“O BAILE DAS LOUCAS” (“LES
BAL DES FOLLES”), 2021,
França, produção e distribuição Amazon Prime Video, 2h02m, roteiro e direção da
atriz Mélanie Laurent, que também atua. É o sexto filme de Mélanie, que já
desponta também como uma ótima roteirista e diretora. Como atriz, já está
consagrada. Em “Les Bal des Folles”, ela adaptou a história do livro homônimo
escrito em 2019 por Victoria Mas. Trata-se de um drama sobre espiritualidade
ambientado no final do século 19, que também aborda o tratamento cruel e
abusivo ao qual eram submetidos os doentes mentais naquela época. O foco é o
hospital psiquiátrico de Salpêtrière só para mulheres, em Paris, dirigido pelo
médico Jean-Martin Charcot, um dos pioneiros da neurologia e da psiquiatria.
Charcot, como mostra o filme, fazia experiências com pacientes diagnosticados
com loucura, histeria e epilepsia. Além da hipnose, Charcot utilizava métodos que
causavam grande sofrimento aos pacientes. A história do filme tem como
personagem principal a jovem Eugénie (Lou de Laâge, excelente), de uma família nobre da
sociedade parisiense. Ela tem o dom da mediunidade, fazendo contato com espíritos,
ouvindo suas palavras e até conselhos. Este seu comportamento acaba
desagradando seu pai, que resolve interná-la no hospital de Charcot. Como
novata, ela não é muito bem recebida pelas demais internas, mas logo consegue
se integrar e fazer amizades. Durante esse tempo, Eugénie terá a oportunidade
de presenciar os cruéis tratamentos a que eram submetidas as internas. Só para
citar um deles, a paciente era colocada numa banheira cheia de gelo durante
horas. Por causa da sua mediunidade, Eugénie fará uma amizade especial com a
enfermeira Geneviève (Melanie Laurent), uma das principais assistentes de Charcot. Essa amizade terá papel fundamental no
destino de Eugénie. O título “Les Bal Des Folles” refere-se ao baile anual
promovido por Charcot em seu hospital, com os convidados interagindo com as
pacientes de forma nada convencional e completamente desrespeitosa. Também
estão no elenco Emmanuelle Bercot, Grégoire Bonnet e Benjamin Voisin. Resumindo,
“O Baile das Loucas” é um drama muito bem realizado, com excelente fotografia e
um primoroso roteiro. Mais um filme francês de muita qualidade. Recomendo.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022
quinta-feira, 6 de janeiro de 2022
terça-feira, 4 de janeiro de 2022
segunda-feira, 3 de janeiro de 2022
“ADEUS, PROFESSOR” (“RICHARD
SAYS GOODBYE”),
2018, EUA, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h31m, segundo
longa-metragem escrito e dirigido por Wayne Roberts – o primeiro foi “Katie
Says Goodbye”, de 2016. Trata-se de uma comédia dramática que tem em sua
receita bons momentos de humor e outros mais sensíveis e comoventes. Humor
ácido, na verdade, recheado com diálogos afiadíssimos. Começa o filme e está lá
o professor universitário Richard Brown (Johnny Depp, ótimo) ouvindo do médico
que está com câncer terminal, em fase adiantada de metástase. Seis meses ou no
máximo um ano de vida. Ele chega em casa pensando em como dar a notícia. Na
mesa de jantar estão sua esposa Veronica (Rosemarie DeWitt) e a filha
adolescente Claire (Zoey Deutch). Antes de abrir a boca, porém, a filha se
antecipa e confessa que é lésbica e está apaixonada por uma garota. Veronica
não aceita a opção dela e pega pesado, começando a maior discussão. No meio
dela, Veronica joga na cara de Richard que está tendo um caso com Henry Wright
(Ron Livingston), reitor da universidade e chefe do marido. Diante da confusão armada, Richard adia a trágica notícia. Depois disso e diante da
iminente partida, ele resolve ligar o botão da vida no “Que se Dane!”. Começa
por retirar da sua classe alunos que não atendem à sua filosofia de vida,
escolhendo apenas aqueles com algum conteúdo. Decreta liberdade total, a ponto
de fazer sexo com um aluno gay. Também começa a fumar maconha e a consumir doses
generosas de álcool. A situação de Richard comove Peter (Danny Huston), seu
melhor amigo e personagem responsável pelos melhores momentos de humor. Também
estão no elenco Linda Emond, Siobhan Fallon Hogan, Kaitlyn Bernard, Devon
Terrell, Matreya Scarrwener, Farrah Aviva e Justine Warrington. O filme estreou
no Festival de Cinema de Zurique (Suíça) de 2019, e no mesmo ano foi exibido
por aqui no circuito comercial. Gostei muito e recomendo.
sábado, 1 de janeiro de 2022
De vez em quando é bom
e até saudável dar descanso aos neurônios, afastando a tristeza e o estresse.
Para isso, nada melhor do que assistir a uma boa comédia. Dessa forma, resolvi
arriscar com a comédia nacional “AMARRAÇÃO DO AMOR”, 2021, recém-chegada
à plataforma Amazon Prime Video, com 1h21m de duração. A comédia marca a
estreia na direção de Caroline Fioratti, mais conhecida como diretora de
minisséries e curtas. O roteiro também é assinado por Caroline, com a
colaboração de Carolina Castro e Marcelo Andrade. O que mais me atraiu foi a
sinopse: o casamento de uma garota de uma família tradicional judia com um
rapaz cuja família é ligada à umbanda. Você já fica imaginando as confusões que
virão por aí. E o roteiro não economiza nelas. Começa o filme e lá estão o estudante
de medicina Lucas (Bruno Suzano) e a veterinária Bebel (Samya Pascotto) completamente
apaixonados. O problema é quando resolvem se casar. Samuel (Ary França), o pai
dela, é um judeu tradicional. Quer que a filha se case numa cerimônia judaica. Regina
(Cacau Protásio, ótima), a mãe do rapaz, quer que o casamento se realize no
terreiro de umbanda da família. As confusões começam quando Lucas leva sua
família para almoçar na casa da noiva. E não param por aí. Até o desfecho, as
situações hilariantes se acumulam, culminando com a cerimônia do casamento –
houve uma primeira tentativa, no terreiro, que não deu certo. Além dos atores
já citados, também estão no elenco a veterana e hilária Berta Loran, Malu Valle,
Bel Kutner, Lorena Comparato, Carla Daniel, Maurício de Barros e Cássio
Pandolfi. Enfim, “Amarração do Amor” cumpre a promessa de divertir.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2021
“SOUVENIR”, 2019, México, 1h53m. O
filme teve sua primeira exibição durante o Festival Internacional de Cinema de
Guadalajara. Recebeu muitos elogios da crítica. Por aqui, porém, só chegou recentemente,
e sem muito alarde, por intermédio da plataforma Amazon Prime Video. Trata-se
de um drama com direção de Armando Cohen e roteiro assinado por Ricardo Aguado-Fentanes,
ambos estreantes. E que ótima estreia, pois o filme é muito bom. A história é
centrada na jovem isabel (Paulina Gaitan), funcionária de um call center.
Depois de um casamento que não deu certo nos Estados Unidos e perder a guarda
do filho, ela foi obrigada a voltar para sua cidade natal, no México. Em
dificuldade financeira, ela concorda em ser barriga de aluguel para o casal
Joaquín (Flavio Medina) e Sara (Yuriria Del Valle). No início desse processo,
ela revê Bruno (Marco Pérez), que foi seu professor. Papo vai, papo vem, os
dois acabam na cama e tornam-se amantes. Preocupados com as andanças da moça,
Joaquín e Sara convencem Isabel a morar com eles. Dessa forma, podem vigiá-la e
resguardar sua saúde e, claro, a do bebê. Até o nascimento da criança, porém, muita
água vai rolar. O casal vai entrar em conflito com Bruno e Isabel ingressa naquela
fase de dúvida quanto a entregar a criança. O desfecho reserva uma reviravolta
surpreendente, valorizando ainda mais este ótimo drama mexicano, que tem na
atuação de Paulina Gaitan o seu ponto mais alto. Trocando em miúdos, “Souvenir”
não pode passar em branco para quem curte cinema de qualidade.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
domingo, 26 de dezembro de 2021
“NÃO OLHE PARA CIMA” (“DON’T
LOOK UP”),
2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 2h25m, roteiro e
direção de Adam McKay. O elenco é um luxo. Só para citar alguns nomes: Leonardo
DiCaprio, Jennifer Lawrence, Meryl Streep, Jonah Hill, Kate Blanchett, Mark
Rylance, Chris Evans, Ron Perlman, Gina Gershon, Melanie Lynskey, Ariana Grande,
Liev Schreiber. O filme nada mais é do que uma comédia, uma sátira inteligente
que ironiza o establishment norte-americano, especialmente a
presidência, a mídia e o negacionismo à ciência, no caso a descoberta, por dois
astrônomos, de um cometa orbitando dentro do sistema solar que está em rota de
colisão com a Terra. A previsão é de que a tragédia aconteça daqui a seis
meses. O professor Randall Mind (Leonardo DiCaprio), astrônomo da Universidade
de Michigan, e sua assistente Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence), autores da
descoberta, levam a notícia da tragédia em potencial à presidente Jane Orlean
(Meryl Streep), que não dá muita bola para a dupla, que então recorre à mídia
para tentar sensibilizar as autoridades a tomarem alguma providência com
urgência. A imprensa também age com negacionismo, mesmo depois que os maiores
cientistas do mundo concordaram com os cálculos da dupla de astrônomos. A
história é apresentada com um humor escrachado e caricato, bem ao gosto de quem
aprecia o estilo das comédias nonsense. Vale a pena conferir, ainda mais
pelo excelente elenco. Ah, não desligue antes de chegar ao final dos créditos,
pois ainda há uma cena adicional.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
“APRESENTANDO OS
RICARDOS” (“BEING THE RICARDOS”), 2021, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime
Video, 2h5m, roteiro e direção de Aaron Sorkin (“Os 7 de Chicago”, “A Grande
Jogada”). Quem não se lembra de “I Love Lucy”, pelo menos os que já passaram
dos 60 anos? Foi uma série de humor de grande sucesso da CBS nos Estados Unidos
de 1951 a 1957 – no Brasil, foi exibida entre 1958 e 1979 pela Rede Tupi,
também com enorme audiência. “Being The Ricardos” escancara os bastidores do
programa durante uma semana em 1953, às vésperas de mais um episódio – era exibido
pela CBS às sextas-feiras. Aliás, uma semana bastante tumultuada, primeiro pela
manchete de um jornal sensacionalista afirmando que Lucille Ball (Nicole
Kidman) era comunista. Para piorar, a atriz pegou indícios de que seu marido e
par romântico no programa, Desi Arnaz (Javier Bardem), estava tendo um caso,
iniciando uma crise conjugal. E terceiro, os atores, produtores e redatores não
se acertavam sobre o roteiro do novo episódio. Toda essa confusão está
detalhada no filme, que desde já se apresenta como um dos favoritos a algumas
indicações ao Oscar 2022, como já antecipou a seleção anunciada pelo Globo de Ouro, com Nicole
Kidman concorrendo a Melhor Atriz, Javier Bardem a Melhor Ator e o filme a
Melhor Roteiro. Se eu tivesse que apostar, jogaria todas as minhas fichas em
Nicole Kidman, que está sensacional como Lucille Ball. Como é a especialidade
de Aaron Sorkin, o filme é um tanto verborrágico, com extensos debates verbais
e diálogos afiadíssimos, mas tudo elaborado com muita competência. É preciso destacar ainda o primoroso roteiro e a recriação
de época, especialmente os figurinos. A caracterização de Nicole como Lucille é impressionante. O filme também apresenta uma faceta pouco
conhecida do ator Desi Arnaz, na verdade Desiderio Alberto Arnaz de Acha III.
Nascido em Cuba, ele cantava em boates com sua orquestra mesmo depois de casado
com Lucille. Em “I Love Lucy”, seu personagem era Rick Ricardo – daí o título.
Também estão no elenco J.K. Simmons, Nina Arianda, Alia Shawkat, Jacke Lacy e
Clark Grege. Por tudo o que já foi dito acima, afirmo que “Being The Ricardos”
é um filme delicioso de assistir, sem dúvida um dos melhores lançamentos deste
ano da Amazon Prime Video. Imperdível!
quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
“O PREÇO DA VERDADE” (“DARK
WATERS”),
2020, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime Video, 2h6m, direção de Todd
Haynes (“Longe do Paraíso”, “Carol”), seguindo roteiro de Matthew Michael
Carnahan e Nathael Rich. O filme relembra um caso judicial verídico de grande
repercussão no Tio Sam. A figura central da história é Robert Bilott, um
advogado de defesa corporativo que se destacou trabalhando em casos de grandes
empresas de químicos. No início dos anos 90, porém, ele mudaria de lado,
defendendo uma causa ambiental contra a gigante DuPont. Tudo começou quando Bilott
foi procurado por um fazendeiro da região da Virgínia Ocidental que queria
processar a empresa pela morte de grande parte de seu gado. Segundo ele, 150 de
suas vacas morreram depois de beber a água de um riacho contaminado pelo lixo jogado
por uma unidade da DuPont. Robert entrou com uma ação contra a empresa,
iniciando um processo que duraria cerca de 20 anos e que custaria à DuPont mais
de 600 milhões de dólares em indenizações às suas vítimas, fora as multas
aplicadas por danos ambientais. O filme mostra os bastidores de todo o processo,
focando no esforço de Robert em provar suas alegações, as reuniões entre os
advogados do seu escritório, muitos deles contrários à ação, e as sessões do julgamento
nos tribunais. Ao mesmo tempo, destaca a crise familiar vivida por Robert pelo fato de se dedicar tanto ao processo e deixar de lado a esposa e os filhos, o que também causaria danos à sua saúde. O ator Mark Ruffalo
lidera o elenco. Engajado em defender causas ambientais há vários anos, Ruffalo
também é um dos produtores do filme, inspirado por uma série de reportagens sob
o título “O Advogado Que Se Tornou o Maior Pesadelo da DuPont”, publicadas no
jornal The New York Times em 2016. Completam o excelente elenco Anne Hathaway,
Tim Hobbins, Bill Camp, Victor Garber, Bill Pullman, Louisa Krause, Mare
Winningham, Bruce Cromerk, Hohn Newberg, Amy Morse e Greg Violand. Como
curiosidade das filmagens, o verdadeiro Robert Bilott e a esposa Sarah aparecem
em uma “ponta” num coquetel. História, roteiro e elenco fazem de “O Preço da
Verdade” um grande filme que merece ser conferido.
terça-feira, 21 de dezembro de 2021
“A GAROTA DE OSLO” (“BORTFØRT”), 2021, minissérie em
10 capítulos, coprodução Noruega/Israel, disponível na plataforma Netflix, direção de Stian Kristiansen e Uri
Barbash, com roteiro assinado por Kyrre Holm Johannessen, Roni Weiss Berkowitz,
Stephen Uhlander e Tall Miller. Não sou muito adepto de séries, mas esta me
atraiu pela história. Uma jovem norueguesa e seus dois amigos israelenses são
sequestrados por terroristas do ISIS (braço afegão do Estado Islâmico) quando
faziam turismo pelo Sinai (Egito). O alvo principal dos sequestradores é Pia
(Andrea Bernstzen), filha da diplomata norueguesa Alex (Anneke Von Der Lippe) e do
advogado Karl (Anders T. Andersen). Com o sequestro, o pessoal do ISIS pretende
negociar a libertação de 12 terroristas, o principal deles preso em Oslo. Toda
essa pressão também envolve o governo de Israel, pressionado por Alex e Karl para
fazer alguma coisa em torno da libertação de Pia. Alex vai para Israel pedir ao
seu amigo Arik (Amos Tamam), ministro de governo, que mobilize a inteligência
israelense para promover uma operação de resgate. Alex também apela à sua amiga
diplomata palestina Layla (Rayda Adon), cujo filho Yusuf (Shadi Mar’i) faz parte do ISIS. Até o pessoal do Hamas, outro inimigo mortal de Israel, acaba
se envolvendo para tumultuar ainda mais o cenário complexo. A trama é tensa e
envolvente, num ritmo que não deixa a gente piscar os olhos, garantindo muito
suspense até o desfecho. Diferentemente de algumas séries que já assisti, esta
não tem muita enrolação, e os capítulos são curtos, em torno dos 30 minutos. Não
só o roteiro bem elaborado, mas também o elenco afinado, faz com que essa minissérie seja um excelente entretenimento.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
“IMPERDOÁVEL” (“THE
UNFORGIVABLE”),
2021, Estados Unidos, 1h52m, direção de Nora Fingscheidt, com roteiro assinado
por Peter Craig e Sally Wainwright. Recentemente integrado à plataforma
Netflix, “Imperdoável” conta uma história que já havia sido explorada por uma minissérie
homônima, de 2009, e que agora foi condensada em filme. A personagem central é
Ruth Slater (Sandra Bullock), que acaba de ser libertada em condicional, depois
de cumprir pena por homicídio – ela matou um policial. Seu primeiro objetivo é
tentar se reintegrar à sociedade. Dessa forma, consegue emprego como marceneira
e também como operária numa empresa de pescados, mantendo escondido seu passado
como criminosa. Seu objetivo maior, agora, é reencontrar sua irmã caçula, Katherine
(Aisling Franciosi), que não vê desde que foi presa. Katherine havia sido adotada pelo casal Michael (Richard Thomas) e Rachel Malcolm (Linda
Emond), que criou a menina como se fosse sua filha. Só que há um grande obstáculo
para Ruth. Segundo as regras de sua condicional, ela não pode chegar perto da
irmã. Um advogado (Vincent D’Onofrio) fica com pena de Ruth e tenta ajudá-la, mesmo
que desagrade sua esposa (Viola Davis). Um dia, porém, sua história acaba sendo
revelada, e Ruth é obrigada a enfrentar a rejeição dos seus colegas de trabalho.
Mas o pior de tudo é que os dois filhos do policial assassinado estão atrás
dela para se vingar. Enfim, muita tensão vai rolar até o desfecho, quando então
uma surpreendente revelação muda o rumo da história. O filme, sem dúvida, é todo
de Sandra Bullock, com uma interpretação realmente primorosa, que talvez seja reconhecida por uma indicação ao Oscar 2022. O elenco de apoio
também é excelente, valorizando ainda esse ótimo drama. Recomendo.
domingo, 19 de dezembro de 2021
“SILK ROAD – MERCADO
CLANDESTINO” (“SILK ROAD”), 2021, EUA, disponível na plataforma Amazon Prime, 1h52m.
Este é o segundo longa-metragem escrito e dirigido por Tiller Russel – o
primeiro foi “Último Ritual de Ransom Pride”, de 2010), mais conhecido como
diretor de documentários e séries. Em “Silk Road”, Tiller adaptou para o cinema
a história, verídica, do jovem Ross William Ulbricht, o hacker que criou
um site para vender drogas sem ser rastreado. Chamado Silk Road e utilizando
bitcoins para as transações, o site movimentou, de 2011 a 2013, cerca de 1
bilhão de dólares, ficando famoso como um mercado de vendedores anônimos para
compradores anônimos. Claro que o Silk Road acabou chamando a atenção das
autoridades norte-americanas. Dessa forma, o governo mobilizou o pessoal do DEA
(Drug Enforcement Administration), órgão encarregado da repressão e controle de
narcóticos, e do Departamento de Combate aos Crimes Cibernéticos para rastrear
o responsável pelo Silk Road. Por incrível que pareça, foi um policial veterano
sem muito conhecimento de informática que chegou ao jovem hacker. Tudo isso
está contado no filme, cujo roteiro foi elaborado a partir de um artigo
publicado em 2014 na Revista Rolling Stone, sob o título “Dead End On Silk
Road”, escrito pelo jornalista David Kuschner. Nos papeis principais estão Nick
Robinson (Ulbricht) e Jason Clarke (o policial Rick Bowden), além de Alexandra
Shipp, Lexi Rabe, Katie Aselton e Paul Walter Hauser. Embora grande parte da
linguagem técnica utilizada no filme seja de difícil entendimento – pelo menos
para os espectadores não especialistas em informática, como eu -, “Silk Road”
conta a história de maneira muito competente. Recomendo.
“ATAQUE DOS CÃES” (“THE
POWER OF THE DOG”),
2021, Estados Unidos/Nova Zelândia, disponível na plataforma Netflix, 2h5m,
roteiro e direção de Jane Campion. Depois de 12 anos longe das telas – seu
último filme foi “O Brilho de Uma Paixão” -, a cineasta neozelandesa volta ao
trabalho com esse excelente drama, baseado no romance “The Power of the Dog”,
escrito em 1967 por Thomas Savage (1915-2003). Só para lembrar, Campion ficou
conhecida mundialmente depois de dirigir “O Piano”, em 1993, filme vencedor de
inúmeros prêmios, entre os quais a Palma de Ouro no Festival de Cannes e o
Oscar de Melhor Roteiro Original. Neste “Ataque de Cães”, a história,
ambientada em 1920, é centrada nos irmãos Phil (Benedict Cumberbatch) e George
Burbank (Jesse Plenons), proprietários da maior fazenda de Montana (EUA).
Enquanto Phil é um vaqueiro ao estilo machão, cowboy-raiz, grosseiro ao extremo
e inimigo de um banho, George é um sujeito tímido, sensível e educado. Quando
George casa com Rose Gordon (Kirsten Dunst) e a leva para morar na fazenda,
juntamente com o jovem filho dela, Peter (Kodi Smit-McPhee), o cotidiano dos Burbank
e de seus empregados não será mais o mesmo. De início rejeitado por demonstrar
seu acentuado lado feminino, Peter conquistará a amizade de Phil, uma relação
que permeará a história até o final. Além de bonito esteticamente, com uma fotografia
exuberante e belos enquadramentos, o filme é feito de sutilezas, simbologias e de gestos cujos
significados nem sempre são possíveis de captar em um primeiro momento. Com seu
olhar sensível, Campion exige do espectador uma atenção especial aos detalhes.
Um verdadeiro desafio. Também estão no elenco Keith Carradine, Elisabeth Moss,
Paul Dano, Frances Conroy, Thomasin McKenzie, Adam Beach e George Mason. Desde
já, “Ataque dos Cães” é um dos favoritos ao Oscar 2022, como comprovam as 7 indicações
ao Globo de Ouro: Melhor Filme de Drama, Melhor Ator de Drama (Cumberbatch),
Atriz Coadjuvante (Kirsten Dunst), Ator Coadjuvante (Kodi Smit-McPhee), Melhor
Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora Original. Realmente, o filme é
muito bom, mas, na minha opinião, exageradamente superestimado. O ritmo é lento
e arrastado, o que pode incomodar uma parte do público menos sensível. Assista
e tire suas conclusões.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2021
“DOIS” (“DOS”), 2020, Espanha,
disponível na plataforma Netflix, 1h10m, direção de Mar Targarona, seguindo
roteiro assinado por Cuca Canals, Christian Molina e Mike Hostench. Em 2020,
quando estreou no Festival Internacional de Cinema de Málaga (Espanha), o filme
dividiu as opiniões da crítica especializada. Muitos prós e contras. Realmente,
“Dois” não é fácil de digerir. É um filme bizarro, perturbador à beira do
grotesco e não deve agradar grande parte do público. Durante 99% da duração,
apenas dois personagens ficam na tela: David (Pablo Derqui) e Sara (Marina
Gatell). Começa o filme e estão lá os dois, nus na cama, grudados um ao outro
cirurgicamente pelo estômago, como irmãos siameses. Ela não conhece ele e
vice-versa, e não se lembram do que aconteceu. A primeira conclusão é de que
foram drogados. Quem será o responsável por tal atrocidade? Sara acha que foi o
marido ciumento que deve ter desconfiado de alguma traição. Por sua vez, David
confessa ser um garoto de programa e talvez o que está acontecendo tenha a ver
com alguém ciumento também. Os dois estão trancados em um quarto, sem qualquer
comunicação com o exterior. E haja papo-furado até a história chegar ao seu
desfecho, quando acontece uma terrível revelação. Ao tentar explicar “Dois” para
a imprensa, a diretora Mar Tagarona (“O Fotógrafo de Mauthausen”, de 2018) deu
uma declaração que combina bem com o excêntrico e polêmico filme que dirigiu: “Trata-se
de um coquetel de emoções e sensações, às vezes contraditórias, mas
esperançosamente interessantes, uma vez que são estimuladas”. Entendeu? Nem
eu. Mas há gosto pra tudo, como prova a grande audiência que o filme tem
conseguido na Netflix. De qualquer forma, “Dois” é um filme muito diferente e
que, por isso mesmo, vale uma conferida.
terça-feira, 14 de dezembro de 2021
“SOB PRESSÃO” (“ETATS D’URGENCE”), 2019, França,
disponível na plataforma Amazon Prime, 1h30m, roteiro e direção de Vincent Lannoo.
Não é de hoje que o cinema francês demonstra dominar plenamente a arte do
gênero policial de ação. Mais um exemplo dessa competência é este filme produzido
para ser exibido pela TV France 2. Os holofotes da história estão focados no
cotidiano de um grupo de investigadores que trabalha no limite do estresse, com
poucos recursos, equipe limitada, sem o devido apoio das chefias, salário baixo
e enfrentando marginais que logo são soltos pela justiça (não lembra um país
que conhecemos muito bem?), que tratam a polícia na base do escárnio e agem livres,
leves e, principalmente, soltos. E pior: os policiais recebem ordens de efetuar cotas de prisão, ou seja, mostrar serviço à opinião pública. Um dos filmes franceses recentes que também
aborda a mesma temática é “Bac Nord”, outro filmaço. Em “Sob Pressão”, a
personagem central é a policial Justine (Olivia Ruiz, também cantora pop de
sucesso na França), obrigada a conciliar a profissão com o papel de esposa e de
mãe de um adolescente. Como se não bastasse, ela é acusada de ter roubado
dinheiro durante uma batida policial. Dessa forma, ela se torna alvo de
investigação da corregedoria e pode perder o emprego. Além disso, enfrenta problemas
com seu filho Tristan (Vassili Schneider), um aluno rebelde e contestador que
acaba quase todo dia na diretoria da escola. Seu casamento também não vai bem,
pois ela trabalha demais e o marido sente muito a sua falta. Se já enfrentava
todos esses problemas, Justine ainda passaria um estresse ainda maior depois
que Guillaume (Hubert Delattree), seu parceiro e amigo, se suicida no vestiário da
delegacia. As melhores e mais tensas cenas do filme acontecem quando os
policiais vão aos prédios populares onde residem imigrantes árabes e africanos
com o objetivo de prender traficantes. Nessas comunidades, os policiais são
recebidos com protestos violentos e sempre correm o risco de serem linchados.
Enfim, é muito estresse todos os dias. Também estão no elenco Ibrahim Koma,
Grégoire Leprince, Jodith El Zein, Gil Alma, Thomas Chabrol, Vincent Aguesse e
Ramzi Bettahar. Filmaço!
domingo, 12 de dezembro de 2021
“PASSADO SUSPEITO” (“THE
BLACK WIDOW KILLER”),
2020, Canadá, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h30m, roteiro e
direção de Adrian Langley. Elenco de ilustres desconhecidos, mas bons atores, história fraquinha
e roteiro complicado que não se explica até o desfecho. Foi assim que resolvi
resumir o que achei desse suspense canadense produzido para a televisão. A
história é ambientada em alguma pequena cidade do Canadá e começa com um grave
acidente automobilístico. O carro de um casal de namorados apresenta defeito e
o rapaz é obrigado a parar no acostamento. Não demorou muito e apareceu outro
veículo com dois casais de jovens e bateu violentamente na traseira do carro
parado, provocando uma morte. O filme dá um salto de 25 anos e estamos na companhia da advogada e
vice-prefeita Judy Dwyer (Erin Karpluk), que acaba de se divorciar de Steven
(Ryan Robbins), o xerife da cidade. O clima na cidade começa a esquentar quando
Kendra (Alison Brooks), melhor amiga de Judy, é assassinada. O primeiro
suspeito acaba sendo o jovem Daniel (Bradley Hamilton), o filho da vítima e namorado de Abbey (Morgan Kohan), filha de Judy. Ocorre que a própria Judy, por algumas evidências, começa a acreditar que o crime talvez tenha ligação com o acidente de 25 anos
atrás, o que será comprovado com outro assassinato, cuja vítima, assim como
Kendra, esteve envolvida com aquele trágico acidente. Se há um mérito em “Passado
Suspeito”, este se refere à expectativa da revelação do assassino, o que cria
um clima de suspense e apreensão até o desfecho, com uma reviravolta
surpreendente. Trocando em miúdos, o filme até que chega a ser um bom
entretenimento, mas não espere muito.
“FERIDA” (“BRUISED”), 2020, Estados Unidos,
2h9m, disponível na plataforma Netflix, marca a estreia da atriz Halle Berry como
diretora (ela também faz o papel principal), seguindo roteiro assinado por Michelle
Rosenfarb. A história é centada em Jackie “Justice” (Berry), uma ex-lutadora de
MMA que abandonou as lutas e agora trabalha como faxineira em casas de gente
rica. Ela afoga as mágoas na bebida e vive um relacionamento tumultuado com seu
namorado e ex-empresário Desi (Adan Canto). Um dia ela é chamada pela mãe Angel
(Adriane Lenox, ótima) para buscar o filho Manny (Danny Boyd Jr.), de seis
anos, que Jackie havia abandonado quando bebê. Enfim, entre idas e vindas,
Jackie tentará conciliar seus dramas pessoais com os desafios de voltar às
lutas, pois agora, com a guarda do filho, terá que arrumar dinheiro para
sobreviver. Você assiste a tudo o que acontece e de imediato começa a lembrar de “Rocky,
Um Lutador”, “A Menina de Ouro”, “Clube da Luta” e até de “Karatê Kid”, além daqueles filmes que contam a história de lutadores e seus desafios, pessoais e nos ringues. “Ferida” tem
todos os clichês do gênero, brindando o espectador com aquela aguardada luta no
desfecho, na qual “Justice” terá de enfrentar a temida “Lady Killer” (Valentina
Shevchenko, lutadora profissional) pelo título da categoria Peso Leve. Segundo
alguns artigos divulgados na mídia, Halle Barry, além de vários hematomas,
quebrou duas costelas durante as filmagens. O desempenho de Halle é
sensacional. Nenhuma surpresa levando-se em consideração o fato dela já ter
conquistado um Oscar como Melhor Atriz em 2002 pelo filme “A Última Ceia”. Além
de estar em ótima forma física aos 55 anos, a atriz também surpreende ao
realizar uma cena de sexo lésbico com Sheila Atim, a “Buddhakan”, sua
treinadora. Enfim, “Ferida” é uma estreia muito boa de Halle na direção, embora
não seja aquele filme que a gente tem vontade de aplaudir de pé. Como
entretenimento, funciona muito bem.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2021
“O CONVIDADO” (“THE Wedding
Guest”),
2018, Inglaterra, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 1h36m, roteiro e
direção de Michael Winterbotton. Mesmo com a presença do astro inglês Dev Patel,
de tantos filmes bons como “Quem Quer ser um Milionário?”, “Lion”, “O Último
Mestre do Ar” e “O Exótico Hotel Marigold”, e da atriz indiana Radhika Apte, um
grande nome do cinema de Bollywood, “O Convidado” apresenta um resultado final
decepcionante. Nenhuma surpresa se levarmos em conta o currículo do diretor
inglês Michael Winterbotton, responsável por tantos filmes irregulares e inexpressíveis. "O Convidado”, certamente, é mais um deles. A história é centrada no britânico
muçulmano Jay (Patel), que viaja da Inglaterra para o Paquistão como convidado
de uma festa de casamento. Só que o seu objetivo não é exatamente beber
champanhe e comer bolo, e sim sequestrar a noiva, Samira (Radhika Apte). Jay
foi contratado para executar esse serviço por Deepesh (Jim Sarbh), ex-namorado
da moça. Jay consegue sequestrar a moça, mas é obrigado a matar um segurança. O
caso ganha repercussão na mídia e a polícia sai no encalço do sequestrador e da
sequestrada. Aí começa um road movie pelas estradas e cidades do Paquistão
e da Índia. O diretor Winterbotton privilegia cenas nos centros urbanos,
mostrando o trânsito caótico das cidades, mas nada que acrescente ação e suspense
à narrativa. Pelo contrário, o filme se arrasta em 1ª marcha, em ritmo lento,
quase sonolento. Com o andar da carruagem, a gente loto percebe que está
prestes a assistir a mais uma sequestrada acometida pela tal Síndrome de
Estocolmo. Não dá outra. Trocando em miúdos, o filme é muito chato e
previsível, e fica pior ainda quando o roteiro inventa a aparição de pedras
preciosas. Somando os prós e os contras, só dá os contras.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
“SOU SUA MULHER” (“I’M YOUR
WOMAN”),
2020, Estados Unidos, produção original Amazon Studios, 120 minutos, direção de
Julia Hart, que também assina o roteiro com a colaboração de Jordan Horowitz. É
um suspense que se arrasta em ritmo lento até perto do desfecho, quando então
acontece alguma ação. A história é centrada em Jean (Rachel Brosnahan), que de
repente se vê enfrentando uma grande confusão depois do misterioso desaparecimento
do marido Eddie (Bill Heck), um pilantra envolvido com gente da pior qualidade.
Para complicar ainda mais a situação, antes de sumir Eddie aparece em casa com
um bebê, dizendo que é um presente para Jean – um verdadeiro presente de grego.
Completamente desorientada, Jean não tem a mínima ideia do que aconteceu com o marido,
até que surge no pedaço um tal de Cal (Arinzé Kene), que se identifica como
amigo de Eddie e dizendo que ela precisa fugir com urgência, pois também está,
assim como o marido, na mira de uma poderosa gangue. Fugindo de um esconderijo
para outro, sempre com a proteção de Cal, Jean tenta aguentar a pressão e ainda
cuidar, sem a experiência devida, do bebê adotado, cuja origem também é
misteriosa. Em meio a essa confusão, ainda surge em cena a esposa de Cal, Teri
(Marsha Stephanie Blake), que também se mantém em silêncio sobre a situação,
além de esconder um fato surpreendente de seu passado, só revelado perto do desfecho. Embora o clima de tensão
esteja presente em toda a trama, o ritmo lento exige uma certa paciência por
parte de quem está assistindo. O maior destaque do filme é, sem dúvida, o
excelente trabalho da atriz Rachel Brosnahan, que, além de bonita, é muito
competente, tanto que já venceu um Emmy em 2018 e o Globo de Ouro em 2019/2020 por
sua atuação na série “Maravilhosa Sra. Maisel”. Enfim, entre altos e baixos, trancos
e barrancos, “Sou Sua Mulher” não apresenta um resultado final muito satisfatório.
Ou seja, não é nenhuma Brastemp, mas também não chega a ser uma geladeira de isopor.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2021
“AS LEGIÕES EMERGENTES”
(“LEGIONY”),
2019, Polônia, disponível na plataforma Amazon Prime Video, 2h20m, roteiro e
direção de Dariusz Gajewski. Estamos em 1914, início da 1ª Guerra Mundial, e a
Polônia luta para se livrar do domínio de 123 anos exercido por Rússia,
Alemanha e Áustria. As legiões emergentes do título referem-se aos batalhões
poloneses que lutaram durante aquele conflito contra as forças dominantes,
conseguindo ao final da guerra libertar e unificar o País. Este é o pano de
fundo que domina a história desse excelente drama de guerra, baseada em relatos
da época. Os principais personagens são três: Jósek Wieza (Sebastian Fabijanski),
desertor do exército czxarista que se junta às legiões polonesas; a jovem Aleksandra
“Ola” (Wiktoria Wolanska), agente de inteligência da 1ª brigada polonesa e membro
da Liga Feminina; e finalmente Tadeusz “Tadek” Zbarski (Bartosz Gelner),
soldado da equipe de fuzileiros. A trama se desenrola com foco na situação
enfrentada pelas legiões polonesas diante de seus inimigos. As cenas de batalha
são sensacionais, talvez as melhores que já vi no cinema, com centenas de
figurantes enfrentando-se no corpo-a-corpo com baionetas, trincheiras, tiros de
canhão, cavalarias e muito sangue jorrando pelos cenários de guerra. Para
amenizar o contexto de violência, o roteiro dedica uma parte da história ao
triângulo amoroso entre Jósek, Ola e Tadek. Depois que Tadek, noivo de Ola,
parte para o front e não volta, Jósek tenta diminuir o sofrimento da moça,
oferecendo o ombro e muito mais. Dois ou três anos depois, Tadek aparece vivo e
tenta recuperar a noiva. Trocando em miúdos, “As Legiões Emergentes” é um
grande filme, um épico de muita qualidade do cinema polonês, além de uma verdadeira
aula de história. Não perca!
domingo, 5 de dezembro de 2021
“PETERLOO”, 2018, Inglaterra,
roteiro e direção de Mike Leigh, 2h34m, disponível na plataforma American Prime
Video. Trata-se de uma superprodução que rememora um fato trágico de grande
importância na história da Inglaterra, ou seja, o Massacre de Manchester. No
dia 6 de agosto de 1819, na cidade de Manchester, norte da Inglaterra, forças
do exército britânico mataram 15 pessoas e feriram mais de 700 durante um
protesto pacífico em favor do direito a voto. “Peterloo”, clara referência à
Batalha de Waterloo, em 1815, quando o exército francês de Napoleão Bonaparte
foi derrotado pelos ingleses, explora principalmente os
acontecimentos ocorridos antes do fatídico dia. Dessa forma, acompanhamos as
discussões das organizações reformistas que planejaram o levante da população
pobre, aos moldes da revolução francesa. De maneira alternada, o roteiro destaca
o pensamento e a retórica de um lado e do outro, ou seja, do governo real
inglês e de seus opositores, ativistas que defendiam a população mais pobre, cuja
principal bandeira era “Liberdade ou Morte”. Essas discussões são a cereja do bolo
de “Peterloo”, uma verdadeira aula de história, pois apresentam de forma clara o
pensamento de cada um dos lados em conflito, inclusive o planejamento dos
preparativos para o grande dia, marcado para a Praça St. Peter, a principal de
Manchester. Aqui, ocupando toda a área central e ruas adjacentes, a população
aguardava com enorme expectativa o discurso do seu líder, o ativista Henri Hunt,
mas suas palavras não chegariam ao fim, com a entrada violenta e sem piedade da
cavalaria do exército inglês. Este é mais um grande filme do cineasta Mike
Leigh, cujos filmes sempre contam histórias sobre as classes trabalhadores,
focando-as na política e nas questões sociais. Foi assim em dois de seus filmes
mais conhecidos, pelos quais foi indicado como Melhor Diretor do Oscar: “Segredos
e Mentiras” e “O Segredo de Vera Drake”. Não há muitos atores conhecidos no
elenco de “Peterloo”, a maioria deles oriundo do teatro britânico, do qual Mike
Leigh também é um diretor consagrado. Vou citar alguns nomes mais importantes
do elenco: Maxine Peake, Rory Kinnear, Neil Bell, Philip Jackson, Karl Johnson,
Tim McInnerny, Vincent Franklin, Alastair Mackenzie e David Moorst. O contexto
histórico de “Peterloo” deve agradar quem curte, como eu, os fatos da história
mundial. E tem ainda como trunfos adicionais o excelente roteiro, a primorosa
recriação de época e uma exuberante fotografia. Imperdível!