quinta-feira, 7 de abril de 2022

 

“MÃES PARALELAS” (“MADRES PARALELAS”), 2021, Espanha, 2h03m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Pedro Almodóvar. Trata-se de um drama estilo novelão, mas nas mãos de Almodóvar resulta em cinema da melhor qualidade, principalmente quando ele acrescenta fatos políticos como pano de fundo da narrativa. É o sétimo filme em que o grande diretor espanhol trabalha com a atriz Penélope Cruz. E, mais uma vez, o resultado é uma ótima história vinculada ao universo feminino, como já fez em outros tantos filmes. Penélope é Janis (o nome foi dado por sua mãe hippie em homenagem a Janis Joplin), uma mulher entrando na casa dos 40 que trabalha como fotógrafa de publicidade e editoriais de moda. Ela engravida depois de um sexo casual com o antropólogo Arturo (Israel Elejalde), personagem de um ensaio fotográfico para uma revista. O filme dá um salto de 9 meses e lá está Janis no hospital já em trabalho de parto. No mesmo quarto, também em trabalho de parto, está a jovem Ana (Milena Smit), que engravidou por acidente. Nascem duas meninas e Janis e Ana se transformam em grandes amigas. Um dos bebês, porém, morre de repente, aumentando a dosagem dramática, principalmente depois que se descobre que as crianças foram trocadas no berçário. Perto do desfecho, a história dá uma guinada total. Janis resolve acompanhar Arturo nas escavações na zona rural de sua cidade natal, onde seu bisavô e outras pessoas teriam sido enterrados depois de assassinados pelo grupo fascista “Falange Espanhola” durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). A cena final é bastante impactante, que só um gênio criativo como Almodóvar teria coragem de realizar. “Mães Paralelas” concorreu ao Oscar 2022 em duas categorias: Melhor Atriz (Penélope Cruz) e Melhor Trilha Sonora, assinada por Alberto Iglesias. Não foram premiadas, mas Penélope já havia conquistado o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza. O elenco é outro trunfo do filme. Também estão no elenco Aitana Sánchez-Gijón, Rossy De Palma, Daniela Santiago, Ainhoa Santamaria, Julieta Serrano, Inma Ochoa e Julio Manrique. Faço questão de destacar a presença da atriz italiana Aitana Sánchez Gijón. Aos 53 anos, ela continua linda e competente. Aitana domina cada cena em que aparece e sua beleza desbanca atrizes mais jovens também bonitas como a própria Penélope Cruz e Milena Smit, sua filha na história. Por sua atuação, Aitana ganhou o prêmio “Feroz” de Melhor Atriz Coadjuvante concedido pela Asociación de Informadores Cinematográficos de España. Tudo isso junto e misturado com a belíssima trilha sonora, a fotografia e a arte de Almodóvar resultam em um filme de alta qualidade. Não perca!                                                             

 

terça-feira, 5 de abril de 2022

 

“ZONA DE CONFRONTO” (“SHORTA”), 2020, Dinamarca, disponível na plataforma Netflix, 1h48m, roteiro e direção de Anders Ølholm e Frederick Louis Hviid. Filme policial violento e tenso. Começa com um jovem árabe sendo detido pela polícia de Copenhague. Com um joelho pressionando seu pescoço, ele grita dizendo que não consegue respirar (claro que você vai lembrar do caso George Floyd nos EUA, em maio de 2020, que repercutiu no mundo inteiro). Gravemente ferido, Talib Ben Hassi (Jack Pedersen) é levado em estado grave para o hospital. A notícia logo correu pela periferia de Copenhague, onde reside a maior parte dos imigrantes árabes e africanos, que se rebelam e prometem vingança. O clima fica muito tenso e as autoridades recomendam que os policiais não cheguem perto dessas comunidades. Os policiais Mike Andersen (Jacob Lohmann) e Jens Høyer (Simon Sears) desconsideram a recomendação e resolvem patrulhar pelas ruas do bairro de Svalegarden, reduto onde reside grande parte da comunidade árabe. Depois de deter o jovem Amos Al-Shami (Tarek Zayat) para uma verificação de rotina, são atacados por uma multidão e são obrigados a se esconder para não morrer. Muita tensão diante da situação, que fica ainda pior depois que lhes é negado reforço. Eles ficam encurralados nos prédios do conjunto habitacional e sofrerão um bocado tentando permanecer vivos. O roteiro lembra muito o filme francês “Bac Nord – Sob Pressão”, de 2020. Achei “Zona de Confronto” muito bom, assim como críticos e público que o assistiram em sua primeira exibição no Festival de Veneza 2020. Vale lembrar também que o filme foi um dos 3 concorrentes à indicação da Dinamarca ao Oscar 2021 na categoria Melhor Filme Internacional. Filmaço!                                                           

 

segunda-feira, 4 de abril de 2022

 

“PROJETO GEMINI” (“GEMINI MAN”), 2019, Estados Unidos, 1h57m, disponível na plataforma Netflix, direção de Ang Lee, seguindo roteiro de Darreri Lemke e Billy Ray. É um filme de ação e ficção que traz o astro Will Smith como o assassino profissional Henry Brogan, especialista em artes marciais e atirador de elite com uma mira impressionante, como já comprova a cena inicial. Henry está na Bélgica com a missão de assassinar um terrorista. A cena é ótima. A vítima está em um trem-bala a 238 km/h e Henry aguarda a hora de atirar acomodado em um morro distante. E, claro, consegue acertar. Uma mentira que só o cinema é capaz de produzir e tornar aceitável. Depois dessa missão, Henry decide se aposentar, mas a Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos, para a qual trabalha, quer obrigá-lo a continuar. Ou então matá-lo. Henry não sabe, mas criaram um clone seu mais moço, treinado para ser um combatente feroz e assassino. Até o desfecho, Henry terá de enfrentar ele mesmo mais moço – para representá-lo, o ator foi submetido a um incrível processo digital de rejuvenescimento. “Projeto Gemini” também inovou ao utilizar a nova tecnologia 3D+, um formato digital de projeção de cinema em 60 quadros por segundo, quando o normal é 24. A nova tecnologia, entre outros recursos, coloca o espectador no centro da ação. Por falar nisso, as cenas de ação são espetaculares, destacando-se aquela que mostra uma incrível perseguição de motos pelas ruas de Cartagena, na Colômbia. Mas tem muito mais, inclusive em Budapeste (Hungria). O ótimo elenco é outro trunfo deste emocionante filme de ação. Além de Will Smith, atual a bela Mary Elizabeth Winstead, Clive Owen, Benedict Wong, Lina Emond e Douglas Hodger. Destaque especial também para o dublê de Will Smith nas cenas de ação: trata-se de Victor Hugo, nascido no Guarujá (SP) e radicado em Londres. Desde o início fica claro que quem comanda o espetáculo é o veterano cineasta taiwanês Ang Lee, premiado duas vezes com o Oscar de Melhor Diretor por “O Segredo de Brokeback Montain” e “As Aventuras de Pi”. Outros filmes de Lee imperdíveis são “O Tigre e o Dragão”, “Desejo e Perigo”, “A Arte de Viver” e “Comer Beber Viver”, estes dois últimos os meus preferidos. Resumo da ópera: apesar da história mirabolante, “Projeto Gemini” é um filmaço! Em tempo: no filme, Will Smith entra na pancadaria para valer, batendo pesado, ao contrário do tapinha que deu em Chris Rock na cerimônia do Oscar.                                                         

 

domingo, 3 de abril de 2022

 

“CODA: NO RITMO DO CORAÇÃO” (“CODA”), 2021, Estados Unidos, 1h51m, disponível na plataforma Amazon Prime, roteiro e direção de Sian Heder. Vencedor do Oscar 2022 de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante (Troy Kotsur) e também premiado no Festival de Sundance, “CODA” é um sensível e comovente drama centrado em uma família de quatro pessoas, sendo que apenas uma delas, a filha caçula, não é surda/muda. Só para esclarecer: o filme é um remake do francês “A Família Bélier” (“La Famille Bélier”), de 2014. Outra nota explicativa: CODA é a sigla para “Child of Deaf Adults” (Filha de Adultos Surdos). A personagem principal é Ruby Rossi (Emilia Jones), filha de Frank (Troy Kotsur) e de Jackie Rossi (Marlee Matlin, a primeira atriz surda/muda a ganhar um Oscar de Melhor Atriz por “Os Filhos do Silêncio”, em 1987. Além dos pais, o seu irmão mais velho Leo Rossi (Daniel Durant) também é deficiente auditivo. Ou seja, Ruby é a principal interlocutora da família, que tem um barco de pesca e vive da comercialização dos peixes na pequena comunidade de Gloucester (Massachusetts). Sem Ruby não tem negócio, até mesmo em alto-mar, já que a lei exige que uma pessoa da embarcação seja capaz de escutar as sirenes dos navios e falar no rádio. Estudante do ensino fundamental, Ruby decide ingressar no coral da escola para ficar perto de Miles (Ferdia Walsh-Peelo), um garoto pelo qual é apaixonada. Nas aulas do professor de canto Bernardo Villalobos (o ótimo ator mexicano Eugenio Derbez), Ruby revela uma grande capacidade vocal. Entusiasmado com sua descoberta, Villalobos incentiva a menina a seguir carreira de cantora e a aconselha a se inscrever no conceituado Berklee College of Music, em Boston. Apesar do desejo de seguir o conselho do seu professor de música, Ruby reluta em abandonar a família e só recebe o apoio do irmão mais velho. Ruby sofrerá muito com essa dúvida até o desfecho da história. Eu gostei do filme, mas gostaria de fazer um último comentário: não é filme para ganhar o Oscar, a começar pelo fato de ser uma refilmagem. Acrescento que achei uma injustiça enorme não indicarem a jovem Emilia Jones para Melhor Atriz. Afinal, ela carrega o filme nas costas. Apesar dos pesares, com alguns momentos bastante comoventes e outros de bom humor, “CODA” é um ótimo entretenimento, pois emociona e diverte.                                                 

 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

 

“O HERDEIRO DAS DROGAS (“INHERIT THE VIPER”) – a tradução literal do título original é “Herdar a Víbora” -, 2019, Estados Unidos, 1h24m, disponível na plataforma Amazon Prime, direção de Anthony Jergen, seguindo roteiro de Andrew Crabtree. Trata-se de um drama familiar bem pesado, com algum suspense e pouca ação. A história, ambientada numa pequena cidade na zona rural de Ohio, é centrada nos irmãos Conley, Kip (Josh Hartnedtt), Josie (Margarita Levieva) e Boots (Owen Teague). Como meio de subsistência, já que o emprego na região é escasso, Kip e Josie traficam drogas, principalmente opióides em pílulas. Boots, o irmão caçula, ficou fora do negócio para ser preservado dos perigos da atividade criminosa e, quem sabe, mais tarde, cursar uma universidade. Um dia, porém, uma mulher morre de overdose no banheiro de um bar após consumir a droga vendida por Josie. Os irmãos Conley, dessa maneira, entram no radar da polícia e também sofrem ameaças dos familiares da vítima. Para piorar a situação, numa negociação mal sucedida, um tiroteio acaba causando a morte de um jovem amigo de Boots. Aí a coisa complica de vez. Kip quer abandonar o tráfico, mas sua irmã insiste em continuar, o que resulta numa grande traição e em uma tragédia perto do desfecho. Para ressaltar ainda mais o contexto dramático, a fotografia do filme foi elaborada em tons escuros. Além do mais, a maioria das cenas acontece à noite. Um dos destaques do filme é o ator Josh Hartnett, que um dia já fez sucesso em Hollywood, ao protagonizar filmes como o excelente “Falcão Negro em Perigo” e “Pearl Harbor”, ambos grandes sucessos de 2001. Outro destaque é, sem dúvida, a boa atriz Margarita Levieva. Nascida na Rússia e radicada nos Estados Unidos desde criança, ela ainda não teve muitas chances em Hollywood, só participando de filmes independentes. Também estão no elenco Bruce Dern, Chandler Riggs, Valorie Curry, Dash Mihok, Brad William e Garrett Kruithof. Resumo da ópera: “O Herdeiro das Drogas” não merece uma recomendação entusiasmada. Nem mesmo uma recomendação.                                          

 

quinta-feira, 31 de março de 2022

 

Nas minhas consultas habituais na relação da plataforma Amazon Prime Video, li a sinopse de um filme da República Tcheca chamado “NOTAS DE LIBERDADE” ("RYTMUS V PATÁCH”), produção de 2010 feita para a TV. Com 1h37m de duração, o filme é ambientado nos anos 50 do século passado em Praga, quando a vigilância da comunista União Soviética, exercida por uma filial da KGB, era impiedosa sobre os cidadãos tchecos. Na época, o país ainda era a Tchecoslováquia. A história do filme é baseada no livro “Histórias de Um Saxofonista Tenor”, escrito por Josef Skvorecky. Ou seja, os fatos aconteceram de verdade. Naqueles anos, Skvorecky tocava saxofone numa pequena orquestra que se apresentava no bar “Boulevard”. Os integrantes da banda, incluindo sua principal vocalista, são os personagens principais da história. A partir do momento em que o repertório da orquestra era jazz e swing, originários do inimigo Estados Unidos, cada um dos músicos acabou sendo alvo da vigilância do partido comunista, que impunha regras das mais estapafúrdias. As músicas, por exemplo, não podiam ser cantadas em inglês, e quem dançava o swing no bar já entrava na lista de vigiados. Enfim, um clima insuportável de se viver, amigo denunciando amigo, filho denunciando o pai etc. O roteiro e a direção da cineasta tcheca Andrea Sedlácková criam, com muita competência, esse clima tenso em que viviam os tchecoslovacos sob a o martelo e a foice da União Soviética. Além do ótimo elenco, destaco também a primorosa recriação de época, principalmente no que se refere a cenários e figurinos, além da deliciosa trilha sonora, que faz jus ao título. Entre os principais nomes do elenco estão Frantisek Nemec, Marika Soposká e Vojtech Dik. Enfim, um filme bastante esclarecedor que tem como principal trunfo a conjuntura política da então Tchecoslováquia. Imperdível!                                    

 

terça-feira, 29 de março de 2022

 

“RESPECT: A HISTÓRIA DE ARETHA FRANKLIN” (“RESPECT”), 2021, coprodução Estados Unidos/Canadá, 2h26m, direção de Liesl Tommy (é o seu primeiro longa-metragem), seguindo roteiro assinado por Callie Khouri, disponível na plataforma Amazon Prime. Trata-se da cinebiografia da cantora Aretha Franklin (1942-2018), famosa como a Rainha do Soul. Durante sua carreira, vendeu mais de 75 milhões de discos no mundo inteiro, ganhou 18 prêmios Grammy e foi a primeira mulher a entrar para o Rock and Roll Hall of Fame. Também participou do ativismo pelos direitos civis dos negros. Aretha começou a cantar ainda menina no coral da Igreja Batista da qual seu pai era o reverendo. “Respect” (título de uma canção lançada por Aretha em 1967, considerada o seu maior hit) é um filme muito musical, apresentando nada menos do que 17 clássicos da cantora, mas não esconde os dramas de sua vida particular, como abuso sexual que sofreu quando era criança, o fracasso de seu primeiro casamento – o marido a espancava –, o vício em álcool e o tumultuado relacionamento com empresários e com a família, principalmente o pai centralizador que queria que ela cantasse apenas músicas gospel. A própria Aretha, antes de morrer, escolheu para interpretá-la no filme a cantora e atriz Jennifer Hudson, de 40 anos, que já havia conquistado o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante/secundária em 2007 por sua atuação em “Dreamgirls”. Como Aretha, Jennifer realmente dá um show, não só interpretando como também cantando ela mesmo todas as músicas. E que vozeirão. Estranhei que Jennifer e o próprio filme não tenham sido indicados ao Oscar. Mistérios! Além de Jennifer, estão no elenco Forest Whitaker (ótimo, como sempre), Marlon Wayans, Mary J. Blige, Audra McDonald e Albert Jones. FILMAÇO com letras maiúsculas!                                      

segunda-feira, 28 de março de 2022

 

“CARANGUEJO NEGRO” (“SVART KRABBA”), 2021, Suécia, disponível na plataforma Netflix, 1h52m. Trata-se do primeiro longa-metragem dirigido por Adam Berg, mais conhecido como diretor de curtas e clipes musicais. O roteiro, assinado por Pelle Radström, é baseado no livro homônimo de Jerker Virdborg. A história é ambientada em um mundo pós-apocalíptico, mostrando uma Suécia em pleno caos, devastada por uma guerra e por eventos climáticos que causaram milhares de mortes. O país está inteiramente coberto por neve e gelo. Com relação à guerra, o roteiro não define quem são os inimigos, ou seja, quem luta contra quem. A história mostra um dos lados, um exército que, aparentemente, obedece ao governo. Em uma operação intitulada “Caranguejo Negro”, seis militares são destacados para chegar ao inimigo levando uma carga ultrassecreta, entre os quais a soldada Carolina Edh (Noomi Rapace) e o tenente Nylund (Jacob Offtebro). Para chegar ao QG do exército inimigo, os seis terão de percorrer muitos quilômetros pelo mar congelado, utilizando patins de gelo. Durante a missão, alguns deles morrerão, ou em acidentes ou baleados pelo inimigo. Como filme de ação, “Caranguejo Negro” agrada bastante, embora a história seja um tanto mirabolante. Os cenários são deslumbrantes, apresentando um país coberto pelo gelo e pela neve, cadáveres à vista e muita tensão. Não poderia deixar de destacar o desempenho da atriz sueca Noomi Rapace, uma das minhas preferidas do cinema atual. Agora famosa, Rapace surgiu para o estrelato depois de atuar na trilogia Millennium: “Os Homens que não Amavam as Mulheres”, “A Rainha do Castelo de Ar” e “A Menina que Brincava com Fogo”. Depois disso, começou a ser requisitada para atuar em vários filmes de Hollywood e agora, com “Caranguejo Negro”, volta a trabalhar em seu país natal. Filmaço!                                    

quinta-feira, 24 de março de 2022

 

“ÁGUAS PROFUNDAS” (“DEEP WATER”), 2020, Estados Unidos/Austrália, produção original Amazon Studios, 2h33m, direção de Adrian Lyne, seguindo roteiro de Zach Helm e Sam Levinson. Trata-se de mais uma adaptação para o cinema de um livro da escritora Patricia Highsmith (“Deep Water”, de 1957). A história é centrada no casal Vic Van Hallen (Ben Affleck) e Melinda (Ana de Armas). Em crise conjugal, eles resolvem adotar um casamento aberto para evitar o divórcio, ainda mais pela filhinha Trixie (Gracie Jenkins). Vic e Melinda convivem com um grupo de amigos acostumados a festas particulares regadas a muito champanhe. São todos ricos e bem sucedidos em suas profissões. Nessas festas, Melinda costuma levar algum amigo e não volta para casa com o marido. Isso acontece várias vezes. Vic engole quieto as puladas de cerca da esposa, mas sua paciência tem limite e o ciúme começa a perturbá-lo. Ao mesmo tempo, os namorados de Melinda começam a morrer ou desaparecer, um deles afogado na piscina, o que remete ao título. E dá-lhe suspense do começo ao fim. Destaque para o desempenho da cubana Ana de Armas, hoje uma das mais requisitadas atrizes de Hollywood, esbanjando competência, beleza e sensualidade, como exige o papel de uma libertina. Ana de Armas, aliás, estava namorando com Affleck durante as filmagens. Logo depois, dizem as revistas de fofocas, engatou um breve namoro com o brasileiro Wagner Moura quando protagonizaram “Sérgio”. Outro destaque merece ser dado à atriz mirim Gracie Jenkins, que atua com uma espontaneidade e segurança impressionantes para a idade. Tanto é que a menina ganhou um clipe especial nos créditos finais. Realmente, uma gracinha. Completam o elenco Jacob Elordi, Finn Wittrock, Brendan Miller, Rachel Blanchard, Tracy Letts, Jade Fernandez, Dash Mihok, Devyn A. Tyler e Lil Rel Howery. Das inúmeras adaptações para o cinema das histórias de Patricia Highsmith, esta é uma das mais fracas, principalmente se comparadas com os clássicos “Pacto Sinistro”, de 1951, “O Sol por Testemunha”, de 1960, ou “O Talentoso Ripley”, de 1999, entre tantos outros. “Águas Profundas” também marcou a volta do veterano diretor inglês Adrian Lyne, de 81 anos, depois de 20 anos longe dos estúdios. Só para recordar, Lyne dirigiu filmes de grande sucesso, como “Flashdance”, “Atração Fatal”, “9 ½ Semanas de Amor”, “Infidelidade” e “Proposta Indecente”. Seu retorno, porém, não foi muito satisfatório. Muito criticado pela imprensa especializada, “Águas Profundas” realmente apresenta um resultado decepcionante.                                 

terça-feira, 22 de março de 2022

 

“INFILTRADO” (“WRATH OF MAN”), 2021, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h58m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Guy Ritchie, que também assina o roteiro juntamente com Eric Besnard. O cineasta inglês Guy Ritchie, que ficou famoso por ter sido casado com a diva do pop Madonna, volta a trabalhar com seu conterrâneo, o ator Jason Statham, neste filme de ação, depois de 15 anos. Ritchie levou o brucutu Statham ao estrelato depois de dirigí-lo em dois ótimos filmes policiais ingleses, “Snatch: Porcos e Diamantes” e "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, ambos grandes sucessos de crítica e público. “Infiltrado” é uma refilmagem do filme francês “Assalto ao Carro-Forte” (“Le Convoyeur”), de 2004. Statham é Harry, ou “H”, um sujeito misterioso contratado para trabalhar em uma firma de segurança de valores, que mantém uma frota de carros-fortes que transportam milhões de dólares diariamente por Los Angeles. Em um de seus primeiros trabalhos, Harry elimina sozinho uma quadrilha de assaltantes, tornando-se um verdadeiro herói na empresa. Como outros assaltos se repetem, começam a desconfiar que há um informante infiltrado na equipe de seguranças. Harry é também um infiltrado, só que de outra maneira, ou seja, é o mocinho da história. Enquanto isso, os assaltantes planejam dar uma cartada final: um assalto dentro da própria empresa de segurança no final do dia do “Black Friday”, quando o montante a ser protegido chegaria a mais de 160 milhões de dólares. “Infiltrado” tem boas cenas de ação, tensão do começo ao fim e muitos, mas muitos tiros, bem ao estilo de Guy Ritchie. Também tem muita mentira, pois é impossível sobreviver depois de ser baleado tantas vezes, mas o herói sempre sobrevive. O que me incomodou bastante foi o jeito de falar do personagem de Statham, um cara grandão, com cara de mau, falando como se estivesse sussurrando, lembrando um asmático com enfisema pulmonar. Também estão no elenco Scott Eastwood (a cara do pai, Clint), Josh Hartnett, Niamh Algar, Holt McCallany, Andy Garcia, Eddie Marsan, Alex Ferns, Lyne Renée, Darrell D'Silva e Jeffrey Donovan. Somando os prós e os contras, o resultado final é um bom filme de ação, bastante movimentado e que não compromete nossa inteligência. Entretenimento garantido.                              

domingo, 20 de março de 2022

“EXORCISMOS E DEMÔNIOS” (“THE CRUCIFIXION”), 2018, coprodução Estados Unidos/Romênia/Inglaterra, 1h30m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção do francês Xavier Gens, seguido roteiro assinado pelos irmãos gêmeos Chad e Carey Hayes, estes últimos responsáveis pelos filmes da franquia “Invocação do Mal”, entre outros. O título nacional “Exorcismos e Demônios” parece fazer referência a um documentário. Nada disso. Apenas uma escolha mal feita. A história é baseada em fatos reais ocorridos na Romênia em 2005. O padre Daniel Corogeanu foi preso acusado de assassinar a freira Maricica Irina Cornici, de apenas 23 anos, durante uma sessão de exorcismo no monastério Santa Trinidad, no pequeno vilarejo de Tanacu.  No filme, a jovem jornalista investigativa Nicole Hawlins (Sophie Cookson), de um jornal de Nova Iorque, se interessa pelo caso e recebe a aprovação do seu editor-chefe para viajar para a Romênia. Seu objetivo é entrevistar o padre Dimitru (Catalin Babliuc) na penitenciária e também todos os envolvidos na sessão de exorcismo que vitimou a freira Adelina Marinescu (Ada Lupu). Ateia radical e convicta, Nicole terá de enfrentar situações que a farão rever os seus conceitos. Sorte que ela terá ao seu lado o jovem padre Anton (Corneliu Ulici), por quem Nicole tem uma atração muito especial e quase sexual. O desfecho reserva como gran finale um exorcismo surpreendente e com uma cena muito bem feita e impactante. Dos últimos filmes que assisti sobre possessões demoníacas, este revela-se bem melhor, garantindo muitos sustos e um clima de tensão do começo ao fim. Uma das falhas que notei está relacionada com o fato de a jornalista norte-americana falar com todo mundo em inglês, inclusive as pessoas mais simples do vilarejo. Isso me incomodou. Em todo caso, o filme funciona perfeitamente como um bom entretenimento para quem curte histórias de exorcismo.                            

sexta-feira, 18 de março de 2022

 

“MARÉ ALTA” (“MAREA ALTA”), 2020, Argentina, disponível na plataforma Netflix, 1h46m, roteiro e direção de Verónica Chen (“Rosita”, “Mujer Conejo”). É bom avisar: não é um filme para qualquer público. Ao apresentar sua sinopse, a Netflix também deixa claro que é “cinema de arte”, querendo dizer que se trata de um filme dirigido a um público especial. Realmente, trata-se de um filme meio estranho, lento e até entediante, pelo menos até perto do desfecho. A história é centrada em Laura (Gloria Carrá, excelente), uma mulher de meia-idade que sai de Buenos Aires para acompanhar as obras de um abrigo e churrasqueira na sua casa de praia. Na verdade, uma mansão. Em uma tarde, empolgada depois de várias taças de vinho, ela vai para a cama com Weisman (Jorge Sesán), chefe dos pedreiros. Ao sair de casa pela manhã, Weisman é surpreendido pelos seus trabalhadores, Toto (Cristian Salguero) e Huejo (Hector Bordoni). A partir desse flagrante, Laura fica a mercê dos pedreiros, que passam a desrespeitá-la o tempo inteiro. Chegam até a levar prostitutas para a casa e promover festinhas à base de muito vinho e cocaína. Apavorada, Laura tenta entrar em contato com Weisman, que não responde às suas chamadas. A situação vai se desenrolando até que Laura, até então demonstrando uma atitude passiva, resolve dar um basta. “Maré Alta” estreou no Sundance Film Festival 2020 (EUA), não conseguindo muitas críticas positivas, mas tem seus trunfos. A atriz é sensacional, o roteiro bem elaborado e o desfecho surpreendente. A trilha sonora, porém, é uma chatice. Quando acabei de assistir, fiquei pensando no título “Maré Alta” e tentei entender sua ligação com a história. Não consegui desvendar esse mistério. Trocando em miúdos, “Maré Alta” passa bem longe dos melhores filmes do excelente cinema argentino, mas tem seus méritos.                      

quinta-feira, 17 de março de 2022

 

“FALSIDADE” (“VALS”), 2019, Holanda, 1h37m, disponível na plataforma Amazon Prime Video, direção de Dennis Bots, que também assina o roteiro com Alexandra Penrhyn Lowe, Tjebbo Penning e Pieter Van Den Berg. A história é baseada no livro homônimo de 2010 escrito por Mel Wallis de Vries, conhecida como autora de livros infantis e juvenis. “Vals” conta a história de quatro garotas, amigas de infância, que resolvem passar um final de semana em uma cabana em local ermo nas Ardenas. Personalidades diferentes, Kim (Romy Gevers), Abby (Abbey Hoes), Feline (Holly Mae Brood) e Pippa (Olivia Lonsdale) enfrentarão discórdias, ressentimentos e memórias afetivas, o que resultará em muitos conflitos, colocando em dúvida a amizade que as unia faz tempo. É quando a falsidade entra em jogo. Os desentendimentos começam quando elas conhecem três rapazes hospedados em uma casa próxima. Uma delas, a contragosto das outras, convida os meninos para uma noitada de queijos e vinhos, mais vinhos do que queijos. Depois disso, começam a surgir situações de suspense, como vultos aparecendo nas janelas, garota trancada no banheiro, outra na sauna, além do sumiço misterioso de outra. Quem será o responsável por tudo isso? Aquele sujeito mal-encarado do posto de gasolina, os rapazes ou até mesmo uma delas? Paralelamente a todo esse suspense, você será obrigado a acompanhar os arrastados, entediantes e irritantes diálogos entre as moças a um nível medíocre. Apesar do esforço das atrizes, do diretor e da equipe de roteiristas, o resultado final decepciona. Portanto, entre os prós e os contras, “Falsidade” ganha fácil nos contras. Um filme realmente muito fraco que mancha a imagem do cinema europeu.                   

quarta-feira, 16 de março de 2022

 

“SEM RETORNO” (“THE EASTERN FRONT”), 2020, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h50m, direção de Rick Roberts, seguindo roteiro assinado por Cheryl Neve. Sem medo de errar, este é o pior filme de guerra que já vi. Do começo ao fim, nada funciona. Os atores são péssimos, beirando o patético, e o roteiro é repleto de situações inverossímeis, que chegam ao ponto de ofender nossa inteligência. A história, ambientada em 1945 durante a Segunda Guerra Mundial, acompanha a trajetória de soldados alemães retornando do front russo. Eles trazem duas prisioneiras russas, ambas enfermeiras, capturadas no meio do caminho. A namorada do tenente alemão faz parte do grupo, com roupas de civil. Pergunto: o que ela foi fazer no front russo? Um sargento passa o filme inteiro assediando a moça e o tenente, seu namorado, faz vistas grossas. Os absurdos começam por aí. E são tantos que não haveria espaço suficiente para enumerá-los. Apesar de ser um filme de guerra, há momentos tão entediantes que chegam a dar sono, com longos diálogos sem nenhum nexo ou profundidade. Mas o pior mesmo é o elenco. Nunca vi atores tão ruins. Como citei o diretor e o roteirista, vou nominar também os principais atores como cúmplices desse crime hediondo contra o cinema: Lauran Jean Marsh, Bethany Slater, Tim Seyfert, Mhairi Calvey, Neal Ward, George Weightman, Chris Wilson, Josh Harper e Jennifer Martin. Trocando em miúdos, fuja a galope.                  

segunda-feira, 14 de março de 2022

 

“EIFFEL”, 2021, França, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 2h3m, direção de Martin Bourboulon, que também assina o roteiro com a colaboração de Carolina Bongrand, Thomas Bidegain, Martin Brossollet e Natalie Carter. Belíssimo drama histórico, valorizado pelo ótimo elenco e por uma primorosa recriação de época. Toda a história é centrada na concepção do projeto e na execução da obra da Torre Eiffel, hoje o maior símbolo de Paris e também da França. O filme começa e lá está, em Nova Iorque, o engenheiro francês Alexandre Gustave Eiffel, recebendo as homenagens por ter executado a obra da Estátua da Liberdade, um presente da França ao Tio Sam. De volta à França, Gustave recebe a incumbência do governo de criar um projeto especial e espetacular para apresentar durante a Feira Mundial de Paris. Dessa forma, nasce o projeto da Torre Eiffel. O filme destaca o trabalho de Gustave no comando do projeto e na execução da obra. Ao mesmo tempo, o roteiro cria um romance fictício entre o engenheiro e a bela Adrianne (Emma Mackey, de “Sex Education”)), um antigo amor do passado que volta à tona 20 anos depois, com Adrianne agora casada com Antoine (Pierra Deladonchan), coincidentemente um colaborador de Gustave. A inauguração da Torre Eiffel aconteceu em 21 de março de 1889. Sua construção começou em 1887. Com 324 metros de altura (equivalente a 1.665 degraus do chão até o topo), a obra utilizou 18.038 peças metálicas e 2.500.00 de rebites. Ainda hoje, continua sendo a maior atração de Paris, tendo recebido, desde sua inauguração, mais de 300 milhões de habitantes. O engenheiro Alexandre Gustave Eiffel (1832-1923) executou outras inúmeras obras pelo mundo afora em países como o México, Peru, Chile, Uruguai, Ucrânia, Hungria e Portugal, entre outros. “Eiffel” é simplesmente imperdível, um drama histórico da melhor qualidade.                   

domingo, 13 de março de 2022

 

“UM DIA DIFÍCIL” (“SANS RÉPIT”), 2022, França, produção original Netflix, 1h36m, direção de Régis Blondeau, que também assina o roteiro com Julien Colombani. Mais conhecido como diretor de fotografia de mais de 40 filmes franceses, Blondeau estreia como roteirista e diretor. Na verdade, trata-se da refilmagem do filme sul-coreano “Ggeutggajui Ganda”, de 2014, ou “A Hard Day”, como foi lançado no mercado internacional - aqui, chegou com o mesmo título "Um Dia Difícil". O cinema francês tem apresentado excelentes filmes policiais (veja algumas dicas no final deste comentário). Apesar de bastante movimentado, tenso e com muito suspense, “Um Dia Difícil” não é tão bom. Tem muitos defeitos, principalmente no roteiro, com algumas situações difíceis de engolir, além de pitadas de humor negro que fogem do contexto sério que permeia a história. O foco central é o detetive Thomas (Franck Gastambide, quase um sósia do ator norte-americano Vin Diesel), um policial corrupto que veste a camisa do anti-herói e sempre se destaca como alvo principal da corregedoria. Sua pior encrenca estava ainda para acontecer. Dirigindo à noite por uma estrada, eis que atropela e mata um homem. Coincidência das coincidências, a vítima é um conhecido traficante. Dessa forma, não resta alternativa a Thomas a não ser esconder o cadáver. Foi seu maior erro, pois de repente começa a receber telefonemas de alguém que sabe o que aconteceu, prometendo denunciá-lo. A não ser que devolva o cadáver. Não será fácil para Thomas enfrentar a situação, ainda mais que o chantageador misterioso passa a ameaçar a filha e a irmã do policial. Muitas reviravoltas e tensão garantida até o desfecho. Completam o elenco principal Jamima West, Tracy Gotoas, Michaël Abiteboul e Simon Abkarian. Como prometido, sugiro alguns filmes policiais franceses com melhor qualidade: “Inimigos Íntimos”, “Bronx”, “Bac Nord”, “A Terra e o Sangue”, “Bala Perdida”, “Sob Pressão” e “Asfalto de Sangue”.                   

sexta-feira, 11 de março de 2022

 

“O BOMBARDEIO” (“SKYGGEN I MIT ØJE”), 2021, Dinamarca, disponível na plataforma Netflix, 1h47m, roteiro e direção de Ole Bornedal. O filme conta a história de mais um episódio pouco conhecido por aqui ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. No início de 1945, o governo inglês propôs a criação da “Operação Cartago”, cujo objetivo era bombardear o edifício utilizado como QG pela Gestapo em Copenhague, capital da Dinamarca. O ataque ficou marcado para o dia 21 de março de 1945. Deu tudo errado, culminando com uma grande tragédia. Depois que uma das aeronaves inglesas caiu nas proximidades da escola católica Institut Jeanne D’Arc, no centro da cidade, os pilotos dos demais aviões, vendo toda aquela fumaça, pensaram que o alvo do ataque era exatamente ali. A escola foi totalmente destruída pelo bombardeio inglês, causando a morte de 120 pessoas, entre as quais 86 crianças, além de mais de 100 feridos. Essa triste história nunca havia sido revelada e agora cai como uma bomba, denunciando um dos erros militares mais fatídicos daquele conflito. Os ingleses não devem ter gostado muito dessa revelação. Para aumentar ainda mais o contexto trágico, o filme, até chegar ao bombardeio, reúne vários subtramas na Copenhague ocupada pelos nazistas, como, por exemplo, a amizade ingênua entre três crianças, sessões de tortura nos porões do QG da Gestapo, um menino que perde a fala ao presenciar a morte de pessoas em um carro bombardeado e uma freira que se apaixona por um colaborador nazista. Tudo isso junto e misturado com competência pelo diretor Ole Bornedal, resultou em um filme ao mesmo tempo devastador e comovente, revelando uma história que ficou escondida no tempo. Imperdível!                    

quinta-feira, 10 de março de 2022

 

“NAQUELE FIM DE SEMANA” (“THE WEEKEND AWAY”), 2021, Estados Unidos, 1h29m, produção original Netflix (estreou na plataforma dia 3 de março de 2022), direção de cineasta australiana Kim Ferrant (“Terra Estranha”), mais conhecida como diretora de documentários. Quem assina o roteiro é Sara Alderson, autora do livro homônimo que inspirou o filme. A história é centrada na norte-americana Beth (Leighton Meester, de “Gossip Girl”), que mora na Inglaterra com o marido Rob (Luke Norris) e o filho pequeno. Ela recebe o convite da sua melhor amiga, Kate (Christina Wolfe), para passar um fim de semana na Croácia, talvez a capital Zagreb (a cidade não é nomeada, uma das inúmeras falhas do roteiro – no livro, a história é ambientada em Lisboa). Kate recebe Beth em um apartamento maravilhoso alugado para o fim de semana. No primeiro dia, elas saem para se divertir em uma casa noturna, onde conhecem dois bonitões. Depois da balada, Kate convida todos para o seu apartamento e, a partir daí, a noitada irá se transformar numa verdadeira tragédia. A começar pelo fato de que os dois sujeitos drogam as moças e roubam seus pertences. E, para piorar a situação, Kate desaparece misteriosamente. Beth se desespera com sumiço da amiga, vai à polícia e é a partir daí que a situação se complica ainda mais. Até o desfecho, muitas revelações e reviravoltas surpreendentes acontecerão. Mesmo assim, o filme não empolga, principalmente porque a história é realmente mirabolante, beirando o inverossímil. Além disso, mais uma chatice: a boa e bela atriz Leighton Meester passa o filme inteiro chorando. Irritante. Completam o elenco Ziad Bakri, Amar Bukvic, Luke Norris, Parth Thakerar, Adrian Pezdirc e Iva Mihalic. Resumo da ópera: prefira o livro.                   

terça-feira, 8 de março de 2022

 

“O VIOLINO DO MEU PAI” (“BABAMIN KEMANI”), 2021, Turquia, disponível na plataforma Netflix, 1h52m, direção da cineasta Andaç Haznedaroglu (“Você Já viu Vagalumes”), seguindo roteiro assinado por Murat Taskent e Palaspandiras. Acho que alguma fábrica de lenços de papel está financiando o cinema turco. É só lembrar dos recentes “Milagre na Cela 7” e “Filhos de Istambul”. Agora acaba de chegar na Netflix “O Violino do Meu Pai”, mais um melodrama para provocar lágrimas. A história começa apresentando um grupo mambembe de músicos tocando ao ar livre em uma praça de Istambul. Quem dança e diverte o público, além de arrecadar as esmolas, é uma garota de 8 anos, Özlem (a estreante Gülizar Nisa Uray), filha do violinista do grupo, Ali Riza (Selim Erdogam). O drama começa quando Ali fica gravemente doente e acaba morrendo, deixando Özlem órfã – a mãe já tinha morrido. Encaminhada à assistência social, a menina teria apenas dois destinos: ou seria internada em um orfanato ou então entregue a alguém da família, no caso o seu tio Mehmet Mahir (Engin Altan Düzyatan), irmão de Ali e um famoso violinista internacional. Mehmet é arrogante e egocêntrico e logo de início descarta ficar com a menina. Sua esposa Suna (a bela Belçim Gilgin) tenta convencê-lo a adotar a sobrinha, uma árdua tarefa. Para não deixar escapar o que acontece depois, prefiro parar a história por aqui e deixar as surpresas escondidas. O filme tem alguns trunfos que o tornam muito agradável de assistir. Primeiro, a atriz mirim Gülizar, uma ruivinha esperta e fofa. Segundo, a ótima trilha sonora, com muita música clássica (Bach, Vivaldi, Satie, Bizet), músicas folclóricas turcas e até um tango, o maravilhoso “Por Una Cabeza”, de Gardel. Também devo destacar as belas imagens aéreas e paisagens urbanas de Istambul. A história é também muito comovente, garantindo um entretenimento para toda a família. Se você gosta de se emocionar, não deixe de ver.                   

segunda-feira, 7 de março de 2022

 

“MINHA VIDA PERFEITA” (“MOJE WSPANIALE ZYCIE”), 2021, Polônia, 1h39m, disponível na Netflix desde o dia 28 de fevereiro de 2022, roteiro e direção de Lukasz Grzegorzek. Esta é, sem dúvida, mais uma pérola do cinema polonês, um drama familiar intenso, ao mesmo tempo bem-humorado e comovente. A história é centrada em Joanna (Agata Buzek), uma mulher de meia-idade que vive numa família bem bagunçada. Tem o marido Witek (Jacek Braciak), dois filhos acomodados, sem falar que o mais velho trouxe a mulher e o filhinho para morar na casa, além da mãe com Alzheimer em estágio avançado, acostumada a palpitar coisas sem nexo e fugir de casa de vez em quando. Quando a família se reúne, seja para o café da manhã, almoço e jantar, o clima sempre fica pesado, com muito bate-boca e algumas ofensas pessoais – já deu pra notar que o título é bastante irônico. Neste cenário, Joanna é obrigada em se desdobrar como esposa, mãe, dona de casa e filha carinhosa, fora o trabalho como professora de inglês em uma escola, do qual seu marido é o diretor. Para compensar o estresse, Joanna mantém um amante, que também é professor na escola. Além disso, gosta de fumar um baseado. Tudo vai bem, mesmo aos trancos e barrancos, até que um dia alguém resolve chantagear Joanna enviando mensagens pelo celular, prometendo contar todos os seus segredos. A coisa fica feia e ela terá que ser muito forte para enfrentar tantos desafios. O filme, que já é excelente, fica melhor ainda com o desempenho primoroso de Agata Buzek, uma das atrizes mais importante do cinema polonês atual. Estranhei e até fiquei surpreso quando li comentários de críticos especializados desfavoráveis ao filme. Pelo contrário, eu achei tão bom que posso recomendá-lo como uma pequena obra-prima do cinema europeu. Imperdível!               

quinta-feira, 3 de março de 2022

 

“MEU FILHO” (“MY SON”), 2021, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h36m, direção do cineasta francês Christian Carion, que também assina o roteiro com a colaboração de Laure Irrman. É um bom suspense que prende a atenção até o desfecho. Trata-se, na verdade, de um remake do filme francês “Mon Garçon”, de 2017, também dirigido por Carion. A história da versão inglesa é ambientada em alguma cidade na região das Terras Altas da Escócia, o que garante cenários deslumbrantes. Começa com um grande mistério, o desaparecimento de um garoto de sete anos que estava em uma colônia de férias. Sua mãe, Joan (Claire Foy), liga para o ex-marido Edmond Murray (James McAvoy) contando a notícia trágica, e pede que venha ajudá-la. Quando Edmond chega, a polícia já está toda mobilizada nas buscas ao menino. O mistério leva a crer que o garoto possa ter sido sequestrado. Várias pessoas entram na lista dos suspeitos e o inspetor Roy, chefe das investigações, não descarta qualquer possibilidade, até mesmo o envolvimento do próprio pai do menino até o seu padrasto Frank (Tom Cullen). Não mais que de repente, o inspetor Roy é afastado do caso e não resta a Edmond agir por conta própria. Não dá para seguir adiante no comentário para não estragar as reviravoltas e surpresas que acontecerão. Além do roteiro bem elaborado, valorizando a tensão e o suspense, o filme tem ainda como trunfos dois excelentes atores, o escocês McAvoy (“Fragmentado”) e a inglesa Claire Foy, que ficou mais conhecida por interpretar a Rainha Elizabeth II na série “The Crown”. Também estão no elenco Jamie Michie, Paul Rattray, Robert Jack, Owen Whitelaw, Michel Moreland, Mark Barrett e Andrew Joan Tait. Como informação adicional, repito o que li no material de divulgação do filme, que destaca o fato do ator James McAvoy ter atuado quase que inteiramente na base do improviso, sem ter lido o roteiro. Sei não! Resumo da ópera: “Meu Filho” é um bom suspense. Nada mais.              

quarta-feira, 2 de março de 2022

 

“O EXORCISMO DE CARMEN FARÍAS” (“EL EXORCISMO DE CARMEN FARÍAS”), 2021, México, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h33m, direção de Rodrigo Fiallega (é o seu segundo longa-metragem), seguindo roteiro escrito por Molo Alcocer Délano. Este é mais um dos inúmeros filmes produzidos nas últimas décadas explorando o terror na base da possessão demoníaca. Nenhum deles, porém, foi mais assustador e aterrorizante como o clássico “O Exorcista”, de 1973, dirigido por William Friedkin. É o caso também desta produção mexicana, que aposta mais no terror psicológico do que no terror explícito. A história é toda centrada na jovem jornalista Carmen Farías (Camila Sodi), que vive uma fase difícil depois de perder o bebê durante a gravidez e logo depois a mãe. Em busca de outros ares, ela convence o marido Julián (Juan Pablo Castañeda) a se mudar para a casa que sua avó deixou como herança, em um vilarejo do interior. Como descobriria logo depois, a casa servia de sede para trabalhos de exorcismo. Carmen resolveu escrever uma reportagem sobre o assunto e convidou o padre exorcista (Juan Carlos Colombo) para uma entrevista na casa. Pois é nessa hora que o demo dá o ar da graça, dando o maior susto no padre. Sozinha na casa, já que o marido viajou a serviço, Carmen descobrirá muitos segredos sobre a avó e sua participação nas sessões de exorcismo – tudo gravado em fitas de vídeo. Se não é tão assustador e nem garante muitos sustos, o filme garante pelo menos uma tensão permanente e um pouco de terror explícito perto do desfecho. Trocando em miúdos, é um filme que não decepciona, mas que também não merece uma indicação entusiasmada.