimo Gaudioso e Luca Infascelli. A história é verídica, baseada no livro que leva o título original escrito por Edoardo Albinati. Trata-se de um drama pesado que relembra um crime bárbaro ocorrido em 1975 e que chocou a Itália. Três jovens estudantes de um tradicional colégio católico de Roma sequestraram, estupraram e espancaram duas meninas. Uma delas morreu. Os fatos que antecederam o crime são contados em ordem cronológica, culminando com as cenas brutais, filmadas com um realismo que certamente incomodará os espectadores com estômago mais sensível. Além da violência, muitas cenas de sexo e nus frontais, o que levou o filme a ser censurado em algumas cidades italianas. “Garotos de Bem” apresenta os assassinos como fruto de famílias disfuncionais pertencentes a uma sociedade decadente que sofre a ausência de valores morais, o que surpreende em se tratando de um país tradicionalmente católico e conservador. Um cúmulo jurídico: época, o estupro não era considerado crime na Itália. Segundo um psiquiatra que comentou o ocorrido, os três assassinos sofriam de algum tipo de transtorno mental, sadismo e masoquismo. No fundo, no fundo, psicopatas da pior espécie. Angelo Izzo (Luca Vergoni), Gianni Guido (Francesco Cavallo) e Andrea Ghira (Giulio Pranno), jovens pertencentes a famílias abastadas, levaram Donatella (Benedetta Porcaroli) e Rosaria (Federica Torchetti) para conhecer uma casa de praia na cidade litorânea de San Felice Circeo, a 150 km de Roma. É aqui que aconteceria o crime, que ficou famoso com o nome de “O Massacre de Circeo”. A história é narrada pelo próprio autor do livro, que também foi aluno do colégio católico e amigo de todos os envolvidos na história. Também estão no elenco Riccardo Scamarcio, Jasmine Trinca, Valeria Golino, Valentina Cervi (esposa do diretor), Marco Sincini, Sofia Iacuitto, Corrado Invernizzi, Beatrice Spata, Giulio Tropea, Alessandro Cantalini, Giulio Fochetti e Guido Quaglione. Resumindo: os três assassinos foram presos e condenados à prisão perpétua. Andrea morreu em 1994, quando fugia da prisão; Angelo foi solto em 2005 por bom comportamento, mas voltou à prisão depois de cometer mais dois assassinatos; Gianni saiu livre em 2009 e Donatella morreu em 2005 aos 47 anos, de câncer de mama. O filme é excelente, o elenco ótimo e o roteiro primoroso, além de uma caprichada reconstituição de época. Mas, repito, é perturbador, chocante. Para se ter uma ideia, os próprios atores tiveram dificuldades emocionais para gravar determinadas  cenas. Ótimo lançamento da Netflix. Imperdível!   

 

                            

domingo, 18 de setembro de 2022

 



“TRAVELIN’ BAND: CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL AT ROYAL ALBERT HALL”, Estados Unidos, documentário de 1h26m recém-chegado à Netflix, direção de Bob Smeaton e narração do ator Jeff Bridges. Com imagens inéditas, o documentário mostra a história da banda de rock “Creedence Clearwater Revival” desde o seu início, em 1959, com o nome “The Blue Velvets”, a origem humilde e a ascensão meteórica que culminou com a turnê europeia em 1970, com destaque ao show no Royal Albert Hall, em Londres, reproduzido aqui em sua íntegra. A banda californiana se consagrou em 1969, quando participou de diversos festivais nos Estados Unidos, incluindo Woodstock, e teve várias músicas nos primeiros lugares das paradas de sucesso, tais como “Suzie K”, “I Put A Spell On You”, “Proud Mary”, “Bad Moon Rising” e “Green River”, entre tantas outras. Seus discos venderam milhões no mundo inteiro e a Revista Rolling Stone chegou a afirmar que a “Creedence” era a melhor banda norte-americana de rock e, para alguns especialistas e fãs, como eu, a segundo melhor banda depois dos The Beatles. Em 1970, o seu quinto álbum, “Cosmo’s Factory”, liderou as vendas no mundo inteiro. A banda foi um grande sucesso até 1972, ano que marcou o seu fim. Sem dúvida, o show no Royal Albert Hall é a cereja no bolo do documentário, um sucesso que marcou época para os fãs que lotaram a casa de espetáculos mais importante da Inglaterra e que, no final, aplaudiram a banda de pé durante mais de 15 minutos. Quem não conheceu ou nunca ouviu o Creedence tem neste documentário a oportunidade de assistir ao vivo o desempenho incrível de John Fogerty (guitarra, vocal e compositor da maioria das músicas), seu irmão Tom Fogerty (guitarra), Stu Cook (baixo) e Doug Clifford (bateria).  Imperdível para os fãs do rock dos anos 60/70.     

 

“FÁTIMA: A HISTÓRIA DE UM MILAGRE” (“FATIMA”), 2020, em cartaz na plataforma Amazon Prime Video, 1h58m, coprodução Portugal/Itália/Estados Unidos, direção do cineasta italiano Marco Pontecorvo, que também, assina o roteiro com Valerio D’Annunzio e Barbara Nicolosi. O filme conta a história de um fato de grande relevância para os católicos: as aparições da Virgem Maria para três pastores na cidade de Fátima, em Portugal, entre maio e outubro de 1917. Lúcia, de 10 anos, Francisco, de 8 anos, e Jacinta, de 7 anos, afirmam ter visto e conversado com a Virgem Maria. Esse fato é relembrado no filme durante as conversas entre a hoje Irmã Lúcia (Sonia Braga) e Nichols (Harvey Keitel), professor de teologia que pretende escrever um livro sobre o ocorrido. Além das aparições, o filme destaca as pressões psicológicas que as crianças sofreram depois de terem anunciado as aparições. Autoridades do governo português, assim como padres e bispos, tentaram desmentir as crianças, mas o povo crente acreditou no milagre, transformando Fátima, até hoje, em um dos principais lugares de peregrinação. Anos depois, a Igreja Católica validou a visão dos pastores. As filmagens aconteceram na aldeia de Cidadelhe, em Fátima, Coimbra e na Tamada de Mafra, reunindo em algumas cenas centenas de figurantes. Outro destaque do filme diz respeito às mensagens da Virgem Maria para as crianças, entre as quais “Rezem pelo fim da guerra. O mundo precisa de paz” – lembro que nessa época estava acontecendo a Primeira Guerra Mundial, envolvendo vários países, inclusive Portugal. Além de Sonia Braga e Harvey Keitel, estão no elenco Stephanie Gil (Lúcia criança), Alejandra Howard (Jacinta), Jorge Lamelas (Francisco), Joana Ribeiro (Virgem Maria), Joaquim de Almeida (padre Ferreira), Goran Visnjic (Arturo, prefeito de Fátima), Marco D’Almeida (Antonio, pai de Lúcia) e Lúcia Moniz (Maria Rosa, mãe de Lúcia). Lembro que o diretor italiano Marco Pontecorvo é filho do também cineasta Gillo Montecorvo (1919-2006), responsável por clássicos como “A Batalha de Argel” (1966) e “Queimada!” (1969), entre tantos outros. Resumo da ópera: “Fatima” é um filme tocante e emocionante, com ótimo elenco e uma primorosa reconstituição de época. Na minha opinião, só tem um defeito (ou um pecado): a escalação de Sonia Braga para o papel de Irmã Lúcia, que ficaria melhor com uma atriz mais velha.                             

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

 

“GUERRA SOB A TERRA” (“THE WAR BELOW”), 2021, Inglaterra, 1h36m, disponível na Amazon Prime Video, direção de J. P. Watts, que também assina o roteiro juntamente com Thomas Woods. A história, ambientada em 1917 durante a Primeira Guerra Mundial, é baseada em fatos reais, o que valoriza ainda mais esse bom drama de guerra inglês. Quem conhece um pouco desse conflito sabe que a maioria das batalhas eram travadas com os soldados em suas respectivas trincheiras. Assim foi em junho de 1917, quando as forças aliadas tentavam rechaçar as forças alemãs na região belga de Flanders Ocidental, perto da Vila de Mesen (esse episódio ficou conhecido como “A Batalha de Messines”). O filme mostra um ato incrível de coragem, não de soldados, mas sim de cinco mineiros ingleses. Eles foram recrutados para cavar um túnel sob a terra desde as trincheiras aliadas até aquelas dos soldados alemães. O objetivo final era detonar bombas sob o inimigo, segundo a ideia do Coronel Jack (Tom Goodman-Hill), inicialmente descartada pelos seus superiores, mas enfim levada a efeito. “Guerra Sob a Terra” apresenta os bastidores de todo esse planejamento, suas dificuldades e riscos. A tensão aumenta a cada vez que os mineiros aprofundam o túnel, mantendo a atenção do espectador até o final da história. O elenco conta com Sam Hazeldine, Andrew Scarborough, Sam Clemmett, Kris Kitchen, Elliot James Langridge, Anna Maguire e Alexa Morden. Trocando em miúdos, trata-se de mais um ótimo filme de guerra que merece ser visto.                          

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

 

“A FACE DA VERDADE” (“LITTLE KINGDOM”), 2020, República Eslovaca, 1h48m, disponível na American Prime Video, estreia na direção de longas do cineasta croata Peter Magát, seguindo roteiro assinado por Ewen Gaglass, Michaela Sabo e Lucia Ditte. Durante a Segunda Guerra Mundial, na ainda Tchecoslováquia, a população aguardava o desfecho do conflito, mas até então o medo era, de um lado, os alemães, e de outro, os russos. Difícil escolher o pior. O contexto do filme apresenta o exército eslovaco servindo aos invasores alemães, devendo impedir o avanço dos russos. No front de batalha, em um dia de folga, o soldado eslovaco Jack (Lachlan Nieboer) recebe uma carta da esposa Eva (Alicia Agneson) informando que ela mudou para uma pequena cidade nas montanhas para trabalhar em uma fábrica de armamentos. Com saudades de Eva, Jack resolve fugir, ou seja, desertar, o que lhe acarretará sérios problemas no fim da história. Jack vai trabalhar na fábrica com a esposa, mantendo em segredo sua deserção. Tudo vai bem até que o dono da fábrica chega ao vilarejo com sua nova esposa Cat (Klara Mucci), que, por uma incrível coincidência, conheceu Jack quando trabalhava como prostituta. E os problemas de Jack não pararam aí. Eva engravida e logo surge o boato de que o filho pertence a Bar (Brian Caspe), justamente o dono da fábrica. Segundo o que circulava no vilarejo, Bar só contratava as mulheres que topavam fazer sexo com ele. Perturbado, Jack vai confrontar a esposa. Não bastasse tudo isso, Jack ainda correrá o risco de ser desmascarado pela polícia secreta nazista. Enfim, drama é que não falta. O filme é muito bom, mas lamento que seja totalmente falado em inglês, aspecto, porém, que não prejudica o resultado final, pois a história é bem contada e o elenco dá conta do recado. Recomendo.                      

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

 

“A DISPUTA” (“THE MATCH”), 2021, coprodução Croácia/Estados Unidos, 1h59m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Jakov e Dominik Sedlar, seguindo roteiro assinado por Gary Hertz e Stephen Ollendorff. Baseado em fatos reais ocorridos durante a primavera de 1944, ou seja, em plena Segunda Guerra Mundial. Toda a história, pouco conhecida por aqui, envolve uma partida de futebol entre prisioneiros de um campo de concentração na Hungria e um time de elite nazista. O evento foi organizado por um oficial alemão para comemorar o aniversário de Adolf Hitler. Os alemães acreditavam que o seu time, bem treinado e bem alimentado, derrotaria facilmente os prisioneiros, sem tempo para treinar e muito mal alimentados. Antes da partida, um general alemão afirmou que “Não podemos repetir 1936”, uma alusão evidente às derrotas da Alemanha nazista nas Olimpíadas de Berlim. A história é contada por Branko (Franco Nero) ao seu neto nos dias de hoje. Em 1944, quando tinha 12 anos, Branko (Viktor Kulhanek) era prisioneiro do campo de concentração juntamente com alguns presos políticos e jogadores profissionais da seleção húngara, entre os quais o seu capitão Laszlo Horvath (Andrej Dojkic). Até a realização do jogo, que ficou conhecido como “A Partida da Morte”, o filme trata de enrolar o espectador, mostrando o drama e o sofrimento dos prisioneiros, além da arrogância e violência dos oficiais nazistas. Também estão no elenco Caspar Phillipson, Armand Assante e Markus Gertken. Infelizmente, as cenas dos treinos e da própria partida foram muito mal dirigidas e editadas, o que contribuiu, e muito, para um resultado final decepcionante. Também não agradou o fato do filme ser falado em inglês o tempo todo. "A Disputa" só vale mesmo pela incrível história de coragem de um grupo de prisioneiros que resolveu não se rebaixar mais diante da sanha nazista.                    

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

 

“O BASTARDO” (“BASTAARD”), 2019, Bélgica, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h44m, direção de Mathieu Mortelmans, que também assina o roteiro ao lado de Jan Pepermans e Stefanie Vanhecke. É mais um daqueles filmes que ficam escondidos em uma plataforma digital, sem muito alarde e divulgação, mas que merece ser descoberto por quem gosta de cinema de qualidade. Uma ótima estreia como diretor de longas do cineasta belga Mathieu Mortelmans, mais conhecido como realizador de séries e curtas. Trata-se de um suspense cujo pano de fundo é um drama familiar. O filme começa com uma tragédia: três rapazes saem de uma balada e sofrem um acidente que mata um deles, Robbie (Arne de Tremerie). Seu irmão mais novo Daan (Spencer Bogaert) e o amigo Wes (Lukas Bulteel) sobrevivem. O filme dá um salto de dois anos e mostra uma família desestruturada pela tragédia. Em casa, Daan convive com a depressão da mãe Nina (Tine Reymer), que não se conforma de ter perdido o filho mais velho, e com a ausência do pai Flip (Koen de Bouw), que se refugia em viagens e na cama de uma amante. Esse quadro se transforma de forma abrupta quando aparece na vida da família um jovem morador de rua, Radja (Bjardne Devolder), órfão de pai e mãe desde cedo e criado em orfanatos. Nina se encanta com o garoto e o convida para morar com a família, muito a contragosto de Daan e de seu pai. Fica bem claro desde que surgiu em cena que Radja esconde uma outra personalidade, que só Nina não percebe. “O Bastardo” é um filme intrigante, incômodo, aflitivo e muito tenso, à beira do chocante, adjetivos que sempre acompanham a análise de um bom suspense psicológico. Um filme surpreendente que merece ser visto pelos cinéfilos que respeitam seus neurônios. Não perca! 

                  

terça-feira, 6 de setembro de 2022

 

“FATAL FOLLOWING” (“THE CULT”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h30m, direção de Nigel Thomas, seguindo roteiro assinado por Jenny Paul e Kaila York. Não entendi por que o filme chegou por aqui com o título em inglês, ainda mais que, na tradução literal, pode ser entendido como “Seguimento Fatal”, com o sentido totalmente diferente do título original. O filme também recebeu outro título: “My Daughter’s Double Life”. Ou seja, tudo começou com uma grande confusão - falha da Amazon. Trata-se de um suspense cujo pano de fundo é o recrutamento de jovens para seitas clandestinas. A jovem Ally (Jacey Nichole), mimada e rebelde sem causa, se revolta com as ordens da mãe, Heather (René Ashton) e do padrasto Jack (Chad Bradford). Ela cai na lábia de Mariah (Alivea Disney), foge de casa e acaba em uma fazenda com outras jovens. Aqui, ela é obrigada a obedecer às ordens de Bridger (Jacob Young), o chefe de uma seita que acolhe jovens fugitivas da família. Heather não sossega enquanto não encontrar a filha, mesmo que tenha recebido a notícia de que Ally se afogou enquanto nadava em um riacho. Como o corpo não foi encontrado, Heather acredita que a filha ainda esteja viva. Perto do desfecho, uma reviravolta surpreendente acontece, minimizando um pouco a mediocridade do roteiro. Trocando em miúdos, mais um filme fraco recém-lançado pela Amazon. Não merece nem ser recomendado.              

 

“JACK, O ESTRIPADOR – A HISTÓRIA NÃO CONTADA” (“JACK, THE RIPPER”), 2021, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h25m, roteiro e direção de Steven Lawson. O famoso serial killer, que apavorou o bairro de Whitechapel (Londres), em 1888, assassinando várias prostitutas de maneira cruel, nunca foi preso, mas já foi personagem de livros e filmes, a maioria dos quais apresentando uma hipótese diferente. Ou seja, apenas suposições e teorias. Neste novo filme, alguns novos suspeitos são sugeridos, mas apenas um será identificado no desfecho. Estamos em 1888, e o inspetor Edmund Reid (Phil Molloy), da Scotland Yard, está investigando a morte de três prostitutas. O modus operandi do assassino é o mesmo: primeiro corta a garganta e depois remove alguns órgãos internos, serviço de quem conhece a anatomia humana. Entre os suspeitos estão médicos - o próprio legista da polícia, locque Thomas (Jonathan Hansler) é um deles -, açougueiros e até um jornalista, sempre presente no local dos crimes. Uma reviravolta no desfecho esclarece para o espectador quem é o verdadeiro assassino. Claro, tudo imaginação do roteirista e diretor Steven Lawson. Fica evidente que o filme é uma produção de baixo custo, com elenco de ilustres desconhecidos, cenários pobres e figurinos baratos. Talvez feito para a TV ou para sair direto em vídeo. Ficou parecendo uma peça de teatro. De qualquer forma, mesmo sendo uma ficção (a não ser os crimes), é uma história interessante.            

domingo, 4 de setembro de 2022

 

“PASSEI POR AQUI” (“I CAME BY”), 2022, Inglaterra, 1h50m, lançamento Netflix, direção do cineasta iraniano Babak Anuari, que também assina o roteiro com a colaboração de Namsi Khan. Mais um bom suspense policial da Netflix (estreou dia 31 de agosto). A história é centrada em dois jovens grafiteiros amigos de infância – Toby Nealey (George Mackay, de “1917”) e Jameel Agassi (Percelle Ascott) –, que saem pela noite afora pelos bairros chiques de Londres grafitando a mensagem “Passei por Aqui” em casas de pessoas ricas, uma maneira de descarregar suas frustrações. Afinal, são dois fracassados. Toby mora com a mãe, Lizzie (Kelly MacDonald), não trabalha e sempre se mostra agressivo quando a mãe cobra uma atitude. Quando Jameel descobre que a namorada Naserine (Varada Sethu) está grávida, decide não grafitar mais com Toby, que continua aprontando, mas desta vez sozinho. Sua situação, porém, acaba se complicando depois que grafita a casa de um importante e respeitado jurista, o juiz aposentado Hector Blake (Gugh Bonneville, da série “Downton Abbey”). Aqui, Toby descobrirá segredos escabrosos e acaba desaparecendo misteriosamente. A mãe e o amigo Jameel ficam desesperados e procuram a polícia. O que terá acontecido com Toby? A resposta só será dada perto do desfecho, quando segredos terríveis serão revelados. Não há dúvida de que se trata de um ótimo suspense, que mantém muita tensão do começo ao fim, deixando o espectador na maior expectativa do que vai acontecer na cena seguinte. No final, o vilão será revelado, mas ficou faltando explicar melhor suas motivações. Esta talvez seja a única falha do roteiro, mas que não prejudica o resultado final, que é muito bom.          

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

 

“A FUGA DE AKILLA” (“AKILLA’S ESCAPE”), 2021, coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h30m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Charles Officer, que também assina o roteiro com a colaboração de Wendy Motion Brathwaite. Este é o primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Charles Officer, filho de imigrantes jamaicanos e ex-jogador profissional de hóquei radicado no Canadá. Ele é mais conhecido como diretor de séries, documentários e curtas. Neste seu filme de estreia, Officer realizou um belo trabalho. Embora a história seja ambientada em Nova Iorque e Toronto, o pano de fundo é a situação política da Jamaica. Por causa da guerra civil no país, muitos jamaicanos imigraram para os Estados Unidos e Canadá. É o caso da família de Akilla Brown (Saul Williams). A história começa em 1995, apresentando Akilla como um garoto de 15 anos morando com o pai e a mãe em Nova Iorque. O pai é traficante e um marido abusivo. Pior: recruta Akilla para traficar drogas. O filme dá um salto no tempo para 2020, quando Akilla já está em Toronto, trabalhando como traficante para a poderosa Athena, a “Grega” (Theresa Tova). Uma noite, quando Akilla vai se abastecer em um escritório da “Grega”, é surpreendido por quatro ladrões. Ele consegue prender um deles, um garoto de 15 anos chamado Sheppard (Thamela Mpumlwana, o mesmo ator que interpreta Akilla adolescente). Ao descobrir que o menino lembra muito sua própria história de vida, Akilla decide protegê-lo, atitude que colocará sua vida em grande perigo. Também estão no elenco Ronnie Rowe Jr., Colm Feore, Vic Mensa e Tony Nappo. “A Fuga de Akilla” é um bom drama de suspense envolvendo o tráfico de drogas, o recrutamento de jovens e a destruição das famílias, ao som sempre presente do reggae. Ao invés da ação propriamente dita, com tiroteios, pancadarias e perseguições, o roteiro privilegia o psicológico dos personagens, o que torna o filme mais criativo e interessante. Para assistir e refletir.      

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

 

“UM MARIDO FIEL” (“KAERLIGHED FOR VOKSNE”), 2022, Dinamarca, lançamento Netflix, 1h44m, direção de Barara Topsøe-Rothenborg. O roteiro, assinado por Anders Rønnow e Jacob Weinreich, é baseado no livro homônimo de Anna Ekberg. Trata-se de um suspense cuja história é centrada no relacionamento conflituoso do casal Christian (Dar Salim) e Leonora (Sonja Richter), ele um construtor de sucesso e ela uma ex-violinista talentosa que abandonou a carreira para cuidar do filho Johan (Milo Campanale), acometido de uma doença grave. Leonora descobre que Christian está tendo um caso com a jovem arquiteta Xenia (Sus Wilkins) e parte para a vingança, ameaçando delatar o marido a respeito de uma fraude. Ou ele deixa a amante ou ela o denuncia. Um grande dilema para Christian, que não vai deixar barato as ameaças da esposa e resolve tomar uma atitude drástica. Não dá para comentar mais para não estragar as surpresas do roteiro. “Um Marido Fiel” atende às expectativas de quem curte um bom suspense, tornando-se um ótimo entretenimento, tenso e angustiante. É o cinema dinamarquês voltando à sua melhor forma. Não perca!