sexta-feira, 25 de junho de 2021

 

“SEGURANÇA” (“SECURITY”), 2021, Itália, 1h58m, produção original Netflix, direção do cineasta inglês Peter Chelsom, que também assina o roteiro com a colaboração de Tinker Lindsay. Trata-se de uma adaptação do livro de 2009 do escritor norte-americano Stephen Amidon. No livro, a história é ambientada numa pequena cidade de Massachusetss (EUA). Na adaptação para o cinema italiano, a trama tem como cenário a cidade de Forte Dei Marmi, um pequeno balneário no litoral. A história começa quando uma jovem é encontrada à noite toda machucada e com marcas de violência física e abuso sexual. Ela também parecia estar bêbada ou drogada.  Embora a moça negue, o seu próprio pai é o principal suspeito. Quem descobrirá toda a verdade será o proprietário de uma empresa de vigilância, utilizando as imagens de dezenas de câmeras instaladas nas casas e nas ruas da pequena cidade. Embora o pano de fundo seja a violência contra a jovem, há vários subtramas para sustentar e reforçar a história. Roberto Santini (Marco D’Amore), o dono da firma de segurança, é casado com Claudia (Maya Sansa), candidata a prefeita do balneário. Eles são pais de uma adolescente (Ludovica Martino) que transa com seu professor Stefano. Santini é amante de Elena (Valeria Bilelo), cujo filho é um adolescente problemático. Uma figura importante na história é o poderoso empresário Curzio Pilati (Fabrizio Bentivoglio), principal financiador da campanha de Claudia. Como dá pra perceber, tudo junto e misturado constrói um enredo bem novelesco e até certo ponto complexo, mas não tão complicado a ponto de prejudicar o entendimento do espectador. O que fica evidente é o poder da vigilância por câmeras, tanto nas ruas como no interior das casas. Pois é um desses equipamentos que ajudará a desvendar os verdadeiros responsáveis pelas agressões à moça. Trocando em miúdos, “Segurança” é um filme bastante interessante e merece ser conferido.            

        

quarta-feira, 23 de junho de 2021

 

“ESQUADRÃO SEM LIMITES” (“THE SWEENEY”), 2012, Inglaterra, 1h52m, direção de Nick Love, que também assina o roteiro com a colaboração de John Hodge. Mais um ótimo filme policial inglês desencavado da plataforma Netflix. Na verdade, é uma versão adaptada da série televisiva inglesa “The Sweeney”, de grande sucesso na década de 70. Toda a história é centrada em um esquadrão de elite da polícia de Londres, famoso pelos métodos violentos que utiliza para prender bandidos, muitas vezes na base do taco de beisebol. Quem comanda essa turma é o truculento detetive Jack Regan (o ótimo Ray Winstone), sempre na mira da corregedoria da polícia por suas ações nada convencionais. Quem segura as pontas de Regan é seu chefe direto, o inspetor Frank Haskins (Damian Lews). Da parte da corregedoria, quem está sempre no pé de Regan é o detetive Ivan Lewis (Steven Mackintosh), que tem um motivo a mais para azucriná-lo: sua mulher, a policial Nancy Lewis (Hayley Atwell), é amante dele. Regan também uma relação especial com outro integrante de sua equipe, o agente George Carter (o rapper Plan B, nome artístico de Benjamin Paul Ballance-Drew), um delinquente que Regan tirou da vida do crime e transformou num excelente policial. Desde o começo até o desfecho, a história se concentra na caçada a uma quadrilha de assaltantes de bancos que aterroriza a capital inglesa. As cenas de ação são ótimas, com muita violência, tiros, pancadarias e perseguições, tudo que um bom filme policial precisa ter. O tiroteio no centro de Londres, depois de um assalto a uma joalheria, é de tirar o fôlego. Além da história em si, o trunfo principal é realmente a atuação do ator Ray Winstone. Mesmo com sua truculência, você simpatiza na hora com o sujeito, principalmente pelo fato dele tratar os bandidos como devem ser tratados, sem tolerância. Filmaço!         

        

terça-feira, 22 de junho de 2021

“CITY OF TINY LIGHTS” é um filme policial inglês que estreou em 2016 na Seção “Apresentações Especiais” do Festival Internacional de Cinema de Toronto e só mais tarde chegou à plataforma Netflix. Como não foi exibido em nosso circuito comercial, não recebeu tradução. Traduzi por conta própria, o que resultou em “Cidade das Pequenas Luzes”. É um filme bem ao estilo “noir”, com direito a detetive particular, mulheres fatais e, claro, quase todo ambientado em cenas noturnas iluminadas pelas pequenas luzes do título. Na verdade, a cidade é Londres. Embora sem sobretudo e chapéu, o personagem principal é o detetive particular Tommy Akhtar (Riz Ahmed) que passa o filme inteiro de calça jeans, casaco de couro, barba por fazer e com um cigarro sempre colado na boca. Ou seja, um detetive desleixado demais se comparado com outros que costumamos ver em filmes “noir”. Ao ser procurado e contratado por Melody (Cush Jumbo), uma prostituta de luxo, para encontrar sua colega de trabalho Natasha, sumida depois de um programa, Tommy jamais imaginou que entraria num turbilhão de confusões. Ele começou rastreando os passos da prostituta russa desaparecida, que culminaram com a descoberta do cadáver do cliente que a moça levara para um hotel. Aí a coisa complica de vez. A começar pela vítima estirada na cama, um poderoso empresário paquistanês. Na sequência de sua investigação, Tommy terá pela frente o pessoal da agência secreta do governo inglês (SO15), terroristas islâmicos, a própria polícia londrina, chefões de uma rede de prostituição e até agentes do FBI. Não bastasse essa gente toda, Tommy reviverá fatos obscuros do seu passado ao reencontrar uma ex-namorada, a exuberante Shelley (Billie Piper), e um grande amigo de juventude, o agora importante empresário Hafiz “Lovely” Ansari (James Floyd). O filme é dirigido por Pete Travis e o roteiro assinado por Patrick Neate, que o adaptou de seu livro “City of Tiny Lights”, de 2005. Não li o livro, mas posso afirmar que sua adaptação para o cinema resultou em um ótimo filme policial. Recomendo!          

segunda-feira, 21 de junho de 2021

 

“MÃE” (“MOTHER”), 2017, Estados Unidos, 2h02m, roteiro e direção de Darren Aronofsky (“Cisne Negro”), disponível na plataforma Netflix. É um misto de suspense e terror psicológico, com direito a alguns sustos. Um poeta (o ator espanhol Javier Bardem) e sua mulher Veronica (Jennifer Lawrence) resolvem mudar para um casarão isolado na zona rural. Em crise criativa, ele precisa de paz para escrever, enquanto ela se dedica a fazer reformas na casa. Tudo vai bem até a chegada de um sujeito misterioso (Ed Harris), que se diz médico e fã da obra do poeta, e sua esposa esquisita (Michelle Pfeiffer). Para desespero de Verônica, o estranho casal é convidado pelo poeta a ocupar um dos aposentos da casa, o que será motivo de uma grande dor de cabeça para os anfitriões. O pior estava por vir. Os dois filhos do casal visitante aparecem de repente e arrumam uma grande confusão por causa do testamento do pai. O conflito terminará com uma tragédia: a morte de um dos filhos do casal visitante. Para desespero ainda maior de Veronica, começa a chegar um monte de gente estranha para o velório na sua casa. Enquanto isso, o poeta faz de conta que nada está acontecendo, ou seja, assume o comportamento de um verdadeiro idiota. As homenagens ao defunto terminam e todo mundo vai embora. Finalmente teremos paz, imagina Veronica. Ledo engano. Depois que um poema de seu marido é divulgado, dezenas de pessoas invadem a casa como uma horda de vândalos, destruindo tudo à frente, não respeitando nem mesmo a gravidez de Veronica, que até o desfecho viverá um verdadeiro inferno. Também estão no elenco os irmãos Domhnall e Brian Gleeson, Jovan Adepo, Kristen Wiig, Emily Hampshire e Steven McHattie. O filme é sufocante e perturbador, com certeza fruto de um delírio momentâneo do roteirista e diretor Aronofsky, quem sabe motivado por alguma substância alucinógena. E não convence muito menos a explicação de que a história utiliza simbolismos que se referem a fatos e personagens da Bíblia. Por exemplo, os anfitriões são Deus e a Mãe Natureza e o casal visitante Adão e Eva, e seus filhos Abel e Caim. E por aí vai essa história mirabolante e totalmente inverossímil. Citando a Bíblia, o “Mãe” é um verdadeiro pecado cinematográfico. VADE RETRO!         

sábado, 19 de junho de 2021

“A GRANDE MENTIRA” (“THE DEBT”) – no Brasil, também recebeu outro título, “No Limite da Mentira” -. coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 1h53m, direção de John Madden e roteiro de Peter Straughan. Desencavei esse filme de 2010 escondidinho na plataforma Netflix. O que me atraiu não foi apenas a história, mas também o elenco: Helen Mirren, Sam Worthington, Jessica Chastain (ainda em ascensão como estrela de Hollywood), Tom Wilkinson, Jesper Christensen, Ciarán Hinds e Marton Csokas. Na verdade, trata-se da refilmagem da produção israelense “Ha-Hov”, de 2007. É uma história de espionagem que envolve o trabalho de três agentes do Mossad (serviço secreto de Israel) que, em meados da década de 60, receberam a missão de capturar um médico nazista responsável pelo assassinato de milhares de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. A inspiração óbvia para a história do filme original israelense foi o médico Josef Mengele, além do sequestro do oficial nazista Adolf Eichmann na Argentina, no início da década de 60, por agentes do Mossad. Eichmann foi enviado para Israel, julgado e condenado à morte. No caso de “A Grande Mentira”, o médico nazista é Dieter Vogel, também conhecido como “O Carrasco de Birkenau”. David Peretz (Worthington), Rachel Singer (Chastain) e Stephen Gold (Csokas) são os jovens agentes do Mossad encarregados da missão de localizar e prender o médico. Depois da missão não muito bem sucedida, eles voltam para Israel como verdadeiros heróis, mas carregando um segredo (a grande mentira) que os três guardarão durante muitos anos, na verdade quase trinta anos depois, quando Rachel (Helen Mirren), Peretz (Wilkinson) e Stephan Golden (Ciarán Hinds) voltam a se reencontrar. Para resumir a história e não dar spoiler, Rachel tentará recuperar a verdade, nem que para isso arrisque a própria vida. O filme é muito bom ao carregar no suspense, apresentando como seu maior trunfo o roteiro bem estruturado que nem mesmo os flashbacks conseguem prejudicar a narrativa e o andamento da história. Quem gosta de filmes de espionagem, principalmente aqueles ligados à Segunda Grande Guerra, vai curtir muito.   


quinta-feira, 17 de junho de 2021

 

“STREET FLOW” (“BANLIEUSARDS”), 2019, França, 1h36m, produção original Netflix, direção de Leila Sy e Kery James. Este último também assina o roteiro. Ele é um rapper francês de grande sucesso, cujo nome verdadeiro é Alix Mathurin. Ele também atua no filme. A história tem como pano de fundo a situação dos imigrantes, principalmente árabes e africanos, que ocupam os subúrbios das grandes cidades francesas e são, de certa forma, segregados da sociedade francesa. O enredo é centrado em uma família de imigrantes senegaleses, a mãe (Kani Diarra), o filho adolescente Noumouké (Bakary Diombera) e o jovem Soulaymaan (o estreante Jammeh Diangana), estudante do primeiro ano de Direito. O filho mais velho, Demba (Kery James), é a ovelha negra da família. Foi preso traficando drogas, saiu da cadeia e continua na vida de crime. O jovem Noumouké começa a dar trabalho, começa a roubar e acaba expulso do colégio. A história explora a dúvida de Noumouké em seguir os passos do irmão mais velho delinquente ou então do irmão universitário que não se envolve em confusão. A coisa piora de vez quando Noumouké, ao lado de uma jovem delinquente, rouba o dinheiro de um traficante. Ao mesmo tempo em que se envolve nos problemas do irmão mais novo e do mais velho, além de um grave problema de saúde da mãe, Soulaymaan estuda para participar de um júri simulado na faculdade, cujo tema é justamente analisar a responsabilidade do Estado pela atual situação dos subúrbios e, consequentemente, dos imigrantes. Soulaymaan fica encarregado da defesa do Estado, enquanto sua colega e oponente Lisa (Chloé Jouannet) é responsável por acusar o Estado. Esse embate é um dos pontos altos do filme: o imigrante negro defendendo o Estado e a loira de olhos azuis contra. “Street Flow” estimula uma grande reflexão sobre o problema dos imigrantes na França e, claro, em outros países da Europa. Mérito para a diretora estreante Leila Sy e para o roteirista, também estreante, Kery James, que criaram um filme impactante, poderoso e muito esclarecedor. Imperdível!

quarta-feira, 16 de junho de 2021

 

“PERFEIÇÃO INSONDÁVEL” (“WHAT LIES BELOW”), 2021, Estados Unidos, 1h29m, roteiro e direção de Braden R. Duemmler. Para criar a história, Duemmler reuniu dois gêneros: suspense e ficção científica. Começa quando Michele Wells (Mena Suvari) e sua filha adolescente Liberty (Ema Horvath) estão a caminho da casa de campo da família. Quando chegam, encontram com o bonitão John Smith (Trey Tocker), namorado de Michele que, sem a filha saber, o deixou utilizar o porão da casa para suas experiências – ele se diz geneticista aquático. A gente logo percebe que a menina se sente atraída pelo namorado da mãe e é nesse contexto que você imagina que transcorrerá a história. Filha contra a mãe disputando o sujeito, mas é aqui que o enredo toma outro rumo. Aos poucos, Liberty começa a notar algo de estranho com o bonitão, começando quando ela o vê entrando no lago em meio a uma luz dourada. Outros comportamentos estranhos de John fazem com que Liberty alerte a mãe sobre o perigo que está correndo. Tarde demais, pois Michele está apaixonada pelo rapaz, e quando isso acontece a mulher costuma ficar cega e também surda. Pelo que os fatos dão a entender, John é um alienígena encarregado de perpetuar sua espécie aqui na Terra. Aí você imagina: quanta bobagem! Este foi o primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Braden R. Duemmler, e espero que seja o último. Realmente, o filme é uma grande bobagem. É mesmo muito ruim, chegando a ser considerado, por críticos e assinantes da Netflix, como o pior filme da plataforma. Talvez o pior deste século. Um dos críticos chegou a escrever que, diante dessa verdadeira agressão à nossa inteligência, “Hitchcock e os irmãos Lumière devem estar se revirando em seus túmulos”. Fuja a galope!

segunda-feira, 14 de junho de 2021

 

“MOM”, 2017, Índia, disponível na Netflix, 2h26m, filme de estreia do diretor Ravi Udywar, seguindo roteiro de Girisa Kohli. Mais um bom suspense policial de Bollywood, abordando um tema que escancara uma ferida aberta na sociedade machista da Índia, ou seja, a cultura do estupro, onde a vítima acaba quase sempre sendo julgada culpada. É dentro desse contexto que transcorre a história de “Mom”. Depois que sua enteada adolescente Arya (Sajal Ali) é estuprada e fica entre a vida e a morte em um hospital, a professora de biologia Devki Sabarwal (Sridevi Kapoor) exige que os responsáveis sejam presos e punidos. Encarregado da investigação, o detetive Matheu Francis (Akshaye Khanna) consegue identificar e prender os quatro estupradores. Eles vão a julgamento e, mesmo com todas as evidências contrárias, inclusive depois do depoimento da própria vítima reconhecendo seus agressores, o juiz resolve soltar o quarteto alegando falhas nas provas. Lá, também a justiça é machista. Só faltou prender a jovem Arya. Já que é assim, pensou Devik, o negócio é fazer justiça com as próprias mãos. Com a ajuda de um detetive particular, ela vai atrás de cada um para executar o seu plano de vingança. Apesar da sua longa duração, o filme em nenhum momento deixa a peteca cair. Prende a atenção do começo ao fim, o que faz de “Mom” um ótimo entretenimento. Este foi o último filme estrelado pela atriz Sridevi Kapoor, uma das mais famosas de Bollywood. No início de 2018, meses depois do final das filmagens, ela morreu afogada na banheira de um hotel, notícia que chocou a Índia e seus milhares de fãs. Trocando em miúdos, “Mom” é ótimo, um filmaço!      

domingo, 13 de junho de 2021

 

“A MULHER ILEGAL” (“LA DONA IL-LEGAL”), 2021, Espanha, produção original Netflix, 1h59m, roteiro e direção de Ramon Térmens. Trata-se de um drama poderoso e comovente cuja temática é a situação dos refugiados que chegam à região da Catalunha buscando uma vida melhor do que aquela em que viviam em seus países de origem ou fugindo de guerras e perseguições políticas. A história, inspirada em vários fatos reais, é centrada no advogado ativista Fernando Vila (o ator argentino Daniel Faraldo), especialista em cuidar dos imigrantes ilegais, a maioria deles confinada em Centros de Internação de Estrangeiros (CIES) até que seus casos sejam julgados. Além disso, Vila também colabora com a ONG “Braços Abertos”, entidade criada para ajudar os refugiados. Em meio ao seu trabalho, o advogado recebe uma denúncia de que a morte da imigrante kosovar Zita Kransniqi (Klaudia Dudová), uma interna do CIE, não foi suicídio, como apareceu na versão oficial, e sim assassinato, pois ela teria testemunhado o espancamento e morte de um refugiado. Ao investigar o caso, Vila descobrirá uma rede de prostituição de imigrantes que atua na Catalunha, assim como o envolvimento de policiais e autoridades políticas. Uma das prostitutas é a nigeriana Juliet Okoro (Yolanda Sey), que ajudará o advogado a chegar aos responsáveis pelo esquema, incluindo o policial Oriol Cadenas (Isak Ferriz) e o diretor de um CIE (Boris Ruiz). Além desse desafio, que quase lhe custará a vida, Vila dedica grande parte de seu tempo à esposa Rosa (Montse Germán), que sofre de um câncer em fase terminal. “A Mulher Ilegal” é uma poderosa denúncia social, política e racista, além de um filme envolvente e muito tocante. Uma das razões é o seu estilo quase documental, quando explora as entrevistas feitas por Vila com os imigrantes em dificuldades. Aliás, nos créditos finais, aparecem depoimentos de vários imigrantes que viveram essa triste realidade. Enfim, um filmaço que não pode deixar de ser visto.       

                               

sexta-feira, 11 de junho de 2021

 

“E AMANHÃ...O MUNDO TODO” (“UND MORGEN DIE GANZE WELT”), 2020, Alemanha, 1h51m, produção original Netflix, direção de Júlia von Heinz, que também assina o roteiro com John Quester. Ambientado nos anos 80, trata-se de um drama de fundo político centrado na jovem Luisa (Mala Emde), de 20 anos, estudante da Faculdade de Direito. De uma família de classe alta, Luisa sempre teve um comportamento rebelde e não foi nenhuma surpresa quando ela ingressou, por intermédio de sua colega Batte (Luisa-Céline Gaffron), num grupo de ativistas responsável por manifestações públicas contra políticos de extrema direita. Também realizavam passeatas contra os neonazistas, racistas, xenófobos e homofóbicos.  No grupo, havia aqueles que pregavam protestos pacíficos, com vaias e algumas tortas jogadas nos políticos, e outra turma que pregava a violência nas manifestações, com atentados e pancadarias. Luisa passou para a turma violenta, participando de algumas brigas, sendo que em uma delas acabou ferida. O filme inteiro acompanha os bastidores das reuniões, suas discussões a respeito dos rumos da política nacional e internacional, além do planejamento de novas manifestações de protesto. Esse contexto deixa o filme bastante interessante, principalmente para quem viveu os grandes protestos da década de 60 aqui no Brasil e no mundo afora. Quem gosta de dramas políticos, ao estilo de “Os 7 de Chicago”, vai curtir este filme alemão, que estreou, cercado de elogios, no 77º Festival Internacional de Cinema de Veneza e foi escolhido para representar a Alemanha na disputa do Oscar 2021 de Melhor Filme Internacional (eu preferia quando era denominado Filme Estrangeiro).        

quarta-feira, 9 de junho de 2021

 

“FICA COMIGO” (“YOU GET ME”), 2017, Estados Unidos, disponível na Netflix, 1h29m, marca a estreia de Brent Bonacorso na direção – é mais conhecido como diretor de curtas e comerciais -, seguindo roteiro de Ben Epstein. Mais um suspense do gênero “atração fatal”, desta vez uma atração fatal juvenil. E com outra grande diferença com relação à mais famosa atração fatal do cinema, de 1988, com Glenn Close e Michael Douglas: ao invés da feiosa Close, entra a bela e sensual Bella Thorne. Esta sim, vale uma “atração fatal”, mas depois aguente as consequências. Isto porque Holly, sua personagem, é completamente louca e com tendências homicidas. Tudo começa numa festa de jovens. O bonitão Tyler (Taylor John Smith) tem uma crise de ciúme e acaba brigando com sua namorada, Alison (Halston Sage). Na mesma festa, ele conhece Holly. Não precisou de muito papo para os dois acabarem na cama. Um dia depois, Tyler retoma o namoro com Alison, e quando Holly fica sabendo vira uma fera. Sua vingança se transforma em paranoica obsessão. Para começar, Holly ingressa na mesma escola onde estudam Tyler e a namorada. Daí para a frente, até o desfecho, Holly partirá para o tudo ou nada, e muita gente vai se machucar pelo caminho. A cada cena, seja qual for a situação, Bonacorso explora a beleza e a sensualidade de Bella Thorne, realmente uma jovem atriz muito bonita. Mas nem isso chega a fazer de “Fica Comigo” um filme inesquecível. Mas dá para tomar alguns sustos, garantindo um bom entretenimento.         

                               

terça-feira, 8 de junho de 2021



“JO PIL-HO: O DESPERTAR DA IRA” (“AK-JIL-GYEONG-CHAL”), 2019, Coreia do Sul, 2h7m, roteiro e direção de Lee Jeong-Beom, disponível na plataforma Netflix. Mais um ótimo suspense policial sul-coreano. O personagem principal da história é Jo Pil-Ho (Sun-Kyun Lee), detetive da Divisão de Homicídios de Ansan, uma importante cidade industrial da Coreia do Sul. Suspeito de corrupção, ele é frequentemente investigado pelos agentes da corregedoria. Logo no início, o filme já comprova que ele é realmente corrupto, participando de um roubo a caixas eletrônicos. O golpe seguinte é que dará margem ao resto da história. Ele e um comparsa tentarão roubar um armazém da própria polícia, ao mesmo tempo em que outra turma de bandidos busca, no mesmo local, documentos que contêm provas contra autoridades do governo e seu envolvimento com as empresas Taesung, o maior conglomerado industrial do país. A ação conjunta acaba gerando um violento incêndio que coloca abaixo o armazém, destruindo toda aquela documentação. Dessa forma, Jo Pil-Ho acaba se envolvendo numa conspiração política e industrial que colocará sua vida em risco, assim como de outras pessoas, inclusive Mina (Jeon So-Nee), uma jovem ladra que diz ter em seu celular um vídeo mostrando toda a ação que culminou no incêndio. Aí o filme se transforma numa caçada implacável à jovem, que em determinado momento passa a ser protegida por Jo Pil-Ho. Até o desfecho, muito sangue vai jorrar e muita gente vai morrer. “Jo Pil-Ho” tem ação na medida certa e muita violência, mas evita os clichês característicos do gênero policial, como perseguições, lutas coreografadas e tiroteios.  Em resumo, é um ótimo suspense policial que prende a atenção do começo ao fim, mesmo com sua exagerada duração. Merece ser visto principalmente por quem curte o gênero.          


segunda-feira, 7 de junho de 2021

 

“DOCE VIRGÍNIA” (“SWEET VIRGINIA”), 2017, coprodução Canadá/Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h45m, direção de Jamie M. Dagg, seguindo roteiro escrito pelos irmãos Benjamin e Paul China. Uma grata surpresa do cinema independente este suspense policial neo-noir ambientado numa pequena cidade do Alasca. Começa o filme e três homens são assassinados a sangue-frio numa lanchonete. O espectador já sabe quem é o assassino e logo descobre também que ele agiu a mando da esposa de um deles, Lila (Imogen Poots). Ou seja, o roteiro não esconde os segredos da história, o que é inovador em termos de um filme de suspense. Também não esconde o fato de que Bernie (Rosemarie DeWitt), uma das viúvas, vive um caso extraconjugal com Sam Rossi (Jon Bernthal), um ex-astro dos rodeios que é dono de um motel, o “Sweet Virginia” do título. Pois é aqui que o assassino, Elwood (Christopher Abot), está hospedado. Ao mesmo tempo em que a população da pequena cidade lamenta a perda de três de seus destacados cidadãos, Elwood engata uma amizade com Rossi, enquanto espera que Lila arranje o dinheiro para pagá-lo. Não demora muito para que Elwood revele sua personalidade psicótica, o que garante boas sequências de suspense e violência. Este é o segundo longa-metragem escrito e dirigido por Dagg – o primeiro foi “River”, de 2015. “Doce Virgínia” vem comprovar sua competência, pois é um filme muito interessante que merece ser recomendado. Um thriller de primeira.     

                               

domingo, 6 de junho de 2021

 

“ULTRAS”, 2020, Itália, produção original Netflix, 1h48m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Francesco Lettieri. "Ultras" são denominadas as torcidas organizadas na Itália. O filme acompanha a trajetória dos “Apaches”, torcida organizada do time do Napoli. É considerada uma das mais violentas da Europa, equivalendo-se aos temíveis hooligans ingleses. São tão fanáticos que cantam seus hinos de guerra até durante os casamentos de seus integrantes. Eles procuram brigas em todos os estádios em que a equipe joga. O filme foi realizado num estilo semidocumental, com um elenco de poucos atores conhecidos. A grande maioria é de figurantes recrutados em Nápoles, inclusive entre a própria torcida organizada. O ator mais conhecido é Annielo Arena, que personifica Sandro “Moicano”, um dos líderes da velha guarda dos “Apaches”. O foco principal da história é justamente a divisão entre os membros da torcida. Os mais velhos como Sandro “Moicano”, na faixa dos cinquenta anos, defendem uma atuação mais moderada, enquanto a turma que está na faixa dos trinta anos, constituída por muitos skinheads, exige uma participação mais violenta. Ainda existe uma terceira turma, a dos adolescentes, que almejam integrar o grupo para participar da violência. O retrato que o filme faz desse pessoal é o pior possível. Quando não vão aos estádios brigar com a polícia e a torcida adversária, eles passam os dias bebendo e fumando maconha. A única atividade perto de um trabalho é a confecção de faixas para exibir nos próximos jogos do Napoli, que já teve Maradona como seu grande ídolo. Para amenizar o tom violento da história, o diretor Lettieri inventou um romance entre “Moicano” e Terry (Antonia Trupo, outra atriz mais conhecida). Trocando em miúdos, “Ultras” é um filme bastante interessante, mas passa longe de um entretenimento leve.     

sábado, 5 de junho de 2021

 

“ESQUADRÃO 6” (“6 UNDERGROUND”), 2019, Estados Unidos, produção original Netflix, 2h8m, direção de Michael Bay, seguindo roteiro escrito por Paul Wernick e Rhett Reese. Se você for fã dos filmes de ação, não deixe de assistir. Como na maioria das produções dentro desse gênero, a história pouco importa. O que vale mesmo são as cenas de ação. E são muitas, algumas delas espetaculares, como aquela que acontece nas ruas de Florença (Itália) nos primeiros vinte minutos. São de tirar o fôlego. Vamos à história. Um bilionário (Ryan Reynolds) forma uma equipe de seis agentes para lutar pelo bem no mundo inteiro. Com um detalhe: todos são considerados desaparecidos ou mortos, ou seja, agem clandestinamente. Cada um deles recebeu um número: Reynolds é o number one; Mélanie Laurent é a number two; o número três é Manuel Garcia-Rulfo; o número 4 é Ben Hardy: a número cinco é Adria Arjona; e o número seis é Dave Franco. Na missão executada em Florença, o número seis acaba morrendo durante a perseguição. Ele logo é substituído por um ex-soldado do exército norte-americano, Corey Arjona, nomeado como o número sete. A próxima missão da equipe é destituir e prender o sanguinário ditador Ravach Alimov (Lior Raz), que governa a república (fictícia) do Turgistão. Ele é responsável pelo assassinato em massa de seus opositores. Na caçada ao ditador, o “Esquadrão 6” viajará por várias partes do mundo, sempre em seu encalço. O ritmo do filme é frenético, com muitas cenas de ação muito bem realizadas, o que é uma especialidade do diretor norte-americano Michael Bay, que tem no currículo ótimos filmes do gênero, como “13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”, “Sem Dor, Sem Ganho”, “Pearl Harbor” e todos os filmes da franquia “Transformer”. Por causa das sensacionais cenas de ação, “Esquadrão 6” é considerado o filme mais radical de Bay. Além disso, é o segundo filme mais caro já produzido pela Netflix, feito com um orçamento de US$ 150 milhões, somente abaixo de “O Irlandês, de Martin Scorsese, que gastou US$ 175 milhões. Resumo da ópera: “Esquadrão 6” é, sem dúvida, um dos melhores filmes de ação dos últimos anos. Imperdível!   

quinta-feira, 3 de junho de 2021

 

“THE SOUL” (“JI HUN”), 2021, China/Taiwan, disponível na Netflix, 2h10m, roteiro e direção de Cheng Wei-Hao. A história é baseada no romance “Ji Hun”, escrito por Bo Jiang. Estamos em Taipé (capital de Taiwan), ano de 2033. Trata-se, portanto, de uma ficção científica. Mas não só. O enfoque principal é a investigação policial sobre a morte misteriosa do sr. Wang (Samuel K), presidente de um grande grupo empresarial. Na cena do crime, está ao seu lado, desmaiada, sua esposa Li Yan (Anke Sun). O que surpreende ainda mais é que o local parece ter sido palco de um ritual místico, obra do filho do empresário, o maluquinho Tian-You (Lin Hui Min). O promotor Liang Wenchao (Zhang Zhen) e sua esposa, a policial A-Bao (Janine Chang), são encarregados de comandar as investigações. Liang, por sinal, está enfraquecido por um câncer em metástase, mas ele se recusa a descansar. Até aqui, o foco é o trabalho da polícia. Além do suspense policial, a história cria, em torno do crime, fatos que exploram o sobrenatural, troca de corpos, possessão, terror oculto e, por fim, o drama do promotor sofrendo de dores e de metástase no cérebro. Tudo misturado, mais os nomes complicados dos personagens, leva a gente a confundir as coisas. Ou seja, não é um filme muito fácil de digerir, ainda mais pela sua longa duração. De qualquer forma, é um filme esteticamente muito interessante, com uma primorosa fotografia e uma reviravolta bem legal perto do desfecho. Vale a pena assistir. Obs.: estou assistindo a tantos filmes chineses que daqui a pouco estarei falando mandarim (quem dera!)...   

                               

        

terça-feira, 1 de junho de 2021

 

“PASSAGEIRO ACIDENTAL” (“STOWAWAY”), 2020, EUA, 1h56m, produção original Netflix, roteiro e direção do cineasta brasileiro Joe Penna. Mais do que ficção científica, trata-se de um drama de sobrevivência no espaço, resultando em um bom suspense na segunda metade. Uma nave com três tripulantes é enviada para cumprir uma missão de dois anos em Marte. Patrocinada por uma empresa chamada Hyperion, a viagem tem o objetivo de realizar pesquisas no planeta desabitado. A equipe é chefiada pela experiente comandante Marina Barnett (Toni Collette) e conta com a médica Zoe Levenson (Anna Kendrick) e com o cientista botânico David Kim (Daniel Dae Kim). A primeira etapa da viagem compreende uma parada na estação orbital Kingfisher. Quando faz o trabalho de checagem dos equipamentos da nave, eis que a comandante Marina tem uma enorme surpresa. Preso no compartimento onde fica o conjunto de remoção de dióxido de carbono, ela encontra um homem ferido, o tal passageiro acidental do título. Trata-se do engenheiro Michael Adams (Shamier Anderson), que pouco antes da decolagem da nave sofreu um acidente que o deixou preso naquele compartimento. O seu peso causou sérios danos ao equipamento, prejudicando o fornecimento de oxigênio. Eis agora o grande e trágico problema. A configuração da nave, incluindo o nível de oxigênio, foi planejada para abrigar três tripulantes. Com o acidente, sobrará oxigênio para apenas dois tripulantes. Olha só a enrascada. Após analisar as alternativas, eles chegam à conclusão de que só existe uma saída. Buscar oxigênio em um tanque localizado a 450 metros da estação, só acessível por dois cabos de aço. Agora sim, começam os melhores momentos de tensão do filme, pois até aí o filme estava bem entediante, com muito papo furado. A distância terá de ser percorrida por uma arriscada escalada pelos cabos de aço, ainda mais que está chegando nada mais nada menos que uma tempestade solar. Essa parte do filme tem sequências de tirar o fôlego, o que, por si só, acaba “valendo o ingresso”. Este foi o segundo filme escrito e dirigido por Joe Penna, 34 anos – o primeiro foi “Ártico” (“Arctic”), filmado na Islândia e estrelado pelo ator Mads Mikkelsen. Joe Penna, aliás Jônatas de Moura Penna, nasceu em São Paulo e está radicado há alguns anos nos Estados Unidos.  Como não sou muito fã de ficção científica, prefiro recomendar “Passageiro Acidental” apenas pra quem vive no mundo da lua.     

 

segunda-feira, 31 de maio de 2021

 

“WILD DOG”, 2020, Índia, 2h25m, disponível na Netflix, roteiro e direção de Ashishor Solomon. Mais um bom filme de ação e espionagem produzido por Bollywood, contando uma história baseada em fatos reais. Durante a primeira década deste século, vários de atentados à bomba foram responsáveis pela morte de centenas de indianos em várias cidades do país. A autoria dos crimes foi assumida pelo grupo Mujahideen indiano, chefiado pelo terrorista Yasin Bhatkal, que seria preso por agentes da Agência Nacional de Investigação (NIA) numa operação secreta no Nepal. “Wild Dog”, título original do filme e nome da operação efetuada para capturar o terrorista, conta tudo a respeito do planejamento e execução daquele que seria considerado um ato heroico dos agentes do NIA. Vijay Varma (Nagarjuna Akkineni), oficial nomeado para comandar a operação, ficou famoso por assassinar sem perdão aqueles que julgava traidores da pátria, incluindo inúmeros terroristas – em um dos atentados, a filha de Varma foi uma das vítimas fatais. Por suas atitudes intempestivas, Varma passou a ser chamado de “Cão Selvagem”. Quando os atentados terroristas aumentaram, Varma trabalhava no serviço burocrático, uma punição por ter agredido um oficial superior. Para organizar a operação destinada a capturar os terroristas, o governo indiano resolveu recrutar novamente o “Cão Selvagem”, que chamou três homens de sua confiança e mais uma agente que trabalhava como espiã no Nepal, Arya Pandit (Saiyami Kher, a atriz mais bonita de Bollywood). Os cinco seriam responsáveis pela prisão do terrorista, numa arriscada operação clandestina no Nepal. Apesar de bem movimentado, com muita ação e suspense, o filme exagera na patriotada, muito mais do que os norte-americanos costumam fazer com os atos heroicos dos seus soldados. Mas isso não tira os méritos desse ótimo filme indiano, mais um gol de placa de Bollywood. Como curiosidade adicional, o filme é falado em telugo, uma das 22 línguas oficiais da Índia, a terceira mais falada no país, atrás do hindi e do bengalês. “Wild Dog” é um filmaço. Não perca!  

 

domingo, 30 de maio de 2021

 

“THE LAST DAYS OF AMERICAN CRIME” (repito o título original, como está na Netflix), 2020, Estados Unidos, 2h29m, direção do cineasta francês Olivier Megaton. O roteiro, assinado por Karl Gajdusek, é uma adaptação da história em quadrinhos que leva o mesmo título, lançada em 2009, de autoria de Rick Remender e do ilustrador brasileiro Greg Tocchini. Trata-se de um filme de ação ambientado num futuro não muito distante.  O personagem principal é Graham Bricke (Edgar Ramirez), um conhecido ladrão de bancos que, ao lado de milhares de outros marginais, recebeu um chip, colocado atrás da orelha, que emite um sinal que impossibilita as pessoas de cometerem atos ilegais. Após passar por estudos de eficiência, o governo norte-americano resolve anunciar o dia em que o sinal do chip será acionado. Ao mesmo tempo em que isso está acontecendo, Bricke recebe a notícia de que seu irmão se suicidou na cadeia. Será que não foi assassinado? Enquanto tenta desvendar esse mistério, Bricke conhece Kevin Cash (Michael Pitt) e sua namorada Shelby Dupree (Anna Brewster), um casal de malandros drogados que o convida para praticar um último assalto antes do chip ser acionado. O fato de ser um montante de 1 bilhão de dólares desperta o interesse de Bricke. Os três planejam o assalto e a fuga para o Canadá. Apesar de algumas boas sequências de ação, uma especialidade do diretor Megaton (“Busca Implacável 2 e 3”, “Carga Explosiva 3”, “Colombiana: Em Busca de Vingança”), o filme se estende demais em diálogos fúteis e no romance de Bricke com Shelby, a namorada de Kevin. O ator venezuelano Edgar Ramirez, que continua sendo bastante requisitado por Hollywood, é o único do elenco que merece destaque por sua atuação. A atriz e modelo inglesa Anna Brewster não decepciona, mas também não convence. Michael Pitt exagera no papel de drogado, filhinho de papai e rebelde sem causa, assim como outros vilões caricaturais. Nunca fui muito amigo de adaptações das atuais histórias em quadrinhos, principalmente daqueles tais mangás japoneses. “The Last Days of American Crime” é mais uma decepcionante adaptação, com um roteiro complicado que se estende demais da conta, comprovando o exagero da duração de duas horas e meia. Trocando em miúdos, nada de especial, um filme apenas descartável.    

 

                               

        

sexta-feira, 28 de maio de 2021

 

“HOLIDAYS”, 2016, Estados Unidos, 1h45m, disponível na Netflix. Trata-se de uma coletânea de 8 contos de terror e suspense adaptados para o cinema. Horripilantes, como consta dos materiais de divulgação. Nem tanto. A história de cada um faz referência a uma data comemorativa ou a alguns feriados do ano, como Valentine’s Day (Dia dos Namorados), Saint Patricks Day (Dia de São Patrício), Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Halloween (Dia das Bruxas), Natal e Ano Novo. Cada segmento conta com um roteirista e diretor diferentes, assim como os elencos variam de conto para conto. Embora a ideia seja interessante – não que seja novidade -, o produto final deixa muito a desejar. Se a intenção foi realizar histórias horripilantes, o resultado ficou parecendo uma sátira pouco inteligente e até risível, embora garanta alguns sustos. Tem mulher parindo uma cobra gigante, um Jesus Cristo estilizado de monstro e coelho, uma adolescente que arranca o coração de uma colega para presentear o professor de natação e uma mulher que a cada transa fica grávida. E por aí vai. Muita bobagem reunida em um projeto que poderia ser bem interessante, mas naufraga na incompetência geral, principalmente de quem inventou as histórias, normalmente os roteiristas. Os diretores e o elenco têm pouca culpa. Não dá para assistir nem nos feriados...  

 

quarta-feira, 26 de maio de 2021

 

“SANGUE NA BOCA” (“SANGRE EN LA BOCA”), 2016, coprodução Argentina/Itália, 1h37m, direção de Hernán Belón, que também assina o roteiro com a colaboração de Marcelo Pitrola. Trata-se de um drama de fundo esportivo e erótico, cujo principal personagem é o pugilista profissional Ramón Alvia (Leonardo Sbaraglia), mais conhecido como “El Tigre”. Perto dos 40 anos, após conquistar o título sul-americano em sua categoria, ele promete à esposa Karina (a atriz italiana Erica Banchi) que encerrará a carreira nos ringues para ajudá-la a montar um estabelecimento comercial. Um dia, porém, ao visitar os amigos no ginásio de treinamento, ele conhece a jovem pugilista Débora (Eva De Dominici), por quem se apaixona, e vice-versa. É uma paixão avassaladora que resultará no fim do seu casamento. Além disso, cheio de energia, ele colocará seu título em jogo contra um lutador muito mais jovem. Mas sua felicidade, tanto na cama com a amante, como também nos ringues, não durará muito. O filme tem como seu principal trunfo o desempenho do elenco, principalmente o astro argentino Sbaraglia, que também faz sucesso no cinema espanhol, a estonteante e boa atriz também argentina Eva de Dominici e a italiana Erica Banchi. As cenas de luta são muito bem coreografadas, lembrando que os argentinos têm uma longa tradição de bons pugilistas e adoram o esporte. Mas o que me chamou mais a atenção foram as cenas calientes de sexo, realistas à beira do explícito, e que exploram com muita competência a beleza da atriz Eva De Dominici. Recomendo que, antes de apertar o play, retire as crianças da sala. Eu gostei muito e recomendo. Mais um filme argentino a fazer inveja a nosotros.         

terça-feira, 25 de maio de 2021

 

FERRY, 2020, coprodução Bélgica/Holanda, 1h46m, roteiro de Nico Moolenaar e Bart Uytdenhouwen, direção de Cecilia Verheyden, produção Netflix. Baseada em fatos reais envolvendo o famoso criminoso holandês Janus Van Wessenbeeck, que na primeira década deste século era um grande traficante que atuava na Bélgica e na Holanda a partir de Amsterdã, recebendo o apelido de “Pablo Escobar da Europa”. No filme, o seu personagem recebeu o nome de Ferry Bouman (Frank Lammers). “Ferry” conta sua trajetória no crime, primeiro como principal gangster e braço direito do chefão mafioso Brink (Huub Stapel) e depois assumindo um cartel que fabricava e vendia drogas sintéticas, principalmente ecstasy. O filme logo teve uma sequência, a série televisiva “Operação Ecstasy” (“Undercover”), também disponível na Netflix. O filme começa com um assalto no escritório do chefão Brink, que culmina com a morte de seu filho. Ferry fica encarregado de cumprir a vingança, ou seja, assassinar os três responsáveis. A missão o leva a Brabant, sua cidade natal, no interior da Holanda. Ele descobre que sua primeira vítima mora num acampamento de trailers, onde Ferry aluga um para vigiar os passos do seu alvo. Além disso, ele voltará a ter contato com sua irmã Claudia (Monic Hendrickx), que não vê há cinco anos e que está sofrendo de um câncer terminal. Em meio à sua vigilância no acampamento, Ferry conhece Daniëlle (Elise Schaap), que será responsável por amolecer o coração do gângster, mas não capaz de impedir sua vingança. O ator holandês Frank Lammers carrega o filme nas costas compondo o personagem de um sujeito aparentemente bonachão, mas que na realidade é um assassino frio e violento. Quem gosta de curtir filmes com personagens mafiosos, como eu, vai curtir muito “Ferry” e muito mais a série “Operação Ecstasy”, que também pretendo assistir.