sábado, 24 de setembro de 2022

 

“LINHAS INIMIGAS” (“ENEMY LINES”), 2021, Inglaterra, 1h33m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Anders Banke, seguindo roteiro assinado por Michael Wright e Tom George. Mais uma das histórias ambientadas durante a Segunda Grande Guerra e baseada em fatos reais. Estamos em novembro de 1943. Um grupo de quatro soldados britânicos de elite, comandados por um oficial do exército norte-americano, é recrutado para uma missão secreta e muito perigosa: resgatar um famoso cientista de foguetes mantido em poder dos alemães. Ele está prisioneiro em um laboratório improvisado no interior da Polônia trabalhando em um projeto de uma arma poderosa para o exército nazista. O grupo chega à Polônia de barco e, para transpor a linha inimiga, precisa do apoio de membros da resistência polonesa. Para dificultar ainda mais a missão, o frio é de lascar e a neve predomina nos cenários. As cenas de ação até que são boas, o roteiro é bem elaborado, mas o elenco, constituído de ilustres desconhecidos, decepciona. Você logo percebe que os atores são bem fraquinhos. O único ator mais conhecido é o inglês John Hannah, que interpreta o coronel Preston, o idealizador da missão. Ainda com relação ao elenco, há atores ingleses, norte-americanos, alemães, poloneses e russos, uma verdade ONU cinematográfica. Cito alguns, além de John Hannah: Ed Westwick, Ekaterina Vladimirova, Pawel Delag, Corey Johnson, Tom Wistom, Andrey Karako e Jean-Marc Birkholz. Vale assistir pela história, que nos apresenta mais um episódio da Segunda Grande Guerra pouco conhecido por aqui. Recomendo.     

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

 

“GAROTOS DE BEM” (“LA SCUOLA CATTOLICA”), 2021, Itália, lançamento recente da Netflix, 1h46m, direção de Stefano Mordini, seguindo roteiro de Massimo Gaudioso e Luca Infascelli. A história é verídica, baseada no livro que leva o título original escrito por Edoardo Albinati. Trata-se de um drama pesado que relembra um crime bárbaro ocorrido em 1975 e que chocou a Itália. Três jovens estudantes de um tradicional colégio católico de Roma sequestraram, estupraram e espancaram duas meninas. Uma delas morreu. Os fatos que antecederam o crime são contados em ordem cronológica, culminando com as cenas brutais, filmadas com um realismo que certamente incomodará os espectadores com estômago mais sensível. Além da violência, muitas cenas de sexo e nus frontais, o que levou o filme a ser censurado em algumas cidades italianas. “Garotos de Bem” apresenta os assassinos como fruto de famílias disfuncionais pertencentes a uma sociedade decadente que sofre a ausência de valores morais, o que surpreende em se tratando de um país tradicionalmente católico e conservador. Um cúmulo jurídico: época, o estupro não era considerado crime na Itália. Segundo um psiquiatra que comentou o ocorrido, os três assassinos sofriam de algum tipo de transtorno mental, sadismo e masoquismo. No fundo, no fundo, psicopatas da pior espécie. Angelo Izzo (Luca Vergoni), Gianni Guido (Francesco Cavallo) e Andrea Ghira (Giulio Pranno), jovens pertencentes a famílias abastadas, levaram Donatella (Benedetta Porcaroli) e Rosaria (Federica Torchetti) para conhecer uma casa de praia na cidade litorânea de San Felice Circeo, a 150 km de Roma. É aqui que aconteceria o crime, que ficou famoso com o nome de “O Massacre de Circeo”. A história é narrada pelo próprio autor do livro, que também foi aluno do colégio católico e amigo de todos os envolvidos na história. Também estão no elenco Riccardo Scamarcio, Jasmine Trinca, Valeria Golino, Valentina Cervi (esposa do diretor), Marco Sincini, Sofia Iacuitto, Corrado Invernizzi, Beatrice Spata, Giulio Tropea, Alessandro Cantalini, Giulio Fochetti e Guido Quaglione. Resumindo: os três assassinos foram presos e condenados à prisão perpétua. Andrea morreu em 1994, quando fugia da prisão; Angelo foi solto em 2005 por bom comportamento, mas voltou à prisão depois de cometer mais dois assassinatos; Gianni saiu livre em 2009 e Donatella morreu em 2005 aos 47 anos, de câncer de mama. O filme é excelente, o elenco ótimo e o roteiro primoroso, além de uma caprichada reconstituição de época. Mas, repito, é perturbador, chocante. Para se ter uma ideia, os próprios atores tiveram dificuldades emocionais para gravar determinadas  cenas. Ótimo lançamento da Netflix. Imperdível!   

 

                            

domingo, 18 de setembro de 2022

 



“TRAVELIN’ BAND: CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL AT ROYAL ALBERT HALL”, Estados Unidos, documentário de 1h26m recém-chegado à Netflix, direção de Bob Smeaton e narração do ator Jeff Bridges. Com imagens inéditas, o documentário mostra a história da banda de rock “Creedence Clearwater Revival” desde o seu início, em 1959, com o nome “The Blue Velvets”, a origem humilde e a ascensão meteórica que culminou com a turnê europeia em 1970, com destaque ao show no Royal Albert Hall, em Londres, reproduzido aqui em sua íntegra. A banda californiana se consagrou em 1969, quando participou de diversos festivais nos Estados Unidos, incluindo Woodstock, e teve várias músicas nos primeiros lugares das paradas de sucesso, tais como “Suzie K”, “I Put A Spell On You”, “Proud Mary”, “Bad Moon Rising” e “Green River”, entre tantas outras. Seus discos venderam milhões no mundo inteiro e a Revista Rolling Stone chegou a afirmar que a “Creedence” era a melhor banda norte-americana de rock e, para alguns especialistas e fãs, como eu, a segundo melhor banda depois dos The Beatles. Em 1970, o seu quinto álbum, “Cosmo’s Factory”, liderou as vendas no mundo inteiro. A banda foi um grande sucesso até 1972, ano que marcou o seu fim. Sem dúvida, o show no Royal Albert Hall é a cereja no bolo do documentário, um sucesso que marcou época para os fãs que lotaram a casa de espetáculos mais importante da Inglaterra e que, no final, aplaudiram a banda de pé durante mais de 15 minutos. Quem não conheceu ou nunca ouviu o Creedence tem neste documentário a oportunidade de assistir ao vivo o desempenho incrível de John Fogerty (guitarra, vocal e compositor da maioria das músicas), seu irmão Tom Fogerty (guitarra), Stu Cook (baixo) e Doug Clifford (bateria).  Imperdível para os fãs do rock dos anos 60/70.     

 

“FÁTIMA: A HISTÓRIA DE UM MILAGRE” (“FATIMA”), 2020, em cartaz na plataforma Amazon Prime Video, 1h58m, coprodução Portugal/Itália/Estados Unidos, direção do cineasta italiano Marco Pontecorvo, que também, assina o roteiro com Valerio D’Annunzio e Barbara Nicolosi. O filme conta a história de um fato de grande relevância para os católicos: as aparições da Virgem Maria para três pastores na cidade de Fátima, em Portugal, entre maio e outubro de 1917. Lúcia, de 10 anos, Francisco, de 8 anos, e Jacinta, de 7 anos, afirmam ter visto e conversado com a Virgem Maria. Esse fato é relembrado no filme durante as conversas entre a hoje Irmã Lúcia (Sonia Braga) e Nichols (Harvey Keitel), professor de teologia que pretende escrever um livro sobre o ocorrido. Além das aparições, o filme destaca as pressões psicológicas que as crianças sofreram depois de terem anunciado as aparições. Autoridades do governo português, assim como padres e bispos, tentaram desmentir as crianças, mas o povo crente acreditou no milagre, transformando Fátima, até hoje, em um dos principais lugares de peregrinação. Anos depois, a Igreja Católica validou a visão dos pastores. As filmagens aconteceram na aldeia de Cidadelhe, em Fátima, Coimbra e na Tamada de Mafra, reunindo em algumas cenas centenas de figurantes. Outro destaque do filme diz respeito às mensagens da Virgem Maria para as crianças, entre as quais “Rezem pelo fim da guerra. O mundo precisa de paz” – lembro que nessa época estava acontecendo a Primeira Guerra Mundial, envolvendo vários países, inclusive Portugal. Além de Sonia Braga e Harvey Keitel, estão no elenco Stephanie Gil (Lúcia criança), Alejandra Howard (Jacinta), Jorge Lamelas (Francisco), Joana Ribeiro (Virgem Maria), Joaquim de Almeida (padre Ferreira), Goran Visnjic (Arturo, prefeito de Fátima), Marco D’Almeida (Antonio, pai de Lúcia) e Lúcia Moniz (Maria Rosa, mãe de Lúcia). Lembro que o diretor italiano Marco Pontecorvo é filho do também cineasta Gillo Montecorvo (1919-2006), responsável por clássicos como “A Batalha de Argel” (1966) e “Queimada!” (1969), entre tantos outros. Resumo da ópera: “Fatima” é um filme tocante e emocionante, com ótimo elenco e uma primorosa reconstituição de época. Na minha opinião, só tem um defeito (ou um pecado): a escalação de Sonia Braga para o papel de Irmã Lúcia, que ficaria melhor com uma atriz mais velha.                             

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

 

“GUERRA SOB A TERRA” (“THE WAR BELOW”), 2021, Inglaterra, 1h36m, disponível na Amazon Prime Video, direção de J. P. Watts, que também assina o roteiro juntamente com Thomas Woods. A história, ambientada em 1917 durante a Primeira Guerra Mundial, é baseada em fatos reais, o que valoriza ainda mais esse bom drama de guerra inglês. Quem conhece um pouco desse conflito sabe que a maioria das batalhas eram travadas com os soldados em suas respectivas trincheiras. Assim foi em junho de 1917, quando as forças aliadas tentavam rechaçar as forças alemãs na região belga de Flanders Ocidental, perto da Vila de Mesen (esse episódio ficou conhecido como “A Batalha de Messines”). O filme mostra um ato incrível de coragem, não de soldados, mas sim de cinco mineiros ingleses. Eles foram recrutados para cavar um túnel sob a terra desde as trincheiras aliadas até aquelas dos soldados alemães. O objetivo final era detonar bombas sob o inimigo, segundo a ideia do Coronel Jack (Tom Goodman-Hill), inicialmente descartada pelos seus superiores, mas enfim levada a efeito. “Guerra Sob a Terra” apresenta os bastidores de todo esse planejamento, suas dificuldades e riscos. A tensão aumenta a cada vez que os mineiros aprofundam o túnel, mantendo a atenção do espectador até o final da história. O elenco conta com Sam Hazeldine, Andrew Scarborough, Sam Clemmett, Kris Kitchen, Elliot James Langridge, Anna Maguire e Alexa Morden. Trocando em miúdos, trata-se de mais um ótimo filme de guerra que merece ser visto.                          

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

 

“A FACE DA VERDADE” (“LITTLE KINGDOM”), 2020, República Eslovaca, 1h48m, disponível na American Prime Video, estreia na direção de longas do cineasta croata Peter Magát, seguindo roteiro assinado por Ewen Gaglass, Michaela Sabo e Lucia Ditte. Durante a Segunda Guerra Mundial, na ainda Tchecoslováquia, a população aguardava o desfecho do conflito, mas até então o medo era, de um lado, os alemães, e de outro, os russos. Difícil escolher o pior. O contexto do filme apresenta o exército eslovaco servindo aos invasores alemães, devendo impedir o avanço dos russos. No front de batalha, em um dia de folga, o soldado eslovaco Jack (Lachlan Nieboer) recebe uma carta da esposa Eva (Alicia Agneson) informando que ela mudou para uma pequena cidade nas montanhas para trabalhar em uma fábrica de armamentos. Com saudades de Eva, Jack resolve fugir, ou seja, desertar, o que lhe acarretará sérios problemas no fim da história. Jack vai trabalhar na fábrica com a esposa, mantendo em segredo sua deserção. Tudo vai bem até que o dono da fábrica chega ao vilarejo com sua nova esposa Cat (Klara Mucci), que, por uma incrível coincidência, conheceu Jack quando trabalhava como prostituta. E os problemas de Jack não pararam aí. Eva engravida e logo surge o boato de que o filho pertence a Bar (Brian Caspe), justamente o dono da fábrica. Segundo o que circulava no vilarejo, Bar só contratava as mulheres que topavam fazer sexo com ele. Perturbado, Jack vai confrontar a esposa. Não bastasse tudo isso, Jack ainda correrá o risco de ser desmascarado pela polícia secreta nazista. Enfim, drama é que não falta. O filme é muito bom, mas lamento que seja totalmente falado em inglês, aspecto, porém, que não prejudica o resultado final, pois a história é bem contada e o elenco dá conta do recado. Recomendo.                      

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

 

“A DISPUTA” (“THE MATCH”), 2021, coprodução Croácia/Estados Unidos, 1h59m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Jakov e Dominik Sedlar, seguindo roteiro assinado por Gary Hertz e Stephen Ollendorff. Baseado em fatos reais ocorridos durante a primavera de 1944, ou seja, em plena Segunda Guerra Mundial. Toda a história, pouco conhecida por aqui, envolve uma partida de futebol entre prisioneiros de um campo de concentração na Hungria e um time de elite nazista. O evento foi organizado por um oficial alemão para comemorar o aniversário de Adolf Hitler. Os alemães acreditavam que o seu time, bem treinado e bem alimentado, derrotaria facilmente os prisioneiros, sem tempo para treinar e muito mal alimentados. Antes da partida, um general alemão afirmou que “Não podemos repetir 1936”, uma alusão evidente às derrotas da Alemanha nazista nas Olimpíadas de Berlim. A história é contada por Branko (Franco Nero) ao seu neto nos dias de hoje. Em 1944, quando tinha 12 anos, Branko (Viktor Kulhanek) era prisioneiro do campo de concentração juntamente com alguns presos políticos e jogadores profissionais da seleção húngara, entre os quais o seu capitão Laszlo Horvath (Andrej Dojkic). Até a realização do jogo, que ficou conhecido como “A Partida da Morte”, o filme trata de enrolar o espectador, mostrando o drama e o sofrimento dos prisioneiros, além da arrogância e violência dos oficiais nazistas. Também estão no elenco Caspar Phillipson, Armand Assante e Markus Gertken. Infelizmente, as cenas dos treinos e da própria partida foram muito mal dirigidas e editadas, o que contribuiu, e muito, para um resultado final decepcionante. Também não agradou o fato do filme ser falado em inglês o tempo todo. "A Disputa" só vale mesmo pela incrível história de coragem de um grupo de prisioneiros que resolveu não se rebaixar mais diante da sanha nazista.                    

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

 

“O BASTARDO” (“BASTAARD”), 2019, Bélgica, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h44m, direção de Mathieu Mortelmans, que também assina o roteiro ao lado de Jan Pepermans e Stefanie Vanhecke. É mais um daqueles filmes que ficam escondidos em uma plataforma digital, sem muito alarde e divulgação, mas que merece ser descoberto por quem gosta de cinema de qualidade. Uma ótima estreia como diretor de longas do cineasta belga Mathieu Mortelmans, mais conhecido como realizador de séries e curtas. Trata-se de um suspense cujo pano de fundo é um drama familiar. O filme começa com uma tragédia: três rapazes saem de uma balada e sofrem um acidente que mata um deles, Robbie (Arne de Tremerie). Seu irmão mais novo Daan (Spencer Bogaert) e o amigo Wes (Lukas Bulteel) sobrevivem. O filme dá um salto de dois anos e mostra uma família desestruturada pela tragédia. Em casa, Daan convive com a depressão da mãe Nina (Tine Reymer), que não se conforma de ter perdido o filho mais velho, e com a ausência do pai Flip (Koen de Bouw), que se refugia em viagens e na cama de uma amante. Esse quadro se transforma de forma abrupta quando aparece na vida da família um jovem morador de rua, Radja (Bjardne Devolder), órfão de pai e mãe desde cedo e criado em orfanatos. Nina se encanta com o garoto e o convida para morar com a família, muito a contragosto de Daan e de seu pai. Fica bem claro desde que surgiu em cena que Radja esconde uma outra personalidade, que só Nina não percebe. “O Bastardo” é um filme intrigante, incômodo, aflitivo e muito tenso, à beira do chocante, adjetivos que sempre acompanham a análise de um bom suspense psicológico. Um filme surpreendente que merece ser visto pelos cinéfilos que respeitam seus neurônios. Não perca! 

                  

terça-feira, 6 de setembro de 2022

 

“FATAL FOLLOWING” (“THE CULT”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h30m, direção de Nigel Thomas, seguindo roteiro assinado por Jenny Paul e Kaila York. Não entendi por que o filme chegou por aqui com o título em inglês, ainda mais que, na tradução literal, pode ser entendido como “Seguimento Fatal”, com o sentido totalmente diferente do título original. O filme também recebeu outro título: “My Daughter’s Double Life”. Ou seja, tudo começou com uma grande confusão - falha da Amazon. Trata-se de um suspense cujo pano de fundo é o recrutamento de jovens para seitas clandestinas. A jovem Ally (Jacey Nichole), mimada e rebelde sem causa, se revolta com as ordens da mãe, Heather (René Ashton) e do padrasto Jack (Chad Bradford). Ela cai na lábia de Mariah (Alivea Disney), foge de casa e acaba em uma fazenda com outras jovens. Aqui, ela é obrigada a obedecer às ordens de Bridger (Jacob Young), o chefe de uma seita que acolhe jovens fugitivas da família. Heather não sossega enquanto não encontrar a filha, mesmo que tenha recebido a notícia de que Ally se afogou enquanto nadava em um riacho. Como o corpo não foi encontrado, Heather acredita que a filha ainda esteja viva. Perto do desfecho, uma reviravolta surpreendente acontece, minimizando um pouco a mediocridade do roteiro. Trocando em miúdos, mais um filme fraco recém-lançado pela Amazon. Não merece nem ser recomendado.              

 

“JACK, O ESTRIPADOR – A HISTÓRIA NÃO CONTADA” (“JACK, THE RIPPER”), 2021, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h25m, roteiro e direção de Steven Lawson. O famoso serial killer, que apavorou o bairro de Whitechapel (Londres), em 1888, assassinando várias prostitutas de maneira cruel, nunca foi preso, mas já foi personagem de livros e filmes, a maioria dos quais apresentando uma hipótese diferente. Ou seja, apenas suposições e teorias. Neste novo filme, alguns novos suspeitos são sugeridos, mas apenas um será identificado no desfecho. Estamos em 1888, e o inspetor Edmund Reid (Phil Molloy), da Scotland Yard, está investigando a morte de três prostitutas. O modus operandi do assassino é o mesmo: primeiro corta a garganta e depois remove alguns órgãos internos, serviço de quem conhece a anatomia humana. Entre os suspeitos estão médicos - o próprio legista da polícia, locque Thomas (Jonathan Hansler) é um deles -, açougueiros e até um jornalista, sempre presente no local dos crimes. Uma reviravolta no desfecho esclarece para o espectador quem é o verdadeiro assassino. Claro, tudo imaginação do roteirista e diretor Steven Lawson. Fica evidente que o filme é uma produção de baixo custo, com elenco de ilustres desconhecidos, cenários pobres e figurinos baratos. Talvez feito para a TV ou para sair direto em vídeo. Ficou parecendo uma peça de teatro. De qualquer forma, mesmo sendo uma ficção (a não ser os crimes), é uma história interessante.            

domingo, 4 de setembro de 2022

 

“PASSEI POR AQUI” (“I CAME BY”), 2022, Inglaterra, 1h50m, lançamento Netflix, direção do cineasta iraniano Babak Anuari, que também assina o roteiro com a colaboração de Namsi Khan. Mais um bom suspense policial da Netflix (estreou dia 31 de agosto). A história é centrada em dois jovens grafiteiros amigos de infância – Toby Nealey (George Mackay, de “1917”) e Jameel Agassi (Percelle Ascott) –, que saem pela noite afora pelos bairros chiques de Londres grafitando a mensagem “Passei por Aqui” em casas de pessoas ricas, uma maneira de descarregar suas frustrações. Afinal, são dois fracassados. Toby mora com a mãe, Lizzie (Kelly MacDonald), não trabalha e sempre se mostra agressivo quando a mãe cobra uma atitude. Quando Jameel descobre que a namorada Naserine (Varada Sethu) está grávida, decide não grafitar mais com Toby, que continua aprontando, mas desta vez sozinho. Sua situação, porém, acaba se complicando depois que grafita a casa de um importante e respeitado jurista, o juiz aposentado Hector Blake (Gugh Bonneville, da série “Downton Abbey”). Aqui, Toby descobrirá segredos escabrosos e acaba desaparecendo misteriosamente. A mãe e o amigo Jameel ficam desesperados e procuram a polícia. O que terá acontecido com Toby? A resposta só será dada perto do desfecho, quando segredos terríveis serão revelados. Não há dúvida de que se trata de um ótimo suspense, que mantém muita tensão do começo ao fim, deixando o espectador na maior expectativa do que vai acontecer na cena seguinte. No final, o vilão será revelado, mas ficou faltando explicar melhor suas motivações. Esta talvez seja a única falha do roteiro, mas que não prejudica o resultado final, que é muito bom.          

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

 

“A FUGA DE AKILLA” (“AKILLA’S ESCAPE”), 2021, coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h30m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Charles Officer, que também assina o roteiro com a colaboração de Wendy Motion Brathwaite. Este é o primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Charles Officer, filho de imigrantes jamaicanos e ex-jogador profissional de hóquei radicado no Canadá. Ele é mais conhecido como diretor de séries, documentários e curtas. Neste seu filme de estreia, Officer realizou um belo trabalho. Embora a história seja ambientada em Nova Iorque e Toronto, o pano de fundo é a situação política da Jamaica. Por causa da guerra civil no país, muitos jamaicanos imigraram para os Estados Unidos e Canadá. É o caso da família de Akilla Brown (Saul Williams). A história começa em 1995, apresentando Akilla como um garoto de 15 anos morando com o pai e a mãe em Nova Iorque. O pai é traficante e um marido abusivo. Pior: recruta Akilla para traficar drogas. O filme dá um salto no tempo para 2020, quando Akilla já está em Toronto, trabalhando como traficante para a poderosa Athena, a “Grega” (Theresa Tova). Uma noite, quando Akilla vai se abastecer em um escritório da “Grega”, é surpreendido por quatro ladrões. Ele consegue prender um deles, um garoto de 15 anos chamado Sheppard (Thamela Mpumlwana, o mesmo ator que interpreta Akilla adolescente). Ao descobrir que o menino lembra muito sua própria história de vida, Akilla decide protegê-lo, atitude que colocará sua vida em grande perigo. Também estão no elenco Ronnie Rowe Jr., Colm Feore, Vic Mensa e Tony Nappo. “A Fuga de Akilla” é um bom drama de suspense envolvendo o tráfico de drogas, o recrutamento de jovens e a destruição das famílias, ao som sempre presente do reggae. Ao invés da ação propriamente dita, com tiroteios, pancadarias e perseguições, o roteiro privilegia o psicológico dos personagens, o que torna o filme mais criativo e interessante. Para assistir e refletir.      

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

 

“UM MARIDO FIEL” (“KAERLIGHED FOR VOKSNE”), 2022, Dinamarca, lançamento Netflix, 1h44m, direção de Barara Topsøe-Rothenborg. O roteiro, assinado por Anders Rønnow e Jacob Weinreich, é baseado no livro homônimo de Anna Ekberg. Trata-se de um suspense cuja história é centrada no relacionamento conflituoso do casal Christian (Dar Salim) e Leonora (Sonja Richter), ele um construtor de sucesso e ela uma ex-violinista talentosa que abandonou a carreira para cuidar do filho Johan (Milo Campanale), acometido de uma doença grave. Leonora descobre que Christian está tendo um caso com a jovem arquiteta Xenia (Sus Wilkins) e parte para a vingança, ameaçando delatar o marido a respeito de uma fraude. Ou ele deixa a amante ou ela o denuncia. Um grande dilema para Christian, que não vai deixar barato as ameaças da esposa e resolve tomar uma atitude drástica. Não dá para comentar mais para não estragar as surpresas do roteiro. “Um Marido Fiel” atende às expectativas de quem curte um bom suspense, tornando-se um ótimo entretenimento, tenso e angustiante. É o cinema dinamarquês voltando à sua melhor forma. Não perca!    

sábado, 27 de agosto de 2022

“INTRUSÃO” (“INTRUSION”), 2021, Estados Unidos, 1h33m, disponível na plataforma Netflix, direção de Adam Salky, seguindo roteiro assinado por Chris Sparling. Trata-se de um thriller bastante tenso cuja história é centrada em um casal que resolve se mudar de Boston (Massachusetts) para Corrales, no Novo México, praticamente do outro lado do país. Não há muita explicação para essa mudança radical, a não ser começar uma nova vida sem o estresse de uma grande cidade, mas tão longe assim? Henry Parsons (Logan Marshall-Green) é um renomado arquiteto e seu sonho sempre foi construir uma casa enorme, aquela que resolveu morar com a esposa Meera (Freida Pinto) em Corrales. Meera é terapeuta juvenil e em poucos meses já atendia em seu consultório na nova cidade. Uma noite, quando chegam em casa, percebem que alguém entrou e revirou tudo, roubando apenas um laptop e um celular. Eles avisam a polícia, que registra a ocorrência e promete investigar. O detetive Stephen Morse (Robert John Burke) estranha que a casa não tenha alarme ou câmeras de vigilância. Mais estranho ainda acontece dias depois, quando a casa é novamente invadida por três homens, mas desta vez Henry e Meera estão presentes. Com uma pistola que mantinha enterrada em um vaso, Henry consegue matar dois e mandar um para o hospital em estado grave. No meio de toda essa confusão, a polícia descobre que uma jovem está desaparecida. Ela é filha de um homem que trabalhou na construção da casa. Para acrescentar uma dose a mais de mistério, Meera começa a desconfiar que o marido está escondendo algum segredo, depois que viu algumas fotos tiradas durante as obras. Além de garantir um clima bastante tenso e alguns bons sustos, o filme conta ainda com uma trilha sonora das mais eficientes, principalmente nos momentos de maior tensão. A atriz Freida Pinto, embora nascida na Índia, é muito requisitada pelo cinema norte-americano e europeu, revelando-se muito competente. Resumo da ópera, “Intrusão” é um bom programa para quem curte filmes de suspense, garante dois ou três bons sustos e muita tensão até o desfecho. E não como negar: Freida é uma gata.          

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

“TUDO POR JOJO” (“FÜR JOJO”), 2022, Alemanha, 1h30m, disponível na plataforma Netflix, direção de Barbara Ott (é o seu segundo longa-metragem; o primeiro foi “A Luta”, de 2020), com roteiro de Stefanie Ren. Se houvesse uma eleição para escolher o pior filme do ano, este certamente ganharia no 1º turno com ampla vantagem. Trata-se de um drama centrado na relação de duas amigas de infância, Paula (Caro Cult) e Jojo (Nina Gummich). Elas cresceram juntas em uma pequena cidade localizada numa ilha e nunca se desgrudaram. Foram para Berlim estudar e alugaram um apartamento. A relação continuava ótima, até o dia em que Jojo arrumou um emprego no México e se mandou. Sozinha, Paula curtia uma depressão severa, pois sentia muita falta da amiga. Tudo piorou quando Jojo voltou para Berlim trazendo a tiracolo um namorado, Daniel (Steven Sowan). Essa surpresa acendeu o estopim do pavio de Paula, que já é curto. Quando a amiga anunciou que ia casar, Paula partiu para o ataque, fazendo tudo para separar os dois. Com sua obsessão doentia pela amiga, Paula tornou-se um dos personagens mais odiosos do cinema contemporâneo. Mimada, egoísta, frustrada, invejosa, arrogante, enfim, insuportável. Deu vontade de entrar na tela e encher a moça de alguns tapas anti-histeria. Ela conseguiu ser mais chata do que o próprio filme, que por si só é intragável, entediante e plenamente descartável (lixo limpo, lembre-se). Trocando em miúdos, só assista se estiver com muita raiva dos seus neurônios.   

terça-feira, 23 de agosto de 2022

 

O famoso serial killer Ted Bundy, que nos anos 70 do século passado, sequestrou, estuprou e matou mais de 30 mulheres nos EUA, já foi personagem principal de vários filmes, séries e documentários. Agora, acaba de chegar à Netflix “TED BUNDY: A CONFISSÃO FINAL” (“NO MAN OF GOD”), 2021, Estados Unidos, direção de Amber Sealey, seguindo roteiro escrito por Kit Lesser. Este também é baseado em fatos reais, ou seja, as entrevistas que o agente e psicólogo do FBI Bill Hagmaier (Elijah Wood) fez com o assassino (Luke Kirby) ao longo dos anos 80 no corredor da morte – Ted foi executado em 1989. A missão de Hagmaier era entrar na mente de Bundy, delinear seu perfil psicológico e arrancar mais confissões. O filme destaca todas essas conversas, que se prestam mais a estudantes de psicologia do que a nós, espectadores normais. É um pouco cansativo acompanhar esses diálogos, mas a competência dos dois atores principais consegue diminuir um transcorrer entediante. Além de bom ator, Luke Kirby tem uma semelhança física incrível com o verdadeiro Ted Bundy. Não gostei da escolha de Elijah Wood para o papel do agente do FBI. Aos 40 anos, Wood continua com a mesma carinha infantil de Frodo, o seu personagem em “Senhor dos Anéis”. Além disso, é baixinho e, provavelmente, não teria passado em um critério físico para ser agente do FBI. Completam o elenco, entre outros, Robert Patrick, Aleksa Palladino, Jessica Lynn Skinner, Rachel Tysior, Christian Clemenson, W. Earl Brown, Tom Virtue, Mac Brandt e Hugo Armstrong. O filme é interessante. Não mais do que isso.               

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

 

“ENTERRADO” (“ZELAZNY MOST”), 2019, Polônia, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h25m, longa-metragem de estreia no roteiro e direção de Monika Jordan-Mlodzianowska, até então mais conhecida como documentarista. E que ótima estreia. Monika realizou um drama que mistura romance, suspense, traição, culpa e arrependimento. Kacper (Barlomiej Topa) é o melhor amigo de Oskar (Lukasz Simlat). Trabalham juntos há anos em uma mina, saem juntos para beber e Kacper, solteiro, frequenta a casa de Oskar, que é casado com a bela Magda (Julia Kijowska). Numa noite de música e movidos a muita vodka, Kacper e Magda acabam transando, enquanto Oskar curte um bêbado sono. Dessa forma, começa o triângulo amoroso que resultará em uma tragédia. Apaixonado por Magda, Kacper quer se livrar de Oskar (mui amigo esse Kacper). Com essa intenção, Kacper, que é chefe de Oskar, o envia para um local perigoso da mina. Não dá outra. Acontece um desmoronamento e Oskar fica soterrado. Logo em seguida é iniciada uma grande operação de resgate, o que resultará em momentos de muita angústia e tensão. Este é mais um excelente exemplar da nova safra de filmes do moderno cinema polonês, que já nos contemplou recentemente com “Polônia à Flor da Pele”, “Morte às Seis da Tarde”, “Entre Frestas”, Rede de Ódio”, “Interrompemos a Programação” e “Como Me Apaixonei por um Gângster”, entre outros. “Enterrado” também é de grande qualidade, tanto que conquistou o prêmio de Melhor Filme no Winchester Film Festival 2021 (Inglaterra) e indicado para o prêmio “Golden Lions” de Melhor filme no Polish Film Festival. A tradução do título para o português não foi a melhor opção, já que o título original quer dizer “Ponte de Ferro”. Cabe aqui destacar como um dos trunfos do filme a atuação da bela atriz Julia Kijowska (“Nina”, de 2018). “Zelazny Most” é daqueles filmes que merecem ser descobertos. É cinema de muita qualidade. Não perca!             

sábado, 20 de agosto de 2022

 

“COSAS IMPOSIBLES”, 2021, México, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h29m, direção de Ernesto Contreras, seguindo roteiro assinado por Fani Soto. Mais um daqueles filmes que a gente encontra escondidinho, sem muito alarde e quase nenhuma divulgação. E garanto: trata-se de mais uma pequena pérola. Um drama cativante e sensível, apresentando uma amizade improvável entre uma viúva solitária e um adolescente que trafica drogas para sobreviver. Eles moram em um conjunto de prédios populares na periferia de uma cidade, provavelmente a capital Cidade do México – acho uma falha não definir a cidade onde é ambientada a história, o que vale para outros tantos filmes. Matilde (Nora Velasquez) perdeu o marido Porfírio (Salvador Garcini) há pouco tempo e não lamenta a perda, já que ele a tratava abusivamente, incluindo agressões constantes. O grande problema, porém, é que Matilde é frequentemente assombrada pelo fantasma de Porfírio, que continua a azucriná-la mesmo morto. Por uma questão burocrática, ela encontra dificuldade para receber a pensão do falecido e começa a passar necessidades, não tendo dinheiro nem para comer, mas para o seu gato Fidel nunca falta comida. O adolescente Miguel (Bruno Coronel), seu vizinho no condomínio, sente pena e começa a ajudá-la, comprando comida para comer com ela. Daí nasce a tal amizade improvável de que falei no início do comentário, mas que, com o decorrer dos dias, consolida-se cada vez mais, a ponto de cada um desabafar com o outro seus problemas e segredos - a química entre os dois atores é o maior trunfo do filme. Miguel é o filho que Matilde nunca teve e ela é a mãe que ele não tem há tempos. Para minimizar a dose de dramaticidade, o roteiro inclui algumas pitadas de humor, a melhor delas quando Miguel ensina Matilde a fumar um baseado. Dessa forma, “Cosas Imposibles” consegue se impor como um entretenimento dos mais agradáveis. É, com certeza, mais uma joia do sempre surpreendente cinema mexicano. Imperdível!              

 

 

 

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

 

 

“CÓDIGO: IMPERADOR” (“CÓDIGO EMPERADOR”), 2022, coprodução Espanha/França, 1h46m, disponível na plataforma Netflix, direção de Jorge Coira e roteiro assinado por Jorge Guerricaecheverria. Trata-se de um suspense que mistura política, espionagem, tráfico de drogas e contrabando. A história é centrada no agente especial Juan (Luis Tosar), que trabalha para os serviços de inteligência do governo espanhol. Apresentadas durante o filme, suas missões são as mais variadas possíveis. Na principal delas, precisa incriminar um político íntegro e, para tanto, recruta uma prostituta drogada. Outra missão é desbaratar uma quadrilha de neonazistas que contrabandeou material radioativo para a Espanha. Também é contratado para limpar a barra de um jogador de futebol que costuma espancar a esposa. Outra missão leva Juan ao Panamá para adulterar os indícios que poderiam incriminar um importante juiz envolvido num assassinato. Em meio a todo esse trabalho, Juan vive um romance tórrido com uma imigrante filipina (Alexandra Masangkay) com a idade para ser sua filha. Um romance muito forçado, sem nenhuma credibilidade. Também estão no elenco Georgina Amorós, Laura Dominguez, Fran Lareu, Denis Gomes, Juan Carlos Vellito, Miguel Rellán e Maria Botto. Trocando em miúdos, o roteiro é bastante confuso, prejudicando o entendimento da história e contribuindo para um resultado final bastante negativo. O grande Luis Tosar já fez filmes muito melhores, como, por exemplo, “Cela 211”, cujo roteiro, também assinado por Guerricaecheverria, conquistou o prêmio Goya (o Oscar espanhol).         

 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

 

“RETORNO” (“PIPA”), 2022, Argentina, 1h55m, disponível na plataforma Netflix, direção de Alejandro Montiel, que também assina o roteiro com Mili Roque Pitt. Este é o terceiro thriller policial baseado na série “Os Crimes do Sul”, da jornalista Florencia Etcheves. Os dois primeiros filmes foram “Desaparecida” e “Presságio”, ambos comentados neste blog. Afirmo, sem qualquer dúvida, que “Retorno” é o mais fraco dos três. A atriz Luisana Lopilato atua como personagem principal nos três. Como curiosidade, ela é casada com o cantor canadense Michael Bublé desde 2011. Em “Retorno”, Luisana é a ex-policial Manuela “Pipa” Pelari, expulsa da corporação há 10 anos depois de se envolver com uma poderosa traficante. Mãe solteira do adolescente Tobías (Benjamín Del Cerro), ela vive isolada em uma fazenda na região desértica do vilarejo de La Quebrada, também conhecida como “Quebrada de Humauaca”, ao norte da Argentina. Seu único contato social é com a tia Alícia (a atriz chilena Paulina García, de “Glória”), que também é fazendeira. Quando uma jovem de ascendência indígena é assassinada, a polícia local faz tudo para encobrir os assassinos, mas Pipa descobre a verdade e acaba se envolvendo nas investigações, colocando em risco não só a sua vida como a de seu filho. Estão ainda no elenco Inés Estévez, Mauricio Paniagua, Malena Narvay, Laura González e Aquiles Casabella. Como pano de fundo, o filme também traz à luz a questão política que envolve a exploração das populações indígenas naquela região da Argentina por parte de poderosos empresários. Mesmo com a presença das excelentes atrizes Luisana Lopilato e Paulina García – o restante do elenco é muito fraco -, “Retorno” não faz jus a uma recomendação entusiasmada e muito menos parece fruto do excelente cinema argentino.        

 

sábado, 13 de agosto de 2022

 

“MIMADINHOS” (“POURRIS GÂTÉS”), 2021, França, produção original Netflix, 1h35m, direção de Nicoles Cuche, que também assina o roteiro com Laurent Turner. Apesar do título tão fraco e pouco inteligente em português – o título no original francês ainda é pior, “Podre Estragado” – trata-se de uma comédia que diverte, mesmo que não motive nenhuma gargalhada. O roteiro foi inspirado no filme mexicano "Los Nobles - Quando os Ricos Quebram a Cara Domingo", de 2013. O empresário milionário Francis Bartek (o veterano Gérard Jugnot, de “A Voz do Coração”, de 2004) mima demais os filhos, que na casa dos 30 não trabalham e vivem às custas bastante generosas do pai. A família vive no charmoso Principado de Mônaco. Stella (Camille Lou, ótima), a mais mimada, não faz nada além de frequentar as lojas mais caras, saindo delas com sacolas e mais sacolas das mais renomadas grifes. O gordinho Phillippe (o comediante francês Victor Artus Solaro) compra os carros mais caros do mercado e vive inventando ideias empresariais das mais esdrúxulas. Alexandre (Louka Meliava) é um predador sexual convicto, pulando de cama em cama, principalmente de mulheres casadas. Para piorar, Stella está noiva de Juan Carlos (Tom Leeb), um pilantra conquistador argentino louco para meter a mão na grana do sogro. Diante desse cenário infeliz, Francis resolve dar um basta. Com a cumplicidade do amigo Ferrucio (François Morel), ele bola um plano para fingir que está na miséria e dá a trágica notícia aos filhos. Dizendo fugir da polícia para não ser preso, Francis viaja para Marselha e se esconde na velha casa em que viveu na infância. E a ordem para os filhos foi: “Se quiserem comer vão ter que trabalhar”. Muito a contragosto, o trio mimado terá que batalhar para sobreviver. No entanto, a lição de moral do pai enfrentará desafios, mas no fim, como é previsível, tudo acaba dando certo. Um dos problemas dessa comédia é o ritmo inconstante. No começo, as situações de humor acontecem a cada minuto, mas a partir da metade o ritmo dá uma diminuída, o que, felizmente, não chega a prejudicar o resultado final, ou seja, um filme agradável de assistir. Ah, não desligue antes dos créditos finais, pois o destino de um dos personagens principais reserva uma grande surpresa.         

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

 

“TODO LO INVISIBLE”, 2021, México (produção Tigres Pictures), disponível na plataforma Amazon Prime Video, Direção de Mariana Chenillo, que também assina o roteiro com Ari Brickman (também o ator principal). Jamais subestime aquele filme que chega sem muito alarde e fica escondidinho em alguma plataforma de vídeo, no caso a Amazon. Um dos exemplos é este drama mexicano com algumas pitadas de humor, qualificando-o como comédia dramática. A história é centrada do dentista Jonás (Ari Brickman), profissional dos mais conceituados da capital mexicana. Devido a um acidente com o airbag de seu carro, ele fica cego. Mesmo com a deficiência, ele cuida das duas filhas menores, enquanto Amanda (Bárbara Mori), sua mulher, trabalha em um cargo importante numa grande empresa. De vez em quando, a cegueira leva Jonás a ter alucinações, principalmente imagens de sua infância. Revoltado com sua situação, Jonás resolve processar a empresa fabricante do airbag, assessorado pelo amigo e advogado Saúl (José Maria de Tavira), ex-namorado de Amanda. Aos poucos, o ciúme vai tomando conta de Jonás, ocasionando uma grande crise no casamento. Se o filme por si só já é ótimo, é justo destacar o maravilhoso desempenho do ator Ari Brickman, que, além do roteiro, também assina a trilha sonora. Outro destaque merece a atriz uruguaia Bárbara Mori. “Todo Lo Invisible” é mais um excelente drama do sempre surpreendente cinema mexicano. Imperdível!