“ILHA DE SEGREDOS”
(“SCHWARZE INSEL”), 2021,
Alemanha, 1h44m, disponível na plataforma Netflix, direção de Miguel Alexandre,
cineasta nascido em Portugal e naturalizado alemão, que também assina o roteiro
com a colaboração de Lisa Carline Hofer. Trata-se de um bom suspense capaz de prender
a atenção do começo ao fim, com muita tensão e mistério. A história, ambientada
numa das Ilhas Frísias, no Mar do Norte, tem início com a morte de uma senhora
na praia, atacada por um cão violento. Logo após o velório e enterro da mulher,
seu filho e a esposa sofrem um acidente na estrada e ambos também morrem. Todas
as vítimas são da família Hansen e você logo percebe que não foram mortes
casuais ou acidentais. Tem gente que está por trás dessas tragédias. Mas quem? Será
algum tipo de vingança? O filme segue acompanhando a rotina do jovem Jonas
Hansen (o estreante Philip Froissant), filho do casal morto no acidente e neto da idosa
assassinada na praia. Ele mora com o avô, Friedrich Hansen (Hans Zischler),
antigo diretor da principal escola da ilha e agora aposentado. A rotina dos
estudantes do colégio é quebrada com a chegada de uma nova professora de
alemão, Helena Jung (Alice Dwyer), que logo chama a atenção por sua beleza
madura. Ela logo se mostra uma mulher misteriosa, dona de algum segredo.
Enquanto isso, Jonas segue namorando uma colega de classe, Nina Cohrs (Mercedes
Müller), até que ele e a professora acabam se aproximando perigosamente. Até
que Nina aparece morta na praia. Enquanto isso, continua aquela velha dúvida: quem
será o responsável pelas mortes? Aos poucos, o roteiro começa a dar dicas do
que aconteceu e de quem pode estar por trás dos assassinatos. Todas as
suspeitas levam à professora. Embora o roteiro tenha sido bem elaborado, achei
que faltou colocar a polícia para investigar os fatos. De qualquer forma, vale
a pena assistir, pois é um suspense de primeira.
sábado, 5 de fevereiro de 2022
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
“JUSTIÇA EM FAMÍLIA” (“SWEET
GIRL”),
2021, Estados Unidos, 1h36m, disponível na plataforma Netflix, filme de estreia
na direção de Brian Mendoza, seguindo roteiro assinado por Gregg Hurwitz e
Philip Eisner. A história é centrada em Ray Cooper (Jason Momoa), um pacato pai
de família que, ao lado da filha adolescente Rachel (Isabela Merced), acompanha
o sofrimento da esposa Amanda (Adria Arjona), acometida de um câncer terminal.
A esperança é renovada quando uma empresa farmacêutica anuncia um novo remédio
para a doença. Essa esperança dura pouco, pois a tal empresa resolve retirar o
remédio do mercado. Depois que Amanda morre, Ray Cooper e a filha Rachel
prometem se vingar, principalmente depois que descobrem que a retirada do
remédio foi causada por uma questão burocrática e corrupção envolvendo uma
senadora e os sócios da empresa farmacêutica. O caso complica ainda mais quando
um jornalista procura Cooper para denunciar toda a maracutaia e é assassinado. O roteiro é tão
mal elaborado, cheio de pontas soltas e situações inverossímeis, que fica
difícil acompanhar o que está acontecendo. Quando a matança começa, o FBI entra
em ação e fica também desnorteado, pois não sabe quem é o bandido e o mocinho.
O ator Jason Momoa, por exemplo, com seu jeito troglodita de ser, não tem nada
a ver com o viúvo sofrido e que vive atrás de vingança, mesmo porque apanha
muito durante a história. O grandalhão combina mais com os filmes de super-heróis
que costuma fazer, como “Liga da Justiça” e “Aquaman”. Quem vai se vingar mesmo
é a sua filha, Rachel, mais um absurdo da história. Nem a reviravolta perto do
desfecho salva esse verdadeiro abacaxi. Também são cúmplices Amy Brenneman,
Justin Bartha, Manuel Garcia-Rulfo e Lex Scott Davis. Não dá para ver nem em uma sessão da tarde.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2022
“MUDANÇA MORTAL” (“AFTERMATH”), 2021, Estados Unidos,
disponível na plataforma Netflix, 1h54m, direção de Peter Winther, que também
assina o roteiro com a colaboração de Dakota Gorman. Trata-se de um suspense
bastante movimentado, cuja história foi inspirada em fatos reais ocorridos em
2011 na cidade de San Diego (EUA), envolvendo o casal Jerry Rice e Janice
Ruhter. No filme, eles são Natalie (Ashley Greene, bonita e boa atriz) e Kevin (Shawn Ashmore), jovem
casal que vive uma crise no relacionamento depois de uma traição. Com o
objetivo e fortalecer a relação, eles resolvem mudar para uma ampla e moderna
casa, cujo preço encontra-se bem abaixo do mercado. Mal sabiam eles que a casa
escondia segredos aterrorizantes. Já que o marido trabalhava bastante e ainda cursava
faculdade à noite, Natalie vivia grande parte do tempo sozinha na casa, quando
começou a perceber sons estranhos, objetos fora de lugar e vultos que
perambulavam nas sombras. São momentos realmente assustadores. O filme não
economiza nos sustos, o que é um atrativo a mais em filmes do gênero. Senti
falta de um roteiro que explicasse melhor o que está acontecendo. Nem mesmo o
desfecho surpreendente é capaz de explicar. Em todo caso, trata-se de um bom
suspense que merece ser visto. Ainda estão no elenco Jason Liles, Britt Baron,
Diana Hopper, Susan Walters, Paula Garcés, Alexander Bedria, Sharif Atkins e
Jamie Calier.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
“UMA NOITE EM BANGKOK”
(“ONE NIGHT IN BANGKOK”), 2020, Estados Unidos, 1h44m, disponível na plataforma
Amason Prime Video, roteiro e direção do cineasta tailandês Wych Kaosayananda. Trata-se
de um suspense policial com um roteiro muito irregular, repleto de pontas
soltas, situações inverossímeis e arrastado demais. Um sujeito misterioso chega
a Bangkok, capital da Tailândia, com o objetivo de executar uma série de
assassinatos. De início, você pensa que é um profissional contratado, mas logo
fica evidente de que ele pretende vingar a morte da sua filha, da sua neta e do
seu genro, ocorrida meses antes em um violento acidente de trânsito, provocado
por um jovem embriagado na direção de um Porsche em alta velocidade. Durante as
investigações, as autoridades forjaram uma situação em que as vítimas é que
foram consideradas culpadas pelo acidente. Com sede de vingança, Kai Hahale (Mark
Dacascos) vai a Bangkok para assassinar um a um. Para isso, escolhe uma noite e
contrata uma motorista de aplicativo para os deslocamentos – a mesma motorista
envolvida no acidente fatal. Não dá para entender como Kai planejou cada passo
dos assassinatos, com nomes e sobrenomes, locais onde estarão, horários etc. Tudo muito
mirabolante, mentiroso, fantasioso. Durante a jornada, Kai terá a oportunidade de
conversar muito com a motorista, Fha (Vanita Golten), numa série de diálogos patéticos
e sem qualquer nexo, momentos que podem levar o espectador a um gostoso
cochilo. Entre as situações absurdas do roteiro, a pior talvez seja aquela que
envolve a esposa de um policial, que está em casa de licença-maternidade e
que, enquanto cuida do bebê, fica no computador ajudando o marido durante a
caçada ao assassino. Além de Cacascos e Vanita, estão no elenco Julie Condra,
Sireeporn Yoogthatat, Kane Kosugi, Hahajak Boonthanakit, AliceTantayanon, Michael
New e Charlie Ruedpokanon. Sem dúvida, um dos piores lançamentos da Amazon
Prime.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2022
“MEU IRMÃO, MINHA IRMÔ
(“MIO FRATELLO MIA SORELLA”), 2021, Itália, produção original Netflix,
1h50m, direção de Roberto Capucci, que também assina o roteiro com a colaboração
de Paola Mammini. Drama familiar recheado de humor e sequências tocantes. Com a
morte do patriarca da família, o cinquentão Nick (Alessandro Preziosi) volta a rever
a irmã Tesla (Claudia Pandolfi), depois de 20 anos separados. Nick terá a
oportunidade de conhecer seus dois sobrinhos adolescentes, Carolina (Ludovica
Martino) e Sebastiano (Francesco Cavallo). Este último é um garoto
problemático, diagnosticado com esquizofrenia avançada, mas que a mãe esconde a
doença e o protege demais. “Sebas” vive conversando com amigo imaginário e com
o qual combina viajar para Marte com o objetivo de levar a música clássica – o jovem
é um excelente violoncelista. Quando o advogado da família reúne Nick e Tesla para
ler o testamento, uma surpresa: eles terão de morar juntos durante um ano. É
durante esse tempo que Nick terá a chance de recuperar o tempo perdido em que
ficou sem ver a irmã e os sobrinhos. E é justamente com Sebastiano que ele terá
a maior aproximação. A cena em que Nick toca piano e o sobrinho violoncelo é
bastante comovente. O que seria um convidado inconveniente transforma-se numa
pessoa que, com seu jeito franco de encarar a vida, ajudará a irmã na difícil
responsabilidade de educar um filho problemático e uma filha rebelde. O filme é
muito bom, sensível, o elenco é ótimo e o roteiro muito bem elaborado. Pena que
o desfecho apela para a fantasia espiritual, querendo provocar lágrimas. Não
precisava.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2022
“GRANDE TUBARÃO BRANCO”
(“GREAT WHITE”), 2021,
Austrália, disponível na plataforma Netflix, 1h40m, direção de Martin Wilson (é
o seu filme de estreia), seguindo roteiro de Michael Boughen. Depois do
“Tubarão” de Steven Spielberg, de 1975, que se tornou um clássico, assisti a muitos outros sobre o grande predador, mas nenhum chegou aos pés do original. Como
fazia algum tempo que eu não assistia a um filme do gênero, resolvi arriscar e
conferir esse “Great White”, recém-chegado à Netflix. Decepção total. Começa o
filme e estamos em uma praia próxima de um recife chamado Hell’s Reef,
provavelmente em algum lugar do litoral australiano. O local certo não é
especificado no filme. Um jovem casal está em um barco brincando de pular na água quando
aparece um tubarão e faz a festa. Enquanto isso, os empresários Charlie (Aaron
Jakubenko) e Kaz (Katrina Bowden), proprietários de um hidroavião que costuma
ser alugado por turistas para passeios à beira-mar e às inúmeras ilhas da
região. Eles são contratados por Michelle (Kimie Tsukakoshi) para levá-la, com
o marido Minase (Tim Kano), para o tal recife Hell’s Reef. Aqui, Michele quer
jogar as cinzas do avô japonês que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial. Apresentado
por Charlie como cozinheiro, Benny (Te Kohe Tuhaka) também embarca na aventura.
Ao avistarem os destroços do barco daquele casal do início do filme, eles
descem com o avião em uma praia e descobrem o cadáver do jovem sem as pernas.
Enquanto assimilam a trágica descoberta, um tubarão, feito touro louco, investe
contra o avião e o afunda. Sobrou para o quinteto um bote salva-vidas. Até o
desfecho, eles tentarão sobreviver aos ataques dos tubarões – muitas cenas submarinas
devem ter sido captadas no Discovery Channel, inclusive aquelas onde aparecem
os tubarões. Muita enrolação até o desfecho, muito papo furado e um tempão sem
nada acontecer. O elenco é péssimo, incluindo o tubarão, o roteiro nada
criativo e as situações pouco convincentes. De bom mesmo, só a beleza da atriz
Katrina Bowden e os cenários paradisíacos. É muito pouco. Concordo com os
críticos que elegeram “Great White” como um dos piores - senão o pior - filmes
já feitos sobre tubarão.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
“MUNIQUE: NO LIMITE DA
GUERRA” (“MUNICH: THE EDGE OF WAR”), 2021, coprodução Inglaterra/Alemanha, 2h3m,
disponível na plataforma Netflix, direção do cineasta alemão Christian
Schwochow (do ótimo “Je Suis Karl”), seguindo roteiro assinado por Ben Power. Trata-se
de um drama histórico ambientado em 1938, inspirado no livro “Munich”, de 2017,
escrito por Robert Harris. O filme acompanha os bastidores dos preparativos
para a viagem do primeiro-ministro da Inglaterra Neville Chamberlain (Jeremy
Irons) para participar da Conferência de Munique, quando tentaria convencer
Adolf Hitler a não invadir a Tchecoslováquia e ainda consolidar um pacto de não
agressão à Inglaterra por parte dos alemães. Com a assinatura do ditador
nazista, Chamberlain conseguiu adiar o início da guerra, proporcionando aos
aliados um tempo para reforçar os seus exércitos. Isso é história. Pois bem, no
filme aparecem alguns personagens ficcionais criados por Harris, por exemplo os
jovens Hugh Legat (George Mackay) e Paul Von Hartmann (Jannis Niewöhner), o
primeiro assessor e tradutor de Chamberlain e o segundo assessor do próprio
Hitler (Ulrich Matthes). São estes dois personagens que darão molho à história,
a amizade que os une desde a época em que estudaram juntos em Oxford, mas agora
estão em campos distintos – e minados. O filme se desenrola com muito suspense,
lances de espionagem e diálogos interessantes dos fatos históricos que
antecederam o início da Segunda Guerra Mundial. Também estão no elenco Jessica
Brown Findlay, Liv Lisa Fries, Sandra Hüller, Augusto Diehl e Anjli Mohindra. Além do ótimo elenco, é justo destacar a primorosa recriação de época. De tantas coisas que me agradaram, uma em especial me desagradou muito. O ator escolhido para representar Hitler. Achei muito diferente do original, mas nem isso prejudicou o resultado final. Para
quem gosta de filmes históricos, como eu, trata-se de uma ótima opção.
domingo, 23 de janeiro de 2022
“POLÔNIA À FLOR DA PELE”
(“KRAJ”),
2021, Polônia, disponível na plataforma Netflix, 1h42m, roteiro e direção de
Veronica Andersson, Flip Hillesland, Mateusz Motyka e Maciej Slesicki. Mais um
gol de placa do surpreendente cinema polonês. Trata-se de uma comédia de humor
negro muito interessante e criativa, apesar de muita violência explícita, sexo e nus frontais. Se você
assistiu “Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos”, você vai achar o filme de
Almodovar um conto de fadas perto deste filme polonês. São seis pequenas
histórias que nada têm a ver entre si, apenas uma característica: nervos à flor
da pele e comportamentos explosivos. Vamos a um resumo de cada uma delas. Um
policial de trânsito utiliza métodos nada convencionais para punir culpados por
acidentes; um jovem pai, em liberdade condicional, tem o seu bebê sequestrado dentro
de um mercado e não sossega enquanto não encontrá-lo; donos de uma empresa familiar
esperam a visita de dois fiscais da receita federal e tentam esconder as
maracutaias; uma curadora de galeria de arte descobre que seu ex-amante foi
nomeado diretor da instituição; um casal pretende expulsar uma inquilina maluca
que não paga aluguel e se recusa a sair do apartamento; vizinhos resolvem entrar em
guerra utilizando fogos de artifício. Todas as histórias terminam em tragédia,
muito sangue jorrando e violência extremada. Apesar disso tudo, o bom humor
(negro) prevalece e diverte muito. Não adiante citar nomes do elenco, já que são
praticamente desconhecidos para nós. Diversão garantida. Não perca! Ah, tire as
crianças da sala.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
“O REFÚGIO” (“THE NEST”),
2020, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h47m, coprodução Inglaterra/Canadá, roteiro e direção de Sean Durkin. Prejudicado pela pandemia de Covid, este ótimo drama
não obteve sucesso de bilheteria nos cinemas. Começou a ser admirado depois de
chegar à plataforma Amazon Prime. Pena não tido maior sucesso de público, pois
o filme é excelente. Estamos no início dos anos 80. Rory O’Hara (Jude Law) mora
em Nova Iorque com a família, a esposa Allison (Carrie Coon), e os dois filhos,
a adolescente Samantha (Oona Roche) e o pequeno Benjamin (Charlie Shotwell). Rory
trabalha em um grande escritório e é muito bem sucedido como empreendedor,
garimpando novos negócios. Mas Rory é um empreendedor ambicioso e ousado, pretende
ir mais longe, ganhar muito dinheiro e ser dono do próprio negócio. Então,
apesar dos protestos da esposa, decide mudar para a Inglaterra, pois acredita ter
descoberto a mina de ouro em uma nova empresa. Com mania de grandeza e um ego
do tamanho de sua ambição, Rory aluga uma mansão vitoriana no campo, longe de
Londres, onde funciona seu escritório. Para agradar Allison, reservou um
terreno da casa para a construção de um haras. Nas reuniões em que participa
com sócios em potencial, Rory costuma destilar mentiras sobre sua riqueza, sua
cultura e outros devaneios. Só que o negócio que pretendia alavancar não dá
certo e a família começa a passar necessidades. A crise se instaura entre os O’Hara
e é nesse ponto que se sobressai a ótima atriz Carrie Coon. Cansada de ver o
marido sonhar cada vez mais, Allison assume o comando da situação e até arruma
emprego como empregada na fazenda vizinha. Carrie Coon tem uma cena memorável
durante o jantar em que o marido destila suas mentiras a um grupo de empresários.
Ela entra no meio da discussão e fala toda a verdade que estava entalada na garganta.
Um primor de atuação dessa ótima atriz norte-americana que merecia mais atenção
de Hollywood. Jude Law também está muito bem no papel no papel de falso
empresário rico que vive de aparências. Ainda estão no elenco Anne Reid,
Michael Culkin, Andrey Alen, Stuart McQuarrie, Adeel Akhtar e Wendy Crenson. Tanto
Carrie quanto Jude Law foram indicados como melhor atriz e ator ao Gothan
Awards, prêmio importante do cinema independente. Drama da melhor qualidade.
Não perca!
quarta-feira, 19 de janeiro de 2022
“SEBERG CONTRA TODOS” (“SEBERG”), 2019, disponível na
plataforma Amazon Prime Video, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h42m, direção
do cineasta australiano Benedict Andrews, seguindo roteiro assinado por Joe
Shrapnel e Anna Waterhouse. Jean Seberg (1938-1979) foi uma atriz
norte-americana de muito sucesso nos anos 60 e 70, principalmente depois que atuou
em vários filmes franceses da chamada Nouvelle Vague. Um deles, “Acossado”, com
direção de Jean-Luc Godard, a consagrou de vez. “Seberg Contra Todos” aborda alguns
anos da biografia da atriz a partir de 1968, ano em que retorna para os Estados
Unidos e se envolve na luta pelos direitos civis dos negros. Seberg (Kristen
Stewart) começa a contribuir financeiramente com o movimento Panteras Negras e
ainda se torna amante do ativista negro Hakim Jamal (Anthony Mackie). Essa
relação era secreta, pois ela era casada e ele também, fora o fato de um negro
ir para a cama com uma branca era considerado um crime pelos ativistas. John
Edgar Hoover, então diretor do FBI, mobilizou seus agentes para monitorar cada
passo da atriz nos Estados Unidos. Não satisfeito, Hoover e seus agentes
iniciaram uma campanha de difamação de Seberg através dos jornais de fofoca, divulgando seu caso com o
ativista negro e denunciando que ela estava grávida dele. Mentira, pois ela
estava grávida de um mexicano que conheceu em uma filmagem no México. Pressionada
psicologicamente, Seberg não suportou a pressão e tentou o suicídio várias
vezes. Ela morreria em 1979, com apenas 41 anos, em circunstâncias bastante
suspeitas, não elucidadas até hoje. O filme é muito interessante não apenas pela
história da atriz, mas também por ser ambientado em um período dos mais
profícuos da história política dos Estados Unidos. Kristen Stewart, que aprendi
a admirar já faz algum tempo, tem uma interpretação primorosa, além de estar
muito bem caracterizada como Seberg, principalmente com aqueles cabelos loiros
curtos, uma marca registrada da jovem atriz. Aliás, a recriação de
época, notadamente os figurinos, também é um dos destaques deste ótimo drama
biográfico. Ainda estão no elenco Jack O’Connell, Margaret Qualley, Zazie
Beetz, Vince Vaughn, Colm Meaney, Yvan Attal e Stephen Root. Simplesmente
imperdível!
terça-feira, 18 de janeiro de 2022
“O HOMEM INVISÍVEL” (“THE
INVISIBLE MAN”),
2020, Estados Unidos, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 2h5m,
roteiro e direção do australiano Leigh Whannell. Este é o oitavo filme
realizado até hoje inspirado no conto clássico homônimo de H.G. Wells – o primeiro
foi em 1933. A versão mais recente revelou-se um ótimo suspense, repleto de
tensão, aflição e sustos, apresentando como trunfo adicional a excelente
atuação da atriz Elisabeth Moss, que não passa um minuto sequer fora de cena do começo
ao fim. Ela é Cecília Kass, uma mulher que sofre torturas físicas e psicológicas
por parte do violento marido, o cientista milionário Adryan Griffin (Oliver
Jackson-Cohen). Numa determinada noite, ela consegue fugir de casa depois de dopar
Adryan. Ela vai para casa da irmã Emily (Harriet Dyer), ex-mulher do policial
James Lanier (Aldis Hodge). Dominada pelo pânico a ponto de não conseguir sair
na rua, Cecília ainda vive o trauma do antigo relacionamento. Até que chega a
notícia da morte de Adryan, para alívio de todos. Ainda mais de Cecília, que
ainda recebe uma herança milionária. Mas essa alegria durará pouco, pois coisas
estranhas começam a acontecer. Ao alegar que algo invisível está atuando para deixá-la
apavorada, Cecília é considerada louca e internada em uma clínica psiquiátrica.
Mas a “coisa” invisível não a deixará em paz. Até conseguir provar sua versão,
Cecília sofrerá um bocado, culminando com uma surpreendente reviravolta no
desfecho. Algumas cenas são realmente de arrepiar os pelos da nuca, você
esperando, como ela, surgir de repente algum movimento estranho na cozinha, na
sala, no banheiro, no quarto. Tudo no maior silêncio. Haja coração! Também
estão no elenco Michael Dorman e Harriet Dyer. Filmaço!
segunda-feira, 17 de janeiro de 2022
“O RESGATE – O DIA DA
REDENÇÃO” (“REDEMPTION DAY”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma
Netflix, 1h39m, direção do cineasta marroquino Hicham Hajji – é o seu primeiro
longa-metragem -, que também assina o roteiro com a colaboração de Sam Chouia e
Lemore Syvan. É um filme de ação centrado no fuzileiro naval do exército
norte-americano Brad Paxton (Gary Dourdan), condecorado depois de uma missão na
Síria. Ele volta para casa e – primeiro clichê - sofre de pesadelos diários, o
tal estresse pós-traumático. Sua esposa, Kate Paxton (Serinda Swan), uma
renomada arqueóloga, acompanha o sofrimento do marido e promete jamais deixá-lo
sozinho. Até o dia em é convidada para chefiar os trabalhos de escavação de uma
cidade submersa no deserto de Marrocos, bem ao lado da fronteira com a Argélia.
Kate fica em dúvida se vai ou não vai por causa do marido. Ele próprio resolve
incentivá-la e ela embarca para Marrocos. No primeiro dia de trabalho, a equipe
de Kate ultrapassa sem querer a fronteira com a Argélia e acaba sequestrada por
terroristas, que exigem 10 milhões de dólares do governo norte-americano para
soltá-la. Não se conhecia até aquele momento o esconderijo dos sequestradores,
o que acabou atrasando uma eventual mobilização dos SEAL’S (soldados das forças
especiais da Marinha dos EUA). Então o marido-herói resolve entrar em ação,
com a ajuda de um ex-companheiro do exército. Eles entram em território argelino
e, de uma maneira que só o cinema é capaz de inventar, conseguem descobrir onde
estão os sequestradores e a arqueóloga. Se o filme já não é lá muito bom, ficou
ainda pior com um desfecho dos mais esquisitos e patéticos, criado para você
não entender absolutamente nada. Sem contar com algumas frases de diálogos que
beiram o ridículo, tais como “Escute, filho, eu sou seu pai”, diz o pai ao filho
herói, ou então “Eu sei que nada disso faz sentido. Vamos nos divertir”, diz o
embaixador norte-americano em meio a toda aquela tensão, e ainda “Ora, ora,
ora. Vamos começar esta festa!”, exclama o marido-herói antes de invadir o
reduto dos sequestradores. Trocando em miúdos, bom mesmo é contar com a
competência e a beleza da atriz canadense Serinda Swan, da série “Coronel”,
ainda em cartaz na TV a cabo. Impressionante a semelhança física de Serinda com
a atriz australiana Ruby Rose. Parecem irmãs gêmeas, com uma diferença
fundamental: Serinda é mais feminina e Ruby mais machona, assumidamente
lésbica. Em todo caso, as duas são muito bonitas. Ainda estão no elenco Andy
Garcia, Samy Naceri, Erny Hudson, Brice Bexter e Martin Donovan. Entre os prós
e contras, fique com os “prós” por causa de algumas boas cenas de ação e, claro, por causa de Serinda. Pode registrar como "contras" todo o resto.
domingo, 16 de janeiro de 2022
“211: O GRANDE ASSALTO” (“211”), 2018, coprodução Estados Unidos/Bulgária, 1h30m, disponível na plataforma Netflix, filme de estreia no roteiro e direção do jovem cineasta York Alec Shackleton. A história é inspirada em fatos reais ocorridos em 1997 no bairro de North Hollywood, em Los Angeles, ou seja, um intenso e prolongado tiroteio entre assaltantes de banco e policiais, incluindo a SWAT, com muitos mortos e feridos. Só para esclarecer: o 211 do título refere-se ao número do código utilizado pela polícia da Califórnia para comunicar que há um assalto em andamento. Não sei se faz parte dos eventos reais, mas o filme começa no Afeganistão, onde um grupo de mercenários, ex-soldados das forças especiais do exército norte-americano, promove uma matança para cobrar uma dívida de um importante empresário para o qual prestavam serviços de segurança. Não conseguiram receber o dinheiro, mas obtiveram a informação de que havia uma grande quantia em um banco na cidade (fictícia) de Chesterford (Massachusetts) na conta do tal empresário. Dias depois, já em Chesterford, o policial Mike Chandler (Nicolas Cage), prestes a se aposentar, está fazendo uma ronda rotineira com seu parceiro e genro Steve MacAvoy (Dwayne Cameron). Além dos dois, está no banco traseiro o adolescente Kenny (Michael Rainey), que se envolveu em um incidente na escola e agora, como punição, é obrigado a acompanhar de perto o trabalho da polícia (só nos EUA mesmo). Só que a patrulha não será muito calma, pois daqui a pouco acontecerá uma grande explosão numa cafetaria e logo em seguida um assalto ao principal banco local por um grupo de homens fortemente armados. Não se pode negar que, como filme de ação, “211” funciona perfeitamente, pois não há economia de tiros, explosões, mortes, tensão, muito sangue jorrando e, claro, muito ação, em um ritmo alucinante. Com uma vantagem adicional: Nicolas Cage está menos canastrão como de costume. Também estão no elenco Alexandra Dinu, Sophie Skelton, Amanda Cerny, Velizar Binev, Ori Pfeffer, Cory Hardrict, Mark Basnight, Michael Belisario e Weston Cage Coppola, este último filho de Nicolas Cage na vida real. Trocando em miúdos, trata-se de um ótimo entretenimento, principalmente para o público fã de filmes de ação. Sai da frente que aí vem bala!
sexta-feira, 14 de janeiro de 2022
“O ‘W’ DA QUESTÃO” (“W JAK MORDERSTWO”), 2021, Polônia, disponível na plataforma Netflix, 1h44m, roteiro e direção de Piotr Mularuk. A história é baseada no livro homônimo escrito por Katarzyna Gacek, que também colaborou na elaboração do roteiro. Trata-se de uma comédia policial e, ao mesmo tempo, uma sátira àqueles filmes policiais de Hollywood dos anos 60. Toda a ação é ambientada na pequena cidade de Podkowa Lesna, próxima à capital Varsóvia. Magda Borowska (Anna Smolowik) é uma leitora de romances policiais e fã de Agatha Christie. Uma noite, quando passeava com seu cachorro, ela encontra o cadáver de uma mulher no meio do jardim de uma praça. Ao mesmo tempo em que liga para a polícia, ela começa a investigar por conta própria o que teria acontecido. A primeira pista vem de uma correntinha encontrada no pescoço da vítima, na qual encontra-se uma letra W. Por incrível que pareça, Magda tem uma igual. Ao retroceder ao passado, ela lembra que aquela mesma correntinha pertencia à sua antiga amiga de juventude Weronica, desaparecida já há algum tempo. Magda se intromete nas investigações da polícia, mete o bedelho aonde não é chamada e, mesmo assim, consegue ajudar o comissário Jacek (Pawel Domagala) a encontrar algumas pistas. As primeiras suspeitas apontam para um político importante em campanha, um rico empresário, uma esposa traída e até um médium charlatão. Ou seja, muita confusão acontece quanto mais Magda mexe no vespeiro. As referências aos filmes de Alfred Hitchcock ficam logo evidentes para quem conhece o estilo do genial diretor inglês. A própria trilha sonora evoca filmes como “Psicose” e “Um Corpo que Cai”. No mais, o resultado final deste filme polonês é decepcionante. O roteiro é fraco, repleto de furos e, como comédia, também não convence. O elenco, então, nem se fala. “O ‘W’ da Questão” não chega a ofender nossa inteligência, embora dê algumas cutucadas.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
“BAR DOCE LAR” (“THE TENDER BAR”), 2021, Estados Unidos, produção original Amazon Prime Video, 1h44m, direção de George Clooney, seguindo roteiro de William Monahan. É o sexto filme dirigido por Clooney, cuja história é baseada nas memórias do escritor J.R. Moehringer, vencedor do Prêmio Pulitzer de Jornalismo em 2000. O filme acompanha o amadurecimento de J. R. Maguire da infância (Daniel Ranieri) até a faculdade (Tye Sheridan), entre os anos 70 e 80. Sem um pai e criado somente pela mãe Dorothy Maguire (Lily Raby), o menino se apegou ao tio Charlie (Ben Affleck), bartender do bar The Dickens, em Long Island. J.R. adorava ficar no bar e ouvir os conselhos do tio e dos frequentadores. Agora adulto, J.R. ingressa na faculdade de Direito para agradar a mãe, mas o seu sonho é ser escritor. O filme destaca as amizades de J.R. na universidade e a experiência do primeiro amor, com a bela morena Sidney (Briana Middleton), inconsequente e liberal demais para alguém que almeja um relacionamento sério. J.R. jamais se desligou da família, principalmente de seu tio Charlie, da mãe e do avô (Christopher Lloyd). “The Tender Bar” estreou no BFI London Film Festival e em janeiro de 2022 chegou à plataforma Amazon Prime Video. Além da história sensível, nostálgica e comovente, o filme conta com interpretações magistrais do elenco, principalmente Ben Affleck, indicado ao Globo de Ouro como Melhor Ator Coadjuvante, o veterano Christopher Lloyd e Lily Raby. O melhor, porém, é o estreante Daniel Ranieri como o J.R. menino. Um show de simpatia. Outro destaque é a deliciosa trilha sonora, com Bobby Darin & Johnny Mercer, The Isley Brothers, Parish Hall, Paul Simon e Jackson Browne, entre outros. Resumindo, “The Tender Bar" é um filme muito agradável de assistir. Não perca!
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
“TORPEDO: U-235”
(“TORPEDO”),
2019, coprodução Bélgica/Malta/Holanda, 1h42m, disponível na plataforma
Netflix, direção de Sven Huybrechts (é o seu primeiro longa-metragem), que
também assina o roteiro com a colaboração de Johan Horemans. Baseada em fatos
reais, segundo o material de divulgação, a história acontece no auge da 2º
Guerra Mundial, quando os serviços secretos das forças aliadas descobrem que
Hitler tem a intenção de construir uma bomba atômica. Os aliados, então, decidem
unir esforços para construir a bomba primeiro. Para isso, teriam que obter o
Urânio-235, encontrado em grande quantidade no solo de alguns países africanos,
e enviá-lo para os Estados Unidos, país que tinha o know-how para montar
o artefato. O urânio obtido seria transportado por um submarino alemão
capturado, tendo como tripulação membros da resistência belga sem nenhuma
experiência no mar. Dessa forma, Franz Jäger, capitão do submarino capturado,
foi obrigado a treinar a tripulação em um prazo de apenas três semanas. Com o
urânio a bordo, o submarino finalmente seguiu viagem, agora sob o comando do
capitão Stan (Koen de Bouw), a partir de Uganda (então colônia belga). Durante
o trajeto, eles enfrentariam não apenas a hostilidade dos alemães, mas também
graves problemas técnicos que por pouco não comprometeram a missão. Confesso
que não lembro de ter assistido a um filme ambientado no mar tão bom quanto esse “Torpedo”. O
ritmo é alucinante, com muita tensão, as situações se sucedendo sem dar tempo
de você piscar. Parece que você está lá no submarino, sofrendo junto. O roteiro
também encontrou espaço para o bom humor. Ou seja, você fica aflito mas se
diverte. Filmaço!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2022
“A 200 METROS” (“200 METERS”), 2020, disponível na plataforma Netflix, 1h36m, coprodução Jordânia/Palestina/Qatar/Suécia/Itália. O cineasta palestino Ameen Nayfeh acertou em cheio na sua estreia como roteirista e diretor. Além de vários prêmios em festivais mundo afora, seu filme foi escolhido para representar a Jordânia na disputa do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2021. O que poderia ser um drama triste e pesado por seu contexto político, Ameen transformou em um filme sensível e comovente. A história é centrada em Mustafa (Ali Suliman) que vive na casa da mãe na Cisjordânia, bem ao lado do muro que a separa de Israel. Salwa (Lana Zreik), a esposa de Mustafa, e os três filhos do casal moram do lado israelense, a 200 metros uma casa da outra, com o muro no meio. Como recusou o passaporte que o tornaria cidadão israelense, Mustafa dispõe de um visto provisório para trabalhar em obras da construção civil em Israel. Ele aproveita essas oportunidades para visitar a família. Achei meio complicado entender essa situação. Mustafa costuma se comunicar com a esposa e as crianças somente por telefone, quando aproveita para brincar com as luzes das casas, resultando nos momentos mais comoventes do filme. Um dia, porém, Mustafa recebe um telefonema de Salwa com a triste notícia de que o filho estava internado em um hospital depois de ter sofrido um acidente. Mustafa se desespera e tenta chegar logo a Israel, mas é impedido porque seu visto provisório havia vencido. Devido a esse imprevisto, ele decide ingressar em Israel clandestinamente, pagando uma fortuna para ser passageiro de uma perua e concordar em viajar mais de 200 quilômetros. Além de passageiros palestinos, Mustafa ganha a companhia de uma jovem fotógrafa alemã, Anne (Anna Unterberger), que está fazendo um documentário sobre a região. O filme se transforma em um road movie repleto de percalços e confusões. “A 200 Metros” é uma aventura física e psicológica, um retrato tocante e de certa forma impactante sobre o cotidiano dos palestinos que, como Mustafa, precisam atravessar a fronteira com Israel para trabalhar e visitar parentes. E que nem sempre são bem-vindos. O filme estreou durante o Festival Internacional de Cinema de Veneza (Itália), recebendo elogios entusiasmados dos críticos e do público. Realmente, um filme de muita qualidade.
domingo, 9 de janeiro de 2022
“A FILHA PERDIDA” (“THE
LOST DAUGHTER”),
2021, coprodução Estados Unidos/Grécia, 2h4m, disponível na plataforma
Netflix, filme que marca a estreia da atriz Maggie Gyllenhaal como roteirista e
diretora. Irmã do também ator Jake Gyllenhaal, Maggie adaptou a história
contada no livro homônimo escrito em 2006 pela romancista italiana Elena
Ferrante (é o pseudônimo de uma escritora cuja identidade é mantida em segredo
até hoje). A personagem central é Leda (Olivia Colman), escritora e professora
de literatura que está passando férias em uma pequena ilha grega perto da
cidade de Corinto. Ela queria se isolar, buscar sossego, descansar e meditar.
Em um pequeno trecho de praia próximo do resort onde está hospedada, ela vive
uma rotina de paz em frente ao mar. Até que chega uma família barulhenta e
inconveniente. No meio dela está a jovem Nina (Dakota Johnson), mãe de uma
menina mimada à beira do insuportável. Ao observar Nina, Leda começa a
relembrar sua própria vida de casada, da qual não tem boas recordações. Em
flashbacks, o filme revela a jovem Leda (vivida por Jessie Buckley), mãe de
duas meninas e vivendo um casamento tumultuado. Agora na meia-idade, Leda
carrega essas tristes memórias com muitos remorsos e vê a si mesmo em Nina, a
jovem mãe que vive em crise em seu casamento. Mais uma vez, a atriz inglesa
Olivia Colman apresenta uma interpretação primorosa, como já tínhamos visto em
vários outros filmes, principalmente “A Favorita", pelo qual ganhou o Oscar de Melhor
Atriz em 2019. Surpreendente mesmo é a excelente atuação da atriz irlandesa Jessie
Buckley como a jovem Leda. Mesmo sem chegar ao nível delas, a atriz Dakota
Johnson também dá conta do recado. Também estão no elenco Ed Harris, Peter
Sarsgaard, Paul Mescal, Dagmara Dominczyk, Oliver Jackson-Cohen, Alba Rohrwacher,
Panos Karonis e Alexandros Mylonas. “A Filha Perdida” estreou no Festival
Internacional de Cinema de Veneza em setembro de 2021, dividindo as opiniões da
crítica especializada e do público. Nesse festival, o filme recebeu a premiação
como Melhor Roteiro, além de de registrar incríveis 96% de aprovação no
rigoroso site de cinema Rotten Tomatoes. Talvez muita gente não tenha entendido
a substância da história desse drama psicológico, certamente dirigido às
mulheres, principalmente aquelas que são mães, que entenderão perfeitamente o
recado. Trata-se de cinema de alta qualidade. Eu gostei muito e recomendo.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022
“O BAILE DAS LOUCAS” (“LES
BAL DES FOLLES”), 2021,
França, produção e distribuição Amazon Prime Video, 2h02m, roteiro e direção da
atriz Mélanie Laurent, que também atua. É o sexto filme de Mélanie, que já
desponta também como uma ótima roteirista e diretora. Como atriz, já está
consagrada. Em “Les Bal des Folles”, ela adaptou a história do livro homônimo
escrito em 2019 por Victoria Mas. Trata-se de um drama sobre espiritualidade
ambientado no final do século 19, que também aborda o tratamento cruel e
abusivo ao qual eram submetidos os doentes mentais naquela época. O foco é o
hospital psiquiátrico de Salpêtrière só para mulheres, em Paris, dirigido pelo
médico Jean-Martin Charcot, um dos pioneiros da neurologia e da psiquiatria.
Charcot, como mostra o filme, fazia experiências com pacientes diagnosticados
com loucura, histeria e epilepsia. Além da hipnose, Charcot utilizava métodos que
causavam grande sofrimento aos pacientes. A história do filme tem como
personagem principal a jovem Eugénie (Lou de Laâge, excelente), de uma família nobre da
sociedade parisiense. Ela tem o dom da mediunidade, fazendo contato com espíritos,
ouvindo suas palavras e até conselhos. Este seu comportamento acaba
desagradando seu pai, que resolve interná-la no hospital de Charcot. Como
novata, ela não é muito bem recebida pelas demais internas, mas logo consegue
se integrar e fazer amizades. Durante esse tempo, Eugénie terá a oportunidade
de presenciar os cruéis tratamentos a que eram submetidas as internas. Só para
citar um deles, a paciente era colocada numa banheira cheia de gelo durante
horas. Por causa da sua mediunidade, Eugénie fará uma amizade especial com a
enfermeira Geneviève (Melanie Laurent), uma das principais assistentes de Charcot. Essa amizade terá papel fundamental no
destino de Eugénie. O título “Les Bal Des Folles” refere-se ao baile anual
promovido por Charcot em seu hospital, com os convidados interagindo com as
pacientes de forma nada convencional e completamente desrespeitosa. Também
estão no elenco Emmanuelle Bercot, Grégoire Bonnet e Benjamin Voisin. Resumindo,
“O Baile das Loucas” é um drama muito bem realizado, com excelente fotografia e
um primoroso roteiro. Mais um filme francês de muita qualidade. Recomendo.