sexta-feira, 17 de junho de 2022

 

“TRAIÇÃO E DESEJO” (“TRUST”), 2021, Estados Unidos, 1h34m, disponível na Netflix, direção de Brian Decubellis, que também assina o roteiro com a colaboração de Kristen Lazarian e K.S. Bruce. Não precisava de tanta gente para escrever uma história tão fraca para um filme idem. Trata-se de um romance que parecia rumar para um suspense, ou um filme erótico, mas acabou na maior água com açúcar. Os personagens centrais são Brooke (Victoria Justice) e Owen Shore (Mathew Daddario, irmão da atriz Alexandra Daddário). Eles moram em Nova Iorque, são jovens, casados, felizes, bonitos e bem sucedidos profissionalmente, ela dona de uma badalada galeria de arte e ele jornalista apresentador de um programa de prestígio na TV. O relacionamento complica quando Brooke precisa ir a Paris com Ansgar Doyle (Lucien Laviscount), um pintor de quadros eróticos de grande sucesso, cujas obras começam a ser cobiçadas por colecionadores de arte também da Europa. É com um deles que eles se encontrarão na capital francesa. Como a fama do pintor é de um mulherengo insaciável, Owen se derrete em ciúmes e resolve curtir sua desconfiança em um bar, onde conhece Amy (Katherine McNamara), uma loira cheia de amor pra dar. O espectador fica no maior suspense: qual deles trairá o outro. Tchan, Tchan, Tchan! Quando retorna de Paris, é Brooke que se enche de ciúmes, desconfiando que o marido pulou a cerca. Uma ou outra reviravolta acontece para tentar dar um sabor à história, mas o resultado final é decepcionante. Como informação adicional, lembro que Victoria Justice e Matthew Daddario já trabalharam juntos em um filme de 2015, “Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo”, sem qualquer importância cinematográfica, assim como este “Traição e Desejo”.   

terça-feira, 14 de junho de 2022

 

“TOSCANA” (“TOSKANA”), 2022, Dinamarca, produção original Netflix, 1h30m, direção do cineasta iraniano Mehdi Avaz, que também assina o roteiro com a colaboração de Nikolaj Scherfig. A história mistura romance e gastronomia. O personagem central é o chef Theo (Anders Matthesen), proprietário de um restaurante fino em Copenhagen, cuja culinária já recebeu várias premiações, inclusive duas estrelas Michelin, uma das maiores honrarias gastronômicas do mundo. Determinado dia, Theo recebe a notícia da morte do pai, proprietário do Castelo Ristonchi, na região de Toscana, na Itália. Filho único, ele recebe o imóvel como herança e parte para a Toscana para sacramentar o negócio. Sua intenção inicial é vender o castelo e investir o dinheiro na ampliação de seu restaurante em Copenhagen. Chegando ao seu destino, ele conhece a simpática Sophia (Cristiana Bell’Anna), responsável por um pequeno restaurante anexo ao castelo. De cara, já é possível prever o destino dos dois, principalmente depois que eles se beijam, uma grande forçada de barra do roteiro. Só que Sophia está de casamento marcado, o que estraga os planos românticos de Theo. Mas a vida continua e ele não perde as esperanças. Com exceção da exuberante fotografia e das belas paisagens da Toscana, o filme é insosso, falta emoção, culpa de um roteiro preguiçoso e pra lá de fraco. Já que estamos falando de gastronomia, eu comparo “Toscana” a um prato servido frio. Falado em dinamarquês, italiano e inglês, o filme conta ainda no elenco com Andrea Bosca, Ghita Norby, Sebastian Jessen, Ari Alexander, Christopher Nissen, Karoline Brygmann, e Taue Ersted Rasmussen. Resumindo, “Toscana” esbanja belos cenários, mas deixa a desejar em conteúdo.    

segunda-feira, 13 de junho de 2022

 

“THAR”, 2022, Índia, 1h48m, produção original Netflix, roteiro e direção de Raj Singh Chaudhary. Bollywood, o maior produtor mundial de filmes, de vez em quando surpreende. E de modo bastante positivo, exemplo deste policial ambientado nos anos 80 do século passado – não consegui descobrir se é baseado em fatos reais. Por incrível que pareça, tem muito do gênero faroeste moderno. No caso específico de “Thar”, a crítica especializada o rotulou de western noir. Tem deserto poeirento, cavalos, xerife e malfeitores. Só faltaram os índios, embora sejam todos indianos. Começa a história com um sujeito misterioso chegando a um pequeno vilarejo situado no deserto de Thar, na região do Rajastão, perto da fronteira com o Paquistão. É por aqui que passava, na época, a rota do contrabando de ópio. Uma dor de cabeça e tanto para o inspetor de polícia Surekha (Anil Kapoor). Um dia, chega ao vilarejo um sujeito misterioso que se identifica como Siddarth (Harsh Varrdhan Kapoor), que afirma ser colecionador e negociante de antiguidades. A polícia começa a desconfiar dele a partir do momento em que ocorre um homicídio, mas não há evidências concretas contra ele. Livre da desconfiança inicial do policial Surekha, Siddarth parte para a ação e aí a violência explícita toma conta. Só perto do desfecho é que o roteiro explica a motivação para a vingança de Siddarth. Além de uma tensão crescente, “Thar” apresenta um trunfo que só quem acompanha o cinema indiano é capaz de comemorar: a ausência daquelas cantorias e danças irritantes, uma das marcas registradas de Bollywood. Como curiosidade, o ator Harsh Varrdhan Kappor´, que faz o Siddharth, é filho de Anil Kapoor, o inspetor de polícia. Vale a pena assistir, pois o cinema indiano não costuma produzir filmes de faroeste.           

 

domingo, 12 de junho de 2022

 

“RAMBO: ATÉ O FIM” (“RAMBO: LAST BLOOD”), 2019, Estados Unidos, 1h40m, disponível na Netflix desde 6 de junho de 2022, direção de Adrian Grunberg ("Plano de Fuga"), seguindo roteiro de Matt Cirulnick. Rambo está de volta. Estou falando de John Rambo (Sylvester Stallone), aquele personagem criado pelo escritor David Morrell que surgiu no filme “Rambo – Programado para Matar”, em 1982. Depois vieram “Rambo – A Missão”, de 1985, “Rambo III”, de 1988, e “Rambo IV”, de 2008. Portanto, “Rambo: Até o Fim” é o quinto da franquia, apresentando Sylvester Stallone aos 74 anos, mas fisicamente em ordem. Só o rosto aparece bem envelhecido, com aquela mesma cara afetada por uma cãibra, sem nenhuma expressão. A história mostra o velho soldado agora aposentado, morando em um rancho perto da fronteira dos Estados Unidos com o México. Com ele vivem a sobrinha Gabrielle (Yvette Monreal) e Maria Beltran (Adriana Boarraza), imigrante mexicana que ajudou a criar a menina. Tudo vai bem até que Gabrielle resolve conhecer o pai biológico que a abandonou ainda criança. Por intermédio de uma antiga amiga, ela descobre que o pai mora em uma cidade fronteiriça do México, famosa por sua violência. Mesmo assim Gabrielle resolve ir, contrariando os conselhos de Rambo e de Maria Beltran. Só que a viagem se transforma em um verdadeiro pesadelo. Rejeitada pelo pai, ela acaba indo para uma balada, onde conhece uns tipos bem suspeitos. Resultado: ela é sequestrada por uma gangue que explora o tráfico de drogas e a prostituição. Quando fica sabendo da situação da sobrinha, Rambo entra em ação e vai para o México tentar resgatá-la, tarefa que não será nada fácil. Até o desfecho, Rambo enfrentará, sozinho, um verdadeiro exército de bandidos, culminando com uma matança generalizada. Também estão no elenco a atriz espanhola Paz Veja, Sergio Peris, Óscar Jaenada e Marco de La O. Nos créditos finais, surgem várias cenas dos filmes anteriores de Rambo e, pelo título original, parece que este será o último filme do famoso personagem. “Rambo: Até o Fim” foi detonado pela crítica especializada, sem contar que teve indicações em 8 categorias para o “Framboesa de Ouro”, prêmio dado aos piores filmes do ano. O filme também não agradou o escritor David Morrell, criador do personagem. Após assisti-lo, Morrell disse: “Eu concordo com as críticas negativas de ‘Rambo: Até o fim’. O filme é uma bagunça. Tenho vergonha de ter meu nome relacionado a ele”. Tudo bem, o filme é mesmo fraco, mas deve agradar quem gosta de violência explícita, ou seja, os fãs do astro Stallone.     

 

sexta-feira, 10 de junho de 2022

 

“UMA MÃE PERFEITA” (“UNE MÈRE PARFAITE”), 2022, França/Alemanha/Bélgica, minissérie em quatro capítulos, direção de Frédéric Garson, seguindo roteiro assinado por Carol Noble e Thomas Boulle. A história foi inspirada no livro homônimo escrito por Nina Darnton, baseada no famoso caso da jovem norte-americana Amanda Knox, presa na Itália em 2007 acusada de um assassinato. Na minissérie, recentemente lançada pela Netflix, o pano de fundo é um drama policial centrado na família Berg, residente em Berlim. Quando recebem a notícia de que sua filha Anya Berg (Eden Ducourant) é presa em Paris, acusada de assassinato, a mãe, Hélène Berg (Julie Gayet, ótima), pega o primeiro voo rumo à capital francesa. O marido, Mathias Berg (Andreas Pietschmann) e o filho, Luckas (Maxim Driesen), ficam em Berlim. Como é proibida de ver a filha, Hélène procura o advogado Vincent Duc (Tomer Sisley), seu ex-namorado da época em que ainda vivia em Paris. Enquanto isso, na delegacia, Anya é submetida a vários interrogatórios e cai em contradição várias vezes, confundindo o inspetor Mani (Cyril Gueï), responsável pela investigação. A vítima do crime é um rapaz de uma importante família francesa, o que complica ainda mais a situação de Anya. Aos poucos, a abordagem policial da minissérie logo se transforma em um drama familiar, expondo as mazelas da família Berg. Até o fim, mesmo com as evidências incriminando Anya, incluindo sua relação com um traficante, Hélène defenderá a filha com unhas e dentes. Também estão no elenco Inès Spiridonov e Julien Lopes. A cena final dá a entender que haverá uma segunda temporada, o que eu não acredito. De qualquer forma, a minissérie não chega a decepcionar.              

terça-feira, 7 de junho de 2022

 

“INTERCEPTOR”, assim mesmo sem tradução, como aparece na Netflix desde o dia 3 de junho de 2022, Austrália, 1h36m, direção de Matthew Reilly, que também assina o roteiro com a colaboração de Stuart Beattie. Imagine a situação: terroristas tomam a base de mísseis balísticos Tavlinka, na Rússia, e ameaçam atacar 16 das principais cidades dos Estados Unidos. A trama é descoberta e as duas bases antimísseis do exército norte-americano entram em alerta. Uma delas, porém, a de Fort Greeley, localizada em território dos EUA, já havia sido invadida e tomada pelos terroristas. Resta então a base SBX-1, instalada em uma plataforma no Oceano Pacífico. No dia em que a capitã JJ Collins (Elsa Pataky) chega ao comando da SBX-1, designada pelo alto comando militar, os terroristas a invadem, tentando inutilizá-la para que os mísseis russos não sejam interceptados. Com apenas um soldado para ajudá-la, a capitã terá de defender a base praticamente sozinha, já que seu colega não sabe nem mesmo utilizar uma arma. O filme garante emoção, tensão e muita ação do começo ao fim, garantindo um bom entretenimento. A grande atração é mesmo a bela atriz espanhola Elsa Pataky, casada com o astro de “Thor”, Chris Hemsworth, que, além de produtor-executivo, aparece em algumas cenas como vendedor de uma loja de eletroeletrônicos. Uma participação, convenhamos, totalmente desnecessária. Também estão no elenco Luke Bracey, Mayen Mehta, Aaron Glenane, Paul Caesar, Belinda Jombwe, Zoe Carides, Marcus Johnson, Kim Knuckey e Rhys Molddon. Resumindo, dá para se divertir numa boa.     

segunda-feira, 6 de junho de 2022

 

“TIO FRANK” (“UNCLE FRANK”), 2020, Estados Unidos, produção original Amazon Prime, 1h35m, roteiro e direção de Alan Ball – Ball ficou conhecido depois que ganhou o Oscar de Melhor Roteiro por “Beleza Americana”, em 1999. “Tio Frank” é um drama familiar bastante sensível sobre o homossexualismo, valorizado pelas ótimas atuações do elenco, que conta com Sophia Lillis, Paul Bettany, Peter MacDissi, Margo Martin Dale, Steve Zahn, Judy Greer e Stephen Root. A história, ambientada no final dos anos 60 e início dos anos 70, envolve a família Bledsoe, residente em uma pequena cidade do interior da Carolina do Sul. Sob a ótica da adolescente Beth (Lillis), que também é narradora da história, o filme acompanha a rotina dos encontros da família, normalmente nos almoços de final de semana. Aos poucos, o espectador é levado a conhecer as personalidades de cada um, com destaque para Frank (Bettany), que esconde da família o fato de ser gay, motivo pelo qual resolveu se mudar para Nova Iorque, onde vive com o namorado Walid (Peter MacDissi, o melhor do elenco), um imigrante da Arábia Saudita que deixa o seu país para não ser decapitado por causa de sua opção sexual. Desde criança, Beth sempre admirou o tio Frank, com o qual sempre se sentiu à vontade para conversar, principalmente sobre literatura, seu assunto preferido. Quando Beth deixa sua pequena cidade para estudar na Universidade de Nova Iorque, ela terá a oportunidade de se aproximar ainda mais do tio Frank. É quando descobre que ele é gay. Quando recebem a notícia da morte de Mac (Root), o patriarca autoritário da família, Frank e Beth viajam para participar do funeral, levando Walid a tiracolo. A situação se complica a partir do momento em que o testamento deixado por Mac é lido. Uma chocante revelação é feita, afetando as relações entre os familiares. Meio escondido na plataforma Amazon, “Tio Frank” é um ótimo drama que coloca em discussão e até sugere uma reflexão sobre a homossexualidade, de uma maneira sensível e até comovente. Belo filme que merece ser descoberto.    

sábado, 4 de junho de 2022

 

“MOONFALL – AMEAÇA LUNAR” (“MOONFALL”), 2022, Estados Unidos, em cartaz na Amazon Prime Video, 2h10m, direção do cineasta alemão Roland Emmerich, que também assina o roteiro com a colaboração de Harald Kloser e Spenser Cohen. É preciso muita imaginação para elaborar uma história com tantos absurdos e situações mirabolantes, mas em se tratando de ficção científica misturada com aventura espacial, tudo acaba sendo válido. E o diretor alemão, considerado o "Rei do Cinema Catástrofe", é especialista no assunto, pois foi o responsável por filmes como “Independence Day”, “Godzilla”, “2012” e “O Dia Depois de Amanhã”, entre tantos outros que fez depois que chegou a Hollywood. No caso de “Moonfall”, seus mais novo disaster movie, a Lua é a grande vilã. Uma força misteriosa desvia sua órbita em torno da Terra, ameaçando colocá-la em rota de colisão com o nosso planeta. Diante dessa tragédia iminente, entram em ação os heróis da história, os ex-astronautas Jocinda Fowler (Halle Berry) e Brian Harper (Patrick Wilson), além de KC Houseman (John Bradley), um cientista amador, personagem responsável pelos momentos de bom humor. O ritmo da ação é alucinante, com muitos efeitos especiais (espaciais) bem elaborados, principalmente as consequências terríveis acontecendo na Terra, como tsunamis, furacões e outros desastres ambientais. Completam o elenco Charlie Plummer, Carolina Bartczak, Donald Sutherland, Michael Peña, Eme Ikwuakor, Frank Schorpion, Maxim Roy, Kelly Yu e Stephen Bogaert. Resumindo, “Moonfall”, como aventura de ação espacial, é um bom entretenimento.  

quinta-feira, 2 de junho de 2022

 

“POSTO DE COMBATE” (“THE OUTPOST”), 2020, Estados Unidos, 2h04m, em cartaz na Netflix, direção de Rod Lurie, seguindo roteiro assinado por Paul Tamasy e Eric Johnson. O filme relembra os eventos reais que aconteceram no Afeganistão em 2009, quando uma base de soldados norte-americanos instalada em um vale isolado, cercado por montanhas, era constantemente atacado por milícias talibãs. Os fatos mostrados no filme foram baseados no livro “Posto de Combate: A História Não Contada de Bravura Americana” (“The Outpost: An Untold Story of American Valor”), escrito pelo jornalista Jake Tapper e lançado em 2012. Resumindo, a base chamada de “Camp Keating” era protegida por 54 soldados, alguns deles muito jovens e sem experiência de combate. Sua missão era tentar descobrir os movimentos dos talibãs na região e defender a população local. Em outubro de 2009, a base foi atacada por mais de 400 talibãs naquela que foi intitulada Batalha de Kamdesh. A resistência heroica dos norte-americanos valeu aos soldados várias honrarias militares, inclusive àqueles que morreram durante o combate. O elenco do filme conta com participação de Scott Eastwood (filho do Clint), Caleb Landry Jones, Orlando Bloom, Milo Gigson, Taylor John Smith, Celina Sinden, Cory Hardrict, Jacob Scipio, Jonathan Younger, James Jagger e Jack Kesy. O filme é intenso e envolvente, repleto de suspense e tensão, com o mérito adicional de colocar o espectador dentro da base, sentindo o perigo chegando a cada minuto. Mais uma vez, vou contrariar alguns críticos especializados que detonaram o filme. Eu gostei muito do resultado final e recomendo como um filmaço de guerra. Antes dos créditos finais, como uma homenagem póstuma, “Posto de Combate” apresenta as fotos dos soldados que morreram e, mais para o final dos créditos, alguns depoimentos dos que sobreviveram.  

segunda-feira, 30 de maio de 2022

 

“AS GAROTAS DE CRISTAL” (“LAS NIÑAS DE CRISTAL”), 2022, Espanha, disponível na Netflix, 2h19m, direção de Jota Linares, que também assina o roteiro com a colaboração de Jorge Naranjo. Nunca fui fã de balé clássico, muito menos no cinema, apesar de ter assistido alguns bons filmes sobre o tema, como “Billy Elliot”, de 2000,  “Cisne Negro”, que deu o Oscar 2011 de Melhor Atriz para Natalie Portman, e “Birds of Paradise”, de 2021. Agora chega o espanhol “As Garotas de Cristal”, um drama cujo pano de fundo explora os sacrifícios aos quais são submetidos os bailarinos de uma grande companhia de balé, no caso a National Classical Ballet da Espanha. Com a morte trágica de María Poza (Samantha Vottari), primeira bailarina da companhia, é escolhida para substituí-la no principal papel da peça “Giselle” a jovem e bela Irene (Maria Pedraza), para a inveja das suas colegas, que passam a tratá-la como inimiga, a ponto de colocarem cacos de vidro no chão do banheiro para machucá-la. Irene, porém, encontra no grupo uma amiga que será importante para ajudá-la a enfrentar os desafios dos duros ensaios comandados pela exigente Norma (Mona Martinez). Essa amiga é Aurora (Paula Lozada), que até o desfecho da história acompanhará de perto as dificuldades de Irene e irá apoiá-la de todas as maneiras. Completam o elenco Marta Hazas, Ana Wagener, Iria Del Rio, Silvia Kal, Andrés Lima, Olivia Gaglivi, Javier Lago e Juanjo Almeida. Esteticamente, “As Garotas de Cristal” é um belo filme, com uma primorosa fotografia (Gris Jordana) e, em especial, com as ótimas coreografias das cenas de balé. Claro que não é um filme para qualquer público, mas recomendo mesmo assim.   

 

sábado, 28 de maio de 2022

 

“UMA VOZ CONTRA O PODER” (“PERCY”), 2020, Estados Unidos, disponível na Netflix, 1h39m, direção de Clark Johnson e roteiro assinado por Garfield L. Miller e Hilary Pryor. Drama de tribunal que relembra um caso jurídico emblemático. Aconteceu no Canadá no início dos anos 90 do século passado. Percy Schmeiser (Christopher Walken), um pequeno agricultor da província de Saskatchewan, foi acusado pela gigante Monsanto Canada Inc. de cultivar em sua fazenda sementes transgênicas sem licença. Ou seja, em vez de comprar de empresas, ele utilizava suas próprias sementes para produzir canola. Com o auxílio da ativista Rebecca Salcau (Christina Ricci), representante de uma importante Ong ambiental, e defendido pelo advogado Jack Weaver (Zach Braff), Percy encarou a briga e mobilizou a mídia durante vários anos. Sua popularidade foi tanta que recebeu inúmeros convites para participar de palestras, entrevistas e discursos contra a engenharia genética de sementes, inclusive em outros países, como a Índia. O caso também gerou um documentário bastante elogiado em 2009, intitulado “David vs. Monsanto”, dirigido por Bertram Verhaag. Uma história e tanto que o longa-metragem recém-lançado pela Netflix não soube aproveitar, apesar da presença marcante do veterano Christopher Walken. O elenco conta ainda com Martin Donovan, Luke Kirby, Roberta Maxwell e Adam Beach. Trocando em miúdos, “Uma Voz Contra o Poder” conta uma história envolvente, mas com pouca emoção.                         

 

 

quarta-feira, 25 de maio de 2022

 

“438 DIAS” (“438 DAGAR”), 2019, Suécia, 2h4m, disponível na plataforma Amazon Prime, direção de Jesper Ganslandt e roteiro assinado por Peter Birro. A história é baseada em incríveis fatos reais, ou seja, na aventura vivida pelos jornalistas suecos Martin Schibbye e Johan Persson, transformada depois em livro escrito pelos próprios. No dia 27 de junho de 2011, Martin e Johan cruzaram ilegalmente a fronteira da Somália com a Etiópia levados por guerrilheiros rebeldes do grupo ONLF. O objetivo de Martin (jornalista) e de Johan (fotógrafo), interpretados respectivamente por Gustaf Skarsgard e Matias Varela, era realizar uma reportagem sobre a exploração de petróleo na região etíope de Ogaden, onde a petrolífera sueca Lundin Oil, entre outras, estaria afetando, de forma negativa, a vida da população local. Cinco dias depois de ingressar na Etiópia, a dupla de jornalistas acaba capturada por soldados do exército etíope. Levados à capital Adis Abeba, são julgados e condenados como terroristas, já que alguns vídeos mostravam um deles segurando um rifle, dando a entender que ministrava ensinamentos militares - pura mentira, pois os vídeos foram editados. Os jornalistas ficariam presos durante o período que dá nome ao título, ou seja, 438 dias, numa penitenciária onde cada um cuidava de si, já que os guardas só ficavam olhando. O filme acompanha o sofrimento dos jornalistas e os esforços diplomáticos para soltá-los, o que garante muita tensão do começo ao fim. Completam o elenco Faysal Ahmed, Josefin Neldén, Jesper Ganslandt, Philip Zandén, Sivuyile Ngesi, Lena B. Nilsson e Fredrik Skaulan. No desfecho da história, antes dos créditos finais, aparecem em cena os verdadeiros Gustaf e Matias participando de uma entrevista coletiva logo depois de libertados. O filme é muito bom, realista ao extremo e intenso como exigia o contexto. Além disso, propõe reflexões sobre a  liberdade de expressão, senso de justiça e busca da verdade por intermédio do jornalismo. Um filmaço IMPERDÍVEL, assim mesmo, com  letras maiúsculas.                 

 

terça-feira, 24 de maio de 2022

 

“A FAMÍLIA PERFEITA” (“LA FAMILIA PERFECTA”), 2022, Espanha, disponível na plataforma Netflix, 1h50m, direção de Arantxa Echevarria (“Carmen & Lola”), seguindo roteiro elaborado por Olatz Arroyo. Trata-se de uma comédia leve e divertida, utilizando um humor irreverente e bem dosado que em nenhum momento ofende nossa inteligência. Enfim, um ótimo entretenimento, com a vantagem de ter no elenco dois grandes astros do cinema espanhol, Belén Rueda e José Coronado. Vamos à história. Os jovens Pablo (Gonzalo Ramos) e Sara (Carolina Yuste) estão apaixonados e decidem se casar. Antes, porém, resolvem reunir as famílias para se conhecerem. Só que tem um problema: a família de Pablo é muita rica, a mãe Lucía (Rueda) é uma madame das mais destacadas da sociedade de Madrid e o pai Ernesto (Gonzalo de Castro) é um cientista reconhecido internacionalmente. Por outro lado, os pais de Sara moram na periferia, são pobres e sem qualquer verniz social. Amparo (Pepa Aniorte), a mãe, é motorista de ônibus, e o pai Miguel (José Coronado) trabalha como marceneiro. Será que essa união pode dar certo? Alguém terá de ceder, e este alguém é justamente a socialite mãe de Pablo, que vive de nariz empinado e agora será obrigada a conviver com as grossuras da família da futura nora. É desse contexto que saem as situações mais engraçadas do filme, principalmente quando começam os preparativos para o casamento, durante os quais Lucía e Miguel terão um caso. Um dos maiores trunfos do filme é o desempenho de Belén Rueda como madame. A diva do cinema espanhol está sensacional, com a ajuda do veterano Coronado. Como curiosidade, a trilha sonora apresenta dois hinos consagrados da música brasileira: logo na abertura, “Águas de Março”, de Tom Jobim, cantada por Stacey Kent, e, perto do desfecho, “Eu Te Amo”, de Chico Buarque, com Ana Carolina. Ou seja, atrações não faltam para tornar “A Família Perfeita” um filme bastante agradável de assistir.        

 

domingo, 22 de maio de 2022

 

“HÓSPEDE INDESEJADO” (“THE INTRUDER”), 2019, distribuição Netflix, coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h42m, direção de Deon Taylor (“A Corrente do Mal”), seguindo roteiro assinado por David Loughery. Fazia algum tempo que eu não via um bom suspense como este. E, melhor, além dos sustos, com uma atuação impressionante do veterano ator Dennis Quaid como o vilão da história, um psicopata de dar medo. Vamos à história. Após fechar um grande negócio em seu escritório, Scott Russell (Michael Ely) compra a casa dos sonhos de sua esposa Annie (Meagan Good) em Napa Valley, a uma hora e meia de São Francisco, onde residem. Ele compra a casa de um solitário viúvo, Charlie Peck, o papel de Dennis Quaid. Charlie decidiu vender a propriedade onde viveu com a mulher e uma filha porque se viu afundado em dívidas. Annie e Scott mudam-se para a bela casa e começam a nova vida cheios de planos, um deles ter filhos. Porém, eles terão de enfrentar sérios problemas com Charlie, que não consegue se desapegar da casa e começa a assediar o casal quase que diariamente. Sua presença frequente, levando presentes e se oferecendo para ajudar em alguns consertos, começa a incomodar Scott. Annie, porém, tem pena do viúvo e o trata bem, abrindo as portas sempre que ele aparece. Um dia, porém, o lado obscuro de Charlie se revela e a partir daí o casal terá de enfrentar os seus piores pesadelos. Completam o elenco Michael Ely, Joseph Sikora, Lili Sepe, Alvina August, Erica Cerra, Kurt Evans, Roxanne Avent e Debs Howard. O clima do filme é de muita tensão, do começo ao fim, graças, principalmente, ao excelente desempenho de Dennis Quaid, tornando “Hóspede Indesejado” um ótimo entretenimento para quem curte um bom suspense e gosta de tomar sustos. Não perca!       

 

sábado, 21 de maio de 2022

 

“INSTINTO ASSASSINO” (“DANGEROUS”), 2021, Estados Unidos, distribuição Netflix, 1h39m, direção de David Hackl, seguindo roteiro assinado por Christopher Borrelly. Mais uma bobagem cinematográfica repleta de situações estapafúrdias. Uma delas: o mocinho está trocando tiros com os bandidos e, no meio do tiroteio, liga para o seu psiquiatra pedindo conselho. E não para por aí. Até o desfecho, muitas cenas constrangedoras iguais a esta estarão à sua espera (se você decidir assistir, mesmo depois do meu comentário). Bem, vamos à história. Dylan Forrester (Scott Eastwood) é um ex-presidiário em liberdade condicional. Por causa dos seus transtornos mentais que inspiram seu instinto psicopata, ele está em fase de reabilitação com o psiquiatra Dr. Anderwood (Mel Gibson), que o trata na base de remédios e muita conversa. Quando Dylan recebe a notícia da morte de seu irmão Sean, ele viaja para participar do funeral, em desobediência à condicional, pois a cerimônia acontece na remota Ilha Guardian (ilha fictícia no litoral de Washington). Chegando lá, Dylan não é bem recebido por seus familiares, principalmente por sua mãe Linda (Brenda Bazinet). Enquanto esse mal-estar acontece, chegam à ilha uns sujeitos violentos chefiados por um tal de Cole (Kevin Durand), cujo objetivo, de início, não é esclarecido. Eles invadem a casa e fazem reféns os familiares de Dylan, que naquela hora estava preso na cadeia da ilha por ter infringido a condicional e por outra acusação de homicídio. Pois é essa ovelha negra da família quem lutará para tentar salvar os parentes. E dá-lhe tiros, sopapos e facadas, até que o segredo que motivou a chegada da gangue seja revelado, resultando em um desfecho previsível e violento. O ator Scott Eastwood é a cara do pai, Clint, mas muito distante da competência do veterano ator. Scott não consegue convencer como ator nem mesmo quando tenta fazer aquele olhar que o pai fazia nos antigos filmes de faroeste, com a inseparável cigarrilha na boca. O restante do elenco também é muito fraco, com exceção talvez do ator Kevin Durand, o vilão da história. Mel Gibson, então, nem se fala, com uma interpretação pífia de um personagem patético e de pouca relevância. Enfim, só uma palavra para definir “Instinto Assassino”: péssimo!       

quinta-feira, 19 de maio de 2022

 

“PONTO DE INFLEXÃO” (“LA SVOLTA”), 2021, Itália, disponível na plataforma Netflix, 1h35m, estreia na direção do cineasta Riccardo Antonaroli, seguindo roteiro assinado por Roberto Cimpanellli e Gabriele Scarfone. Trata-se de um suspense policial com algumas pitadas de humor negro. A história é centrada em Ludovico (Branco Pacito), um tipo nerd que passa os dias desenhando histórias em quadrinhos, vive isolado em um apartamento e só recebe a visita do pai, que cuida da limpeza e sempre tem palavras bem ácidas para criticar o comportamento do filho, principalmente com relação ao fato de não trabalhar. Um dia, porém, essa situação muda completamente. Ao fugir de um violento mafioso, depois de roubar uma maleta cheia de dinheiro, o marginal Jack (Andrea Lattanzi) invade o apartamento de Ludovico e o faz refém. É a relação entre os dois que alimentará toda a história. Confinados, eles conversam sobre os mais variados assuntos, inclusive cinema, do qual ambos são fãs. Essas conversas resultam em diálogos saborosos e bem-humorados. O bandido fica com pena da situação de Ludovico e tenta tirá-lo da depressão, inclusive encorajando-o a abordar uma jovem vizinha, Rebecca (Ludovica Martino), pelo qual ele é apaixonado. A relação entre Jack e Ludovico pode ser comparada com a Síndrome de Estocolmo ao contrário, ou seja, quando o sequestrador se afeiçoa à vítima. O primoroso roteiro é, sem dúvida, o grande trunfo de “Ponto de Inflexão”, notadamente no que diz respeito ao inesperado e surpreendente desfecho. O filme estreou no 39º Festival Internacional de Cinema de Turim (Itália), com merecidos elogios dos críticos e do público. Antes de finalizar o comentário, lembro que uma das definições relativas ao título é “Ponto de Inflexão trata do momento no qual uma decisão pode mudar o rumo de sua vida”. Tudo a ver com a história. Termino afirmando que “Ponto de Inflexão” é muito bom. Não perca!   

 

terça-feira, 17 de maio de 2022

 

“O SOLDADO QUE NÃO EXISTIU” (“OPERATION MINCEMEAT”), 2021 Inglaterra, 2h8m, disponível na plataforma Netflix (estreou dia 11 de maio de 2022), direção de John Madden, seguindo roteiro escrito por Michelle Ashford. Mais um episódio ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, que continua gerando mais histórias do que o Estúdio Disney. Trata-se de um capítulo incrível do conflito e pouco conhecido, já que só foi revelado muitos anos depois, em 2010, no livro de Ben MacIntyre. Em 1943, Ewen Montagu (Colin Firth) e Charles Chalmondeley (Matthew MacFadyen), oficiais do serviço secreto inglês, foram encarregados de elaborar um plano destinado a ludibriar os nazistas. Exércitos aliados pretendiam ingressar na Europa atráves da Sicília (Itália), até então sob o domínio do exército alemão. Para que a invasão ocorresse com menos baixas e com maiores chances de sucesso, a ideia era convencer os nazistas de que os aliados entrariam pela Grécia, fazendo com que os alemães deslocassem suas tropas da Sicília, facilitando a entrada dos aliados. Essa missão de espionagem foi chamada de “Operation Mincemeat” (“Operação Carne Moída”). O plano era no mínimo mirabolante e muito ousado. A equipe comandada pela dupla de agentes arranjou um cadáver de um morador de rua e o transformou em um oficial da marinha, o fictício major William Martin. Com uma pasta repleta de documentos, o corpo foi desovado no litoral da Espanha, onde espiões ingleses ficaram encarregados de encaminhar os documentos para os agentes secretos alemães. E então rezar para que todo o material chegasse aos altos escalões do exército alemão. “O Soldado que não Existiu” conta tudo o que aconteceu nos bastidores dessa incrível operação. Um dos tantos destaques do filme é a participação de Ian Fleming (Johnny Flynn) na equipe encarregada de elaborar o plano. Como todo mundo sabe, Ian Fleming, anos depois, seria o criador do personagem James Bond e das histórias do famoso 007. Completam o elenco Kelly MacDonald, Lorne MacFadyen, Penelope Wilton, Jason Isaacs, Simon Russell Beale (Winston Churchill), Nicholas Rowe, Hattie Morarhan e Paul Ritter. Uma história e tanto que merece ser conhecida e um filmaço para não perder!

 

quarta-feira, 11 de maio de 2022

 

“CRUZANDO A LINHA” (“THE GATEWAY”), 2022, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h31m, segundo longa-metragem dirigido pelo cineasta italiano Michele Civetta (o primeiro foi “The Executrix”, em 2020), que também assina o roteiro com a colaboração de Alex Felix Bendaña e Andrew Levitas. A história é centrada no assistente social Parker Jode (Shea Whigham), que leva muito a sério sua profissão, cuidando de famílias desestruturadas em Saint Louis. Uma delas é a de Dhalia (Olivia Munn), mãe solteira de Ashley (Taegen Burns) e cujo namorado Mike (Zach Avery) sai da prisão depois de cumprir uma pena de quatro anos. Ele volta para casa e, cheio de ciúmes por Dhalia ter arrumado um namorado, acaba retornando à rotina de espancar Dhalia na frente da filha. Além disso, Mike também volta para a gangue chefiada por Duke (Frank Grillo) e se envolve no roubo de uma carga de cocaína. No meio de toda essa agitação, Parker tenta proteger Dhalia, o que lhe acarreta muitos problemas. Também estão no elenco Bruce Dern, Alexander Wraith, Mark Boone Jr., Taryn Manning e Keit David. Em sua concepção, “Cruzando a Linha” adotou o clima dos filmes policiais noir dos anos 80, carregando na atmosfera pesada e no baixo-astral. O personagem Parker é o maior exemplo. Vive depressivo, fuma e bebe sem parar, frequenta bares de segunda e não dá um sorriso. Trocando em miúdos, achei o filme muito bom e recomendo.             

 

 

Quem curte a Sétima Arte sabe que o cinema da Coreia do Sul é um dos melhores. Sem falar de “Parasita”, Oscar de Melhor Filme e Palma de Ouro, entre outros tantos prêmios, nem da série de sucesso “Round 6”, o cinema sul-coreano tem proporcionado aos cinéfilos ótimos filmes de ação. Já vi inúmeros, muitos dos quais comentados neste blog. Lançado recentemente pela plataforma Netflix, chega mais uma boa opção de entretenimento: “YAKSHA: OPERAÇÃO IMPLACÁVEL” (“YAKSHA: RUTHLESS OPERATIONS”), 2022, produção e distribuição Netflix, 12h05, roteiro e direção de Na Hyeun. Como quase todos os outros sul-coreanos do mesmo gênero, este não economiza em tiros, pancadarias, perseguições e muito suspense. Embora a história não seja assim tão legal, com um roteiro meio complicado, as cenas de ação são primorosas. A história contempla uma trama de espionagem. Yaksha (Sul Kyung-Gu) é o codinome de Kang-In, chefe do serviço secreto sul-coreano que chefia uma pequena equipe de espiões na cidade de Shenyang, maior cidade da província de Liaoning, no nordeste da China. Desconfiada de que os relatórios de Yaksha são falsos, a direção do serviço secreto sul-coreano envia à China o inspetor Han Ji-Hoon (Park Hae-Soo, da série “Round 6). Sem experiência no trabalho de espionagem, Ji-Hoon será envolvido em uma verdadeira guerra entre espiões sul-coreanos, norte-coreanos, japoneses e chineses. Legalista ao extremo, Ji-Hoon é contra as atitudes radicais de Yaksha, mas dependerá dele para sobreviver em território chinês. Como afirmei antes, a ação predomina do começo ao fim, o que vai agradar, e muito, os fãs do gênero. Sem dúvida, mais um gol de placa do cinema sul-coreano.              

segunda-feira, 9 de maio de 2022

 

“SILVERTON: CERCO FECHADO” (“SILVERTON SIEGE”), 2022, África do Sul, produção original e distribuição Netflix, direção de Mandla Dube e roteiro de Sabelo Mgidi. A história foi inspirada em fatos reais ocorridos no dia 25 de janeiro de 1980, quando ativistas contra o regime do apartheid tentaram cometer um atentado contra um depósito de petróleo na periferia da capital sul-africana Pretória. Eles foram surpreendidos pela polícia e tentaram fugir. Quando o cerco se fechou, três ativistas invadiram um banco no bairro de Silverton, fazendo 25 reféns. A polícia logo foi mobilizada e várias guarnições chegaram ao local e cercaram o banco, impedindo qualquer tentativa de fuga. O capitão Johan Langerman (Arnold Vosloo) ficou encarregado de negociar com os ativistas, que se identificaram como integrantes do grupo Umkhont Wesizne (MK), que lutava contra o regime de apartheid, e exigiam que Nelson Mandela fosse libertado. Este evento, por sinal, foi considerado o ponto de partida para a criação do movimento “Free Mandela”, que exigia a libertação do líder Nelson Mandela, preso desde 1964 e condenado à prisão perpétua pelo governo sul-africano. Grande parte da ação é ambientada no interior do banco, relatando o que aconteceu entre os invasores e os reféns, um deles Christine (Elani Dekker), filha do Ministro da Justiça. O filme é eletrizante, com muito suspense e tensão do começo ao fim. Os atores são muito bons, destacando-se Thabo Rametsi como um dos ativistas e Arnold Vosloo, ator sul-africano que todo mundo reconhecerá como aquele mesmo que interpretou o personagem Imhotep no filme “A Múmia” e Darkman em “Darkman II: The Return of Durant”. Associo-me a muitos críticos especializados que consideraram “Silverton: Cerco Fechado” um filmaço.               

 

 

“O RITMO DA VINGANÇA” (“THE RHYTHM SECTION”), 2020, coprodução Inglaterra/EUA/Espanha/Irlanda, 1h50m, disponível na plataforma Netflix, direção da cineasta norte-americana Reed Morano, seguindo roteiro assinado por Mark Burnell, o próprio autor do livro homônimo. É um misto de filme de espionagem, ação, drama e suspense. Depois de perder os pais e dois irmãos em um acidente de avião, Stephanie Patrick (Blake Lively) entra em parafuso, vira prostituta e drogada. Até que recebe, como “cliente”, quatro anos depois, o jornalista Keith Proctor (Raza Jaffrey). Ele quer apenas conversar e revela que a tragédia com o avião não foi acidente e sim um atentado terrorista. Stephanie resolve se vingar dos responsáveis e topa ser treinada por um ex-agente do M-16 (serviço secreto inglês), Iain Boyd (Jude Law). Dessa forma, ela se transforma em uma hábil atiradora e especialista em artes marciais. Disposta a se vingar, Stephanie viaja para Marselha, Madrid e Tânger (Marrocos), atrás dos assassinos de sua família. Até chegar nas cenas de ação, o filme demora a engrenar. A fase de treinamento, por exemplo, chega a ser entediante. A ótima atriz Blake Lively, acostumada a interpretar mulheres que esbanjam glamour, charme e beleza, está irreconhecível, com cabelos curtos e pele manchada e, em algumas cenas, com peruca ruiva. Ela demonstra que também é boa em cenas de ação. Confesso que fiquei meio perdido no meio do filme, não sabendo quem é quem. Essa confusão também deve ter atingido outros espectadores. Por exemplo, faltou explicar melhor quem é realmente o personagem Serra (Sterling K. Brown), ou então quem é o ricaço que patrocina a vingança de Stephanie. Somando os prós e os contras, porém, admito que o filme tem mais prós. Portanto, é um suspense que garante um bom entretenimento. E tem a bela Blake Lively, um motivo e tanto para assistir.                  

quinta-feira, 5 de maio de 2022

 

“A PRINCESA DA YAKUZA” (“YAKUZA PRINCESS”), 2021, Brasil, produção e distribuição Netflix, 1h52m, direção de Vicente Amorim, seguindo roteiro assinado por Fernando Toste e Kimi Lee. Trata-se da adaptação para o cinema da graphic novel “Shirô: Yakuza, Honra e Sangue no Coração de São Paulo”, de Danilo Beyruth. É um filme interessante, nada mais. Esteticamente impecável, uma fotografia digna de prêmio (Gustavo Hadba) e boas cenas de ação, principalmente as coreografias de luta. Infelizmente, o roteiro apresenta muitas falhas, a principal delas é não propiciar um bom entendimento do que está acontecendo e nem quem são todos aqueles personagens, o que confunde a cabeça do espectador por um bom tempo. A trama começa em Osaka, no Japão, quando um poderoso chefão da Yakuza (a máfia japonesa) e toda sua família são assassinados. A única sobrevivente é uma bebê, Akemi, levada em segredo para o Brasil e entregue para seus avós, no bairro da Liberdade, em São Paulo. O roteiro dá um salto de 20 anos e vemos Akemi (Masumi Harukawa) sendo treinada em artes marciais e plenamente adaptada ao nosso País. Os antigos rivais do seu pai na Yakuza descobrem o seu paradeiro e vêm para São Paulo com o objetivo de matá-la e recuperar uma katana (espada utilizada pelos antigos samurais). No meio dessa confusão surge um personagem misterioso (o ator norte-americano Jonathan Rhys Meyers), que perdeu a memória, está muito ferido e anda sem destino pelo bairro da Liberdade armado com uma katana. Não explicar de onde veio esse personagem e por que está em São Paulo é outro mistério que o roteiro não explica. Como desde o início estava previsível, esse homem misterioso encontra Akemi, e ambos terão de lutar contra os algozes japoneses da Yakuza. A partir daí a matança não acaba mais. O filme é falado em inglês, japonês e algumas vezes em português. Assim como os idiomas, o elenco também é misto, com um norte-americano (Meyers), vários japoneses e alguns brasileiros (André Ramiro, Charles Paraventi, Nicolas Trevijano, Iuri Saraiva, Ricargo Gelli e Lucas Oranmian). O diretor brasileiro Vicente Amorim é filho do ex-ministro Celso Amorim, ex-ministro do governo Lula. Em seu currículo constam filmes como "Corações Sujos" e "O Homem Bom". Trocando em miúdos, “A Princesa da Yakuza” é um filme que deve agradar apenas a um público específico, por exemplo, aos fãs de Quentin Tarantino (lembram-se de "Kill Bill"?).