“INTRUSÃO” (“INTRUSION”),
2021, Estados Unidos, 1h33m, disponível na plataforma Netflix, direção de Adam
Salky, seguindo roteiro assinado por Chris Sparling. Trata-se de um thriller
bastante tenso cuja história é centrada em um casal que resolve se mudar de
Boston (Massachusetts) para Corrales, no Novo México, praticamente do outro
lado do país. Não há muita explicação para essa mudança radical, a não ser
começar uma nova vida sem o estresse de uma grande cidade, mas tão longe assim? Henry Parsons (Logan
Marshall-Green) é um renomado arquiteto e seu sonho sempre foi construir uma
casa enorme, aquela que resolveu morar com a esposa Meera (Freida Pinto) em
Corrales. Meera é terapeuta juvenil e em poucos meses já atendia em seu consultório
na nova cidade. Uma noite, quando chegam em casa, percebem que alguém entrou e
revirou tudo, roubando apenas um laptop e um celular. Eles avisam a polícia,
que registra a ocorrência e promete investigar. O detetive Stephen Morse
(Robert John Burke) estranha que a casa não tenha alarme ou câmeras de
vigilância. Mais estranho ainda acontece dias depois, quando a casa é novamente
invadida por três homens, mas desta vez Henry e Meera estão presentes. Com uma
pistola que mantinha enterrada em um vaso, Henry consegue matar dois e mandar
um para o hospital em estado grave. No meio de toda essa confusão, a polícia
descobre que uma jovem está desaparecida. Ela é filha de um homem que trabalhou
na construção da casa. Para acrescentar uma dose a mais de mistério, Meera
começa a desconfiar que o marido está escondendo algum segredo, depois que viu
algumas fotos tiradas durante as obras. Além de garantir um clima bastante
tenso e alguns bons sustos, o filme conta ainda com uma trilha sonora das mais
eficientes, principalmente nos momentos de maior tensão. A atriz Freida Pinto, embora
nascida na Índia, é muito requisitada pelo cinema norte-americano e europeu, revelando-se
muito competente. Resumo da ópera, “Intrusão” é um bom programa para quem
curte filmes de suspense, garante dois ou três bons sustos e muita tensão até o
desfecho. E não como negar: Freida é uma gata.
sábado, 27 de agosto de 2022
quinta-feira, 25 de agosto de 2022
terça-feira, 23 de agosto de 2022
O famoso serial killer Ted Bundy, que nos anos 70 do século passado, sequestrou, estuprou e matou mais de 30 mulheres nos EUA, já foi personagem principal de vários filmes, séries e documentários. Agora, acaba de chegar à Netflix “TED BUNDY: A CONFISSÃO FINAL” (“NO MAN OF GOD”), 2021, Estados Unidos, direção de Amber Sealey, seguindo roteiro escrito por Kit Lesser. Este também é baseado em fatos reais, ou seja, as entrevistas que o agente e psicólogo do FBI Bill Hagmaier (Elijah Wood) fez com o assassino (Luke Kirby) ao longo dos anos 80 no corredor da morte – Ted foi executado em 1989. A missão de Hagmaier era entrar na mente de Bundy, delinear seu perfil psicológico e arrancar mais confissões. O filme destaca todas essas conversas, que se prestam mais a estudantes de psicologia do que a nós, espectadores normais. É um pouco cansativo acompanhar esses diálogos, mas a competência dos dois atores principais consegue diminuir um transcorrer entediante. Além de bom ator, Luke Kirby tem uma semelhança física incrível com o verdadeiro Ted Bundy. Não gostei da escolha de Elijah Wood para o papel do agente do FBI. Aos 40 anos, Wood continua com a mesma carinha infantil de Frodo, o seu personagem em “Senhor dos Anéis”. Além disso, é baixinho e, provavelmente, não teria passado em um critério físico para ser agente do FBI. Completam o elenco, entre outros, Robert Patrick, Aleksa Palladino, Jessica Lynn Skinner, Rachel Tysior, Christian Clemenson, W. Earl Brown, Tom Virtue, Mac Brandt e Hugo Armstrong. O filme é interessante. Não mais do que isso.
segunda-feira, 22 de agosto de 2022
“ENTERRADO” (“ZELAZNY MOST”), 2019,
Polônia, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h25m, longa-metragem de estreia
no roteiro e direção de Monika Jordan-Mlodzianowska, até então mais conhecida
como documentarista. E que ótima estreia. Monika realizou um drama que mistura romance,
suspense, traição, culpa e arrependimento. Kacper (Barlomiej Topa) é o melhor
amigo de Oskar (Lukasz Simlat). Trabalham juntos há anos em uma mina, saem
juntos para beber e Kacper, solteiro, frequenta a casa de Oskar, que é casado
com a bela Magda (Julia Kijowska). Numa noite de música e movidos a muita
vodka, Kacper e Magda acabam transando, enquanto Oskar curte um bêbado sono. Dessa
forma, começa o triângulo amoroso que resultará em uma tragédia. Apaixonado por
Magda, Kacper quer se livrar de Oskar (mui amigo esse Kacper). Com essa intenção,
Kacper, que é chefe de Oskar, o envia para um local perigoso da mina. Não dá
outra. Acontece um desmoronamento e Oskar fica soterrado. Logo em seguida é
iniciada uma grande operação de resgate, o que resultará em momentos de muita
angústia e tensão. Este é mais um excelente exemplar da nova safra de filmes do
moderno cinema polonês, que já nos contemplou recentemente com “Polônia à Flor
da Pele”, “Morte às Seis da Tarde”, “Entre Frestas”, Rede de Ódio”, “Interrompemos
a Programação” e “Como Me Apaixonei por um Gângster”, entre outros. “Enterrado”
também é de grande qualidade, tanto que conquistou o prêmio de Melhor Filme no
Winchester Film Festival 2021 (Inglaterra) e indicado para o prêmio “Golden
Lions” de Melhor filme no Polish Film Festival. A tradução do título para o
português não foi a melhor opção, já que o título original quer dizer “Ponte de
Ferro”. Cabe aqui destacar como um dos trunfos do filme a atuação da bela atriz
Julia Kijowska (“Nina”, de 2018). “Zelazny Most” é daqueles filmes que merecem ser
descobertos. É cinema de muita qualidade. Não perca!
sábado, 20 de agosto de 2022
“COSAS IMPOSIBLES”, 2021,
México, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h29m, direção de Ernesto
Contreras, seguindo roteiro assinado por Fani Soto. Mais um daqueles filmes que
a gente encontra escondidinho, sem muito alarde e quase nenhuma divulgação. E
garanto: trata-se de mais uma pequena pérola. Um drama cativante
e sensível, apresentando uma amizade improvável entre uma viúva solitária e um
adolescente que trafica drogas para sobreviver. Eles moram em um conjunto de
prédios populares na periferia de uma cidade, provavelmente a capital Cidade do
México – acho uma falha não definir a cidade onde é ambientada a história, o
que vale para outros tantos filmes. Matilde (Nora Velasquez) perdeu o marido
Porfírio (Salvador Garcini) há pouco tempo e não lamenta a perda, já que ele a tratava
abusivamente, incluindo agressões constantes. O grande problema, porém, é que Matilde
é frequentemente assombrada pelo fantasma de Porfírio, que continua a
azucriná-la mesmo morto. Por uma questão burocrática, ela encontra dificuldade para receber
a pensão do falecido e começa a passar necessidades, não tendo dinheiro nem
para comer, mas para o seu gato Fidel nunca falta comida. O adolescente Miguel
(Bruno Coronel), seu vizinho no condomínio, sente pena e começa a ajudá-la,
comprando comida para comer com ela. Daí nasce a tal amizade improvável de que
falei no início do comentário, mas que, com o decorrer dos dias, consolida-se
cada vez mais, a ponto de cada um desabafar com o outro seus problemas e
segredos - a química entre os dois atores é o maior trunfo do filme. Miguel é o filho que Matilde nunca teve e ela é a mãe que ele não tem
há tempos. Para minimizar a dose de dramaticidade, o roteiro inclui algumas
pitadas de humor, a melhor delas quando Miguel ensina Matilde a fumar um baseado.
Dessa forma, “Cosas Imposibles” consegue se impor como um entretenimento dos
mais agradáveis. É, com certeza, mais uma joia do sempre surpreendente cinema mexicano.
Imperdível!
quarta-feira, 17 de agosto de 2022
“CÓDIGO: IMPERADOR” (“CÓDIGO
EMPERADOR”), 2022, coprodução Espanha/França, 1h46m,
disponível na plataforma Netflix, direção de Jorge Coira e roteiro assinado por
Jorge Guerricaecheverria. Trata-se de um suspense que mistura política,
espionagem, tráfico de drogas e contrabando. A história é centrada no agente
especial Juan (Luis Tosar), que trabalha para os serviços de inteligência do
governo espanhol. Apresentadas durante o filme, suas missões são as mais
variadas possíveis. Na principal delas, precisa incriminar um político íntegro
e, para tanto, recruta uma prostituta drogada. Outra missão é desbaratar uma
quadrilha de neonazistas que contrabandeou material radioativo para a Espanha. Também
é contratado para limpar a barra de um jogador de futebol que costuma espancar
a esposa. Outra missão leva Juan ao Panamá para adulterar os indícios que
poderiam incriminar um importante juiz envolvido num assassinato. Em meio a
todo esse trabalho, Juan vive um romance tórrido com uma imigrante filipina
(Alexandra Masangkay) com a idade para ser sua filha. Um romance muito forçado,
sem nenhuma credibilidade. Também estão no elenco Georgina Amorós, Laura
Dominguez, Fran Lareu, Denis Gomes, Juan Carlos Vellito, Miguel Rellán e Maria
Botto. Trocando em miúdos, o roteiro é bastante confuso, prejudicando o
entendimento da história e contribuindo para um resultado final bastante
negativo. O grande Luis Tosar já fez filmes muito melhores, como, por exemplo, “Cela
211”, cujo roteiro, também assinado por Guerricaecheverria, conquistou o prêmio
Goya (o Oscar espanhol).
terça-feira, 16 de agosto de 2022
“RETORNO” (“PIPA”), 2022,
Argentina, 1h55m, disponível na plataforma Netflix, direção de Alejandro
Montiel, que também assina o roteiro com Mili Roque Pitt. Este é o terceiro
thriller policial baseado na série “Os Crimes do Sul”, da jornalista Florencia
Etcheves. Os dois primeiros filmes foram “Desaparecida” e “Presságio”, ambos comentados neste blog. Afirmo,
sem qualquer dúvida, que “Retorno” é o mais fraco dos três. A atriz Luisana
Lopilato atua como personagem principal nos três. Como curiosidade, ela é
casada com o cantor canadense Michael Bublé desde 2011. Em “Retorno”, Luisana é
a ex-policial Manuela “Pipa” Pelari, expulsa da corporação há 10 anos depois de
se envolver com uma poderosa traficante. Mãe solteira do adolescente Tobías
(Benjamín Del Cerro), ela vive isolada em uma fazenda na região desértica do
vilarejo de La Quebrada, também conhecida como “Quebrada de Humauaca”, ao norte
da Argentina. Seu único contato social é com a tia Alícia (a atriz chilena Paulina
García, de “Glória”), que também é fazendeira. Quando uma jovem de ascendência indígena é assassinada, a
polícia local faz tudo para encobrir os assassinos, mas Pipa descobre a verdade
e acaba se envolvendo nas investigações, colocando em risco não só a sua vida
como a de seu filho. Estão ainda no elenco Inés Estévez, Mauricio Paniagua,
Malena Narvay, Laura González e Aquiles Casabella. Como pano de fundo, o filme
também traz à luz a questão política que envolve a exploração das populações
indígenas naquela região da Argentina por parte de poderosos empresários. Mesmo
com a presença das excelentes atrizes Luisana Lopilato e Paulina García – o restante
do elenco é muito fraco -, “Retorno” não faz jus a uma recomendação
entusiasmada e muito menos parece fruto do excelente cinema argentino.
sábado, 13 de agosto de 2022
“MIMADINHOS” (“POURRIS GÂTÉS”), 2021, França, produção original Netflix, 1h35m, direção de Nicoles Cuche, que também assina o roteiro com Laurent Turner. Apesar do título tão fraco e pouco inteligente em português – o título no original francês ainda é pior, “Podre Estragado” – trata-se de uma comédia que diverte, mesmo que não motive nenhuma gargalhada. O roteiro foi inspirado no filme mexicano "Los Nobles - Quando os Ricos Quebram a Cara Domingo", de 2013. O empresário milionário Francis Bartek (o veterano Gérard Jugnot, de “A Voz do Coração”, de 2004) mima demais os filhos, que na casa dos 30 não trabalham e vivem às custas bastante generosas do pai. A família vive no charmoso Principado de Mônaco. Stella (Camille Lou, ótima), a mais mimada, não faz nada além de frequentar as lojas mais caras, saindo delas com sacolas e mais sacolas das mais renomadas grifes. O gordinho Phillippe (o comediante francês Victor Artus Solaro) compra os carros mais caros do mercado e vive inventando ideias empresariais das mais esdrúxulas. Alexandre (Louka Meliava) é um predador sexual convicto, pulando de cama em cama, principalmente de mulheres casadas. Para piorar, Stella está noiva de Juan Carlos (Tom Leeb), um pilantra conquistador argentino louco para meter a mão na grana do sogro. Diante desse cenário infeliz, Francis resolve dar um basta. Com a cumplicidade do amigo Ferrucio (François Morel), ele bola um plano para fingir que está na miséria e dá a trágica notícia aos filhos. Dizendo fugir da polícia para não ser preso, Francis viaja para Marselha e se esconde na velha casa em que viveu na infância. E a ordem para os filhos foi: “Se quiserem comer vão ter que trabalhar”. Muito a contragosto, o trio mimado terá que batalhar para sobreviver. No entanto, a lição de moral do pai enfrentará desafios, mas no fim, como é previsível, tudo acaba dando certo. Um dos problemas dessa comédia é o ritmo inconstante. No começo, as situações de humor acontecem a cada minuto, mas a partir da metade o ritmo dá uma diminuída, o que, felizmente, não chega a prejudicar o resultado final, ou seja, um filme agradável de assistir. Ah, não desligue antes dos créditos finais, pois o destino de um dos personagens principais reserva uma grande surpresa.
quinta-feira, 11 de agosto de 2022
“TODO LO INVISIBLE”, 2021, México (produção Tigres Pictures), disponível na plataforma Amazon Prime Video, Direção de Mariana Chenillo, que também assina o roteiro com Ari Brickman (também o ator principal). Jamais subestime aquele filme que chega sem muito alarde e fica escondidinho em alguma plataforma de vídeo, no caso a Amazon. Um dos exemplos é este drama mexicano com algumas pitadas de humor, qualificando-o como comédia dramática. A história é centrada do dentista Jonás (Ari Brickman), profissional dos mais conceituados da capital mexicana. Devido a um acidente com o airbag de seu carro, ele fica cego. Mesmo com a deficiência, ele cuida das duas filhas menores, enquanto Amanda (Bárbara Mori), sua mulher, trabalha em um cargo importante numa grande empresa. De vez em quando, a cegueira leva Jonás a ter alucinações, principalmente imagens de sua infância. Revoltado com sua situação, Jonás resolve processar a empresa fabricante do airbag, assessorado pelo amigo e advogado Saúl (José Maria de Tavira), ex-namorado de Amanda. Aos poucos, o ciúme vai tomando conta de Jonás, ocasionando uma grande crise no casamento. Se o filme por si só já é ótimo, é justo destacar o maravilhoso desempenho do ator Ari Brickman, que, além do roteiro, também assina a trilha sonora. Outro destaque merece a atriz uruguaia Bárbara Mori. “Todo Lo Invisible” é mais um excelente drama do sempre surpreendente cinema mexicano. Imperdível!
terça-feira, 9 de agosto de 2022
“PASSADO VIOLENTO” (“CLEAN”), 2021,
Estados Unidos, 1h34m, disponível na plataforma Netflix, direção de Paul Solet,
que também assina o roteiro com o ator Adrien Brody, que também atua. Mesmo
tendo conquistado o Oscar de Melhor Ator por “O Pianista”, em 2002, Adrien
Brody nunca me convenceu. Aliás, nos últimos anos não fez nada de muito
importante. Em “Passado Violento”, ele continua com a mesma expressão,
sobrancelhas arqueadas como alguém que vai chorar, cara de coitado crônico. Talvez por isso mesmo que
ele acabou combinando com o personagem Clean, um sujeito com um passado
tenebroso e que agora trabalha como coletor de lixo em Nova Iorque. Ele passa
as madrugadas limpando o lixo das ruas e aproveita algumas quinquilharias, as
recupera e vende em brechós. Logo de início a gente fica sabendo que ele busca
redenção culpando-se por uma tragédia familiar do passado – o nome escolhido
para o personagem sugere que agora está “limpo”. Em narração em off, o
personagem filosofa sobre sua vida e o futuro que o aguarda. O filme se arrasta
em ritmo de tartaruga manca, excessivamente lento e sonolento. Para piorar, a
maioria das cenas acontece à noite. A ação começa mesmo perto do desfecho,
quando Clean resolve livrar uma jovem das mãos de uma quadrilha de traficantes.
Acontece que ele quase mata o filho do chefão da gangue, que resolve se vingar.
Aí a ação pega para valer. Também estão no elenco Chandler Ari Dupont, Richie
Merritt, Glen Fleshler e Mykelti Williamson. Não vou dizer que o filme é ruim,
embora tenha sido massacrado pela crítica quando estreou no Festival de Tribeca
2021. Dá para assistir, mas exige uma certa dose de paciência.
segunda-feira, 8 de agosto de 2022
“A ILHA” (“GRAND ISLE”), 2019,
Estados Unidos, 1h37m, distribuição Netflix, direção de Stephen Campanelli (fez
parte muitos anos da equipe de produção do ator e diretor Clint Eastwood), com
roteiro assinado por Rich Ronat e Iver William Jallah. Trata-se de um bom
suspense policial bastante tenso do começo ao fim. O título em português não
tem nada a ver com a história. Longe de ser uma ilha, Grand Isle é uma cidade
do estado da Louisiana, onde a trama é ambientada. Tudo começa em uma
delegacia, onde o detetive Jones (Kelsey Grammer) está interrogando Buddy (Luke
Benward), suspeito de cometer um homicídio – a vítima, um jovem, foi encontrado
morto na perua de Buddy. Aos poucos, Buddy conta o que aconteceu. Ele havia
sido contratado para consertar a cerca de uma casa onde reside o casal Walter (Nicolas
Cage) e Fancy (Kadee Strickland). Antes de terminar o conserto, porém, Buddy é
obrigado a buscar abrigo na casa, pois acabava de começar um furacão. Aí começa
toda a confusão, pois Buddy percebe que está nas mãos de um casal psicopata, Walter, um ex-militar veterano do Vietnã, e Fancy, uma sedenta ninfomaníaca. Buddy
tenta se segurar diante da bela quarentona femme fatale, tarefa difícil,
pois ele mesmo está em jejum há seis meses, desde que a esposa teve nenê. Além disso,
o marido Walter vive bêbado e sempre com um revólver na mão. Como será que Buddy
escapará do casal e da acusação de assassinato? Até chegar a essas respostas, o
espectador viverá muita tensão diante da tela. Nicolas Cage continua o mesmo
ator canastrão de sempre, mas pelo menos escolheu um bom filme para atuar,
longe das porcarias que fez nos últimos anos. Além do título em português,
outra coisa que me intrigou foi o fato da história ser ambientada em 1988, o
que sugere ser baseada em fatos reais, o que não é mencionado nos materiais de
divulgação. Resumo da ópera, “A Ilha” é um bom suspense, mantendo muita tensão
do começo ao fim.
domingo, 7 de agosto de 2022
“LEONA”, 2018,
México, 1h35m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Isaac
Cherem (seu filme de estreia como diretor), que também assina o roteiro com a colaboração
de Naian González Norvind, que também atua como a principal personagem da
história. Ao contrário do que o título sugere, “Leona” quer dizer “Leoa”, e não
o nome de uma personagem. A história é centrada em Ariela (Naian), uma jovem artista
plástica que se dedica a pintar murais pela Cidade do México. Ariela pertence a
uma família tradicional judaica com ascendência síria que há vários anos se
estabeleceu naquele país. Aos 25 anos, ela ainda não pensa em se casar, apesar
dos apelos incessantes da família, que a toda hora recrutam um noivo judaico,
como é tradição das famílias mais ortodoxas. Ariele, porém, acaba conhecendo e
se apaixonando por Ivan (Christian Vázquez), um jovem “gói”, ou seja, não
judeu. Entre idas e vindas, encontros e desencontros. Ariela resolve não rever
os seus conceitos e permanecer fiel aos seus sentimentos, o que acarretará uma
forte rejeição por parte de sua família. Por sua atuação, Naian ganhou, merecidamente, o prêmio
de Melhor Atriz no Morelia International Film Festival 2018. Realmente, um
desempenho magistral dessa jovem atriz que já demonstrou enorme
competência no excelente “Nuevo Orden”, disponível na plataforma Amazon Prime
Video. Trocando em miúdos, “Leona” é cinema de qualidade, mais um excelente drama mexicano que
merece ser visto.
sexta-feira, 5 de agosto de 2022
“ÚLTIMAS NOTÍCIAS DE YUBA COUNTY” (“BREAKY NEWS IN YUBA COUNT”), 2021, Estados Unidos, 1h36m, disponível na Amazon Prime Video, direção de Tate Taylor e roteiro de Amanda Idoko. Comédia de humor negro com um elenco de primeira tendo à frente a ótima Allison Janney, que tem em seu currículo um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2018 por “Eu, Tonya”. A história começa no dia do aniversário de Sue Buttons (Janney). Convencida de que o marido Karl lembrará da data, ela reserva uma mesa para dois em um restaurante chique, prevendo depois uma noite romântica. Doce ilusão. À tarde, Sue está passando por uma rua quando, de repente, vê o marido sair de uma floricultura com um buquê de flores. Ela segue Karl pensando que ele vai para sua casa, mas no meio do caminho ele para em um motel. Sue invade o quarto e surpreende Karl na cama com sua amante. Com o susto, Karl enfarta e morre. A amante (Bridget Everett) foge correndo e Sue tem a infeliz ideia de enterrar o o marido adúltero, junto com sua mochila, no jardim perto do motel. Ela não sabia que a mochila escondia uma grande soma de dinheiro, fruto de uma trambicagem. Para dar uma de inocente, ela anuncia pela imprensa que seu marido foi sequestrado. A partir daí, ela vira quase que uma celebridade na mídia. Enquanto isso, várias situações paralelas vão acontecendo, como uma dupla de ladrões querendo receber o dinheiro do resgate, além da investigação comandada pela detetive Cam Harris (Regina Hall) e seu atrapalhado assistente. Muita água vai rolar até o desfecho, muito sangue vai jorrar e o humor corre solto. Também estão no elenco Juliette Lewis, Mila Kunis, Awkwafina, Ellen Barkin, Jimmi Simpson, Samira Wiley, Clfiton Collins, Wanda Sykes e Keong Sin. Além do elenco afinado, méritos para a direção de Tate Taylor, também conhecido como diretor de "A Garota no Trem", "Histórias Cruzadas", "Ma", e "Get on Up: A História de James Brown", entre outros, e para a roteirista Amanda Idoko, que assinou as séries "Central Park" e "The Mayor". Só para esclarecer: Yuba é um condado do Kentucky. Trocando em miúdos, o filme é muito bom, diverte bastante, em portanto, merece ser conferido.
quarta-feira, 3 de agosto de 2022
“CAÇADA SELVAGEM” (“DAUGHTER OF THE WOLF”), 2019, Canadá, disponível na plataforma Netflix, 1h28m, direção de David Hackl, seguindo roteiro assinado por Nika Agiashvili. É um filme de ação e aventura ambientado nas montanhas geladas do Alasca. Clair Hamilton (Gina Carano) é uma ex-militar com experiência de combate no Afeganistão que tem o filho sequestrado por uma gangue chefiada por um idoso psicopata chamado apenas de “Father” (Richard Dreyfuss). Esse apelido justifica-se pelo fato de que o bando é formado por seus filhos. Para soltar o menino, eles exigem uma grande soma de dinheiro, justamente toda a herança que Clair ganhou após a morte do pai. Com uma sacola levando o dinheiro do resgate, Clair começa a subir as montanhas para resgatar o filho. Logo ela encontra um dos sequestradores, obrigando-o a indicar o local onde o filho está preso. Até o desfecho – um final feliz previsível desde o começo da história -, Clair enfrentará toda a gangue com a ajuda (pasme!) de lobos selvagens, que em nenhum momento a atacam, justificando o título original. A bonitona Gina Carano é uma ex-lutadora de MMA, tendo abandonado os ringues para se dedicar à carreira de atriz. Está dando certo, pois é bastante requisitada para filmes de ação, quando quase sempre encarna personagens do tipo Rambo de saias. Atuação patética tem o veterano Richard Dreyfuss, que demorei a reconhecer no papel do velho psicopata. Também estão no elenco Brendan Fehr, Joshua Murdoch, Sydelle Noel, Stew McLean, Jason Brooks, Chad Riley, Brock Morgan e Nika Agiashvili (responsável pelo roteiro). O filme não foi bem recebido pela crítica especializada, mas acho que resultou em um bom entretenimento para uma sessão da tarde com pipoca.
segunda-feira, 1 de agosto de 2022
“COMO ME APAIXONEI POR UM GÂNGSTER”
(“JAK POKOCHALAM GANGSTERA”), 2021, Polônia, produção
original Netflix, 2h59m, direção de Maciej Kawulski, que também assina o
roteiro com Krzysztof Gureczny. Mais uma joia do sempre surpreendente cinema polonês,
desta vez uma superprodução cuja história é baseada em fatos reais, ou seja, a
vida de Nikoden “Nikos” Skotarczak, considerado um dos maiores gângsters da
história da Polônia. O filme acompanha a trajetória de “Nikos” (Tomasz Wlosok)
durante três décadas a partir do começo dos anos 70, quando começou sua vida de
crimes na cidade de Gdansk, berço político do sindicalista Lech Walesa, que mais tarde seria presidente da Polônia. Nos primeiros anos, Nikos, ao lado do irmão e de alguns
amigos, roubava carros na Alemanha e Áustria e os revendia na Polônia. Dessa
forma, “Nikos” enriqueceu e comandou a mais famosa máfia polonesa. Seu poder
era tão grande que chegou a comprar o Lechia Gdansk, time de futebol da 3ª
divisão. Com o investimento no clube, “Nikos” levou o time à divisão principal, chegando a conquistar a Copa da Polônia na temporada 82/83. O filme também
apresenta o gângster como um mulherengo incorrigível e seu amor por uma
prostituta que durou até o final de sua vida. Ao mesmo tempo em que acompanha a
sua ascensão ao cargo de poderoso mafioso, o filme também mostra sua
decadência, dedicando-se no final de sua vida ao álcool e às drogas. Ou seja, um relato
bastante realista de quem foi um dos gângsters mais poderosos da Polônia. Seu
mantra era: “É melhor viver um ano como um tigre, do que vinte como uma
tartaruga”. Seu poder, porém, incomodava outras máfias, o que resultou no seu
assassinato. Tudo isso é contado no filme a partir do depoimento de uma mulher enigmática
a um jornalista que queria fazer uma reportagem sobre a vida de “Nikos”. Além
do ótimo ator Tomasz Wlosok, que dá um show no papel do gângster, estão no
elenco outros nomes conhecidos do cinema polonês, como Agnieszka Grochowska,
Magdalena Lamparska, Julia Wieniawa, Mikolaj Kubaiki e Sebastian Fabijanski.
Trocando em miúdos, um filme sensacional e imperdível!
sábado, 30 de julho de 2022
Quem curte um bom filme de ação vai
se deliciar com “AGENTE OCULTO” (“THE GRAY MAN”), 2022, coprodução
Estados Unidos/República Checa, 2h02m, disponível na plataforma Netflix,
direção dos irmãos Joe e Anthony Russo (“Capitão América” e “Vingadores”), que
também assinam o roteiro com a colaboração de Christopher Markus e Stephen McFeely. A história foi inspirada no livro homônimo de 2009 escrito por Mark
Greaney. O elenco é de primeira: Ryan Gosling, Ana de Armas, Chris Evans (“Capitão
América”), Billy Bob Thornton, Regé-Jean Page, Julia Butterrs, Jessica Henwick,
Alfre Woodard e o brasileiro Wagner Moura, cada vez mais requisitado pelo
cinema norte-americano. Anunciado como o filme original mais caro da história
da Netflix – 200 milhões de dólares -, “Agente Oculto” realmente não economizou,
como comprovam, além do elenco estrelado, as locações em vários países, começando pelos
Estados Unidos e percorrendo França, Tailândia, Áustria, Croácia, China e
República Tcheca. Vamos à história. Court Gentry
(Gosling), um jovem presidiário cumprindo pena por homicídio, é recrutado pela
CIA para se transformar em um agente oculto, ou seja, ninguém saberá sua
identidade. Será conhecido apenas como “Sierra 6”. Seu trabalho compreenderá
sair pelo mundo afora assassinando autoridades ou chefes de organizações
criminosas. O filme dá um salto de 18 anos e Court aparece em mais uma missão
importante na capital tailandesa Bangkok. Só que a vítima é um ex-agente da CIA
que mantinha em seu poder um pen drive com informações que incriminam agentes
do alto escalão da agência. Com o pen drive em suas mãos, Court será alvo
de mercenários internacionais, entre os quais Lloyd Hansen (Chris Evans, ótimo),
ex-agente da CIA e líder de uma organização criminosa internacional. As cenas
de ação são de tirar o fôlego, principalmente aquelas de perseguição em Praga e
Viena. Diante do grande sucesso alcançado pelo filme, a Netflix já anunciou que
pretende produzir uma sequência. Vamos aguardar.
sexta-feira, 29 de julho de 2022
“BATALHA BILIONÁRIA: O CASO
GOOGLE EARTH” (“THE BILLION DOLLAR CODE”), 2021, Alemanha,
produção original da Netflix, minissérie com 4 capítulos, direção de Oliver
Ziegenbale, que também assina o roteiro com a colaboração de Robert Thalheim. A
minissérie, toda baseada em fatos reais, conta a incrível história de Carsten e
Juri Müller, dois jovens que, no início dos anos 90 – logo após a queda
do muro de Berlim -, criaram o algoritmo que daria origem ao Terra Vision, que
depois serviria como base para a criação do Google Earth. O roteiro acompanha o
trabalho dos jovens gênios em informática e sua excêntrica equipe desde o início
do projeto, a fundação da empresa Art+Com., a apresentação à Deutsch Telekon,
que viria a entrar com o investimento, até os preparativos para o início do
processo judicial contra a Google por violação de patente, culminando com o
julgamento nos Estados Unidos, acompanhado com grande interesse pela mídia
mundial. Além do primoroso roteiro, há que se destacar o ótimo elenco,
capitaneado por Mark Waschke (Carsten moço), Leonard Scheicher (Müller moço), Marius
Ahrendt (Carsten mais velho) e Misel Maticevic (Müller mais velho). Também aparecem
com grande destaque Lavinia Wilson, como a advogada Lea Hauswirth, e Selminas
Sargent, como o advogado Eric Stears. Não tenho dúvida em afirmar que esta é
melhor minissérie lançada pela Netflix este ano, não só pela incrível história,
como também pela competente realização. Imperdível!
terça-feira, 26 de julho de 2022
“ÚLTIMA CHANCE” (“LINE OF DUTY”), 2019,
coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h38m, disponível na plataforma Netflix,
direção de Steven C. Miller, seguindo roteiro escrito por Jeremy
Drysdale. Trata-se de uma comédia policial com muita ação e suspense.
A história é centrada no policial Frank Penny (Aaron Eckhart), que durante uma
perseguição acaba matando um suspeito. Frank não sabia que o morto era o sequestrador
da filha do capitão Volk (Giancarlo Esposito) e que só ele sabia o local onde a
menina está prisioneira. Pior: chegou para a polícia a informação de que a
vítima estaria presa em um tipo de aquário que aos poucos se encheria de água.
Uma situação realmente desesperadora. Ao lado da jovem Ava Brooks (Courtney
Eaton), repórter de um site da internet, Frank fará de tudo para encontrar a
menina sequestrada. Com uma câmera na mão, Ava filma toda a ação, acompanhada
ao vivo pelos canais de tv e pela internet. Completam o elenco Ben McKenzie,
Dina Meyer, Jessica Lu e Nishelle Williams. As cenas transcorrem em ritmo
alucinante até o desfecho, com perseguições, tiroteios nas ruas, pancadaria e
muito humor. Não dá para piscar! Méritos para o diretor Steven C. Miller, craque em filmes de ação, como já comprovou em "Assalto ao Poder", "Rota de Fuga 2" e "Caçada Brutal", entre outros. Diversão garantida. Não perca!
“SPIDERHEAD”, 2022,
Estados Unidos, 1h47m, disponível na plataforma Netflix, direção de Joseph
Kosinski (“Top Gun: Maverick”). O roteiro, assinado por Paul Wernick e Rhett
Reese, foi inspirado no conto “Escape from Spiderhead”, escrito por George
Saunders e publicado em 2010 na Revista The New Yorker. Confesso que logo me
invoquei com o título, que na tradução literal fica “Cabeça de Aranha”. Em todo
caso, segui adiante e tive a oportunidade de assistir a um filme de ficção científica muito interessante, com bastante suspense e cenas de muito impacto. O filme
é ambientado em uma penitenciária futurista instalada em uma ilha distante do
continente. Nela, detentos voluntários recrutados em prisões normais – atraídos
pela diminuição de suas penas – concordam em participar de um projeto
inovador com drogas que estimulam as emoções e sentimentos. Através de um
dispositivo instalado no fim da coluna vertebral, os detentos – ou as cobaias –
são levados a sentir pânico, medo, fome, desejo sexual, alegria e a se tornar
violentos. Quem comanda o espetáculo é o cientista Steve Abnesti (Chris
Hemsworth), ao lado do seu assistente Mark (Mark Paguio). Entre os detentos
submetidos aos testes estão Jeff (Miles Teller), Lizzy (Jurnee Smollett), Heather
(Tess Halbrich), Rogan (Nathan Jones) e Sarah (Angie Milliken). Embora o ator grandalhão
Chris Hemsworth, o “Thor” não combine fisicamente com um cientista, sua atuação
é ótima, assumindo às vezes uma postura sádica e outras como um cientista que
pretende colaborar com a humanidade. Outra boa atuação é a de Miles Teller,
conhecido pela série “Divergente” e pelos filmes “Quarteto Fantástico” e “Whiplash”.
Como escrevi no início, “Spiderhead” é um filme de ficção bastante interessante
e vale ser conferido.
domingo, 24 de julho de 2022
“O CRIME DE GEORGETOWN” (“GEORGETOWN”), 2019,
Estados Unidos, 1h39m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, filme de
estreia na direção do ator austríaco Christoph Waltz, com roteiro assinado por
David Auburn, inspirado em artigo do jornalista Franklin Foer para a New York
Times Magazine. A história é ótima – ainda mais por ser baseada em fatos reais
-, o roteiro é primoroso e um trio de atores do mais alto nível:
o próprio Christoph Waltz, Vanessa Redgrave e Annette Bening. Juntos e misturados,
todos esses aspectos fazem de “Georgetown” um grande filme. Na história que
realmente aconteceu, o personagem principal é Albrecht Gero Muth, um pilantra mentiroso
e alpinista social, que em 1991, aos 26 anos, casou com a socialite e milionária
Viola Hermes Drath (1920-2011), então com 71 anos, uma figura de destaque na elite
da capital Washington. Em 2011, Viola foi encontrada morta e Muth acusado de tê-la
assassinada. No mesmo ano, ele foi preso e condenado a 50 anos de prisão. Essa
história foi adaptada pelo roteirista David Auburn, sendo que no filme Albrecht
virou Ulrich Mott (Christoph Waltz) e Viola virou Elsa Brecht (Vanessa
Redgrave). O filme conta as façanhas mentirosas de Ulrich, a maior delas ter
sido general do exército iraquiano e herói de guerra. Há muitas outras incríveis
de acreditar. E, dessa forma, Ulrich conseguiu enganar ministros, embaixadores
e empresários, até o assassinato da esposa, quando foi devidamente desmascarado. Também com atuação magistral no
filme está a atriz Annette Bening como Amanda Brecht, a filha única de Elsa que
sempre foi contra o casamento da mãe com Ulrich, de quem suspeitava ser um
pilantra, o que se comprovaria posteriormente. Achei muito estranho o filme não
ter recebido indicações ao Oscar. Recém-lançado pela Amazon, “Georgetown” é uma
ótima opção para quem curte cinema de alta qualidade. IMPERDÍVEL!, assim mesmo,
com letras maiúsculas.
sábado, 23 de julho de 2022
“NOVA ORDEM” (“NUEVO ORDEN”), 2020, coprodução México/França, 1h28m, roteiro e direção de Michel Franco (“Depois de Lúcia”). O filme estreou no Festival de Cinema de Veneza em setembro de 2020, onde ganhou o Grande Prêmio do Júri. Também participou de vários festivais mundo afora, sempre causando polêmica e conquistando críticas elogiosas. Ambientado na cidade do México, num futuro próximo, mas que poderia estar acontecendo hoje, “Nova Ordem” tem como pano de fundo temas dos mais atuais, como a desigualdade social, luta de classes, violência e ditadura militar. Como justificou o diretor Michel Franco, “O mundo distópico do filme parece-me perto do que vivemos”. Vamos à história. Enquanto nas ruas e avenidas da cidade ocorre uma revolta popular, com saques a lojas, supermercados, matança e vandalismo generalizado, em uma mansão está acontecendo um casamento de alto luxo, reunindo importantes figuras da sociedade da capital mexicana. Os manifestantes invadirão a festa, matando e saqueando. O exército é mobilizado para tentar frear os ânimos, mas a situação piora cada vez mais, principalmente depois que a noiva é sequestrada e presa. Tudo isso resulta no estabelecimento de uma violenta ditadura militar, a tal nova ordem. Uma de suas várias polêmicas está no fato de mostrar os rebeldes e vândalos como cidadãos pardos e as vítimas brancas. Por isso, foi considerado racista. Estão no elenco Diego Boneta, Naian González Norvind, Dario Yazbek Bernal (irmão do também ator Gael Garcia Bernal), Fernando Cuautle, Lisa Owen e Mónica Del Carmen. Com cenas de extrema violência, “Nova Ordem” é um dos filmes mais impactantes e perturbadores dos últimos anos. Pena que está meio escondido na plataforma Amazon Prime, pois merece ser visto pelos amantes do cinema de qualidade. “Nova Ordem” foi exibido por aqui durante a programação da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Não deixe de ver.
quarta-feira, 20 de julho de 2022
“A VIÚVA NEGRA” / “BLACK WIDOW”
(“PENOZA – THE FINAL CHAPTER”), 2019, Holanda, disponível na
Amazon Prime Video, 1h56m, roteiro e direção de Diederik Van Rooijen. O filme é
praticamente o resumo de uma série holandesa chamada “Penoza”, que fez grande
sucesso no período em que esteve no ar, de 2010 a 2017. Em “A Viúva Negra”, o diretor
e o elenco são praticamente os mesmos. Com a morte dos personagens principais,
o filme encerra a possibilidade de uma nova série. Carmen Van Walraven (Monic
Hendrickx) está no Canadá trabalhando como garçonete em uma lanchonete, depois
de fugir da Holanda, onde era uma famosa traficante de drogas. Para a polícia
de Amsterdã, ela morreu em um tiroteio, embora seu corpo nunca tenha
sido encontrado. Até que, depois de se envolver em uma confusão para defender
uma colega de trabalho, Carmen é filmada e aparece no noticiário. Policiais
holandeses conseguem trazê-la de volta para a Holanda, mas sua vida correrá grande
perigo, pois tem muita gente disposta a se vingar, inclusive a filha de um
poderoso traficante que ela supostamente matou. Além de Carmen, seus três
filhos também correrão perigo. Também estão no elenco Maarten Heijmans, Loek
Peters, Peter Brok, Stijn Tavern, Niels Gomperts e Sigrid Tem Napel. Dá para
assistir numa boa sem ligar muito para algumas falhas do roteiro.